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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIANGULO MINEIRO

Nome: Robson Naves da Silva Curso: Licenciatura de Matemática


Disciplina: Filosofia e Politica Data: 04/04/2019

EXCELÊNCIA: HÁBITO DE FAZER BEM SUAS FUNÇOES

Resumo

Objetivo deste trabalho e tentar compreender melhor o conceito de “excelência”


mencionado por Aristóteles em sua obra “ética Nicômaco” utilizando também o termo
“areté”, palavra de origem grega, que em suas implicações, se refere às palavras como
“Virtude ou Excelência”. Para isso usaremos de citações do próprio Aristóteles assim como as
de outros autores, a fim de podermos compreender tal conceito de forma mais clara.

Introdução

Para compreender os conceitos de excelência levantados por Aristóteles, serão


abordados alguns conceitos como o “bem”, felicidade, meio-termo dentre outros, para que
seja possível fazer uma relação entre estes conceitos e a utilização do termo areté utilizado
por Aristóteles.

Aristóteles fez uma diferença entre virtude intelectual (sophia), e virtude moral
(phrônesis), na qual a primeira se consistia em ser adquirida através do estudo ou do
aprendizado e a segunda com conceitos da alma ou da natureza, que por sua vez devem ser
praticada para que se torne um hábito e não apenas um ato isolado. O conceito de excelência
nos guiará para a construção de um caráter virtuoso, com a finalidade de alcançar o bem.
No mundo atual existem grandes exigências na formação dos indivíduos, onde é
necessária a superação da expectativa da sociedade, para desempenhar nossas funções na
sociedade atual, exigem-se cada vez mais esforços para se alcançar o bem. Logo a busca pela
excelência torna-se cada vez mais longa e de padrões cada vez mais altos e difíceis de serem
alcançadas. Será que essa busca constante da perfeição/excelência nos guiara realmente a
felicidade? Essa busca será realmente satisfatória? Num mundo tão corrupto e de tamanhas
diferenças econômicas e culturais entre indivíduos seria de bom aproveito viver de ações
virtuosas? Reflexão que vamos fazer através do discurso deste texto.
Conceito de “Bem”

A palavra bem foi utilizada por Aristóteles como fim ou finalidade de que se espera
quando praticamos um ato, de tal modo, que ela pode ser uma conquista moral, pessoal,
financeira, imóvel etc. desta maneira aquilo que nos faz empenharmos a um proposito ou que
nos move a fazer algo de modo direto ou indireto, tendo como finalidade sempre alcançar o
bem, observemos a citação de Aristóteles.

[...] toda ação e toda escolha, têm em mira um bem qualquer; e por isso foi
dito, com muito acerto, que o bem é aquilo a que todas as coisas tendem. Mas
observa-se entre os fins certa diferença: alguns são atividades, outros são produtos

distintos das atividades que os produzem. (E.N, II, p. 1, 1991)

[..] pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele
mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; e se é verdade que nem
toda coisa desejamos com vistas em outra (porque, então, o processo se repetiria
ao infinito, e inútil e vão seria o nosso desejar), evidentemente tal fim será o bem,

ou antes, o sumo bem. (E.N, II, p. 2, 1991)

Depreende-se que aquilo que buscamos através de nossos atos serão o bem, e este será
buscado através do esforço e exercícios repetitivos até que se alcance a excelência, assim
alcançaremos aquilo que tanto almejamos este será o bem por excelência, logo encontraremos
à felicidade.

Conceito de Excelência

A excelência ou “grau máximo de bondade”, segundo o dicionário (disponível:


www.dicio.com.br/excelencia/ acessado em 23/03/2019). É tratado por Aristóteles, também
como “areté”, tal termo, não possui significado em nosso dicionário, mas em busca de uma
explicação mais aprofundada foi encontrado os seguintes dizeres.

[...] O autor ressalta que não temos na língua portuguesa uma expressão que
equivale exatamente a este termo, mas apenas a palavra “virtude” (JAEGER, 1994,
p. 25). Cabe observar que na tradução da obra Ética a Nicômaco feita pela Editora
Universidade de Brasília (Edunb) usa-se o termo excelência para traduzir o conceito
areté. Sendo assim, será usado no presente trabalho o termo areté e também
excelência a fim de não levar o leitor a uma compreensão equivocada do referido
conceito como pode ocorrer ao se falar “virtude”, uma vez que esta palavra carrega
consigo o sentido moral cristão que a ela fora atribuído no decorrer do tempo.
Disponível em (http://famariana.edu.br/blog/2017/10/20/a-arete-no-
pensamento-aristotelico/ acessado em 23/03/2019).

Aristóteles pressupõe que a excelência é uma busca constante ou a prática habitual de


fazer bem no nosso modo de agir, em todos os aspectos possíveis sendo eles intelectuais ou
morais que farão o reconhecimento do caráter virtuoso. Logo, a prática de apenas um ato
ético, não nos fará um homem virtuoso.

[...] por natureza, nem contrariando a natureza que as virtudes se geram em nós.
Diga-se, antes, que somos adaptados por natureza a recebê-las e nos tornamos
perfeitos pelo hábito. (E.N, II. p.29, 1991)

Segundo Aristóteles, não nascemos com características virtuosas, mas podemos nos
adaptar a tais características e assim alcançarmos a caráter virtuoso pelo hábito de ações
éticas. Uma vez que se busca a formação de caráter virtuoso através ações éticas, o constante
exercício de boas condutas é um trabalho árduo que demanda tempo e muito empenho. A
excelência trata de uma opção pessoal que não pode ser transferida a outro, nem pode ser
comparada a outro, Aristóteles utilizou a expressão aoristo, como incomparável, uma vez que
existe certa subjetividade, entre um e outro. O que devemos nos atentar, é que para atingir a
excelência sempre se tratará de um processo longo, continuo e muitas das vezes doloroso
certo é, que tendemos em não fazer aquilo que nos causa dor ou constrangimento o que pode
ser necessário para alcançar a excelência, antes procuramos outras formas de fazer algo,
contornar certas situações a fim de fazermos aquilo que nós é mais fácil ou não fazemos de
modo algum. A excelência trata-se de um processo de repetição de atos de uma conduta moral
ou intelectual.

Conceito do meio-termo
A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e
consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada
por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. E é um
meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto
os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às
ações e paixões, a virtude encontra e escolhe o meiotermo. E assim, no que toca à
sua substância e à definição que lhe estabelece a essência, a virtude é uma
mediania; com referência ao sumo bem e ao mais justo, é, porém, um extremo.
(ética nicômaco, )

Sendo, pois, de duas espécies a virtude, intelectual e moral, a primeira, por via de regra, gera-se e
cresce graças ao ensino — por isso requer experiência e tempo; enquanto a virtude moral é adquirida em
resultado do hábito, donde ter-se formado o seu nome por uma pequena modificação da palavra (hábito). Por
tudo isso, evidencia-se também que nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza; com efeito, nada
do que existe naturalmente pode formar um hábito contrário à sua natureza. Por exemplo, à pedra que por
natureza se move para baixo não se pode imprimir o hábito de ir para cima, ainda que tentemos adestrála
jogando-a dez mil vezes no ar; nem se pode habituar o fogo a dirigir-se para baixo, nem qualquer coisa que por
natureza se comporte de certa maneira a comportar-se de outra. (ética nicômaco,p. 14 )

Para que possamos entender a “ética da virtude” ou como prefiro lembrar a “excelência
moral”, um traremos um termo grego traduzido do grego “areté”,

Nos somos o que fazemos repetidas vezes

a reflexão sobre a areté, termo grego traduzido por "virtude" ou “excelência moral", e que,
segundo ele, se diferencia em duas espécies: a excelência intelectual (sophia), das quais são
exemplos a sabedoria, a inteligência, o discernimento; e a excelência moral (phrônesis), das
quais são exemplos a liberdade e a moderação. Na Ética a Nicômaco Aristóteles se ocupa
primordialmente, como é óbvio, da excelência moral, acentuando cada vez mais o papel
central da phrônesis, traduzido como "discernimento" (e em algumas outras traduções como
"prudência").

Fonte:
https://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/e/etica_a_nicomac
o
a virtude diz respeito às paixões e ações em que o excesso é uma forma de erro, assim como a
carência, ao passo que o meio-termo é uma forma de acerto digna de louvor; e acertar e ser
louvada são características da virtude. Em conclusão, a virtude é uma espécie de mediania, já
que, como vimos, ela põe a sua mira no meio-termo. Ética Nicômaco (Aristóteles, pag 1991)

e para cada homem a atividade que concorda com a sua


disposição de caráter é a mais desejável, de modo que para o homem bom são
essas as que concordam com a virtude.

Se a felicidade é atividade conforme à virtude, será razoável que ela esteja


também em concordância com a mais alta virtude; e essa será a do que existe de
melhor em nós.

Sendo, pois, de duas espécies a virtude, intelectual e moral, a primeira, por via de
regra, gera-se e cresce graças ao ensino — por isso requer experiência e tempo;
enquanto a virtude moral é adquirida em resultado do hábito, donde ter-se
formado o seu nome por uma pequena modificação da palavra (hábito). Por tudo
isso, evidencia-se também que nenhuma das virtudes morais surge em nós por
natureza; com efeito, nada do que existe naturalmente pode formar um hábito
contrário à sua natureza. Por exemplo, à pedra que por natureza se move para
baixo não se pode imprimir o hábito de ir para cima, ainda que tentemos adestrála
jogando-a dez mil vezes no ar; nem se pode habituar o fogo a dirigir-se para
baixo, nem qualquer coisa que por natureza se comporte de certa maneira a
comportar-se de outra.
Não é, pois, por natureza, nem contrariando a natureza que as virtudes se geram
em nós. Diga-se, antes, que somos adaptados por natureza a recebê-las e nos
tornamos perfeitos pelo hábito.

Com efeito, as coisas que


temos de aprender antes de poder fazê-las, aprendemo-las fazendo; por exemplo,
os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo esse
instrumento. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos, e
assim com a temperança, a bravura, etc.

Isso, pois, é o que também ocorre com as virtudes: pelos atos que praticamos em
nossas relações com os homens nos tornamos justos ou injustos; pelo que
fazemos em presença do perigo e pelo hábito do medo ou da ousadia, nos
tornamos valentes ou covardes. O mesmo se pode dizer dos apetites e da emoção
da ira: uns se tornam temperantes e calmos, outros sem limites e irascíveis,
portando-se de um modo ou de outro em igualdade de circunstâncias.
Numa palavra: as diferenças de caráter nascem de atividades semelhantes. É
preciso, pois, atentar para a qualidade dos atos que praticamos, porquanto da sua
diferença se pode aquilatar a diferença de caracteres. E não é coisa de somenos
que desde a nossa juventude nos habituemos desta ou daquela maneira. Tem,
pelo contrário, imensa importância, ou melhor: tudo depende disso.

Aristóteles fez uma diferença entre virtude intelectual (sophia), e virtude moral (phrônesis),
na qual a primeira se consistia em ser adquirida através do estudo ou do aprendizado,
educação que nos leva a formação de um conhecimento de determinados assuntos e a segunda
com conceitos da alma ou da natureza, os quais são conceitos racionais onde é necessário ser
praticado dia-a-dia para que se torne um hábito para a formação de um caráter virtuoso e não
apenas um ato isolado.

Sendo, pois, de duas espécies a virtude, intelectual e moral, a primeira, por via de
regra, gera-se e cresce graças ao ensino — por isso requer experiência e tempo;
enquanto a virtude moral é adquirida em resultado do hábito, donde ter-se formado o
seu nome por uma pequena modificação da palavra (hábito). Por tudo isso,
evidencia-se também que nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza;
com efeito, nada do que existe naturalmente pode formar um hábito contrário à sua
natureza. (ARISTÓTELES p.29, 1991).