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Cássio Gagliardi Cozman

ANÁLISE DO USO DO EPI MÁSCARA FACIAL FILTRANTE PARA


PROTEÇÃO CONTRA AGENTES BIOLÓGICOS TRANSMITIDOS POR
BIOAEROSSÓIS EM RELAÇÃO AO USO DA MÁSCARA CIRÚRGICA

São Paulo
2011
2

Cássio Gagliardi Cozman

ANÁLISE DO USO DO EPI MÁSCARA FACIAL FILTRANTE PARA


PROTEÇÃO CONTRA AGENTES BIOLÓGICOS TRANSMITIDOS POR
BIOAEROSSÓIS EM RELAÇÃO AO USO DA MÁSCARA CIRÚRGICA

Monografia apresentada à Escola


Politécnica da Universidade de São
Paulo para a obtenção do título de
Especialista em Engenharia de
Segurança do Trabalho

São Paulo
2011
3

FICHA CATALOGRÁFICA

Cozman, Cássio Gagliardi


Análise do uso do EPI máscara facial filtrante para proteção
contra agentes biológicos transmitidos por bioaerossóis em
relação ao uso da máscara cirúrgica / C.G. Cozman. -- São
Paulo, 2011.
76 p.

Monografia (Especialização em Engenharia de Segurança


do Trabalho) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Programa de Educação Continuada em Engenharia.

1. Doenças ocupacionais 2. Saúde ocupacional 3. Equipa-


mentos de proteção 4. Máscaras (Proteção) I. Universidade de
São Paulo. Escola Politécnica. Programa de Educação Conti-
nuada em Engenharia II. t.
4

DEDICATÓRIA

À minha filha, e todas as mudanças


que já fez e fará no mundo.
5

AGRADECIMENTOS

Ao apoio da minha família,

à MSA do Brasil pela contribuição em financiamento em parte do investimento para


este curso de especialização,

ao meu amigo Prof. Mestre Fernando Bueno, pelo incentivo e contribuições sobre
trabalhos acadêmicos.
6

RESUMO

Muitas doenças que provocam efeitos danosos para o ser humano são transmitidas
por bioaerossóis, tais como a tuberculose pulmonar e laríngea, sarampo, varicela,
SARS, gripe aviária e gripe H1N1. A seleção adequada de equipamento para
proteção respiratória para ambientes de possível contaminação (serviços de saúde e
outros) é uma questão pouco difundida, ficando notável na ocorrência da pandemia
H1N1 (2009) quando houve uma mobilização mundial pelo uso em massa de
máscaras não adequadas. Verifica-se uma tendência em considerar a máscara
cirúrgica tão eficiente quanto o equipamento de proteção respiratória Peça
Semifacial Filtrante PFF2, e o objetivo será confrontar os dados para concluir a
veracidade desta idéia, e realizar uma abordagem na elaboração do Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais para prevenção/proteção deste perigo. Foram
analisados documentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Fundacentro
(Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho), Centers
for Disease Control and Prevention (governo do EUA), livros especializados,
Organização Mundial de Saúde, normas brasileiras, Normas Regulamentares
(Ministério do Trabalho e Emprego) e artigos técnicos variados sobre esta questão,
os quais são base para esta monografia. Foi concluído que o uso da Peça
Semifacial Filtrante PFF2 é obrigatório em ambientes de possível contaminação por
bioaerossóis, enquanto a máscara cirúrgica não apresenta proteção para estas
doenças. Embora o trabalho centra-se em ambientes de saúde, entende-se que esta
discussão se aplica à todos os ambientes industriais pois estas doenças podem
tomar situação de pandemia . Numa situação pandêmica todos os estabelecimentos
podem estar sujeitos à estes perigos biológicos, e portanto o Serviço Especializado
de Segurança e Medicina do Trabalho do estabelecimento tomará medidas de
prevenção/proteção discutidas neste trabalho.

Palavras-chave: Bioaerossóis; EPR; serviços de saúde; perigo biológico;


máscara cirúrgica
7

ABSTRACT

Analysis of the use of PPE face mask respirators to prevent biological


contaminants spread through the airborne route in comparison with the use of
surgical mask

Many heavy diseases for the human being are transmitted by biological airborne,
such as tuberculosis of larynx and pulmonary, measles, varicella, SARS, avian
influenza and H1N1 flu. The correct selection of the PPE for likely contaminated
environments (healthy-care settings and others) is a poorly known issue. It draws our
attention to the H1N1 pandemia (2009) when there was a worldwide mobilization for
the massive use of masks not suitable. We notice a trend to consider the surgical
mask as efficient as the N95 Particulate Filtering Facepiece Respirators, and the
purposes are to compare the data and to conclude how real that idea is and to
outline an elaboration of a Environmental Risks Prevention Program (According to
Brazilian government). This is based on analyzed documents from Brazilian Agency
of Medical Surveillance), Jorge Duprat Figueiredo Foundation of Work Safety and
Health), Centers for Diseases Control (Niosh), Brazilian Standards, Work
Regulamentations (Brazilian government) and diverse technical reports about this
topic which are the monograph´s basis. Lastly, it follows that the use of N95
Particulate Filtering Facepiece Respirator is mandatory on settings likely
contaminated by biological airborne, whereas the surgical mask doesn´t protect for
these diseases. Nevertheless this work is related to health-care settings, this
discussion could be applicable for every industrial setting if we have a pandemic
situation. On a pandemic situation all the industrial places could be at risk, so the
specialized work of health and safety will be in charge to lead the
prevention/protection guidelines which are proposed on this text.

Keywords: Biological airborne, PPE, health-care setting, biological hazard, surgical


mask
8

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Algumas doenças transmitidas por aerossóis, segundo o tipo de 22


transmissão e o período de isolamento.
Figura 2 - Classificação dos equipamentos de proteção respiratória. 26
Figura 3 – Eficiências de filtração para diversos respiradores e a máscara 30
cirúrgica.
Figura 4 – Eficiência de filtração de um respirador N95 para bioaerossol de 31
bactérias de forma e tamanho similar à Tuberculose.
Figura 5 - Classificação dos riscos respiratórios. 37
Figura 6 - Esquema de respirador purificador de ar não motorizado – Peça 38
semifacial filtrante.
Figura 7 – Normas aplicáveis à máscara cirúrgica no Brasil. 42
Figura 8 – Máscara Cirúrgica. 44
Figura 9 – Normas aplicáveis à máscara cirúrgica nos EUA. 44
9

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Taxas de sedimentação de partículas no ar 21


Tabela 2 - Penetração inicial máxima de aerossol de teste nas peças 40
semifaciais filtrantes
Tabela 3 - Resistência máxima (Pa) à respiração das peças semifaciais 40
filtrantes
Tabela 4 – Preços das máscaras 45

.
10

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 12

1.1 OBJETIVO 12
1.2 JUSTIFICATIVA 15
2 REVISÃO DE LITERATURA 16
2.1 HISTÓRIA E USO DAS MÁSCARAS EM ESTUDO: 16
MÁSCARA CIRÚRGICA E RESPIRADOR PURIFICADOR
DE AR PARA AERODISPERSÓIDES
2.1.1 Máscara cirúrgica 16
2.1.2 Respirador purificador de ar para aerodispersóides 17
2.2 ANÁLISE DO PERIGO BIOLÓGICO DE DOENÇAS 19
TRANSMITIDAS POR BIOAEROSSÓIS E AS
CARACTERÍSTICAS DOS CONTAMINANTES
2.3 COMPROVAÇÕES TÉCNICAS E PESQUISAS SOBRE A 24
EFICIÊNCIA DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO
RESPIRATÓRIA E DA MÁSCARA CIRÚRGICA CONTRA
DOENÇAS TRANSMITIDAS POR AEROSSÓIS
2.3.1 Peça Semifacial Filtrante PFF2 (N95) 24
2.3.1.1 Recomendações do CDC para a gripe H1N1 28
2.3.1.2 Recomendações do CDC para a gripe SARS 29
2.3.1.3 Recomendações do CDC para a Tuberculose 29
2.3.2 Máscara Cirúrgica 32
2.4 ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS DE CONSTRUÇÃO E 36
EFICIÊNCIA DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO
RESPIRATÓRIA E MÁSCARA CIRÚRGICA EM NÍVEL DE
FABRICAÇÃO E EXIGÊNCIAS NORMATIVAS
11

2.4.1 Peça Semifacial Filtrante PFF2 36


2.4.2 Máscara cirúrgica 42
2.4.3 Preços das máscaras 45
2.5 ANÁLISE DA PREVENÇÃO/ PROTEÇÃO QUE DEVE 46
ESTAR PREVISTA NO PPRA PARA PERIGOS DE
CONTAMINAÇÃO BIOLÓGICA POR BIOAEROSSOL
2.5.1 Determinação da Prevenção 46
2.5.2 Determinação da Proteção 49
3 METODOLOGIA 55
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 58
5 CONCLUSÃO 61
REFERÊNCIAS 63
12

1. INTRODUÇÃO

1.1 OBJETIVO

As doenças transmissíveis constituem o quinto grupo de doenças responsáveis pelo


óbito, dentre as causas conhecidas, nos últimos anos. Embora houve um notável
avanço na diminuição do impacto destas doenças (nos anos 30 representavam a
principal causa de óbitos), ainda representam um número significativo. A alteração
do quadro de morbi-mortalidade, com a perda de importância relativa das doenças
transmissíveis, dá a impressão de que essas doenças estariam todas extintas ou
próximas disso. Esse quadro não é verdadeiro nem no Brasil nem mesmo em países
mais desenvolvidos. Com diferenças associadas às condições sociais, sanitárias e
ambientais, as doenças transmissíveis ainda constituem um dos principais
problemas de saúde pública no mundo. Doenças antigas ressurgem com outras
características e doenças novas disseminam-se com uma velocidade impensável há
algumas décadas. A expressão doença transmissível pode ser sintetizada como
doença cujo agente etiológico é vivo e é transmissível. São doenças transmissíveis
aquelas em que o organismo parasitante pode migrar do parasitado para o sadio,
havendo ou não uma fase intermediária de desenvolvimento no ambiente.1

Este estudo se limita à contaminação por exposição de agentes biológicos


dispersos por via aérea que podem ocorrer quando o doente ou portador fala, tosse
ou espirra, ao se entrar em ambiente contaminado, ou quando o Trabalhador de
Saúde realiza procedimentos em pacientes com doenças ou condições clínicas que
gerem gotículas ou aerossóis que contenham patógenos.

A transmissão por via aérea dos agentes biológicos pode ocorrer por dois
mecanismos diferentes: por gotículas ou por aerossóis. As gotículas têm tamanho
maior do que 5 µm e se depositam a uma distância relativamente curta da fonte que
13

as gerou. A proteção respiratória recomendada para doenças de transmissão por


gotículas (como por exemplo, a caxumba, a coqueluche, a rubéola e difteria
faríngea) é a máscara cirúrgica, que deve ser usada pelo Trabalhador de Saúde
sempre que a sua proximidade com o paciente for menor ou igual a 1 metro.
(Conforme recomendação Anvisa)2. No entanto, nem sempre a contaminação é
transmitida por gotículas, existem também aquelas que se contaminam por
aerossóis emitidos pelos portadores (bioaerossóis). Os aerossóis são constituídos
por partículas com tamanho menor ou igual a 5 µm, enquanto as gotículas de
diâmetro maior que 5 µm. Estes aerossóis são gerados durante tosse, conversação
ou na realização de diversos procedimentos tais como inalação, aspiração, etc... .
Estes meios de contaminação citados acima são inerentes ao meio social humano,
portanto provocam especial preocupação.

Com exemplo de doença transmissível por via aérea tivemos a gripe H1N1 em
2009 (inicialmente designada como gripe suína e em abril de 2009 como gripe A).
Esta foi um surto global de uma variante de gripe suína cujos primeiros casos
ocorreram no México em meados do mês de março de 2009. Veio a espalhar-se
pelo mundo, tendo começado pela América do Norte, atingindo pouco tempo depois
a Europa e a Oceania. Em menos de 2 meses (abril de 2009) a OMS elevou o nível
de alerta pandêmico para o máximo (nível 6).

Em 10 de agosto de 2010, a OMS anunciou o fim da pandemia de gripe A


(H1N1). A instituição observou que a pandemia de gripe A (H1N1) poderia ter sido
muito pior. Segundo as últimas estatísticas da OMS, o vírus causou a morte de mais
de 18 mil pessoas desde o seu aparecimento, em abril de 2009.

Durante os meses de alerta a população passou por uma situação até então
não experimentada à nível global, em que os governos e meios de comunicação
ditaram várias recomendações de proteção.
14

Os governos (principalmente os EUA) declararam informações claras e


objetivas, porém os meios de comunicação as divulgaram de forma conflitante ou
incompleta. O equívoco mais notável foi uma grande quantidade de reportagens que
mostravam pessoas se prevendo por meio de máscara cirúrgica, quando esta não
apresenta proteção contra tal contaminação.

A máscara cirúrgica foi desenvolvida em 1897 e teve sua adoção generalizada


nos anos 20. As máscaras cirúrgicas são empregadas em quase todos os hospitais,
apesar da baixa qualidade das evidências que comprovam a validade de seu uso.
Existem estudos que questionam a eficiência da máscara cirúrgica para
procedimentos (inclusive para contaminações que não sejam aerossóis), deixando
claro que não são eficientes para todas as situações de contágio.

Existem órgãos oficiais de governos que disponibilizam documentos para


esclarecer a questão. O centro de referência para informação de doenças
transmissíveis respeitado à nível mundial é o CDC (Center of Disease Controls and
Prevention), e a nível nacional é a Anvisa (MS) e a Fundacentro (MTE). A Anvisa
possui documentos e cartilhas sobre o assunto, disponibilizado para o cidadão pela
internet. Esta pandemia de 2009 deixou claro que este perigo é possível a qualquer
momento, inclusive em uma escala mais assustadora.

O objetivo deste trabalho está na correta seleção do EPR para doenças


transmissíveis por bioaerossóis, e a incorporação desta seleção e outras medidas
preventivas na elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
(PPRA).
15

1.2 JUSTIFICATIVA

O limite desta análise não é apenas para os estabelecimentos de saúde, mas


também para qualquer outro estabelecimento que esteja inserido numa situação de
risco por contaminação biológica. Na pandemia da gripe H1N1 (abril/2009) foi
patente a necessidade que a humanidade tem de se precaver contra situações de
risco biológico, uma vez que não estamos totalmente seguros contra doenças
transmissíveis. Caso a epidemia avance no contágio, os cuidados seriam
necessários não apenas para os serviços de saúde, mas também estendidos para
quaisquer outros.

Este trabalho justifica-se em orientar e estender este conhecimento para os


responsáveis pelo SESMT de todos os segmentos, pois a nível pandêmico a
prevenção deve ser aplicada a qualquer local onde haja pessoas trabalhando. As
informações contidas neste trabalho podem ajudar os profissionais de Segurança do
trabalho a executar investimentos e medidas contra os riscos biológicos que
atualmente ainda não costumam ser previstos enquanto não há ocorrência de
epidemia.
16

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 HISTÓRIA E USO DAS MÁSCARAS EM ESTUDO: MÁSCARA


CIRÚRGICA E RESPIRADOR PURIFICADOR DE AR PARA AERODISPERSÓIDES

A máscara cirúrgica e os equipamentos para proteção respiratória tiveram seu


desenvolvimento no século XX, sendo atualmente de fácil acesso tanto para a área
hospitalar como industrial. A máscara cirúrgica teve seu início antes das máscaras
purificadoras de ar, porém este último teve o aprimoramento de sua eficiência mais
acentuado nas últimas décadas.

2.1.1 Máscara cirúrgica

A máscara cirúrgica foi introduzida mundialmente em 1897 pelo médico alemão


Flügge. Sua função básica é impedir que os microrganismos existentes na boca e
nariz da equipe cirúrgica depositem-se sobre o campo operatório. A evidência
científica do seu emprego foi confirmada na década de 20, quando cepas de
estreptococo foram isoladas na ferida do paciente e na orofaringe da equipe. As
máscaras cirúrgicas sofreram muitas alterações desde sua implantação há mais de
100 anos3, envolvendo tanto sua forma quanto sua composição.

A história das máscaras cirúrgicas pode ser assim resumida:

• Desenvolvimento inicial na virada do século 20, quando foi proposto pelo


médico Flügge4 devido ás suas pesquisas que evidenciaram a presença de bactérias
no núcleo das gotas/gotículas geradas pela boca e nariz. Inicialmente, as máscaras
17

consistiam de pedaços de gase enrolados na região do rosto, encobrindo a boca e


nariz.
• Estudo publicado em 1926 mostrou que máscaras de gaze reduziam
infecções por estreptococos.
• Estudos realizados durante 9 anos publicado por Meleny5 sugeriram que as
máscaras cirúrgicas poderiam reduzir infecções por feridas e cortes.
• Décadas de 1940 e 50 – Novos materiais e desenhos tornaram a máscara
amplamente difundida e usada. No entanto, apareceram estudos que questionaram
a eficácia das máscaras em várias situações. 6
• Décadas de 60 até os dias atuais: O uso massivo das máscaras incorporou-
se nos ambientes de saúde, embora a eficácia tenha sido cada vez mais discutida. 7

Atualmente no Brasil existem 22 empresas registradas e aprovadas pela


Anvisa para suprir o mercado com as máscaras8. Com os avanços das últimas
décadas na indústria de máquinas e automação, a produção das máscaras tornou-
se de custo baixo e massivo. Uma máquina que usa matéria prima básica (não-
tecido) ocupa uma área de 60 m2 e produz cerca de 3600 máscaras/hora, com
supervisão de apenas uma pessoa. Embora não há estatísticas sobre os números
desta produção no Brasil, as quantidades são consideráveis.

Para uma empresa suprir o mercado (nacional ou importador) com este tipo de
máscara, deve ser registrado e aprovado pela agência nacional de vigilância
sanitária (Anvisa), de acordo com o RDC n.º 185, de 22 de outubro de 2001. 9

2.1.2 Respirador purificador de ar para aerodispersóides

Os filtros para aerodispersóides, também conhecidos como filtros para


particulados, são os componentes de um respirador purificador de ar destinado a
reter partículas em suspensão no ar. Os mecanismos que o filtro usa para promover
18

a retenção são vários porém o mais importante nestes filtros é a atração


eletrostática, que é exercida pelas fibras do qual o filtros é constituído (elemento
filtrante).

Os primeiros pesquisadores do mecanismo de captura das partículas pelas


fibras compreenderam que as cargas elétricas destas influíam na captura e iniciaram
a produzir com cargas eletrostáticas. Em 1931 surgiu o filtro de lã impregnado com
resina, denominado filtro Hansen, utilizado durante a Segunda Guerra Mundial.
Esses filtros fazem uso de fibras de lã com cerca de 20µm de diâmetro, cardadas
com a resina à base de fenol-formaldeído e breu. Durante o processo de cardagem,
as fibras de lã ficam carregadas positivamente, e as partículas da resina,
negativamente. Portanto, a captura do aerodispersóide se dá pela atração destas
cargas elétricas nas fibras do elemento filtrante.

Em 1975, surgiram os filtros feitos de fibras de eletretos, popularmente


descritos como os análogos elétricos imãs permanentes. Nestes, a fibra de
polipropileno é carregada eletricamente de forma a ser mais eficiente do que os
citados anteriormente ensaiados em condições análogas.

Do ponto de vista cronológico e histórico, filtros para aerodispersóides tiveram


grande desenvolvimento durante a segunda guerra mundial, com o uso nas
máscaras militares para a guerra química e biológica, e mais tarde, para as
instalações de purificação de ar das usinas nucleares. Nas últimas décadas, o
desenvolvimento maior deveu-se a exigências de “salas limpas” da microeletrônica e
cirurgia. 10

As máscaras para aerodispersóides dividem em 3 tipos, sendo classificadas de


acordo com penetração e a resistência à passagem do ar em condições bem
definidas. Essas condições e exigências estão descritas nas normas NBR13697 e
NBR 13698. Para uma empresa (nacional ou importador) suprir o mercado é
necessário registro no MTE, que é obtido com a aprovação pelo órgão Fundacentro.
19

Para tanto, a Fundacentro baseia-se nas normas citadas acima de acordo com a
portaria no121, de 30 de setembro de 2009. 11

2.2 ANÁLISE DO PERIGO BIOLÓGICO DE DOENÇAS TRANSMITIDAS POR


BIOAEROSSÓIS E AS CARACTERÍSTICAS DOS CONTAMINANTES

A exposição aos agentes biológicos dispersos por via aérea é uma realidade
em locais de convívio humano. Do ponto de vista de Engenharia de Segurança,
precisamos aplicar os conceitos de Gerenciamento de Riscos a doenças bio-
transmissíveis.

O Gerenciamento de Riscos requer a identificação em tempo dos perigos


associados a esta operação e a conseqüente avaliação dos riscos, antes que
ocorram perdas. Os perigos devem então ser eliminados ou os riscos controlados
em determinados nível para atingir o objetivo de se ter uma segurança aceitável
para o estudo.12

Caso o perigo não seja possível de eliminar, precisamos trabalhar em duas


frentes:
“Prevenção: diminuição da probabilidade de ocorrência do evento indesejável;
Proteção: diminuição da gravidade das conseqüências do evento desejável”. 12

Portanto, analisando a questão:

Perigo: contágio/contração da doença através do bioaerossol (via respiratória).


Risco (função da probabilidade e da gravidade):

• Probabilidade: Alta, caso haja contato próximo ou ambientes sem ventilação/


ventilação contaminada (combinação dos dois fatores).
20

• Gravidade: Depende da doença que pode ser transmitida por bioarerosol. No


entanto, as mais conhecidas (tais como a tuberculose pulmonar e laríngea,
sarampo, varicela, SARS, gripe aviária e gripe H1N1) são de alta mortalidade.
A Tuberculose, por exemplo, vitimou cerca de 1,3 milhões de pessoas no
mundo em 2009 segundo dados da OMS. 13

Após a detecção do perigo e dos riscos, iniciamos a análise das


recomendações e medidas para eliminar o perigo ou controlar o risco à níveis
aceitáveis.

Eliminação do perigo: Impossível, pois para tal não seria possível contato entre
as pessoas.

Redução do risco: possível, através de medidas prevencionistas (como


tratamento do ar condicionado de forma adequada no caso de locais fechados) e de
medidas de proteção (máscaras).

Como este perigo está ligado ao relacionamento entre as pessoas, é


impossível eliminá-lo na fonte e precisamos trabalhar em métodos para reduzir o
risco de contaminação e na proteção.

As principais vias de transmissão são a via de contato e a via respiratória. O


foco deste estudo é direcionado para as patologias e mecanismos de proteção das
doenças transmitidas pelos bioaerossóis.

Primeiramente, precisamos diferenciar gotículas e bioaerossol. Tecnicamente,


as gotículas são partículas de diâmetro maior do que 5 µm, enquanto o aerossol é
composto de partículas iguais ou menores que o tamanho citado. Do ponto de vista
contaminante, o aerossol se diferencia por permanecer suspenso no ar por longos
períodos de tempo e, quando inaladas, podem penetrar mais profundamente no trato
respiratório2. A duração das partículas no ambiente (tempo de residência) por longo
21

período de tempo é explicada pela lei de Stokes. Para partículas escoando em um


meio viscoso (ar), a velocidade de queda devido à gravidade é dada pela eq.(1):

(1)

onde:
Vs é a velocidade de sedimentação das partículas
g é a aceleração da gravidade
ρp é a densidade das partículas
ρf é a densidade do fluido
r é o raio da partícula
ƞ é a viscosidade do fluido

Para gotas de 10µm de diâmetro, a velocidade de queda é de


aproximadamente 0,18 m/min. Conforme mostrado na tabela 1, a velocidade de
queda cai drasticamente conforme o diâmetro diminui14. Para ambientes em que
haja turbulência no ar, o tempo de residência pode ser ainda mais aumentado.

Tabela 1 – Taxas de sedimentação de partículas no ar, sendo para partículas


em forma de esferas com densidade específica de 1.0, sedimentando no ar a 21,10C

Diâmetro das partículas (µm) Velocidade de sedimentação (m.min-1)

0,8 0,0015
1,0 0,0021
4,0 0,029
10,0 0,1797
40,0 2,89
100,0 18,03
Fonte : Adaptado de FRANK WG., Size and Characteristics of Airborne Solids.14
22

Existem doenças que são transmitidas por gotículas e outras por aerossóis.
Abaixo temos uma listagem para doenças transmitidas por aerossóis.

Figura 1 – Algumas doenças transmitidas por aerossóis, segundo o tipo de


transmissão e o período de isolamento.15

Embora não esteja citada na figura 1, a gripe H1N1 é um subtipo A da gripe


Influenza, de transmissão por aerossol. Este subtipo provocou uma pandemia em
2009 e estudos comprovaram a transmissão da gripe H1N1 por aerossol e contato.16

O ar pode ser contaminado biologicamente em locais abertos (exteriores, onde


não há como controlar o fluxo de entrada e saída) ou fechados (interiores, onde há
como controlar o fluxo de entrada e saída do ar).

O ar do ambiente de um local fechado (ar interior) é reconhecido como fonte de


propagação de microrganismos. Embora a maioria das infecções (hospitalares ou
não) esteja relacionada com origens endógenas, essas infecções podem ser
veiculadas pelo ar e devem ser consideradas. Matéria particulada (poeira), taxa de
ventilação e ocupação, natureza e grau da atividade exercida pelas pessoas que
23

ocupam um espaço físico são alguns determinantes do grau de contaminação do ar


interior.

Considera-se que a contaminação microbiológica do ar de ambientes internos


tenha como fonte o meio externo e as geradas no próprio ambiente. Devido a fatores
ambientais, a concentração de bioaerossóis em ambientes internos é bastante
variada, porém se um ou mais gêneros são encontrados em maiores concentrações
no ambiente interno que a observada no externo a fonte de amplificação precisa ser
identificada e eliminada. A atual legislação brasileira17 estabelece limites aceitáveis
de contaminação microbiológica apenas para fungos.18

Os contaminantes biólogicos tem despertado atenção da comunidade médica,


pois em muito casos os aerossóis são responsáveis por infecções hospitalares.
Juridicamente, os tribunais têm considerado os hospitais responsáveis pela
indenização aos pacientes. Observa-se que a maioria dos tribunais considera como
prestação de serviço, a relação entre o paciente e o hospital que presta os serviços
médicos, usando na maioria dos casos fundamentação específica do Código de
Defesa do Consumidor – Lei nº 8.078/90.19

Além do longo tempo de sedimentação das partículas o uso de sistemas de


climatização (temperatura e fluxo de ar controlado) tende a aumentar aos
contaminantes .

Nos ambientes externos, a contaminação á atenuada em relação aos internos.


O transporte do aerossol por longas distâncias resulta em uma maior exposição aos
fatores ambientais, provocando a morte dos microrganismos. A luz solar direta
contém níveis letais de radiação ultravioleta. A desidratação torna-os inativos,
embora muitos esporos possam sobreviver indefinidamente. As altas temperaturas
inativam alguns mais rapidamente do que outros. O oxigênio mata lentamente os
microrganismos por meio da oxidação. Os níveis de poluição tolerável pelos
humanos também podem ser fatais para microrganismos. Em resumo, a luz solar e a
24

variação de temperatura asseguram o decaimento e os ventos a dispersão,


geralmente em minutos, das populações microbianas não-esporulante.20

A preocupação das medidas de proteção/prevenção que devem ser realizadas


em relação ao ambiente já foi divulgada por alguns órgãos de governos. As
recomendações variam, mas os ambientes externos são de baixo de risco. Desta
forma, boa parte deste estudo está direcionado ao perigo de contaminação em
locais internos (fechados), para as doenças transmitidas por aerossóis conforme a
figura 1.

2.3 COMPROVAÇÕES TÉCNICAS E PESQUISAS SOBRE A EFICIÊNCIA


DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA E DA MÁSCARA
CIRÚRGICA CONTRA DOENÇAS TRANSMITIDAS POR AEROSSÓIS

2.3.1 Peça Semifacial Filtrante PFF2 (N95)

Inicialmente, precisamos conceituar qual máscara EPR estaremos tratando, e


quais são as características. A proteção respiratória é um campo extenso, que
fornece uma gama considerável de equipamentos para várias aplicações.

Os equipamentos de proteção respiratória variam quanto à concepção, às


aplicações e ao nível de proteção que podem proporcionar ao usuário. De acordo
com a NBR1254321, tais equipamentos podem ser divididos em duas grandes
classes: purificadores de ar e os de adução de ar, conforme a figura 2.

A seleção do EPR deve seguir o Programa de Proteção Respiratória, publicado


pela Fundacentro. No entanto, devido ao documento da própria Fundacentro:
25

Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos e a Cartilha para os Trabalhadores


de Saúde22 pode-se admitir como máscara adequada o EPR com filtro P2 ou N95.

De acordo com a figura 2, o respirador adequado segue a classificação:


equipamento de proteção respiratória, dependente da atmosfera (purificador de ar),
não motorizado, com filtro mecânico.

Os respiradores purificadores de ar são também denominados dependentes da


atmosfera ambiente. Neles, o ar ambiente, antes de ser inspirado, passa através de
filtro com o objetivo de remover os contaminantes. 23

Os respiradores motorizados possuem uma ventoinha que aumenta a pressão


do ar que passa pelo filtro, facilitando a inspiração do usuário.
26

Figura 2 - Classificação dos equipamentos de proteção respiratória (Adaptada da


NBR 12543 21)
27

Também esclarece a equivalência entre o nível N95 (EUA) e o PFF2 (Brasil):

Segundo os CDC, o filtro de menor eficiência que pode ser usado para a
proteção contra a inalação de agentes biológicos é o filtro N95.
A classificação N95 é estabelecida na norma americana 42 Code of Federal
Regulation (CFR) 847 e se refere ao tipo de filtros para partículas utilizadas
em respiradores purificadores de ar, que podem ser uma máscara
descartável (peça semifacial filtrante) ou um filtro de uma peça facial.
Esses respiradores são aprovados pela NIOSH para utilização na área
industrial. Para um filtro ser classificado como N95, a penetração máxima
de partículas sólidas de cloreto de sódio, com tamanho médio de 0,3 µm,
durante o carregamento do filtro com 200 mg do aerossol sob um fluxo de ar
de 85 L/min, não pode ser superior a 5%, isto é, eficiência mínima de 95%.
No Brasil, a classificação dos filtros para partículas e da peça semifacial
filtrante (PFF) é feita segundo outros critérios, conforme estabelecido,
respectivamente, nas normas NBR 13697/1996 e 13698/1996. Os filtros e
as PFFs são classificados como P2 e PFF2, respectivamente, quando a
penetração inicial de partículas sólidas de cloreto de sódio, com tamanho
médio de 0,6 µm, sob um fluxo de ar de 95 L/min, não ultrapassar 6%.
Comparando-se as condições de ensaios para estes filtros e para as peças
semifaciais filtrantes no Brasil e nos EUA, verifica-se que:
o tamanho médio das partículas utilizadas em ambos os ensaios é muito
próxima à de penetração máxima nos filtros;
a vazão, nos dois casos, simula uma condição de trabalho pesado, sendo
mais crítica nos ensaios brasileiros, uma vez que a penetração aumenta
com a velocidade de passagem de ar na camada filtrante;
os ensaios nos EUA medem a penetração após o carregamento do filtro
com 200 mg de aerossol, a fim de verificar se a penetração aumenta com a
massa das partículas depositadas, o que pode influir em um dos
mecanismos de captura de partículas no filtro, principalmente na presença
de partículas oleosas.
Nos Serviços de Saúde, entretanto, a concentração de particulados no ar é
relativamente pequena e a chance de presença de partículas oleosas
provenientes dos procedimentos é reduzida.
Diante do exposto, pode-se afirmar ser aceitável considerar os filtros N95
como equivalentes aos filtros P2 e as peças semifacias filtrantes PFF2.
28

Por esta razão, pode-se afirmar que, no Brasil, os EPRs equivalentes ao


respirador (máscara) descartável N95 são as peças semifaciais filtrantes
PFF2 ou o respirador do tipo peça semifacial com filtro P2, pois ambos
22
apresentam o mesmo nível de proteção apresentado pela máscara N95.

A instrução da Fundacentro cita como fonte também os CDC´s. Este órgão do


governo dos EUA emite recomendações para cada doença de forma específica, não
se atendo à uma generalização de todas as doenças transmissíveis por aerossol.
Porém, analisamos pontualmente os documentos do CDC para as doenças
transmitidas por aerossóis mais divulgadas no momento: gripe H1N1, tuberculose e
gripe SARS.

2.3.1.1 Recomendações do CDC para a gripe H1N1

Analisando o documento do CDC sobre a gripe H1N1 vemos que o uso do


respirador diminui a probabilidade de contaminação, mas não a elimina. Não existem
dados científicos totalmente claros, e as recomendações foram baseadas no
julgamento da comunidade de saúde e do histórico do uso de máscaras cirúrgicas e
respiradores. Foi enfatizado que a aplicação de apenas uma medida pode não surtir
efeito, mas devem-se aplicar várias medidas de prevenção incluindo o EPR
(lavagem das mãos, limpeza do ambiente, etc...). O uso do EPR nível N95 é
recomendado para algumas situações24:

• Para ambientes de saúde, em contato com pessoas com alto e baixo risco de
ter contraído a doença
• Para ambientes com pessoas contaminadas pela gripe (ambientes
domésticos, de estabelecimentos de saúde ou não, e de amamentação)
29

2.3.1.2 Recomendações do CDC para a gripe SARS

A rota de transmissão não é totalmente conhecida, mas é comprovado que


medidas para prevenção/proteção devem ser tomadas. O uso de respiradores de
nível N95 ou superior é recomendado25, pois é transmitida também por aerossol.
Comparando-se com a transmissão da tuberculose, a SARS é mais agressiva uma
vez que pode ocorrer formação de aerossol a partir de objetos contaminados. Uma
série de recomendações além do EPR completa o documento, que deixa claro que o
uso de EPR deve seguir um programa de proteção respiratória de acordo com o
órgão regulamentador (OSHA).

2.3.1.3 Recomendações do CDC para a Tuberculose

Nas situações de possível exposição são dadas instruções de mitigação de


exposição, chamadas de primeiro e segundo nível. O CDC recomenda o uso de
EPR sempre que estiver em locais onde haja exposição ao aerossol contaminado
pelo M. Tuberculosis, chamada de terceiro nível26. O EPR deve ser de nível N95 ou
superior, deixando clara a necessidade de se cumprir todos os requisitos de um
programa de proteção respiratória (adequação, treinamentos, avaliações, etc...).

Para efeito prático da seleção do EPR no Brasil, conforme foi exposto nos
artigos anteriores, as máscaras com filtro P2 são adequadas. Pode-se escolher
máscaras não descartáveis (em que apenas o elemento filtrante P2 é trocado
quando saturado) ou Peças Semifaciais Filtrantes PFF2 descartáveis ( a máscara é
descartada quando estiver saturada).
30

Foram realizados testes da eficiência dos filtros N95 em relação aos


bioaerossóis, emitido pelo American Industrial Hygiene Association Journal27. O
estudo realizou testes de eficiência com respiradores N95, suas antigas versões
DFM (Dust/Fume/Mist) e DM (Dust/Mist), e a máscara cirúrgica. Os ensaios foram
conduzidos em duas vazões para reproduzir situações da regulamentação atual e
antiga nos EUA (30 CFR Part 11). Conforme mostrado na figura 3, somente o
respirador N95 atinge eficiência mínima de 95% de acordo com a regulamentação
em vigor nos EUA (Niosh-42 CFR Part 84).

Figura 3 – Eficiências de filtração para diversos respiradores e a máscara cirúrgica


(Adaptado de American Industrial Hygiene Association Journal 27).

A figura 4 mostra ensaios de eficiência realizados com partículas de


bioaerossol contendo bactérias de tuberculose obtidas com respirador N95 . Nota-se
31

que a eficiência fica acima de 95% sempre, e atinge praticamente 100% se as


partículas tiverem diâmetro maior que 0,8 µm.

Figura 4 – Eficiência de filtração de um respirador N95 para bioaerossol de bactérias


de forma e tamanho similar à Tuberculose (Adaptado de American Industrial
Hygiene Association Journal27).

Portanto, os respiradores N95 tem eficiência de filtração muito superior à


máscara cirúrgica. A eficiência do EPR N95 sem carregamento (ainda não-saturado)
32

é de 99,5% para partículas maiores que 0,75 µm. A mais baixa eficiência de filtração
é 95% ou maior para a maioria das partículas entre 0,1 e 0,3 µm . Para bioaerossol
com bactérias de 0,8 µm ou maior, a eficiência de filtração chega a 99,5% ou maior.
Para a maioria dos ambientes em que há exposição, o elemento filtrante do EPR
N95 remove praticamente toda a massa de partículas. Somente partículas menores
que 0,75 µm podem penetrar no filtro, e através de estimativas pode se afirmar que
esta faixa não representa mais que 1,8% da massa do aerossol (nas condições de
vazão normalizadas). O documento explica que os respiradores N95 possibilitam
alta filtração até mesmo em situações em que a vazão de ar é mais baixa do que a
normalizada. Apenas é feita uma ressalva que os resultados dependem da boa
selagem da máscara no rosto do usuário. 27

2.3.2 Máscara Cirúrgica

Inicialmente, vamos apresentar a definição dada pela Anvisa na Cartilha


Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de
Saúde :
A máscara cirúrgica é uma barreira de uso individual que cobre o nariz e a
boca. É indicada para:
• proteger o Trabalhador de Saúde de infecções por inalação de gotículas
transmitidas à curta distância e pela projeção de sangue ou outros fluidos
corpóreos que possam atingir suas vias respiratórias;
• minimizar a contaminação do ambiente com secreções respiratórias
geradas pelo próprio Trabalhador de Saúde ou pelo paciente em condição
de transporte.
Deve ser utilizada sempre que o Trabalhador de Saúde entrar em quarto de
2
paciente com patologias de transmissão respiratória por gotículas

A máscara cirúrgica é amplamente usada em serviços de saúde, seu uso


iniciou-se nas salas de procedimentos cirúrgicos e atualmente é amplamente usado
33

em outros ambientes de saúde. Este uso é recomendado em muitos procedimentos


médicos, e não se restringem apenas aos ambientes cirúrgicos.

No entanto, desde os anos 70 alguns estudos questionam até que ponto estes
dispositivos são realmente eficazes. Foram feitos estudos nos anos 90 para se
registrar as diferenças entre usar ou não as máscaras, e os resultados concluíram
que o uso não apresentou melhoria nas taxas de infecção geradas.

As últimas orientações do CDC (EUA) admitiram que o papel das máscaras


cirúrgicas em reduzir o risco de infecção pode ser mais incerto do que previamente
pensado. As mesmas orientações apóiam o uso para proteger o usuário (como um
equipamento de proteção individual), mas não apóiam como meio de impedir
propagação de doenças. 7

Nosso foco na máscara cirúrgica é evitar a transmissão por bioaressóis.


Portanto, não vamos nos ater apenas à salas cirúrgicas como a maioria das
pesquisas se direcionam.

A Federal Drug Administration - FDA (Administração de Alimentos e Drogas)


controla o registro para venda das máscaras cirúrgicas para venda nos Estados
Unidos. A FDA não testa nem certifica o respirador. Ao invés disso, libera o
respirador para venda depois de analisar os dados de teste e as indicações
propostas do fabricante. Este realiza vários testes, conforme descrito mais adiante,
e apresenta seus resultados.

A Eficiência de Filtração Bacteriológica (BFE) do filtro de particulados dá uma


indicação da qualidade da máscara cirúrgica para profissionais de saúde. O teste
BFE avalia a forma como um respirador ou máscara cirúrgica pode evitar que
partículas biológicas sejam eliminadas pelo usuário para o meio ambiente. Partículas
de bioaerossóis (vírus, bactérias) geradas durante o teste de BFE são "grandes", na
ordem de 1 a 5 µm em tamanho.
34

Para comparação, partículas utilizadas no teste de eficiência de filtração para


respiradores são muito menores, entre 0,3 a 0,6 µm de tamanho. O teste BFE é um
indicador relativo do desempenho de máscara cirúrgica.

O FDA divulgou um "draft" em 1998 as cinco categorias de teste que estão


disponíveis para determinar o desempenho. São eles: Resistência ao fluido,
Eficiência de filtração, Resistência à inalação, Flamabilidade e Biocompabilidade.28

O teste para obter a Eficiência Bacteriológica de Filtração (BFE), in vivo ou in


vitro, é amplamente aceito com método para se avaliar as máscaras. Nestes testes,
a bactéria que penetra na máscara é coletada e colocada em cultura. Depois é
contada para determinar o número de Unidades Formadoras de Colonia (UFC´s)
que penetram na máscara. O teste in vitro usa controle positivo e negativo para
determinar o número inicial das bactérias. A bactéria em estudo é contida em uma
névoa, o qual é produzida por aerolização da bacteria com 0,1% peptona em
solução com um nebulizador. As máscaras são colocadas diretamente sobre a
abertura de um amostrador Andersen.

A BFE28 é dada em porcentagem, calculada pela eq.(2) :

(2)

onde
C=media de contagem total na placas de controle (sem uso da máscara)
T=Contagem total da placa para teste de amostragem (com uso da máscara)

Nos EUA há necessidade de registro das máscaras cirúrgicas para a venda,


mas não são necessários ensaios junto ao governo americano para aprovação
(diferente dos respiradores N95).
35

Da mesma forma no Brasil, a Anvisa controla o registro e comercialização das


máscaras, mas não executa testes de BFE e não existe um grau mínimo de filtração
para a comercialização.

A Anvisa explica na sua Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes


Biológicos para Trabalhadores de Saúde que a máscara cirúrgica não apresenta
eficiência quando usada para prevenção de doenças transmissíveis por
bioaerossóis, conforme transcrito abaixo:

No caso dos aerossóis, as partículas podem se dispersar por longas


distâncias e,por isso, deve ser utilizado equipamento de proteção
respiratória (EPR) durante todo o período que o Trabalhador de Saúde
2
estiver em contato com o paciente.

A cartilha faz uma ressalva sobre o uso :

É importante destacar que a máscara cirúrgica:


• NÃO protege adequadamente o usuário de patologias transmitidas por
aerossóis (veja alguns exemplos no quadro), pois, independentemente de
sua capacidade de filtração, a vedação no rosto é precária neste tipo de
máscara
2
• NÃO é um EPR.

A Fundacentro divulgou documento que também esclarece o uso :

Assim, o EPR deve ser utilizado durante todo o período em que o


Trabalhador de Saúde estiver em contato com o paciente ou sempre que
ele entrar em um ambiente contaminado pelo agente biológico transmitido
via aerossol. Neste caso, o Trabalhador de Saúde não deve usar uma
máscara cirúrgica, pois, independente da capacidade de filtração, a
vedação no rosto é precária neste tipo de máscara, permitindo, assim, a
22
penetração do aerossol.
36

De acordo com exposto neste item, a máscara cirúrgica não possui


comprovação técnica de eficiência contra doenças transmissíveis por aerossol.

2.4 ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS DE CONSTRUÇÃO E EFICIÊNCIA


DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA E MÁSCARA CIRÚRGICA
EM NÍVEL DE FABRICAÇÃO E EXIGÊNCIAS NORMATIVAS

2.4.1 Peça Semifacial Filtrante PFF2

A Norma NBR 1254321 nos traz a definição oficial de um EPR :

Equipamento que visa a proteção do usuário contra a inalação de ar


21
contaminado ou de ar com deficiência de oxigênio.
37

Figura 5 - Classificação dos riscos respiratórios (Adaptado da NBR 1254321)

21
Analisando a figura 5 vemos em qual segmento de aplicação está o EPR em
estudo. Trata-se de um filtro contra risco respiratório contra contaminantes
aerodispersóides. Embora nesta figura não se mencione risco biológico, a definição
de contaminante esclarece:
38

Contaminante: Agente químico ou biológico, em suas diversas formas


(gases, vapores, aerodispersóides), presente em um determinado ambiente
que tenha algum potencial de causar efeito adverso direto ou indireto a um
21
sistema biológico, dependendo de sua concentração no ambiente.

Analisando as definições que dizem respeito, a PFF é um respirador purificador


de ar dotado de filtro mecânico, que construtivamente é uma peça semifacial
filtrante.
Respirador purificador de ar: Respirador no qual o ar ambiente, antes de ser
inalado, passa através de filtro para a remoção de contaminantes.
Filtro mecânico: filtro destinado a reter as partículas em suspensão no ar.
Peça semifacial filtrante: Peça facial constituída parcial ou totalmente, de
21
material filtrante.

Figura 6 - Esquema de respirador purificador de ar não motorizado – Peça


Semifacial filtrante (Adaptada da NBR 1254321).
39

De acordo com a portaria N.º 121, de 30/09/201011 completada pela portaria


N.º 184, de 21/05/201029, os respiradores PFF2 devem atender à norma técnica
NBR 13968:199630.

Caso se pretenda usar as máscaras semifaciais filtrantes em ambientes


destinados à serviços de saúde, o EPR deve ter além da aprovação e registro (CA)
no MTE a aprovação e registro na Anvisa. Estas máscaras são usadas também em
ambientes industriais, e nesse caso é suficiente aprovação e registro (CA) no MTE.

Os requisitos do desempenho que o EPR deve satisfazer estão descritos na


norma, se dividindo em condições gerais e específicas. As gerais (descrição,
limpeza, materiais, partes desmontáveis, ensaios de desempenho prático,
marcações e instruções de uso) são completadas pelas específicas (penetração,
resistência à respiração, entupimento, conteúdo de CO2 inalado, válvula de
exalação, condicionamento de simulação de uso térmico e de vibração,
inflamabilidade, tirantes, campo visual), e em seguida há descrição detalhada de
como devem ser os ensaios solicitados.

Todas as condições citadas acima são obrigatórias para a conformidade com a


norma. Porém, o que diz respeito à qualidade do ar filtrado pelo equipamento é o
diferenciador de um respirador para outro definindo o seu nível.

A penetração define o tipo da PFF. Há também classificação para filtros contra


névoas oleosas e outros líquidos, o que não é objeto do nosso estudo.
40

Tabela 2 - Penetração inicial máxima de aerossol de teste nas peças semifaciais


filtrantes, sendo o diâmetro aerodinâmico médio mássico das partículas de NaCl 0,6
µm.

Tipo/ Classe NaCl 0,6 µm - 95 litros/minuto

PFF-1 20%
PFF-2 6%
PFF-3 3%
Fonte : Adaptado da NBR13698.30

Da mesma forma, também deve ser respeitada a resistência máxima à respiração


que a peça filtrante provoca, em Pascal (1 Pa=0,1 mm coluna de água).

Tabela 3 - Resistência máxima (Pa) à respiração das peças semifaciais filtrantes

Inalação Exalação
Classe
30 L/min 95 L/min 160 L/min
PFF-1 60 210 300
PFF-2 70 240 300
PFF-3 100 300 300
Fonte: Adaptado da NBR13698. 30

O filtro PFF-2 deve atender 6% de penetração com uma vazão de 95


litros/minuto. Este aerossol deve ser gerado e medido por equipamento descrito na
norma, sendo este de partículas sólidas de cloreto de sódio com tamanho médio de
0,6 µm.

A norma também define os respiradores valvulados, que facilitam a exalação


do ar promovendo a diminuição da umidade no tecido filtrante e a conseqüente
resistência à exalação. No entanto, como o objeto do nosso estudo se aplica ao uso
41

dos usuários que possam ser também geradores de aerossol contaminado (os
pacientes devem usar para que o bioaerossol gerado por eles não chegue nas
pessoas próximas) não vamos considerar neste estudo.

Os outros fatores delimitam uma série de características que definem o


desempenho do respirador. Para atingir tal desempenho, o material filtrante trata-se
de uma camada de não-tecido polimérico (Normalmente composto de fibras de
polipropileno) pré-submetido à uma descarga elétrica que provoca a atração das
partículas que se pretende reter.

Este elemento filtrante é também chamado de eletreto, como conceituado


anteriormente. Um filtro de eletreto é feito de uma película de polipropileno que ,
enquanto tracionada, é carregada eletricamente ao passar por dois dispositivos que
utilizam o efeito corona de cargas contrárias. Após a película ser picada, formam-se
fibras cujo formato se assemelha ao de minúsculas fitas de seção retangular. As
partículas que chegam ao filtro são atraídas e nele se depositam. 31

Na fabricação das máscaras, os tecidos são encaixados e cortados em


máquinas especiais, de alta eficiência e velocidade. Uma planta de 200 m2 pode
produzir cerca de 8000 máscaras a cada 24 horas.

Estes tecidos são fixados por solda ultra-som e neles são fixados os tirantes e
marcações, além de embalagem e instruções. Para garantir a estabilidade do
conjunto de malhas, os fabricantes executam a solda das mantas na região de
selagem (onde a máscara encontra a face do usuário). De acordo com design
adotado pelo fabricante, são dobráveis ou podem ser termoformadas. Neste último
caso, a camada filtrante é revestida por camadas termoformáveis (geralmente não-
tecido de poliéster), cuja função é dar forma e rigidez para a máscara encaixar na
face do usuário e proporcionar selagem.
42

2.4.2 Máscara Cirúrgica

No Brasil existem normas sobre os requisitos das máscaras cirúrgicas,


disponibilizados pela ABNT. São elas:

Número da Norma Título da Norma NBR

ABNT NBR 14858:2002 Artigos de não tecido de uso odonto-médico-


hospitalar–Terminologia
ABNT NBR 14873:2002 Não tecido para artigos de uso odonto-médico-
hospitalar - Determinação da eficiência da filtração
bacteriológica
ABNT NBR 14920:2008 Não tecido para artigo de uso odonto-médico-
hospitalar - Determinação da resistência à penetração
bacteriológica a seco
ABNT NBR 14990-6:2009 Sistemas e materiais de embalagem para esterilização
de produtos para saúde - Parte 6: Não tecidos
ABNT NBR 15052:2004 Artigos de não tecido de uso odonto-médico-hospitalar
- Máscaras cirúrgicas - Requisitos
Figura 7 – Normas aplicáveis à máscara cirúrgica no Brasil (Adaptado do site
ABNT32).

Embora existam normas que esclarecem os requisitos, a Anvisa não exige a


certificação das máscaras registradas de acordo com as normas acima que sejam
aplicáveis.

A Lei n°6360/76 (art. 12) obriga que nenhum produto de interesse à saúde, seja
nacional ou importado, poderá ser industrializado, exposto à venda ou entregue ao
consumo no mercado brasileiro antes de registrado no Ministério da Saúde. Com
exceção dos indicados no § 1º do Art. 25 da referida Lei, que embora dispensados
43

de registro, são sujeitos a regime de Vigilância Sanitária (são os produtos


cadastrados).

A Resolução - RDC nº 185, de 22 de outubro de 2001 regulamenta quais os


passos para o registro e aprovação dos produtos (inclui-se a máscara), não
obrigando a certificação dos produtos no qual a máscara está classificada.9

Conforme declaração do grupo ABNT/CB-17, várias indústrias do setor


manifestam interesse pela certificação de produtos o que facilitaria enormemente o
atendimento de editais e viabilizaria a redução de tempo a cada compra. Além disso,
faria com que o usuário tivesse como se nortear na compra de máscaras que
realmente atendam à requisitos normalizados.32

A máscara consta de camadas de não-tecido soldadas geralmente por


soldagem ultra-som. Juntamente são fixados os elásticos que prendem a máscara
na face. Opcionalmente possui uma fita de material metálico (“clipe nasal”) para
ajudar na ajustagem junto ao nariz. A área de contato com o rosto não apresenta
design de encaixe, ficando muito susceptível à vazamentos e notadamente
comprometendo a eficiência.

A norma NBR 15052:200433 exige BFE (eficiência de filtragem bacteriana)


superior 95% para partículas de 3,2µm. Os fabricantes que atendem este requisito
costumam colocar um tecido filtrante internamente.
44

Figura 8 – Máscara Cirúrgica.

As normas nos EUA que se aplicam ao desempenho das máscaras cirúrgicas


estão dispostas na figura 9.

Figura 9 – Normas aplicáveis à máscara cirúrgica nos EUA (Adaptado de Journal of


textile and Apparel Technology and Management28).

Além disso, há também exigências no “Surgical Apparel” em 21 CFR part


878.4040 descreve a regulamentação de todo o material de vestuário para
ambientes em procedimentos cirúrgicos. 28
45

2.4.3 Preços das máscaras

Foi feita consulta ao mercado em relação aos preços das máscaras em estudo.
O respirador PFF2 possui custo mais alto, e se deve principalmente:
• Materiais de construção mais rígidos para garantir selagem e filtragem.
• Fabricação mais rigorosa, que devido à respeitar níveis de qualidade gera
refugos.
• Custos administrativos para certificação e sua manutenção.

Os preços abaixo foram coletados em São Bernardo do Campo (Estado de São


Paulo) em Novembro/2010, em um distribuidor de produtos cirúrgicos.

Tabela 4 - Preços das máscaras

Produto Preço / unidade

Máscara P2 certificada MTE e R$4,30


registrada na Anvisa

Máscara cirúrgica registrada na R$0,20


Anvisa
Fonte: Loja de varejo para produtos cirúrgicos em São Bernardo do Campo (SP).
46

2.5 ANÁLISE DA PREVENÇÃO/ PROTEÇÃO QUE DEVE ESTAR PREVISTA


NO PPRA PARA PERIGOS DE CONTAMINAÇÃO BIOLÓGICA POR
BIOAEROSSOL

Este perigo é estudado para o caso de estabelecimentos de serviços de saúde,


devidamente regulamentado pela NR32. Embora vamos levar nossa discussão para
todas as atividades industriais, vamos começar pelos serviços de saúde.

O texto desta NR não exclui a NR-09 (PPRA), que deve ser seguida. Vamos
inicialmente analisar a elaboração de um PPRA para um local com risco biológico
para doenças transmitidas por bioaerossóis.

O texto da NR-09 deixa claro que o risco biológico está no seu escopo:

Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos,


químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função
de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são
34
capazes de causar danos à saúde do trabalhador.

2.5.1 Determinação da Prevenção

Em virtude da crescente preocupação com a qualidade do ar de ambientes


fechados climatizados artificialmente, o Ministério da Saúde (MS) aprovou a Portaria
nº 3.523, em 28 de agosto de 199835 que tem como objetivo minimizar o risco
potencial à saúde dos usuários, em face da permanência prolongada em ambientes
climatizados. Essa portaria regulamenta a definição de parâmetros físicos, químicos
e biológicos, suas tolerâncias, métodos de controle e pré-requisitos de projetos de
instalação e execução de sistemas de climatização.
47

No ano 2000, a ANVISA, com a Resolução RE nº 176, de 24 de outubro de


2000, definiu padrões referenciais de qualidade do ar interior, em ambientes
climatizados artificialmente de uso público e coletivo, sendo atualizada pela
Resolução RE nº 9, de 16 de janeiro de 200317. Desta forma as vigilâncias
municipais e estaduais passam a ter parâmetros para avaliar se o ar que circula em
edifícios com sistema de ar condicionado está prejudicando ou não a saúde de
quem trabalha ou transita por esses locais, pois foram determinados os valores
máximos recomendáveis para parâmetros físicos do ar interior, contaminação
química e biológica (≤ 780 UFC m3 de fungos) e as recomendações para controle.20

Especial atenção deve ser dada à recirculação de ar em ambientes internos.


Uma renovação baixa de ar pode ser responsável pelo aumento da concentração
microbiana ou de partículas nos ambientes interiores. A elevação da quantidade de
UFC/m3 de ar no centro cirúrgico após procedimento ortopédico pode estar
relacionada à variação na taxa de ocupação, a atividade (retirada de todo material
usado durante a cirurgia) e tipo de ventilação. O ar condicionado projeta
microrganismos que ficam retidos nos filtros e água estagnada e, aliado ao
fenômeno acumulativo de 90% do ar reciclado, promove um aumento do número de
microrganismos na ordem de 1.000 a 100.000 vezes comparado aos ambientes
externos.18

Para o monitoramento ambiental e avaliação de interiores, a ANVISA


regulamenta os seguintes indicadores: concentração do CO2 como indicador taxa de
renovação do ar, temperatura e umidade como indicadores de conforto térmico,
concentração de partículas respiráveis em suspensão como indicador de pureza do
ar e número de colônias de fungos como indicadores de contaminação
microbiológica. Porém não fixa limites no caso dos aerosóis com patógenos, sendo
recomendado a adoção de medidas de manutenção e controle da climatização com
base em diretrizes de órgãos internacionais como o CDC.36
48

Ainda a Anvisa reforça medidas de prevenção com o ar no ambiente por meio


da Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores
de Saúde :

Quarto privativo com pressão negativa; filtragem do ar com filtros de alta


eficiência (caso seja reabsorvido para o ambiente); seis a doze trocas de ar
por hora, manter as portas do quarto sempre fechadas. Caso a instituição
não tenha quartos com estas características, manter o paciente em quarto
privativo, com as portas fechadas e janelas abertas, permitindo boa
2
ventilação.

Para outros ambientes que não sejam de saúde, as recomendações são mais
brandas. Para cada doença transmissível variam as medidas de prevenção, e o
governo brasileiro disponibiliza pelo site do ministério da saúde.37

Como exemplo, o Ministério da Saúde disponibiliza no site as recomendações


contra a gripe H1N1 (Anexo A)38. Nota-se que há muitos elementos neste texto que
podem estar previstos no PPRA para serem usados em caso de pandemia. Por
exemplo, no caso de uma gripe H1N1 o PPRA pode instruir que se coloquem
distribuídos pela empresa pontos com álcool gel a 70% para higienização, de acordo
com as recomendações do ministério.

Após uma análise de quais perigos biológicos o PPRA deverá abordar, pode-se
determinar uma série de medidas preventivas que reduza o risco destes perigos.

As publicações dos CDC (EUA) também são uma fonte rica destas
informações. Este órgão do governo dos EUA emite recomendações de prevenção
para doenças transmissíveis.39
49

2.5.2 Determinação da Proteção

A determinação da proteção a ser tomada deve ser feita no PPRA. Após a


identificação dos perigos biológicos e sua análise o texto da NR-09 coloca hierarquia
sobre quais medidas de proteção devem ser tomadas. O EPI é a última opção,
apenas quando se comprova que medidas anteriores não são satisfatórias, como
está abaixo:

9.3.5.2 O estudo, desenvolvimento e implantação de medidas de proteção


coletiva deverá obedecer à seguinte hierarquia:
a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes
prejudiciais à saúde;
b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no
ambiente de trabalho;
a) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no
ambiente de trabalho.
9.3.5.3 A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser
acompanhada de treinamento dos trabalhadores quanto os procedimentos
que assegurem a sua eficiência e de informação sobre as eventuais
limitações de proteção que ofereçam.
9.3.5.4 Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade
técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não
forem suficientes ou encontrarem-se em fase de estudo, planejamento ou
implantação, ou ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão
ser adotadas outras medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia:
a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho;
34
b) utilização de equipamento de proteção individual – EPI.

Para a identificação dos riscos potenciais à saúde, o PPRA (neste caso) não
tem como se basear na NR-15 para verificar os limites previstos (não são dados
limites para agente biológicos). Conforme recomendação da mesma NR, devemos
consultar a ACGIH. Conforme definição da ACGIH41 “agente biológico” se refere à
substância de origem biológica que é capaz de produzir um efeito adverso, por
50

exemplo, uma infecção ou uma hipersensibilidade, irritação, inflamação ou outra


alteração de saúde. 40

De acordo com a publicação da ACGIH, para agentes infecciosos não há TLV´s


para interpretar a avaliações ambientais. Atualmente, os protocolos de coleta de
amostras para agentes infecciosos são limitados e disponíveis apenas para
trabalhos de pesquisa. 41

Porém, a ACGIH recomenda medidas de proteção :

As edificações com alto risco de transmissão de doenças infecciosas


transmitidas pelo ar (por exemplo: lavatório de microbiologia, biotérios e
locais de atendimento médico) devem empregar medidas de controle de
engenharia para minimizar a concentração dos agentes no ar. Nessas
edificações, deve-se considerar ainda a necessidade de controles
administrativos, bem como de equipamentos de proteção individual para
41
previnir a exposição ocupacional a esses bioaerossóis.

Observando o item 9.3.5.2 e 9.3.5.3 da NR 09, vemos que para este perigo em
estudo as medidas de proteção citadas são de difícil aplicação em muitas situações.
Portanto, recaímos sobre o item seguinte 9.3.5.4. Admitindo que medidas
administrativas (redução de jornada de trabalho, alteração de postos de trabalho,
etc..) não sejam eficazes, o uso de EPI torna-se uma opção viável.

O PPRA coloca quais as diretrizes para a adoção de EPI´s. Vale ressaltar que
deixa claro que deverá considerar as Normas Legais e Administrativas.

9.3.5.5 A utilização de EPI no âmbito do programa deverá considerar as


Normas Legais e Administrativas em vigor e envolver no mínimo:
a) seleção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está
exposto e à atividade exercida,
51

considerando-se a eficiência necessária para o controle da exposição ao


risco e o conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário;
b) programa de treinamento dos trabalhadores quanto à sua correta
utilização e orientação sobre as limitações de proteção que o EPI oferece;
c) estabelecimento de normas ou procedimento para promover o
fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a
manutenção e a reposição do EPI, visando garantir as condições de
proteção originalmente estabelecidas;
d) caracterização das funções ou atividades dos trabalhadores, com a
34
respectiva identificação dos EPI’s utilizados para os riscos ambientais.

Outro ponto interessante é o conceito do nível de ação, sendo uma referência


do ponto a partir do qual se devem tomar providências para proteção. No entanto, o
texto se refere apenas a perigos químicos e para ruído. Portanto, não se aplica ao
perigo biológico.

De acordo com o texto acima, devemos consultar a legislação vigente. No caso


temos a IN 1, de 01.04.1994, que regulamenta os EPI´s para proteção respiratória :

Para a adequada observância dos princípios previstos neste artigo, o


empregador deverá seguir, além do disposto nas Normas
Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho, no que couber, as
recomendações da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho – FUNDACENTRO contidas na publicação intitulada
“PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA – RECOMENDAÇÕES,
SELEÇÃO E USO DE RESPIRADORES” e também as Normas Brasileiras,
quando houver, expedidas no âmbito do Conselho Nacional de Metrologia,
42
Normalização e Qualidade Industrial – CONMETRO.

Consultando o PPR43, vemos a seqüência que deve ser tomada para a seleção
do EPR. De acordo com o item “Etapas para identificação do risco” e “Etapas para
seleção do respirador”, chegamos (em primeira análise) que devemos admitir que o
ambiente em questão é uma atmosfera IPVS pois não existe limite de exposição ou
valores de orientação da exposição ocupacional disponíveis.
52

No entanto, a Fundacento (Fundação Jorge Duprat Figueiredo) disponibilizou a


instrução técnica “Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos e a Cartilha para
os Trabalhadores de Saúde”, que vem de encontro à esta necessidade.

Os autores nos explicam que há falta de legislação no Brasil sobre o assunto:

No Brasil, não existe regulamentação específica sobre o uso de proteção


respiratória contra agentes biológicos por Trabalhadores de Saúde no
22
âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego.

Este documento esclarece que a máscara correta para doenças de


transmissão aérea por aerossol (como por exemplo, a tuberculose pulmonar e
laríngea, sarampo, varicela, SARS e gripe aviária) é o EPR de classificação Niosh
N95, cujo equivalente no Brasil é o filtro P2.

Este documento também cita a Cartilha de Proteção Respiratória contra


Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde2, documento oficial disponibilizado
pela Anvisa. Este material corrobora as determinações sobre a máscara adequada
para este determinado fim.

Portanto, podemos descartar a necessidade de se admitir atmosfera IPVS para


selecionar o EPR. Esta seleção já está determinada por documentos oficiais, com
documento da Fundacentro citado acima (a Fundacentro é órgão do MTE) que
recomenda o uso das instruções da Anvisa para este fim.

A Fundacentro deixa claro que a máscara cirúrgica não deve ser usada como
proteção para doenças transmitidas por bioareossóis. Assim, embora a máscara
cirúrgica seja amplamente usada em ambientes de saúde, não oferece proteção
para estas doenças.

A Anvisa também traz informações em outros documentos, como a


Apresentação de EPI´s para Influenza A.4
53

O Governo do estado de São Paulo também liberou instruções sobre o


assunto: Informe Técnico Conjunto CVS/CVE – 4/200945; Informe Técnico Conjunto
CVS/CVE – 1/200945.

A Fundacentro também citou instruções técnicas dos CDC´s - Centers of


Disease Control and Prevention (USA) que recomendam medidas semelhantes39. Da
mesma forma que nas medidas de prevenção, os CDC´s emitem muitas informações
sobre proteção.

O Governo Brasileiro possui um banco de informações disponíveis no portal do


Ministério da Saúde, de onde podem ser extraídas as medidas de proteção que
podem ser previstas no PPRA (Anexo B).38

A NR32 determina que além do PPRA, na fase de reconhecimento dos ambientes


susceptíveis aos perigos biológicos devemos avaliar as duas situações :

I. Identificação dos riscos biológicos mais prováveis, em função da


localização geográfica e da característica do serviço de saúde e seus
setores, considerando:
a) fontes de exposição e reservatórios;
b) vias de transmissão e de entrada;
c) transmissibilidade, patogenicidade e virulência do agente;
d) persistência do agente biológico no ambiente;
e) estudos epidemiológicos ou dados estatísticos;
f) outras informações científicas.
II. Avaliação do local de trabalho e do trabalhador, considerando:
a) a finalidade e descrição do local de trabalho;
b) a organização e procedimentos de trabalho;
c) a possibilidade de exposição;
d) a descrição das atividades e funções de cada local de trabalho;
47
e) as medidas preventivas aplicáveis e seu acompanhamento.
54

As medidas de proteção estão descritas na NR32 no item 32.2.4, havendo várias


diretrizes sobre métodos e procedimentos que devem ser adotados. O item 32.2.4.7
dá orientações sobre EPI´s para estes ambientes:

Os Equipamentos de Proteção Individual – EPI, descartáveis ou não,


deverão estar à disposição em número suficiente nos postos de trabalho,
47
de forma que seja garantido o imediato fornecimento ou reposição.

As outras citações sobre o uso do EPI em ambientes de saúde se destinam à outros


riscos (químicos, radiações ionizantes, radioterapia, resíduos, condições de conforto
por ocasião das refeições, lavanderias, limpeza e conservação, disposições gerais).

Seguindo a recomendação da ACGIH “edificações de alto risco de transmissão de


doenças infecciosas” exigem medidas (EPC / EPI). No caso de risco de uma
pandemia infecciosa transmitida por bioaerossóis, então qualquer empresa que
tenham pessoas trabalhando deveria incluir no seu PPRA esta recomendação. 41
55

3. METODOLOGIA

Este trabalho baseou-se na pesquisa de literatura dos seguintes materiais:


• Documentos da Fundacentro
• Documentos da Anvisa
• Documentos do CDC e OMS
• Manual de Proteção Respiratória
• Documentos do Portal Ministério da Saúde
• NR-09 e NR-32
• Periódicos especializados (Brasil/ EUA)
• Normas NBR ABNT

O material avaliado foi obtido por download (web) em sites de domínio público.
Foram realizadas consultas à biblioteca de Engenharia de Minas da Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo, para busca de normas técnicas, teses e
monografias em Engenharia de Segurança do Trabalho.

O início do estudo foi baseado no material da Fundacentro, pois esta instituição


já havia realizado pesquisas sobre este assunto. Da mesma forma, a Anvisa
forneceu dados mais específicos para os ambientes de saúde. Dados estatísticos
sobre a dimensão dos perigos que as doenças transmissíveis representam foram
retirados dos sites da Anvisa, Ministério da Saúde e da Organização Mundial de
Saúde (OMS).

Os sites dos CDC´s e Niosh forneceram dados técnicos muito importantes que
completaram e corroboraram as informações da Fundacentro e Anvisa para traçar a
elaboração de um PPRA conforme os requisitos da Norma Regulamentar NR-09.

Os dados técnicos de proteção respiratória foram encontrados no Manual de


Proteção Respiratória e nas normas NBR, onde as exigências e características
construtivas são delineadas. Periódicos internacionais e nacionais foram muito úteis
56

para algumas informações específicas sobre dados históricos e de desempenho das


máscaras cirúrgicas e respiradores.

A revisão da história da máscara cirúrgica baseou-se publicações dos EUA


disponíveis em periódicos. Não há muita informação em língua portuguesa sobre
esse assunto, embora o seu uso seja muito difundido no Brasil. Da mesma forma, os
periódicos que trazem questionamentos da sua eficiência estão presentes apenas
na língua inglesa. A revisão da história das máscaras contra aerodispersóides foi
baseada no Manual de Proteção Respiratória, com sua seqüencia de evolução até
os dias atuais, completada com as portarias e normas que exigem seu desempenho.

A revisão do perigo biológico é enfocada no contexto de Gerenciamento de


Risco. Seguindo este conceito de Engenharia de Segurança, analisou-se a
eliminação do risco, sua probabilidade e gravidade. Para tanto, alguns conceitos de
contaminação biológica e doenças transmissíveis por aerossol foram colocados. A
importância desta abordagem foi revisada com fatores jurídicos (infecção hospitalar)
e legais (exigências da Anvisa).

A revisão das comprovações técnicas das máscaras contra aerodispersóides


baseou-se em documentos da Fundacentro, Anvisa e Niosh. A classificação da
proteção respiratória desta máscara foi revisada com base nas normas NBR. Um
resumo das recomendações dos CDC´s para algumas doenças transmissíveis foi
colocado para reforçar as informações da Fundacentro e um documento disponível
no site da Niosh que traz dados detalhados eficiência das máscaras contra este
perigo biológico foi detalhado. A Revisão das comprovações técnicas das máscaras
cirúrgicas detalhou informações dos CDC´s e o indicador BFE de eficiência. As
orientações da Anvisa e Fundacentro mostram em que situação (tipo de
contaminação biológica) a máscara cirúrgica deve ser usada.

A revisão das características de construção e eficiência das máscaras contra


aerodispersóides se baseou nas exigências das normas NBR, tanto na eficiência
57

como na classificação e composição. Para a máscara cirúrgica foram dispostas as


normas tanto do Brasil como EUA, e descritas características de construção. Uma
pesquisa de preços em campo gerou uma tabela para mostrar a diferença de custo
entre uma máscara e outra.

Na revisão da prevenção/proteção descrita no PPRA, o trabalho se direcionou


para delinear como seria a incorporação deste perigo estudado em um PPRA . A
Norma Regulamentar 09 é analisada para verificar se esta incorporção é cabível, e
segue com uma descrição da prevenção através de exigências em resoluções
Anvisa além de outras fontes (como os CDC´s e o site do Ministério da Saúde). A
proteção é discutida de acordo com base na NR-09, seguindo o roteiro da seleção
do EPR que se baseia em documento da Fundacentro. Além disso, são citadas
outras fontes de informação para a proteção (site do Ministério da Saúde, CDC´s,
ACGIH, Instruções do Governo do Estado de São Paulo). A NR 32 também foi
analisada, para o caso de ambientes de saúde.

.
58

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os documentos oficiais (Fundacentro, CDC´s e Anvisa) recomendam os


respiradores PFF-2 (N95) para proteção dos perigos biológicos de doenças
biotransmissíveis. Na Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos
para Trabalhadores da Saúde2 é ressaltado que a máscara cirúrgica “não protege
adequadamente o usuário de patologias transmitidas por aerossóis”.

Embora a legislação brasileira tenha pouca citação ao perigo biológico, há


alguns anos a Fundacentro e Anvisa já colocaram diretrizes e algumas
regulamentações. Seria muito útil mais regulamentação detalhada do governo
Brasileiro sobre esta questão.

Os resultados no estudo divulgado pela Niosh confirmam tecnicamente a


seleção, com ensaios de eficiência realizados com partículas de bioaerossol
contendo bactérias de tuberculose. Nota-se que a eficiência fica acima de 95%
sempre, e atinge praticamente 100% se as partículas tiverem diâmetro maior que 0,8
µm. Somente partículas menores que 0,75 µm podem penetrar no filtro, e a maioria
das partículas de biaerossol estão fora desta faixa.

Estes dados dispostos pela Niosh são muito úteis para que se possa confirmar
os conceitos de proteção respiratória na contaminação biológica. A faixa de
partículas do bioaerossol é ampla (até 5µm) e poderia gerar dúvidas se há filtração
suficiente.

Para a máscara cirúrgica, testes de penetração nas mesmas condições


promovem uma filtração mínima de 70% das partículas e chegando ao máximo de
80% para as partículas maiores.
59

Enquanto existe uma grande quantidade de informações sobre respiradores P2


(N95) para perigos biológicos, o mesmo não acontece para as máscaras cirúrgicas.
As informações sobre estas geralmente provêm de ambientes cirúrgicos, e sabemos
que o perigo biológico não se restringe a estes locais.

A comparação dos preços entre máscaras cirúrgicas e máscaras contra


aerodispersóides mostra uma diferença significativa de aproximadamente 2000%.

Esta diferença de custo pode ser uma dificuldade na correta seleção do EPR.
Os meios de comunicação (televisão, jornais, etc...) tem um papel importante
quando equivocadamente veiculam a informação da máscara cirúrgica como
proteção eficaz, pois dificultam os argumentos SESMT em justificar custos na
elaboração do PPRA.

A incorporação da prevenção/ proteção deste perigo no PPRA é necessária


conforme o texto da NR-09. Para a elaboração do PPRA há informações suficientes
da Fundacentro e Anvisa sobre medidas pertinentes.

Medidas de prevenção são prioritárias e obrigatórias, e o uso de EPI (medida


de proteção) não deve ser a primeira e única medida. Não se deve ter uma postura
equivocada em iniciar as medidas de segurança pelo EPI, e sim iniciar pela
prevenção. Este trabalho revisa a correta seleção de EPI, mas não pretende nem
recomenda que se ignorem outras medidas prioritárias. Embora o perigo biológico
não seja costumeiramente mencionado em PPRA´s, a situação global de
ocorrências de pandemia torna esta abordagem necessária.

Do ponto de vista de certificação, os respiradores são controlados e


certificados pelo governo tanto no Brasil (MTE) como nos EUA (Niosh). As máscaras
cirúrgicas são registradas para controle, porém não é necessária certificação e deve-
se apenas apresentar os dados para a agência responsável (Anvisa no Brasil e FDA
nos EUA).
60

A ausência de certificação das máscaras cirúrgicas restringe totalmente a


confiança do que está sendo comercializado, embora já existam normas NBR e
ASTM para avaliação. A sensibilização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) para certificação baseada em normas técnicas no registro de produtos é
uma das metas das Comissões de Estudo que atuam na normalização de artigos
têxteis e não tecidos para uso odonto-médico-hospitalar, dentro do Comitê Brasileiro
de Têxteis e do Vestuário (ABNT/CB-17).
61

5. CONCLUSÃO

Não há medidas simples de eliminação do perigo de contaminação biológica,


pois envolve relacionamento entre as pessoas que convivem ou estão trabalhando.
Historicamente já ocorreram medidas contra este perigo (pandemia gripe H1N1,
Cidade do México em 2009), quando durante uma semana as pessoas deixaram de
sair de casa para evitar convívio. Porém, esta situação é uma contenção e não a
real eliminação.

Como a eliminação do perigo é difícil, a prevenção e proteção devem ser


levadas em consideração pelos responsáveis do SESMT. Para a maioria dos
ambientes em que há exposição à contaminação, o elemento filtrante do EPR PFF2
(N95) remove praticamente toda a massa de partículas, e através de estimativas
pode se afirmar que as partículas não retidas representam no máximo 1,8% da
massa do aerossol (nas condições de vazão normalizadas).

Nas condições de risco de transmissão de doenças por bioaerossóis, o


respirador PFF2 deve ser usado. O uso da máscara cirúrgica não deve ser
recomendado no PPRA para proteção deste perigo. Porém, medidas de prevenção
são prioritárias em relação ao uso do EPI.

No caso de um estabelecimento industrial, não relativo a qualquer atividade de


tratamento de saúde, aparentemente não há necessidade de se prever este tipo de
perigo biológico. Porém, não seria exagero prever, que no caso de uma pandemia
transmitida por bioaerossóis a empresa terá seu ambiente submetido aos mesmos
riscos que discutimos para os ambientes de saúde.

Esta situação foi muito discutida nas empresas em geral durante a pandemia
que se iniciou em 2009 da gripe suína H1N1. Os SESMTs das empresas
começaram a se articular para tomar medidas preventivas que não estavam no
PPRA (este tipo de risco não é previsto normalmente). Seria muito oportuno que
62

uma empresa, de qualquer atividade, tenha no seu PPRA medidas contras estas
doenças, deixando claro que devem ser iniciadas no caso de uma pandemia
anunciada pelo órgão competente do governo.

A grande diferença de custo entre a máscara cirúrgica e um respirador é uma


dificuldade considerável na implantação da seleção correta. Como a máscara
cirúrgica chega a custar aproximadamente 20 vezes menos que um respirador, o
SESMT necessita de bons argumentos técnicos para evitar o uso de dispositivos
sem eficiência.
63

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Acesso em: 10 outubro 2010.

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31 - TORLONI, M. e VIEIRA, A.V. Manual de Proteção Respiratória. São Paulo:


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Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/default.cfm>. Acesso em 05
novembro 2011.

38 – BRASIL - MINISTÉRIO DA SAÚDE. Brasília. Página do Ministério da Saúde.


Disponível em
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/guia_bolso_prevencao_controle_28jul
09.pdf>. Acesso em 05 novembro 2011.

39 – CONTROL DISEASE CENTERS. EUA. Página dos CDC . Disponível em


<http://www.cdc.gov/>. Acesso em 06 novembro 2011.

40 - BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora no 15


Atividades e Operações insalubres. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego,
2008. Disponível em:
<http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_15.pdf> . Acesso
em: 06 outubro 2010.

41 - ACGIH ABHO. Limites de Exposição Ocupacional (TLVs®) para substâncias


Químicas, Agentes Físicos e Índices Biológicos de Exposição (BEIs®). São Paulo.
2008. 274 p.
68

42 - BRASIL. Ministério do Trabalho Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho.


Instrução Normativa SSST/MTB Nº 1, DE 11 DE ABRIL DE 1994 (Estabelece o
Regulamento Técnico sobre o uso de equipamentos para proteção respiratória),
Diário Oficial da união de 15/04/1994. Disponível em : <
http://www.mte.gov.br/legislacao/instrucoes_normativas/1994/in_19940411_01.pdf>.
Acesso em: 18 outubro 2010.

43 - BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. FUNDACENTRO. Programa de


Proteção Respiratória. Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores. Brasília:
MTE, 2002.130 p. Disponível em
<www.fundacentro.gov.br/ARQUIVOS/PUBLICACAO/l/programadeprotecaorespirato
ria.pdf>. Acesso em: 16 outubro 2010.

44 – APRESENTAÇÃO DE EPI´S PARA INFLUENZA A, 33. 2009, Brasília : Agência


Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em
<http://www.cvs.saude.sp.gov.br/pdf/Influenza_A_apresentacao_ANVISA.pdf>.
Acesso em: 18 outubro 2010.

45 – GOVERNO DE SÃO PAULO. Coordenadoria de Controle de Doenças. Informe


Técnico Conjunto CVS/CVE - 4/2009, Diário Oficial da União nº 148 de 11/08/09 –
p.32. Disponível em: <
ftp://ftp.saude.sp.gov.br/ftpsessp/bibliote/informe_eletronico/2009/iels.ago.09/iels147/
E_ITC-CVS-CVE-4_2009.pdf>. Acesso em 18 outubro 2010.

46 - GOVERNO DE SÃO PAULO. Coordenadoria de Controle de Doenças. Informe


Técnico Conjunto CVS/CVE - 1/2009, Diário Oficial da União nº 135 de 23/07/09 –p.
23. Disponível em: <
ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/RESP/INFLU09_ORIENTA_SERVICO.pdf>.
Acesso em 18 outubro 2010.

47 - BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora no 32


Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Brasília: Ministério do
Trabalho e Emprego, 2008. Disponível em:
< http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_32.pdf> . Acesso
em: 06 outubro 2010.
69

Glossário

Palavra Significado

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),


órgão responsável pela normalização técnica no
Brasil, fornecendo a base necessária ao
desenvolvimento tecnológico brasileiro. Trata-se de
uma entidade privada e sem fins lucrativos e de
utilidade pública.
ACGIH = American Conference of Governmental Industrial
Hygienists.
Aerodispersóide = Aerossol.
Aerossol Suspensão de partículas (líquidas ou sólidas) de
tamanho menor ou igual do que 5 µm, que podem
permanecer suspensas no ar e ser dispersas a
longas distâncias.
Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Site Web :
www.anvisa.gov.br
BAAR Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR), que são
micobactérias patogênicas.
Exame BAAR Trata-se de um exame bacteriológico, onde a
pesquisa bacteriológica é o método mais
importante, seguro, rápido e de baixo custo para o
diagnóstico. O exame de BAAR é um dos métodos
disponíveis, e se dá por análise de lâmina de
escarro adequadamente corada. Para tanto, a
coloração de Ziehl Neelsen revela os Bacilos Álcool-
Ácido Resistentes (BAAR) característicos de
Mycobacterium.
70

BFE Bacterial Filtration Efficiency, em português:


Eficiência de Filtração Bacteriológica.
Bioaerossol Suspensão de partículas composta ou derivada de
organismos vivos (microrganismos).
CA =Certificado de Aprovação. Documento emitido pelo
MTE com registro da aprovação do Equipamento de
Proteção Individual.
CDC O “Centro para Controle e Prevenção de Doenças”
(Centers for Disease Control and Prevention – CDC)
é uma agência do Departamento de Saúde e
Serviços Humanos dos Estados Unidos. Trabalha
na proteção da saúde pública e da segurança da
população, provendo informação para embasar
decisões quanto à saúde e promove esta através de
parcerias com departamentos estaduais de saúde e
outras organizações.
Efeito corona Corresponde à uma descarga (chamada “descarga
de corona”) que é formada pela emissão de elétrons
por eletrodos de alta tensão, no qual chocam-se
com átomos do dielétrico adjacente ao eletrodo. O
choque provoca a liberação de novos elétrons, Em
objetos eletricamente carregados com superfície
pontudas, ou com raio de curvatura relativamente
muito baixo, como por exemplo fios ou cabos, ou
possuindo irregularidades, ocorrerá uma
concentração de campo elétrico nesta região.
Endógeno Originado dentro do organismo.
EPC Equipamentos de Proteção Coletiva, ou EPC, são
equipamentos utilizados para proteção de
segurança enquanto um grupo de pessoas realiza
determinada tarefa ou atividade.
71

EPI Equipamento de Proteção Individual. Considera-se


EPI todo dispositivo de uso individual, de fabricação
nacional ou estrangeira, destinado a proteger a
saúde e a integridade física do trabalhador.
EPR Equipamento de Proteção Respiratória.
FDA Food and Drug Administration, Agência do governo
norte americano para controle de drogas e
alimentos.
Fundacentro Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho, vinculada ao Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE).

Gripe Aviária Gripe aviária é o nome dado à doença causada por


uma variedade do vírus Influenza (H5N1)
hospedado por aves, mas que pode infectar
diversos mamíferos. O vírus causador da gripe
aviária, é um tipo de vírus Influenza, sendo o
responsável pela gripe comum.
Gripe H1N1 Influenza A subtipo H1N1 também conhecido como
A (H1N1), é um subtipo de Influenza virus A que é a
causa mais comum da influenza (gripe) em
humanos. A letra H refere-se à proteína
hemaglutinina e a letra N à proteína neuraminidase.
Este subtipo deu origem, por mutação, a várias
estirpes, incluindo a da gripe espanhola (atualmente
extinta), estirpes moderadas de gripe humana,
estirpes endémicas de gripe suína e várias estirpes
72

encontradas em aves.
In vitro Termo científico que designa todos os processos
biológicos que têm lugar fora dos sistemas vivos, no
ambiente controlado e fechado de um laboratório e
que são feitos normalmente em recipientes de vidro.
In vivo Termo científico que refere-se à experimentação
feita dentro ou no tecido vivo de um organismo vivo,
em oposição a um parcialmente ou totalmente
morto. Experiências com animais e ensaios clínicos
são formas de investigação in vivo.
Não-tecido Conforme a norma NBR-13370, não-tecido é uma
estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu
ou manta de fibras ou filamentos, orientados
direcionalmente ou ao acaso, consolidados por
processo mecânico (fricção) e/ou químico (adesão)
e/ou térmico (coesão) e combinações destes.
Niosh O “Instituto Nacional para Segurança e Saúde
Ocupacional” ( National Institute for Occupational
Safety and Health=Niosh) é uma agência federal
(EUA) responsável por conduzir pesquisas e fazer
recomendações para a prevenção de doenças e
danos causados pelo trabalho. Niosh faz parte do
CDC, dentro do Departamento de Saúde e Serviços
Humanos do governo dos Estados Unidos.
NR Normas Regulamentadoras, também conhecidas
como NRs, regulamentam e fornecem orientações
sobre procedimentos obrigatórios relacionados à
segurança e medicina do trabalho no Brasil.
OMS Organização Mundial de Saúde (World Health
Organization – WHO).
Pandemia Uma pandemia é uma epidemia de doença
73

contagiosa que se espalha entre a população


localizada em uma grande região geográfica como,
por exemplo, um continente ou mesmo o planeta.

PPE Personal Protective Equipment = Equipamento de


Proteção Individual (EPI).
PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
(PPRA) é um conjunto de ações visando à
preservação da saúde e da integridade dos
trabalhadores, através da antecipação,
reconhecimento, avaliação e conseqüente controle
da ocorrência de riscos ambientais existentes ou
que venham a existir no ambiente de trabalho.

SARS Severe Acute Respiratory Syndrome (Síndrome


Severa Aguda Respiratória). É uma doença
respiratória grave e se trata de uma grave
pneumonia atípica. Muitas vezes confundida com a
gripe aviária , embora não seja a mesma doença, é
causada pelo coronavírus (CoV SARS) tendo
diagnóstico a partir de sorologia e PCR.
UFC Unidades Formadoras de Colonia (CFU ou UFC) é
uma medida do número viável de bactérias ou
fungos. Diferente da contagem direta por
microscópio onde todas as células, vivas ou mortas
são contadas, CFU mede células viáveis. Por
conveniência os resultados são dados por UFC/mL
(unidades formadoras de colônia por mililitro) para
líquidos, e UFC/g (unidades formadoras de colônia
74

por grama) para sólidos.


Ultra-som (soldagem) É um método de soldagem de termoplásticos,
utilizando um conjunto acústico que converte uma
excitação elétrica em vibração, que aplicada ao
material gera o aquecimento e a fusão controlada
das interfaces.
75

Anexo A - Medidas preventivas para gripe H1N1, reproduzido do portal


do Ministério da Saúde (Governo Brasileiro).38
76

Anexo B - Medidas de proteção contra a gripe H1N1, reproduzido do


portal do Ministério Saúde (Governo Brasileiro).38
77