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MÓDULO VII – COMBUSTÃO E FORNOS

PARTE I - COMBUSTÃO

1 Profª. Lilian Fraga


MÓDULO VII ESPECIALIZAÇÃO EM OPERAÇÃO DE PROCESSOS QUÍMICOS E PETROQUÍMICOS
COMBUSTÃO DISCIPLINA: EQUIPAMENTOS DE PROCESSOS INDUSTRIAIS
E FORNOS
INTRODUÇÃO À COMBUSTÃO

A combustão consiste na reação química entre dois ou mais reagentes


(combustíveis e comburentes) com grande liberação de energia na forma de calor.
Assim, todas as reações de combustão são extremamente exotérmicas (mesmo que
necessitem de uma fonte de ignição para ocorrerem).

Praticamente todos os combustíveis utilizados são orgânicos (com cadeias


carbônicas ligadas a átomos de hidrogênio ou oxigênio). Sendo alguns exemplos: a
gasolina, o álcool etílico, o acetileno e o metano.

Da classe dos comburentes, o oxigênio é o mais presente (embora outras


substâncias possam ser utilizadas, como o flúor) e a sua função é oxidar o combustível
adicionado. Ou seja, a combustão é, na maioria das vezes, uma reação de oxirredução.
Onde o oxigênio é o agente oxidante e reduz-se quase sempre ao Nox -2.

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Reação de combustão

Reação isotérmica

Calor de combustão

ΔH – Entalpia de reação ou calor de combustão.

Energia liberada na reação de combustão.


Proveniente das novas ligações químicas entre os compostos envolvidos, onde
os produtos procuram um estado energético mais baixo que os reagentes.

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Unidade de medida:
[unid. de energia/unid. de matéria, massa ou volume]
MOL – quantidade de matéria

Exemplos de calores de combustão

Poder calorífico

Calor de combustão também é comumente chamado de Poder Calorífico.


Poder Calorífico é a quantidade de energia desprendida durante a combustão na
queima completa de uma unidade de matéria do combustível.

Exemplo: Combustão do H2 = formação de H2O

Poder Calorífico Inferior: é definido como a quantidade de calor desprendida


na combustão de uma unidade de matéria de combustível quando a água contida nos
gases de combustão está toda na forma de vapor. O calor latente de vaporização e o
calor sensível de aquecimento do vapor de água são perdidos.
Poder Calorífico Superior: é a quantidade de calor desprendida na combustão
quando a água nos gases de combustão está toda na forma líquida, devolvendo o calor
latente e sensível consumido.

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Temperatura de ignição

É a temperatura que se precisa fornecer a um ponto da mistura


ar/gáscombustível para que a energia de ativação da reação de combustão seja
alcançada, iniciando-se a combustão.

Para os combustíveis líquidos, principalmente, existe outra definição adicional, o


Ponto de Fulgor.

Ponto de Fulgor: Temperatura em que o combustível líquido desprende vapores


que, em presença de um comburente, produz uma mistura que se inflama em presença
de uma fonte de ignição.

Classificação dos Líquidos Combustíveis

Líquido Combustível Classe lll: todo aquele que o ponto de fulgor é igual ou
superior a 70 °C e inferior a 93,3 °C.

Líquido Combustível Classe ll (líquido inflamável): todo aquele que o ponto


de fulgor é superior a 37,7 °C e inferior a 70 °C.

Líquido Combustível Classe l (líquido inflamável): todo aquele que o ponto


de fulgor é inferior a 37,7 °C.

Limites de Inflamabilidade

Mistura inflamável – mistura onde a reação de combustão se propaga


espontaneamente.

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A figura a seguir exemplifica uma mistura que se encontra dentro dos limites de
inflamabilidade:

Limite de Inflamabilidade Inferior – menor percentagem de gás em uma


mistura que permite a combustão. Abaixo deste limite o ar dilui muito o gás, não
permitindo a propagação da reação.

A figura a seguir exemplifica uma mistura que se encontra abaixo do limite


inferior de inflamabilidade:

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Limite de Inflamabilidade Superior – maior percentagem de gás em uma
mistura que permite a combustão. Acima deste valor, o gás passa a ser diluente do ar,
não permitindo a combustão.

A figura a seguir exemplifica uma mistura que se encontra acima do limite


superior de inflamabilidade:

Temperatura da mistura: elevação da temperatura amplia o limite de inflamabilidade

Exemplo para o metano:

Tipos de combustão

 Lenta

Quando se produz a uma temperatura suficientemente baixa, isto é, inferior a


500 °C, não havendo, regra geral, emissão de luz. A oxidação de um metal (ferro, cobre,

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zinco, etc.) em contacto com o ar úmido é um exemplo deste tipo de combustão. A
combustão lenta é uma forma de queima que acontece a baixas temperaturas. A
respiração celular e formação de ferrugem são exemplos de combustões lentas.

 Viva

É aquela em que se produz luz e, vulgarmente, designa-se por fogo. Neste caso,
devido à mistura dos gases inflamados com o ar forma-se a chama. No caso dos sólidos,
cuja combustão decorre à superfície, verifica-se a incandescência a partir da sua ignição
e também através da formação de brasas. Estas surgem quando o combustível já não
liberta gases suficientes para provocar chama. A combustão do carvão ilustra estes
aspectos.

 Deflagração

Combustão muito rápida cuja propagação se dá a uma velocidade superior à do


som no ar

 Explosão

Combustão resultado da mistura de gases ou partículas finamente divididas com


o ar numa percentagem bem determinada – mistura explosiva ou detonante –
propagando-se a uma velocidade superior a 340 m/s. Neste caso, a mistura tem de
ocupar todo o espaço onde está contida e, no momento da explosão, provoca uma
elevação de temperatura ou de pressão ou de ambas, simultaneamente, sobre todo o
espaço confinante. Usamos como combustivel a gasolina,o etanol ou o diesel.
Combustão é o processo de obtenção de energia.

Combustão Parcial e Completa

Na indústria, as reações de combustão acontecem a todo o momento e possuem


finalidades variadas: desde a geração de vapor para movimentar turbinas e
equipamentos, até o fornecimento de energia para iniciar novas reações. E, como a

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oxidação completa dos combustíveis libera mais energia que a parcial, a mesma se faz
mais desejável.

A diferença entre os produtos das duas oxidações (completa e parcial) está na


presença do oxigênio nas moléculas: os produtos da combustão completa estão
saturados com átomos de oxigênio, ao contrário dos produtos da combustão parcial que
possuem a capacidade de absorver mais oxigênio se uma nova combustão lhes for
promovida.

Exemplo: 20 mols de metano foram adicionados em um reator de combustão


com quantidade suficiente de oxigênio. Em seguida, uma fonte de ignição iniciou a
reação que possui 85% de eficiência na produção de dióxido de carbono. Pede-se para
calcular a porcentagem molar dos gases de exaustão do reator.

Resolução:

Sejam as respectivas reações de oxidação completa e parcial do metano:

CH4 + 2O2 -> CO2 + 2H2O (85%)

CH4 + 1,5O2 -> CO + 2H2O (15%)

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Como a oxidação do metano ocorre com 85% de eficiência, 17 mol se oxidarão
completamente e 3 mol se oxidarão parcialmente. Assim, de acordo com a
estequiometria da reação, serão formados: 17 mol de CO2, 3mol de CO e 40 mol de
H2O (proveniente das duas oxidações).

A soma final do número de mols dos gases é: 17+3+40 = 60 mol , de onde:

Requisitos para uma combustão:

Combustível (agente redutor);


Comburente (agente oxidante);
Fonte de ignição.

Combustíveis: Substâncias orgânicas ou minerais que liberam grande quantidade de energia


quando submetida ao processo de combustão.

Classificação:

 Quanto a Origem:
Naturais ou derivados
Minerais, vegetais ou animais;

 Quanto ao estado Físico:


Sólido;

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Líquido;
Gasoso.
GLP – Gás liquefeito de petróleo

Origem:
Fracionamento do petróleo;
Processamento do GN

Composição química:

Principalmente: propano – C3H8 e butano – C4H10

Origem do GLP

 Poços de gás

Associado
Não-associado

Principais fatores operacionais para uma boa combustão

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Na combustão o objetivo é obter o máximo de calor. Não basta porém que o rendimento
calorífico atenda às necessidades requeridas, é preciso que isto seja feito de forma econômica.
A fim de maximizar-se o rendimento da combustão, deve-se obter o melhor aproveitamento
possível do potencial energético do combustível através dos fatores operacionais listados a
seguir:

 Regular a relação ar-combustível;


 Proporcionar a perfeita mistura ar-combustível;
o A íntima mistura do combustível com o ar aumenta a superfície de contato entre
eles e têm influência decisiva na velocidade de combustão. Quanto mais íntima
a união dos elementos, melhor a combustão.
 Ar para combustão
o Conhecendo-se a composição do combustível e com base na estequiometria da
reação, consegue-se calcular o ar necessário para a queima do combustível.
o A quantidade de ar que fornece oxigênio teoricamente sufuciente para a
combustão completa do combustível é chamada de “ar teórico” ou “ar
estequiométrico”.
o Na prática, sabe-se que é muito difícil obter uma boa combustão apenas com o
ar teórico. Se utilizarmos somente o “ar teórico”, há grande probabilidade do
combustível não queimar totalmente (haverá formação de CO ao invés de CO2)
e consequentemente a quantidade de calor liberada será menor.
o Para se garantir a combustão completa recorre-se a uma quantidade adicional de
ar além do estequiométrico, garantindo deste modo que as moléculas de
combustível encontrem o número apropriado de moléculas de oxigênio para
com pletar a combustão. Essa quantidade de ar adicional utilizada é chamada de
excesso de ar, ou seja, o excesso de ar é a quantidade de ar fornecida além da
teórica.
o O excesso de ar proporciona uma melhor mistura entre o combustível e o
oxidante, mas deve ser criteriosamente controlado durante o processo de
combustão. Deveremos conhecer a quantidade ideal mínima possível de excesso
de ar a ser introduzida na queima, pois o ar que não participa da combustão
tende a esfriar a chama, sem contribuir para a reação. Quanto maior o excesso

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de ar, maior o volume de gases nos produtos da combustão e consequentemente
maior a perda de calor pela chaminé, influindo desta forma negativamente para
a eficiência da combustão.
o Entretanto, as perdas por excesso de ar aumentam em proporção muito menor
que as perdas do combustível não queimado. Assim, nos processos de
combustão industrial sempre se trabalha com excesso de ar.
o A figura a seguir representa uma relaçao entre a vazão de ar para combustão e as
perdas de calor nos gases da exaustão de uma caldeira.

o O teor de excesso de ar a ser utilizado varia de acordo com o tipo de


combustível a ser queimado e também com o equipamento de queima, sendo
menor para combustíveis gasosos e maior para combustíveis líquidos e sólidos.

Cálculos estequiométricos

1. Cálculo da necessidade teórica de ar

Nos cálculos estequiométricos é de grande utilidade o emprego de unidades molares. O


mol é uma abreviação de molécula-grama (quantidade em gramas igual a massa molecular da
substância considerada) e o Kmol e abreviação de molécula-quilograma (quantidade em
quilogramas igual a massa molecular da substância considerada).

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Durante a combustão, a massa de cada elemento permanece a mesma. Considere
inicialmente a reação:
C + O2 CO2

Nesta equação, 1 Kmol de carbono reage com 1 Kmol de oxigênio formando 1 Kmol de
dióxido de carbono.

Logo,
1 Kg de C necessita de 2,66 Kg de O2 (32/12)

Sendo assim, a massa teórica necessa´ria para a combustão completa do combustível


será calculada pela seguinte expressão:

Onde:
%C = percentual de carbono existente na composição do combustível.
%H2 = = percentual de hidrogênio existente na composição do combustível.
%S = percentual de enxofre existente na composição do combustível.

Caso exista O2 na composição do combustível, deveremos descontar essa quantidade


da massa total acima descrita.

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Onde:
%O2 = = percentual de oxigênio existente na composição do combustível.

Na maioria dos processos de combustão, o oxigênio é fornecido pelo ar atmosférico. A


composição do ar em peso é aproximadamente: 23% de oxigênio e 77% de nitrogênio.
Logo, a quantidade teórica de ar para combustão completa será:

Onde:

Se temos uma mO2 = 2,66 e sabamos que isso corresponde a 23% da composição em
peso do ar, então a massa de ar irá equivaler a:

Obs.:
Para obter o número de mols (n) estequiométrico do ar de combustão, basta utilizar a
fórmula:

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2. Cálculo da necessidade real de ar

Como dito anteriormente, para conseguirmos uma queima completa do combustível, há


necessidade de se introduzir um excesso de ar. A quantidade desse excesso depende de vários
fatores, mas apresentamos a seguir os valores comumente utilizados para os combustíveis mais
comuns:

Logo, a massa e volume reais de ar a ser introduzida para queima do combustível será:

Pode-se também considerar a água presente no ar e para isso devemos fazer uso de uma
carta psicrométrica, onde dependendo da umidade relativa do ar encontraremos a quantidade
(massa ) presente no ar:

Onde:
x = quantidade de água no ar (kg água / Kg de ar seco) de acordo com a umidade relativa.

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