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MAT 340 - EQUAÇÕES DIFERENCIAIS

ORDINÁRIAS - Aulas 14-17

Bulmer Mejı́a Garcı́a

2010-II

Universidade Federal de Viçosa

Bulmer Mejı́a Garcı́a MAT 340 - EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS - Aulas 14-17
EDO de Cauchy-Euler

É uma EDO da seguinte forma

an (ax+b)n y (n) (x)+an−1 (ax+b)n−1 y (n−1) (x)+. . .+a1 (ax+b)y 0 (x)+a0 y (x) = 0

onde ai ∈ R e an 6= 0

A mudança de variável ax + b = e t transforma a EDO acima em

bn y (n) (t) + bn−1 y (n−1) (t) + . . . + b1 y 0 (t) + b0 y (t) = 0

onde bi ∈ R e bn 6= 0.

Nesta última EDO podemos aplicar o que foi estudado nas aulas
anteriores.

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EDO de Cauchy-Euler

Considerando o caso particular n = 2, a = 1 e b = 0, devemos estudar o


P.C. associado b2 λ2 + b1 λ + b0 = 0. Suponha que uma das raizes seja λ1
o que geraria a solução y1 (t) = y1 (x(t)) = e λ1 t , de onde y1 (x) = x λ1
seria uma solução da EDO original.

Portanto, uma forma direta de procurar uma solução para a EDO

a2 x 2 y 00 (x) + a1 xy 0 (x) + a0 y (x) = 0

é propor uma solução da forma y (x) = x λ , para λ a ser determinado.

Derivando e substituindo, a EDO transforma em:


x λ [a2 λ(λ − 1) + a1 λ + a0 ] = x λ [a2 λ2 + (a1 − a2 )λ + a0 ] = 0
De onde, basta estudar ∆ = (a1 − a2 )2 − 4a2 a0

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EDO de Cauchy-Euler

CASO 1. Se ∆ > 0, temos duas raizes reais distintas de onde


φ1 (x) = x λ1 e φ2 (x) = x λ2 e a solução geral é φ(x) = c1 φ1 (x) + c2 φ2 (x)

a2 − a1
CASO 2. Se ∆ = 0, temos raiz repetida λ1 = λ2 = , o que nos
2a2
λ1
dá φ1 (x) = x . Aplicando o método de redução de ordem obtemos
φ2 (x) = x λ1 ln(x). Portanto, a solução geral é
φ(x) = c1 φ1 (x) + c2 φ2 (x) = c1 x λ1 + c2 x λ1 ln(x)

CASO 3. Se ∆ < 0, temos raizes complexas λ1 = α + iβ e λ2 = α − iβ,


o que nos dá solução na forma

x α±iβ = e (α+iβ) ln(x) = x α [cos (β ln(x)) ± isen (β ln(x))]

De onde φ1 (x) = x α cos (β ln(x)) e φ2 (x) = x α sen (β ln(x)), e a solução


geral segue a partir daqui.

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EDO de Cauchy-Euler
Exemplos
1. x 2 y 00 + 5xy 0 + 4y = 0
2. x 2 y 00 + xy 0 − y = 0
3. x 2 y 00 + 3xy 0 + y = 0
4. (x + 2)2 y 00 + 3(x + 2)y 0 − 3y = 0
5. x 2 y 00 − xy 0 + y = 2x
6. x 2 y 00 − 2xy 0 + 2y = x 2 − 2x + 2
7. x 2 y 00 − xy 0 + 2y = x ln(x)
8. Resolver xy 00 + 2y 0 − xy = 2e 2x , se y1 = x −1 e x e y2 = x −1 e −x são
soluções da EDO homogênea.
9. x 2 y 00 + xy 0 + y = x(6 − ln(x))
10. x 2 y 00 − xy 0 − 3y = − 16 ln(x)
x
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EDO LINEARES DE 1RA E 2DA ORDEM: APLICAÇÕES

As equações diferenciais tem muitas aplicações em diferentes campos do


saber, tais aplicações modelam situações de cada área levando em
consideração leis que regem os fenómenos que queremos modelar. A
correta modelação da lugar a equações diferenciais muitas vezes
complicadas, principalmente em derivadas parciais, para as quais não
temos método de solução. Por esta razão um estudo qualitativo torna-se
mais apropriado do que um estudo quantitativo a não ser que estejamos
interessados em valores númericos aproximados, em cujo caso técnicas de
cálculo numérico vem em nosso auxilio.

Entre as aplicações das equações diferenciais ordinárias lineares podemos


citar:

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EDO LINEARES DE 1RA E 2DA ORDEM: APLICAÇÕES

EDO PRIMEIRA ORDEM


1 Trajetorias ortogonais
2 Mecânica e circuitos elétricos do tipo LR e RC em série
3 Quı́mica: Desintegração radioativa e problemas de misturas
4 Biologı́a: Problemas de Crescimento de decrescimento.
EDO DE SEGUNDA ORDEM
1 Movimento harmônico simples
2 Oscilações livres e forçadas
3 Circuitos LRC em série
4 Vigas horizontais
5 Péndulo simples
6 Economia

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APLICAÇÕES - PROBLEMAS

1. Determine as π4 -trajetórias da famı́lia de curvas x 2 + y 2 = c.


Solução:
O ângulo θ em que duas curvas f e g se cortam em um dado ponto é
dado por

tan(α) − tan(β) f 0 − g0
tan(θ) = tan(α − β) = =
1 + tan(α) tan(β) 1 + f 0g 0
x
Derivando a famı́lia de curvas dada, obtemos x + yy 0 = 0 ou y 0 = − ,
y
y 0 + yx
logo tan( π4 ) = 0 de onde obtemos a EDO homogênea
1 − xyy
y
(x − y ) + (x + y )y 0 = 0, cuja solução é x 2 + y 2 = ce −2 arctan( x ) , que é a
famı́lia procurada.

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APLICAÇÕES - PROBLEMAS

2. Um assado pesando cinco libras, inicialmente a 50◦ F , é posto no forno


a 375◦ F às cinco horas da tarde. Depois de 75 minutos a temperatura
T (t) do assado é de 125◦ F . Em que instante a temperatura do assado
será de 150◦ F , isto é, mal passado?
Solução:
A lei de resfriamento de Newton: ”a taxa de variação temporal da
temperatura T (t) = T de um corpo é proporcional à diferença entre T e
a temperatura do ambiente A em volta”
De onde a EDO
dT
= −k(T − A), k > 0
dt
Com os dados do problema obtemos t ≈ 105min. para o assado alcançar
a temperatura de 125◦ F .

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APLICAÇÕES - PROBLEMAS

3. A taxa de crescimento da população de uma certa cidade é


proporcional ao número de habitantes. Se a população em 1950 era de
50.000 e em 1980 de 75.000, qual a população esperada em 2010?
Solução:
Seja N a população. Do enunciado temos

dN(t)
= kN(t), cuja solução é N(t) = ce kt
dt
Usando os dados do problema chegamos a que em 2010 a população
esperada será de 112.500 habitantes.

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APLICAÇÕES - PROBLEMAS

4. Um estudante portador de um virus de gripe retorna ao campus


univeristário (isolado), que tem 1000 estudantes. Suponha que a
velocidade de propagação do virus da gripe é proporcional tanto ao
número de estudantes infestados como aos que não estão infestados.
Determine o número de estudantes infestados com o virus após 6 dias, se
é observado que o número de infestados após 4 dias chegou a 50.
Solução:
Seja x(t) o número de infestados após t dias, então

dx 1000Ae 1000kt
= x(1000 − x), de onde x(t) =
dt 1 + Ae 1000kt
1000
Pelas condições do problema: x(t) =
1 + 999e −0,990578t
Portanto x(6) = 276

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APLICAÇÕES - PROBLEMAS

5. Numa excavação achou-se um osso antigo que contem 18 da


quantidade original de C 14 que um osso atual contem. Determine a
antiguidade do fóssil.
Solução:
Seja x(t) a quantidade de C 14 presente no osso no tempo t e seja
x0
x(0) = x0 . A meia-vida do carbono é 5568 anos, pelo que x(5568) =
2
A velocidade de desintegração é proprocional a quantidade x(t), de onde
dx
= kx. Levando em consideração os dados k = −0, 00012448 e
dt
x0
x(t) = x0 e −0,00012448t . Desejamos saber quando ocorre x(t) = , o que
8
nos dá t = 16705 anos.

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MOVIMENTO OSCILATÓRIO LIVRE

6. De forma experimental verificou-se que um peso de 4lb expande uma


mola em 6 polegadas. Suspende-se o peso até a posição de equilibrio da
mola e se deixa cair livremente a uma velocidade de 4pol/s.. Determine:
O PVI que descreve o movimento.
A equação do movimento.
A posição, velocidade e aceleração do peso após 2 segundos.
O periodo, a frequência e o gráfico da solução.
Solução: 6pol = 1/2pe. Pela lei de Hooke F = kd, de onde k = 8lb/pe
e m = W /g = 4/32 = 1/8slug . A condição de equilibrio dá mg = ks. O
processo descrito e a segunda lei de Newton nos dá
d 2x d 2x
m 2 = mg − k(x + s), logo m 2 = −kx.
dt dt
d 2x 0
a) + 64x = 0, x(0) = 0 e x (0) = 1/3. Os itens restantes se seguem
dt 2
imediatamente.

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MOVIMENTO OSCILATÓRIO LIVRE AMORTECIDO

d 2x dx d 2x dx
m = −ks − β ou + 2λ + ω2 x = 0
dt 2 dt dt 2 dt
β k
onde 2λ = e ω2 =
m m
O P.C. associado é r 2 + 2λr + ω 2 = 0, com raizes
p p
r1 = −λ + λ2 − ω 2 e r2 = −λ − λ2 − ω 2

CASO 1. λ2 − ω 2 > 0, o movimento é super-amortecido = movimento


suave e não oscilatório.
CASO 2. λ2 − ω 2 = 0, o movimento é criticamente amortecido, há
movimento oscilatório.
CASO 3. λ2 − ω 2 < 0 o movimento é oscilatório, com amplitude indo a
zero a medida que o tempo cresce infinitamente.

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MOVIMENTO OSCILATÓRIO LIVRE AMORTECIDO

7. De forma experimental verificou-se que um peso de 4lb expande uma


mola em 6 polegadas. O meio oferece resistência ao movimento do corpo
em 2,5 vezes a velocidade instantânea. Determine a equação do
movimento se o peso se desloca 4 polegadas por baixo da posição de
equilibrio e se deixa livre.
4 d 2x dx
Solução: A equação diferencial do movimento é 2
= −8x − 2, 5
32 dt dt
d 2x dx
ou equivalentemente + 20 + 64x = 0, com condições iniciais
0
dt 2 dt
x(0) = 1/3 e x (0) = 0. Resolvendo a EDO temos

4 −4t 1 −16t
x(t) = e − e
9 9

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MOVIMENTO OSCILATÓRIO FORÇADO

Consideramos forças externas que variam com o tempo. Para este caso
consideramos f (t). Da segunda lei de Newton

d 2x dx d 2x dx
m = −kx−β +f (t) ou equivalentemente +2λ +ω 2 x = F (t)
dt 2 dt dt 2 dt
β k f (t)
Onde 2λ = , ω2 = e F (t) =
m m m

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MOVIMENTO OSCILATÓRIO FORÇADO
8. Uma mola vertical com constante de 6lb/ft tem suspensa no seu
extremo uma masa de 1/2slug . Aplica-se uma força externa dada por
f (t) = 40sen (2t), t ≥ 0. Suponha que sobre a mola atue uma força
amortecedora igual a duas vezes a velocidade instantânea e que
inicialmente o corpo está no reposo na posição de equilibrio. Determine a
posição do corpo em qualquer instante de tempo t.
Solução: De acordo ao enunciado k = 6lb/ft, m = 1/2slug e β = 2,
portanto a EDO que modela este problema é:

d 2x dx
2
+4 + 12x = 80sen (2t)
dt dt

Para a qual φc (t)√ = e −2t (c1 cos (22t)
√ + c2 sen (2 2t)) e
φp (t) = −5cos (2 2t) + 5sen (2 2t). As condições iniciais
x(0) = x 0 (0) = 0, proporcionam

x(t) = 5e −2t cos (2 2t) + 5(sen (2t) − cos (2t)

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OUTRAS APLICAÇÕES
Queremos estudar a deformação de uma viga horizontal. O momento é
d 2y
dado por M = EI 2 , onde E é a elasticidade da viga, I é o momento
dx
de inércia.
9. Uma viga de 8m de comprimento está apoiada em duas colunas
verticais. Se a viga tem uma carga uniforme de 500kg/m e uma carga
central de 5000kg. Qual é a equação da curva elástica da viga?
Solução: - Uma força aplicada no extremo direito a x m de P apontando
1
para cima e igual a (5000 + 8 · 500)
2
- Uma força de 500x apontando para baixo concentrada no ponto meio
de OP
- O momento flector é:
x
M = F1 d1 − F2 d2 = 2(5000 + 8 · 500)x − 500x( ) = 4500x − 250x 2
1 2
d 2y 2
- A EDO é: EI 2 = 4500x − 250x
dx
1 225 3 125 4
- Portanto y (x) = ( x )− x − 36800x, é acurva elástica da
EI 3 6
viga. Bulmer Mejı́a Garcı́a MAT 340 - EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS - Aulas 14-17