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Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

OBJETIVO 1 - ACABAR COM A FOME E A MISÉRIA

A meta da ONU de reduzir a fome e a pobreza extrema até 2015 à metade


do que era em 1990 foi alcançada pelo Brasil em 2002. Em 2007, a meta
nacional de reduzir a porcentagem de pobres a ¼ da de 1990, apesar de mais
ambiciosa, também foi cumprida e superada em 2008.
O Brasil sem Miséria potencializou esse esforço. O programa pretende
retirar mais de 16 milhões de brasileiros da extrema pobreza. A busca ativa para
“encontrar” essas pessoas conseguiu incluir no Cadastro Único, de junho de
2011 a março de 2012, 687 mil novas famílias, que já estão recebendo o Bolsa
Família. Em maio de 2012, o programa atendia a 13,5 milhões de famílias.
Outra iniciativa que integra o Brasil Sem Miséria, é o Brasil Carinhoso,
lançado em maio de 2012. A meta é a superação da miséria em todas as famílias com crianças de 0 a 6 anos, além
de ampliar o acesso a creche, pré-escola e saúde. O benefício para superar a pobreza extrema é de pelo menos
R$ 70 por pessoa, que é destinado a famílias extremamente pobres com crianças nessa faixa etária. O início do
pagamento, em junho de 2012, reduziu a extrema pobreza total em 40%.

OBJETIVO 2 - EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODO

Nos últimos anos, houve avanços significativos em termos de acesso e


rendimento escolar de crianças e jovens no Brasil. Em 2009, 95,3% da faixa
etária de 7 a 14 anos frequentavam o ensino fundamental. No mesmo ano,
75% dos jovens que haviam atingido a maioridade concluíram o ensino
fundamental.
O Brasil convive com uma baixa taxa de conclusão escolar, que pode ser
explicada pelos elevados índices de repetência e de evasão. No entanto, a
educação básica brasileira já atende a 98% da população: mais de 50 milhões
de crianças e jovens. Da educação infantil ao ensino médio, são dois milhões
de professores.
O investimento em educação básica foi R$ 114,3 bilhões em 2012, um aumento de 19,12% em relação a
2011. Também em relação a 2011, houve reajuste de 21,2 % no valor mínimo investido por aluno.

OBJETIVO 3 - IGUALDADE ENTRE OS SEXOS E VALORIZAÇÃO DA MULHER

Superar as disparidades entre meninos e meninas no acesso à escolarização


formal e promover políticas que ofereçam oportunidades para mulheres
ocuparem papéis cada vez mais ativos no mundo econômico e política são
ações essenciais para a superação das desigualdades de gênero.
No que diz respeito ao acesso à educação, o Brasil já alcançou as metas
previstas nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: meninas e mulheres
já são maioria em todos os níveis de ensino.
Mesmo que tenha havido melhorias nos indicadores, a desigualdade das mulheres em relação aos homens
ainda persiste no mercado de trabalho, nos rendimentos e na política. E a violência doméstica continua atingindo
milhares de mulheres brasileiras.
O Programa de Autonomia Econômica das Mulheres e Igualdade no Mundo do Trabalho, busca minimizar
parte dos problemas ao promover ações de inserção no mercado de trabalho, inclusão produtiva e geração de
renda, nos meios urbanos e rural, além da responsabilização do Estado pelos cuidados e pela educação infantil.
O Brasil celebrou ainda um acordo federativo em torno do “Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência
Contra a Mulher”, que abrange as dimensões da prevenção, assistência, combate e garantia de direitos às
mulheres. Atualmente, existem 1.011 serviços de atendimento às mulheres em situação de violência.
Entre 2003 e 2011, a População Economicamente Ativa (PEA) feminina cresceu 17,3%, enquanto a PEA
masculina aumentou 9,7%. A participação das mulheres na PEA passou de 44,4% em 2003, para 46,1% em 2011.
No mesmo período, as mulheres aumentaram sua participação na população ocupada, passando de 43,0% para
45,4%.
Diminuíram as diferenças entre os rendimentos do trabalho. Entre 2003 e 2011, o rendimento real médio
das mulheres cresceu 24,9%, variação superior à observada entre os homens. A remuneração média das mulheres
passou a corresponder a 72,3% da masculina, em 2011, situação menos desigual que em 2003, quando esta
proporção equivalia a 70,8%.

OBJETIVO 4 - REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL

A taxa de mortalidade infantil (menores de 1 ano) por mil nascidos vivos


passou de 29,7, em 2000, pra 15,6, em 2010. Essa taxa é menor que a meta
prevista para 2015, de 15,7 por mil nascidos vivos. A queda mais acentuada
ocorreu na região Norte (-58,6%), que ainda apresenta a taxa mais elevada do
Brasil: 18,5 por mil nascidos vivos.
A taxa de mortalidade das crianças abaixo de cinco anos apresentou
queda de 65% entre 1990 e 2010. O número de óbitos por mil nascidos vivos
passou de 53,7 para 19 óbitos. Os indicadores demonstram que tanto as taxas
de mortalidade na infância (menores de 5 anos) e infantil (menores de 1 ano)
apresentaram forte queda entre 1990 e 2010. A mortalidade infantil está
concentrada nos primeiros meses de vida, no período neonatal precoce (0 a 6 dias) e neonatal tardio (7 a 27 dias).

OBJETIVO 5 - MELHORAR A SAÚDE DA GESTANTE

Este é o Objetivo que o Brasil tem mais dificuldade de atingir. O país


melhorou, mas ainda não alcançou a meta de reduzir em ¾, entre 1990 e
2015, a razão da mortalidade materna. Segundo estimativas da Secretaria de
Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a razão da mortalidade materna
era de 141 por 100 mil nascidos vivos em 1990 e declinou para 68 por 100
mil nascidos vivos em 2010. Entre janeiro e setembro de 2011, a mortalidade
materna diminui 21%. Ocorreram 1.038 óbitos por complicações na gravidez
e no parto, contra 1.317 no mesmo período de 2010. A meta é atingir 35
óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2015.
O governo federal criou o “Saúde Mais Perto de Você” e o “Rede
Cegonha”, que é composto por quatro componentes: pré-natal; parto e
nascimento; puerpério e atenção integral à saúde da criança; e sistema logístico, com transporte sanitário e
regulação.o
Em 2011, a tendência de queda continuou, com a diminuição de 21% dos óbitos maternos em relação a
2010. No primeiro semestre de 2011, foram notificados 705 óbitos por causas obstétricas. No mesmo período
de 2010 foram registrados 870. De 2003 a 2010, aumentou em 125% o número de gestantes com sete ou mais
consultas de pré-natal e a proporção de mães brasileiras que não fizeram nenhuma consulta foi reduzida de 4,7%
para 1,8%. Em 2011, mais de 1,7 milhão de gestantes fizeram no mínimo sete consultas de pré-natal.

OBJETIVO 6 – COMBATER A AIDS, A MALÁRIA E OUTRAS DOENÇAS

A experiência brasileira de combate à epidemia de HIV/Aids se tornou


uma referência mundial. Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de
2011, o Brasil registrou 608,2 mil casos de AIDS, mas a taxa de incidência
passou de 20,0 por 100 mil habitantes em 2003 para 17,9 por 100 mil
habitantes em 2010. Foram notificados, em 2010, 34.218 novos casos da
doença.
O Brasil tem conseguido controlar a malária. O número de exames
positivos por mil habitantes caiu de 33,2, em 1990, para 13,1 em 2010. A
malária está concentrada na região norte (Acre, Amapá, Amazonas, Pará,
Rondônia e Roraima), com mais de 95% dos casos.
Também em relação à tuberculose, o Brasil tem conseguido alcançar a meta de reduzir a incidência: o
número de casos novos por 100 mil habitantes caiu de 51,8, em 1990, para 37,6, em 2010. O Brasil antecipou em
cinco anos o cumprimento da meta dos ODM, que era reduzir pela metade os óbitos pela doença entre 1990 e
2015.
Assim como no caso do HIV/Aids, os gestores da saúde têm buscado estruturar a vigilância
epidemiológica para o enfretamento dessas e de outras doenças transmissíveis, tais como a tuberculose e a
dengue. O maior desafio é combater a dengue, pois a incidência tem aumentado. No Brasil, de janeiro a abril de
2010, ocorreram 467 mortes causadas por dengue. Já de janeiro a abril de 2012, foram 74 óbitos. Os casos graves
de janeiro a abril de 2010 foram de 11.485, contra 1.083 identificados de janeiro a abril de 2012. Houve uma
queda de 84% nos óbitos por dengue e redução de 91% nos casos graves.
Foram criados programas nacionais de controle da Malária, da Dengue e da Tuberculose para reduzir a
incidência das doenças e o número de vítimas.

OBJETIVO 7 – QUALIDADE DE VIDA E RESPEITO AO MEIO AMBIENTE

A taxa de desmatamento da Amazônia entre agosto de 2010 e julho de


2011 foi a menor registrada desde a primeira medição feita pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 1988. A área de 6.418 km²
desmatada no período é 76,9% menor do que a registrada em 2004, quando
foi criado o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento
na Amazônia Legal. Atualmente, 81,2% da floresta original da Amazônia
permanecem conservados.
Em relação aos compromissos de Copenhague, O Brasil já havia
reduzido a emissão de gases de efeito estufa em 19,2% , até 2011, apenas
como efeito da diminuição do desmatamento na Amazônia. É mais que a
metade da meta voluntária, de 36,1%, a ser alcançada em 2020. Quanto ao
desmatamento, o compromisso é alcançar uma redução de 80% em relação à média anual registrada entre 1996
e 2005. A queda do desmatamento já corresponde a 67% dessa meta.
O Brasil pode contar ainda com 75,1 milhões de hectares de Unidades de Conservação Ambiental federais.
A homologação de terras indígenas já atinge 109,77 milhões de hectares, cerca de 12,9% do território nacional.
As terras indígenas são responsáveis pela preservação de 30% da biodiversidade brasileira.
Até maio de 2012, 23 mil famílias que vivem ou trabalham em florestas nacionais, reservas federais
extrativistas ou de desenvolvimento sustentável e assentamento ambientalmente sustentáveis estavam recebendo
o pagamento trimestral de R$ 300 para que continuem realizando a conservação de ativos ambientais.
O Brasil já atingiu as metas dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio relativas ao abastecimento de
água e ao esgotamento sanitário. De uma forma geral, o Brasil ruma à universalização do acesso ao abastecimento
de água no meio urbano, com aproximadamente 91,9% dos domicílios ligados à rede de abastecimento; se
considerarmos o abastecimento de água por poço também como adequado, a cobertura passa para
aproximadamente 97,4% (Censo 2010). No semi-árido foram entregues 83.258 cisternas em 2011. Até julho de
2012 foram entregues 40.033. As cisternas construídas em 2011 e 2012 estão beneficiando 123 mil famílias.
No caso do esgoto, no entanto, ainda estamos longe da universalização. O total ligado à rede coletora ou à
solução individual por fossa séptica é de 75,3% (Censo 2010).

OBJETIVO 8 – TODO MUNDO TRABALHANDO PARA O DESENVOLVIMENTO

Alcançar o desenvolvimento é uma responsabilidade coletiva de toda a


comunidade internacional. No caso brasileiro, a implementação de políticas
públicas é no sentido de aumentar a inclusão social.
Em uma federação complexa como a brasileira é necessário realizar
esforços para tornar a gestão municipal eficiente e eficaz e capaz de acelerar
a execução dos investimentos públicos, de manter as políticas sociais, de
realizar ações de diversificação da economia local, bem como de melhorar o
ambiente de negócios e a qualidade do gasto público.
Sobre a pauta brasileira com outros países, deve-se destacar a
intensificação da agenda bilateral e o fortalecimento das relações com países
da América Latina e Caribe.

Mortalidade
Variável característica das comunidades de seres vivos refere-se ao conjunto de indivíduos que morreram
num dado intervalo de tempo. Estatística referente ao número de óbitos.
 Mortalidade Infantil (MI): Número de óbitos de menores de um ano de idade, por mil nascidos vivos,
na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. Um dos indicadores mais
empregados para medir níveis de saúde e de desenvolvimento social de uma região. A MI mede o risco de um
nascido vivo morrer no seu primeiro ano de vida.
 Mortalidade na Infância: Termo para designar todos os óbitos de crianças menores de 5 anos, ocorridos
em uma determinada área, em dado período de tempo.

As mortes de crianças com até 1 ano de idade passaram de 4% (20,4 mortes/ 1000 nascidos vivos) do total
de óbitos registrados em 2005 para 2,5% (12,75 mortes/ 1000 nascidos vivos) em 2015, segundo pesquisa do
IBGE, divulgada em 24/11/2016. Na faixa até 5 anos, esse percentual caiu de 4,8% (23,7 mortes/ 1000 nascidos
vivos) para 3% (14,8 mortes/ 1000 nascidos vivos) dos óbitos.
A redução da mortalidade infantil nas últimas décadas é evidente: em 1974, os óbitos de crianças menores
de 1 ano representavam 28% do total no Brasil e os de menores de 5 anos, 35,6%. “Cabe enfatizar que a
diminuição dos níveis de fecundidade também contribuiu de forma significativa para o declínio destes
percentuais”, lembra o estudo.
O IBGE também atribui o declínio na mortalidade infantil ao aumento da escolaridade feminina e à elevação
do percentual de domicílios com saneamento básico adequado (esgotamento sanitário, água potável e coleta de
lixo), além do maior acesso da população aos serviços de saúde, o que proporcionou melhoria na qualidade do
atendimento pré-natal e durante os primeiros anos de vida.

Estatuto da Criança e do Adolescente


Lei nº 8.069/90 atualizado com a Lei nº 12.010 de 2009 (Inclusa Lei nº 12.594 de 2012)

A lei n° 8.069 de 13 de julho de 1990 dispõe sobre o estatuto da criança e do adolescente. A lei apresenta
258 artigos divididos em 7 títulos.
Título I – “ Das disposições preliminares”.
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e
adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e de dignidade.
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta
prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos
seus direitos fundamentais.
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do
bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como
pessoas em desenvolvimento.
Título II – “ Dos direitos fundamentais”
Esse título é dividido em capítulos. O I “Do direito à vida e à saúde”. O II “Do Direito à Liberdade, ao
Respeito e à Dignidade”. O III “Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária”, que diz sobre a família
natural (biológica) e a família substitutiva (guarda, tutela, adoção). O IV “Do Direito à Educação, à Cultura, ao
Esporte e ao Lazer”. O V “Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho”
Título III – “Da prevenção”
Título IV – “Das Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável”
Título V – “Do Conselho Tutelar”
Art. 131. O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade
de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei. Art. 132. Em cada
Município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros, escolhidos pela comunidade
local para mandato de três anos, permitida uma recondução.
Título VI – “Do Acesso à Justiça”
Título VII – “Dos Crimes e Das Infrações Administrativas”
Este Capítulo dispõe sobre crimes praticados contra a criança e ao adolescente, por ação ou omissão, sem
prejuízo do disposto na legislação penal.
Violência contra a criança e o adolescente
”Define-se o abuso ou maus-tratos pela existência de um sujeito em condições superiores (idade, força,
posição social ou econômica, inteligência, autoridade) que comete um dano físico, psicológico ou sexual,
contrariamente à vontade da vítima ou por consentimento obtido a partir de indução ou sedução enganosa. ”
(Deslandes, 1994).
Classicamente os maus-tratos são divididos nos seguintes tipos:

Maus-tratos físicos: uso da força física de forma intencional, não-acidental, praticada por pais,
responsáveis, familiares ou pessoas próximas da criança ou adolescente, com o objetivo de ferir, danificar ou
destruir esta criança ou adolescente, deixando ou não marcas evidentes.
 Síndrome do bebê sacudido: consiste de lesões cerebrais que ocorrem quando a criança, em geral menor
de 6 meses de idade, é sacudida por um adulto.
 Síndrome da criança espancada: crianças de baixa idade, que sofreram ferimentos inusitados, fraturas
ósseas, queimaduras etc. ocorridos em épocas diversas, bem como em diferentes etapas e sempre
inadequada ou inconsistentemente explicadas pelos pais.

Síndrome de Munchausen por procuração: situação na qual a criança é trazida para cuidados médicos
devido a sintomas e/ ou sinais inventados ou provocados pelos seus responsáveis. Em decorrência, há
consequências que podem ser caracterizadas como violências físicas (exames complementares desnecessários,
uso de medicamentos, ingestão forçada de líquidos etc.) e psicológicas (inúmeras consultas e internações, por
exemplo).

Abuso sexual: é todo ato ou jogo sexual, cujo agressor está em estágio de desenvolvimento psicossexual
mais adiantado que a criança ou o adolescente. Tem por intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter
satisfação sexual. Estas práticas eróticas e sexuais são impostas à criança ou ao adolescente pela violência física,
por ameaças ou pela indução de sua vontade.

Maus-tratos psicológicos: são toda forma de rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito, cobrança
ou punição exageradas e utilização da criança ou do adolescente para atender às necessidades psíquicas dos
adultos. Todas estas formas de maus-tratos psicológicos podem causar danos ao desenvolvimento
biopsicossocial da criança.

Negligência: ato de omissão do responsável pela criança ou adolescente em prover as necessidades básicas
para o seu desenvolvimento. O abandono é considerado uma forma extrema de negligência.
A negligência pode significar omissão em termos de cuidados básicos como a privação de medicamentos;
cuidados necessários à saúde; higiene; ausência de proteção contra as inclemências do meio (frio, calor); não
prover estímulo e condições para a frequência à escola.

A atitude do profissional

A anamnese tem como objetivo estabelecer uma relação entre o médico e os responsáveis, além de se
ouvirem as queixas apresentadas. Por conta disso, deve-se manter uma atitude de isenção, mesmo que haja
suspeita de que um dos pais ou o responsável seja o abusador.
As perguntas devem ser isentas de qualquer conotação de acusação ou de censura, embora as intenções de
esclarecer a suspeita ou confirmação dos maus-tratos e de proteger a criança de novas agressões devam estar
sempre presentes.
A abordagem empática é importante pois, na maioria dos casos, a intervenção será no sentido de reorganizar
os vínculos familiares.
Como uma forma didática de abordar o assunto, apresentaremos a seguir os tipos de maus-tratos contra a
criança e o adolescente, chamando atenção para dados da anamnese e do exame físico, além de alguns exames
complementares que possam auxiliar no esclarecimento dos casos que se apresentam na prática pediátrica.
(Muitas vezes, esses maus-tratos ocorrem de forma concomitante).

Maus-tratos Físicos
 Anamnese: Devem ser observadas as seguintes situações:
 História incompatível com as lesões existentes - frequentemente, nesses casos, a lesão é relacionada
a um fato acidental ou a uma atitude da própria vítima que não condiz com a gravidade do quadro;
 Lesões incompatíveis com o estágio de desenvolvimento da criança - alegação de que o acidente
teria sido provocado por uma atitude da própria vítima, não sendo este ato compatível com a idade
e o desenvolvimento motor da vítima;
 Relatos discordantes quando o responsável é entrevistado por mais de um profissional em
diferentes momentos
 Relatos discordantes quando se entrevistam os responsáveis separadamente
 Relato dos pais sobre experiências próprias de terem sofrido alguma forma de violência na infância.

 Exame físico: as lesões por maus-tratos são mais comumente identificadas na pele e nas mucosas e, em
seguida, no esqueleto, no sistema nervoso central e nas estruturas torácicas e abdominais.
Pele e mucosas
As lesões cutâneo-mucosas provocadas por maus-tratos podem decorrer de golpes, lançamento contra
objetos duros, queimaduras, “arrancamentos” (dentes, cabelos), mordidas, ferimentos por arma branca ou
arma de fogo etc. As lesões incluem desde hiperemia, escoriações, equimoses e hematomas, até
queimaduras de terceiro grau.
Algumas partes do corpo são mais suscetíveis a lesões acidentais (proeminências ósseas, por exemplo),
enquanto outras não o são (coxas, genitais, dorso). Assim, a localização das lesões pode ser um importante
indício da ocorrência de violência física (por exemplo, lesões circulares ou marcas de dedos em torno do
pescoço, bem como petéquias na face e hemorragias subconjuntivais são sugestivas de enforcamento ou
estrangulamento).
Lesões em diferentes estágios de evolução (coloração e aspecto) ou presentes concomitantemente em
diversas partes do corpo, bem como queimaduras “em meia”, “luva” ou em nádegas e/ou genitália, são
sugestivas de lesões provocadas.
O achado de escoriações, manchas ou sangramento em exame físico não relatados durante a anamnese
também sugerem maus-tratos.
Esqueleto
Fraturas múltiplas inexplicadas, em diferentes estágios de consolidação, são típicas de maus-tratos. No
entanto, são pouco frequentes. Fraturas espiralares e fraturas transversas em ossos longos de lactentes
sugerem maus-tratos.
Sistema nervoso central
O traumatismo crânio-encefálico (TCE) provocado pode levar a dois tipos de lesão:
a) externa: fraturas dos ossos do crânio lineares, deprimidas ou cominutivas;
b) interna: produzida por “sacudida” ou impacto, levando a hematomas subdural ou subaracnóideo e
a hemorragias retinianas; Hemorragias retinianas em menores de 3 anos, na ausência de lesões externas de
TCE, são quase específicas de maus-tratos (decorrem de forças de aceleração e desaceleração aplicadas na
cabeça, como na “síndrome do bebê sacudido”).
Lesões torácicas e abdominais
Os traumatismos torácicos produzidos por maus-tratos são pouco frequentes, podendo decorrer de
compressão antero-posterior (“síndrome do bebê sacudido”) ou de tração violenta do braço.
As lesões secundárias a esse tipo de trauma podem ser hematomas, contusão pulmonar, fraturas de
costelas, esterno e clavícula, pneumotórax e hemotórax. As lesões viscerais abdominais ocorrem em
pequeno percentual das crianças maltratadas, sendo mais freqüentes em crianças acima de 2 anos. Pode-se
perceber sinais sugestivos de lesão intra-abdominal, como hematomas intra-mural (duodeno e jejuno) e
retroperitoneal, bem como lesões de vísceras sólidas (fígado, pâncreas e baço).

Síndrome de “Munchausen por procuração

É, em sua maioria quase absoluta, perpetrada pela mãe da criança. Pode ser produzida por dois mecanismos
diferentes: a simulação de sinais, como no caso de falsificação de amostras (por exemplo, adicionar sangue
menstrual ou açúcar na urina da criança) e a produção de sinais, como no caso de administrar medicamentos
ou substâncias que causam sonolência ou convulsões.
Deve-se suspeitar desta síndrome diante das seguintes situações:
 Doença com características que indicam persistência ou recidivas;
 Relatos de sintomas não usuais, quase sempre descritos de forma dramática;
 Dificuldades em classificar as queixas dentro de uma linha de raciocínio diagnóstico coerente;
 Sinais que surgem sempre quando a criança está com uma mesma pessoa;
 Os demais parentes e os profissionais só constatam o quadro já consumado;
 Resistência e insatisfação com o tratamento preconizado e insistência para a realização de diversos
procedimentos.

Abuso sexual

 Anamnese:
 Em cerca de 80% dos casos, o abusador é um dos pais ou pessoa com algum laço afetivo com a família
da vítima e conhecida da criança. As vítimas são, em geral, do sexo feminino e os abusadores do sexo
masculino.
 A identificação do abuso sexual pode ser feita mediante o relato da vítima ou de um dos responsáveis,
pela constatação da existência de lesões genitais ou anais ou após o diagnóstico de Doenças Sexualmente
Transmissíveis (DST) ou gravidez.
 Em muitos casos há a negação do fato, não admitindo a possibilidade do abuso com o objetivo de
proteger o abusador ou por temer pela ruptura do núcleo familiar. Quando houver relato espontâneo da
criança deve merecer toda a credibilidade, pois dificilmente ela seria capaz de elaborar uma falsa história
de abuso sexual.

 Exame físico:
 Diferente do que se imagina, na maioria dos casos de abuso sexual não se constatam lesões evidentes.
 O exame deve ser sempre realizado na presença de um dos responsáveis.
 Deve-se proceder um exame físico completo, com atenção especial para áreas usualmente envolvidas
em atividades sexuais: boca, mamas, genitais, região perineal, nádegas e ânus
 Os sinais físicos a serem pesquisados são: hiperemia, edema, hematomas, escoriações, fissuras, rupturas,
sangramentos, evidências de DST e gravidez.

Maus-tratos psicológicos

É o tipo de violência mais difícil de detectar em sua forma isolada. Por outro lado, costuma estar presente
concomitantemente aos demais tipos de abuso. Pode ser passivo (abandono emocional, negligência com os
cuidados afetivos) ou ativo (expressado de forma verbal ou em atitudes de ameaça, castigos, críticas, rejeição,
culpabilização, isolamento).
Quadro clínico
Os sintomas e transtornos que aparecem nas crianças que sofrem maus-tratos psicológicos não são
específicos, podendo aparecer não só em outros tipos de maus-tratos como também em decorrência de
patologias de outras etiologias. Costuma ter conseqüências a longo prazo.
Podemos encontrar:
 Distúrbios do crescimento e do desenvolvimento psicomotor, intelectual, emocional, social.
 Labilidade emocional e distúrbios de comportamento tais como agressividade, passividade,
hiperatividade.
 Problemas psicológicos que vão desde a baixa auto-estima, problemas no desenvolvimento moral e
dificuldades em lidar com a agressividade e a sexualidade.
 Distúrbios do controle de esfíncteres (enurese, escape fecal).
 Psicose, depressão, tendências suicidas.

Negligência

A negligência é um dos tipos de maus-tratos mais freqüentes, e aparece muitas vezes associada a outras
formas. Dois critérios são necessários para caracterizar a negligência: a cronicidade (deve-se observar a ocorrência
reiterada e contínua de algum indicador para determinar um caso como negligência) e a omissão (um responsável
deve ter deixado de satisfazer alguma necessidade da criança).
A criança negligenciada pode se apresentar para os profissionais de várias formas:
 Aspecto de má higiene (corporal, roupas sujas, dermatite de fraldas, lesões de pele de repetição).
 Roupas não adequadas ao clima local.
 Desnutrição por falta de alimentação, por erros alimentares persistentes, por restrições devido a
ideologias dos pais (vegetarianos estritos, por exemplo).
 Tratamentos médicos inadequados (não cumprimento do calendário vacinal, não seguimento de
recomendações médicas, comparecimento irregular ao acompanhamento de patologias crônicas,
internações frequentes).
 Distúrbios de crescimento e desenvolvimento sem causa orgânica.
 Falta de supervisão da criança, provocando lesões e acidentes de repetição.
 Frequência irregular à escola, escolaridade inadequada à idade, não participação dos pais nas tarefas
escolares.
Como fazer a notificação
Alguns estados e municípios já têm uma ficha padronizada para fazer essa notificação. Nos casos em que
não esteja disponível, sugere-se que o profissional faça um relatório o mais completo possível.
A notificação ao Conselho Tutelar não exclui a possibilidade de encaminhar a família, paralelamente, para
serviços de apoio existentes, complementando a rede de suporte.
O artigo 262 do Estatuto da Criança e do Adolescente estabeleceu que “enquanto não instalados os
Conselhos Tutelares, as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária”. Nesses casos,
portanto, as notificações devem ser encaminhadas ao Juizado da Infância e da Juventude, à Vara da Família, ao
Ministério Público ou a qualquer outra autoridade judiciária existente na localidade.

Doenças Exantemáticas

Escarlatina

Aspectos epidemiológicos: pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais frequente em escolares entre 5 e
18 anos. É rara no lactente, provavelmente devido à transferência de anticorpos maternos contra a toxina
eritrogênica. Acomete igualmente ambos os sexos. A maior taxa (11,3%) de portadores sadios ou assintomáticos
de estreptococos do grupo A encontra-se na faixa etária de crianças, de ambos os sexos, enquanto para adultos
a taxa é de 0,8%.
A distribuição é universal, com maior incidência no final do inverno e início da primavera.

Agente etiológico: Streptococcus ß hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes), eventualmente dos


grupos C, D e G.

Reservatório: O homem é o hospedeiro natural do estreptococo do grupo A. Outros possíveis veículos de


transmissão do estreptococo dos grupos D e G são os alimentos e a água.

Modo de transmissão: dá-se por contato direto e próximo com paciente que apresenta a faringoamigdalite
estreptocóccica aguda, por intermédio de gotículas de saliva ou secreções nasofaríngeas. Aglomerações em
ambientes fechados, como creches e escolas, principalmente nos meses frios, e após ou concomitante a quadros
de varicela e feridas cirúrgicas infectadas favorecem a transmissão, podendo levar ao aparecimento de surtos.
Poeira, roupas, utensílios contaminados e outros fômites não têm importância significativa na transmissão.
A água e os alimentos contaminados podem causar surtos de estreptococcias (principalmente dos grupos C, D e
G).
Os portadores assintomáticos do estreptococo ß hemolítico do grupo A raramente são transmissores a seus
comunicantes, e apresentam menos complicações supurativas do que os não-portadores. Estreptococos do grupo
A frequentemente colonizam a faringe de crianças em idade escolar, sendo que a taxa de portadores
assintomáticos varia com a localização geográfica e a estação do ano. Taxas de 15% a 20% têm sido referidas em
vários estudos. A taxa de portadores assintomáticos entre adultos é consideravelmente baixa. Em pacientes sem
tratamento, os microorganismos podem permanecer por muitas semanas, apesar dos sinais e sintomas da doença
diminuírem em poucos dias.

Aspectos clínicos:
Na escarlatina ocorre um curto período prodrômico, geralmente de 12 a 24 horas, no qual pode ocorrer
febre alta, dor à deglutição, mal-estar geral, anorexia e astenia; sintomas estes que podem estar acompanhados
de náuseas, vômitos e dor abdominal, especialmente em crianças. Após esse período, o paciente pode apresentar
faringoamigdalite com exsudato purulento, adenomegalia cervical, enantema em mucosa oral acompanhado de
alteração na língua. Nos primeiros dias, a língua se reveste de uma camada branca, com papilas protuberantes
que se tornam edemaciadas e avermelhadas. Após um ou dois dias a camada branca se descama, ressaltando as
papilas hipertrofiadas e avermelhadas (língua em framboesa).
A erupção de pele surge tipicamente após 12 a 48 horas, manifestando-se como um exantema
micropapular, iniciando-se no peito e expandindo-se para o tronco, pescoço e membros, poupando as palmas
das mãos e as plantas dos pés; caracteristicamente, confere à pele o aspecto de lixa e desaparece à digitopressão.
Na face são encontradas lesões puntiformes, com a testa e bochechas hiperemiadas, contrastando com a palidez
da região perioral (sinal de Filatov). O exantema apresenta-se mais intenso nas dobras cutâneas e nas áreas de
pressão, como nádegas; surgem nesses locais, áreas de hiperpigmentação e nas dobras de flexão há formação de
linhas transversais (sinal de Pastia).
A faringoamigdalite, a erupção e a febre, assim como as outras manifestações clínicas, desaparecem em torno
de uma semana, seguindo-se um período de descamação, característico da escarlatina. A descamação começa
na face e pescoço, em finas escamas, desce para o tronco e por último para as extremidades, na segunda ou
terceira semana. As mãos e os pés são os últimos que descamam, e de forma mais intensa.
A apresentação clássica da escarlatina é incomum em pacientes com menos de 3 anos de idade, que
geralmente apresentam quadros atípicos, com sinais e sintomas inespecíficos, como febre baixa, irritabilidade,
anorexia e adenite cervical. A doença ocorre mais comumente em associação com a faringite e raramente com
piodermite ou ferida cirúrgica ou traumática infectada.
Complicações
Podem ser de dois tipos:
 supurativas: abscessos, fasciíte necrotizante, bacteremia, síndrome do choque tóxico
estreptocóccico, meningite, pioartrite, endocardite, osteomielite, peritonite, sinusite e até meningite
e abscesso cerebral, devido à infecção por contigüidade via mastóide ou disseminação hematogênica;
 não-supurativas: glomerulonefrite difusa aguda, febre reumática, eritema nodoso, eritema
multiforme, poliarterite nodosa, artrite reativa.
A letalidade é alta nos casos de bacteriemia estreptocóccica e choque séptico estreptocóccico.

Diagnóstico laboratorial
 Laboratorial: a cultura de orofaringe é o principal exame (padrão ouro) para a identificação do
estreptococo ß hemolítico do grupo A. Deve-se utilizar swab adequado para a coleta de material da
orofaringe, que deverá ser colocado em tubo estéril para encaminhamento imediato ao laboratório,
em temperatura ambiente.
 Os testes para anticorpos no soro da fase aguda e de convalescença, como a antiestreptolisina (ASO)
são úteis e contribuem como mais um dado presuntivo de infecção por estreptococo do grupo A,
porém não têm valor para o diagnóstico imediato ou tratamento da infecção aguda, pois a elevação
do título obtido após 2 a 4 semanas do início do quadro clínico é muito mais confiável do que um
único título alto.
 Teste rápido por aglutinação com látex. (Os anticorpos presentes na amostra, ligam-se aos antígenos
adsorvidos à partícula, aglutinando-os.
 O hemograma apresenta-se com leucocitose, neutrofilia e desvio à esquerda, e eosinofilia (5% a
10%), principalmente nos primeiros dias de infecção.

Tratamento
Pode ser iniciado até oito dias após o início do quadro, e as penicilinas continuam sendo o tratamento de
escolha para a escarlatina. Devem ser usadas, a menos que o paciente seja alérgico. Pode ser usada a forma de
penicilina G benzatina, nas doses de 600.000 UI, intramuscular, para crianças menores de 25 quilos, e 1.200.000
UI para maiores de 25 quilos e adultos, em dose única.
Também pode ser utilizada a penicilina V oral, em doses de 200.000 UI (125 mg) para menores de 25
quilos, e 400.000 UI (250 mg) para maiores de 25 quilos e adultos, a cada 6 ou 8 horas, durante dez dias. A
eficácia clínica é similar nas duas formas, embora haja mais recaídas com a forma oral. Ambas previnem o
aparecimento da febre reumática.
A amoxacilina, ou amoxacilina com clavulanato, também pode ser utilizada por dez dias, nas doses de 500
mg de 8/8horas VO (via oral) para adolescentes e adultos e 50-40mg/kg/dia, de 8/8horas, para crianças.
A eritromicina é indicada para pacientes alérgicos às penicilinas. O estolato de eritromicina é usado nas
doses de 20mg a 50mg/kg/dia, por 3 ou 4 doses, via oral.

ATENÇÃO: Notificar surto de escarlatina à vigilância epidemiológica das Secretaria Municipal de


Saúde e Secretaria de Estado da Saúde.
Eritema infeccioso

Via de transmissão: A via respiratória é a mais importante na fase virêmica da infecção pelo parvovírus
B19, principalmente em comunidades fechadas (creches,escolas) e entre pessoas da mesma família, onde a taxa
de ataque de infecção pode atingir 50% entre os susceptíveis. Entretanto, experimentos realizados em voluntários
demonstraram que a erupção cutânea ocorre 17 a 18 dias após a inoculação viral, caracterizando o eritema
infeccioso como evento tardio no curso da infecção (fase pós virêmica) e, portanto, com mínimas chances de
transmissão.

Etiologia: O parvovírus B-19, que pertence à família Parvoviridae e gênero Eritrovirus, é um vírus DNA
de cadeia simples, com diâmetro médio de 23 nm, sem envoltório e de forma icosaédrica. O capsídeo viral é
formado por duas proteínas estruturais: VP1 e VP2, que estariam relacionadas com a resposta imunitária humoral
do organismo infectado, principalmente a VP1. Os estudos atuais sugerem a existência de apenas um sorotipo
do vírus, que é capaz de conferir imunidade duradoura.

Quadro clínico: O exantema é a apresentação clássica da infecção e em geral não se acompanha de


manifestações sistêmicas. No entanto, alguns pacientes podem referir sinais e sintomas inespecíficos (febrícula,
mialgias, cefaléia, náuseas, mal-estar) precedendo o "rash" cutâneo, considerados pródromos e correspondentes
à fase virêmica.
Nos casos típicos da doença o exantema inicia-se pela face sob a forma de eritema difuso, com distribuição
em "vespertílio" e edema das bochechas (facies esbofeteada); as outras regiões da face, como o queixo e a
região perioral, são poupadas. O exantema clássico da doença é do tipo maculopapular com palidez central,
característica que confere aspecto rendilhado à lesão; acomete o tronco e a face extensora dos membros, podendo
regredir em até três semanas. No entanto, na maioria dos casos predomina o caráter recorrente, que sofre a ação
de estímulos não específicos, como sol, estresse e variação brusca de temperatura ambiente. Podem ocorrer
outros tipos de exantema, como por exemplo o urticariforme, o vesicular e o purpúrico, mas o morbiliforme
e o rubeoliforme são os de maior freqüência.

Diagnóstico laboratorial: se baseia nas características clínicas e nas provas específicas. Entre as provas
específicas, registrem-se as técnicas de detecção da partícula viral e do ácido nucléico, com destaque para a
imunomicroscopia eletrônica (IME), que permite confirmar os testes positivos pela prova de hibridização com
o DNA viral, a reação de polimerase em cadeia (PCR) e a hibridização (HA), que podem ser utilizadas na detecção
de grande número de espécimes clínicos.
Outros métodos de importância para o diagnóstico específico, baseados na detecção de anticorpos IgM para
o parvovírus B19, são o radioimunoensaio (RIE) e mais recentemente o ensaio imunoenzimático - ELISA, que
têm a vantagem de confirmar infecções recentes com uma única amostra de soro. Esses anticorpos atingem seu
pico em duas a três semanas e podem persistir por três a quatro meses.
O hemograma na fase de viremia pode revelar queda discreta nos níveis de hemoglobina e diminuição nos
leucócitos de aproximadamente 50 a 60% dos valores normais.

Tratamento e prevenção: não há tratamento específico, sendo raros os casos que necessitam de medicação
sintomática, restrita aos analgésicos, principalmente em adultos com artralgias ou mialgias.
As medidas preventivas devem visar somente os grupos com risco de desenvolver as formas graves da
infecção pelo B19 (grávidas e portadores de anemias hemolíticas crônicas), sendo indicados a gamaglobulina
humana intravenosa na grávida e o isolamento destes pacientes em risco de evolução grave.

Sarampo

Etiologia: é um vírus RNA. Vírus do sarampo, pertencente ao gênero Morbillivirus, família


Paramyxoviridae.

Modo de transmissão: é transmitido diretamente de pessoa a pessoa, através das secreções nasofaríngeas,
expelidas ao tossir, espirros, falar ou respirar.

Período de transmissibilidade: é de 4 a 6 dias antes do aparecimento do exantema, até 4 dias após. O


período de maior transmissibilidade ocorre 2 dias antes e 2 dias após o início do exantema. O vírus vacinal não
é transmissível.
Quadro clínico: A viremia decorrente da infecção provoca uma vasculite generalizada, responsável pelo
aparecimento das diversas manifestações clínicas. A evolução apresenta três períodos bem definidos: a) Período
prodrômico ou catarral: tem duração de 6 dias; no início da doença surge febre, acompanhada de tosse produtiva,
corrimento seromucoso do nariz e dor nos olhos, conjuntivite e fotofobia. Os linfonodos estão pouco
aumentados na região cervical e, algumas vezes, os intra-abdominais dão reações dolorosas no abdome. Nas
últimas 24 horas do período, surge na altura dos pré-molares, na região gemiana, o sinal de Koplik - pequenas
manchas brancas com halo-eritematoso, consideradas sinal patognomônico do sarampo; b) Período
exantemático: ocorre a acentuação de todos os sintomas já descritos, com prostração importante do paciente e
surgimento do exantema característico. O rash exantemático é maculopapular, de cor avermelhada, com
distribuição em sentido céfalo-caudal. No primeiro dia, surge na região retro-auricular e face: no tronco, no
segundo dia: e no terceiro dia, nas extremidades, persistindo por 5-6 dias; c) Período de convalescença ou de
descamação furfurácea: as manchas tornam-se escurecidas e surge descamação fina, lembrando farinha, daí o
nome furfurácea.

Complicações: pneumonias, encefalites, otites médias, laringites, laringotraqueobronquites, diarréias,


dentre outras.

Diagnóstico: clínico, epidemiológico e laboratorial. Este pode ser feito por: a) ELISA (IgM e IgG); Fixação
do complemento; inibição de hemaglutinação ou imunofluorescência indireta; b) Isolamento do vírus em cultura
de células, a partir de material colhido na orofaringe (até o 3o dia), sangue e na urina (até o 7o dia), a partir do
início do exantema. No Brasil, os laboratórios de referência para o diagnóstico do sarampo, realizam de rotina,
somente a pesquisa de anticorpos IgM, pelo método ELISA. Para o esclarecimento de situações particulares é
realizado o isolamento viral em Laboratório de Referência Nacional.

Tratamento: o tratamento é sintomático, podendo ser utilizados anti-térmicos, hidratação oral, terapia
nutricional com incentivo ao aleitamento materno e higiene adequada dos olhos, da pele e das vias aéreas
superiores. As complicações bacterianas do sarampo são tratadas especificamente com antibióticos adequados
para o quadro clínico e, se possível, com a identificação do agente bacteriano. Nas populações onde a deficiência
de vitamina A é um problema reconhecido, a OMS e UNICEF recomendam o uso de uma dose elevada e única
de vitamina A nas pessoas acometidas pelo sarampo e suas complicações, nos indivíduos com imunodeficiências,
com evidência de xeroftalmia, desnutrição e problemas de absorção intestinal.

Epidemiologia: doença de distribuição universal, endêmica nos grandes conglomerados urbanos e


epidemias a cada 2 ou 4 anos, quando a cobertura vacinal é baixa. A distribuição geográfica do sarampo depende
da relação do grau de imunidade e suscetibilidade da população e da circulação do vírus na área. Atualmente, no
Brasil, a incidência encontra-se bastante reduzida em virtude das atividades do Programa de Erradicação dessa
doença. Em 1991, foram notificados 42.532 casos, representando um coeficiente de incidência de 29,1 por 100
mil habitantes. Em 1992, com a implantação do referido Programa, duas estratégias foram priorizadas: a
realização da Campanha Nacional de Vacinação Contra o Sarampo e a implementação das ações de Vigilância
Epidemiológica. Com isso ocorreu significativa redução do número de notificações (7.934 casos).
 No ano de 2015, foram notificados 3.207 casos, confirmados 214, em três Estados, sendo: Ceará (211
casos, genótipo D8), Roraima (1 caso, genótipo D8) e São Paulo (2 casos, sem identificação do genótipo).

Notificação: doença de notificação compulsória nacional e de investigação epidemiológica obrigatória


imediata.
Varicela / Herpes Zoster

Quadro clínico :
 VARICELA: é uma infecção viral primária, aguda, caracterizada por surgimento de exantema de
aspecto máculo-papular, de distribuição centrípeta, que, após algumas horas, adquire aspecto
vesicular, evoluindo rapidamente para pústulas e, posteriormente, formando crostas em 3 a 4 dias.
Pode ocorrer febre moderada e sintomas sistêmicos. A principal característica clínica é o
polimorfismo das lesões cutâneas, que se apresentam nas diversas formas evolutivas, acompanhadas
de prurido. Em crianças, geralmente, é uma doença benigna e auto-limitada.
 HERPES ZOSTER: geralmente, é decorrente da reativação do vírus da varicela em latência,
ocorrendo em adultos e pacientes imunocomprometidos, como portadores de doenças crônicas,
neoplasias, aids e outras. O herpes zoster tem quadro pleomórfico, causando desde doença benigna
até outras formas graves, com êxito letal. Após a fase de disseminação hematogênica, em que atinge
a pele, caminha centripetamente pelos nervos periféricos até os gânglios nervosos, onde poderá
permanecer, em latência, por toda a vida. Causas diversas podem levar a uma reativação do vírus,
que, caminhando centrifugamente pelo nervo periférico, atinge a pele, causando a característica
erupção do herpes zoster. Excepcionalmente, há pacientes que desenvolvem herpes zoster após
contato com doentes de varicela e, até mesmo, com outro doente de zoster, o que indica a
possibilidade de uma reinfecção em paciente já previamente imunizado. É também possível uma
criança adquirir varicela por contato com doente de zoster. O quadro clínico do herpes zoster é,
quase sempre, típico. A maioria dos doentes refere, antecedendo às lesões cutâneas, dores
nevrálgicas, além de parestesias, ardor e prurido locais, acompanhados de febre, cefaléia e mal-estar.
A lesão elementar é uma vesícula sobre base eritematosa. A erupção é unilateral, raramente
ultrapassando a linha mediana, seguindo o trajeto de um nervo. Surgem de modo gradual, levando
de 2 a 4 dias para se estabelecerem. Quando não ocorre infecção secundária, as vesículas se dissecam,
formam-se crostas e o quadro evolui para a cura em 2 a 4 semanas. As regiões mais comprometidas
são a torácica (53% dos casos), cervical (20%), trigêmeo (15%) e lombossacra (11%).

Etiologia : é um vírus RNA. Vírus Varicella-Zoster, família Herpetoviridae.

Modo de transmissão: pessoa a pessoa, através de contato direto ou através de secreções respiratórias e,
raramente, através de contato com lesões. Transmitida indiretamente através de objetos contaminados com
secreções de vesículas e membranas mucosas de pacientes infectados.

Período de transmissibilidade: varia de 1 a 2 dias antes da erupção até 5 dias após o surgimento do
primeiro grupo de vesículas. Enquanto houver vesículas, a infecção é possível.

Diagnóstico: principalmente através do quadro clínico-epidemiológico. O vírus pode ser isolado das lesões
vesiculares durante os primeiros 3 a 4 dias de erupção ou identificado através de células gigantes multinucleadas
em lâminas preparadas a partir de material raspado da lesão, pela inoculação do líquido vesicular em culturas de
tecido. Aumento em quatro vezes da titulação de anticorpos por diversos métodos (imunofluorescência, fixação
do complemento, ELISA), que, também, são de auxílio no diagnóstico. O PCR tem sido empregado.

Tratamento: sintomático. Anti-histamínicos sistêmicos para atenuar o prurido e banhos de Permanganato


de Potássio na diluição de 1:40.000. Havendo infecção secundária, recomenda-se o uso de antibióticos sistêmicos.
Varicela em crianças é uma doença benigna, em geral não sendo necessário tratamento específico.

Epidemiologia: a varicela é uma doença benigna, mas altamente contagiosa, que ocorre principalmente em
menores de 15 anos de idade. É mais frequente no final do inverno e início da primavera. Indivíduos
imunocomprometidos, quando adquirem varicela primária ou recorrente, possuem maior risco de doença grave.
A taxa de ataque para síndrome de varicela congênita, em recém-nascidos de mães com varicela no primeiro
semestre de gravidez, é 1,2%; quando a infecção ocorreu entre a 13ª e 20ª semanas de gestação é de 2%. Recém-
nascidos que adquirem varicela entre 5 a 10 dias de vida, cujas mães infectaram-se cinco dias antes do parto e
dois dias após o mesmo, estão mais expostos à varicela grave, com a letalidade podendo atingir 30%. A infecção
intrauterina e a ocorrência de varicela antes dos 2 anos de idade estão relacionadas à ocorrência de zoster em
idades mais jovens.
Herpes Zoster e Aids: a partir de 1981, o herpes zoster passou a ser reconhecido como uma infecção
frequente em pacientes portadores de HIV. Posteriormente, observações epidemiológicas demonstraram ser uma
manifestação inicial de infecção pelo HIV, cuja ocorrência é preditiva de soro positividade para HIV, em
populações de risco. A incidência de herpes zoster é significativamente maior entre indivíduos HIV positivos
que entre os soro negativos.
Rubéola

Diagnóstico clínico: doença exantemática viral aguda, caracterizada por exantema maculopapular, que se
inicia na face, couro cabeludo e pescoço, espalhando-se para o tronco e membros. Apresenta febre baixa e
linfodenopatia generalizada, principalmente subocciptal, pós-auricular e cervical posterior, geralmente
precedendo o exantema, em 5 a 10 dias. Adolescentes e adultos podem apresentar poliartralgia, poliartrite,
conjuntivite, coriza e tosse.

Etiologia: vírus RNA, gênero Rubivírus, família Togaviridae.

Modo de transmissão: direto, através do contato com secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas.

Período de transmissibilidade: de 5 a 7 dias antes do início do exantema e de 5 a 7 dias após.

Diagnóstico: é clínico, laboratorial e epidemiológico. Leucopenia é um achado freqüente. O diagnóstico


sorológico pode ser realizado através da detecção de anticorpos IgM específicos para rubéola, desde o início até
o 28o dia após o exantema. A sua presença indica infecção recente. A detecção de anticorpos IgG ocorre,
geralmente, após o desaparecimento do exantema, alcançando pico máximo entre 10 e 20 dias, permanecendo
detectáveis por toda a vida. São utilizadas as seguintes técnicas: inibição da hemaglutinação, que apesar do baixo
custo e simples execução, seu uso vem sendo substituído por outras técnicas mais sensíveis, como aglutinação
do látex, imunofluorescência, hemaglutinação passiva, ensaio imunoenzimático (ELISA). Os laboratórios de
referência para o diagnóstico da rubéola, realizam de rotina, somente a pesquisa de anticorpos IgM, pelo método
ELISA, no caso de rubéola pós natal. A conduta para gestantes é diferenciada.

Tratamento: de suporte.

Epidemiologia: distribuição universal, com maior frequência no final do inverno e início da primavera.
Observa-se a ocorrência de epidemias cíclicas, a depender da existência de suscetíveis. Nas populações não
imunizadas, a rubéola pós-natal ocorre com frequência em crianças de 5 a 9 anos, sendo uma doença benigna e
com baixa letalidade, atingindo também adolescentes e adultos.

Notificação: doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória.


Roséola/ Exantema súbito
Etiologia: herpesvírus humano 6 (HHV-6) é um vírus DNA de fita dupla, pertencente a família
Herpesviridae, com envelope lipoprotéico, com 160-200nm de diâmetro e que infecta, à semelhança do HIV,
primariamente as células CD4. As amostras isoladas de HHV-6 em diferentes países demonstram a existência
das classes A e B (ou tipos 1 e 2). Essas duas variantes são prevalentes em humanos, sendo a classe HHV- 6B a
mais comumente isolada em crianças com exantema súbito, embora a HHV-6A também esteja associada a casos
de exantema súbito, principalmente após a infecção prévia pela variante HHV-6B.

Via de transmissão: secreções orais (transmissão horizontal: sentido mãe-filho) ou vertical.

Quadro clínico: caracteriza-se classicamente pelo início súbito, com febre alta (39°-40°C) e extrema
irritabilidade, em contraste com o bom estado geral; este quadro é acompanhado, em alguns casos, de sintomas
ou sinais de comprometimento respiratório (tosse, coriza e/ou pneumonite) ou gastrintestinal (diarréia, dor
abdominal), principalmente em crianças hospitalizadas. Após três a cinco dias há declínio brusco da febre e o
aparecimento de "rash" eritematopapular, com sensível melhora do humor. Dentre os sinais e sintomas clínicos
inespecíficos mais freqüentes destacam-se as adenomegalias cervicais e/ou retroauriculares, a hiperemia de
orofaringe e o edema palpebral.
O exantema é do tipo maculopapular, com lesões discretas de 2 a 3 cm de diâmetro, não coalescentes,
que se assemelham à rubéola ou ao sarampo leve. Em geral acomete inicialmente o tronco e, em seguida, a face,
a região cervical e a raiz dos membros, sendo de curta duração (24 a 72 horas), sem descamação ou com discreta
pigmentação residual.
Os outros tipos de apresentação clínica que podem dificultar a suspeita diagnóstica de exantema súbito
incluem as infecções inaparentes, o quadro febril isolado e o exantema afebril. A maioria dos casos evolui sem
complicações; existem, porém, relatos de convulsões febris em 10% a 15% dos casos e/ou abaulamento da
fontanela, que constituem algumas das principais causas de atendimento de urgência e hospitalizações.

Diagnóstico laboratorial: O diagnóstico de certeza da infecção ativa se obtém pelo isolamento viral, a
partir do cultivo de linfócitos de sangue periférico ou de líquido cefalorraquidiano (LCR), e mais recentemente
pela detecção de DNA viral através da reação em cadeia de polimerase (PCR), ambos restritos a laboratórios de
pesquisa. Na prática diária prevalecem os testes sorológicos, com destaque para os que detectam anticorpos da
classe IgG - imunofluorescência indireta (IF) e a imunofluorescência anticomplemento (ACIF), ambos de grande
importância nos estudos de prevalência. A tendência atual, no entanto, é a utilização na rotina diagnóstica de
técnicas que se baseiam na captura de anticorpos IgM e IgG para o HHV-6 (ensaio imunoenzimático - ELISA),
que permitem demonstrar infecções recentes em uma única amostra de sangue a partir do sétimo dia de doença.
Como achados laboratoriais inespecíficos assinale-se a presença de leucocitose no início do quadro febril e,
após o terceiro e quarto dias de doença, leucopenia com linfocitose, relativa ou absoluta, em alguns casos com
atipia linfocitária. Nos pacientes em que há envolvimento neurológico, a análise bioquímica e citológica do LCR
revela-se normal, achado importante para o diagnóstico diferencial com outras infecções do SNC.

Tratamento e prevenção: Na maioria dos casos de exantema súbito o tratamento deve se restringir ao uso
de medidas de suporte e de medicação sintomática (antitérmico), bem como à vigilância das complicações,
especialmente as relacionadas com o sistema nervoso. Por outro lado, nos raros casos que evoluem com
gravidade, particularmente nas crianças com complicações significativas (encefalite, pneumonite) e nos
imunodeprimidos, a terapêutica antiviral deve ser indicada. Os resultados de ensaios terapêuticos têm
demonstrado perfil de resposta similar ao do citomegalovírus, com destaque para o ganciclovir, considerado a
droga de maior atividade contra o vírus. No que se refere à prevenção, até o momento não se estabeleceu qualquer
estratégia de controle.
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