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Projeto

PERGUNIE
E
RESPONDEREMOS
ON-LlNE

Apostolado Veritatis Splendor


com autorização de
Dom Estêvão Tavares Bettencourt, osb
(in mamariam)
APRESENTAÇÃO
DA EDiÇÃO ON-LlNE
Diz 810 Pedro que devemos
estar preparados para dar a razão da
nossa esperança a todo aquele que no-Ia
pedir (1Pedro 3.15).
Esta necessidade de darmos
conta da nossa esperança e da nossa fé
·. .. hoje é mais premente do que outrora,
. -- visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrArias à fé católica. Somos
assim Incitados a procurar consolidar
nossa crença católica. mediante um
aprofundamemo do nosso estudo.
Eis o que neste site Pergunte e
Responderemos propõe aos seus laltores:
aborda questões da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista cristão a tim de que as dúvidas se
.: dissipam 9 a vivência católica se fortaleça
_ I ...no Brasil e no mundo. Queira Deus
abençoar este trabalho assim como a
equipe de Veritatis Sptendor que se
encarrega do respectivo site.
Rio de Janeiro. 30 de julho de 2003.
Pe. ESfevilo Bettencourt. OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convênio com d. Estevão Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelen1e e sempre alual
conteúdo da revista teológico - filos6fica "Pergunte e
Responderemos·, que conta com mais dê 40 anos dê publicação .
A d. Estêvêo BeHencourt agradecemos a confiaÇ8
depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
Sumário
...,-
" MINHA. SENHORA DONA ..• "

O. te6fogas discutem :
TEQLOmA DA LIBERTAÇÃO 3

Alnd. &In loco:


oeus
OS MENINOS DE
"
CIlnc:ia tMI Rcçlo?
DISCOS VOADORES : SIM OU NÃO '1 32

LIVROS EM ESTANTE ....... . . .., capa

COM APROVAÇAo ECLESI.l8nCA

• •

NO PROXIMO NOMEIO:

Pslcopolltica : Que é? - E os cultos afro·brasileir.'::ls?


- Relações sexuais pré-malrimoniais. - A tutela dos filhos
quando os pais se separam.

x --

.PERGUNTE E RESPONDEREMOS »
Direção e Reda.ção de Estêvão Bettenoourt O. S.B ,

Assinatura anual . . .. ..... ..... ....... ..... . Cr $ 180,00


Número nvulso de qua lquer mês Cr$ 18,00

REDAÇAO DE pn ADi\nNlSTRAÇAO
Livraria nIlsslonArla Editoro
Caln Postal 2.668 R ua !\léxleo. 168-B (Castelo)
ZC-OO %0.031 Ri o de Janeiro (RJ)
20.0 RkI de Janeiro (RJ) Te!.: 224.0059
"MINHA SENHORA DONA•.•"
Luis Guimarães Rosa, embora nAo fosse proprlammte
católico, deixou-nos três versos que bem exprimem o con-
teúdo de Natal e Ano Novo, cujas ce)ebrações~
entre nós: ~ .. _(1. " • It .', . ..
tO'r I:. . j
«MUnIA SENHORA DONA: Ull~~;" 'f H.\.1.·
UlIlllENlNO NASCEU, ~
cy,"-p; '1
'111 /_
O BWNDO TORNOU A OOMEÇ ~.
Detenhamo-nos um pouco sobre tais d.i2e
Eles vêm a ser, antes do mais, um anuncio . .. , anÜIlcio
dirigido à senhora dona.
Quem serã essa senhora!
O cristão é levado a pensar lmedlatamente no anúncio
dirigido a Maria (cf. Lc 1,26-38). A MarIa disse o anjo que
lhe nasceria um filho. EIs, porém, que a figura de Maria se
prolonga na Santa Mie Igreja, de modo que a mensagem é
hoje dirigida à Igreja: o menino que havia de nascer, jâ nas-
ceu ... A Igreja ouve Isto em cada celebração ' de Natal 9,
dentro da Igreja, cada cristão o ouve, pois o anúncio inter.
pela cada qual pessoalmente.
«Um menino nasceu .. . » Não hã maior alegria para uma
mie do que a de saber que lhe nasceu um filho. A crlan;a
é vida nova, fruto dos penosos sacrifícios de longos meses ...
Ali dores do parto se transfonnam em exuItação desde que o
pequenino tenha nascido.
Esta verdade toca também de multo perto os cristãos , , .
Natal é celebrado no fim, . .. no fim de cada ano, quando os
homens estão cansados e agitados, e pensam em encerrar
mais um perlodo de atividades... Mais um ano passou,
somando-se 80s anteriores para dizer·nos que nos tornamos
mais velhos, mais próximos do fim desta jornada terrestre.
Ora precisamente o contraste entre B moldura de tjm de ano
e a presença do Menino ou da vida recém. nascida, o enron·
tro do Ílm e do comeco. são extremamente significativos para.
o cristão. Lembram·nos que, para o dlsclpulo de Cristo. não
hã fim propriamente dito, mas apenas transição de uma
etapa para outra . . . O fim do ano não é quebra nem rup·
tura, mas transição para novo ano, . . . ilovo ano não só na
computação dos astrônomos, mas novo luto de graça, teste.
-1 -
munho do sorriso benevolente de Deus. Cada ano que entra,
à pr1mejra vista. signltlca envelhecImento" '. envelhecimento
do homem exterior de que faJa São Pawo (c!, 2Cor 4.16);
na verdade. porém, cada ano que entra, é um passo a mais
para a plenitude da vida; significa o desabrochamento do
novo hom~m ou do homem Interior, semlnalmente formado
em nós pelo batismo; essa vida nova não conhece ocaso, mas
apenas t.Ie:oabro cluunen to • • .
CIO mundo tornOQ a começar.... Sim; quando o Me..
nino nasceu, tocando e santificando a carne humana, Ele '
tocou de certo modo o mundo lntelro e o recriou; Ele toro
nou o mundo ainda mais rico de Deus e, por Isto, mais
transparente para o Criador; a luz, a videm. o ea.mtnho, a
porta, o cerdêiro, a pedra angular, o bom pastor, a mulher
que perdeu sua moeda. .. vêm a ser Imagens translúcidas do
senhor Deus. Com o na.sc1rnento do Memno. o mundo entrou
em nova fase de sua existêncIa. pola doravante cada ele.
menta matenal (a igual o pão, o sal, o óleo, os gestos e as
palavras do homem . .. ) se tomou apto a exprimir e comu·
nicar a vida de Deus no plano sacramental.
cO mundo tomou a oomer.ar . • . :. Esta expressão poderia
lembrar o ceterno retorno» de que ralam as antigas mito·
logias .. " eterno retorno que, na sua insipIdez e monotonia,
provocava a repu1sa do homem (até hoje quem admite a
reencarnação, lcnde a Jibcrtar·sc do penoso ciclo das reen.
carnações) , Não é, porém. no senUdo dos mit610g0s que o
cristão entende o ctomou a começar:.. Como dito, este reco·
mece significa um progresso, nova penetração da Eternidade
dentro do tempo, do Absoluto dentro do relativo, do Ncces-
sârio dentro do contingente, do infinitamente Santo dentro
do finito e rniserãvel ...
Conscientes disto, iniclamO$ () MO de 1979, que todos
desejam espontaneamente seja o mais venturoso po!sivel.
DeseJamo. lo também nós aos nossos leitores. Todavia sabe·
mos que n expressA0 co mais venturoso possiveb é poliva~
lente, Que s1gnlflca ela? · - cada um terá a sua resposta.
Importa, porém, salientar que, qualquer que venha- a ser o
CO;tteúdo do novo ano, sení este um ano de graça, de reden-
ção, de caminhada para a Casa do Pai . .. Que a conscIência
destas verdades nos acompanhe mês por mês até o fim! Pos-
samos nós santificar e transfigurar todos os acontecImentos
do ano, procurando vlvê·los numa atitude de eternidade ou
de juventude Que não conhece decl ~ nio~ E, assim fazendo.
teremos, sem dúvida, o ano mais venturoso posslvel . . .
E.B .
-2-
.PER<iUNTE E RESPONDEREMOS"
Ano XX _ Nr 229 _ Janeiro dI' 1979

O. te61ogol dlacutlm :

teologia da liberta~ão
Em Ilnt••• : A Teorogla da Ubartaçlo (TL.) vam a UI • ,rabo-
rI~1o do modo camo enlendar a ulvaÇlo tmlda por Cristo aOI h"omanl.
Tal larela admite dlva,.oa mallz8l. Em lU" formas extremadu, que do
multo difundida., propugne um IlSaaf da tMlm.atar s6clo-econOmlco, qUI
absllal dos nlor.. lrtlntcendenlalt • da lacalologl. crlstl propriamente
dlla. Os autores mais avençados deaaa concepçlo Jogam com os texlol
blbllcol cre moelo a anquad,6.fol dentro de lUas tases p .. concebldas,
em granda parta crlplCMnlrxlstu ou abertamente mllXl .....

. A propósito deVftoSe notar que I aalveç80 e.dquhldtl por Cristo,


embora lenha em mira (I homem todo (corpo. Isplrllo), só poda I.r
entandlda 1 rIR. da erlltrlo• •obran.turala ou de fé; era lranletnde ' OI
IIMII" do sócro..con6rnlco. Ademais o Id.al d. tlma .oel.dade perfeita
vem a aer um mito, poli' realidade do picado acompanhart a. homena
ai' o fim da hlslórla. Isto nlo quer dlter que OI crlstloa devem deixar
da se Inleressar lIala JUI Uça social e a implanlaçlo ..,lal'l8l do Reino de
O.us na terra: slgnl/lca, porém. que, mesmo que nlo CClnsigam aUnglr
a mata Ideal, OI crlstlos conservam lua alpel1lnça na vitórIa definitiva
do bem lobre o mal.
• • •
Comentário: Abordaremos, a seguir, um dos temas mais
candentes da atualidade teológica. Trata-se de saber o çue
se entende, do ponto de vista do Evangelho. por "JibertaçãOl>
dentro da realidade concreta em que vivem os povos mais
pobres, principalmente os latino-amerIcanos. I!: mormente em
vista destes que está sendo cultivada a Teologia da LIberta-
ção (TL). Nota.SO, entre os seus fautores, uma gama de
posições, desde as mais moderadas até as mais extremadasi
nqueles cujas obras maIs se têm propagado, são Gustavo
Gutierrez L, Hugo Assmann 2. E. Dussel', J . C, Scannone.
I GUIIaVO Gutierrez. "Teologia da Ubertaçlo", Ed. Votes, Pelr6-
pol1., Ed. VOtes 1975,
2 H. Assmann, Teologia dalla pr...' di IlbarUlolMI. Assis! 1974.
:I E. Dunel, Hlstolre .1 '''601011'' de la IIWraUon. Paris 1~72.

-3-
4 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS~ 229/1979

L. Segundo .... todos latino-americanos. elosos de produzir


uma slntese teológica latino·americana.,.
Nas páginas subseqUentes, exporemos ao menos as gran·
des teses da Teologia da Libertação, retiradas dos escritos de
G. Gutierrez, H. Assmann e E. Dussel. A explanação do
tema suscitará as reflexões posteriores.

1. As grand•• tese. da n
A palavra cllbertacão~, segundo os citados autores, cor·
responde ao voctbulo blblico «redencão~, signilicando o dom
que Crlsto trouxe aos homens, dom 80 qual corresponde uma
tarefa. Vejamos, pol$, como, em proposições sucintas, enten·
der esse dom-tarefa.

1) A llbertacão que Cristo veio trazer aos homens, não


é de lndole meramente espiritual, mas abrange também O
plano corp6reo.materlal, visto que o homem é psicossomático
e vive num mundo material.
Os fautores da TL dlzem·se contrários à distlncão entre
espiritual e material, entre temporal e etemo, entre 'profano
e sagndo.
2) O alcance dessa libertação há de ser depreendldo
da Situação histórica e concreta em que vivem os POVOS.
mãxime os da América Latina (AL); como dito, 8 TL é
concebida. em vista do eontinente latino-americano.
3) Ora a AL consta de populações oprimidas e espo-
liadas. Na década de 1950 apregoava-se para esses povos o
desenvolvimento, visto estarem subdesenvolvidos nos setores
da economia. da saúde, . da escoia. da cultura ... Os palses
ricos elaboraram então projetos de Allança para o Progresso
dos Povos latino-americanos. Aconteceu, porém, que tais pro-
jetos s6 redundaram em maior escra.vlnção dos pobres e em
crescentes benet!clos Industl'lats e econ6mlcos para os povos
ricos, monnente para os Estados Unldos da América (cf, Gu·
tierrez, ob. clt., p. 84) . Verificou-se então que o subdesen-
volvimento. dOI povos latlno-amel'leanos vinha a ser um sub·
produto do desenvolvimento dos povos europeus e. em espe-
cial, da nBeio norte-americana (cI. Gutierrez, ob. cit.. p_ 78).

-4-
TmLOCIA DA LIBERTAÇJ.O s
4) Eis por que 8 palavra de ordem já não é cdesenvol4
vlmento:t, mas cl1bertação:t, ou seja, reação contra a opressão
e a espollação de que são vitimas os povos da AL. Essa liber~
taçio é entendida nos termos abaixo reproduzidos:
''Tent.r melhorlu dentro di ordam atual era pouco eficiente .•. 56
uml quebra radicai do pruenle ..tido d. coisas, um. lraosfom'laçlo
profunda do 11.leml da proprledldl, o ICIsto lO poder di classe expio-
radl. uma revoluçAo -IOcrll qUI rompa com lal dlpend'ncll, pode per-
mlUr I ceno .. uma loclldada dlferenle, I uml locladade l oclaUl1a.
Ou, pela menot, ioer qUI 1.11 IIla pOUr..,ll" (cf. GUtll"lr. ob. clL
p. 34).

5) A teologia deve interessar-se vivamente por essa


situação de opressão dos povos latino-americanos. Ela vem
a ser wna reflexão, à luz da Palavra do Senhor, sobre as
condicóes de dominacio que pesam sobre as populaC6es; latino-
·americanas. O trabalho teológico que há de ser assim empreen·
dido. difeJ;'encia·se da c1é.ssica teologia pelo fato de não pro·
ceder das premissas da fUosofla grega, a qual era metafIsioa,
estática e essencialista, mas toma como ponto de partida o
devlr histórIco ou a realidade concreta, histórica dos homens;
esta vem a ser um «lugar teológico:t de primeira importância.
A teologia trata de fatos coneretos e de rea1idades detennl.
nadas. Diz G. Gutierrez:
'1A teologia , ,ellexlo, IUtudl crlllCL Prlm.lro , o comprom1ao
de ClU'ld.de, de serviço. A leologla vem depor.. • ato elguMo. Pod.·..
dl.zer da leologla o que da mo. oll. allrmava Hegll: só .. I...... nta lO
crepusculo. li .çlo paa10ral ·d. Igreja nAo •• deduz como conc.lu.lo de
premluas toolÓillca.. A leologla nlo gerar a pasloral, , anle. ,.n.xao
ao l»"e el." (ob. cll.. p. 24).
,
6) Qual ê, então, a ação pastoral sobre a qual a te0-
logia se deve construir?
- COnsiste no engajamento do! cristãos na realidade da
luta de classes. Esta já é um fato antigo na história: Dia
são os cristãos que lhe devem dar origem em nossos dJas;
eles a encontram em ex:ercicio no decoITer de toda a his·
tórIa da humanidade; é, pois, dever dos crlstlos assumir a
sua parte nessa Juta, a fim de contribulrem para a fonnaçlo
de uma socfedade sem classes.
"Aquele qUII laia de luta de elas"., nlo I ' propugne' - coma ..
ouve dlar - no eentldo de crl6-la d. Inicio por um ato da (m') vontade;
o qUI faz, , provar um f.lo, li no m6xlmo conlrlbulr para qUI dei. e. lome
conlcllncla. E nada .xlsll mal. palpivel do que um lalo" (Grullerrer, ob.
crI.. p. 228) .

-5-
6 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS:. 2.29/1979

"Quem pretenda negar li elÚattncla ctI lute de el. . . . .ou quem recvtl
.ng.lllt~.na mesma. Já tomou parlldo, pote . ." fl'lOteçendo 011 Int.r.....
di. clnla domlnanta. NIo ht lugar para neutralldada n.... ma"rI." (cf.
Outllnu; ob. clL 229) 1,

Pode-se mesmo dizer que, conforme os fautores mais


avançados da. TI.., o cristão não dirá: cSou. antes do mais,
~O, e, em função QOs ditames da minha fé, farei a mi-
nha opção política:.; mas, ao contrário, aflnnarã: cPrimeira-
mente faço a minha opção política (no caso, marxista) e,
depois, perguntar.me-el eomo, d~tro desse quadro politleó,
poderei viver a minha fé. Esta acrescentará um grau a mais
de intensidade e de esplrito critico 80 meu empenho em prol
da libertação, (cf. H. AssmaM. ob. clt., p. 159).
7) O critério da verdade de uma proposição, mesmo em
matéria teológica, é a eficácia dessa proposição para a tarefa
ria libertação. São palavras de H. Assmann:
"A verdade • o noma dado p4111 comunidade hllt6rlcI lOS atol
hlst6r1cos que foram, ,lo 11 IIIrlo ellcazeI para a IIbertaçlo <lo homem"
(ob. cll.. p. 87).

"'" f6 drte Nr entendida rundamentalmante como pra.'• . no II"n"


Iludo - denao - de p,altl. histórica a nlo .fmplHlnlntl no aignlfl-
cado de praxl. religiosa... Do ponto de vlata nlslOrlco, • " aO podl
..r verdadel,.. quando 'SI lu. a verdade', ou "", quando a'a 6 histo-
ricamente anelz pars e llberllçlo do "ornem" (ob. clt., p. 37) .

ConseqUentemente, se determinada proposlção teológica é


inetjeaz para. produzir ou preparar a libertação das classes
oprimidas, não pode merecer o qualitlcativo de veridica; é,
antes, falsa, alienante, e deve ser repudiada em favor de
teses libertadoras.

1 GuUerMZ, ob. clt, p. 228. nola 51. clla um lado de Karl ""arx para
confirmar a lua atlrmat"'. :
"No qUI m. diz ,.'p.llo, nlo m. pertanc. o mérito d. hayer des-
coberto • •xlst'ncle de el..... na .ocladadl mod.rna, na.,.. • luta an!te ·
ela.. Multo anle. da mil1\. oa historiador•• burgu .... havi.m descrito o
dlaenvo1vlm.nte hl,torlee d ...a luta dI el....... OI lconemlst.. bur-
IIU.... estudado a .u• •natomla Iconbmlc.. O QUI IIz da nove foi:
, . dtlmonatrar que • axflt6nela d. cl..... a6 se IIgll a etap. . do da. .1t&
YOMm.nto hllt6r1co dat.rmlnado p.l. ploduçloi 2. que a luta da c ......
lav. nae.... rlam.nt. l dlladuta do prolalarlado; 3. qUI ••1. dlt.dura
um. locl.dade .em eI..........
constitui apenas a uanllçto para a .OOIlÇlo de toda. . . cfaIH. a •
(clrta a Wayclameyat. dI 5/031t852.
Im K. M.rx-F. Engets, Etud .. phllo. ophtqulitl. Paria 1961, p. 151).

-6-
TEOLOGIA DA LIBERTAÇAO 7

8) Para corroborar sua tese em · prol do engajamento
poUtlco na luta de classes, os autores da n. afirmam que o
próprio Jesus tomou parte nas campanhas poUticas do seu
tempo. Assim Gutierrez (ob. cit., pp. l~n·l99) aponta três
aspectos que lhes ·parecem fundamentar essa afinnação:

a) a complexa relação de Jesus com os zelotes ou com


o partido judeu revolu-cionário anti.romano: o Apóstolo Simão
2elote pertencia certamente ao partido; provavelmente tam.
bém outros, como Judas Iscarlotes e Pedn:! e, talvez, os filhos
de Zebedeu, diz Gutierrez.. J esus e seus d1sc1pulos foram fre·
qUentemente relacionados com os zelotes; cf. At 5,37; 21,38;
Lc 13,1.

b) Jesus assumiu posição de luta perante os poderosos do


povo judeu. Qualificava Herodes de craposa~ (d. Lc 13,32).
Os .publicanos, vist,os pelo povo como, colaboradorêS do poder
politlco dominante, eram colocados entre os pecadores (cf. Mt
9.10; 21,31; · Lc 5,30; 7.34) 1. Jesus opunha.se aos ricos e
pOderosos e fazia radicai opeâo pelos pobres.
c) Jesus morreu em mãos do poder político, opressor
do povo judeu. O titulo colocado no alto da cruz Indicava
culpabilidade polltlca: cRei dos judeus • .
9) Em conseqUência de suas premissas, Gutierrez propõe
uma cesplritualldade da Iibertacão~, cujos principais traços
seriam:

a) coDversi'O ao prixhno, ao hOqlem oprimido, à classe
social espoliada, à raça desprezada (ob. cit.. p. 173). cCon.
verter·se é comprometer-se com o processo de libertacão dos
pobres c explorados, comprometer-se lúcida, reallstica e con-
cretament.e. Não só com generosidade, mas também com anã·
Use de situação e com estratégia de 8Cão~ (ih., p. 173).
b) VivênCia de gratuidade. A comunhão com o Senhor
e com todos os homens é, antes de tudo, um dom. .. Quem
tem consciência disto, considera como um dom seus encon·
tros com OS outros homens.
1 Ao citar ellH textoe do Evange lho, Gutierrez parece esquecer que
J.,u, , e re1ere com certa compreenalo a ml"flcórdla ao. pecadores 8
publicanos. nunca assumindo poslçllo hoslll em relaçlo aos mesmo.. As
advertências de J esus voltavam-u unicamente para os hlpc)crl!al (que
eram garalmante os larl'IIUS).

-7-

Uma das expressões dessa. gratuJdade é a araçia, a qual
nos poe em CODt8LO com DellS. 'foaavJ8. a oraçao não aeve
, ser aLenante nem evasiva. Ao contratlO, a TL.. ensina que,
para chegar à união com Deus, o cristao deve passar pelO
homemj ~ ora:.ão também leva a encontrar mais plenamente
o ltomem.
c) A gratuidade é fonte da alegria. cristã. Esta nasee
do dom jã recebido e ainda por ~r recebido. A alegrJa.
pol'êm, nlio deve diminuir a inrensidade dO compromisso em
tavor dos homens nem há de levar a conciliação fácil e barata.
Ela. se caracteriza positivamente pelas palavras do eMagni-
flcab. as quais exprimem a alegria da criatura que sabe ser
amada por Deus.
Em sintese. a. esplritualldade da libertação é a esplritua-
lidade dos anawbn ou dos pobres, de que tanto fala o An·
tigO Testamento; tais pobres são os despojados, colonizados
e escravizados pelos poderosos; em conseqüência, colocam
sua esperan:a em Deus só, o qual é a sua única Conte de
riqueza interior e de segurança.
Eis, em grandes traços, o que se entende por «Teologia da
Libertação. segundo os seus mais caracteristicos e avançados
autores. Como se pode compreender. tais idéias desencadea-
ram contestação entre os estudiosos e mesmo no público inte-
ressado_ Importa-nos agOra repensar e pesar a nova mensa-
gem teológica.

2. Uma avaliação
Dlst1nguiremos dois principais pontos de reOexio.

2 _1 . A salvasão cri,'á

Passando sem delongas ao !mago da questão, observa-


remos que a salva;.ão anunciada por Cristo não se refere
aPt!nas aOs va-ores -esplritu8.J.S. como bem afirmam os arautos
Qa TL. U cristio deve procurar encarnRr os prlnc.plos evan-
géUcos de justiça e fraternidade dentro dos moldes da lSocle-
dade em que vive. Por isto requer-se haja cristãos que mili.
tem na poUtica e, em geral, nos setores das ciêncIas e das
artes a fim de que ~s realidades terre<'Jtres sejam orientadas

-8-
TEOLOGIA DA UBERTAÇJ..O____ _ _ _ _ 9

segundo os dJtames apregoados pelo Senhor Jesus. Todavia


neste particular quatro restriCóeS hão de ser· feitas 'às teses
da TL:
a) Embora não haja doaJlsmo ou oposição antagôrúca
entre o espiritual e o corporal (mas, ao contrário, tendência
a Integrar), existe, sem dúvido, dualJdade ou distlnçAo entre
um e outro. Por isto pode (e deve) haver hierarquia entre
um e outro ou prioridade dos valores espirituais sobre os tem-
porais ou materlaJs.

b) A procura d. justiça social. por parte dOS cristãos,


há de ser inspirada por principIos teológicos. São estes que
devem iluminar a praxis ou a açl.o polltlca dos cristãos, e
não vice-versa. Caso não se salvaguarde a primazia dos eter-
nos principies da fé, reduz-se o Cristianismo a um sistema de
Moral (moralismo) ou de açáo social.
Com outras palavras: o crlstão é chamado a fazer, pri-
meIramente, uma opçA.o de ré sobrenatural, e tão somente
em fun;ão desta é incitado a conceber seus programas poli.
Ocos. Ora a fé diz sempre .adesão ao transcendentab, csupe..
ração dos critérios puramente racionais ou clentificoSit; a sua
mensagem é inseparável do mistério da cnJZ, que, para uns,
é loucura e, para outros, ê escândalo (cf. lOJr 1.23). Isto
quer dizer que as perspectivas cristãs de uma ordem polIUca
nunca serão as de algum partido que só leve em conta cri·
térios de ciências humanas; multo menos, serão as do mar-
xismo. Mais amplamente dir~se·á: a mensagem de salvação
crictã nunca se identlfiC::8rá com a libertação proposta. por
correntes politicas. mas ultrapassa-a ; o coração humano tem
aspirações grandes demais para que possam sér saciadas sim-
plesmente pelo bem.estar temporal; por isto o Evangelho pro-
põe aos homens mais do que prosperidade material.
c) O crIstão sabe outrossim que existe no mundo o
«mistério da inlqUldade. (cf. 2Ts 2,7) ou o pecado original,
o qual só será plenamente debelado no fim dos tempos. Essa
vitória completa do bem sobre o mal não será realidade
enquant() a história prosseguir seu curso; nem se pode espe-
rar que a argúcia humana a obtenha por inteiro. Somente o
senhor Jesus. ao consumar a histórJa, porá tenno a toda ini-
qWdade, e entregam o reino ao Piai (d. lCor 15,25-28). A
consciência desta verdade é de grande peso, pois concorre
para «relativizar. · as teorias messlAnlcas que, procedentes de

-9-
10 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS> .:229/1979

. ,fontes heterogêneas, empolgam pensadores cristãos e não-cr:Is-


tãos, A sociedade sem lutas e sem injustiças corresponde a
um mito ou a wn sonho que nunca se reallzarâ enquanto
estiver ativo o mistério da iniqüidade; qualquer revolução
social será sempre ameacada pela presença do pecado no
mundo,
Em consequencia, afirmamos que as proposições da fé
podem ser autênticas verdadêS, mesmo que não tenham a
virtude mâgica de prOduzir uma sociedade -nova e harmo--
niosa (csem classes 11, diria a TL); a instauração do bem ou
do Reino de Deus contará sempre com o obstáculo do pecado.
que desde o Inicio a tê o Cim da história se fará sentir.
Estas afirmações nlo significam que os cristãos devam
deixar de se interessar é saerlfl~ pela justiça social, mas
levam a negar o caráter de ,absoluto mãgicoll que muitos.
revolucionários Querem atribuir à sua obra revolucionária,
Que os homens trabalhem com afinco em prol de um mUlldo
melhor! Procurem remover o pecado! Mas não se iludam a
respeito dos resultados que assim obterão. A. própria expe-
riência do marxismo evidencia que a sociedade comunista é
uma sociedade capitalista, Cicando o capital concentrado nas
mão," de poucos ou do Estado, como também é uma socie-
dade de classes, onde se distinguem a classe dos dirigentes
supremos, a dos militares, a dos cientistas, a dos trabalha-
dores urbanos e rurais" ,
d) O acirramento dos Animas e a aplicação da violência
não solucionam os graves problemas sociais; antes, geram
novas atitudes de violência e ódio em represAlia às anleriores..
Também a experiência o comprova. São palavras do Papa.
Paulo VI:
"A Igreja nlo poda aClltar a vlolêncls, sobretudo a lorça das
I'm.. - de que .e perde o domlnlo,. lIn'la vez desencadeada - fi a
morle de pessoas 18m dllCrlll'llnaçlo, como caminho para li Ilber1açlo;
ele aabe, e'I!lvamlnt., que a vtol6ncla provoca .empre a violência e
- U." Ir.....tMlmanll novaa form .. de opreulo e da ascrav'zlIçlo, nlo
raro btm mala p...daa do QUI aquelas Que IIla prlltandla IIlImlnar.
Dlzramos oUllldo da 1I00aa viagem l CoIOmbr.: 'Exortamo-voa a nlo p6r
a '10SM conllança nl vlollncla, n.m ". revoluçlo; ta' amuda , oon-
1rirla ao "pirita crllIlo • poda lambem retardar, am vez de favorecer,
a IIlavaçlo IOclal , qual '.gltlmamllnlll .. plral,'. E ainda: ' Nó. d8YI-
moa reafirmar qUII • vlollncla nlo • nllm crlall nam evlng.lIca e que
.. mudança. brulca, OU \/10111"1.. das estruturas seriam 111aZll8 • Inell-
cazo Im ai m.ama. I, .por certo, nAo conlorm.. ê dlgnldadl dOI
povos'" (Car1a IApoatóllca ..e ....ng.1II Nuntlandl", n9 37) .

-10 -
_ _ _ __ _TEOLOClA DA LIBERTACAO 11

o que se deve apregoar como via de solução das .injus-


ticas sociais, é B reeducação dos homens,... de todos sem
exceção (ricos e pobres) i é a conversão de todos a Deus e"
ao próximo. E3sa conversão farA que uns e outros, não por
imposição das armas, mas por convicção intima, se interes·
sem pelos innâos e procurem constituir uma sociedade mais
fraterna. Eis, de novo, o pensamento de Paulo VI:
.~ Igreja tem certamente cOtn.o 8'''0 Importallte tio urgente que se
con.wam uINlur •• maIS hilmanu, mais Jualas, mais respeltado,u dOI
dlreltOl da P''''OI, menot opr... lotea I menoa escravizadO'''; m.. .'a
contlnUII I .... r conaela nla de qUI ainda a. melhor., estrutura. ou OI
,!slemas mar, bem Id••llados depressa .e tornam desumanos, se U
tendlnel •• Inuman•• do coraçlo do homem nlo se acharem purificada,
I' nlo hou .... r uma convamo do corlliJo , do modo de encarar ..
colla ".quel.. qUI vlvtlT'l em t.r . . .trulu'" ou qUI as comandam"
(Ib. '" 36).

Pusemos agora a pontos mais particulares da 'feQlogia


da Libertação latino· americana.

2.02. As ambigüidades da n

A palavra "libertação. é relativamente recente no voca·


bulário teológiCOj ela veio substituir o termo crederição:t,
usado pelos escritos do Nove Testamento (cf. Me 10,45j lCor
1,30; 6,20; C1 1,14) , como também toma o lugar de csalva·
ção :t. cUbertação:t é a palavra famUiar ae vocabulário mar·
xista: basta lembrar. para ni o cltar outros fatos, que o Par·
tido de Luis Carlos Prestes no Brasil se chamava cAliança
Nacional Llbertadora:t!
o vocébulo cl1bertaçáo:t é apto a atrair todos os homens,
os quais, porém, não o entenderão sempre do mesmo modo.
Com efeito; é certo, de um lado, que todo homem aspIra- a
ser libertado de aJgo que ele julgue constrangedor: de outro
lado, esse libertar-se é entendido de variadas maneiras: assIm
o budismo apregoa clibertaçãoa 1; o ~irltismo. outrossim ,;
J Cf. .I. M...o", ... boucfdhl.m., chemla di lIb'r.Uoo. 008 li73.
A lI~rtlçlo buclllta lem . m mira I lei do katm. 8 o cicio clOI ren..e,"-
menlol ou rnnClrnlç6n.
:I Um dos livros d. Chico Xlvler lem por lItulo "lQ).rta;lo".

-11-
12 cPERGUN'I'E E RESPONDEREMOS:. 229/1979

o marxismo, idem I; a psLcot2rapla, também, a seu modo


(B8freJug) 2; os movimentos feministas radicais preconizam
também a lIbertação ou emancipação da mulher.
O Cristianismo também almeja a libertação do gênero
humano; todavia entende·a em sentido diferente, pois tem em
vista prIncipalmente a 'Vitória sobre o pecado e a morte, à
qual Cristo deu início, mas que só estará consumada no tim
dos tempos. São palavras de São Paulo:
"A crlaçlo foi aubmatlda à vaidade ... na np.ranÇII d, .Ia tam-
MIm Nr lI~rta da a.cravldlo da corrupçlo pare enlr.r na lIberd~e da
glórta dos IlIhoa da Deu•...

E nlo só .1.. Mas lambém nó... . gememo. InterlolTnente, ausp"


rando pela ••dençlo do nouo corpo" (Rm 8,208. 23).

Essa polivalêncla da palavra cllbertação~ levará o leitor


a procurar, antes do mais. descobrir em que sentido é ela
entendida pelos autores que a. utilizam. Em ' não poucos
casos, concluirã qU2 21a tem conotações políticas marxIstas.

2,2.2 . Praxl.

o vocãbuJo praxis designa em grego cO fa2erll ou a prá.


tlca, o agir do homem.
o CristIanismo proclama a necessidade de se praticarem
os mandamentos de Deus; d. 1Jo 2,45. A pra.xfs, segundo o
CrIstianismo, exprime uma das dim2ftSÕeS do ser huma.no:
aquela que decorre da teoria ou da contemplacão da verdade.
Acontece, porém, que praxis é vocábulo caro também
ao marxismo, onde toma sJgnlClcado bem düerente. Com
efeito, para Marx, o homem se define pelo trabalho, e não
pelo pensar; o trabalho faz o homem e o homem faz o tra·
balho; o trabalho devidamente cul tivado ou a praxis leva à
revolu;lo social. A tIlosofla, o direito e as conc:epcães artiB.
l Cf. o livro da Nlklle I<ruschov Inlllvlado "O movimento d. "ba,.
lafAo n~clD""''', Ed. VIlÓr.a. RJo da Janalro 1963.
• ' CI. • obra da Madard Bou : LebeMante', 8chutclgefOhle WMI Pty.
ohothnapeudlCha aafrelun;. Verl.g Hana Huber, Bem. 1961; treduçlo
brasllelr. em 510 Peulo 1975 (Medo da vida, aenllmenlo de culpa e
Ilbartaçlo· palcot.r.plullca).

-12 -
TEOLOGIA DA UBERTA9A=O'-_ _ _ _I3'"

tlcas ... tornam·se assim funtões do trabalho e da producão,


e não yjce-versa . ..
Vê.se. pois, que o mesmo vocêbulo encobre e manifesta
sistemas filosóficos radicalmente diversos... Nos escritos da
TI.. pruJs tem. não raro, slgnlfJcado mais marxista do que
cristão; o que eles assim valorizam. é a orthopraxis, ou seja,
uma praxls corretamentê libertadora (no sentido marxista
ou no sentido cristAo?), com menosprezo da orthodoxia ou
da reta doutrina da. fé.

2 .2.3 . TeologIa latino-americana

Os pioneiros da TI.. fazem questão de dizer que a clãs·


slca teologia é alienante, porque helenlzante. e que 8 esplri.
tualidade cat6lica existente no Brasil até époea recente era de
origem européià. Por isto apregoam uma teologia ou, em
particular, uma crlstologla para a América Latina.
Todavia quem lê as obras de tais autores, verifica que
os mesmos estudaram na Europa, onde se imbulram notoria·
mente dos principlos e das conclusões da exegese bibllca alemã
(não raro, protestante) e das teses dos teólogos germAnlcos
(em especial, Moltmann, protestante). Ora os escritos dos
teólogos da llbertacão referem.se freqüentemente, de maneira
expliclta ou implIc1ta, a tais autores europeus. lt o que rela-
tivlza enormemente (I qualificativo de datino-americana:. que
os mesmos atribuem à sua obra teológica.. Ademais note-se
que esta nio é, em absoluto, popular; passa muito longe das
concepções cteológlcas. ou da fê das populações coprlmidas:.
latino-americanas.

2 .2 .4. Conversão
Gutierrn incute a necessidade de conversão do cristão.
Essa conversão significa voltar.se para o próximo, para o.opri.
mido . . . A conversão a Deus é menos mencionada, ... talvez
por estar Impl!clta na conversão para o irmão.
Nio hã dúvida de que é lmposs[vel amar 8 Deus sem
amar ao próximo. Todavia seria para desejar que os teó-
logos da Ubertação dessem a devIda importância ·à conver-
são e ao relacionamento direto do cristão a Deus; é em fun-

-13 -
14 ' ePERGUr-rrE E RESPONDEREMOS. 229/1979

ção do amor diretamente oferecido a Deus que o homem


se volta para o seu semelhante sem fazer acepção de pes-
soas, como Deus não a faz. Pode acontecer, slm, que al-
guém, através do exercido da filantropia, chegue ao amor de
Deus, : . _ Deus desconhecido até então. Todavia, para quem
conhece a Deus, é indispensável colocar o amor a Deus como
fonte e esteio do amor ao próximo.

Mais ainda: 8 TL insiste multo em acusar as classes mais


abastadas como sendo dominadoras e opressoras . _. O pecado
do mundo estaria de um lado só e abrangeria toda a coleti.
vidade' (sem exceção de indlvlduos) rotulada como tirânica . • .
Ora esta perspectiva é evidentemente unilateral e exagerada.
Não se podem incriminar todas a8 pessoas que não perten-
çam às camadas mais humildes da sociedade, ao mesmo
tempo que se inocentam estas camadas de maneira genérica
e IndJstlnta.

2.2.5. Outros tópIcos

a) O contato com as obras dos teólogos da libertação


manifesta ao leitor um espírito nacionalista eD.Cerbado. que
se exprime em rejeição ou condenação da cultura européia e
da hegemonia norte.amerlcana. E. Dussel fala da «domina-
ção pedagógica:. dos teólogos europeus (cf. eLes luttes de
libératlon bousculent la théologle:.. Paris 1975. p. 75). Ver-
dade é que o patriotismo ou o amor aos valores da pátria
é um valor a ser cultivado. Verifica-se. porém, que o nacio-
nalismo apregoado pela TL não é simplesmente uma virtude;
percebe-se que vem a ser a expressão de uma ideologia polí.
tico·social que se reveste de rótulo religioso ou, ainda. Q, a
manipulação de valores religiosos em favor de um sistema
politlco. A TL sacrallza, de maneira «elegante~ os movi-
mentos nacionalistas latino-americanos, dos quais alguns não
são autênticos, porque vêm a ser formas «camufladas. de
entregar o continente latino·americano aos paises dominantes
do bloco socialista.
b) A TL de tal modo valoriza a história que a absolu-
ttza de certo modo. - Verdade é que Deus falou aos homens
mediante acontecimentos. que constituem a hlstórla da Reve-
laçA0 e da salvaçlo. A Revelação, porém. se encerrou com
a vinda de Cristo e a geração dos Apóstolos. Após Cristo a
-14 -
TEOLOGIA. DA UBERTACÂO

história dos homens continua; ela traz seus slnais. . .. sinais


que os cristAos devem procurar ler, mas que muitas vezes
são ambiguos ou suscetlveis de interpretações: diversas, se
não contraditórias. Na verdade, os profetas das heterogê-
neas correntes de pensamento moderno baseiam.se, por vezes,
nos mesmos fatos hIstórlcos para. apregoar teses opostas. A
história, assim como e. natureza, apresenta-se ao estudioso
de modo bruto e ambíguo. Ora é preciso que O teólogo saJba
distinguir entre História e história ou entre interpretaeõe9
objetivas e Interpretações rubjetivas, preconcebIdas, dos acon~
tedmentos históricos.. . De modo especial, 8 super·valori-
zacão que a TL atribui à história e, em especial, à história
contemporânea. aproxima-se da correspondente posiçi.o mar·
xista; a histórfa. para. Marx, não desemboca na escatologia
cristA, mas. sim, numa pretensa sociedade sem classes. Pois
bem; a TL Caz questAo de se continar também a este tenno
meramente tenestre e humano, desdenhando as ~rspêctivas
transcendentais da escatologia blblica.
Resta agora dIzer uma palavra sobre

3. Jesus. a pollUcl1
G. GutieITeZ e outros autores julgam pod.er descobrir
no EvangeUío ind!clos de que Jesus teve Intenções poHtlcu
revolucionárias (o que natura1mente fundamentaria a Teologia.
da Llbertacão revo]uclonâ[-ia). Todavia uma leitura atenta.
dos Evangelhos leva a coneludo contrária: Jesus teve em
mira fundar um Reino, sim. o Reino de Deus, sem contudo
se opor partidariamente às autoridades civis constitutdas em
sua época. Eis os textos que vêm a propósito:
a) Interrogado por Pllatos, Jesus respondeu: «Meu reino
não é deste mundoi se tosse deste mWldo. m eus súditos
teriam combatldo para que não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqub (Jo 18,36) .
Com estas palavras Jesus afinnava que a SUa missão
não era de Indole política. Esta atltude toi confirmada Quando
prenderam Jesus; não somente o Senhor não opôs res!stêncla,
mas ainda censurou a Pedro, que o quisera defender com a
espadaj Ele teria podido lsentar·se na mesma hora, mas que-
ria seguir até o extremo a vontade do Pai, segundo a qual
-15 -
16 .,PERGUNTE E RESPONDEREMOSit 229/1979

o Reino de Deus não seria instaurado nem defendldo em luta


~ac1a; cf. Mt 26,53.

b} Em outra ocasiãD, Jesus proclamou a liceidade dos


impostos a ser pagos a César, asseverando: "Dai 8. César
o qUe ê de César. e a Deus e que é de Deusit (Mc 12,17).
RecomendandD o justo pagamento do imposte, Jesus mos-
trava que não era agente revelucionário desejoso de destruir
de imediato as estruturas poUticas vigentes em sua época.
c) Doutra feIta, tendo Jesus a Dcasião de ser aclamado
rei pela muJtidio a quem dera pio, retirou-se para a mono
tanha (cf. Jo 6,15). A seguir, declarou aos ouvintes que
Eie não viera trazer pão materIal. mas, sim, um alimento
de IndoIe espiritual: a carne e o sangue do Filho do homem
(cf. Jo 6,26-58). Expõs-se assim a perder grande número
de disclpulos; àqueles que fJcaram COm EJe, propôs dêclsiva
opção de fé: renunciassem à esperanes. de um Reino opu-
lento para seguir O Messias pobre, que nãc tinha sequer
onde reclinar a cabeça (d. Lc 9,58).
d) As bem.aventuranças evangélicas apregoadas por
J esus supõem concepção bem diversa da de um Reino poli-
tico: a proclamação da pobreza (c!. Lc 6.20) ou mesmo tão
somenlc do espirilo dt! pobreza (c[. Mt 5,3) não se coaduna
com a expectativa de fundacão de um reino terrestre ou com
a perspectiva de uma luta annada pela conquista. do poder.
- A Ultima das bem-aventuranças é a dos perseguidos (cf.
Mt 5,10) - o que também mostra como Jesus estava longe
de prometer aos discipulos o bem-estar soelal ou econômico.
e) Por último, as tentações no deserto levam Jesus a
rejeitar todo messianismo de ordem meramente terrestre ou
humana. Explicitamente o Senhor rejeitou dados os reinos
deste mundo e a sua glória:. (Mt 4,8; cf. Lc 4,5), ev1den.
dando que o .seu Ideal não era o da ascensão ao poder
politlco. -
Estas passagens evangtillcas bastam para dissipar even·
tuais dúvidas sobre 8.!l intenções poUtleas de Jesus. Crlar li.
Imagem de um Jesus revoluclonârio no plano das insUtui\:ÕeS
civis seria deturpar EL figura de CrIsto.
Multas outras observações poderiam ainda ser propostas
com referência à Teologia da Llberlaç'o. Estas, POrem. são
-16 -
_ _ _ __ _-'-T.~.OLOGIA DA LIBERTACÁO

suficientes para mostrar aos .estudiosos as princJpais facetas


do tema. Adnútimos as fonnas moderadas e ortodoxa.s de
se entender a libertação ou salvação trazida por Cristo (nelas
se dA o primado aos valores transcendentais); não se vê,
porém. como aceitar fonnas extremadas, que têm levantado
grande celeuma e perdem o direito ao nome de teses cató-
licas.

B'b1lotrana :
BLANK J. E UElLt:NBERG G., O e...lno 6Ilco d. J.sus • OI pro-
blemas modemos. Pelrópolls, Ed. Vozes 1973.

CULLMANN, O., ....U• • OI revoluclon6rloa do ..'" tempo. Petrópolis,


Ed. Voz•• 1972.

GONÇALVES, OLIVEIRA. lEIlE, C,l.to • • conlu'açlo pollUCL P ..


t~polla,
Ed. VOi:8I 1814.

GUTIERREZ, G., Teologia d. Ubertaolo. Petrópolis, Ed. Vozes 10'15.

HENGEL.. M.• Foi J "ua r.",oludon6,lo? PllrOpoJl., Ed. Voz .. la71 .

KIPPEA, J . B. AIu.vlo pollllc• • l'tVolllclo"'rla d, J..ua? In "Pe~·


pectlva Teológica", ano X. 09 21, malo-egosto '978, PP. 275-306 (onM
ae .encontre ampla blblloijrall. nacional . e.tr.ngelr. ) .

LEPARGNEUR, H., T~* de la UlMr.Uon .1 U-"oIOIlI. to",1 courl.


In "Noll'llllle R,vlI' Théologlq",." i8 (11176), pp. 126-16a. Tamb6m em
trad"'çllo brasileira na r.vlsl8 "liturgia e Vid a" 23 (1 976) n.o. 133-136.

LJB.lNIO, J . B., Dlacemlm.nlo • Política. Petr6polls, Ed. Voze, 1977.

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". ~Id.d. vos IIbarlar'" (Jo 8,32), In "Per.pectl\la t.oLóglca" ano X.
,,9 .21, m.!o-Igosto 1978, pp. 244-.274.

Mlmoranct..m de TlÓlotos d, AllmanM Flld.ral. Sobre I Cam-


plnh.l conll'. 1 Teolollll dI UMllaçlo, In REe, vol. 37, flsc. 1.8. dl z.m-
bro 1977, pp. 788-7v2.

TROCM&., ..... ""11. Crtelo e , ""'OIU~D nl o ,IDlItI1IL Petrópolb.


Ed. Vozes 1973.

VANNUCCHI. A., Pulora) de Ubertaçlo, In REB. vaI. 37. lase. I.4&.


dezembro 1918, pp. 702-71:i.

PR 18111975, pp. 10-28.

-17-
AInda em foco ;

OS meninos de deus

!RI .11deM: Os Meninos de OeUl constituem um movlmenlo do • .


mal. ulremados da chamada "Jesus Revolutlon" ou Ravoluçlo por Jesus.
de ente, "hlpple", oriunda noa Estadoa Unido., e hoje propagada por
dlverao. palsta do mundo.
Apregoam o amor como sendo a Gnlea lei de DeUI, em opo.191o
ao -6dlo a aos Inlere.... egolllas da .oeledada de conlurno. Todavia o
amor assim preconll.do • mult.. vez" cego, Instlnllvo ou mar.mente
eróUco ; I.to redunda em Ubet1lnagem a ·orgl.., que os Meninos de Deu.
'It"" cometendo de minei,. notó,ia no Bra ll.
Sa, de um lado. . . pode IQuvar o lalo de que os 10....1'11 tKI.Ie man'"
, ..Iam ... Ibranl••Inso ml.tlco, de oulro 'Ido .. deve 'Imenlar I ILlpet-
flelalldada dessa mlsllc.. que chega a ser IrrlWerenle ti pornogrtlle.. d ..
lurpando OI mall nobr.. ...elore, do CrbUanllmo.
AOI adultol toca • tunçlo de procurar e.clareCtlf ..... /o",n., 'en-
lando cenlllzar para a Verdlde • o Bem o .nluswmo doa mOlmoe •
apresentando a aLlI'ntlca resposta crl' II A. lUas ..phaç&as fundamenlals.
Na ventada, os jovens d. hOje, multu vez••, ubam o que nlo querem,
mas nlo .abem o qua querem.

• • •
Comentário: Em "PR 184/1975, pp. 168-176, tal apre-
sentado o movimento dos Meninos de Deus, que se tem mos-
trado irrequieto tanto no Brasil como tora do Brasil. Pas-
sados quase quatro anos, tal Movimento continua a agitar,
recorrendo a novos meios (panfietos e atitudes), que dei-
xam o público perplexo. Tal é o motivo por que voltamos
ao assunto, desejosos de aduzir novos elementos aos Interes.
sados para Que possam avaliar melhor tal MovlmcnttJ, Exa-
minaremos sucessivamente: 1) Jl origem dos ,Meninos de
Deus»; 2) as suas Idéias principais; 3) segulr'-se-á final-
mente um tuIzo sobre o assunto.
Advertimos o leitor de que, para melhor evidenciar o
teor da pregaçio dos Meninos de Deus, seremos obrigados a
transcrever textos de baixa linguagem e conteúdo Indeco-
roso, extraIdos dos panfletos dos Meninos de Deus. O leitor
compreenderâ B finalidade deste método, que se destina exclu-
sivamente a mais lúcida tomada de consciência de uma rea-
lidade que vem Interpelando a nossa socIedade.
18-
OS MENINOS DE DEUS ._ _ _ __ _ -1!1
1. O surta do Movimento
A origem do Movimento ê wn tanto obscura. Eis, po-
rém, o que se pode dizer a respeito: •
o fundador dos Meninos de Deus é um protestante norte-
-americano fundamentaUsta, chamado David Berg, o qual
passou a ser conhecido por Pai Davi ou por Moisés Davi ou.
simplesmente, por llo, visto qUe os membros do Movunento
adotam novo nome, tirado da Biblia.
David Berg ou Moisés Davi deve ter atualmente entre
clnqUenta e sessenta anos de idade. Iniciou a sua campanha
pelos anos de 1968/ 69 juntamente com seus quatro tUhos e
respectivas consortes. Em 1969, como alega, teve a previsão
de iminente terremoto. em conseqUência da qual a sua obra
se foi difundindo com impetuosidade especial. Junto a David
Berg desempenhou importante função a mãe do «profeta.,
chamada Avó nas cartas do Pai Da vi.
Para entender devidamente a obra de Mo, faz·se mister
considerA.-Ia no seu conléx.to histórico.
Na verdade, ela 5e situa dentro da corrente da cJesus
Revolution:. dO.!! Estados Unidos, ou seja, no contexto das
manlfesta~ chlpples:., emocIonais e espontâneas. em prol
de Jesus Cristo, do Evangelho e dos valores rrusticos em
geral, que desde a década de 1960 vêm prol1ferando no&
Estados Unidos. Eis por que devemos, antes do mais. des-
crever algumas das caractertsUcas desta_

1.1. A . Jesu. R.....olutlon_


A cJesus Revolutlon. se deve a jovens e adultos que
outrora se entregaram às drogas e depois resolveram fazer
a viagem (trlp) do êxtase com Jesus, em vez de fazê_Ia com
a droga.
Muitos desses jovens eonstitulram na Califórnia comuni-
dades de tipo singular. que procuravam associar, em luga~
res retirados, algumas características de um convento . cató-
lico, de um ashram (mosteiro) indiano e dE um albergue
de juventude. Praticavam. em conseqüência. o estudo e a
medltacão. um certo artesanato (até mesmo trabalhos grá-
fioos), um tanto de agricultura e a acolhida de hóspedes . ..

-19 -
20 f PERGUNTE E RESPONDEREMOS,. 229/1979

Ao lado dessas comunIdades rurais, surgiram as urba~


MS, de tipo ativo e dinâmico. Constituem 'O MovimentIJ dos
-cStreet ChrJstians. (Crl.5tãos ele rua), que se espalhou pelo
litoral Oeste, pelo centro, pelo Sul e pelo Leste dos Estados
Unidos. A Indole mais violenta ou agressiva desses «Street
ChrisUans» mereceu-lhes o nome de eJesus lreaks» (= os
monstros ou os furiosos de Jesus).
Esses dilhos das flores convertidos ao Cristianlsmo.
eram animados por veemente zelo c:missionário.. Nas cida-
des norte-americanas de maIor importância encontrava-se
um ou mais «café de Jesus. (Jesus coffee bouse) com OS
titulos mais estranhos (e Irreverentes) possiveis: «As Cata-
cumbas», cO Ventre da Balela», cO Eu-Sou», cO Areópago»,
«O café dos carismas», cA casa do Pab, «O Jesus-em-nós»,
-cO Albetiue do Amon, cA Porta Aberta», «O Signo do
PeIxe», «O Buraco da Agulha», cO Maranatha», «A Casa
do Agape», -cO Tabernáculo», etc.

Esses lugares eram outrora lojas comerciais, garages.


clubes noturnos. salas de jogo e coisas semelhantes. Foi lá
que comecaram a se formar grupos de cmissionárlos de
longa caminhadaJo (hlgbwa.y missiona.rles). recêm-convertldos,
de 17 a 25 anos, que, sob a gula de lideres «carismãt1cos»
(um pouco mais Idosos, por vezes), passaram a se dedicar
totalmente ao «apostolado.. Tais ccafés ~ comportavam ou
possulam um dormitório, uma sala de encontros, uma capela
e uma discoteca.
Os «eristãos das ruasJo vivem em comunhão de bens,
sustentando-se principalmente com o produto da venda de
jornnls próprIos do. «Jesus Revolutlon». Nas vias públicas
agarram-se aos transeuntes, a flm de anunciar-lhes que Je-
sus os ama, importunando. os por vezes até obter a sua con-
versão imediata: o missionário não raro convida o não-con·
vertido a ajoelhar-se com ele na calçada, a fim de manifestar
a sua adesão a Cristo Salvador. Esses arautos de Jesus tam·
bém se encontram nos grandes agrupamentos de música
rock, pop ou cãcida:t (psicodélica), não para participar da
uso de droi'U, mas precisamente para converte r os jovens
viciados ...

e neste contexto que se situam os fundadores do MovI-


mento dos Meninos de Dew (ChUdren or God) .

-20-
os MENINOS DE DEUS 21

1 .2 • A obra d. DavId Berg

Os Merunos de Deus constituem a mais avançada e 1nf]a-


mada ala da cJesus RevolutJon~. Foi o que lhes valeu ampla
propagação, tendo chegado à Sulça., à Noruega, à Inglaterra.
à Holanda, à Bélgica, . . , ao Brasil."
. O Movimento conseguIu atrair a si duas importantes
figuras da cJesus Revolutlon~ : DavId Hoyt, de Atlanta, e
Linda Melssner, os quais, ao se tomarem Meninos de Deus,
arrastaram consigo grande número de companheiros.
Os Meninos de Deus procuram levar vida estritamente
CQmum, à semelhanca, ~mo dizem, do que faziam os primei-
ros cristãos. Não trabalham 8 não ser para manter a ordem
em suas casas. Dedicam.se à tarefa da ~m1ssão', arreca-
dando dinheiro para os mais necessitados e tentando conver-
ter o públlco 80 seu modo de pensar e viver. Para eles, o
mundo, do ponto de vlsta ético. vai mal, de modo que está
iminente o fim da história com seus numerosos cAi, ai, a1!~.
ApregOam esta proposlçlo com veemência, ao mesmo tempe
Que se mostram infensos à Igreja Católica e a qualquer
denominação protestante. como também à sociedade de con·
sumo em que vivemos.
Interessa·nos agora reconstituir mais precisamente

2, As principais kl'élas dos Meninos


Não há grande consistência nem profundidade na men-
sagem dos Meninos. que são multo mals emotivos e- senti-
mentais do que intelectuais. Como quer que seja. distlngulre~
mos três pontos da mesma:

2. 1. (",inanda do fim do mundc>

Moisés Davi deixou-se Impressionar pelo texto de Dn 9.2:


"NO primeIro ano do reInado do Dario, filho de A33uero. eu, Oanlal.
cOnlrderel, ao ler os livro.. o nmero de .nos que, segundo • pal.VflI
do Senhor dirigida ao profela Jeremlu, devlem medIr o tempo em que
Jlrulalóm estaria em 1'1111\8; era de I8llnl. anos",

Mo diz ter recebido, também ele, do Senhor uma reve-


lação relativa a 70 anos. Com efeito, no verão de 1970
-21-
22 .PERGUNTE E RESPONDEREMOS~ 229/1979
• multo doente, quando perguntou ao Senhor: «Quan-
estava
tos serão os dias da minha vicia '!:t O Senhor então .bateu
sete setes com uma pausa significativa, seguidos por três
seta, indicando por outras palavras que um per:odo de 49
anos precederia outro periodo de 21 anos, formando um total
de 70 anos~. Dai deduziu Mo que o Senhor se referia ao
primeiro período de sua vida (49 anos). o qual terminou em
1968, ano em que principiou a Revolução dos Meninos de
Deus. Tal periodo seria seguido per DUtro, que duraria 21
anos de vida, ou seja, até 1989. Moisés Davi tem certeza de
que morrerá nesta data. Começará então o ctempo das
assolações., (,ou desolaeões). que se protrairâ por três anos
e meio, de modo que o mundo atabari. em 1003 (esta data
é confirmada pela profecia de uma velha cigana. diz Mo).
Em slntese. eis a cronologia traçada por Moisés Davi
para os próximos tempos:

1968/ 1969: Fim do tempo dos gentios;


Res.tauração do resto de Israel nos Meninos
de 'Deus.
F1m da. déead& de '70 e/ou principio da. de 80: Subida do
Antlcristo ao poder.
1985: O ConC!(!rto (a Aliança) C()nflrmado pelo Anti·
cristo.
1985: Começa a sétima semana de Daniel ou os últi·
mos sete anos da história do mundo.
1989: Começa a grande tribulação final.
1993: Jesus vem!
:Mo Davi, por conseguinte. não verá a grande tribulaçãe>
do fim dos tempos. .
Estes dados numéricos querem dizer ainda qUe entre o-
inicio do Movimento dos Meninos de Deus (1969) e o fim
do mundo (1993) detorrerAo 24 anos, número este que cor-
responde às 24 horas do dia, ou seja, às 12 X 12 horas.
que os ponteiros de um relógio percorrem! - Ora precisa.
mente o Senhor mostrou, certa vez, a Mo um grande relógio
de bolso antigo, de ouro, ornamentado com pesada corrente-
-22 -
OS MENINOS DE DEUS 2.1

de ouro, e a propOslto dignou·se fazer·lhe revelações: sobre


a data do fim do mundo.
SinaJs precursores do flm do mundo seriam, confonne
os Meninos de Deus: nevoeiro (amog) que se deve à poluição
atmosférica, a admIssão de novos palses no Mercado Comum
Europeu, a tomada de Jerusalém pelos judeus ... !

O Apoca.lipse é naturalmente um escrito caro aos Meni·


nos. O Capitulo 20 deste livro é por eles Interpretado no
sentido mllenarista; apOs o reinado milenar de Cristo, durante .
o qual o demônio serâ acorrentado, a terra será purificada
por fogo atômico e .se tornará a mansão eterna dos homens..
Estas idéias despertam nos MenInos wna atitude tensa;
julgam estar sempre em luta acirrada contIa Satanãs, na
Iminência de grandes males:
"Os meninos de Deu. lanyam o at.quel Os Meninos de Deus estio
ne olenslval Os Menlnoa d, OeuI estio Invadindo os portais do Inlernol
O. Meninos de Deus estio devastando o taro llórlo do Diabo - Justa·
mente como você laZ quantlo ui para leslomunhar - bem no terrllorlo
do Diabo - bem nu IUU fonatezas •••

o Inimigo nunca ,abe O que vd vai Inventa,1 e. nAo sabe que


tipo de Iraveuura 'IOd VII tramar da proJllma vez.,." (101~to "Allque"
"' 171. da 6 120/ 72, ts 28 . 30).

Estas são expressOes tlplcas da mente belicosa ou agres-


siva dos Meninos de Deus em reJaçio a Satanás e e. várillS
instituições deste mundo, que eles classificam como satânicas.

1.2 . O amor
Uma das notas mais marcantes da mensagem dos Meni·
nos de Deus é o elogio do amor, em oposl;ão ao .ódio que ca·
racteriza. muitas das manifestações da sociedade moderna.
Apregoam, porém, um amor Que nem sempre é cristAo, mas
erótico e lascivo. Por isto a linguagem Que empregam para
recomendar o amor, é de baixo calão, chegando à pornografia.
Transcrevemos aqui (com a devida vênia do leitor) alguns
trechos dos panfletos de Mo:
"Chega-te plra '''I Sakne do camlnhol Cuero Ir para a cama
com Jesusl O que tlzeste com Jesus, qUI • chamado o C. lst01
Tira a tua maldita porca,la daqui para 10111 ~s um maldito cabrfl)

-23-
24 (PERGUNTE E RESPONDEREMOS. 229/1979

malcheirosol Nlo quero que mais nloguem a nAo ser Jesus me fodll
Sou a ..poaa da Crlltol" (Mo, Vllll'lotI falar da ""UI,
1'1'1 20, 5/12/70,
p. " 5 2.5).'

Os Meninos de Deus, vivendo em seus lares, não rejei.


tam a comunhão de mulheres. A fim de fundamentar esta
tese, alegam que, para a BibIla, a Esposa é uma multidão de
pessoas, ou seja, todo o povo de Deus. Tenham·se em vista
as expressões dos profetas que interpelam Israel como a filha
de Sion (Lm 2,13.18) ; na parábola das dez virgens em Mt
25,1·13. « Q verdadeira esposa entrou em cinco exemplares~
para se casar com o esposo: _No entanto Ele (Jesus) fala
de todas corno uma Esposa: 'Tu és a minha Esposa'. (Mo,
Uma Espooa, n' 249, SD, 28/ 10/72, p. 3 § 17).
Eis outras secções de Mo:
"Em Mt 28 o esposo chegou: cinco vIrgens prudentes entraram, a
c1neq loucu nlol Como se explica que lossa um caseffienlo se enlra·
rem cinco virgan. em vez da IÓ uma? - Todas alall lem casar com
Cristo? As cinco aram a esposa ou nlo? Se nlo, .quem eram alas?
E como se explica que toda! as cinco entrassem se apenas hi um.
Igreja? - Uma e,posal" (Mo, Ib, § 10. p. 2).
" Nós aomos revoluclon'rlosl Se a Igrela lem dado damaslad.
ênfase ao casamento, nó. v.mOI para o extremo oposto de lha <lar
lInlase de menos e quase depreciar o caslmenlo" (Ib. § 2', p. 4) .

Mo coloca em paralelo a esposa particular e aproprie.


dade particular, profUgando uma e outra:
"A famllla privada • • bUe dD sistema capitalista li In"ressalro
da empresa privada e de todoe OI MUS males egolstasl A hlstórl. das
comunas mostra Que as de malor s ucesso ou •.• requereram o celibato
tolal ou abandol\lratn a unilo prlv.d. dD e.samenlo, am faWlr do cas.-
menlo do grupol Porque d"cobrlram que o grupo privado familiar era
sempre uma amaaça para a unidade familiar maior como um todol "'-
malolla d.s Igrejas renunciaram Inlalramenta li Comunldado Familiar da
IgreJ' elO I,vor de casamenlos ptlvados em cuas privadas e de um
casamento de apenas uma vez por ,amana com Daus na aua casal Ahl
1110' casamento com a aua Esposa 7" (Mo, Ib. f 12, p, ").

Em conseqüência, os Meninos de Deus exortam:


"Nio amas apenas de pal....r•• mas por obras e em verdad., P.,..
IUha o teu dinheiro, rouj)II. ca.a. educaçlo a me.mo aexo com 0$ Que
preclsaml" (...d....'t.nel. da A1/6, mia do pai C'I/I, ". capa do loln.to).

Em srntese, os Meninos de Deus não são contrários ao


casamento, mas não aceitam a estabilidade deste e apregoam

-24 -
OS MENINOS DE DEUS 25

a lIberdade de uniões sexuais prom1scuas desde que estas


satisraçam aos interusados.
Aeusados pelo programa Flávio Cavalcanti de pregar o
amor livre. os Meninos de Deus responderam nos seguintes
tennos em carla aberta. publicada pela imprensa:
"Nlo no. .chamas no direito da nos Inlramalar na vida pu1lcular
dos membrol, le de.. jam ter ,.leç~ mall Inllmas com pulO" que
amam ou que acredllam poder aJudar a aproxfmarem-se ma" da O.UI•
• ando tal. peSIOas adultas • ,espc:ln,!vel.",
Impelido por tais hlêias, Moisés Davi louva a «prostitui-
ção», usando fórmulas capciosas e quase sacrllegas:
"t uma batalha da amorl Nlo' I'cll par. essas g.rotas ali, clda
"011., ma, 01.. del'rvlam 1110, N'o ê l16cll tor que .m8f tNas homo",
e d.nç.r com al81 e conver..r com eles metade da nolle e donnlr com
eles a oulra maladal
Mu e'e, amam Isso, porqua .abem que ê leu trabalho a seu dever
e !!IU chamamento e lua vocaçlo e lue lula e lua batalhai
Elas alio bo"l eotdados I Eu ostou 110 orgulhoso delas I
Graç.. a Deus por um bom loldado, um verdadeiro s.oldado, que
sabe c:omo lul,r, como usar a arma da palavra, e como manaJl-11 -
mesmo "a camal" (Mo, Lu"doras, 2119176, nq 531, p. 6, §§ 65-68).
Como se vê, tais idéias dlssemJnam a perversão total sob
a capa de serviço a Deus - b que realmente ·vem a ser
sacrílego,
EIs ainda palavras de Mo:
'ONlo hl'll. uma linl\a d. dlstlnçlo entra os dole, carne a "plrlto.
Nlo havia rnelo-eamlnho, nlo hlvle 'quase'. TInha que ler 'tudo ou
n.a,', ou ele, "lo aerlemarlam que .ra amor verdadeiro. Elal nlo
podiam entendar como voe. podia 11 oferacer par. encher os seus eo....
çOes, mil nlo lOUS corpos, 5aUslazar . lulI almu, mas nlo SUl carne
faminta.
o. dois eram Ins.p.r.....rs, um nlo podia passar sem o outro, •
nós Unhamo. que aUmantar a MlbOS, Como o ApÕSlolo TIago declara
tio claramante naquela ~lIa9am (2,15-U) aquI cUada: 'Se um Irmlo
ou um. Irm' ."/vet.m eareeldol da roupa a neceullados da alimento
colidia no (uma neceslldada Uslea euenelal como aexo), e qualquer dan-
tra v6a lha dls"r: 'Ida am pu. aquecel-vol e lartal-vos, aam contudo
lhe d.rdas o neultArlo para o corpo, qual' o proveito disso?' l i .
Grande número dos panfletos dos Meninos de Deus fazem
eco a tais concepções.

-25-
26 . PERGUNTE E RESPONDEREMOS, 229/1979

2.3. _Cri...
e dlf1cll perceber e.través dos panfletos de Mo se os Me-
ninos de Deus aceitam ou não a Divindade de Jesus Cristo.
Reterem·se constantemente a Jesus como homemj têm·no
também como Deus? Talvez os Meninos de Deus não pen.
sem em eJaoorar algwna teologia ou CrlstOlogia. Herdeiros
da lé protestante, de que o pai Davi era outrora professo. é .
provável que tenham dllwdo as crenças originárias do pro·
testantismo; hoje dão mais énfasê ã. emobvidade sentimen.
tal. alimentada por JgnorA.ncia religiosa e falta de cultura
geral lou mesmo por uma atitude predefinlda de contra.cul.
tura ou de desafio 'À cultura vigente, com tudo o que ela
possa ter de bom e de mau).
Procuremos agora (ormular

3. Um iuízo $Ob,. a temática


Após quanto (oi cUto, na base de textos mesmos dos
Meninos de Deus, verifica.se que este Movimento merece
severas restrIções:

3 .1. Pontos nqathro.s

3 . 1 . 1. $uperf1dallc:!ocLt e ....otlYldod.
,
Como OS demais grupos da cJesus-Revolution'. os MenI.
nos de Deus carecem de nocóes adequadas a propOs1to de
Jesus Cristo e do Cristianismo. No Brasil, muitos não têm
a instru;ão do segundo grau ou, às vezes, nem Q do primeiro
grau completo. Isto os ' torna superficiais e, não raro, irreve·
rentes e Uberttnos. Utilizam as 'Escrituras Sagradas à luz de
certa tradição protestante; todavia ignoram os resultados da
exegese contemporânea sadia. Acontece também que mes·
clam os dizeres do l.Jvro Sagrado com dados de creve1ações.
particulares, produz1ndo assim uma mensagem eclética, apa·
rentemente blbU,?" mas fortemente subjetiva e fantaslsta.
AliAs, os Movimentos reUgiosos jovens de estilo chippie.
são prejudicados pela sua nota de antlintelectualismo ou por
falta de formaçã.o fUosófico·doutrinária. Esta lacuna amea·
-26-
os MENINOS DE DEUS 27

ca·os de inconsistêncla. pois a fantasia e as emoções são


volúveis; nada de estável se pode construir sem a luz da jnte.
Hgênc1a. Mesmo as atitudes reUglosas do ser humano têm
que ser baseadas em premissas racionais e filosóficas para
ser autênticas; em caso contrário, degeneram em falsas mIs-
ticas, atrás das quais se ocultam paixões e afetos, por vezes
desregrados, dos respectivos «mlsUcos •.

3.1 .2. AMor _ CGI\'IOD

Precisamente esta última hipótese se realiza no Movi·


mento dos Meninos de Dew. Apregoam, em todos os seus
escritos, o amor - valor inestimável. Todavia sob o rótulo
do amor se esconde, no seu comportamento, a paixão instin·
tiva e desenfreada.
Alguns fasdculos do grupo aio sigilosos. isto é. priva-
tivos dos membros do Movimento: trazem. por isto. a sigla
SD (Só para. Disclpulos). 1: justamente nesses panfletos que
mais se manifestam os equivocos a respeito de amor; pro·
põem. em linguagem por vezes pornogrâfica, a saUsfação dos
instintos camais ou o «amor. grupal (= sexo grupal), com
dissolução da larrúllaj os desenhos ilustrativos que acampa·
nham tais textos. são abertamente lascivos. Tenham·se em
vista especialmente «A Batalha da Cama» e «Uma Esposa••
fasclculos dos quais já transcrevemos trechos nas páginas
anteriores.
Os Meninos de Deus disseminam suas Idéias e fazem
prosélitos nas ruas, oferecendo ajuda a quem pareça. neces-
sitado; podem até d15por.se e. trocar o pneu baixo de um
carro ccmo também podem oferecer o amor sexual de al~
guma das suas clnnãs em Cristo.; essas c1nnás em Grlsto.
à noite. nos lares dos Meninos de Deus, tornam·se «esposas.
ou Instrumentos de satisfação para OS rapazes em absoluta
promiscuidade. Isto tudo é pratieado sob a alegacão de que
a única lei de Deus é o amor.

A conquista de adeptos nas ruas é chamada «pesçagem ••


«pescaria •... e «pescaria em anzol de aco. (...:.. através do
sexo). Para este fim são uUlizados os mais simplórios, que
os lideres e os mais esclarecidos envIam às ruas para ca
p~scagem de ruu; também esses Innãos menOS instruIdos

-Zl-
28 ..PERGUNTE E RESPONDEREMOS:) 229/1979

são utilizados em trabalhos domésticos, como lavar pratos


e limpar o chão.
Transerevemos aqui o depoimento de alguém que, a titulo
de estudo, f~Uentou lares dcs Meninos de Deus:
"Janbtl com eles. Camem 1'10 chio .obre eslalras de palha.. Fazem
oraç6es Inlclab • durante o jantar citam versos que ant.clpadament.
dacoram da Blblla. . cantam eanç6ea retirada dos salmos ou da livros
.,plrlluall ou ainda Inlplradas na vida d. Slo Francbeo de Assb, que
eln 'Am como arauto,
Todavia a Imegam da pobrlJZll , contrastada por residirem em bela
eas... belra·mar com um. 1 1.111& • Ir6. quartos, lelelone e ,lnl.Co no
piso, lO preço d. Cr$ 1,000,00.
Após o ,a"llr, pargunta'lIm-ma la aatava com fome sexual; ceiO o
desejo... 'arla prontamente uma ClII 'lIpoUS' .. minha dlaposlçlo,
"'nlm 118m çom 10ClOf oa qua chegam, citando aempre SAo Paulo, que
dIZ; 'Para Of PU'Q" tudo' puro' (TI 1,1.5) ou aquela puaagem: 'Sa
leu olho' mau, qulo dana0 lario as lrav,".I' (MI 6,22s) , .-..sIm pro·
curam c.rtas pauagens da Blblla que podem tacllm.nte conlundir o vlsl-
tenla manol avisado,
Duranto o ,anla, perguntei paio Irm.lo N.N., que havia conhacldo
no gNpo O que nlo lelevo • m.... Oiseeram·ma que ai. 8sla"8 ',er-
vindo • Oa".', ocupado no momanto, e que jantaria dapol •. Julguai
enllo que o referido irmlo estlva..e am J.jum ou oraçAo, por no.ma
mfslica do grupo. Mas, após o janlar, avl!lel o IrmAo !aJndo ... do um
dos apolentol 8eampa"hldo de uma ne6ma, onde .,Uve'8 em raJlç&es
sexuais 'no •• rviço de O IUS' ".
A titulo de filantropia ou de proselitismo. os Meninos
de Deus realizam espetáculos teatrais em colégios, crfanatos.
penitenciãrias, nos quais ridicularizam a sociedade de con·
sumo e as Instituições do Cristianismo.
Paradoxalmente, freqUentam boates, onde se entregam
ã. bebida. Não somente freqUentam «festinhas.. , mas as pro-
movem, a fim de «ganhar almas para o Senhor .. ; o vinho e
outras bebidas alcoólicas circulam então, pois, dizem. _assim
ê licito em todas as famílias cristãs,.

3 .1 ,3 . O fim do mundo

A expectativa do próximo fim do mundo, alimentada


pelos Meninos de Deus, é uma das notas das seitas modero
nas. Julgam que o mundo vai mal (o que não é difícil per·
ceber) e que só Deus lhe poderá dar remédio, intervindo de

-28-
os MENINOS DE DEUS 29

maneira drãstlca, numa catástrofe e num ju1gamento finais.


A expectativa dessa manifestação do Senhor na história é
apta a entreter o fervor e fomentar o proselitismo dos mem·
bros das seitas; estes vêm a ser os privilegiados ou aqueles
que têm • graça da salvação próxima em meio à crescente
perdição da humanidade.

Não é nova a expectativa de eminente consumação da


história; jã no século V, quandG os bárbaros invadiam o Im-
pério Romano e os cristãos sofriam graves tribulações, a
solucão parecia ser a vinda do Senhor como Juiz para põr
termo aos séculos. A mesma expectativa se fez sentir nos
séculos subseqUentes, sempre que a humanidade passou . por
fase mais caJamitosa. Hoje é natural que ela prorrompa
mais uma vez, visto que os tempos são árduos. Isto, porém,
não quer dizer que Cristo hã de voltar realmente em breve.
Os cá1culos: pl'oduzidos pelos Meninos de Deus são lnconsla-
tentes e nada slgnUicam, pois utilizam textos de Daniel ~
outros autores bibllcos sem conhecimentos exegéticos e sem
compreensão do sentido originârio de tais passagens. A.de-
mais as reVelações particulares feitas a Vovó são algo de
arbitrárIo.

3 .1 .4 . Colobora{Go 011 fuga 1

Tais ponderações levam muitos cronistas contemporâneos


(e com plena razão) a perguntar se o Movimento dos Meni-
nos de Deus nAo vem a representar antes uma fuga ou um
aUbi de alguns jovens em relacão às tarefas que eles deve-
riam assumir na sociedade. - Mesmo quem não concorda
com os critérios e o rItmo de vida da sociedade contempo-
rAnea, tem a obrigação de ne la pennanecer. a fim de contri.
buir para a renovar e restaurar sobre novas bases. Esta
tarefa de ficar para contribuir na reforma é mais árdua tal-
vez do que a de se marginalizar e opor um protesto iITa-
cionaJ e emotivo; além do que, exJge boa dose de humil-
dade e renúncia da pessoa a s1 mesma.

3 . 1 .5. Institvdonallzasão _ carisma

A reacão dos cChUdren of God» (e de Movimentos para-


lelos) contra a insUtucionalização dos carismas, ou seia. con·

- 29-
30 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS, 229/1979

tra a organlzaçio e o jurldlsmo e, em especial, contra a


Igreja visível e institucional tem c:edldo a novas formas de
lnstitucionaUzação, de estruturação e de autoritarismo den·
tro do próprio Movlmento. Entre os cChUdren of God, é o
cchalrman_ quem decide tudo i ao que parece, a comuna ou
a cfamWa_ não deve lnfIuir na escolha do cchalnnan,. repr;e.
sentante de Cristo. Este mesmo nAo foi escolhIdo, mas esco·
lheu os seus discipuJos. O autoritarismo rigido faz que a.
estrutura de uma cfamilla. de Meninos de Deus seta muito
simples: reduz-se a uma cadela de comando_
Allãs, tem sido esta a sorte dos reavlvamentos norte-
-americanos: tentam reafervorar denominações cenvelheci.
das'i entram então em choque com a hierarquia e chegam à
ruptura. mas em breve tornam-se novas seitas soUdIflcadas
e endurecidas por rigidas estruturas.

Após as observações criticas até aQ.ui propostas, não


poderíamos deixar de apontar outros aspectos, menos som·
brios, do Movimento em foco.

3.2. lendo nas entre-Iinhas _ ..

3 . 2.1. Osemomlstico

Como os demais Movimentos religiosos dos jovens do


nosso tempo, também o dos. Meninos de Deus equivale a
uma afinnacio do senso nústlco inerente a todo ser humano,
mesmo no séc. XX. Manifesta-se desta forma uma reação
contra o materlalJsmo. Esboça.se um despertar de consciên~
eias para 'Os males que os critérios da produção c do con·
sumo vêm infligindo à sociedllde contemporânea.

Infelizmente, po~m .. os jovens que aderem a tals Movi-


mentos não têm Idéias claras a respelt'O do que queremi apenas
sabem o que não querem. Multas deles procedem de ambien-
tes sofridos, passaram por dramas materiais ou morais.
conheceram soUdão, abandono e decepções, e apegaram-se à
nova mistlca como tlbua de salvação, sofregamente abraçada
e entusiasticamente professada. Multas podem estar iludidos
em sua consciência fraca ou mal formada. Mereceriam aten-

-30-
OS MENINOS DE DEUS 31

çio, esclarecimento e acompanhamento benévolos, para que


possam encontrar a Resposta Autêntica para as suas aspi-
rações.

3 •.2 . 2 . A fwentude • a fé

Também se pode reconhecer com aprece o fato de que


grupos de jovens em nossos dias falem de Jesus e da DibUa
Sagrada, ou seja, de temas religiosos, quando tantos homens
se embotaram para esses valores ou têm vergonha de pro-
clamA-los. Os jovens, do seu modo, parecem dar testemunho
de que a reUgJio, longe de ser um valor ultrapassado ou o
ópio do povo ou algo de alienante, é realmente capaz de
fazer vibrar 11 juventude. Apenas é de lamentar, como dito,
Que os jovens cmistioo9:t de hoje careçam de formação dou-
trinâria e de profundidade religiosa. Compete aos adultos
procurar comunlcar.lhes esta dimensão que lhes falta, ten-
tando canalIzar para a Verdade e o Bem o entusiasmo emo-
cional e um tanto caótico que os anima..

i.. Du"a da bibliografia:


ABREU, A., CaI"iG08 PentecCMlt'" e oulro. ca.llfII"lcCMl nos &~
dos UnldOl, In "Aluallzaçlo" 32, agoslo 1972. pp. 341-361 .

BLEISTEIN. R.. .I"ut-B_._IIlftD, Jugend uNI Klrche, in "Stlmman


der Zell", Jull 1972, p. 1•.

[)USCHESNE, J .• JHu..Revolutlon INde In U. S . A., In "Elude. ",


luln 1972. pp. 803-821 .
OORY, A., Eln Wort f.htl: V.r.ntwortunlJ. In "RhelnisCher Me'kur"
de 27107l11J73, p. 22.

PR 184/1975, pp. 1.175.

WhoM QlJldrent, In ''TIme'', ,anue'Y 24, 1972.

- 31-
CiêncIa ou "cçlo 1
discos voadores: sim ou não?

Em slnlHe: o lenOmeno dos discos voadoras ou OVNI (Objetos


VoadO(es Nlo Idan1l11c8doa) desde t~1 vem despertando a alençlo do
público com carta Inalatancla. Facilmente oa nollclirloa o usoclam ..
exlstêncla da habItante. em oulroa planatas a • teses Imaginosa. Ou
lanta, lst.,. li! o que tem provoc:ado • re,erva dos clenllslu dlanta dos
rumores concernentes ao . ..unlo.
Todavia hoje em dia o aceNO de casos da observaçlo de disco.
voadores a tal que o fen6meno parece poder merece, a atençlo dos
cientistas. Considerado de modo objatlvo. o problema deve ser formu-
lado em duas etapas:
') Cartos ca.os da patcap~lo da OVNJ Corraspondem a ume rea-
lidade obJelJva que n&o posse sar Identificada com alguma du realidades
hoje em dra reconhecida. pela cllncla?
2) D"d. qua a respoala saJa allrmatlva, pergunta-5a ulteriormente:
- e"8 realidade nova poder! .er explicada pelas reis das cl'nclu
naturala hoje vlgantea?
- . ,. ou só pod.,. Ulr elueldada palas leIs de um al,teml de
FIslcl Intetramente I'IOVO?
- ." ou .Ó' . . axpllca pala IntaNançlo de ura. extra·le,re.ll.
dotado. dI Inlellg'ncla?
Ao qunlto n9 1 po<Ie-se responder allrmltlvarnenle, embora • grande
maIoria doa casoa tldoa como da dlscoa voado,es nAo "iam leis,
Ao complexa qunlla n' 2 nenhuma ,esposta ' segura pode ur dada.
Da moela especlel, .. hlpót... de habitantes em oulras planata. • •
defronla com ,'11..
dificuldades, vlal.. l i enorma. distancia. qUI ..pa-
ram a Terra de outro• •"ros eventualmenle habItados. Como quer que
seja, a 16 nIo " opo. a 111 ,upo,lçlio.
Em suma, partce Importante que l i It9tuda a quesllo doa OVNI
para que melhor se pcnal!l ai dlscemlr dos etementos lutulolOl o
que ela po... oferecer de "rio e digno de unlrlar atençio.

• • •
Comentirlo: Não é raro ler-se nos 10mals a notlcla do
aparecimento de algum «disco voador:. e das conseqüências
de tal fenômeno entre os habitantes de determinada região.
Aos 24/10/78, por exemplo, o domai do Brasil . noticiava:
cPiloto australiano desaparece eom seu avião depois de encon·

-32 -
DISCOS VOADORES? 33

tro Imedlato de 3' grau. (cad B. p. 5); tratava·se d. ~.


derJck Valentlch, que descreveu o OVNI (objeto voador não
Jdentlfl08do) durante seis minutos antes de desaparecer, e
intormou que o motor do seu Cessna-l82 começava a falhar.
No dia seguinte (25/ 10/78). o mesmo periódico, à p. 8 do
l ' Caderno, publicava a manchete: cCientista garante que
foi OVNI. e náo cometa, o que caiu na Sibéria há. 70 anos»,
A freqüência com Que semelhantes noticias são difundidas,
assim como o interesse que no público desp~rt.am, levam-nos
a procurar estud8l' o fenômeno dos dIscos voadores (OVNI)
nas pAginaS de PR. Cientes de Que o assunto se presta a
vãos devaneios da fantasia, abordA·lo-emos em esWo sério e
objetivo, procurando apenas infonnar os leitores sem ante-
cipar solução alguma para as questões assim lançadas.

1. Observa~ão prellminor
Há decênios que a Imprensa tala de discos voadores não
só no BrasU, mas no mundo Inteiro. Principalmente a partir
de 1947 as notlclas 8 propósito se têm multiplicadO; a princi-
pio, os cientistas consideravam, de certo modo, ridiculos tais
rumores; um estudo maiS aprofundado dos fenômenos assim
apregoados parecia cherético». Em nossos dias, não se pode
dizer ' o mesmo: embora os cientistas continuem reservados
no tocante ao assuntc, já vârlos admitem dedicar·lhe sua
aten;ão_ Fala-se mesmo de Ufolagia,. nova ciência que versa

-
sobre os 1JFO. ou seja. Unldentlfled FI1iDg Objecto (objetos
voadores não identifIcados).
No Brasil, as noticias referentes a discos voadores são
exploradas, entre outras correntes de pensamento, por seitas
e 6Ociedade.s relleiosas ou miSticas, que procuram em tais.
fenOmenos a conflnnação de suas crenças e alimentam a fan-
tasia popular de maneira, às vezes, doentia ou allenante. 1.:
Isto que exige especial sobriedade da parte de quem deseje
cultivar a objetividade c1entlfica neste particular. Tal seja,
pois, a nossa atitude diante do discutido fenômeno dos discos
voadores: procuraremos distinguir nas diversas noedas regis-
tradas sobre o assunto as que possam merecer atençio, e
tentaremos indicar as trilhas para um encaminhamento sereno
dos respectivos estudos.
Comecemos por examinar o histórico e o estado atual
das pesquisas.

-33-
34 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS~ 229/1979

2. O.... m 8 hoje
2 . 1. Irew hlst6rfco

1. Há quem pretenda começar a história das observa.


ções de discos voadores em 1897. Com efeito, uma pesquisa
realizada em jornais provincianos dos Estados Unidos reve-
lou que jã naquele anCt a imprensa norte·americana noticiara
fenômenos que multo parecem ter-se assemelhado aos dos
OVNI.
Todavia foi somente após a guerra mundial de 1939.1945
que começaram a ser propaladas de maneira. mais ass1dua e
slstemliUca noUclas sobre discos voadores. As autoridades
militares norte-americanas mostraram interesse pelo assunto,
visto que poderia tratar-se de produtos bélicos lançados pelos
adversAtios. Em 1947 foi constltuida pela U. S . AlI' Force
uma comissão próprIa para estudar a questão ; essa comissão
trabalhou ampla e minuciosamente até 1966 e coletou a sua
documentação num grosso dossiê ou t:Livro Azul.; tal cole. .
tânea se conclula com julgamento negativo ou cétlco ares·
peito dos U . F.O . ; parece que havia Interesse, da parte dos
militares norte-americanos, em diminUir, perante a opinião
pública, a atração do fenOmeno 1. Els, porém, que a própria
U . S . AlI' Force solicitou em 1966 a um Comitê de pesqulsa-
dort!S e cientistas da Universidade de Colorado que estudasse
também o fenômeno dos OVNI. Ora esse Comitê publicou
em 1969 o resultado dê seus estudos num livro de cerca de
mil páginas intitulado cScienti1ie: Study af Unidentified F1y1ng
Objects. (New York 1969) . Ta1 relatório foi criticado como
sendo tendencioso el por isto, contrário à existência de discos
voadores; logo no inicio do livro, o DI'. Condon, presidente
da Comissão, expunha considerações que insinuavam nada
haver de sério na problemAtica. dos OVNI. pois os arautos
das noticias referentes a estes haveriam sido, em muitos:
casos, comprovadas vlti!"1as de i1usót!s.
2. Apesar disto, as pesquisas sobre discos voadores
prosseguiram tanto nos EE.UU. como no estrangeIro, de tal
modo que hoje em dia mesmo cientistas de renome reconhe~
cem que o fenômeno merece ser estudado objetiva e clentifl·
camente, sem paixões nem emotividade. A pesquisa assim
1 AI16a, esse l"terelSe restritivo é registrado. I. 811U modo. pelo fllmll
''Oon'-:IO. Imedlatol do 3" grau"; cf. PR 225/1978. pp. 39~404 .

-34 -
DISCOS VOADORES? ·35

concebida não s1gnilica que se · admita de antemão a exis·


têncla de habitantes em outros planetas, nem que se favo-
reça determinada corrente reUgiosa ou fUosófica. Trata-se
apenas de tentar apurar o que haja de veridico e de falso
no acervo de D<lticlas coletadas a respeito do fenômeno e de
procurar saber quais as plauslveis explicações para os even-
tuais ratos reais.

2.2 . Hol. em dia . ..

No grande dossiê dos dIscos voadores até hoje ObseIV8-


dos, eis os dados que mals salIentes parecem a um estudioso
contemporâneo.
a) Mais de cinqUenta mil casos estão hoje em dia ficha-
dos l à disposição dos pesquisadores.
b) Os estudiosos têm I«Orrido à estatistica: levando
em conta os lugares geográficos nos quais, em determinada
faixa de tempo (relativamente breve), os fenômenos de dls.
cos voadores têm sido observados, chegaram à conclusão de
que por v~ tais fenômenos se distribuem segundo um
arco, como se o objet<l não Identl!lcado se f<lsse deslocando
dentro dos parâmetros de rigorosa geometria linear. Esta
característica de alinhamento temporal e espacial dos QVNI
ê chamada ortotenla. Há quem a conteste, enquanto outros
estudiosos dizem conhecer mais de quarenta casos de OVNI
que começaram a ser Vistos nos Estados Unidos e foram pouco
depois observados na França, chegando a atravessa. o ter·
ritório francês.
c) Para evitar as ilusões óticas, os cientistas têm recor.
rido ao radar. Os reswtados da aplicação do radar para
detectar OVNI foram, pela primeira vez, expressos pelo MI·
nistro do Exército da França, Ga1. Robert GalIey, que decla.
rou em 24/ 02/ 1974:
"RegIstraram-se na França observaçOos de radar para as qual • .,10
h4I expllcaçlo. Temos tamblim o testemunho de pilotos mfl1tares a res-
palto doa OVNI ... Nessa. 'enam.nos .'raM. fenbmenos visuais (nlo
digo mais do quo Islo), que forem roglslradOll sob a sigla OIJNI, 1\1 certo
que IXI.lem elementos que escapam" nOl$e compreenslo e que até o
presente mome.,to Itcem relallvamente Inexpllcados. Eu diria mesmo: nlo
se pode recuser o falO de que em nossos dlll3 cerlos fenômenos atmos-
"rlcos ficam Inexpllcedos ou mal explicados".

-35-
36 ..PERGUNTE E RESPONDEREMOS» 229/ 1979

d) Como dito, quem aceIta estudar seriamente o fenO-


meno dos dLscoi VOadores, nao está necessariamente ace1-
tanC10 alguma tese l'ellSJosa ou f.llosófica. Em testemunho
desta afllTll8.çA.o, publicamos, a seguJr, a lista de dezesseis
expucaio'OeS que os cientistas dão à grande malorla dos fenô-
menos que popwannente são apresentados como indices de
discos VoadOl't!S. Os OVNI seriam:

- estrelas ou astros brilhantes em pleno dia (principal.


mente Vênus) ou
- sondas espaciais isoladas ou em cadela, ou
_ sa~lites artlHcloos (principalmente desde o .final de
1957), ou
- satél1tes que, caindo, entram na atmosfera terres-
tre, ou
- meteoritos, ou
- foguetes ou destrocos de foguetes espaciais, ou
- nuvens que tenham a forma ele lentes, ou
- grupos de aves emigrantes. ou
- reflexos de faróis de carros e de Incêndios, ou
_ fenômenos de ionização do ar (fragmentos resultan·
tes de explosão atômIea), ou
- annas secretas e aparelhos voadores secretos, que
estão sendo experimentados. ou
_ ralos laser, ou
_ resultados de Ilusões óticas, ou
_ resu1tados de alucinações, isoladas e coletivas, ou
- efeitos luminosos diversos associados ao sol e à lua, ou
- objetos de visões m.!sUcas tidas por pessoas fanátlcBS.
Todavia, mesmo excluindo do estudo todos os casos sus-
cetiveis de alguma das expl1cações acima, ficam outros (tal.
-36 -
DISCOS VOADORES? 37

vez uma porcentagem de 5% apenas) que em absoluto não


são enquadráveis em algwna de ta1s hJpOteses.
e) Faz.se mister outrossim observar que existem, sim,
fotografias de OVNI suspensos no ar; todavia não hã foto·
grafia de OVNI pousado por terra ou sobre o mar, nem hA
fotografia de tnpuJante desses objetos voadores. ~ arbitrá..
no dizer.se que os plIotos de tais cnaves espaclals~ são
pequenos e verdes (UWe grten men).
Em 1.750 ou mais: casos de aterrissagem, as testemu·
nhas dizem ter vlsto tripulantes do OVNI: seriam, segundo
certos observadores, de pequena estatura (1 m de altura);
em vez de escadas. teriam utilizado muletas para descer. da
sua nave espacial, ficando no solo as marcas dessas muletas.
Geralmente. dizem, mostraram·se esses visitantes propensos
a fugir ou desaparecer quando os habitantes da terra tenta-
ram aproximar-se deles. São raros os casos d@ pessoas que
digam ter vIajado em disco voador. As testemunhas que
procuraram chegar perto de algum OVNI, experimentaram
efeitos térmicos ou ondas de calor.
Não obstante, entre os cultores da Ufologla, há os que
julgam poder adJantar a seguinte tese, que tem o sabor de
ficção cIentIfiça:
Os diversos discos voadores até hoje conhecidos podem
ser reduzidos a triI ou quatro tipos de aparelho perfeita.
mente definidos. Os. seus pilotos pertencem a dois tipos hu·
manos, que operam independentemente wn do outro, mas, às
vezes, também em mútuo enten<llrn.ento ou mesmo consti.
tuindo tripulação mista: o primeiro tipo seria de gente de
balxa estatura (1 m aproximadamente) com membros multo
finos , cabeça. grande sem nariz e sem boca, mas com olhos
de fonna alongada; o outro tipo seria gigante, com a altura.
física de cerca de 2 m e aparência mais semelhante ã nossa
Os especlaJlstas nesse campo de estudos dizem que, na
base de trezentos casos bem observados, podem reconstituir
os dois retratos· padrões dos visitantes. identificados por
caracterlstlcas constantes. Sendo assIm, ju1gam poder distln·
guir dos verdadeiros casos de aterrissagem aqueles que são
falsamente Imaginados.
n Entre as ctestemunhas. de discos voadores encon~
trem.se, no Brasll e fom do Brasil, profissionais de diver30s
-37-
38 .. PERGUNTE E RESPONDEREMOS, 229/19'79

tipos de acoI:do com as caracteristicas soclológlcas do pais.


Todavia apenas 10% dessas testemunhas são pessoas de certa
projeção pública; há quem julgue que, quanto mais alguém
tem. responsabilidades sociais, tanto mais receia dar testemu-
nho público a respeito de OVNI.
CCl'Ca de 60 ,* das testemunhas são adultos, isto é, pes-
soas cuja IaL'(a etária vai dos 20 aos 60 anos.
g) A duração da obseiVucão do QVNI é geralmente de
poucos minutos; as testemunhas observam a olho nu ou com
binóculos ou mediante câmara fotogrâfica.
30% das observações têm ocorrido durante o dia, e 70 %
à. noite.

h) 70% das observações se devem a grupos de duas


testemunhas; em poucos casos grandes aglomerações de pes-
soas atestaram o fenômeno de OVNI.
I) O número das observações está em função direta da
nebulosidade. do céu. Isto é importante porque mostra a
índole visual do fenômeno. Assim, mais de 60% das obser.
vaçõcs ocorreram sobre um céu claro a mais de 10 km de
distância, c 25% n meno.'S de 150 m.
j) 60 % dos OVNI são móveis e rápidos. Em 45 'ftt dos
casos as testemunhas dizem que observaram trajetórias com-
plexas: os OVNI teriam descrito curvas e arabescos com brus·
cas mudanças de direção. As vezes os OVNI parecem parar
em pleno vOa e recomeçam a viagem bruscamente de modo
a desafiar todas as leis da Fislca e da Mecânica. A veloci-
dade dos OVNt é. não raro, fulminante: ~m poucos segundos
percorrem a abóbada celesle; calcula.se que, em linha reta,
perfazem 2 .500 ou 3.000 km por hora, sem, porém, pl"O-
duzir ruldo algum.
k) 20% dos testemunhos aflnnam que os discos voa-
dores atelTissaram. Na metade dos casos de aterrissagem,
o lugar ela terra escolhido para tanto é de população pouco
densa. Também na metade dos casos de aterrissagem. os
OVNI deixaram vesUglos de si no solo por eles atingido;
esses vesUgl05 são marcas de pés (três ou quatro pés no
centro de um circulo) . Os estudIosos tentaram calcular a
massa necessária para produzir tais vestlglos em função das
-38 -
DISCOS VOADORES? 39

oaracterlstlcas dos diversos solos; chegaram à conclusão de


que tal massa deve ser da ordem ele dez a trinta toneladas.
Nos lugares marcados pelo contato com diScos voadores, obser.
varam·se notáveis depOsltos de cálcio.
Eis alguns dos elementOs contidos nos registros de arqui.
VOs concernentes aos discos voadores. ' Uma vez feito tal
levantamento sumário, Importa tracar as pistas de reflexão
sobre os mesmos.

3. A InI.rp,.la~ dot dados


Uma das fontes de ambigüidades no estudo dos OVN1
está em que geralmente as pessoas não 'distinguem suficien·
temente
1) entre fatos e clatos. e
2) entre as diversas explicaC6es que possam ser dadas
80s fatos eventualmente reais.
Ao contrário. o público é propenso a associar aparentes
fatos a determinada interpretação religiosa ou fUoSOfica. Por
isto. em vez de nos perguntarmos: «Somos favoráveis ou
contrários aos discos voadores?~. teremos que considerar
separadamente duas questões no noaso subseqüente estudo:
1) Reconhecemos que aO menos alguns dos elementos
observados no tocante aos OVNl correspondem a rea.lldades
objetivas Ql,le não podem ser enquadradas no rol das reall·
dades -objetlvas até hOje conheddas!
2) Em caso afinnatlvo. julgamos que tal realidade obje-
tiva poderá. ser expIleada a partir das leis físicas atualmente
conhecidas ou cremos Que só terá elucidação em função de
conceitos de outra ordem l'
1: ao estudo destas duas perguntas que, a seguir. nO$
dedIcaremos.

3 .1. Fatos. datos» Inexpnc6ftls

As noticlas concernentes a OVNI baselam.se


1) ou sobre a pe.rceWão direta que as testemunhas
dizem ter tido em re1açAo a tais objetos;

- 39-
40 cPERCUNTE E RESPONDEREMOS~ 229/1979

2) ou sobre fenômenos fIslcos, que seriam conseqUên.


elas da passagem de um dl.sco voadorj
3) ou sobre ambos os dados.
Examinemos cada qual destas hlp6teses, de per 51.

3 . 1• 1 . 'ercepsão dI ....a

A primeIra Indqação que esta hipótese sugere, é a de


saber em Que medida a percepção foi fiel à realidade. Na
maIoria dos casos, essas percepções diretas foram reconheci·
das como meramente subjetivas (erro, ilusão, imaginacão) ou
até como fraudulentas. . . Entre ClUtros, sabe-se que o escri-
tor Adamsky apresentou como verld1cos relatos romanceados
de viagens em disco voador aU o planeta Marte.
TodavIa. numa minoria. de casos, que, mesmo assim, são
numerosos, tais percepções foram comprovadamente baseadas
em realidades Objetivas. :e a esta conclusão Que levam as
seguintes ponderações:

a) muitas obsetvaçães de OVNI são devidas a pilotOs


de aviões e controladores de navegação aérea, cuja profissão
implica aptJdlo especial para discernir e caracterizar objetos
no espaço.
b} As observações do homem da rua exigem natural.
mente mais reserva. Mas nem por isto hão de ser despreza.
das. Em alguns casos foram idênticas às dos especlallstas.
Foi o que aconteceu em 1973/1974 quando um foguete russo
entrou na abnosfera; as observações de cidadãos e campo..
neses coincidiram com as que foram efetuadas nos observa.
tórlos.
c) Uma noticia Isolada, mesmo quando proveniente de
bom observador, pode ser objeto de reserva. O mesmo, po.
rim, não se diga quando um tenôme-no é observado de Igual
modo pOr' diversos obset"Vadorêl Independentes uns dos outros.
Ora numerosos OVNI foram reconhecidos em tais condlc6es.
d) O estudo estatistlco dos casos de OVNr apresenta,
por vezes, caracterlstlcas que não ocorreriam se se tratasse
de fenÔmenos meramente subjetivos; assim. por exemplo,

-40 -
DISCOS VOADORES!

- tanto maior é o número de observa.cães de OVN1


quanto mais lhnpo e claro está o céu. Isto significa que tais
observações respeitam os limites da visão humanaj
_ entre as 'teSternunhu de OVNI enCQntra-se todo o
leque das diversas faixas etárias e das categorias sócio·profis.
slonais da populacão considerada;
- o número de observações registradas no mundo inteiro
coincide com a densidade de população de cada nação em...
dada;
_ os relatos das testemunhas levam a atribuir aos OVNl
certos traços constantes, a saber: os efeitos físicos atrás
assinalados.

3.1 . 2 . Efeito, Rslco. dos OVNl

Tais efeitos físicos podem ser de índole ótica (fotogra.


fias, fIlmes) ou de indole violenta (queimaduras, ação mago
nética que resulta na imobilização de um carro, na extinção
de seus faróis, n4 parada de seu rádio ... l. Tais efeitos po·
dem ser acompanhados de testemunhos diretos. lt notório
que pessoas inescrupulosas falsl!lcaram cfotograflas de dls·
cos voadores~.

3.1 .3. Uma primeira triagem ."tr. fetos reais

Uma vez averiguados fenômenos reais e objetivos, o


estudioso deve procurar saber se 'são realmente · estranhos ou
se não podem ser explicados pelos conhecimentos cientificos
contemporâneos. Ora em muitos casos os especialistas (f"tsl.
cos, astrônomos, rnetere616gos ... ) conclulram que tal ou tal
objeto. tido (!Orno OVNI .por um observador não especialista,
na verdade era um fenômeno meramente natural : meteorito,
que entrara na atmosfera, planeta, estrela, etc. Em outros
casos. porém, os especlallstas reconheceram que o objeto
percebido nlo podia ser cJassif"1C8do entre as realidades já
conhecidas; a estranheza náo raro provinha do tato de que
o objeto em pauta mudava subitamente de direçãO segundo
velocidade que as leis da Física não poderiam explicar.
Prossigamos as nossas reflexões procurando as posslveis
vias de explicações dos latos Objetivos reconhecide.mente
estranhos.
-41-
42 .PERGUNTE E RESPONDEREMOSlo 229/ 1979 _ __ _

3.2. As POulVell exp11casõ"

Os estudiosos e os cientistas Que reconhecem a realIdade


dos fenômenos de OVNI vêem-se hesitantes quando se trata
de explicar tals fatos. Três teses são então propostas:

1) Os fenômenos dos OVNI poderão um dia ser expli-


cados dentro do quadro das leis fislcas hoje conhecidas;
2) tais fenômenos poderão ser elucidados pelas ciências
naturais. sim, mas tão somente na base de princípios físicos
inteiramente novos;
3) os fenômenos OVNI não são puramente físicos; só
se explicam pela intervenção de seres extra-terrestres dota-
dos de inteligência.

t:: muito difícIl e delicado fazer algum pronunciamento


sobre qua1quer destas hipóteses. Como quer que seja, se-
guem-se a1gumas reflexões a respeito:

3.2.1. A Fiai,a e suas 1.ls

No tocante à hipótese 1), é naturalmente a primeira.


que o cientista e o estudioso honesto devem levar em conta:
toca-lhes o dever de tentar explicar 08 fenÔmenos novos à
luz das leis da ciência jâ conhecidas.

Ora parece que até agora nAo foram esgotadas as pers·


pectivas de explicacão por meio da Física. Hã, por exem-
plO, quem julgue que o fenômeno dos OVNI poderIa ser elu-
cidado se se pesquisasse um pouco mais o setor multo novo
da antlmatéria.

Outros julgam que os fenOmenos OVNI nfio são senão


robôs americanos ou russos. Tal hipótese, porem, é contes-
tada, pois não se vê como produzir robôs qUe tenham com-
portamento tão estranho quanto o dos discos voadores; nem
se percebe o "interesse que os Bmerlcanos ou os russos teriam
no uso de tais aparelhos, visto que dispõem de satélites, de
indole e funcionamento relativamente simples, que lhes for-
necem JnformaçOes satisfatórias sobre os acontecimentos ocor#
rentes na face da terra. .

-42-
______________~D~~~COS~~V~O~A~DO~RES~~'~____________ ~

3.2,2. 'rind,HOS fllleos lrnIrament. novos

A segunda hipótese conforme a qual se poderiam expU.


cu os discos voadores na base de principios flSicos lnteU'a·
mente novos, inclui um postulado:... postulado de nova F1.
sica. Verdade é que a histOria das ciências naturais revela
autênticas e revolucionárias surpresas causadas aos cientistas
pelo desenrolar mesmo de suas pesquisas. Assim certos fenô·
menos mecânicos e eletromagnéticos que pareciam misterio-
sos aos cientistas no inicio do século XX, foram satisfatoria·
mente elucidados pela eoncep~o de uma teoria fislca abso-
lutamente nova, que tol a teoria da relatividade.

3 .2.3 . . Habltant. d. outros planetca

Se bem que eata hipótese seja sugerida por alguns casos


mais significativos, compreende-se que os dentistas lhe opo-
nHam resistência. Tal explicação parece fazer recuar a clén·
eia aos tempos do animismo ou a uma concepção do universo
em qUe o milagre era algo de pressuposto e habitual; de tal
concepção a ciência se emancipou desde os tempos de Newtcn
(t 1727) - o .que 8 Ubertou de sérios entraves ao seu destll·
volvlmento.

outros planetu. encontraré. _riu


Mesmo, porém. que alguém queira admitir habitantes em
dificuldades para tomar
verosslmil tal hipótese. Esta langa. POla. novas 1nc6gn1tu ao
estudioso. Com efeito, tais seres viVos e lntel1gentes prove·
nientes de outros planetas deveriam ter constltulCio física e
longevidade bem diversas dos nossos padrões comuns. Na
verdade,
_ se nos )Imitamos à consideração do nosso sistema
solar apenas, verificamos que as'condlções de "existência dife-
rem proCundamente da terra para qualquer outro planeta.
Os seres vivos inteligentes que existissem em Júpiter deve·
riam poder nAo só 8Obreviver, mas mesmo sentir-se bem, A
temperatura de - 1400 C que caracteriza a superflcle desse
planeta I;
1 Vllrdadll , que oa ..I.IIIIIS dll JOpllllr 11 Salurno 610 cercados dll
atmosfera li dll um campo de arhldade .em.lhanl8$; aos da tena. Po-
der-se-Ia IInUlo imaginar que Ma profundidades desses planeta exblU.
vida ... li vida InteUgentel

-- 43 --
44 cPERGUNTE E RESPONDEREMOS, 229/1979

- se passamos para fora do nosso sistema solar. obser.


vamos que as imensas distâncias tomam altamente lmpro-
vAvel urna vls1ta de habitantes de tais regiões do espaço.
SIm; além de ter que gozar de grande longevidade, tais .seres
Inteligentes precisariam de veIculos cuja velocidade ultrapas-
sasse a da Juz - e que sã seria posslvel dentro dos parâ.
metros de outro sistema de Fisica. (sistema que dificilmente
poderia ser por nós concebido).

Hã. porém, quem contorne o problema levantando a hIpó-


tese de que os OVNI não são tripulados, mas apenas guia-
dos à distância por sistemas de sinais. Todavia mesmo esta
hipótese suscita reservas, pois que a transmissão de sinais
de comando só se taria dentro do prazo de dezenas, centenas
ou milhares de anos.

São estas ponderações que provocam em muitos cientistas


uma atitude de censura diante das noticias espalhadas por
periódicos de wlgarizacão ou ficção dentifica, segundo' as
quais o fenômeno dos discos voadores encontra a sua expli-
cação mais plausivel e natural na hipótese de visita de seres
extra-terrestres. Talvez por efeito da literatura de tlcção e
vulgarização científica esteja tão difundida a crenca em outros
mundos habitados. Uma pesquisa realizada em 1973 nos Es-
tados Unidos revelava que 51 % da população norte-ameri-
cana estavam convIctos de que o fenômeno dos OVNI se deve
a seres inteligentes extra·terrestres! ...
Da parte da fé católica, não há objeção á tese de que
outros mundos sejam habitados por seres intellgentesj a Reve-
lacão blbllca nada Insinua a respeIto, ficando, poIs, a questão
aberta à pesquisa dos cientistas. Cf. PR 225/ 1978, pp. 401s.
Tentemos agora, de tudo quanto foi dito, deduzir uma

4. Conclusõo
o fenômeno dos discos voadores tem dIvidIdo 0$ cien-
tistas,. pois, em parte, supõe dados que, cIentificamente, pare-
cem objetivos; em parte. porém, se prende à fantasia e Q
teorias mistlcas. Aliás, algO de semelhante se dá com os
tenOmenos parapsicológicos: enquanto multas cientistas os
ignoram. conscientemente, outros lhes dedicam eonsideracão
slstemAtlca e clentlf1ca.

-44-
Como quer que seja, segundo o atual estado das pesqui.
sas, pode.se di1:er que, no grande acervo de registros de
OVNI. ao menos uma pequena porcentagem merece atenção
por constituir categoria de fenômenos fiskos até esta época
desconhecidos ou não elucldados. For conseguinte, vé·se que
estudar tais fenômenos ini!xpllcados pode ser tarefa de cien·
tista sério e honesto, tare1a independente da hipõtese de exis-
tirem habitantes em outros planetas. Infelizmente, porém,
há quem confunda a pesquisa sobre os QVNI com a a~ita­
ção desta hlp6tese e de numer~as concepções fantasistas que
multas vezes a acompanham,
:.::: oportuno Que os homens de ciência consagrem um
çouCQ de sua alencão ao fenômeno dos OVNI. Somente assim
este sera examinado com seriedade e se dissiparão não pou·
cas teses Imaginosas qUe alimentam Indevidamente a curio.
sldade do público.
No atual estado das pesquisas, seria afoito querer tomar
posição definida. diante da questão dos OVNI. O que a dên·
ela consegue hOje entrever neste particular, ê simplesmente
a conclusão de que o estudo honesto dos fenômenos ditos de
OVNI não é heresia cientiflca, mas, antes, serviço prestado
ã comunidade humana a fim de que esta não se torne vitima
de exploracãc da falsa ci~ncia nêm seja afetada por uma
espécie de super-psicose de alcance mundial.

à \J,,'a. de blbllolJl"ttl :
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J esus" 2. Iid. Paullne", 510 Paulo 1978, 153 pp., 135 x 210 mm.

A realogla da Marcol, por Francisco d, la CanB. T1.duçlo do .spanhol


pelo PI, José Raimundo Vldlgal eSsR. Coleçto "Teologia dos Evangelhos
de Jeaua" 1. - ed , Pautln••, Mo Paulo 1978, 1-43 pp., 13$ )I; 210 mm.

Ao leologl. Ih Luc_. por Jlvier PlkUa. Trad uçlo do •• panhol pelo PI!:
José Raimundo Vldlgal eSsR.. Coleçlo "T'ologla dos Evangelhos d. Jesus"
3. - Ed. Paulln.,. sao Paulo 1978, 190 pp., 135 )( 210 mm.

/lo. leologll do quarto EVlll1llllho, por Francisco do la ealte. Tr.<luçlo


do espanhol pelo PI. José Raimundo Vidlg.l eSsA. Coleçlo "Teologl, dos
Evangelhos da Jesus" 4. - Ed. Paullnas, Silo Paulo 1978, 163 pp.,
135 x 210 mm.
Estes quatro volumu consllluem um. coleç.lo completa, qua voem
ocupar lugar Impor1ante em nossa blbllogralla teológica, pois nlo raro se
pnx:uram comptndlos que 'presentem de maneira sucinta e .c••• I....1 o
pena.menlo teológico da cacla evangelista. Os autores, pratesoares IIpa-
nhóla, renunciaram a dlscuI,ae. de Indol. aCldemlclata, qUQ consistiriam
em arrolar e Inallsar .. ntenças de exege'a. dlv.rsos; procuram, antes, expor
em lermos positivos I mensagem do texto blbUco tal como decone da
ex~ue ca1Óllca atualb:ada, dentro das IInhls de pensamento da I"roja. Assim
o leitor perceber' facilmente os lias condutores que levam do Antigo ao
Novo Testamento assim co~o I contlbuiçlo própria de clda evangelista'
apresantaçAo da mensagem do Senhor JasU'S. A este mulo, • coleçlo seri
de grande utilidade plr. os praRadores .. os clrcutos blbtlcos (embota
nao seja ele nlval popular). Os pr<llessores e estud.ntes de Teologia encon-
tr.r io ai valiosos subsldlos: todavia o e.tllo de uma escola de Teologia
eJdgl r' certa c<lmplemantaçlo acadêmica.

A Igreja do Deu. Vivo. CUrso blblh::o popular lobre a vercllldelra Igrela,


por Fr. BalllsUnl, 2f ed. (partiCUlar). - Mllgê 1978, 139 1'1"., 135 x 210 pp.

,Já em PR naJ 11118, 3_ cap •• registramos a publlcaçAo da prlmel,a edl-


çlo desta livro, deslll'\llldo !I eludar o povo a se IIrmar na fé calóllca li nAo
se delnr a"astar por pregadores laMUcos. O aulor registra muUo bam na
sua Inlroduçlo que, "enquanto o católico, ~m Intencionado, 'ai. da unlAo,
de amor, de compraensAo, de ecumenismo, esses pregadores Inculcam um
verdad eIro ódio contra o catolicismo, contra a Virgem Maria, contra o Papa,
elc." (p. 8). E nOh. boa gente se v6 muita. veus Indefesa e inc.paz de
relutar os aoflsma. de tall arautoa seci',lo• . Ora o livro em pauta ê valioso
Instrumenlo para lanlo ; servirá grandemente pera a pastoral, que ulllma-
mente s. tem r...onUdo d. t.!!a de Inalrumento. POPUlar,. que auxiliem
o. católico. a !li pl.caver contra <I, pr'gadOlos pr08l1l1l.tas ... A prova
do v.lor do livro 8.ti em qua, denlr<l di pouc::cn meso!, 11 obra 16 atçançou
dUal edições, ..ando .. aegund a ampliada e r ....I.I8. Embol1l .ela de edlçlo
p.rtlcular, o ilvro .. encontra. venda nll livrar'•• católic::as. Pode ser 15011-
citado diretamente a Frei Francisco Blltlatlnl, Avenida Padre Anchieta 2$,
25900 Magé (RJ), - Sinceros pllaben. ao . utor I

E.I .