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NOÇÕES DE LEGISLAÇÃO

1. Portaria/FUNAI nº 14, de 09 de janeiro de 1996. 2. Decreto nº 1.775, de 8 de janeiro de 1996.


3. Regime jurídico dos servidores públicos: Lei nº 8.112, de 11 dezembro de 1990. 4. Lei de
Criação da FUNAI: Lei nº 5.371, de 5 dezembro de 1967. 5. Estatuto da FUNAI: Decreto nº 7.056,
de 28 de dezembro de 2009. 6. Estatuto do Índio: Lei nº 6.001, de 19 de dezembro de 1973. 7.
Educação Indígena: Decreto nº 26, de 04 de fevereiro de 1991. 7. Prestação de Assistência aos
Povos Indígenas: Decreto nº 3.156, de 27 de agosto de 1999. (Leis disponíveis para consulta no
site da FUNAI: http://www.funai.gov.br/). 8. Declaração dos Direitos Indígenas. 9. Convenção da
OIT nº 169. 10. Constituição Federal: 10.1. Artigo 225 (Meio Ambiente), 10.2. Artigos 231 e 232
(Índios), 10.3. Artigos de 18 a 43 (Organização do Estado).

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
1. Conceitos de Estado, sociedade e mercado. 2. A redefinição do papel do Estado: 2.1. Reforma
do Serviço Civil (mérito, flexibilidade e responsabilização). 3. Processos participativos de gestão
pública: 3.1. conselhos de gestão, 3.2. orçamento participativo, 3.3. parceria entre governo e
sociedade. 4. Artigo 37 da Constituição Federal.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS PARA O CARGO DE AGENTE EM INDIGENISMO


1. Noções de Antropologia Indígena: 1.1. Questões de "indianidade" e identidade étnica; 1.2.
Aspectos de organização social indígena; 1.3. A atual situação jurídica e de fato. 2. A questão das
terras indígenas; 2.1. Organização política e os movimentos Indígenas. 2.2. Identidade étnica e
etnicidade; 3. Noções de Estatística. 4. Noções de Atividade Administrativa: 4.1. Atas. 4.2. Ofícios.
4.3. Memorandos. 4.4. Cartas. 4.5. Certidões. 4.6. Atestados. 4.7. Declarações. 4.8. Procuração.
4.9. Recebimento e remessa de correspondência oficial. 4.10. Requerimento. 4.11. Circulares.
4.12. Circulação e arquivamento de documentos. 5. Hierarquia. 6. Impostos e taxas. 7.
Atendimento ao público. 8. Noções de matemática financeira. 9. Noções de logística. 10.
Planejamento e indicadores sociais. 11. Noções de Políticas Públicas, Sociais e de Saúde: 11.1.
Noções de técnicas agrícolas. 12. Noções de Biologia. 13. Noções de Contabilidade.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS PARA O CARGO DE INDIGENISTA ESPECIALIZADO


1. Noções de Antropologia Indígena: 1.1. Questões de "indianidade" e identidade étnica; 1.2.
Sociodiversidade: 1.2.1. diversidade linguística e 1.2.2. demografia indígena; 1.3. As economias
indígenas; 1.4. Aspectos de organização social indígena; 1.5. Aspectos de religiões étnicas
indígenas; 1.6. Cosmologias e mitos indígenas; 1.7. Arte e cultura materializada; 1.8. A atual
situação jurídica e de fato. 2. A questão das terras indígenas; 2.1. Organização política e os
movimentos indígenas; 2.2. Identidade étnica, etnicidade e etnogênese no contexto atual. 3.
Coleta e tratamento de dados. 4. Saneamento Ambiental. 5. Noções de Geoprocessamento. 6.
Noções de Cartografia. 7. Desenvolvimento Sustentável. 7.1. Noções de Agronomia. 8. Políticas
Públicas direcionadas aos povos indígenas. 9. Proteção Territorial e Ambiental. 10. Noções de
Atividade Administrativa: 10.1. Atas; 10.2. Ofícios; 10.3. Memorandos; 10.4. Cartas; 10.5.
Certidões; 10.6. Atestados; 10.7. Declarações; 10.8. Procuração; 10.9. Recebimento e remessa
de correspondência oficial; 10.10. Requerimento; 10.11. Circulares; 10.12. Circulação e
arquivamento de documentos. 11. Hierarquia. 12. Matemática financeira. 13. Noções de logística.
14. Demografia e indicadores sociais. 15. Noções de Antropologia Social e Cultural: 15.1.
Identidade e etnocentrismo; 15.2. O trabalho de campo; 15.3. Culturas e Línguas Indígenas no
Brasil. 16. Noções de Sociologia: 16.1. A Relação Indivíduo – Sociedade; 16.2. A Declaração dos
Direitos do Homem da Organização das Nações Unidas (ONU): 16.2.1. Princípios e Valores;
16.2.2. Influência dos Meios de Comunicação na Sociedade Indígena. 17. Noções de Economia.
18. Noções de Contabilidade. 19. Noções de Estatística. 20. Noções de Biologia e controle de
pragas. 21. Noções de Direito Constitucional – Tributário (impostos e taxas). 22. Biodiversidade.
23. Noções de Planejamento Público. 24. Noções de Políticas Sociais.
Portaria/FUNAI nº 14, de 09 de janeiro de 1996

Estabelece regras sobre a elaboração do Relatório circunstanciado de


identificação e delimitação de Terras Indígenas a que se refere o
parágrafo 6º do artigo 2º, do Decreto nº 1.775, de 08 de janeiro de 1996.
O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no Decreto nº 1.775, de 08 de janeiro de 1996,
objetivando a regulamentação do relatório previsto no §6º do art. 2º do referido decreto; CONSIDERANDO que o decreto homologatório do Sr.
Presidente da República, previsto no art. 5º do Decreto nº 1.775, tem o efeito declaratório do domínio da União sobre a área demarcada e, após o
seu registro no ofício imobiliário competente, tem o efeito desconstitutivo do domínio privado eventualmente incidente sobre a dita área (art. 231, 6
da CF);
CONSIDERANDO que o referido decreto baseia-se em Exposição de Motivos do Ministro de Estado da Justiça e que esta decorre de decisão
embasada no relatório circunstanciado de identificação e delimitação, previsto no parágrafo 6 do art. 2º, do Decreto nº 1.775, de 8 de janeiro de
1996;
CONSIDERANDO que o referido relatório, para propiciar um regular processo demarcatório deve
precisar, com clareza e nitidez, as quatro situações previstas no parágrafo 1º do art. 231 da
Constituição, que consubstanciam, em conjunto e sem exclusão, o conceito de “terras
tradicionalmente habitadas pelos índios”, a saber: (a) as áreas “por eles habitadas em caráter
permanente”, (b) as áreas “utilizadas para suas atividades produtivas”, (c) as áreas
“imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários ao seu bem estar”, e (d) as
áreas “necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”;
RESOLVE:
Art. 1º. O relatório circunstanciado de identificação e delimitação a que se refere o §6º do art. 2º do Decreto nº 1.775, de 8 de janeiro de 1996,
devidamente fundamentado em elementos objetivos, abrangerá, necessariamente, além de outros elementos considerados relevantes pelo Grupo
Técnico, dados gerais e específicos organizados da forma seguinte:
I - PRIMEIRA PARTE
Dados gerais:
a) informações gerais sobre o(s) grupos(s) indígena(s) envolvido(s), tais como filiação cultural e
linguística, eventuais migrações, censo demográfico, distribuição espacial da população e
identificação dos critérios determinantes desta distribuição;
b) pesquisa sobre o histórico de ocupação de terra indígena de acordo com a memória do grupo
étnico envolvido;
c) identificação das práticas de secessão eventualmente praticadas pelo grupo e dos respectivos
critérios causais, temporais e espaciais;
II - SEGUNDA PARTE
Habitação permanente:
a) descrição da distribuição da(s) aldeia(s), com respectiva população e localização;
b) explicitação dos critérios do grupo para localização, construção e permanência da(s) aldeia(s),
a área por ela(s) ocupada(s) e o tempo em que se encontra(m) as atual(ais) localização(ções);
III - TERCEIRA PARTE
Atividades Produtivas:
a) descrição das atividades produtivas desenvolvidas pelo grupo com a identificação, localização
e dimensão das áreas utilizadas para esse fim;
b) descrição das características da economia desenvolvida pelo(s) grupo(s), das alterações
eventualmente ocorridas na economia tradicional a partir do contato com a sociedade envolvente
e do modo como se processaram tais alterações;
c) descrição das relações sócio-econômico-culturais com outros grupos indígenas e com a
sociedade envolvente;
IV - QUARTA PARTE
Meio Ambiente:
a) identificação e descrição das áreas imprescindíveis à preservação dos recursos necessários ao
bem estar econômico e cultural do grupo indígena;
b) explicitação das razões pelas quais tais áreas são imprescindíveis e necessárias;
V - QUINTA PARTE
Reprodução Física e Cultural:
a) dados sobre as taxas de natalidade e mortalidade do grupo nos últimos anos, com indicação
das causas, na hipótese de identificação de fatores de desequilíbrio de tais taxas, e projeção
relativa ao crescimento populacional do grupo;
b) descrição dos aspectos cosmológicos do grupo, das áreas de usos rituais, cemitérios, lugares
sagrados, sítios arqueológicos, etc., explicitando a relação de tais áreas com a situação atual e
como se objetiva essa relação no caso concreto;
c) identificação e descrição das áreas necessárias à reprodução física e cultural do grupo
indígena, explicando as razões pelas quais são elas necessárias ao referido fim;
VI - SEXTA PARTE
Levantamento Fundiário:
a) identificação e censo de eventuais ocupantes não índios;
b) descrição da(s) área(s) por ele(s) ocupada(s), com a respectiva extensão, a(s) data(s) dessa(s)
ocupação(ções) e a descrição da(s) benfeitoria(s) realizada(s);
c) informações sobre a natureza dessa ocupação, com a identificação dos títulos de posse e/ou
domínio eventualmente existentes, descrevendo sua qualificação e origem;
d) informações, na hipótese de algum ocupante dispor de documento oriundo de órgão público,
sobre a forma e fundamentos relativos à expedição do documento que deverão ser obtidas junto
ao órgão expedidor.
VII - SÉTIMA PARTE
Conclusão e delimitação, contendo a proposta de limites da área demarcada.
Art. 2º. No atendimento da Segunda à Quinta parte do artigo anterior dever-se-á contar com a
participação do grupo indígena envolvido, registrando-se a respectiva manifestação e as razões e
fundamentos do acolhimento ou da rejeição, total ou parcial, pelo Grupo Técnico, do conteúdo de
referida manifestação.
Art. 3º. A proposta de delimitação far-se-á acompanhar de carta topográfica, onde deverão estar
identificados os dados referentes a vias de acesso terrestres, fluviais e aéreas eventualmente
existentes, pontos de apoio cartográfico e logísticos e identificação de detalhes mencionados nos
itens do artigo 1º.
Art. 4º. O órgão federal de assistência ao índio fixará, mediante portaria de seu titular, a sistemática a ser adotada pelo grupo técnico referido no
§1º do art. 2º do Decreto nº 1.775, de 8 de janeiro de 1996, relativa à demarcação física e à regularização das terras indígenas.
Art. 5º. Aos relatórios de identificação e delimitação de terras indígenas, referidos no §6º do art. 2º do Decreto nº 1.775, de 8 de janeiro de 1996,
encaminhados ao titular do órgão federal de assistência ao índio antes da publicação deste, não se aplica o disposto nesta Portaria.
Art. 6º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
NELSON A. JOBIM
(Of. Nº 7/96)
DECRETO No 1.775, DE 8 DE JANEIRO DE 1996.

Dispõe sobre o procedimento administrativo de demarcação


das terras indígenas e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, e tendo em vista o dis posto no art. 231, ambos
da Constituição, e no art. 2º, inciso IX da Lei n° 6.001, de 19 de dezembro de 1973,
DECRETA:
Art. 1º As terras indígenas, de que tratam o art. 17, I, da Lei n° 6001, de 19 de dezembro de
1973, e o art. 231 da Constituição, serão administrativamente demarcadas por iniciativa e sob a
orientação do órgão federal de assistência ao índio, de acordo com o disposto neste Decreto.
Art. 2° A demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios será fundamentada
em trabalhos desenvolvidos por antropólogo de qualificação reconhecida, que elaborará, em
prazo fixado na portaria de nomeação baixada pelo titular do órgão federal de assistência ao
índio, estudo antropológico de identificação.
§ 1° O órgão federal de assistência ao índio designará grupo técnico especializado,
composto preferencialmente por servidores do próprio quadro funcional, coordenado por
antropólogo, com a finalidade de realizar estudos complementares de natureza etno-histórica,
sociológica, jurídica, cartográfica, ambiental e o levantamento fundiário necessários à delimitação.
§ 2º O levantamento fundiário de que trata o parágrafo anterior, será realizado, quando
necessário, conjuntamente com o órgão federal ou estadual específico, cujos técnicos serão
designados no prazo de vinte dias contados da data do recebimento da solicitação do órgão
federal de assistência ao índio.
§ 3° O grupo indígena envolvido, representado segundo suas formas próprias, participará do
procedimento em todas as suas fases.
§ 4° O grupo técnico solicitará, quando for o caso, a colaboração de membros da
comunidade científica ou de outros órgãos públicos para embasar os estudos de que trata este
artigo.
§ 5º No prazo de trinta dias contados da data da publicação do ato que constituir o grupo
técnico, os órgãos públicos devem, no âmbito de suas competências, e às entidades civis é
facultado, prestar-lhe informações sobre a área objeto da identificação.
§ 6° Concluídos os trabalhos de identificação e delimitação, o grupo técnico apresentará
relatório circunstanciado ao órgão federal de assistência ao índio, caracterizando a terra indígena
a ser demarcada.
§ 7° Aprovado o relatório pelo titular do órgão federal de assistência ao índio, este fará
publicar, no prazo de quinze dias contados da data que o receber, resumo do mesmo no Diário
Oficial da União e no Diário Oficial da unidade federada onde se localizar a área sob demarcação,
acompanhado de memorial descritivo e mapa da área, devendo a publicação ser afixada na sede
da Prefeitura Municipal da situação do imóvel.
§ 8° Desde o início do procedimento demarcatório até noventa dias após a publicação de
que trata o parágrafo anterior, poderão os Estados e municípios em que se localize a área sob
demarcação e demais interessados manifestar-se, apresentando ao órgão federal de assistência
ao índio razões instruídas com todas as provas pertinentes, tais como títulos dominiais, laudos
periciais, pareceres, declarações de testemunhas, fotografias e mapas, para o fim de pleitear
indenização ou para demonstrar vícios, totais ou parciais, do relatório de que trata o parágrafo
anterior.
§ 9° Nos sessenta dias subseqüentes ao encerramento do prazo de que trata o parágrafo
anterior, o órgão federal de assistência ao índio encaminhará o respectivo procedimento ao
Ministro de Estado da Justiça, juntamente com pareceres relativos às razões e provas
apresentadas.
§ 10. Em até trinta dias após o recebimento do procedimento, o Ministro de Estado da
Justiça decidirá:
I - declarando, mediante portaria, os limites da terra indígena e determinando a sua
demarcação;
II - prescrevendo todas as diligências que julgue necessárias, as quais deverão ser
cumpridas no prazo de noventa dias;
III - desaprovando a identificação e retornando os autos ao órgão federal de assistência ao
índio, mediante decisão fundamentada, circunscrita ao não atendimento do disposto no § 1º do
art. 231 da Constituição e demais disposições pertinentes.
Art. 3° Os trabalhos de identificação e delimitação de terras indígenas realizados
anteriormente poderão ser considerados pelo órgão federal de assistência ao índio para efeito de
demarcação, desde que compatíveis com os princípios estabelecidos neste Decreto.
Art. 4° Verificada a presença de ocupantes não índios na área sob demarcação, o órgão
fundiário federal dará prioridade ao respectivo reassentamento, segundo o levantamento efetuado
pelo grupo técnico, observada a legislação pertinente.
Art. 5° A demarcação das terras indígenas, obedecido o procedimento administrativo deste
Decreto, será homologada mediante decreto.
Art. 6° Em até trinta dias após a publicação do decreto de homologação, o órgão federal de
assistência ao índio promoverá o respectivo registro em cartório imobiliário da comarca
correspondente e na Secretaria do Patrimônio da União do Ministério da Fazenda.
Art. 7° O órgão federal de assistência ao índio poderá, no exercício do poder de polícia
previsto no inciso VII do art. 1° da Lei n° 5.371, de 5 de dezembro de 1967, disciplinar o ingresso
e trânsito de terceiros em áreas em que se constate a presença de índios isolados, bem como
tomar as providências necessárias à proteção aos índios.
Art. 8° O Ministro de Estado da Justiça expedirá as instruções necessárias à execução do
disposto neste Decreto.
Art. 9° Nas demarcações em curso, cujo decreto homologatório não tenha sido objeto de
registro em cartório imobiliário ou na Secretaria do Patrimônio da União do Ministério da Fazenda,
os interessados poderão manifestar-se, nos termos do § 8° do art. 2°, no prazo de noventa dias,
contados da data da publicação deste Decreto.
Parágrafo único. Caso a manifestação verse demarcação homologada, o Ministro de Estado
da Justiça a examinará e proporá ao Presidente da República as providências cabíveis.
Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 11. Revogam-se o Decreto n° 22, de 04 de fevereiro de 1991, e o Decreto n° 608, de 20
de julho de 1992.
Brasília, 8 de janeiro de 1996; 175º da Independência e 108º da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Nelson A. Jobim
José Eduardo de Andrade Vieira
INTRODUÇÃO : O QUE É REGIME JURÍDICO ?

Regime jurídico dos servidores públicos é o conjunto de princípios e regras referentes a direitos,
deveres e demais normas que regem a sua vida funcional. A lei que reúne estas regras é
denominada de Estatuto e o regime jurídico passa a ser chamado de regime jurídico Estatutário.

No âmbito de cada pessoa política - União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios - há um


Estatuto. A lei 8.112/90, de 11/12/1990, com suas alterações, é o regime jurídico Estatutário
aplicável aos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias e fundações públicas federais,
ocupantes de cargos públicos.

O REGIME JURÍDICO É ÚNICO ?

Era, não é mais. Como já vimos, o Regime Jurídico Único existiu até o advento da Emenda
Constitucional nº 19, de 04/06/98. A partir de então é possível a admissão de pessoal ocupante
de emprego público, regido pela CLT, na Administração federal direta, nas autarquias e nas
fundações públicas; por isto é que o regime não é mais um só, ou seja, não é mais único.

No âmbito federal, a Lei nº 9.962, de 22.02.2000, disciplina o regime de emprego público do


pessoal da Administração federal direta, autárquica e fundacional, dispondo :

O pessoal admitido para emprego público terá sua relação de trabalho regida pela CLT (art.1º,
caput);

Leis específicas disporão sobre a criação de empregos, bem como sobre a transformação dos
atuais cargos em empregos (§1º);

Vedou que se submeta ao regime de emprego público os cargos públicos de provimento em


comissão, bem como os servidores regidos pela lei 8.112/90, às datas das respectivas
publicações de tais leis específicas (§2º).

CONCEITO DE CARGO PÚBLICO

Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades que devem ser cometidas a um


servidor. São criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos,
para provimento em caráter efetivo ou em comissão (art. 3º, parágrafo único).

É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei (art. 4º).

PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA

Serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso público às pessoas
portadoras de deficiência para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a
deficiência de que são portadoras (art. 5º, §2º).

PROVIMENTO

É preenchimento de cargo vago. O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato da
autoridade competente de cada Poder (art. 6º).
FORMAS DE PROVIMENTO (art. 8º) :

Nomeação Promoção Readaptação Reversão

Aproveitamento Reintegração Recondução.

Importante - as formas de provimento Ascensão e Transferência não existem mais, foram


revogadas pela lei nº 9.527/97, antes mesmo, já haviam sido declaradas inconstitucionais pelo
Supremo Tribunal Federal.

NOMEAÇÃO – é o ato administrativo pelo qual se atribui um cargo a alguém (Odete Medauar). A
nomeação dar-se-á (art. 9º e 10º): Em caráter efetivo quando se tratar de cargo isolado ou de
carreira (cargos de carreira são aqueles são estruturados em classes e que permitem
crescimento profissional) depende de prévia habilitação em concurso público de provas ou de
provas e títulos. Em comissão, declarado em lei de livre nomeação e exoneração, para cargos
de confiança.

PROMOÇÃO – representa a progressão vertical na carreira, passando de uma classe para outra
(conceito doutrinário).

READAPTAÇÃO – é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades


compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em
inspeção médica iguais ou assemelhadas (art. 24). Se julgado incapaz para o serviço público o
readaptando será aposentado(§1º, art. 24).

REVERSÃO - reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: (art. 25)

I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria

II - no interesse da administração, desde que:

- o servidor aposentado tenha solicitado a reversão

- a aposentadoria tenha sido voluntária;

- estável quando na atividade;

- a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;

- haja cargo vago.

Neste caso o servidor perceberá, em substituição aos proventos da aposentadoria, a


remuneração do cargo que voltar a exercer, inclusive com as vantagens de natureza pessoal que
percebia anteriormente à aposentadoria (§4º). Somente terá os proventos calculados com base
nas regras atuais se permanecer pelo menos cinco anos no cargo (§5º).

Não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 70 (setenta) anos de idade (art. 27).
APROVEITAMENTO– é o retorno à atividade do servidor estável em disponibilidade em cargo de
atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupando (art. 31).

REINTEGRAÇÃO - retorno do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo


resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou
judicial, com ressarcimento de todas as vantagens (art. 28).

RECONDUÇÃO - é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá


de: (art. 29) inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; reintegração do anterior
ocupante.

VACÂNCIA

É a situação do cargo que está sem ocupante.

FORMAS DE VACÂNCIA (art. 33) :

Aposentadoria; Falecimento Demissão; Promoção;

Readaptação; Exoneração; Posse em outro cargo inacumulável;

APOSENTADORIA – é a desocupação do cargo e ocorrerá por invalidez permanente para o


serviço público, compulsoriamente quando o servidor tiver completado 70 anos, ou por decisão
voluntária do servidor que cumprir os requisitos para a aposentadoria.

FALECIMENTO – Trata-se de um fato a que o direito administrativo atribui repercussão, no caso,


a vacância do cargo. Não é um ato, mas, é um fato administrativo.

DEMISSÃO – trata-se de penalidade aplicada ao servidor, prevista no artigo 132, deste estatuto.

PROMOÇÃO - representa a progressão vertical na carreira, passando de uma classe para outra
(conceito doutrinário).

READAPTAÇÃO – é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades


compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em
inspeção médica iguais ou assemelhadas (art. 24). Se julgado incapaz para o serviço público o
readptando será aposentado(§1º, art. 24).

POSSE EM OUTRO CARGO PÚBLICO INACUMULÁVEL - O servidor federal quando já estável


em um cargo público e obtiver aprovação em concurso público para outro cargo, poderá optar
por esta forma de vacância em vez de pedir exoneração. Com esta providência, caso seja
inabilitado no estágio probatório para o novo cargo, poderá retornar ao cargo em que era estável.

EXONERAÇÃO (art. 34)

A exoneração de CARGO EFETIVO dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício quando :

I - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido 15 dias

II - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório.


A exoneração de CARGO EM COMISSÃO dar-se-á a pedido do servidor, ou a juízo da
autoridade competente.

A RECONDUÇÃO - é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá


de inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo, ou de reintegração do anterior
ocupante (art. 29).

ATENÇÃO : embora não conste expressamente do artigo 30, que elenca as hipóteses de
vacância, a recondução tem sido assim considerada nos concursos públicos.

EM RESUMO : a promoção, a readaptação e a recondução são formas simultâneas (ao mesmo


tempo) de provimento e de vacância.

A POSSE E O EXERCÍCIO

A nomeação por si só não basta para iniciar as atribuições do cargo são necessários ainda a
posse e o exercício.

A POSSE (arts. 13 e 14): A investidura em cargo público ocorrerá com a posse (art. 7º), mediante
assinatura do respectivo termo, no qual deverão constar as atribuições, os deveres, as
responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado (art. 13, caput). Posse é a aceitação
do cargo pelo servidor (Odete Medauar).

TÓPICOS SOBRE POSSE

Só haverá posse na hipótese de provimento por nomeação (§4º, art. 13), poderá ser mediante
procuração específica (§3º, art. 13). A posse ocorrerá no prazo de 30 (trinta dias) contados da
publicação do ato de provimento (nomeação). Será tornado sem efeito o ato de provimento se a
posse não ocorrer neste prazo (§§ 1º e 6º, art. 13).

A posse dependerá de prévia inspeção médica oficial, será empossado aquele que for julgado
apto física e mentalmente para o exercício do cargo (art. 14).

No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e valores que constituem seu
patrimônio e declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública
(§5º, art. 13). A lei 8.424/92, exige a declaração de bens e valores do cônjuge ou companheira e
das demais pessoas que vivam sob sua dependência econômica (Lei 8.429, art. 13, caput e §1º).

REQUISITOS BÁSICOS PARA INVESTIDURA (posse) EM CARGO PÚBLICO (art. 5º) :

I - a nacionalidade brasileira;

Os cargos públicos são acessíveis aos estrangeiros na forma da lei (CF/88, aert. 37, I . A lei nº
9.515/97 prevê que as universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica federais
poderão prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros.
II - o gozo dos direitos políticos;

III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;

IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;

V - a idade mínima de dezoito anos;

VI - aptidão física e mental.

As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos estabelecidos em lei (§


1º, art. 5º).

O EXERCÍCIO (arts. 15 a 20) :

Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo público ou da função de confiança


(art. 15), donde passa a contar o tempo de serviço (Odete Medauar).

É de 15 (quinze dias) o prazo para o servidor empossado em cargo público entrar em exercício,
contados da data da posse, se não entrar em exercício no prazos previsto o servidor será
exonerado do cargo ou será tornado sem efeito o ato de sua designação para função de
confiança, (§§1º e 2º, art. 15).

RESUMINDO : A nomeação é ato administrativo que atribui um cargo público. Posse é a


investidura no cargo. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo.

DA REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO

REMOÇÃO

Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro de


pessoal , com ou sem mudança de sede (art. 36). A remoção pode ser de ofício, no interesse da
Administração; a pedido, a critério da Administração ou a pedido independentemente do interesse
da Administração, desde que:

a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Administração;

b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas
expensas, condicionada à comprovação por junta médica oficial;

REDISTRIBUIÇÃO (art. 37)

Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do


quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder. (art. 37).

PRAZO PARA REINÍCIO DO TRABALHO


O servidor que deva ter exercício em outro município em razão de ser removido, redistribuido,
requisitado ou cedido terá, no mínimo 10 e no máximo 30 dias de prazo para retomada de suas
atribuições, incluído o prazo de deslocamento (art. 18).

SUBSTITUIÇÃO

Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo de


Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou, no caso de omissão,
previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade (art. 38).

JORNADA DE TRABALHO (art. 19)

A duração máxima do trabalho semanal de 40 (quarenta horas) e observados os limites mínimo e


máximo de 6 (seis horas) e 8 (oito horas) diárias, respectivamente (art. 19, caput).

O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança submete-se a regime de integral


dedicação ao serviço, podendo ser convocado sempre que houver interesse da Administração
(§1º).

ESTABILIDADE

São estáveis, após 3 anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento
efetivo em virtude de concurso público; como condição para aquisição da estabilidade é
obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade (CF,
art. 41, caput e §4º).

ESTÁGIO PROBATÓRIO (art. 20)

A aptidão e a capacidade do servidor para o desempenho do cargo serão avaliados observando-


se os seguintes fatores :

assiduidade; disciplina; capacidade de


iniciativa;
produtividade; responsabilidade.

sigla : A DI CA PRO RES

O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer cargos de provimento em comissão


ou funções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação (§3º, art. 20).

E SE O SERVIDOR NÃO FOR APROVADO NO ESTÁGIO PROBATÓRIO ?

O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao
cargo anteriormente ocupado (§2º, art. 20). Eis aqui, ao mesmo tempo, a forma de provimento e
de vacância denominada de recondução.

DIREITOS E VANTAGENS

Vencimento e da Remuneração
O Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei,
Nenhum servidor receberá, a título de vencimento, importância inferior ao salário-mínimo.

A Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias


permanentes estabelecidas em lei (art. 41). O vencimento do cargo efetivo, acrescido das
vantagens de caráter permanente, é irredutível (§3º,art. 41).

O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, seqüestro ou penhora,


exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial (art. 48).

SERVIDOR EM DÉBITO COM O ERÁRIO

As reposições e indenizações ao erário serão previamente comunicadas ao servidor ou ao


pensionista e amortizadas em parcelas mensais cujos valores não excederão a 10% da
remuneração ou provento (art. 46). O servidor que for demitido, exonerado ou que tiver sua
aposentadoria ou disponibilidade cassada, terá o prazo de 60 dias para quitar o débito (art. 47). A
não quitação do débito no prazo previsto implicará sua inscrição em dívida ativa (par. único, a. 47)

VANTAGENS

Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as seguintes vantagens (art. 49):

indenizações; gratificações; adicionais.

As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento para qualquer efeito (§1º). As


gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou provento, nos casos e condições
indicados em lei (§2º).

INDENIZAÇÕES

Constituem indenizações ao servidor (art. 51):

Ajuda de custo; Diárias; Transporte.

DIÁRIAS - O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou transitório fará
jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com
pousada, alimentação e locomoção urbana, conforme dispuser em regulamento (art. 58).

AJUDA DE CUSTO - destina-se a compensar as despesas de instalação do servidor que, no


interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter
permanente, vedado o duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no caso de o cônjuge
ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter exercício na mesma sede

A ajuda de custo é calculada sobre a remuneração do servidor, conforme se dispuser em


regulamento, não podendo exceder a importância correspondente a 3 (três) meses (art. 54).
TRANSPORTE - conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com
a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das
atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento (art. 60).

GRATIFICAÇÕES E ADICIONAIS

Além do vencimento e das vantagens previstas nesta Lei, serão deferidos aos servidores as
seguintes retribuições, gratificações e adicionais (art. 61):

- retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento;

- gratificação natalina;

- adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas;

- adicional pela prestação de serviço extraordinário;

- adicional noturno;

- adicional de férias;

- outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho.

Entendo que o detalhamento a respeito dos adicionais e gratificações, das licenças e dos
afastamentos é secundário, no entanto, como consta do programa ponho a disposição o texto de
estatuto com redação atualizada até março de 2001.

Retribuição pelo Exercício de Função de Direção, Chefia e Asessoramento

A remuneração dos cargos em comissão será estabelecida em lei específica (par. único, art. 62).

Ao servidor ocupante de cargo efetivo é devida retribuição pelo seu exercício de função de
direção, chefia ou assessoramento, ou de cargo de provimento ou de Natureza Especial (art. 62).

GRATIFICAÇÃO NATALINA

A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração a que o servidor fizer
jus no mês de dezembro, por mês de exercício no respectivo ano (art. 63). A fração igual ou
superior a 15 (quinze) dias será considerada como mês integral.

O servidor exonerado perceberá sua gratificação natalina, proporcionalmente aos meses de


exercício, calculada sobre a remuneração do mês da exoneração (art. 65). A gratificação natalina
não será considerada para cálculo de qualquer vantagem pecuniária.

ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE, PERICULOSIDADE ou ATIVIDADES PENOSAS


Fazem jus a um adicional sobre o vencimento do cargo efetivo os servidores que trabalhem com
habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas,
radioativas ou com risco de vida (art. 68).

O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade deverá optar por um
deles (§1º, art. 68).

O adicional de atividade penosa será devido aos servidores em exercício em zonas de fronteira
ou em localidades cujas condições de vida o justifiquem, nos termos, condições e limites fixados
em regulamento (art. 71).

Os locais de trabalho e os servidores que operam com Raios X ou substâncias radioativas serão
mantidos sob controle permanente, de modo que as doses de radiação ionizante não ultrapassem
o nível máximo previsto na legislação própria. (art. 72)

Parágrafo único. Os servidores a que se refere este artigo serão submetidos a exames médicos a
cada 6 (seis) meses.

ADICIONAL POR SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO

O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) em
relação à hora normal de trabalho (art. 73) e somente será permitido para atender a situações
excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de 2 (duas) horas por jornada (art. 74).

ADICIONAL NOTURNO

O serviço noturno, prestado em horário de um compreendido entre 22 (vinte e duas) horas dia e 5
(cinco) horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento),
computando-se cada hora como cinqüenta e dois minutos e trinta segundos (art. 75).

Em se tratando de serviço extraordinário, o acréscimo de que trata este artigo incidirá sobre a
remuneração prevista no art. 73 (art. 75, parágrafo único).

ADICIONAL DE FÉRIAS

Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias, um adicional
correspondente a 1/3 (um terço) da remuneração do período das férias (art. 76).

No caso de o servidor exercer função de direção, chefia ou assessoramento, ou ocupar cargo em


comissão, a respectiva vantagem será considerada no cálculo do adicional de férias (art. 76,
parágrafo único).

FÉRIAS

O servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois
períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação
específica (art. 77). Para o primeiro período aquisitivo de férias serão exigidos 12 (doze) meses
de exercício (parágrafo único).
O pagamento da remuneração das férias será efetuado até 2 (dois) dias antes do início do
respectivo período.

O servidor exonerado do cargo efetivo, ou em comissão, perceberá indenização relativa ao


período das férias a que tiver direito e ao incompleto, na proporção de 1/12 (um doze avos) por
mês de efetivo exercício, ou fração superior a quatorze dias (art. 77, § 3º)..

O servidor que opera direta e permanentemente com Raios X ou substâncias radioativas gozará
20 (vinte) dias consecutivos de férias, por semestre de atividade profissional, proibida em
qualquer hipótese a acumulação (art. 79)

As férias somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública, comoção interna,
convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade do serviço declarada pela
autoridade máxima do órgão ou entidade (art. 80). O restante do período interrompido será
gozado de uma só vez.

DAS LICENÇAS

Conceder-se-á ao servidor licença (art. 81):

por motivo de doença em pessoa da família;

por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;

para o serviço militar;

para atividade política;

para capacitação;

para tratar de interesses particulares;

para desempenho de mandato classista.

A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da mesma espécie será
considerada como prorrogação (art. 82).

LICENÇA POR MOTIVO EM PESSOA DA FAMÍLIA

Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos
pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva às suas expensas e
conste do seu assentamento funcional, mediante comprovação por junta médica oficial (art. 83).

A licença será concedida sem prejuízo da remuneração do cargo efetivo, até trinta dias, podendo
ser prorrogada por até trinta dias, mediante parecer de junta médica oficial e, excedendo estes
prazos, sem remuneração, por até noventa dias (§2º).

É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença (§3º, art. 81).
LICENÇA POR MOTIVO DE AFASTAMENTO DO CÔNJUGE

Poderá ser concedida licença ao servidor para acompanhar cônjuge ou companheiro que foi
deslocado para outro ponto do território nacional, para o exterior ou para o exercício de mandato
eletivo dos Poderes Executivo e Legislativo (art. 84).

A licença será por prazo indeterminado e sem remuneração (art. 84, §1º).

No deslocamento de servidor cujo cônjuge ou companheiro também seja servidor público, civil ou
militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
poderá haver exercício provisório em órgão ou entidade da Administração Federal direta,
autárquica ou fundacional, desde que para o exercício de atividade compatível com o seu cargo
(art. 84,§2º).

LICENÇA PARA O SERVIÇO MILITAR

Ao servidor convocado para o serviço militar será concedida licença, na forma e condições
previstas na legislação específica (art. 85). (o artigo não diz se é com ou sem remuneração).
Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30 (trinta) dias sem remuneração para reassumir o
exercício do cargo (art. 85, parágrafo único).

LICENÇA PARA ATIVIDADE POLÍTICA

O servidor terá direito a licença, sem remuneração, durante o período que mediar entre a sua
escolha em convenção partidária, como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro de sua
candidatura perante a Justiça Eleitoral (art. 86).

O servidor candidato a cargo eletivo na localidade onde desempenha suas funções e que exerça
cargo de direção, chefia, assessoramento, arrecadação ou fiscalização, dele será afastado, a
partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral, até o décimo
dia seguinte ao do pleito (art. 86, §1º).

A partir do registro da candidatura e até o décimo dia seguinte ao da eleição, o servidor fará jus à
licença, assegurados os vencimentos do cargo efetivo, somente pelo período de três meses (art.
86, §2º).

LICENÇA PARA CAPACITAÇÃO

Após cada qüinqüênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da Administração,


afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até três meses, para
participar de curso de capacitação profissional (art. 87).

Os períodos de licença de que trata o caput não são acumuláveis.

LICENÇA PARA TRATAR INTERESSES PARTICULARES

A critério da Administração, poderão ser concedidas ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde
que não esteja em estágio probatório, licenças para o trato de assuntos particulares pelo prazo de
até três anos consecutivos, sem remuneração. (art. 91). A licença poderá ser interrompida, a
qualquer tempo, a pedido do servidor ou no interesse do serviço.
LICENÇA PARA O DESEMPENHO DE MANDATO CLASSISTA

É assegurado ao servidor o direito à licença sem remuneração para o desempenho de mandato


em confederação, federação, associação de classe de âmbito nacional, sindicato representativo
da categoria ou entidade fiscalizadora da profissão, (considerado tempo de efetivo exercício,
exceto promoção por merecimento) conforme disposto em regulamento (art. 92).

A licença terá duração igual à do mandato, podendo ser prorrogada, no caso de reeleição, e por
uma única vez (art. 92, §2º).

DOS AFASTAMENTOS

AFASTAMENTO DO SERVIDOR A OUTRO ÓRGÃO OU ENTIDADE

Art. 93. O servidor poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão ou entidade dos Poderes
da União, dos Estados, ou do Distrito Federal e dos Municípios, nas seguintes hipóteses:

I - para exercício de cargo em comissão ou função de confiança - sendo a cessão para órgãos ou
entidades dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o ônus da remuneração será do
órgão ou entidade cessionária, mantido o ônus para o cedente nos demais casos (§1º).

II - em casos previstos em leis específicas.

AFASTAMENTO PARA EXERCÍCIO DE MANDATO ELETIVO

** Já estudamos ao tratarmos do servidor na Constituição **

AFASTAMENTO PARA ESTUDO OU MISSÃO NO EXTERIOR

A ausência não excederá a 4 (quatro) anos, e finda a missão ou estudo, somente decorrido igual
período, será permitida nova ausência (§1º, art. 95).

Ademais a este servidor não será concedida exoneração ou licença para tratar de interesse
particular antes de decorrido período igual ao do afastamento, ressalvada a hipótese de
ressarcimento da despesa havida com seu afastamento (§2º, art 95).

TEMPO DE SERVIÇO

É contado para todos os efeitos o tempo de serviço público federal, inclusive o prestado às
Forças Armadas (art. 100). A apuração do tempo de serviço será feita em dias, que serão
convertidos em anos, considerado o ano como de 365 dias (art. 101).

Além das ausências ao serviço previstas no art. 97, são considerados como de efetivo exercício
os afastamentos em virtude de (art.102) :

I - férias;

II - exercício de cargo em comissão ou equivalente, em órgão ou entidade dos Poderes da União,


dos Estados, Municípios e Distrito Federal;
III - exercício de cargo ou função de governo ou administração, em qualquer parte do território
nacional, por nomeação do Presidente da República;

IV - participação em programa de treinamento regularmente instituído, conforme dispuser o


regulamento;

V - desempenho de mandato eletivo federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, exceto


para promoção por merecimento;

VI - júri e outros serviços obrigatórios por lei;

VII - missão ou estudo no exterior, quando autorizado o afastamento, conforme dispuser o


regulamento;

VIII - licença:

a) à gestante, à adotante e à paternidade;

b) para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo do
tempo de serviço público prestado à União, em cargo de provimento efetivo;

c) para o desempenho de mandato classista, exceto para efeito de promoção por merecimento;

d) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional;

e) para capacitação, conforme dispuser o regulamento;

f) por convocação para o serviço militar;

IX - deslocamento para a nova sede de que trata o art. 18;

X - participação em competição desportiva nacional ou convocação para integrar representação


desportiva nacional, no País ou no exterior, conforme disposto em lei específica;

XI - afastamento para servir em organismo internacional de que o Brasil participe ou com o qual
coopere.

Contar-se-á apenas para efeito de aposentadoria e disponibilidade (art. 103):

I - o tempo de serviço público prestado aos Estados, Municípios e Distrito Federal;

II - a licença para tratamento de saúde de pessoa da família do servidor, com remuneração;

III - a licença para atividade política, no caso do art. 86, § 2o;

IV - o tempo correspondente ao desempenho de mandato eletivo federal, estadual, municipal ou


distrital, anterior ao ingresso no serviço público federal;

V - o tempo de serviço em atividade privada, vinculada à Previdência Social;


VI - o tempo de serviço relativo a tiro de guerra;

VII - o tempo de licença para tratamento da própria saúde que exceder o prazo a que se refere a
alínea "b" do inciso VIII do art. 102.

O tempo em que o servidor esteve aposentado será contado apenas para nova aposentadoria
(§1º, 103). Será contado em dobro o tempo de serviço prestado às Forças Armadas em
operações de guerra (§2º, art. 103). Entendo que é inconstitucional, ante o teor do art. 40, §10,
CF, acrescentado pela EC nº 20/98,

É vedada a contagem cumulativa de tempo de serviço prestado concomitantemente em mais de


um cargo ou função de órgão ou entidades dos Poderes da União, Estado, Distrito Federal e
Município, autarquia, fundação pública, sociedade de economia mista e empresa pública.

DIREITO DE PETIÇÃO

É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou


interesse legítimo (art.104). Para o exercício do direito de petição, é assegurada vista do
processo ou documento, na repartição, ao servidor ou a procurador por ele constituído (art.113).

O requerimento será dirigido à autoridade competente para decidi-lo e encaminhado por


intermédio daquela a que estiver imediatamente subordinado o requerente (art. 105).

Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato ou proferido a primeira
decisão, não podendo ser renovado (art. 106).

O requerimento e o pedido de reconsideração de que tratam os artigos anteriores deverão ser


despachados no prazo de 5 (cinco) dias e decididos dentro de 30 (trinta) dias (art. 106,
parágrafo único).

Caberá recurso do indeferimento do pedido de reconsideração, no prazo de 30 (trinta) dias,


dirigido à autoridade imediatamente superior à que tiver expedido o ato ou proferido a decisão, e,
sucessivamente, em escala ascendente, às demais autoridades (art. 107, I, §1º). Será
encaminhado por intermédio da autoridade a que estiver imediatamente subordinado o
requerente (107, §§ 1º, 2º e art. 108).

O recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo a juízo da autoridade competente. Em caso
de provimento, os efeitos da decisão retroagirão à data do ato impugnado (art. 109).

PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RECORRER

O direito de requerer contado da data da publicação do ato impugnado ou da data da ciência pelo
interessado, quando o ato não for publicado (tiver natureza reservada) (art. 110, parágrafo único),
prescreve (art. 110):

I - em 5 (cinco) anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou


disponibilidade, ou que afetem interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de
trabalho;
II - em 120 (cento e vinte) dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo for fixado em lei.

A prescrição é de ordem pública, não podendo ser relevada pela administração (art. 112). O
pedido de reconsideração e o recurso, quando cabíveis, interrompem a prescrição (art. 111). São
fatais e improrrogáveis os prazos estabelecidos neste Capítulo, salvo motivo de força maior.

A administração deverá rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de ilegalidade.

DO REGIME DISCIPLINAR

O regime disciplinar faz parte do título IV do Estatuto, e compreende os seguintes capítulos : dos
deveres, das proibições, da acumulação, das responsabilidades e das penalidades.

Breves comentários :

Não deve ser confundido o poder disciplinar com o poder penal do Estado. O poder penal é
exercido pelo Poder Judiciário, norteado pelo processo penal; visa à repressão de condutas de
condutas qualificadas como crime e contravenções; portanto, tem a finalidade precípua de
preservar a ordem e ordem e a convivência na sociedade como um todo. O poder disciplinar, por
sua vez, é atividade administrativa, regida pelo direito administrativo; visa à punição de condutas,
qualificadas em estatutos ou demais leis, como infrações funcionais; tem a finalidade de preservar
de modo imediato, a ordem interna do serviço, para que as atividades do órgão possam ser
realizadas sem a perturbação e sem desvirtuamentos, dentro da legalidade e da lisura (Odete
Medauar).

DAS PENALIDADES

São penalidades disciplinares (art. 127) :

Advertência; Suspensão; Demissão;


Cassação de aposentadoria Destituição de cargo em Destituição de função
ou disponibilidade; comissão; comissionada.

ADVERTÊNCIA

A advertência será aplicada por escrito, nos casos de :

inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não
justifique imposição de penalidade mais grave (art. 129). Eis aqui um exemplo de que as sanções
disciplinares não obedecem cegamente o princípio da tipicidade. Que decide se cabe ou não
penalidade mais grave é a Administração.

Bem como na Inobservância das seguinte proibições (art. 117, incisos I a VIII e XIX)

ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;


retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da
repartição;

recusar fé a documentos públicos;

opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;

promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;

cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;

coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a


partido político;

manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou
parente até o segundo grau civil;

recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.

SUSPENSÃO

A suspensão será aplicada (art. 130) :

em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação;

das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão; de que são
exemplos as proibições (art. 117, XVII e XVIII) :

cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de
emergência e transitórias;

exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com
o horário de trabalho;

OBSERVAÇÕES SOBRE A SUSPENSÃO:

A suspensão não poderá exceder de 90 (noventa) dias;

Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida
em multa, na base de 50% (cinqüenta por cento) por dia de vencimento ou remuneração, ficando
o servidor obrigado a permanecer em serviço (§2º).

Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que, injustificadamente, recusar-se
a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os
efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação (§1º).

CANCELAMENTO DOS REGISTROS DE SUSPENSÃO E ADVERTÊNCIA


As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o decurso
de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse
período, praticado nova infração disciplinar (art. 131). O cancelamento da penalidade não surtirá
efeitos retroativos (parágrafo único).

DEMISSÃO

A demissão será aplicada nos seguintes casos (art. 132) :

- crime contra a administração pública (estão previstos no Código Penal);

- abandono de cargo (configura abandono de cargo a ausência intencional do servidor ao serviço


por mais de trinta dias consecutivos, art. 138);

- inassiduidade habitual (entende-se por inassiduidade habitual a falta ao serviço, sem causa
justificada, por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses (art. 139) ;

- improbidade administrativa;

- incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;

- insubordinação grave em serviço;

- ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de


outrem;

- aplicação irregular de dinheiros públicos;

- revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;

- lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;

- corrupção;

- acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;

Bem como na transgressão das seguintes proibições ( incisos IX a XVI do art. 117) :

valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da


função pública;

- participar de gerência ou administração de empresa privada, sociedade civil, salvo a


participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União
detenha, direta ou indiretamente, participação do capital social, sendo-lhe vedado exercer o
comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
- atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro;

- receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas


atribuições;

- aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;

- praticar usura sob qualquer de suas formas;

- proceder de forma desidiosa;

- utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;

- A demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos abaixo implica a


indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível.

- improbidade administrativa

- aplicação irregular de dinheiros públicos

- lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional(ª);

- corrupção;

A demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos abaixo incompatibiliza o ex-


servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de 5 (cinco) anos (art. 137).

- revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;

- corrupção

O servidor que for demitido ou destituído do cargo em comissão nos casos abaixo não poderá
retornar ao serviço público federal (parágrafo único, art. 137).

- crime contra a administração pública

- improbidade administrativa

- aplicação irregular de dinheiros públicos

- lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;

- corrupção;

ACUMULAÇÃO ILEGAL DE CARGOS


Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação remunerada de cargos
públicos (art. 118).

A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em autarquias, fundações


públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos
Estados, dos Territórios e dos Municípios (§1º, art. 118).

A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da compatibilidade


de horários (§2º, art. 118).

O servidor vinculado ao regime desta Lei, que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando
investido em cargo de provimento em comissão, ficará afastado de ambos os cargos efetivos,
salvo na hipótese em que houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles,
declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos (art. 120)

O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto no
parágrafo único do art. 9o,(exercício interino em outro cargo de confiança, nesta hipótese deverá
optar pela remuneração de um deles) nem ser remunerado pela participação em órgão de
deliberação coletiva (art. 119). Exceto remuneração devida pela participação em conselhos de
administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas subsidiárias
e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades em que a União, direta ou
indiretamente, detenha participação no capital social(parágrafoúnicoart.119).

Art. 133. Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções
públicas, a autoridade notificará o servidor, por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar
opção no prazo improrrogável de dez dias, contados da data da ciência e, na hipótese de
omissão, adotará procedimento sumário para a sua apuração e regularização imediata ;

A opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa configurará sua boa-fé, hipótese em
que se converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo (§5º).

Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão,


destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos
ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou entidades de
vinculação serão comunicados (§6º, art. 133).

CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA

Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na atividade,


falta punível com a demissão (art. 134).

DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO

A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será aplicada
nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão (art. 135).

Constatada a hipótese de que trata este artigo, a exoneração efetuada (a pedido ou a juízo da
autoridade, hipóteses do artigo 35) será convertida em destituição de cargo em comissão
(parágrafo único).
APLICAÇÃO DAS PENALIDADES DISCIPLINARES

Breves comentários :

Na Administração Pública, ao contrário do que acontece no direito penal, não deve rigorosa
obediência ao princípio da tipicidade estrita na definição legal dos atos passíveis de pena e das
respectivas sanções.

Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida,


os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes
e os antecedentes funcionais (art. 128). O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o
fundamento legal e a causa da sanção disciplinar (parágrafo único, art. 128).

As penalidades disciplinares serão aplicadas (art. 141):

- quando se tratar de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade, pelo Presidente


da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo
Procurador-Geral da República, de servidor vinculado ao respectivo Poder, órgão, ou entidade;

- quando se tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias, pelas autoridades administrativas de


hierarquia imediatamente inferior àquelas mencionadas no inciso anterior;

- nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias, pelo chefe da repartição e
outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos,;

- quando se tratar de destituição de cargo em comissão, pela autoridade que houver feito a
nomeação.

PRESCRIÇÃO

A ação disciplinar prescreverá (art. 142):

I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou


disponibilidade e destituição de cargo em comissão;

II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;

III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência.

prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido (§1º, ART. 142).

Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capituladas


também como crime (§2º, art. 142), .

INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO

A abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a


decisão final proferida por autoridade competente (§3º, art. 142).
Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que cessar a
interrupção (§4º, art. 142).

DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

DA SINDICÂNCIA

Ao tomar conhecimento de irregularidades praticadas por servidor a Administração é obrigada,


através de sindicância, a proceder a sua apuração. Sindicância é um procedimento prévio a
qualquer punição.

Da sindicância poderá resultar (Lei 8.112/90, art. 145):

I - arquivamento do processo;

II - aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 (trinta) dias;

III - instauração de processo disciplinar.

Na hipótese de o relatório da sindicância concluir que a infração está capitulada como ilícito
penal, a autoridade competente encaminhará cópia dos autos ao Ministério Público,
independentemente da imediata instauração do processo disciplinar (art. 154, parágrafo único).

PRAZO DE CONCLUSÃO DA SINDICÂNCIA

O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por
igual período, a critério da autoridade superior (lei 8.112/90, art. 145, parágrafo único).

DO PROCESSO DISCIPLINAR

Será obrigatória a abertura de processo disciplinar, sempre que o ilícito praticado pelo servidor
ensejar a imposição de penalidade de suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão,
cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão (Lei
8.112/90, art. 146).

Os autos da sindicância integrarão o processo disciplinar, como peça informativa da instrução


(art. 154, caput).

CONDUÇÃO DO PROCESSO DISCIPLINAR

O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores estáveis
designados pela autoridade competente, que indicará entre eles o seu presidente, que deverá ser
ocupante de cargo efetivo superior ou do mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou
superior ao do indiciado (art. 149).

FASES DO PROCESSO DISCIPLINAR

O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes fases (art. 151):

I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão;


II - inquérito administrativo, que compreende instrução, defesa e relatório;

III - julgamento.

PRAZO DO PROCESSO DISCIPLINAR

O prazo para conclusão do processo disciplinar não excederá 60 (sessenta) dias, contados da
data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo,
quando as circunstâncias e exigirem (Lei 8.112/90, art. 152).

INDICIAÇÃO DO SERVIDOR

Concluída a instrução do inquérito, tipificada a infração disciplinar, será formulada a indiciação do


servidor, com a especificação dos fatos a ele imputados e das respectivas provas, que será
citado por mandado expedido pelo presidente da comissão para apresentar defesa escrita, no
prazo de 10 (dez) dias, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição. O servidor que não
apresentar defesa será considerado revel (arts. 161, caput, §1º e art.164).

DO AFASTAMENTO PREVENTIVO

Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da
irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu
afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, que poderá ser
prorrogado por igual prazo, sem prejuízo da remuneração, findo o qual cessarão os efeitos, ainda
que não concluído o processo (art. 147).

REVISÃO DO PROCESSO DISCIPLINAR

O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando se
aduzirem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do punido ou a
inadequação da penalidade aplicada. Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do
servidor, qualquer pessoa da família poderá requerer a revisão do processo. No caso de
incapacidade mental do servidor, a revisão será requerida pelo respectivo curador.
LEI Nº 5.371 - DE 5 DEZEMBRO DE 1967

Autoriza a instituição da "Fundação Nacional do Índio" e dá outras providências.

Art. 1º Fica o Governo Federal autorizado a instituir uma fundação, com patrimônio próprio e
personalidade jurídica de direito privado, nos termos da lei civil denominada "Fundação Nacional
do Índio", com as seguintes finalidades:
I - estabelecer as diretrizes e garantir o cumprimento da política indigenista, baseada nos
princípios a seguir enumerados:
a) respeito à pessoa do índio e às instituições e comunidades tribais;
b) garantia à posse permanente das terras que habitam e o usufruto exclusivo dos recurso
naturais e de todas as unidades nelas existentes;
c) preservação do equilíbrio biológico e cultural do índio, no seu contacto com a sociedade
nacional;
d) resguardo à aculturação espontânea do índio, de forma que sua evolução sócio-econômica se
processe a salvo de mudanças bruscas;

II - gerir o Patrimônio Indígena, no sentido de sua conservação, ampliação e valorização;


III - promover levantamentos, análises, estudos e pesquisas científicas sobre o índio e os grupos
sociais indígenas;
VI – Revogado pela Lei nº 9.836 de 23/09/1999;
V - promover a educação de base apropriada do índio visando à sua progressiva integração na
sociedade nacional;
VI - despertar, pelos instrumentos de divulgação, o interesse coletivo para a causa indigenista;
VII - exercitar o poder de político nas áreas reservadas e nas matérias atinentes à proteção do
índio.
Parágrafo único. A Fundação exercerá os poderes de representação ou assistência jurídica
inerentes ao regime tutelar do índio, na forma estabelecida na legislação civil comum ou em lei
especiais.

Art.2º O patrimônio da Fundação será constituído:


I - pelos acervo do Serviço de Proteção aos índios (S.P.I), do conselho Nacional de Proteção aos
Índios (C.N.P.I.) e do Parque Nacional do Xingu (P.N.X.)
II - pelas dotações orçamentárias e créditos adicionais que lhe forem atribuídos;
III -pelas subvenções e doações d pessoas físicas, entidades públicas e privadas, nacionais,
estrangeiras e internacionais;
IV - pelas rendas e emolumentos provenientes de serviços prestados a terceiros;
V - pelo dízimo de renda líquida anual do Patrimônio Indígena.

§1º Os bens, rendas e serviços da Fundação são isentos de impostos federais, estaduais e
municipais, de conformidade com a lei "c", item III, do art.20 da Constituição.
§2º O orçamento da União, consignará, em cada exercício, recursos suficientes ao atendimento
das despesas da Fundação.
§3º A Fundação poderá promover a obtenção de cooperação financeira e assistência técnica
internas ou externas, públicas ou privadas, coordenando e adequando a sua aplicação aos planos
estabelecidos.

Art.3º As Rendas do patrimônio Indígena serão administradas pela Fundação tendo em vista os
seguintes objetivos:
I - emancipação econômica das tribos;
II - acréscimo do patrimônio rentável;
III - custeio dos serviços de assistência ao índio.

Art. 4º Nova redação dada pelo Decreto-Lei nº 423 de 21/01/1969


"Art. 4º - A Fundação terá sede e fôro na Capital Federal e se regerá por estatutos aprovados
pelo Presidente da República.
Parágrafo único - A Fundação ficará vinculada ao Ministério do Interior, nos termos do Decreto-
Lei nº 200/67."

Art.5º A Fundação, independente da supervisão ministerial prevista no Decreto-Lei nº 200, de 25


de fevereiro de 1967, prestará contas da gestão do Patrimônio Indígena ao Ministério do Interior.

Parágrafo único. Responderá a Fundação pelos danos que os seus empregados causem ao
Patrimônio Indígena, cabendo-lhe ação regressiva contra o empregado responsável, nos casos
de culpa ou dolo.

Art.6º Instituída a Fundação, ficarão automaticamente extintos o Serviço de Proteção aos Índios
(S.P.I), o Conselho Nacional de Proteção aos Índios (C.N.P.I) e o Parque Nacional do Xingu
(P.N.X.).

Art.7º Os quadros de pessoal dos órgãos a que se refere ao artigo anterior serão considerados m
extinção, a operar-se gradativamente, de acordo com as normas fixadas em Decreto.
§1º Os servidores dos quadros em extinção passarão a prestar serviços a Fundação consoante o
regime legal que lhe é próprio, podendo entretanto, optar pelo regime da legislação trabalhista, a
juízo da Diretoria da Fundação,, conforme normas a serem estabelecidas em Decreto do Poder
Executivo.
§2º O tempo de serviço prestado a Fundação em regime trabalhista, na forma do parágrafo
anterior, será contado como de serviço público para os fins previstos na legislação federal.
§3º A Fundação promoverá o aproveitamento em órgãos federais e, mediante convênio nos
Estados e Municípios, dos servidores referidos neste artigo, que não forem considerados
necessários aos serviços, tendo em vista o disposto no artigo 99 do Decreto-Lei nº 200, de 25 de
fevereiro de 1967.

Art.8º A Fundação poderá requisitar servidores federais, estaduais e municipais, inclusive


autárquicos, na forma da legislação em vigor.

Parágrafo único. Os servidores requisitados na forma deste artigo poderão optar pelo regime
trabalhista peculiar à Fundação, durante o período em que permaneçam à sua disposição,
contando-se o tempo de serviço assim prestado para efeito de direitos e vantagens da função
pública.

Art.9º As dotações orçamentárias consignadas ao Serviço de Proteção aos Índios (S.P.I.), ao


Conselho Nacional de Proteção aos Índios (C.N.P.I.), e ao parque do Xingu (P.N.X.), no
Orçamento da União, serão automaticamente transferidos para a Fundação, na data de sua
instituição.

Art.10º Fica a fundação autorizada a examinar os acordos, convênios, contratados e ajustes


firmados pelo S.P.I., C.N.P.I., e P.N.X., podendo ratificá-los, modificá-los sem prejuízos ao direito
adquirido por terceiros, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada, nos termos do art. 150 e §§ 3º e
22 da Constituição do Brasil.

Parágrafo único. Vetado

Art.11° São extensivos à Fundação e ao Patrimônio Indígena os privilégios da Fazenda Pública,


quando à impenhorabilidade de bens, rendas e serviços, prazos processuais, ações especiais e
exclusivas, juros e custas.

Art. 12° Cumpre à Fundação elaborar e propor ao Poder Executivo Anteprojeto de Lei, a ser
encaminhado ao congresso, sobre o Estatuto Legal do Índio Brasileiro.

Art.13° No prazo de 30 (trinta) dias, a contar da publicação desta Lei, o Ministro do Interior,
ouvida a Procuradoria-Geral da República, submeterá ao Presidente da República o projeto dos
Estados da Fundação Nacional do Índio.

Art.14° Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.

A. Costa e Silva
DECRETO Nº 7.056 DE 28 DE DEZEMBRO DE 2009.
Aprova o Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e
das Funções Gratificadas da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, e dá
outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e
VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 50 da Lei no 10.683, de 28 de
maio de 2003,
DECRETA:
Art. 1o Ficam aprovados o Estatuto e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das
Funções Gratificadas da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, na forma dos Anexos I e II a este
Decreto.
Art. 2o A letra “a” do inciso I do art. 1o do Decreto no 6.280, de 3 de dezembro de 2007, passa a
vigorar com a seguinte redação:
“a) a Fundação Nacional do Índio - FUNAI, sete DAS 102.4 e quatro DAS 102.3;” (NR)
Art. 3o Em decorrência do disposto no art. 1o, ficam remanejados, na forma do Anexo III a este
Decreto, os seguintes cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores -
DAS:
I - da FUNAI para a Secretaria de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão:
um DAS 101.4; e dezessete DAS 102.1; e
II - da Secretaria de Gestão, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, para a FUNAI:
cinco DAS 102.4; dezesseis DAS 101.3; três DAS 102.3; trinta DAS 101.2; trinta e três DAS
102.2; e dezessete DAS 101.1.
Art. 4o Os apostilamentos decorrentes da aprovação do Estatuto de que trata o art. 1o deverão
ocorrer no prazo de vinte dias, contado da data de publicação deste Decreto.
Parágrafo único. Após os apostilamentos previstos no caput, o Presidente da FUNAI fará publicar
no Diário Oficial da União, no prazo de trinta dias, contado da data de publicação deste Decreto,
relação nominal dos titulares dos cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento
Superiores - DAS a que se refere o Anexo II, indicando, inclusive, o número de cargos vagos, sua
denominação e respectivo nível.
Art. 5o Ficam extintas todas as Administrações Executivas Regionais e Postos Indígenas de que
tratam os Decretos nos 4.645, de 25 de março de 2003, e 5.833, de 6 de julho de 2006, e criadas
as unidades regionais na forma estabelecida nos Anexos I e II.
Parágrafo único. Os servidores com lotação nas unidades extintas serão removidos para outras
unidades da FUNAI ou redistribuídos para outros órgãos, conforme a legislação vigente.
Art. 6o O Ministro de Estado da Justiça poderá editar regimento interno para detalhar as unidades
administrativas integrantes do Estatuto da FUNAI, suas competências e as atribuições de seus
dirigentes, conforme dispõe o art. 9o do Decreto no 6.944, de 21 de agosto de 2009.
Art. 7o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 8o Ficam revogados os Decretos nos 4.645, de 25 de março de 2003, e 5.833, de 6 de julho
de 2006.

ANEXO I - ESTATUTO DA FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - FUNAI


CAPÍTULO I - DA NATUREZA, SEDE E FINALIDADE
Art. 1o A Fundação Nacional do Índio - FUNAI, fundação pública, instituída em conformidade com
a Lei no 5.371, de 5 de dezembro de 1967, vinculada ao Ministério da Justiça, tem sede e foro no
Distrito Federal, jurisdição em todo o território nacional e prazo de duração indeterminado.
Art. 2o A FUNAI tem por finalidade:
I - exercer, em nome da União, a proteção e a promoção dos direitos dos povos indígenas;
II - formular, coordenar, articular, acompanhar e garantir o cumprimento da política indigenista do
Estado brasileiro, baseada nos seguintes princípios:
a) garantia do reconhecimento da organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dos
povos indígenas;
b) respeito ao cidadão indígena, suas comunidades e organizações ;
c) garantia ao direito originário e à inalienabilidade e à indisponibilidade das terras que
tradicionalmente ocupam e ao usufruto exclusivo das riquezas nelas existentes;
d) garantia aos povos indígenas isolados do pleno exercício de sua liberdade e das suas
atividades tradicionais sem a necessária obrigatoriedade de contatá-los;
e) garantia da proteção e conservação do meio ambiente nas terras indígenas; garantia de
promoção de direitos sociais, econômicos e culturais aos povos indígenas;
f) garantia de participação dos povos indígenas e suas organizações em instâncias do Estado que
definem políticas públicas que lhes digam respeito; e
III - administrar os bens do patrimônio indígena, exceto aqueles bens cuja gestão tenha sido
atribuída aos indígenas ou suas comunidades, consoante o disposto no art 29, podendo também
administrá-los por expressa delegação dos interessados;
IV - promover e apoiar levantamentos, censos, análises, estudos e pesquisas científicas sobre os
povos indígenas, visando a valorização e divulgação das suas culturas;
V - acompanhar as ações e serviços destinados à atenção à saúde dos povos indígenas;
VI - acompanhar as ações e serviços destinados a educação diferenciada para os povos
indígenas;
VII - promover e apoiar o desenvolvimento sustentável nas terras indígenas, em consonância com
a realidade de cada povo indígena;
VIII - despertar, por meio de instrumentos de divulgação, o interesse coletivo para a causa
indígena;
IX - exercer o poder de polícia em defesa e proteção dos povos indígenas.
Art. 3o Compete à FUNAI exercer os poderes de assistência jurídica aos povos indígenas,
conforme estabelecido na legislação.
Art. 4o A FUNAI, na forma da legislação vigente, promoverá os estudos de identificação e
delimitação, a demarcação, regularização fundiária e registro das terras tradicionalmente
ocupadas pelos povos indígenas.
Parágrafo único. As atividades de medição e demarcação poderão ser realizadas por entidades
públicas ou privadas, mediante convênios ou contratos, firmados na forma da legislação
pertinente, desde que o órgão indigenista não tenha condições de realizá-las diretamente.
Art. 5o A identificação de áreas destinadas à criação de reservas indígenas dependerá de estudos
para a descaracterização da ocupação tradicional e verificação das condições necessárias à
reprodução física e cultural dos indígenas.

CAPÍTULO II - DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL


Art. 6o A FUNAI tem a seguinte estrutura organizacional:
I - de assistência direta e imediata ao Presidente: Gabinete;
II - órgãos seccionais:
a) Procuradoria Federal Especializada;
b) Auditoria Interna;
c) Corregedoria;
d) Ouvidoria; e
e) Diretoria de Administração e Gestão;
III - órgãos específicos singulares:
a) Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável; e
b) Diretoria de Proteção Territorial;
IV - órgãos colegiados:
a) Diretoria Colegiada;
b) Comitês Regionais; e
c) Conselho Fiscal;
V - órgãos descentralizados: Coordenações Regionais; e
VI - órgão científico-cultural: Museu do Índio.
CAPÍTULO III
DA DIREÇÃO E NOMEAÇÃO
Art. 7o A FUNAI será dirigida por uma Diretoria Colegiada, composta por três Diretores e
pelo Presidente que a presidirá.
§ 1o O Presidente da FUNAI e os Diretores serão nomeados pelo Presidente da República, por
indicação do Ministro de Estado da Justiça.
§ 2o A nomeação do Procurador-Chefe dar-se-á na forma da legislação em vigor, mediante
aprovação prévia do Advogado-Geral da União.
§ 3o A nomeação e a exoneração do Auditor-Chefe deverão ser submetidas, pelo Presidente da
FUNAI, à aprovação da Controladoria-Geral da União.
§ 4o O titular do cargo da unidade de correição é privativo de servidor público ocupante de cargo
efetivo de nível superior, que tenha, preferencialmente, formação em Direito e terá mandato de
dois anos, devendo sua nomeação ser submetida à prévia apreciação da Controladoria-Geral da
União.
CAPÍTULO IV - DOS ORGÃOS COLEGIADOS
Seção I - Da Diretoria Colegiada
Art. 8o A Diretoria Colegiada é composta pelo Presidente da FUNAI, que a presidirá, e por três
Diretores.
§ 1o As reuniões da Diretoria Colegiada serão ordinárias e extraordinárias, estando presentes,
pelo menos, o Presidente e dois membros.
§ 2o As reuniões ordinárias serão convocadas pelo Presidente e as extraordinárias pelo
Presidente ou pela maioria dos membros da Diretoria Colegiada, a qualquer tempo.
§ 3o A Diretoria Colegiada deliberará por maioria de votos, cabendo ao Presidente, ainda, o voto
de qualidade.
§ 4o O Procurador-Chefe poderá participar das reuniões da Diretoria Colegiada, sem direito a
voto.
§ 5o A critério do Presidente, poderão ser convidados a participar das reuniões da Diretoria
Colegiada gestores e técnicos da FUNAI, do Ministério da Justiça e de outros órgãos e entidades
da administração pública federal, estadual e municipal, representantes de entidades não-
governamentais, bem como membros da Comissão Nacional de Política Indigenista - CNPI, sem
direito a voto.
§ 6o Em caso de impedimento do membro titular, este será representado por seu substituto legal.
Seção II - Do Conselho Fiscal
Art. 9o O Conselho Fiscal constituir-se-á de três membros, de notório conhecimento contábil, com
mandato de dois anos, vedada a recondução, sendo dois do Ministério da Justiça, entre os quais
um será seu Presidente, e um do Ministério da Fazenda, indicados pelos respectivos Ministros de
Estado e nomeados, juntamente com seus suplentes, pelo Ministro de Estado da Justiça.
Parágrafo único. O Conselho Fiscal reunir-se-á, ordinariamente, quatro vezes por ano e,
extraordinariamente, sempre que convocado pelo seu Presidente.
Seção III - Dos Comitês Regionais
Art. 10. A FUNAI instituirá Comitês Regionais para cada Coordenação Regional.
§ 1o Os Comitês Regionais serão compostos pelos Coordenadores Regionais, que os presidirão,
Assistentes Técnicos, Chefes de Divisão e de Serviços e representantes indígenas locais, na
forma do regimento interno da FUNAI.
§ 2o Os Comitês Regionais reunir-se-ão ordinariamente uma vez por semestre e,
extraordinariamente, por convocação do Presidente ou da maioria dos membros.
§ 3o O quorum para a realização das reuniões será de, no mínimo, cinquenta por cento dos
membros votantes e suas decisões serão tomadas por maioria simples de votos, à exceção das
situações que exijam quorum qualificado, de acordo com o regimento interno.
§ 4o Havendo impedimento do membro titular, este será representado por seu substituto legal.
§ 5o Os Comitês Regionais poderão, por intermédio do Presidente ou por decisão de seu
plenário, convidar outros órgãos e entidades da administração pública federal, estadual e
municipal, técnicos, especialistas, representantes de entidades não governamentais, membros da
sociedade civil e da CNPI para prestar informações e opinar sobre questões específicas, sem
direito a voto.
CAPÍTULO V - DAS COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS
Seção I - Dos Órgãos Colegiados
Art. 11. À Diretoria Colegiada compete:
I - estabelecer diretrizes e estratégias da FUNAI;
II - acompanhar e avaliar a execução dos planos e ações da FUNAI, bem como determinar as
medidas de ajustes necessárias ao cumprimento dos seus objetivos;
III - examinar e propor ações relacionadas à proteção territorial e promoção dos Povos Indígenas;
IV - deliberar sobre questões propostas pelo Presidente ou pelos membros da Diretoria
Colegiada;
V - analisar e aprovar o plano de ação estratégica e a proposta orçamentária da FUNAI,
estabelecendo metas e indicadores de desempenho vinculados a programas e projetos;
VI - analisar e aprovar o plano de aplicação da renda do Patrimônio Indígena a ser submetido à
aprovação do Ministro de Estado da Justiça;
VII - analisar e aprovar relatório anual e prestação de contas com avaliação dos programas e
ações na área de atuação da FUNAI;
VIII - analisar e aprovar programa de formação, treinamento e capacitação técnica para os
servidores efetivos do quadro da FUNAI;
IX - analisar e identificar fontes de recursos internos e externos para viabilização das ações
planejadas pela FUNAI;
X - analisar e aprovar o plano anual de fiscalização das terras indígenas; e
XI - analisar e aprovar as proposições remetidas pelos Comitês Regionais.
Art. 12. Aos Comitês Regionais compete:
I - colaborar na formulação das políticas públicas de proteção e promoção territorial dos Povos
Indígenas;
II - propor ações de articulação com os outros órgãos dos governos estaduais e municipais e
organizações não-governamentais;
III - colaborar na elaboração do planejamento anual para a região; e IV - apreciar o relatório anual
e a prestação de contas da Coordenação Regional.
Art. 13. Ao Conselho Fiscal compete exercer a fiscalização da administração econômica e
financeira da FUNAI e do Patrimônio Indígena.
Seção II - Do Órgão de Assistência Direta e Imediata ao Presidente
Art. 14. Ao Gabinete compete:
I - assistir ao Presidente em sua representação social e política e incumbir-se do preparo e
despacho de seu expediente pessoal;
II - incumbir-se do preparo e despacho do expediente institucional, bem como da articulação e
interlocução do Presidente com as Diretorias, unidades descentralizadas e público externo;
III - planejar, coordenar e supervisionar as atividades de comunicação social;
IV - apoiar a publicação e divulgação das matérias de interesse da FUNAI;
V - planejar, coordenar e supervisionar as atividades das assessorias técnicas; e
VI - secretariar as reuniões da Diretoria Colegiada.
Seção III - Dos Órgãos Seccionais
Art. 15. À Procuradoria Federal Especializada, órgão de execução da Procuradoria-
Geral Federal, compete:
I - representar judicial e extrajudicialmente a FUNAI;
II - apurar a liquidez e certeza dos créditos, de qualquer natureza, inerentes às atividades da
FUNAI, inscrevendo-os em dívida ativa, para fins de cobrança amigável ou judicial;
III - defender os interesses e direitos individuais e coletivos indígenas, de acordo com o disposto
no art. 35 da Lei no 6.001, de 19 de dezembro de 1973;
IV - zelar pela observância da Constituição, das leis e dos atos emanados dos Poderes Públicos,
sob a orientação normativa da Procuradoria-Geral Federal e da Advocacia-Geral da União;
V - exercer as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito da FUNAI,
aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 11 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro
de 1993;
VI - fixar a orientação jurídica da FUNAI, auxiliando na elaboração e edição de seus atos
normativos e interpretativos, em articulação com os órgãos competentes da FUNAI;
VII - coordenar e supervisionar, técnica e administrativamente, as suas unidades regionais no
âmbito da FUNAI; e
VIII - encaminhar à Procuradoria-Geral Federal pedido de apuração de falta funcional praticada,
no exercício de suas atribuições, por seus respectivos membros.
Art. 16. À Auditoria Interna compete:
I - realizar auditoria de avaliação e acompanhamento da gestão, sob os aspectos orçamentário,
financeiro, contábil, operacional, pessoal e de sistemas, objetivando maior eficiência, eficácia,
economicidade, equidade e efetividade nas ações desenvolvidas pela FUNAI, consoante com o
plano anual de atividades da auditoria interna;
II - proceder à avaliação dos procedimentos administrativos e operacionais, no que se refere à
conformidade com a legislação, regulamentos e normas a que se sujeitam;
III - avaliar e propor medidas saneadoras, voltadas para a eliminação ou mitigação dos riscos
internos identificados nas ações de auditoria;
IV - desenvolver trabalhos de auditoria de natureza especial, não previstos no plano de atividades
de auditoria, assim como elaborar estudos e relatórios específicos, por demanda do Conselho
Fiscal e da Direção da FUNAI;
V - proceder ao exame da prestação de contas anual da FUNAI e da renda do Patrimônio
Indígena, emitindo parecer prévio;
VI - estabelecer planos, programas de auditoria, critérios, avaliações e métodos de trabalho,
objetivando maior eficiência, eficácia e efetividades dos controles internos;
VII - elaborar o plano anual de atividades de auditoria interna, relatório anual de atividades da
Auditoria Interna, assim como manter atualizado o manual de auditoria interna;
VIII - coordenar as ações necessárias objetivando prestar informações, esclarecimentos e
justificativas aos órgãos de controle interno e externo;
IX - examinar e emitir parecer sobre tomada de contas especial, no que se refere ao cumprimento
dos normativos a que se sujeita, emanados do órgão de controle externo; e
X - prestar orientação às demais unidades da FUNAI, nos assuntos inerentes à sua área de
competência.
Art. 17. À Corregedoria compete:
I - fiscalizar as atividades funcionais dos órgãos internos e unidades descentralizadas;
II - instaurar sindicâncias e processos administrativos disciplinares;
III - aplicar as medidas de correição para a racionalização e eficiência dos serviços; e
IV - manter registro atualizado da tramitação e resultado dos processos e expedientes
em curso.
Art. 18. À Ouvidoria compete:
I - encaminhar denúncias de violação dos direitos indígenas individuais e coletivos;
II - contribuir na resolução dos conflitos indígenas;
III - promover a interação entre a FUNAI, povos, comunidades e organizações indígenas,
instituições governamentais e não governamentais, nacionais e internacionais, que tratam dos
direitos humanos, visando prevenir, mediar e resolver as tensões e conflitos para garantir a
convivência amistosa das comunidades indígenas; e
IV - contribuir para o desenvolvimento de políticas em prol das populações indígenas.
Art. 19. À Diretoria de Administração e Gestão compete:
I - planejar, coordenar e supervisionar a execução das atividades relacionadas com os sistemas
federais de Recursos Humanos, de Orçamento, de Administração Financeira, de Contabilidade,
de Informação e Informática, e de Serviços Gerais no âmbito da FUNAI;
II - planejar, coordenar e acompanhar a execução das atividades atinentes à manutenção e
conservação das instalações físicas, aos acervos e documentos e às contratações para suporte
às atividades administrativas da FUNAI;
III - coordenar, controlar e executar financeiramente os recursos da renda indígena;
IV - gerir o patrimônio indígena na forma estabelecida no art. 2o, inciso III;
V - coordenar, controlar e executar os assuntos relativos a gestão de pessoas, gestão estratégica
e recursos logísticos;
VI - supervisionar e coordenar a elaboração e a consolidação dos planos e programas anuais e
plurianuais, bem coma a elaboração da programação financeira e orçamentária da FUNAI;
VII - formalizar a celebração de convênios, acordos e outros termos ou instrumentos congêneres
que envolvam a transferência de recursos do Orçamento Geral da União e a transferência de
recursos da renda indígena, conforme a legislação vigente;
VIII - analisar a prestação de contas de convênios, acordos e outros termos ou instrumentos
congêneres celebrados com recursos do Orçamento Geral da União, da renda indígena e de
fontes externas;
IX - promover o registro, o tratamento, o controle e a execução das operações relativas às
administrações orçamentárias, financeiras, contábeis e patrimoniais dos recursos geridos pela
FUNAI;
X - planejar, coordenar e supervisionar a execução das atividades relativas à organização e
modernização administrativa;
XI - coordenar, controlar, orientar, executar e supervisionar as atividades relacionadas com a
implementação da política de recursos humanos, compreendidas as de administração de pessoal,
capacitação e desenvolvimento; e
XII - coordenar as ações relativas ao planejamento estratégico da tecnologia da informação e sua
implementação no âmbito da FUNAI, nas áreas de desenvolvimento dos sistemas de informação,
de manutenção e operação, de infraestrutura, de rede de comunicação de dados e de suporte
técnico.
Seção IV - Dos Órgãos Específicos Singulares
Art. 20. À Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável Compete:
I - promover políticas para o desenvolvimento sustentável das populações indígenas, em
articulação com os órgãos afins;
II - promover políticas de gestão ambiental visando a conservação e a recuperação do meio
ambiente, controlando e mitigando possíveis impactos ambientais decorrentes de interferências
externas às terras indígenas, em articulação com os órgãos ambientais;
III - promover o etnodesenvolvimento econômico, em articulação com órgãos afins;
IV - realizar a promoção e a proteção dos direitos sociais indígenas, em articulação com órgãos
afins;
V - acompanhar as ações de saúde das comunidades indígenas e de isolamento voluntário
desenvolvidas pelo Ministério da Saúde; e
VI - acompanhar as ações de educação escolar indígena realizadas pelos Estados e Municípios,
em articulação com o Ministério da Educação.
Art. 21. À Diretoria de Proteção Territorial compete:
I - formular, planejar, coordenar, implementar e acompanhar a execução das políticas de proteção
territorial;
II - realizar estudos de identificação e delimitação de terras indígenas;
III - realizar a demarcação e regularização fundiária das terras indígenas;
IV - realizar o monitoramento nas terras indígenas regularizadas e naquelas ocupadas por
populações indígenas, incluindo as isoladas e de recente contato;
V - formular, planejar, coordenar e implementar as políticas de proteção aos grupos isolados e
recém contatados;
VI - formular e coordenar a execução das políticas a serem implementadas nas terras ocupadas
por populações indígenas de recente contato, em articulação com a Diretoria de Promoção ao
Desenvolvimento Sustentável;
VII - planejar, orientar, normatizar e aprovar informações e dados geográficos, com objetivo de
fornecer suporte técnico necessário à delimitação, à demarcação física e demais informações que
compõem cada terra indígena e o processo de regularização fundiária;
VIII - disponibilizar as informações e dados geográficos, no que couber, às unidades da FUNAI e
outros órgãos ou entidades correlatos; e
IX - implantar medidas de vigilância, fiscalização e de prevenção de conflitos em terras indígenas
e retirada dos invasores em conjunto com os órgãos competentes.
Seção V - Dos Órgãos Descentralizados
Art. 22. Às Coordenações Regionais compete:
I - realizar a supervisão técnica e administrativa das coordenações técnicas locais e de outros
mecanismos de gestão localizados em suas áreas de jurisdição, bem como exercer a
representação política e social do Presidente da FUNAI;
II - coordenar, controlar, acompanhar e executar as atividades relativas à proteção territorial e
promoção dos direitos socioculturais das populações indígenas;
III - executar atividades de promoção ao desenvolvimento sustentável das populações indígenas;
IV - executar atividades de promoção e proteção social;
V - preservar e promover a cultura indígena;
VI - apoiar a implementação de políticas voltadas à proteção territorial dos grupos indígenas
isolados e recém contatados;
VII - apoiar a implementação de políticas de monitoramento territorial nas terras indígenas;
VIII. executar ações de preservação ao meio ambiente; e
IX - executar ações de administração de pessoal, material, patrimônio, finanças, contabilidade e
serviços gerais, em conformidade com a legislação vigente.
§ 1o Subordinam-se às Coordenações Regionais as Coordenações Técnicas Locais, cujas
atividades serão definidas em regimento interno.
§ 2o Na sede das Coordenações Regionais poderão funcionar unidades da Procuradoria Federal
Especializada.
Seção VI - Do Órgão Científico-Cultural
Art. 23. Ao Museu do Índio compete:
I - resguardar, sob o ponto de vista material e científico, as manifestações culturais
representativas da história e tradições das populações étnicas indígenas brasileiras, bem como
coordenar programas de estudos e pesquisas de campo, nas áreas de Etnologia Indígena e
Indigenismo e divulgar estudos e investigações sobre as sociedades indígenas;
II - planejar e executar a política de preservação, conservação e proteção legal dos acervos
institucionais - etnográficos, textuais, imagéticos e bibliográficos - com objetivo cultural,
educacional e científico;
III - coordenar o estudo, pesquisa e inventário dos acervos visando produzir informações
sistematizadas e difundi-las à sociedade e em especial aos povos indígenas;
IV - implementar ações voltadas para garantir a autoria e propriedade coletiva dos bens culturais
das sociedades indígenas e o aperfeiçoamento dos mecanismos para sua proteção;
V - coordenar e controlar as atividades relativas à gestão de recursos orçamentários e
financeiros; e
VI - coordenar, controlar os contratos, licitações, convênios, ajustes e acordos, gestão de pessoal,
serviços gerais, material e patrimônio, manutenção, logística e eventos no seu âmbito.
CAPÍTULO VI - DAS ATRIBUIÇÕES DOS DIRIGENTES
Art. 24. Ao Presidente incumbe:
I - exercer a representação política da FUNAI;
II - formular os planos de ação da entidade e estabelecer as diretrizes para o cumprimento da
política indigenista;
III - manter articulação com órgãos e entidades públicas e instituições privadas;
IV - gerir o Patrimônio Indígena e estabelecer normas sobre sua gestão;
V - representar a FUNAI judicial e extrajudicialmente, podendo delegar poderes e constituir
mandatários;
VI - decidir sobre a aquisição e alienação de bens móveis e imóveis da FUNAI e do Patrimônio
Indígena, ouvido o Conselho Fiscal;
VII - assinar convênios, acordos, ajustes e contratos de âmbito nacional;
VIII - ratificar os atos de dispensa ou de declaração de inexigibilidade das licitações, nos casos
prescritos em lei;
IX - baixar instruções sobre o poder de polícia nas terras indígenas;
X - submeter à aprovação do Ministro de Estado da Justiça a proposta orçamentária da entidade;
XI - apresentar, trimestralmente, ao Conselho Fiscal, os balancetes da FUNAI e do Patrimônio
Indígena e, anualmente, as respectivas prestações de contas;
XII - ordenar despesas, inclusive da renda indígena;
XIII - empossar os membros do Conselho Fiscal;
XIV - nomear e empossar os membros do Comitê Regional;
XV - dar posse e exonerar servidores, conforme as legislações vigentes;
XVI - delegar competência;
XVII - editar atos normativos internos e zelar pelo seu fiel cumprimento; e
XVIII - supervisionar e coordenar as atividades das unidades organizacionais da FUNAI, mediante
acompanhamento dos órgãos da estrutura básica.
Art. 25. Ao Chefe de Gabinete, ao Procurador Chefe, aos Diretores, aos Coordenadores Gerais,
ao Diretor do Museu e aos demais dirigentes incumbe planejar, coordenar e supervisionar a
execução das atividades das unidades organizacionais nas suas respectivas áreas de
competência.
Parágrafo único. Incumbe, ainda, aos Coordenadores Regionais a representação política e social
do Presidente nas suas regiões de jurisdição.
CAPÍTULO VII - DO PATRIMÔNIO E DOS RECURSOS FINANCEIROS
Seção I - Dos Bens e Renda do Patrimônio Indígena
Art. 26. Constituem bens do Patrimônio Indígena:
I - as terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas ou suas comunidades;
II - o usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades existentes nas terras
ocupadas pelos indígenas ou suas comunidades e nas áreas a eles reservadas; e
III - os bens móveis ou imóveis, adquiridos a qualquer título.
Art. 27. A renda indígena é a resultante da aplicação de bens e utilidades integrantes do
Patrimônio Indígena.
§ 1o A renda indígena será preferencialmente reaplicada em atividades rentáveis ou utilizada em
programas de promoção aos indígenas.
§ 2o Os bens adquiridos pela FUNAI, à conta da renda do Patrimônio Indígena, constituem bens
deste Patrimônio.
Art. 28. O arrolamento dos bens do Patrimônio Indígena será permanentemente atualizado,
procedendo-se à fiscalização rigorosa de sua gestão, mediante controle interno e externo, a fim
de tornar efetiva a responsabilidade dos seus administradores.
Art. 29. Será administrado pelos indígenas ou suas comunidade os bens adquiridos por eles com
recursos próprios ou da renda indígena, ou que lhes sejam atribuídos, podendo também ser
administrados pela FUNAI, por expressa delegação dos interessados.
Art. 30. O plano de aplicação da renda do Patrimônio Indígena, distinto do orçamento da FUNAI,
será anual e previamente submetido à aprovação do Ministério da Justiça.
Art. 31. Responderá a FUNAI pelos danos causados por seus servidores ao Patrimônio Indígena,
cabendo-lhe ação regressiva contra o responsável, nos casos de culpa ou dolo.
Seção II - Do Patrimônio e Recursos da FUNAI
Art. 32. Constituem patrimônio e recursos da FUNAI:
I - o acervo de bens atuais e aqueles que venham a ser adquiridos para uso próprio ou que lhe
sejam transferidos com essa finalidade;
II - as dotações orçamentárias e créditos adicionais;
III - as subvenções, auxílios e doações de pessoas físicas, jurídicas, públicas ou privadas,
nacionais, estrangeiras e internacionais;
IV - as rendas e emolumentos provenientes de serviços prestados a terceiros;
V - o dízimo da renda líquida anual do Patrimônio Indígena; e
VI - outras rendas na forma da legislação vigente.
Seção III - Do Regime Financeiro e Fiscalização
Art. 33. A prestação de contas anual da FUNAI, distinta da relativa à gestão do Patrimônio
Indígena, acompanhada do relatório das atividades desenvolvidas no período, será submetida,
com parecer do Conselho Fiscal, ao Ministério da Justiça, que a encaminhará ao Tribunal de
Contas da União.
Art. 34. São distintas a contabilidade da FUNAI e a do Patrimônio Indígena.
CAPÍTULO VIII - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 35. A Fundação Nacional do Índio poderá firmar, com entidades públicas ou privadas,
convênios, acordos ou contratos para obtenção de cooperação técnica ou financeira, visando à
implementação das atividades de proteção e promoção aos povos indígenas.
Art. 36. Extinta a FUNAI, seus bens e direitos passarão à União, depois de satisfeitas as
obrigações assumidas com terceiros.
LEI Nº 6.001 - DE 19 DE DEZEMBRO DE 1973

Dispõe sobre o Estatuto do Índio.

TÍTULO I - Dos Princípios e Definições

Art.1º Esta Lei regula a situação jurídica dos índio ou silvícolas e das comunidades indígenas, com o
propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmonicamente, à comunhão
nacional.

Parágrafo único . Aos índios e às comunidades indígenas se estende a proteção das leis do País,
nos mesmo termos em que se aplicam os demais brasileiros, resguardados os usos, costumes e
tradições indígenas, bem como as condições peculiares reconhecidas nesta Lei.

Art.2º cumpre à União, aos Estados e aos Municípios, bem como aos órgão das respectivas
administrações indiretas, nos limites de sua comparência, para a proteção das comunidades
indígenas e a preservação dos seus direitos;

I - estender aos índios os benefícios da legislação comum, sempre que possível a sua aplicação;

II - prestar assistência aos índios e às comunidades indígenas ainda não integradas à comunhão
nacional;

III - respeitar, ao proporcionar aos índios meio para seu desenvolvimento, as peculiaridades
inerentes à sua condição;

IV - assegurar aos índios a possibilidade de livre escolha dos seus meios de vida e subsistência;

V - garantir aos índios a permanência voluntária no seu habitat, proporcionando-lhes ali recursos
para seu desenvolvimento e progresso;

VI - respeitar, no processo de integração de índio à comunhão nacional, a coesão das comunidades


indígenas, os seus valores culturais, tradições, usos e costumes;

VII - executar sempre que possível mediante a colaboração dos índios, os programas e projetos
tendentes a beneficiar as comunidades indígenas;

VIII - utilizar a cooperação de iniciativa e as qualidades pessoais do índio, tendo em vista a melhoria
de suas condições de vida e a sua integração no processo de desenvolvimento;

IX - garantir aos índios e comunidades indígenas, nos termos de Constituição, a posse permanente
das terras que habitam, reconhecendo-lhes o direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e de
todas as utilidades naquelas terras existentes;

X - garantir aos índios o pleno exercício dos direitos civis e políticos que em fase da legislação lhes
couberem.

Parágrafo único. Vetado.


Art.3º Para os efeitos de lei, ficam estabelecidas as definições a seguir discriminadas:

I - Índio ou Silvícola - É todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que se indentifica e


é intensificado como pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distingem da
sociedade nacional;

II - Comunidade Indígena ou Grupo Tribal - É um conjunto de famílias ou comunidades índias, quer


vivendo em estado de completo isolamento em relação aos outros setores da comunhão nacional,
quer em contatos intermitentes ou permanentes, sem contudo estarem neles integrados.

Art.4º Os índios são considerados:

I - Isolados- Quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos


informes através de contatos eventuais com elementos da comunhão nacional;

II - Em vias de integração - Quando, em contato intermitente ou permanente com grupos estranhos,


conservem menor ou maior parte das condições de sua vida nativa, mas aceitam algumas práticas e
modos de existência comuns aos demais setores da comunhão nacional, da qual vão vez mais para
o próprio sustento;

III - Integrados- Quando incorporados à comunhão nacional e reconhecidos no pleno exercício dos
direitos civis, ainda que conservem usos, costumes e tradições característicos da sua cultura.

TÍTULO I I - Dos Direitos Civis e Políticos

CAPÍTULO I - Dos Princípios

Art.5º Aplicam-se aos índios ou silvícolas as normas dos artigos 145 e 146, da Constituição Federal,
relativas à nacionalidade e à cidadania.

Parágrafo único. O exercício dos direitos civis e políticos pelo índio depende da verificação das
condições especiais estabelecidas nesta Lei e na legislação pertinente.

Art.6º Serão respeitados os usos, tradições costumes das comunidades indígenas e seus efeitos,
nas relações de família, na ordem de sucessão, no regime de propriedade nos atos ou negócios
realizados entre índios, salvo se optarem pela aplicação do direito comum.

Parágrafo único. Aplicam-se as normas de direito comum às relações entre índios não integrados e
pessoas estranhas à comunidade indígena, executados os que forem menos favoráveis a eles e
ressalvado o disposto nesta Lei.

CAPÍTULO I I

Da Assistência ou Tutela

Art.7º Os índios e as comunidades indígenas ainda não itegrados à comunhão nacional ficam
sujeitos ao regime tutelar estabelecido nesta Lei.
§1º Ao regime tutelar estabelecido nesta Lei aplicam-se no que couber, os princípios e as normas da
tutela do direito comum, independendo, todavia, o exercício da tutela da especialização de bens
imóveis em hipoteca legal, bem como da prestação de caução real ou fidejussória.

§2º Incumbe a tutela à União, que a exercerá através do competente órgão federal de assistência
aos silvícolas.

§8º São nulos os atos praticados entre índios não integrados e qualquer pessoa estranha à
comunidade indígena quando não tenha havido assistência do órgão tutelar competente.

Parágrafo único. Não se aplica a regra deste artigo no caso em que o índio revele consciência e
conhecimento do ato praticado, desde que não lhe seja prejudicial, e da extensão dos seus efetivos.

Art.9º Qualquer índio poderá requerer ao Juízo competente a sua liberação do regime tutelar
previsto nesta Lei, investindo-se na plenitude da capacidade civil, desde que preencha os requisitos
seguintes:

I - idade mínima de 21 anos;

II - conhecimento da língua portuguesa;

III - habilitação para o exercício de atividade útil, na comunhão nacional;

IV - razoável compreensão dos usos e costumes da comunhão nacional.

Parágrafo único. O juiz decidirá após instrução sumária, ouvidos o órgão de assistência ao índio e
o Ministério Público, transcrita a sentença concessiva no registro civil.

Art.10º Satisfeitos os requisitos do artigo anterior, e a pedido escrito do interessado, o órgão de


assistência poderá reconhecer ao índio, mediante declaração formal, a condição de integrado,
cessando toda restrição á capacidade, desde que, homologado juridicamente o ato, seja inscrito no
registro civil.

Art.11º Mediante decreto do Presidente da República, poderá ser declarada a emancipação da


comunidade indígena e de seus membros, quando ao regime tutelar estabelecido em lei; desde que
requerida pela maioria dos membros do grupo e comprovada, em inquérito realizado pelo órgão
federal competente, a sua plena integração na comunhão nacional.

Parágrafo único. Para os efeitos do disposto neste artigo, exigir-se-à o preenchimento, pelos
requerentes, dos requisitos estabelecidos no artigo 9º.

CAPÍTULO I I I - Do Registro Civil

Art.12º Os nascimentos e óbitos, e os casamentos civis dos índios não integrados, serão registrados
de acordo com a legislação comum, atendidas as peculiaridades de sua condição quanto à
qualificação do nome, prenome e filiação.

Parágrafo único. O registro civil será feito a pedido do interessado ou da autoridade administrativa
competente.
Art.13º Haverá livros próprios, no órgão competente de assistência, para o registro administrativo de
nascimentos e óbitos dos índios, da cessação de sua incapacidade e dos casamentos contraídos
segundo os costumes tribais.

Parágrafo único. O registro administrativo constituirá, quanto couber, documento hábil para
proceder ao registro civil do alto correspondente, admitido, na falta deste, como meio subsidiário de
prova.

CAPÍTULO I V - Das condições de trabalho

Art.14º Não haverá discriminação entre trabalhadores indígenas e os demais trabalhadores,


aplicando-se-lhes todos os direitos e garantias das leis trabalhistas e de previdência social.

Parágrafo único. É permitida a adaptação de condições de trabalho aos usos e costumes da


comunidade a que pertencer o índio.

Art.15º Será nulo o contrato de trabalho ou de locação de serviços realizados com os índios de que
trata o art.4º, I.

Art.16º Os contratados de trabalho ou de locação de serviços realizados com indígenas em


processo de integração ou habitantes de parques ou colônias agrícolas dependerão de prévia
aprovação do órgão de proteção ao índio, obedecendo, quando necessário, a normas próprias.

§1º será estimulada a realização de contratos por equipe, ou a domicilio, sob a orientação do órgão
competente, de modo a favorecer a continuidade da vida comunitária.

§2º Em qualquer caso de prestação de serviços por indígenas não integrados, o órgão de proteção
ao índio exercerá permanentes fiscalização das condições de trabalho, denunciados os abusos e
providenciando as providencias a aplicação das sanções cabíveis.

§3º O órgão de assistência ao indígena propiciará o acesso, aos seus quadros, de índios integrados,
estimulando a sua especificação indigenista.

TÍTULO I I I - Das Terras dos Índios

CAPÍTULO I - Das Disposições Gerais

Art.17° Reputam-se terras indígenas:

I - as terras ocupadas ou habitadas pelos silvícolas, a que se referem os artigos 4º, IV, e 198, da
Constituição;

II - as áreas reservadas de que trata o Capítulo III deste Título;

III - as terras de domínio das comunidades indígenas ou de silvícolas.

Art.18° As terras indígenas não poderão ser objeto de arrendamento ou de qualquer ato ou negócio
jurídico que restrinja o pleno exercício da posse direta pela comunidade indígena ou pelos silvícolas.
§1º Nessas áreas, é vedada a qualquer pessoa estranha aos grupos tribais ou comunidades
indígenas a prática da caça, pesca ou coleta de frutos, assim como de atividade agropecuárias ou
extrativa.

§2º vetado.

Art.19º As terras indígenas, por iniciativa e sob orientação do órgão federal de assistência ao índio,
serão administrativamente demarcadas, de acordo com o processo estabelecido em decreto do
Poder Executivo.

§1º A demarcação promovida nos termos deste artigo, homologada pelo Presidente da República,
será registrada em livro próprio do Serviço do Patrimônio da União (S.P.U) e do registro imobiliário
da comarca da situação das terras.

§2º Contra a demarcação processada nos termos deste artigo não caberá a concessão do interdito
possessório, facultado aos interessados contra ela recorrer à ação petitória ou à demarcatória.

Art.20° Em caráter experimental e por qualquer dos motivos adiante enumerados, poderá a União
intervir, se não houver solução alternativa, em áreas indígenas, determinada a providência por
decreto do Presidente da República.

§1º A intervenção poderá ser decretada:

a) para por termo à luta entre grupos tribais;

b) para combater graves surtos epidêmicos, que possam acarretar o extermino da comunidade
indígena, ou qualquer mal que ponha em risco a integridade do silvícola ou do grupo tribal;

c) por imposição da segurança nacional;

d) para a realização de obras públicas que interessem ao desenvolvimento nacional;

e) para reprimir a turbação ou esbulho em larga escala;

f) para exploração de riquezas do subsolo de relevante interesse para a segurança e o


desenvolvimento nacional;

§2º A intervenção executar-se-à nas condições estipuladas no decreto e sempre pór meios
suasórios, dela podendo resultar, segundo a gravidade do fato, uma ou algumas das medidas
seguintes:

a) contenção de hostilidades, evitando-se o emprego de força contra os índios;

b) deslocamento de grupos tribais de uma para outra área;

c) remoção de grupos tribais de uma outra área;

§3º Somente caberá a remoção de grupo tribal quando de todo impossível ou desaconselhável a sua
permanência na área sob intervenção, destinando-se à camunidade indígena removida área
equivalente à anterior, inclusive quanto às condições ecológicas.
§4º A comunidade indígena removida será integralmente ressarcida dos prejuízos decorrentes da
remoção.

§5º O ato de intervenção terá a assistência direta do órgão federal que exercita tutela do índio.

Art.21° As terras espontânea e definitivamente abandonadas por comunidade indígena ou grupo


tribal reverterão, por proposta do órgão federal de assistência ao índio e mediante ato declamatório
do Poder Executivo, à posse e ao domínio pleno da União.

CAPÍTULO I I - Das terras Ocupadas

Art.22° cabe aos índios ou silvícolas a posse permanente das terras que habitam e o direito ao
usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades naquelas terras existentes.

Parágrafo único. As terras ocupadas pelos índios, nos termos deste artigo, são bens inalienáveis da
União (artigos 4º, IV, e 198 da Constituição Federal)

Art.23° Considera-se pose do índio ou silvícola a ocupação efetiva de terra, que, de acordo com os
usos, costumes e tradições tribais, detém e onde habita ou exerce atividade indispensável à sua
subsistência ou economicamente útil.

Art.24° O usufruto assegurado aos índios ou silvícolas compreende o direito à posse, uso e
percepção das riquezas naturais e de todas as utilidades existentes nas terras ocupadas, bem assim
ao produto da exploração econômica de tais riquezas naturais e utilidades.

§1º Incluem-se, no usufruto, que se estende aos acessórios e seus acrescidos, o uso dos
mananciais e das águas dos trechos das vias fluviais compreendidos nas terras ocupadas.

§2º É garantido ao índio o exclusivo exercício da caça e pesca nas áreas por ele ocupadas, devendo
ser executadas por forma suasória as medidas de polícia que em relação a ele eventualmente
tiverem que ser aplicadas.

Art.25° O reconhecimento do direito dos índios e grupos tribais à posse permanente das terras por
eles habitadas, nos termos do artigo 198, da Constituição Federal, independerá de sua demarcação,
e será assegurado pelo órgão federal de assistência aos silvícolas, atendendo à situação atual e ao
consenso histórico sobre a antigüidade da ocupação, sem prejuízo das medidas cabíveis que, na
omissão ou erro do referido órgão, tomar qualquer dos Poderes da República.

CAPÍTULO I I I - Das Áreas Reservadas

Art.26° A União poderá estabelecer, em qualquer parte do território nacional, áreas distintas à posse
e ocupação pelos índios, onde possam viver e obter meios de subsistência, com direito ao usufruto e
utilização das riquezas naturais indígenas, podendo organizar-se sob uma das seguintes
modalidades:

a) reserva indígena;

b) parque indígena;

c) colônia agrícola indígena;


d) território federal indígena;

Art.27° Reserva Indígena é uma área destinada a servir de habitat a grupos indígenas, com os
meios suficientes à sua subsistência.

Art.28° Parque Indígena é a área contida em terra para posse dos índios, cujo grau de integração
permita assistência econômica, educacional e sanitária dos órgãos da União, em que se preservem
as reservas de flora e fauna e as belezas naturais da região.

§1º Na administração dos parques serão respeitadas a liberdade, usos, costumes e tradições dos
índios.

§2º As medidas de polícia, necessárias à ordem interna e à preservação das riquezas existentes na
área do parque, deverão ser tomadas por meios suasórios e de acordo com interesse dos índios que
nela habitam.

§3º O loteamento das terras do parque indígena obedecerá ao regime de propriedade, usos e
costumes tribais, bem como as normas administrativas nacionais, que deverão ajustar-se aos
interesses das comunidades indígenas.

Art.29° Colônia agrícola é a área destinada à exploração agropecuária, administrada pelo órgão de
assistência ao índio, onde convivam tribos acumuladas e membros da comunidade nacional.

Art.30° Território federal indígena é a unidade administrativa subordinada à União, instituída em


região na qual pelo menos um terço da população seja formado por índios.

Art.31° As disposições deste Capítulo serão aplicadas, no que couber, às áreas em que a posse
decorra da aplicação do artigo 198, da Constituição Federal.

CAPÍTULO I V - Das Terras de Domínio Indígena

Art.32° São de propriedade plena do índio ou da comunidade indígena, conforme o caso, as terras
havidas por qualquer das formas de aquisição do domínio, nos termos da legislação civil.

Art.33° O índio integrado ou não, que ocupe como próprio, por dez anos consecutivos, trechos de
terras inferior a cinqüenta hectares, adquirir-lhe-á propriedade plena.

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às terras do domínio da União, ocupadas
por grupos tribais, às áreas reservadas de que trata esta Lei, nem às terras de propriedade coletiva
de grupo tribal.

CAPÍTULO V - Da Defesa das Terras Indígenas

Art.34° O órgão federal de assistência ao índio poderá solicitar a colaboração das Forças Armadas e
Auxiliares da Polícia Federal, para assegurar a proteção das terras ocupadas pelos índios e pelas
comunidades indígenas.

Art.35° Cabe ao órgão federal de assistência ao índio a defesa jurídica ou extrajudicial dos direitos
dos silvícolas e das comunidades indígenas.
Art.36° Sem prejuízos do disposto no artigo anterior compete à União adotar as medidas
administrativas ou propor, por intermédio do Ministério Público Federal, as medidas judiciais
adequadas à proteção da posse dos silvícolas sobre as terras que habitam.

Parágrafo único. Quando as medidas judiciais previstas neste artigo, forem propostas pelo órgão
federal de assistência, ou contra ele, a União será litisconsorte ativa ou passiva.

Art.37° Os grupos tribais ou comunidades indígenas são partes legítimas para a defesa dos seus
direitos em juízo, cabendo-lhes, no caso, a assistência do Ministério Público Federal ou do órgão de
proteção ao índio.

Art.38° As terras indígenas são inusucapíveis e sobre elas não poderá recair desapropriação, salvo
o previsto no artigo 20.

TÍTULO I V - Dos Bens e Renda do Patrimônio Indígena

Art.39° Constituem bens do Patrimônio Indígena:

I - as terras pertencentes ao domínio dos grupos tribais ou comunidades indígenas;

II - O usufruto exclusivo das riquezas naturais e de todas as utilidades existentes nas terras
ocupadas por grupos tribais ou comunidades indígenas e nas áreas a eles reservadas.

III - os bens móveis ou imóveis, adquiridos a qualquer titulo.

Art.40° São titulares do patrimônio indígena:

I - população indígena do País, no tocante a bens ou rendas pertencentes ou destinadas aos


silvícolas, sem discriminação de pessoas ou grupos tribais;

II - o grupo tribal ou comunidades indígenas determinada, quanto à posse e usufruto das terras por
ele exclusivamente ocupadas, ou eles destinadas;

III - a comunidade indígenas ou grupos tribal nomeados no título aquisitivo da propriedade, em


relação aos respectivos imóveis.

Art.41° Não integram o Patrimônio Indígena:

I - as terras de exclusiva posse ou domínio do índio ou silvícola, individualmente considerandos, e o


usufruto das respectivas riquezas naturais e utilidades;

II - a habitação, os moveis e utensílios domestico, os objetos de uso pessoal, os instrumentos de


trabalho e os produtos da lavoura, caça, pesca e coleta ou do trabalho em geral dos silvícolas.

Art.42° Cabe ao órgão de assistência a gestão do Patrimônio Indígena propiciando-se, porem a


participação dos silvícolas e dos grupos tribais na administração dos próprios bens, sendo-lhes
totalmente confiado o encargo, quando demonstrem capacidade efetiva para o seu exercício.
Parágrafo único. O arrolamento dos bens do Patrimônio Indígena será permanentemente
atualizado, procedendo-se à fiscalização rigorosa de gestão, mediante controle interno e externo a
fim de tornar efetiva a responsabilidade dos seus administradores.

Art.43° A renda indígena é a resultante da aplicação de bens e utilidades integrantes do patrimônio


Indígena, sob a responsabilidade do órgão de assistência ao índio.

§1º A renda indígena será preferencialmente reaplicada em atividades rentáveis ou utilizada em


programas de assistência ao índio.

§2º A reaplicação prevista no parágrafo anterior reverterá principalmente em beneficio da


comunidade que produziu os primeiros resultados econômicos.

Art.44° As riquezas do solo, nas áreas indígenas, somente pelos silvícolas podem ser exploradas,
cabendo-lhes com exclusividade o exercício da garimpagem, faiscação e cata das áreas referidas.

Art.45° A exploração das riquezas do subsolo nas áreas pertencentes aos índios, ou domínio da
União, mas na posse de comunidade indígenas, far-se-á nos termos da legislação vigente,
observando o disposto nesta Lei.

§1º O Ministério do interior, através do órgão competente de assistência aos índios, representará os
interesses da União, como proprietário do solo, mas a participação no resultado da exploração, as
indenizações e a renda devida pela ocupação do terreno, reverterão em benéficos das índios e
constituirão fontes de renda indígena.

§2º Na salvaguarda dos interesses do patrimônio Indígena e do bem estar dos silvícolas, a
autorização de pesquisa ou lavra, a terceiros, nas posses tribais, estará condicionada a prévio
entendimento com o órgão de assistência ao índio.

Art.46° O corte de madeira nas florestas indígenas consideradas no regime de preservação


permanente, de acordo com a letra g e §2º, do artigo 3º, do Código Florestal, está condicionado à
existência de programas ou projetos, para o aproveitamento das terras respectivos na exploração
agropecuário, na industria ou no reflorestamento.

TÍTULO V - Da Educação, Cultura e Saúde

Art.47° É assegurado o respeito ao patrimônio cultural das comunidades indígenas, seus valores
artísticos e meios de exploração.

Art.48° Estende-se à população indígena, com s necessárias adaptações, o sistema de ensino em


vigor no País.

Art.49° A alfabetização dos índio far-se-á na língua do grupo a que pertençam, e em português,
salvaguardado o uso da primeira.

Art.50° A educação do índio será orientada para a integração na comunhão nacional mediante
processo de gradativa compreensão dos problemas gerais e valores da sociedade nacional, bem
como do aproveitamento das suas aptidões individuais.
Art.51° A assistência aos menores, para fins educacionais, será prestada, quando possível, sem
afastá-los do convívio familiar ou tribal.

Art.52° Será proporcionada ao índio a formação profissional adequada, de acordo com seu grau de
culturação.

Art.53° O artesanato e as indústrias rurais serão estimulados, no sentido de elevar o padrão de vida
do índio com a conveniente adaptação às condições técnicas nomeadas.

Art.54° Os índios têm direito aos meios de proteção à saúde facultados à comunhão nacional.

Parágrafo único. Na infância, na maternidade, na doença e na velhice, deve ser assegurada ao


silvícola especial assistência dos poderes públicos, em estabelecimentos a esse destinados.

Art.55° O regime geral da previdência social será extensivo aos índios, atendidas as condições
sociais, econômicas e culturais das comunidades beneficiadas.

TÍTULO VI - Das Normas Penais

CAPÍTULO I - Dos Princípios

Art. 56°. No caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua
aplicação o juiz atenderá também ao grau de integração silvícola.

Parágrafo Único. As penas de reclusão e de detenção serão cumpridas, se possível, em regime


especial de semiliberdade, no local de funcionamento do órgão federal de assistência aos índios
mais próximo da habitação do condenado.

Art.57°. Será tolerada aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de
sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou
infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte.

CAPÍTULO II - Dos Crimes Contra os Índios

Art.58° . Constituem crimes contra os índios e a cultura indígena:

I - escarnecer de cerimônia, rito, uso, costumes ou tradição culturais indígenas, vilipendiá-los ou


perturbar, de qualquer modo, a sua prática. Pena - detenção de um a três meses;

II - utilizar o índio ou comunidade indígena como objeto de propaganda turística ou de exibição para
fins lucrativos. Pena - detenção de dois a seis meses;

III - propiciar, por qualquer meio, a aquisição, o uso e a disseminação de bebidas alcoólicas, nos
grupos tribais eu entre índios não integrados. Pena - detenção de seis meses a dois anos;

Parágrafo único. As penas estatuídas neste artigo são agravadas de um terço, quando o crime for
praticado por funcionário ou empregado do órgão de assistência ao índio.

Art.59°. No caso de crime contra a pessoa, o patrimônio ou os costumes, em que o ofendido seja
índio não integrado ou comunidade indígena, a pena será agravada de um terço.
TÍTULO VII - Disposições Gerais

Art.60°. Os bens e rendas do Patrimônio Indígena gozam de plena isenção tributária.

Art.61°. São extensivos os interesses do Patrimônio Indígena os privilégios da Fazenda Pública,


quanto à impenhorabilidade de bens, rendas e serviços, ações especiais; prazos processuais, juros
e custas.

Art.62°. Ficam declaradas a nulidade e a extinção dos efeitos jurídicos dos atos de qualquer
natureza que tenham por objeto o domínio, a posse ou a ocupação das terras habitadas pelos índios
ou comunidades indígenas.

§1º Aplica-se o dispositivo neste artigo às terras que tenham sido desocupadas pelos índios ou
comunidades indígenas em virtude de ato ilegítimo de autoridade e particular.

§2º Ninguém terá direito a ação ou indenização contra a União, o órgão de assistência ao índio ou
os silvícolas em virtude da nulidade e extinção de que trata este artigo, ou de suas conseqüências
econômicas.

§3º Em caráter excepcional e a juízo exclusivo do dirigente do órgão de assistência ao índio, será
permitida a continuação, por prazo razoável, dos efeitos dos contratos de arrendamento em vigor da
data desta Lei, desde que a sua extinção acarrete graves conseqüências sociais.

Art.63°. Nenhuma medida judicial será concedida liminarmente em causas que envolvam interesse
de silvícolas ou do Patrimônio Indígena, sem prévia audiência da União e do órgão de proteção ao
índio.

Art.64°. Vetado

Parágrafo único. Vetado.

Art.65°. O Poder Executivo fará, no prazo de cinco anos, a demarcação das terras indígenas, ainda
não demarcadas.

Art.66°. O órgão de proteção ao silvícola fará divulgar e respeitar as normas da Convenção 107,
promulgada pelo Decreto nº 58.824, de 14 de julho de 1966.

Art.67°. É mantida a Lei nº 5.371, de 05 de dezembro de 1967.

Art.68° . Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.

Brasília, 19 de dezembro de 1973; 152º da Independência e 85º da República.

EMÍLIO G. MÉDICI

Alfredo Buzaid

Antônio Delfim Netto


José Costa Cavalcanti.

Publicado no Diário Oficial de 21 de dezembro de 1973.


EDUCAÇÃO INDÍGENA - DECRETO Nº 26, DE 4 DE FEVEREIRO DE 1991

Dispõe sobre a educação indígena no Brasil.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 84, inciso IV, da
Constituição, tendo em vista o disposto na Lei nº 6.001, de 19 de dezembro de 1973 e em
cumprimento da Convenção nº 107, da Organização Internacional do Trabalho, aprovada pelo
Decreto nº 58.825, de 14 de julho de 1966, sobre a proteção da integração das populações
indígenas e outras populações tribais e semi-tribais de países independentes,

DECRETA:
Art. 1º Fica atribuída ao Ministério da Educação a competência para coordenar as ações referentes
à educação indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a Funai.

Art. 2º As ações previstas no Art. 1º serão desenvolvidas pelas Secretarias de Educação dos
Estados e Municípios em consonância com as Secretarias Nacionais de Educação do Ministério da
Educação.

Brasília, 4 de fevereiro de 1991; 170º da Independência e 103º da República.

FERNANDO COLLOR

Jarbas Passarinho

Carlos Chiarelli
PRESTAÇÃO DE ASSISTÊNCIA AOS POVOS INDÍGENAS - DECRETO Nº 3.156, DE 27/08/1999.

Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à saúde dos povos indígenas, no âmbito
do Sistema Único de Saúde, pelo Ministério da Saúde, altera dispositivos dos Decretos nºs 564, de 8
de junho de 1992, e 1.141, de 19 de maio de 1994, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI,
da Constituição, e tendo em vista nos arts. 14, inciso XVII, alinea " c ", 18, inciso X e 28-b da Lei nº
9.649, de 27 de maio de 1998,

DECRETA:

Art 1º A atenção à saúde indígena é dever da União e será prestada de acordo com a Constituição e
com a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, objetivando a universidade, a integralidade e a
equanimidade dos serviços de saúde.

Parágrafo único. As ações e serviços de saúde prestados aos índios pela União não prejudicam as
desenvolvidas pelos Municípios e Estados, no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Art 2º Para o cumprimento do disposto no artigo anterior, deverão ser observadas as seguintes
diretrizes destinadas à promoção, proteção e recuperação da saúde do índio, objetivando o alcance
do equilíbrio bio-psico-social, com o reconhecimento do valor e da complementariedade das práticas
da medicina indígena, segundo as peculiaridades de cada comunidade, o perfil epidemiológico e a
condição sanitária:

I - o desenvolvimento de esforços que contribuam para o equilíbrio da vida econômica, política e


social das comunidades indígenas;

II - a redução da mortalidade, em especial a materna e infantil;

III - a interrupção do ciclo de doenças transmissíveis;

IV - o controle da desnutrição, da cárie dental e da doença periodental;

V - a restauração das condições ambientais, cuja violação se relacione diretamente com o


surgimento de doenças e de outros agravos da saúde;

VI - a assistência médica e odontológica integral, prestada por instituições públicas em parceria com
organizações indígenas e outras da sociedade civil;

VII - a garantia aos índios e às comunidades indígenas de acesso às ações de nível primário,
secundário e terciário do Sistema Único de Saúde - SUS;

VIII - a participação das comunidades indigenas envolvidas na elaboração da política de saúde


indígena, de seus programas e projetos de implementação; e

IX - o reconhecimento da organização social e política, dos costumes, das línguas, das crenças e
das tradições dos índios.
Parágrafo único. A organização das atividades de atenção à saúde das populações indígenas dar-
se-á no âmbito do Sistema Único de Saúde e efetivar-se-á, progressivamente, por intermédio dos
Distritos Sanitários Especiais Indígenas, ficando assegurados os serviços de atendimento básico no
âmbito das terras indígenas.

Art 3º O Ministério da Saúde estabelecerá as políticas e diretrizes para promoção, prevenção e


recuperação da saúde do índio, cujas ações serão executadas pela Fundação Nacional de Saúde -
FUNASA.

Parágrafo único. A FUNAI comunicará à FUNASA a existência de grupos indígenas isolados, com
vistas ao atendimento de saúde específico.

Art 4º Para os fins previstos neste Decreto, o Ministério da Saúde poderá promover os meios
necessários para que os Estado, Municípios e entidades governamentais e não-governamentais
atuem em prol da eficácia das ações de saúde indígena, observadas as diretrizes estabelecidas no
art. 2º deste Decreto.

Art 5º Os arts. 2º e 17 do Anexo I ao Decreto nº 564, de 8 de junho de 1992, passam a vigorar com a
seguinte redação:

"Art. 2º A FUNAI tem por finalidade:

V - apoiar e acompanhar o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde nas ações e


serviços destinados à atenção à saúde dos povos indígenas; " (NR)

"Art. 17. À Diretoria de Assistência compete promover e dirigir, em nível nacional, as ações de
assistência aos índios nas áreas de proteção aos grupos indígenas isolados, de execução das
atividades relativas à prestação, conservação e recuperação do meio ambiente de atividades sociais
produtivas, assim como apoiar e acompanhar as ações das comunidades indígenas, desenvolvidas
pelo Ministério da Saúde." (NR)

Art 6º Os arts. 1º, 2º e 6º do Decreto nº 1.141, de 19 de maio de 1994, passam a vigorar com a
seguinte redação:

"Art. 1º As ações de proteção ambiental e apoio às atividades produtivas voltadas às comunidades


indígenas constituem encargos da União." (NR)

"Art. 2º As ações de que trata este Decreto dar-se-ão mediante programas nacionais e projetos
específicos, de forma integrada entre si e em relação às demais ações desenvolvidas em terras
indígenas, elaboradas e executadas pelos Ministérios da Justiça, da Agricultura e do Abastecimento,
do Meio Ambiente e da Cultura, ou por seus órgãos vinculados e entidades supervisionadas, em
suas respectivas áreas de competência legal, com observância das normas estabelecidas pela Lei
nº 6.001, de 19 de dezembro de 1973." (NR)

"Art. 6º A Comissão Intersetorial será constituída por:

I - um representante do Ministério da Justiça, que a presidirá;

II - um representante do Ministério da Agricultura e do Abastecimento;


III - um representante do Ministério da Saúde;

IV - um repersentante do Ministério do Meio Ambiente;

V - um representante do Ministério da Cultura;

VI - um representante do Ministério das Relações Exteriores;

VII - um representante da Fundação Nacional do Índio;

VIII - um representante da Fundação Nacional da Saúde;

IX - dois representante da Sociedade Civil, vinculados a entidades de defesa dos interesses das
comunidades indígenas." (NR)

Art 7º Ficam remanejados, na forma deste artigo e do Anexo I a este Decreto, da Fundação Nacional
do Índio - FUNAI para a Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, um DAS 101.4; dois DAS 101.3;
vinte e quatro DAS 101.1 e quarenta e nove FG-1.

Parágrafo único. Em decorrência do disposto no caput deste artigo, os anexos LXVIII e LXXIV ao
Decreto nº 1.351, de 28/12/1994, passam a vigorar na forma dos anexos II e III a este Decreto.

Art 8º A FUNASA contará com Distritos Sanitários Especiais Indígenas destinados ao apoio e à
prestação de assistência à saúde das populações indígenas.

§ 1º Os Distritos de que trata este artigo serão dirigidos por um Chefe DAS 101.1 e auxiliados por
dois Assistentes FG-1.

§ 2º Ficam subordinadas aos respectivos Distritos Sanitários Especiais Indígenas as Casas do Índio,
transferidas da FUNAI para a FUNASA, cada uma delas dirigida por um Chefe FG-1.

§ 3º Ao Distrito Sanitário Especial Indígena cabe a responsabilidade sanitária sobre determinado


território indígena e a organização de serviços de saúde hierarquizados, com a participação do
usuário e o controle social.

§ 4º Cada Distrito Sanitário Especial Indígena terá um Conselho Distrital de Saúde Indígena, com as
seguintes atribuições:

I - aprovação do Plano Distrital;

II - avaliação da execução das ações de saúde planejadas e a proposição, se necessária, de sua


reprogramação parcial ou total; e

III - apreciação da prestação de contas dos órgãos e instituições executoras das ações e serviços de
atenção à saúde do índio.

§ 5º Os Conselhos Distritais de Saúde Indígena serão integrados de forma partidária por:

I - representantes dos usuários, indicados pelas respectivas comunidades; e


II - representantes das organizações governamentais envolvidas, prestadores de serviços e
trabalhadores do setor de saúde.

Art 9º Poderão ser criados, pelo Presidente da FUNASA, no âmbito dos Distritos Sanitários
Especiais Indígenas, Conselhos Locais de Saúde, compostos por representantes das comunidades
indígenas, com as seguintes atribuições:

I - manifestar-se sobre as ações e os serviços de saúde necessários à comunidade;

II - avaliar a execução das ações de saúde na região de abrangência do Conselho;

III - indicar conselheiros para o Conselho Distrital de Saúde Indígena e para os Conselhos
Municipais, se for o caso; e

IV - fazer recomendações ao Conselho Distrital de Saúde Indígena, por intermédio dos conselheiros
indicados.

Art 10. As designações dos membros dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena e dos Conselhos
Locais de Saúde serão feitas, respectivamente, pelo Presidente da FUNASA e pelo Chefe do Distrito
Sanitário Especial Indígena, mediante indicação das comunidades representadas.

Art 11. A regulamentação, as competências e a instalação dos Distritos Sanitários especiais


Indígenas serão feitas pelo Presidente da FUNASA, até a publicação do novo Estatuto e do
regimento Interno da Fundação.

Art 12. Os cargos em comissão e as funções de confiança integrantes das unidades


descentralizadas da FUNASA serão providos, exclusivamente, por servidores do Quadro de Pessoal
Permanente, ativo ou inativo, da Fundação Nacional de Saúde ou, excepcionalmente, do Ministério
da Saúde.

§ 1º Além da exigência estabelecida no caput deste artigo, deverão ocupar, ou ter ocupado, no caso
de servidor inativo, cargo permanente de nível superior e ter experiência mínima de cinco anos em
cargo de direção ou função de confiança no Ministério da Saúde ou em suas entidades vinculadas,
os ocupantes dos seguintes cargos:

I - Coordenador Regional da FUNASA;

II - Diretor doInstituto Hélio Fraga;

III - Diretor do Instituto Evandro Chagas; e

IV - Diretor do Centro Nacional de Primatas.

§ 2º Executam-se das disposições deste artigo:

I - os servidores que, na data da publicação deste Decreto, se encontrem no exercício dos


mencionados cargos e funções; e

II - as nomeações de advogados para os cargos em comissão de Assessor Jurídico das unidades


descentralizadas da FUNASA, até a realização de concurso público específico.
Art 13. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art 14. Ficam revogados os arts. 11, 12, 13 e 14 do Decreto nº 1.141, de 19 de maio de 1994, e os
Decretos nºs 1.479, de 2 de maio de 1995, 1.779, de 9 de janeiro de 1996; e 2.540, de 8 de abril de
1998.

Brasília, 27 de agosto de 1999; 178º da Independência e 111º da República.

FERNANDO HENIQUE CARDOSO

José Carlos Dias

José Serra

Martus Tavares
Declaração Universal dos direitos dos Povos Indígenas

Parágrafos preambulares

1 - Afirmando que todos os povos indígenas são livres e iguais em dignidade e direitos, de acordo
com as normas internacionais, e reconhecendo o direito de todos os indivíduos e povos de serem
distintos e de considerarem-se distintos, e serem respeitados como tais;

2 - Considerando que todos os povos contribuem para a diversidade e a riqueza das civilizações e
culturas, as quais constituem patrimônio comum da humanidade;

3 - Convencidos de que todas as doutrinas, políticas e práticas de superioridade racial, religiosa,


étnica ou cultural são cientificamente falsas, legalmente inválidas, moralmente condenáveis e
socialmente injustas;

4 - Preocupados com o fato de os povos indígenas terem sido freqüentemente privados de seus
direitos humanos e liberdades fundamentais, tendo como resultado a perda de suas terras, territórios
e recursos, assim como a pobreza e a marginalização;

5 - Celebrando o fato de que os povos indígenas estão se organizando para pôr fim a todas as
formas de discriminação e opressão onde quer que ocorram;

6 - Reconhecendo a urgente necessidade de promover e respeitar os direitos e características dos


povos indígenas, que se originam em sua história, filosofia, culturas, tradições espirituais e outras,
assim como em suas estruturas políticas, econômicas e sociais, especialmente seus direitos a
terras, territórios e recursos;

7 - Reafirmando que os povos indígenas, no exercício de seus direitos, deveriam ver-se livres de
discriminação adversa de todo tipo;

8 - Respaldando os esforços para consolidar e fortalecer as sociedades, culturas e tradições dos


povos indígenas, através de seu controle sobre os processos de desenvolvimento que afetem a eles
ou às suas terras, territórios e recursos;

9 - Enfatizando a necessidade da desmilitarização das terras e territórios dos povos indígenas, o que
contribuirá para a paz, a compreensão e as relações amistosas entre os povos do mundo;

l0 - Enfatizando a importância de dar especial atenção aos direitos e necessidades das mulheres,
jovens e crianças indígenas;

11 - Convencidos de que os povos indígenas têm o direito de determinar livremente suas relações
com os Estados nos quais vivem, num espírito de coexistência com outros cidadãos;

12 - Ressaltando que os Convênios Internacionais sobre os Direitos Humanos afirmam a


fundamental importância do direito à autodeterminação, assim como o direito de to. dos os seres
humanos de procurar seu desenvolvimento material, cultural e espiritual em condições de igualdade
e dignidade;

13 - Tendo em conta que nada nesta Declaração pode ser usado como justificativa para negar a
qualquer povo seu direito à autodeterminação;
14 - Conclamando os Estados a cumprir e implementar efetivamente todos os instrumentos
internacionais aplicáveis aos povos indígenas;

15 - Solenemente proclamamos a seguinte Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas:

Parágrafos operativos

Parte 1

1 - Os povos indígenas têm o direito à autodeterminação, de acordo com a lei internacional. Em


virtude deste direito, eles determinam livremente sua relação com os Estados nos quais vivem, num
espírito de coexistência com outros cidadãos, e livremente procuram seu desenvolvimento
econômico, social, cultural e espiritual em condições de liberdade e dignidade.

2 - Os povos indígenas têm o direito ao pleno e efetivo desfrute de todos os direitos humanos e
liberdades fundamentais reconhecidos na Carta das Nações Unidas e outros instrumentos
internacionais de direitos humanos.

3 - O povos indígenas têm o direito de serem livres e iguais a todos os outros seres humanos em
dignidade e direitos, e de serem livres de distinção ou discriminação adversa de qualquer tipo
baseada em sua identidade indígena.

Parte II

4 - Os povos indígenas têm o direito coletivo de existir em paz e segurança como povos distintos e
de serem protegidos contra o genocídio, assim como os direitos individuais à vida, integridade física
e mental, liberdade e segurança da pessoa.

5 - Os povos indígenas têm o direito coletivo e individual de manter e desenvolver suas


características e identidades étnicas e culturais distintas, incluindo o direito à auto -identificação.

6 - Os povos indígenas têm o direito coletivo e individual de serem protegidos do genocídio cultural,
incluindo a prevenção e a indenização por:

a) qualquer ato que tenha o objetivo ou o efeito de privá-los de sua integridade como sociedades
distintas, ou de suas características ou identidades culturais ou étnicas;

b) qualquer forma de assimilação ou integração forçadas;

c) perda de suas terras, territórios ou recursos;

d) imposição de outras culturas ou formas de vida;

e) qualquer propaganda dirigida contra eles.

7) Os povos indígenas têm o direito de reviver e praticar sua identidade e tradições culturais,
incluindo o direito de manter, desenvolver e proteger as manifestações de suas culturas, passadas,
presentes e futuras, tais como os sítios e estruturas arqueológicas e históricas, objetos, desenhos,
cerimônias, tecnologia e obras de arte, assim com o direito à restituição da propriedade cultural,
religiosa e espiritual retiradas deles sem seu livre e informado consentimento ou em violação às
suas próprias leis.

8) Os povos indígenas têm o direito de manifestar, praticar e ensinar suas próprias tradições
espirituais e religiosas, costumes e cerimônias; o direito de manter, proteger e ter acesso em
privacidade aos sítios religiosos e culturais; o direito ao uso e controle de objetos cerimoniais; e o
direito à repartição de restos humanos.

9) Os povos indígenas têm o direito de reviver, usar, desenvolver, promover e transmitir às futuras
gerações suas próprias línguas, sistemas de escrita e literatura, e designar e manter os nomes
originais de comunidades, lugares e pessoas. Os Estados tomarão medidas para assegurar que os
povos indígenas possam atender e serem entendidos nos procedimentos políticos, legais e
administrativos, quando seja necessário, através da provisão de intérpretes ou outros meios efetivos.

10) Os povos indígenas têm o direito a todas as formas de educação, incluindo o acesso à educação
em suas próprias línguas, e o direito de estabelecer e controlar seus próprios sistemas educacionais
e institucionais. Os recursos serão proporcionados pelo Estado para estes propósitos.

11) Os povos indígenas têm o direito à dignidade e à diversidade de suas culturas, histórias,
tradições e aspirações refletidas em todas as formas de educação e informação públicas. Os
Estados tomarão medidas efetivas para eliminar os preconceitos e fomentar a tolerância,
entendimento e boas relações.

12Os povos indígenas têm o direito ao uso e acesso a todas as formas de meios massivos de
comunicação em suas próprias línguas.Os Estados tomarão medidas efetivas para alcançar este fim

13 - Os povos indígenas têm o direito a uma adequada assistência financeira e técnica, por parte
dos Estados e, através da cooperação internacional, de procurar livremente seu próprio
desenvolvimento econômico, social e cultural, e para o gozo dos direitos contidos nesta Declaração.

(Parágrafo operativo a ser numerado)

Nada nesta Declaração pode ser interpretado no sentido de implicar para qualquer Estado, grupo ou
indivíduo o direito de empreender quaisquer atividades ou realizar quais. quer atos contrários à
Carta das Nações Unidas ou à Declaração Internacional de Princípios de Direitos 50bre Relações
Amistosas e Cooperação entre os Estados de acordo com a Carta das Nações Unidas.

Parte III

14 - Os povos indígenas têm o direito de manter sua distintiva e profunda relação com suas terras,
territórios e recursos, os quais incluem o total ambiente da terra, água, ar e mar, que eles
tradicionalmente ocupam ou usam de outra maneira.

15 - Os povos indígenas têm o direito coletivo e individual de possuir, controlar e usar as terras e
territórios que eles têm ocupado tradicionalmente ou usado de outra maneira. Isto inclui o direito ao
pleno reconhecimento de suas próprias leis e costumes, sistemas de posse da terra e instituições
para o manejo de recursos, e o direito a medidas estatais efetivas para prevenir qualquer
interferência ou abuso destes direitos.
16 - Os povos indígenas têm o direito à restituição, e na medida em que isto não seja possível, a
uma justa ou equitativa compensação pelas terras e territórios que hajam sido confiscados,
ocupados, usados ou sofrido danos sem seu livre e informado consentimento. A menos que se
acorde livremente outra coisa pelos povos envolvidos, a compensação tomará preferivelmente a
forma de terras e territórios de qualidade, quantidade e status legal pelo menos iguais àqueles que
foram perdidos.

17 - Os povos indígenas têm o direito à proteção de seu ambiente e à produtividade de suas terra e
territórios, e o direito à assistência adequada, incluindo a cooperação internacional para este fim. A
menos que outra coisa seja acordada livremente pelos envolvidos, as atividades militares e o
armazenamento ou depósito e de materiais perigosos não poderão ser feitos em suas terras e
territórios.

18 - Os povos indígenas têm o direito a medidas especiais de proteção, como propriedade


intelectual, de suas manifestações culturais tradicionais, como a literatura, desenhou, artes visuais e
representativas, cultos, conhecimentos médicos e conhecimento das propriedades úteis da fauna e
da flora.

(Parágrafo operativo a ser numerado)

Nenhum dos povos indígenas poderá, em nenhum caso, ser privado de seus meios de subsistência.

Parágrafos operativos revisados pelo Presidente/ informante:

Parte IV

18 - “O direito de manter e desenvolver, dentro de suas áreas de terras e outros territórios, suas
estruturas econômicas, instituições e modos de vida tradicionais, de ter asseguradas suas estruturas
econômicas e modos de vida tradicionais, de ter assegurado o desfrute de seus próprios meios de
subsistência tradicionais, e de dedicar-se livremente às suas atividades econômicas tradicionais e
outras, incluindo a caça, pesca de água doce e salgada, pastoreiro, coleta, corte de árvores e
cultivos, sem discriminação adversa. Em nenhum caso pode um povo indígena ser privado de seus
meios de subsistência. Eles têm o direito a uma justa e equitativa compensação pelos bens de que
foram privados".

19 - “O direito a medidas estatais especiais para a melhoria imediata, efetiva e continua de suas
condições sociais e econômicas, com seu consentimento, que reflitam suas próprias prioridades".

20 - “O direito de determinar, planejar e implementar todos os programas de saúde, moradia e outros


programas sociais e econômicos que os afetem e, na medida do possível, desenvolver, planejar e
implementar tais programas através de suas próprias instituições".

Parte V

21 - “O direito de participar em pé de igualdade com todos os outros cidadãos e, sem discriminação


adversa, na vida política, econômica, social e cultural do Estado, e de ter seu caráter específico
devidamente refletido no sistema legal e nas instituições políticas, sócio - econômicas e culturais,
incluindo, em particular, uma adequada consideração e reconhecimento das leis e costumes
indígenas".
22 - “O direito de participar plenamente nas instituições do Estado, através de representantes eleitos
por eles mesmos, na tomada de decisões e na implementação de todos os assuntos nacionais e
internacionais que possam afetar seus direitos, vida e destino".

“(b) O direito dos povos indígenas de participar, através de procedimentos apropriados,


determinados em conjunto com eles, na concepção de leis ou medidas administrativas que possam
afetá-los diretamente, e de obter seu livre consentimento através da implementação de tais medidas.
Os Estados têm o dever de garantir, o pleno exercício desses direitos".

23 - “O direito coletivo à autonomia em questões relativas a seus próprios assuntos internos e locais,
incluindo a educação, informação, meios de divulgação, cultura, religião, saúde, moradia, bem-estar
social, atividades econômicas e administrativas de terras e recursos e o meio ambiente, assim como
gravames impositivos internos para financiar estas funções autônomas".

24 – “O direito de decidir sobre as estruturas de suas instituições autônomas, seleção dos membros
de tais instituições de acordo com seus próprios procedimentos, e determinar os membros dos
povos envolvidos para estes propósitos; os Estados têm o dever, onde assim o queiram os povos
envolvidos, de reconhecer tais instituições e seus membros, através dos sistemas legais e
instituições políticas do Estado".

25 - “O direito de determinar as responsabilidades dos indivíduos com suas próprias comunidades,


coerentes com os direitos humanos e liberdades fundamentais universalmente reconhecidos".

26 - “O direito de manter e desenvolver contatos, relações e cooperações tradicionais, incluindo


intercâmbio cultural, social e comercial, com seus próprios parentes e amigos, através das fronteiras
estatais e a obrigação de o Estado adotar medidas para facilitar tais contatos".

27 “O direito de exigir que os Estados cumpram os tratados e outros acordos concluídos com os
povos indígenas, e de submeter qualquer disputa que possa surgir nesta matéria a instâncias
competentes, nacionais ou internacionais".

Parte VI

28 - “O direito coletivo e individual de acesso e pronta decisão a procedimentos justos e mutuamente


aceitáveis para resolver conflitos ou disputas e qualquer infração, pública ou privada, entre os
Estados e os povos, grupos ou indivíduos indígenas. Estes procedimentos deveriam incluir, como for
apropriado, negociações, mediação, arbitragem, cortes nacionais e revisão e mecanismos de
apelação sobre direitos humanos, regionais e internacionais".

Parte VII

29 - “Estes direitos constituem as normas mínimas para a sobrevivência e o bem-estar dos povos
indígenas do mundo".

30 - “Nada desta Declaração pode ser interpretado no sentido de implicar para qualquer Estado,
grupo ou indivíduos, o direito de empreender qualquer atividade ou realizar qualquer ato destinado à
destruição de qualquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos".
DECRETO Nº 5.051, DE 19 DE ABRIL DE 2004. DOU 20/04/2004
Promulga a Convenção no 169 da Organização Internacional do
Trabalho - OIT sobre Povos Indígenas e Tribais.
Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto Legislativo n o 143, de 20 de
junho de 2002, o texto da Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho - OIT sobre
Povos Indígenas e Tribais, adotada em Genebra, em 27 de junho de 1989;
Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação junto ao Diretor
Executivo da OIT em 25 de julho de 2002;
Considerando que a Convenção entrou em vigor internacional, em 5 de setembro de 1991, e, para o
Brasil, em 25 de julho de 2003, nos termos de seu art. 38;
DECRETA:
Art. 1o A Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho - OIT sobre Povos Indígenas
e Tribais, adotada em Genebra, em 27 de junho de 1989, apensa por cópia ao presente Decreto,
será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém.
Art. 2o São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em
revisão da referida Convenção ou que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao
patrimônio nacional, nos termos do art. 49, inciso I, da Constituição Federal.
Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação
CONVENÇÃO No 169 DA OIT SOBRE POVOS INDÍGENAS E TRIBAIS
A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho,
Convocada em Genebra pelo Conselho Administrativo da Repartição Internacional do Trabalho e
tendo ali se reunido a 7 de junho de 1989, em sua septuagésima sexta sessão;
Observando as normas internacionais enunciadas na Convenção e na Recomendação sobre
populações indígenas e tribais, 1957;
Lembrando os termos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, do Pacto Internacional dos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e dos
numerosos instrumentos internacionais sobre a prevenção da discriminação;
Considerando que a evolução do direito internacional desde 1957 e as mudanças sobrevindas na
situação dos povos indígenas e tribais em todas as regiões do mundo fazem com que seja
aconselhável adotar novas normas internacionais nesse assunto, a fim de se eliminar a orientação
para a assimilação das normas anteriores;
Reconhecendo as aspirações desses povos a assumir o controle de suas próprias instituições e
formas de vida e seu desenvolvimento econômico, e manter e fortalecer suas identidades, línguas e
religiões, dentro do âmbito dos Estados onde moram;
Observando que em diversas partes do mundo esses povos não podem gozar dos direitos humanos
fundamentais no mesmo grau que o restante da população dos Estados onde moram e que suas
leis, valores, costumes e perspectivas têm sofrido erosão freqüentemente;
Lembrando a particular contribuição dos povos indígenas e tribais à diversidade cultural, à harmonia
social e ecológica da humanidade e à cooperação e compreensão internacionais;
Observando que as disposições a seguir foram estabelecidas com a colaboração das Nações
Unidas, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, da Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e da Organização Mundial da Saúde, bem
como do Instituto Indigenista Interamericano, nos níveis apropriados e nas suas respectivas esferas,
e que existe o propósito de continuar essa colaboração a fim de promover e assegurar a aplicação
destas disposições;
Após ter decidido adotar diversas propostas sobre a revisão parcial da Convenção sobre populações
Indígenas e Tribais, 1957 (n.o 107) , o assunto que constitui o quarto item da agenda da sessão, e
Após ter decidido que essas propostas deveriam tomar a forma de uma Convenção Internacional
que revise a Convenção Sobre Populações Indígenas e Tribais, 1957, adota, neste vigésimo sétimo
dia de junho de mil novecentos e oitenta e nove, a seguinte Convenção, que será denominada
Convenção Sobre os Povos Indígenas e Tribais, 1989:
PARTE 1 - POLÍTICA GERAL
Artigo 1o
1. A presente convenção aplica-se:
a) aos povos tribais em países independentes, cujas condições sociais, culturais e econômicas os
distingam de outros setores da coletividade nacional, e que estejam regidos, total ou parcialmente,
por seus próprios costumes ou tradições ou por legislação especial;
b) aos povos em países independentes, considerados indígenas pelo fato de descenderem de
populações que habitavam o país ou uma região geográfica pertencente ao país na época da
conquista ou da colonização ou do estabelecimento das atuais fronteiras estatais e que, seja qual for
sua situação jurídica, conservam todas as suas próprias instituições sociais, econômicas, culturais e
políticas, ou parte delas.
2. A consciência de sua identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério
fundamental para determinar os grupos aos que se aplicam as disposições da presente Convenção.
3. A utilização do termo "povos" na presente Convenção não deverá ser interpretada no sentido de
ter implicação alguma no que se refere aos direitos que possam ser conferidos a esse termo no
direito internacional.
Artigo 2o
1. Os governos deverão assumir a responsabilidade de desenvolver, com a participação dos povos
interessados, uma ação coordenada e sistemática com vistas a proteger os direitos desses povos e
a garantir o respeito pela sua integridade.
2. Essa ação deverá incluir medidas:
a) que assegurem aos membros desses povos o gozo, em condições de igualdade, dos direitos e
oportunidades que a legislação nacional outorga aos demais membros da população;
b) que promovam a plena efetividade dos direitos sociais, econômicos e culturais desses povos,
respeitando a sua identidade social e cultural, os seus costumes e tradições, e as suas instituições;
c) que ajudem os membros dos povos interessados a eliminar as diferenças sócio - econômicas que
possam existir entre os membros indígenas e os demais membros da comunidade nacional, de
maneira compatível com suas aspirações e formas de vida.
Artigo 3o
1. Os povos indígenas e tribais deverão gozar plenamente dos direitos humanos e liberdades
fundamentais, sem obstáculos nem discriminação. As disposições desta Convenção serão aplicadas
sem discriminação aos homens e mulheres desses povos.
2. Não deverá ser empregada nenhuma forma de força ou de coerção que viole os direitos humanos
e as liberdades fundamentais dos povos interessados, inclusive os direitos contidos na presente
Convenção.
Artigo 4o
1. Deverão ser adotadas as medidas especiais que sejam necessárias para salvaguardar as
pessoas, as instituições, os bens, as culturas e o meio ambiente dos povos interessados.
2. Tais medidas especiais não deverão ser contrárias aos desejos expressos livremente pelos povos
interessados.
3. O gozo sem discriminação dos direitos gerais da cidadania não deverá sofrer nenhuma
deterioração como conseqüência dessas medidas especiais.
Artigo 5o
Ao se aplicar as disposições da presente Convenção:
a) deverão ser reconhecidos e protegidos os valores e práticas sociais, culturais religiosos e
espirituais próprios dos povos mencionados e dever-se-á levar na devida consideração a natureza
dos problemas que lhes sejam apresentados, tanto coletiva como individualmente;
b) deverá ser respeitada a integridade dos valores, práticas e instituições desses povos;
c) deverão ser adotadas, com a participação e cooperação dos povos interessados, medidas
voltadas a aliviar as dificuldades que esses povos experimentam ao enfrentarem novas condições
de vida e de trabalho.
Artigo 6o
1. Ao aplicar as disposições da presente Convenção, os governos deverão:
a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através
de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou
administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente;
b) estabelecer os meios através dos quais os povos interessados possam participar livremente, pelo
menos na mesma medida que outros setores da população e em todos os níveis, na adoção de
decisões em instituições efetivas ou organismos administrativos e de outra natureza responsáveis
pelas políticas e programas que lhes sejam concernentes;
c) estabelecer os meios para o pleno desenvolvimento das instituições e iniciativas dos povos e, nos
casos apropriados, fornecer os recursos necessários para esse fim.
2. As consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de
maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o
consentimento acerca das medidas propostas.
Artigo 7o
1. Os povos interessados deverão ter o direito de escolher suas, próprias prioridades no que diz
respeito ao processo de desenvolvimento, na medida em que ele afete as suas vidas, crenças,
instituições e bem-estar espiritual, bem como as terras que ocupam ou utilizam de alguma forma, e
de controlar, na medida do possível, o seu próprio desenvolvimento econômico, social e
cultural. Além disso, esses povos deverão participar da formulação, aplicação e avaliação dos
planos e programas de desenvolvimento nacional e regional suscetíveis de afetá-los diretamente.
2. A melhoria das condições de vida e de trabalho e do nível de saúde e educação dos povos
interessados, com a sua participação e cooperação, deverá ser prioritária nos planos de
desenvolvimento econômico global das regiões onde eles moram. Os projetos especiais de
desenvolvimento para essas regiões também deverão ser elaborados de forma a promoverem essa
melhoria.
3. Os governos deverão zelar para que, sempre que for possível, sejam efetuados estudos junto aos
povos interessados com o objetivo de se avaliar a incidência social, espiritual e cultural e sobre o
meio ambiente que as atividades de desenvolvimento, previstas, possam ter sobre esses povos. Os
resultados desses estudos deverão ser considerados como critérios fundamentais para a execução
das atividades mencionadas.
4. Os governos deverão adotar medidas em cooperação com os povos interessados para proteger e
preservar o meio ambiente dos territórios que eles habitam.
Artigo 8o
1. Ao aplicar a legislação nacional aos povos interessados deverão ser levados na devida
consideração seus costumes ou seu direito consuetudinário.
2. Esses povos deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que
eles não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional
nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Sempre que for necessário,
deverão ser estabelecidos procedimentos para se solucionar os conflitos que possam surgir na
aplicação deste principio.
3. A aplicação dos parágrafos 1 e 2 deste Artigo não deverá impedir que os membros desses povos
exerçam os direitos reconhecidos para todos os cidadãos do país e assumam as obrigações
correspondentes.
Artigo 9o
1. Na medida em que isso for compatível com o sistema jurídico nacional e com os direitos humanos
internacionalmente reconhecidos, deverão ser respeitados os métodos aos quais os povos
interessados recorrem tradicionalmente para a repressão dos delitos cometidos pelos seus
membros.
2. As autoridades e os tribunais solicitados para se pronunciarem sobre questões penais deverão
levar em conta os costumes dos povos mencionados a respeito do assunto.
Artigo 10
1. Quando sanções penais sejam impostas pela legislação geral a membros dos povos
mencionados, deverão ser levadas em conta as suas características econômicas, sociais e culturais.
2. Dever-se-á dar preferência a tipos de punição outros que o encarceramento.
Artigo 11
A lei deverá proibir a imposição, a membros dos povo interessados, de serviços pessoais
obrigatórios de qualquer natureza, remunerados ou não, exceto nos casos previstos pela lei para
todos os cidadãos.
Artigo 12
Os povos interessados deverão ter proteção contra a violação de seus direitos, e poder iniciar
procedimentos legais, seja pessoalmente, seja mediante os seus organismos representativos, para
assegurar o respeito efetivo desses direitos. Deverão ser adotadas medidas para garantir que os
membros desses povos possam compreender e se fazer compreender em procedimentos legais,
facilitando para eles, se for necessário, intérpretes ou outros meios eficazes.
PARTE II - TERRAS
Artigo 13
1. Ao aplicarem as disposições desta parte da Convenção, os governos deverão respeitar a
importância especial que para as culturas e valores espirituais dos povos interessados possui a sua
relação com as terras ou territórios, ou com ambos, segundo os casos, que eles ocupam ou utilizam
de alguma maneira e, particularmente, os aspectos coletivos dessa relação.
2. A utilização do termo "terras" nos Artigos 15 e 16 deverá incluir o conceito de territórios, o que
abrange a totalidade do habitat das regiões que os povos interessados ocupam ou utilizam de
alguma outra forma.
Artigo 14
1. Dever-se-á reconhecer aos povos interessados os direitos de propriedade e de posse sobre as
terras que tradicionalmente ocupam. Além disso, nos casos apropriados, deverão ser adotadas
medidas para salvaguardar o direito dos povos interessados de utilizar terras que não estejam
exclusivamente ocupadas por eles, mas às quais, tradicionalmente, tenham tido acesso para suas
atividades tradicionais e de subsistência. Nesse particular, deverá ser dada especial atenção à
situação dos povos nômades e dos agricultores itinerantes.
2. Os governos deverão adotar as medidas que sejam necessárias para determinar as terras que os
povos interessados ocupam tradicionalmente e garantir a proteção efetiva dos seus direitos de
propriedade e posse.
3. Deverão ser instituídos procedimentos adequados no âmbito do sistema jurídico nacional para
solucionar as reivindicações de terras formuladas pelos povos interessados.
Artigo 15
1. Os direitos dos povos interessados aos recursos naturais existentes nas suas terras deverão ser
especialmente protegidos. Esses direitos abrangem o direito desses povos a participarem da
utilização, administração e conservação dos recursos mencionados.
2. Em caso de pertencer ao Estado a propriedade dos minérios ou dos recursos do subsolo, ou de
ter direitos sobre outros recursos, existentes na terras, os governos deverão estabelecer ou manter
procedimentos com vistas a consultar os povos interessados, a fim de se determinar se os
interesses desses povos seriam prejudicados, e em que medida, antes de se empreender ou
autorizar qualquer programa de prospecção ou exploração dos recursos existentes nas suas
terras. Os povos interessados deverão participar sempre que for possível dos benefícios que essas
atividades produzam, e receber indenização equitativa por qualquer dano que possam sofrer como
resultado dessas atividades.
Artigo 16
1. Com reserva do disposto nos parágrafos a seguir do presente Artigo, os povos interessados não
deverão ser transladados das terras que ocupam.
2. Quando, excepcionalmente, o translado e o reassentamento desses povos sejam considerados
necessários, só poderão ser efetuados com o consentimento dos mesmos, concedido livremente e
com pleno conhecimento de causa. Quando não for possível obter o seu consentimento, o translado
e o reassentamento só poderão ser realizados após a conclusão de procedimentos adequados
estabelecidos pela legislação nacional, inclusive enquetes públicas, quando for apropriado, nas
quais os povos interessados tenham a possibilidade de estar efetivamente representados.
3. Sempre que for possível, esses povos deverão ter o direito de voltar a suas terras tradicionais
assim que deixarem de existir as causas que motivaram seu translado e reassentamento.
4. Quando o retorno não for possível, conforme for determinado por acordo ou, na ausência de tais
acordos, mediante procedimento adequado, esses povos deverão receber, em todos os casos em
que for possível, terras cuja qualidade e cujo estatuto jurídico sejam pelo menos iguais aqueles das
terras que ocupavam anteriormente, e que lhes permitam cobrir suas necessidades e garantir seu
desenvolvimento futuro. Quando os povos interessados prefiram receber indenização em dinheiro ou
em bens, essa indenização deverá ser concedida com as garantias apropriadas.
5. Deverão ser indenizadas plenamente as pessoas transladadas e reassentadas por qualquer perda
ou dano que tenham sofrido como conseqüência do seu deslocamento.
Artigo 17
1. Deverão ser respeitadas as modalidades de transmissão dos direitos sobre a terra entre os
membros dos povos interessados estabelecidas por esses povos.
2. Os povos interessados deverão ser consultados sempre que for considerada sua capacidade para
alienarem suas terras ou transmitirem de outra forma os seus direitos sobre essas terras para fora
de sua comunidade.
3. Dever-se-á impedir que pessoas alheias a esses povos possam se aproveitar dos costumes dos
mesmos ou do desconhecimento das leis por parte dos seus membros para se arrogarem a
propriedade, a posse ou o uso das terras a eles pertencentes.
Artigo 18
A lei deverá prever sanções apropriadas contra toda intrusão não autorizada nas terras dos povos
interessados ou contra todo uso não autorizado das mesmas por pessoas alheias a eles, e os
governos deverão adotar medidas para impedirem tais infrações.
Artigo 19
Os programas agrários nacionais deverão garantir aos povos interessados condições equivalentes
às desfrutadas por outros setores da população, para fins de:
a) a alocação de terras para esses povos quando as terras das que dispunham sejam
insuficientes para lhes garantir os elementos de uma existência normal ou para enfrentarem o seu
possível crescimento numérico;
b) a concessão dos meios necessários para o desenvolvimento das terras que esses povos já
possuam.
PARTE III - CONTRATAÇÃO E CONDIÇÕES DE EMPREGO
Artigo 20
1. Os governos deverão adotar, no âmbito da legislação nacional e em cooperação com os povos
interessados, medidas especiais para garantir aos trabalhadores pertencentes a esses povos uma
proteção eficaz em matéria de contratação e condições de emprego, na medida em que não estejam
protegidas eficazmente pela legislação aplicável aos trabalhadores em geral.
2. Os governos deverão fazer o que estiver ao seu alcance para evitar qualquer discriminação entre
os trabalhadores pertencentes ao povos interessados e os demais trabalhadores, especialmente
quanto a:
a) acesso ao emprego, inclusive aos empregos qualificados e às medidas de promoção e ascensão;
b) remuneração igual por trabalho de igual valor;
c) assistência médica e social, segurança e higiene no trabalho, todos os benefícios da seguridade
social e demais benefícios derivados do emprego, bem como a habitação;
d) direito de associação, direito a se dedicar livremente a todas as atividades sindicais para fins
lícitos, e direito a celebrar convênios coletivos com empregadores ou com organizações patronais.
3. As medidas adotadas deverão garantir, particularmente, que:
a) os trabalhadores pertencentes aos povos interessados, inclusive os trabalhadores sazonais,
eventuais e migrantes empregados na agricultura ou em outras atividades, bem como os
empregados por empreiteiros de mão-de-obra, gozem da proteção conferida pela legislação e a
prática nacionais a outros trabalhadores dessas categorias nos mesmos setores, e sejam
plenamente informados dos seus direitos de acordo com a legislação trabalhista e dos recursos de
que dispõem;
b) os trabalhadores pertencentes a esses povos não estejam submetidos a condições de trabalho
perigosas para sua saúde, em particular como conseqüência de sua exposição a pesticidas ou a
outras substâncias tóxicas;
c) os trabalhadores pertencentes a esses povos não sejam submetidos a sistemas de contratação
coercitivos, incluindo-se todas as formas de servidão por dívidas;
d) os trabalhadores pertencentes a esses povos gozem da igualdade de oportunidade e de
tratamento para homens e mulheres no emprego e de proteção contra o acossamento sexual.
4. Dever-se-á dar especial atenção à criação de serviços adequados de inspeção do trabalho nas
regiões donde trabalhadores pertencentes aos povos interessados exerçam atividades assalariadas,
a fim de garantir o cumprimento das disposições desta parte da presente Convenção.
INDÚSTRIAS RURAIS
Artigo 21
Os membros dos povos interessados deverão poder dispor de meios de formação profissional pelo
menos iguais àqueles dos demais cidadãos.
Artigo 22
1. Deverão ser adotadas medidas para promover a participação voluntária de membros dos povos
interessados em programas de formação profissional de aplicação geral.
2. Quando os programas de formação profissional de aplicação geral existentes não atendam as
necessidades especiais dos povos interessados, os governos deverão assegurar, com a participação
desses povos, que sejam colocados à disposição dos mesmos programas e meios especiais de
formação.
3. Esses programas especiais de formação deverão estar baseado no entorno econômico, nas
condições sociais e culturais e nas necessidades concretas dos povos interessados. Todo
levantamento neste particular deverá ser realizado em cooperação com esses povos, os quais
deverão ser consultados sobre a organização e o funcionamento de tais programas. Quando for
possível, esses povos deverão assumir progressivamente a responsabilidade pela organização e o
funcionamento de tais programas especiais de formação, se assim decidirem.
Artigo 23
1. O artesanato, as indústrias rurais e comunitárias e as atividades tradicionais e relacionadas com a
economia de subsistência dos povos interessados, tais como a caça, a pesca com armadilhas e a
colheita, deverão ser reconhecidas como fatores importantes da manutenção de sua cultura e da
sua autosuficiência e desenvolvimento econômico. Com a participação desses povos, e sempre que
for adequado, os governos deverão zelar para que sejam fortalecidas e fomentadas essas
atividades.
2. A pedido dos povos interessados, deverá facilitar-se aos mesmos, quando for possível,
assistência técnica e financeira apropriada que leve em conta as técnicas tradicionais e as
características culturais desses povos e a importância do desenvolvimento sustentado e equitativo.
PARTE V - SEGURIDADE SOCIAL E SAÚDE
Artigo 24
Os regimes de seguridade social deverão ser estendidos progressivamente aos povos interessados
e aplicados aos mesmos sem discriminação alguma.
Artigo 25
1. Os governos deverão zelar para que sejam colocados à disposição dos povos interessados
serviços de saúde adequados ou proporcionar a esses povos os meios que lhes permitam organizar
e prestar tais serviços sob a sua própria responsabilidade e controle, a fim de que possam gozar do
nível máximo possível de saúde física e mental.
2. Os serviços de saúde deverão ser organizados, na medida do possível, em nível
comunitário. Esses serviços deverão ser planejados e administrados em cooperação com os povos
interessados e levar em conta as suas condições econômicas, geográficas, sociais e culturais, bem
como os seus métodos de prevenção, práticas curativas e medicamentos tradicionais.
3. O sistema de assistência sanitária deverá dar preferência à formação e ao emprego de pessoal
sanitário da comunidade local e se centrar no atendimento primário à saúde, mantendo ao mesmo
tempo estreitos vínculos com os demais níveis de assistência sanitária.
4. A prestação desses serviços de saúde deverá ser coordenada com as demais medidas
econômicas e culturais que sejam adotadas no país.
PARTE VI - EDUCAÇÃO E MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Artigo 26
Deverão ser adotadas medidas para garantir aos membros dos povos interessados a possibilidade
de adquirirem educação em todos o níveis, pelo menos em condições de igualdade com o restante
da comunidade nacional.
Artigo 27
1. Os programas e os serviços de educação destinados aos povos interessados deverão ser
desenvolvidos e aplicados em cooperação com eles a fim de responder às suas necessidades
particulares, e deverão abranger a sua história, seus conhecimentos e técnicas, seus sistemas de
valores e todas suas demais aspirações sociais, econômicas e culturais.
2. A autoridade competente deverá assegurar a formação de membros destes povos e a sua
participação na formulação e execução de programas de educação, com vistas a transferir
progressivamente para esses povos a responsabilidade de realização desses programas, quando for
adequado.
3. Além disso, os governos deverão reconhecer o direito desses povos de criarem suas próprias
instituições e meios de educação, desde que tais instituições satisfaçam as normas mínimas
estabelecidas pela autoridade competente em consulta com esses povos. Deverão ser facilitados
para eles recursos apropriados para essa finalidade.
Artigo 28
1. Sempre que for viável, dever-se-á ensinar às crianças dos povos interessados a ler e escrever na
sua própria língua indígena ou na língua mais comumente falada no grupo a que
pertençam. Quando isso não for viável, as autoridades competentes deverão efetuar consultas com
esses povos com vistas a se adotar medidas que permitam atingir esse objetivo.
2. Deverão ser adotadas medidas adequadas para assegurar que esses povos tenham a
oportunidade de chegarem a dominar a língua nacional ou uma das línguas oficiais do país.
3. Deverão ser adotadas disposições para se preservar as línguas indígenas dos povos interessados
e promover o desenvolvimento e prática das mesmas.
Artigo 29
Um objetivo da educação das crianças dos povos interessados deverá ser o de lhes ministrar
conhecimentos gerais e aptidões que lhes permitam participar plenamente e em condições de
igualdade na vida de sua própria comunidade e na da comunidade nacional.
Artigo 30
1. Os governos deverão adotar medidas de acordo com as tradições e culturas dos povos
interessados, a fim de lhes dar a conhecer seus direitos e obrigações especialmente no referente ao
trabalho e às possibilidades econômicas, às questões de educação e saúde, aos serviços sociais e
aos direitos derivados da presente Convenção.
2. Para esse fim, dever-se-á recorrer, se for necessário, a traduções escritas e à utilização dos
meios de comunicação de massa nas línguas desses povos.
Artigo 31
Deverão ser adotadas medidas de caráter educativo em todos os setores da comunidade nacional, e
especialmente naqueles que estejam em contato mais direto com os povos interessados, com o
objetivo de se eliminar os preconceitos que poderiam ter com relação a esses povos. Para esse fim,
deverão ser realizados esforços para assegurar que os livros de História e demais materiais
didáticos ofereçam uma descrição equitativa, exata e instrutiva das sociedades e culturas dos povos
interessados.
PARTE VII - CONTATOS E COOPERAÇÃO ATRAVÉS DAS FRONTEIRAS
Artigo 32
Os governos deverão adotar medidas apropriadas, inclusive mediante acordos internacionais, para
facilitar os contatos e a cooperação entre povos indígenas e tribais através das fronteiras, inclusive
as atividades nas áreas econômica, social, cultural, espiritual e do meio ambiente.
PARTE VIII – ADMINISTRAÇÃO
Artigo 33
1. A autoridade governamental responsável pelas questões que a presente Convenção abrange
deverá se assegurar de que existem instituições ou outros mecanismos apropriados para administrar
os programas que afetam os povos interessados, e de que tais instituições ou mecanismos dispõem
dos meios necessários para o pleno desempenho de suas funções.
2. Tais programas deverão incluir:
a) o planejamento, coordenação, execução e avaliação, em cooperação com os povos interessados,
das medidas previstas na presente Convenção;
b) a proposta de medidas legislativas e de outra natureza às autoridades competentes e o controle
da aplicação das medidas adotadas em cooperação com os povos interessados.
PARTE IX - DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 34
A natureza e o alcance das medidas que sejam adotadas para por em efeito a presente Convenção
deverão ser determinadas com flexibilidade, levando em conta as condições próprias de cada país.
Artigo 35
A aplicação das disposições da presente Convenção não deverá prejudicar os direitos e as
vantagens garantidos aos povos interessados em virtude de outras convenções e recomendações,
instrumentos internacionais, tratados, ou leis, laudos, costumes ou acordos nacionais.
PARTE X - DISPOSIÇÕES FINAIS
Artigo 36
Esta Convenção revisa a Convenção Sobre Populações Indígenas e Tribais, 1957.
Artigo 37
As ratificações formais da presente Convenção serão transmitidas ao Diretor-Geral da Repartição
Internacional do Trabalho e por ele registradas.
Artigo 38
1. A presente Convenção somente vinculará os Membros da Organização Internacional do Trabalho
cujas ratificações tenham sido registradas pelo Diretor-Geral.
2. Esta Convenção entrará em vigor doze meses após o registro das ratificações de dois Membros
por parte do Diretor-Geral.
3. Posteriormente, esta Convenção entrará em vigor, para cada Membro, doze meses após o
registro da sua ratificação.
Artigo 39
1. Todo Membro que tenha ratificado a presente Convenção poderá denunciá-la após a expiração de
um período de dez anos contados da entrada em vigor mediante ato comunicado ao Diretor-Geral da
Repartição Internacional do Trabalho e por ele registrado. A denúncia só surtirá efeito um ano após o
registro.
2. Todo Membro que tenha ratificado a presente Convenção e não fizer uso da faculdade de
denúncia prevista pelo parágrafo precedente dentro do prazo de um ano após a expiração do
período de dez anos previsto pelo presente Artigo, ficará obrigado por um novo período de dez anos
e, posteriormente, poderá denunciar a presente Convenção ao expirar cada período de dez anos,
nas condições previstas no presente Artigo.
Artigo 40
1. O Diretor-Geral da Repartição Internacional do Trabalho notificará a todos os Membros da
Organização Internacional do Trabalho o registro de todas as ratificações, declarações e denúncias
que lhe sejam comunicadas pelos Membros da Organização.
2. Ao notificar aos Membros da Organização o registro da segundo ratificação que lhe tenha sido
comunicada, o Diretor-Geral chamará atenção dos Membros da Organização para a data de entrada
em vigor da presente Convenção.
Artigo 41
O Diretor-Geral da Repartição Internacional do Trabalho comunicará ao Secretário - Geral das
Nações Unidas, para fins de registro, conforme o Artigo 102 da Carta das Nações Unidas, as
informações completas referentes a quaisquer ratificações, declarações e atos de denúncia que
tenha registrado de acordo com os Artigos anteriores.
Artigo 42
Sempre que julgar necessário, o Conselho de Administração da Repartição Internacional do
Trabalho deverá apresentar à Conferência Geral um relatório sobre a aplicação da presente
Convenção e decidirá sobre a oportunidade de inscrever na agenda da Conferência a questão de
sua revisão total ou parcial.
Artigo 43
1. Se a Conferência adotar uma nova Convenção que revise total ou parcialmente a presente
Convenção, e a menos que a nova Convenção disponha contrariamente:
a) a ratificação, por um Membro, da nova Convenção revista implicará de pleno direito, não obstante
o disposto pelo Artigo 39, supra, a denúncia imediata da presente Convenção, desde que a nova
Convenção revista tenha entrado em vigor;
b) a partir da entrada em vigor da Convenção revista, a presente Convenção deixará de estar aberta
à ratificação dos Membros.
2. A presente Convenção continuará em vigor, em qualquer caso em sua forma e teor atuais, para os
Membros que a tiverem ratificado e que não ratificarem a Convenção revista.
Artigo 44
As versões inglesa e francesa do texto da presente Convenção são igualmente autênticas.
CAPÍTULO VI
DO MEIO AMBIENTE

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever
de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das


espécies e ecossistemas; (Regulamento)

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as


entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; (Regulamento)
(Regulamento)

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a


serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de
lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção; (Regulamento)

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de


significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade; (Regulamento)

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que


comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; (Regulamento)

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública


para a preservação do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
(Regulamento)

§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,


pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação
de reparar os danos causados.

§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-


Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei,
dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos
recursos naturais.
§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações
discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei
federal, sem o que não poderão ser instaladas.
CAPÍTULO VIII
DOS ÍNDIOS

Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e
tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União
demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

§ 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter
permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos
recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e
cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.

§ 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente,


cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.

§ 3º - O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e


a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do
Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos
resultados da lavra, na forma da lei.

§ 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas,
imprescritíveis.

§ 5º - É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, "ad referendum" do
Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no
interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer
hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco.

§ 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a
ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas
naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da
União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a
indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da
ocupação de boa fé.

§ 7º - Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, § 3º e § 4º.

Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em
juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do
processo.
TÍTULO III - Da Organização do Estado
CAPÍTULO I - DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

Art.18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União,


os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.

§ 1º - Brasília é a Capital Federal.

§ 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou


reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.

§ 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem


a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população
diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.

§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei


estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta
prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos
de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.(Redação...)

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou


manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma
da lei, a colaboração de interesse público;

II - recusar fé aos documentos públicos;

III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

CAPÍTULO II - DA UNIÃO

Art. 20. São bens da União:

I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;

II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções


militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem
mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou
dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;

IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as
ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto
aquelas áreas afetadas ao serviço público e a un. ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (R)

V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;


VI - o mar territorial;

VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;

VIII - os potenciais de energia hidráulica;

IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;

XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

§ 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem
como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de
petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros
recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica
exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.

§ 2º - A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres,
designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e
sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.

Art. 21. Compete à União:

I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais;

II - declarar a guerra e celebrar a paz;

III - assegurar a defesa nacional;

IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo
território nacional ou nele permaneçam temporariamente;

V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;

VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;

VII - emitir moeda;

VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira,


especialmente as d crédito, câmbio e capitalização, bem como as d seguros e d previdência privada;

IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de


desenvolvimento econômico e social;

X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;

XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de


telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um
órgão regulador e outros aspectos institucionais; (Redação...)
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:

a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; (Redação...)

b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de


água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos;

c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária;

d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais,


ou que transponham os limites de Estado ou Território;

e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;

f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;

XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do


Distrito Federal e dos Territórios;

XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito
Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços
públicos, por meio de fundo próprio; (Redação...)

XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de


âmbito nacional;

XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de


rádio e televisão;

XVII - conceder anistia;

XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente


as secas e as inundações;

XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de


outorga de direitos de seu uso;

XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e


transportes urbanos;

XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação;

XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; (Redação...)

XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio


estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o
comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:

a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e
mediante aprovação do Congresso Nacional;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos
para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação...)

c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de


radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; (Redação...)

d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa; (Incluída ...)

XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;

XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em


forma associativa.

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e
do trabalho;

II - desapropriação;

III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;

IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;

V - serviço postal;

VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;

VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;

VIII - comércio exterior e interestadual;

IX - diretrizes da política nacional de transportes;

X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial;

XI - trânsito e transporte;

XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;

XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;

XIV - populações indígenas;

XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros;

XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões;

XVII - organização judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública do Distrito Federal e


dos Territórios, bem como organização administrativa destes;
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais;

XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular;

XX - sistemas de consórcios e sorteios;

XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação e


mobilização das polícias militares e corpos de bombeiros militares;

XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais;

XXIII - seguridade social;

XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;

XXV - registros públicos;

XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;

XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as


administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de
economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; (Redação...)

XXVIII-defesa territorial,defesa aeroespacial,defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional;

XXIX - propaganda comercial.

Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões
específicas das matérias relacionadas neste artigo.

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o
patrimônio público;

II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de


deficiência;

III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os
monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;

IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de


valor histórico, artístico ou cultural;

V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência;

VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;


VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;

IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e


de saneamento básico;

X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração


social dos setores desfavorecidos;

XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de


recursos hídricos e minerais em seus territórios;

XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.

Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do
bem-estar em âmbito nacional. (Redação...)

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;

II - orçamento;

III - juntas comerciais;

IV - custas dos serviços forenses;

V - produção e consumo;

VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos
naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;

VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;

VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;

IX - educação, cultura, ensino e desporto;

X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;

XI - procedimentos em matéria processual;

XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;

XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;

XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;

XV - proteção à infância e à juventude;


XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.

§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer


normas gerais.

§ 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência
suplementar dos Estados.

§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades.

§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no
que lhe for contrário.

CAPÍTULO III - DOS ESTADOS FEDERADOS

Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem,
observados os princípios desta Constituição.

§ 1º - São reservadas aos Estados as competências q ñ lhes sejam vedadas por esta Constituição.

§ 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás
canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 5, de 1995)

§ 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas,


aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes,
para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste


caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;

II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas
sob domínio da União, Municípios ou terceiros;

III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;

IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo da


representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será
acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.

§ 1º - Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras
desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de
mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia
Legislativa, na razão de, no máximo, 75% daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados
Federais, observado o que dispõem os arts. 39, §4º, 57, §7º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I. (Redação)

§ 3º - Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e


serviços administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.

§ 4º - A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.

Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de quatro anos,
realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro,
em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a
posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto
no art. 77.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de1997)

§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração


pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto
no art. 38, I, IV e V.(Renumerado do parágrafo único, pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados


por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º,
150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

CAPÍTULO IV - Dos Municípios

Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo
de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os
seguintes preceitos:

I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de quatro anos,


mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País;

II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano


anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de
Municípios com mais de duzentos mil eleitores; (Redação...)

III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subseqüente ao da eleição;

IV - para a composição das Câmaras Municipais, será observado o limite máximo de: (Redação

a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 (quinze mil) habitantes; (Redação...)

b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 (quinze mil) habitantes e de até
30.000 (trinta mil) habitantes; (Redação...)

c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 30.000 (trinta mil) habitantes e de até
50.000 (cinquenta mil) habitantes; (Redação...)
d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes e de
até 80.000 (oitenta mil) habitantes; (Incluída...)

e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 80.000 (oitenta mil) habitantes e de


até 120.000 (cento e vinte mil) habitantes; (Incluída...)

f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 120.000 (cento e vinte mil) habitantes
e de até 160.000 (cento sessenta mil) habitantes; (Incluída ...)

g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 160.000 (cento e sessenta mil)
habitantes e de até 300.000 (trezentos mil) habitantes; (Incluída...)

h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 300.000 (trezentos mil) habitantes e
de até 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes; (Incluída...)

i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 450.000 (quatrocentos e cinquenta


mil) habitantes e de até 600.000 (seiscentos mil) habitantes; (Incluída...)

j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 600.000 (seiscentos mil) habitantes
e de até 750.000 (setecentos cinquenta mil) habitantes; (Incluída...)

k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 750.000 (setecentos e cinquenta


mil) habitantes e de até 900.000 (novecentos mil) habitantes; (Incluída...)

l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 900.000 (novecentos mil) habitantes
e de até 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes; (Incluída...)

m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.050.000 (um milhão e cinquenta
mil) habitantes e de até 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes; (Incluída...)

n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.200.000 (um milhão e duzentos
mil) habitantes e de até 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes; (Incluída...)

o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 1.350.000 (um milhão e trezentos e


cinquenta mil) habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes; (Incluída...)

p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.500.000 (um milhão e quinhentos
mil) habitantes e de até 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; (Incluída...)

q) 41 Vereadores, nos Municípios d + de 1.800.000 habitantes e de até 2.400.000 habitantes; (Incl...)

r) 43 Vereadores, nos Municípios d + d 2.400.000 habitantes e d até 3.000.000 d habitantes; (Incluíd)

s) 45 Vereadores, nos Municípios d + d 3.000.000 d habitantes e d até 4.000.000 d habitantes; (Incl)

t) 47 Vereadores, nos Municípios d + d 4.000.000 d habitantes e d até 5.000.000 d habitantes; (Inclu)

u) 49 Vereadores, nos Municípios d + d 5.000.000 d habitantes e d até 6.000.000 d habitantes; (Incl)

v) 51 Vereadores, nos Municípios d + d 6.000.000 d habitantes e d até 7.000.000 d habitantes; (Incl)


w) 53 Vereadores, nos Municípios d + d 7.000.000 d habitantes e d até 8.000.000 d habitantes; e (I)

x) 55 Vereadores, nos Municípios d + d 8.000.000 d habitantes; (Incluída)

V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei d iniciativa da
Câmara Municipal, observado o q dispõem os arts. 37 XI, 39 §4º, 150 II, 153 III, e 153 §2º, I; (Redaç)

VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada
legislatura para a subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios
estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites máximos: (Redação...)

a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a
vinte por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído)

b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído)

c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído)

d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído)

e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos


Vereadores corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído)

f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores


corresponderá a setenta e cinco por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído)

VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante
de cinco por cento da receita do Município; (Incluído)

VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato
e na circunscrição do Município; (Renumerado)

IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao


disposto nesta Constituição para os membros do Congresso Nacional e na Constituição do
respectivo Estado para os membros da Assembléia Legislativa; (Renumerado)

X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça; (Renumerado)

XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal; (Renumerado)

XII - cooperação das associações representativas no planejamento municipal; (Renumerado)

XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de


bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; (Renumerado)

XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, parágrafo único. (Renumerado)
Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos
Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais,
relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5 o do art. 153 e nos
arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício anterior: (Incluído)

I - 7% para Municípios c/ população d até 100.000 habitantes; (Redação) (Produção d efeito)

II - 6% para Municípios com população entre 100.000 e 300.000 habitantes; (Redação)

III - 5% para Municípios com população entre 300.001 e 500.000 habitantes; (Redação)

IV - 4,5% para Municípios com população entre 500.001 e 3.000.000 de habitantes; (Redação)

V - 4% para Municípios com população entre 3.000.001 e 8.000.000 de habitantes; (Incluído)

VI - 3,5% para Municípios com população acima de 8.000.001 de habitantes. (Incluído)

§ 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua receita com folha de
pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores. (Incluído)

§ 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal: (Incluído)

I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo; (Incluído)

II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou (Incluído)

III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária. (Incluído)

§ 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal o desrespeito ao §


1o deste artigo.(Incluído)

Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar sobre assuntos de interesse local;

II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;

III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem
prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;

IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços


públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de


educação infantil e de ensino fundamental; (Redação)

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de


atendimento à saúde da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e
controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação


fiscalizadora federal e estadual.

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante
controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.

§ 1º - O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de
Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde
houver.

§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve
anualmente prestar, só deixará d prevalecer por decisão de 2/3 dos membros da Câmara Municipal.

§ 3º - As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de


qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos
termos da lei.

§ 4º - É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

CAPÍTULO V - DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS


Seção I - DO DISTRITO FEDERAL

Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada
em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara
Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.

§ 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e


Municípios.

§ 2º - A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos


Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de
igual duração.

§ 3º - Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.

§ 4º - Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias civil e
militar e do corpo de bombeiros militar.

Seção II - DOS TERRITÓRIOS

Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.

§ 1º - Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o
disposto no Capítulo IV deste Título.

§ 2º - As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer


prévio do Tribunal de Contas da União.
§ 3º - Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na
forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do
Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara
Territorial e sua competência deliberativa.

CAPÍTULO VI - DA INTERVENÇÃO

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

I - manter a integridade nacional;

II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;

III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;

IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;

V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:

a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo
de força maior;

b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos
prazos estabelecidos em lei;

VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;

VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;

b) direitos da pessoa humana;

c) autonomia municipal;

d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.

e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a


proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços
públicos de saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em
Território Federal, exceto quando:

I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;

II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;

III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação...)
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de
princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de
decisão judicial.

Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:

I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou
impedido, ou de requisição do STF, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário;

II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do Supremo Tribunal


Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral;

III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da


República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de lei federal. (Redação...)

§ 1º - O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de


execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso
Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.

§ 2º - Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembléia Legislativa, far-se-á


convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas.

§ 3º - Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso
Nacional ou pela Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato
impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.

§ 4º - Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes


voltarão, salvo impedimento legal.

CAPÍTULO VII - DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Seção I - DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação...)

I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação...)

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso


público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado
em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação...)

III - o prazo de validade do concurso público será de até 2 anos, prorrogável 1 vez, por = período;

IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em


concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos
concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo
efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos,
condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção,
chefia e assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;

VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; (Redação.)

VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a


necessidade temporária de excepcional interesse público;

X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente


poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso,
assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação...)

XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da


administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal,
aplicando-se como li-mite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados
Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o sub-sídio dos Desembargadores do
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio
mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tri-bunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário,
aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores
Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser
superiores aos pagos pelo Poder Executivo;

XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito


de remuneração de pessoal do serviço público; (Redação...)

XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem
acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação...)

XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis,


ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, §
2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI. (Redação...)

a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)


b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Incluída...)

c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões


regulamentadas; (Redação...)

XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,


fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação...)

XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de
competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;

XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de
empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar,
neste último caso, definir as áreas de sua atuação; (Redação...)

XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades


mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;

XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e


alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as
exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das
obrigações. (Regulamento)

XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras
específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma
integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei
ou convênio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

§ 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos
deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

§ 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da
autoridade responsável, nos termos da lei.

§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e


indireta, regulando especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a


manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da
qualidade dos serviços; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,


observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou
função na administração pública. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a


perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e
gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente,
servidor ou não, q causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.

§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços


públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da


administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas. (Incluído...)

§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração


direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e
o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade,
cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - o prazo de duração do contrato;

II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade


dos dirigentes;

III - a remuneração do pessoal.

§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista,


e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. (Incluído...)

§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou


dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos
acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados
em lei de livre nomeação e exoneração.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do
caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. (Incluído...)

§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao
Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica,
como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça,
limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos
Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído...)

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de


mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: (Redação...)
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo,
emprego ou função;

II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe


facultado optar pela sua remuneração;

III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as


vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não
havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;

IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo
de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;

V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão


determinados como se no exercício estivesse.

Seção II - DOS SERVIDORES PÚBLICOS (Redação...)

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua
competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública
direta, das autarquias e das fundações públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4)

§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório


observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada


carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o


aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos
requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos
entre os entes federados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII,
XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de
admissão quando a natureza do cargo o exigir. (Redação...)

§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários


Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única,
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou
outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Redação..)

§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a
relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer
caso, o disposto no art. 37, XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio
e da remuneração dos cargos e empregos públicos. (Redação...)

§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de
recursos orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão,
autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e
produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do
serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. (Redação...)

§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos
termos do § 4º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de
caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores
ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão
aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17:
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto


se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou
incurável, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de


contribuição; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no
serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as
seguintes condições: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos
de idade e trinta de contribuição, se mulher; (Redação...)

b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com
proventos proporcionais ao tempo de contribuição. ((Redação...)

§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão


exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou
que serviu de referência para a concessão da pensão. (Redação...)

§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão
consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes
de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei. (Redação...)

§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de


aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos
definidos em leis complementares, os casos de servidores: (Redação...)
I portadores de deficiência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

II que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

§ 5º - Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em 5 anos, em relação


ao disposto no § 1º, III, "a", para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo
exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. (Redaçã

§ 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta


Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de
previdência previsto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será igual: (Redação.)

I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido
para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de
setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou (Incluído)

II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu o


falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência
social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite,
caso em atividade na data do óbito. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente,


o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação...)

§ 9º - O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de


aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade. (Incluído)

§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição


fictício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive
quando decorrentes da acumulação d cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades
sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição
de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição,
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo. (Incluído)

§ 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de
cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de
previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre


nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o
regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de
previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão
fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este
artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que
trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)

§ 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído por lei de
iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que
couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de natureza pública,
que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de
contribuição definida. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser
aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de
instituição do correspondente regime de previdência complementar. (Incluído)

§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no § 3°


serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Incluído)

§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo


regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do
regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido para
os servidores titulares de cargos efetivos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)

§ 19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para aposentadoria
voluntária estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um abono
de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as exigências
para aposentadoria compulsória contidas no § 1º, II. (Incluído)

§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os
servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em
cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, § 3º, X. (Incluído)

§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos
de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta Constituição, quando o
beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante. (Incluído)

Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de
provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação...)

§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação...)

I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído )

II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído)

III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei


complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o
eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização,
aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de
serviço. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em


disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado
aproveitamento em outro cargo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de


desempenho por comissão instituída para essa finalidade. (Incluído)

Seção III - DOS SERVIDORES PÚBLICOS DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO
FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições


organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos
Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier
a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo
a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos
oficiais conferidas pelos respectivos governadores. (Redação...)

§ 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios aplica-se o
que for fixado em lei específica do respectivo ente estatal. (Redação...)

Seção IV - DAS REGIÕES

Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo
geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.

§ 1º - Lei complementar disporá sobre:

I - as condições para integração de regiões em desenvolvimento;

II - a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais,
integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente
com estes.

§ 2º - Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei:

I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de custos e preços de responsabilidade do


Poder Público;

II - juros favorecidos para financiamento de atividades prioritárias;

III - isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas
ou jurídicas;
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social dos rios e das massas de água
represadas ou represáveis nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas.

§ 3º - Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União incentivará a recuperação de terras áridas e
cooperará com os pequenos e médios proprietários rurais para o estabelecimento, em suas glebas,
de fontes de água e de pequena irrigação.

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