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DISPEPSIA

É uma síndrome caracterizada pela dor e/ou desconforto epigástrico, plenitude pós-
prandial, pirose e náuseas.
PRINCIPAIS CAUSAS: Dispepsia funcional (mais comum); Úlcera péptica; CA de
estômago.
INDICAÇÕES FORMAIS PARA REALIZAÇÃO DE EDA NA DISPEPSIA:
A) Pacientes com mais de 45 anos
B) Pacientes com sinais de alarme (ISSO SE FAZ NECESSÁRIO PARA
EXCLUIR DIAGNÓSTICO DE CA GÁSTRICO)
 Perda ponderal, odinofagia, disfagia progressiva, anemia,
vômitos recorrentes, massa abdominal, icterícia,
linfadenopatia, história familiar de CA gástrico,
gastrectomia parcial prévia.

DISPEPSIA FUNCIONAL: Não tem alterações à EDA. Daí ela pode apresentar em dois
padrões: pacientes com predomínio de dor epigástrica e pacientes com predomínio de
desconforto pós-prandial. RECENTEMENTE, INCLUIU-SE A INDICAÇÃO DE
ERRADICAÇÃO DE H.PYLORI EM PCT COM DISPEPSIA FUNCIONAL.
No primeiro caso, o tto vai ser IBP ou bloqueador de H2. No segundo caso, vão
ser utilizados pró-cinéticos metoclopramida, bromoprida, domperidona.

ÚLCERA PÉPTICA: Podem ser gástricas ou duodenais, com padrão de hipercloridria


ou hipocloridria
No padrão de hipercloridria, o H.pylori inibe célula D que não produz
somatostatina para inibir a gastrina. Como a gastrina não está inibida, por consequência
ela vai superestimular as células parietais a produzir HCl.
No padrão de hipocloridria, o H.pylori produz gastrite atrófica que diminui a
produção de HCl, porém aumenta a sensibilidade da parede ao ácido clorídrico.
HIPOCLORIDRICA HIPERCLORIDRICA
Úlcera gástrica do tipo I Úlcera duodenal
Úlcera gástrica do tipo IV Úlcera gástrica do tipo II
Úlcera gástrica do tipo III
Duodenal: primeira porção (bulbo duodenal); Tipo I: pequena curvatura; Tipo II: corpo
gástrico + duodenal; Tipo III: pré-pilórica Tipo IV: pequena curvatura perto da junção
esofagogástrica;
A úlcera duodenal é a mais comum e melhora a dor com alimentação.
A úlcera gástrica tem incidência aumentada pelo uso de AINES, piora a dor com a
alimentação.
Como consequências da úlcera péptica, incluem-se: sangramento (principal da
duodenal) e perfuração (principal da gástrica)
TTO: IBP ou bloqueador H2 por 4 a 8 semanas e erradicar H.pylori
Como o CA gástrico pode se manifestar como uma forma ulcerada, há um perigo
real de ser confundida com uma úlcera péptica gástrica. Por isso, o cuidado com úlcera
gástrica é maior do que com a duodenal e é necessário realizar sempre: biópsia da lesão
na realização do EDA, refazer EDA após fim do tratamento clínico.
Em pacientes refratários ao tratamento clínico, pode-se realizar procedimentos
cirúrgicos, quem cumprem objetivos diferentes de acordo com o tipo hipocloridrico ou
hipercloridrico.
SE HIPOCLORIDRICO (tipo 1 e tipo 4): retirar a úlcera, fazendo uma
gastrectomia. PERIGO DE TER CÂNCER, DAÍ É MELHOR TIRAR.
SE HIPERCLORIDRICO ( duodenal, tipo 2 e tipo 3): como é necessário diminuir
o estímulo de HCl, e o nervo vago libera acetilcolina que estimula a liberação do ácido,
o procedimento que se mostra viável é a vagotomia, que pode ser de três tipos:
1. Vagotomia troncular + antrectomia (mais eficaz, mais complicações)
2. Vagotomia troncular + piloroplastia (meio a meio)
3. Vagotomia superseletiva ( menos eficaz, porém com menos complicações)
A troncular corta o tronco todo. A chance de diminuir drasticamente a produção
de HCl é quase total, porém vai mexer em tudo do estômago, inclusive a função do piloro.
Por isso opta-se pela piloroplastia ou antrectomia (retorna a funcionalidade pela perda da
ação do nervo vago).
A superseletiva vai cortar apenas ramos. A chance de não extinguir o
superestimulo é maior. Porém não tem tantas complicações.
Para reconstruir o trânsito no trato digestivo após a ressecção ou
antrectomia, pode realizar três técnicas de anastomose: Billroth I, Billroth II e Y de
Roux.
Billroth I: liga o restante do estomago ao duodeno.
Billroth II: liga o restante do estômago ao jejuno, ficando um “coto duodenal”.
Y de Roux: Também liga o estômago ao jejuno, porém ele tira a porção duodenal
e anastomosa no meio do jejuno.
Pesquisa de Helicobacter pylori:
1. TESTE DA UREASE: Feito durante a EDA. Bom para diagnóstico e
acompanhamento. Ótimo para quem tem indicação de realizar endoscopia.
2. UREIA RESPIRATÓRIA: Não é feito durante EDA. Bom para diagnóstico
de pacientes que não tem indicação de realizar endoscopia. Comprova
erradicação da bactéria após tratamento.
3. Sorologia: Indicado para pct sem indicação de EDA. Não comprova
erradicação.
As consequências mais comuns da infecção pelo H.pylori são: gastrite crônica
assintomática, gastrite antral e pangastrite crônica.
ERRADICA H.PYLORI: úlcera péptica, linfoma MALT baixo grau, CA
gástrico prévio com ressecção parcial do órgão, gastrite histológica intensa, dispepsia
funcional. ESQUEMA  Omeprazol + Claritromicina + Amoxicilina 14 dias