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Jane Celeste Guberfain

Fonoaudióloga – Especialista em Voz – Doutora em Teatro

VOZ EM CENA 1 – quartas-feiras

Primeira avaliação: 11, 18 e 25 de Setembro e 2 de outubro

Segunda avaliação: 13 e 20 de novembro

Resumo do curso:
Essa disciplina promove a reflexão sobre questões que envolvem as
relações e tensões entre o contexto do grito e os seus diversos modos de
expressão, integrados aos elementos cênicos.
Analisa as diferentes manifestações do grito.
Estuda o grito e as suas técnicas aplicadas dentro do contexto dramático.

Avaliações:

1- Primeira avaliação: mostra de filme e relatório nas datas:

11, 18 e 25 de Setembro e 2 de outubro

Analisar uma cena de um filme, novela ou de algum outro contexto que


contenha grito de um ator brasileiro ou estrangeiro ( com base no que for
mostrado em aula e em materiais lidos).
Pode ser um grito de apenas uma vogal ou de palavras.
- Mostrar a cena em aula (cena de no máximo três minutos ).
- Comentar e discutir com a turma sobre o grito ( não esquecer de comentar
sobre intensidade, circunstância em que esse grito foi inserido, técnica
usada e sentimentos da personagem que executou o grito).
- Após a apresentação e discussão em aula, o aluno deverá entregar um
relatório por email, contendo:
Resumo do filme
Resumo da cena
Motivo do grito (sentimentos e sensações que motivaram esse grito)
Técnica do grito usada em cena
O e-mail deve ser enviado até o dia seguinte ao da apresentação para:

janeceleste@gmail.com

Estúdio da Voz - Canto e Fonoaudiologia: Av. Nossa Senhora. de Copacabana, 435/ 1004 – RJ
Tel: (21) 2256 8535 (recados) e 99212-5269 - Email: janeceleste@gmail.com
Jane Celeste Guberfain
Fonoaudióloga – Especialista em Voz – Doutora em Teatro

2 - Segunda avaliação: apresentação de cenas nas datas 13 e 20 de


novembro

Individual, em dupla ou em grupo.


A cena deve ter pelo menos um grito de vogal e um grito de palavra por
cada participante.
- O limite máximo de tempo para as cenas individuais é de 5 minutos.
- Para as cenas em grupo o limite é de 10 minutos.
- A dramaturgia pode ser autoral ou não.
- É importante que as cenas sejam mostradas para a professora antes da
apresentação final para haver uma colaboração técnica e interpretativa com
o processo expressivo.

Textos de Clarice Lispector

'' Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse
parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto,
se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me
ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter
saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que
guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de
estar vivo, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem
para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser
gritante.(...)Tudo se resumia ferozmente em nunca dar o primeiro grito -
um primeiro grito desencadeia todos os outros, o primeiro grito ao nascer
desencadeia uma vida. Se eu gritasse acordaria milhares de seres gritantes
que começariam pelos telhados um coro de gritos e horror. Se eu gritasse
desencadearia a existência - a existência de quê? A existência do mundo.
Com reverência eu temia a existência do mundo para mim. (...) Eu com
uma vida que finalmente não me escapa pois enfim a vejo fora de mim -
eu sou minha perna, sou meus cabelos, sou o trecho de luz mais branca no
reboco na parede - sou cada pedaço infernal de mim - a vida em mim é tão
insistente que se me partirem - como uma largatixa, os pedaços
continuarão estremecendo e se mexendo. Sou o silêncio numa parede, e a
borboleta mais antiga esvoaça e me defronta: a mesma de sempre. De
nascer até morrer é o que eu me chamo de humano, e nunca propriamente

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morrerei. (...)''

Objeto Gritante

Há muito já não sou gente. Quiseram que eu fosse um objeto. Sou um


objeto. Objeto sujo de sangue, sou um objeto que cria outros objetos e a
máquina cria a nós todos. Ela exige. O mecanismo exige e exige a minha
vida. Mas eu não obedeço totalmente: se tenho que ser um objeto, que
seja um objeto que grita. Há uma coisa dentro de mim que dói. Ah como
dói e como grita pedindo socorro. Mas faltam lágrimas na máquina que
sou. Sou um objeto sem destino. Sou um objeto nas mãos de quem? Tal é
o meu destino humano. O que me salva é o grito. Eu protesto em nome do
que está dentro do objeto. Do atrás do pensamento-sentimento. Sou um
objeto urgente.

O Amor e o Grito

Um dia um mestre perguntou aos seus discípulos:


- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
Os homens pensaram por alguns momentos.
- Porque perdemos a calma - disse um deles. - Por isso gritamos.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao teu lado? Não é
possível falar-lhe em voz baixa? Por que gritas a uma pessoa quando estás
aborrecido?
Os homens deram algumas respostas, mas nenhuma delas satisfez o
mestre. Finalmente ele explicou:
- Quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam
muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poder escutar-se.
Quanto mais aborrecidas estejam, mais forte terão que gritar para se
escutar um ao outro através desta grande distância. Em seguida
perguntou:
- O que sucede quando duas pessoas se enamoram? Elas não gritam, mas
se falam suavemente. Por quê? Porque seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena. Quando se enamoram, acontece mais
alguma coisa? Notem que quase não falam, somente sussurram, e ficam
cada vez mais perto do seu amor. Finalmente, não necessitam sequer
sussurrar, somente se olham e isto é tudo. Assim é quando duas pessoas
que se amam estão próximas. Portanto, quando discutirem, não deixem
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que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais.
Chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o
caminho de volta.

Aquecimento vocal

Principais objetivos:

 Possibilitar melhor coaptação das pregas vocais com uma qualidade vocal de
maior componente harmônico e menos ruído;
 Propiciar uma inspiração rápida e curta e uma expiração controlada;
 Coordenar a voz com movimentos corporais e locomoção;
 Flexibilizar a musculatura do trato vocal para alongar e encurtar durante as
variações de frequência;
 Deixar a mucosa mais solta para haver um controle da pressão subglótica na
questão da intensidade e projeção à voz;
 Proporcionar uma melhor articulação dos fonemas, para clareza na dicção.

ESPECÍFICO PARA O GRITO


1) Engordar com o corpo – caminhar – engordar com a face. Perceber
os espaços dentro do corpo e dentro do trato vocal. Emitir a vogal ô ô
ô ô ô ô ô ....sentindo a profundidade e o espaço interno da boca,
laringe...
2) Emagrecer o corpo – e depois a face – somente para sentir a oposição
do engordar.
3) Repetir o número 1.
4) Alargar o corpo para os lados e em cima – depois com a face –
colocando a língua para fora, com a boca bem aberta. Olhos abertos.
Emitir a vogal á á á á ... com pouco volume, mas sentindo a abertura.
5) Bocejar com tronco e cabeça para a frente relaxados; emitir Bâ Bâ
Bâ Bâ.
6) Realizar boca chiusa com movimentos semicirculares com a cabeça
para baixo, no mesmo tom (confortável).
7) Boca chiusa com movimentos semicirculares com a cabeça para
cima – variando o tom (intervalo de segunda).
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8) Movimentos de ombros com vibrações de língua e lábios


ascendentes.
9) Whinning – nheim, nheim, ... com as mãos na ATM
10) Emitir ô ô ô ô ô ô ô como se fosse uma gangorra descendo.
11) Cavalo / carro na música do ESCRAVOS DE JÓ
12) Emitir:NÓI NÓI NÓI NÓI NÓI NÓI NÓI NÓI NÓI na escala
1-2-3-4-5-4-3-2-1.
13) Bocejar e prolongar o bocejo com Á Á Á Á Á...
14) GRITAR a partir do bocejo.

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