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Direito Administrativo

O direito administrativo é ramo do direito público uma vez que possui o


escopo de atender aos interesses públicos, de maneira que o interesse público a ser
concretizado, deve ser o primário, ou seja, o interesse da coletividade.
#PERGUNTADEPROVA: Norma de direito público é sinônimo de norma de ordem pública?
NÃO! Norma de ordem pública é aquela norma inafastável, imodificável pelas partes. Ex.: dever
de pagar imposto de renda, normas de capacidade civil, impedimento para casamento. Há
regras de ordem pública no Direito Público e no Direito Privado. O conceito de ordem pública é
mais amplo que direito público. Já o Direito Público se preocupa com a atuação do Estado na
satisfação do interesse público.

Conceito de Direito Administrativo


O conceito e o conteúdo do direito administrativo variam conforme o critério
adotado.
Critérios:
 Do poder executivo
 Do serviço público
 Teleológica
 Negativista
 Da administração Pública
 Da escola exegética

Escola legalista ou exegética: o D.A. só se preocupa com o estudo de leis. Não há a


preocupação com princípios, jurisprudências, etc. Essa ideia não prosperou. Se for olhar para a
disciplina hoje se estuda mais princípios que leis. O correto é o estudo dos princípios e das leis.

Escola do Serviço Público


Tem origem na França, para essa corrente o direito administrativo é o ramo
do direito que estuda a gestão dos serviços públicos, ainda segundo essa corrente
qualquer atividade prestada pelo Estado é serviço público. No entanto, essa escola
perde força, porque nem toda atividade estatal se resume a serviço público, a
exemplo do poder de polícia.

Critério do Poder executivo


Para essa teoria, o direito administrativo se esgota nos atos praticados pelo Poder
Executivo, contudo exclui os atos do poder legislativo e judiciário.

Critério Teleológico
Direito administrativo como um conjunto de princípios que norteiam o
atendimento dos fins do estado.

Critério Negativista ou residual


Encontra-se no objeto do direito administrativo: aquilo que não for pertinente às
funções legislativa e jurisdicional será objeto do direito administrativo.

Critério das atividades jurídicas e sociais do Estado


Pretende definir o direito administrativo como a disciplina das relações jurídicas
entre a administração pública e o particular, mas com esse critério a doutrina
esquece que alguns outros ramos do direito público possuem relações semelhantes
como é o caso do direito tributário e do direito penal.

Critério da Administração Pública


Conjunto de princípios que envolvem a administração pública.

Fontes do Direito Administrativo


A) Lei
A lei é a fonte primária do direito administrativo. Prevista na Constituição
do art. 37 ao 41 até os atos administrativos inferiores.
A lei em sentido amplo, abrangendo também atos normativos expedidos
pela administração tais como os decretos e resoluções.

B) Doutrina
Fonte secundária, são teses de doutrinadores que influenciam nas decisões
administrativas, como no próprio direito administrativo. Visa indicar a melhor
interpretação possível da norma administrativa ou indicar possíveis soluções para
os casos concretos.
C) Jurisprudência
É a reiteração de julgamentos no mesmo sentido. São decisões de tribunais que
vão na mesma direção.
A jurisprudência não é de seguimento obrigatório, trata-se apenas de uma
orientação aos demais órgãos do poder judiciário e da administração.
A súmula também não vincula a administração, entretanto, se o Supremo Tribunal
Federal editar súmula vinculante, por determinação da Constituição em seu art.
103-A, será obrigatória para toda administração direta ou indireta de todos os
níveis da federação.
D) Costumes

São práticas reiteradas observadas pelos agentes públicos diante de


determinadas situações. Fonte secundária.

Sistemas Administrativos

Regime adotado pelo Estado para correção dos administrativos ilegais ou


ilegítimos praticados pelo poder público

A) Sistema do contencioso administrativo/Sistema Francês


Veda o poder judiciário de conhecer os atos da Administração, os quais
se sujeitam unicamente à jurisdição especial do contencioso
administrativo
NÃO É ADOTADO PELO BRASIL

B) Sistema jurídico/ sistema inglês/ sistema de controle judicial/jurisdição


única
É aquele em que todos os litígios são resolvidos judicialmente pela justiça comum,
ou seja, pelos juízes e tribunais do poder judiciário.
SISTEMA ADOTADO PELO BRASIL
Seu fundamento é o art.5º, XXXV, da Constituição Federal, que consagra o
princípio da inafastabilidade da jurisdição ou inevitabilidade do controle
jurisdicional.
Exceções:
Justiça desportiva, pois a Constituição estabelece que só admitirá ações relativas à
disciplina e às competições desportivas após se esgotarem as instâncias da justiça
desportiva, regulada em lei. Também determina que a justiça desportiva terá o
prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do processo para proferir
decisão final.

Coisa Julgada Administrativa


A coisa julgada administrativa é a impossibilidade de revisão de decisão em âmbito
administrativo. De acordo com a doutrina, não se nega a sua existência, tratando-
se apenas o fato de não caber mais reapreciação da matéria na esfera
administrativa.
Porém é certo que não pode ser afastada a revisão judicial do ato administrativo,
tendo em vista o art.5º, XXXV da CRFB/88 ressaltando que a apreciação do poder
judiciário será sempre quanto à legalidade e não quanto a conveniência e
oportunidade da decisão.

Legislação Sobre Direito Administrativo


A competência para legislar sobre direito administrativo é concorrente entre a
União, Estados e DF. Apesar dos municípios não estarem abrangidos na
competência concorrente, o art.24 dispõe que eles podem legislar sobre direito
administrativo no que se refere à matéria de interesse local.
A iniciativa de leis que disponham sobre direito administrativo é comum, vale
dizer, podem ser propostas pelo Poder Executivo ou Poder legislativo

Estado, Governo e Administração Pública


Conforme dispõe o código civil entre os artigos 40 e 41 o Estado é uma pessoa
jurídica de direito público que em sua estrutura político e organizacional é formado
pelos elementos: povo, território e governo soberano.
O povo é o elemento humano, o território é o elemento físico e o governo é o
elemento condutor do estado.

Formas de Estado
A constituição Federal optou entre os seus arts. 1 e 18 pela forma federativa. Dessa
forma, temos vários centros de poder político entre eles: União, Estado, DF e os
municípios, vale ressaltar, que a forma federativa no Brasil ocorre pelo modo
centrífugo, pois houve uma distribuição do poder político, que antes era
concentrado em um único ente.
No estado federativo cada ente detém capacidade administrativa, ou seja,
capacidade de editar suas próprias leis que serão aplicadas dentro da base
territorial, além da capacidade política , cada ente possui autonomia financeira,
dessa forma, a constituição estabeleceu quais são os impostos que competem à
União, aos Estados , ao DF e aos municípios , de modo que cada um pudesse gerar
seus recursos sem depender , totalmente das receitas repassadas por outro ente,
inclusive quando em alguns impostos que são de competência da União,
estabelecer um percentual que seria repassados aos outros entes.
Obs: quando houver conflito para saber qual ente é titular daquela
competência tributária é questão que deve ser decidida pelo próprio STF pois
trata-se de questão que se refere ao sistema federativo.
Além da autonomia política e financeira tem-se a autonomia administrativa, de
forma que a União detém a maior competência administrativa, mas também
política e financeira. No modelo federativo a regra é não intervenção, somente
ocorre em situações excepcionais dispostas nos arts. 34 e 35 da CRFB.

Poderes do Estado
O art. 2º da CF/88 dispõe que são poderes da União, independente e harmônicos
entre si, o poder legislativo, o executivo e judiciário, vedado no art. 60 §4º proposta
de emenda tendente a abolir a separação de poderes.
Cada poder exerce uma função que lhe é própria, mas também exerce outras que
seriam de outros.
O poder judiciário sua função típica é exercer a jurisdição, bem como assegurar a
supremacia da constituição, entretanto, o poder judiciário pode exercer
atipicamente a função legislativa, como por exemplo, a elaboração dos seus
regimentos internos pelos tribunais.
O poder legislativo tem função típica a confecção da lei, mas também exerce a
função administrativa quando faz nomeação de servidor, realiza contratos entre
outros.
O poder executivo cabe tipicamente o exercício da função administrativa, mas
pode executar a função de julgar por exemplo nos processos perante o conselho
administrativo de defesa econômica- CADE, mas também o executivo exerce de
forma atípica a função legislativa quando edita mediante urgência medidas
provisórias com força de lei.

Governo
É exercido por pessoas que desempenham o poder, estabelecendo diretrizes,
objetivos e metas para o Estado, bem como criação e elaboração de políticas
públicas.
Existem dois tipos de governo:

 Parlamentarista-> onde o poder executivo é dividido, existem a função de


chefe de estado e chefe de governo. A função de chefe de estado é designada
pelo Presidente da República ou o monarca, a função de chefe de governo
é exercida pelo Primeiro Ministro ou Conselho de Ministros
 Presidencialista -> O presidente é chefe do executivo federal, exercendo
comando e a organização da administração pública federal. Exemplo: Brasil
Formas de Governo:

Diz respeito ao conjunto de instituições pelas quais o Estado exerce seu


poder sobre a sociedade e, principalmente, o modo como o chefe de Estado
é escolhido.
a) Monarquia: o governante é escolhido geralmente pelo critério
hereditário, sua permanência é vitalícia o afastamento só pode ocorrer
por morte ou abdicação.
b) República: o exercício do poder é sempre temporário, escolhido pelo
voto (direto ou indireto), para um mandato pré-determinado e a escolha
do governante se dá por eleição
c) Anarquia: ausência total de governo.

Administração Pública
É o aparelhamento estatal que concretiza a vontade do governo, trata-se do
conjunto de órgãos e entidades que integram a estrutura administrativa, tendo
como função realizar a vontade política governamental, sempre elaborada para a
satisfação do interesse público.

Administração pública em sentido subjetivo/ orgânico /formal


Expressa o universo de órgãos e pessoas que desempenham a função
administrativa. Assim, os órgãos do poder judiciário como tribunais e os órgãos
que pertencem ao poder legislativo, como a câmara dos deputados, Senado
Federal, Assembleia legislativa fazem parte da administração direta de suas
respectivas esferas de governo.

Administração pública em sentido material/objetivo /funcional


Exprime a ideia de atividade, função tarefa, trata-se da própria função
administrativa, consistindo-se no alvo que o governo quer alcançar.
Fomento.O estado tem por função incentivar por meio de isenções fiscais, repasse
de bens ou servidores públicos ou por outras formas, pessoas de direito privado
que não possuem intuito lucrativo, como associações, organizações e fundações,
promovendo a manutenção da atividade prestada, por ser de interesse social.
O poder de polícia representa limitações ou condições ao exercício do direito à
liberdade ou à propriedade. Ao expressar o poder de polícia, o Estado visa proteger
o interesse público.
A prestação de serviços públicos é dever do estado, a constituição impõe ao poder
público a obrigação de prestar serviços à sociedade, de modo direto ou mediante
concessão ou permissão sempre através de licitação.
Intervenção. Como atividade administrativa que consiste em atos de regulação e
fiscalização da atividade privada de natureza econômica, bem como na criação de
empresas estatais (empresa pública e sociedade de economia mista) para intervir
no domínio econômico.
A intervenção por meio de fiscalização e regulação é a forma indireta nos termos
do art, 174 da CRFB/88 , já quando o poder público cria empresas estatais para
desempenhar atividade econômica em regime de concorrência com as demais
empresas privadas temos a intervenção direta e nesse segundo caso a intervenção
do estado ocorre segundo as normas de direito privado.
As empresas públicas e sociedade de economia mista tem seu regime híbrido, ou
seja, seguem tanto as regras de direito privado quanto de direito público.
Vale ressaltar que o Estado só pode intervir direta na atividade econômica em
situação excepcional, apenas em caso de interesse coletivo ou segurança nacional
assim preceitua o art.173 da CRFB/88 a criar empresa pública ou de economia
mista para atuar em regime de concorrência com os particulares.
Por meio da privatização, o Estado transfere a particulares entidades estatais que
passaram a ficar no domínio de pessoas da sociedade, por meio de extinção de
órgãos e entidades, o Estado transfere a particulares, mediante contrato de
concessão e permissão atividades que antes o Estado era o prestador.
Nesse processo de modernização do Estado, surgem o papel das agências
reguladoras para fiscalizar e editar atos normativos com o objetivo de fiscalizar e
controlar as atividades que serão exercidas pelos particulares.

Função administrativa e função política


a) Em sentindo amplo , a administração pública subjetivamente considerada
compreende tanto os órgãos governamentais ,supremos, constitucionais os
quais incumbe traçar planos , dirigir, comandar como também os órgãos
administrativos subordinados dependentes da Administração Pública os
quais incumbe executar os planos governamentais ainda em sentido amplo
mas objetivamente considerada compreende a função política que traça as
diretrizes governamentais e a função administrativa que as executa
b) Em sentido estrito a administração pública compreende em aspecto
subjetivo apenas os órgãos administrativos e sob o aspecto subjetivo apenas
a função administrativa

Informativos STF
Súmula 346 – A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios
atos
Súmula 473- A administração pública pode anular seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não originam direitos, ou
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvados, em todos os casos, a apreciação judicial.
Súmula 645-É competente o município para fixar o horário de funcionamento de
estabelecimento comercial
Súmula 419- Os municípios têm competência para regular o horário do comércio
local, desde que não infrinjam leis estaduais ou federais válidas.