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FILARÍASE LINFÁTICA

Ordem: Spirurida
Família: Onchocercidae
Gênero: Wuchereria
Espécie: W. bacrofti

As filárias são nematóides da classe Spirurida e família


Onchocercidae onde a Wuchereria bancrofti é o agente
causal da filaríase linfática que produz quadros clínicos
muito diversos e o Onchocerca volvulus que se localiza no
tecido subcutâneo desencadeando processos degenerativos
da pele e pode levar cegueira por opacificação da córnea.

Wuchereria bancrofti

Os machos, muito menores que as fêmeas, e as fêmeas são


helmintos longos e delgados, de aspecto opalino,
translúcidos e revestidos de cutícula lisa. Os machos
trazem a extremidade posterior fortemente enrolada
ventralmente. Na fêmea, a vulva localiza-se a curta
distância da extremidade anterior. A vagina é musculosa e
se continua com uma parte do útero, que é simples,
enquanto todo o resto do aparelho genital é duplo. Na
parte inicial do útero encontram-se os ovos embrionados e
perto da vagina estão as larvas, denominadas de
microfilárias.
Os vermes adultos vivem nos vasos linfáticos e
linfonodos, onde machos e fêmeas encontram-se
enovelados na proporção de 5 fêmeas para cada 1 macho
donde se alimentam da linfa.
CICLO EVOLUTIVO DAS FILÁRIAS (INSETOS)

Ao sugar o sangue de um indivíduo (o homem é o único


hospedeiro vertebrado conhecido) parasitado, durante as
horas em que ocorre a microfilaremia, o mosquito vetor
(da família Culicidae e dos gêneros Culex (conhecido
como pernilongo, muriçoca, carapanã) e Anopheles (mais
encontrado na África)) ingere uma quantidade de larvas
que perfuram a parede do estômago e invadem a cavidade
geral, onde pela hemolinfa chegam até o tórax. Ao
alcançar os músculos torácicos, se imobilizam e passam
por várias transformações morfológicas onde:

- a larva (L1), nos cinco primeiros dias encurta-se mas em


seguida começa a crescer e por volta do oitavo dia ocorre
a primeira muda;
- a larva (L2) cresce rapidamente e chega a quadruplicar
seu comprimento em quatro dias abandonando os
músculos torácicos realizando, ao fim de 12 a 1 dias, a
segunda muda já na hemolinfa;
- a larva (L3) constituirá a forma infectante para o
hospedeiro vertebrado. Nesta fase interrompe-se o
desenvolvimento larvário, mas move-se ativamente,
deslocando-se pela cavidade geral do inseto.
Quando o inseto voltar a picar uma pessoa para sugar-lhe
o sangue, a larva infectante (L3) invade o organismo do
novo hospedeiro.

ECOSSISTEMA

Nas Américas, a filaríase linfática é encontrada geralmente


nos focos litorâneos, ou nas margens dos grandes rios
(Amazônia), quase sempre de clima tropical úmido e de
baixa altitude.
NO HOMEM

Na pele, as larvas encontram seu caminho, penetrando nos


vasos linfáticos e migrando até chegar ao seu local
definitivo. Nesta fase do ciclo, ocorrem ainda duas mudas
que produzem larvas L4 e adultos juvenis, antes que os
helmintos alcancem a fase de vermes adultos, machos e
fêmeas. O período de maturação tarda ainda cerca de 1
ano, quando começam a aparecer microfilárias no sangue
ocasionando a patologia da filaríase.

www.sp01.com/micro/worms/images/filariasis.jpg

COMPLICAÇÕES DA FILARÍASE

FORMA AGUDA

Manifesta-se pelo aparecimento dos fenômenos


inflamatórios onde as linfangites e linfadenites são
freqüentes bem como as orquites.
FORMA CRÔNICA

Predominam os fenômenos obstrutivos, agravados pelas


reações inflamatórias bem como pela fibrose difusa nas
zonas de estases e de edema linfático. As alterações
obstrutivas centrais levam à hidrocele, elefantíase e
quilúria (presença de gordura na urina).

DIAGNÓSTICO

As dificuldades com o quadro clínico apresentado pelos


pacientes decorrem de possíveis outras causas das
sintomatologias apresentadas, entretanto deve-se, de
início, levar em consideração um fator: áreas endêmicas.
Após, o principal método diagnóstico é a procura de
microfilárias no sangue, de preferência entre as 22:00 e
04:00, sempre que o parasito apresentar periodicidade
noturna.

TRATAMENTO

Os medicamentos disponíveis no mercado atualmente são


microfilaricidas mas não matam os vermes adultos onde
temos: Ivermectina, Dietilcarbamazina (DEC) sendo este
indicado pela OMS. Entretanto deve-se associar a
desinsetização para controle dos vetores, saneamento
ambiental e diminuição do contato homem-mosquito com
proteção de janelas e portas, roupas que cubram o corpo
todo ou mosquiteiros para dormir.
Onchocerca volvulus
Ordem: Spirurida
Família: Onchocercidae
Gênero: Onchocerca
Espécie: O. volvulus
É o causador da oncocercose, também chamada "cegueira
dos rios" ou "mal do garimpeiro", raramente fatal, mas a
segunda maior causa infecciosa de cegueira. É transmitida
por mosquitos do gênero Simulium, conhecidos no Brasil
por piúm na região norte ou por borrachudo nas outras
regiões e encontrado nos estados de Mato Grosso, Minas
Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, tanto no
interior como no litoral

CICLO EVOLUTIVO
As formas adultas parasitam o ser humano (hospedeiro
definitivo), alojando-se em nódulos no tecido conjuntivo,
por baixo da pele ou no tecido adiposo formando o
oncocercoma. No local eles se reproduzem sexuadamente
e durante até quinze anos gerando inúmeras larvas
minúsculas ou microfilárias, quase invisíveis a olho nu.
Estas disseminam-se aparecendo por todo o corpo: por
baixo da pele, dentro dos olhos, na linfa, urina, saliva e
liquído céfalo-raquidiano. Algumas surgem no sangue.
Algumas maturam-se dentro do corpo em novas
localizações produzindo novos nódulos, mas a maioria
acaba por morrer devido à ação do sistema imunológico.
Contudo a sua produção continua significa que os
parasitas existem de forma continua. Quando o borrachudo
pica os hospedeiros, suga algumas microfilárias para
dentro do seu corpo. Aí elas maturam-se em formas
infecciosas e são injetadas na corrente sanguínea de outra
pessoa picada pelo mosquito. As formas adultas então
alojam-se nos tecidos do novo hospedeiro e produzem
mais microfiliárias.
SINTOMAS
Após cerca de um ano da infecção, surgem os sintomas
relativos à reação contra as formas adultas. O seu
alojamento debaixo da pele leva à sua encaspulação
gerando nódulos palpáveis, com cerca de alguns
centímetros de diâmetro, mais facilmente detectados
contra ossos superficiais, como a crista ilíaca (zona da
bacia) ou costelas. O inicio da produção das microfilárias
leva ao surgimento de sintomas mais graves. A reação por
vezes eficaz do sistema imunológico à sua disseminação
pelo sangue e linfa leva ao surgimento de prurido e
exantemas cutâneas, com perda de elasticidade da pele e
surgimento de pápulos, zonas despigmentadas e
adenopatias além de febre. Se as filárias migrarem para o
olho (o que mais tarde ou mais cedo acontece), aí causam
reações de fibrosação e acumulação de complexos de
anticorpos, que levam primeiro à conjuntivite com
fotofobia e eventualmente à perda de visão e finalmente
cegueira absoluta, freqüentemente em ambos os olhos.
Mais raramente pode ocorrer elefantíase do escroto se
houver nódulos que obstruam os canais linfáticos
provenientes dessa região.
DIAGNÓSTICO
Os nódulos de parasitas adultos são identificados por
técnicas de imagiologia (Tomografia computadorizada ou
ecografia) ou por análise microscópica de amostra de
biópsia. As microfilárias são detectadas em biópsias da
pele, assim como freqüentemente vistas diretamente pela
observação do fundo do olho com um oftalmoscópio.
Existe ainda uma técnica de detecção do DNA do parasita
por PCR.
TRATAMENTO
O tratamento é feito com ivermectina contra as
microfilárias, porém é pouco eficaz contra o verme adulto.
O tratamento da oncocercose é realizado desde os anos
1980 com ivermectina, medicamento que inibe a produção
de novas larvas ou microfilárias. Como a média de vida
dos adultos é de nove a 12 anos, este é o período indicado
para a duração do ciclo de tratamento, em duas doses
anuais. A ivermectina é a base dos programas de
erradicação da doença na África e Américas, que
conseguiram reduzir substancialmente os casos da doença.
No entanto, além de ser ineficaz contra os parasitas
adultos, a ivermectina não pode ser usada por gestantes,
lactantes, crianças abaixo dos cinco anos de idade,
pacientes com peso inferior a 15 Kg ou com complicações
neurológicas. Atualmente, pesquisas investigam a ação da
amorcazina, um remédio que seria eficaz também no
combate dos vermes adultos. Ao mesmo tempo, investiga-
se formas de bloquear com o uso de antibióticos a
atividade de uma bactéria simbionte da O.volvulus, a
Wolbachia, o que impediria a atividade do parasita
infectante. FONTE: FIOCRUZ
PREVENÇÃO
O uso de roupas que cobrem a maior parte da pele é
aconselhado, assim como repelentes de insetos e redes.
Contudo a erradicação dos mosquitos com inseticidas é a
única medida a longo prazo, e tem sido praticada em
programas da OMS em locais endêmicos, assim como a
administração em massa de fármacos antiparasíticos às
populações, com bons resultados. Até há alguns anos, os
governos tentavam aconselhar as pessoas a terem cuidado
com os mosquitos do rio, mas essa campanha levou muitos
a abandonar as terras férteis irrigadas e procurar outras
menos produtivas onde muitas vezes passavam fome.