NATAL: VISÃO DA SALVAÇÃO (LUCAS 2.
25-35)
Tudo o que sabemos de Simeão vem de onze versículos no evangelho
segundo Lucas. Esse homem, evidentemente idoso, morava em Jerusalém
e esperava a bênção de ver o cumprimento de importantes promessas do
Antigo Testamento. Ele estava esperando no templo em Jerusalém
quando José e Maria levaram o bebê Jesus para cumprir as exigências da
Lei do Antigo Testamento. Ele tomou Jesus nos braços e orou ao Senhor
com estas palavras:
“Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua
palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste
diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do
teu povo de Israel” (Lucas 2:29-32).
Nessa oração, Simeão frisou dois fatos de grande importância.
Primeiro, ele entendeu que a vinda de Jesus ao mundo significava a vinda
da salvação. Ver Jesus era o mesmo que ver a salvação divina. Quando
adulto, Jesus descreveu sua missão nestes termos: “Porque o Filho do
Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19:10). O apóstolo Paulo
escreveu, alguns anos depois: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação:
que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu
sou o principal” (1 Timóteo 1:15). Outro autor acrescentou: “Por isso,
também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus,
vivendo sempre para interceder por eles”(Hebreus 7:25). Simeão olhou
para Jesus e viu a salvação!
Segundo, ele entendeu que essa graça salvadora seria oferecida aos
judeus e aos gentios (as nações, ou povos não judeus). Desde as
promessas feitas aos patriarcas quase 2.000 anos antes de Jesus, os
descendentes de Abraão, Isaque e Jacó entendiam seu lugar especial nos
planos de Deus. Israel era o povo escolhido e todos os outros eram apenas
“as nações”, “os povos” ou “os gentios”. No geral, os judeus entendiam as
profecias da salvação por meio de um Messias como promessas da
libertação nacional. O Messias teria um papel em benefício do povo de
Israel, os descendentes carnais dos patriarcas. Mas Simeão entendeu que
essa salvação foi preparada diante de todos os povos e que serviria como
luz para as outras nações, e não exclusivamente para os judeus. Para
estudantes do Novo Testamento, a inclusão dos diversos povos no plano
de Deus para a salvação não é novidade. Para os judeus do primeiro
século, porém, era uma ideia nova e até revoltante. As palavras de Simeão
refletem um conceito mais abrangente e correto das intenções divinas.
Jesus veio para oferecer a luz da sua revelação, a mensagem da salvação,
aos judeus e aos gentios.
Depois de orar ao Senhor, Simeão dirigiu algumas palavras a Maria, a mãe
de Jesus: “Eis que este menino está destinado tanto para ruína como
para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição
(também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se
manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2:34-35).
Poderíamos imaginar que todos recepcionariam o Messias de braços
abertos, ansiosos para receber a salvação que ele trouxe. Mas sua
mensagem e sua própria vida seriam alvos de contradição. As pessoas que
ele queria salvar seriam seus adversários. As reações das pessoas a Jesus
revelariam os pensamentos dos corações.
Nas suas palavras para Maria, porém, Simeão tocou em mais uma
realidade que faz parte da história de Jesus: a alma de Maria seria
traspassada por uma espada. Nos trinta e poucos anos da vida terrestre de
Jesus, sua mãe sofreria ao ver seu filho sujeito aos maus tratos dos
homens que o rejeitariam. Nenhuma parte dessa história seria mais
dolorosa do que o dia em que ela olhou para Jesus, pendurado em uma
cruz no Calvário. No seu relato da crucificação, Lucas menciona as
mulheres que “permaneceram a contemplar de longe estas
coisas” (Lucas 23:49). João especificamente cita a presença de Maria, a
mãe de Jesus, entre as pessoas que presenciaram de primeira mão o
sofrimento do Salvador (João 19:25-27). Sem dúvida, o coração de Maria
sofria uma facada terrível naquele dia, exatamente como Simeão
profetizou.
Em poucas palavras, Simeão juntou fatos importantes do plano eterno de
Deus que culminaria na morte de Jesus pelos nossos pecados. Ele viu a
salvação!