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CONSIDERAÇÕES JURÍDICAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO


DA ILUMINAÇÃO PÚBLICA - CIP

1. Considerações Gerais:

A CIP foi criada pela Emenda Constitucional nº 39/2002 que acrescentou


o art. 149-A a Constituição Federal, instituindo a contribuição para o custeio do
serviço de iluminação pública nos Municípios e no Distrito Federal.

O artigo constitucional dispõe que:

Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir


contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do
serviço de iluminação pública, observado o disposto no art.
150, I e III.

Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que


se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.

A CIP é um tributo de competência do ente público município, tendo


seus gestores a obrigatoriedade de procederem a sua instituição, previsão e
arrecadação (art. 11 da LRF). A criação deste tributo envolveu uma luta de cinco
anos e é uma conquista dos municípios e da CNM.

A contribuição não tem apenas a finalidade de custear as despesas com


o fornecimento de energia elétrica para a iluminação pública, é muito mais
abrangente, pois arca com a manutenção das redes já existentes e possibilita a

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ampliação destas e a instalação de novas, de forma a alcançar a população como


um todo.

Salienta-se que iluminação pública não é lazer, luxo, beleza e muito


menos turismo. É Segurança Pública. Além de ter o gestor o dever de mantê-la
sempre em bom funcionamento, com qualidade e quantidade, estando disponível
em todos os bairros e regiões do município, onde haja a circulação de pessoas ou
a existência de patrimônio a ser protegido.

Por tratar-se de serviço de segurança pública, e que está à


disposição de toda a municipalidade, não é difícil ocorrerem ações de vandalismo,
que impõem ao ente público uma despesa permanente com a reposição de
lâmpadas, luminárias, fios e até mesmo postes.

A iluminação pública tem grande importância na vida dos


contribuintes, que se beneficiam dela diariamente. Dela depende o trânsito dos
trabalhadores que prestam serviços à noite; dos estudantes que voltam para casa
à noite; dos hospitais; das escolas; universidades; postos de saúde; do comércio
que precisa manter visíveis suas casas comerciais e vitrines; das casas noturnas
que precisam ter facilitada a circulação de transeuntes e assim por diante.

Os recursos de arrecadação própria dos entes públicos não são


capazes de suportar os custos de manutenção da iluminação pública.

É cediço que a inexistência de fonte de custeio para a prestação do


serviço de iluminação pública acarretaria, certamente, a precária prestação do
serviço, o endividamento dos erários públicos municipais e a impossibilidade de
ampliação de redes e melhoramentos dos mesmos serviços.

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2. CIP e o Supremo Tribunal Federal (STF):

É importante frisar que a contribuição é constitucional, visto que


conforme pesquisa realizada na página eletrônica do STF (www.stf.gov.br), não
há, nenhuma decisão do Pleno do Tribunal analisando o mérito da
constitucionalidade desta contribuição.

Entretanto, informamos que está tramitando junto ao STF o Recurso


Extraordinário (RE) nº 57.3675 onde o requerente é o Ministério Público do Estado
de Santa Catarina e o requerido é o município de São José/SC.

O requerente quer a declaração de inconstitucionalidade da Lei


Municipal nº 007/2002 que instituiu a contribuição para o custeio dos serviços de
iluminação pública (COSIP). Argumentam que referida norma municipal possui
vício material de inconstitucionalidade, pois afronta aos princípios da isonomia e
da igualdade tributária, previstos nos artigos 4º e 128, II, da Constituição Estadual.

O STF reconheceu que é caso de repercussão geral, porém o RE ainda


não foi julgado pela Suprema Corte.

Convém mencionar, que o Supremo Tribunal Federal ressalta que a


suspensão da cobrança da contribuição para o custeio da iluminação pública
“concorreria para o não-cumprimento dos investimentos necessários ao custeio da
iluminação de vias, logradouros e demais bens públicos, bem como à instalação,
manutenção, melhoria e expansão da rede elétrica na cidade de São Paulo,
necessários à segurança e bem-estar da população” (Suspensão da Tutela
Antecipada nº 28/SP, Relator Ministro Nelson Jobim, DJU 07.03.2005, pp-00043).

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3. Análise do PL 1103/2003

Importante destacar que está tramitando na Câmara dos Deputados, o


Projeto de Lei nº 1103/2007, de autoria do Deputado Federal Leandro Sampaio
que propõe a desvinculação, nas faturas de energia elétrica, dos valores relativos
ao consumo mensal de energia e à contribuição de iluminação pública.

Se este projeto for aprovado, certamente abrirá as portas para um caos


nos municípios porque é evidente que os consumidores pagarão somente o valor
correspondente ao consumo doméstico a fim de evitar cortes de sua energia
doméstica.

Sem receber a CIP, os municípios não terão como arcar com a conta de
iluminação pública.

Em agosto do corrente ano, o PL foi rejeitado pela Comissão de Defesa


do Consumidor (CDC) e atualmente está na Comissão de Finanças e Tributação
(CFT) onde também será votado.

4. Caso ANEEL

Em 2006, a CNM interpelou a Agência Nacional de Energia Elétrica


(ANEEL) e conseguiu reverter o despacho nº. 2.117/06 que autorizava a
concessionária de energia elétrica do Estado do Ceará a individualizar os valores
da conta de luz.

Na época a CNM argumentou que a Agência não poderia editar norma


infralegal que afrontasse regra constitucional específica e expressa, sob pena de
subversão do texto constitucional. Destacou que a CIP constitui direito do ente

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municipal, o que leva a conclusão de que somente o município poderia vir a


autorizar ou não a cobrança através de um código de barras distinto.

5. Pesquisa realizada pela CNM

A CNM realizou no mês de julho do corrente ano, uma pesquisa com o


intuito de analisar a situação atual da CIP nos municípios.

A pesquisa foi realizada com 1.143 municípios em todas as regiões e


estados da federação.

Os resultados demonstraram que:

a) 55% dos municípios instituíram a CIP;


b) 69% possuem faixas de isenção para o pagamento da contribuição e
esta isenção vai desde um valor mínimo de Kwh até uma declaração
do cidadão de baixa renda;
c) 44% não cobram a CIP, mas destes alguns ainda cobram a antiga
TIP – Taxa de Iluminação Pública;
d) dos municípios que cobram a TIP ou CIP, 96% possuem legislação
municipal que instituiu a cobrança.
e) 82% dos gestores não concordam com a separação em dois códigos
de barra.
f) 72% dos gestores informaram que a CIP cobre todos os custos com
iluminação pública.

A interrupção desta cobrança certamente acarretaria enormes prejuízos


as administrações municipais que seriam obrigadas a arranjar outra forma de

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financiamento para esta demanda, o que conseqüentemente traria a imposição de


majoração de alíquota de tributo já arrecadado, como seria o caso do IPTU.

Diante do exposto, constata-se que os municípios não podem abrir mão


desse tributo visto que os recursos arrecadados com a CIP são utilizados para
manutenção da rede e custeio da energia fornecida pelas concessionárias para a
iluminação de vias, logradouros e demais bens públicos. Trata-se, também, de
uma questão de segurança pública para o município, encarregado de realizar a
manutenção e a expansão das redes publicas de iluminação.

Brasília, 29 de agosto de 2008.

Vanessa Rezende
Área Jurídica / CNM
OAB/DF 26.562

Elena Garrido
Coordenadora da Área Jurídica / CNM
OAB/RS 10.362

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