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LEGISLAÇAO APLICADA AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO

INSTRUMENTOS NORMATIVOS DO SISTEMA ORÇAMENTÁRIO (Artigos


165 a 169 da Constituição Federal)
A Constituição Federal estabelece três instrumentos legais de planejamento, em seu
artigo 165:
“Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais”.

IMPORTANTE: O PPA e a LDO são inovações da CF/88.


Cabe a lei complementar dispor sobre o exercício financeiro, a
vigência, os prazos, a elaboração e a organização do PPA, LDO e da
LOA. Os projetos de lei desses instrumentos de planejamento são de
iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo, ou seja,
somente o Presidente da República, no caso da União, os
governadores e os prefeitos, nos casos dos Estados e Municípios
respectivamente, podem encaminhá-los ao Congresso Nacional.

ATENÇÃO: Os projetos do PPA, LDO e LOA são de iniciativa exclusiva


do chefe do poder executivo.

IPC – A CF/88 veda a edição de medida provisória sobre: PPA, LDO,


LOA e créditos adicionais especiais e suplementares (art. 62, § 1º, I,
d). Assim essas matérias não podem ser regulamentadas por MP,
exceto abertura de créditos extraordinários para atender despesas
imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção
interna ou calamidade pública. A lei delegada, sem
exceções, não pode tratar destes assuntos. Os projetos de lei
relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao
orçamento anual e aos créditos adicionais, apresentados pelo chefe
do executivo, serão apreciados pelas duas Casas do Congresso
Nacional, na forma do regimento comum.

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Plano Plurianual – PPA
A lei que instituir o plano plurianual deverá estabelecer, de forma
regionalizada: DOM.
- as Diretrizes
- os Objetivos e
- as Metas da administração pública federal para as despesas de
capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas
de duração continuada.
FIQUE LIGADO, é importante decorar o DOM, pois os examinadores
tentam confundir os candidatos trocando as finalidades do PPA com
as da LDO. O PPA é doutrinariamente conhecido como o planejamento
estratégico de médio prazo da administração pública brasileira.
ATENÇÃO CONCURSEIRO! Quando as bancas examinadoras falam
em planejamentos estão se referindo ao PPA e quando falam em
orçamento estão se referindo à LOA. A elaboração dos planos e
programas nacionais, regionais e setoriais, assim
como a elaboração das leis de diretrizes orçamentárias e dos
orçamentos anuais, serão realizados em consonância com o plano
plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional.
Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício
financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano
plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de
responsabilidade.
No caso da União, o projeto do PPA será encaminhado, pelo
presidente ao legislativo, até quatro meses antes do encerramento do
primeiro exercício financeiro do mandato presidencial, ou seja, até 31
de agosto do primeiro ano de mandato. Os Estados, o Distrito Federal
e os municípios poderão fixar, nas suas constituições e leis orgânicas,
respectivamente, prazo diverso do estabelecido na Constituição
Federal, em caso omisso deverá ser obedecido o prazo estabelecido
na CF/88.

MUITO COBRADO EM CONCURSOS: o presidente da república pode


encaminhar mensagem ao Congresso Nacional, propondo
modificações no
projeto do PPA, enquanto não iniciada a votação, na Comissão
Mista, da parte
cuja alteração é proposta.

A vigência do PPA é de quatro anos, porém inicia-se no segundo ano


do mandato do chefe do Poder Executivo, e termina no primeiro ano
do mandato subseqüente. Assim, apesar da duração do plano
plurianual ser de quatro anos não coincide com o mandato do chefe
do Poder Executivo. O objetivo dessa metodologia é assegurar um
mínimo de continuidade administrativa.

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LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO
A lei de diretrizes orçamentárias conterá, segundo o art. 165 da
ConstituiçãoFederal:
_ as metas e prioridades (MP) da administração pública federal,
incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro
subseqüente;
_ orientará a elaboração da lei orçamentária anual, e
_ disporá sobre as alterações na legislação tributária e
_ estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais
de
fomento.
A LDO, inovação da Constituição Federal de 1988, é o instrumento
norteador daLOA, ela é responsável pela conexão entre o plano
estratégico das ações governamentais (plano plurianual) e o plano
operacional (orçamento anual). O encaminhamento da LDO, pelo
chefe do Poder executivo, ocorrerá até oito meses e meio antes do
encerramento do exercício financeiro, ou seja, até o dia 15/04, e será
devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da
sessão legislativa, que ocorre no dia 17/07, que não será encerrada
sem a aprovação do projeto.

A doutrina majoritária defende que a vigência da LDO é anual, ou


seja, vigora por um período de 12 meses, porém muitos entendem
que a LDO possui eficácia formal por mais de um ano, tendo em vista
que ela começa a vigorar no segundo período
legislativo de cada ano e vai até o término do período legislativo
seguinte. No congresso nacional, o projeto da LDO poderá receber
emendas dos parlamentares, desde que compatíveis com o PPA. As
emendas serão apresentadas na Comissão Mista de Planos,
Orçamentos Públicos e Fiscalização – CMPOF, onde receberão parecer
prévio para serem submetidas ao plenário do congresso, na forma de
regimento comum.
O Presidente da República, a exemplo do que ocorre no PPA, também
poderá enviar mensagem ao Congresso Nacional para propor
modificações no projeto da LDO, enquanto não iniciada a votação na
Comissão Mista, da parte cuja alteração é proposta.
Com a edição da Lei complementar 101 de 04 de maio de 2000, a
LDO teve a suas funções ampliadas, por força do artigo 4º, passando
a ter maior relevância. Entre suas novas funções destacam-se:
_ equilíbrio entre receita e despesa;
_ critérios e formas de limitação de empenho, a ser verificado no final
de cada bimestre quando se verificar que a realização da receita
poderá comprometer os resultados nominal e primário estabelecidos
no anexo de metas fiscais e para reduzir a dívida ao limite
estabelecido pelo Senado Federal;
_ normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados
dos
programas financiados com recursos orçamentários;
_ anexo de metas fiscais e de riscos.
Destaque especial merece o § 1º, do artigo 4º, da LRF que define que
Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias o Anexo de
Metas Fiscais, que conterá as metas anuais, em valores correntes e
constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e
primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se
referirem e para os dois seguintes.

VIGÊNCIA DA LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO


Orçamento Anual – LOA
A lei orçamentária anual compreende a programação das ações a
serem executadas, visando atingir as diretrizes, objetivos e metas
estabelecidas no plano plurianual. É o cumprimento ano a ano das
etapas previstas no PPA, em consonância com a LDO e com a LRF. A
constituição federal trata dos orçamentos públicos anuais
estabelecendo que a lei orçamentária compreenderá: Se um doa
_ o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos,
órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive
fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
_ o orçamento de investimento das empresas em que a União,
direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com
direito a voto;
_ o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as
entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou
indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo
Poder Público. A constituição federal inovou ao criar três esferas de
orçamento: esfera fiscal, de investimentos das empresas estatais e
da seguridade social. O orçamento fiscal e o orçamento de
investimento, compatibilizados com o plano plurianual, terão entre
suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo
critério populacional.
As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que
o modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
_ sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes
orçamentárias;
_ indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os
provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam
sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e
Distrito Federal; ou
_ sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do
projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas
correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante
créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica
autorização legislativa.
O demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e
despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e
benefícios de naturezas financeiras, tributárias e creditícia, deverão
acompanhar o projeto da lei orçamentária.
É vedado o início de programas ou projetos não incluídos na lei
orçamentária anual.
O orçamento anual, em atendimento ao próprio princípio da
anualidade, possui vigência anual, período também chamado de
exercício financeiro, e que por força do artigo 34 da lei 4320/64,
coincide com o ano civil. O prazo para encaminhamento, aprovação e
sanção da LOA, coincide com o do PPA, isto é projeto de lei
orçamentária da União será encaminhado até quatro meses antes do
encerramento do exercício financeiro, 31/08, e devolvido para sanção
até o encerramento da sessão legislativa, 22/12.
IMPORTANTE: Caso o Presidente da República não encaminhe o
projeto ao Congresso Nacional, qualquer parlamentar pode fazê-lo
para sanar a omissão? Não, pois essa competência é exclusiva do
Presidente da República. A proposta apresentada por
parlamentar caracteriza inconstitucionalidade formal.

MUITO COBRADO EM CONCURSO: o Congresso Nacional pode na


própria LOA autorizar: a contratação de qualquer modalidade de
operação de crédito; a abertura de crédito adicional suplementar; a
realização de operações de crédito por antecipação
da receita orçamentária – ARO.
Com o artigo 5º, da LRF, a LOA ganha mais ênfase, passando a ter
maior importância, de acordo com a LRF, a lei orçamentária deverá:
_ ser elaborada de forma compatível com o PPA, com a LDO, e com as
normas da LRF;
_ conter demonstrativo da compatibilidade da programação dos
orçamentos com os objetivos e metas constantes do anexo de metas
fiscais da LDO;

ORÇAMENTO PÚBLICO
Conforme o professor Aliomar Baleeiro, “o orçamento é um ato pelo
qual o Poder Legislativo autoriza o Poder Executivo, por um certo
período e em pormenor, a realização das despesas destinadas ao
funcionamento dos serviços públicos e outros fins adotados pela
política econômica e geral do país, assim como a arrecadação das
receitas criadas em lei”.
Já para o mestre João Fortes, “o orçamento é uma prévia autorização
do legislativo para que se realizem receitas e despesas de um ente
público, obedecendo a um determinado período de tempo”.

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PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS
Segundo o professor Francisco Glauber Lima Mota, princípios são
preceitos fundamentais e imutáveis de uma doutrina, que orientam
procedimentos e que indicam a postura a ser adotada diante de uma
realidade.
A Lei 4320/64 de 17/03/1964, que estatui normas de direito financeiro
para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União,
dos Estados, dos Municípios e do Distrito federal, estabeleceu em seu
artigo 2º os princípios de unidade,
universalidade e anualidade.
“Art. 2º A lei de orçamento conterá a discriminação da receita e
despesa de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o
programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios da
unidade, universalidade e anualidade”, grifo nosso.
No entanto os autores listam, além destes, outros princípios, dos
quais se destacam:

Princípio da Anualidade ou Periodicidade


O princípio da anualidade, previsto no artigo 2º da Lei 4320/64,
estabelece que a cada ano financeiro (período de 12 meses) seja
elaborado uma nova lei orçamentária. No Brasil, por força do artigo
34, que definiu que o exercício financeiro coincidirá com
o ano civil, este período coincide com o ano civil, ou seja, vai de 01 de
janeiro a 31 de dezembro.
O princípio da periodicidade permite um maior controle do legislativo
sobre os atos administrativos de natureza financeira, além de
possibilitar que os planos sejam revistos anualmente, de forma a
aperfeiçoá-los.
O Decreto-lei 200/67, em seu artigo 16, já mencionava a
periodicidade anual da lei de orçamento: “Em cada ano, será
elaborado um orçamento-programa, que...”. A constituição federal
manteve a anualidade do orçamento, ao citar no artigo 165: “inciso III
- os orçamentos anuais” e “§5º A lei orçamentária anual
compreenderá:...”.
A exceção a este princípio são os créditos adicionais especiais e
extraordinários, que poderão ser reabertos, nos limites dos seus
saldos, e incorporados ao orçamento do exercício seguinte, conforme
previsto no § 2º do artigo 167 da CF/88: “Os créditos especiais e
extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem
autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos
quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites
de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício
financeiro subseqüente”.

Princípio da Unidade
De acordo com o princípio da unidade, também contemplado no
artigo 2º da Lei 4320/64, o orçamento deve ser uno, ou seja, deve
haver somente um único orçamento para o exercício financeiro,
evitando orçamentos paralelos. Apesar da constituição federal, em
seu artigo 165, prever três leis orçamentárias: PPA, LDO E LOA e três
esferas orçamentárias: orçamento fiscal, orçamento de
investimento e orçamentos da seguridade social (§5º), a doutrina
majoritária entende que o princípio da unidade continua existindo,
ainda que sob um novo conceito, qual seja o de totalidade,
necessidade de inclusão das três esferas orçamentárias na Lei
Orçamentária anual, e compatibilidade da LOA com a LDO e com o
PPA e da LDO com o PPA.

Princípio da Universalidade
O princípio da universalidade, além de constar, no artigo 2º da Lei
4320/64, como princípio orçamentário, ainda está contemplado nos
artigos 3º e 4º, que expressamente estabelecem que a lei de
orçamento compreenderá todas as receitas, inclusive de operações
de crédito autorizadas em lei, bem como todas as despesas próprias
dos órgãos do governo e da Administração centralizada, ou que, por
intermédio deles se devam realizar.
A constituição federal também reforça esse princípio ao orientar, no §
5º do artigo 165, que o orçamento deve conter todas as receitas e as
despesas referentes aos poderes da união, seus fundos, órgãos e
entidades da administração direta e indireta,
inclusive as fundações instituídas e mantidas pelo poder público.
Assim, em atendimento ao princípio da universalidade, o orçamento
deve conter todas as receitas a serem arrecadadas e todas as
despesas a serem realizadas em determinado período de tempo.

Princípio da Exclusividade
De acordo com o princípio da exclusividade, a lei orçamentária
deverá conter somente matéria de natureza orçamentária, não
podendo constar dispositivo estranho à previsão da receita e a
fixação da despesa. Este princípio está previsto na constituição
federal, artigo 165: “§8º - A lei orçamentária anual não conterá
dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não
se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos
suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por
antecipação de receita, nos termos da lei”.
O próprio artigo 165, acima citado, traz as duas exceções a este
princípio, quais sejam: a autorização para abertura de créditos
suplementares na própria LOA e a contratação de operações de
crédito, ainda que por antecipação da receita.
Importante ressaltar que a Lei 4320/64 em seu artigo 7º, também
determina exceções ao princípio da exclusividade:
“Art. 7° A Lei de Orçamento poderá conter autorização ao Executivo
para:
I - Abrir créditos suplementares até determinada importância
obedecidas as disposições do artigo 43;
II - Realizar em qualquer mês do exercício financeiro, operações de
crédito por antecipação da receita, para atender a insuficiências de
caixa”.

Princípio da Especificação
O princípio da especificação, também conhecido como princípio da
discriminação ou da especialização, visa impedir a inclusão de
dotações globais na lei orçamentária para atender as despesas.
Assim, toda a despesa deve ser identificada no mínimo por elemento,
permitindo um maior controle da execução orçamentária. Este
princípio está consagrado nos artigos 5º e 15º da Lei 4320/64,
conforme a seguir transcrito:
“Art. 5º A Lei de Orçamento não consignará dotações globais
destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal,
material, serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras,
ressalvado o disposto no artigo 20 e seu parágrafo único”.
“Art. 15. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no
mínimo por elementos.
§ 1º Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com
pessoal, material, serviços, obras e outros meios de que se serve a
administração publica para consecução dos seus fins”.
Existem duas exceções ao princípio da especificação, a primeira diz
respeito aos programas especiais de trabalho, previsto no parágrafo
único do artigo 20 da lei 4320/64. A segunda exceção são as reservas
de contingências – dotação global colocada
na lei orçamentária, destinada a atender passivos contingentes e
outras despesas imprevistas – prevista no artigo 91 do Decreto Lei
200/67.
“Art. 20... Parágrafo único. Os programas especiais de trabalho que,
por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às
normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por
dotações globais,
classificadas entre as Despesas de Capital”.
“Art. 91. Sob a denominação de Reserva de Contingência, o
orçamento anual poderá conter dotação global não especificamente
destinada a determinado órgão, unidade orçamentária, programa ou
categoria econômica, cujos recursos serão utilizados para abertura de
créditos adicionais”.

Princípio da Publicidade
Mais do que um princípio orçamentário, a publicidade é um princípio
constitucional previsto no artigo 37 da CF/88, que deve nortear todos
os atos da administração pública. O maior objetivo deste princípio é
proporcionar publicidade aos
atos públicos na busca da tão difundida transparência dos gastos
públicos. Vários artigos da constituição reforçam a necessidade da
transparência na administração pública, dentre os quais destacamos
o artigo 165, § 3§: “O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o
encerramento de cada bimestre, relatório
resumido da execução orçamentária”. A Lei 101/00, LRF, também
trouxe diversas regras no sentido de dar maior transparência ao
gastos públicos, com destaque para os artigos 48 e 49. “Art. 48. São
instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada
ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público:
os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as
prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório
Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal;
e as versões simplificadas desses documentos”.
“Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo
ficarão disponíveis, durante todo o exercício, no respectivo Poder
Legislativo e no órgão técnico responsável pela sua elaboração, para
consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade”.

Princípio do Equilíbrio
O princípio do equilíbrio estabelece que o total da despesa
orçamentária não pode ultrapassar o total da receita orçamentária
prevista para cada exercício financeiro, ou seja, prevê a igualdade
entre a previsão da receita e a fixação da despesa.
A adoção deste princípio representa uma ferramenta útil no controle
dos gastos públicos, ainda que, atualmente, não passe de uma
simples questão de técnica contábil visto que possíveis excessos de
gastos podem ser cobertos por operações de crédito,
oferecendo assim o “equilíbrio”. Assim, o aparente equilíbrio entre
receita e despesa, pode na verdade esconder
um déficit econômico, se for considerado que as operações de crédito
já são um meio de cobrir desequilíbrios orçamentários.

Princípio do Orçamento Bruto


Segundo o princípio do orçamento bruto as receitas e despesas
devem constar da lei orçamentária e de créditos adicionais pelos seus
valores brutos, sem nenhuma dedução, conforme preconizado no
artigo 6º da Lei 4320/64:

“Art. 6º Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento


pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções”.
Para exemplificar a aplicação deste princípio, podemos citar o IPI
arrecadado pela União e que tem uma parcela transferida para
estados e municípios por meio dos fundos de participação
respectivos, Assim na LOA da União, o IPI deverá constar na parte da
receita pelo seu valor total e na parte da despesa a parcela a ser
transferida, evitando-se lançar o valor líquido resultante do confronto
entre estes dois valores.

Princípio da Não Vinculação da Receita


O princípio da não vinculação da receita, também conhecido como
não afetação da receita, previsto no art. 167, IV, da CF/88, defende
que nenhuma receita de impostos poderá ser vinculada com
determinada despesa pelo legislador, ressalvados os casos
previstos no próprio texto constitucional.
“Art. 167. São vedados:... IV - a vinculação de receita de impostos a
órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da
arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a
destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde,
para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de
atividades da administração tributária, como
determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e
a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de
receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º
deste artigo”. A ressalva do artigo 158 são os impostos que
pertencem aos municípios referentes à parcela do IRRF do ITR,
impostos Federais, e relativos ao IPVA e ao
ICMS, impostos Estaduais. A ressalva do artigo 159 são basicamente
as transferências de parcelas dos impostos sobre a renda e proventos
de qualquer natureza e sobre produtos industrializados para os
fundos de participação dos estados (FPE), de participação dos
municípios (FPM) e para os programas de financiamento ao setor
produtivo das Regiões
Norte, Nordeste e Centro Oeste. As transferências para as ações e
serviços de saúde (art.198) e para a manutenção e desenvolvimento
do ensino (art.212) visam à aplicação de um mínimo constitucional
nestas áreas.
O artigo 167, § 4º permite a vinculação de receitas próprias de
impostos para a prestação de garantias e contragarantias à União.

Princípio da Legalidade
O princípio da legalidade aplicado ao orçamento possui a mesma
fundamentação legal geral, qual seja, a administração pública se
subordina aos ditames da lei. O princípio da legalidade, conforme
definido no caput do art. 37 da Constituição
Federal, é um princípio aplicável a toda a administração pública. Pela
vertente do particular temos o art. 5º, inciso IIº, da Constituição
Federal, que estabelece que: “ninguém será obrigado a fazer ou
deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei”.
Este princípio deve ser observado não só no PPA, LDO e LOA, mas
também nos planos, programas, operações de abertura de crédito,
transposição, remanejamento ou transferência de recursos de uma
programação para outra ou de um órgão para outro e a
instituição de fundos (arts. 48, II e IV, 166, 167, I, III, V, VI e IX).

Princípio da Clareza
O princípio da clareza estabelece que o orçamento dever ser
apresentado em linguagem transparente, simples e inteligível, sem
descuidar das exigências técnicas orçamentárias, para facilitar o
manuseio e a compreensão daqueles que, por força do ofício ou por
interesse, necessitam conhecê-lo.

Princípio da Uniformidade
O princípio da uniformidade no que ser refere ao aspectos formal
deve ser padronizado nos diversos exercícios em que é executado,
possibilitando ser comparado ao longo do tempo.

Princípio da Unidade de Tesouraria ou de Caixa


Segundo o princípio da unidade de tesouraria ou caixa, previsto no
artigo 56 da Lei 4320/64, todos os arrecadados pelo estado devem
ser centralizados numa única conta bancária, assim o recolhimento
de todas as receitas serão feitas em estrita observância ao princípio
de unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para
criação de caixas especiais.

Orçamento-Programa
Como o orçamento de desempenho ainda era falho, faltando-lhe a
vinculação com o planejamento governamental, partiu-se para uma
técnica mais elaborada, que foi o orçamento-programa.
O orçamento-programa originalmente, sistema de planejamento,
programação e orçamentação, foi introduzido nos Estados Unidos da
América, no final da década de 50, sob a denominação de PPBS
(Planning Programning Budgeting System).
Este orçamento foi introduzido no Brasil através da Lei 4320/64 e do
decreto – lei 200/67. O orçamento–programa pode ser entendido
como um plano de trabalho, um instrumento de planejamento da
ação do governo, através da identificação dos seus programas de
trabalho, projetos e atividades, além do estabelecimento de objetivos
e metas a serem implementados, bem como a previsão dos custos
relacionados. A CF/88 implantou definitivamente o orçamento-
programa no Brasil, ao estabelecer a
normatização da matéria orçamentária através do PPA, da LDO e da
LOA, ficando evidente o extremo zelo do constituinte para com o
planejamento das ações do governo. As principais características do
orçamento-programa são: integração,
planejamento, orçamento; quantificação de objetivos e fixação de
metas; relações insumo-produto; alternativas programáticas;
acompanhamento físico-financeiro; avaliação de resultados; e
gerência por objetivos.

CRÉDITOS ADICIONAIS – (Artigos 40 a 46 da Lei 4320//64)


Os créditos adicionais são autorizações de despesas não computadas
ou insuficientemente dotadas ou programadas na lei orçamentária,
ou seja, são considerados instrumentos de ajustes orçamentários, que
visam, dentre outras coisas, corrigir planejamentos mal formulados,
atender situações inesperadas, emergenciais, imprevisíveis, etc.
Os créditos adicionais se dividem em três espécies/tipos:
suplementares, especiais e extraordinários.

Créditos Suplementares
Os créditos suplementares têm a finalidade de reforçar o orçamento,
isto é, existe orçamento previsto, porém em montante inferior ao
necessário.
ATENÇÃO - O poder legislativo pode autorizar a abertura de crédito
suplementar na própria lei orçamentária, até determinado valor.
Assunto importante, pois as bancas costumam afirmar que o poder
legislativo pode autorizar, na própria LOA, a abertura de crédito
especial ou extraordinário, ou ainda, colocam somente crédito
adicional de forma abrangente, em qualquer dessas
hipóteses a questão estaria incorreta, a única espécie de crédito
adicional que pode ter autorização na própria LOA é o suplementar
e ainda assim com limitação de valor. Inclusive a autorização para
abertura de crédito suplementar na própria LOA
constitui uma das exceções ao princípio da exclusividade, conforme
art. 165, §8º.
Enquanto existir saldo de autorização na própria LOA, o Poder
Executivo, por meio de decreto, pode abrir o crédito suplementar,
depois de esgotado o saldo de créditos, aí sim, toda vez que for
suplementar uma obra ou serviço o Executivo terá que pedir
autorização ao Legislativo.
IMPORTANTE - O período de vigência dos créditos suplementares é
adstrito
ao exercício financeiro em que forem abertos. Este é o único
crédito adicional que
não pode ser reaberto no exercício seguinte, ainda que aberto nos
últimos quatro
meses do exercício anterior.
O crédito suplementar é autorizado por lei e aberto por decreto do
Poder
Executivo. A sua abertura depende da indicação dos recursos
disponíveis que
sustentarão a abertura dos respectivos créditos e será precedida de
exposição
justificativa.
Créditos Especiais
Os créditos especiais são destinados às despesas para as quais não
haja dotação ou categoria de programação específica na própria lei
orçamentária, visam atender despesas novas, não previstas na LOA,
mas que surgiram no decorrer do exercício.

ATENÇÃO – Se a lei de autorização do crédito especial for


promulgada nos últimos quatro meses do exercício financeiro, e no
final do exercício ainda houver saldo não utilizado, este valor será
reaberto no exercício subseqüente e incorporado ao orçamento. Os
examinadores, às vezes, tentam enganar o concurseiro, afirmando
que pode haver reabertura de créditos suplementares, esta
afirmativa é falsa.
A reabertura dos créditos especiais gera um saldo financeiro, essa
receita incorporada ao orçamento subseqüente é extra-orçamentária,
isto porque já foi considerada como orçamentária no exercício
anterior.
Em de regra, os créditos adicionais especiais terão vigência dentro do
próprio exercício financeiro em que forem abertos, salvo se o ato de
autorização for promulgado nos últimos quatro meses do exercício,
caso em que, reabertos nos limites de seus
saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro
subseqüente. A abertura do crédito especial é realizada por meio de
decreto do Poder Executivo, após prévia autorização legislativa em
Lei Especial.

Crédito Extraordinário
Os créditos extraordinários são destinados somente ao atendimento
de despesas urgentes e imprevisíveis, decorrentes de guerra,
comoção interna ou calamidade pública.
Os créditos extraordinários, devido ao seu caráter de urgência, não
necessitam de autorização legislativa prévia para sua abertura e nem
da indicação da fonte de recursos.

IMPORTANTE: Os créditos extraordinários, no caso da União, são


abertos pelo Poder Executivo por meio de Medida Provisória e
submetidos imediatamente ao Poder Legislativo, por força do artigo
62. Os Estados que possuem a figura da MP prevista nas
suas constituições podem adotá-la também, seguindo a mesma regra
estabelecida para o executivo federal, nos demais casos a abertura
será realizada por decreto.
O procedimento de abertura do crédito extraordinário é diferente do
procedimento adotado na abertura das outras espécies de créditos
adicionais. No caso de despesas imprevistas e urgentes relativas a
guerra, comoção interna ou calamidade pública, o Presidente da
República realiza a abertura dos créditos extraordinários por
intermédio da MP e a submete ao Congresso Nacional, e mesmo que
a MP não tenha, ainda, sido apreciada pelo CN, o governo pode iniciar
a realização dos gastos
necessários.

ATENÇÃO: Para fins de concursos tem sido considerada correta a


afirmação de que prefeitos e governadores abrem créditos
extraordinários por meio de decreto. A vigência dos créditos
extraordinários, a exemplo dos créditos especiais, será dentro do
exercício financeiro, no entanto se a lei for promulgada nos últimos
quatro meses do exercício financeiro, poderão ser reabertos pelos
seus saldos no próximo exercício.

ATENÇÃO! A lei 4320/64, em seu artigo 44, determina que os


créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder
Executivo, que deles dará imediato conhecimento ao Poder
Legislativo.
FONTE DE RECURSOS PARA ABERTURA DE CRÉDITOS
ADICIONAIS
A abertura de créditos suplementares e especiais dependerá da
existência de recursos disponíveis e deverá ser justificada por meio
das seguintes fontes de recursos:
_ O superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício
anterior;
_ O excesso de arrecadação;
_ Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do
projeto de lei
orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes, desde
que haja prévia e específica autorização legislativa;
_ Os resultantes de anulação parcial ou total de dotações
orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em lei;
_ O produto de operações de crédito autorizadas, em forma que
juridicamente possibilite ao poder executivo realizá-las;
_ Os resultantes da reserva de contingências, estabelecidos na LOA;

Superávit Financeiro
O superávit financeiro é a diferença positiva entre o ativo financeiro e
o passivo financeiro, conjugando-se, ainda, os saldos dos créditos
adicionais transferidos e as operações de créditos a eles vinculadas.
MUITA ATENÇÃO: o superávit ou déficit financeiro é apurado no
balanço patrimonial. Os examinadores costumam colocar que o
superávit é apurado no balanço financeiro, acabando por confundir o
candidato. Outra questão recorrente em prova é afirmar que o
superávit é apurado no
balanço patrimonial do exercício, está errado! O superávit
considerado como fonte de recursos é apurado no encerramento do
exercício anterior, em 31/12.

Excesso de Arrecadação
Excesso de arrecadação é o saldo positivo das diferenças acumuladas
mês a mês entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-
se, ainda, a tendência do exercício. Caso tenham sido abertos
créditos extraordinários sem indicação da fonte de recursos, no
momento de apurar o excesso de arrecadação, esses créditos abertos
no período devem ser descontados do cálculo.

Recursos Resultantes de Anulação Parcial ou Total de


Dotações Orçamentárias
A anulação parcial ou total de dotações orçamentárias são fatos
meramente permutativos, onde se anulam total ou parcialmente
determinadas dotações e remaneja os recursos para outra dotação,
desde que tais remanejamentos sejam permitidos na
LDO.

Operações de Crédito
As operações de crédito são receitas obtidas por meio de
empréstimos, geralmente de longo prazo, portanto compõem a dívida
fundada ou consolidada do ente.

Reserva de Contingência
A reserva de contingência é uma dotação orçamentária não
especificada ou destinada a órgão, fundo ou despesa, que deverá
estar prevista na LOA, cuja forma de utilização e montante será
definida com base na receita corrente líquida.

CICLO ORÇAMENTÁRIO
O orçamento passa por diversas fases até estar pronto para ser
executado, inicia-se com uma proposta que se transformará em
projeto de lei que será apreciado, emendado, aprovado, sancionado e
publicado passando pela execução, momento em que ocorre a
arrecadação da receita e a realização da despesa, dentro do exercício
financeiro, até o acompanhamento e avaliação da execução,
realizada pelos controles internos e externos.
Elaboração
A primeira etapa, elaboração do projeto de lei orçamentária, tem
início com a definição de cada unidade gestora da sua proposta
parcial de orçamento, A setorial orçamentária recebe todas as
propostas parciais de todas as unidades que compõem o
órgão e consolida tudo numa única proposta do órgão. Todas essas
propostas setoriais dos órgãos de todos os poderes, executivo,
legislativo e judiciário, são encaminhadas para o órgão central do
sistema de orçamento e gestão, para nova consolidação, daí surge o
projeto de lei orçamentária que será submetido ao Presidente da
República que fará o encaminhamento do projeto ao Congresso
Nacional, por meio de mensagem.
ATENÇÃO: A LDO traz todas as orientações que deverão ser seguidas
quando da elaboração da LOA.

Aprovação
Após o projeto ser remetido ao Congresso Nacional, ele será
apreciado pela Comissão Mista Permanente de Orçamento composta
de deputados e senadores, prevista no artigo 166 da CF/88. Esta
comissão tem a função de examinar e emitir parecer sobre o projeto,
bem como acompanhar e fiscalizar o orçamento. O projeto de lei
orçamentária, assim como as emendas propostas ao projeto após
parecer da comissão mista permanente serão apreciadas pelo
plenário das duas casas do Congresso Nacional.
Com a aprovação do projeto pelo plenário do Congresso Nacional, o
projeto será devolvido ao Presidente da República que poderá
sancioná-lo ou propor vetos. Havendo a sanção o projeto deverá ser
encaminhado para publicação.
IMPORTANTE: se todas as etapas ocorrerem dentro dos prazos
legais previstos, a lei orçamentária começará a ser executada no
início do exercício financeiro, após o detalhamento da despesa, feito
por meio do QDD.

Execução
No início do exercício financeiro, após a publicação do Quadro de
Detalhamento da Despesa – QDD, os órgãos começarão a executar o
orçamento. Para que os órgãos possam começar a executar o
orçamento, empenhar, liquidar,
pagar, arrecadar receita, etc, a Secretaria do Tesouro Nacional
providencia a consignação da dotação orçamentária, em nível de
QDD, a todos os órgãos e ministérios contemplados na lei de meios.
ATENÇÃO: O QDD é um documento contendo dados mais analíticos
acerca da autorização dada na lei, em nível de projeto, atividade,
operação especial e elemento de despesa.

Caso ocorra algum problema no decorrer das etapas que impeça a


disponibilização da dotação orçamentária, os órgãos poderão utilizar
um instituto, desde que haja previsão na LDO, denominado
duodécimo.
O que é “duodécimo”? É o instituto que possibilita aos órgãos, caso
autorizado na LDO, a executar a cada mês do exercício financeiro, um
doze avos do projeto de lei orçamentária que está sendo apreciado de
modo a não prejudicar totalmente a execução prevista para o
exercício.
IMPORTANTE: quando o legislativo não recebe o projeto de lei
orçamentária no prazo fixado nas constituições e leis orgânicas dos
municípios, considerará como proposta a lei de orçamento vigente.

Controle
Nesta fase ocorre o acompanhamento e avaliação do processo de
execução orçamentária, que segundo a legislação em vigor será
interno quando realizado pelos agentes do próprio órgão, ou externo
quando realizado pelo poder legislativo, auxiliado
tecnicamente pelo Tribunal de Contas. O controle será mais eficiente
se realizado a priori, ou seja, realizado preponderantemente sobre
atos ainda não concretizados, porém o que se observa é que a
avaliação ocorre, em grande parte, sobre o processo de despesa já
realizado. Isto prejudica a correção de falhas no processo de
execução e, por conseguinte inviabiliza o cumprimento das metas
estabelecidas.

RECEITA PÚBLICA
Receita pública são os recursos instituídos e arrecadados pela
administração pública com a finalidade de atender as necessidades
da sociedade. Pode-se dizer que receita é todo recurso arrecadado
pelo estado para atender as despesas públicas. A receita pública
apresenta diversas classificações, sendo as mais consagradas pela
doutrina:
_ Quanto à natureza;
_ Quanto à categoria econômica;
_ Quanto à afetação patrimonial;
_ Quanto à regularidade;
_ Quanto à coercitividade;
_ Quanto ao poder de tributar.
Os recursos arrecadados pelo estado e que incorporam
definitivamente ao patrimônio do Estado são chamados de receitas
orçamentárias. Assim as receitas orçamentárias são aquelas que se
integram definitivamente ao estado sem qualquer
correspondência no passivo, estejam estas receitas previstas ou não
no orçamento. Os recursos arrecadados pelo estado, mas que geram
um passivo, ou seja, terão que ser restituídos, posteriormente, são
denominados receitas extra-orçamentárias. Ou
seja, são receitas que não estão previstas no orçamento, e
corresponde a uma entrada de recurso que gera para o Estado a
obrigação de posterior devolução. Ex. Depósitos diversos, Restos a
pagar, serviço da dívida a pagar, Aro, etc.
ATENÇÃO! As receitas extra-orçamentárias por serem apenas
entrada de recursos com caráter devolutivo, não são consideradas
receitas stricto sensu, tendo em vista que são registradas como
receitas somente para controle e posterior devoluções.
Exemplificando: recebimento de caução em dinheiro para garantia de
contrato, o fornecedor deposita um montante na conta bancária do
governo, no entanto este recurso não pertence ao Estado, assim no
momento de contabilizar esta receita será registrado
TOME NOTA! As receitas, quanto à natureza, se dividem em
orçamentária e extra-orçamentária.
Os recursos arrecadados pelo estado e que incorporam
definitivamente ao patrimônio do Estado são chamados de receitas
orçamentárias. Assim as receitas orçamentárias são aquelas que se
integram definitivamente ao estado sem qualquer correspondência no
passivo, estejam estas receitas previstas ou não no orçamento.

BIZU - Em concurso a ESAF já considerou como correta a afirmativa


de que todo ingresso de recursos aos cofres públicos é considerado
receita lato sensu – AFC/CGU/2000.
Exemplificando: recebimento de caução em dinheiro para garantia de
contrato, o fornecedor deposita um montante na conta bancária do
governo, no entanto este recurso não pertence ao Estado, assim no
momento de contabilizar esta receita será registrado um débito no
banco e em contrapartida um crédito em conta do passivo,
evidenciando o caráter devolutivo do recurso.

NÃO CAIA NESSA: A receita para ser orçamentária não precisa estar
prevista na LOA.
Os recursos arrecadados pelo estado, mas que geram um passivo, ou
seja, terão que ser restituídos, posteriormente, são denominados
receitas extra-orçamentárias. Ou seja, são receitas que não estão
previstas no orçamento, e corresponde a uma entrada de recurso que
gera para o Estado a obrigação de posterior devolução. Ex. Depósitos
diversos, Restos a pagar, serviço da dívida a pagar, Aro, etc.

IPC! As operações de crédito por antecipação de receita são receitas


extraorçamentárias, conforme artigo 3º da Lei 4320/64.
O concurseiro antenado pode perguntar: mas por quê uma
operação de crédito por antecipação da receita é extra-
orçamentária e uma operação de crédito normal é
orçamentária, sendo que as duas geram uma obrigação para
o Estado?
Fácil, o próprio nome da operação de crédito por ARO (Antecipação
da receita orçamentária) já mata esta questão. A ARO não é uma
receita nova que se incorpora ao Estado, é simplesmente uma
antecipação da receita orçamentária prevista no orçamento
e que, no entanto ainda não se realizou. O procedimento normal é o
governo esperar a receita se realizar para aí sim gastá-lo, mas às
vezes por problemas de indisponibilidade de caixa o Estado não pode
esperar essa realização acontecer. Assim o governo faz um
empréstimo e se compromete a pagá-lo com a receita orçamentária
que se realizará, por isso é preciso contabilizar a ARO como extra-
orçamentária sob pena do Estado duplicar sua receita. Interessante
lembrar que uma receita extra-orçamentária poderá se converter em
receita orçamentária, a partir do momento que se constatar que não
caracteriza mais uma obrigação a pagar.

Características dos ingressos orçamentários:


_ Registrados como receita orçamentária corrente ou de capital;
_ Financiam as despesas orçamentárias;
_ Geram desembolsos orçamentários;
_ Seguem as classificações econômicas, institucionais e por fonte de
recursos;
_ Tem caráter permanente;
_ Pertencem ao Estado.

Características dos ingressos extra-orçamentários:


_ Registrados como passivo financeiro;
_ Não financiam as despesas orçamentárias;
_ Geram desembolsos extra-orçamentários;
_ Não passam pelos estágios da receita;
_ Seguem classificação contábil;
_ Tem caráter temporário;
_ Pertencem a terceiros.
A Lei 4320/64 classificou a receita orçamentária em duas categorias:
receitas
TOME NOTA! As receitas, quanto à categoria econômica, se
classificam em: Receitas Correntes e Receitas de Capital.

Receitas Correntes – São os recursos recebidos de outras pessoas


de direito público ou de direito privado, quando destinados a atender
despesas classificáveis em despesas correntes. As receitas correntes
se dividem em: tributárias, de contribuições, patrimonial,
agropecuárias, industrial, de serviços, de transferências correntes e
outras receitas correntes.

Receitas de Capital – São recursos recebidos de outras pessoas de


direito público ou de direito privado destinados a atender despesas
classificáveis em despesas de capital e ainda o superávit do
orçamento corrente. Exemplo: as provenientes da realização de
recursos financeiros de constituição de dívidas; da conversão em
espécie, de bens e direitos.
A lei 4320/64, no seu artigo 11, §4º estabelece que a classificação da
receita deve obedecer ao seguinte esquema:

IMPORTANTE: Apesar de ser um pouco chato ficar decorando estas


classificações, é um assunto bastante cobrado em concursos, então
tente memorizá-las fazendo esquemas e lembre-se de revisá-las
antes da prova.

ATENÇÃO: Dos conceitos abaixo, especial atenção às receitas


tributárias, de contribuições e transferências correntes, pois são as
mais cobradas em concurso.
Receita Tributária: São os ingressos provenientes da arrecadação
das receitas de impostos, taxas e contribuições de melhoria. É uma
receita privativa das entidades competentes para tributar: União,
Estados, Distrito Federal e os Municípios.

Receita de Contribuições: É o ingresso proveniente de


contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de
interesse das categorias profissionais ou econômicas, como
instrumento de intervenção nas respectivas áreas.
Atenção: os examinadores tentam enganar o candidato afirmando
que a receita de contribuição de melhoria é uma receita de
contribuições. CUIDADO!

Receita Patrimonial: É o ingresso proveniente de rendimentos


sobre investimentos do ativo permanente, de aplicações de
disponibilidades em opções de mercado e outros rendimentos
oriundos de renda de ativos permanentes.

Receita Agropecuária: É o ingresso proveniente da atividade ou da


exploração agropecuária de origem vegetal o animal.

Receita Industrial: É o ingresso proveniente da atividade industrial


de extração mineral, de transformação, de construção e outras,
provenientes das atividades industriais definidas como tal pela
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

Receita de Serviços: É o ingresso proveniente da prestação de


serviço de transporte, saúde, comunicação, portuário, armazenagem,
de inspeção e fiscalização, judiciário, processamento de dados,
vendas de mercadorias e produtos inerentes a atividades da entidade
e outros serviços.

Transferências Correntes: É o ingresso proveniente de outros


órgãos ou entidades, referentes a recursos pertencentes ao ente ou
entidade recebedora ou ao ente ou entidade transferidora, efetivados
mediante condições preestabelecidas ou mesmo em qualquer
exigências, desde que o objetivo seja aplicação em despesas
correntes.

IMPORTANTE: Para o ente ou órgão transferidor, a transferência do


recurso é classificada como despesa e para o recebedor é uma
receita.

MUITO IMPORTANTE: O órgão que transfere o recurso empenha,


liquida e paga a despesa. O órgão recebedor considera como receita
sua, no momento em que o repassador liquida a despesa, mesmo que
ainda não tenha recebido o recurso.
Outras Receitas Correntes: São os ingressos provenientes de
outras origens não classificáveis nas subcategorias econômicas
anteriores.

Operações de Crédito: É o ingresso proveniente da colocação de


títulos públicos ou da contratação de empréstimos e financiamentos
obtidos junto a entidades estatais, instituições financeiras, fundos,
etc.

REGRA DE OURO: MUITO COBRADO EM CONCURSO! O montante


previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser
superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei
orçamentária.
A finalidade da regra de ouro é evitar o endividamento do Estado,
porém a regra comporta exceção.

ATENÇÃO: A CF prevê exceção a regra de ouro: as receitas de


operações de crédito poderiam ser superiores às despesas de capital,
desde que autorizadas, durante o exercício financeiro, mediante
créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa,
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta.

Alienação de Bens: É o ingresso de recursos provenientes da


alienação de componentes do ativo permanente, ou seja, é a
conversão em espécie de bens e direitos.

Amortização de Empréstimos: É o ingresso proveniente da


amortização, ou seja, recebimento de valores referentes a parcelas
de empréstimos ou financiamentos concedidos em títulos ou
contratos.
Transferências de Capital: É o ingresso proveniente de outros
entes ou entidades referentes a recursos, pertencentes ao entre ou
entidade recebedora ou ao ente ou entidade transferidora, efetivado
mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer
exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas de
capital.

Outras Receitas de Capital: São os ingressos provenientes de


outras origens não classificáveis nas subcategorias econômicas
anteriores. Conforme a 4ª edição do manual de procedimentos da
receita pública, aprovado pela portaria conjunta da secretaria do
Tesouro Nacional e Secretaria de Orçamento Federal (02 de agosto de
2007), a classificação econômica tem a seguinte estrutura:

O § 3º do mesmo artigo estabelece que o superávit do orçamento


corrente resultante do balanceamento dos totais das receitas e
despesas correntes, apurados no balanço orçamentário, não
constituirá item da receita orçamentária.

ATENÇÃO! O superávit do orçamento corrente é receita de capital


extraorçamentária.

Mas por que o superávit do orçamento corrente é receita de


capital e ainda por cima receita extra-orçamentária? Simples, o
superávit é considerado receita de capital, porque normalmente é
utilizado para cobrir déficit de capital. Como essa receita já foi
considerada como orçamentária no exercício em que houve o
resultado positivo ela é contabilizada como extra-orçamentária para
que não haja duplicidade de receita.

TOME NOTA! As receitas, quanto à afetação patrimonial, se


dividem em efetiva e não efetivas.
As receitas orçamentárias podem causar aumento no patrimônio, ou
seja, podem causar variação na situação líquida, neste caso são
chamadas de receita efetiva. Essas receitas integram o patrimônio
sem quaisquer condições, restrições ou correspondências
no passivo, inserindo-se no conceito de fato contábil modificativo
aumentativo. Exemplos: receita tributária, receita de serviços, etc.
Há, no entanto, casos em que os ingressos de recursos orçamentários
não provocam afetação no patrimônio líquido por serem oriundas de
fatos permutativos, essas receitas são denominadas receitas não
efetivas ou receitas por mutações
patrimoniais. Exemplo: receitas de operações de crédito, receita de
amortização de empréstimos concedidos, etc.
As receitas de capital via de regra são receitas não efetivas, pois toda
a vez que se registra uma receita de capital faz-se o registro de uma
mutação patrimonial, a exceção são receitas de transferências de
capital, que não geram uma mutação patrimonial, decorrente da
incorporação de um direito ou de um bem ou da baixa de obrigações.
As receitas correntes, em regra, são receitas efetivas, porém também
existe uma exceção, a dívida ativa, que apesar de ser registrada
como receita corrente dentro da
subcategoria “outras receitas correntes”, causa uma mutação
patrimonial, referente à baixa do direito.
IMPORTANTE: Em regra toda receita corrente é receita efetiva e
toda receita de capital é receita não efetiva, há, entretanto, exceções.

TOME NOTA! As receitas, quanto à regularidade, se classificam


em ordinárias e extraordinárias.
Receitas Ordinárias – Ingressos permanentes e estáveis do Estado,
arrecadados regularmente em cada período financeiro, ou seja,
possuem caráter de continuidade, sendo fonte perene de recursos
para o Estado.

Receitas Extraordinárias – Ingressos com caráter de não


continuidade, a sua arrecadação acontece de maneira excepcional,
provenientes de calamidade pública, doações, etc.

TOME NOTA! As receitas, quanto a coercitividade, se classificam


em originárias e derivadas.
Receita Originária – Consiste na receita proveniente da exploração
do patrimônio público, ou seja, são produzidas pelos ativos do Estado.
O Estado atua como particular por meio da exploração de atividades
privadas, exemplos: serviços comerciais, industriais; alugueis, etc. A
receita originária também é classificada na categoria receita corrente.

Receitas Derivadas – Consistem nas receitas provenientes do


exercício do poder de tributar, do Estado, os rendimentos ou o
patrimônio da coletividade, essa receita é obtida pelo Estado em
função da sua soberania, por meio de tributos, indenizações e
restituições. A receita derivada é classificada na categoria receita
corrente.
TOME NOTA! As receitas, quanto ao poder de tributar, se
classificam em federal, estadual e municipal.
Quanto ao Poder de Tributar – Classifica as receitas segundo o
poder de tributar que compete a cada ente da federação,
considerando e distribuindo as receitas obtidas como pertencentes
aos respectivos entes, quais sejam: Governo Federal; Estadual; do
Distrito Federal e Municipal.

12
ESTÁGIOS DA RECEITA
A receita orçamentária passa por quatro estágios ou fases, que são:
previsão, lançamento, arrecadação e recolhimento.

Previsão
A previsão da receita, também conhecida como receita orçada, é a
estimativa de quanto se espera arrecadar durante o exercício
financeiro. Com base na estimativa da receita, o governo planeja e
define os gastos que comporão a LOA.
A previsão começa com as definições das estimativas da receita, no
momento de elaboração da LOA, e encerra-se com o lançamento
fiscal. No SIAF a previsão da receita é contabilizada pela Nota de
Lançamento por Evento –NL.
A LRF trouxe, em seu artigo 12, algumas regras que deverão ser
adotadas quando da elaboração da previsão da receita:
_ Observarão normas técnicas e legais;
_ Considerarão os efeitos das alterações na legislação, da variação do
índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro
fator relevante; e
_ Serão acompanhadas de demonstrativos de evolução nos últimos
três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se
referirem, bem como da metodologia utilizada e das premissas
utilizadas.

ATENÇÃO! Os estágios da receita são: previsão, lançamento,


arrecadação e
recolhimento. Muitos doutrinadores não consideram o lançamento
como estágio da receita, entretanto as bancas do CESPE, FCC e ESAF,
para fins de concurso, o reconhecem.

Lançamento
O estágio do lançamento consiste no procedimento administrativo
onde se verifica a procedência do crédito fiscal, quem e quando se
deve pagar e inscreve em débito o contribuinte.
O novo manual da receita (4ª edição), para ser aplicado e partir da
Loa de 2008, estabelece a aplicação dos Princípios Fundamentais de
Contabilidade para reconhecimento da variação ocorrida no
patrimônio, por meio do registro do direito a receber no momento da
ocorrência do fato gerador, antes da efetivação do correspondente
ingresso de disponibilidades. Nesse momento, deverá ser efetuado o
seguinte registro contábil:
D – Ativo – IPTU a Receber (Sistema Patrimonial)
C – Resultado – Variação Ativa (Sistema Patrimonial)
Esse assunto ainda é novo, teremos que aguardar os novos concursos
para ver como será o entendimento das bancas sobre o assunto, pois,
pelo que se apreende do no novo manual a contabilização deve se
dar no momento em que se caracterizar a receita: no caso do IPTU é
pelo lançamento fiscal, em outros casos, como o registro da receita
de serviços, deve se dar no momento em que os serviços forem
prestados e, portanto a receita auferida.
Arrecadação
A arrecadação é o momento em que os contribuintes comparecem
perante os agentes arrecadadores e realizam o pagamento dos seus
tributos ou outros débitos para com o Estado.
IMPORTANTE! O estágio de lançamento aqui tratado não pode ser
confundido com o lançamento contábil.
ATENÇÃO! A arrecadação e o recolhimento são estágios de
execução da receita.

Considerando que o artigo 35 da Lei 4320/64 define que pertencem


ao exercício financeiro as receitas nele legalmente arrecadadas,
conclui-se que é no momento da arrecadação que se inicia a
realização da receita. Desta forma, em atendimento ao regime de
caixa adotado pela contabilidade pública para o registro da receita,
somente no momento da arrecadação, segundo estágio da receita, é
que deverá ocorrer a sua contabilização.
A contabilidade pública apresenta diversas particularidades, dentre as
quais,
podemos citar o regime contábil misto, desta forma adotá-se o
regime de caixa para a receita e o regime de competência para a
despesa. Por hora basta sabermos que diferentemente da
contabilidade privada, a contabilidade pública adota o regime de
caixa para a receita, e que a inscrição da dívida ativa constitui
exceção ao regime de caixa da receita, voltaremos a este assunto em
momento oportuno.

ATENÇÃO! CAI EM CONCURSO: O regime contábil adotado pela


contabilidade pública é o misto, sendo de caixa para a receita e de
competência para a despesa. Os créditos da fazenda pública, de
natureza tributária ou não tributária, serão escriturados como receita
do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas
orçamentárias.

Recolhimento
O recolhimento compreende a entrega do produto da arrecadação
pelas referidas repartições e estabelecimentos bancários ao Banco do
Brasil para crédito da conta única do Tesouro, referente à receita da
União no Tesouro Nacional.

DIVIDA ATIVA (Artigo 39 da Lei 4320/64 e portaria 564/04 da


STN)
A dívida ativa constitui-se em um conjunto de direitos ou créditos de
natureza
tributária ou não tributária, em favor da fazenda pública, com prazos
estabelecidos na legislação pertinente, vencidos e não pagos pelos
devedores, ou seja, são os créditos da fazenda exigíveis pelo
transcurso do prazo para pagamento. Divida ativa tributária: É o
crédito da Fazenda Pública, proveniente da obrigação legal relativa a
tributos e respectivos adicionais e multas.
Divida ativa não tributária: São os demais créditos da Fazenda Pública
tais como os provenientes de empréstimos compulsórios;
contribuições estabelecidas em lei; multas de qualquer origem ou
natureza, exceto as tributárias; foros; laudêmios; alugueis ou taxas de
ocupação; custas processuais; preços de serviços prestados por;
reposições; alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem
assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira,
de sub-rogação de hipoteca, aval ou outras garantias de contratos em
geral ou de outras obrigações legais.
Esses créditos somente serão inscritos, na forma da legislação
própria, como
dívida ativa depois de apurada a sua liquidez e certeza. Essa certeza
não é absoluta é relativa, ou seja, admite prova em contrário por
parte do sujeito passivo, contribuinte de fato ou de direito.
IMPORTANTE: a Dívida Ativa goza da presunção de certeza e
liquidez, e
equivale a prova pré-constituída contra o devedor.

ATENÇÃO: Dívida Ativa são os créditos da fazenda pública vencidos


e não
Arrecadados.

DISPÊNDIO PÚBLICO
CONCEITO: É o conjunto de dispêndios do Estado ou de outra pessoa
jurídica de Direito Público a qualquer título, para o funcionamento e
manutenção dos serviços prestados à sociedade.

CLASSIFICAÇÃO
Assim como ocorre com a receita, a despesa da Administração
pública possui diversas classificações, sendo as mais consagradas
pela doutrina:
Quanto à natureza;
Quanto à categoria econômica;
Quanto à afetação patrimonial;
Quanto à competência institucional;
Quanto à regularidade.
TOME NOTA! A despesa, quanto à natureza, se classifica em:
orçamentária e extra-orçamentária.

Orçamentárias: são as despesas fixadas na lei orçamentária anual


ou na lei de créditos adicionais abertos durante o exercício. Devem
obedecer as fases da despesa: fixação, empenho, liquidação e
pagamento.
Em Atendimento ao artigo 35 da Lei 4320/64, a despesa orçamentária
deverá ser reconhecida no exercício financeiro em que for realizada,
independentemente do momento em que ocorrer seu pagamento, ou
seja, a despesa deve ser reconhecida pelo regime de competência e
não de caixa.
O regime de competência está previsto no artigo 35 da Lei
4320/64, como segue:
“Pertencem ao exercício financeiro:
I -...
II – as despesas nele legalmente empenhadas.”.
IMPORTANTE! Na contabilidade pública adota-se o regime contábil
misto: regime de caixa para a receita e de competência para
despesa.
De acordo com o artigo citado, devem ser apropriadas como despesa
do
exercício financeiro o valor empenhado no exercício, este
procedimento no final do exercício, tem como finalidade contemplar
os restos a pagar não processado.

O regime de competência da despesa, assim como acontece na


receita,
possui exceção, sendo a mais conhecida e cobrada em concursos a
inscrição de resto a pagar não processado. Quando entrarmos na
parte da contabilidade propriamente dita abordaremos com mais
detalhes esse assunto.

Extra-Orçamentárias: representam a saída de recursos financeiros


transitórios, anteriormente registrados como receita extra-
orçamentária, são as despesas que não constam na lei orçamentária
anual ou em créditos adicionais como, por exemplo: restituição de
cauções, pagamento de restos a pagar, resgate de ARO, etc.
As despesas extra-orçamentárias não necessitam de autorização
orçamentárias para se efetivarem, pois não são propriedades dos
órgãos públicos.

Características dos dispêndios orçamentários:


_ Registrados como despesa orçamentária corrente ou de capital;
_ Não são oriundos de ingressos extra-orçamentários;
_ São financiados pelas receitas Orçamentárias;
_ Passam pelos estágios da fixação, empenho, liquidação e
pagamento;
_ Seguem a classificação econômica;
_ Necessitam de autorização em lei orçamentária.

Características dos dispêndios EXTRA-orçamentários:


_ Diminuem o passivo financeiro (depósitos de terceiros, cauções em
dinheiro, etc.);
_ São oriundos de ingressos extra-orçamentários;
_ Não são financiados pela receita orçamentária;
_ Não passam por estágios;
_ Seguem a classificação contábil;
_ Não necessitam de autorização em lei orçamentária.
TOME NOTA! A despesa, quanto à categoria econômica, se
classifica em: despesa corrente e despesa de capital.

Despesa Corrente: são as despesas que não contribuem,


diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital.São
despesas destinadas a manutenção e ao funcionamento dos serviços
públicos, esses recursos geram diminuição no patrimônio.

Despesa de Capital: são as despesas que contribuem, diretamente,


para a formação ou aquisição de um bem de capital, ao contrário das
despesas correntes geram acréscimo patrimonial resultante de
mutação compensatória do bem.

CLASSIFICAÇÃO DA DESPESA DE ACORDO COM A LEI 4320/64

IMPORTANTE! O artigo 12 da lei 4320/64 classifica a despesa nas


seguintes
categorias econômicas:

DESPESAS CORRENTES
Despesas de Custeio.
Transferências Correntes.

DESPESAS DE CAPITAL
Investimentos.
Inversões Financeiras.
Transferências de Capital.
As despesas correntes se dividem em subcategorias econômicas:
despesas de custeio e transferências correntes
Despesas de custeio: são as dotações destinadas a manutenção de
serviços
anteriormente criados, inclusive para atender obras de conservação e
adaptação de bens imóveis, pagamento de serviços de terceiros,
pagamento de pessoal e encargos, material de consumo, etc.

Transferências correntes: são as dotações para despesas, as quais


não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, tais
como transferências de assistência e previdência social, pagamento
de salário família, juros da dívida, incluindo as contribuições e
subvenções destinadas a atender a manutenção de outras entidades
de direito público ou privado.
As despesas de capital se dividem em: investimento, inversões
financeiras e transferência de capital.

Investimentos: são as dotações para o planejamento e a execução


de obras, inclusive as destinadas à aquisição de imóveis,
considerados necessários à realização destas últimas, bem como para
os programas especiais de trabalho, aquisição de instalações,
equipamento e material permanente e a constituição ou o aumento
de capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou
financeiro. No conceito econômico, as despesas de capital
classificadas como investimento geram serviços que contribuem para
o acréscimo ou incremento do Produto Interno Bruto – PIB.
Inversões Financeiras: são as dotações destinadas à aquisição de
imóveis ou de bens de capital já em utilização, à obtenção de títulos
representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer
espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento de
capital; e, ainda, a constituição ou aumento de capital de entidades
ou empresas que visem objetivos comerciais ou financeiros, inclusive
operações bancárias ou de seguro. No conceito econômico, as
inversões financeiras não geram serviço que contribuem para o
acréscimo ou implemento do Produto Interno Bruto – PIB.
Transferência de Capital: são as dotações destinadas a
investimento ou inversões financeiras que outras pessoas de Direito
Público ou Privado devam realizar, independentemente de
contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas
transferências auxílios ou contribuições, segundo derivam
diretamente da lei de orçamento ou de lei especial anterior, bem
como as dotações para amortização da dívida pública.
ATENÇÃO! Segundo a lei 4320/64 na Lei de orçamento a
discriminação da
despesa far-se-á “no mínimo” por elemento.

CLASSIFCAÇÃO DA DESPESA CONFORME PORTARIA 163/2001


A Portaria Interministerial STN/SOF 163/2001 define que a
classificação da despesa, segundo a sua natureza compõe-se de:
_ Categoria econômica (dígito 3 para Despesas correntes e 4 para
Despesa
de capital);
_ Grupo de natureza da despesa (dígitos de 1 a 6);
_ Elemento de despesa (dígitos variam de 01 a 99).
ATENÇÃO, já foi tema de prova! Na LOA, a discriminação da
despesa,
quanto à natureza, far-se-á, no mínimo, por categoria econômica,
grupo de despesa e modalidade de aplicação.

A - CATEGORIA ECONÔMICA
3 - DESPESAS CORRENTES
4 - DESPESAS DE CAPITAL
B - GRUPOS DE NATUREZA DE DESPESA
O grupo de despesas é a agregação de elementos de despesa que
apresentam as
mesmas características quanto ao objeto do gasto.
1 - Pessoal e Encargos Sociais
Despesas de natureza remuneratória decorrente do efetivo exercício
de cargo,
emprego ou função de confiança no setor público, do pagamento dos
proventos de aposentadorias, reformas e pensões, das obrigações
trabalhistas de responsabilidade do empregador, incidentes sobre a
folha de salários, contribuição a entidades fechadas de previdência,
outros benefícios assistenciais classificáveis neste grupo de despesa,
bem como soldo, gratificações, adicionais e outros direitos
remuneratórios, pertinentes a este
grupo de despesa, previstos na estrutura remuneratória dos militares,
e ainda, despesas com o ressarcimento de pessoal requisitado,
despesas com a contratação temporária para atender a necessidade
de excepcional interesse público e despesas com contratos de
terceirização de mão-de-obra que se refiram à substituição de
servidores e empregados públicos, em atendimento ao disposto no
art. 18, § 1o , da Lei Complementar no 101, de 2000; (ALTERADO
CONFORME ART. 1º DA PORTARIA INTERMINISTERIAL
N.º 519, DE 27/11/2001)

2 - Juros e Encargos da Dívida


Despesas com o pagamento de juros, comissões e outros encargos de
operações de crédito internas e externas contratadas, bem como da
dívida pública mobiliária.

3 - Outras Despesas Correntes


Despesas com aquisição de material de consumo, pagamento de
diárias, contribuições, subvenções, auxílio alimentação, auxílio-
transporte, além de outras despesas da categoria econômica
"Despesas Correntes" não classificáveis nos demais grupos de
natureza de despesa; (ALTERADO CONFORME ART. 1º DA PORTARIA
INTERMINISTERIAL N.º 519, DE 27/11/2001)

4 - Investimentos
Despesas com o planejamento e a execução de obras, inclusive com
a aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas
últimas, e com a aquisição de instalações, equipamentos e material
permanente.
5 - Inversões Financeiras
Despesas com a aquisição de imóveis ou bens de capital já em
utilização;
aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou
entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação
não importe aumento do capital; e com a constituição ou aumento do
capital de empresas.

6 - Amortização da Dívida
Despesas com o pagamento e/ou refinanciamento do principal e da
atualização
monetária ou cambial da dívida pública interna e externa, contratual
ou mobiliária.

C - MODALIDADES DE APLICAÇÃO
A modalidade de aplicação, segundo a portaria, é uma informação
gerencial, a
qual tem a finalidade de indicar se os recursos são aplicados
diretamente por órgão ou entidade no âmbito da mesma esfera de
Governo ou outro ente da Federação e suas respectivas entidades, e
objetiva, precipuamente, possibilitar a eliminação de dupla contagem
dos recursos transferidos ou descentralizados.
10 - Transferências Intragovernamentais
Despesas realizadas mediante transferência de recursos financeiros a
entidades pertencentes à administração pública, dentro da mesma
esfera de governo.

20 - Transferências à União
Despesas realizadas pelos Estados, Municípios ou pelo Distrito
Federal, mediante transferência de recursos financeiros à União,
inclusive para suas entidades da administração indireta.

30 - Transferências a Estados e ao Distrito Federal


Despesas realizadas mediante transferência de recursos financeiros
da União ou dos Municípios aos Estados e ao Distrito Federal,
inclusive para suas entidades da administração indireta.

40 - Transferências a Municípios
Despesas realizadas mediante transferência de recursos financeiros
da União ou dos Estados aos Municípios, inclusive para suas
entidades da administração indireta.

50 - Transferências a Instituições Privadas sem Fins


Lucrativos
Despesas realizadas mediante transferência de recursos financeiros a
entidades sem fins lucrativos que não tenham vínculo com a
administração pública.

60 - Transferências a Instituições Privadas com Fins


Lucrativos
Despesas realizadas mediante transferência de recursos financeiros a
entidades com fins lucrativos que não tenham vínculo com a
administração pública.

70 - Transferências a Instituições Multigovernamentais


Despesas realizadas mediante transferência de recursos financeiros a
entidades criadas e mantidas por dois ou mais entes da Federação ou
por dois ou mais países, inclusive o Brasil.

LEI 101/2000 - LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL – LRF

CONCEITO
A Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, que é um marco em matéria
de
finanças públicas no Brasil, estabelece normas de finanças públicas
voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal aplicadas a todas as
esferas de governo: a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios.

OBJETIVOS
São objetivos da lei de responsabilidade fiscal:
_ A ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e
corrigem
desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas;
_ Cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas;
_ A obediência a limites e condições no que tange a renúncia de
receita,
geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras,
dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por
antecipação
de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar.
_ Compatibilidade entre os instrumentos de planejamento: PPA, LDO e
LOA.

INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO
Plano Plurianual - PPA
Dentre os três instrumentos previstos no artigo 165, Plano Plurianual,
Lei de
Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual é o único
instrumento de
planejamento que não é abordado pela LRF é o PPA, pois o artigo foi
vetado.

Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO


Com a edição da Lei complementar 101 de 04 de maio de 2000, a
LDO teve a
suas funções ampliadas, e se transformou no principal instrumento de
planejamento para uma administração orçamentária equilibrada, por
força do artigo 4º, passando a ter maior relevância. Entre suas novas
funções destacam-se:
_ Dispor sobre o equilíbrio entre receita e despesa;
_ Estabelecer critérios e formas de limitação de empenho, a ser
verificado
no final de cada bimestre quando se verificar que a realização da
receita
poderá comprometer os resultados nominais e primários
estabelecidos no anexo de metas fiscais e para reduzir a dívida ao
limite estabelecido pelo Senado Federal;
_ Aprovar normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos
resultados dos programas financiados com recursos orçamentários;
_ Disciplinar as condições e exigências para transferências de recursos a
entidades públicas e privadas;
_ Fixar, em percentual da Receita Corrente Líquida, o montante da
Reserva
de Contingência;
_ Definir o resultado primário a ser obtido com vistas à redução do
montante da dívida e das despesas com juros.
A principal inovação da LRF, em relação a LDO, foi à previsão de
anexos que
integrarão o projeto de lei de diretrizes orçamentárias: o Anexo de
Metas Fiscais e de Riscos Fiscais e o Anexo específico para a
União.
Os Anexos de Metas Fiscais e de Riscos Fiscais são exigidos
para todos os
entes da federação, o Anexo Específico para a União, como o
próprio nome indica é exigido somente para a União.

Anexo de Metas Fiscais: com a exigência deste anexo, a LDO se


transformou em um
instrumento trienal, pois deverá conter:
_ as metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a
receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da
dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois
seguintes.
_ demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e
metodologia
de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as
com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando a
consistência delas com as premissas e os objetivos da política
econômica nacional;
_ evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios,
destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a
alienação de ativos;
_ avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
_ demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita
e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter
continuado.
_ avaliação da situação financeira e atuarial dos:
regimes geral de previdência social e próprio dos servidores
públicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador;
demais fundos públicos e programas estatais de natureza
atuarial;

ASSUNTO RECORRENTE EM PROVAS DE CONCURSOS! A LDO


deverá conter o anexo de metas fiscais e de riscos fiscais,
também é bastante cobrado em concursos o conteúdo do anexo de
metas fiscais.

Anexo de Riscos Fiscais: Trata-se de um anexo da LRF onde serão


avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar
as contas públicas, informando as providências a serem tomadas,
caso se concretizem. Normalmente esses riscos são
representados por demandas judiciais que poderão resultar em
significativos
pagamentos a serem efetuados pelos cofres públicos. Como o anexo
de riscos fiscais deverá conter estudo sobre a possibilidade de o
governo vir a sofre decisão desfavorável da justiça em processo
referente à remuneração, indenização, etc., será de grande valia para
o cálculo da reserva de contingência.
RECEITAS
A Lei de Responsabilidade Fiscal deu especial atenção às receitas
públicas ao
definir, como requisito essencial da responsabilidade na gestão fiscal,
a instituição, a previsão e a efetiva arrecadação de todos os tributos
da competência institucional do ente da federação.
IMPORTANTE! A LRF veda a realização de transferências
voluntárias para o
ente que não instituir, prever e efetivamente arrecadar todos os
impostos de sua competência. O objetivo é aumentar a receitas
próprias dos entes de forma a diminuir a dependência, principalmente
dos municípios, das transferências de recursos fiscais.
ATENÇÃO! Requisito essencial de responsabilidade na gestão fiscal é
a instituição, a previsão e a efetiva arrecadação de todos os tributos.
A vedação
a receber transferências voluntárias é somente em relação aos
impostos.

Renuncias de Receitas
A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza
tributária da
qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de
estimativa do impacto orçamentário-financeiro, no exercício em que
deva ocorrer sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto
na LDO e a pelo menos uma das seguintes condições:
_ demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada
na estimativa de receita da lei orçamentária, na forma do art. 12, e
de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo
próprio da lei de diretrizes orçamentárias;
_ estar acompanhada de medidas de compensação, no período
mencionado
no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação
de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de
tributo
ou contribuição.
Não se aplicam as regras de compensação acima para renuncia de
receitas aos casos a seguir:
_ importação de produtos estrangeiros – II;
_ exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou
nacionalizados – IE;
_ operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou
valores mobiliários – IOF.

DESPESAS
A geração de despesas ou a assunção de obrigações que não
atendam as
condições definidas na LRF serão consideradas não-autorizadas,
irregulares e lesivas ao patrimônio.
As despesas que receberam tratamento específico da LRF são:
criação, expansão ou aperfeiçoamento da ação governamental, e
aquelas obrigatórias de caráter continuado.

Incremento ou aumento e Ação Governamental


As despesas decorrentes da criação, expansão ou aperfeiçoamento
de ação
governamental, que acarrete aumento de despesa, serão
acompanhadas de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no
exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subseqüentes ou de
declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem
adequação orçamentária e financeira com a LOA, bem como
compatibilidade com o PPA e a LDO.

Despesa Obrigatória de Caráter Continuado


Despesa obrigatória de caráter continuado é a despesa corrente
derivada de lei, medida provisória ou ato administrativo normativo
que fixem para o ente obrigação legal de sua execução por período
superior a dois exercícios e atendam aos requisitos definidos no
artigo 17 da LRF.

Limites de Despesa com Pessoal


Para efeito da LRF, considera-se como despesa total com pessoal: o
somatório
dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os
pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou
empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer
espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e
variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões,
inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais
de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições
recolhidas pelo ente às entidades de previdência
ATENÇÃO! O montante despendido com terceirização de mão-de-
obra,
quando se refira à substituição de servidores e empregados públicos,
será
considerado como despesa total de pessoal par fins de cálculo do
limite.

A LRF, regulamentando o artigo 169 da CF/88, estabeleceu em seu


artigo 19,
limites globais para a realização das despesas totais com pessoal,
apuradas pelo regime de competência, considerando os valores do
mês em referência adicionados aos dos onze imediatamente
anteriores, por ente da Federação, que não poderá exceder os
seguintes percentuais da receita corrente líquida (RCL). Os limites
estabelecidos com despesa de pessoal em relação à receita corrente
líquida são:
Poderão ser deduzidos, para efeito do cumprimento do limite da
despesa com pessoal os gastos com:
_ decorrentes de indenização por demissão de servidores ou
empregados;
_ relativas a incentivos à demissão voluntária;
_ decorrentes da convocação extraordinária do Congresso Nacional,
quando feita pelo Presidente da República, pelos Presidente da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Ou a requerimento da
maioria dos membros de ambas as Casas, em caso de urgência ou
interesse público relevante, conforme disposto no inciso II do § 6o do
art. 57 da Constituição; decorrentes de decisão judicial e da
competência de período anterior ao da apuração da despesa total
com pessoal (mês em referência e os onze imediatamente
anteriores);
_ com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico,
custeadas
por recursos provenientes: a) da arrecadação de contribuições dos
segurados; b) da compensação financeira de que trata o § 9o do art.
201 da Constituição; c) das demais receitas diretamente arrecadadas
por fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da alienação
de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro.

A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos para a


despesa com
pessoal será realizada no final de cada quadrimestre, com exceção
dos municípios com menos de 50 mil habitantes, que podem optar
por fazê-lo ao final de cada semestre. O estabelecimento do limite
prudencial é uma medida preventiva, com a finalidade de evitar que
se extrapolem os limites gerais definidos. Assim, o Poder ou órgão
cuja despesa total com pessoal exceder o patamar de 95% do limite
estabelecido ficará proibido:
_ conceder vantagem, aumento, reajuste ou adequação de
remuneração a
qualquer título, salvo os derivados de sentença judicial ou de
determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no
inciso
X do art. 37 da Constituição;
_ criar cargo, emprego ou função;
_ alterar a estrutura de carreira que implique aumento de despesa;
_ prover cargo público, admitir ou contratar pessoal a qualquer título,
ressalvada a reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento
de servidores das áreas de educação, saúde e segurança;
_ contratar hora extra, salvo a convocação extraordinária do
Congresso
Nacional, nos termos do inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição e
as situações porventura previstas na lei de diretrizes orçamentárias.
ATENÇÃO! No caso da união, além das despesas dedutíveis acima,
poderá ainda deduzir as despesas com pessoal, do Distrito Federal e
dos Estados do
Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela União na
forma
dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da
Emenda
Constitucional no 19;
ATENÇÃO! A LRF também definiu um limite prudencial (95%), que se
for
atingido, cria uma série de restrições para a prática de novos atos
que acarretem aumento de despesas.
IMPORTANTE! Cabe ao Tribunal de Contas de cada ente da
federação verificar os cálculos dos limites da despesa com pessoal
dos Poderes e órgãos,
e ainda alertar tais entes quando o seu gasto com pessoal atingir o
patamar de
90% limite legal.

Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão, ultrapassar os


limites
definidos na LRF, sem prejuízo das medidas citadas acima, o
percentual excedente terá que ser eliminado nos dois quadrimestres
seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se,
entre outras, as seguintes providências:
_ redução de pelo menos 20% das despesas com cargos em comissão
e funções de confiança;
_ exoneração dos servidores não-estáveis;
_ se as medidas adotadas acima não forem suficientes para assegurar
o
cumprimento da determinação legal, o servidor estável poderá perder
o cargo, desde que o ato normativo motivado de cada um dos
Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade
administrativa objeto da redução de pessoal.
Caso se esgote o prazo para redução da despesa, sem que seja
atingido o limite, ficarão suspensas as transferências voluntárias ao
ente da Federação, salvo as destinadas à saúde, à Educação e a
Assistência Social, ficando o ente impedido, ainda de contratar
operações de crédito, exceto as destinadas ao refinanciamento da
dívida mobiliária e as destinadas à redução de despesas com pessoal
– PDV’s, bem como receber qualquer garantia de outro ente federado.

Dívida Pública
A LRF adotou definições básicas para conceituar os elementos que
integram a
dívida pública:
Dívida pública consolidada ou fundada: O conceito é bastante
amplo e envolve todas as obrigações assumidas pelo ente da
Federação, ou seja, o montante total, apurado sem duplicidade, das
obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude
de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações
de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses;

Dívida pública mobiliária: é representada por títulos emitidos pela


União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios;

Operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão


de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição
financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes
da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil;

Concessão de garantia: compromisso de adimplência de obrigação


financeira ou contratual assumida por ente da Federação ou entidade
a ele vinculada;

Refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para


pagamento do
principal acrescido da atualização monetária.

A LRF não fixa os limites de endividamento, já que as competências


para fazê-lo são definidas na Constituição Federal, porém a lei de
responsabilidade determina que os limites de endividamento sejam
estabelecidos com base na RCL.
O atendimento do limite da dívida consolidada será verificado no final
de cada
quadrimestre.
IMPORTANTE! Os precatórios judiciais não pagos durante a
execução do orçamento em que houverem sido incluídos integram a
dívida consolidada,
para fins de aplicação dos limites.

Se a dívida de um ente da Federação ultrapassar o respectivo limite


ao final de
um quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término dos três
quadrimestres subseqüentes, reduzindo o excedente em pelo menos
25% no primeiro quadrimestre. Este prazo será suspenso nos casos
de: calamidades públicas, reconhecidas pelo legislativo; estado de
sítio; estado de defesa.
A inobservância da legislação, em que o ente da Federação extrapole
os limites da dívida consolidada, ele sofrerá enquanto perdura o
excesso, as seguintes sanções:
_ estará proibido de realizar operação de crédito interna ou externa,
inclusive por antecipação de receita, ressalvado o refinanciamento do
principal atualizado da dívida mobiliária;
_ deverá obter resultado primário necessário à recondução da dívida
ao limite, promovendo, entre outras medidas, limitação de empenho,
de acordo com o estabelecido na LDO.
Vencido o prazo para recondução da dívida aos limites legais
estabelecidos e
enquanto perdurar o excesso o ente ficará impedido de receber
transferências
voluntárias, salvo as relativas a ações de educação, saúde e
assistência social.

RESTRIÇÕES DE FINAL DE MANDATO


A LRF impõe restrições, aos gestores públicos, no último ano de
gestão, dos
quais merecem destaque:
_ não pode haver aumento de despesa com pessoal nos 180 dias
anteriores
ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão;
_ não poderá ser realizada ARO no último ano de mandato do
Presidente,
Governador ou Prefeito municipal;
_ não pode ser contratada obrigação de despesa nos últimos dois
quadrimestres do mandato do titular de Poder ou órgão, que não
possa
ser cumprido integralmente dentro do próprio mandato, ou que tenha
parcelas a serem pagas no exercício seguinte, sem que haja
disponibilidade financeira.

TRANSPARÊNCIA
São instrumentos de transparência na gestão fiscal, que deverão ter
ampla
publicidade, inclusive por meio eletrônico:
_ os Planos, Orçamentos e Leis de Diretrizes Orçamentárias;
_ as prestações de contas e os pareceres prévios;
_ o Relatório Resumido da Execução orçamentária – RREO;
_ o Relatório de Gestão Fiscal – RGF; e