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fernanda

gomes
fernanda
gomes

projeto e
produção patrocínio
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17 habitar o espaço
18 Inhabiting Space
paulo venancio filho

COORDENAÇÃO EDITORIAL [EDITORIAL COORDINATION] FOTOGRAFIA [PHOTOGRAPHY]


45 fernanda gomes,
Luiza Mello e Marisa Mello Ali Güler  P 148
Aurélien Mole  P 83, 94, 102, 144, 145, 148 enormes (pequenas)
DESIGN [DESIGN]
Alexsandro Souza | Dínamo
Cristina Gomes  P 122
mudanças
Dominique Uldry  P 142
Eduardo Fraipont   P 82, 102, 137, 138, 139 46 fernanda gomes,
ASSISTENTE EDITORIAL [EDITORIAL ASSISTANT] Eduardo Eckenfels  P 137
Julia Pombo | Automatica Enormous (Small) Changes
Fernanda Gomes  P 103, 114, 115, 116, 118, 120, 122,
123, 125, 128, 129, 130, 132, 133, 134, 136, 138, 140, Lóránd Hegyi
PROJETO E PRODUÇÃO [PROJECT AND PRODUCTION]
145, 146
Automatica Edições Gaëlle Deleflie  P 137 79 entrevista
Germán González Sinova  P 138 80 interview
TRATAMENTO DE IMAGEM [IMAGE PROCESSING]
Marcia Kranz  P 145
Ipsis
Michael Brzezinski  P 96, 148
REVISÃO [COPY EDITING]
Pat Kilgore  P 6, 8, 10, 12, 14, 16, 31, 32, 34, 36, 38, 113 Cronologia
40, 42, 44, 53, 54, 56, 58, 60, 62, 63, 64, 66, 68, 70, 150 chronology
Duda Costa
71, 72, 73, 74, 76, 78, 84, 87, 88, 90, 91, 92, 99, 112, 137,
VERSÃO [ENGLISH VERSION] 141, 145, 149
Rebecca Atkinson Sophie de France  P 114
Roni Hansen  P 126
VERSÃO [PORTUGUESE VERSION] Wilton Montenegro  P 115, 122
Marise Chinetti de Barros
Agradecemos aos fotógrafos cujas imagens

REVISÃO DE VERSÃO [ENGLISH VERSION REVIEW] compõem este livro e que, infelizmente, não puderam

Rachel Valença ser identificados. [special ACKNOWLEDGMENT to the


photographers whose images unfortunately could
not be identified]
TRANSCRIÇÃO DA ENTREVISTA [TRANSCRIPTION OF THE INTERVIEW]
Julia Pombo

GESTÃO [MANAGEMENT] CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-PUBLICAÇÃO


Marisa Mello SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
Arlindo Hartz
A825
Arte Bra Fernanda Gomes / organização Fernanda Gomes ; [coordenação
Luiza Mello, Marisa Mello]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Automatica, 2015. 
160 p. : il. ; 21 cm. (Arte bra ; 8) 

PREFEITO [MAYOR] ISBN 978-85-64919-16-7


Eduardo Paes 1. Gomes, Fernanda. 2. Arte Contemporânea - Séculos XX e XXI. I.
Título. III. Série.
VICE-PREFEITO [VICE MAYOR]
Adilson Pires
15-20821                           CDD: 709.81

SECRETÁRIO DE CULTURA [SECRETARY FOR CULTURE]                                         CDU: 7.036(81)


Marcelo Calero
10.03.2015   12.03.2015
CHEFE DE GABINETE [CHIEF OF CABINET]
Flávia Piana
AUTOMATICA EDIÇÕES LTDA
SUBSECRETÁRIA DE CULTURA [UNDERSECRETARY FOR CULTURE]
Rua Gal. Dionísio, 53/sala 6 – Humaitá
Danielle Barreto Nigromonte 22271-050 - Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 3283-1558
SUBSECRETÁRIO DE GESTÃO [MANAGEMENT UNDERSECRETARY] contato@automatica.art.br
Carlos Corrêa Costa www.automatica.art.br

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habitar
paulo venancio filho

o espaço

Paulo venancio Se há um trabalho que divergiu tão completamente do espí-


filho é curador, rito predominante da época em que surgiu – os anos 1980 –,
crítico de arte,
professor titular
este trabalho é o de Fernanda Gomes. Do retorno à pintura,
na Escola de Belas do neoconceitualismo, da espetacularidade, das grandes
Artes da Universidade
Federal do
dimensões, das novas mídias, enfim, de tudo o que marcou
Rio de Janeiro a época, Fernanda está afastada, deslocada mesmo; não se
[PAULO VENANCIO FILHO compreende seu trabalho seguindo estas diretrizes. Abstrato,
IS A CURATOR AND ART
de mínimas dimensões, materialmente de pouco valor, frag-
CRITIC. HE IS PROFESSOR
AT ESCOLA DE BELAS mentado e fragmentário, seu trabalho se destacava por essas
ARTES DA UNIVERSIDADE qualidades, digamos, “negativas”. E estas pouco mudaram ao
FEDERAL DO
RIO DE JANEIRO] .
longo de sua trajetória de quase três décadas.
A mesma e inconfundível rica materialidade “pobre”
dos primeiros trabalhos está presente nos trabalhos mais
recentes de Fernanda Gomes. As construções/pinturas – vou
chamá-las assim – de agora estão impregnadas da trajetória
anterior, depurada ao longo de décadas. São, em sua maioria,
pequenas e médias estruturas de madeira pintada; objetos
que mantêm uma aparência de fragilidade característica e
longamente desenvolvida. Delicados, quase quebradiços.
Leves, quase aéreos. Despojados de cor, nada além da tinta
branca. De uma brancura quase tosca e austera, mas tam-
bém muito sofisticada. Os procedimentos construtivos são
P 6-16 muito simples e claros, e, à distância, manifestam o impulso
Ateliê da artista da nossa tradição construtiva. Os pedaços de madeira são
[ARTIST’S STUDIO] ,
Rio de Janeiro, 2015
apenas pregados ou encaixados; existe aí uma artesania

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inhabiting Space própria inconfundível: o tratamento e atenção únicos que a
paulo venancio filho artista sempre deu aos materiais. Aí está todo o claro mistério
do trabalho. Estas construções/pinturas mudas, silenciosas,
reclusas, chamam a atenção justamente por não chamarem
a atenção. Estão ainda, como antes, fora da ordem atual, pois
If there is any body of work that w hi ch t he art i st has al w ays t rea t ed convocam um sentir muito preciso de qualidades desper-
completely diverges from the he r mat e ri al s. Thi s i s w he re t h e cebidas e quase imperceptíveis, hoje esquecidas. Portanto,
prevailing spirit of the time in which w ho l e cl e ar myst e ry of he r wor k
it emerged – the 1980s – then it is re si de s. The se si l e nt , mut e, reclu s i v e
trata-se de um refinamento.
the work of Fernanda Gomes. She pai nt i ng s/co nst ruct i o ns at t ra ct ou r Desde o início, os limites do trabalho são amplos e
is distant, quite removed, from the at t e nt i o n pre ci se l y be cause t h ey d o também muito estreitos. Fernanda encontra seus materiais na
return to painting, neo-conceptualism, not cal l fo r at t e nt i o n. Just a s b efore, região do descarte, desuso e abandono, já tendo cumprido
spectacularity, large dimensions, t he y re mai n o ut si de t he prev a i li n g sua vida útil e perdido aquele vínculo que os unia no conjunto
new media, basically everything that o rde r, be cause t he y co nj ure u p a
marked that time; her work cannot ve ry pre ci se se nse of unnoti ced a n d
do dia a dia da vida comum: o vínculo da esfera da intimida-
be understood by taking them as al most i mpe rce pt i bl e q ual i ti es t h a t de construída. Tal atitude recusa e inverte a atração voraz do
guidelines. Abstract, of moderate are now ove rl o o ke d. Thi s, t h en , i s a consumo e do mundo pop, sem qualquer tipo de militância
dimensions, materially of little value, w o rk of re fi ne me nt . ou proselitismo. Antes, sugere um design às avessas, não
fragmented and fragmentary, her F ro m t he o ut se t , t he l i m i t s of aquele destinado à racionalidade funcional, mas ao seu térmi-
work stood out for these “negative” G o me s’ s w o rk have be e n broa d a n d
qualities, so to speak; qualities that al so ve ry narrow. S he se e ks ou t
no e esgotamento. É uma prática reversa, com o mesmo rigor
have changed little over a career of mat e ri al s t hat have be e n dis p os ed e método da primeira, ainda que intuitiva e assistemática,
almost three decades. of, use d, t hrow n o ut ; t hi ng s t h a t h a v e sem a intenção de reconstruir ou reconstituir a coisa original,
T h e u n m i s t a k a b l e a b un da n ce se rve d t he i r use ful l i fe and l os t t h a t porém, mantendo no seu “inverso” o mesmo desejo de res-
of “ po o r ” m a t e ri a l it y in Fe rn a n da bo nd t hat t i e s t he m t o t he d a i ly rou n d tabelecer um significado às coisas abandonadas sob a forma,
G om e s ’s f i rst w o rk s i s s t il l a fe at ure of no rmal l i fe ; t hat l i nk t o t h e s p h ere
of h er m os t re ce n t o ut p ut . To d ay’ s of co nst ruct e d i nt i macy. It is a n
em especial, da exposição e na sua singular maneira de tratar
pa in t i n gs / co n s t ru c t i o n s – t h a t i s appro ach t hat re j e ct s and i n v er t s t h e objetos e espaço. É através da exposição – do retorno à exis-
how I s h a l l ca l l t h e m – a re i m b ue d avi d at t ract i o n of co nsumpt i on a n d tência significativa – que se manifesta o desejo de infundir ao
with h e r pr i o r e x p e rie n ce, re f ine d t he w o rl d of po p w i t ho ut t he s li g h t es t espaço a presença do tempo, desgaste das coisas que nos
ove r d eca d es. M os t of t h e m a re smal l hi nt of mi l i t ancy o r prose l yt i z i n g . cercam, do afeto e da indiferença que temos pelos objetos
a nd m e d i u m -s ize d s t ruc t u re s made R at he r, i t sug g e st s re ve rse d es i g n –
of p a i n t e d w o o d; o b j e c t s w h os e de si g n not de st i ne d fo r funct i on a l
que fazem parte na nossa existência.
c ha ra c t e r i s t i ca l l y f ra g il e a p p e arance rat i o nal i t y, but fo r i t s e nd an d Como sempre nos trabalhos de Fernanda, é inconfundí-
ha s l o n g b e e n in t h e m a k in g . De l i cat e, e xhaust i o n. It w o rks backw a rd s vel a natureza dos objetos selecionados: objetos domésticos,
a lm os t bre a k a b l e. L i g h t , a l m os t w i t h same ri g o r and me t ho d a s t h e da esfera da casa, do lugar do convívio mais imediato, íntimo
g ra v i t y- d ef yin g . B e re f t of co l o r, o ri g i nal de si g n, al be i t i nt ui ti v ely a n d e próximo. Porém, raramente encontramos os objetos por in-
noth i n g b u t w h it e p a in t . W it h t h e i r asyst e mat i cal l y, w i t h no i nt en t i on
a lm os t d u l l , au s t e re w h it e n e s s, t he y of re co nst ruct i ng o r re co nst i t u t i n g
teiro, intactos, na sua condição primordial. O uso e o desgaste
non et h el es s s p e a k of s o p h i s t i cat i o n. t he o ri g i nal t hi ng , w hi l e mai n t a i n i n g são o que os qualificam e que os identificam, quaisquer que
T he co n s t r u c t io n p ro ce s s e s a re ve ry i n i t s “ fl i p si de” t he same de s i re t o sejam. Foram usados e dispensados, e agora estão aqui reu-
si m p l e a n d st ra i g h t fo rw a rd, a n d fro m g i ve me ani ng t o abando ne d t h i n g s, nidos. Banidos do mundo das coisas novas, recém-acabadas,
a fa r t h ey m an i fe s t t h e urg e s of o ur part i cul arl y i n t he fo rm of e x h i b i t i on s afundaram no esquecimento e na invisibilidade, para retornar
con s t r u c t i v e a rt t ra di t i o n . Th e p i e ce s and he r part i cul ar w ay of t rea t i n g
of w o o d a re m e re l y n a il e d o r j oi nt e d o bj e ct s and space. The e xhi b i t i on
agora em outra condição. Reunidos, transformam-se nas mui-
tog e t h e r ; t h e y b e a r t h e h a l l m a r k – t he re t urn t o si g ni fi cant e x i s t en ce – tas exposições/instalações que Fernanda tem realizado em
of an u n m i s t a k a b l e c ra f t s m a n shi p: be co me s t he ve hi cl e fo r man i fes t i n g museus, galerias e grandes mostras como a XXX Bienal de
the s p e c i a l ca re a n d a t t e n t i o n w i t h t he de si re t o sat urat e space w i t h t h e São Paulo. Exposições/instalações porque coexiste uma iden-

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ma r k s of t i m e, t h e w e a r a n d t e ar of t e xt ure s, w e i g ht s, sme l l s, e t c. , w h i ch tidade perfeita entre uma e outra. Nelas a dispersão e reunião
the t h i n gs a ro u n d us, t h e a t t a chme nt co nst ant l y t ake us back t o th e t a ct i le, de coisas parecem obedecer a certas forças mnemônicas
a nd i n d i f fere n ce w e fe e l t ow a rd s t he t o uchabl e nat ure and al t e ra t i on s
ob j ec t s t h a t a re p a rt of o u r l iv es. bro ug ht abo ut by t he physi ca l con t a ct
latentes à procura de um sentido perdido e distante; já vivido,
A s a l w a y s i n G o m e s ’ s w o rk, t he t he o bj e ct s accumul at e ove r t i m e.
mas adormecido e esquecido. Surge um espaço vazio e ativo
na ture of t h e s e l e c t e d o b j e c t s i s The appare nt l y rando m ch oi ce que convida ao lento vagar, a se perder, onde objetos estão
u nm i s t a k a bl e : do m e s t i c i t e m s fro m of such part i cul ar o bj e ct s a ct u a lly juntos como se estivessem numa daquelas seções de achados
the re a l m of t h e h o m e, t h e c l os e st , o be ys an unmi st akabl y st ri c t , e perdidos; como se, ao nos aproximarmos deles, subita-
the m os t i n t i m a t e a n d fa m il ia r pl ace s se l e ct i ve po e t i c: t he ove rri d i n g s en s e
we i n h a b i t . Ye t ra re l y d o w e f in d i s of an al most abso l ut e l y a t em p ora l
mente, adentrássemos num terreno baldio. Aí, onde tem lugar
the o b j ec t s w h o l e, i n t a c t , in t h e i r ano nymi t y; t he t hi ng s are “b a re”
certa provisoriedade das coisas largadas, sem uso, descar-
or igi n a l s t a t e. Us e a n d w e a r a nd t e ar so t o spe ak. S o me t hi ng st ran g ely tadas, em equilíbrio precário e instável, onde nada está fixo
a re w h a t m a r k t h e m a n d m a ke the m pe re nni al e xude s fro m t he se s o v er y irremediavelmente, mas apenas deixado em um certo lugar:
eli gi b l e, w h a t e v e r t h e y a re. Th e y di spe rse d and w o rt hl e ss ye t s o v er y aqui um copo d’água, ali uma pedra, mais adiante uma cadei-
ha v e b e e n u s e d a n d di s p os e d of, and fami l i ar frag me nt s. We know n ot h i n g
now h ere t h e y a re t o g e t h e r. S h u nne d abo ut t he m: w he t he r t he y sti ll s er v e
ra, uma folha de papel... Nesse espaço criado, percebemos
from t h e w o r l d of b ra n d n e w, j u st so me purpose o r not , w he re t h ey
uma sensibilidade infundida de memórias sensoriais onde
ma n u fa c t u re d o b je c t s, t h e y s a n k co me fro m, w ho t he y be l o nged t o. Yet perduram a experiência de certas texturas, pesos, cheiros
i nto o bl i v i o n a n d i n v i s ib il it y o n ly t o e ach o ne w i t h i t s physi cal p res en ce etc., que retornam em atenção constante à tatibilidade, à pal-
b e b ro u gh t b a c k i n a di f fe re n t s t at e. radi at e s o ut t he t i me e xpe rien ced pabilidade, às alterações ocorridas com o contato físico que
Tog e t h e r, t h e y a re t ra n s fo rm e d i n t he by t he mat e ri al – w o o d, g l as s, clot h ,
ma n y i n s t a l l a t io n s / e x h ib it io n s G o me s pape r, e t c. – t o fo rm a showca s e of
os objetos com o tempo vão adquirindo.
ha s h e l d i n m u s e um s, g a l l e ri e s, and surre nde r and re si st ance t o t i m e.
A escolha, aparentemente arbitrária, desses singularís-
la rge-s ca l e e v e n t s, l i ke t h e 3 0 t h G o me s w o rks o n a l o ng t i m e simos objetos obedece a uma poética estrita, seletiva, incon-
S ã o Pa u l o B i e n n i a l . I n s t a l l a t i o n s/ scal e ; t i me i s w hat pro duces fundível; nela prevalece, acima de tudo, um anonimato quase
e xh i bi t i o n s b e ca us e t h e re is s u ch and de t e rmi ne s he r o bj e ct s. T h e absoluto, intemporal; as coisas estão “nuas”, poderíamos di-
a p e r fe c t e qu iv a l e n ce b e t w e e n same re pe t i t i o n and o bse ss i on i n
the m . I n t h em , t h e s ca t t e ri n g and pro ce dure s has e xpande d, ren ew ed ,
zer. Desses fragmentos tão desqualificados e dispersos, mas
com bi n i n g of t h i n g s s e e m s t o obe y and updat e d e ve ryt hi ng t he re w a s i n
também tão próximos, exala, paradoxalmente, uma estranha
ce r t a i n m n e m o n ic fo rce s l a t e n t t o he r fi rst w o rks. Whe n she ch oos es perenidade; deles nada se sabe: têm ainda utilidade ou não,
the s ea rc h fo r a l os t , fa r-of f m e ani ng ; an o bj e ct i t i s be cause t i me h a s de onde vieram, a quem pertenceram? Entretanto, cada um
a lre a d y ex pe rie n ce d , b u t d o rm ant al re ady t ake n i t s t o l l , re l e g at i n g i t com a sua presença física irradia a temporalidade vivida do
a nd fo rgot t en . A n e m pt y, a c t i v e fro m t he vi si bl e, ut i l i t ari an wor ld
space e m erg e s t h a t i n v i t e s o n e t o t o o bscuri t y and i nvi si bi l i t y. A n d
material: madeira, vidro, tecido, papel etc., formando um
mea n d er a ro u n d a t l e is ure, t o l ose e ach e xhi bi t i o n i s a ne w mo m en t
mostruário da entrega e resistência ao tempo.
one s el f, w h e re o b je c t s a re p l a ce d i n t hi s pro ce ss, a ki nd of t i m e la b, Fernanda trabalha com um tempo de longa duração; o
tog e t h er a s i f t h e y w e re in s o m e l ost but not t o re vi ve o r re l i ve som e tempo é quem produz e determina seus objetos. Uma mesma
prope r t y of f i ce ; a s i f, a s w e drew nost al g i a fo r a far- off o r fo rg ot t en repetição e obsessão de procedimentos vêm se expandindo,
c los er t o t h e m , w e s udde n l y e n t e re d di me nsi o n. The re i s no se nti m en t a l
a n a ba n d o n e d l ot . Th e re, w h e re appe al , no spe ci fi c “ t i me” s h e w a n t s
renovando e atualizando tudo aquilo que havia nos primei-
the re i s s o m e t h in g p rov is i o n a l i n t he t o re e nco unt e r and re t ri e ve f rom
ros trabalhos. Quando escolhe um objeto, é porque o tempo
forgot t e n , u s e l e s s, d is ca rd e d t hi ng s t he past . Inde e d, i t i s not abs t ra ct já agiu sobre ele e o relegou do mundo visível e utilitário
i n a f i n e, t e e t e ri n g b a l a n ce, w h e re t i me, so ci al t i me, o r chro nolog i ca l para o esquecimento e a invisibilidade. E cada exposição é
noth i n g i s p e rm a n e n t l y f i xe d, just t i me t hat al t e rs o ur re l at i o n s h i p w i t h uma ocasião determinada desse processo, uma espécie de
left s o m e w h e re ; h e re a c up of w at e r, t hi ng s, but a t i me i mpe rce pt i b le
the re a s t o n e, ov e r t h e re a c h a i r, a t hat l e ave s i t s marks and can
laboratório temporal, não para reviver ou resgatar a nostal-
she e t of pa p e r. . . Th i s c re a t e d space o nl y be re ad t hro ug h co nt i n u ed
gia de uma dimensão distante ou perdida. Não há qualquer
i s im bu ed w i t h s e n s o ry m e m o rie s o bso l e sce nce. To w hi ch “per i od ” or apelo sentimental, não há um “tempo” específico que busca
tha t re ca l l t h e e x p e ri e n ce of ce rt ai n “mo me nt” t hi s t i me o nce be lon g ed reencontrar e resgatar do passado e reviver. Tão pouco o

20 21
we ca n n ot i d e n t if y ; i t is a bs o l u te l y l andscape of he r draw i ng s, w h i ch tempo abstrato, o tempo social, o tempo cronológico, mas
a no n ym o u s, s t rip p e d of a n y ro mant i c are so unst abl e t he y bare l y t a ke sim o tempo imperceptível que altera a nossa relação com as
a sp i ra t i o n , a n y p ros e l y t is m . Th e re are shape, al most fadi ng aw ay; a n d f rom
no i d en t i f i a b l e o b j e c t s i n t h e w o rks, B arri o, t he abso l ut e fre e do m of h i s
coisas; que se deposita e só é legível através da obsolescên-
thi n gs f ro m ot h e r t i m e s, re co g n i zabl e “e xpe ri e nt i al ” o ccupat i o ns. L i t t le by
cia continuada. É uma temporalidade em que não sabemos a
re m e m bra n ce s of co l l e c t i v e m e mo ry; l i t t l e as t he “ t e nant” w al ks arou n d t h e qual “tempo” ou “época” pertenceu; absolutamente anônima,
ra th e r, a l l t h e t h i n g s a re e s s e n t i al l y i nst al l at i o n/e xhi bi t i o n i n bet w een t h e desprovida de qualquer aspiração romântica, sem qualquer
a no n ym o u s an d ide n t i t y- l e s s s o t he y scat t e re d and g ro upe d t hi ngs, h e/ tipo de proselitismo. Não encontramos no trabalho objetos
ca n be co m e n e w a g a in , c u rre n t, she i s g i ve n t he chance t o ex p er i en ce
p res e n t i n t h e h e re a n d n ow. w hat t he art i st co nst i t ut e d, m ea n i n g
identificados, coisas de outras épocas, lembranças reconhe-
S o Fe r n a n da G o m e s ’ s w o rk do e s t he chance w e al l have of bei n g a
cíveis da memória coletiva; ao contrário, tudo é essencial-
not o b e y a s t ric t l y c h ro n o l o g i cal “ t e mpo rary t e nant” of o ur sp a ce i n t h e mente anônimo e sem identidade para que volte a ser novo,
sequ e n ce. I n i t t h e re a re n o p h ase s, e nvi ro nme nt . atual, presente no aqui e agora.
sta ges, a bo ut-t urn s, o r a b ru pt The uniformity and heterogeneity Portanto, o trabalho de Fernanda Gomes não obedece a
c ha n ges ; t o t a l k a b o ut h e r e a rl y w o rk – something of a paradox – of the
i s to t a l k of a l l h e r w o rk t o d a t e. The artist’s things, objects, and materials
uma sequência estritamente cronológica. Nele não há fases,
wor k a bs o r bs h e r p a s t , l i ke i t a bso rbs is not unintentional; it is as if she had
etapas, reviravoltas, mudanças bruscas – falar do início do
p a s t t h i n gs. I n t h i s s e n s e, a l l of he r abolished any hierarchy there might trabalho já e falar de todo o trabalho até hoje. O trabalho
wor k s a re a bs o l u t e l y c urre n t . I n t he be between them. These are worthless absorve o seu passado, tal como absorve as coisas passa-
sa m e w a y t h at h e r in s t a l l a t i o n s / objects, and they all have the same das. Nesse sentido, qualquer trabalho é plenamente atual.
exh i b i t i o n s h a v e n o s e t s t a rt o r value, or rather, all the things are
fi nis h o r o n e d ire c t io n in w h i c h t o be raised to a single value: a needle has
Do mesmo modo como suas exposições/instalações não
exp l o re d ; w e ca n m ov e a ro un d t he m the same value as a chair. And as each
têm um começo e fim determinados ou uma direção única a
a s l o n g a s w e w is h , a n d e a c h v ie w e r thing belongs to an unknown place, serem percorridas; podemos seguir indefinidamente e cada
will f i n d t h ei r ow n w a y ro un d, or many, person, and time, they are each drawn espectador vai encontrar seu percurso ou seus múltiplos
a nd n o n e w i l l b e m o re d e f i n it iv e t han to something else by some affinity, and percursos, sem que um seja mais decisivo que outro. E em
a not h er. An d w h a t e v e r w a y w e go i t the installation/exhibition takes shape
i s as i f w e o urs e l v e s w e re re e n act i ng as sequences of links articulated until
cada percurso é como se refizéssemos, nós mesmos, o en-
the a r t i s t’s e n co u n t e r w it h t h e a limit is reached, which is clearly felt
contro da artista com os objetos da exposição; de modo que
objec t s i n t h e e x h ib it io n ; a n d s o w e, even if its nature may not be clear: the nós, espectadores, também vamos “encontrando”, “desco-
view ers, a l s o e n d up “e n co un t eri ng ”, space is filled, neither more nor less. brindo” ou “redescobrindo” tal como a artista o fez. Como
“di scov er i n g” , o r “ re di s cov e rin g ”, j ust This way of allying things is what lies nada foi planejado de antemão, também ao espectador é
like t h e a r t i s t . A s n ot h i n g i s p l anne d behind Gomes’s choices, which are so
b efo reh a n d , t h e v i e w e r is a l s o g i ve n different from a Duchampian ready-
dada a condição de “inquilino provisório”: aquele que habita
the s t a t u s of “ p rov is i o n a l t e n a n t”: made or a surrealist objet trouvée .
um espaço indefinido ao sabor dos estímulos e impressões
som e o n e w h o i n h a b it s a n i n d e fi ni t e None of her objects is unique, and yet que o reconduzem ao contato com as coisas mais comuns e
space i n t h e s w a y of s t im ul i a n d they all are. They all have something prosaicas. Ocorre-me que, nas suas exposições/instalações,
i mp res s i o n s t h a t l e a d h i m / h e r back in common. They are her way of Fernanda articula algumas direções da arte brasileira, apa-
i nto co n t a c t w i t h t h e m os t m u n dane exploring and questioning the world
a nd pros a i c of o b j e c t s. I t o cc urs t o me and things. What is more or less
rentemente divergentes: as gravuras de Goeldi, os desenhos
tha t i n h er i n s t a l l a t i o n s / e x h i b i ti o ns, important? What is more or less
de Mira Schendel e os improvisos ambientais de Barrio. Do
G om e s co m b in e s s o m e a p p a re nt l y meaningful? How can something primeiro, o amor pelas coisas abandonadas e desamparadas
di ve rgen t d i re c t i o n s i n B ra z i l i a n art : significant arise from insignificance? que a cidade vai deixando de lado; da segunda, a espécie
G oe l d i ’s p r i n t s, M ira S c h e n de l ’ s The artist does not make a fetish of de paisagem íntima de seus desenhos, que, de tão instável,
dra w i n gs, a n d B a rrio’ s e n v i ro n me nt al any of this; indeed, there is a lyrical
i mp rov i s a t i o n s. F ro m t h e f i rs t co me s anti-fetishism at play here, putting
mal se configura, no momento último do desaparecer; e
the l ov e of t h e s t ra n de d , h a p l e ss these objects between brackets, so to
também a absoluta liberdade das ocupações “vivenciais” de
thi n gs t h e c i t y l e a v e s i n i t s w a ke ; speak, in a state of dormancy and rest, Barrio. Pouco a pouco, ao caminhar pela exposição/instala-
from t h e s e co n d, t h e a l m os t in t i mat e all on the same plane. ção, em meio às coisas que se dispersam e se agrupam, é

22 23
Along with objects, another care and de l i cacy. The t hi ng s res t dado ao “inquilino” viver a experiência que a constituiu, ou
constant in her work is space. Before o n e ach ot he r w i t ho ut ne e d i n g a n y seja, a possibilidade que todos têm de se tornarem “inquili-
things there is space, or rather, the unne ce ssary e ffo rt , j ust e nou g h for
“bareness” of space, which is just as t he m t o be he l d up and t o a lm os t
nos temporários” do seu espaço ambiental.
important as the “bareness” of things. co mpl e t e l y bani sh any t e ns i on f rom
A uniformidade e heterogeneidade – certo paradoxo
The empty exhibition space must t he space. Ye t t he unfo re seen i s – das coisas, objetos e materiais da artista não são casuais;
be filled, and this space, above all i ne vi t abl e and w e l co me, l i ke t h e é como se ela abolisse qualquer hierarquia que houvesse
others, must be experienced, walked acci de nt t hat bro ke Ducham p’ s entre eles; são coisas sem valor, e todas têm o mesmo valor,
around, felt, soaked up to the last Grand Verre , o r t he w o rk of ch a n ce
drop. The artist lingers long in the i n Élevage de Poussière . Al on g s i d e
ou melhor, todas as coisas são elevadas a um valor único:
space before an exhibition; she would me l ancho l i a and so l i t ude, h u m or
uma agulha tem o mesmo valor que uma cadeira. Já que
camp down there if she could; she show s i t s he ad i n une xpe ct ed p la ces cada uma das coisas das exposições de Fernanda pertenceu
is its first “temporary tenant.” It is by and w ays. In t he se mi smat ch ed a um lugar, a uma pessoa e a um tempo que não se sabe,
this process that the gathering up o bj e ct s t hat make up G o me s ’ s cada um desses objetos exerce uma afinidade aproximativa
and preservation of disposed objects e xhi bi t i o ns, t he re i s much of ou r
creates the installation/exhibition. A ow n be havi o r t hat g o e s unn ot i ced .
com algum outro, e a exposição/instalação se forma como
kind of improvised site-specific; a We se e and re co g ni ze o urselv es
sequên­cias de cadeias articuladas até um limite que é um
total assemblage, floor, wall, ceiling; i n t he act i o ns of t hi s pe rso n w h o tanto indefinido, mas que se percebe claramente: o espaço
a place without any kind of hierarchy; bri ng s t o g e t he r, t i e s t o g e t h er, s t i cks se completou, nem mais nem menos. Tal modo de equivaler
receptive, inclusive, open, where any t o g e t he r, ho l ds up w hat e ve r s h e as coisas é o que permite as escolhas de Fernanda, tão dife-
provisional experience whatsoever can co me s across. O r di smant l es, b rea ks
be accommodated. And so the objects up, di sasse mbl e s. Thi ng s t h a t a n y on e
rentes do ready-made duchampiano ou do objet trouvée sur-
can resume their cohabitation, in a co ul d do w i t ho ut di ffi cul t y, wi t h ou t
realista. Nenhum dos objetos de Fernanda é único, e todos
different way now than before, without a se co nd t ho ug ht . Li vi ng i n a s t a t e são. Todos se aproximam. Este é o seu método de explorar e
revealing how it used to be, without of i mpe rmane nce i s w hat e a ch questionar o mundo e as coisas. O que tem mais ou menos
our needing to know. They settle in as e xhi bi t i o n sug g e st s. Do so m et h i n g importância? O que é mais ou menos relevante? Como algo
if this was their new home. No hint of w i t h w hat yo u se e be fo re you r
nostalgia or mawkish sentimentalism, e ye s – t hat’ s w hat t he w o rk s eem s
de significante pode surgir da insignificância? A artista não
which could be disastrous. By this t o be sayi ng i n i t s candi d ye t i ron i c
elege nenhum fetiche. É uma lírica antifetichista que está em
process, as far as is possible, a frank w ay. Thi s i s t he fi e l d i n w hi c h i t ação, colocando esses objetos num parêntese, num estado de
neutrality is created that lets the things spe ci al i ze s: t he i nve st i g at i on of t h e dormência e repouso, todos no mesmo plano.
speak for themselves in their exposed fat ho ml e ss q ual i t i e s co mmon t o t h e O espaço sempre é, junto com as coisas, um elemento
bareness. And we are drawn to them re al m of w e ar and t e ar, di su s e, a s i f
and grow attached to them again i t w e re al most a cat al o g ue of a ll i t s
fundamental do trabalho. Antes das coisas, há o espaço; ou
through our unguarded presence; which many and vari e d possi bi l i t i es. T h e
melhor: a “nudez” do espaço, tão decisiva quanto a “nudez”
only requires the very prosaic act of de g re e of i nt e nsi t y be t w e e n on e das coisas. O espaço expositivo vazio que deve ser preenchi-
spending some time in our surroundings t hi ng and anot he r, t he co mb i n a t i on do; e esse espaço, antes de tudo, precisa ser experimentado,
with what is closest to us, the things o r co unt e rpo i nt be t w e e n t he m , t h e percorrido, sentido, vivenciado intensa e exaustivamente. A
we touch with our hands and feel with e ffe ct o n e ach spe ci fi c mat er i a l, h ow
our body, that we pick up every day t hi s e ffe ct chang e s ove r t i m e, a n d t h e
artista se demora longamente no espaço antes da exposição;
throughout our lives, to create that co unt l e ss pro ce sse s of de t e r i ora t i on :
viveria temporariamente ali se possível, ela que é o primeiro
primal, fundamental intimacy. a co mpl e t e st udy i n t he chan g es “inquilino temporário”. Só assim o recolhimento e preserva-
Fra gm en t s : p e rh a ps t h a t i s how w ro ug ht o n t hi ng s by t i me, l i ke w h en ção do descartado cria a exposição/instalação. Um tipo de
we co u l d c l a s s i f y t h e s e o b j e c t s so me t hi ng mat e ri al re appe ars i n i t s improvisado site-especific; assemblage total, chão, parede,
tha t s e e m t o co m e f ro m a s in g l e o ri g i nal st at e unde r varni sh or p a i n t .
who l e, t h o u g h t h e y a re u n a b l e t o F i ndi ng si g ns of t hi s re ve l ati on i s
teto; um lugar sem qualquer tipo de hierarquia, receptivo,
reco n s t i t u t e it ; h ow co ul d t h e y ? The y o ne of t he fe at ure s e xpl o re d h ere, by
inclusivo, aberto, onde qualquer vivência provisória, sem
a re d i s p e rs ed a n d a cc um ul a t e d not l ayi ng bare t hi s ambi g ui t y b et w een exceção, pode se abrigar. Os objetos podem então retor-
by fo rce, bu t w i t h t h e g re a t e s t of w hat t hi ng s are i n t he i r app ea ra n ce nar a uma convivência, agora diferente daquela a que antes

24 25
a nd w h a t t h e y a re m a d e of. A s if t he neutrality of the institutional space pertenceram, sem que saibamos qual foi, e não mais inte-
ma t e r i a l a gain d e m a n d e d t o b e put of a museum or gallery. It restates ressa saber. Estabelecem-se como em um novo abrigo. Sem
i n ful l v i ew, e m e rg in g o n t h e f ini she d the floor as floor, and outside, the
fa ce of t h i n g s a n d s h ow i n g h ow street. The walls are walls, just like
qualquer nostalgia ou sentimentalismo piegas; o que poderia
mu c h i s prov i s io n a l a n d u n f in i s he d any outside wall one might lean things
ser fatal. Assim, o quanto possível, cria-se uma franca neu-
i n e v e r yt h i n g , w i t h o ut g l o rif y in g t he against. This invasion of the most tralidade, para deixar as coisas falarem por elas mesmas na
p reca r i o u s fo r t h e s a ke of i t , w hi ch precarious of objects lends things their sua nudez exposta. E nos agregamos e apegamos novamente
G om es h a s n o in t e re s t i n . own authentic gravitas without any a elas através da nossa presença desarmada; que só exige
Des p i t e b e i n g a t ot a l a s s e mbl ag e, disguise, and far from any exhibition-
this s e t of t h i n g s p a ra dox i ca l l y has like artificiality. The “narrative” of this
a vivência prosaica com o que está ao redor, com o que está
li ttle i n t h e w a y of h e t e ro g e n e i ty. As i n place is given pauses, gaps, openings,
mais próximo, com o que tocamos com as mãos e sentimos
a st i l l - l i fe, w h i l e i t co n t a i n s di v e rsi t y interruptions, agglomerations. Space com o corpo, que pegamos diariamente por toda a vida e
it a l s o t e n d s t ow a rds ce rt a in co nst ant for a potential, non-utopian solidarity que cria aquela intimidade primeira e fundamental.
a nd re c u r r i n g m a t e ri a l a f f in i t i e s takes shape where each thing states Fragmentos, assim talvez pudéssemos categorizar esses
tha t i n s t a n t l y m a rk it o ut : w o o d and its worth as it leans on and props
its d i f fe re n t q u a l it ie s, t y p e s, s ize s; up others. These are reworkings on
objetos que parecem vir de um todo único, embora não
pa p er, w i t h i t s di f fe re n t d e g re e s of a different level of the celebrated
sejam capazes de reconstituí-lo – e não há como. A dispersão
tra n s p a re n c y a n d o p a c i t y, n e w, use d, encounter between a sewing machine e a agregação se fazem sem qualquer violência, mas com a
c r um p l e d , t orn , g l ue d ; c ups, b ot t l e s, and an umbrella on an operating table, maior delicadeza e cuidado. As coisas se apoiam umas nas
shard s of gl a s s ; t h re a d s, co rd s, w i re. made possible by the surrealists on the outras, sem exigir qualquer esforço desnecessário, apenas
More re cen t l y, s e co n d -h a n d f urni t ure, inspiration of a poem by Lautréamont.
c hai rs, t a b l e s, b e n c h e s of di f fe re nt Not a rowdy clash, but an egalitarian
o suficiente para o equilíbrio e a eliminação quase absoluta
k i nds ; a l l m ad e of w o o d b e a ri n g t he silence, the same kind of collective,
das tensões no espaço. No entanto, o imprevisto é inevitável
ma rk s of u s e. A n d w e s e e it a l l j ust as sympathetic murmur. e bem-vindo tal como o acidente que estilhaça o Grand verre
it i s, n ot h i n g t o h i d e b e h in d, n o fri l l s, Wi t h t he se scant , mi ni m a l de Duchamp ou o acaso da sua Élevage de poussière. Ao lado
ju st t h e pl a i n a cce pt a n ce of w h at and re so urce s, G o me s’ s w o rk i s da melancolia e da solidão, o humor aparece em situações
how i t i s. A v ari a t io n o n t h e s t i l l - l i fe, t ranspo rt e d w i t h t he art i st wh erev er
it pro b e s t h e o bs o l e s ce n ce it i s made she g o e s: t he i nst al l at i o n/ex h i b i t i on
inéditas e inusitadas. Nesse desconjuntado de coisas que
from , b e ca u s e n ot h i n g t h a t i s he re i s oft e n a t ransposabl e se t . I t
são as exposições de Fernanda, há muito do comportamento
wou l d a t t ra c t a t t e n t i o n a n y w h ere e l se. de pe nds me re l y o n t he act i o n t h a t desapercebido em nós mesmos. Deparamo-nos e reconhe-
T hes e o b j ec t s h a v e b e co m e i n v i si bl e, e ach space re q ui re s. In an e x t rem e cemo-nos nas ações de alguém que foi juntando, amarrando,
so t o s pe a k , a n d h a v e re t u rn e d fro m case she may carry a fe w o b j ect s i n colando, apoiando aquilo que encontrou pela frente. Ou que
a n i n f ra w o r l d b e y o n d t h e re a c h of he r po cke t , ne ar he r bo dy; o b j ect s
the d a i l y a t t e n t i o n t o w h ic h t h e y t hat funct i o n as cat al yst s t o s et of f
desmantelou, separou ou desmontou. Tudo que qualquer um
once be l o n ge d . O n e by o n e, t h e y t hat de l i cat e, pace d ag g re ga t i on t h a t
poderia fazer, sem dificuldades, despreocupadamente – viver
e a c h t a ke u p t h e i r p l a ce, re g a i n i ng t ake s shape i n t he space, i n t rod u ci n g no provisório é o que cada exposição sugere. Faça alguma
me a n i n g, i n d iv idua l i z in g a n d f ixi ng and co mbi ni ng re l at e d o bj e ct s. coisa com o que está aí – é o que o trabalho parece dizer de
the i r ow n p l a ce in t h e t ot a l it y of t he F i ne -t uni ng t he w ho l e t hat em erg es maneira franca e irônica. Este é o campo em que ele se espe-
inst a l l a t i o n / e x h ib it io n , w h i c h i s so t hro ug h t he m. B e cause abov e a ll
uns t a bl e i t m ig h t t e e t e r ov e r i f w e t he w o rk i s abo ut t he re al pos s i b i li t y
cializou; na investigação das infindáveis qualidades comuns
were j u s t t o b l ow i t . of co mbi ni ng e q ual s, pe e rs – f rom
do universo do desgaste, do desuso, como se fosse quase um
We are led to realize that the anyw he re and e ve ryw he re. catálogo de todas as suas variadas e múltiplas possibilidades.
balance of the installation/exhibition Each e xhi bi t i o n by Fe rn a n d a Do grau de intensidade entre uma e outra, da combinação ou
as a whole is related to the individual G o me s has t he e ffe ct of g i vi n g contraposição entre elas, do efeito em cada material especí-
balance of each piece, and the back t o e ve n – o r mai nl y – th e m os t
balance of each piece resonates to frag i l e and pre cari o us of ma t er i a ls
fico, do comportamento desse efeito ao longo do tempo e dos
the balance of the whole. Everything a possi bl e co nne ct i o n w i t h t h e
inúmeros processos de deterioração; um estudo completo da
is organized so as to disconnect and sphe re of dai l y affe ct i o n i n i t s variação temporal que as coisas sofrem, como quando algo
suspend the habitual ceremony and i ncre asi ng l y di sj o i nt e d, vo l at i le ( n ot do material reaparece em seu estado original sob o verniz, a

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to s a y h a c k n e y e d) s t a t e. I t g iv es t he pre ci o us t o o ur i mag i nat i o n a n d tinta. O indício deste afloramento é uma das características
c han ce t o e x p e rie n ce n e w, s ig ni fi cant symbo l i sm. In fact , i t i s not j u s t a que aqui se explora, ao deixar evidente esta ambiguidade
coex i s t en ces w i t h t h i n g s i n t h e physi cal pl ace t he y w o ul d cla i m ;
c ur re n t s t a t e of i m p e rm a n e n ce and w hat t he y w ant t o do, e ve n if t h rou g h
entre o que as coisas são na aparência e aquilo de que elas
to gi v e s l ow, co n s i d e re d a t t e n t i o n frag me nt s, i s t o co nne ct l i fe i n i t s
foram feitas. Como se a matéria voltasse a reivindicar sua
to o u r s u r ro u n di n g s. I t is a d e l icat e re l at i o nshi ps w i t h t hi ng s. Su rely w h a t presença integral, emergindo sobre a face acabada das
op e ra t i o n t h at de m a n ds p re c i s e, make s G o me s’ s w o rk so i nt r i g u i n g coisas e mostrando o quanto, em tudo, está presente o provi-
me a s u red co n t ro l of t h e in v e s t m e nt i s t hat i t do e s not l e nd i t se l f t o sório e o inacabado, sem que haja aí um elogio do precário,
g ive n t o ea c h o b je c t a n d t o t h e any i mme di at e i nt e rpre t at i o n ; i t
tota l i t y of t h e i n s t a l l a t io n / e x h ibi t i o n. i s a ce l e brat i o n of me t aphor i ca l,
pelo qual Fernanda não se interessa.
T hro u gh h e r a c t io n s, s h e s e e k s t hat e l l i pt i cal , re pe at e d and re pe t i t i v e,
Apesar de assemblage total, esse conjunto de coisas pa-
lost qu a n t u m n e e d e d t o g iv e t h i ng s co mpul si ve and e vane sce nt a ct i on s. radoxalmente pouco tem de heterogêneo. Como na natureza-
tha t h a v e b e e n u s e d, co n s um e d , Li ke l i fe. -morta, há diversidade, mas ela tende para certas afinidades
worn , a n d l e f t b e h in d a s ig n i f icant materiais constantes e recorrentes que identificam o trabalho
pre s e n ce. I n fa c t , t h e y a re s u rp ri si ng
for t h e d el i b e ra t e l y d is p ro p o rt i o nat e
logo à primeira vista: madeira, as suas diversas qualidades,
va lu e s t h ey a re g i v e n : s o m a t e ri al l y
tipos, tamanhos; papel, de transparências e opacidades di-
i nsi gn i f i ca n t a n d n e g l i g ib l e, y e t so versas, novo, usado, amassado, rasgado, colado; copos, gar-
rafas, cacos de vidro; fios, cordas, arame. Mais recentemente,
móveis usados, cadeiras, mesas, bancos, dos mais diversos
tipos; todos de madeira já gasta e marcada pelo uso. E tudo
se mostra como é, sem pudor, sem disfarces, com a franque-
za em aceitar o que está aí, tal como é. Variante do gênero da
natureza-morta, investiga a obsolescência que a constituiu,
pois aquilo que está aqui não chamaria atenção em outro
lugar. Objetos que se tornaram como que invisíveis e que
retornaram de um inframundo fora do alcance da atenção
cotidiana à qual pertenciam. Um por um, cada um ocupa sua
posição, retomando um significado, individualizando e fixan-
do seu lugar próprio, na totalidade da exposição/instalação
que, de tão instável, poderíamos, quem sabe, desequilibrá-la
apenas com um sopro.
Percebemos que o equilíbrio total da exposição/instala-
ção está assim relacionado ao equilíbrio individual de cada
peça, e o equilíbrio de cada peça ressoa o equilíbrio do todo.
Tudo se organiza de uma maneira que desarticula e coloca
em suspense a habitual cerimônia e neutralidade do espaço
institucional do museu ou galeria. Afirma o chão como chão
mesmo, como lá fora, na rua. A parede é parede, como um
muro abandonado onde se apoiam coisas quaisquer. Esta inva-
são do mais precário dá às coisas uma gravidade própria e
autêntica, sem nenhum disfarce longe de qualquer artificialis-
mo expositivo. Assim a “narrativa” deste lugar adquire pausas,
espaços em branco, cesuras, interrupções, aglomerações. Um

28 29
espaço de uma solidariedade possível, não utópica, forma-se
onde cada coisa vale enquanto se apoia e dá apoio à outra.
São encontros de outra ordem daquele, tão famoso, entre uma
máquina de costura e um guarda-chuva numa mesa de disse-
cação, como queriam os surrealistas inspirados pelo poema
de Lautréamont. Não o choque ruidoso, mas um igualitário
silêncio, apenas o mesmo murmurar coletivo e solidário.
Com esses tão parcos e austeros recursos, o trabalho
de Fernanda Gomes se transporta com a artista para onde
ela for: a exposição/instalação é, muitas vezes, um conjunto
transportável. Depende apenas da ação que cada determi-
nado espaço vai exigir. Quando muito, leva alguns poucos
objetos no bolso, próximo ao corpo. Objetos que funcionam
como catalisadores e dão início àquela lenta e delicada
agregação que vai se formando no espaço, trazendo e apro-
ximando aquilo que é afim. Ajustando, através deles, a fina
sintonia do todo que vai se formando. Sim, pois o trabalho é,
sobretudo, a possibilidade real da reunião de semelhantes,
de iguais – de qualquer lugar e de todos os lugares.
Cada exposição de Fernanda Gomes atua no sentido de
restituir, até mesmo e principalmente aos materiais mais frá-
geis e precários, um vínculo possível com a esfera cada vez
mais fragmentada e volátil, quando não banalizada, do afeto
cotidiano. Elas propõem experimentar uma nova convivên-
cia significativa com as coisas no atual estado da imperma-
nência e voltar a dirigir uma atenção demorada e intensa ao
seu redor. É uma operação delicada, que exige um controle
preciso e dimensionado do investimento transmitido a cada
objeto e ao todo da exposição/instalação. Suas ações procu-
ram encontrar aquele quantum perdido necessário à pre-
sença significativa das coisas que são usadas, consumidas,
desgastadas e esquecidas. Na verdade, eles surpreendem
pela deliberada desproporção antagônica dos valores: tão
insignificantes e desprezíveis materialmente e tão preciosos
imaginária e simbolicamente. De fato, não é apenas um lugar
físico que pretendem reivindicar; querem vincular, ainda
que através de fragmentos, a vida nas suas relações com as
coisas. Certamente, o trabalho de Fernanda intriga por não
P 31-43
Museu de
ser imediatamente legível; é a decantação de ações metafóri-
cas, elípticas, repetidas e repetitivas, compulsivas e evanes- Arte Moderna,
centes. Tal como a vida. Rio de Janeiro, 2011

30 31
32 33
34 35
36 37
38 39
40 41
42 43
Fernanda Gomes,
Lóránd H egyi

Enormes (pequenas)
mudanças

lóránd hegyi é A força poética de diversos objetos sugerindo abandono, mar-


curador, crítico e ca de uma inexorável efemeridade, evocando mesmo assim
historiador da arte.
Atualmente o diretor
uma certa imutabilidade e uma ordem latente em contradição
do Musée d'Art aparente com sua distribuição fortuita e caótica – são quali-
Moderne de Saint- dades que tornam a obra de Fernanda Gomes extremamente
Etienne, França.
[Lóránd Hegyi is a
intelectual e ao mesmo tempo emocional e que lhe confere
curator, critic and art um caráter fundamentalmente arcaico. Este arcaísmo inscreve
historian. Currently
sua obra ao contexto geral da arte contemporânea latino-ame-
director of the Musée
d'Art Moderne de Saint-
ricana, embora a artista evite qualquer uso de motivos popu-
Etienne, France.] lares, de inspiração “local” ou outros elementos “folclóricos”.
O arcaísmo que distingue essa arte de suas contemporâneas
europeias flui de uma calma quase mítica. Significa que o
observador externo, um amante da arte “contemporânea” ou
“consumidor de arte”, nada pode fazer para modificar a ordem
inerente que reside nas relações entre os objetos numa estru-
tura criada pelas atividades do cotidiano. Essa estrutura oculta
funciona como a base existencial que faz a atividade humana,
a intervenção do homem no ambiente e sua transformação de
objetos físicos aparecerem como “necessidades objetivas”.
Aqui temos uma constelação atemporal, imóvel, quase "eterna”,
em que os rastros deixados pelas tarefas diárias manuais e
pessoais fazem parte da estrutura oculta das coisas.
30ª Bienal Fernanda Gomes realiza intervenções mínimas, quase
de São Paulo invisíveis, em objetos encontrados que ela dispõe lado a
[30TH SÃO PAULO
BIENNIAL] , 2012
lado (fragmentos de móveis, livros, objetos de madeira, ce-

44 45
Fernanda Gomes,
Enormous (Small) Changes
râmica, caixas de papelão etc.). Ao fazê-lo, busca, por um
lado, incluir a realidade espacial, arquitetônica e natural
Lóránd Hegyi implícita numa estrutura poética inteligível e, por outro,
interpretar o objeto com o qual está trabalhando como um
elemento retirado da realidade “objetiva”, fora da vontade
The poetic power of diverse objects natural reality implicit in an intel- pessoal ou representação subjetiva de qualquer pessoa.
that suggest abandon, which seem ligible poetic structure, on the one
imbued with ephemerality at the hand, and on the other to interpret
same time as they invoke a certain the object she is working with as
Intervenções quase invisíveis
immutability and underlying order that an element taken from “objective”
seems to belie their random, chaotic reality, outside of anyone’s personal Embora o uso de fragmentos de objetos, em sua normalidade
distribution – these are qualities that will or subjective representation. e simplicidade, e seu trabalho com materiais efêmeros que
make the work of Fernanda Gomes manifestam uma “poesia com aspecto de ruína” evoquem
simultaneously very intellectual and Barely Visible Interventions
very emotional, and fundamentally
certos aspectos das instalações de Joseph Beuys, a estratégia
archaic. In turn, it is this character While Gomes’ use of fragments da artista está bem distante da escultura social de Beuys e seu
that links her work to the general of objects, their ordinariness and pensamento alegórico, moralista e metapolítico. Por um lado,
context of contemporary Latin commonness, and her work with Fernanda evita qualquer indício de abordagem “terapêutica”
America art, even though she avoids ephemeral materials that manifests analógica ou profética, que envolveria imperativos morais e
all use of folksy or “Latin-inspired” a “ruiniform poetry” both recall
motifs or other ingredients. The certain aspects of the installations
estabeleceria um relacionamento direto entre o fazer artístico
archaism that distinguishes this art of Joseph Beuys, her strategy is far e mudança moral, social e política. Ela não busca interpretar o
from its European contemporaries removed from Beuys’ social sculpture processo temporal que está em ação em coisas materiais como
flows from an almost mythical calm. and his allegorical, moralistic and “processo educacional”; não compartilha das práticas culturais,
It means that the out-sider observer, metapolitical thinking. For one analógicas ou outras, de povos primitivos e seus sacerdotes.
a “contemporary” art lover or art thing, Gomes avoids any hint of an
“consumer”, can do nothing to modify analogical or prophetic “ therapeutic”
Por outro lado, mantém deliberadamente uma modéstia e um
the inherent order that lies within the approach that would involve moral grau de silêncio que a tornam quase anônima. Ela é toda suti-
relations between the objects in a imperatives and establish a direct leza e contenção. A personalidade da artista recolhe-se atrás
structure created by the workings of relationship between making art and da objetividade dessas coisas frágeis que parecem ter sido
everyday life. This hidden structure moral, social and political change. abandonadas num arranjo aleatório. Seu discurso não é o de
works as the existential basis She is not out to interpret the
that makes human activity, man’s temporal process at work in material
“xamã da arte” que oferece redenção, mas sim aquele do signi-
intervention in the environment and things as “educational process”; she ficado de nuances aparentemente sem importância. A estraté-
his transformation of physical objects, does not share the analogical and gia educacional político-pedagógica da “atividade paralela” é
appear as “objective necessities”. other cultural practices of primitive desarmada pela presença serena da força da impotência.
Here we have a timeless constellation, peoples and their priests. For another, É neste ponto que se sente a feminilidade singular e
immobile, almost “eternal”, where the Gomes quite deliberately maintains a
traces left by manual and personal modesty and degree of silence that all
sedutora do trabalho de Fernanda Gomes que, embora
daily tasks are an integral part of the but makes her anonymous. She is all tremendamente contundente, escapa de um entendimento
hidden structure of things. finesse and restraint. The personality apressado. Como artista, ela é tanto delicada quanto ríspi-
Gomes carries out tiny, scarcely of the artist withdraws behind the da. Age com intervenções leves, sensíveis, que deixam o
visible interventions on found objects objectivity of these fragile things mais sutil dos rastros. Para ela, algo infinitamente pequeno
that she arranges side by side (frag- that seem to have been abandoned
ments of furniture, books, wooden in a random array. Her discourse is
pode assumir enorme importância; mesmo o que é sentido
objects, ceramics, cardboard boxes, not that of “art shaman” who offers por sua ausência adquire uma corporalidade frágil e suave.
etc.). In doing so she seeks to in- redemption, but that of the meaning Ela brinca com a transparência dos materiais, utilizando
clude the spatial, architectural and of apparently insignificant nuances. sombras que modificam os contornos dos objetos e geram

46 47
The political-pedagogic educational which is combined with a particular arranjos puramente óticos. Seu método consiste em dei-
strategy of “parallel activity” is activity, a given state of being in life xar entre os objetos uma distância calculada com incrível
disarmed by serene presence of the or a movement recognizable from
power of powerlessness. its traces. She often works with old
precisão. Às vezes, dois objetos parecem quase se tocar
At this point that one senses suitcases or trunks, packing material
sem nunca fazer realmente contato; o espaço entre eles é
the unique and seductively feminine and paper bags, indicating packaging infinitesimal. Isso confere uma carga emocional e, portanto,
quality of Gomes’ art which, although and transport, or in other words, um caráter quase humano a objetos banais, inanimados. Sua
tremendously forceful, eludes departure and disappearance. The habilidade poética infunde uma força emocional que é ao
hasty apprehension. As an artist combination of very ordinary, plain
she is both tender and harsh. She objects with very personal items
mesmo tempo serena e contida.
proceeds by way of slight, sensitive provokes the viewer’s emotions and
interventions that leave the most curiosity. One can not be sure whether Mundo particular, afazeres diários
subtle of traces. For her something the hidden event is unfold within the
infinitely small can take on enormous artist’s purely private sphere or in the Passo a passo, o espectador descobre as sutilezas ocultas que
importance; even what is felt by domain of ordinary, everyday chores.
its absence acquires a fragile and The viewer is profoundly disconcerted.
surgem das combinações de materiais e constelações de obje-
soft corporeality. She plays with the Is this ruinform constellation of
tos. Assim, as fissuras num chão de pedra ganham qualidade
transparency of materials, utilizing worn ephemeral, objects are trace museológica por suas relações intrínsecas com painéis de
shadows that modify the outlines of of an event, a relic of a process of vidro, como se fossem parte do acervo pessoal de memórias
objects and generate purely optical transformation, the result of some da artista. Do mesmo modo, as frestas entre objetos dispostos
formations. Her method is to leave activity or a reality outside of time,
a distance between objects that is immutable and anonymous.
lado a lado são como a continuação das fissuras do chão. Suas
calculated with an incredible precision. Gomes is more than a “poet” of
assemblages de objetos muitas vezes contêm algum elemento
Sometimes two objects seem almost fragments and nuances. She is also pessoal que é combinado com uma atividade específica, um
to touch without ever quite making a pragmatic, intelligent and calm determinado modo de estar na vida ou um movimento reco-
contact; the space between them is woman. She knows very well that nhecível por seus rastros. Fernanda muitas vezes trabalha
infinitesimal. This gives an emotional existing objective structures cannot
charge and thus almost human be directly modified in a voluntarist
com velhas malas ou baús, material de embalagem e sacos de
character to banal, inanimate objects. way, through subjectivity or through
papel, indicando empacotamento e transporte, ou, em outras
Her poetic skill instills an emotional explanation and educational palavras, partida e desaparecimento. A combinação de objetos
force that is at the same time serene work. She allows things their own tão comuns e simples com itens muito pessoais provoca a emo-
and restrained. existence, their own rootedness; ção e a curiosidade do espectador. Não é possível ter certeza
their anonymous and evident
Private World, Daily Chores “passivity” stands in opposition to
se a ocorrência se desdobra na esfera puramente particular
the extreme activity of a social art
da artista ou no domínio das tarefas corriqueiras, cotidianas.
Step by step the viewer discovers the that requires the personal an almost O espectador fica profundamente desconcertado. Nessa ruína
hidden subtleties the emerge from priestly presence of the artist. The de constelação do efêmero, os objetos são o resquício de uma
her combinations of materials and undisguised an paradoxically ocorrência, uma relíquia de um processo de transformação, o
constellations of objects. Thus the impersonal individualism that
cracks in a stone floor are given an manifests itself in small nuances
resultado de alguma atividade ou uma realidade fora do tempo,
almost museum-like quality by panes and modest interventions stands
imutável e anônima.
of glass that act upon their internal in contrast to Beuys’ calls for a Fernanda é mais que uma “poeta” de fragmentos e nuan-
relationships, as if they were part of collective art whose “collectiveness” ces. É também uma mulher pragmática, inteligente e calma.
her personal inventory of memories. In came down to nothing more than an Sabe perfeitamente que as estruturas objetivas existentes não
the same way, the interstices between interaction between the romantic
objects placed side by side are like revolutionary shaman-artist-prophet
podem ser diretamente modificadas de maneira voluntarista,
a continuation of the cracks in the and the manipulated, passively
pela subjetividade ou por explicação didática. Ela permite
floor. Her assemblages of objects participating recipient. Instead of às coisas sua própria existência, seu próprio enraizamento;
often contain some personal element an allegorical and pseudo-political a “passividade” anônima e evidente dos objetos se opõe à

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approach whose concerns lie with and fleeting fragments is connected extrema atividade de uma arte social que requer a presença
the future, Gomes communicates a to everything else. The smallest pessoal e quase sacerdotal do artista. O individualismo in-
sensibility that each of us experiences modifications in the relations between
individually. The result of the process the building (floor, walls, exhibition
disfarçado, paradoxalmente impessoal, que se manifesta em
of transformation has no importance hall ceiling, etc.) and the objects she
pequenas nuances e intervenções modestas, contrasta com
in and of itself. works on, places and leaves in space os apelos de Beuys por uma arte coletiva, cujo caráter “co-
suggest a painful withdrawal. They letivo” nada mais é que uma interação entre o xamã-artista-
invoke essential, fateful events whose -profeta romântico e revolucionário e o receptor manipulado,
Universal Order significance is, in the philosophical
sense, absolute. All by themselves,
participante passivo. Em vez de uma abordagem alegórica e
Her work embraces the coexistence these nuances reveal a vision of
pseudopolítica cujas preocupações estão no futuro, Fernanda
of chance and calculation, physical the world. All by themselves, these transmite uma sensibilidade que cada um de nós vivencia
givens and artistic manipulation. small transformations that seem individualmente. O resultado do processo de transformação
These are inseparably linked and so nugatory contain the essence não tem importância por si só.
mutually complementary; the paradox and truth of the world. Fragility and
of their coexistence is only apparent. chance are an allusion to universality,
For instance, in the Trasnparencias which, paradoxically, makes it
Ordem universal
exhibition at the Rio de Janeiro possible to perceive the objective
Museum of Modern Art, Gomes made force of existence within perishable, Sua obra abarca a coexistência do acaso e do previsto, dados
the fissures and holes in the stone tenuous, fragile and imponderable físicos e manipulação artística. Estes elementos estão insepa-
floor seem to indicate the axes of fragments of a world of banal objects.
constellations of objects within a A real, immobile and anonymous
ravelmente ligados e se complementam; o paradoxo de sua
certain system, axes that determine atemporality exists side by side
coexistência é apenas aparente. Na mostra “Transparências”,
their composition and establish a Gomes’ art with a poetic fragility no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, por exemplo,
formal hierarchy. In fact, she was suggesting instability. It may Fernanda Gomes fez as fissuras e buracos do chão de pedra
working with fortuitous, modifications seem contradictory that a certain parecerem indicar os eixos das constelações de objetos den-
in the architectural environment. She “ponderous” calm, a certain strange
interpreted this environment, with its immobility, and the feeling that all
tro de um determinado sistema, eixos que determinam sua
aesthetic structure, as an objective movement and all transformation is
composição e estabelecem uma hierarquia formal. Ela, na
obligation, a manifestation of an impossible, should be allied with a verdade, trabalhava com modificações fortuitas do ambiente
order existing beyond any subjectivity sort of dramaturgy, a theatricalization arquitetônico. Interpretou esse ambiente, com sua estrutura
will. The small, fragile objects were of the chores of everyday life, with estética, como uma obrigação objetiva, manifestação de uma
likewise transformed in a fortuitous its “celebrations” and “rituals”,
manner (in terms of their color, their in determining the structural
ordem existente além de qualquer vontade subjetiva. Os
surfaces and their shapes), but in significance of her work and the
objetos pequenos, frágeis, foram igualmente transformados
such a way that these transformations objectivity that clearly prevails within de modo fortuito (em termos de sua cor, superfícies e formas),
seem to express a necessity it. This is the objectivity of existence, mas de tal maneira que as transformações parecem expres-
imposed by the composition and the as a given, a common, perfectly sar uma necessidade imposta pela composição e a expressão
expression of an ineluctable rule. normal occurrence.
Thus the artist creates a link between
de uma regra inevitável. Assim, a artista cria um elo entre
the most tenuous operations – barely o r i g i n a l te x t w r i t te n i n G e r m a n , as mais tênues atividades – quase imperceptíveis do ponto
En g l i s h v e r s i o n b y L- S To r g o f f
perceptible from a material point de vista material – e uma grandiosa estrutura abrangente e
of view – and a grand overarching, T h i s te x t w a s o r i g i n a l l y p u b l i s h e d inteligível que aponta para uma esfera de valores universais,
intelligible structure that points to a i n A r t P r e s s n . 2 23 i n A p r i l 1997.
existenciais e filosóficos.
sphere of universal, existential and
philosophical values.
O espectador tem a impressão de que, apesar do caos
The viewer has the impression
aparente, tudo nesse mundo de fragmentos frágeis e fugazes
that despite the apparent chaos, é conectado a todo o resto. As menores modificações nas
everything in this world of fragile relações entre o prédio (chão, paredes, sala de exposição,

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teto, etc.) e os objetos que ela trabalha, dispõe e deixa no es-
paço, sugerem um afastamento doloroso. Elas invocam fatos
essenciais, decisivos, cujo significado é, em termos filosófi-
cos, absoluto. Sozinhas, essas nuances revelam uma visão do
mundo. Sozinhas, essas pequenas transformações aparente-
mente tão insignificantes contêm a essência e a verdade do
mundo. Fragilidade e acaso são uma alusão à universalidade,
que, paradoxalmente, permite perceber a força objetiva da
existência contida em fragmentos perecíveis, tênues, frágeis
e imponderáveis de um mundo de objetos banais.
Uma realidade fora do tempo, imóvel e anônima, e uma
fragilidade poética que sugere instabilidade se desdobram
simultaneamente na obra de Fernanda Gomes. Mesmo que
pareça contraditório que uma certa calma “pesada”, uma
estranha imobilidade – a sensação que todo movimento e
toda transformação é impossível – se alie a uma espécie de
dramaturgia, de teatralização de pequenas tarefas, “celebra-
ções”, “rituais” para determinar a estrutura significativa, uma
evidente objetividade predomina no seu trabalho. Objetivi-
dade, no sentido da existência que se apresenta como coisa
banal, perfeitamente normal.

Texto original escrito em alemão. Esta versão em português foi traduzida a partir da
versão em inglês, de L.-S. Torgoff.

Esse texto foi publicado originalmente na revista Art Press n. 223, em abril de 1997.

P 53-65
30ª Bienal
de São Paulo
[30TH SÃO PAULO
BIENNIAL] , 2012

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Galeria Luisa Strina,
São Paulo, 2014

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ENTREVISTA
Rio de Janeiro 12/10/2014
entrevistadores Felipe Scovino, Fernando Gerheim,
Julia Pombo e Luiza Mello.

felipe scovino O branco é uma fernanda gomes Pintar de branco


situação que percorre intensa- é como acrescentar uma capa
mente a sua obra. de luz, mas me interessa ao
mesmo tempo revelar o osso
fernanda gomes Branco é luz. É das coisas, uma situação po-
a cor mais clara e a que tem tencializa a outra. Contraste e
mais cor, onde percebo a complementaridade.
maior variedade de nuan-
ces. Reflete as outras cores, fernando gerheim quando você fala
rebate a luz. É o espectro da sobre o branco como o espaço
luz solar, a soma de todas as que pode ser o seu abrigo de
cores. Sinto o branco como vivência no meio dessa cultura,
vazio e cheio ao mesmo tem- penso na questão da arte e da
po. Atua como um elemento vida, da arte como meio de viver e
de equilíbrio. E preciso buscar da vida como meio da arte.
uma paisagem que me proteja
deste mundo tão violento. fernanda gomes Claro, vida e arte
Criar um ambiente onde eu se realimentam constante-
possa respirar, pensar, me mente. As coisas são e estão
movimentar mais livremente. misturadas. A curiosidade
rejeita categorias ou hie-
fernando gerheim No seu trabalho rarquias, compartimentar é
tem também a matéria que apare- artificial e improdutivo. Tudo
ce tão crua, que é desgastada pelo é fato ético-estético. A arte
tempo. A matéria aparece em um é resultado de um amor es-
estado da realidade, e o branco praiado, pelo que há de beleza
como um pigmento que fala da pró- na aventura humana, nesta
pria luz. Penso na relação entre o continuidade sem sentido,
que você faz, que tem a reverbera- mas devotada. O amor não
ção da pintura, e na cor da madeira, pergunta a causa, aceita o
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Galeria Luisa Strina, da matéria que aparece tão original fato, apaixonadamente. A
São Paulo, 2014 e tem a marca do tempo. arte melhora a vida a tal nível

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que é difícil imaginar como vê-se que aquilo é arte mesmo,
interview other. Everything is and has always
tantos podem prescindir dis- não é outra coisa, e é totalmen-
ARTE BRA Fernanda Gomes been mixed up. Curiosity breaks
so. Sempre pensei muito esta te contemporânea. Penso que
Rio de Janeiro 10/12/2014 down categories or hierarchies;
relação entre arte e vida, e a essa continuidade talvez seja
Participants: Felipe Scovino, Fernando compartmentalizing things is artificial
and unproductive. Everything is an cada dia o que me interessa a essência do ser humano. As
Gerheim, Julia Pombo and Luiza Mello.
aesthetic and ethical fact. Art is the mais ainda é arte e amor. E, questões permanecem as mes-
felipe scovino  White is something that result of expanded love for what is além de amadora, vivo de arte, mas, é saber que vai morrer,
imbues your work intensely. beautiful in this human adventure, this literalmente! não saber o que está fazendo
senseless but devoted continuity. Love aqui, é esse espanto. E através
fernanda gomes  White is light. It’s the doesn’t ask why, it just passionately felipe scovino  Penso que você da arte é possível estabelecer
lightest color and the one with the most accepts the fact. Art improves life to torna as coisas invisíveis, para uma comunicação profunda
color, where I perceive the greatest such an extent that it’s hard to imagine torná-las visíveis. Nesse caso, com tantos outros seres huma-
variety of nuances. It reflects the other how so many people can live without
lembro-me dos Objetos ativos de nos que viveram essa aventura,
colors and it mirrors light. It’s the it. I’ve always wondered about this
Willys de Castro, que possuem de maneiras tão emocionantes
spectrum of solar light, the sum of all relationship between art and life, and
uma qualidade semelhante e se e estimulantes, em tempos e
colors. I experience white like it’s empty as time goes by what interests me even
and full at the same time. It operates situam entre fronteiras. lugares tão distantes. Isso nos
more is art and love. But more than just
as an element of equilibrium. I have to loving art, I live art, literally! traz uma outra dimensão para
find a landscape to protect me from fernanda gomes  O
objeto ativo é seguir vivendo, mesmo sem
the brutality of this world. To create an felipe scovino  It seems to me you make uma revolução. Vamos nos ali- encontrar sentido para isso.
environment where I can breathe, think, things invisible to make them visible. In this mentando do que veio antes, e Se é para fazer algo, é tentar
move about more freely. case, it reminds me of Willys de Castro’s há tanto! Recentemente apare- colocar em aparição concreta
Objetos ativos (Active objects), which have a ceu que a primeira obra de arte isso que ninguém sabe bem o
fernando gerheim  In your work there are also similar quality and straddle boundaries. encontrada tem 40 mil anos, e que é, mas que podemos reco-
materials that appear in a raw state, that have
been worn by time. The materials appear in fernanda gomes  The Objeto ativo (Active
a state of reality, and white is like a pigment object) is revolutionary. We feed off what
that speaks of light itself. I’m thinking of the came before and there’s so much of it!
connection between the different things you do, Recently it was reported that the oldest
which correspond with painting and the color known artwork is forty thousand years
of the wood the material that appears in such a old, and you can see that it really is art
crude state and bears the marks of time. and not something else, and that it’s
completely contemporary. I think this
fernanda gomes  Painting white is like continuity could be the essence of the
adding a coat of light, but at the human being. The issues are still the
same time I’m interested in revealing same: it’s about knowing you’re going to
the bones of things. Each thing die and not knowing what you’re doing
nourishes the other. Contrasting and here. It’s that astonishment. Through art
complementing. you can draw profound bonds with so
many other human beings experiencing
fernando gerheim  When you talk about white this adventure, in such exciting and
as a space that can serve as your shelter in stimulating ways in such distant times
the midst of this culture, it makes me think of and places. It gives us a different
the issue of art and life, of art as a medium for dimension for carrying on living, even if
living, and life as a medium for art. we don’t find a meaning for it. If there’s
anything we’re supposed to do, it’s to
fernanda gomes  Absolutely. Life and try and provide concrete expression for Madeira e tinta
art are always feeding off each that which nobody really knows, but [WOOD AND PAINT] , 2011

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which we can recognize. The simple – which actually applies to everything. nhecer. Materialização simples fernanda gomes  A
exposição é
materialization of the mystery. In a given space, that exact set of do mistério. uma situação que nunca mais
objects is lost. Some works that
vai se repetir, como tudo, ali-
fernando gerheim  Something else I find only exist fully in that context I
fernando gerheim  Outra questão ás. Aquele conjunto preciso,
interesting in your work is how things happen prefer to get rid of rather than just
que eu acho interessante no seu em um espaço determinado,
in the exhibition space. The work is often reduce. But there are works that are
the exhibition and the exhibition melts. It’s
trabalho é como as coisas acon- se perde. Algumas obras que
completely autonomous that are
ephemeral but at the same time it deals with often not perceived as such because
tecem no espaço de exposição. O só existem plenamente naque-
memory. How does that work? they’re integrated with the set of trabalho muitas vezes é a exposi- le contexto, prefiro desfazer
Lápis, fio, grafite e
works. Those pieces often exist better ção e a exposição se desmancha. do que reduzir. Mas há obras
prego [PENCIL, THREAD, Madeira, tinta e
fernanda gomes  An exhibition is a individually. And of course there’s GRAPHITE, AND NAIL] , alfinete [WOOD, PAINT Ele é efêmero e ao mesmo tempo completamente autônomas,
situation that will never happen again memory, which is distilled experience. 2012 AND PIN] , 2012 lida com a memória. Como é isso? que dificilmente são perce-

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fernando gerheim  In that sense, the includes intuition, imagination, poetry.
exhibition being the work, as is often the It’s also important to slow things down,
case, creates a relationship that’s already to allow yourself to live at a different
critical of the art system, but the criticism pace outside this common time. Also
is embedded in the work, in the tactics you the idea that mistakes and flaws, are
use. It doesn’t come from outside. I think one the real nature of things, of life itself.
powerful feature of your exhibitions is that Accepting the beauty of the fragility that
you construct directly in space, but without a constitutes us.
plan, in a processual way.
luiza mello  What intrigues me about your
fernanda gomes  I like to start by casting working process is that when you’re going to
everything into doubt on the most install an exhibition, you try to make yourself as
basic of levels. It’s my nature. I feel comfortable as possible so that you will have
like I’m the same child as ever, even the liberty you need to do your work. What is it
if I’m far more experienced. It’s also a like when you go somewhere to assemble your
choice – hard, but productive. Normally, work and you don’t know what you’re going to
the first thing that pops into my mind do? Is there some kind of conflict?
is, “What am I doing here?” A primal,
terrible question that only begs more fernanda gomes  I love that moment
questions on different levels. And the of going into an empty space and
best answer is the concrete result, what starting to move around and letting my
I’m experiencing, what I’m doing. imagination go. Everything is possible
to start off with. The possibilities are
felipe scovino  The exhibition at MAM in 2011 endless. It’s wonderful. The main thing
was a case in point. Something happened is to show up with enthusiasm, with
there that I can see happening here right pleasure. To recapture that genuine bidas como tal por causa da mais elementar. É minha natu-
in front of my eyes on this wall, which is the interest in what you’re doing at the very
integração do conjunto. Estas reza, sinto que sou a mesma
concept of the accident. You used all the moment you’re doing it. It’s about being
muitas vezes existem até criança de sempre, ainda
chance events, all the stories the museum's fully in the moment, as relaxed and free
melhor individualmente. E que muito mais experiente. É
floor had gone through – the scratches, the as possible. Of course there also has
chips. In a way you reviewed the story of MAM to be some tension. I'll find myself in a
claro, há a memória, que é a também uma escolha, difícil,
itself. I could see old works being dragged in state of total awareness. It’s a matter of experiência destilada. mas produtiva. Geralmente a
there and being moved about. Instead being balance. Even inconvenient or unwanted primeira coisa que me vem à
wrong and drawing attention to the fact that things, like feeling tired or sleepy, can fernando gerheim  Nesse sentido, a cabeça é: “O que estou fazen-
the floor of MAM is damaged, it was magically be harnessed positively. exposição ser o trabalho, como do aqui?” Pergunta primitiva e
transformed into poetry. It used the place itself muitas vezes acontece, cria uma terrível, que só gera mais per-
as a sculptural action. When I go to your studio, felipe scovino  In your exhibitions, I go around relação que já é crítica ao sistema guntas, em vários níveis. E a
I experience a slowing down of time. The looking for situations that go beyond the works, da arte. Mas a crítica aparece em- melhor resposta é o resultado
insignificant things, the chance events, empty as if something were being camouflaged. butida no trabalho, nas táticas que concreto, o que vou vivendo,
spaces, invisibility, scratches, and flaws that You work with the unexpected, with places,
você usa, não vem de fora. Acho o que vou fazendo.
inhabit the world are also gathered together situations, objects, and forms that can be
que uma característica bem forte
here. But they’re magically transformed. I mistaken for the place itself. Or in some cases,
nas suas exposições é que você felipe scovino  A exposição do MAM,
leave feeling better. the place itself is the work. Doesn’t the fact that
the place is also the work bring about some
constrói direto no espaço, mas sem em 2011, foi emblemática. Nela
fernanda gomes  That’s good! It’s so confusion in the viewer? projeto, de um modo processual. acontecia algo que está aconte-
important to transform our vision of
Papel, lâmpada, cendo agora, diante dos meus
soquete e madeira
things. Art gives us this chance to fernanda gomes  I prefer to accept fernanda gomes  Gosto
de co- olhos, nesta parede, que é o con-
P 84-85
meçar colocando tudo em ceito de acidente. Você usou todos
[PAPER, LIGHT BULB,
transform everything based on a vision. indetermination. I hate explaining or Madeira e tinta [WOOD SOCKET AND WOOD] ,
Vision in its broadest sense which categorizing things. In a way it’s all AND PAINT] , 2014 2014 questão outra vez, da forma os acidentes ou toda história que

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aquele piso sofreu, as ranhuras, as mento de ir para um lugar montar
quebras do piso. De certa maneira o trabalho, quando você não sabe
você reviu a história do próprio o que vai fazer? Existe um embate?
MAM, eu vi obras antigas sendo ar-
rastadas ali, sendo deslocadas. E fernanda gomes  Adoroeste
aquilo, ao invés de ser erro, como momento de entrar em um
se estivesse chamando atenção espaço vazio e começar a me
para o fato de o piso do MAM movimentar, a imaginar! Tudo
estar danificado, foi transformado é possível no início, são infini-
magicamente em poesia. Usou tas possibilidades, é uma ale-
o próprio lugar como uma ação gria! O principal é chegar com
escultórica. Quando chego ao seu entusiasmo, tesão. Renovar
ateliê, a minha experiência é de o interesse genuíno pelo que
uma desaceleração. As insigni- se está fazendo, no momento
ficâncias, acidentes, vazios, a mesmo em que se faz. É estar
invisibilidade, ranhuras e defeitos ali inteira, o mais relaxada
que habitam o mundo também e livre possível. E claro que
estão aqui, acumulados. Mas eles também é preciso uma certa
magicamente me transformam. tensão. Fico em um estado
Saio melhor. de alerta total. São equilí-
brios. Mesmo o indesejável ou
fernanda gomes  Que
bom! Isso é o inconveniente, como sono ou
fundamental, transformar a vi- cansaço, podem ser aprovei-
são das coisas! Arte é essa pos- tados positivamente.
sibilidade de transformar tudo
a partir de uma visão. Visão no felipe scovino  Nas suas exposições,
sentido mais amplo, que inclui eu fico procurando situações que
intuição, imaginação, poesia. vão além das obras, como se algo
É fundamental também criar estivesse camuflado. Você traba-
uma desaceleração, poder se lha com o inesperado, com lugares,
conceder viver outro tempo, situações, objetos e formas que se
fora deste tempo comum. E confundem com o próprio lugar. Ou,
também a ideia de erro, do em determinados casos, o lugar é a
imperfeito, sendo a natureza própria obra. O fato de o lugar tam-
mesma das coisas, da vida. bém ser obra causa uma confusão
Aceitar a beleza da precarieda- no espectador, não?
de que nos constitui.
fernanda gomes  Prefiro
aceitar a
luiza mello  O
que me chama aten- indeterminação, acho aborre-
ção no seu processo de trabalho cido explicar ou categorizar.
é que, quando vai montar uma De certa forma tudo faz parte,
exposição, você tenta ficar o mais se está ali, naquela situação.
confortável possível para ter a Fica mais divertido brincar
Madeira e tinta liberdade que precisa para fazer com as coisas. A base tam-
[WOOD AND PAINT] , 2014 seu trabalho. Como é este mo- bém vira escultura, a pintura

88 89
included if it’s there in that situation. levels, while still maintaining its
incorpora a espessura, vejo mais social. O esforço é criar
It’s more fun to play with the things. essence which is vital for me. It’s
as coisas como são. A cons- uma estratégia para transfor-
The pedestal can also become a a challenge that involves every
sculpture, a painting can become trução é uma articulação da mar uma atividade lúdica em
sphere. Method is more of a life
an object. I see things as they are. discipline. I strive to always be at my linguagem, visual, concreta. meio de vida, em vários níveis,
Construction is an articulation of best. A discipline that includes basic mantendo sua essência, que
concrete, visual language. procedures: movement, food, stimuli. julia pombo  Comovocê vê a ques- para mim é vital. É um desafio
Developing delicacy and strength tão do método e da repetição no que envolve todas as esferas.
julia pombo  How do you see the issue of physically and mentally. Broadening seu trabalho? Como é esta prática A ideia de método é mais uma
method and repetition in your work? How do my humor. Dancing, singing, swimming, para você? disciplina de vida. Cuidar
they work for you? listening to music and beautiful stories. para que eu possa estar no
Steering clear of the coarse side of fernanda gomes  A
palavra “tra- meu melhor. Uma disciplina
fernanda gomes  The word “work” seems life. Doing less of what’s stupid and
balho” parece inapropriada, que inclui procedimentos
inappropriate, but then words always bureocratic. Leading a simpler life.
mas faltam sempre palavras, banais, movimento, alimenta-
fall short. So, I do the work without Perhaps the idea of repetition is
vamos lá. O trabalho em si ção, estímulos. Desenvolver
any method or effort. It’s guided by part of all this. The most basic kind
é feito sem método e sem delicadeza e força, física
pleasure. If I don’t feel like doing of everyday activities have inspired
something, I don’t do it. Normally, some of the things I’ve done from the
esforço, o guia é o prazer. Se e mental. Ampliar o humor.
I feel more like working than having beginning. I carry on as if they were estou sem vontade de fazer, Dançar, cantar, nadar, ouvir
more of a social life. The effort is to the same, or one and the same, but não faço, mas em geral tenho música e histórias bonitas.
Ateliê da artista
create a strategy, to turn an playful they’re always different, unique. And [ARTIST’S STUDIO] , Madeira e tinta mais vontade do que seria Evitar ao máximo o lado
activity into a way of life on different often unfinished. Rio de Janeiro, 2013 [WOOD AND PAINT] , 2011 conveniente para uma vida estúpido da vida. Diminuir o

90 91
supérfluo, a burocracia, as São variações infinitas em cima
tarefas ridículas, levar uma de uma gama estreita. De repente
vida mais simples. você introduz as mobílias, agora
A ideia de repetição poderia a luz artificial. Antes tinha mais
fazer parte deste todo. As uso de elementos do cotidiano,
atividades de todos os dias, as sabonete, fio dental, palavras que
mais básicas, sugerem certas são descascadas. Acho que de re-
coisas que faço, desde o início. pente ficou uma coisa mais muda,
Continuo como se fossem as silenciosa. E mais arquitetônica,
mesmas, ou a mesma, mas são sem dúvida. Talvez mais seca,
sempre diferentes, únicas. E não sei. A tal ponto de chegar a
frequentemente inacabadas. ter trabalhos que são a luz, sem o
pigmento branco, a luz fazendo o
felipe scovino  Acho que a Fernan- branco direto na parede.
da torna diferente o mesmo. Esse
branco aqui não é igual àquele de lá, fernanda gomes  Sinto que vou
e isso não é só porque a tonalidade abrindo vários caminhos, e
é diferente, mas porque a forma é sem precisar fechar nenhum.
distinta, o lugar é outro. É de uma Deixo disponível, tudo está ali.
economia muito pequena. Você Faço muitas coisas ao mesmo
trabalha praticamente com nada. tempo, uma continuidade
dispersa, concentrada neste
fernanda gomes  Não, é com muita espaço atulhado de coisas.
felipe scovino  I think Fernanda makes things fernando gerheim  But you’re still doing work coisa! Queria que fosse muito Vivo uma continuidade de
that are equally different. This white here isn’t using cigarette papers, for instance. There are menos. (risos) tempos em uma espécie de
the same as that white there, and it’s not just infinite variations on a narrow theme. Suddenly memória física das coisas. En-
that the shade is different, but that the form is you introduce furnishings, and now artificial fernando gerheim  Tem uma coisa contro como novo algo muito
distinct, the place is different. It’s very frugal. light. Before, you used everyday objects more: interessante também: ao mesmo antigo, esquecido, olho com
You work on practically nothing. soap, dental floss, words that are stripped bare. tempo são coisas muito contin- espanto: o que é isso? É como
I think it suddenly got muted, quieted down, gentes e há um rigor, uma exatidão, se tivesse sido feito por outra
fernanda gomes  No, with a lot of things! I and certainly more architectural. Cleaner, uma precisão. É um trabalho em pessoa, uma dessas que já fui
wish there was less. perhaps. I don’t know. There are works that que você pode ver transformações, e esqueci. É um processo de
[laughs] use light without the white pigment – light
mas que por outro lado parece autoconstrução também. Des-
making the white straight on the wall.
sempre o mesmo. cartar e guardar, distinguir o
fernando gerheim  Something else that’s
que é significativo. Guardo
interesting: they’re very random, and yet fernanda gomes  I feel like I’m opening up
luiza mello  Mas eu acho que o tra- muitas coisas, olho para elas
there’s a rigor, a precision, an exactness different directions without having to
balho da Fernanda mudou muito durante anos. A distância no
about them. It’s work in which you can see close any of them. I keep everything at
desde que eu passei a acompa- tempo acentua a distância
transformations, and yet it always seems my disposal and I do a lot of different
the same. things at the same time – a dispersed
nhar. Vejo isso claramente. crítica também.
continuity concentrated in this space
luiza mello  Fernanda’s work has changed cluttered with stuff. I live a continuity fernanda gomes  Também vejo. luiza mello  Lembro que quando

a lot since I first came to know it. I can see of times, in a kind of physical memory conheci a Fernanda, em 2001, na
that clearly. of things. I’ll come across something fernando gerheim  Mas você exposição do Agora, só quiseram
Casa de Cultura
really old and forgotten as if it were new, Laura Alvim, continua fazendo o trabalho com comprar uma peça, mas ela não
fernanda gomes  Me too. and I’m suddenly taken aback: “what’s Rio de Janeiro, 2012 papéis de cigarros, por exemplo. quis vender. Tem determinados

92 93
trabalhos que ela não vende A repetição traz nuances,
porque são geradores de outros diferenças sutis e radicais
trabalhos. Até porque tem uma ao mesmo tempo. Traz a per-
eleição daquilo com o que você cepção simples de que basta
quer conviver e daquilo de que um movimento para que
você se desprende. tudo se transforme.

fernanda gomes  Tento


soltar o luiza mello  Acho que, além
máximo que posso. Algumas da repetição, existe um sistema,
vezes faço obras que penso um procedimento.
serem as primeiras de uma
série, já imaginando muitos fernanda gomes  Gosto
de dei-
prosseguimentos, mas não xar as coisas acontecerem
continuo. Aí prefiro guardar e seguir fazendo sem tentar
esta primeira para desenvol- regular muito. Muitas vezes
ver melhor. Mas outras vezes penso em fazer uma coisa
o fato mesmo de não ter mais e acabo fazendo outra. Tem
that?” It’s as if it had been made by luiza mello  It’s interesting that you think
a obra traz uma urgência de muitas coisas que imagino e
someone else, someone I once was but in series. One can see it in your work. I think
continuar, para poder pensar quero fazer, mas vou adian-
I’ve forgotten about. It’s a process of they’re related through repetition.
olhando. Ou aquela determi- do e, mesmo querendo ver
self-construction, too. Discarding and
nada obra é indispensável em aquilo concretizado, demoro
safeguarding, distinguishing what’s fernanda gomes  Some of them are non-
uma exposição, e deixo ir, o a fazer. E frequentemente
significant. I keep a lot of stuff, looking existent series, or only exist in my head.
at it for years. Distance in time also
que é bom também, porque já acabo fazendo coisas que
And some repetitions I understand
increases critical distance. as being equivalent, part of a bigger
tenho muita coisa. não imaginei, porque elas vão
whole, which can be dispersed because acontecendo.
luiza mello  I remember when I first met they encapsulate a continuous gesture luiza mello  O fato de você pensar

Fernanda in 2001 at the Agora exhibition. in a given period of time – a week or em séries é interessante, dá para luiza mello  Como é seu processo
Someone wanted to buy a piece but she didn’t a year. It’s a matter of quantitative, ver no trabalho, acho que se rela- de criação?
want to sell it. There are certain works she cumulative time. The main cycle is the cionam com a repetição.
won’t sell because they engender other works. day. Morning, afternoon, evening, night. fernanda gomes  Difícil resumir,
Or even because there’s a choice of what you One day after the other. Repetition fernanda gomes  Algumassão estou sempre em certo estado
want to live with and what you want to let go of. brings nuances, subtle differences that séries inexistentes, ou que de atenção, especialmente
are also radical. It makes you realize existem só na imaginação! E quando estou distraída, o que
fernanda gomes  I try to let go as much quite simply that one movement is algumas repetições entendo é frequente. As coisas me
as I can. Sometimes I do works that I enough to change everything.
como equivalentes, partes saltam aos olhos, na rua, em
think will be the first of a series, already
de um todo maior que podem casa, em qualquer lugar. As-
imagining a whole load of ramifications, luiza mello  I think that beyond repetition your
se dispersar porque concen- sim o pensamento vai sendo
but I don’t carry on. In that case I’d work also about system, procedure.
tram um gesto contínuo, em ativado por vários estímu-
rather keep that first one to develop it
um determinado período de los. Gosto da ideia de uma
better. But other times the very fact of fernanda gomes  I like to let things happen
not having the work anymore compels and carry on without trying to control
tempo. Uma semana ou um dispersão positiva, contrária
me to carry on, to be able to think them too much. I often think of doing ano, é uma questão de tempo, à obsessão por concentração
by looking. Or a specific work that’s one thing and end up doing something quantitativo, acumulativo. que nossa cultura valoriza.
Biennale d’Art
indispensable in an exhibition, and else. There are lots of things I think of O ciclo marcante é o dia. Coisas aparentemente sem
Contemporain,
letting it go, which is good, too, because and want to do, but I keep putting them Les Ateliers de Manhã, tarde, noite, madru­ sentido criam fagulhas de
I’ve already got so much stuff. off and even though I want to see them Rennes, 2012 gada. Um dia depois do outro. possibilidades totalmente

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take shape, I’m slow to do them. I often what actually interests me and what
end up doing stuff I never imagined just is just part of a process for getting
because it happens. somewhere significant.

luiza mello  How does your creative luiza mello  The works themselves
process work? generate other works.

fernanda gomes  It’s hard to sum up. I’m fernanda gomes  That’s right. I like to
always in a certain state of attention, have lots of works around me. It’s like
especially when I’m distracted, a materialized thought process. I can
which is often. Things just catch my see them from the outside and start
attention when I’m out, when I’m at imagining different possibilities. Some
home – wherever I am. So my thought of them I work on, others I make note of,
process is always being triggered others I forget.
by different stimuli. I like the idea of
positive dispersion, the opposite of julia pombo  Have you ever found yourself
obsession by concentration, which is choosing to concentrate more on a specific
so valued in our culture. Apparently medium, a particular creative process, or
meaningless things kindle completely specific interests that have overlapped?
unexpected sparks of possibilities
that I go on to develop without fernanda gomes  I’ve chosen to follow
knowing where they’re going. But my natural level of dispersion and I try
there’s always the opposite way not to tame that. What matters most
round, too: things that pop into my is to develop one's vision and critical
imagination without any external thinking, to really see what’s going on
stimuli, when I’m in bed with my over time, without haste. I do whatever
eyes shut. I always have different I feel like doing without planning much.
notebooks – always one in my bag and Sometimes I’ll even do things that
other bigger ones at home, and some seem off the point, but then something
insuspeitas, que vou desen- variados, às vezes contínuos,
that are specific for an exhibition. makes me carry on. I’ve arrived at some
volvendo sem saber onde vai às vezes com interrupções. E
I’ve always been in movement, doing important things that way, things which
at the time seemed ridiculous or even
dar. Mas também há o proce- parte consistente do trabalho
things, since I was a child. I also like
doing things little by little, doing unpleasant. dimento oposto, de coisas que é olhar as coisas, durante
little things that gradually add up aparecem na imaginação, sem muito tempo, em situações
to create more organic structures, fernando gerheim  There’s also the issue of estímulo externo, de olhos e perspectivas diferentes,
the outcome of long and very varied things you discover. A lot of the things in your fechados, na cama. Tenho tanto físicas quanto mentais.
processes, sometimes without a work are used and bear the marks of use. You sempre vários cadernos de Também por isso gosto de
break, sometimes interrupted. A find them with your selective visual perception, anotações, um sempre na bol- trabalhar em casa, para viver
constant in my work is looking with a mixture of random and rigor. sa, outros maiores em casa, olhando as coisas que estou
at things, for a lot of my time, in alguns específicos para uma fazendo. Além de fazer, é fun-
different perspectives and situations, fernanda gomes  It’s the unexpected exposição. Estou sempre em damental olhar muito, para
both physically and mentally. That’s plus imagination. There are
movimento, fazendo coisas, ver e pensar simultaneamente,
why I also like working at home, so possibilities that go beyond my
desde criança. Gosto também e desenvolver o máximo de
I’m always looking at the things I’m imagination, things that never
de fazer as coisas aos poucos, rigor e autoconfiança crítica.
doing. With respect to doing, it’s occurred to me or that I wasn't able
important to be always looking, to to do. I’ve always been attracted
pequenas ações que vão se Saber o que de fato me inte-
see and think simultaneously and to to the idea of using whatever I can somando e criando estruturas ressa e o que é apenas parte
P 96-97
develop as much rigor and critical immediately access. Recovering Alison Jacques Madeira e tinta
mais orgânicas, resultado de um processo para chegar a
self-confidence as possible. Knowing discarded items works on many levels. Gallery, 2013 [WOOD AND PAINT] , 2011 de processos longos e muito algo significativo.

98 99
luiza mello  Os próprios trabalhos fernanda gomes  É o inesperado
geram outros trabalhos. acrescentado à imaginação.
São possibilidades além da
fernanda gomes  Exatamente. minha imaginação, coisas
Gosto de estar com muitos que eu jamais pensaria ou
trabalhos em volta, é uma es- poderia fazer. Sempre me
pécie de pensamento materia- agradou a ideia de utilizar
lizado. Posso ver de fora, de o que tenho a meu alcance
fato. Fico imaginando várias imediato. E resgatar o que
possibilidades, algumas vou foi descartado funciona em
fazendo, outras anotando, vários níveis. Atua também
outras esquecendo. contra o excesso, o des-
perdício, que me incomoda
julia pombo  Emalgum momento demais. É uma maneira de
você se viu escolhendo uma não acrescentar mais coisas
concentração maior em um meio no mundo. Especialmente
específico, algum processo cria- neste momento, em que tudo
tivo em particular, ou interesses parece caminhar para um
específicos que se cruzavam? desastre inevitável, em que
o consumo desenfreado é
fernanda gomes  Escolhi
assumir estimulado como política de
minha dispersão natural, Estado. Prefiro buscar formas
tento não domesticar. O mais de vida mais consequentes,
importante é desenvolver um valorizar cada coisa pelo que
olhar e um pensamento críti- representa de trabalho, de
co, estar aberto para ver de recursos empregados. É eco-
fato o que vai acontecendo, nomia como princípio e práti-
com tempo, com calma. Vou ca. Contrariar o atual sistema
fazendo o que me dá gana de valores. Pensar a ideia de
de fazer, sem planejar muito. valor em várias frequências.
Algumas vezes faço mes-
mo coisas que me parecem julia pombo  Isso é uma subver-
despropositadas, mas algo são, da mesma forma que seguir
me faz continuar. Fiz coisas sua gana de fazer, sem se preo-
importantes assim, que no cupar com categorizações.
momento me pareceram até
ridículas ou desagradáveis. fernando gerheim  Me parece que
o trabalho sempre nega qual-
fernando gerheim  Tem também a quer tipo de imposição. Inclusi-
questão das coisas encontradas. ve, se há algo que parece que
Muitas coisas no seu trabalho já vai tornar possível classificá-lo,
são usadas, e têm as marcas do como, por exemplo, o uso de ma-
uso. Elas foram encontradas por teriais pobres, você usa o ouro.
Papel de cigarro, cola
e fio [CIGARETTE PAPER, um olhar seletivo, num misto de O próprio trabalho dá os desvios
GLUE AND THREAD] , 2014 contingência e rigor. e sai, como se ele tivesse sem-

100 101
It's also a statement against excess fernando gerheim  It seems to me that your pre que surgir, que vir antes, talvez
and waste, things which really bother work always resists any kind of enforcement. antes das palavras.
me. It’s a way of not adding more In fact, if there’s something in it that might
things to the world, especially now make it classifiable like the use of poor
fernanda gomes  Vivemosseques-
when everything seems to be heading materials, for instance, you will go and use
trados pela linguagem verbal.
inexorably towards disaster. Where gold. The work itself makes its own diversions
Há uma sensação de achata-
rampant consumption is encouraged then emerges as if it were intended to,
preceding perhaps even words.
mento, como se tudo tivesse
as state policy. I prefer to find ways
of living that are more meaningful; que se submeter a esquemas
to value every single thing for what fernanda gomes  We’re constantly being predeterminados. A linguagem
it represents in terms of work and hijacked by verbal language. There’s a visual é um alívio! Traz outras
of resources employed. It’s thrift sense of flattening out, as if everything perspectivas, cria outras es-
as a principle and practice, going had to surrender to predetermined truturas de pensamento. Sinto
against the current system of values. formats. Visual language is a relief. It que construímos a vida no
Thinking about the idea of value on brings other perspectives and creates pensamento. Faço estas coisas
different levels. different thought structures. I feel like para pensar melhor. O cerne é
we’ve built our life on thought and I do o pensamento poético, unido à
julia pombo  It’s a kind of subversion, just like these things to think better. Essentially,
emoção, mais livre.
doing whatever pleases you, without worrying it’s poetic thinking combined with
about categories. emotion. It’s more free.

Espaço Agora/
Capacete,
Rio de Janeiro, 2001

P 104-111
Oficina para
Proyectos de Arte
Galeria Luisa Strina, (OPA), Guadalajara,
São Paulo, 2011 2011

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CRONOLOGIA
ORGANIzADA POR FERNANDA GOMES, JULIA POMBO E LUIzA MELLO

1960 1982-83
Nasce em Copacabana, Contratada como responsável pela
no Rio de Janeiro. programação visual do Museu de
Desenha desde muito cedo, Arte Moderna do Rio de Janeiro,
intensificando progressivamente incluindo projetos de sinalização de
interesses e práticas em arte e exposições, impressos e coordena-
artesanatos variados, durante a ção da gráfica.
infância e a adolescência.
1983-84
1977 Recebe bolsa do governo italiano
Realiza algumas tentativas de estu- para seis meses de estágio na área
dos de arte. Desiste depois de três de design em Milão. Visita museus
semanas no curso básico da Escola e exposições. Viaja por mais três
de Artes Visuais do Parque Lage. meses para Alemanha, Amsterdã,
Paris, e Veneza, durante a Bienal.
1978 Após o retorno ao Rio de Janei-
Ingressa na Escola Superior de De- ro, continua trabalhando como
senho Industrial da Universidade do programadora visual autônoma
Estado do Rio de Janeiro (ESDI/UERJ), em diversos projetos de identidade
que conclui em 1981. visual, cartazes, capas de livros,
Trabalha alguns meses como fotó- discos, entre outros.
grafa na Sala Corpo e Som do Museu
de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 1985
Faz os primeiros trabalhos
1981 com linguagem própria: folhas
Estágio no Instituto de Desenho de papel impresso pintadas de
Industrial do Museu de Arte Moder- branco, com palavras coladas,
Ateliê da artista
[ARTIST’S STUDIO] ,
na. Visita a Bienal Internacional recortadas de jornal.
Rio de Janeiro, 2013 de São Paulo.

112
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69
1988 Grande Circunscrito, Galeria Arco,
Realiza a primeira exposição, São Paulo; Rio Hoje, Museu de Arte
na Galeria Macunaíma, Funarte. Moderna do Rio de Janeiro; e 11º
Mostra trabalhos diversos de Salão Nacional de Artes Plásticas,
pequenas dimensões, predominan- Funarte, Rio de Janeiro.
temente brancos, em montagem
bastante esparsa. Na parede do 1990
Galeria do Instituto
fundo, uma linha de papéis de cigar- Realiza exposições individuais na Brasil-Estados Unidos
ros colados movia-se quando Galeria 110 Arte Contemporânea, no (Ibeu) [IBEU GALLERY],
o visitante se aproximava. Rio de Janeiro, e no Centro Cultural Rio de Janeiro, 1993
Participa das coletivas Papel São Paulo. Participa das coletivas
22ª Bienal
no Espaço, Galeria Aktuel, Rio de Projeto Arqueos, Fundição Progres- Participa do Projekt Little Akademie,
outra como um prolongamento da
de São Paulo
Janeiro, e da exposição de apre- so, no Rio de Janeiro e Panorama da [22ND SÃO PAULO
em Düsseldorf, Alemanha, e de exposi- ação no ateliê. Primeiro resultado
sentação do Projeto Macunaíma, Arte Atual Brasileira, Museu de Arte BIENNIAL] , 1994 ções na Galerie 1900/2000, em Paris, e positivo da tentativa, fracassada
Funarte, Rio de Janeiro. Moderna, em São Paulo. Galerie Wanda Reiff, em Amsterdã. anteriormente, de trazer uma condi-
Parque Lage, ção mais imediata e instável para o
Travesseiros e pregos Rio de Janeiro, 1993
1989/90 1991/92 1993 espaço de exposição.
[PILLOWS AND NAILS] ,
Começa a trabalhar com a galerista Participa da coletiva 7 x Ar, no Museu 1989 Museu de Realiza exposições na Galeria do Participa de coletivas no Museu
Luisa Strina, com quem expõe na de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Arte Moderna, Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU) de Arte de Brasília, no Parque Lage, e
feira de Basel. Passa temporada de um ano Ateliê da artista Rio de Janeiro, 1989 e na Galeria do Espaço Cultural Sér- da itinerante Segni d’Arte, no Querini
Participa das mostras coleti- na Europa: Colônia, Berlim, Paris e [ARTIST’S STUDIO] ,
gio Porto, ambas no Rio de Janeiro. Stampalia, em Veneza, na Biblioteca
Rio de Janeiro, 1990 P 116-117
vas A Ordem Desfeita, na Galeria interior da França, vivendo intenso Museu de Duas mostras quase simultâneas e Braidense, em Milão, na Biblioteca
110 Arte Contemporânea, no Rio processo de trabalho e visitas a mu- Fundição Progresso, Arte Moderna, bem diferentes: uma com trabalhos Nazionale, em Firenze, e no Palazzo
de Janeiro; Pequeno Infinito e o seus e galerias. Rio de Janeiro, 1990 Rio de Janeiro, 1991 desenvolvidos no ano anterior, e a Pamphili, em Roma, Itália.

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120 121
na White Columns. Nesta temporada, dar do museu. Este momento é como
viaja também para Berlim, partici- um embrião da individual que seria
pando da mostra Havanna / São realizada em 2012.
Paulo, no Haus der Kulturen der Welt. Participa também das coletivas
O trabalho é contínuo, incorporando Small Scale, na Joseph Helman
os deslocamentos em uma espécie Gallery, Nova York; America Latina 96,
de ateliê portátil, e utilizando os es- no Museo Nacional de Bellas Artes,
paços expositivos como ateliê. Buenos Aires; e Escultura, no Paço
Participa em novembro da 4th Imperial, Rio de Janeiro.
International Istanbul Biennial. A pe-
quena sala saturada de ocorrências 1997
aparenta estar vazia. As obras, no A exposição individual na Chisenhale
limite da invisibilidade, foram feitas Gallery, em Londres, é uma experi-
diretamente na superfície da parede ência importante, com processo de
e tudo se perdeu. Fez pela primeira montagem de longa duração, em um
vez a iluminação do espaço, prática amplo espaço.
que passa a manter e desenvolve Realiza diversas viagens, levando
progressivamente até os dias atuais. materiais e obras para montar in
loco várias exposições, como a
1996 mostra na Galleri Ping Pong, em
Participa da exposição coletiva Trans- Malmö, e as coletivas: Suspen-
parências, no Museu de Arte Moderna ded Instants, Art in General, Nova
do Rio de Janeiro. Realiza um trabalho York; Around Us, Inside Us, Borås
com objetos no chão do segundo an- Konstmuseum, Boras, Suécia; Así

P 118-119
Parque Lage,
Rio de Janeiro, 1993

1994 no Museu de Arte Moderna do Rio


P 120-121
Primeira exposição na Galeria Luisa de Janeiro e na Galerie Hohenthal Museu de
Strina. Montagem unificada de und Bergen, Colônia, Alemanha; A Arte Moderna,
obras autônomas, com caracterís- Espessura do Signo, Karmeliterkloster, Rio de Janeiro, 1996
ticas diversas, tanto de materiais Frankfurt, Alemanha; Livro-Objeto, A
Galeria Luisa Strina,
quanto de processos e pensamento. Fronteira dos Vazios, Centro Cultural Ateliê da artista
São Paulo, 1994
Na parede frontal da galeria, fios de Banco do Brasil, Rio de Janeiro; e Po- [ARTIST’S STUDIO] ,

seda movem-se constantemente. tências do Orgânico, Museu do Açude, Museu do Açude, Rio de Janeiro, 1995
Participa da 22ª Bienal de São Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1994
Chisenhale Gallery,
Paulo. Traz consigo duas caixas Londres [LONDON],
The Swiss Institute,
com obras e materiais e permanece 1995 Nova York [NEW YORK], 1997
trabalhando no local, como conti- Passa cinco meses viajando e tra- 1995
nuidade da prática diária, por quase balhando, principalmente em Nova Galleri Ping Pong,
Malmö, 1997
um mês. Algumas obras foram feitas York, participando das exposições Vidro, água,
fragmento de livro e
diretamente na parede de madeira e Selections Brazil, no The Drawing fita adesiva [GLASS, Ateliê da artista
recortadas na desmontagem. Center; Chocolate!, no The Swiss Ins- WATER, BOOK FRAGMENT, [ARTIST’S STUDIO] ,

Participa das coletivas Diário, titute; e The Education of Five Senses, ADHESIVE TAPE], 1995 Rio de Janeiro, 1997

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1999 2000
Está la Cosa, Centro Cultural Arte contendo ervas aromáticas
Primeira individual na Baumgartner No Fridericianum Museum, Kassel, na
Contemporáneo, Cidade do México; e cilindro de vidro suspenso no
Gallery, Nova York, que publicou um exposição Das Lied von der Erde, o
e Sueños Concretos, Biblioteca Luis espaço, para que se escute, obra
pequeno catálogo para a exposi- núcleo do trabalho é uma mesa, na
Angel Arango, Bogotá, Colômbia. sonora silenciosa.
ção. Dois pratos unidos por fios e qual um papel se move com o vento
Participou também da mostra Viaja ao Japão para realizar uma
Material Immaterial, na Art Gallery sala na exposição Is this Art?, no suspensos do teto, caixinhas com através das janelas abertas, preso
of New South Wales, em Sydney, Toyota Municipal Museum of Art, com diversos conteúdos, papéis colados, por um fio que atravessa a sala em
Austrália. No Brasil, esteve nas itinerância no Kawamura Memo- bolas de pingue-pongue transfor- diagonal. Vários outros elementos
exposições Arte Cidade, Indústrias rial Museum of Art e Art Tower Mito. madas, bilhas, ímãs, obras cinéticas reverberam este movimento.
Matarazzo, São Paulo; e Coleção Projeta uma sala com teto de tecido, e sonoras, algumas a serem ativa- Para a itinerância da exposição
Gilberto Chateaubriand, Museu de com a luz passando através, criando das pelo público. Zeitwenden, no Museum Moderner
Arte Moderna do Rio de Janeiro. uma iluminação perfeitamente difusa, Realiza obra no Kunstmuseum Kunst em Viena, foi construída uma
utilizada posteriormente, entre outras, Bonn, na mostra Zeitwenden, em uma sala de estrutura de madeira, com
1998 na Bienal de São Paulo de 2012. Toyota Municipal ampla sala com iluminação zenital. tecido esticado, atravessado pela luz.
Em exposição na Galeria Luisa Além disso, sua obra integra
Museum of Art, Cobre todo o solo com diversos ele- Todo um conjunto de novas peças foi
P 124-125 Toyota, 1998
Strina, exibe obras de materialida- mostras como Loose Threads, na mentos sobrepostos, lençóis, papéis, realizado utilizando a situação.
Chisenhale Gallery,
de mínima, em metal, fios e outros Serpentine Gallery, em Londres; Londres [LONDON], 1997 Fridericianum colchões, livros, cobertas, travessei- A exposição realizada na ocasião
elementos, e uma escultura sonora Anos 90 Coleção Gilberto Chateau- Museum, Kassel, ros, ervas aromáticas. As pessoas, do IV Premio Scipione, na Galleria
composta de uma pedra que toca briand, Museu de Arte Moderna, Rio P 126-127 2000 sem sapatos, transitavam à vontade Galeotti, Macerata, Itália, também foi
Kunstmuseum Bonn,
um cilindro de ferro, presos por fios. de Janeiro; Der brasilianisch Blick, ou deitavam-se. feita no calor da vivência direta, com a
Bonn, 1999 Baumgartner Gallery,
Estadia de um mês para a 11ª Haus der Kulturen der Welt, Ludwig Nova York [NEW YORK], Participa de Cotidiano/Arte: chegada de mãos vazias, ou quase.
Bienal de Sydney. Intervenções Forum, Berlim; Aachen, Kunstmuseum Indústrias Matarazzo, 1999 Objeto Anos 60/90, no Museu de Arte Auf der Suche nach Identität, apre-
na arquitetura, obras diretamente Heidenheim, Alemanha; e Teoria dos São Paulo, 1997 Moderna do Rio de Janeiro e no Itaú sentada na Ursula Blickle Stiftung,
P 130-131
relacionadas ao espaço, incluindo, Valores, no Museu de Arte Moderna Cultural, São Paulo. Kraichtal, Alemanha, também teve
11ª Bienal de Sydney Baumgartner Gallery,
entre várias outras, dois cubos liga- de São Paulo e na Casa França-Brasil, [11TH SYDNEY BIENNALE] , Nova York [NEW YORK], projeto desenvolvido no local.
dos por um elástico, bolas de tecido Rio de Janeiro. 1998 2001

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2001 facas cinético-sonoras suspensas No Musée d’Art Moderne de la Ville Arte Brasileira, no Itaú Cultural, São
A exposição no Espaço Agora/Ca- do teto, madeiras em construções de de Paris, em Da Adversidade Vivemos, Paulo; e Ideia Coletiva, na Galeria
pacete, no centro Rio de Janeiro, foi equilíbrio, lentes, coisas em várias fre- uma sala teve o chão coberto de pal- Camargo Vilaça, São Paulo.
marcada pela rara proximidade do quências, culminando em uma lâmina Galleria Galeotti, lets de madeira, como estrutura para
ateliê. A facilidade em colocar no mínima encravada na parede. Macerata, 2000 vários elementos – alguns escondi- 2002
carro quaisquer obras e coisas dispo- Project Room, com Luisa Strina, na CAPC Musée d’Art dos –, um cubo de pallets empilhados, Exposição na Galeria Luisa Strina,
Galleria Comunale Contemporain,
níveis na casa-ateliê se transformou feira Art Miami Basel. tinta fresca, pincel e grandes sacos com texto da artista: “Esta exposição
d’Arte Moderna, Bordeaux, 2001
em dificuldade em lidar com uma Participa da mostra Locus Focus, Bolonha [BOLOGNA], de papel com ervas aromáticas. traz à tona a palavra pintura, sem
situação de excessos positivos, e Sonsbeek 9, Arnhem, Holanda. No 2001 Musée d’Art Moderne Auf der Suche nach Identität, na ser exatamente uma exposição
afetivos, que foi longa, lenta e intensa- ano em que as moedas nacionais de la Ville de Paris, Galleria Comunale d’Arte Moderna, de pinturas. É materialização de
Espaço Agora/ 2001
mente depurada. europeias se unificaram no Euro, o Bolonha, também contou com um pensamentos sobre pintura em pleno
Capacete,
Na segunda individual da Bau- valor do orçamento do projeto foi Rio de Janeiro, 2001 Love’s House projeto realizado in loco. processo, deliberadamente instável
mgartner Gallery, em Nova York, a transformado em moedas específi- (com Fernando Participa também das mostras e disperso. Calcado no essencial:
galeria é literalmente utilizada como cas dos onze países, que, unidas por Baumgartner Gallery, Gerheim) [WITH Home, na The Douglas Hyde Gallery, luz, espaço, tempo. Branco, também
estúdio, durante todo o mês de agosto fios, foram penduradas nas árvores, Nova York [NEW YORK], FERNANDO GERHEIM] ,
Dublin, Irlanda; Rupertinum Museum, como lacuna, expansão da parede,
2001 Rio de Janeiro, 2002
e início de setembro. Um andaime foi como isca, para as pessoas pegarem. em Salzburg, Áustria; Côte à Côte, no todas as cores, nenhuma cor.”
montado até o teto, logo na entrada, Incluíram-se também as notas holan- Sonsbeek 9, Galeria Artur Fidalgo, CAPC Musée d’Art Contemporain de A exposição na Galeria Artur Fi-
sob a claraboia. Contou ainda com desas com um girassol. Arnhem, 2001 Rio de Janeiro, 2002 Bordeaux, França; Trajetória da Luz na dalgo, no Rio de Janeiro, brinca com

132 133
134 135
o contexto das lojas de antiguidades qual faz trabalho com moedas de
vizinhas à galeria. Sem letreiro na 1 real escondidas na rua.
fachada, o espaço é cheio de mesas,
que sustentam obras autônomas. 2003
Um longo fio sai do teto até uma Participa da 50ª Bienal de Veneza,
lâmpada no chão. Desenhos são Itália, no Arsenale. Define um espaço
escondidos em gavetas. específico no prédio, interior, porta,
Realiza individual na Adam Art Gal- exterior. Projeção de luz solar com
lery, Wellington, Nova Zelândia. Parti- espelhos em copos com água.
cipa das mostras coletivas: Vivências, Participa também da Fuori Uso 03,
The New Art Gallery Walsall e no Sains- Pescara, Itália; Infantil, A Gentil Cario-
bury Centre for Visual Arts, Reino Uni- ca, Rio de Janeiro; Palavras +, Espaço
do; Shift, Center for Curatorial Studies, Sesc, Rio de Janeiro.
Bard College, Annandale-on-Hudson,
Nova York; Love’s House, Agora, Rio 2004
de Janeiro, com trabalho realizado em Realiza individual no Museu de
colaboração com Fernando Gerheim; Arte da Pampulha, Belo Horizonte,
20 Anos/20 Artistas, Centro Cultural e no Centro Universitário Maria
São Paulo; Recorrências, Coleção Antonia, Universidade de São Paulo;
Gilberto Chateaubriand, Museu de e exibe em uma sala na mostra Non
Arte Moderna do Rio de Janeiro; Morro/ Toccare la Donna Bianca, Fondazio-
Labirinto, Paço Imperial; Paralela, São ne Sandretto Re Rebaudengo, em
Paulo; e Desenhistas e Coloristas, Ga- Torino, Itália.
leria Luisa Strina, São Paulo; Participa ainda das coletivas
Apresenta Interferências Urbanas, Encontros com o Modernismo, Museu
em Santa Teresa, Rio de Janeiro, na de Arte Moderna do Rio de Janeiro;

Fragmentos e Souvenirs Paulistanos, os dias, podemos recuperar com as


vol. I, Galeria Luisa Strina, São Paulo; coisas afeto e memória, encontrar
Visões Espanholas, Poéticas Brasi- perspectivas mais vivas de realida-
leiras, Conjunto Cultural da Caixa, des. Jogo de encaixe aberto a toda
Brasília; Paralela 2004, São Paulo; e conexão que se possa imaginar, a
30 Artistas, Mercedes Viegas Arte participação de quem se interessar é
Contemporânea, Rio de Janeiro. simples e imediata. Favor não tocar.
Silêncio é o acompanhamento ideal”,
2005 escreve a artista.
P 134-135 50ª Bienal de Veneza
Expõe no Museo Patio Herreriano, Nesse ano, também integra as
Rupertinum Museum, [50TH VENICE BIENNALE] ,
Salzburgo [SALZBURG], 2003 Valladolid, Espanha. Na capela de di- coletivas: Desenhos: A-Z, Colecção
2001 mensões monumentais, introduz ele- Madeira Corporate Services, Porta
Galeria Luisa Strina, mentos simples em escala humana. 33, Funchal, Ilha da Madeira; L’Autre
Paço Imperial, São Paulo, 2002 Aproveita a luz solar, com reflexões. Amérique, Art Contemporain du Bresil,
Rio de Janeiro, 2002
Realiza individual na Galeria Luisa Passage de Retz, Paris; Educação,
Museu de Arte
Adam Art Gallery, da Pampulha, Strina, São Paulo. “Na escala da Olha!, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro;
Wellington, 2002 Belo Horizonte, 2004 nossa humilde humanidade de todos Redemergências, Rede Nacional de

136 137
Artes Visuais, Funarte, Rio de Janeiro; sa, Museu de Arte Moderna do Rio No terraço, peças reverberando a Gladstone Gallery, Bruxelas, Bélgica;
e Diálogos, Museu do Piauí, Teresina. de Janeiro; e Sinais na Pista, Museu paisagem em torno, sol e chuva. Panorama da Arte Brasileira 2003,
Imperial, Petrópolis. Na exposição no Matadero, em (Desarrumado) 19 Desarranjos, Mu-
2006 Madri, o trabalho iniciou-se pelo uso seo del Arte Del Banco de la Republica
Realiza exposição no Museu de 2007 da luz. O espaço degradado, com pa- de Bogotá, Colômbia, Museo de Arte
Arte Contemporânea de Serralves, Faz o cenário da peça Molly Bloom. redes negras de fuligem, foi iluminado, Contemporáneo de Vigo, Espanha
no Porto, Portugal. O processo de Participa da coletiva 80/90 Moder- revelando diversas ocorrências. Inú- (2005), MAMAM, Recife (2004), MAM,
montagem é prolongado. Define a nos, Pós-Modernos Etc., no Instituto meros elementos foram adicionados São Paulo e Paço Imperial, Rio de
utilização de duas salas e do jardim, Tomie Ohtake, São Paulo. a estas situações, alguns diminutos, Janeiro (2003); Travessias Cariocas,
utilizando a arquitetura original do como dois cubos de açúcar. E carvão, Centro Cultural da Caixa, Rio de
museu, sem alterações. 2008 giz, fios traçando desenhos, linhas de Janeiro; N Múltiplos, Arte 21, Rio de
Inclui uma publicação com fotos Realiza três mostras individuais, pintura branca até grandes placas de Janeiro; e Intimidades, Marilia Razuk
de Pat Kilgore e da artista e textos na Galerie Grita Insam, em Viena, acrílico que refletiam o espaço. Galeria de Arte, São Paulo.
do curador e diretor do museu, João Áustria, na Galeria Luisa Strina, em Elabora também uma pequena
Fernandes, de Paulo Venancio Filho e São Paulo, e no Matadero Madrid, publicação, fazendo fotografia, texto 2009
Fernando Gerheim. na Espanha. e design. Este envolvimento com as Na Galeria Graça Brandão, em Lisboa,
Nesse ano, faz também uma Na Galeria Luisa Strina, a expo- peças gráficas acontece sempre pintura e escultura foram tratadas em
individual na Baumgartner Gallery, sição usa todo o espaço, incluindo Galeria Luisa Strina, que possível. seus elementos mais primários: tela e
Museo Patio São Paulo, 2008
Nova York. E participa das mostras o terraço. Na primeira sala, exibe Em Faro, Portugal, na fábrica da base. Na sala principal, um conjunto
Herreriano,
coletivas: Shift, Galerie Grita Insam, quatro pinturas; a segunda tam- Valladolid, 2005 fábrica da Cerveja, Cerveja, na exposição Articulações, o de telas e elementos de pintura, obras
Wien, Áustria; Contrabando, Galeria bém trata de questões de pintura, Faro, 2008 chão da grande sala recebeu terra e autônomas configurando um sistema
Luisa Strina, São Paulo; Paralela 2006, em elementos desarticulados. No Galeria Luisa Strina, areia em cores variadas, e elementos totalmente integrado no espaço. No
São Paulo; Arquivo Geral, Centro de segundo andar, pinturas esculturais, São Paulo, 2005 Galerie Grita Insam, simples que se fundiam com a arqui- piso inferior, que também se via de
Viena [VIENNA], 2008
Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro; trabalhos precursores daqueles que tetura do prédio abandonado. cima, havia um conjunto de bases.
Museu de Arte
Manobras Radicais, Centro Cultural serão expostos pela primeira vez na Contemporânea de Matadero, Madri Seu trabalho integrou também as Na 401contemporary, em Berlim,
Banco do Brasil, São Paulo; Juan Bros- mesma galeria em 2011. Serralves, Porto, 2006 [MADRID] , 2008 coletivas: No Information Available, os mesmos princípios criaram uma

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situação diferente, além de uma um pequeno bosque fora dos jardins um texto manuscrito na revista belga Paralela 2010, São Paulo; Sempre à
obra feita para a parede de vidro na formais, onde fios trançados entre Gagarin – The Artists in their Own Vista (Miragem), Mendes Wood, São
entrada da galeria, criando ritmos as árvores e outros elementos criam Words, posteriormente exposta no Paulo; Zeichnung Wien, Galerie Grita
translúcidos e bloqueando a visão. um ambiente em que se pode estar SMAK (Stedelijk Museum voor Actuele Insam, Viena, Áustria.
Para a exposição Slow Movement longamente, e também deitar sobre a Kunst), em Gent, Bélgica.
Oder: Das Halbe und das Ganze, faz trama, contemplando a vegetação. 2011
uma sala com obras feitas apenas Também participou das mos- 2010 Para exposição da Galeria Luisa
Galeria Artur Fidalgo,
utilizando objetos que se encon- tras Linie, 401contemporary, Berlim, Rio de Janeiro, 2010 Realiza individual na Galeria Artur Fi- Strina, a artista escreve: “Pintura,
travam no depósito da Kunsthalle Alemanha; Italics: Italian Art between dalgo, Rio de Janeiro, na qual explora escultura, arquitetura. Tradição de
Bern. Emprega o mínimo de esforço Tradition and Revolution, Museum 401contemporary, Museu de os elementos essenciais da pintura. rupturas. O pensamento é plástico.
Berlim [BERLIN], 2009 Arte Moderna,
material, sem qualquer custo, com- of Contemporary Art, Chicago, EUA; Participa das coletivas: In Which Planos de reflexão, com múltiplos
Rio de Janeiro, 2011
pensado por um investimento mental Collecting History: Highlighting Parque do [PARK the Wind is also a Protagonist, La sentidos. Tantas questões no cerne
que inclui todos os procedimentos de Recent Acquisitions, Museum of OF] Museu de Arte Liceu de Artes e Générale, Sèvres, France; El Gabinete desta investigação, luz!, cor: branco.
realização da obra. Contemporary Art, Los Angeles, EUA; Contemporânea de Ofícios, Paralela, Blanco, Fundación Colección Jumex, Linha, plano, volume, espaço. Sim-
Desenvolve durante um ano Elements of Photography, Museum of Serralves, Porto, 2009 São Paulo, 2010 Cidade do México; Still Vast Reserves, ples. Ativar os sentidos. Descola-
uma grande escultura no parque de Contemporary Art, Los Angeles, EUA; Gertrude Contemporary Art Spaces, mentos, deslocamentos, também na
Galeria Graça P 142-143
Serralves, em quatro etapas corres- Private Universes, Dallas Museum of Brandão, Lisboa Kunsthalle Bern, Melbourne, Austrália; De Frente al Sol, imaginação. Pintura e escultura arti-
pondentes às estações. Foi escolhido Art, Dallas, EUA. Além disso, publica [LISBON] , 2009 Bern, 2009 Galerie Martin Janda, Viena, Áustria; culam um espaço total, e autonomia.

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Perspectivas reveladas no movimento espaço contíguo à sala expositiva, telas, objetos variados e livros. Para Além disso, participou de The
do observador. Incluir a paisagem do vedado ao público, é usado como a exposição na Galerie Emmanuel Charm of Quasi-Parallel Lines,
mundo. Jogar livremente com as coi- ateliê durante a montagem e todo o Hervé, em Paris, feita imediatamen- Rhona Hoffman Gallery, Chicago,
sas, porque afinal são coisas. Deixar período de exposição. te depois, tudo também é produzido EUA; Champ d’Expériences, Centre
de lado o verbo, com rigor e emoção.” Participou da mostra From page no local. A Biennale d’Art Contem- International d’Art et du Paysage Île
A exposição na OPA (Oficina to space no Weserburg Museum, porain, Les Ateliers de Rennes, com- de Vassivière, França; From Page to
para Proyectos de Arte) é realizada em Bremen, Alemanha e no Museu pleta a sequência, em tom análogo. Space, no Leopold-Hoesch-Museum,
em um espaço no 23º andar de um Serralves, em Porto, Portugal. A participação na 30ª Bienal de em Düren, Alemanha, na Galerija Mur-
prédio comercial no centro de Gua- São Paulo é um momento especial. ska Sobota, Eslovênia; E os Amigos
dalajara, com vista de 360 graus e 2012 Inicia-se pelo projeto do espaço, utili- Sinceros Também, Instituto Brasil-
um terraço. Todos os trabalhos são Na Galeria Casa de Cultura Laura zando a situação de uma arquitetura -Estados Unidos, Rio de Janeiro; e
produzidos no espaço expositivo, Alvim, no Rio de Janeiro, utiliza provisória inserida em um prédio Performances da Abstração, Luciana
com materiais adquiridos e encon- mais uma vez a galeria como pro- histórico, com diversas situações de Brito Galeria, São Paulo.
trados na cidade. longamento do ateliê, acrescen- luz. Há a luz perfeitamente difusa de
Realiza exposição no Centro tando a varanda como oficina, no uma sala com neutralidade máxima 2013
Cultural São Paulo, com algumas período da montagem e durante de quatro paredes e teto de tecido. Há Para a primeira exposição na Alison
obras antigas, articuladas com a exposição. Procura expandir as Galerie Emmanuel o espaço da arquitetura da exposição, Jacques Gallery, em Londres, leva
intensa intervenção arquitetônica, atividades com uma apresentação Hervé, Paris, 2012 painéis e luz razoavelmente neutra, e obras prontas, materiais e obras em
iluminação desigual, projeções e sonora com Daniel Perlin e Marcos espaços marginais, com luz natural e processo para três semanas de inten-
30ª Bienal de São
obras feitas com luz, e várias obras Chaves, e outro evento com Jarbas luz solar direta. E uma obra de luz so- so trabalho na galeria.
Paulo [30TH SÃO PAULO
feitas no local. Lopes, na praia. BIENNIAL] , 2012
bre tela, em que a projeção quadrada Individual no Centre International
No Museu de Arte Moderna do Rio Na individual no Pavilhão Branco Madeira, tinta e fio idêntica à tela é deslocada, criando de l’Art et du Paysage, em Vassivière,
de Janeiro, a mostra ocupa todo o do Museu da Cidade, em Lisboa, o [WOOD, PAINT, AND Casa de Cultura uma espécie de díptico. São obras França, transformando a arquitetura do
espaço de 1.800 m2 da sala principal jardim se incluía visualmente no es- THREAD] , 2012 Laura Alvim, em variadas frequências e materiais, museu com placas de madeira, vedan-
Rio de Janeiro, 2012
do segundo andar. Praticamente paço envidraçado, contando ainda P 146-147
algumas aproveitadas do descarte do passagens e vistas, ligando outros
todo o conteúdo da casa-ateliê com quatro salas com frequências Centro Cultural Museu da Cidade, da construção da exposição, todas espaços, transformando o sistema de
foi transferido para o museu. Um diversas, esculturas em madeira, São Paulo, 2011 Lisboa [LISBON], 2012 realizadas no local. iluminação em esculturas provisórias.

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Centre International
d’Art et du Paysage,
Vassivière, 2013

13ª Bienal de Istambul


[13TH ISTANBUL BIENNIAL] ,
2013

Alison Jacques
Gallery, 2013

Participa das mostras: 13ª Bienal 2014


de Istambul, Turquia; Imagine Brazil, Na individual da Galeria Luisa Stri-
no Astrup Fearnley Museum, em Oslo, na, São Paulo, o espaço é dividido
Noruega; e no Musée d’Art Contem- em quatro salas, tratando espe-
porain de Lyon, França; Concrete cialmente de luz, desde a luz geral
Remains: Postwar and Contemporary do espaço até peças específicas
Art from Brazil, Cristine Tierney Gal- usando luz. Desenvolve outros pro-
lery, Nova York, EUA; e The Earth Turns jetos de luz sobre tela, iniciados na
and All Things Slip Away, Hunt Kastner, Bienal de São Paulo de 2012.
Praga, República Tcheca. Duas obras da coleção do Centre
Pompidou são expostas em Une His-
toire, Art, Architecture et Design, des
Années 80 à Aujourd’hui, até 2016.
Participa também da exposição
Crossroads: Contemporary Art in
Brazil, Wexner Center for the Arts,
Columbus, EUA.

Ateliê da artista
[ARTIST’S STUDIO] ,
Rio de Janeiro, 2014

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Chronology

1960 takes a three-month trip to Germany, 1990 1994


Fernanda Gomes is born in the Amsterdam, Paris, and Venice during She holds solo exhibitions at Galeria She holds her debut exhibition at
Copacabana district of Rio de Janeiro. the biennale. Upon her return to 110 Arte Contemporânea, Rio de Galeria Luisa Strina. It brings together
She starts drawing at an Rio she sets up as a self-employed Janeiro, and Centro Cultural São autonomous works made of different
early age and gradually deepens graphic designer, producing a variet y Paulo. Her work is also included in materials and resulting from diverse
her interest in different arts and of designs for visual identit y, posters, Projeto Arqueos (Archeus Project) at thought and creative processes.
crafts throughout her youth. book covers, record covers, etc. Fundição Progresso, Rio de Janeiro, On the front wall of the galler y, silk
and Panorama da Arte Atual Brasileira threads sway in constant motion.
1977 1985 (Panorama of Current Bra zilian Art) at Fernanda Gomes takes part in
She makes some attempts to study She does her first work using her own Museu de Arte Moderna in São Paulo. the 22nd São Paulo Biennial. She
art. She gives up after three weeks language: printed sheets of paper takes along two boxes of works and
of the foundation course at Escola painted white with words cut out 1991-92 materials and works at the venue
de Artes Visuais do Parque Lage. from newspapers stuck onto them. She takes part in 7 x Ar (7 x Air), a site for almost a month, making it an
group exhibition at Museu de Arte extension of her studio. She produces
1978 1988 Moderna do Rio de Janeiro. some of the works directly on the
Gomes joins the industrial design She holds her first exhibition at Galeria She spends some time in Europe: wooden wall, which are then cut out
school of the State Universit y of Rio de Macunaíma, Funarte. It contains a Cologne, Berlin, Paris, and other parts when the exhibition is dismantled.
Janeiro, earning her degree in 1981. variet y of small works, mostly white, of France, developing her work process Her work is included in Diário
She spends a few months spread sparsely around the exhibition and visiting museums and galleries. (Daily) at Museu de Arte Moderna do
working as a photographer at the space. On the back wall is a line of She takes part in Projekt Little Rio de Janeiro and Galerie Hohenthal
Body and Sound Room of Museu de pasted-together cigarette papers that Akademie in Düsseldorf, Germany, and in und Bergen, Cologne, Germany; A
Arte Moderna do Rio de Janeiro. sways whenever a visitor draws near. exhibitions at Galerie 1900/2000 (Paris) Espessura do Signo (The Thickness of
Her work is included in two group and Galerie Wanda Reiff (Amsterdam). the Sign) at Karmeliterkloster, Frankfurt,
1981 exhibitions: Papel no Espaço (Paper in Germany; Livro-Objeto, A Fronteira
She does an internship at the Institute Space) at Galeria Aktuel, Rio de Janeiro, 1993 dos Vazios (Book-Object, the boundary
of Industrial Design of Museu de and the Macunaíma project presentation She holds exhibitions at the Instituto of voids) at Centro Cultural Banco do
Arte Moderna do Rio de Janeiro. exhibition at Funarte, Rio de Janeiro. Brasil-Estados Unidos (IBEU) gallery and Brasil, Rio de Janeiro; and Potências
She visits the São Paulo Espaço Cultural Sérgio Porto, both in do Orgânico (Potencies of the Organic)
International Biennial. 1989-90 Rio de Janeiro. They run almost parallel at Museu do Açude, Rio de Janeiro.
Gomes starts working with galler y to one another, but are quite different:
1982-83 owner, Luisa Strina, with whom one shows works from the previous year, 1995
Gomes is hired by Museu de Arte she exhibits at Art Basel. while the other is like an extension of her She spends five months travelling and
Moderna do Rio de Janeiro to take She takes part in group shows: activities in the studio. It is the first positive working abroad, mainly in New York,
charge of their graphic design, A Ordem Desfeita (Order Undone) result of the previously frustrated attempt where she takes part in Selections Bra zil
including the design of signage at Galeria 110 Arte Contemporânea, to bring a more immediate, unstable at The Drawing Center, Chocolate! at
for exhibitions, printed matter, and Rio de Janeiro; Pequeno Infinito e o condition into the exhibition space. The Swiss Institute, and The Education
coordinating the printing works. Grande Circunscrito (Small Infinite She takes part in group shows at of Five Senses at White Columns. She
and Large Circumscribed) at Galeria Museu de Arte de Brasília, EAV Parque also travels to Berlin, and participates
1983-84 Arco, São Paulo; Rio Hoje (Rio Today) Lage, and a touring exhibition, Segni in Havanna / São Paulo at Haus der
She receives a grant from the Italian at Museu de Arte Moderna do Rio de d’Arte, at Querini Stampalia in Venice, Kulturen der Welt. She works in flux,
government to spend six months as an Janeiro; and the 11th National Salon the Braidense National Library in Milan, incorporating her movements in a
intern in the design area in Milan. She of Art at Funarte, Rio de Janeiro. the National Library in Florence, and kind of portable studio, and using
visits museums and exhibitions, and Palazzo Pamphili in Rome, Italy. the exhibition spaces as studios.

150 151
In November, her work is included Matarazzo, São Paulo and the Gilberto together by threads and suspended 2001
at the 4th International Istanbul Chateaubriand Collection at Museu from the ceiling, small boxes with Her exhibition at Espaço Agora/
Biennial. The small room saturated with de Arte Moderna do Rio de Janeiro. different contents, colored papers, Capacete in downtown Rio de Janeiro
occurrences seems to be empty. The transformed table tennis balls, flasks, is marked by the rare proximit y of
works, at the threshold of invisibility, are 1998 magnets, and kinetic and sound the studio. The ease with which she
produced directly on the wall’s surface At Galeria Luisa Strina, she exhibits works, some activated by the public. can transport whatever objects and
and are lost when the exhibition ends. works made from a minimum of She devises a work for Kunstmuseum works she wants from her home/studio
She takes charge of the lighting for the materials – metal, threads, and other Bonn as part of the Zeitwenden becomes a problem in that she has
first time, something she continues elements – and a sound sculpture exhibition in a large room with overhead to sift through an excess of positive
to develop to this present day. composed of a stone that plays an lighting. She covers the whole floor and affective elements in a long, slow,
iron cylinder hung by threads. with different overlapping elements: intense process of refinement.
1996 She spends a month in Australia sheets, papers, mattresses, books, quilts, In her second solo show at
Gomes takes part in Transparências for the 11th Biennale of Sydney. She pillows, herbs. The visitors are free to Baumgartner Gallery, New York, she
(Transparencies) at Museu de Arte makes interventions in the architecture walk around barefoot or to lie down. literally uses the gallery as her studio
Moderna do Rio de Janeiro, producing with works directly interacting with the Her work is included in Cotidiano/ throughout August and into September.
a work with objects on the floor of the space, including two cubes linked by Arte: Objeto Anos 60/90 (Daily Life/ A scaffold is built that reaches up to the
museum’s second stor y. This proves to an elastic band, balls of fabric con- Art: Object 60s/90s) at Museu de ceiling at the entrance under the skylight.
be the kernel of a solo show held in 2012. taining herbs, and a silent sound work Arte Moderna do Rio de Janeiro There are sound/kinetic knives suspended
She also participates in Small Scale comprising a glass cylinder suspended and Itaú Cultural, São Paulo. from the ceiling, pieces of wood forming
at the Joseph Helman Gallery, New in space for visitors to listen to. teetering constructions, lenses, things
York, America Latina 96 (Latin America She goes to Japan to occupy a 2000 in various frequencies, culminating
96) at Museo Nacional de Bellas Artes, room at Is this Art?, an exhibition at At the Fridericianum, Kassel, for the in a tiny blade dug into the wall.
Buenos Aires, and Escultura (Sculpture) the Toyota Municipal Museum of Art, exhibition, Das Lied von der Erde (The She produces Project Room with
at Paço Imperial, Rio de Janeiro. which also tours to the Kawamura Song of the Earth), the central ele- Luisa Strina for Art Basel in Miami.
Memorial Museum of Art and Art Tower ment of her work is a table on which She takes part in Locus Focus,
1997 Mito. She designs a ceiling of fabric for a paper moves as the wind blows Sonsbeek 9, Arnhem, Netherlands. In
A solo show at London’s Chisenhale the room, through which light shines, through the open windows. It is at- the year in which Europe’s national
Galler y is an important experience, creating perfectly diffuse lighting, an tached by a thread that crosses the currencies are unified under the Euro,
involving installing the works over a effect she replicates at the 2012 São room diagonally. Several other ele- she transforms the value of the project’s
long period of time in the expansive Paulo Biennial and other exhibitions. ments also reflect this movement. budget into the 11 countries’ specific
exhibition space. Her work also appears in Loose For the touring version of the Zeiten- currencies, which, united by threads,
She makes several trips abroad, taking Threads at the Serpentine Gallery in wende exhibition at Museum Moderner are hung from trees like bait for people
works and materials with her to produce her London; Anos 90 Coleção Gilberto Kunst in Vienna, a room is built out of a to catch. They also include Dutch
exhibitions in situ. These include a solo show Chateaubriand (1990s Gilberto wooden structure with fabric stretched banknotes arranged with a sunflower.
at Galleri Ping-Pong in Malmö, Sweden, and Chateaubriand Collection) at Museu over it for the lights to pass through. At Musée d’Art Moderne de la Ville
group exhibitions Suspended Instants, at de Arte Moderna, Rio de Janeiro; Der Gomes makes all the new pieces in de Paris, in Da Adversidade Vivemos (Of
Art in General, New York; Around Us, Inside brasilianische Blick at Haus der Kulturen response to the exhibition space. Adversity We Live), she covers the floor
Us, at Boras Konstmuseum, Boras, Sweden; der Welt, Berlin; Aachen at Kunstmuseum The exhibition held for the 4th with wooden pallets to form the base
Así Está la Cosa (This is the Thing) at Centro Heidenheim, Germany; and Teoria dos Scipione Prize at Galleria Galeotti, for different elements – a cube made
Cultural Arte Contemporáneo, Mexico City, Valores (Theory of Values) at Museu Macerata, Italy, also emerges from di- of piled-up pallets, fresh paint, a brush,
Mexico; and Sueños Concretos (Concrete de Arte Moderna de São Paulo and rect experience of the space, which the and large paper bags containing herbs.
Dreams) at Biblioteca Luis Angel Arango, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro. artist comes to almost empty-handed. For Auf der Suche nach
Bogota, Colombia. Her work for the group exhibition, Auf Identität at Galleria Comunale d’Arte
She is also part of Material 1999 der Suche nach Identität (In Search of Moderna, Bologna, Gomes also
Immaterial, a collective show at the Art She holds her first solo show at Identity), at Ursula Blickle Stiftung, Krai- produces an installation in situ.
Gallery of New South Wales, Sydney, New York’s Baumgartner Galler y, chtal, Germany, is also designed in situ. She takes part in the following
Australia. In Brazil, her work is included which is accompanied by a small group exhibitions: Home at the Douglas
in Arte Cidade (Art City) at Indústrias catalogue. It includes t wo plates held Hyde Gallery, Dublin, Ireland; an

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exhibition at the Rupertinum, in Salzburg, e Coloristas (Sketchers and Colorists) simple elements of a human (Radical Manouevres) at Centro Cultural
Austria; Côte à Côte (Coast to Coast) at Galeria Luisa Strina, São Paulo; scale. She takes advantage of Banco do Brasil, São Paulo; Juan Brossa,
at CAPC Musée d’Art Contemporain de She presents Interferências Urbanas the sunlight using reflections. at Museu de Arte Moderna do Rio de
Bordeaux, France; Trajetória da Luz na (Urban Intrusions) in the Santa Teresa In the text for a solo show at Galeria Janeiro; and Sinais na Pista (Signs on
Arte Brasileira (Trajectory of Light in district of Rio de Janeiro, involving Luisa Strina, São Paulo, she writes, “In the Track) at Museu Imperial, Petrópolis.
Brazilian Art) at Itaú Cultural, São Paulo; one-real coins hidden in the street. the scale of our everyday humble
and Ideia Coletiva (Collective Idea) at humanity, we can recover affection and 2007
Galeria Camargo Vilaça, São Paulo. 2003 memory with things, find more vivid She designs the set for the
Fernanda Gomes takes part in the perspectives of realities. A jigsaw open play, Molly Bloom.
2002 50th Venice Biennale at the Arsenale. to every connection imaginable, it is She takes part in 80/90
She holds an exhibition at Galeria She defines a specific space involving simple and straightforward for anyone Modernos, Pós-Modernos Etc. (80/90
Luisa Strina, for which she also writes the inside and outside the building to take part. Please do not touch. Modernists, Post-Modernists, etc.) at
a text: “This exhibition brings to light and the door: a projection of sunlight Silence is the ideal accompaniment.” Instituto Tomie Ohtake, São Paulo.
the word painting, without exactly using mirrors in water-filled glasses. She also exhibits in the following
being an exhibition of paintings. It is She also takes part in Fuori group shows: Desenhos: A-Z (Drawings: 2008
the materialization of thoughts about Uso 03, in Pescara, Italy; Infantil A-Z) at the Madeira Corporate Services Fernanda Gomes holds three solo
painting in mid process, deliberately (Childlike) at A Gentil Carioca, Rio Collection, Porta 33, Funchal, Madeira; shows: at Galerie Grita Insam, Vienna,
unstable and dispersed. Rooted de Janeiro; and Palavras + (Words+) L’Autre Amérique, Art Contemporain Austria, at Galeria Luisa Strina, São
in the essential: light, space, time. at Espaço Sesc, Rio de Janeiro. du Bresil, at Passage de Retz, Paris; Paulo, and at Matadero Madrid, Spain.
White, also as a gap, an expansion Educação, Olha! (Education, Look!) The exhibition at Galeria Luisa
of the wall, all the colors, no color.” 2004 at A Gentil Carioca, Rio de Janeiro; Strina uses the whole space, including
Her exhibition at Galeria Artur She holds solo exhibitions at Museu Redemergências (Redemergencies) the terrace. The first room contains
Fidalgo, Rio de Janeiro, plays on the fact de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, at Rede Nacional de Artes Visuais, four paintings, and the second also
that the gallery is in an area known for and at Centro Universitário Maria Funarte, Rio de Janeiro; and Diálogos addresses issues of painting using
its bric-a-brac shops. With no sign on Antonia, Universit y of São Paulo, and (Dialogues) at Museu do Piauí, Teresina. disconnected objects. On the second
its facade, the space is full of tables that occupies a room in the exhibition, floor are sculptural paintings, precursors
support autonomous works. A long thread Non Toccare la Donna Bianca (Don’t 2006 of future works to be exhibited for the
reaches from the ceiling to a lightbulb on Touch the White Lady), at Fonda zione She holds an exhibition at Museu de first time at the same gallery in 2011. On
the floor. Drawings are hidden in drawers. Sandretto Re Rebaudengo in Turin, Italy. Arte Contemporânea de Serralves the terrace, the pieces respond to the
She holds a solo show at the She also takes part in group in Porto, Portugal. The installation surrounding landscape and the elements.
Adam Art Gallery in Wellington, New shows: Encontros com o Modernismo process is prolonged. She decides to In the exhibition at Matadero, the
Zealand, and takes part in several group (Encounters with Modernism) at Museu use t wo rooms and the garden, taking work begins with the use of light. The
exhibitions: Vivências (Experiences), de Arte Moderna do Rio de Janeiro; advantage of the museum’s architecture run-down space with black walls of soot
at The New Art Gallery Walsall and the Fragmentos e Souvenirs Paulistanos, vol. without alterations. There is an is lit to reveal different occurrences.
Sainsbury Centre for Visual Arts, UK; I (São Paulo Fragments and Souvenirs, accompanying publication with photos Numerous elements are added to these
Shift, at the Center for Curatorial Studies, vol. 1) at Galeria Luisa Strina, São by Pat Kilgore and the artist, and texts situations, some as tiny as two sugar
Bard College, Annandale-on-Hudson, Paulo; Visões Espanholas, Poéticas by the curator and museum director, cubes. There are pieces of charcoal,
New York; Love’s House, Agora, Rio de Brasileiras (Spanish Visions, Brazilian João Fernandes, as well as Paulo chalk, threads tracing designs, lines
Janeiro, with a work in collaboration with Poetics) at Conjunto Cultural da Venancio Filho and Fernando Gerheim. of white paint, and large sheets of
Fernando Gerheim; 20 Anos/20 Artistas Caixa, Brasília; Paralela 2004 (Parallel She also holds a solo exhibition acrylic that reflect the space.
(20 Years/20 Artists) at Centro Cultural 2004) in São Paulo; and 30 Artistas at the Baumgartner Gallery, New York, She also produces a small
São Paulo; Recorrências, Coleção (30 Artists) at Mercedes Viegas Arte and takes part in: Shift, at Galerie Grita publication with photographs, texts,
Gilberto Chateaubriand (Recurrences, Contemporânea, Rio de Janeiro. Insam, Vienna, Austria; Contrabando and design of her own authorship.
Gilberto Chateaubriand Collection) (Contraband), at Galeria Luisa Strina, Being involved in the printed matter
at Museu de Arte Moderna do Rio de 2005 São Paulo; Paralela 2006 (Parallel 2006) is something she makes a point
Janeiro; Morro/Labirinto (Hill/Labyrinth) Her work is exhibited at Museo Patio in São Paulo; Arquivo Geral (General of doing whenever possible.
at Paço Imperial, Rio de Janeiro; Paralela Herreriano, Valladolid, Spain. In Archive) at Centro de Arte Hélio Oiticica, In Faro, Portugal, at Fabrica da
(Parallel), in São Paulo; and Desenhistas this ample space, she introduces Rio de Janeiro; Manobras Radicais Cerveja, in Articulações (Articulations),

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the floor of the large room is covered stages corresponding to the four seasons. sculpture, architecture. Tradition of runs. She seeks to expand her activities
with different colored sand and earth A small wooded area outside the formal ruptures. Thinking is plastic. Planes with a sound presentation by Daniel
and simple elements that blend with the gardens is chosen for it, where threads of reflection with multiple meanings. Perlin and Marcos Chaves, and an
architecture of the disused building. woven between the trunks and other So many questions at the heart of this event on the beach with Jarbas Lopes.
She takes part in group exhibitions: elements create an environment that investigation, light!, color: white. Line, For a solo show at the Pavilhão Branco,
No Information Available, at the invites the unhurried contemplation of plane, volume, space. Simple. Activate Museu da Cidade, Lisbon, the garden is
Gladstone Gallery, Brussels, Belgium; the plant life, as well as the possibility the senses. Release, movement, also included visually in the glass-enclosed
Panorama da Arte Brasileira 2003 of lying on the interwoven threads. in the imagination. Painting and space, and four rooms are prepared
(Desarrumado) 19 Desarranjos Gomes takes part in Linie at sculpture articulate a total space and with different frequencies, sculptures
(Panorama of Brazilian Art 2003 401contemporary, Berlin, Germany; autonomy. Perspectives revealed in the made of wood, canvases, and different
[Disarranged] 19 Disarrangements), at Italics: Italian Art between Tradition movement of the observer. Including objects and books. For an exhibition at
Museo del Arte Del Banco de la Republica and Revolution at the Museum of the landscape of the world. Freely Galerie Emmanuel Hervé, Paris, shortly
in Bogota, Colombia, Museo de Arte Contemporary Art, Chicago, USA; play with things, because they are, afterwards, everything is also done in
Contemporáneo de Vigo, Spain (2005), Collecting History: Highlighting after all, things. Leave the word to situ. The Biennale d’Art Contemporain,
MAMAM, Recife (2004), MAM, São Paulo, Recent Acquisitions at the Museum one side, strongly and resolutely.” Les Ateliers de Rennes is the third in
and Paço Imperial, Rio de Janeiro (2003); of Contemporary Art, Los Angeles, Gomes holds an exhibition at Oficina this sequence of related exhibitions.
Travessias Cariocas (Rio Crossings), at USA; Elements of Photography at the para Proyectos de Arte, Guadalajara, Fernanda Gomes’s involvement in
Centro Cultural da Caixa, Rio de Janeiro; Museum of Contemporary Art, Los Mexico, in a space on the 23rd floor the 30th São Paulo Biennial represents a
N Múltiplos (N Multiples), at Arte 21, Rio de Angeles, USA; and Private Universes of an office block in the center of the highpoint. She begins by designing the
Janeiro; and Intimidades (Intimacies), at at the Dallas Museum of Art, Dallas, city with a 360-degree view and a space, inserting a provisional architecture
Marilia Razuk Galeria de Arte, São Paulo. USA. She also publishes an article in terrace. She produces all the works inside a historic building with a variety of
Belgian magazine, Gagarin, the Artists in the space itself using materials lighting effects. There is perfectly diffuse
2009 in their Own Words, which is later acquired and encountered in the city. light in one room with maximum neutrality
At Lisbon’s Galeria Graça Brandão, exhibited at SMAK (Stedelijk Museum For an exhibition at Centro Cultural on the four walls and the ceiling covered in
Gomes treats painting and sculpture voor Actuele Kunst), in Ghent, Belgium. São Paulo, she articulates some old works fabric. There is the space of the exhibition
in their most primal elements: canvas with intense architectural interventions, architecture, with panels and reasonably
and base. In the main room are a set 2010 asymmetrical lighting, projections neutral lighting, and marginal spaces with
of canvases and painting elements, She holds a solo show at Galeria Ar tur and works made with light, as well as natural light and direct sunlight. And a
autonomous works forming a system that Fidalgo, Rio de Janeiro, in which she a number of works made in situ. work in light on canvas, on which a square
completely integrates with the space. explores the essential elements of At Museu de Arte Moderna do Rio de projection identical to the canvas is moved
On the lower floor, which can also be painting, and takes par t in a number Janeiro, her exhibition occupies the whole around, creating a kind of diptych. These
seen from above, is a set of bases. of group shows: In Which the Wind 1,800 m2 of the main exhibition area on works employ a variety of frequencies
At 401contemporary in Berlin, the is also a Protagonist, at La Générale, the second floor. Almost everything from and materials, some reusing materials
same principles are used to create Sèvres, France; El Gabinete Blanco (The her house/studio is transferred to the thrown out during the installation of the
different circumstances, as well as a White Room), at Fundación Colección museum. A space adjoining the exhibition exhibition. All are produced in situ.
work made for the glass wall at the Jumex, Mexico Cit y, Mexico; Still Vast room, out of bounds to the public, is Gomes also takes part in: The Charm
gallery’s entrance, creating translucent Reser ves, at Ger trude Contemporar y used as a studio during the installation of Quasi-Parallel Lines at the Rhona
rhythms and blocking the view. Ar t Spaces, Melbourne, Australia; De period and throughout the exhibition. Hoffman Gallery, Chicago, USA; Champ
For Slow Movement Oder: Das Halbe Frente al Sol (Facing the Sun), at Galerie Takes part in From Page to Space at d’Expériences at Centre International d’Art
und das Ganze (Slow Movement or: Half Mar tin Janda, Vienna, Austria; Paralela the Weserburg Museum, Bremen, Germany, et du Paysage, Île de Vassivière, France;
and Whole), Gomes occupies a room with 2010 (Parallel 2010), in São Paulo; and and at Museu Serralves, Porto, Portugal. From Page to Space, at Leopold-Hoesch-
works made using only objects encountered Sempre à Vista (Miragem) (Always in Museum in Düren, Germany, at Galerija
in the Kunsthalle Bern storeroom. While View [Mirage]), at Mendes Wood, São 2012 Murska Sobota, Slovenia; E os Amigos
she employs a minimum of material Paulo, and at Zeichnung Wien and For an exhibition at Galeria Casa de Sinceros Também (And Sincere Friends
effort at zero cost, this is offset against Galerie Grita Insam, Vienna, Austria. Cultura Laura Alvim in Rio de Janeiro, Too) at Instituto Brasil-Estados Unidos,
the mental investment, including all the Fernanda Gomes again uses the gallery Rio de Janeiro; and Performances da
procedures needed to produce the work. 2011 as an extension of her studio, using Abstração (Performances of Abstraction)
For a year, she develops a large Gomes writes a text for her exhibition the veranda as a workshop during the at Luciana Brito Galeria, São Paulo.
sculpture for Serralves Park, with four at Galeria Luisa Strina: “Painting, installation of the exhibition and while it

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2013 2014
For her first show at the Alison For a show at Galeria Luisa Strina, São
Jacques Galler y in London, she takes Paulo, Gomes splits the space into four
some finished works, materials, and rooms, particularly to create lighting
works in progress for three weeks effects, which range from the general
of intensive activit y at the galler y. lighting of the space to the illumination
For a solo show at Centre of the specific pieces. She develops
International de l’Art et du Paysage other projects for light on canvas begun
in Vassivière, France, she transforms at the São Paulo Biennial in 2012.
the museum architecture using Two works from the Centre Pompidou
wooden boards, blocking passages collection are included in an exhibition,
and views, linking other spaces, and Une histoire, art, architecture et design,
transforming the lighting system des années 80 à aujourd’hui, until 2016.
into provisional sculptures. She also takes part in Crossroads:
Her collective shows this year are: Contemporary Art in Brazil at the Wexner
13th Istanbul Biennial, Turkey; Imagine Center for the Arts, Columbus, USA.
Brazil, at the Astrup Fearnley Museum,
Oslo, Norway, and at Musée d’Art
Contemporain de Lyon, France; Concrete
Remains: Postwar and Contemporary
Art from Brazil, at the Cristine Tierney
Gallery, New York, USA; and The Earth
Turns and All Things Slip Away, at Hunt
Kastner, Prague, Czech Republic.

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AGRADECIMENTO ESPECIAL [SPECIAL ACKNOWLEDGMENT] 1ª edição: fevereiro de 2015
Pat Kilgore [first edition, february 2015]

AGRADECIMENTOS [ACKNOWLEDGMENTS] Papel do miolo


Alessandra Terpins [inner paper]

Alison Jacques Gallery Couché fosco 120g/m2


Aurélien Mole
Bill Bowen
Papel da capa
[cover paper]
Charlotte Marra
Duo Design 230g/m2
Cristina Gomes
Dominique Uldry Tipografia
Eduardo Eckenfels [Typeface]
Eduardo Fraipont UnB Pro
Felipe Scovino Rockwell Std
Fernando Gerheim
Gaëlle Deleflie Pré-impressão e impressão

Galeria Artur Fidalgo [pre-printing and printing]

Galeria Luisa Strina Ipsis


Galerie Emmanuel Hervé
Germán González Sinova
Lóránd Hegyi
Michael Brzezinski
Paulo Venancio Filho
Roni Hansen
Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro
Sophie DeFrance
Wilton Montenegro

Obras de Coleções [collection works]


Coleção Particular  P 95
Coleção Centre Georges Pompidou  P 148

Este projeto foi realizado com recursos do


edital Pró Artes Visuais / Prefeitura do Rio de
Janeiro/ Secretaria Municipal de Cultura

This project was reali zed with resources from


Edital Pró Artes Visuais / Prefeitura do Rio de
Janeiro / Secretaria Municipal de Cultura

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