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CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES BARROS MELO – CESBAM

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS HAB. GERAL E COMÉRCIO


EXTERIOR

EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA

FORMAÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS

MARCELO MAIA RÊGO TOSCANO

Prof. Luiz Guimarães Ribeiro Neto

Olinda
2005
MARCELO MAIA RÊGO TOSCANO

EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA

FORMAÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS

Monografia de final de curso


apresentada ao Centro de Estudos
Superiores Barros Melo como
requisito complementar para
obtenção do grau de Bacharel em
Administração de Empresas (Hab.
Geral e em Comércio Exterior).

ORIENTADOR: Prof. Luiz Guimarães Ribeiro Neto

Olinda
2005
EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA

FORMAÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS

MARCELO MAIA RÊGO TOSCANO

O CESBAM - Centro de Estudos


Superiores Barros Melo não aprova
nem desaprova as opiniões emitidas
neste trabalho, que são da
responsabilidade exclusiva do autor
desta monografia.

ORIENTADOR: Prof. Luiz Guimarães Ribeiro Neto

Olinda
2005
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho as pessoas mais importantes da minha


vida e que sempre amarei. Minha mãe Maria Luisa Maia Rego
e minhas vós Mirele Maia Rego e Marlene Bertilde Maia, que
sempre me apoiaram desde o primeiro minuto da minha vida,
agradeço por todo sacrifício delas, para que esse dia se
tornasse uma realidade. A vocês serei grato todos os dias da
minha vida.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus e Nossa Senhora Auxiliadora


pela oportunidade de estar concluindo mais esta etapa da
minha vida, ao meu treinador e grande amigo Felipe Rego
Barros, a Ilmo.(a) Ivânia Barros Melo diretora desta
instituição que acredita e investe no esporte, a meu orientador,
professor e amigo Luiz Guimarães que com muita
competência e carinho soube me conduzir aos meus objetivos
e a minha namorada Alexandra Pessoa de Mello que sempre
esteve ao meu lado com muita paciência, corrigindo minha
monografia e apoiando em todas minhas atividades, e a todos
que de certa forma contribuíram para realização deste
importante acontecimento.
EPÍGRAFE

“Podemos enganar a todos por algum tempo, a alguns por todo tempo mas, não a todos por

todo o tempo”

Shopenhauer
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...................................................................................................................... ....1

1. EMPREENDEDORISMO......................................................................................................3
1.1. Motivos para empreender....................................................................................................5
1.2. Tipos de negócios.................................................................................................................6
1.3. As oposições ao empreendedorismo....................................................................................9
1.4. Empreendedor ...................................................................................................................11
1.4.1 Perfil do empreendedor....................................................................................................13

2. EVOLUÇAO DO EMPREENDEDORISMO ..................................................................... 15


2.1. A evolução empreendedorismo no mundo ........................................................................ 15

2.2. Perfil do empreendedorismo no Brasil .............................................................................. 19

3. CONTRIBUIÇÃO ACADÊMICA PARA O DESENVOLVIMENTO DO


EMPREENDEDORISMO........................................................................................................ 23
3.1. Metodologia proposta para o ensino de empreendedorismo ............................................. 24

3.2. É possível ensinar empreendedorismo?.............................................................................26

3.3. É possível aprender empreendedorismo?...........................................................................28

3.4. Evolução do empreendedrismo no ensino superior brasileiro...........................................29

4. PESQUISA DE NIVELAMENTO DO ENSINO DO EMPREENDEDORISMO NAS

ENTIDADES DE NIVEL SUPERIOR DO

RECIFE.....................................................................................................................................31

4.1. Conclusão da Pesquisa.......................................................................................................31

4.1.1. Dsiponibilidade do curso................................................................................................32

4.1.2. Estímulo ao empreendedorismo......................................................................................33


4.1.3. Ações internas................................................................................................................34

4.1.4. Prioridades para as entidades de Ensino Superio...........................................................39

5. CONCLUSÃO......................................................................................................................41

REFERÊNCIAS.......................................................................................................................43

ANEXO ....................................................................................................................................46

1.Modelo do questionario utilizado na pesquisa.......... ............................................................46


RESUMO

O empreendedorismo é um assunto que muito se discute atualmente em instituições


de ensino superior, porém em sua maioria não estão preparadas para trabalharem os
alunos e os transformarem empreendedores. Por esse motivo o trabalho tem como
objetivos definir a história e perfil do empreendedor, estabelecer parâmetros de como
estão preparadas às entidades de ensino superior do Recife em relação ao ensino do
empreendedorismo, analisando por meio de pesquisas com os coordenadores dos
cursos de administração e concluir em que grau de comprometimento as entidades
estão com o ensino do tema.

Palavras-chave:

1. Empreendedorismo 2. Perfil empreendedor 3. Ensino superior


1

INTRODUÇÃO

O empreendedorismo vem sendo muito difundido no Brasil nos últimos anos.

Estimulado pela criatividade ou pela necessidade o brasileiro empreende muitas vezes sem

apoio de instituições de ensino ou governamentais, o que implica em um alto nível de

mortalidade das novas empresas, que na maior parte das vezes não passam dos dois anos de

vida.

Muito se discute sobre o empreendedorismo, serão demonstradas algumas definições

para o tema, também o que parece ser empreendedorismo, mas não é, perfil dos

empreendedores e a história do empreendedorismo.

Algumas pessoas já nascem com maior qualificação para o empreendedorismo. Outras

não têm tantos talentos inatos, mas isso não quer dizer que não possam aprender e

desenvolver esses talentos. Esse desenvolvimento é fundamental para todas as pessoas que

almejam implantar e gerir um pequeno negócio.

A formação empreendedora é o processo de construção de novos padrões de

comportamento, a partir de descobertas interessantes sobre as potencialidades pessoais,

contexto cultural, motivações e sonhos.

Vários ensinamentos são utilizados de forma rotineira por muitas empresas e

inúmeros empreendedores. Mas a necessidade de capacitar um número cada vez maior de

empreendedores justifica a importância e sua propagação de maneira a facilitar o acesso das

informações necessárias aos empreendedores.


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Inicialmente analisa-se os conceitos e definições, posteriormente é colocado o

surgimento do empreendedorismo e da atenção que muitos paises inclusive o Brasil tem dado

ao tema. A parte central do trabalho é da ênfase a evolução do empreendedorismo nas

entidades de ensino superior do Brasil. A última parte do trabalho é resultado de uma

pesquisa de campo que pretende retratar como está o nível de ensino do empreendedorismo

nas entidades de ensino de Administração de Empresas do Recife.

O real objetivo deste trabalho é expor fatores reais por meio de pesquisas junto aos

coordenadores dos cursos de Administração do Recife. Os cursos de administração foram

escolhidos por que existem vários comportamentos incomuns entre a administração e o

empreendedorismo, além da administração ter um papel fundamental para o empreendedor,

como ferramentas e processos que completam o perfil do profissional.


3

1. EMPREENDEDORISMO

Inicialmente serão definidos alguns conceitos básicos do empreendedorismo, os

principais motivadores para as pessoas empreenderem e quais os tipos de negócios que podem

ser utilizados na área de abertura de um negócio próprio. O empreendedor geralmente é muito

confundido com outras funções, e neste capítulo serão mostradas as diferenças existentes com

outros profissionais e o empreendedor, além de definir o que é um empreendedor e seus

principais atributos.

Muitas são as definições para o termo empreendedorismo, várias correntes, e

diferentes visões entre estudiosos, porém é Fernando Dolabela (1999a) quem define em

poucas palavras o que todos tentam explicar de maneira diferente, para Dolabela

empreendedorismo é um fenômeno cultural, expressões hábitos, práticas e valores das

pessoas. Neste sentido, seu objetivo de estudo não é a empresa, mas o indivíduo

empreendedor, responsável pela criação do negócio, gestão e posicionamento no mercado.

A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que

assume riscos e começa algo novo (HISRICH, 2004). Antes de partir para definições mais

utilizadas e aceitas é importante fazer uma análise histórica do desenvolvimento da teoria do

empreendedorismo.

O empreendedorismo é ainda não é considerada uma ciência, embora seja uma das

áreas onde mais se pesquisa e se publica. Isso quer dizer que ainda não existem paradigmas,

padrões que possam nos garantir que, a partir de certas circunstâncias, haverá um

empreendedor de sucesso. (DOLABELA, 1999)

Empreendedorismo é o processo dinâmico de criar mais riqueza. A riqueza criada

por indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou

comprometimento com a carreira ou que provêem valor para algum produto ou serviço. O
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produto ou serviço pode ou não ser novo ou único, mas o valor deve de algum modo ser

difundido pelo empreendedor ao saber receber e localizar as habilidades. (DEJANA, 1989)

“Empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor,

dedicando o tempo e esforços necessários, assumindo os riscos financeiros e sociais

correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação

econômica e pessoal”. (HISRICH, 2004, p.29)

Sabe-se que o empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos hábitos

práticas e valores das pessoas, ou seja, os empreendedores nascem por influência do meio que

vivem.

Esta citação define a real representação do empreendedorismo na economia mundial

nos tempos atuais, “O empreendedorismo é uma revolução silenciosa que será para o século

XXI mais do que a revolução industrial foi para o século XX”. (TIMMONS apud

DOLABELA, 1999 p.28).

Os pequenos empreendimentos gerados são de fundamental importância para o

desenvolvimento econômico e social dos países, pela sua capacidade de geração de emprego,

renda, divisas, atuação em desequilíbrios regionais, ocupação de nichos de mercado,

flexibilidade de atuação, função de complementaridade as atividades das grandes empresas,

adaptabilidade às necessidades para operacionalização regional, democratização dos lucros do

capital, predisposição natural para inovações, agente atuante de mudanças na criação de

produtos e serviços locais, descentralização industrial, capacitação de mão de obra, ativação

da economia. Possibilitam a estabilidade e continuidade do desenvolvimento da nação

principalmente em momentos de crise e revigoramento das empresas genuinamente nacionais.


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1.1. Motivos para empreender

Existem dois motivos para uma pessoa começar um empreendimento, a descoberta de

uma nova oportunidade, e/ou por necessidade. Estes dois fatores são às principais motivações

para um indivíduo iniciar um empreendimento. (FARREL, 1993)

A diferença entre os dois motivos é que, na oportunidade o motivo é a percepção de

um novo produto, serviço ou abertura de um novo mercado, ou nicho de mercado ainda pouco

explorado. E por necessidade o empreendedor não tem alternativa razoável de ocupação e

renda.

A pesquisa da GEM – Global Entrepreneurship Monitor - coordenada pelas

universidades Babson College (americana) e London Business School (britânica), além do

centro de estudos Kauffman Center - analisa o grau de empreendedorismo em 31 países. Em

2003, a taxa de criação de novas empresas por necessidade era de 43% no Brasil, contra 57%

de oportunidade. Um ano depois, a pesquisa mostra um pequeno aumento no motivo

necessidade: hoje, 46% dos empresários montaram negócios por necessidade, enquanto 54%

deles em busca de novos mercados e nichos de atuação. (GEM, 2004)

É importante destacar que a falta de emprego ou de qualificação são os fatores que

influenciam o empreendedorismo por necessidade, pois estes têm como única saída à

criatividade e a inovação para garantir o seu sustento.

1.2.Tipos de negócios

O empreendedorismo atualmente pode ser utilizado em diversas áreas, dentro do

próprio negócio, sendo ele uma inovação ou um produto que já existe no mercado, ou dentro

de uma organização, onde o empregado pode ser um empreendedor.


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Quando uma pessoa decide abrir um negócio próprio, ela pode optar por quatro formas

de empreender. A primeira é o negocio próprio que exige do empreendedor análise e

conhecimento do mercado, estudo de viabilidade do empreendimento, cálculo e pesquisa para

compra de equipamentos e utensílios, definir a estrutura organizacional da empresa, bem

como o plano de operações e o plano de marketing, ou seja, o empreendedor que abre uma

nova empresa tem que se preocupar com todos os detalhes da organização, do

desenvolvimento do plano de negócio até como funcionará uma provável expansão das

atividades de sua empresa. .(PEREIRA, 1995)

Uma outra maneira de ter o seu próprio negócio, porém assumindo menos riscos é a

franquia. De acordo Associação Brasileira de Franquias, a franquia é um modelo de negócios

que visa estabelecer uma estratégia para distribuição e comercialização de produtos ou

serviços.

Existem duas pessoas que envolvem a comercialização da franquia: um é o

franqueador, o dono da marca, é ele que orienta aos empreendedores que adquirem seu

produto, pois já tem a experiência necessária no mercado e auxilia nas tomadas de decisão.

Este, porém enfrenta mais riscos perante o mercado, pois é a sua marca que está em jogo, e

caso uma franquia não tenha um desempenho esperado pode afetar as demais empresas do

grupo, repercutindo negativamente. A pessoa que adquire uma franquia é chamada de

franqueado, o franqueado é a pessoa que compra a franquia e tem oportunidade de ingressar

em um negócio com maior chance de sucesso do que as pessoas que começam um

empreendimento do nada, pois o franqueador disponibiliza diversos tipos de vantagens, por

exemplo: um produto ou serviço com mercado já estabelecido e imagem favorável, uma

fórmula ou design patenteado, um sistema de administração financeira para controle de

receitas, economias de escala em propaganda e compras, serviços oferecidos pela sede, um

conceito empresarial testado, tudo isso minimiza o risco do empreendedor, fazendo com que
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uma franquia seja uma boa opção para pessoas que querem abrir seu próprio negócio, mas não

sabem por onde começar. O primeiro caso de franquia é o da Mc Donald´s em 1954, nos

Estados Unidos, e hoje a Mc Donald´s é o maior franqueador do mundo. (HISRISH, 2004)

Neste segundo caso a pessoa que adquire uma franquia para se tornar um

empreendedor necessita acrescentar características novas a sua aquisição, é necessário mudar

o ambiente de atuação em que a franquia irá atuar, modificar hábitos de consumo do público

local, mudanças na administração financeira ou inovar no atendimento. Os empreendedores

têm que ter esta visão da franquia, tem colocar no negócio o seu perfil, a sua criatividade

empreendedora.

A terceira forma de empreender está relacionada à abertura de um negócio próprio é o

licenciamento, definido como acordo entre duas partes no qual uma delas tem o direito de

propriedade sobre alguma informação, processo ou tecnologia protegida por uma patente,

marca registrada ou direito autoral. O acordo, especificado em um contrato, exige que o

licenciado pague um royalty ou alguma outra soma especificada ao detentor dos direitos de

propriedade (licenciador), em troca da permissão para copiar a patente, a marca registrada ou

o direito autoral. (DEJANA, 1989)

É um empreendimento muito interessante e utilizado em todo o mundo, as empresas

geralmente vinculam personagens de filmes ou desenho animado aos seus produtos. A Walt

Disney Co., é uma das maiores empresas de licenciamento do mundo, a empresa tem nos

Estados Unidos cerca de 600 licenciados ativos, licenciando por exemplo a empresas de

brinquedos reproduzirem em bonecos os seus personagens de filmes infantis. O licenciamento

é uma excelente ferramenta de marketing. Com a assessoria de um advogado, os

empreendedores podem descobrir que as oportunidades de licenciamento constituem uma

forma de minimizar riscos, expandir um negócio ou complementar uma linha de produtos já

existentes.(HISRISH, 2004)
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A última forma de empreender e não menos importante é o intra-empreendedorismo,

que consiste no empregado de uma empresa que aplica ações empreendedoras dentro da

organização.O intra-empreendedorismo é o empreendedorismo dentro de uma estrutura

empresarial já existente, ou seja, as organizações já existentes têm os recursos financeiros, as

habilidades gerenciais, o sistema de marketing e a distribuição para comercializar as

inovações com sucesso. Contudo, as empresas em alguns casos não detectam as

oportunidades criadas ou desenvolvidas por seus funcionários, pois estão com os objetivos no

lucro em curto prazo, ou tem uma estrutura muito burocrática, inibem muitas vezes a

criatividade dos seus funcionários. (FILION, 1999)

Algumas empresas começaram a notar que seus funcionários criativos estavam

pedindo demissão para abrir seus próprios negócios. Estes negócios muitas vezes são no

mesmo ramo de atuação da antiga empresa em que o funcionário trabalhava, ele usa o know-

how que adquiriu com tempo de trabalho e usa em favor de seu próprio negócio. (FILION,

1999)

Foi então que algumas corporações começaram a reconhecer esses fatores e decidiram

investir na criatividade e inovação para estabelecer um espírito-empreendedor em suas

organizações. No tempo da hiper-competitividade, as empresas começaram a investir em

novos produtos e inovações nos serviços, idealizados por seus funcionários e também no

desenvolvimento do espírito intra-empreendedor na estrutura da empresa. E existem empresas

que investem em novos empreendimentos, também chamados de empreendimento

corporativo, que se refere à criação de um novo negócio dentro da organização já existente.

A inovação, criação de algo novo e de valor, a criatividade, flexibilidade, proatividade,

iniciativa e aceitação de risco são elementos essenciais, tanto no desenvolvimento de um novo

negócio, como para o sucesso de toda uma organização.


9

1.3. As oposições ao empreendedorismo

O tema é constantemente discutido e definido em publicações, artigos, livros, textos,

uma amplo apreço de conhecimento desenvolvido sobre o tema empreendedorismo, nas mais

diversas áreas e mídias, umas confiáveis, e outras, nem tanto. Existem muitas definições e

tópicos sobre o assunto: empreendedorismo em empresas familiares, empreendedorismo

social, empreendedorismo corporativo, empreendedorismo étnico, empreendedorismo de

start-up, e assim por diante. (FARREL, 1993)

Com a popularização do assunto muitos estudos foram feitos em cima do tema, mas às

vezes fica difícil definir “empreendedorismo”. Neste caso vamos tentar definir as pessoas que

desenvolvem o empreendedorismo, pois muitas vezes são confundidas. Iremos destacar três

tipos de questionamentos que levem esses personagens ou situações a serem comparadas com

empreendedorismo ou empreendedores:

Empresários: Existem muitas definições as quais colocam empresários e

empreendedores como sinônimos, quando, na verdade, o empreendedor é mais do que um

empresário. Qualquer cidadão que abre um negócio é, a rigor, um empresário. Um

empreendedor, por outro lado, vai além, constrói uma organização de sucesso com base em

ousadia, determinação, criatividade, relacionamentos, realizações, auto-confiança,

flexibilidade e visão. O empresário que não possui pelo menos metade destas características

não pode ser considerado um empreendedor. Quem abre mais uma padaria ou posto de

gasolina, sem ter vislumbrado uma oportunidade, sem ter construído uma sólida e factível

visão do futuro ou se preparado para toda e qualquer vicissitude que encontrar no caminho,

pode ser um empresário, mas dificilmente o consideraria um empreendedor. (SILVA, 2005)

Franquia: Ainda que seja possível ver um empreendedor conduzindo uma franquia,

acredita-se que a mesma representa um tipo de modelo de negócio que afasta, ou deveria
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afastar o verdadeiro empreendedor pelo simples motivo que uma franquia limita uma das

características que o empreendedor mais preza: a liberdade. Com maior ou menor grau, todas

as franquias oferecem como benefício àquilo que o empreendedor enxerga como restrição:

Identidade visual, padronização de metodologia e processos, cadastro único de fornecedores,

políticas de preços uniformes, infra-estrutura centralizada, marca e imagem, além de outros

elementos que, no conjunto, trazem a segurança de um modelo de negócios já testado e,

provavelmente, com riscos bastante reduzidos. Um empreendedor pode até colocar a

experiência de franqueado como uma etapa de seu processo de aprendizado, mas dificilmente

vê uma franquia como seu objetivo final. (HISRISH, 2004)

Como já citado antes, o franqueador tem que utilizar ferramentas empreendedoras para

gestão do seu negócio. Algumas características empreendedoras inseridas vão modificar os

hábitos de consumo, afetar concorrentes, alterar métodos financeiros inserir novos produtos

ou serviços, é o que se espera de um empreendedor.

Herança: Empresas familiares podem ser de dois tipos: Aquelas originadas pelo

empreendedor como fundador e aquelas que foram entregues já constituídas para as gerações

seguintes. Posso afirmar com certa segurança que verdadeiros empreendedores se preocupam

mais com a sustentabilidade do seu negócio no longo prazo do que a lucratividade por si só.

Este fato já pode aumentar as chances devermos sucessores empreendedores à frente de

negócios de sucesso criados por mais gerações anteriores. Empreendedores formam (ou

melhor, ‘forjam’) empreendedores para dar continuidade a seus negócios, mesmo que estes

não sucessores diretos, ou sequer familiares. Entretanto, ainda é grande o número que se

dizem empreendedores sem saber que não detém as qualificações que colocaram o fundador à

frente do processo de criação e desenvolvimento da organização que assumiu. (SILVA, 2005)

Além desses existem vários outros tipos de personalidades ou situações que não

completam os pilares bases do empreendedorismo. Esses tipos de personalidades têm


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características diferentes dos empreendedores gerais. Mais adiante será traçado do perfil do

empreendedor.

1.4. Empreendedor

Acredita-se hoje que o empreendedor seja “o motor da economia” uma agente de

mudanças. Foi constatado que existiam vários fatores incomuns nas pessoas de sucesso nos

negócios, porém nem todas características encontradas em uma pessoa nos Estados Unidos

eram iguais as características das pessoas no Brasil, por exemplo.

A pesquisa acadêmica sobre empreendedorismo é relativamente recente e esta ligada a

grande importância que a pequena e micro empresa exerce no quadro econômico. O

economista austríaco Schumpeter associa o empreendedor ao desenvolvimento econômico, à

inovação e ao aproveitamento de oportunidades de negócios. (SCHUMPETER apud

DOLABELA, O segredo de Luísa, 1999 p.28). Podem-se citar três correntes básicas da visão

do empreendedorismo mundial:

O empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões (FILION

apud DOLABELA, 1999 p.29). O empreendedor é aquele que conclui as suas idéias e as

transformam em realizações financeiras, tornando possivel o aumento das resoluções de

problemas do cotidiano com a criação de novos produtos ou serviços.

O autor Fernando Dolabela, além de concordar com com a afirmação acima acrescenta

que os empreendedores são o ponto de partida dos pesquisadores para o estudo das condições

que levam o empreendedor ao sucesso. A partir das experiências vividas pelos

empreendedores de sucesso, é possível traçar o perfil e o comportamento dessas pessoas, para


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repassar os conhecimentos destas características aos iniciantes ou interessados nesta área.

(DOLABELA, 1999 p.55)

Esta outra definição deve-se ser citada devido a sua importância, onde, o empreendedor

é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e

serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e

matérias. (JOSEPH SHUMPETER apud DRUCKER, 1998 p.36)

O empreendedor é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e

positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem

presente.

São os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais,

encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas

relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riquezas para a

sociedade. O empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para

capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados. (DEJANA, 1989)

O empreendedor é alguém que toma a iniciativa de uma maneira nova ou para

reorganizar recursos de maneira a gerar uma organização, relativamente, independente, cujo

sucesso é incerto. (SHAMPERO apud DORNELAS, 2000 p. 26)

1.4.1. Perfil do empreendedor

Em qualquer definição de empreendedorismo, encontra-se, pelo menos, os seguintes

aspectos referentes ao empreendedor (DOLABELA, 1999 p.37):

• Iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz.


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• Utiliza os recursos disponíveis de forma criativa transformando o ambiente social e

econômico onde vive.

• Aceita assumir os riscos e a possibilidade de fracassar.

Existem varias características similares entre os empreendedores de sucesso, muitas

destas são desenvolvidas desde cedo, ou seja, na infância ou na adolescência, pois é quando

os valores e costumes das pessoas estão sendo desenvolvidos, temos um conjunto de

qualidades empreendedoras descritas abaixo (DORNELAS, 2001):

• Know How

• O empreendedor tem um “modelo”, uma pessoa que o influencie.

• Tem iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo e necessidade de realização.

• Tem perseverança e tenacidade.

• O fracasso é considerado em resultado como outro qualquer. O empreendedor aprende

com resultados negativos, com os próprios erros.

• Tem grande energia. É trabalhador incansável. Ele é capaz de se dedicar intensamente

ao trabalho e saber concentrar os seus esforços para alcançar resultados.

• Sabe fixar metas e alcança-las. Luta contra padrões impostos. Diferencia-se. Tem a

capacidade de ocupar um espaço não ocupado por outro no mercado, descobrir

ninchos.

• Tem forte intuição. Como no esporte o que não importa não é o que se sabe, mas o que

se faz.

• Tem sempre alto comprometimento. Crê no que faz.


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• Cria situações para obter um feedback sobre o seu comportamento e sabe utilizar tais

informações para seu aprimoramento.

As características acima são uma intercessão de vários perfis descritos por diversos

autores bibliográficos, todos demonstram nessas características o perfil incomum dos

empreendedores. Exemplo de como uma pessoa pode se tornar um empreendedor: o individuo

que cria uma empresa, qualquer que seja ela. Pessoa que compra uma empresa e introduz

inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir, seja na

forma de fazer propaganda de seus produtos e/ou serviços, agregando novos valores.

Empregado que introduz inovações em uma organização, provocando o surgimento de valores

adicionais.

Podemos ter diferentes modelos de empreendedores, cada região, cidade ou pais tem

sua própria economia, suas leis e seus costumes que influenciam nas características do

empreendedor. Os empreendedores atuam de acordo com as necessidades e visões de

oportunidades em sua sociedade, buscando sempre inovações e resoluções de problemas, para

o bem estar da sociedade.


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2. EVOLUÇAO DO EMPREENDEDORISMO

A prática do empreendedorismo é comum desde o início da humanidade, pois para

sobreviver o homem utilizou toda sua criatividade, perseverança e sua capacidade de inovar e

assumir riscos, para manter-se vivo. Neste capítulo vamos traçar o perfil mundial e Brasileiro

do empreendedorismo, desde os primeiros empreendimentos registrados até os grandes casos

de sucessos da atualidade.

2.1. Perfil do empreendedorismo no Mundo

Um primeiro exemplo para a de definição de empreendedorismo pode ser creditado a

Marco Pólo, pois foi ele quem colocou em prática a idéia de navegar explorando uma rota

comercial da Europa para o Oriente. O que tornou Marco Pólo um empreendedor, foi o ato de

assinar um contrato com um homem que possuía dinheiro (hoje mais conhecido como

capitalista) para vender as mercadorias deste. Enquanto o capitalista era alguém que assumia

riscos de forma passiva, Marco Pólo assumia o papel de empreendedor, um aventureiro que

assumia os riscos das viagens que eram muitos, atuava ativamente na atividade, correndo

todos os riscos físicos e emocionais (DORNELAS, 2001).

Mas, empreendedorismo não foi descoberto há tão pouco tempo, se for analisado no

ponto de vista acima de Dornelas (1999). Nestes casos onde é citado o exemplo de Marco

Pólo não desenvolvia o empreendedorismo consciente, ou seja, as pessoas que inovavam eram

sim empreendedoras, porém sem noção dos seus atos, o que é correto afirmar que os homens

das cavernas foram os pioneiros do empreendedorismo, pois eles empreendiam por

necessidade, para sobreviver, eles procuravam novos mercados (eram nômades), eram
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persistentes (para sobreviver), eram inovadores (criavam armas e descobriam o fogo),

planejavam (ataques a grandes animais) e analisavam as oportunidades (sabiam se havia

perigo ou não assumir determinados riscos, por exemplo sair das cavernas a noite). Esse

exemplo mostra que em todos os tempos o ser humano foi empreendedor, porém às vezes

inconsciente e outras conscientemente.

Na idade média, o termo empreendedor foi utilizado para definir aquele que

gerenciava grandes projetos de produção. O empreendedor nesta época não assumia grandes

riscos, pois ele apenas gerenciava os projetos muitas vezes financiados pelo governo dos

paises.

No século XVII, os primeiros indícios de relação entre assumir riscos e

empreendedorismo ocorreram nessa época, em que o empreendedor estabelecia um acordo

contratual com o governo para realiza algum tipo de serviço ou fornecer produtos. Nesta

época, o governo ficava com uma boa parte do lucro dos empreendedores, muitas vezes os

preços sobre os produtos ou serviços eram prefixados, os lucros eram divididos entre o

empreendedor e o governo, mas os prejuízos ficavam todos para o empreendedor. Richar

Cantillon importante escritor e economista do século XVII foi ele que desenvolveu uma das

primeiras teorias do empreendedor e é considerado por muitos como um dos criadores do

termo empreendedorismo. Foi ele que identificou o empreendedor como aquele que assumia

riscos, mesmo sendo fazendeiros, comerciantes ou artesãos, que assumiam riscos, diferente

daqueles que fornecia só o capital. (DORNELAS, 2001)

Em 1800 o capitalista e o empreendedor foram finalmente diferenciados,

provavelmente devido ao inicio da industrialização que ocorria no mundo. Um exemplo foi o

caso das pesquisas referentes à eletricidade e química, de Thomas Edison, que só foram

possíveis com o auxilio de investidores que financiaram o experimento. (FERREIRA, 1997)


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No final do século XIX e inicio do século XX, os empreendedores foram

freqüentemente confundidos com os gerentes ou administradores, (o que ocorre até os dias

atuais), com o crescimento da industrialização no mundo, avanço da tecnologia, recursos

aplicados, aplicados, a preocupação com a produção em massa, a qualidade dos produtos,

gestão de pessoas e principalmente a busca pelo lucro, fez com que as empresas investissem

em administradores para manter a vitalidade das grandes indústrias e empresas, por esses

motivos muitas vezes os empreendedores eram confundidos como administradores ou simples

gerentes. Mas nesta mesma época, muitos estudiosos começaram a estudar o fato de pessoas

que surgiram de pequenas empresas de fundo de quintal para conquistar o mundo, pessoas que

transformaram empresas já desenvolvidas, em potencias mundiais de vendas e produção,

inovando e desenvolvendo formas de disseminar suas idéias, se tornando uma pessoa que

marca a história de uma cidade, pais ou até do mundo. (FERREIRA, 1997)

Foi no século XX que se descobriu à importância do empreendedorismo para todas as

civilizações, das construções das pirâmides do Egito a descoberta dos raios lasers.A partir do

século XX o empreendorismo foi despertando o interesse de muitos estudiosos, pois o sucesso

de pessoas que nada sabiam de administrar negócios e acabavam muito ricas, despertou o

interesse de estudiosos para saber o motivo do sucesso destas pessoas.

A partir do momento em que os pesquisadores começaram a correlacionar atitudes,

características e pontos incomuns começou-se a criar conceitos e definições baseados em

estudos e pesquisas, que davam credibilidade ao processo do empreendedorismo.

Mas só na década de 90 que a iniciativa privada e as iniciativas de governo dos

paises começaram a ver que o progresso econômico estava relacionado com o

empreendedorismo e o surgimento de pequenos negócios.

O crescimento do empreendedorismo na década de 1990 pode ser observado através

das ações desenvolvidas ao tema. Um estudo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM,


18

1999) mostra alguns exemplos nesse sentido: No final de 1998 o Reino unido publicou um

relatório a respeito do seu futuro competitivo, o qual enfatizava a necessidade de se

desenvolver uma serie de iniciativas para intensificar o empreendedorismo na região.

A Alemanha tem implantado um número crescente de programas que destinam

recursos financeiros e apoio na criação de novas empresas. Para se ter uma idéia, na década de

1990, aproximadamente duzentos centros de inovação foram estabelecidos, provendo espaço

e outros para empresas start-up (iniciantes).

Em 1995, o decênio do empreendedorismo foi lançado na Finlândia. Coordenado pelo

Ministério de Comércio e Indústria, o objetivo era dar suporte às iniciativas de criação de

novas empresas, com ações em três grandes áreas: criar uma sociedade empreendedora,

promover o empreendedorismo como fonte de geração de emprego e incentivar a criação de

novas empresas.

Em Israel, como resposta ao desafio de assimilar um número crescente de imigrantes,

uma gama de iniciativas tem sido implementada por meio do Programa de Incubadoras

Tecnológicas, com o qual mais de quinhentos negócios já se estabeleceram nas 26

incubadoras do projeto.

Na França, há iniciativas para promover o ensino de empreendedorismo nas

universidades, particularmente para engajar os estudantes. Incubadoras com sede nas

universidades estão sendo criadas.

No Brasil as atividades de incentivos financeiros e programas de desenvolvimento ao

micro e pequenos empresários apoiados pelo Governo Federal, e destinando recursos

financeiros, totalizando um investimento de oito bilhões de reais.


19

É possível observar que o interesse pelo empreendedorismo tem grande importância

para as iniciativas privadas e governamentais, pois todos consideram o empreendedorismo

como grande movimento propulsor da economia.

2.2. Perfil do empreendedorismo no Brasil

O empreendedorismo no Brasil tem início com os colonizadores portugueses, em

1500. Ao descobrirem o Brasil os portugueses analisavam o que podia ser explorado, ou seja,

quais oportunidades aquelas terras proporcionariam a Portugal, encontraram no Pau-Brasil a

primeira forma de empreender, depois vieram à cana de açúcar, os minérios e o café.

(MARCOVITH, 2003)

A partir do momento em que o Brasil deixa de ser colônia, existe uma preocupação

da iniciativa privada em desenvolver novas tendências para atender mercados ainda

inexploráveis daquela época.

Não eram fáceis os caminhos para os antigos empreendedores brasileiros. Os

empreendedores tinham que se adequar às estruturas e tecnologias da época, ruas de terra,

cavalos e charretes como meio de transporte, trens roceiros, tecnologia pouco avançada e o

crédito escasso e o quase inalcançável apoio aos seus esforços.

De acordo uma pesquisa feita por Jacques Marcovith (2003), que retrata a saga do

desenvolvimento do Brasil, onde ele encontra os pioneiros do empreendedorismo no país,

considerando apenas o êxito econômico alcançado, mas também características e

singularidades de cada empreendedor.

Em 1880 é que começa a ser descobertos grandes feitos econômicos que mudaram a

sociedade brasileira, é deste ponto que deu inicio as pesquisas do escritor Jacques Marcovitch,
20

e nas pesquisas biográfica de cada um deles que se chegou às características incomuns entre

eles, são elas: Flexibilidade para mudar estratégias, extraordinária disposição ao trabalho,

engajamento em variadas iniciativas, presença marcante em projetos sociais ou de cunho

filantrópico e uma singular habilidade para tratar com as incertezas.

Entre vários empresário-empreendedores da época, podemos citar os principais

revolucionários daquele tempo: 1880 Francisco de Paula Ramos Azevedo destaca-se como o

grande pioneiro da construção civil em São Paulo; 1885 Júlio Mesquita, conhecido,

sobretudo, como jornalista, é uma dos fundadores de “O Estado de São Paulo” jornal que

circula até os dias atuais; 1889 Silva prado foi o pioneiro na abertura das fronteiras agrícolas

de São Paulo e empreendedor do comércio; 1889 Roberto Simonsen tornou-se o símbolo do

empresário esclarecido. Foi uns dos pioneiros da construção civil; 1900 Francisco Matarazzo,

o conde, surgiu em São Paulo como a imagem do industrial moderno; 1917 Jorge Luís

Gustavo Street, no início do século XX, a contribuiu para a abertura do diálogo com

sindicatos operários; 1939 Leon Feffer foi o pioneiro na fabricação de papel a partir do

eucalipto, árvore aclimatada no Brasil; Nami Jafet despontou no inicio do século, como o

atacadista e precursor da nossa industria têxtil. (MARCOVITCH, 2004)

Jacques Marcovith conceitua os antigos empreendedores brasileiros como

identificadores de soluções e resultados como instrumentos para viabilização de idéias que

melhorassem a vida coletiva. Assim agiram os homens que ajudaram a forjar o sonho

brasileiro de desenvolvimento. (MARCOVITCH, 2004)

A partir do século XX, as iniciativas privadas e governamentais começam a ver o

empreendedorismo como aliado para combater o desemprego e gerar oportunidades para as

economias dos países. (DORNELAS, 2001)

O Brasil teve grandes avanços nesta década, pois foi no ano de 90 que duas das

principais entidades para o desenvolvimento do empreendedorismo foram criadas, o SEBRAE


21

(Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequena Empresas) e SOFITEX (Sociedade

Brasileira para Exportação de Softwere), esses agentes de incentivo ao empreendedorismo são

ainda hoje de fundamental importância para o desenvolvimento do empreendedorismo no

Brasil. (DORNELAS, 2001)

O SEBRAE é um dos órgãos mais conhecidos pelos pequenos empresários

brasileiros, ele tem como algumas de suas funções prestarem consultorias a futuros

empresários, também consultorias para resolver pequenos problemas por empresas já

estabelecidas, ministrar cursos, palestras, treinamentos a empreendedores, e também

contribuir para o desenvolvimento econômico do país, além de outros serviços que fazem do

SEBRAE o maior disseminador do empreendedorismo do Brasil.

O SOFITEX é uma entidade criada com intuito de levar as empresas de softwares do

país ao mercado externo, foi por meio de varias ações que proporcionavam a disseminação do

empreendedorismo no meio da informática.

Por este motivo o curso de Computação/Informática, foram os pioneiros no ensino

do empreendedorismo no Brasil, pois foram nos cursos de informáticas/computação que as

primeiras incubadoras de empresas e as universidades tiveram início, além dos planos de

negócio, que eram exigência no desenvolvimento das empresas que faziam parte das

incubadoras.

De 1990 para os tempos atuais, o empreendedorismo no Brasil obteve grandes

avanços para desenvolver um dos maiores programas de ensino do empreendedorismo do

mundo, as ações que são desenvolvidas em todo país começam a apontar essa direção.

Seguem alguns exemplos (DORNELAS, 2001):

• O enorme crescimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da AMPROTEC

(Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias


22

Avançadas) mostram que em 2000 existiam mais 135 incubadoras de empresas, sem

considerar as incubadoras das empresas de internet, totalizando mais 1.100 empresas

incubadas, e que geram mais de 5.200 empregos diretos.

• O grande crescimento de cursos e programas em escolas, universidades e entidades

de ensino técnico que absorveram o empreendedorismo em suas grades curriculares,

contribuindo assim para o desenvolvimento de novos empreendedores brasileiros.

• A capacitação do empreendedor, como nos programas EMPRETEC, do Governo

Federal, dirigido a capacitação de mais de 1 milhão de empreendedores em todo país e

destinando recursos financeiros a esses empreendedores, totalizando um investimento

de oito bilhões de reais.

De acordo relatório executivo de 2000 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM,

2000) o Brasil aparece como país que possui a melhor relação entre o número de habitantes

adultos que começam um novo negócio e o total da população:1 em cada 8 adultos. Nos

Estados Unidos esta relação é de 1 em cada 10; na Austrália 1 em cada 12; na Alemanha 1 em

cada 25; no Reino Unido 1 em cada 33; na Suécia 1 em cada 50 e na Irlanda e no Japão 1 em

cada 100. (GEM, 2000)

O Brasil lidera o ranking de 31 países quando o assunto é criação de empresas com o

objetivo de sobrevivência e sustento familiar, isso mostra que apesar de ocorrer de forma tão

desorganizada, o empreendedorismo no Brasil exerce papel fundamental na economia,

merecendo o tema o estudo mais aprofundado.


23

3. CONTRIBUIÇÃO ACADÊMICA PARA O DESENVOLVIMENTO DO

EMPREENDEDORISMO

A preocupação com a formação empreendedora é tema prioritário em todas as

universidades importantes do mundo, inclusive no Brasil. Um grande número de educadores

reconhece que o atual sistema de ensino enfatiza a aquisição do conhecimento e não se

preocupa com o desenvolvimento de habilidades específicas para o uso produtivo desse

conhecimento. As metodologias tradicionais de ensino, portanto, não enfocam o

desenvolvimento da cultura empreendedora.

A formação empreendedora exige uma nova prática pedagógica. Evita-se

intencionalmente a palavra ensino, porque ainda não existe resposta científica sobre a

possibilidade de se ensinar alguém a ser empreendedor. Sabe-se, contudo, que é possível

aprender a ser empreendedor. As disciplinas de formação empreendedora devem ser

elaboradas a partir do desafio de se introduzir novos conteúdos e novos processos didáticos

que superem obstáculos à inovação. Além do mais, as disciplinas devem ter vínculos com o

mercado, com a sociedade e com os empreendedores. As experiências acadêmicas devem ser

ricas e memoráveis para os alunos na construção do conhecimento para o futuro exercício

profissional, com ética e responsabilidade social. (DRUCKER, 1998)

3.1. Metodologia proposta para o ensino de empreendedorismo

A educação na área do empreendedorismo cresce rapidamente em faculdades e

universidades nos Estados Unidos e na Europa. Muitas dessas universidades oferecem pelo
24

menos um curso de graduação ou pós-graduação, e algumas têm uma pequena ou grande

concentração na área. (FARREL, 1993)

Embora os cursos de empreendedorismo variem de acordo com a universidade, há

muitas coisas em comum, em especial nos cursos iniciais neste campo na área de estudo.

Esses cursos tende a refletir objetivos globais para um curso na área de empreendedorismo.

Também tendem a concentrar-se na identificação e avaliação de habilidades; compreensão da

tomada de decisão de empreender do processo econômico em uma base doméstica.

Citaremos alguns objetivos em comum dos cursos de empreendedorismo (HISRISH,

2004):

• Compreender o papel de empresas novas e menores na economia.

• Compreender os pontos fracos e fortes relativos a diferentes tipos de empresas.

• Avaliar as habilidades empreendedoras do próprio aluno.

• Saber como administra e desenvolver um novo empreendimento.

• Compreender o papel do empreendedorismo em organizações já existentes

• Compreender os aspectos da criação e da apresentação de um plano de negócios.

Esses objetivos formam a base de qualquer abordagem modular para um curso de

graduação ou pós-graduação em empreendedorismo. Essa abordagem ajuda a garantir que as

áreas mais importantes do campo sejam cobertas nos cursos oferecidos, seja em trimestre,

semestre, em um curso ou em uma série de cursos.

O maior desafio na elaboração da proposta metodológica para a disciplina foi

representado pela necessidade da proposição de soluções para as questões fundamentais

citadas, em síntese: (DRUCKER, 1998)


25

• É possível alguém se tornar empreendedor, ou ele é fruto de genes favoráveis?

• É possível ensinar o empreendedorismo?

• Como ensinar empreendedorismo?

Um dos objetivos centrais da disciplina empreendedorismo é despertar o aluno para a

área de empreendedorismo, motivando-o a criar a sua empresa ou a gerar o próprio emprego.

Isto não significa que a metodologia pretenda que o aluno abra o próprio negócio logo após a

disciplina. (FERREIRA, 1997)

Na verdade, este seria um resultado surpreendente. O que se pretende é que o aluno

possa incorporar ao seu potencial a opção de geração do auto-emprego e que persiga tal

objetivo durante a sua evolução profissional. Quando ele ou ela irá abrir o seu próprio negócio

será uma questão pessoal, de amadurecimento, aprendizagem, desenvolvimento da sua visão,

percepção e capacidade de aproveitamento de uma oportunidade.

Há empreendedores que deliberadamente procuram empregos na sua área de interesse

visando à formação de uma bagagem (em termos de conhecimento técnicos, mercadológicos,

de relações) para a abertura posterior do próprio negócio. Os critérios de avaliação da

disciplina pressupõem uma temporalidade que extrapola o ciclo escolar. O que esta avaliação

irá buscar será quanto o direcionamento profissional do ex-aluno terá sido influenciado pela

disciplina. Não há receitas nem limites de idade para a abertura do próprio negócio. (ROSA,

2005)
26

3.2. É possível ensinar empreendedorismo?

Esta é uma polêmica que esta longe de acabar, existem duas correntes diferentes sobre

a possibilidade de ensinar a qualquer indivíduo a se empreendedor. Até pouco tempo atrás o

empreendedorismo era visto como algo inato, ou seja, algumas pessoas já nasciam com esse

dom e eram predestinadas a fazer negócios de sucesso, e algumas pessoas ainda pensam

assim, que existem pessoas que nunca irão poder ser empreendedores, acreditam que

empreendedorismo é um dom. Por outro lado, a maioria dos pesquisadores, autores e

especialistas acham que é sim possível uma pessoa aprender a empreender, a ter novas visões

do ambiente a sua volta. E neste tópico iremos colocar as duas visões de maneira que fique

caracterizada a possibilidade do ensino do empreendedorismo. (DRUCKER, 1998)

De acordo Silva (2005), o empreendedorismo é um modismo, ele acredita que as

faculdade e universidades procuram de formas incessantes por novidades, ou seja, aquilo que

mais vende que mais impressiona. Em se tratando de empreendedorismo, a abertura de novos

negócios, independência financeira e ser seu próprio patrão, é à vontade de milhares de

pessoas que estão propensas a estudar o assunto em busca de um sonho. Mas às vezes esse

sonho pode acabar mais como uma frustração do que em satisfação.

De acordo com Filion (1999), não se pode ensinar empreendedorismo como se

ensinam outras matérias. Para esse autor é preciso concentrar-se mais no desenvolvimento do

“conceito de si” (auto-conhecimento) e na aquisição de know-how do que na simples

transmissão de conhecimento. Salienta ele, que não se deve esperar que, ao final dos cursos de

empreendedorismo, os alunos estejam prontos para montar seu próprio negócio e sim que

possuam o instrumental para se auto-desenvolver como futuros empreendedores.

Por outro lado, como já foi dito, a maioria dos especialistas no assunto acreditam que é

possível aprender a empreender. A capacitação de candidatos a empreendedor está sendo

prioridade em muitos países, inclusive no Brasil. O empreendedorismo ainda é muito novo no


27

campo acadêmico, a implementação de cursos voltados para o assunto justifica-se pela

crescente conscientização e tomada de posição por parte das universidades no sentido de

proporcionar aos estudantes competências que possibilitem não só a sua inserção no mercado

do trabalho, mas também sua sobrevivência e empregabilidade em uma sociedade altamente

competitiva. (ROSA, 2005)

O principal objetivo do ensino do empreendedorismo é orientar a formação de

empreendedores no mundo moderno por ser fundamental prepara pessoas pró-ativas que

aprendam a agir por conta própria, com criatividade, espírito de liderança e visão de futuro,

para inovar e ocupar seu espaço no mercado. (DOLABELA, 1999 a)

Espera-se que o sistema de ensino enfatize a aquisição de conhecimento, dando pouco

enfoque no desenvolvimento de habilidades específicas para o uso prático desses

conhecimentos. A metodologia instrucional atualmente dominante não enfoca o

desenvolvimento da cultura empreendedora e pouco se valoriza a ambigüidade e o exercício

da prática de definir problemas e projetar soluções.

Sem dúvida, o estudo do empreendedorismo pode, e muito auxiliar os alunos do curso

de administração, pois a característica de um empreendedor é uma ferramenta fundamental

para o desenvolvimento profissional de qualquer administrador, sendo ele uma pessoa que já

nasceu com características empreendedoras ou não.

A disciplina do empreendedorismo servirá no mínimo como uma atividade desafiadora

para o aparecimento, desenvolvimento e talvez a criação de habilidades especiais, para que o

aluno possa conhecer sua real vocação, ter o domínio de si próprio, saber qual perfil

profissional o estudante está propício, sem que gere algum tipo de trauma ou decepção. O que

pode inibir futuramente suas características empreendedoras.


28

3.3. É possível aprender empreendedorismo?

Sim. Tudo indica que o empreendedor é fruto de uma cultura. Por outro lado, se

existem dúvidas sobre a possibilidade de se ensinar alguém a ser empreendedor, sabe-se que é

possível que alguém aprenda a sê-lo em determinadas circunstâncias que sejam favoráveis ao

auto-aprendizado. Objetivo do ensino é contaminar o aluno, para que ele se torne predisposto

a abrir o seu próprio negócio em algum momento de usa vida e não imediatamente após

deixar a universidade. (DOLABELA, 2001)

Filion (apud DUTRA et al, 2001), argumenta:

“Para saber se o empreendedorismo pode ser ensinado, devemos adaptar

a abordagem pedagógica à lógica de cada disciplina ou campo de estudo. A meu

ver, não se pode ensinar empreendedorismo com se ensinam outras matérias. Mas o

empreendedorismo se aprende. É possível conceber programas e cursos como

sistemas de aprendizado adaptados à lógica desse campo de estudo. A abordagem

aqui deve levar o aluno a definir e estruturar contextos e compreender várias etapas

de sua evolução. Estes desafios pedagógicos interessantes”.

Nossos universitários têm muito talento e idéias geniais. O que falta é uma base sólida,

ainda durante os cursos, para que se sintam seguros de poder tocar uma empresa ou gerencia-

la. Eles contam, muitas vezes apenas com o acolhimento de entidades extra-classe.

Desta forma é correto afirmar que qualquer pessoa pode aprender a características

empreendedoras, porém é necessário o conhecimento e a prática dessas características que

terão que se tornar hábitos freqüentes dos candidatos a empreendedores.


29

3.4. Evolução do empreendedorismo no ensino superior no Brasil

Como já foi dito antes, a pratica do empreendedorismo nas universidades e faculdades

brasileiras, deram início em meados dos anos 90, nos cursos de ciência da

computação/informática, os empresários deste ramo de atividade tinham interesse neste ramo,

pois pretendiam levar as empresas de software do país para o mercado externo. Daí surgiu o

SOFTEX juntamente com o SEBRAE que prestava consultoria aos pequenos e micro

empresários.

Passado-se dez anos, e o Brasil entra neste milênio com um marco ao

empreendedorismo nacional, de acordo a Pesquisa do GEM 2004, Estima-se que o Brasil

comporte um contingente de 15 milhões de empreendedores, um dos maiores entre os países

pesquisados, perdendo apenas para os EUA, em 2004. Desses empreendedores, em torno de

35% estão à frente de negócios em estágio nascente, ou seja, com menos de 3 meses de vida, e

aproximadamente 65% administram negócios com tempo de vida entre 3 e 42 meses.(GEM,

2004)

O empreendedor brasileiro, componente da TEA (Tendência Parabólica Ajustada),

tem baixa qualificação acadêmica. Apenas 14% dos empreendedores no Brasil têm formação

superior (completa ou incompleta), percentual inferior ao do grupo de países de baixa renda

per capita (23%). De nota a fragilidade do sistema educacional brasileiro e, por conseqüência,

as altas taxas de empreendedorismo por necessidade.Ao se analisar os dados, se

correlacionando-os com a motivação para empreender, fica evidente que, quanto mais alto for

o nível de escolaridade de um país, maior será a proporção de empreendedorismo por

oportunidade. (GEM, 2004)


30

A comparação, quando feita com os países de alta renda per capita, mostra uma

diferença ainda mais gritante no perfil do empreendedor: 58% dos empreendedores daqueles

países possuem formação superior. Frise-se, ainda, que no Brasil aproximadamente 30% dos

empreendedores identificados não passaram sequer cinco anos pelos bancos escolares,

estando longe, portanto, de completar o ensino fundamental. (GEM, 2004)

Gráfico 1: Perfil educacional dos empreendedores

60% Passaram de
50% 5 a 11 anos na
escola
40%
Estudaram
30% m ais de 11
20% anos
Não passaram
10%
nem 5 anos
0% estudando

Fonte: Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2004)

As instituições de ensino atentas ao crescimento do interesse pelo tema, vêm cada vez

mais se adaptando as práticas do empreendedorismo, ações recentes desenvolvidas reúne

diversas faculdades e universidades a abrir novos cursos e implantar cadeiras sobre o assunto

em seus cursos de graduação e pós-graduação.


31

4. PESQUISA DE NÍVELAMENTO DO ENSINO DO EMPREENDEDORISMO NAS

ENTIDADES DE ENSINO SUPERIOR DO RECIFE

Esta pesquisa foi feita do período de 10/05/2005 a 20/06/2005, com os coordenadores

do curso de administração de empresas com turmas já formadas, das entidades de ensino

superior do Recife. Ao todo foram entregues 10 questionários, apenas a Universidade Salgado

de Oliveira não foi avaliada por não ter sido possível entrevistar o responsável pelo curso.

A pesquisa tem como objetivo identificar o nível de comprometimento das instituições

de ensino e desenvolvimento do empreendedorismo. A análise tem como fatores básicos saber

se as faculdades incentivam de alguma maneira os alunos a prática do empreendedorismo,

sendo por meio de palestras, workshops, incubadoras, empresa Jr.

Também vamos abordar como as instituições qualificam os seus professores, bem

como se existe a matéria de empreendedorismo na grade curricular dos cursos de

administração.

4.1.Conclusão da pesquisa

As faculdades e universidades estão buscando desenvolver os seus graduandos com

novas formas de incentivar e construir um diferencial para o curso de administração. O tema

em questão representa o cotidiano dos acadêmicos que estão acostumados a tratar dos

assuntos relacionados à gestão.

Desta maneira a pesquisa avaliou os cursos de administração que já tenham turmas

formadas, abaixo estão os principais pontos abordados na pesquisa respondida pelos


32

coordenadores dos cursos. Os mesmos foram escolhidos por apresentarem a responsabilidade

de desenvolver um ambiente próprio ao ensino do empreendedorismo.

4.1.1. Disponibilidade do Curso

A pesquisa revela que 80% das faculdades tem em sua grade curricular a disciplina de

empreendedorismo, com uma carga horária entre 50 a 100 horas durante o curso. Apenas 10%

das instituições têm uma carga horária superior a 100 horas no curso, os outros 10% não tem a

disciplina em sua grade curricular.

As faculdades também foram questionadas se em outras disciplinas o assunto é

abordado, em 60% das respostas os alunos são apresentados superficialmente ao tema em

outras matérias. Neste aspecto existe em sua grande maioria, uma preocupação das

instituições de ensino de apresentar aos alunos o tema seja de forma conceitual ou prática.

Partindo da necessidade de competências empreendedoras para que os alunos estejam

mais preparados para se inserirem no mundo do trabalho, e de que essas competências podem

ser desenvolvidas em ambiente propício, cabe a universidade e faculdade mais esse papel, o

da disseminação da cultura empreendedora.

4.1.2. Estímulo ao Empreendedorismo.

O estímulo da cultura empreendedora em entidades de ensino pode ser apresentada de

diversas formas: Palestras com especialistas no assunto, workshops, estimulo a desenvolver

trabalhos, artigos e pesquisas junto a órgãos competentes são bons exemplos de


33

incentivadores da cultura do empreendedorismo. Porém é aconselhável uma parceria com

algumas empresas competentes no assunto, como o Sebrae, a Endeavor, IEL, FIEPE e outras

empresas que tem ou são especialistas no assunto de abertura de micro ou pequenas empresas.

De acordo com a pesquisa, entre os entrevistados 20% não utilizam nenhum tipo de

parceria com entidades especialistas no assunto empreendedorismo. Em contra partida 80% já

desenvolvem trabalhos junto com pelo menos uma instituição especializada, sendo

ministrando palestras, workshops, debates ou atividades envolvendo o tema

empreendedorismo. As empresas que já desenvolvem trabalhos em conjunto com as entidades

de ensino como parceiras são o Sebrae, o IEL e a FIEPE e as principais atividades são

palestras, workshops e debates.

É interessante estabelecer parceria com estas instituições, pois elas sempre estão

trazendo novas informações sobre o assunto, estimulando o espírito empreendedor, prestando

consultorias muitas vezes gratuitas aos candidatos a empreendedores, tem conhecimento de

diversos mercados, o que auxilia na hora de uma tomada de decisão. Esses fatores teóricos, e

o poder de agregar aos alunos o conhecimento na prática são interessantes para a formação

profissional de quase todas as áreas de atuação dos administradores.

As faculdades ou universidades podem estimular o conhecimento do aluno sobre o

assunto na prática, pois o contato com a simulação da realidade o aprendizado torna-se mais

proveitoso. Os estímulos mais comuns são jogos virtuais que refletem a realidade e os

problemas das empresas, a Empresa Jr. que com auxílio de professores os alunos controlam

diversas ações da empresa e Incubadora um espaço para aqueles alunos que se interessam em

desenvolver seus empreendimentos com o suporte oferecido pela incubadora, o que oferece

menos investimento e custos consequentemente.


34

4.1.3. Ações internas

Para que as instituições de ensino estimulem os seus alunos a práticas

empreendedoras, e isto deve começar dentro da sala de aula e seguir com programas de que

possibilite o aluno a colocar em prática os conceitos aprendidos na sala de aula. Para isso

sugere-se colocar como prática pedagógica o aprender fazendo, explorar conceitos mais

amplos, relacionando-os com problemas a partir de uma visão multidisciplinar; saber ler e

interpretar o ambiente em sua volta, o que significará maior aprendizado com base na

experiência real.

Desta forma, a pesquisa aborda as ferramentas que são utilizadas nas entidades para

proporcionar a prática real do empreendedorismo. Abaixo citaremos e explicaremos as

ferramentas que colaboram com a aprendizagem do empreendedorismo:

Abaixo segue uma definição extraída do site da Federação das Empresas Juniores do

Estado de São Paulo (FEJESP), que é o conceito mais difundido e aceito pelas Empresas

Juniores brasileiras:

Empresa Júnior é uma associação civil, sem fins lucrativos, constituída


exclusivamente por alunos de graduação de estabelecimentos de ensino superior, e
que presta serviços e desenvolve projetos para empresas, entidades e sociedade em
geral, nas suas áreas de atuação, sob a supervisão de professores e profissionais
especializados. (FEJESP, 2001 pg.1).

Ainda segundo a FEJESP:

A Empresa Júnior tem a natureza de uma empresa real, com Diretoria Executiva,
Conselho de Administração, estatuto e regimentos próprios, com uma gestão
autônoma em relação à Direção da Faculdade, Centro Acadêmico ou qualquer
outra entidade acadêmica. . (FEJESP, 2001 pg.1)
35

A Empresa Junior tem como objetivo real, desenvolver a visão dos estudantes para o

mundo real dos negócios. É na Empresa Jr. que os alunos começam a ter contato com clientes,

com projetos, prazos e responsabilidade. Todos estes aspectos são proporcionados para o

aluno desenvolver suas habilidades tanto empreendedoras como empresariais.

A maioria das micro e pequenas empresas, do início de sua trajetória até a

consolidação no mercado, enfrentam diversas dificuldades relacionadas à falta de capital,

desconhecimento do mercado e inexperiência do empreendedor para administrar o negócio.

Muitas dessas empresas, antes mesmo de completar o primeiro ano de vida, transformam-se

em sonhos fracassados.

A incubação de empresas existe exatamente para que idéias inovadoras e promissoras

não sejam desperdiçadas. Ou seja, com a ajuda de uma incubadora de empresas o empresário

e/ou empreendedor pode desenvolver suas potencialidades e fazer sua empresa crescer. Nesse

ambiente, ele desfruta de instalações físicas, suporte técnico-gerencial, além de ter a

oportunidade de partilhar experiências com os demais incubados e formar uma rede de

relacionamentos.

A incubação de empresas pode ser física, em que os empreendimentos ficam

instalados nos módulos dentro da incubadora, ou à distância, processo em que o negócio

recebe todo o suporte da incubadora, mas não utiliza seu espaço físico. As empresas

incubadas podem desfrutar de diversos benefícios entre eles (HISRICH, 2004):

1. Espaço físico individualizado para a instalação de escritórios e laboratórios de cada

empresa selecionada;

2. Espaço físico para uso compartilhado, tais como sala de reunião, auditório, área para

demonstração dos produtos, processos e serviços das empresas incubadas, secretaria;

Recursos humanos e serviços especializados para auxiliar as empresas residentes, tais


36

como gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, comercialização de

produtos e serviços no mercado nacional e internacional, assessoria contábil, jurídica e

de marketing;

3. Capacitação por meio de cursos e treinamentos de empresários e empreendedores em

aspectos como gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, engenharia de

produção e propriedade intelectual.

As Feiras do Empreendedor são eventos que a faculdade ou universidade desenvolve

juntamente com os alunos, onde são organizados stands de empresas que tem interesse de

mostrar seus produtos ou serviços, buscar parcerias ou até atrair novos negócios.

Na Feira também é muito comum ter palestras, work shops, e debates sobre diversos

temas do empreendedorismo, o que atrai um bom público, fazendo com que os expositores

possam divulgar suas empresas.

O Desafio Sebrae é um jogo de empresas voltado para estudantes de todo Brasil que

estejam cursando o ensino superior e oferecer prêmios como computadores e uma viagem

para conhecer centros empreendedores na Itália. O jogo utiliza um software exclusivo e a

competição tem como objetivo repassar os conhecimentos da área de negócios para todos

participantes, independentemente do curso de graduação que estejam fazendo.

Para a pesquisa estas ferramentas foram escolhidas, pois elas fazem com que o aluno

tenha que resolver problemas que futuramente terão que resolver, são formas de testar o

conhecimento teórico, junto com sua capacidade de administrar e empreender. E é por isso

que as faculdades têm que desenvolver estas ferramentas como mais uma opção do

desenvolvimento do empreendedorismo e do desenvolvimento profissional do estudante.

De acordo com a pesquisa 40% das entidades de ensino do Recife não tem

incubadoras na faculdade nem nenhuma parceria com empresas deste tipo. E 30% das
37

faculdades e universidades têm projetos para ter sua própria incubadora. Apenas 30% das

instituições possuem incubadoras, porém 33,33% estão desativadas por não ter nenhuma

empresa incubada. A conclusão é que apenas 20% das faculdades do Recife possuem

incubadoras, é relativamente baixo o empenho das entidades de ensino no incentivo a

formação prática do desenvolvimento de abertura de negócios próprios, ou seja, existe uma

preocupação de passar o conhecimento teórico, porém o prático é pouco explorado. As

faculdades e universidades estão mais preocupadas em formar gerentes do que donos de

empresas.

As incubadoras são um grande auxílio para os alunos que querem desenvolver seus

próprios negócios e não tem capital para estruturar uma empresa, esta opção que algumas

instituições de ensino oferecem é de grande valia para o desenvolvimento de empreendedores

e empreendimentos.

Apesar das faculdades e universidades do Recife precisam melhorar no

desenvolvimento das incubadoras, não podemos falar o mesmo da existência das Empresas

Jr., pois 90% das entidades possuem Empresas Jr., e só 10% não possuem esta estrutura.

Porém, a quantidade de trabalhos prestados por essas empresas poderia ter números mais

expressivos.

Em relação aos trabalhos prestados pelas Empresas Jr. a quantidade de trabalhos

desenvolvidos pelas empresas é regular, é que 22% das empresas já realizam mais de 20

trabalhos por semestre, 22% realiza entre 10 a 20 trabalhos por semestre, porém mais da

metade 66% realizam menos de 10 trabalhos (algumas, por exemplo, realizam um ou dois

trabalhos por semestre) estes números podem ser maior, basta um pouco mais de

esclarecimento da importância que a Empresa Jr. tem tanto para a instituição (como um

diferencial) como para o aluno que aprende a lhe dar com situações reais.
38

A quantidade de alunos que participam das Empresas Jr. está relacionada diretamente

com a quantidade de projetos desenvolvidos, é que em sua maioria quanto maior a quantidade

de projetos maior o nível de participação dos estudantes, porém em alguns casos existem

divergências, exemplo: uma empresa que tem mais de 20 trabalhos tem de 10 a 15 alunos e

outra que faz menos de 10 tem mais de 15 alunos, porém não foi analisado o tipo de trabalhos

desenvolvido, o que pode ser que influencie. A pesquisa revela que 22% das empresas

possuem mais de 15 alunos envolvidos em projetos, 11,11% trabalham com 10 a 15 alunos, a

grande maioria, 44,44% trabalha com 5 a 10 alunos, e 22,22% trabalha com menos de 5

alunos.

Em relação à organização e participação a Feira do Empreendedor, apenas 30%

desenvolvem este tipo de ação dentro da instituição e 70% não aderem a esse tipo de ação. O

Desafio Sebrae sé incentivado por 40% das instituições de ensino, e a maioria das instituições

não valorizam este evento importante para o desenvolvimento empreendedor dos alunos, 60%

não incentivam o Desafio Sebrae, que é a maneira mais simples de se conviver com a prática

empresarial e é a que gera menos custos para as entidades de ensino, basta ter um laboratório

de informática e incentivar os alunos a participarem.

As faculdade e universidades devem se preocupar mais com essas ações internas, pois

são elas que preparam os alunos para uma realidade muitas vezes diferentes dos conceitos

aprendidos na sala de aula. É necessário envolver os alunos em atividades que eles trabalhem

os aspectos da emoção, crenças, valores, tomada de decisão, gerenciamento, pois esses fatores

influenciam o processo de aprendizado.


39

Prioridades para as Entidades de Ensino Superior

Esta parte da pesquisa mostra como o Coordenador do Curso de Administração, tem o

empreendedorismo em que grau de prioridade de ensino. As questões da pesquisa exploram a

qualidade do ensino do empreendedorismo, se existe algum envolvimento dos professores

com o tema e quais ações que o coordenador e a instituição tem para o ano de 2005 em

relação ao ensino do empreendedorismo.

Na avaliação geral do curso de administração, os coordenadores classificaram a

prioridade do ensino do empreendedorismo de suas faculdades e universidades em RUIM,

MÉDIA, BOA E ÓTIMA. Com 60%, a maioria dos coordenadores dos cursos de

administração do Recife classificaram com média a prioridade dada ao ensino do

empreendedorismo na sua entidade de ensino. E apenas 10% acham que sua entidade tem um

nível de prioridade ótima. E os que acham que seu nível de prioridade é bom, teve 30% no

total, nenhum coordenador classificou sua faculdade ou universidade como ruim.

Em questão ao envolvimento do corpo docente do curso de administração,

perguntamos se já houve algum tipo de abordagem do tema empreendedorismo para os

professores, e 90% dos entrevistados responderam que sim, somente 10% não abordaram o

tema com o corpo decente.

Perguntamos também as como foram feitas as abordagens do tema para os professores,

e 44,44% dos coordenadores responderam que treinamentos externos oferecidos pela

faculdade foram às maneiras de capacitar os professores sobre o assunto, e 44,44 responderam

que os professores tiveram a oportunidade de assistirem palestras de profissionais

terceirizados, e apenas 10,10% tiveram palestras e debateram o assunto com um mestre da

própria escola.
40

Foram abordados na pesquisa quais seriam as ações sobre o ensino do

empreendedorismo que a faculdade ou universidade iria desenvolver no ano de 2005, e 100%

dos coordenadores irão desenvolver e incentivar trabalhos, artigos, monografias e promoverão

palestras, workshops, e seminários para alunos e professores.

Por último o questionário procurou saber dos coordenadores qual o principal foco do

estudo do empreendedorismo na faculdade, para saber qual perfil do estudante daquela

instituição, para qual caminho ele tende a seguir, si pra o intra empreendedorismo, para

abertura de novos negócios ou só ter uma noção do conceito do empreendedorismo.

Então com 60% o intra empreendedorismo é o principal objetivo dos cursos de

administração de Recife, 30% dos cursos incentivam a criação de novas empresas, e 10% só

querem dar noção do assunto aos alunos.

Podemos concluir que as faculdades e universidades ainda têm uma cultura de formar

gerentes e não empreendedores ou donos do seu próprio negócio. É tanto que a maioria das

instituições tem como objetivo principal desenvolver o espírito empreendedor dentro das

organizações, ao invés de incentivar a abertura de novos negócios. É importante o incentivo

desde o começo do curso, para que a capacidade de cada aluno possa ser identificada e ai sim,

deixa o aluno preparado tanto para ser um empresário-empreendedor ou um gerente-

empreendeor, que é o que o mercado espera dele.


41

CONCLUSÃO

O empreendedorismo tem papel fundamental em qualquer economia do mundo, desde

os paises subdesenvolvidos aos mais desenvolvidos. O empreendedorismo é por muitos

autores considerado o “motor da economia”, são os empreendedores os responsáveis de

milhares de empregos e renda tanto para o estado como para as famílias.

É necessário estimular desde cedo as características empreendedoras de cada pessoa, e

a maneira disto acontecer é a implementação do ensino de empreendedorismo já no ensino

médio, com aulas de noções gerais e de prática. Nossas escolas falham em capitalizar o

potencial dos estudantes quando deixam de estimulá-los a abrir um negócio próprio.

A necessidade dos indivíduos possuírem um perfil empreendedor, que possa garantir a

eles e à sociedade uma ocupação econômica digna, reafirma a importância do empreendedor

no mundo atual. Suas características transformam-no em importante agente de

desenvolvimento econômico e social

As universidades têm o dever de formar patrões e não empregados, nossos

universitários têm muito talento e criatividade, o que falta é a pratica e uma base sólida ainda

durante o curso, para que se sintam seguros em tocar seus próprios negócios e suas idéias.

Considerando o grau de escolaridade do empreendedor brasileiro baixo, e

conseqüentemente, o seu despreparo para tocar o negócio, as escolas e universidades são

também culpadas na gestão das empresas que quebram.

Pode-se desenvolver nas pessoas características empreendedoras, através de

programas educacionais que difundem estudos comportamentais, conhecimentos, habilidades

técnicas, de gestão de negócios e relações humanas, para se iniciar um novo negócio ou

administrar um já existente.
42

Dentro deste contexto, as instituições de ensino superior assumem especial

importância por abrigarem os cursos de administração que desempenham um papel

igualmente singular nas discussões em torno do tema empreendedorismo.

O empreendedorismo é fundamental para os países em desenvolvimento, conforme

comprovado ao longo do artigo, e para a geração de novos empreendimentos é necessário o

maior número possível de empreendedores com características comportamentais e

conhecimentos técnicos para o desenvolvimento contínuo de seus empreendimentos. Assim,

devem-se aprimorar os conhecimentos ao redor do ator principal do evento empreendedor, e

as universidades devem não somente se preocupar em estudá-los mas também em desenvolvê-

los para a sociedade.


43

REFERÊNCIAS

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44

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GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. GEM 2000 - Financing report. Londres,

2005. Disponível em: www.sebrae.com.br. Acesso em: 15 julho de 2005.

GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. GEM 2004 - Financing report. Londres,

2005. Disponível em: www.sebrae.com.br. Acesso em: 15 julho de 2005.

HISRICH, Robert. D. Empreendedorismo. Robert Hisrich e Michael P. Peters; trad. Lene

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LEITE, Emanuel; GOUVEIA, Joaquim José Borges. O fenômeno do empreendedorismo:

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MENDONÇA, Luís Carvalheira de DUARTE FILHO, Emmanuel Wanderley, RAPOSO,

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vencedores. Recife: Bagaço, 2001. 255p.

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45

SILVA, Daniel Nascimento. O empreendedorismo como modismo universitário. Rio de

Janeiro, 2005. Disponível em: http://www.epa.adm.br. Acesso: 15 de julho de 2005.


46

ANEXO

1. Existe disciplina de empreendorismo no curso de Administração?

□ Sim, com carga horária menor que 50h no curso.


□ Sim, com carga horária entre 50 e 100h no curso.
□ Sim, com carga horária maior que 100h no curso.
□ Não

2. O assunto em questão é tratado em outras disciplinas do curso?

□ Sim, no decorrer das aulas são apresentados exemplos de empreendorismo.


□ Sim, os alunos são incentivados a desenvolver a abertura de uma empresa
durante o curso.
□ Sim, de uma forma conceitual.
□ Não.

3. Existe parceria com alguma instituição incentivadora na formação do micro


empresário?

□ Sim, o Sebrae.
□ Sim, palestrantes especializados no assunto.
□ Sim, IEL, FIEPE, ou alguma outra instituição.
□ Não.

4. A instituição de ensino tem algum tipo de programa de incubadora de empresas?

□ Sim, dentro da própria faculdade.


□ Sim, tem convênio com incubadoras fora da faculdade.
□ Já existe um projeto em andamento.
□ Não.

5. A faculdade possui uma Empresa Junior?

□ Existe e realiza mais de 20 trabalhos por semestre.


□ Existe e realiza entre 10 e 20 trabalhos por semestre.
□ Existe e realiza menos de 10 trabalhos por semestre.
□ Não há JR.
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6. Quantos alunos participam da empresa jr?

□ Mais de 15 alunos.
□ Entre 10 e 15 alunos.
□ Entre 5 e 10 alunos.
□ Menos de 5 alunos.
7. Existe algum tipo de incentivo para o desenvolvimento de publicações sobre o
assunto?

□ Sim, monografias.
□ Sim, trabalhos desenvolvidos nas próprias matérias.
□ Sim, publicações em eventos, revistas, sites ou jornais.
□ Não.

8. Existe alguma ação interna para incentivar a abertura de novos negócios?

□ Sim, Feira do empreendedor.


□ Sim, incentivo ao Desafio SEBRAE.
□ Sim, Incubadoras.
□ Sim, Empresa JR.
□ Não.

9. Como coordenador do curso de Administração, qual é a ferramenta mais


importante para o desenvolvimento do empreendorismo para os acadêmicos?

□ Palestras e Workshops sobre o assunto.


□ Trabalhos, monografias e pesquisas desenvolvidas pelos alunos.
□ Fazer parte da empresa JR.
□ Abrir seu próprio empreendimento em uma incubadora.

10. Como o Sr. classificaria a prioridade ao ensino do empreendorismo na sua


entidade de ensino?

□ Ruim.
□ Média.
□ Boa.
□ Ótima.
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11. Na sua instituição de ensino já houve algum tipo de abordagem do tema


empreendorismo para os professores?

□ Sim, palestras dentro da instituição, ministrada por um mestre da escola.


□ Sim, palestras dentro da instituição por profissionais terceirizados.
□ Sim, treinamentos externos.
□ Não.

12. Qual ação empreendedora a faculdade irá desenvolver neste ano de 2005?

□ Abertura da Empresa Jr.


□ Palestras, Worhshops, Seminários para os alunos e/ou professores.
□ Incentivo a trabalhos, monografias, pesquisas cientificas ou publicação de
artigos sobre o tema.
□ Não irá desenvolver nenhuma atividade.

13. Qual o objetivo principal do estudo de empreendorismo na sua faculdade?

□ O intra-empreendorismo (desenvolver o espírito empreendedor dentro de


uma organização).
□ A abertura de novos negócios (incentiva a criação de novas empresas).
□ Só da noção do que é empreendorismo (Conceitua).
□ Todas alternativas acima.

Instituição de Ensino: ______________________________________________

Curso: ___________________________________________________________

Coordenador do Curso: ____________________________________________

Data da Entrevista: _____/_____/_____