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O artigo de opinião visa a defesa de uma ideia, sendo, portanto, necessária a

construção de uma tese sustentada por argumentos que podem gerar uma conclusão a
respeito do assunto de maneira propositiva ou sintética, na maioria das vezes.

Para escrever um bom texto, o(a) autor(a) deve antecipar-se quanto aos possíveis
posicionamentos contrários de seu interlocutor, utilizando-se da contra-
argumentação. Portanto, é essencial estudar bastante o assunto antes da produção do
texto, para que o discurso não se limite ao senso comum e seja, sobretudo,
convincente.

Durante a construção do projeto de texto, lembre-se de que:

O artigo de opinião, por tratar de temas da atualidade, polêmicos e até mesmo


provocativos, exigirá do(a) autor(a) competência para a seleção dos melhores
argumentos sem desrespeitar o interlocutor ou subestimar posições alheias.
É um texto a ser publicado em veículos de comunicação que podem ter leitores de
diferentes perfis. Nesse sentido, é fundamental adequar a linguagem, prevendo as
características do público que acessa aquele determinado meio.
O título deve ser atrativo, convidativo. Nesse momento, com criatividade, já é
possível a adesão do leitor às ideias a serem defendidas no artigo.
É permitido flexionar verbos e pronomes na 1ª pessoa do singular, ou seja, embora
seja essencial a fundamentação das opiniões apresentadas, elas podem ser
construídas de forma subjetiva. Contudo muitos articulistas optam pela 3ª pessoa do
discurso.
Considerando as características dos veículos de publicação, o artigo de opinião é
um texto geralmente curto, com linguagem direta, objetiva, simples e harmônica.

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Estrutura de um artigo de opinião


Embora cada articulista possa demonstrar o seu estilo de escrita, sobretudo aqueles
mais consagrados, minimamente é possível reconhecer alguns elementos
composicionais:

Introdução — contextualização e/ou apresentação da questão que está sendo


discutida.
Desenvolvimento — explicitação do posicionamento adotado com a utilização de
argumentos e de contra-argumentos; apresentação de dados, informações e discurso de
autoridade.
Conclusão — ênfase/retomada da tese e/ou proposta de intervenção social.
Como se faz um artigo de opinião?
Estude bastante o assunto que pretende abordar, verifique autores que já
trabalharam o tema, e selecione informações que estejam adequadas ao seu ponto de
vista.
Lembre-se de utilizar sempre fontes de pesquisa fidedignas.
Construa argumentos fortes, que tenham fundamentação pertinente e que de fato
sustentem o ponto de vista. Evite o uso exagerado de discursos do senso comum.
Tente prever quais argumentos o “outro lado” poderia utilizar e antecipe-se,
fortaleça o ponto de vista defendido refutando o que lhe é contrário.
Retome a tese para construir sua conclusão. Caso seja possível, apresente uma
proposta exequível de intervenção social, como forma de apontar caminhos para a
solução do problema tratado no texto.
Não se esqueça de adequar a linguagem ao público leitor.
Produza um título criativo.
Leia também: Carta argumentativa: outro gênero pertencente ao tipo argumentativo

Exemplo de artigo de opinião


Para onde foram os empregos da classe média?
Em várias áreas, as tecnologias provocam transformações e redução de empregos.
José Pastore |1|

Estudos recentes sobre o impacto das tecnologias no mercado de trabalho indicam que
a destruição de empregos não é tão catastrófica quanto se pensava. Países que usam
intensamente as tecnologias modernas registram taxas de desemprego muito baixas:
Estados Unidos (3,7%), Alemanha (3%), Coreia do Sul (3%), Japão (2,2%) e outros.
Preocupa, porém, o fato de as novas tecnologias conspirarem contra a classe média
(FREY. C. B. The technology trap. Princeton: Princeton University Press, 2019;
OECD. Under pressure: the squeezed middle class. Paris: OECD, 2019).

As mudanças tecnológicas do passado demandaram uma aceleração da educação que


redundou em bons empregos e bons salários para a classe média. No entanto, a
revolução tecnológica, ora em andamento, está eliminando a necessidade da
intervenção humana em profissões típicas da classe média — técnicos, chefes,
gestores, supervisores, controladores, auditores, contadores, corretores,
secretárias e até médicos, advogados, engenheiros e professores.

Em várias áreas, as tecnologias provocam transformações e redução de empregos. Por


exemplo, as muitas secretárias, que antes datilografavam, arquivavam e faziam
ligações telefônicas, deram lugar a poucas profissionais que, além de digitarem e
telefonarem, fazem pesquisas na internet, organizam viagens e eventos, controlam
custos, orientam novatos e executam outras atividades. Isso ocorre com inúmeras
profissões de classe média para as quais o diploma deixou de ser garantia para bons
empregos.

Essas mudanças levaram muitos profissionais de classe média a migrarem para


atividades de menor qualificação, com produtividade e salários mais baixos —
zeladores, vendedores, entregadores, motoristas, garçons, recepcionistas,
jardineiros, cuidadores etc. A mobilidade social passou a ser descendente. É
verdade que os mais qualificados subiram para a zona dos altos salários, mas são
poucos. As novas tecnologias vêm gerando uma polarização no mercado de trabalho,
aumentando a desigualdade. A produtividade do trabalho tem subido mais do que a
renda de muitos profissionais de classe média.

É verdade que as tecnologias modernas geram novas e boas oportunidades de trabalho,


mas, para grande parte da classe média, elas têm sido piores do que as anteriores.
Para muitos, viver com trabalho instável e precário passou a ser o novo normal. A
frustração gerada por esse processo tem se refletido no campo da política. A
ascensão de governantes populistas é observada por toda parte, inclusive no Brasil.
Setenta e cinco por cento dos brasileiros acham que a economia brasileira foi
capturada pelos ricos e buscam líderes populistas que prometem reverter o processo
num passe de mágica.

Nos anos de 1950-70, o Brasil foi campeão de mobilidade social ascendente. Muitos
trabalhadores de origem rural e pouco qualificados conseguiram inserir-se na
indústria nascente, apreendendo em serviço, e subindo na escala social. Os que
tinham alguma qualificação progrediram ainda mais ao empregarem-se nas empresas
estatais e nas entidades financeiras que rapidamente expandiram-se naquela época.
Embora em menor escala, a mobilidade prosseguiu nos anos de 1980-90, e no início
dos anos 2000, houve a ascensão de trabalhadores das classes baixas para a média
inferior.

Com a chegada dos anos recessivos (2014-18), o desemprego e a informalidade


aumentaram, dando claros sinais de descenso social para os que tinham recém-chegado
aos primeiros degraus da classe média. Hoje, são raros os filhos adultos que estão
em situação social melhor do que a de seus pais. O que será do restante da classe
média quando a economia brasileira voltar a crescer e incorporar as novas
tecnologias? Para aonde irão os poucos empregos ali restantes? É bem provável que a
mobilidade descendente prossiga e que as escolhas populistas avancem. Só um choque
de boa educação e qualificação para o novo trabalho pode deter essa tendência.