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JOSE MANUEL SALAMANCA HERNANDEZ

Arte Moderna
Arte moderna é o nome dado aos movimentos artísticos que brotaram na Europa
nos últimos anos do século XIX. Essas vanguardas artísticas, como ficaram
conhecidas, prolongaram-se até a metade do século seguinte, chegando ao Brasil
em torno dos anos 20.

Nessa época, os artistas buscavam outros olhares e maneiras de representar o


mundo, descolando-se da arte tradicional.

Assim, surgiram diversas vertentes nas artes plásticas como expressionismo,


fauvismo, cubismo, abstracionismo, futurismo, surrealismo e dadaísmo.

Arte Moderna no Brasil


No Brasil, o movimento modernista surgiu posteriormente às vanguardas
europeias. Aqui, o período decisivo para sua consolidação foi a década de 20,
com a Semana de Arte Moderna. Entretanto, já havia artistas realizando obras
com características modernas alguns anos antes.
JOSE MANUEL SALAMANCA HERNANDEZ
JOSE MANUEL SALAMANCA HERNANDEZ

A estudante russa (1915), de Anita Malfatti. Uma das primeiras pinturas modernistas no


Brasil

Contexto histórico

O contexto histórico que o país vivia no início do século XX era de crescimento,


progresso, industrialização e a chegada de muitos imigrantes, que vinham de
diversas partes do mundo para reconstruir a massa trabalhadora depois da
abolição da escravatura.

Era um momento de fortalecimento do capitalismo e portanto os conflitos sociais


também se acirravam. Houve, por exemplo, greves de imigrantes operários
organizados por movimentos anarquistas em busca de melhores condições de
vida.

Assim, começa a surgir a necessidade de um novo tipo de arte que transmita os


anseios vigentes e as esperanças no futuro.

Paralelamente a isso, já ocorria na Europa uma busca pela experimentação e


ruptura das tradições. Então, alguns artistas brasileiros entraram em contato com
essa agitação em terras estrangeiras e trouxeram um frescor artístico e o
empenho em implementar uma arte nova por aqui.

Nomes essenciais nesse momento foram Lasar Segall (1891-1957) e Anita Malfatti
(196-1964), que podem ser considerados os precursores da arte moderna no país,
realizando exposições ainda nos anos 10.

Importante dizer que a arte de Anita foi duramente criticada e mal compreendida
por boa parte da intelectualidade brasileira, sobretudo por Monteiro Lobato. Já
Lasar Segall, por ser de origem estrangeira (Lituânia), não sofreu grandes críticas.

Semana de Arte Moderna

Com toda essa movimentação, outros artistas também estavam explorando novos
rumos na arte e na literatura.

Assim, eles decidem organizar uma espécie de "festival", onde apresentam suas
mais novas produções. Dessa forma nasce a "Semana de Arte Moderna", ou
"Semana de 22", como também ficou conhecida.
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Cartazes da Semana de Arte Moderna, feitos por Di Cavalcanti

O evento fez parte das comemorações dos cem anos de independência do Brasil,
em 1922, e foi realizado no Theatro Municipal de São Paulo, de 13 a 18 de
fevereiro desse mesmo ano.

A intenção dos artistas era trazer novidades e desafiar os padrões vigentes da


arte, ainda muito conservadora e atrelada aos valores do século XIX.

Essa foi uma mostra que exibiu aproximadamente 100 obras de arte e contou com
apresentações literárias e musicais. A ideia da Semana, na realidade, foi inspirada
pelo evento francês Semaine de Fêtes de Deauville e contou com o apoio de
Paulo Prado, um mecenas que conseguiu suporte financeiro com barões do café.

Para saber mais, leia: Tudo sobre a Semana de Arte Moderna.


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Representantes brasileiros da arte moderna

Foram vários os artistas que contribuíram para para a consolidação da arte


moderna no Brasil, tanto nas artes plásticas quanto na literatura. Além dos
pintores Anita Malfatti e Lasar Segall, que já estavam à frente nesse tipo de arte,
tivemos:

 Di Cavalcanti (1897-1976) - pintor, ilustrador, escritor e gravurista. Foi uma figura


essencial para a realização da Semana de 22, considerado o grande idealizador.
 Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) - O pintor é um dos primeiros a explorar a
estética cubista com temas característicos do Brasil, como mitos indígenas.
 Victor Brecheret (1894-1955) - um dos maiores nomes da escultura no Brasil.
Teve influência de Auguste Rodin e suas obras tinham elementos expressionistas e
cubistas.
 Tarsila do Amaral (1886-1973) - pintora e desenhista. Não participou da Semana
de Arte Moderna porque estava na França participando de uma exposição. Entretanto,
teve papel fundamental no movimento modernista denominado Antropofagia.
 Manuel Bandeira (1886-1968) - escritor, professor e crítico de arte. Sua produção
literária trazia inovações na forma de se expressar e à principio questionava os poetas
parnasianos. O poema Os sapos foi declamado na Semana de Arte Moderna.
 Mario de Andrade (1893-1945) - escritor marcante da primeira geração de
modernistas no Brasil. Sua produção valorizava a identidade e cultura nacional.
 Oswald de Andrade (1890-1954) - escritor e dramaturgo. Uma das figuras
centrais no modernismo literário, com um estilo irreverente e ácido, revisitando as origens
do Brasil de forma questionadora.
 Graça Aranha (1868-1931) - escritor e diplomata. Ajuda a fundar a Academia
Brasileira de Letras e tem papel fundamental na Semana de Arte Moderna.
 Menotti Del Picchia (1892-1988) - escritor, jornalista e advogado. Em 1917
publica o romance Juca Mulato, sua obra prima, considerada pré-modernista. Participa
em 1922 da Semana de Arte Moderna, coordenando a segunda noite do evento.
 Villa Lobos (1887-1959) - compositor e maestro. Um dos maiores músicos
brasileiros, com grande reconhecimento internacional também. Sua estreia foi na Semana
de Arte Moderna, onde sua obra não foi compreendida pelo público.
 Giomar Novaes (1895-1979) - pianista. Também participou da Semana de 22 e foi
rechaçada na época. Entretanto construiu forte carreira no exterior e foi uma grande
propagadora da música de Villa Lobos.

Você também pode se interessar por: Modernismo no Brasil: características, fases


e contexto histórico.

Arte Moderna na Europa


A arte Moderna surgiu primeiramente na Europa como decorrência do momento
conturbado que se vivia. Era início de um novo século e os anseios por mudanças
permeavam a sociedade e o universo das artes.
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Dessa forma, foram aparecendo diversos movimentos artísticos que buscavam


romper com os padrões e tradições. Pode-se pensar que os impressionistas foram
os primeiros a "inaugurar" a arte moderna, pois estes estavam experimentando
diferentes meios de imprimir a realidade nas telas.

Entretanto, apesar de terem sido cruciais para o desenvolvimento das novas


vanguardas, eles continuavam presos ao mesmo objetivo dos artistas
conservadores. Tal intenção era representar o mundo da forma mais real possível,
mas trazendo inovações na forma de explorar as nunces de cor, luz e
enquadramento.

Nessa época, a consolidação da fotografia trouxe alguns questionamentos e


influências no campo das artes.

Já as vertentes que se seguiram tinha a intenção de subverter ideias, sensações e


trazer questionamentos por meio de obras que sugeriam novas formas, cores e
abordagens.

Leia também: Modernismo: resumo e contexto histórico.

Movimentos e artistas da Arte Moderna


Expressionismo

Essa vertente originou-se na Alemanha, mais precisamente na cidade de Dresden.


Em 1904 os artistas Ernst Kirchner (1880-1938), Erich Heckel (1883-1970) e Karl
Schmidt-Rottluff (1884-1976) criaram o grupo Die Brücke, com tradução para "A
ponte".
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Obra expressionista O ginete circense (1913), de Ernst Kirchner


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O coletivo tinha como intenção imprimir em suas obras um caráter mais


sentimental, expressando assim as angústias e emoções que floresciam na
sociedade moderna, logo no início do século XX.

O expressionismo foi também uma oposição ao movimento anterior, o


impressionismo, que buscava apenas estudar os fenômenos óticos, de luz e
cores, não se importando com questões psicológicas do ser humano.

Importantes artistas que influenciaram fortemente esse movimento foram Vincent


van Gogh (1853-1890) e Edvard Munch (1863-1944).

Para saber ainda mais sobre esse assunto, leia: Expressionismo: principais obras
e características.

Fauvismo

O fauvismo foi um movimento que surgiu a partir de uma exposição de jovens


artistas em Paris. O ano era 1905 e o nome que ficou mais conhecido foi o de
Henry Matisse (1869-1954).
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A mesa de jantar ou Harmonia em vermelho (1908), de Henry Matisse

Na exposição, as obras foram pouco compreendidas e, por conta disso, os


pintores foram chamados de les fauves, “as feras” em português. Isso porque, as
cores e formas que eram utilizadas tinham pouco ou nenhum compromisso com a
realidade.

As principais características dessa vertente eram as cores intensas e puras e a


falta de sombreamento nas figuras.

Além de Matisse, outros nomes que representam essa corrente são: André Derain
(1880-1954), Maurice de Vlaminck (1876-1958), Othon Friesz (1879-1949).

O fauvismo acabou por influenciar grandemente uma nova maneira de colorir e


estampar objetos de arte, design e vestuário atualmente.
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Cubismo

O cubismo pode ser considerado o movimento de vanguarda que mais


transformou a arte do seu tempo. Desenvolvido por Pablo Picasso (1881-1973) e
Georges Braque (1883-1963), essa corrente tinha como finalidade reformular a
maneira de se exibir figuras e formas.
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As senhoritas D'Avignon (1907), de Pablo Picasso é considerada a primeira tela cubista

O propósito da vertente era de subverter a representação, apresentando a


realidade de maneira a criar a impressão de que a as formas estivessem "abertas"
e todos os seus ângulos fossem mostrados.
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Por isso, a geometria ganhou forte apelo no cubismo. Inspirados pelo pintor Paul
Cézanne (1839-1906), que começou a pintar simplificando os corpos e usando
bastante a forma cilíndrica em suas telas, Picasso e Braque desenvolveram o
cubismo analítico e o cubismo sintético.

Para aprofundar seus conhecimentos, leia também: O que foi o Cubismo? Saiba
mais sobre o movimento artístico.

Abstracionismo ou Arte Abstrata

A arte abstrata tem como intuito um tipo de expressão que não tem qualquer
diálogo com o figurativismo. Seu maior expoente foi o pintor russo Wassily
Kandinsky (1866-1944).

No abstracionismo, a intenção é criar imagens explorando as formas, linhas, cores


e nunces, sem o menor comprometimento com a realidade. Assim, em 1910,
Kandinsky cria a sua primeira obra abstrata, o quadro Batalha.
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Batalha (1910), de Kandinsky é considerada a primeira obra abstrata

Posteriormente, outras vertentes da arte abstrata surgiram. No Abstracionismo


Informal eram valorizadas as sensações e sentimentos, predominando formas
mais livres e orgânicas.

Já no Abstracionismo Geométrico prevaleciam composições mais racionais e


geométricas, cujo maior expoente foi Piet Mondrian (1872-1974).

Saiba mais em: Obras famosas do Abstracionismo.

Futurismo

O movimento futurista teve como idealizador o escritor Filippo Tommaso Marinetti


(1876-1944), que escreveu o Manifesto Futurista. Depois, as artes plásticas se
inspiraram nesse manifesto e criaram um documento direcionado principalmente à
pintura.
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V-elocidade do automóvel (1923), obra futurista de Giacomo Balla

Nessa corrente, eles valorizavam a velocidade, a indústria, as inovações


tecnológicas que surgiam e tinham apreço pela ideia de futuro e progresso.

Na pintura, os maiores expoentes foram Umberto Boccioni (1882-1916), Carlo


Carrà (1881-1966), Luigi Russolo (1885-1947), Giacomo Balla (1871-1958) e Gino
Severini (1883-1966).

Dadaísmo

No decorrer da Primeira Guerra Mundial (1914-1978), muitos artistas e intelectuais


estavam descontentes com o rumo que o mundo estava tomando. Assim, alguns
deles refugiaram-se na Suiça, em Zurique, e iniciaram um movimento que
questiona os novos tempos e a incoerência da guerra.
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A fonte (1917), obra dadaísta atribuída a Marcel Duchamp causou e causa polêmica na


arte
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Foi aí que surgiu o movimento Dadá, intitulado pelo poeta Tristan Tzara (1896-
1963), que abriu um dicionário aleatoriamente e escolheu a palavra
francesa dadá (que em português significa "cavalinho").

Essa foi uma maneira de deixar explícita a intenção do grupo, que era a de
mostrar os tempos absurdos e ilógicos, já que a racionalidade parecia ter se
extinguido da humanidade frente aos horrores da guerra.

Dessa maneira origina-se uma corrente da arte que buscava colocar em cheque a
função da arte e satirizar os valores vigentes. Um dos grandes nomes do
dadaísmo foi Marcel Duchamp (1887-1868).

Outros nomes importantes são: Man Ray (1890-1976), Max Ernst (1891-1976) e
Raoul Hausmann (1886-1971).

Acesse: Obras de arte para compreender Marcel Duchamp e o dadaísmo.

Surrealismo

O surrealismo nasce da mesma raiz dadaísta. O poeta francês André Breton


(1896-1966) cria um manifesto em que defende o automatismo psíquico, um
mecanismo que associa o processo criativo às manifestações do inconsciente e
da piquê.
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Os amantes (1928), de René Magritte, é uma obra do surrealismo

Para os surrealistas importava mais que o subconsciente comandasse o que seria


exposto nas obras, propondo temas irracionais, ilógicos e alucinatórios.

Portanto, as obras surrealista têm, quase em sua totalidade, uma aura onírica, ou
seja, traz cenas que sugerem sonhos.

Os artistas que se destacaram nesse tipo de arte foram Salvador Dalí (1904-
1989), Marc Chagall (1887-1985), Joan Miró (1893-1983) e Max Ernst (1891-
1976).

Para conhecer outras obras surrealistas, leia: Obras instigantes do surrealismo.

Características da Arte Moderna


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A arte moderna teve muitas vertentes e cada uma propunha enxergar e analisar
um aspecto de sua época. Portanto, foram bastante diversas as particularidades
dessas vanguardas e as intenções dos artistas.

Ainda assim, algumas qualidades e atributos podem ser observados de forma


geral na arte moderna europeia e brasileira.

Todos esses artistas carregavam um intenso propósito de afastar-se da arte


tradicional do século XIX. Negavam o conservadorismo e
propunham inovação tanto na maneira de representação quanto nos temas
abordados.

Por isso mesmo se lançavam à experimentação e improviso, tateando novos


terrenos criativos.