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A Cultura Cigana

Gypsies, gitanos, zíngaros, ciganas pessoas Rom, juntamente com os Sintos e os Calon ou Calé
são designados vulgarmente por "Ciganos". São pessoas tradicionalmente nómadas, originárias
do norte da Índia e que hoje vivem espalhadas pelo mundo, especialmente na Europa, sendo
sempre uma minoria étnica nos países onde vivem.

A maioria dos Roms fala alguma forma do idioma romanês, língua muito próxima das modernas
línguas indo-europeias do norte da Índia e do Paquistão. A moderna antropologia relacionou a
língua romani com as línguas punjabi e potohari, faladas no norte do Paquistão.

Os Rom são muitas vezes tidos como possuidores de poderes psíquicos (há mesmo o estereótipo
do "cigano que prevê o futuro"), e a invenção do tarô é-lhes por vezes creditada.

As Caravanas - Acampamento em Arles, França, pelo pintor Vincent van Gogh.

Maiores concentrações de ciganos no Mundo:

Alemanha : 100.000
Albânia: 70.000
Argentina: 317.000
Bósnia 17.000
Brasil: 678.000
Bulgária: 700.000 - 800.000
Croácia: 9.463
Espanha : 600.000–800.000
Finlândia: 10.000
Grécia: 300.000-350.000
Hungria: 190.046 (2001 censos)
Irão: 110.000
Macedônia: 53.879
Montenegro: 2.601
Polónia: 15.000–50.000
Portugal: 40.000
Reino Unido: 40.000
República Checa: 120,000 - 220,000
Roménia: 535.140 (2002 censos), outros censos calculam entre 1.500.000 - 2.000.000
Rússia: 183.000
Sérvia: 108.193
Eslováquia: 92.500
Turquia : não oficial 500.000 - 2 milhões de pessoas.
Ucrânia: 48.000

Segundo Carlos Fontes, são originários da Intuía, os primeiros ciganos terão começado a entrar na
Europa por volta do século XII. As primeiras notícias da sua presença em Portugal datam da
segunda metade do século XV.  

Algumas dezenas de anos depois de se instalarem em Portugal, já os ciganos estavam


identificados com a imagem negativa que irá perdurar até aos nossos dias e que continuamente
será evocada para os reprimir ou expulsar. A comunidade cigana resistiu a tudo e aqui
permaneceu.

Hoje enfrenta um novo e decisivo desafio: a integração imposta em nome do progresso e dos
direitos humanos.

Gil Vicente, dedicou-lhes uma peça de teatro - Farsa de Ciganos - representada em Évora, em
1521 ou 1525. Nesta altura, os ciganos são já identificados como comunidade de gente nómada
que se dedica a roubar num sítio aquilo que vão vender no outro. Dominam o comércio das
cavalgaduras, em especial aquelas que se encontram doentes fazendo-as passar por animais de
boa saúde. Celebrizaram-se também por se dedicaram às práticas de feitiçaria, quiromancia e
cartomancia.

Percorrem o país em bandos (quadrilhas) a que se juntam não raro, outros foragidos às malhas da
Lei.

Evocando tudo isto, D. João III, pelo Alvará de 13 de Março de 1526, proibiu-os de entraram em
Portugal, ordenando a expulsão de todos os que aqui viviam. Ao longo dos séculos são inúmeras
as leis promulgadas com idêntica finalidade. Sempre mais severas, mas sempre inúteis. Uma das
últimas, foi a de D. João V, em 10 de Dezembro de 1718.

A partir do século XIX, o Estado deixou de colocar a questão da expulsão dos ciganos, passando
a considerá-los cidadãos portugueses, embora soubesse que estes se auto-excluem de prestar
qualquer serviço à comunidade, nem se manifestam dispostos a aceitarem as suas leis.

Nas últimas décadas, o modo de vida dos ciganos pouco se alterou, enquanto Portugal
permaneceu um país essencialmente rural. Os ciganos continuaram a ser nómadas, dedicando-se
ao comércio ambulante.

O abandono dos campos e a concentração da população portuguesa nas cidades, acabou por
forçar os ciganos a sedentarizarem-se, tendo a maioria deles fixando-se nas períferias das cidades,
onde continuaram a dedicaram-se à venda ambulante, nomeadamente de produtos contrafeitos.

As tradicionais tendas foram substituídas por bairros de barracas. As carroças puxadas mulas
foram substituídas por carrinhas.

Apesar de tudo, os ciganos continuaram a resistir a todo e qualquer processo de integração. As


crianças, sobretudo as raparigas, continuaram a não frequentar as escolas. A escola continua a ser
vista como uma ameaça à própria sobrevivência das tradições e unidade da comunidade cigana.

Nos anos oitenta do século XX, um crescente número  de ciganos envolvem-se no comércio de
droga. Famílias e famílias de ciganos e não ciganos são destruídas por este negócio que marcará
esta comunidade. Este comércio acaba por reacender por todo o país as manifestações racistas
tendo como alvo os ciganos.

Face ao eclodir de "milícias populares" para lincharem estas comunidades ciganas, em 1991, o
governo português lança finalmente um vasto programa de apoio à sua integração social.

O realojamento destas comunidades em bairros construídos para o efeito, está  longe de ter
contribuído para a sua efectiva integração. Frequentemente, como acorre em Lisboa, os bairros
habitados por ciganos estão transformados em locais de grande violência, assistindo-se à sua
rápida degradação. Muitos destes bairros tornaram-se em verdadeiras bases de apoio para a
actuação de bandos de criminosos. Facto que contribui para afastar os restantes moradores não-
ciganos, ou para a não instalação das mais diversas actividades económicas nestes bairros, 
potenciando desta forma a emergência  de verdadeiros guetos urbanos.
A instituição, em 1996, do "rendimento mínimo garantido", foi uma das medidas governamentais
de maior alcance, pois permitiu que muitas crianças ciganas passassem a frequentar as escolas,
uma exigência  para a atribuição do subsídio às famílias. A verdade, é que pouco depois também
se constatou que os resultados da sua escolarização continuavam a ser muito modestos, dado a
elevada taxa de abandono escolar logo após a atribuição do subsídio.

Existem em Portugal cerca de 30 a 50 mil ciganos. O seu número varia bastante conforme as


fontes. Num Inquérito feito em 2001, junto das Câmaras Municipais e de outras entidades pela
SOSRacismo foi apenas apurado um total 21 831 indivíduos de etnia cigana. Segundo este estudo
as comunidades ciganas estão sobretudo concentradas no litoral e nas zonas fronteiriças (Lisboa,
distritos de Viana do Castelo, Castelo Branco, Coimbra e Évora).

Em Mirandela, há vários modos de vida para os ciganos. Alguns vivem em acampamentos,


sobretudo em Estanca-Rios, enquanto outros residem em bairros sociais, em apartamentos e até
em vivendas com boas condições de habitabilidade. O seu modo de vida está sobretudo
direccionado para a venda ambulante nas várias feiras do distrito de Bragança. Contudo, outros
dedicam-se à mendicidade ou estão dependentes de prestações sociais como o Rendimento Social
de Inserção. A Câmara Municipal de Mirandela tem recebido inúmeros ciganos em Programas
Ocupacionais do IEFP, sobretudo na área da jardinagem.

O Abade de Baçal nas suas «Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança» dedica


um texto aos ciganos no distrito de Bragança no tomo V. Segundo ele, aparecem pela primeira
vez na Alemanha em 1417 donde se espalharam pelo resto da Europa. E quanto aos costumes,
segundo os descrevem os escritores do tempo, eram os mesmos de hoje, isto é, vaguear de terra
em terra, roubar quanto podiam, ler a buena dicha, pouca religião, vestidos imundos, rosto
trigueiro amarelado, cabelos pretos. A buena dicha juntaram práticas supersticiosas de feitiçaria
para melhor armar os efeitos rapinantes.

Mais acrescenta que na legislação portuguesa se encontram diversos artigos referentes aos
ciganos que mostram a importância numérica deste grupo étnico. O mais antigo que se conhece é
o alvará de 13 de Março de 1526 que manda que não sejam admitidos no reino e que sejam
expulsos os existentes.

O Abade de Baçal apresenta no tomo V, nas páginas 201 a 204, o calão dos ciganos no distrito de
Bragança e a sua significação.

Hélder Rodrigues, professor em Carrazeda de Ansiães, concluiu, num estudo por si realizado e
publicado em livro com o título “Ciganos – Percursos de integração e de reivindicação da
identidade”, que o actual modelo de ensino não é eficaz para as crianças da comunidade cigana
local. A prová-lo está a taxa de sucesso escolar no final do primeiro ciclo, ao longo dos últimos
cinco anos, que é de 1,46%. Só com uma escola aberta e voltada para o ensino profissional os
ciganos terão “condições para integrar o mercado de trabalho”.
Hélder Rodrigues conclui que a comunidade cigana é “gente pacata que vive na miséria”.

USOS, COSTUMES, CRENÇAS E RITUAIS

A família é sagrada para os ciganos. Os filhos normalmente representam uma forte fonte de
subsistência. As mulheres através da prática de esmolar e da leitura de mãos. Os homens, atingida
uma certa idade, são frequentemente iniciados em outras actividades como acompanhar o pai às
feiras para ajudá-lo na venda de produtos artesanais.

Além do núcleo familiar, a família extensa, que compreende os parentes com os quais sempre são
mantidas relações de convivência no mesmo grupo, comunhão de interesses e de negócios,
possuem frequentes contratos, mesmo se as famílias vivem em lugares diferentes.

Os ciganos não representam um povo compacto e homogéneo. Mesmo  pertencendo a uma única
etnia, existe a hipótese de que a migração desde a Índia tenha sido fraccionada no tempo, e que
desde a origem fossem divididos em grupos e subgrupos, falando dialectos diferentes.

As diferenças no tipo de vida, a forte vocação ao nomadismo de alguns, contra a tendência à


sedentarização de outros gera uma série de contrastes que não se limitam a uma simples
incapacidade de conviver pacificamente.

Em linhas gerais, os Sintos são menos conservadores e tendem a esquecer com maior rapidez a
cultura dos pais. Talvez este facto não seja recente, mas de qualquer modo é atribuído às
condições socioculturais nas quais por longo tempo viveram.

Quanto aos Rom de imigração mais recente, se nota ao invés uma maior tendência à conservação
das tradições, da língua e dos costumes próprios dos diversos subgrupos. A sua origem desde
países essencialmente agrícolas e ainda industrialmente atrasados (leste europeu) favoreceu
certamente a conservação de modos de vida mais consoantes à sua origem.

Não é possível, também em razão da variedade constituída pela presença conjunta de vários
grupos, fornecer uma explicação detalhada das diversas tradições. Alguns aspectos principais,
ligados aos momentos mais importantes da existência, merecem ser descritos, ao menos em linhas
gerais.

Antigamente era muito respeitado o período da gravidez e o tempo sucessivo ao nascimento do


herdeiro; havia o conceito da impureza coligada ao nascimento, com várias proibições para a
parturiente. Hoje a situação não é mais tão rígida; o aleitamento dura muito tempo, às vezes se
prolongando por alguns anos.

No casamento tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou subgrupo, com notáveis
vantagens económicas. Um cigano pode casar-se com uma gadjí, isto é, uma mulher não cigana, a
qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições ciganas.

A importância do dote é fundamental especialmente para os Rom; no grupo dos Sintos se tende a
realizar o casamento através da fuga e consequente regularização. Aos filhos é dada uma grande
liberdade, mesmo porque logo deverão contribuir com o sustento da família e com o cuidado dos
menores.

No que se refere à morte, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito
tempo. Junto aos Sintos parece prevalecer o costume de queimar-se a kampína (o trailer) e os
objectos pertencentes ao defunto.

Entre os ritos fúnebres praticados pelos Rom está a pomána, banquete fúnebre no qual se celebra
o aniversário da morte de uma pessoa. A abundância do alimento e das bebidas exprimem o
desejo de paz e felicidade para o defunto.

Uma criança sempre é bem vinda entre os ciganos. É claro que sua preferência é para os filhos
homens, para dar continuidade ao nome da família. A mulher cigana é considerada impura
durante os quarenta dias de resguardo após o parto.

Logo que uma criança nasce, uma pessoa mais velha, ou da família, prepara um pão feito em
casa, semelhante a uma hóstia e um vinho para oferecer ás três fadas do destino, que visitarão a
criança no terceiro dia, para designar sua sorte. Esse pão e vinho serão repartidos no dia seguinte
com todas as pessoas presentes, principalmente com as crianças.

Da mesma forma e com a finalidade de espantar os maus espíritos, a criança recebe um patuá
assinalado com uma cruz bordada ou desenhada contendo incenso. O baptismo pode ser feito por
qualquer pessoa do grupo e consiste em dar o nome e benzer a criança com água, sal e um galho
verde. O baptismo na igreja não é obrigatório, embora a maioria opte pelo baptismo católico.

Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos


normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias.

O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da
raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando isso
acontece a pessoa é excluída do grupo.

É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos não podem ter nenhum
tipo de intimidade antes do casamento. Quando o casamento acontece, durante três dias e três
noites, os noivos ficam separados dando atenção aos convidados, somente na terceira noite é que
podem ficar pela primeira vez a sós.

Mesmo assim, a grande maioria dos ciganos, ainda exige a virgindade da noiva. A noiva deve
comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é mostrada a todos no dia
seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses terão que
pagar uma indemnização para os pais do noivo.

No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela se veste com uma roupa
tradicional colorida e um lenço na cabeça, simbolizando que é uma mulher casada. Durante a
festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de uma mesa no chão e com um pão
grande sem miolo, recebem dos os presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro.

Estes são colocados dentro do pão ao mesmo tempo em que os noivos são abençoados. Em troca
recebem lenços e flores artificiais para as mulheres. Geralmente a noiva é paga aos pais em
moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva.

Quando os ciganos deixaram o Egipto e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Arménia,
chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto
da Europa.

A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. A música e a dança
cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na
música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, reflectida no ritmo dos
ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco.

Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um
reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional
símbolo da música cigana. Liszt e Beethoven buscaram na música cigana inspiração para muitas
de suas obras.

Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores,
pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música de Bizet, Manuel de Falla e
Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a
trajectória desse povo.

Os ciganos acreditam na vida após a morte e seguem todos os rituais para aliviar a dor de seus
antepassados que partiram. Costumam colocar no caixão da pessoa morta uma moeda para que
ela possa pagar o canoeiro a travessia do grande rio que separa a vida da morte.

Antigamente costumava-se enterrar as pessoas com bens de maior valor, mas devido ao grande
número de violação de túmulos este costume teve que ser mudado. Os ciganos não encomendam
missa para seus entes queridos, mas oferecem uma cerimónia com água, flores, frutas e suas
comidas predilectas, onde esperam que a alma da pessoa falecida compartilhe a cerimónia e se
liberte gradativamente das coisas da Terra.

As cerimónias fúnebres são chamadas "Pomana" e são feitas periodicamente até completar um
ano de morte. Os ciganos costumam fazer oferendas aos seus antepassados também nos túmulos.
LITERATURA

Existem alguns livros sobre o povo cigano, sendo o mais completo e interessante o livro «O Povo
Cigano», de Olímpio Nunes, que aborda a história do povo cigano, a cultura cigana e o povo
cigano no século XX.

A obra «Etnografia Portuguesa», de António Augusto da Rocha Peixoto (1866-1909) contém um


artigo sobre os ciganos em Portugal (págs. 44 a 50), assim como o volume IV da «Etnografia
Portuguesa», de Dr. José Leite de Vasconcelos, editada pela Imprensa Nacional- Casa da Moeda,
em 1980. Os artigos são a origem e presença em Portugal, a vida material e as práticas, a
organização política e social e a vida psíquica.

A Pàscoa na Cultura Cigana.

A Cultura Cigana, prima por uma religiosidade muito forte, perante a


vida, se mesclando nas tarefas comuns do dia a dia, fazendo com que a
nossa vida, seja permeada de magia. Nossa religiosidade ímpar, que agrupa
elementos de varias linhas de magia, tem uma influencia grande, nos
ritos do calendário de Cristo. Pelo amor que temos a Cristo, e por crer
nos seus ensinamentos absolutos, na seara da caridade e amor ao próximo.
Sendo assim a semana santa, nos trás alegrias e oportunidades para que
se faça vários tipos de magias. Durante a semana (de segunda a quinta
feira), fazemos nossos pedidos, para as "Almas", reforçando nossos
pedidos mais urgentes. Na sexta feira, nos abstemos dos jogos de baralho
(pois além de mal- pressagio, é desrespeito). Mas podemos fazer alguma
magia exatamente às 15:00 hs para alguma necessidade, que nos aflige e que
necessitamos resposta rápida. No sábado, podemos fazer uma limpeza

astral, no nosso corpo e alma, para aproveitar a força deste dia de


queimar posturas que não desejamos na nossa vida, utilizando banhos, ervas,
cristais e coisas muito conhecidas na cultura cigana, como o tradicional
banho de manjericão. Cristo para nós foi o maior dos ciganos.

Pois
como se fez entender muito bem Asséde Paiva - "ele foi um pobre Galileu,
sem eira nem beira, não tinha casa, nem terra e também não se agarrava a
valores materiais, além de ser nômade e fazer de sua vida, a premissa
a auxiliar ou irmãos (ou seja, todos que cruzaram o seu caminho), ele
andou quase que por todas as cidades e aldeias, pobre como a maioria dos
ciganos do mundo". Por este motivo, seguimos suas leis, respeitando as
escolas iniciáticas existentes, sempre adequando o melhor de cada,
entrosando na nossa cultura. Por isso a páscoa é tão importante para nós,
assim como também, sabemos da egrégora destes dias para dar auxilio aos
que nos procuram, em busca de conforto e das palavras amigas, que as
ciganas sabem dar a quem confessa seus temores, indicando caminhos,
servindo o chá, dando carinho.
Por: Ramona Torres.

A Pàscoa na Cultura Cigana

Em 8 de Abril é comemorado o Dia Internacional dos Ciganos (International Roma Day), uma
ocasião que pretende dar visibilidade à presença das comunidades ciganas em todo o mundo.

Esta data, à semelhança da bandeira e do hino ciganos, foi oficializada no primeiro Congresso
Mundial Roma/Cigano que teve lugar em Londres em 1971, tendo hoje grande difusão no espaço
europeu e mundial, sendo formalmente aceite pela grande maioria das Associações e ONG’s das
comunidades ciganas.

A celebração do Dia Internacional dos Ciganos tornou-se desde os últimos anos uma importante
ocasião para o reconhecimento internacional dos Ciganos/Roma, da sua história, língua e cultura.
Apesar desta ser uma data relativamente desconhecida para
a grande maioria das pessoas, hoje é celebrada em diversos países dos cinco continentes como
uma chamada de atenção para a discriminação que em muitas ocasiões estas comunidades são
alvo.
Em 2000 o então Papa João Paulo II contribuiu também para a difusão do 8 de Abril com uma
audiência na Praça de S. Pedro a diversas organizações ciganas, tendo solicitado mais respeito e
apoio a estas populações. Em 2002 o dia 8 de Abril adoptou uma vistosa celebração, chamada
Cerimónia do Rio, em que as organizações ciganas se reuniram junto aos principais rios de todo o
mundo para lançar flores e acender velas em memória dos seus antepassados e das vítimas
ciganas do Holocausto Nazi.

As populações ciganas perfazem, hoje, cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Na


Europa constituem a minoria étnica mais importante e numerosa com cerca de 8 milhões de
pessoas. Em Portugal estima-se que vivam cerca de 40 mil portugueses de etnia cigana e ainda
um número indeterminado de ciganos (Rom) oriundos da Europa Central e de Leste.

Em Portugal, o Dia Nacional do Cigano é comemorado em 24 de Junho, festa de S. João Baptista,


dia tradicionalmente festejado pelos ciganos desse país.
Rom (povo)
O povo Roma (Rom, na forma singular), juntamente com os Sintos e os Calon ou Calé são
designados vulgarmente por "Ciganos". São pessoas tradicionalmente nômades. Estudos
linguísticos realizados a partir do século XX indicam que são originários do norte da Índia e que
hoje vivem espalhadas pelo mundo, especialmente na Europa, sendo sempre uma minoria étnica
nos países onde vivem.

Sinto (etnia)
O povo sinto, conhecido vulgarmente como povo cigano, é originário da Áustria e da Alemanha.
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Nomadismo
O nomadismo é a prática dos povos nômades, ou seja, que não têm uma habitação fixa, que
vivem permanentemente mudando de lugar. Usualmente são os povos do tipo caçadores-
coletores, mudando-se a fim de buscar novas pastagens para o gado quando se esgota aquela em
que estavam. Os nômades não se dedicam à agricultura e frequentemente ignoram fronteiras
nacionais na sua busca por melhores pastagens.

Século XX
O século XX foi o período de cem anos iniciado em 1 de janeiro de 1901 e terminado em 31 de
dezembro de 2000 que se notabilizou pelos inúmeros avanços tecnológicos, conquistas da
civilização e reviravoltas em relação ao poder. No entanto, esses anos podem ser descritos como a
"época dos grandes massacres", já que nunca se matou tanto como nos conflitos ocorridos no
período. Em muitos países da Europa e da Ásia, o século XX também foi largamente apelidado de
"Século Sangrento". O historiador Eric Hobsbawn considera, de maneira figurada, o século XX
como o período entre a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e o colapso da URSS,
em 1991. Hobsbawn chama esse período de Era dos Extremos.

Índia
A Índia ou República da Índia (भारत Bharat, em devanágari; India, em inglês) é um
país federal asiático, que ocupa a maior parte do subcontinente indiano e ainda as
ilhas Laquedivas e Andamão e Nicobar. Limita ao norte com a República Popular da China,
o Nepal e o Butão, a leste com Mianmá, ao sul e a leste com o Bangladesh e a Baía de Bengala,
ao sul com o Estreito de Palk, defronte a ilha do Ceilão (Sri Lanka), com o Oceano Índico e o
Mar das Laquedivas, a oeste com o Mar Arábico e a oeste e norte com o Paquistão. É o segundo
país mais populoso do mundo (depois da China), com mais de um bilhão de habitantes, e o sétimo
maior por área. A capital do país é Nova Délhi.
Europa (desambiguação)
Europa tem vários
significados:Europa - continente;Europa - satélite de Júpiter;Europa - ilha no canal de Moçambiq
ue;Europa - heroína grega;Europa - Montanha na Espanha. Europa - Uma rotunda localizada na
cidade de Castelo Branco; Europa - Uma avenida localizada na cidade de Viseu.
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Europa
A Europa é a parte ocidental do supercontinente euroasiático. Embora geograficamente seja
considerada uma península da Eurásia, os povos da Europa têm características culturais e
uma história específicas, o que justifica que o território europeu seja geralmente considerado
como um continente.

Os estudos a respeito dos ciganos começaram a ser feitos no século XV, quando as primeiras
tribos apareceram na Europa. Mas a gitanologia, que se propõe a estudá-los sob todos os aspectos
- principalmente origens -, só foi reconhecida como um ramo da etnologia no século XIX.
São inúmeras as lendas a respeito da origem dos ciganos. Vulcanius Bonaventura afirma em seu
livro “Litteris et Língua / Gelarum et Ghotorum” (1967) que os boêmios eram sem dúvida
originários da Núbia (África). Já na opinião de Voltaire, eles eram nada menos do que os
“degenerados descendentes dos sacerdotes da deusa síria Íris, misturados com seus adoradores e
fanáticos”.
Há vários autores que tentaram ver, nos ciganos, autênticos judeus, devido à palavra Tarô
associada à Lei. Mas não concordo com esta teoria.
Jean Paul Cléber, ocultista francês, mostra-se propenso a aceitar a tese de que os ciganos são
originários do norte da Índia. Sua tese se baseia em certas correlações lingüísticas e raciais.
A língua cigana, o romani, é falada por todos, não importa seu país de origem. É do domínio
geral. Mesmo percorrendo durante anos um mesmo país, os ciganos não alteram seu dialeto
original. O português, por exemplo, é falado por eles com uma entonação e sotaque
característicos. Essas viagens, na vida nômade, fazem desse povo autênticos e exímios poliglotas.
No entanto, no Brasil, a maioria só fala o ralé.
Todo cigano venera um deus, mas o cigano não está preso a religião alguma. São, no entanto,
ligados a magia.
Se a língua local não afeta o dialeto, também a religião local não lhes é motivo de discórdia. Eles
aceitam os santos e as santas católicos, usam velas e incensos, fazem e cumprem promessas,
promovem romarias aos locais sagrados do país que os abriga, chamam sacerdotes muçulmanos
quando vão ser enterrados e usam qualquer tipo de talismã.

É rara a mansão ou tenda de um cigano — no caso do Brasil — que não tenha uma imagem de
Nossa Senhora Aparecida. “Falar mal de Nossa Senhora Aparecida diante de um cigano brasileiro
é puxar briga”, comentam piscando o olho com ironia. Isto porque ela é igual à Santa Sara na cor
escura.
Em geral trabalham com ferramentas e na leitura da sorte, pois, ao longo da história, a
sobrevivência do cigano sempre esteve ligada ao comércio ou remuneração em troca de
predições.
O mais famoso congresso de ciganos ocorreu em 1971 na Iugoslávia, país europeu onde eles
estão em maior número. Naquele encontro decidiu-se uma bandeira para os ciganos.
Bandeira com listras verdes e uma azul, tendo um círculo ao centro. Pela ordem, as cores
simbolizam os valores terrestres e espirituais da ética cigana. O círculo, aliás, lembra muito o
ashok, chacra da bandeira nacional da índia (Ashok foi imperador na índia e chacras são centros
do corpo humano).