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Introdução à Física Clássica II – Prof.

Neemias Alves de Lima

Lista de Exercícios 9

17 – Máquinas térmicas e a 2ª lei da termodinâmica. A máquina de Carnot. Refrigeradores.


1. Uma máquina térmica está conectada a dois reservatórios de energia, uma piscina de chumbo derretido
(𝑇𝐹 = 327,5°C, 𝐿𝐹 = 2,45 × 104 J/kg) e um bloco de mercúrio sólido (𝑇𝐹 = −38,9°C, 𝐿𝐹 = 1,18 × 104
J/kg). A máquina solidifica 10,0 g de chumbo e derrete 20,0 g de mercúrio a cada ciclo. Qual é a eficiência
dessa máquina?
2. Uma turbina a vapor movida a carvão opera entre 1500°C e 500°C. (a) Qual é a eficiência máxima de uma
máquina térmica operando entre estas duas temperaturas? (b) A eficiência real da máquina é 30,0%. Qual a
potência mecânica que o motor fornece se absorve 1,50 × 105 J de energia de seu reservatório quente a cada
segundo?
3. Um gás ideal passa por um ciclo de Carnot. A expansão isotérmica ocorre a 200°C, e a compressão
isotérmica a 50,0°C. O gás recebe 2,00 kJ de energia do reservatório quente na expansão isotérmica.
Encontre: (a) A energia fornecida para o reservatório frio em cada ciclo. (b) O trabalho total realizado pelo
gás em cada ciclo.
4. Qual é o coeficiente de desempenho de um refrigerador que opera com eficiência de Carnot entre
temperaturas −5,0°C e +30,0°C?
5. Uma bomba de calor extrai energia do ar externo mais frio (−5,0°C) e deposita energia em uma sala mais
quente (+15,0°C). Suponha que a proporção da energia que realmente entra na vizinhança — em relação ao
trabalho realizado pelo motor do aparelho — seja de 30,0% da proporção teórica máxima. Determine a
energia que entra na vizinhança para cada 1 J de trabalho realizado pelo motor.

1. 𝟑, 𝟕%
2. (a) 56,4%; (b) 45,0 kW
3. (a) 1,37 kJ; (b) 630 J
4. 7,66
5. 4,32 J
18 - Entropia. Variação da entropia em processos irreversíveis. Entropia e a 2ª lei da termodinâmica.
1. Em um dia quente de 30°C, um ciclista de 70,0 kg em uma bicicleta de 12,0 kg se choca com um muro de
lata a uma velocidade de 15 km/h. Qual é a variação de entropia do Universo causada pela colisão? A
entropia do Universo aumenta ou diminui?
2. Uma barra de alumínio é conectada entre um reservatório quente a 500 K e um reservatório frio a 250 K.
Uma energia de 1,00 kJ é transferida por calor do reservatório quente para o reservatório frio. Nesse
processo irreversível, calcule a variação da entropia: (a) Do reservatório quente; (b) Do reservatório frio; e,
(c) Do Universo, desprezando qualquer variação da entropia da barra de alumínio.
3. Uma jarra de vidro de 500 g contêm 250 ml de água a uma temperatura de 30,0o C. Calcule a variação da
entropia do Universo quando uma pedra de gelo de 100 g (a uma temperatura de −5,0°C) é colocada na jarra
e o gelo se converte em água a 30,0o C.
4. Uma peça de cobre de 75,0 g a 400 K é colocada em uma caixa isolada juntamente com outra peça de
chumbo de 150,0 g a 300 K. (a) Qual é a temperatura de equilíbrio do sistema? (b) Qual é a variação da
energia interna do sistema do estado inicial para o estado de equilíbrio? (c) Qual é a variação do Universo
para este processo?
5. Calcule o aumento na entropia do Universo quando você adiciona 50,0 g de creme a 2,0°C em 100 g de
café a 80,0°C. Suponha que o calor específico do creme e do café sejam iguais e valham 4,2 J/g ∙ °C.

1. +2,35 J/K, aumenta


2. (a) -2,00 J/K; (b) +4,00 J/K; (c) +2,00 J/K
3. +14,7 J/K
4. (a) 360,2 K; (b) 0 J; +0,47 J/K
5. 4,2 J/K
Introdução à Física Clássica II – Prof. Neemias Alves de Lima
Soluções da “Lista de Exercícios 9”
17 – Máquinas térmicas e a 2ª lei da termodinâmica. A máquina de Carnot. Refrigeradores.
1. Uma máquina térmica está conectada a dois reservatórios de energia, uma piscina de chumbo derretido
(𝑇𝐹 = 327,5°C, 𝐿𝐹 = 2,45 × 104 J/kg) e um bloco de mercúrio sólido (𝑇𝐹 = −38,9°C, 𝐿𝐹 = 1,18 × 104
J/kg). A máquina solidifica 10,0 g de chumbo e derrete 20,0 g de mercúrio a cada ciclo. Qual é a eficiência
dessa máquina?
R: A eficiência de uma máquina térmica é dada por
|𝑄𝑓 |
𝑒 =1− (1)
|𝑄𝑞 |
Ao solidificar 10,0 g de chumbo derretido a 327,5°C, o calor que entra na máquina térmica é
𝑄𝑞 = 𝑚𝐿𝑓 = 10,0 × 10−3 (2,45 × 104 ) = 245 J (2)
Ao derreter 20,0 g de mercúrio, o calor que sai da máquina térmica é
𝑄𝑓 = −𝑚𝐿𝑓 = −20,0 × 10−3 (1,18 × 104 ) = −236 J (3)
Substituindo (2) e (3) em (1) temos
236
𝑒 = 1− = 0,037 = 3,7%
245

2. Uma turbina a vapor movida a carvão opera entre 1500°C e 500°C. (a) Qual é a eficiência máxima de uma
máquina térmica operando entre estas duas temperaturas? (b) A eficiência real da máquina é 30,0%. Qual a
potência mecânica que o motor fornece se absorve 1,50 × 105 J de energia de seu reservatório quente a cada
segundo?
R: (a) Para estas duas temperaturas, a eficiência teórica máxima é a fornecida pela máquina de Carnot:
𝑇𝑓 273 + 500
𝑒𝐶 = 1 − =1− = 0,564 = 56,4%
𝑇𝑞 273 + 1500
(c) Se a eficiência real da máquina é 𝑒 = 0,300, e o calor absorvido (na temperatura maior) é 𝑄𝑞 = 1,50 ×
105 J, podemos obter o calor rejeitado (na temperatura menor) obtido da equação da eficiência
𝑊𝑚𝑎𝑞
𝑒= → 𝑊𝑚𝑎𝑞 = 𝑒𝑄𝑞 = 0,300(1,50 × 105 ) = 4,50 × 104 J
|𝑄𝑞 |
Logo, a potência mecânica da máquina é
𝑊𝑚á𝑞 4,50 × 104 J
𝑃𝑚á𝑞 = = = 45,0 kW
∆𝑡 1s

3. Um gás ideal passa por um ciclo de Carnot. A expansão isotérmica ocorre a 200°C, e a compressão
isotérmica, a 50,0°C. O gás recebe 2,00 kJ de energia do reservatório quente na expansão isotérmica.
Encontre (a) a energia fornecida para o reservatório frio em cada ciclo e (b) o trabalho total realizado pelo
gás em cada ciclo.
R: (a) A eficiência do ciclo de Carnot é
𝑊𝑚𝑎𝑞 |𝑄𝑓 | 𝑇𝑓
𝑒= = 1− =1−
|𝑄𝑞 | |𝑄𝑞 | 𝑇𝑞
A energia fornecida para o reservatório frio é
𝑇𝑓 273 + 50
|𝑄𝑓 | = 𝑄𝑞 = (2,00 × 103 ) = 1,37 kJ
𝑇𝑞 273 + 200
(b) O trabalho realizado pelo gás em cada ciclo é
𝑊𝑚𝑎𝑞 = 𝑄𝑞 − |𝑄𝑓 | = 2,00 × 103 − 1,37 × 103 = 630 J

4. Qual é o coeficiente de desempenho de um refrigerador que opera com eficiência de Carnot entre
temperaturas −5,0°C e +30,0°C?
R: O coeficiente de desempenho (CD) deste refrigerador, operando com eficiência de Carnot, é
𝑇𝑓 273 − 5
𝐶𝐷 = = = 7,66
𝑇𝑞 − 𝑇𝑓 30 − (−5)

5. Uma bomba de calor extrai energia do ar externo mais frio (−5,0°C) e deposita energia em uma sala mais
quente (+15,0°C). Suponha que a proporção da energia que realmente entra no ambiente em relação ao
trabalho realizado pelo motor do aparelho seja de 30,0% da proporção teórica máxima. Determine a energia
que entra no ambiente para cada 1 J de trabalho realizado pelo motor.
R: Pelo enunciado do problema temos que
|𝑄𝑞 | |𝑄𝑞 |
= 30% ( ) (1)
𝑊𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟 𝑊𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟 𝑚á𝑥

onde |𝑄𝑞 | e o calor que o aquecedor joga no ambiente (que está a uma temperatura mais quente que o do ar
externo). Logo,
𝑊𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟 + |𝑄𝑓 | = |𝑄𝑞 | (2)
Substituindo (2) em (1):
|𝑄𝑞 | |𝑄𝑞 | 𝑇𝑞 273 + 15
= 30% ( ) = 30% ( ) = 0,30 ( ) = 4,32
𝑊𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟 𝑊𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟 𝑚á𝑥 𝑇𝑞 − 𝑇𝑓 15 − (−5)

Logo
|𝑄𝑞 | = 4,32𝑊𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟 = 4,32(1,0) = 4,32 𝐽
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18 - Entropia. Variação da entropia em processos irreversíveis. Entropia e a 2ª lei da termodinâmica.
1. Em um dia quente de 30°C, um ciclista de 70,0 kg em uma bicicleta de 12,0 kg se choca com um muro de
lata a uma velocidade de 15 km/h. Qual é a variação de entropia do Universo causada pela colisão? A
entropia do Universo aumenta ou diminui?
R: Para resolver esta questão assumiremos que a colisão do corpo de 82,0 kg (ciclista + bicicleta) com o
muro foi inelástica. Assim, a energia mecânica do corpo foi convertida totalmente em calor. Como o calor
entra no Universo, temos que o seu sinal é positivo, e vale
1 1 1 15 2
𝑄 = −∆𝐸𝑚𝑒𝑐 = −∆𝐾 = − (0 − 𝑚𝑣 2 ) = 𝑚𝑣 2 = (82,0) ( ) = 711,81 J
2 2 2 3,6
Logo, como a temperatura do ar é 27𝑜 𝐶 = 300 K, a variação da entropia do universo foi
𝑄 711,81
∆𝑆 = = = 2,35 J/K
𝑇 303

2. Uma barra de alumínio é conectada entre um reservatório quente a 500 K e um reservatório frio a 250 K.
Uma energia de 1,00 kJ é transferida por calor do reservatório quente para o reservatório frio. Nesse
processo irreversível, calcule a variação da entropia: (a) Do reservatório quente; (b) Do reservatório frio; e,
(c) Do Universo, desprezando qualquer variação da entropia da barra de alumínio.
R: (a) A entropia do reservatório quente diminui, pois perde energia na forma de calor, e a sua variação é
−𝑄 −1,00 × 103
∆𝑆𝑞 = = = −2,00 J/K
𝑇𝑞 500
(b) A entropia do reservatório frio aumenta, pois recebe energia na forma de calor, e a sua variação é
+𝑄 1,00 × 103
∆𝑆𝑓 = =+ = +4,00 J/K
𝑇𝑓 250
(c) A variação da entropia do Universo, desprezando qualquer variação da entropia da barra de alumínio, é
∆𝑆𝑈 = ∆𝑆𝑞 + ∆𝑆𝑓 = −2,00 + 4,00 = +2,00 J/K

3. Uma jarra de vidro de 500 g contêm 250 ml de água a uma temperatura de 30,0o C. Calcule a variação da
entropia do Universo quando uma pedra de gelo de 100 g (a uma temperatura de −5,0°C) é colocada na jarra
e o gelo se converte em água a 30,0o C.
R: Consideramos como Universo o conjunto formado pela jarra de vidro, a água inicialmente posta na jarra,
o gelo e todo o ambiente que envolve a jarra. Como a massa do ambiente é muito maior que a massa do
gelo, a variação de sua temperatura devido ao processo de conversão do gelo em água é desprezível. A
temperatura final da jarra e dos 250 ml de água será igual a que tinham no inicio do processo! Rotularemos a
jarra, os 250 ml de água e o ambiente como a “vizinhança” da pedra de gelo. Assim, uma quantidade de
calor |𝑄| é transferida da vizinhança para o gelo, e este calor é suficiente para esquentar o gelo de −5,0o C
até 0,0o C, derreter o gelo convertendo-o em água líquida a 0,0o C e então esquentar esta água de 0,0o C até a
temperatura da vizinhança que está a 30,0°C.
Pela equação da calorimetria temos
𝑄 + 𝑚𝑐𝑔 (𝑇𝐹 − 𝑇𝑔,0 ) + 𝑚𝐿𝐹 + 𝑚𝑐𝑎 (𝑇𝑣 − 𝑇𝐹 ) = 0
Portanto, usando os dados dos calores específicos e calor latente no “Formulário da Prova 7”,
𝑄 = −𝑚[𝑐𝑔 (𝑇𝐹 − 𝑇𝑔,0 ) + 𝐿𝐹 + 𝑐𝑎 (𝑇𝑣 − 𝑇𝐹 )]
= −100 × 10−3 [2093(0 − (−5)) + 334 × 103 + 4186(30 − 0)] = −4,70 × 104 J
Com este resultado já podemos calcular a variação da entropia da vizinhança, que é
𝑄 −4,70 × 104
∆𝑆𝑣𝑖𝑧𝑖𝑛ℎ𝑎𝑛ç𝑎 = = = −155,116 J/K
𝑇 30 + 273
ou seja, a entropia da vizinhança ao gelo diminuiu!
Para calcular a variação da entropia do gelo convertido em água, temos que considerar as 3 etapas do
processo.
Para a variação da temperatura do gelo de −5,0o C a 0,0o C por um processo reversível temos
𝑑𝑄𝑟 = 𝑚𝑐𝑔 𝑑𝑇
logo
𝑑𝑄𝑟 𝑑𝑇
𝑑𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜 = = 𝑚𝑐𝑔
𝑇 𝑇
Integrando entre a temperatura inicial e a final, a variação da entropia é
𝑇𝑓 273 + 0
∆𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜,−5→0 = 𝑚𝑐𝑔 ln ( ) = 100 × 10−3 (2093) ln ( ) = +3,869 J/K
𝑇𝑖 273 − 5
Para a transição de fase do gelo a 0,0o C para água a 0,0o C temos
𝑑𝑄𝑟 = 𝐿𝐹 𝑑𝑚
logo
𝑑𝑄𝑟 𝐿𝐹
𝑑𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜→á𝑔𝑢𝑎 = = 𝑑𝑚
𝑇 𝑇
Integrando sobre toda a massa do gelo que se converte em água, segue que a variação da entropia é
𝐿𝐹 𝑚 334 × 103 (100 × 10−3 )
∆𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜→á𝑔𝑢𝑎 = = = +122,34 J/K
𝑇 273 + 0
Para a variação da temperatura da água (do gelo derretido) de 0o C a 20o C por um processo reversível temos
𝑑𝑄𝑟 = 𝑚𝑐𝑎 𝑑𝑇
logo
𝑑𝑄𝑟 𝑑𝑇
𝑑𝑆á𝑔𝑢𝑎 = = 𝑚𝑐𝑎
𝑇 𝑇
Integrando entre a temperatura inicial e a final, a variação da entropia é
𝑇𝑓 273 + 30
∆𝑆á𝑔𝑢𝑎,5→20 = 𝑚𝑐𝑎 ln ( ) = 100 × 10−3 (4186) ln ( ) = +43,6437 J/K
𝑇𝑖 273 + 0
A variação total da entropia do gelo até se converter em água a temperatura ambiente é
Introdução à Física Clássica II – Prof. Neemias Alves de Lima
∆𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜 (−5𝑜 𝐶)→á𝑔𝑢𝑎(20𝑜 𝐶) = ∆𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜,−5→0 + ∆𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜→á𝑔𝑢𝑎 + ∆𝑆á𝑔𝑢𝑎,5→20 = +77,904 J/K
Assim, a entropia da substância aumentou!
A variação da entropia do Universo é a soma das variações de entropia da vizinhança e do gelo que se
converteu em água:
∆𝑆𝑈𝑛𝑖𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜 = ∆𝑆𝑣𝑖𝑧𝑖𝑛ℎ𝑎𝑛ç𝑎 + ∆𝑆𝑔𝑒𝑙𝑜 (−5𝑜 𝐶)→á𝑔𝑢𝑎(20𝑜 𝐶) = +14,7 J/K
Este resultado está de acordo com a segunda lei da termodinâmica que afirma que a entropia do Universo
sempre aumenta (processos irreversíveis, como o que acabamos de resolver) ou permanece constante
(processos reversíveis).

4. Uma peça de cobre de 75,0 g a 400 K é colocada em uma caixa isolada juntamente com outra peça de
chumbo de 150,0 g a 300 K. (a) Qual é a temperatura de equilíbrio do sistema? (b) Qual é a variação da
energia interna do sistema do estado inicial para o estado de equilíbrio? (c) Qual é a variação do Universo
para este processo?
R: (a) A temperatura de equilíbrio 𝑇𝑒 é determinada pela equação da calorimetria
𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 (𝑇𝑒 − 𝑇𝑐𝑜,0 ) + 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ (𝑇𝑒 − 𝑇𝑐ℎ,0 ) = 0 (1)
Observe que os dois metais não sofrerão transição de fase, e mais, que neste cálculo não precisamos colocar
as massas em kg (mas estaremos colocando apenas porque muitos estudantes tem dificuldade em discernir
as situações em que se pode ou não usar uma unidade ou outra), e deixando as temperaturas em K (kelvin)
teremos a temperatura de equilíbrio 𝑇𝑒 também em K. Isolando 𝑇 de (1), temos
𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 𝑇𝑒 − 𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 𝑇𝑐𝑜,0 + 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ 𝑇𝑒 − 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ 𝑇𝑐ℎ,0 = 0
𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 𝑇𝑐𝑜,0 + 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ 𝑇𝑐ℎ,0
𝑇𝑒 =
𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 + 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ
Os valores dos calores específicos estão na tabela 1, portanto, a temperatura de equilíbrio é
75,0 × 10−3 (387)400 + 150 × 10−3 (128)300
𝑇𝑒 = = 360,2 K
75,0 × 10−3 (387) + 150 × 10−3 (128)
Veja que no cálculo acima o fator 10−3 de conversão de grama em quilogramas é cancelado por aparecer no
denominador e no numerador da divisão, por isso que comentamos anteriormente que a mudança de
unidades neste cálculo não era necessária.
(b) Como o sistema está isolado termicamente nenhum calor ou trabalho externo entra no sistema, ou seja,
𝑄 = 𝑊 = 0, logo, pela 1ª lei da termodinâmica temos que ∆𝐸𝑖𝑛𝑡 = 𝑄 + 𝑊 = 0.
(c) A variação da entropia do sistema é a soma da variação da entropia do cobre e do chumbo, neste cálculo
precisamos colocar as massas em unidade de kg,
𝑇𝑒 𝑇𝑒 𝑇𝑒 𝑇𝑒
𝑑𝑄𝑐𝑜 𝑑𝑄𝑐𝑜 𝑑𝑇 𝑑𝑇
∆𝑆𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 = ∆𝑆𝑐𝑜 + ∆𝑆𝑐ℎ =∫ +∫ = 𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 ∫ + 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ ∫
𝑇𝑐𝑜,0 𝑇 𝑇𝑐ℎ,0 𝑇 𝑇𝑐𝑜,0 𝑇 𝑇𝑐ℎ,0 𝑇

𝑇𝑒 𝑇𝑒
= 𝑚𝑐𝑜 𝑐𝑐𝑜 ln ( ) + 𝑚𝑐ℎ 𝑐𝑐ℎ ln ( )
𝑇𝑐𝑜,0 𝑇𝑐ℎ,0
360,2 360,2
= 75,0 × 10−3 (387) ln ( ) + 150 × 10−3 (128) ln ( ) = 0,47 J/K
400 300
Como o sistema é isolado, a variação da entropia da vizinhança, o ambiente externo à caixa, é zero em
consequência deste processo, logo a variação da entropia do Universo é só devida à variação da entropia do
sistema, ou seja, seu valor é 0,47 J/K.

5. Calcule o aumento na entropia do Universo quando você adiciona 50,0 g de creme a 2,0°C em 100 g de
café a 80,0°C. Suponha que o calor específico do creme e do café sejam iguais e valham 4,2 J/g ∙ °C.
R: Para calcular a variação da entropia do Universo precisamos calcular a variação das entropias do creme e
do café entre o estado inicial de cada substância e a temperatura final de equilíbrio. Considerando que a
mistura seja isolada, temos a seguinte equação da calorimetria (note que não precisamos converter a unidade
de massa de grama em quilograma e nem a unidade do calor específico):
𝑚𝑐𝑟 𝑐𝑐𝑟 (𝑇𝑒 − 𝑇𝑐𝑟,0 ) + 𝑚𝑐𝑎 𝑐𝑐𝑎 (𝑇𝑒 − 𝑇𝑐𝑎,0 ) = 0
Nesta solução substituiremos primeiros os dados e então resolveremos para a temperatura de equilíbrio 𝑇𝑒 :

50,0(4,20)(𝑇𝑒 − 2) + 100(4,20)(𝑇𝑒 − 80) = 0 → 210𝑇𝑒 − 420 + 420𝑇𝑒 − 33600 = 0 → 𝑇𝑒 = 54°𝐶


= 327 𝐾
Logo, a variação de entropia do creme (não se esquecer de colocar as temperaturas na escala Kelvin) é
𝑇𝑓 𝑇𝑓 327
𝑑𝑄 𝑚𝑐𝑑𝑇 50(4,20)𝑑𝑇 327
∆𝑆𝑐𝑟𝑒𝑚𝑒 = ∫ =∫ =∫ = 210 ln ( ) = 36,37 J/K
𝑇𝑖 𝑇 𝑇𝑖 𝑇 275 𝑇 275
e do café
𝑇𝑓 𝑇𝑓 327
𝑑𝑄 𝑚𝑐𝑑𝑇 100(4,20)𝑑𝑇 327
∆𝑆𝑐𝑎𝑓é = ∫ =∫ =∫ = 420 ln ( ) = −32,13 J/K
𝑇𝑖 𝑇 𝑇𝑖 𝑇 353 𝑇 353
Portanto, a variação da entropia do Universo devido a esta mistura é
∆𝑆𝑈𝑛𝑖𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜 = ∆𝑆𝑐𝑟𝑒𝑚𝑒 + ∆𝑆𝑐𝑎𝑓é = 36,37 − 32,13 = 4,2 J/K