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FAMÍLIAS ADOTIVAS: IDENTIDADE E DIFERENÇA

O artigo trata-se da filiação adotiva, a normalização para que ocorra, a forma como a criança é
aceita pela sociedade, e que ''através das crenças populares, a doção era considerada um desvio de
norma universal a qual seria a filiação genética e consanguínea'‘. (Ladvocat, 2002, p.31) que hoje já
é reconhecida para fundar famílias, que se não contam os vínculos consanguíneos, que se
transformam em laços de afeto.

A transferência de paternidade dos pais biológicos para os pais adotivos ocorre por uma série de
fatores: a negação de paternidade, a exclusão da mãe no grupo familiar, a falta de renda para criar
uma criança. Portanto a ''normalidade'', faz com que possa ter possibilidades de construir a diferença
uma vez que a prática social esta relacionada à exclusão.

Essa exclusão pode ser mencionada como ''outros'' ou ''forasteiro'' conforme Woodward (2000)
(p.50) cenário que tem mudado nos anos atuais, e as famílias adotivas, começaram a ser vistas de
uma forma normal saindo do sufoco e dos medos que os mitos e preconceitos do imaginário
popular.

A adoção hoje é definida como outra possibilidade de se constituir família, a qual pode trazer resultados
tão satisfatórios quanto a filiação biológica. Na verdade, como muito bem define Levinzon (2004) “toda
filiação é, antes de tudo, uma adoção” (p.25). A adoção é a única possibilidade de se constituir uma
verdadeira parentalidade e a única maneira de genitores tornarem-se pais.

Os pais tem que ter total consciência da responsabilidade de que este filho terá outro casal como
genitores começando a ter uma história pré-adotiva, que não poderá ser negada ou descartada para a
saúde psíquica da criança.

OS ADOTANTES

Na maioria dos casos de famílias adotivas, os pais tomam essa iniciativa de adoção por fatores como a
perda de uma criança, passando a cuidar dessa criança adotada com os mesmos tratamentos que dariam a
seu filho; e também o casal com problemas de esterilidade biológica, tomando a decisão e certeza de que
sabem e querem uma criança que foi gerada por outra pessoa, ou até mesmo por razões estéticas.
(Levinzon) (2004)
Por companhia na velhice, medo da solidão e o preenchimento de um vazio existencial, salvar
casamentos e a possibilidade de escolha do sexo da criança. Schettini (1998)

Também adoção por amor e bondade, para que seu companheiro frustrado com a infertilidade se sinta
melhor com esta impossibilidade.

Para as mães o filho vem para preencher o espaço vazio no seu imaginário, que segunda a psicanalítica,
a dinâmica inconsciente quanto ao desejo de um filho é diferente entre o homem e a mulher, em virtude
do conflito edípico. Freud (1933/1976)

A gravidez feminina vem culturalmente para confirmar a potencia masculina, pois o homem sente que é
cobrado pela sociedade e justifica sua masculinidade. Eles também têm filhos para dar continuidades a
sua linhagem e patrimônio genético. (Hamad, 2002, p. 77)

Esse desejo de paternidade vem carregado de conteúdos deterministas que apesar de terem desejos
diferentes pensam juntos e querem uns filhos de forma igual, ambos regidos pela dinâmica do
inconsciente.

Já no caso dos casais inférteis à cobrança por um filho é muito grande aponto de causar uma sobrecarga
psicológica, que até causam ruptura da relação, eles se sentem discriminados pela sociedade, se
colocando totalmente diferentes dos que podem gerar. O desejo de adotar uma criança não vem para que
possa mostrar a sociedade ou a família que eles têm uma criança, em de uma necessidade natural e de
superação que pode manifestar o instinto maternal e paternal. (Morales, 2004, p. 196).

Para que a adoção venha acontecer os pais devem ter conscientizar e assumir o motivo pelo qual optaram
pela escolha da adoção e também os fatores que causam a chegada deste processo, reconstruindo um
pacto afetivo com seu parceiro e tendo consciência de que irá cuidar de uma criança que foi gerada por
outra pessoa, e também reorganizar e reconstruírem clima afetivo de acolhimento para a criança,
preenchendo o vazio do luto pela esterilidade e o desejo de realizar o trabalhoso projeto de uma
'‘procriação afetiva’” (D’Andrea, 2002, p.238).

TEMPO DE ESPERA E A GESTAÇÃO PSICOLÓGICA

Vem como forma de conhecimento da criança e forma de interação entre eles para que venham
contribuir para a identidade do adotado. Possíveis dentro das questões socioculturais, colaborando para a
construção da subjetividade.
Os pais ficam com uma grande expectativa e ansiedade carregadas de preocupações e esperança.
Eles devem receber suportes psicológicos para que possam distinguir suas reais motivações conscientes
e inconscientes para a adoção, construindo no futuro, numa situação de risco.
Quanto mais os futuros pais estiverem conscientes da possibilidade de haver diferença na criança que
Esperam e dos desafios específicos apresentados pela adoção, mais estarão preparados para conviver
com a criança de acordo com a sua especificidade (Levinzon 2004).

A ORIGEM BIOLÓGICA

Com a adoção de crianças recém-nascidas, pois os pais acreditam que os filhos terão mais fácil apegação
com seus pais, já com as crianças maiores os pais tem toda uma preparação psicológica com grupos de
apoio por pensarem que as crianças terão dificuldades de estabelecer vínculos familiares com a nova
família e esquecer a história de vida anterior.

Assim a adoção em lugares mais distantes é uma forma para que a criança se desligue de tudo o que
aconteceu em sua vida antes da adoção libertando do seu passado através da distância. Caso os pais
consigam estabelecer convívio com os pais biológicos fazendo assim uma interação social, a filiação
dupla pode ser vivida de maneira integrada. Os filhos devem ter tal liberdade com os pais adotivos a
ponto de que possam contar os motivos de ter sido adotado, assim se forma uma compreensão do luto
biológico mais que devido ao medo de rejeição dos filhos na maioria das vezes não se é contada.
D’Andrea (2002)
A flexibilidade ou a rigidez com que os medos são enfrentados permitirão ao casal viver essa escolha ou
como um elemento de renascimento e de vitalidade, ou como uma pseudoreparação.

E por este motivo é importante o acompanhamento de profissionais, que podem ajudar os pais e as
crianças a lidarem e descobrirem suas realizações e desejos, e que venham compreender o que poderá
acontecer de acordo com o desenvolvimento dos filhos adotados.