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domingo, 3 de Junho de 2018

Direito das pessoas e da família:

Casos práticos:
Carlos, menor de 17 anos, falsificando o bilhete de identidade, fez-se passar por maior e
comprou, com dinheiro seu, uma enorme quantidade de castanhas piladas, que quer
revender. Podem os pais anular o contrato?
Suponha que Carlos e os pais morreram num acidente de viação. Podem os herdeiros de
Carlos anular o negócio?

• Carlos é menor de 18 anos (art.º 122º), logo tem incapacidade de exercício, nos
termos do art.º 123º, a qual deve ser suprida pelo poder paternal (art.º 124º). Carlos
cometeu dolo (art.º 126º), logo fica impossibilitado de anular o negócio. Surge uma questão
doutrinária, há quem defenda que os pais têm interesse próprio logo podem anular o
negócio nos termos do art.º 125º, nº1, a), e há quem entenda que não, pois os pais têm um
direito enquanto representantes do menor a quem o direito cabe, logo se esse direito não
lhe cabe não se pode representar alguém numa medida que não lhe assiste esse direito de
alguém.

• Quanto à segunda questão e recapitulando, a maior parte das posições restringem ao


menor e reconhecem legitimidade aos pais, e não tanto aos herdeiros. Quando são os pais
há o argumento de que no exercício de representação legal prosseguem interesses próprios,
não só os do filho, por isso o facto de Carlos não ter direito a anular, não quer dizer que não
tenham.
• O Professor toma a última posição defendida, considerando que nem herdeiros, nem
representantes legais podem requerer a anulação do negócio. Não existe a titularidade de
um interesse próprio, mas estão em causa os direitos do menor, estes herdam o direito que
Carlos tinha, como este não tinha o direito de acordo com o art.º 126º, então estes também
não vão ter, não podendo anular o negócio.

António, menor de 16 anos, sujeito ao poder paternal de Pedro, doa ao seu amigo
Bernardo um valioso relógio de ouro, que lhe entrega. Pedro tem conhecimento de facto,
mas nada faz.
Atingida por António a maioridade, pode ele anular doação feita?
António é menor nos termos do art.º 122º. Este carecia de capacidade genérica quando
doou o relógio nos termos ao art.º 123º, a qual tinha que ser suprida pelo poder paternal de
Pedro (art.º 124º). António podia anular o negócio nos termos do art-º 125º, nº 1, b), no prazo
de 1 ano após atingir a maioridade.
Temos aqui uma nuance, menor de 16 anos significa que tem menos de 16 anos. Logo, o
art.º 127º não se aplica porque não tem 16 anos de idade.
Apesar deste ato não carecer de aprovação do tribunal, era um ato de especial
importância. O art.º 1889º aplica-se quase sempre, principalmente a alínea a) em vendas. Este
art.º diz respeito aos atos que o menor pratica ou deseja praticar, que necessitam do
consentimento e autorização dos pais, mas que isso não é suficiente por isso precisam de
autorização judicial (ou situações dos pais como representantes dos filhos). O que se tem feito
na alínea a) é uma interpretação bagatelar (bagatela?). Os arts.º 127 + 1889º, parecem
mostrar não ser preciso a autorização do tribunal, mas (?) pode haver um fracionamento –
exemplo da fábrica de berlins.

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Para além disso, é necessário ver se existe o princípio da boa fé em alguma situação.
António na sua esfera jurídica não tinha qualquer constrangimento ao requerimento da
anulação.


Suponha que António atinge a maioridade e morre um mês depois. Pode Pedro, herdeiro único
de António, anular a doação feita?
Pedro pode anular a doação pois apenas passou um mês desde que António atingiu a
maioridade, se tivesse passado mais de um ano não podia (art.º 125º, nº 1, c). Uma coisa é
Pedro autorizar, e outra é o silêncio, não se pode considerar o silêncio como autorizar (art.º
218º), não tem valor negocial, a não ser que a lei atribua a esse valor.
A alínea c) também se aplica mesmo que o menor tenha morrido antes de ter atingido a
maioridade ou emancipação (dá se por via de casamento).
A morte tem que ocorrer antes de ele atingir os 19 anos (interessa que a morte ocorra
antes de expirar o prazo previsto que são os 18+1), e o ano contado a partir da data da morte.
Não há uma justa posição absoluta ao prazo da alínea b). Neste caso como já atingiu a
maioridade é um ano a contar da morte deste.
Francisco, que pretende fazer o curso de medicina, é vulgarmente tratado no seu círculo
de amigos como “o Dr.”. quando tinha 17 anos de idade, Francisco manifestou ao seu
amigo Carlos desejo de comprar um carro. Carlos disse que conhece a pessoa indicada
para lhe vender em boas condições, ficando aprazado para o dia seguinte. Nesse dia
Carlos apresentou Francisco a Eduardo e como é hábito, diz a este: “aqui o doutor quer
comprar um carro e tu és a pessoa indicada para lho venderes.”
Carlos retira-se em seguida, ficando Francisco e Eduardo a discutir o negócio; e durante
a conversa Eduardo por várias vezes trata Francisco por doutor, e este nada fez para
desfazer o equivoco. O negócio é acertado e Eduardo vende a Francisco o automóvel por
2000€, a entregar no prazo de oito dias, contra o pagamento imediato de 400€, sendo a
restante parte do preço a satisfazer no prazo de um mês.
Passados 15 dias, Francisco, ainda menor, morre num acidente de viação e só nessa
altura o seu irmão, Manuel, que em vida dele fora seu tutor, e agora seu herdeiro, vem a
ter conhecimento da compra.
Perante a exigência de Eduardo em receber o preço, Manuel invoca o vicio do ato por
efeito da menoridade de francisco. Quem tem razão?
Francisco é menor (art.º 122º) e tem incapacidade genérica de exercício (art.º 123º),
estando sujeito a tutoria, sendo o tutor que supre a sua incapacidade genérica de exercício
(art.º 124º).
➢ A compra de um automóvel é um ato que se exija consentimento do tribunal? O
consentimento de Manuel não existe, era possível praticar este ato?
Neste caso em princípio de acordo com art.º 1889º não é necessária a autorização do
tribunal. Temos de ver se o ato está na capacidade natural do menor e se é de pequena
importância. Neste caso o tutor não deu o seu consentimento. Afastamos o art.º 127º b), pois
se o ordenado mínimo é 500€, o valor económico do carro é significativo. Estamos a
caracterizar objetivamente o ato.
Existe uma lógica de acautelar os interesses patrimoniais do menor, isso não é tão
percetível (?) no caso em que o menor adquire o carro. O dinheiro com que comprou o carro
ou é dinheiro dos pais ou é dinheiro que cabe no art.º 127, b), por isso não se aplica nem o
art.º 1889º, nem o 127º.

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O art.º 126º só tem cabimento quando o menor de forma sofisticada falsifique o
documento (criação de aparência forte) ou tenha uma conduta positiva relativamente a essa
falsificação da realidade para que o dolo seja aplicado. Hoje com o cartão de cidadão é difícil
falsificar, logo este art.º raramente é aplicado. Não há razão para proteger a outra parte neste
caso.
Manuel tinha legitimidade para requerer a anulação do ato, ao abrigo do art.º 125º, c).
Enquanto tutor tem sempre o prazo de 1 ano a partir do conhecimento do facto, mas o limite
é a maioridade. É desencadeado o mecanismo em que o menor tenha morrido ou não tenha se
emancipado antes de atingir a maioridade. Por isso, tanto pode agir pela alínea a) como pela
c), porque o menor morreu com 17 anos.
A alínea c) aplica-se nos casos em que o sujeito morreu antes de atingir a maioridade, o
que vai relevar aqui são os 18 anos. O momento em que se começa a contar o prazo é
diferente em ambas as alíneas, na alínea c) permite até aos 19 anos. Os herdeiros por
princípio são os pais, a não ser que tenha um filho (representantes legais do filho).
O art.º 2133º afere quem são os herdeiros em concreto, há herdeiros que são entram na
falta dos outros. Se o menor tivesse sido casado (pode ser menor à prática do ato), os
herdeiros seriam outros (arts.º 129º e 1649º – emancipação).
Quando se emancipam a incapacidade termina, mas deixam de ser menores? Podem
votar? Continua a ser menor enquanto à administração de bens. A maioridade só se atinge aos
18, o que acontece é que deixa de ser incapaz. Para efeitos de lei só os maiores de idade é
que podem votar por exemplo, continua a ser legalmente menor. No art.º 133º continua a usar
a terminologia de “menor”.
Alfredo, com 17 anos de idade, sem consentimento dos pais, nem suprimento judicial,
casou com Marta.
Passados dois meses, Alfredo prometeu vender a Carlos uma motorizada, que o seu
padrinho francisco lhe havia dado como presente de casamento.
Alfredo morre, ainda menor, e Carlos vem agora exigir a celebração do contrato de
compra e venda. Bernardo, pai de Alfredo, que soubera daquela ato logo que fora feito,
pretende opor-se. Quid juris?
António era menor (art.º 122º) e carecia de (in)capacidade genérica (art.º 123º). A
incapacidade termina com a maioridade ou com a emancipação – (arts.º 129º, 132º, 133º,
1649º ligar a 1604º. 1612º ligar a (?) 1877º, 1609º).
António casa sem consentimento dos pais, nem suprimento judicial, logo qual é a
consequência? O art.º 1604º (em princípio não afeta a validade do casamento – impedimento
impediente*) só vale para os casos em que o menor já tem 16 anos, mas se tiver menos vale o
1601º, a), aí o casamento vale 0 e não há emancipação. Quando se lê no art.º 1649º é o menor
com pelo menos 16 anos, este suprimento e autorizações só são possíveis se tiverem pelo
menos essa idade. O art.º 1612º exige que sejam ambos os pais.
Os impedimentos impedientes são suscetíveis de dispensa, não são impedimentos
graves, o conservador pode celebrar o casamento mesmo contra a vontade dos pais*. Tem que
se fazer uma apreciação casuística. Tem pouca utilização. Normalmente quando os pais se
opõem o conservador não vai contra a vontade dos mesmos. Uma coisa é a autorização e outra
é a oposição, com a oposição o conservador não celebra – art.º 1609º, nº 3.
Assim sendo, continuava a haver uma incapacidade de exercício por parte do menor.

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Uma vez que o Alfredo casou com Marta esse bem passou a ser dela também? Pode
acontecer. Neste caso pelos arts.º 1753º e 1757º, foi uma doação. Se o bem fosse de ambos
para ser vendido carecia de autorização dos pais, tribunal, e da Marta. Ou seja, o bem é do
Alfredo. O regime da doação para casamento, aplica-se aos bens doados por terceiros (??).
Existe a lógica de proteção do menor relativamente ao cônjuge sempre que este seja
maior de idade. Por exemplo, a ultima parte do art.º 1649º imuniza o menor às dividas
contraídas na constância do casamento.
Devemos assumir que a Marta é maior de idade, porque não refere. Os 50% do Alfredo
não são disponíveis (?), uma vez que contia a ter incapacidade que vai ser suprida pela
representação parental – art.º 1649º. Para termos um negócio imaculável tínhamos que ter a
autorização do tribunal, pais e Marta (??).
Aplica-se o art.º 125º a) ou c)? São os pais herdeiros? Ou a cônjuge? Se fosse ao abrigo
da alínea a), o prazo de 1 ano começou logo a correr, se já tiver passado um ano o pai não
pode. Ao abrigo do art.º 2133.º o herdeiro é o cônjuge. Quem é herdeiro efetivamente do
Alfredo é a Marta. Mas só equacionamos a alínea c) se já tiver corrido mais de um ano após o
conhecimento de Bernardo, este pode estar em tempo, em princípio ainda não correu um ano
porque ele casa com 17 anos e morre ainda menor.
(art.º 2142º?) Os ascendentes só não são herdeiros quando existem descendentes. O
pai então podia ser sempre anular com base na alínea a), e também c). A questão só se coloca
em saber se o pai é herdeiro, e neste caso é. Havendo cônjuge e descendentes o pai não seria
herdeiro.
Durante a menoridade o cônjuge não tem (?) os bens que são geridos pelos pais. O facto
da Marta ficar com a motorizada como herdeira é uma grande probabilidade. Ela não tem
interesse enquanto cônjuge e nada pode fazer enquanto aos bens (art.º 1649º), mas enquanto
herdeira tem interesse patrimonial próprio e direto. Ou seja, enquanto cônjuge nada podia
fazer, mas enquanto herdeira à partida pode requerer a anulação.
Existem duas posições de que ela pode e não pode então. O problema é que ela é só
herdeira porque era cônjuge.
Se ele fosse maior de idade só não podíamos aplicar a alínea a).
Joana nasceu em Fevereiro de 1959. No dia 2 de Novembro de 1974, Joana desapareceu
e nunca mais tiveram notícias dela nem os pais, nem as outras pessoas com quem
habitualmente convivia. Joana era proprietária de vários bens necessitados de
administração.
Explique que providências podem ser tomadas, quanto a esse bens, até ao dia 22 de
Novembro de 1984.
Joana tem 15 anos, logo é menor (art.º 122º). Tem incapacidade genérica (art.º 123º)
suprida pela representação parental (art.º 124º).
Até Joana atingir a maioridade, os seus bens seriam administrados pelos seus pais (art.º
1900º), sendo que o tribunal deve nomear a Joana um curador provisório (art.º 89º, nº 1), que
deve ser requerido pelo Ministério Público ou interessados nos termos do art.º 91º. Este
curador provisório seria escolhido de entre os herdeiros ou interessados (art.º 92º). Antes dos
bens lhe serem entregues tinham de ser relacionados e este tinha de prestar caução (art.º
93º). podemos a curadoria provisória nos termos 99º. Só se houvesse uma situação em que os
representantes legais não possam exercer as suas funções, é que se aplica o art.º 89º.
Podemos avançar para a curadoria definitiva independentemente de preenchermos a curadoria
provisória. (art.º 100º).

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Importava fazer contas. Joana atinge a maioridade em fevereiro de 1977. Faltavam
menos de 3 anos para atingir a maioridade quando desapareceu. Neste caso pode se avançar
para a morte presumida (art.º 114º, nº 1 e 2)? É necessário terem corrido 10 anos sobre as
ultimas noticias. Têm que recorrer sempre 10 anos. Hoje tem que haver 2 requisitos, tem que
ter corrido 5 anos depois de atingir a maioridade. O prazo de 10 anos é inafastável. O nº 2 não
esvazia os 10 anos, nem acrescenta 5 anos. Tem que ter pelo menos os 23 anos, mais 2 anos,
desde a data que desapareceu. Ou seja, só podia ser declarada morte presumida aos 25 anos.
Abel, maior, que há vários anos sofria de perturbações mentais, com crises periódicas,
começou a revelar sintomas de agravamento da sua doença, regendo mal os seus bens.
Assim, doou a Bartolomeu, que conhecera dias antes, um valioso anel de diamantes e
vendeu, por preço aceitável, a Carlos, seu primo, toda a azeitona duma sua propriedade,
para em seguida distribuir o dinheiro recebido por pessoas que não conhecia.

Foi requerida a sua interdição, mas o juiz só veio a decretar a inabilitação, deixando a
Abel administração dos seus bens e determinando que ele só pode praticar atos de
disposição com autorização do seu curador, Daniel.

Após o anúncio da propositura da ação Abel ainda arrendou a Eduardo, pelo prazo de 10
anos, uma quinta de que é proprietário.

Quid juris?


Qual o fundamento da inabilitação?


No art.º 152º está explicito quais as pessoas sujeitas a inabilitação. Visto que Abel
possuía há vários anos perturbações mentais está em causa uma anomalia psíquica, que
embora seja de caracter permanente, não é tão grave que justifique a interdição, pois
existem momentos de lucidez, visto que são crises periódicas.
Abel deu a Bartolomeu, pessoa que conhecer há pouco tempo, um anel de diamantes
muito valioso. Neste caso está em causa uma doação.
Neste caso aplica-se o art.º 149º ou 150º, mas vai depender da data em que foi
declarada a sentença da incapacidade natural, ou da proposição da ação. Há quem entenda
que o art.º 150º não se aplica aos casos de prodigalidade.
O art.º 257º funciona numa lógica de automaticidade. Se isso não acontecer a usura é
sempre uma válvula de escape. Não é uma doação legal, acaba por ser um negócio jurídico
com espírito de liberdade, o benefício acabava por ser quase total. O que é necessário não é o
conhecimento, mas o aproveitamento consciente da situação de outrem. A questão está na
excessividade de benefício. Mas no caso concreto não levanta problemas. Isto relativamente à
doação.
Quanto à venda das azeitonas, nesse contexto é importante ver aquilo que foi o sentido
e alcance da fixação da inabilitação da sentença judicial. A sentença determinou que o Abel
não podia dispor, mas podia administrar.
NOTA: PROCURAR DIFERENÇA ENTRE DISPOR E ADMINISTRAR
➢ A venda de azeitona é administração ou disposição?
Relativamente à venda da azeitona, a venda de frutos excedentes é considerada um
ato de administração. Ele não vende o pinhal, o ato de alienação de frutos ainda cabe no
conceito de administração. Se foi vendida a um preço aceitável, não se pode considerar que
há usura.

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A distribuição do dinheiro recebido por desconhecidos já não é um ato de
administração, isto é uma doação. Só pode doar quem pode dispor dos seus bens (art.º 948º).
Tudo isto vai depender dos efeitos fixados na sentença. (art.º 212??)
Abel não podia dispor, apenas administrar, este ato de doar dinheiro é de disposição,
foi antes da proposição, logo aplica-se o art.º 150º em conjunto com o 257º, e vai depender
dos efeitos naturais.
➢ O arrendamento é um ato de disposição ou administração?
É necessária uma interpretação restritiva no regime da inabilitação, é um ato de
administração, mas temos de distinguir a administração ordinária da outra. A locação tinha um
limite, por isso necessitava de autorização do curador para fazer arrendamento (art.º 1024º +
art.º 153º, nº 1). No regime da inabilitação a administração deve ser lida como administração
ordinária, visto que o prazo foi superior a 6 anos temos um caso de administração (especial?).
Pode haver suprimento judicial da autorização do curador ao abrigo do art.º 153º, nº 2.

Existe uma diferença entre os arts.º 149º e 150,º o último não exige a causação de
prejuízo ao requerido (art.º 148º) (?), já está registada a sentença que declara a inabilitação.
Até lá a ação está pendente, mas ainda não foi decretada a inabilitação neste caso. Depois de
decretada o negócio entre o Abel e o Eduardo pode ser anulado nos termos do art.º 149º desde
que se prove que o Abel sofreu prejuízo com o contrato de arrendamento.
Ou seja, existem três momentos temporários: antes da propositura, durante, e depois
do registo da sentença. Se a sentença não tiver sido registada aplica-se o art.º 149º. Durante
e depois pressupõem o prejuízo, antes não (incapacidade acidental, não tem que provar
prejuízo).

António foi interditado por anomalia psíquica.



Alguns anos depois, curou-se e, mesmo antes de ser levantada a interdição pelo tribunal,
passou a fazer a sua vida normal. Nestes termos, sem autorização nem conhecimento do
seu tutor Pedro, vendeu a Carlos uma mobília muito valiosa de sua casa. 

Um ano depois desta venda, foi levantada a interdição. 

Pode António anular a venda referida? E Pedro?

António estava sujeito à interdição ao abrigo do art.º 138º, nº 1, devido à anomalia


psíquica. Os presentes no art.º 141º possuem legitimidade para requerer a interdição.
➢ O António estava interdito por anomalia psíquica, tendo desaparecido esta
anomalia desaparece o fundamento para considerar o negócio jurídico inválido?
O art.º 151º mostra que não basta a cessação da causa para este readquirir a capacidade
de exercício, é necessário que haja um levantamento judicial da interdição. Até ao
levantamento temos a aplicação do art.º 148º.
➢ Qual o prazo de António para requerer a anulação do negócio?
António tem um ano a contar do levantamento judicial da interdição (art.º 148º
moldado pelo art.º 125º que prevê o prazo de 1 ano por parte do menor após o atingimento
da maioridade que é a causa de cessação da incapacidade).

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➢ E o Pedro?
Imaginando que o António vende ao Pedro a mobília valiosa de sua casa. Pedro não
poderia anular pelo art.º 1937º, alínea b). Nesse caso o vício é a nulidade – art.º 1939º.
No nosso caso, o Pedro pode anular antes de levantar a interdição nos termos do art.º
125º, a), depois de levantada já não pode. Ou seja, o Pedro como tutor só tem legitimidade
até ao levantamento da interdição. Depois do levantamento judicial apenas o António tem
legitimidade à luz da alínea b) do art.º 125º para requerer a anulação do negócio.
António desde a menoridade que revela indícios de anomalia psíquica, que, contudo, não
o impediu de trabalhar, durante algum tempo. Ainda menor, António recebeu, por
herança, dois prédios urbanos que dão rendimento de 500 € mensais.

Em virtude de o estado de insanidade mental se agravar, foi proposta, ainda na sua
menoridade, uma ação de interdição, e esta veio a ser decretada por sentença,
transitada em julgado um mês antes de António atingir a maioridade. Foi nomeado tutor
de António o seu pai, Bento.

No decurso da ação e após a respetiva publicação, António vendeu a Carlos, por 5.000 €,
dois quadros que adquirira em tempos, na Feira da ladra, com o dinheiro ganho do seu
trabalho; veio mais tarde a apurar-se que se tratava de obras de pintor célebre que
valiam 80.000 € cada uma. António atingiu, entretanto, a maioridade.

Bento pretende agora saber se pode ser anulada a venda dos quartos?

E se pode continuar a utilizar parte dos rendimentos dos prédios de António para custear
as despesas de estudo dos seus filhos menores, Daniel e Eduardo, irmãos de António?

➢ Nestes casos (menoridade) é necessária autorização do tribunal para a aceitação


da herança que à partida beneficia o António?
o Art.º 1889º;
o Art.º 1890º, nº 1.
Aqui vamos seguir a lógica do art.º 1889º. Um prédio trás consigo, em princípio,
encargos – encargos fiscais como o IMI. A leitura da alínea l) implica que a aceitação de
herança se tiver encargos seja sempre dependente de autorização do tribunal. A herança não
pode ser escolhida em parte, tem que ser integralmente.
Ao abrigo do art.º 141º, nº 2 só os pais têm legitimidade para requerer a interdição
quando o interditando for menor.
Mas também é necessário ter em conta o art.º 138º, nº 2. O que releva é o trânsito em
julgado, se não tivesse aplicava-se o art.º 141º, considera-se que a ação está pendente. Não
podemos ter um menor interdito, só faz sentido a maiores de idade, pois só se aplica a partir
do dia em que se atinge a maioridade. Não há uma incapacidade ex novo, há uma
continuidade, logo os tutores coincidem com os progenitores.
Neste caso é o Bento que é nomeado como tutor. Se fosse uma continuidade absoluta
ambos exerciam as responsabilidades parentais, pai e mãe, sendo apenas um quem exerce as
responsabilidades parentais é o Bento. Corta aquela lógica conjunta durante o contexto de
menoridade. É sempre mais fácil ser responsabilidade de só uma pessoa, e pode haver casos
de paragem por desacordo entre protutores.

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domingo, 3 de Junho de 2018
O Bento só tem funções enquanto tutor quando António atingir a maioridade (no dia
seguinte). Até aí só se aplica o regime da menoridade.
António não tem capacidade para anular o ato que praticou enquanto menor, quem tem
é o seu tutor legal. Quando o vício é associado à menoridade, normalmente o maior pode
requerer anulação no prazo de um ano após atingir a maioridade. O ato é anulado pelo vício
da menoridade, mas António não pode requerer, por isso o direito dispõem para Bento nos
termos do art.º 125º, b), é ao tutor que cabe a anulação nos termos desta alínea com os
mesmos efeitos. A alínea a) do art.º 125º não exceciona o nº 2 do art.º 138º. O regime da
interdição embora moldado pela menoridade é diferente.
Se considerarmos que na alínea a) está em causa um requisito de pequena importância
também consideraria anulável.
Bento não podia alunar se formos pela alínea a) do 127. O requisito da pequena
importância do bem não se aplica apenas à alínea b), mas também à a), e se considerarmos
que o menor praticou um ato menor da própria vida corrente, com o que adquiri-o pelo seu
trabalho, já tínhamos fundamentos para requerer a anulação, mas não podemos fazer essa
leitura porque assim tornávamos a alínea a) completamente inútil.
A revista Luxo publicou uma reportagem sobre Carlos, jogador profissional de futebol,
muito conceituado, e sua família com a seguinte chamada de capa: “A vida de luxo de
Carlos depois de sair do Clube Tubarões de Papel”. A notícia continha várias informações
sobre a vida pessoal e profissional de Carlos com fotografias suas, da sua família e do
interior da nova casa (“depois de mudar de clube deixou de falar aos amigos de
infância”, “casa milionária”, “decoração de gosto duvidoso”, “comprou um sistema de
cinema que custou mais de 30.000 euros”, “os filhos de Carlos, de 10 e 15 anos de idade,
brincam na piscina”). Carlos não autorizou qualquer reportagem e, muito menos,
qualquer publicação de fotografias. Após a publicação da reportagem, Carlos e a sua
família deixaram de ter sossego, visto que passaram a ter, diariamente, fãs e jornalistas
à porta. Quid iuris?
Há uma aqui uma violação do direito à imagem (art.º 79º). Temos relativamente aos
segmentos a violação aos direitos de imagem e reserva da intimidade da vida privada.
➢ Violação ao direito à imagem porquê?
O âmbito do art.º 79º é o retrato de uma pessoa. Temos aqui um retrato? As suas
fotografias enquadram-se no direito à imagem, está em sua casa. Tem um âmbito de proteção
mais reforçado, porque nenhuma das circunstâncias que tem que ser lida em conjugação do nº
2 do art.º 79º. Aqui o direito à imagem quanto muito poder-se-ia justificar com base numa
segunda situação: notoriedade que só é possível fora de uma esfera intima (art.º 79º com 80º);
ou ao abrigo do princípio de liberdade de informação e interesse publico na divulgação dessa
imagem.
Isto relativamente às fotos do Carlos, mas nas da família não há dúvidas no que toca à
mulher e os filhos que tinham que dar autorização. Tem que ser uma finalidade legítima, uma
coisa que se reconheça como sendo justificativa à luz dos fins que o direito procede dessa
conversão do direito à imagem. Há um espaço que não pode ser desligado do cargo
desempenhado ou notoriedade. De todo o modo, interesse público não existia, qual a
relevância social para a vivência em comunidade do facto de Carlos ter uma decoração de
gosto duvidoso e ter deixado de falar com os amigos de infância? Onde está o eco social da
divulgação deste tipo de notícias? Sendo que aqui já não estamos no direito à imagem, mas
reserva da vida privada.

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Relativamente à casa já releva para efeitos da reserva da intimidade da vida privada,
não para o direito à imagem que se cinge para o retrato da pessoa física e não a objetos.
O direito à imagem são tantos quantos os seus titulares. As referências que aqui vinham
induzem a uma caracterização pejorativa do Carlos (art.º 484º). Há mecanismos em situações
de abuso de liberdade de imprensa para indemnizar os lesados.
NOTA: Se houver a foto de uma criança lançada apenas com o consentimento de um pai, esse
pai pode ser obrigado a indemnizar a criança pelos danos causados.
Recentemente, o jornal “Esférico” publicou a seguinte notícia: “O Clube Tubarões de
Papel deve 5 milhões de euros à Administração Fiscal e não paga os salários dos
jogadores há mais de 6 meses”. A notícia foi amplamente divulgada nas redes sociais. O
Clube, através da sua direção, considerou-se prejudicado na sua credibilidade, prestígio,
imagem e reputação, mas também no crédito. Apesar de diversas iniciativas para
contrariar a informação divulgada, o clube perdeu patrocínios e viu recusado um
financiamento para a reabilitação do seu estádio. Quid iuris?

Por um lado, temos a liberdade de informação, temos um princípio de tutela de


personalidade, direito à honra e bom nome. A personalidade física ou humana são
reconhecíveis com as devidas adaptações às pessoas coletivas.
➢ Quanto à formulação e conteúdo da notícia, corresponde a uma situação de interesse
público?
Sim, se for verdade. Os factos em si considerados são de interesse público. Temos que
ver se os factos são verdadeiros ou não. Se forem verdadeiros são de interesse publico. Como
é uma notícia com incidência estritamente factual caso seja verdadeira atendendo a
verificação do interesse público subjacente a estes factos parece não haver dúvidas, existe
fundamento legítimo para uma notícia produzida nestes moldes e com este exato conteúdo.
Agora se a notícia fosse falsa estava em causa desde logo o direito ao crédito e ao bom
nos arts.º 483º e 484º (nexo de causalidade, ilicitude…).

O Clube tinha direito a resposta e ratificação, reposição da verdade e pedido de


desculpa, podendo ser utilizado do ponto de vista judicial e administrativo (Lei 85 de 2008).
Isto sem prejuízo da indemnização civil cabível. Sanção por inobservância ética do meio de
comunicação; indemnização pelos danos causados ao clube (ressarcibilidade dos danos
patrimoniais e não patrimoniais), e para além disto pode haver crime.

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domingo, 3 de Junho de 2018
A e B decidem constituir uma associação. Não querendo gastar dinheiro com a escritura
pública, redigem os estatutos em casa de A. Para que a associação não tenha uma
estrutura pesada, prescindem da existência de um conselho fiscal. Uma vez que B tem
pouca disponibilidade financeira, mais estabelecem que (i) B não está obrigado a efetuar
qualquer contribuição para o fundo da associação e que (ii) a direção aprova o balanço e
determina por razões de transparência a sua publicação.
Depois de eleitos os órgãos sociais e de terem aderido à associação mais de 50 pessoas,
o associado Y, apercebendo-se, em 04.09.2015, de irregularidades na deliberação que,
em 04.01.2015, aprovou a aquisição de uma carrinha em segunda mão – Y julgou que a
deliberação para a aquisição da carrinha estabelecia um limite monetário de 600 quando
afinal o limite era de 60000 -, quer saber o que pode fazer. Entretanto D, que tinha sido
eleito administrador, é exonerado das suas funções de administração com fundamento no
facto de ter ido passar férias para o Japão sem ter avisado quem quer que fosse.
Tomando conhecimento da exoneração por e-mail quando jantava em Osaka, D diz-se
tranquilo quanto à deliberação, uma vez que o exercício do direito a férias é
irrenunciável e que a lei só permite a exoneração dos administradores se houver justa
causa. B, que era administrador da associação, fica incomodado com a situação e decide
ceder a sua posição de administrador a P, que aceita o mandato. L tem dúvidas sobre a
cessão, mas P refere que a situação é permita pelos estatutos.

É aceitável uma associação ser formada por duas pessoas, pois apenas pressupõe a existência
de mais do que uma pessoa (art.º 182º, nº 1, d).
Não fazem escritura - art. 168º e art. 158º: deveriam ter feito. Até irem ao notário
temos uma Associação sem personalidade jurídica - art. 195º. Quando há preterição de forma,
temos ASP, até à escritura pública.
Aplica-se, a estas situações, o art. 201º-A? Na regra sim. Mas na prática, o tempo que
o MP demora a propor uma ação de dissolução, é o tempo que demora a ASP a ir ao notário -
nestes casos dá-se uma inutilidade deste art., mas no rigor aplica-se.
Mas teoricamente, com a não publicação dos estatutos, podia o MP iniciar uma ação de
dissolução da ASP. Contudo, pode ser feita constituição na hora - mas nesse caso teríamos
estatutos padronizados.
Não têm órgão fiscal: nulidade dos estatutos - por força do 195º aplica-se o art. 162º.
Assim, era necessário ter o conselho fiscal. A sua ausência acarreta a nulidade dos estatutos -
art. 296º. Contudo, esta regra aplica-se subsidiariamente: apenas se aplica o disposto no art.
195º no caso de os associados nada definirem - o conselho fiscal é só essencial nas com
personalidade jurídica: nas ASP podem os fundadores decidir - os estatutos são válidos.
B não tem de contribuir. Art. 198º - não é necessário património, mas é necessária que
se estabeleça uma forma de contribuição. Estatutos nulos.
Direção aprova o balanço e a publicação. Art. 172º/2 - São competência da direção a
aprovação do balanço. Isto é aplicável às ASPs.
Y enganou-se no seu voto - a deliberação, em princípio não é anulável - não vai contra
os estatutos (presume-se). Pode-se aplicar o regime do erro-vício sobre o objeto - art. 251º: Y
representou mal o objeto, aplicando o prazo de um ano da anulabilidade dos negócios
jurídicos (não o prazo de 6 meses das deliberações). Fará a anulação do voto alguma efeito?
Art. 176º/2 - Há essencialidade do voto para se verificar a orientação da decisão? Vamos
assumir que foi. Aplica-se o art. 179º (proteção de terceiros, nomeadamente em caso de

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domingo, 3 de Junho de 2018
anulabilidade) - a anulação (ou analogamente este caso) não prejudica os direitos de terceiros
- o vendedor da carrinha não teria de devolver o dinheiro.
Exoneração do D É a assembleia geral que tem competência para destituir - art. 172º -
falar sempre das competências. Caso não tenha sido a AG, então o ato é nulo - art. 294º e
art. 280º Art. 170º/3 - Os estatutos é que podem determinar a justa causa - se não o
preverem podem destituir sem justa causa. O direito a férias só existe numa relação laboral,
e aqui não existe - era preciso haver um contracto de trabalho, o que não existe aqui.
B cede a sua posição Art. 180º - na segunda parte não se aplica a "salvo disposição em
contrário" - a segunda parte é imperativa Esta condição de associado também se aplica à de
administrador, não se podendo transmitir. É a AG que escolhe o B - a sua substituição equivale
a uma demissão do B e nomeação do D, que não foi feita pela AG - art. 172º.

A Associação Amigos de Gutemberg, destinada à promoção da profissão de tipógrafo,


precisa de dinheiro para financiar a conclusão das obras de construção do Museu da Arte
Tipográfica. Em assembleia geral, devidamente convocada e efetuada, os associados
deliberaram, por 252 votos contra 3, com 1 abstenção, editar e comercializar um livro
contando a história do divórcio de Bento, um associado famoso entre as “revistas do
coração”. Bento relatou ao associado encarregado da redação do livro todas as
peripécias do dito divórcio. O livro foi publicado e a sua comercialização foi um sucesso
estrondoso, conseguindo a Associação, logo no 1.º mês, cerca de 130.000 € de lucro.
Carolina, ex-mulher de Bento, ficou muito incomodada com a divulgação de alguns
sórdidos episódios da sua vida conjugal. Pelo que reclama da Associação uma
indemnização de 150.000 € por danos morais. A Associação contesta o pedido de Carolina
dizendo que a publicação é lícita atenta a exposição mediática de Bento já à data do
casamento com Carolina, pelo que esta, desde então, aceitou a correspondente devassa;
atento o facto de tudo o que se conta no livro ser verdadeiro e poder ser provado; e
esclarece ainda que os lucros obtidos se destinam a obras de interesse público.
Associação com personalidade jurídica – art 158, 1. Estatutos publicados – 167, 2; 168.
Um dos órgãos essenciais é a assembleia geral – art 162; que tem competências nos
termos do art 172; e é convocada nos termos do art 173, e 174.
As associações não têm fins lucrativos, mas podem desenvolver atividades lucrativas, se
não entram em insolvência. A decisão foi tomada pela maioria qualificada dos presentes, logo
não é anulável (nesse aspeto).
O direito à reserva sobre a intimidade da vida privada (art 80), foi violado. As pessoas
coletivas podem assumir responsabilidade civil nos termos do art 168 que remete para o 500,
que é igual ao regime de representantes. (800)
Não é essencial para interesse publico em saber a vida privada de Carolina; no entanto
é de interesse publico angariar os fundos para o museu. Tinha direito a indemnização? Sabendo
do que o marido ia fazer ainda enquanto casados nada tendo fazer para o parar?

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domingo, 3 de Junho de 2018
Alberto, Bruna e Cátia, em 09.03.2014 decidem promover a constituição de uma
associação que tem como objeto angariar fundos para apoiar a integração de cidadãos
quenianos em Portugal, que logo denominam AIQ. Em casa de Alberto, combinam que
Cátia será Presidente da Direção por cinco anos e Presidente da Assembleia-Geral por
seis meses, ficando Bruna como Presidente do Conselho Fiscal e Alberto como secretário
dos referidos órgãos. As quotas fixadas para os sócios-fundadores são de 20 euros
mensais, ao passo que os sócios não fundadores se obrigam a contribuir mensalmente
com 50 euros. Estabelecem ainda que os sócios-fundadores têm o triplo dos votos dos
demais sócios e que, em caso de extinção da AIQ, o resultado da atividade da associação
será afeto a Alberto, que estando a contas com uma dívida a David, decide entrar com o
seu carro para o fundo da AIQ, encontrando-se aí o fundamento para a estipulação
relativa à possível distribuição do património apenas por Alberto.
Volvidos dois anos, Bruna não concorda com as contas da associação e refere que a
associação é nula. Os estatutos não se encontram publicados e, além do mais, não há
cidadãos quenianos que se encontrem em Portugal, alegando, para o efeito, que na festa
de integração de cidadãos quenianos que a AIQ promoveu num recinto improvisado na
praia da Morena em 05.09.2015 só compareceram alunos portugueses da Universidade
Portucalem e que o produto da festa foi utilizado por Cátia para comprar um vestido de
luxo, que esta na altura referiu ser necessário para representar institucionalmente a
AIQ. Os demais sócios, tentando dissuadir Cátia da sua pretensão e procurando evitar
quaisquer problemas com as autoridades, concordam em acrescentar um termo à vida da
AIQ, propondo o estabelecimento de um prazo de seis meses para que a associação
subsista, após o que a AIQ se extinguirá automaticamente. Cátia refere que o acrescento
de um termo de seis meses não é possível e mantém a sua pretensão de invocar a
nulidade da AIQ, pedindo, além do mais, a Alberto 3000 euros pelo aluguer da caravana
que havia adquirido para viajar pelo Gerês com Alberto em lua-de-mel, quando estes, em
01.04.2016, haviam decido casar. Alberto, reconhecendo que num momento de
embriaguez se tinha envolvido em 04.04.2016 com a barwoman da festa que a AIQ havia
organizado na praia da Morena, alega que se Cátia persistir com a suas intenções não
hesitará em exigir a pulseira em ouro maciço que lhe havia oferecido em 01.04.2016.
Quid Juris?

Presidências cumulativas
A AG tem competência residual (não tem o carácter de permanência dos outros
órgãos), tendo os outros órgãos carácter primário. Se se considerar que a presidência da
direção nula, cria-se um vazio. Se se considerar a da AG nula, já não há esse vazio: pode a
direção convocar uma AG para nomear o presidente (art. 173º). O presidente da AG não pode
convocar uma AG - se não tivermos uma direção/administração, só 1/5 dos associados podem
convocar a AG - sem direção paralisa-se a associação. Assim, cai a designação como presidente
da AG - até por uma razão cronológica: primeiro é presidente da direção e depois da AG.
Contribuição dos associados
Pela liberdade de associação, as pessoas sabem que terão de contribuir mais do que os
sócios fundadores, logo só entram se quiserem Apesar de haver mais do dobro da correlação
entre as quotas, não parece que esteja em causa uma desigualdade exagerada da
diferenciação dos associados.
Votos semelhante às contribuições
Mas isto é o limite dos limites: tudo o que ultrapasse o peso de 3x o voto dos outros
associados há que ser tido como nulo, por ser posto em causa o princípio da democraticidade.

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domingo, 3 de Junho de 2018
Em caso da extinção
Art. 198º - se todos respondem por dívidas, não parece que apenas um receba o fundo
comum. Se for um dos que mais contribui, faz sentido que seja o que recebe mais, em
proporção com o que dá. Mas não se pode definir que este receba tudo Art. 166ºº - Se se der a
extinção, todos recebem partes iguais, salvo estipulação estatutária em contrário. Se uma
pessoa não é suficiente para criar uma associação, então também não se pode destinar todo o
fundo comum a uma só pessoa. Também vai contra o princípio da democraticidade. Se o
património pertence a todos, faz sentido que seja partilhado por todos (quer tenha
personalidade ou não).
Nulidade da associação
Será que por ser presidente do conselho fiscal, não faz um venire contra factum
proprium em invocar a nulidade? Regra geral o venire contra factum proprium cede perante
razões de interesse público, incapacidades. Assim, caso existisse razão para considerar a ASP
nula (não há) podê-lo-ia fazer. Mas não pelas contas Não há nenhuma razão que leve à
nulidade da ASP Argumentos: Não publicação dos estatutos - Art. 201º-A devem ser publicados,
sendo a sua falta razão de extinção - art. 182º/2, d) (não nulidade. ATENÇÃO: só temos
extinção se não houver nulidade). Não haver cidadãos quenianos em Portugal - pode o fim ter-
se esgotado ou extinguido (art. 182º/2,a)).
Mas haverá sempre um queniano em Portugal - não há assim uma extinção do objeto:
não há razão para a nulidade, já que a extinção do objeto leva à extinção e, não se extinguiu
o objeto, logo não há extinção da associação. Para além disso há sempre a possibilidade de
entrar um queniano em Portugal Vestido comprado pela Cátia (ATENÇÃO: o vestido é da
associação, não da Cátia) Não. Apenas se adquiriu património para a ASP
Termo da associação sem personalidade jurídica
A lei permite que as associações tenham prazos - art. 167º. Se uma ASP se pode
constituir, no início, por tempo determinado, então também poderá ser colocado um termo a
meio da sua existência. Estamos perante uma alteração dos Estatutos, o que é permitido - art.
175º/3 Mas ela não se extingue automaticamente - art. 184º - há um prazo extra para haver a
liquidação do património Este prazo é possível.

(Solução aula)

Conferimento de direitos especiais: nada impede que esteja previsto nos estatutos.
Determinados associados podem ter direitos especiais relativamente a votos desde que haja
justificações proporcionais e não atente à lógica de democraticidade interna das associações.
É necessário é que sejam os estatutos a prevê-lo.
Afetação do resultado da atividade da associação a Alberto
➢ Esta questão da distribuição do património aos associados é restrita ou não?
➢ Podem os associados fazer uma previsão nos estatutos que no caso de extinção o
património seja distribuído pelos associados ou não?
➢ A causa de extinção é relevante quanto ao destino do património?
Nas associações a sua especialidade é a proibição de distribuição de lucro.
➢ Esta é uma ficção quando é distribuído o lucro quando a associação se dissolve?
Duas hipóteses: redução teológica; a lei deve distinguir.

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domingo, 3 de Junho de 2018
Se a associação for extinta contra a vontade dos associados, o fundamento no art.º
166º desaparece. Só nas situações em que as associações têm prazo ou associados é que
extinguem a associação, é que tem lugar essa distribuição de lucro. Nas situações é que é
extinta contra a vontade dos associados por ser contra a ordem pública, não haverá lugar
para a concretização da previsão estatuária de que o lucro seria distribuído para os
associados. O art.º 166º dá a ideia que a dissolução da associação não tem qualquer desvalor,
se houver desvalor não se aplicam as previsões estatutárias.
Princípio da proibição da distribuição do lucro pelos associados pode ocorrer no caso de
extinção da associação e assim fica esvaziado o princípio. Depois é fazer com que uma atuação
contrária à lei não dê lucro aos infratores. Só vigora a distribuição de lucro quando a
associação deixa de existir por vontade dos associados.
➢ Relativamente às associações sem personalidade jurídica justifica-se introduzir
um desvio relativamente ao art.º 166º?
➢ Qual a especificidade relativamente à responsabilidade civil dos associados?
Já vimos isto em cima.
A norma do nº 2 do art.º 198º é insuscetível de afastamento. Face a uma associação
sem personalidade jurídica na falta de fundo comum pode se ir subsidiariamente ao
património dos associados responsáveis.
Quem responde é o fundo comum, na falta de fundo é o património daquelas que
contraíram as dívidas, se for mais do que um é uma repartição solidária. Em terceiro lugar
quem responde são todos os associados, mas essa responsabilização que aparece num
terceiro patamar é subsidiária mas não é solidária, porque é na medida das contribuições
que cada um fez para o fundo.
Existe um critério corretivo quanto à forma como opera o património, se os associados
são responsáveis na medida de contribuição para o fundo comum, então no caso de extinção
tem direito ao património na medida da sua contribuição. Esta lógica de proporcionalidade
é extensiva.
No fundo trata-se de uma correção do art.º 166º no âmbito das associações sem
personalidade jurídica. A sua importação para este regime tem as correções necessárias, de
acordo com o art.º 198º. Esta é a uma hipótese, a segunda é que não se deve fazer qualquer
correção, e há uma margem de autonomia reconhecida. As pessoas contribuíram para o fundo
porque quiseram, logo não deve se fazer essa correção.
Não se fazendo a correção ou é igual para todos ou é igual à medida da
contribuição. Não pode haver uma via admissível que favoreça determinados associados,
isto é contra a lógica da associação. A lógica de ser o património de todos também há na
extinção, só há desvio quando é feita em medida da contribuição de cada um.
Na responsabilidade prevista no art.º 198º quem responde em primeira linha é o fundo
comum, que é de todos, e consubstancia o património da associação, se o fundo é de todos
esta lógica também tem que estar presente no momento em que a associação acaba, logo o
fundo comum tem que ser distribuído por todos.
Podemos fazer uma redução teológica do art.º 166º e distribuir o fundo comum de
acordo com a percentagem com que cada um contribui para o fundo. Quem não fizer essa
redução deve aplicar o que vimos em cima.

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domingo, 3 de Junho de 2018
Nas associações sem personalidade jurídica tem que haver previsão a cerca dos bens,
primeiro a previsão especificada e depois a previsão…, ou seja, tem de ser uma geral, e outra
específica sobre a forma com que cada um concorre com bens ao fundo comum.
A previsão de que todos têm de contribuir não implica que todos têm que contribuir de
igual forma.

(2º parágrafo)

No caso das associações havendo suscetibilidade de aparecer um estudante queniano


não é uma impossibilidade para o fim – art.º 182º/b (CORRIGIR ARGA). Temos uma justaposição
entre a alínea b) e c). Em última instância pode ser a d). A associação tem benefícios fiscais,
por isso a continuação da associação é contra ordem pública. Mas a que se aplica melhor é a
b).
Existe um desvio, não há nulidade por princípio, existe é causa com fundamento para a
sua extinção. Pode haver nulidade superveniente se acrescentaram um objeto estatutário. Não
existe nulidade quer do ponto de visto material e formal.
Quanto ao vestido de Cátia (art.º 160º), a regra é de que a capacidade das pessoas
coletivas abrange todos os direitos e deveres necessários e convenientes à prossecução dos
fins. Há várias leituras deste art.º, a especialidade imita a capacidade de atuação da
associação e por outro lado a associação pode fazer tudo exceto o que envolva a
personalidade singular.
Se houver algum ato ou atos que se desviem do fim a associação deve limitar-se à
prática dos estatutos funcionalizados aos seus estatutos.
Há duas posições: nulidade – parte do princípio de que a associação não tem
capacidade genérica de exercício para a prática desses atos. E a segunda posição de Oliveira
Ascensão, que funciona segundo o nº 4 do art.º 6º das sociedades comerciais: a nulidade cria
fortes perturbações na trafego jurídico.
Neste caso a consequência não é a da nulidade do ato, mas sim da responsabilidade
de Cátia perante a associação. O ato de compra não é nulo, mas implica responsabilidade
perante quem contraiu a obrigação perante terceiro – arts.º 164º, 1161º, 1164º, nº 1.
Aplicamos as regras do mandato.
Podemos ter uma causa de extinção, dependendo da interpretação da alínea c) do art.º
182º, se o fim for prosseguido por fins ilícitos ou imorais.

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domingo, 3 de Junho de 2018

Pessoas coletivas: associações


Associações
➢ Substratos
o Quantas pessoa são necessárias para constituir uma associação?
Alguns autores defendem que são necessárias cinco pessoas, por causa da constituição
dos órgãos. Uma pessoa coletiva tem que ter, como já vimos, uma direção, o conselho fiscal
que tem que ter 3 membros, a assembleia tem que ter presidente que não pode ser do
conselho fiscal nem ser presidente da direção, logo são necessários 5 membros.
Na opinião do Professor podem ser apenas duas pessoas, porque o Presidente do
conselho fiscal não tem que ser associado, ou seja, podemos constituir uma associação e fazer
indicação dos membros numa fase posterior. A lei não estabelece o número mínimo de
associados.

As disposições do capítulo são aplicadas às


ARTIGO 157º (Campo de aplicação) associações que não têm fim lucrativo económico
As disposições do presente capítulo são dos associados.
aplicáveis às associações que não tenham por fim
o lucro económico dos associados, às fundações Significa que as associações não podem ter fins
de interesse social, e ainda às sociedades, lucrativos?
quando a analogia das situações o justifique.
O que se entende que não podem ter fins?
A associação pode gerar lucros, para não entrar em
situação de prejuízo, o que não pode acontecer é
haver distribuição dos proveitos económicos pelos associados, pode sim haver investimento. Se
houver estamos perante uma sociedade civil pura.
Uma associação com personalidade jurídica implica a separação de património da
associação e associados. Significa a irresponsabilidade dos associados pelas dívidas da
associação. É uma consequência ligada à personalidade jurídica.

Controlo da Legalidade
Outro aspeto importante é o controlo de legalidade que existe relativamente às
associações. Todas devem ter os seus estatutos publicados. A escritura pública ou a
constituição na conservatória implica que numa primeira fase o controlo de legalidade seja
feito pelo notário (não pode praticar um ato solene que seja ilegal). Mas há ainda um
segundo, feito pelo Ministério Público.

Proibição de associações secretas


Outra consequência é a proibição de associações secretas no ordenamento jurídico
português. Todos os estatutos têm que ser publicados para que o Ministério Público possa
desenvolver a fiscalização, se não forem publicados a existência dessa associação é contra a
ordem pública (Art.º 182º – atentar ação de extinção).

(Criação associação com personalidade jurídica)

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domingo, 3 de Junho de 2018
A personalidade jurídica adquire-se através da escritura pública. Isto resulta do
preceito do art.º 168º.

➢ O que acontece entre a criação da associação através da escritura pública e a


publicação de estatutos?
Pode haver a prática de determinados atos durante esse período. Enquanto não for
feita a publicação, o ato e os estatutos são inoponíveis a terceiros de boa fé (art.º 168º, nº
3).
➢ O que acontece quando os estatutos têm disposições ilegais?
O art.º 46º da CRP proíbe uma associação com estes fins (fascistas ou racistas) o que
implica a nulidade da associação.
Se existirem cláusulas que preveem que o presidente pode modificar os estatutos é
nulo, porque só podem ser alterados perante a assembleia com maioria qualificada, a
associação não é nula, apenas a norma estatutária é nula (art.º 292º).
➢ Se quisermos personalidade jurídica e não formos celebrar uma escritura pública?
Enquanto não houver uma escritura pública a associação vai funcionar como associação
sem personalidade jurídica (arts.º 195º e seguintes).

Relativamente aos direitos e deveres dos associados


➢ Direitos gerais (direitos participativos): Participar na assembleia geral, votar, dar a
sua opinião, aceder às instalações, consultar documentos, obter informações, ser
eleito, entre outras;
➢ Obrigações gerais (obrigações contributivas): Contribuir no momento da adesão e no
funcionamento da associação de forma periódica através dos pagamentos das cotas, os
estatutos podem prever outras formas de contribuição;
➢ Deveres acessórios: Decorrem da boa fé, adstringem os associados a terem uma boa
postura não prejudicando a imagem da pessoa coletiva, dever de lealdade, assistência,
transparência, entre outras (art.º 162º, nº 2).
A qualidade de associado na sua natureza implica a intransmissibilidade da situação
de associado (art.º 180º). No entanto, tem se admitido que pode existir disposição estatutária
em contrário. Isto tem sido restringindo a associações de natureza honorífica, se não a
natureza da qualidade de associado desaparece por completo.
➢ Como o art.º 180º deve ser lido relativamente à questão do exercício de direito de
voto?
➢ Posso passar uma procuração?
Pode haver essa suscetibilidade do voto por representação, mas o contrário pode estar
previsto nos estatutos, da mesma maneira que só há esta possibilidade de voto por
representação se existir uma previsão estatutária.

O ingresso na associação pode ser feito inicialmente ou superveniente. As condições


de admissão devem constar dos estatutos (art.º 167º, nº 2).
➢ O que acontece se quiser sair?

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domingo, 3 de Junho de 2018
➢ Pode existir uma cláusula penal para a saída?
Se as pessoas são livres de entrar também devem ser de sair. A liberdade de adesão é
um ato pessoal. Se alguém sair perde o direito às cotas que já pagou e o direito ao património
social. No entanto, conserva a sua responsabilidade pelas prestações em que foi membro da
associação. (art.º 181º)
➢ E a questão relativa à exclusão/expulsão da associação?
O CC na parte do direito de associação não tem previsão específica a cerca destas
situações, normalmente vai se buscar por analogia ao art.º 1003º que está previsto para as
sociedades civis, aplicado com as devidas adaptações.
Quanto à exclusão da pessoa (poder disciplinar), estamos perante uma sanção, uma
consequência desfavorável proveniente de uma ação. Tem se exigido que para haver exclusão
ou aplicação de sanção tem que haver previsão estatutária de um alado, e de acordo com a
lógica do poder disciplinar deve ser assegurada a sanção da pessoa.
➢ E se os estatutos nada disserem sobre a competência para decidir a expulsão?
Admite que possam integrar o exercício do poder disciplinar a um órgão. Se nada
determinarem sobre o órgão competente, o que vai considerado é a assembleia geral, porque
é esta que concentra todas as funções residuais que não estão atribuídas aos outros órgãos
(art.º 172º).
Para esse é feito, é necessário estarem presentes pelo menos metade dos associados
(art.º 175º), sendo que se estiver em risco de expulsão são necessários maioria absoluta dos
associados presentes.
A lei em certos casos estabelece maioria qualificadas. Por exemplo, são necessários ¾
dos presentes para alteração dos estatutos; ¾ para a extinção da associação. Os estatutos
podem ter exigências superiores, isto são os mínimos. Os estatutos não podem sobre pena de
anulabilidade estabelecer a suficiência menos qualificada que as exigidas pela lei sobre a
deliberação por elas estabelecidas. Se o fizerem, para além de ser nula, vai pôr em causa a
deliberação que se torna anulável pelo art.º 167º do CC.
Cada associado em princípio tem 1 voto. Mas os estatutos podem fixar outras regras
(art.º 166º). Estabelece a inibição do votante em caso de conflito de interesses entre a
associação e ele, seus cônjuges, ascendentes e descendentes.

Assembleia Geral
No art.º 172º estão enunciadas as competências da
ARTIGO 172º (Competência da assembleia geral) Assembleia Geral. Para além das competências
1. Competem à assembleia geral todas as delegadas pela lei, têm competências
deliberações não compreendidas nas atribuições estatutárias que são atribuídas pelos estatutos, e
legais ou estatutárias de outros órgãos da pessoa competências subsidiárias ou residuais, que são
coletiva.
todas aquelas que não são de um órgão em
2. São, necessariamente, da competência da particular.
assembleia geral a destituição dos titulares dos
A invalidade que recai sobre as deliberações
órgãos da associação, a aprovação do balanço, a
implica a anulabilidade (art.º 178º), mas com um
prazo menor, apenas 6 meses. No entanto, tem que ser lido com cautela.
Exemplo: Matar alguém não é uma deliberação anulável, é nula. Por isso temos que distinguir
o que vai contra ordem pública. Logo, podem existir deliberações nulas (art.º 286º).

18
domingo, 3 de Junho de 2018
A participação na assembleia geral não implica a regra da maioridade. É possível que
um menor possa participar na vida corrente de uma associação e votar, se possuir mais de 16
anos.
➢ Qual a regra básica da convocação?
o Art.º 173º.
A legitimidade compete ao presidente da assembleia gral. Se este entender que o fim
não é legitimo… Se a administração não convocar qualquer associado pode-o fazer (art.º 173º,
nº 3).
➢ Qual a forma da convocação?
o Art.º 174º.
Com antecedência de 8 dias relativamente à data da assembleia geral convocada. A
convocatória só se torna eficaz com a receção e conhecimento (art.º 224º).
Na assembleia temos que ter um presidente e um secretário. O Presidente deve admitir
ou recusar propostas, votar (voto de minerva – desempate), e realizar a convocação.

Administração e Conselho Fiscal


(art.º 170ª, nº 2) Em vigor não se trata de uma revogação mas destituição dos titulares
em causa. Se for contra a justa causa tonara-se impugnável, implica a realização de um
processo disciplinar.

15º aula (07/05/18)


Existem três tipos de associações de acordo com o princípio da tipicidade:
➢ Associações com personalidade jurídica;
➢ Associações sem personalidade jurídica;
➢ Comissões especiais.
O CC não oferece uma definição de associação, existe no sentido pré-constitucional. Do
art.º 46º da CRP é extraível a propósito da liberdade de associação. O CC também não tem os
elementos essenciais do conceito de associação de forma absolutamente fechada.
São um centro coletivo de organização de interesses que prossegue fins que não se
identificam com o lucro dos associados (art.º 157º - elementos constitutivos das
associações). Podem ter variados fins:
➢ Fins interessados ou altruísticos (ciências, por exemplo);
➢ Fins ideais marcados por aspetos interessados ou hipismos (como desporto, por
exemplo);
➢ Fins económicos.

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domingo, 3 de Junho de 2018
Implica que toda e qualquer associação seja construída por referência a este género
associativo. Assim sendo, pessoas com fins comuns que não tenham em vista lucros dos
próprios associados será considerado uma associação.
A associação tem dois elementos centrais: ato constitutivo (coletivo ou contrato); e
os estatutos. Para o Professor é um contrato, mas questiona-se se trata da um contrato
patrimonial ou não. O interesse do associado não pode ser patrimonial, porque não visa
obter lucro económico com o desenvolvimento da associação.

É necessário ter em conta uma distinção. Uma coisa são os fins prosseguidos pelos
sujeitos, e outra coisa é os fins prosseguiveis pela associação.
1. São comuns a todos os eles, e são suscetíveis de avaliação pecuniária.
2. Também são patrimoniais.

➢ Como os associados contribuem para o desenvolvimento e funcionamento da


associação economicamente?
Através das quotizações.
A qualidade pessoal do estatuto de associado não desfigura a natureza patrimonial do
contrato de associação (art.º 167º).
Não implica que haja contribuições patrimoniais iniciais, o nº 1 basta-se com a
previsão do que vão contribuir para esta, mas para se considerar constituída não é
necessário que os associados concorram de início com os bens patrimoniais.
Há uma diferença: há quem entenda que a obrigatoriedade de contribuição tem que
estar prevista nos estatutos, mas apenas se refere às contribuições a desenvolver no futuro, e
há quem entenda que não.
➢ É necessário saber se tem que haver uma atuação do património relativamente
aos fins que a associação vai desenvolver?
Há quem o defenda, mas não. O argumento que afasta isto são as admissões do
princípio de liberdade de associação. Temos um controlo administrativo a cerca da
viabilidade de uma associação. Não pode haver obstáculo inicial ao direito das pessoas se
associarem para prosseguir fins comuns, isto implica que não haja necessidade de previsão
das contribuições no início da associação, mas sim para o futuro através de quotas, para
razões de segurança.

Quanto à responsabilidade civil é a pessoa que responde pela responsabilidade, só em


situações patológicas: má fé, manipulação da pessoa coletiva para prosseguir bens pessoais.
Temos um centro autónomo de bens e deveres que corresponde com o seu património,
é uma das vantagens de ter pessoas coletivas.

Associações Sem Personalidade Jurídica


Quando o fundo comum da associação sem personalidade jurídica é insuficiente pode-
se ir ao património dos associados (art.º 198º). Quanto mais se contribui para o fundo

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domingo, 3 de Junho de 2018
comum, maior é a medida de responsabilidade, é um forte desincentivo para que as
pessoas contribuam, porque os associados correspondem proporcionalmente.
➢ Quando constituímos a figuras das associações sem personalidade jurídica?
Estas vigoram em duas situações, em primeiro lugar quando a associação com
personalidade jurídica é nula, quando celebramos a associação sem escritura. A outra
situação é quando queremos constituir mesmo uma associação sem personalidade jurídica,
porque é mais barata, não precisamos de ter conselho fiscal, e basta um deliberativo, e outro
executivo.
O problema é que a lei recorta estas a partir das associações com personalidade,
sendo que certas disposições pressupõem a personalidade.
➢ Que disposições do regime é que são indesligáveis do conceito de “com
personalidade”?
o Nº 1 do art.º 195º.
Existem preceitos desenhados para as associações “com” que não vão ter
cabimento nas “sem”. Na falta de disposições estabelecidas pelos associados é que vamos
aplicar os preceitos das associações que prossupõem personalidade jurídica.
Temos que ter uma estrutura organizativa mínima. Uma associação para ser
reconhecida tem que ter isso mesmo, sendo que aqui consiste no órgão deliberativo e
executivo. É isso que permite com base nestes dois órgãos reconhecer que se manifesta
uma vontade imputável para aquele centro de interesses.
É também por isso que os órgãos se distinguem dos associados, ou seja, temos um
ente, um centro coletivo de direitos e deveres que se distingue dos associados.
A associação vai poder cobrar as quotizações, isso demarca a esfera jurídica da
associação da esfera jurídica dos associados. Ou a previsão das … da associação corresponde
o fundo comum, que corresponde nos casos das associações sem personalidade jurídica ao
património social das mesmas. (art.º 197º) Temos a possibilidade de bens serem doados a
uma associação sem personalidade que vão acrescer ao fundo comum.
➢ Qual o regime?
Só podemos doar bens a uma pessoa, uma associação sem personalidade jurídica não é
pessoa, não tem personalidade jurídica, mas a lei reconhece densidade bastante para o
poderem fazer e criarem um fundo comum.

Como já vimos, uma associação que visa ter personalidade jurídica, mas ainda não
obteve, entre a criação e obtenção, temos uma associação sem personalidade jurídica. Noutro
grupo de situações são mesmo aquelas em que os sujeitos querem uma associação sem
personaliza jurídica, pois não estão interessados aos custos associados. Surgiram para facilitar
a junção de pessoas com os mesmos interesses sem ter custos, o que não implica que não
tenhamos um conjunto mínimo de regras de organização e funcionamento (art.º 195º).
A lei é muito mais liberal quanto à liberdade de conformação estatutária para com
as associações sem personalidade jurídica.

Questão de segurança jurídica

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domingo, 3 de Junho de 2018
Tem que haver um conteúdo estatutário mínimo (art.º 201º-A), que tem que ser
publicado.
➢ E se uma associação sem personalidade não publicar a sua constituição?
➢ O que acontece?
➢ É a condição de eficácia?
➢ De invalidade?
➢ Oponibilidade a terceiros?
É de eficácia. Uma associação com personalidade jurídica que seja nula por falta de
forma é uma associação sem personalidade jurídica. A associação existe, mas a sua atuação é
absolutamente eficaz. O art.º 201º A tem uma lógica de proibição de associações secretas.
Se a constituição não é publicada, o MP ao observar tem que instaurar uma ação de
extinção da associação com o fundamento que as associações secretas são contrárias à
ordem pública. É sempre o MP, porque existe uma apreciação do conteúdo (art.º 182º, nº 2,
e).

➢ Qual a sede da associação se não houver designação estatutária?


O art.º 201º obriga a haver, sendo que deve ser o lugar onde funciona a administração
principal (art.º 159º), caso não houver a tal designação estatutária.
➢ O que acontece relativamente ao art.º 201º A relativamente ao património?
Não exige a coligação do património. Suscita a questão se o patrónimo é ou não um
elemento essencial do contrato de associação?
Torna-se esse elemento irrelevante no contexto das associações sem personalidade
jurídica, sob o desígnio de fundo comum, que corresponde em primeira linha pelas
obrigações constituídas pela associação. Não existem cotas. Para preservação dos
mecanismos de preservação da associação, o fundo comum está imunizado das dívidas
pessoais dos associados (art.º 198).
O benefício das associações com personalidade jurídica é a imunização de ter que
pagar as dívidas da associação.

Direitos e deveres dos associados


A fundamentalidade perante a associação e terceiros, na insuficiência de fundo
comum os associados vão responder diretamente perante os credores (artº 198º, nº 2).
Torna essencial que o contrato de associação – os estatutos – tenham que mencionar o modo
como os associados contribuem para o fundo comum da associação. No caso das associações
isso ainda é mais importante porque nós temos o nº 2 do art.º 198º, sendo que as normas sobre
responsabilidade são imperativas.
Os associados são responsabilizados em função da sua contribuição para o fundo
comum, na falta ou insuficiência deste, portanto não podem haver previsões estatutárias
que excluam os associados de contribuir.
Existe um eco de razões de interesse público e justifica-se que todos tenham que
contribuir no futuro de igual medida para o fundo da associação (art.º 198º).

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Questões relativamente à ausência de fim lucrativa


O fim não lucrativo tem se identificado com a proibição de distribuição de lucros
aos associados, o que tem levado a que muitos autores reconduzam as associações e
sociedades a um tronco comum.
Assim sendo, distingue-se o objeto do fins. O fim não pode ser lucrativo. Por exemplo,
fins científicos, o objeto da associação são atividades cientificas, o seu fim não é lucrativo.
Uma coisa é o fim, e outra o objeto.
Sobre isto existem quatro vertentes:
➢ As associações apenas devem desenvolver atividades não económicas;
➢ As associações devem única e exclusivamente ter um objeto altruísta;
➢ As associações podem desenvolver atividades económicas ou não com o objetivo
egoísta ou altruísta com interesse económico;
➢ As associações devem ter objeto essencialmente altruísta.
(art.º 160º)
Na Alemanha tem se tentado determinar um critério quantitativo: as atividades que a
associação desenvolve não podem ultrapassar determinar montante.
➢ Art.º 14º do Código Comercial.
Assim sendo, podem desenvolver atividades comerciais acessórias – acessoriedade do
exercício das atividades relativamente ao seu fim. Existe um limite intransponível da
distribuição do lucro pelos associados.
O art.º 166º possibilita que se a associação for
ARTIGO 166º (Destino dos bens no caso de extinta se determine a repartição do património
extinção)
pelos associados. Isto não acontece nos EUA, nem
1. Extinta a pessoa coletiva, se existirem bens na Itália: as associações não podem ter por fim
que lhe tenham sido doados ou deixados com lucro económico dos associados, logo uma
qualquer encargo ou que estejam afetados a um associação que funcione como uma sociedade
certo fim, o tribunal, a requerimento do
Ministério Público, dos liquidatários, de qualquer comercial em princípio vai ser extinta, ou então
associado ou interessado, ou ainda de herdeiros pode ter termo, e se tiver desenvolvido atividades,
do doador ou do autor da deixa testamentária, o património está substancialmente enriquecido, e
será distribuído pelos sócios, por isso essa
preocupação da distribuição parece muito desvanecida face ao art.º que permite que seja
distribuído pelos associados. Só têm lucro porque a associação existiu.
A repartição do património é feita de forma igual pelos associados, não tendo em
conta as contribuições de cada um. Nas associações sem personalidade jurídica aplica-se o
art.º 166º, nestes temos uma contradição, se o fundo comum for insuficiente cada associado
corresponde na medida em que contribui para o fundo comum, na repartição já se
desconsidera que é igual para todos, há um desfasamento entre os critérios.
A natureza separada do fundo comum impede que exista uma disposição estatutária
que em caso de extinção da associação responsabilize apenas o património de um associado.
Há um princípio de tutela dos credores. Não pode haver favorecimento de uma ou mais
pessoas.

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Existem associados que sejam simultaneamente titulares dos órgãos sociais, sendo que
o nosso CC não estabelece qualquer limite à remuneração dos órgãos sociais, ou retribuição
oferecida aos trabalhadores.
As regras do mandato só se aplicam se os estatutos nada previrem a cerca destas
estatuições. Nesse caso não se aplicam as regras do mandato, o que significa que a lei abre as
portas às instituições de conflito de interesse. Aplica-se o art.º 164º ou 166º?
Esta distinção tem importantes consequências regimentares. Do ponto de vista do nosso
sistema jurídico no que respeita aos aspetos contabilísticos, uma associação por não exercer
de atividade económica, agrícola, entre outras, pode dispor de.. Por exemplo, no caso de
arrendamento de imóveis, quando a associação exerce as suas atividades não está sujeito ao
regime de locação. Os atos praticados não estão sujeitos à jurisdição dos tribunais de
comércio. Isto só está atribuída a pessoas sem fins lucrativos e não sociedades.

Porque as associações sem personalidade jurídica aproximam-se muito das associações


com personalidade jurídica?
Em ambos os lados temos um património comum, suceder por herança, personalidade
judiciária, personalidade tributária. Portanto, está em crise esta distinção entre associações
com e sem.
➢ Qual o critério relevante para atribuir personalidade jurídica a um ente?

Art.º 997º: Os sócios respondem solidariamente pelas dívidas da sociedade. Têm que
satisfazer as entradas que se comprometeram a fazer.

Associações em que não basta escritura pública:


➢ Associações de empregadores;
➢ Associações sindicais;
➢ Partidos políticos;
➢ Cooperativas;
➢ Comissões de trabalhadores.
Existe um requisito constitutivo
Não podemos associar o requisito de publicidade do art.º 201º (?), à escritura pública
no caso das associações com personalidade jurídica.

As associações com personalidade jurídica têm regime bastante mais “apertado”, sendo
que o art.º 195º, nº 1 reconhece uma larga margem aos associados da associação sem
personalidade jurídica, que tem um regime pouco rígido onde não existe controlo de
legalidade.
Podemos constituir uma associação sem personalidade jurídica através de escritura
pública, é um excesso de forma, mas é possível através do princípio da liberdade de
forma.

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Relativamente a regimes especiais:


➢ Associações juvenis sem personalidade jurídica – lei 23/2006 reconhecíveis pelo
instituto português da juventude;
➢ Casas fruídas – associações sem personalidade jurídica necessariamente. São uma
espécie de repúblicas de estudantes.

16º aula (11/05/18)


O regime das associações tem problemas, como saber a distinção entre associações e
sociedades. É uma questão relacionada com as atividades comerciais, relativamente aos fins
das associações.
O produto das atividades comerciais não podia ser superior ao montante do património
da associação, se não era uma sociedade. As associações têm benefícios fiscais, que vão
fazer manutenção da ausência desse fim lucrativo.
Na associação sem personalidade jurídica temos problemas sobre o regime aplicável,
pois existem poucos arts.º, e temos uma remissão subsidiária para as associações com
personalidade jurídica. Ficamos sem saber o que é sobreposto à personalidade, ou seja, o que
esta implica.
Não há possibilidade de desvio quanto áquilo que o regime prevê, principalmente na
matéria de responsabilização, a possibilidade dos sócios responderem na medida das suas
contribuições é absolutamente injuntivo. É por essa razão que não pode haver previsão nos
estatutos de que os associados ficam dispensados de contribuir para a associação, todos os
associados têm que contribuir para associação, porque a sua responsabilidade é conformada
sobre a medida das contribuições que fizeram para esta (art.º 198º).
É quase impossível ter uma posição fechada. Nos estatutos pode estabelecer-se que os
fundadores ficam obrigados a uma cotização de 20 e os outros 50, esta questão está em
aberto. Parece que defrauda o art.º 198º, porque parece que há beneficio de uns em
detrimento da responsabilidade de outros. Pode haver uma diferenciação relativamente aos
votos, principalmente, relativamente aos associados fundadores e … têm a possibilidade de
conformar as regras relativamente ao funcionamento de determinado ente.
É importante que se siga o princípio da proporcionalidade, enquanto bitola do princípio
de igualdade, e não se atente contra a democraticidade interna das associações.
A questão coloca-se num plano tendencialmente idêntico, se nós numa primeira fase
admitimos esta repartição das contribuições devidas para o fundo comum. Ao admitir esta
diferenciação estamos a admitir que haverá associados colocados em melhor posição caso
a associação não consiga resolver os seus próprios compromissos. Se a lei quisesse que
contribuíssem de forma igual fazia essa previsão.
Podem haver quotas diferentes em função de fatores objetivos que são dois: a
qualidade de fundador da associação ou a antiguidade da qualidade de associado.

➢ Art.º 46º, CRP

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Os três modelos que este art.º acolhe de acordo com o princípio de tipicidade são:
associação com personalidade jurídica, associação sem personalidade jurídica, e comissões
especiais (art.º 199º).
Temos três modelos de organização coletiva e interesses dos cidadãos para estes
arranjarem uma forma de intervir no contexto social sem intervirem diretamente.
Embora as associações sem personalidade jurídica e as comissões especiais encontrem
um regime desligado de personalidade jurídica, não pode ser desligado de associação.
Cada um tem direito de aderir a associações existentes, a não ser que existam
fatores objetivos que impeçam essa filiação; bem como, o direito a não ser coagido a
inscrever e permanecer em qualquer associação. Sendo que exista a possibilidade do
Estado dissolver associações.
As associações têm o direito de prosseguirem os seus fins livremente sem
interferência da autoridade públicas.
A regra democrática das associações implica que não se possa à partida atribuir a uma
ou duas pessoas a possibilidade de conduzirem os assuntos da associação.
Para o Professor Jorge Miranda o nº 4 do art.º 175º ao estabelecer que as deliberações
sobre a dissolução ou prorrogação da pessoa coletiva requerem voto favorável de três quatros
do número de todos os associados é inconstitucional, porque na lei civil não podemos impor
às associações privadas aquilo que a lei fundamental do Estado não impõe a si mesmo no
que toca à revisão.
A liberdade de associação suscita garantias para os membros, como por exemplo, a
impossibilidade de alguém ser expulso sem justa causa, garantias procedimentais – direito a
ser ouvir, aceder às contas, regras de transparência e conduzir os destinos da associação.
➢ Que princípios encontramos que transcendendo o conceito de pessoa coletivas
estruturam o conceito de associação?
Isto vale para todos os tipos de associação. O art.º 195º ressalva a aplicação dos
preceitos que pressupõem a personalidade jurídica, temos que ver as regras indesligáveis
do conceito de associação, mas desligáveis de personalidade jurídica, porque esses
preceitos vão ser aplicados às associações sem personalidade jurídica mesmo contra a sua
vontade.
Os associados não podem dispor em sentido contrário:
Aprovação dos estatutos em Assembleia Geral ou Plenário: O art.º que prevê esta
regra para as associações sindicais é o art.º 54º, nº 2 da CRP. É mais importante nas
associações sem personalidade jurídica, porque a lei é aberta e dá mais flexibilidade do
que às com personalidade jurídica.
Eleição periódica dos dirigentes e admissibilidade de destituição: é importante, pois
a eleição, e esta periocidade pode se não compaginar com o exercício de mandatos de 10
anos, por exemplo, porque são mandatos longos. A longevidade pode conduzir a uma situação
excessiva de poder. Ninguém pode ficar imune à suscetibilidade de destituição (arts.º 264º, nº
4; 55º, nº 3, CRP).
Voto direto e secreto: resulta dos nº 2 e 3, do art.º 54º da CRP, e art.º 264.
Separação e interdependência dos órgãos: art.º 111º, nº 1, CRP. Implica que o
presidente da associação, por exemplo, não possa ser presidente da AG ou possa estar no
conselho fiscal.

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domingo, 3 de Junho de 2018
Liberdade de propaganda eleitoral e liberdade de candidaturas: art.º 113º, nº 3, CRP.
Jurisdicionalidade da apreciação da validade e da regularidade dos atos eleitorais:
nº 7, art.º 113º, CRP; nº 2, art.º 223º.
Princípios de quórum e de maioria nas deliberações nas assembleias: art.º 116º, nº 2
e 3. Implica, por exemplo, imaginando que temos uma associação e que vamos proporcionar
aos filhos dos associados uma colonia de férias no Geres, ou Santarém, ou Alentejo. Se os
votos forem 30%, 30%, 40%, temos maioria? Não, isto impossibilita que haja uma deliberação
como base na proposta mais votada pois não favorece de maioria.
Princípio da renovação dos cargos dirigentes: art.º 118, CPR.
Princípios da igualdade, diversidade, tutela dos direitos: arts.º 12º, 13º, 20º, CPR.

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domingo, 3 de Junho de 2018

Direitos Personalidade:

Teoria dos direitos de personalidade:


É objetiva quando a lei impõe o segredo profissional, e resulta do dever de boa fé, ou
quando está em causa um bem de personalidade (art.º 75º).
A vontade do remente da carta releva para a aplicação do art.º 75º e para a aplicação
da carta missiva ou confidencial, vai sinalizar isso como um bem de personalidade que só diz
respeito à pessoa.

ARTIGO 75º (Cartas-missivas confidenciais) ARTIGO 76º (Publicação de cartas


confidenciais)
1. O destinatário de carta-missiva de natureza
confidencial deve guardar reserva sobre o seu 1. As cartas-missivas confidenciais só
conteúdo, não lhe sendo lícito aproveitar os podem ser publicadas com o
elementos de informação que ela tenha levado consentimento do seu autor ou com o
ao seu conhecimento. suprimento judicial desse
consentimento; mas não há lugar ao
2. Morto o destinatário, pode a restituição da suprimento quando se trate de utilizar
carta confidencial ser ordenada pelo tribunal, a as cartas como documento literário,
histórico ou biográfico.
Violação do art.º 75º
2. Depois da morte do autor, a
Q u e m v i o l a o a r t . º 7 5 º i n c o r r e e m autorização compete às pessoas
responsabilidade civil pelos danos patrimoniais que designadas no nº 2 do artigo 71º,
causa e pelos danos morais. A confidencialidade une o
emitente e o remetente num vinculo de personalidade. Isto não se transmite aos sucessores do
destinatário.
➢ Art.º 76º
A carta só pode ser publicada com o consentimento do seu autor ou por motivo judicial,
isto deve ser interpretado de forma restritiva. Nestes casos tem de intervir o nº2 do art.º 81º.

Cartas não confidenciais


Só podem ser usadas em termos que não contrariem a expetativa do autor. Se
contrariarem estamos numa situação ilícita e há responsabilidade civil para quem atue
contrario às expetativas do mesmo (arts.º 483º e 486º).

12º aula (24/04/18)


Direito à imagem
A imagem é a representação de uma pessoa na sua configuração exterior. O
tratamento da imagem é dado à própria pessoa.

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O primeiro aspeto que é colocado em crise quando se viola o direito à imagem é o do
resguardo ou direito à intimidade na vida privada.
Normalmente quando se divulga a imagem de uma pessoa raramente se faz essa
divulgação em abstrato, faz se uma associação entre a imagem e qualquer notícia ou imagem
que se pretenda transmitir.
O segundo valor colocado em crise valor é, por sua vez, o bom nome e reputação.
Num terceiro plano saliente tem que ver com a capacidade lucrativa que determinada
imagem pode criar (por exemplo: atores, cantores, etc, ou seja, figuras públicas). A utilização
da imagem deve reverter para o próprio e não para terceiros, por isso há desconfiança no
lucro pela imagem de outrem como as revistas cor de rosa.
➢ Direito à palavra
A palavra também pode ser gravada e reproduzida, sendo que a utilização dessas
gravações também pode afrontar o bom nome e reputação.
Não temos o princípio nos direitos de personalidade, por isso tem se aplicado o art.º
79º no direito à palavra, com as devidas adaptações, relativamente a gravações que afrontem
os direitos de personalidade (privacidade, bom nome…).
➢ O que acontece à tutela do direito à imagem aplicada com as devidas adaptações ao
direito da palavra sempre que a pessoa tenha falecido?
O retrato de uma pessoa não pode ser exposto e reproduzido sem o seu
reconhecimento. Por isso é um direito pós eficaz que sobrevive à cessação da personalidade
jurídica. Mas há aqui a ausência do consentimento que deve ser livre e consciente, mas neste
caso admite-se que o consentimento seja tácito.
Exemplo: Num desfile se a pessoa se apresenta no palco está a concordar divulgar-se nesse
contexto. Uma coisa é a pessoa expor-se publicamente, outra é utilizarem um retrato noutro
contexto. Quem autoriza a utilização do retrato no mercado é a própria pessoa ou
representante (?).
Neste caso o único limite será o princípio da ordem pública. Por exemplo, questionar
uma pessoa que consinta a utilização de imagens nuas num prazo de 50 anos, é necessário que
exista um prazo nestas circunstâncias, mas estamos perante uma situação que vai convocar o
princípio da proporcionalidade mais concretamente o terceiro subprincípio da proibição do
excesso.
Isto também pode ser aplicado a situações em que por maioria de razão se justifica a
divulgação da imagem que não foi expressamente autorizada.
Exemplo: Professor pede para tirar uma foto na aula com os alunos para o Facebook, no
entanto depois coloca no painel da faculdade, que é um menos relativamente à divulgação do
Facebook. Mas isto tem sido interpretado de forma restritiva.

O art.º 79º define o direito à imagem em termos


ARTIGO 79º (Direito à imagem)
muitos amplos, sendo que o nº 2 vem estabelecer
1. O retrato de uma pessoa não pode ser condições e limitações muito severas: situações em
exposto, reproduzido ou lançado no comércio que não é necessário o consentimento da pessoa.
sem o consentimento dela; depois da morte da
pessoa retratada, a autorização compete às NOTA: Uma coisa é o interesse público e outra
pessoas designadas no nº 2 do artigo 71º, segundo que é o interesse do público. Toda a gente gosta
a ordem nele indicada.
de saber coisas que não são importantes para o seu
2. Não é necessário o consentimento da pessoa interesse social objetivado.

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domingo, 3 de Junho de 2018

Para isolar até onde pode ir a divulgação da imagem de uma pessoa a doutrina tem
desenvolvida a teoria das 3 esferas.
➢ Esfera Pública: Implica uma conduta propositadamente acessível ao público
independentemente de concretas utilizações (exemplo: famosos, figuras públicas…);
➢ Esfera Individual Social: Recorda-se ao relacionamento social normal que diversas
pessoas estabelecem com amigos, conhecidos, entre outros, e a reprodução de imagens
que pode ser feita nesse meio, salvo se… (?);
➢ Esfera Privada: É apenas acessível ao circulo da família ou amigos mais próximos;
o Esfera Intima: Vida sentimental ou familiar no seu sentido mais estrito, tem se
entendido que tem uma tutela absoluta independentemente de quaisquer
prévias decisões.
▪ Esfera Secreta: Abrange o âmbito de proteção que o próprio tutelar do
direito de personalidade tenha decidido não revelar a ninguém desde o
momento em que observa (…) ou toma essa decisão.
Tem se entendido que a esfera privada, secreta e intima nunca são acessíveis sem a
autorização do próprio. E nenhuma finalidade científica, social, entre outras, permite que
transpassem.
➢ Qual a grande exceção a esta inacessibilidade?
Fotos tiradas em locais públicos, ou factos que hajam decorrido publicamente. E aqui
tudo depende das circunstâncias e destino das imagens captadas.
Temos que assumir um padrão de normalidade, por princípio as imagens só podem
documentar o sucedido, não podem ser usadas para imagens publicitárias (ex. das sagres) –
isto sempre no contexto sem a autorização.

Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada


➢Uma fotografia intima obtida com uma tela
ARTIGO 80º (Direito à reserva sobre a objetiva, é tutela o direito à intimidade da vida
intimidade da vida privada)
privada ou não?
1. Todos devem guardar reserva quanto à
intimidade da vida privada de outrem. Surge em remanescência por isso não. Uma foto
intima cai no art.º 79º. Este art.º 80º sobre a reserva
2. A extensão da reserva é definida da vida privada é mais residual.
conforme a natureza do caso e a condição
➢O que cai neste direito?
Por exemplo, a vida familiar de uma personalidade pública que seja obtida através das
indiscrições da sua empregada doméstica. Temos um dever absoluto de respeito por este
direito. No entanto como todo e qualquer princípio acaba por ser remanescido pelo n.º 2 do
próprio. A extensão de reserva é defendida conforma a natureza do caso.
O grande problema é a potencial colisão de direitos, escolher o critério e harmonizar os
critérios em sentido de conflito.
Tem se entendido que a vida privada cessa quando começa a pública.

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domingo, 3 de Junho de 2018
➢ Que fim pode justificar essa limitação, restrição, amputação ao direito da reserva
sobre a intimidade da vida privada?
Por exemplo, alguém no divórcio para obter provimento indagava uma situação de
adultério, isto era admitido pelos tribunais, porque era a única forma de provar a violação da
fidelidade. Também tem se admitido que alguém investigue a vida patrimonial de alguém se
tiver um crédito sobre essa pessoa e ela não pagar, porque em princípio vai para a ação
executiva e tem que nomear bens à penhora.
Temos um parâmetro de razoabilidade, tem se entendido também que esta
compreende outras dimensões. Relativamente aos médicos, por exemplo, a obrigação de sigilo
médico. Tem se abrangido as amizades e relacionamentos sentimentais, preferências
estéticas, posições políticas, e até religiosas e podemos aplicar a este direito de esfera
pública, privada, secreta e intima (?). O direito conhece na privacidade a existência de um
valor autónomo. Na medida em que a privacidade traduz um circulo independente de (?) e
terceiros que pode tratar como entender.
Na leitura do art.º 80º a grande contraposição que se suscita é entre vida privada e vida
pública. Em relação à segunda não haverá reserva ou o mesmo tipo de reserva, este art.º
protege a esfera privada, secreta e intima, e não a publica.
As exceções previstas no nº 2 tem haver com um dado objetivo, a natureza do caso,
com os especiais valores que podem estar em causa em relação à esfera privada. Estes valores
têm que ter uma cobertura constitucional e legal, e devem ser mais ponderosos relativamente
aos valores privados.
Exemplo: Nos casos policiais que envolvem escutas, câmeras ocultas, microfones, ao mesmo
tempo o regime para estas situações induz à aplicação restrita deste conceito objetivo.
Porquê? No nosso sistema não é possível, por mais legítimo que seja o fim, utilizar uma
câmera oculta ou microfone, porque são mecanismos que à partida só são utlizados mediante
adequada autorização judicial.
➢ O que acontece muitos vezes em matéria de prova?
São desconsideradas porque não podem ser utlizadas, mas o pré requerente na
estrutura da sentença dá para admitir o conteúdo (?) que a prova tem, apesar desta não ser
utlizada. Já houve absoluções em casos em que era a única prova. Muitos vezes se há um
silêncio generalizado e a prova é ilícita reproduzida por um cidadão, o acusado tem que ser
absolvido.
Outro aspeto diz respeito às condições das pessoas, reporta-se à notoriedade, postura
que a mesma adota. No caso dos políticos há naturais conversões, o que não quer dizer que a
esfera privada dos políticos desapareça. Tem haver com a postura do próprio. Surge muitos
vezes ligado ao segredo, porque tem consagração legal.

(Incumprimento do negócio que alguém limita voluntariamente um bem tutelado por um


direito de personalidade)?
Os direitos à reserva sobre a intimidade da vida privada e imagem admite-se que sejam
limitados. Deve-se utilizar o nome completo para não ser confundida com outra. Não se
admitem negócios que afetem moralmente ou física outrem.
Exemplo: Autorização de submissão a uma experiência de encarceramento absoluto. Existem
ordenamentos em que isto já foi admitido, para ver os efeitos psicológicos. Ou seja, uma

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pessoa voluntariamente fica impossibilitada de comunicar com quer que seja durante 3 anos.
Como o nosso sistema encara isto?
Uma coisa é a derrogação da limitação e outra é o incumprimento, isto tem
importância prática (exemplo: cláusulas penais para quem abandonar um programa).

Se a revogação acontecer aplica-se a cláusula penal. O art.º 812º tem como índice
uma situação de incumprimento. Para esse incumprimento não há compensação remuneratória
que o art.º 81º prevê.
➢ Qual a vantagem da cláusula penal?
A vantagem é o ónus da prova. A outra pessoa é que tem que provar a dimensão dos
danos.
Exemplo: Professor tem que devolver a caneta ao Gonçalo até quinta-feira, sendo que o
contrato tem uma cláusula penal no valor de 5000€. O primeiro é que tem que fazer a prova
que o Gonçalo não teve dano de 5000€.

Casos Práticos
Caso 1
A revista Luxo publicou uma reportagem sobre Carlos, jogador profissional de futebol, muito
conceituado, e sua família com a seguinte chamada de capa: “A vida de luxo de Carlos depois
de sair do Clube Tubarões de Papel”. A notícia continha várias informações sobre a vida
pessoal e profissional de Carlos com fotografias suas, da sua família e do interior da nova
casa (“depois de mudar de clube deixou de falar aos amigos de infância”, “casa milionária”,
“decoração de gosto duvidoso”, “comprou um sistema de cinema que custou mais de 30.000
euros”, “os filhos de Carlos, de 10 e 15 anos de idade, brincam na piscina”). Carlos não
autorizou qualquer reportagem e, muito menos, qualquer publicação de fotografias. Após a
publicação da reportagem, Carlos e a sua família deixaram de ter sossego, visto que passaram
a ter, diariamente, fãs e jornalistas à porta. Quid iuris?
Há uma aqui uma violação do direito à imagem (art.º 79º). Temos relativamente aos
segmentos a violação aos direitos de imagem e reserva da intimidade da vida privada.
➢ Violação ao direito à imagem porquê?
O âmbito do art.º 79º é o retrato de uma pessoa. Temos aqui um retrato? As suas
fotografias enquadram-se no direito à imagem, está em sua casa. Tem um âmbito de proteção
mais reforçado, porque nenhuma das circunstâncias que tem que ser lida em conjugação do nº
2 do art.º 79º. Aqui o direito à imagem quanto muito poder-se-ia justificar com base numa
segunda situação: notoriedade que só é possível fora de uma esfera intima (art.º 79º com 80º);
ou ao abrigo do princípio de liberdade de informação e interesse publico na divulgação dessa
imagem.
Isto relativamente às fotos do Carlos, mas nas da família não há dúvidas no que toca à
mulher e os filhos que tinham que dar autorização. Tem que ser uma finalidade legítima, uma
coisa que se reconheça como sendo justificativa à luz dos fins que o direito procede dessa
conversão do direito à imagem. Há um espaço que não pode ser desligado do cargo
desempenhado ou notoriedade. De todo o modo, interesse público não existia, qual a
relevância social para a vivência em comunidade do facto de Carlos ter uma decoração de
gosto duvidoso e ter deixado de falar com os amigos de infância? Onde está o eco social da
divulgação deste tipo de notícias? Sendo que aqui já não estamos no direito à imagem, mas
reserva da vida privada.

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Relativamente à casa já releva para efeitos da reserva da intimidade da vida privada,
não para o direito à imagem que se cinge para o retrato da pessoa física e não a objetos.
O direito à imagem são tantos quantos os seus titulares. As referências que aqui vinham
induzem a uma caracterização pejorativa do Carlos (art.º 484º). Há mecanismos em situações
de abuso de liberdade de imprensa para indemnizar os lesados.
NOTA: Se houver a foto de uma criança lançada apenas com o consentimento de um pai, esse
pai pode ser obrigado a indemnizar a criança pelos danos causados.

Caso 2
Recentemente, o jornal “Esférico” publicou a seguinte notícia: “O Clube Tubarões de Papel
deve 5 milhões de euros à Administração Fiscal e não paga os salários dos jogadores há mais
de 6 meses”. A notícia foi amplamente divulgada nas redes sociais. O Clube, através da sua
direção, considerou-se prejudicado na sua credibilidade, prestígio, imagem e reputação, mas
também no crédito. Apesar de diversas iniciativas para contrariar a informação divulgada, o
clube perdeu patrocínios e viu recusado um financiamento para a reabilitação do seu estádio.
Quid iuris?

Por um lado, temos a liberdade de informação, temos um princípio de tutela de


personalidade, direito à honra e bom nome. A personalidade física ou humana são
reconhecíveis com as devidas adaptações às pessoas coletivas.
➢ Quanto à formulação e conteúdo da notícia, corresponde a uma situação de interesse
público?
Sim, se for verdade. Os factos em si considerados são de interesse público. Temos que
ver se os factos são verdadeiros ou não. Se forem verdadeiros são de interesse publico. Como
é uma notícia com incidência estritamente factual caso seja verdadeira atendendo a
verificação do interesse público subjacente a estes factos parece não haver dúvidas, existe
fundamento legítimo para uma notícia produzida nestes moldes e com este exato conteúdo.
Agora se a notícia fosse falsa estava em causa desde logo o direito ao crédito e ao bom
nos arts.º 483º e 484º (nexo de causalidade, ilicitude…).

O Clube tinha direito a resposta e ratificação, reposição da verdade e pedido de


desculpa, podendo ser utilizado do ponto de vista judicial e administrativo (Lei 85 de 2008).
Isto sem prejuízo da indemnização civil cabível. Sanção por inobservância ética do meio de
comunicação; indemnização pelos danos causados ao clube (ressarcibilidade dos danos
patrimoniais e não patrimoniais), e para além disto pode haver crime.

Responsabilidade civil
➢ Pressupostos
Facto humano ilícito e danoso, na maior parte dos casos de violação esta ocorre por
ação ou omissão. (art.º 486º) A omissão só dá lugar à indemnização quando existe o dever de
praticar o ato omitido.

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➢ Art.º 491º;
➢ Art.º 492º;
➢ Art.º 493º.

O segundo pressuposto é a ilicitude, que tem duas grandes variantes:


➢ Ilicitude por violação de direitos subjetivos: permissão de aproveitamento de um
bem;
➢ Violação a disposições legais destinadas a proteger interesses alheios.
A violação de direitos de personalidade é uma violação de direitos subjetivos. A
ilicitude é o desvalor objetivo que cai sobre determinada ação ou omissão.
A questão suscita no contexto de colisão de direitos em que a verificação de um direito pode
retirar a licitude … desse direito. O que encontramos na jurisprudência consolidada da
Relação e do Supremo?
Quanto à culpa outro pressuposto para além da ilicitude, é o juízo de censurabilidade
sobre a conduta do agente. Vamos ver se não há causas de imputabilidade ou causas de
exclusão de culpa (art.º 488º).
É necessário distinguir dolo de neglicência. Ou seja, é um juízo que vamos fazer sobre
a conduta do agente. Uma conduta negligente não é tão grave como a determinada pelo
dolo, isto tem reflexo na indemnização a atribuir (art.º 494º). Se a responsabilidade se
fundar na mera culpa pode a indemnização ser fixada em montante inferior.

O quarto pressuposto é o dano. Perante a responsabilidade civil é necessário a


ocorrência de dano. Isto tem sido utilizado para as situações em que A insulta B, mas este não
se sente insultado, por exemplo. No entanto, isto não significa que não se possam requerer.
Não havendo dano há uma tutela que permite o desencadeamento de providências
preventivas ou atenuantes.
➢ Danos patrimoniais e não patrimoniais Art.º 496º

O último pressuposto que temos que preencher quando falamos em responsabilidade


civil é a imputação. Os danos causados têm de ser imputáveis ao autor do facto. Para este
efeito exige-se que o juiz se coloque na posição concreta do agente tendo em conta as
circunstâncias que uma pessoa normal colocada naquela situação conhecia e aquelas que o
agente conhecia efetivamente. Coloca-se em causa a teoria da causalidade adequada em vez
da teoria sine qua non.
Verifica-se uma primazia da restituição inata sobre a reconstituição em dinheiro. Tem
que ser colocado na situação que estaria se não ocorresse o dano. Se não for possível a
reconstituição inata faz-se em dinheiro.

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Providências cautelares preventivas
➢ Proibição de divulgação de imagens não autorizadas, cartas missivas, de nome parcial,
total, imposição de obrigação de destruição de dano, entre outras.
Providências atenuantes
➢ Cessão de produção de ruídos e cheiros prejudicais, reprodução de registos sonoros ou
visuais ilícitos, ficheiros relativamente à vida privada das pessoas, entre outras.

Processo contra os órgãos sociais por violação do direito à imagem (?)

➢ Processo civil – casos proferidos por critérios de conveniência não é permitido o recurso
para o STJ;
➢ Suscetibilidade de desencadeamento de uma queixa de um órgão social;
➢ Ao abrigo da lei 35 / 2008;
➢ Não posso atentar duas ações com o mesmo propósito, não existe quando se recorre
simultaneamente ao tribunal e ao órgão que coordena os órgãos sociais.

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