UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988

Isabela Pinheiro Medeiros

FLORIANÓPOLIS (SC), MARÇO DE 1999. Monografia apresentada à banca examinadora do Curso de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito, sob a orientação do Professor Msc. João dos Passos Martins Neto.

No dia 25 de março de 1999 foi apresentada, defendida e aprovada pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados esta monografia, intitulada “A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988”, recebendo nota 10 (dez), sendo julgada adequada para o cumprimento do requisito legal previsto no artigo 9º da Portaria nº 1886/94/MEC, regulamentada pela Universidade Federal de Santa Catarina através da Resolução nº 003/95/CEPE. EXAMINADORES Ildemar Egger João dos Passos Martins Neto Sergio Cademartori

Dedico este trabalho Ao Geyson, companheiro de todas as horas, meu amor, minha razão. Com carinho.

Ao meu pai, Medeiros, modelo de integridade e minha mãe, Leonora, grande amiga, por tanto amor e preocupação; À minha irmã Érica, pela paciência, pelo quarto e, principalmente, pela exclusividade no uso do

computador; À minha irmã Camila, cuja meiguice e sorriso fazem-me esquecer dos problemas; Ao meu namorado, Geyson, pela segurança e incentivo constante; À Titi, maior responsável pela escolha do Direito; À Graziela Thévenet, pelo retorno na hora certa; À Cecília Caballero Lois, pelo apoio imprescindível; Às amizades concebidas ao longo desta faculdade, em especial à Elane Pereira da Rosa, Marianne da Silva Brodbeck, Raquel Fernanda Veras dos Santos e Simone Marien Nunes Saad, por terem tornado esta jornada universitária inesquecível; À Dra. Maria Soares Camelo Cordioli, por introduzir-me no estudo da moralidade administrativa; Ao professor João dos Passos Martins Neto, pela dedicada orientação; A todos aqueles que contribuem para que eu seja uma pessoa plenamente feliz. O meu eterno agradecimento. SUMÁRIO

INTRODUÇÃO Capítulo 1 – MORALIDADE ADMINISTRATIVA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 1.1. Direito e Moral 1.2. Moral e Ética 1.3. Moralidade Administrativa 1.3.1. Origem 1.3.2. Natureza 1.3.2.1. Moral Comum e Moral Administrativa 1.3.2.2. Moralidade e Legalidade 1.3.2.3. Moralidade e Probidade Capítulo 2 – A MORALIDADE ADMINISTRATIVA À LUZ DA ORDEM CONSTITUCIONAL 2.1. A Moralidade Administrativa no Direito positivo brasileiro 2.1.1. Gênese Constitucional 2.1.1.1. A Expressividade da Moralidade Administrativa no atual Texto Constitucional 2.1.2. Legislação Infraconstitucional 2.2. A Moralidade Administrativa na Constituição Federal de 1988 2.2.1. A Moralidade Administrativa em relação aos demais princípios insculpidos no artigo 37, caput, da Carta Magna

2.2.2. Alcance 2.2.3. Efetividade 2.3. Caracterização da Moralidade Administrativa Capítulo 3 – O CONTROLE JURISDICIONAL DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 3.1. Noções Gerais acerca do Controle da Administração Pública 3.1.1. Conceito 3.1.2. Modalidades 3.1.2.1. Controle Interno 3.1.2.2. Controle Externo 3.2. O Controle da Moralidade Administrativa em face da Constituição 3.3. Tutela Jurisdicional da Moralidade Administrativa 3.4. A Moralidade Administrativa e a Jurisprudência CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Anexo I Anexo II Anexo III INTRODUÇÃO

O estudo da moralidade administrativa vem revelando-se bastante controvertido, suscitando divergências doutrinárias. A inquietude dedicada ao tema evidenciou-se após a promulgação da Carta de 1988, que reservou ao instituto um especial tratamento, elevando-o, pioneiramente, à categoria de princípio de observância obrigatória da atividade da Administração Pública. Esta inovação, inevitavelmente, repercutiu sobremaneira na esfera jurídica brasileira, já que acarretou na necessidade de vislumbrar o instituto de forma mais cuidadosa, com uma amplitude maior a que lhe era conferida até então, posto que consistia em mero princípio geral de direito. Destarte, dada a importância do tema, o presente estudo tem por escopo precípuo contribuir para a análise de tão relevante princípio, enfatizando prioritariamente os aspectos que vêm gerando maiores controvérsias. Há que se ressaltar, no entanto, que o conteúdo desta monografia parte de pressupostos eminentemente teóricos, fruto de uma corrente que ainda não se encontra propriamente sedimentada e ainda está por merecer maior respaldo jurisprudencial. Feitas estas considerações preliminares, procurar-se-á demonstrar, ao longo da pesquisa, que a intenção do legislador constituinte ao insculpir o princípio da moralidade administrativa como pressuposto do atuar administrativo, foi conferir-lhe total autonomia, inclusive e principalmente em relação à legalidade. Para tanto, será necessária a abordagem de alguns aspectos pertinentes para a melhor compreensão do real alcance desse preceito constitucional. Assim, no primeiro capítulo será possível observar-se, antes do início da abordagem da moralidade administrativa propriamente dita, breves apontamentos acerca da moral em relação ao Direito e a Ética. Posteriormente, adentrar-se-á no espectro

específico deste princípio constitucional, a partir de uma análise histórica que se faz necessária para, além de tentar justificar a sua origem, apontar as influência com ela advindas. Ainda no mesmo capítulo, buscar-se-á situar a moralidade a partir de sua comparação com outros elementos, que por vezes são com ela confundidos por parte dos juristas pátrios. Sob este prisma, serão apontados os principais aspectos diferenciadores e aproximadores da moralidade administrativa com a moral comum e com a legalidade, bem como com a probidade. Posteriormente, no segundo capítulo, será realizada uma abordagem do princípio enquanto inserido na ordem constitucional brasileira, demonstrando os novos contornos que lhe foram dados pelo Texto Maior, assim como as repercussões e obstáculos que com eles sucederam. Destacar-se-á, com primazia, as intenções da Carta Magna em relação ao instituto, dando ênfase à questão do alcance, da efetividade e da forma que se dá a caracterização dos atos eivados de imoralidade. Finalmente, no último capítulo, serão apontados alguns tópicos do controle da moralidade administrativa sob a égide dos preceitos constitucionais. Desta maneira, revela-se indispensável versar suscintamente sobre os os aspectos gerais do controle da Administração Pública, tais como a possibilidade de sua realização e suas principais modalidades. Especificamente em relação ao controle da moralidade, será efatizada a modalidade jurisdicional, por consistir na mais controvertida, já que grande parte da doutrina e jurisprudência pátria teme em aceitá-la. Assim, serão trazidas à lume algumas idéias básicas defensoras da realização desta espécie de controle, a fim de apontar os requisitos necessários para a sua efetivação, e, da mesma forma, a justificativa para a sua realização. Por fim, a partir da análise de provimentos jurisdicionais, far-se-ão comentários acerca da aplicação que alguns Tribunais Pátrios vêm dando à matéria. Quanto ao método de abordagem do presente trabalho, será feito uso do método indutivo, acompanhado da técnica de pesquisa bibliográfica. Com consultas a fontes bibliográficas diversas, será possível o exame e estudo do tema sob os mais diversos enfoques e entendimentos, o que propiciará um aprofundamento na matéria e, conseqüentemente, um embasamento teórico para a realização da monografia e a obtenção dos fins por ela visados.

Capítulo 1 – MORALIDADE ADMINISTRATIVA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

1.1. Direito e Moral Diversas são as teorias que tratam da questão da Moral e do Direito. Enquanto alguns autores concentram seus esforços em demonstrar a total distinção entre os dois institutos, outros, por sua vez, sustentam a íntima relação do Direito com a Moral. Dado à complexidade do tema, tentar-se-á demonstrar, tão somente, as semelhanças e diferenças observadas nos dois conceitos, utilizando os ensinamentos de Adolfo Sánchez Vázquez1. Consoante apregoado pelo autor, Direito e Moral aproximam-se em alguns aspectos: ambos constituem normas reguladoras do comportamento humano que visam “garantir certa coesão social” 2, tendo, por conseqüência, um caráter imperativo. Aos dois institutos é conferido uma dinamicidade que se encontra vinculada à história. “Assim como varia a moral de uma época para a outra, ou de uma sociedade para outra, varia também o direito.” 3 Quanto às diferenças, o autor evidencia a interioridade da moral e a exterioridade do direito. Enquanto a moral não possui codificação e é observada em função de uma convicção interna que garante o seu cumprimento, no direito a codificação faz-se imprescindível e o seu cumprimento dá-se independente da existência de qualquer convicção íntima, em função da coação exercida pelo Estado. Ressalta ainda o autor que o campo da moral é indubitavelmente mais amplo que o do direito, posto que o primeiro regula todas as formas do comportamento humano e o segundo regula apenas aquelas que tem relevância para o Estado. Assim, em função da distinta relação da moral e do direito com o Estado, nota-se que a moral poderá vir a se confrontar com o poder estatal, enquanto que o Direito estará sempre em conformidade com o Estado, posto que depende diretamente dele. “Em conclusão: a moral e o direito possuem elementos comuns e mostram, por sua vez, diferenças essenciais, mas estas relações, que ao mesmo tempo possuem um caráter histórico, baseiam-se na natureza do direito como comportamento humano sancionado pelo Estado e na natureza da moral como comportamento que não exige esta sanção estatal e se apóia exclusivamente na autoridade da comunidade, expressa em normas e acatada voluntariamente.” 4

1.2. Moral e Ética Etimologicamente, moral e ética equivalem-se. A diferença está na origem dos termos: enquanto a moral deriva do latim mores, a ética provém da palavra grega ethos. Porém,
1

VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Tradução por João Dell’Anna. 14. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993. 267p. p. 80-84. 2 Idem, p. 81. 3 Idem, ibidem. 4 VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. op.cit., p. 84.

” 8 A partir destes ensinamentos pode-se compreender que. Revista de Informação Legislativa. n. p. ou para a moral que vigora de fato numa comunidade humana moderna. porém.3. O valor da ética como teoria está naquilo que explica. Idem. 180 p. p. enquanto os povos de influência protestante dão mais ênfase à palavra ética. cit. 1996. e portanto. como visto anteriormente. assim. p. Desta forma. 10. 1. Idem. que povos de cultura católica privilegiam a utilização da palavra moral. esclarecer ou investigar uma determinada realidade./mar. 1993. cabendo a esta o “estudo da conduta moral do homem” 6. op. enquanto a moral é concebida como um conjunto de regras da conduta humana. 11.tanto o termo latino quanto o grego têm o mesmo significado – costumes. 14. A Ética Sanitária na Constituição Brasileira. 30. Adolfo Sanchez. antes de qualquer diferenciação que se possa dar aos dois termos. portanto um caráter extremamente dinâmico. a utilização preponderante de um ou de outro foi em grande parte influenciada pela sua origem. e não no fato de prescrever ou recomendar com vistas à ação em situações concretas. Florianópolis: Obra Jurídica. 117. Deontologia Jurídica – Ética e Justiça. A experiência histórica tem demonstrado que. Alguns. ética e moral diferenciam-se e se relacionam enquanto “uma ciência específica e seu objeto”. . sofre constantes modificações que acompanham a história do homem. 419-428. Sueli Gandolfi. A ética varia de acordo com o seu objeto de estudo. tendo. limitando-se a “explicar.7 Adolfo Sánchez Vázquez confere à ética um caráter de generalidade: “O que nela se afirme sobre a natureza ou fundamento das normas morais deve valer para a moral da sociedade grega. já que a moral. p. Nota-se. apegam-se à tentativa de diferenciá-los. p. É isso que assegura o seu caráter teórico e evita sua redução a uma disciplina normativa ou pragmática. 7 8 9 VÁZQUEZ. o fato de que na antigüidade. Volnei Ivo Carlin.” 9 Isto não significa entender a ética como algo imutável. p.. Moralidade Administrativa 5 DÁLLARI. Brasília. v. O entendimento mais preponderante proclama ser a ética a ciência da moral.. a utilização de tais termos variava de acordo com o idioma adotado. ainda. portanto. 420. a reflexão filosófica sobre tais costumes e comportamentos e os códigos que os regulam.” 5 Já na atualidade. a ética é eminentemente teórica. porém ambos “compreendiam tanto os costumes como os códigos destinados a reger a conduta humana e a exortação à sua obediência e. jan. Justifica-se. 37. uma gama de autores continua adotando os termos moral e ética indistintamente. 6 CARLIN. elaborando os conceitos correspondentes. tem uma função prática.

p. Cármen Lúcia Antunes. Diogo de Figueiredo.. 64. determinante necessária de qualquer decisão administrativa. quando discorreu: “Assim. deve-se notar que todo controle organizado em nome da moralidade administrativa sobre os atos administrativos deve partir da noção do poder”. No entanto. op. Antônio José. o poder público constituiu a armadura moral da administração pública. São Paulo. Improbidade Administrativa – Considerações sobre a Lei 8. a moralidade veio a se instalar muito tempo depois. out. com maior brilhantismo do que transparência. cúpula do sistema do contencioso administrativo desse país. a moralidade administrativa vem conceituada como “o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração”15. p. Foi assim que. com as anotações feitas por Maurice Hariou acerca do pronunciamento do Conselho de Estado Francês. esta preocupação apenas evidenciou-se. mais precisamente em 1910. 13 Nota-se. apregoando: 10 MELLO. “a interseção da moral no direito em termos de aplicação” 11. em 1927. a seguinte tese audaciosa: a legalidade dos atos jurídicos administrativos é fiscalizada pelo recurso baseado na violação da lei. na esfera do direito público. foi apenas na 11ª edição de sua obra. Antônio. foi ganhando clareza e expressividade com as edições que seguiram. Moralidade Administrativa.1. 15 apud ROCHA. que se deu através da doutrina do abuso do direito12.14 A noção de moralidade formulada pelo autor francês. 1992. 62-72. cit. p.429/92. 49-62. porém. p. . mas a conformidade dêsses atos aos princípios basilares da ‘boa administração’. 12 Antônio José Brandão assevera que “a doutrina do exercício abusivo dos direitos representa a primeira intromissão da regra moral na esfera do jurídico”.) 14 apud MOREIRA NETO. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. já que o legalismo que imperava à época optou por camuflar o conteúdo do elemento moralidade administrativa dentro da violação da finalidade do ato.. Hariou “desenvolveu./dez.)” 10. Rio de Janeiro. n. não muito bem explicitada nesta pioneira experiência. Origem Desde a antigüidade os povos já se preocupavam com a existência da moralidade no trato da coisa pública. em sua 10ª edição. 11 MOREIRA NETO. p. op. fundado no desvio de poder. a partir destas anotações. Moralidade Administrativa: do conceito à efetivação. em 1914. Diogo de Figueiredo. dentre eles uma propensão a atuações desprovidas de honestidade./jun. Revista de Direito Administrativo. cuja zona de policiamento é a zona da ‘moralidade administrativa’. 63. Boletim de Direito Administrativo. Maurice Hariou já havia feito referência à moralidade administrativa na 1ª edição de sua obra Principes de Droit Public (Princípios de Direito Público). aliás. No decorrer da história. Alguns autores ressaltam que mesmo antes de 1914. 1995. posto que. que a moralidade administrativa teve seu ingresso na esfera jusadiministrativa vinculada à noção de desvio de poder. p. 190. E. “a ampliação das zonas de liberdade de ação do Poder Público produziram diversos problemas. é fiscalizada por outro recurso. 1996. p. no caso Gommel. 11.” (BRANDÃO. 06. 307 p. n. cit. apenas no começo do presente século.. já no direito romano. Cláudio Ari.) 13 Consoante apregoa Antônio José Brandão. Belo Horizonte: Del Rey. 1-44. como assevera Cláudio Ari Mello. 50. Princípios Constitucionais da Administração Pública.. 4. (. v. 3. p. (BRANDÃO. fev. 189.3. Apesar de se encontrar. 1994. abr. p. que Maurice Hariou conceitua de forma exemplar a moralidade administrativa.1.

do honorável e do desonorável.) 19 Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. pela moral jurídica. do lícito e do ilícito. 439 p. o autor ocupa dois capítulos para discorrer acerca do “Alcance da Moralidade Administrativa na Ação Popular Constitucional” e do “Alcance da Moralidade Administrativa no Mandado de Segurança”. atual. 86 p. ela pratica esta distinção ao mesmo tempo que aquela do justo e injusto. (FRANCO SOBRINHO. 1995. É o exemplo do Direito Francês. 31. assim. LOPES. revelando. está mais facilmente sujeita ao controle judicial. 208-223. a moralidade administrativa recebeu a possibilidade de ser tutelada de forma autônoma e por conseguinte. São Paulo: Malheiros. Lúcia Valle. forçosamente. ampl. p. 212-213. Em sua obra “Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa”. p. que com a vigência da atual Constituição19. 17 Cf. a distinção do bem e do mal. de tal sorte que a Administração é ligada. tão somente. a imoralidade seria. Revista Trimestral de Direito Público. 1.” (DELGADO. “um reconhecimento da insuficiência do paradigma do princípio da legalidade para um controle efetivo da legitimidade de funções 16 apud FIGUEIREDO. ed. desta forma. No Brasil. Curso de Direito Administrativo. que. nem sempre reservando à moralidade a importância a que faz jus. mais eficaz. sendo fiscalizada pela sociedade inclusive através do Poder Judiciário. ed. 1993. a doutrina ainda continua bastante tímida ao discorrer sobre o tema. 179 p. Ética e Administração Pública. conclui-se que o legado deixado pelo mestre francês foi fundamental não só no intuito de dar à moralidade a importância que lhe é necessária. 18 Ao analisar o tema. desta forma.) . que conferiu aos dois elementos o mesmo nível hierárquico. vincular a gestão administrativa aos anseios e às necessidades do administrado. mesmo antes da Carta Magna de 1988. José Augusto. Manoel de Oliveira. 2. Veremos que a instituição do excesso de poder.16 Ante tais ensinamentos. é fundada tanto na noção de moralidade administrativa quanto na legalidade. No entanto. mesmo que atue. entendem outros autores. do conveniente e do inconveniente./mar. o disposto na Constituição Federal de 1988. Curitiba: Genesis. São Paulo. em certa medida. n. 48. a ilegalidade referente aos fins dos atos administrativos. 1995. 1993.“Quanto à moralidade administrativa. 1. ver. apesar do exposto acima. ressaltar que o seu conceito ultrapassa os limites da legalidade. p. mas. Deve. O Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa. jan. 18 No entanto. Maurício Antonio. p. pelo que inexiste liberdade de agir. Neste contexto. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir. São Paulo: Revista dos Tribunais. graças à qual são anulados muitos atos da Administração. Como a Administração tem uma conduta. particularmente no que concerne ao desvio de poder”. Princípio da moralidade administrativa e a Constituição Federal de 1988. muitos são os autores que seguem a tendência francesa. por autorização legal. José Augusto Delgado ressalta que “A Administração Pública não está somente sujeita à lei. sua existência provém de tudo que possuindo uma conduta pratica. como senhor da conveniência e da oportunidade. que vem abandonando a noção de moralidade administrativa para utilizar preponderantemente a expressão desvio de poder17. entendendo que o controle da moralidade administrativa estaria vinculado ao próprio controle da legalidade e contrariando. v. principalmente. A moralidade administrativa é freqüentemente mais exigente que a legalidade. uma espécie de ilegalidade. mais acertadamente. 2. enfatizava que o controle externo da moralidade administrativa poderia ser realizado. por consistir numa hipótese de ilegalidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade.

40. pelo exercício de sua liberdade. 1994. São Paulo.. implica. Revista dos Tribunais. Ensina o autor: “A moralidade comum se baseia em um conjunto sistemático de normas que orientam o homem para a realização de seu fim.2.Le Contrôle Juridictionel de la Moralité Administrative (O Controle Jurisdicional da Moralidade Administrativa). 83. v. assim. O caráter de generalidade posto na moralidade comum é o traço marcante diferenciador da moralidade administrativa.1. a moral comum e a administrativa não podem ser vislumbradas enquanto esferas estanques. que apesar de constituírem elementos distintos e que conseqüentemente não se confundem. em sua monografia publicada em 1930 . tem como característica a generalidade. A atuação do administrador. 50. Welter. 34-44. visando uma boa administração. elaborou uma noção mais clara de moralidade: “a moralidade administrativa. que nos propomos estudar. Analisando o conceito de Welter. nota-se que a noção de moralidade administrativa está vinculada ao termo “boa administração” e portanto terá um caráter finalista. Antônio José. ela é composta por regras da boa administração. Isto é. não se confunde com a moralidade comum. n. p. p. p. cit. resta imprescindível.3. cit. o resultado por ele produzido. consoante apregoa José Augusto Delgado. Moral Comum e Moral Administrativa Com base no conceito deixado por Hariou. mas também pela idéia geral de administração e pela idéia de função administrativa”. 22 DELGADO.públicas”. ao contrário da moralidade comum. p.” . já que para a realização desta última o que se leva em conta é a conduta externa do administrador.2. a perfeição de sua natureza. Esta. mar.21 Desta forma. qual seja o bem comum. ou seja: pelo conjunto de regras finais e disciplinares suscitadas. A supremacia dos princípios informativos do direito administrativo: interpretação e aplicação. op. a moral comum. tão-somente. a sua distinção com a moral comum. o contexto da boa administração tende a ser 20 21 .3. . deverá. para não configurar violação à moralidade administrativa. o do homem realizar. 66. MELLO. a necessidade que os atos externos e públicos dos agentes detentores de poder e de atribuições sejam praticados de acordo com as exigências da moral e dos bons costumes.. 701. no entanto. pautar-se sempre pelo fim desejado pela Administração Pública. apud BRANDÃO. Cláudio Ari. para uma melhor compreensão da moralidade administrativa. José Augusto. Natureza 1.20 1. voltada para os resultados concretizadores da finalidade pública. já que. não só pela distinção entre o Bem e o Mal. Ao passo que a moralidade administrativa pode ser chamada de uma moral específica da Administração. op.22 Cumpre ressaltar.

quando agir sob os preceitos da “boa administração”. v. 1974. mas também pela moral comum’. Há de conhecer. já que a imprecisão do 23 Neste sentido apregoa Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho: “Parenteticamente. o controle da moralidade por parte do Poder Judiciário restringir-se-ia a esta modalidade de ilegalidade. São Paulo: Saraiva. Talvez seja este entendimento um tanto quanto cômodo.) 24 FRANCO SOBRINHO. que apesar da moralidade administrativa regular. ‘prima facie’. as condutas concernentes à esfera da Administração Pública. em função de sua origem. as fronteiras do lícito e do ilícito. “o bom administrador (. individualizados. jan. (REINALDO. porque se fundam em regras comuns e iguais a todos. 49-50. Demócrito Ramos. 75. p. 45-50. embora ganhe influência desta. há ainda uma corrente tradicional que sustente esta vinculação. adotado por uma gama de autores. O Princípio da Moralidade Administrativa. 129132. tãosomente. 129. 22. O princípio da moralidade da Administração Pública. mormente. à esfera interna da Administração. São Paulo. é a condizente com a moral comum. já que aquela. Pernambuco. p. Manoel de Oliveira. Atos morais são os acatados pela sociedade. são de interesse geral e afinam-se com respeito à ordem natural das coisas.influenciada. 23 Este é o entendimento de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. que a moral administrativa não se confunde com a moral comum. sempre. enquanto elemento da disciplina interna da Administração. os provimentos administrativos personalizados. (SARAIVA FILHO. seu conteúdo é atingido pelos mandamentos da moral comum.. assim se expressa: “A moralidade (administrativa). defendendo ser o vício de moralidade tão-somente uma das hipóteses da ilegalidade. do justo e do injusto nos seus fins. Segundo os ensinamentos do autor. assim. x 25 O Ministro Demócrito Ramos Reinaldo. p. igualmente. 1993/dez.) . restando seu exame enquanto elemento isolado prejudicado. jan. Oswaldo Othon de Pontes.2.3. protecionistas de pessoas ou grupos não isonômicos”. 267 p. Mesmo com o decorrer do tempo e o amadurecimento da doutrina acerca do tema.2. que se sabe. 1995. qual seja a ilegalidade concernente aos fins (desvio de poder). pela Lei Suprema”. posto que tais autores vislumbram que. p. A sociedade repudia. a que está em consonância com a cultura. quando esteve diretamente ligada à idéia de desvio de poder. torna-se mais compreensível que certos autores tenham vinculado o conceito da moralidade administrativa à legalidade. v. ao concluir seus comentários acerca da relação entre a moral comum e administrativa. Arquivo Forense. a do homem médio. representa o conjunto de regras de conduta para uma boa administração. já que o administrador.x25 1. Em conseqüência.” 24 Conclui-se. entre os administradores daqui e do exterior. desta forma. a análise da moralidade dos atos administrativos caberia. estará seguindo. Moralidade e Legalidade A partir da análise do instituto da moralidade administrativa. p. não só pelos preceitos vigentes. costumes e hábitos sociais. indubitavelmente por preceitos da moral comum. Controle da Moralidade Administrativa. 1998. tiradas da disciplina interior da Administração Pública. encontrando-se juridicizada. 11. portanto. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política./mar. a qual não deixa de espelhar os valores morais prestigiados e amparados pelo ordenamento jurídico..) é aquele que usando da sua competência legal ‘se determina. igualmente. não custa mencionar que é consenso. provenientes da sociedade em que vive. padrões morais comuns.

a começar pelo fato de ambos constituírem motivo suficiente para a invalidade de um ato administrativo por violação de seus postulados. sem dúvida. sob influência clara do texto da atual Carta Magna que. acontece como princípio da moralidade. para viger. portanto. A distinção é evidente e necessária. p. É certo que a moralidade administrativa constitui um conceito demasiadamente vago e que transcende a esfera jurídica. não só pela distinção entre o Bem e o Mal. o que não significa concebê-los como elementos estanques. estabeleceu nítida distinção: juridicizou a ‘moralidade’. 1993. No cumprimento do princípio da legalidade. a sua caracterização. paralelamente. José Augusto. cada vez mais viável a apreciação da moralidade administrativa nas mais diversas esferas. por conseguinte. o entendimento ora exposto. incluindo aí a judicial. porém estas dificuldades não podem impedir que a sua importância seja efetivamente consagrada. sua configuração não ensejaria tantas ponderações. com o da ‘legalidade’. Demócrito Ramos Reinaldo assinala: “O constituinte. e acabou por conferir à moralidade um caráter indubitavelmente mais amplo e distinto da legalidade. definindo-a como ‘princípio’. mas principalmente a sua conceituação e. 209. Não resta dúvida que diversos fatores por vezes os aproximam. porém. No entanto.” 26 A doutrina brasileira vem adotando igual posicionamento. tornando. enquanto elemento absorvido pela própria noção de legalidade. portanto. o administrador não tem necessidade de dedicar a sua atenção com o motivo da própria ação. O contrário. que exige do administrador uma postura que faça com que os seus atos exteriorizem a própria idéia do dever de haver atuado com base em ‘regras finais e disciplinares suscitadas. Os autores simpatizantes desta corrente deixam bem clara a distinção existente entre a moralidade e a legalidade. Assim.conceito da moralidade administrativa torna difícil não só a sua compreensão. revela-se descabido após o avanço dos estudos doutrinários sobre o tema. o da moralidade prega um comportamento do administrador que demonstre haver assumido como móbil da sua ação a própria idéia do dever de exercer uma boa administração. Apesar de todas estas considerações. Ao comentar o dispositivo constitucional ora mencionado. não deixa dúvidas ao conceder à moralidade e à legalidade a autonomia que lhes é necessária. já que a legalidade é. op. mas também pela idéia geral de administração e pela idéia de função administrativa’. pois. 26 DELGADO. A moralidade administrativa integra o direito (constitucional) como elemento de observância indeclinável (irretorquível). através de seu artigo 37. suficiente que se encontre autorizada por lei. é necessário entendê-los enquanto elementos autônomos. cit. um conceito de muito mais fácil apreensão. Seguindo esta linha de raciocínio é que a doutrina sofreu um visível amadurecimento. . Defendendo este entendimento é que José Augusto Delgado ensina: “Enquanto o princípio da legalidade exige ação administrativa de acordo com a lei..

mas atribui à moralidade administrativa relevância jurídica.. assim. o mesmo acontece aos administradores. expressão normativa da ordem jurídica a que a Administração está submetida.).) Desta sorte. Esta é-lhes imposta de fora pelo Poder Legislativo.mas não está ínsita na legalidade. o agente deverá fazê-lo imbuído do senso de interesse público. 65. v. valores que se espraiam por todo sistema porque ajudaram a compor o perfil constitucional do Estado adotado por uma 28 determinada sociedade em uma determinada época. Semelhante ordem interna encontra a sua expressão normativa num ‘direito natural da instituição’ — o qual. porém com interesses diversos do bem comum. se têm de inspirar os seus atos nas leis jurídicas vigentes. as exigências da moralidade administrativa são mais fortes que as exigências da legalidade jurídica. p. já que. p. 632. 84. 2 v. ao instituir o princípio. 711.) . 619-632. dizia já Paulo. movem-se também na órbita da ordem interna desta. p. por exemplo. 29 Sob este prisma. de eficácia plena e mandamental autônoma – e de vida própria. há que se distinguir a ordem jurídica positiva. p. O legislador constituinte. por isso. cit. assim como há uma Moral positiva. nem desta constitui corolário.” 27 Seguindo a mesma linha de raciocínio. mesmo o discricionário. vigoram no próprio ambiente institucional e condicionam a utilização de qualquer poder jurídico. se acrescenta à lei vigente. jan. por certo que se está produzindo um ato 27 REINALDO. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba.. e apenas traça o âmbito da sua atividade e fixa os meios a utilizar. que caracteriza a moralidade – ambas compondo a mesma ordem jurídica integral – porque nem tudo que é ‘legal é moral’. estará infringindo a moralidade a que está igualmente subordinado e seu ato será passível de invalidação. 28 ZANCANER. A noção de moralidade administrativa é. isto é. que. Revista dos Tribunais. são-lhe impostos de dentro. 1995. Razoabilidade e Moralidade: princípios concretizadores do perfil constitucional do Estado Social e Democrático de Direito. a compreensão do princípio da moralidade com um plus ao princípio da legalidade. gerada pela comunhão espiritual em que a idéia diretriz se tornou objetiva. para os primeiros. São Paulo: Malheiros. porém tal assertiva não é suficiente. além de obedecer aos imperativos legais a que está subordinado.” Assim. Demócrito Ramos. Antônio José. da ordem jurídica positiva. Se os particulares podem cometer vilanias respeitando formalmente a lei. Nessa linha de raciocínio. que caracteriza a legalidade. que se sobrepõe à lei das suas atribuições e competência. 17-22. assinala Antônio José Brandão: “O ato conforme à lei jurídica nem sempre é um ato irrepreensível do ponto de vista moral: non omne quod licet honestum est. com o intuito de prejudicar alguém deliberadamente. E. interpretando a Constituição de 1988. também para os segundos há uma moral institucional. 19. conclui-se que cabe ao agente administrativo a conformação de todos os seus atos com a lei. Weida Zancaner manifesta-se sobre a posição adotada pela nossa Constituição da seguinte forma: “Esta posição. 1997a. Quando sua execução é feita. no caso da pública Administração. é a ‘moralidade administrativa’. Celso Antônio Bandeira de (org. coloca José Afonso da Silva: “A lei pode ser cumprida moralmente ou imoralmente.. (.” (BRANDÃO. n. In: MELLO. mais ampla do que a noção de legalidade jurídica. ou com o intuito de favorecer alguém. O p rincípio da moralidade na Administração Pública e a liceidade do limite etário para acesso dos cargos públicos. os agentes administrativos. inclusive enquanto autônomo em relação a este. tendo em vista que todas as vezes que estiver agindo dentro da lei. op. São Paulo. p. No entanto. 29 Nesse sentido. Weida. Quanto aos preceitos da moralidade administrativa. é a aceitação de valores éticos e morais pelo sistema jurídico. não cuidou do mero ‘reenvio’ da norma legal à norma moral.

p.) o gênero. jul. op. 1995. São Paulo: Malheiros. expõe que “a probidade é (. Cuida-se de uma imoralidade administrativa qualificada. ao defender esta corrente.” (FERNANDES. cit. procedendo no exercício das suas funções. 10. o que torna tal conceito indubitavelmente mais abrangente. 34 LOPES. De fato.32 A corrente majoritária. acompanhando esta corrente. mas materialmente comprometido com a moralidade administrativa. 31 Outros autores. utilizando o conceito deixado por Marcelo Caetano..htm) 33 SILVA. pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. conferindo-lhes o mesmo significado.” A seguir. . p. Maurício Antonio Ribeiro. 1993. quando assevera que “A expressão probidade administrativa é sinônima de moralidade administrativa ou simplesmente de honestidade”. Endereço Eletrônico: http://www.2. sem aproveitar os poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira favorecer’. 616. Improbidade Administrativa. por sua vez. 1997. 616. partindo do pressuposto que a improbidade é espécie do gênero moralidade administrativa. examinando-se o que a Constituição de 5 de outubro de 1988 e a legislação infraconstitucional contêm a respeito dos princípios aqui aludidos. 193-204.gov. 119. 199. (grifo no original) (MEIRA. José Afonso. por exemplo de José de Castro Meira. A probidade administrativa consiste no dever de ‘o funcionário servir a Administração com honestidade. que.. Brasília. rev. p. Administração Pública na Constituição Federal.jfrn. que pode ser tratado como “uma das possíveis formas de externação da moralidade”. Porém. p. o autor enumera os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais que fazem referência à matéria e tece a seguinte conclusão: “Em suma. p. vem seguindo os ditames de José Afonso da Silva. § 4º). 30. nota-se que os legisladores pecaram 30 SILVA. 37. haja vista a maior amplitude e o maior alcance emprestados à primeira. do qual a moralidade é espécie. op..) 32 Flávio Sátiro Fernandes. como visto anteriormente. Moralidade e Probidade Divergem os autores quanto à distinção destes dois elementos. verifica-se que probidade e moralidade administrativas são conceitos que se não podem (sic) confundir e que a segunda dessas noções está contida na primeira. discorre acerca da probidade administrativa da seguinte forma: “A probidade administrativa é uma forma de moralidade administrativa que mereceu consideração especial pela Constituição que pune o ímprobo com a suspensão de direitos políticos (art. Desta forma. podemos dizer que todo o ato contrário à moralidade administrativa é ato configurador de improbidade. v./set. 58. Revista de Informação Legislativa. analisando a legislação nacional acerca do assunto.” 30 1. Flávio Satiro.” (grifos no original) 33 Já a moralidade administrativa. nem todo ato de improbidade administrativa representa violação à moralidade administrativa. conclui-se que o dever da moralidade traz como uma de suas conseqüências lógicas o dever da probidade.34 Destarte. cit.br/doutrina20. acabam por destinar à improbidade uma posição hierarquicamente superior à moralidade. José de Castro. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem. (grifos do autor) 31 É o caso.formalmente legal.3. ed. Curso de Direito Constitucional Positivo. Há os que empreguem os termos indistintamente.. n.3. José Afonso. deve ser sacada da própria noção de "boa administração”. 820 p.

o que torna a redação do artigo supra citado um tanto quanto duvidosa. se a improbidade. em si mesma. em si mesma. 326. Consoante mencionado dispositivo legal. Wallace Paiva. p. Ora. A Moralidade Administrativa no Direito positivo brasileiro 2.. 71. proporcionando a censura de atos comissivos ou omissivos que não importam prejuízo patrimonial da administração pública ou enriquecimento ilícito do agente público. comenta o dispositivo em questão trazendo à lume o conceito deixado por Ruy Alberto Gatto que entende tal tipificação “como norma de encerramento ou de extensão.) . São Paulo: Atlas. 36 Capítulo 2 – A MORALIDADE ADMINISTRATIVA À LUZ DA ORDEM CONSTITUCIONAL 2. 238. 1996.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam contra os Princípios da Administração Pública). (FREITAS. Juarez Freitas faz o seguinte comentário: “Sob a ótica da Lei.. abr. Alguns meios de investigação da improbidade administrativa. ainda quando não se verifique o enriquecimento ilícito ou o dano material. 65-84. maio 1996..” MARTINS JÚNIOR. atual. Gênese Constitucional Até alcançar o momento atual. Juarez. Revista dos Tribunais. está contida na própria noção de imoralidade.429/92). p. “Art. rev. no contexto constitucional brasileiro. percorreu um longo caminho. Marino.429. 727.” (PAZZAGLINI FILHO.1. na senda correta de perceber que o constituinte quis coibir a lesividade à moral positivada. p. e lealdade às instituições (. Do princípio da probidade administrativa e de sua máxima efetivação. talvez numa tentativa de justificar os legisladores. 85. 204. mais especificamente em seu art. Rio de Janeiro. os autores da obra Improbidade Administrativa – Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público.)”. Waldo. caput. p. 117. para os casos de improbidade administrativa que não acarretam lesão ao erário nem importam em enriquecimento ilícito do agente público que pratica. Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. todos os atos de improbidade elencados pela citada lei. os danos materiais”. haja vista a ampliação que deram ao conteúdo do termo improbidade administrativa. Márcio Fernando Elias. como visto acima. ROSA.1.1. a moralidade administrativa. (Capítulo II. 325-344. FAZZIO JÚNIOR. Revista de Direito Administrativo. Wallace Paiva Martins Jr. imparcialidade. acabam por concluir que mencionado dispositivo “funciona como regra de reserva. atentarão. 11. 11 da Lei 8. mas que ofendem os valores morais da administração pública. após tecerem críticas à redação do caput do art. n.) Ainda sobre o assunto. v. obrigatoriamente. inclusive naqueles casos em que se não se vislumbram incontrovertidos. 35 36 Anexo I. 11: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. a violação do princípio da moralidade pode e deve ser considerada. a. p. A imprecisão da redação acabou por suscitar alguns comentários mais aprofundados de vários autores. Seção III . apta para caracterizar a ofensa ao subprincípio da probidade administrativa./jun.quando da formulação do texto da Lei de Improbidade Administrativa 35 (Lei nº 8. 1997. 2. No mesmo sentido. legalidade. contra o princípio da moralidade administrativa. ed. recebendo o status de princípio constitucional de observância obrigatória apenas com a promulgação da Constituição Federal de 1988.

(ROCHA. 156. o fim precípuo da Administração Pública. analisando os textos das Constituições que vigoraram até a atualidade no Brasil. os interesses públicos sofreram sérios prejuízos. e a viciosidade do processo eleitoral integraram-se à Administração Pública mais afeta a interesses privados dos coronéis e seus apaniguados que à causa social”.39 Diante de um contexto histórico de corrupção exacerbada aconteceu o movimento de 1930. op.. que poderá ser intentada dentro de um ano e dia pelo próprio queixoso ou por qualquer do povo. op. p. especialmente na chamada Primeira República.)”..” 37 Com o advento do regime republicano. mesmo que indiretamente.. a moralidade administrativa sempre foi objeto de discussões no âmbito do Poder Público. esta responsabilidade se fará efetiva por lei regulamentar. 6º. peculato e concussão. para os interesses da elite econômica... Assim. buscou legislar. à preocupação que tinham com as conseqüências advindas de atos imorais. Cármen Lúcia Antunes.) 38 Constata Cármen Lúcia Antunes Rocha: “A contaminação ética do Poder na Primeira República. data do longínquo período imperial e fazia referência à profissão dos magistrados e oficiais de justiça.Apesar de receber sua explicitação constitucional apenas em 1988. 218.) 39 ROCHA. veria suscitada a sua responsabilidade criminosa no exercício do cargo”. . posto que a corrupção tem acompanhado o Estado brasileiro desde seus tempos mais remotos. até a promulgação da Constituição de 1988 esteve “embutido na menção expressa à probidade administrativa como dever do Presidente da República. agindo este. Mencionado texto esteve presente em todas as Constituições que sucederam a de 1891. cit. peita. contra a qual. guardada a ordem do processo estabelecido por lei. Consoante mencionado artigo. que a denominada “política dos governadores” assegurou em grande parte. Todos os juízes de direito e os oficiais de justiça são responsáveis pelos abusos de poder e prevaricações que cometerem no exercício de seus empregos. 38 Proveniente deste distanciamento do Poder com a sociedade é que a Constituição de 1891. através de seu artigo 54. como o enriquecimento ilícito. op. A primeira manifestação que se tem notícia da preocupação com a moralidade. assim. Apregoava a Constituição de 1824: “Art. cit. Por suborno. por exemplo. p. haverá contra eles a ação popular. demonstrando que a moralidade administrativa. acerca dos atos ímprobos. Descaracterizou-se. que deveria estar voltada para os interesses de seus administrados. que teve dentre seus objetivos a busca de uma atuação política e administrativa 37 Como apregoado por Cármen Lúcia Antunes Rocha. “São crimes de responsabilidade do Presidente da República os que atentam contra: (. a probidade da Administração (. Art. (ROCHA.) 6º. 224-225. 218. já que perderam espaço. Cármen Lúcia Antunes. observa-se que praticamente todas fizeram menção.. procurando resgatar algum senso moral por parte da Administração Pública. Cármen Lúcia Antunes.. cit. 157. p. esta foi “a única referência normativa constitucional brasileira do século XIX e a única norma que se refere à ação popular antes da Constituição de 1934”.

.) “§ 8º. Segundo mencionado dispositivo constitucional. Não será. mediante representação do Procurador-Geral da República. declarada pelo Supremo Tribunal Federal. expressamente.. tolerada a propaganda de guerra. observadas as condições de capacidade que a lei estabelecer.41 40 Ressalta Cármen Lúcia Antunes Rocha que “A entronização. nos termos da lei. assegurada ao paciente a mais ampla defesa”. A partir da Constituição de 1946 a ação popular fez-se presente em todas as Constituições que a sucederam.. No § 31 do mesmo artigo 141 pode-se notar. que rezava: “Aquele que abusar dos direitos individuais previstos nos parágrafos 8º.) . cit. ou de emprego em entidade autárquica”. sem prejuízo da ação civil ou penal cabível. a proteção ao “patrimônio das entidades autárquicas e das sociedades de economia mista”.. A publicação de livros. dos Estados e dos Municípios”. a ação popular foi reintroduzida. 23. pelos abusos que cometer. inciso 38 daquela Constituição: “Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a declaração de nulidade ou a anulação de atos lesivos do patrimônio da União. é assegurado o direito de resposta. da ação popular como instrumento de atuação do cidadão na defesa do patrimônio público constituiu um dos melhores exemplos da possibilidade constitucional de sua participação no exercício da atividade administrativa como controlador da qualidade ética dos comportamentos públicos”.. acrescentou-se. instrumento utilizado até os dias atuais pelos cidadãos brasileiros que buscam coibir as imoralidades de seus administradores. Na nova redação dada pelo artigo 141. por influência ou com abuso de cargo ou função pública. p.) A lei disporá sobre o seqüestro e o perdimento de bens. a denominada “Constituição Polaca”. 222) 41 Os parágrafos a que o artigo faz remissão possuem a seguinte redação: (.(. op. Com a retomada da democracia e a promulgação da Constituição de 1946. de subversão da ordem ou de preconceitos de raça ou de classe. não se restringiu à ação popular. 40 Desta forma. A Constituição de 1934 introduziu em seu texto de forma expressa o instituto da ação popular. ofício ou profissão. A Constituição de 1946. “(. no Direito Constitucional brasileiro. jornais e periódicos independe de licença da autoridade. Já a Constituição de 1967 traz uma inovação.. no caso de enriquecimento ilícito. bem como ampliado o seu alcance. porém. através do artigo 151. no entanto. novamente. o termo “corrupção”. incorrerá na suspensão destes últimos direitos pelo prazo de dois a dez anos. salvo quanto a espetáculos de diversões públicas. ao “patrimônio da União. foi omitido na Constituição de 1937. trazendo em seu bojo. quando o Brasil atravessou um de seus períodos ditatoriais. (.. para atentar contra a ordem democrática ou praticar a corrupção. rezava o artigo 113. Este importante dispositivo. 27 e 28 do artigo anterior e dos direitos políticos. respondendo cada um. no entanto. Sob a influência destes sentimentos é que se deu um momento de extrema relevância na história constitucional concernente à moralidade administrativa.pautada pela moral.. Cármen Lúcia. (ROCHA. § 38. a preocupação mesmo que indireta do legislador com a moralidade na Administração Pública. É livre a manifestação de pensamento. de convicção política ou filosófica e a prestação de informação sem sujeição à censura.) § 23. É livre o exercício de qualquer trabalho.. dos Estados ou dos Municípios”.

reinstaurou-se.1. Ressalte-se que neste momento de cruel autoritarismo. 2. política e moral do Brasil. Todos podem reunir-se sem armas.(. esgotada por tanto autoritarismo e falta de liberdade.)” . O atual Texto Constitucional modificou efetivamente o tratamento dado até então à moralidade administrativa. senão em virtude de decisão judicial. (grifo nosso) Após um longo período em que a sociedade brasileira encontrou-se tolhida por um regime ditatorial de moral questionável. incluindo aí a decretação do confisco de bens daqueles que enriquecessem ilicitamente. após vários movimentos populares. deste modo. atendendo às exigências de um sistema jurídico e político. Assim. explicitando-a em vários de seus dispositivos e conferindo-lhe uma importância inquestionável.1. conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou.Este mandamento constitucional caiu por terra com os Atos Institucionais que advieram como conseqüência de mais um regime ditatorial. os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa pátria’ (Preâmbulo do Ato Institucional nº 1. ‘os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica. que centralizou. clamou por uma Administração provida de credibilidade.. bem como a designação. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de § 27.)”. e Considerando que a Revolução brasileira de 31 de março de 1964 teve. É garantida a liberdade de associação. no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo. ouvido o Conselho de Segurança Nacional.. no respeito à dignidade humana. teve um caráter inovador no que concerne à Administração Pública. 13 de dezembro de 1968. nas mãos do Presidente da República. de 9 de abril de 1964)(. na luta contra a corrupção. assegurasse autêntica ordem democrática. A sociedade. as mais diversas atividades. dos Estados. com o início de um período de violenta repressão: “O Presidente da República Federativa do Brasil. baseada na liberdade. a tão esperada democracia brasileira. nenhuma associação poderá ser dissolvida. que se não concretizou todos os desejos sociais. por esta. prevê de forma indubitavelmente clara o artigo 37 da atual Carta Magna: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. É o que se percebe a partir da leitura das primeiras linhas do Ato Institucional nº 05. financeira. não intervindo a autoridade senão para manter a ordem. A lei poderá determinar os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade. que marcou indubitavelmente a história brasileira..§ 28. do local da reunião. o emprego dos termos moral e corrupção foram utilizados para justificar as atitudes daquele governo ilegítimo. de modo direito e imediato. qual seja a de um dos princípios retores da Administração Pública. fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que.1. A Expressividade da Moralidade Administrativa no atual Texto Constitucional A fim de dar uma resposta aos anseios da sociedade é que foi promulgada a Constituição de 1988. buscando.. de maneira a poder enfrentar.

41. § 2º. op. cuja anomalia injurídica só pode ser suscetível de apreciação sobre o prisma da moralidade administrativa” 42. Por fim.. indisponibilidade de bens e ressarcimento ao erário. moralidade. p. “se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública”. por proposta do Tribunal de Contas da União. impessoalidade..legalidade. Já o artigo 74.. . (grifo nosso) Em outros de seus dispositivos.. No já mencionado artigo 37. I e II. associação ou sindicato para “denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União”. 1994. conferindo-lhes a pena de suspensão dos direitos políticos. após a análise de todos os preceitos supra mencionados. a garantia do habeas corpus e mandado de segurança em caso de abuso de poder. (. no § 4º. cit. seguindo a mesma linha das Constituições anteriores. além de submeter a Administração Pública ao princípio da moralidade. legitima qualquer cidadão. em seus incisos LXVIII e LXIX estabelece. Já no inciso LXXIII fica prevista a possibilidade de qualquer cidadão propor a ação popular que vise anular ato lesivo à moralidade administrativa. Os crimes de responsabilidade recebem previsão com a redação dada pelo artigo 52. legisla acerca dos atos ímprobos.. publicidade e eficiência (. quando. Ao analisar o termo despesa irregular. a cargo do Congresso Nacional. partido político. Diogo de Figueiredo Neto expõe que ela deve ser entendida como “aquela que passa do conceito de despesa ilegal. o ProcuradorGeral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade. verbis: “Compete privativamente ao Senado Federal: I – processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os Ministros de Estado nos crimes da mesma natureza conexos com eles.)”. o legislador manifesta-se em três oportunidades. o constituinte. § 2º. prevê a possibilidade de sustação de despesa irregular. preceitua que os atos que atentam contra a probidade na administração são crimes de responsabilidade do Presidente da República. O artigo 72. respectivamente. É o que se percebe a partir dos preceitos a seguir elencados: No artigo 5º. José Augusto Delgado. revela-se a preocupação da Constituição de 1988 em disciplinar instrumentos que visem coibir a imoralidade administrativa.)”. 42 apud DELGADO. como visto anteriormente. II – processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal. Assim. vê-se a clara intenção do legislador constituinte em positivar certos valores que até então apenas permeavam os sentimentos da sociedade brasileira. V. o artigo 85.

Waldo. já que. op. que foi completada pela Lei nº 3.1. a segunda regulava “o seqüestro e o perdimento de bens de servidor público da administração direta e indireta. passam a constar.429/92 é indubitavelmente maior. sem prejuízo da responsabilidade criminal em que aquele tenha ocorrido (art. cit. o enriquecimento ilícito. juntamente com outras já existentes.502/58 (Lei Bilac Pinto). 1º caput)” 44. já que a Lei 8. cargo. ROSA.2. conclui-se que o alcance da atual Lei nº 8.3.3.429/92 elenca outras duas. a fim de dar regulamentação ao já referido artigo 37. como aliás.164/57 (Lei Pitombo-Godói Ilha). apud PAZZAGLINI FILHO. Lei de Improbidade Administrativa. e. portanto. instrumento que. através do já mencionado artigo 5º. porém é inegável a sua importância. Antes da vigência da Lei nº 8. tem-se revelado de vital importância na busca incessante por coibir os atos destituídos de moralidade administrativa. . Diversas críticas foram feitas a mencionado digesto legal. LXXIII. entitulado “Moralidade e Probidade”.2. amplia a esfera dos chamados atos ímprobos. 30. passando a representar. adquiridos por influência ou abuso de cargo ou função pública. duas outras leis federais foram elaboradas versando sobre o assunto: a Lei nº 3. tão-somente. quais sejam a dos atos que causam prejuízo ao erário e daqueles que atentam contra os princípios da Administração Pública. indireta ou fundacional e dá outras providências”. que de mero princípio geral de Direito passou a integrar a ordem normativa brasileira enquanto princípio constitucional. ou de emprego em entidade autárquica. Enquanto a primeira “sujeitava a seqüestro os bens de servidor público. § 4º da Constituição de 1988. A lei que as substituiu. como uma das modalidades da improbidade administrativa..429/92. 45 Idem.2. Desta forma. Outra norma infraconstitucional vigente e de grande relevância no que concerne ao princípio da moralidade administrativa é aquela que regula a ação popular. leis concernentes a este princípio foram elaboradas. já que. ressaltado anteriormente no presente trabalho 43. Márcio Fernando Elias. que “dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. enumerando diversas hipóteses caracterizadoras de enriquecimento ilícito. 29. até então as legislações restringiam-se a estabelecer sanções acerca de apenas uma espécie de improbidade administrativa. seguindo os ditames Constitucionais vigentes. p. apesar de algumas impropriedades. por conseqüência. pode ser utilizado por qualquer cidadão que pretenda anular ato lesivo à moralidade administrativa. Marino. 43 44 ver item 1. Os atos ímprobos que importam enriquecimento ilícito. este diploma legal vem sendo reiteradamente utilizado. Legislação Infraconstitucional Com a promulgação da Constituição de 1988 e as repercussões inevitáveis provenientes da explicitação da moralidade administrativa. nos casos de enriquecimento ilícito. FAZZIO JÚNIOR. emprego ou função na administração pública direta. O exemplo mais evidente é o da Lei nº 8429/92. por influência ou abuso de cargo ou função” 45. instrumentos auxiliadores para a concretização dos preceitos Constitucionais. p.

empregos e funções nos Poderes Executivo.730/93.2. compatível com a moralidade administrativa. sob a perspectiva do Texto Constitucional. SARAIVA FILHO. é. trazida pela redação emprestada ao artigo 37. Porém. Por fim. o controle do ato administrativo imoral independe da existência de qualquer resquício de ilegalidade. A moralidade administrativa. penal e administrativa do servidor pelo exercício irregular das suas atribuições.. 129-132.. Cf. Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União. ministros de Estado.079/50. a partir dos Mandamentos Constitucionais. cit. op.Conforme o comentário de Cármen Lúcia Antunes Rocha. p. 46 As leis que dispõem sobre a Improbidade Administrativa e Ação Popular são as mais freqüentemente mencionadas em esfera de moralidade administrativa. Legislativo e Judiciários e dá outras providências” e da Lei nº 8. cabe fazer menção à Lei nº 1. bem como é autônoma a sua aplicação. cit. 222. Demócrito Ramos. anteriormente citado. como é o caso da Lei nº 8. como bem assinala o Ministro Demócrito Ramos Reinaldo48. 4.112/90. outras leis que enquadram a ordem normativa brasileira também merecem destaque por fazerem referências acerca do tema. parece que se abandonou (ou pelo menos tem-se observado esta tendência) as teorias que vinculavam a moralidade ao desvio de poder. op. ministros do Supremo Tribunal Federal e procurador-geral da República. 47 Insta ser ressaltada a existência do antigo. Assim. A autonomia conferida à moralidade é inegável. 49. op. REINALDO. Vale ainda ilustrar que a Lei 8. como uma maneira de estabelecer a moralidade dentro da esfera da legalidade. que dispõe acerca dos crimes de responsabilidade do Presidente da República. a imoralidade de condutas públicas. a fim de garantir uma conduta ilibada.. p. p. Esta inovação. prevê a responsabilidade civil.717/65 assegurou ao cidadão um instrumento efetivo para se impugnar. porém não menos importante DecretoLei nº 201/67.666/93 (Lei das Licitações e Contratos Administrativos). “A Lei n. . cit. pela primeira vez na história das Constituições brasileiras. judicialmente. que legisla acerca dos crimes de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. motivo suficiente para viciar qualquer ato administrativo que não a observe. A Moralidade Administrativa na Constituição Federal de 1988 Juntamente com o advento da Constituição de 1988. Em primeiro lugar. que “estabelece a obrigatoriedade da declaração de bens e rendas para o exercício de cargos. 1993/1995. 2. 46 47 48 ROCHA. caput. Cármen Lúcia Antunes. por si só. Oswaldo Othon de Pontes. grarantindo-lhe a atuação no sentido de exigir a honestidade administrativa por ser este um direito que lhe é inerente ou talvez mesmo um dever que lhe é atribuído constitucionalmente”. observou-se a “juridicização” da moralidade administrativa. fez com que a moralidade administrativa enfrentasse severas modificações no que concerne à construção doutrinária que a ela era destinada até então. além de estabelecer as vedações e os deveres inerentes aos agentes públicos em geral.

cit. 13. 43-87.. a Constituição ao elencar... Todos têm presença numa mesma situação relacional. Revista de Direito Administrativo./dez. a publicidade e a eficiência.. assevera José Augusto Delgado: “O princípio da moralidade administrativa não deve acolher posicionamentos doutrinários que limitem a sua extensão. (PAZZAGLINI FILHO. implica em uma violação direta ao princípio da moralidade. (. tornou-os elementos de observância obrigatória ao atuar administrativo. à vista da condição de mutuamente entrelaçados”. os princípios da Administração Pública. Waldo. out. sob pena de invalidação.Sob esta perspectiva.(. já que formam. p. n. 1994.2.(. por si só gera. em seu artigo 37. Rio de Janeiro. e deverão. ao lado dos outros princípios elencados no caput do artigo 37 da Carta Magna. A Administração Pública na Constituição de 1988 (2ª parte).1. militam nos quadros públicos”. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. os pressupostos de qualquer atuação da Administração Pública..) Não há. p. FAZZIO JÚNIOR. das normas e dos valores.) O interesse jurídico contido no ato administrativo deve se subordinar ao interesse jurídico da moralidade.. out. constituem pressupostos da ação administrativa. aponta Manoel de Oliveira Franco Sobrinho: “Tais princípios (.. op. quais sejam a legalidade. A Moralidade Administrativa em relação aos demais princípios insculpidos no artigo 37. deveres indeclináveis aos que. 2. op. (OLIVEIRA. p. ROSA. Ação Popular: um direito-dever do cidadão e a moralidade administrativa. Fernando Andrade.) . de um lado.. 41. cit. n.. a impessoalidade.51 A violação de quaisquer dos princípios previstos por mencionado artigo. p.49 Desta forma. 49. 52 Nesta linha de argumentação. direitos subjetivos pessoais e. 1996.) se afirmam diante de uma unidade preceitual de conteúdo constitucional. obrigatoriamente. jurídico. caput da Carta Magna Como já salientado anteriormente. 206. p. 51 Os autores da obra Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. fazem menção ao dispositivo constitucional denominando-o como “norma-princípio que. de outro. 1995.) 52 Nesse passo. Ruy de Jesus Marçal. constar como elementos intrínsecos da atuação administrativa. CARNEIRO./dez. tem-se que a moralidade administrativa. ainda que transitoriamente. 68. M arino. o que demonstra a estreita ligação que os quatro princípios mantém entre si. assim. administrativo. 226. possibilidade de não se reconhecer a sua supremacia”. 219-233. Márcio Fernando Elias.. Fernando Andrade de Oliveira coloca que “(mais) do que a valorização deste ou daquele princípio singularmente considerado. caput. é causa suficiente para viciar o ato administrativo. São “princípios regentes da Administração Pública” 50. José Augusto. o que precisa ser destacada é a necessidade da hierarquização dos princípios. O simples fato do administrador usar de suas atribuições para fins diversos daqueles conferidos por lei.) 49 50 DELGADO. Não há como um só possa dar fundamento para legitimar a vontade de fazer ou a atos de vontade. São Paulo. Nenhum deles traz sentido de valor estanque. conjuntamente.

não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos como. ed. as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados. ampl. Do Princípio da Moralidade Administrativa. Curso de Direito Administrativo.54 O princípio da impessoalidade. os despachos intermediários e finais. p. constituem os princípios básicos da Administração Pública expressos no caput do artigo 37 da Constituição Federal. 31. 733 p. consiste no dever do agente público primar sempre pelo interesse coletivo. 207-221.Os quatro princípios lembrados da legalidade. 127. os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos. também.. pessoas ou grupos específicos. n. Rio de Janeiro.099. 1997b. p. Direito Administrativo Brasileiro. rev. 190. de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. o que torna necessária a abordagem. Essa publicidade atinge. atual. 56 Hely Lopes Meirelles aponta que o sigilo só é admitido “nos casos de segurança nacional. 22. políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses sectários. não privilegiando. com suas atitudes./dez. os atos concluídos e em formação. Revista de Informação Legislativa. estabelecendo o primado da lei. Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello. Celso Antônio Bandeira de. São Paulo: Malheiros. mesmo que muito sucinta.) abrange toda atuação estatal. 70. Na falta de qualquer dos princípios. Simpatias ou animosidades pessoais. 21. 54 NUNES JUNIOR. nem favoritismo nem perseguições são toleráveis. 55 MELLO. n. 655 p. p. v. de 6. Brasília. numa síntese de manifestação volitiva administrativa. jul. como o próprio nome já prescreve. Amandino Teixeira. 250-251. para uma exata configuração jurídica dos atos administrativos. bem como os 53 FRANCO SOBRINHO. Segundo os ensinamentos deixados por Hely Lopes Meirelles. p. A discricionariedade administrativa e o controle judicial de seus Limites. Hely Lopes. out. 9. Ensina Amandino Teixeira Nunes Júnior que tal princípio “significa que as atividades da Administração Pública se subordinam ao império da lei. senão todos. “Nele se traduz a idéia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações. visando coibir o arbítrio. não um.. Revista de Direito Administrativo. 86) . p. O princípio da legalidade talvez seja o mais conhecido e explicitado pela doutrina. da impessoalidade. que traduza a vontade geral”. com algumas ressalvas56. investigações policiais ou interesse superior da Administração a ser preservado em processo previamente declarado sigiloso nos termos do Dec. conclui-se pela vital importância de cada um dos princípios.53 Desta forma. consiste no dever da Administração tornar público todos os atos por ela realizados./set. p. 1995. ed. juntamente com a moralidade. se reúnem como elementos de composição da vontade. os atos não ficam legítimos e carecem de validade”. os processos em andamento. Manoel. por sua vez. São Paulo: Malheiros. dos princípios que. ficando assim indispensáveis. Trata-se de limitação da atividade administrativa.77”. benéficas ou detrimentosas. federal 79.55 Já o princípio da publicidade. assim.1. de facções ou grupos de qualquer espécie”. da moralidade e da publicidade. 247-252. (. 1992. 1997.(grifo do autor) (MEIRELLES. “A publicidade.

O mais relevante. n. resoluções de gaveta. Revista de Direito Administrativo. No momento. revelando-se. 352-354. face à sua recente explicitação. sendo. adicionado ao caput do artigo 37 da Constituição através da Emenda Constitucional nº 19. que os administradores devem cumprir a lei é reiterar formulação essencial e postada no mais relevante artigo da Constituição Federal. MARTINS. como seu alicerce. conclui-se por conferir uma inegável superioridade à moralidade administrativa. de 04 de junho de 1998. Ives Gandra da Silva. determinar que o administrador público deve ser impessoal. Rio de Janeiro. Uma vez estabelecidos os conceitos básicos dos princípios da legalidade. garante a ordem./jun. da publicidade e da eficiência. O art. carece de maiores pronunciamentos doutrinários. O mesmo se dá com o princípio da publicidade. 204. os atos administrativos devem ser transparentes. é afetar faceta da ética administrativa. Dizer. pois está à disposição da sociedade. O princípio da moralidade administrativa. pois. pois. que é voltada ao cidadão mais do que àqueles que o devem servir. p. aprovada pelos representantes do povo.58 Ante tais ensinamentos. além de representar pressuposto de validade da atuação administrativa. Exceção feita às questões de segurança nacional. a impessoalidade dimensão parcial da moralidade. 352-365. elenca. p. nos regimes democráticos. cabe demonstrar qual a relação destes princípios com a moralidade administrativa. não se admitindo decisões escusas. da impessoalidade e da publicidade “terminam por desaguar na moralidade pública”. inciso I da Constituição Federal. O Princípio da Moralidade no Direito Tributário.57 Por fim. da impessoalidade.. e que. 87. não podendo privilegiar amigos. parentes ou interesses em detrimento do bem servir. tem-se o princípio da eficiência. bem como porque esta última merece uma posição destacada dentro do contexto dos princípios que regem a Administração Pública. 1996. acaba por influenciar o conteúdo de todos os demais princípios. p. é princípio essencial. 5º. Hely Lopes. aquele que se destaca de forma absoluta. Por outro lado. op. abr. E explica o autor: “O princípio da legalidade reveste todo o sistema jurídico do país. No sentido de dar ênfase a este destaque é Ives Gandra da Silva Martins aduz que os princípios da legalidade. visto que o administrado não pode desconhecer as regras da Administração.comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes”. 57 58 MEIRELLES. que. já que esta. Que torna a Administração confiável perante a sociedade e que faz do administrador público um ser diferenciado”. poder-se-ia conceituá-lo como um princípio que tem por escopo a maximização dos resultados da atividade da Administração Pública. portanto. cit. oferta segurança e protege os cidadãos. . portanto. a obediência à lei.

) é a margem de liberdade que remanesça ao administrador para eleger. . dentre pelo menos dois comportamentos cabíveis. n. Cármen Lúcia Antunes. um verdadeiro sustentáculo dos princípios norteadores da Administração Pública. 1997. DELGADO. p.. op.. 110 p.. ed. 2. p. Aponta o autor que “Discricionariedade (. cuja natureza suscita polêmica na doutrina.. que. 61 Neste sentido: REINALDO. sem sombra de dúvidas. que estabelece uma estreita ligação entre o princípio da moralidade e o 59 Assim. o conceito de discricionariedade de Celso Antônio Bandeira de Mello. 1993/1995.). QUIXADÁ. p. na lógica do razoável para constatar se a finalidade pública almejada foi alcançada em toda a sua extensão”. perante cada caso concreto. São Paulo: Malheiros. cit. expressos ou implícitos. reside.(ROCHA. o método para detectar ofensa ao princípio da moralidade administrativa. segundo critérios consistentes de razoabilidade. sejam eles discricionários 60 ou vinculados.. Celso Ribeiro.até mesmo.. que tais restrições à liberdade do administrador para a edição de atos administrativos alcançam tantos os atos vinculados. Demócrito Ramos.) a aplicabilidade do princípio da moralidade administrativa enseja limites à atuação dos agentes políticos e administrativos como conseqüência de estarem vinculados a um dever geral de boa administração e de sujeição ao interesse público (. para tanto. Valéria Oliveira Quixadá pronuncia-se da seguinte maneira: “(. 56. de elemento interno a fornecer a substância válida do comportamento público. 73. entende-se que a aplicação do princípio da moralidade administrativa alcança os atos administrativos de qualquer natureza. jan. “tem uma primazia sobre os outros princípios constitucionalmente formulados.. 1998../mar. Não podemos ouvidar.. somente podem ter a sua leitura correta no sentido de admitir a moralidade como parte integrante do seu conteúdo”. op. Por outro lado.. seguindo o entendimento de diversos autores.2. principalmente. por constituir-se em sua exigência. Os demais princípios constitucionais.61 Defendendo esta corrente. Revista do Tribunal de Contas da União. 1993. 213-214. José Augusto. 62 QUIXADÁ.) 60 Adota-se. o princípio constitucional da moralidade administrativa. uma solução unívoca para a situação vertente”. cit. O Princípio da Moralidade no Direito Público. cit. como também os discricionários. v. Toda atuação administrativa parte deste princípio e a ele se volta. a fim de cumprir o dever de adotar a solução mais adequada à satisfação da finalidade legal. cit. 51-61. 4454. por força da fluidez das expressões da lei ou da liberdade conferida no mandamento.. tanto nos atos vinculados quanto nos discricionários. 59 2. 22. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política.62 O termo “razoável” acima utilizado pode ser entendido a partir dos ensinamentos de Weida Zancaner. op.. Aplicabilidade e Controle em Face da Constituição de 1988. evidencia a moralidade como elemento inafastável dos atos discricionários. cit. Valéria Oliveira. por conseguinte. No tocante a estes últimos.. São Paulo. como bem assevera Cármen Lúcia Antunes Rocha. op. 1993. um. p. dela não se possa extrair objetivamente. p. No entanto. quando. Valéria Oliveira./set. Discricionariedade e Controle Jurisdicional. Princípio da Moralidade Administrativa: Autonomia. (MELLO: Celso Antônio Bandeira de. e BASTOS. não se deve perder de vista que o limite para o exercício do juízo de oportunidade e conveniência encontra-se na fronteira que o separa do arbítrio. jul. op. Alcance O alcance da moralidade administrativa revela-se um tema demasiadamente controvertido. Brasília. que vem suscitando divergências entre os estudiosos do assunto. Maurício Antonio Ribeiro. 48. LOPES.2.

Silva fazem a seguinte afirmação: “O denominado poder discricionário. que se relacionam com a Administração Pública. cit. QUIXADÁ. cit. De acordo com a autora. proclamou a moralidade administrativa como princípio constitucional brasileiro em seu artigo 37. op. sob pena de terem seus atos invalidados. já que o ato desarrazoado “desvirtua a finalidade da lei. sua existência está subentendida.2. contudo. Urge.67 2. conseqüentemente. 205-210. deverá ter uma conduta orientada pela razoabilidade. É o caso das pessoas. 67 Cf. por conseguinte. Razoabilidade e Moralidade na Constituição de 1988. op. 63 ZANCANER. então.princípio da razoabilidade e aduz que. já que atitudes fraudulentas. p. p. baseada em norma jurídica positiva que a legitime e com visão voltada a atender a um fim público. sensata e atue de modo compatível com o bem jurídico que ela pretende curar” 63.3. A manifestação há que ser objetiva. Valéria Oliveira. dotado de forte matiz político. tem sido utilizado como arcabouço jurídico de grande parte do arbítrio e desmandos dos eventuais ocupantes do poder. de invalidação. configurarão. 56-57. tem-se que o agente público. (apud BASTOS. pelo que deve se revestir. em geral as jurídicas. Efetividade A Constituição Federal de 1988. por exemplo. certamente. 65 André Ramos Tavares e Guilherme Amorim c. do caráter de moralidade”. descumpre o interesse público. Revista Trimestral de Direito Público. gera arbitrariedade. enfim. a partir destes ensinamentos.) 66 DELGADO. alguns se comportando como autênticos donos da coisa pública”. Celso Ribeiro. p. sem qualquer arbítrio. entende-se que o poder discricionário conferido aos agentes públicos não pode ser justificativa para a arbitrariedade evidenciada na atuação de muitos deles65. 1993. equilibrada. especialmente em sua atuação discricionária.. em sua totalidade. . São Paulo. mesmo quando forem “os juízes absolutos da oportunidade e da conveniência de determinados atos administrativos”. sob pena de afrontar a moralidade administrativa. 64 Idem. processos licitatórios. n. 46. p. cit. a real concretização deste preceito constitucional. Sob esta ótica. 209. ibidem.66 Ressalte-se ainda que o alcance da moralidade administrativa não fica adstrito aos agentes públicos. Em situações como. José Augusto. apesar da razoabilidade não constar expressamente do Texto Constitucional. p. ser eliminado” 64. Destarte.. afronta o sistema jurídico como um todo e necessita. como já ressaltado ao longo deste trabalho. sendo passível. em violação a este princípio. 1993. já que por vezes particulares também deverão observar tal princípio. Weida. E acrescenta o autor: “Mesmo quando atua com certa margem de determinação no tocante à oportunidade e à conveniência. 215-216. 02. A moralidade já foi juridicizada: almeja-se. como aduz José Augusto Delgado. os licitantes deverão pautar por uma conduta orientada pela moralidade administrativa. o princípio da razoabilidade “exige. já que. op. tão-somente. a sua efetividade.. deve fazê-lo. deverão orientar-se sob a égide do interesse público. simplesmente que a Administração Pública no exercício de atuação discricionária seja racional.

1995. n./mar. v. de outra forma.. iluminar-lhe os meandros e aclarar-lhe pontos obscuros. Alguns autores buscam até mesmo a positivação do seu conteúdo. p. Urge definir de alguma forma os seus contornos. Luís Roberto. op. atém-se ao conceito elaborado por Luís Roberto Barroso. 1. “O bem administrar se constitui numa atuação conjuntural que produza. 147.. op. 19. Ela simboliza a aproximação. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas. A lei há de desempenhar este papel.O termo “efetividade” ora empregado. 1993. cit. sob a justificativa da vagueza e imprecisão do conteúdo da moralidade administrativa.. tem-se que o conteúdo da moralidade administrativa deve ser sacado da própria noção de “bom administrador” e não limitado em uma norma qualquer. p. Como bem assevera José Augusto Delgado.) designa a atuação prática da norma. p. 169. jan. 1. é imanente ao direito por a 68 BARROSO. Princípios Constitucionais Brasileiros. Demócrito Santos Reinaldo tece o seguinte comentário: “O princípio da moralidade administrativa. Joaquim Antônio Castro. Ao ângulo subjetivo. que assim expõe seus entendimentos: “Não basta apregoar a moralidade pública. A moralidade administrativa. na sua dicção ampla (art. se torna bem claro que bem comum e moralidade administrativa são ideais que jamais se podem objetivar de modo total em simples regramento de direito positivo. efetiva é a norma constitucional que enseja a concretização do direito que nela se substancia. p. cit. tão íntima quanto possível entre o dever-ser normativo e o ser da realidade social. tampouco poderia depender de lei que explicitasse o que é ou não moral. 146-148. Não basta invocar o princípio. cabe salientar. O Princípio da Moralidade Administrativa.. 1997. Tendo em vista que a intenção do legislador constituinte ao explicitar a moralidade foi conformar a atuação da Administração Pública com os anseios de seus administrados71. deve fazê-lo (. De acordo com o autor. 37). a moralidade administrativa tal qual a atual Constituição Federal determina. . Por isso. 1993. no mundo dos fatos. se estaria subsumindo um ao outro princípio tornando-se ocioso falar-se em moral administrativa”. entendem que a sua efetividade está comprometida.70 Sob este prisma. condições para que o fim a que se destina o Estado seja atingido. São Paulo. (AGUIAR. 213. dando-lhe um mínimo de precisão.) 70 REINALDO. Revista Trimestral de Direito Público. 168-185. não necessita de qualquer regulamentação. 19../jun.a68 Muitos são os autores que. p. os valores por ela tutelados. A precisão que se exige da legalidade não tem cabimento quando se trata da moralidade. como a moralidade comum. v. pois. abr. 71 DELGADO. p. Eles se caracterizam e se tornam visivelmente presentes através das ações concretas do administrador público quando se apresentam totalmente desprovidas de qualquer desvio ou abuso de poder..)”. eficazmente. o que acabaria por restringir o seu alcance. “Efetividade (. São Paulo. propiciando o desfrute real do bem jurídico assegurado”. 69 É o caso de Joaquim Antônio Castro Aguiar. José Augusto. 69 Acerca do assunto. Demócrito Ramos. fazendo prevalecer.

) necessita ser. não só a conscientização do seu cumprimento. mesmo que não exista qualquer dispositivo expresso dizendo a respeito”.3. cit. 1994.não exprimir-lhe mais que a própria validez da norma. p. 72 b DELGADO. (o grifo é do autor) 76 DELGADO. condição de ser exigido pelo povo”.b73 2. quando a ação é maliciosa. op. FRANCO SOBRINHO. que a tem como pressuposto fundamental. “o princípio da moralidade administrativa (. p. o importante papel dos doutrinadores.. observa-se que a caracterização da moralidade administrativa requer a análise conjunta de diversos elementos.. 1993. A sua violação implica tornar inválido e censurável o ato praticado com apoio na norma. para que se observe o seu cumprimento. Como observado por José Augusto Delgado. mas também. que o autor denomina “vício da nãomoralidade” 74. Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. Manoel de Oliveira. “(. 212. cada vez mais. José Augusto. 1993. demoradamente explicitado pela doutrina. 13-20. Partindo de todas estas observações e utilizando os ensinamentos de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. cit. especialmente os membros da Administração Pública e do Poder Judiciário. a real efetividade da moralidade administrativa não está a espera de qualquer tipo de normatização. p. cit. “há sutilezas que pedem constatação hermenêutica. cit. 09-15. v. p. por exemplo. José Augusto Delgado.. p.76 Destarte. imprudente. 75.72 Assim. Ressalte-se. ainda. Curitiba. abr.. 75 FRANCO SOBRINHO. A Moralidade Administrativa nos Atos e Contratos Administrativos. 213. 77 MOREIRA NETO. Revista de Direito Administrativo Aplicado. Caracterização da Moralidade Administrativa A caracterização da moralidade administrativa vem se demonstrando uma tarefa de árdua consecução. op. ao contrário. Manoel de Oliveira. Ela é parte íntima do direito positivo. . 213-214. op. ao tecer apontamentos acerca de tal dificuldade. 15. op. ou. 1993.75 Apesar da complexidade ora apontada. tece algumas considerações referentes à caracterização do ato imoral. 1. tendo em vista a vagueza e imprecisão do conteúdo deste princípio. p.) imoral é o ato administrativo que não respeita o conjunto de solenidades indispensáveis para a sua exteriorização. para que o seu valor seja publicizado com o máximo de eficiência e gere. p. se tutele os atos que afrontem tal princípio. mesmo que somente no futuro essas feições ou alguma delas se tornem reais”. vários são os autores que vem se empenhando no estudo do tema.. quando foge da oportunidade ou da conveniência de natureza pública.. José Augusto. Como assinalado pelo autor.. Basta que a sociedade brasileira.. absorvam a idéia da moralidade administrativa tal qual o legislador constituinte a concebeu. (o grifo é nosso) 73 74 Idem. assevera que para se conhecer um ato imoral. Diogo de Figueiredo. quando abusa no seu proceder e fere direitos subjetivos públicos ou privados. inclusive o exame prático da intenção administrativa e o porque psicológico de seu desvirtuamento”. Diogo de Figueiredo Moreira Neto ocupou-se do que ele próprio denomina “problema da caracterização da moralidade administrativa”77.

) não pode suportar a realização de qualquer finalidade pública.. embora declinado verdadeiramente. qual seja o interesse público. for observado motivo inexistente.. incompatível ou desproporcional à finalidade pública. dita caracterização pressupõe o entendimento que a moralidade administrativa convive em estreita ligação com o inafastável objetivo dos atos administrativos. Diogo de Figueiredo Moreira Neto explicita.. op... no ato administrativo. após tecer estes comentários iniciais. (. tece as seguintes considerações: “O objeto é impossível (.. (..c 79 Já em relação aos objetos. (. o que acaba por dar a falsa impressão de que o interesse público almejado foi alcançado...) dificilmente poderá suportar a realização de um interesse público.. cit. designando várias espécies de motivos e objetos que viciam o ato administrativo por serem incompatíveis com a moralidade administrativa.. desconforme ou ineficiente.. Com efeito. (. No entanto.). Justificando esta afirmação.) O motivo insuficiente (. Preleciona o jurista que o chamado “vício da moralidade” encontra fundamento sempre que... pelo menos nos termos pretendidos por seu agente. op... cit.. 78 Cumpre assinalar...(.) decorre da falta da necessária correspondência entre o que deveria motivar o ato e a natureza categorial do seu objeto. 79 . revelará imoralidade administrativa sempre que. bem como quando o objeto analisado for impossível.) quando ocorrer uma incompatibilidade lógica entre sua escolha (discricionária) e o interesse público contido na regra da finalidade.) O objeto é desconforme (.) é aquele que não guarda adequação com o objeto do ato.. aponta que por vezes observa-se a manipulação dos elementos motivo e objeto... as definições deduzidas pelo autor acerca de mencionados motivos e objetos. 11-13. por fim. p. levando a um resultado incompatível com o atendimento de interesse público específico a que deveria visar o ato”. p.. já que a sua realização não é suficiente na configuração da moralidade administrativa. insuficiente.) quando o resultado jurídico visado pelo agente não se compatibiliza com o ordenamento jurídico.. 11-13...De acordo com o autor.) 78 c MOREIRA NETO. inadequado.) O motivo inadequado (. for erroneamente estimado pelo agente para servir de fundamento para sua ação. objetivamente. Quanto aos motivos. o interesse público (entendido enquanto elemento finalidade de qualquer ato administrativo) não poderá receber uma análise isolada. assim..) O motivo desproporcional (. seu método de verificação do ato imoral.(.) O motivo incompatível (. discorre: “O motivo inexistente (. MOREIRA NETO..

Neste sentido. especialmente no seu artigo 37. a responsabilidade pela sua concretização não fica adstrita ao Estado. MEIRELLES. Desta forma. como já visto. “é a faculdade de vigilância. uma vez que a participação dos administrados no controle também é viável. 82 Quanto à abrangência deste controle. no sentido que a eles incumbe provocá-lo sempre que entenderem que seus interesses ou mesmo interesses coletivos estejam sendo lesados. por conseqüência.80 Assim.) quando ocorrer grave comprometimento do interesse público pela desproporcionalidade entre custos e benefícios”.. para que o interesse público realize-se em sua inteireza. o controle no âmbito da Administração Pública tem-se mostrado como a garantia da realização do “bem administrar” e. p.) provavelmente.1.. recebeu diversas inovações por parte da Constituição de 1988. como se tentará demonstrar.1. conforme extrai-se dos ensinamentos deixados por Hely Lopes Meirelles. Direito Administrativo.) o complexo de atividades 80 81 Idem. (.) . Assim. p. Maria Sylvia Zanella di Pietro lembra que a Constituição de 1988 oferece a possibilidade do que denomina “controle popular”. Controle em Administração Pública. 575. cit. em princípio. da obtenção de uma Administração Pública com sua prática pautada pelos princípios elencados na atual Carta Magna. Conceito A Administração Pública tem sua atuação vinculada a uma série de exigências. 5. op. 567 p. 13-14. ed. Noções Gerais acerca do Controle da Administração Pública 3. São Paulo: Atlas. que apesar do controle ser incumbência estatal. já que o ato administrativo que acompanha os preceitos da moralidade deverá trazer em seu bojo os elementos motivo e objeto coadunados com o elemento finalidade pública. elemento inafastável do atuar administrativo. 478. (DI PIETRO. mister se faz o entendimento de que a Administração Pública é o “conjunto de órgãos administrativos. p. órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro”. torna-se indispensável a conduta do agente público visando a já mencionada “boa Administração”. 82 Defende a autora que o controle popular “é (. Capítulo 3 – O Controle da Moralidade Administrativa 3.1.. caput. Maria Sylvia Zanella. Ressalte-se..O objeto é ineficiente (. Hely Lopes..81 Esta faculdade.. a caracterização da moralidade administrativa deve realizar-se a partir do estudo do interesse público em total e íntima relação com os elementos motivo e objeto dos atos administrativos.. que se fazem necessárias para a consecução do interesse público. orientação e correção que um Poder. o mais eficaz meio de controle da Administração Pública”. o que acabou por ampliar o seu espectro e garantir uma maior tutela dos direitos dos administrados em face de seus administradores. 1994.

por fim. explicitar-se-á. dificilmente. além das suas atribuições específicas.. 30. abarcando. 13-14...” 84 Conclui-se. 83 Destarte. excluídos respectivamente os atos e fatos materialmente legislativos e jurisdicionais’. exercem. o controle será administrativo. traçar uma diferenciação exata entre os órgãos que estruturam o governo propriamente dito e as funções que indicam seu setor administrativo”. 37-47. 13. já que estes últimos. Márcio Fernando Elias. Lúcia Valle. Waldo. que o controle da Administração Pública é instrumento que deve ser utilizado sempre que. Rio de Janeiro: Forense. 3. na realização da função administrativa. Modalidades Apesar de vários autores apontarem as mais inúmeras formas de controle da Administração Pública. (SILVA. . PAZZAGLINI FILHO. op. com base nestes apontamentos iniciais. será prévio. FAZZIO JÚNIOR. Já De Plácido e Silva. p. Curitiba. legislativo ou judicial de acordo com o órgão que o exerça. v. igualmente. De Plácido e. 87 FERRARI. será interno ou externo conforme provenha de órgão que faça parte ou não a atividade controlada. Vocabulário Jurídico. p. a seguir. a direito individual ou coletivo ou simplesmente violação dos preceitos que os agentes públicos devem obediência. cujo conceito. atingindo os demais poderes sempre que exercerem funções administrativas. “conceitua a função administrativa como ‘toda a atividade realizada pelos órgãos administrativos e a atividade que realizam os órgãos legislativos e jurisdicionais. tem-se que o controle da Administração Pública não se restringe ao Poder Executivo. p. ibidem. conceitua Administração Pública da seguinte forma: “Num sentido amplo. Assim.desempenhadas imediatamente pelo Estado. tendo em vista os atendimentos das necessidades públicas”.1. que classifica as diversas espécies de controle a partir de critérios específicos. 875 p. expressando um sentido de governo. e. ROSA. consistem nos tipos clássicos de controle: o controle interno e externo. 87. na expressão de Regina Maria Macedo Nery Ferrari. . 85 DI PIETRO. Marino. será de legalidade ou de mérito conforme a análise que se proceda do ato.1. Controle Interno 83 Cf. ed. Revista de Direito Administrativo Aplicado. 84 FIGUEIREDO. 86 Idem. 1995. 1997. tão-somente as formas de controle que levam em consideração o órgão ou autoridade que o realiza. 3. p. cit. Maria Sylvia Zanella. em seu Vocabulário Jurídico. cit. se vislumbre qualquer tipo de lesão. portanto. 39. por tal forma que. 86 Tendo em vista a enorme gama de modalidades ora apresentadas. p. se confunde com a própria função política do poder público. Lúcia Valle Figueiredo. mar. 479. concomitante ou posterior dependendo do momento que seja executado. Sob este prisma. 40. administração pública pode ser compreendida como uma das manifestações do poder público na gestão ou execução de atos ou de negócios políticos.2. funções administrativas. de pronto. op. cit. se entrelaça com a da administração. Controle da Administração Pública: um aspecto interessante. utilizar-se-á o método adotado por Maria Sylvia Zanella Di Pietro 85. 4.1. que. citando Agustín Gordillo. ou mesmo iminência de lesão. op.2. o Poder Executivo bem como os Poderes Legislativo e Judiciário. Tal controle pode partir de iniciativa da própria Administração Pública ou pode ser provocado por seus administrados. por vezes. Regina Macedo Nery. se poderá.

p. Assim. mérito do ato administrativo “é o campo de liberdade suposto na lei e que. podendo atingir seu mérito88. é aquele que se dá no âmbito dos órgãos em que a atividade administrativa a ser controlada está inserida. Preleciona mencionada súmula: “A Administração pode anular seus próprios atos.. de forma integrada. da gestão orçamentária. (MELLO.” Outrossim. bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. os Tribunais Pátrios pronunciaram-se a respeito do controle interno. avais e garantias. já que tem como objetivo precípuo assegurar “que a atividade pública em geral se realize com legitimidade e eficiência. dada a impossibilidade de ser objetivamente reconhecida qual delas seria a única adequada”. III – exercer o controle das operações de crédito. op. também denominado pelos autores de controle administrativo ou autocontrole. financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal. se decida entre duas ou mais soluções admissíveis perante ele. Hely Lopes. observa-se esta modalidade de controle sendo exercida pelo Poder Executivo e pelos órgãos administrativos dos Poderes Legislativo e Judiciário sobre as atividades provenientes de suas próprias esferas.. e ressalvada. segundo critérios de conveniência e oportunidade. Compreende-se. associação ou sindicato é parte legítima para. § 1º Os responsáveis pelo controle interno. IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. tendo em vista o exato atendimento da finalidade legal. partido político. venha a remanescer no caso concreto. sendo a Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal a manifestação mais referendada. denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. respeitados os direitos adquiridos. Executivo e Judiciário manterão. Celso Antônio Bandeira de. Esta espécie de controle vem insculpida pelo artigo 74 da Constituição.89 Diversos são os meios para o controle administrativo. atingindo sua finalidade plena. . quanto à eficácia e eficiência. Para o autor. 38. porque deles não se originam direitos. II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados. em todos os casos. que prevê: “Os Poderes Legislativo. cit. a apreciação judicial”. 1993. bem como dos direitos e haveres da União.O controle interno. ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade. para que o administrador. que o controle interno a ser realizado na Administração Pública não se atém à legalidade do ato. cit. a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União. efetivamente. por motivo de conveniência ou oportunidade. que é a satisfação das necessidades coletivas e atendimento dos direitos individuais dos administrados”. sob pena de responsabilidade solidária. 89 MEIRELLES. Conforme exposto por Hely 88 O conceito de mérito que ora se utiliza é aquele elaborado por Celso Antônio Bandeira de Mello. ou revogá-los. na forma da lei. 580. dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União. sistema de controle interno com a finalidade de: I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual. op. p. portanto. quando eivados de vícios que os tornem ilegais. § 2º Qualquer cidadão.

. p. que tem por objetivo precípuo assegurar que os agentes. afirma o autor. orientar e corrigir suas atividades e agentes. é aquele exercido pelos órgãos do Poder Legislativo. especialmente. p. 93 Cf. Rio de Janeiro: Forense. A seguir..) Os recursos administrativos são um corolário do Estado de Direito e uma prerrogativa de todo administrado ou servidor atingido por qualquer ato da Administração”. em acepção ampla. conforme o caso.90 Importante conferir destaque para a possibilidade do “controle popular pela via administrativa” ou “controle interno com a participação do administrado” .. XXXIX). ou a coibir ilegalidade ou abuso de poder” 92. observa-se inserida na Ordem Constitucional vigente a existência de mecanismos conferidos aos Poderes Legislativo e Judiciário para a realização de mencionado controle. Edson Aguiar de. cit.. op.. Já FIGUEIREDO. que é realizado por órgão distinto daquele em que se encontra a atividade controlada. (. 1993. 91 A primeira expressão é utilizada por VASCONCELOS. p. 90 . dentro do atuar administrativo. em geral. (. também denominado controle parlamentar. 123.Lopes Meirelles. que poderá. Destarte. o administrado poderá “exigir dos órgãos públicos informações de interesse coletivo ou geral”. Conforme apregoado por Edson Aguiar de Vasconcelos. nos recursos hierárquicos próprios e impróprios ou ainda na revisão. XXXIII) e o “direito de petição ou representação” (art. 123-124. não se afastem do interesse público e. 581-582. Controle Externo Além do controle interno. a partir de dois dispositivos Constitucionais que asseguram ao administrado o “direito à informação” (art.. cit. Fazendo uso de tais direitos. DI PIETRO.) A fiscalização hierárquica é exercida pelos órgãos superiores sobre os inferiores da mesma Administração. o controle popular torna-se viável.2. caso em que o controle interno dar-se-á por provocação do administrado.91. na reclamação administrativa. . op. Lúcia Valle. 186 p. a. op. são todos os meios hábeis a propiciar o reexame de decisão interna pela própria Administração.. bipartem-se em fiscalização hierárquica e recursos administrativos. Idem. já que consistem em formas de controle inseridas na modalidade do controle externo da Administração Pública. O direito de petição será exercido. Edson Aguiar de. Instrumento de Defesa da Cidadania na Nova Ordem Constitucional: Controle da Administração Pública. tem-se a existência do controle externo. Assim. bem como encaminhar “denúncia formalizada destinada à defesa de direito. Controle Legislativo O controle legislativo.(. 93 3. 482. far-se-á uma breve análise do controle legislativo e do controle judiciário. consistir na representação. visando a coordenar.) Recursos administrativos. por consegüinte. 5º. no pedido de reconsideração. Maria Sylvia Zanella. 235 faz uso da segunda.1.2. 92 VASCONCELOS. p. público ou privado. esta espécie de controle será exercida. da legalidade e da moralidade a que estão subordinados. através do recurso administrativo. cit... “de um modo geral.

Procurador Geral da República e Advogado-Geral da União.. se federal. defende que o 94 A respeito do Tribunal de Contas. 41. Marino. tanto de ordem financeira.97 Este entendimento parece não haver se adequado com os novos ditames trazidos pelo Texto Constitucional vigente. 95 A efetivação do controle legislativo dar-se-á através das Comissões Parlamentares de Inquérito. a possibilidade de participação popular também nesta forma de controle da Administração Pública. parte de uma análise mais pormenorisada das inovações trazidas pela atual Carta Magna.. Controle Jurisdicional O controle jurisdicional da Administração Pública é tema que suscita polêmica por parte da doutrina.. como também sobre aqueles de natureza operacional e que envolvam aspectos de economicidade. § 3º. 59. nos termos dos artigos 70 e 71 da Constituição. da Constituição Federal de 1988. que. pois abalaria a harmonia que se faz necessária entre os três poderes. op. através do Senado Federal e isto. estadual ou municipal. respectivamente. A corrente mais tradicional afirma ser este um instrumento que se atém à análise da legalidade do ato administrativo. principalmente os previstos em seu artigo 37. op. e PAZZAGLINI FILHO. Hely Lopes. 74. pelas Assembléias Legislativas ou pelas Câmaras de Vereadores. § 2º e 31. muitas vezes. Regina Maria Macedo Nery. caput. E aduz: “O seu poder judicante sobre as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros. Neste sentido: MEIRELLES. Valéria Oliveira Quixadá expõe que suas atribuições foram bastante ampliadas em face no novo Texto Constitucional. pelo Congresso Nacional. já que o controle indiscriminado por parte do legislativo acabaria por afetar ou mesmo inviabilizar o princípio da separação dos poderes. expressa a vontade do legislador constituinte em viabilizar um amplo controle dos atos administrativos. p.dependendo da esfera. cit. Celso Antônio Bandeira de. Márcio Fernando Elias. op. por fim. FAZZIO JÚNIOR. Ao Tribunal de Contas também é conferida a participação nesta modalidade de controle.) 95 Neste sentido MEIRELLES. 1997. Waldo. cit. op. “não podendo ser ampliado fora do âmbito constitucional”.94 Mencionado controle. 96 97 FERRARI. da convocação de autoridades para prestarem informações. op. bens e valores públicos da administração direta e indireta. p. da participação na realização do exercício da função administrativa do Executivo pela aprovação ou autorização para atuar. incide sobre atos. cit. cit. Hely Lopes. cit. § 2º. A corrente que se entende ser mais acertada. Valéria Oliveira. cit. Maria Sylvia Za nella. em diversos momentos. b. p. orçamentária e patrimonial. do julgamento das contas do Chefe do Executivo. ROSA. Defende esta última autora ser esta modalidade de controle uma exceção ao princípio da separação dos poderes. Desta forma. p.96 Insta assinalar. Tal amplitude demonstra que a fiscalização exercida agora pelas Cortes de Contas Brasileiras tende à formação de um juízo sobre fatores de legitimidade fora.. no entanto. de considerações meramente legais. cit. ao revés. conferida através dos artigos 58.. a fim de exigir a sua adequação com os princípios constitucionais. não se dará de maneira ilimitada: o Poder Legislativo há que obedecer às delimitações impostas constitucionalmente. 605 e DI PIETRO. também em relação ao crimes de responsabilidade cometidos pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal. do processo e julgamento do Presidente e Vice Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os dos Ministros de Estado nos crimes conexos com aqueles. op. op. como órgão auxiliador do Poder Legislativo.. . (QUIXADÁ. 488. MELLO.

In: XIX Congresso Nacional dos Procuradores de Estado – Teses. 98 Defendendo a ampla abrangência do controle da Administração Pública em face da Constituição Federal é que assevera José Augusto Delgado: “A Constituição. em todos os atributos do ato administrativo”. conclui-se por vislumbrá-lo enquanto elemento indispensável aos administrados. no entanto. . 101 STEPHANO. posto que necessita. não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida. Cármen Lúcia Antunes Rocha. o mandado de injunção. Valéria Oliveira Quixadá. 99 DELGADO. que a Constituição Federal de 1988. ampliou a esfera de atuação do Poder Judiciário. 273-320. O amplo controle da atividade administrativa se exerce. o mandado de segurança (individual e coletivo). FIGUEIREDO. p. tão-somente. cuja proteção é sua característica essencial” 101. este 98 Fazem parte desta corrente José Augusto Delgado. cabe ressaltar. op. José Augusto. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho. sujeitando a Administração Pública à revisão jurisdicional sempre que se observar um ato administrativo que fuja aos padrões a que deva estar conformado. na atualidade. Toshio Mukai. Controle da Administração Pública: Legalidade. p. “foi aperfeiçoada e ampliada a garantia dos direitos dos administrados. Destaque-se. é tema que será abordado posteriormente. tratar-se-á apenas. entre outros constantes do Texto Constitucional. 3. podendo consistir. XXXV. igualmente. O Controle da Moralidade Administrativa em face da Constituição O controle da moralidade administrativa é assunto que muitos doutrinadores persistem em evitar. Nesse passo. Sílvia Pucú de. cit.controle jurisdicional dos atos administrativos tem um espectro muito mais abrangente e que portanto não se exaure no exame da legalidade administrativa. que o ato controlado não precisa ter configurado uma lesão de direito. São eles. a ação popular. 216.(o grifo é nosso)99 O controle da moralidade administrativa. No momento. a ação civil pública.2. 5º. Entende-se. Demócrito Ramos Reinaldo. Mauricio Antonio Ribeiro Lopes. ao prever. pois adentra em um terreno bastante arenoso da esfera do Direito Administrativo. já que. etc. levando em consideração que o controle jurisdicional não se faz voluntariamente. fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. o habeas data. Lúcia Valle. como também. 242-246.. p. de algum tipo de provocação por parte do interessado. 100 Cf. Manaus: out. Edson Aguiar de Vasconcelos. atingindo. 1993. 1993. que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. mera ameaça. 305. através dele.. que apesar da complexidade conferida ao tema. preliminarmente. em seu art. op. outrossim. sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública. 100 Assim. de tecer alguns apontamentos básicos acerca do controle jurisdicional da Administração Pública. p. Lúcia Valle Figueiredo. não só pelos administrados diretamente. obrigatoriamente. cit. No sentido de possibilitar a concretização do controle jurisdicional é que a Constituição Federal elenca diversos instrumentos. no entanto. assim. pelo Poder Judiciário. o exame da moralidade.

17. Valéria Oliveira. a Constituição de 1988. p. até então. Ruptura de obstáculo para que os valores éticos e morais da atividade administrativa quedassem distante desses controles”. p. Corroborando este entendimento é que Maurício Antonio Ribeiro Lopes. tornou-se evidente a intenção do legislador constituinte em torná-la elemento inafastável de qualquer atuação administrativa e. ao tratar do controle da Administração. 104 Cf. cit. cit. a legislativa e a judiciária. já que nesta modalidade de controle é pacífico que a análise do mérito do ato administrativo pode ser realizada. (FIGUEIREDO. cit. a sua violação requer a utilização dos meios de controle oferecidos constitucionalmente. Lúcia Valle.. sempre que agentes públicos ou mesmo administrados vislumbrarem. sem que se possa precisar o conceito e controlá-la pelas formas concebidas pela Lei das Leis”. 488. Maurício Antonio Ribeiro.. portanto. e que. Márcio Fernando Elias.) a moralidade não é mais – como se pretendia antigamente – expressão fugidia. e. na atividade administrativa. 61. Como já visto anteriormente.possui indubitável relevância. ao fazer referência ao disposto no artigo 37. ressalte-se que do momento em que a atual Carta Magna alçou a moralidade administrativa à categoria autônoma de princípio constitucional da Administração Pública. Na esfera administrativa. já que a submissão da Administração Pública a este princípio é indubitável. a presença de qualquer irregularidade que constitua ofensa ao princípio da moralidade insculpido no artigo 37 da Carta Magna. que trouxe inovações acerca do assunto. principalmente com o advento da Constituição Federal de 1988.. cit. 105 Aliás. o controle da moralidade não suscita maiores problemas. 52. cit. op. PAZZAGLINI FILHO. .. p. A partir da análise de alguns dispositivos constitucionais. op. Assim. FAZZIO JÚNIOR.) 103 LOPES. quais sejam a administrativa. passível de ser controlada amplamente. deverão fazer valer os mecanismos que lhes são colocados à disposição para a realização do controle interno da Administração Pública. ROSA.. esta última maior fonte de polemização. o controle realizado também abrange a análise do mérito do ato administrativo.104 No âmbito do Poder Legislativo. não há como negar que a moralidade administrativa pode e deve ser analisada nas três esferas de controle da Administração Pública abordadas anteriormente. p. QUIXADÁ. caput da Constituição.. p. não há como negar que a grande maioria das hipóteses elencadas pela Constituição para a realização deste controle invadem a esfera da moralidade 102 Neste sentido.. DI PIETRO. 102 Aliás. necessita de uma ampla abordagem por parte da doutrina pátria. conferiu aos três poderes do Estado mecanismos que possibilitam um amplo controle da atividade administrativa. vê-se que este controle inclui a moralidade administrativa. tece os seguintes apontamentos: “Essa disposição constitucional não pode deixar de ser vista como um dado relevantíssimo para ruptura de uma tradição malsã de uma legislação extremamente conveniente aos administradores e imprestável sob a ótica do controle social e judiciário permitidos que tinha vigência. Marino. op. 105 Cf. conseqüentemente. op. Waldo. Lúcia Valle Figueiredo reforça este entendimento expondo que “(. inclusive no âmbito judicial. op.103 Feitas estas considerações preliminares. Maria Sylvia Zanella. 57.

no momento. a fim de que o resultado obtido em determinada apuração não se exaura nela. mas que. Discricionariedade Administrativa na Constituição de 1988. . por revelar-se objeto de maiores divergências.3. 116. 1993. Quanto ao controle legislativo com auxílio do Tribunal de Contas. esta se faz possível através do teor da atual Carta Magna. a efetiva utilização dos meios de controle oferecidos constitucionalmente.107 Desta forma. por conseguinte. se e quando se comprovar que a estrutura vigente ou os procedimentos admitidos propiciam. Após ressaltado a possibilidade do amplo controle da moralidade administrativa. ao controle jurisdicional da moralidade administrativa. Em relação. merecedora de credibilidade. Cármen Lúcia Antunes. 1991. principalmente aos seus administrados. dos crimes de responsabilidade (art. ao contrário. torna-se indispensável assinalar a importância da existência cada vez maior do controle da moralidade administrativa para que esta aproximação não seja mera utopia. insta lembrar que cabe. por fim. já que analisando o caráter de observância obrigatória do princípio. no 106 Cf. práticas corruptas”. basicamente. José Augusto. por conseqüência. op. op... p. por exemplo. mas. 49. será explicitado mais demoradamente em tópico a seguir apresentado. 209. São Paulo: Atlas. extrai-se destes ensinamentos que o controle da moralidade administrativa é o meio mais eficaz colocado à disposição dos cidadãos brasileiros para que a Administração Pública revele-se de uma vez por todas. 106 Este assunto. a presença da moralidade administrativa também é indubitável. possa traduzir. e efetivamente venha traduzir. porém.administrativa. 52. o exame da moralidade administrativa. ou não impedem. p. só para citar alguns. cit. sem sombra de dúvida. p. Observa-se. como deveriam. A fim de destacar esta importância é que aponta Cármen Lúcia Antunes Rocha: “(. I e II) e da fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo(art. compatibilize a sua atuação com as “finalidades que a sociedade exige que sejam cumpridas pelo Estado”. e que.. para que se observe a concretização da moralidade administrativa e. 108 DELGADO. à Administração Pública e. 215. DI PIETRO.. ou facilitam. que a Administração Pública esteja atenta e aberta a se repensar continuadamente. pode-se concluir que o ato administrativo que violá-lo será inválido tal qual o ato administrativo ilegal e. Tutela Jurisdicional da Moralidade Administrativa Acerca do assunto. como é o caso. aqueles agentes públicos que malversarem a coisa pública. será este ato passível de apreciação pelo Poder Judiciário para a decretação de sua invalidade.108 3. manifestam-se divergentemente os autores. mudança de organização e de comportamentos públicos em seu seio. Maria Sylvia Zanella. X).) o controle impõe não apenas desfazimento de efeitos de atos contrários ao princípio da moralidade administrativa. Nesta linha de raciocínio. o que alcança . cit. especialmente. já que este controle atingirá. 107 ROCHA. a aproximação do atuar administrativo com os anseios da população brasileira.

entanto... Hely Lopes Meirelles aduz que o controle jurisdicional da Administração Pública “é um controle a posteriori. 131. assenta Amandino Teixeira Nunes Júnior que “os critérios de moralidade administrativa se incluem no conceito amplo de legalidade. As justificativas para a admissão ou não de mencionado controle são as mais diversas. Maria Sylvia Zanella Di Pietro expõe que “não há invasão de mérito quando o Judiciário aprecia os motivos. Oswaldo Othon de Pontes. por seu turno. O primeiro entendimento admite o controle da moralidade sob a justificativa de que esta estaria inserida dentro do elemento legalidade e. Sob este prisma.113 109 110 MEIRELLES. p. p.. 112 Coloca Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho que “em nome do princípio da moralidade administrativa. tão-somente. por fim. José Augusto. p. o último entendimento. 111 DI PIETRO. (. Maria Sylvia Zanella. há de cumprir a sua missão de modo que. por restrito à verificação da conformidade do ato com a norma legal que o rege”. cit. 1994. 493. cit. a conveniência e a oportunidade da prática do ato se inserem nas condições de sua legalidade”. NUNES JÚNIOR.. a qual difere da ilegalidade por desvio ou abuso do poder.. no exame do mérito do atuar administrativo. Representante deste entendimento. op.111 E..) 113 DELGADO. Hely Lopes.)Neste sentido. urge mencionar três entendimentos distintos. simplesmente omitem-se no tratamento do assunto. não obstante penetrando no fundo de todos os atos administrativos. o faça de tal forma que o princípio da independência e da harmonia dos poderes seja respeitado. cit. prestigiando-se as competências e atribuições legais de cada um”. cit. José Augusto Delgado preleciona que “(. 610. Os autores que não admitem o controle jurisdicional da moralidade administrativa. duas grandes correntes: há os autores que admitem o controle por parte do Poder Judiciário e há os que negam com veemência esta possibilidade. unicamente de legalidade. a seguir abordados. op. p. cit. e que ora filia-se o presente trabalho. defende a tese de que o controle da moralidade administrativa não só é possível como também consiste na exceção conferida ao Poder Judiciário de examinar o mérito do ato administrativo. excepcionalmente.. fitam-se na justificativa da vedação imposta ao Poder Judiciário de analisar o mérito do ato administrativo. 1993.112 Ao tecer considerações acerca desta incumbência do Poder Judiciário. op. . Amandino Teixeira.109 Dentre os que admitem o controle da moralidade administrativa. consistiria. Defensora desta corrente. os fatos que precedem a elaboração do ato”.110 O segundo entendimento a ser destacado admite o controle da moralidade administrativa. (SARAIVA FILHO.)encontrando-se o Poder Judiciário consciente de sua novas responsabilidades a respeito do exercício do controle dos atos administrativos. tem competência para anular o mérito do ato administrativo quando a valoração dos motivos e a escolha do objeto do ato mostrem-se notória e iniludivelmente ineficientes e contrárias à moral interna da entidade em relação à outras hipóteses que o senso comum da sociedade teria adotado. op. o Poder Judiciário. propriamente. p. pelo que se faz necessário a explicitação de algumas delas.. Outros autores. ou seja. no controle da legalidade do ato administrativo. portanto. op. 217. 223.. por este não consistir.

insuficiente. como destacado ao longo do presente trabalho. não terão os tribunais. será ele passível de controle por parte do Poder Judiciário. Este é o termo empregado por José Augusto Delgado. aduz Diogo de Figueiredo Moreira Neto. A Carta Constitucional ampliou sobremaneira o campo de atuação do poder judicante na defesa do princípio. eivados do vício da imoralidade. desproporcional.116 Em suma. o titular do poder jurisdicional possui competência para anular atos administrativos. cit. Dentro da ótica constitucional. incompatível ou inadequado ou ainda com objeto desconforme. Valéria Oliveira. impossível ou ineficiente117. Ele é fruto não apenas de construção doutrinária. José Augusto. senão a alternativa de apreciar o elemento subjetivo. p. p.. o abuso ou desvio de poder sob o escudo da discricionariedade e da não obrigação de motivar’. Apesar de ainda ser repudiada por parte da doutrina mais tradicional. desde que. vem ganhando força desde a promulgação da atual Constituição.) 116 QUIXADÁ. assinala Valéria Oliveira Quixadá: “O amplo espectro conferido pela Lei maior ao controle jurisdicional da moralidade administrativa indubitavelmente consiste em verdadeira conquista do Estado Democrático de Direito. 30. haurido de objeto ou motivo inidôneos. De acordo com o autor. Neste sentido. na atual conjuntura brasileira. que ultrapassa o conceito de bem administrar”. 214. não só nos aspectos de adequação à ordem jurídica. a partir das inovações por ela trazidas. op. Sob a influência deste último entendimento. a emissão de juízo acerca da constitucionalidade do ato praticado pela administração em face da observância ou não do princípio da moralidade administrativa. citando Nagib Slaibi Filho: “ Com a nova Constituição. o interesse público. “A extensão do princípio da moralidade administrativa conduz ao entendimento de que a administração pública tem o dever de melhor administrar. mas também no que diz respeito aos fins e motivos da atuação do administrador”. mesmo discricionários. ou venham a contrariar o interesse público”. faculta-se ao magistrado. cit. qual seja. op. não alcancem os fins específicos aos quais se destinavam por força normativa.114 Assim. cit. sempre que se observar a existência de ato administrativo com motivo inexistente. Diogo de Figueiredo. já que.. em casos concretos que lhes forem submetidos. introduzindo o requisito de moralidade como essencial aos atos de Administração Pública. 117 Ver item 2. mas. 114 115 MOREIRA NETO. Desta forma. p. visando apurar se há boa administração da coisa pública. especialmente.Tal corrente. de exigência constitucional. op. houve um fomento ao estudo da matéria e o conseqüente amadurecimento no tratamento da moralidade administrativa. possibilitando a este perquirir ‘avaliar e julgar o mérito do ato administrativo.. 58. A par deste reconhecimento. compete ao Judiciário anular o ato administrativo sempre que este distanciar-se dos preceitos a que está subordinado ou fundar-se em motivo ou objeto incompatível com o fim visado pela atividade administrativa. (DELGADO. mas o que se faz necessário no alcance “melhor administrar” 115. 1993.3 supra. apresenta-se como a mais condizente com o Texto Constitucional vigente. tem-se que. também. a possibilidade do amplo controle da moralidade administrativa é o entendimento não apenas mais coerente. .

1. p. São Paulo.4. 120 3. No entendimento de José Augusto Delgado. de natureza constitucional ou não. sob a ótica do “bom administrador”. cit. DELGADO. jul. que na seara da concretização do princípio constitucional da moralidade administrativa. da lavra do Desembargador Cardoso Rolim. ações civis públicas que redundem em efetivo controle dos atos administrativos quando fugirem dos princípios a que estão sujeitos. José Castro. “Recebeu (.. 121 Cf.. de promover perante o Judiciário. 202. 120 Cf. Acredita o autor que “o Poder Judiciário. José Augusto. Para o Ministério Público reserva-se o dever de uma atuação digna e constante no intuito de representar a coletividade na tutela da moralidade administrativa através da ação civil pública. necessita de uma atuação conjunta por parte dos administrados.. op. a Constituição conferiu ao primeiro o direito de ingressar com a ação popular que vise especificamente a tutela da moralidade administrativa. em sede de qualquer ação. MEIRA. v. MUKAI. n. conclui-se que o controle da moralidade administrativa../set. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. desta forma. p. A Moralidade Administrativa e a Jurisprudência Mesmo antes da elevação da moralidade administrativa à categoria de princípio constitucional. a ativa atuação do administrado e do Ministério Público revela-se indispensável. que se pronunciou pioneiramente em acórdão. ingressar em juízo. que se tornou clássico 121: 118 119 LOPES. p. 211-215. p. este teve sua atuação ampliada através da Constituição de 1988. Da Aplicabilidade do Princípio da Moralidade Administrativa e do seu Controle Jurisdicional.119 Destarte. na medida em que se compreenda a extensão de todo o poder que lhe foi outorgado como sujeito ativo. cit. p. fazendo uso dos instrumentos constitucionais e processuais cabíveis.118 Cumpre lembrar. Maurício Antonio. do Ministério Público e do Poder Judiciário. 215.) essa instituição um grande desafio. 1993. É o caso do Tribunal de Justiça de São Paulo. anular os atos que entender viciados. sempre que desejar coibir atos administrativos imorais. resta a obrigação de não se ausentar da incumbência de analisar a moralidade dos atos administrativos e.Maurício Antonio Ribeiro Lopes preleciona que a competência do Poder Judiciário vai mais além.. Sob este prisma. . Quanto ao Judiciário. Já em relação ao Ministério Público. 4. 1993. os tribunais pátrios já haviam se manifestado a respeito da moralidade administrativa. por fim. para se concretizar. 74. op. especialmente o da moralidade”. op. 222-223. em nome de uma coletividade heterogênea. cit. pode ingressar no exame da moralidade administrativa para salvaguarda dos interesses individuais e sociais postos ao abrigo do pedido”. Ao administrado fica a incumbência de exercer efetivamente a sua cidadania e. T oshio.

ATO IMOTIVADO. revelou-se tarefa difícil encontrar o termo moralidade administrativa em alguma ementa. nota-se. apesar de tantos desmandos sofridos por parte da Administração Pública. 28. ibidem. a atual Carta Magna alçou a moralidade administrativa à categoria de princípio constitucional da Administração Pública. a moralidade administrativa não se apresenta como elemento realmente relevante ou justificador da decisão. de 22 de abril de 1998. evidenciando a falta de amadurecimento acerca da matéria. portanto.“O controle jurisdicional se restringe ao exame da legalidade do ato administrativo. 126 O texto integral do acórdão mencionado consta do Anexo III. 123 Assim. existindo. ob.001873-0. Não obstante as inovações trazidas pelo Texto Constitucional. a sua efetivação. fazendo parte dos provimentos jurisdicionais como mero elemento influenciador da decisão. o ato punitivo da autoridade. e dificultando. conseqüentemente. cit. já que faz referência a ela enquanto elemento inserido na própria legalidade administrativa. mas por legalidade ou legitimidade se entende não só a conformação do ato com a lei. . INVALIDAÇÃO. Ao comentar mencionado julgado. nitidamente positivista de categorias éticas”. no entanto. paralela e independentemente da legalidade administrativa. irremediavelmente. 126. em face da atual Constituição e das inovações por ela trazidas. que a moralidade administrativa dificilmente integra o conteúdo central dos julgados. 77-79. Ao revés. que o tratamento dispensado à moralidade administrativa restringe seu real conteúdo. . vislumbra-se que os julgadores continuam temerosos ao permitir o controle judicial da moralidade administrativa. Na maior parte dos acórdãos. tem observância obrigatória e aplicação autônoma. nota-se que a admissão do controle judicial da moralidade dos atos administrativos ainda não se configura em prática muito freqüente dos Tribunais brasileiros. MOREIRA NETO. numa propositada confusão. 123 Cf. REMESSA DESPROVIDA. a partir do estudo de alguns pronunciamentos.. demonstra-se indubitavelmente ultrapassado. cit. atualmente. p. Da análise de acórdãos proferidos entre os meses de setembro de 1997 e dezembro de 1998 125. a jurisprudência brasileira vem caminhando lentamente na abordagem da moralidade administrativa. maculando. p. 122 Cf. na atual conjuntura brasileira. ATO ADMINISTRATIVO PUNITIVO. AUSÊNCIA DE SINDICÂNCIA E AMPLA DEFESA. Como exemplo. Por conseqüência. Mauricio Antonio Ribeiro. Diogo de Figueiredo. como também com a moral administrativa e com o interesse coletivo”. o autor ressalta que o mesmo “identificou a moralidade não só com a legalidade mas com a ilegitimidade. já que a moralidade administrativa vem constando como mero “componente secundário” de grande parte de seus acórdãos. op. Relação dos Acórdãos analisados no Anexo II. enquanto tal. 124 Idem. LOPES.. 124 O Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina tem comprovado esta tendência. 125 Acórdãos pesquisados sob o argumento “moralidade administrativa”. .122 Extrai-se deste julgado. Como já ressaltado anteriormente. A falta de sindicância impede que se assegure ao acusado o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. entendimento que.. e. cujos trechos a seguir se transcreve: “APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. cita-se o acórdão nº 98.

ainda.001873-0.PRESIDENTE PARA O ACÓRDÃO Silveira Lenzi . que. contudo. não conferindo à impetrante. 127 BRASIL. Não há ofensa ao princípio da legalidade e ao ato jurídico perfeito quando o Tribunal de Contas. em decisão colegiada. cit. da lavra do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.. o que resta por macular.br. Apelação Cível nº 98. A prática de qualquer ato administrativo. A defesa da moralidade administrativa pode ser efetuada via qualquer forma legislativa ou até mesmo sem norma expressa. que era a instauração de sindicância para averiguar a falta funcional da espécie.127 Há que ser afirmado. 128 É o caso das ementas a seguir citadas. sob pena de ser inválido. Cumpre notar. QUIXADÁ.) Descumpriu-se.Há flagrante ilegalidade no ato punitivo de suspensão de servidor quando apenas constar os artigos da Lei Municipal que se entende afrontado. indubitavelmente.) Observa-se – principalmente pelos termos das informações – que não houve instauração de qualquer procedimento administrativo com o fim de apurar ocorrência de falta funcional. vêm se revelando indispensáveis para o enriquecimento do estudo da moralidade administrativa e a sedimentação de sua real importância e alcance. Beatriz Zeczkowski e Prefeito Municipal de Santa Terezinha.) Florianópolis. Relator: Desembargador Silveira Lenzi. modernamente. (o grifo na expressão moralidade administrativa é nosso) 128 Cf. 2. as razões pelas quais determinou a conclusão assumida.gov.. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. tornando possível a impugnação direta. que permitam apurar a probidade e a transparência de sua atividade administrativa.. sem. (. (. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. conseqüentemente. quer da administração indireta. Tal dever é corolário do princípio da moralidade administrativa que permeia. ao exigir a fundamentação dos seus atos. a contribuição de certos julgados. para que a parte possa analisar o conteúdo de sua fundamentação e preparar o recurso cabível. oportunidade de defesa. portanto. . que se assegurasse à impetrante o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. impede que sociedade de economia .. quanto a sua parte vinculada.RELATOR”. conseqüentemente. Apelação cível em mandado de segurança. Endereço eletrônico: http:// www. O acórdão deve expressar. que todo ato administrativo – com apenas exceções legais – deve ser obrigatoriamente motivado. toda a Administração Pública. ou tampouco a apuração de sua efetiva ocorrência. no entanto. quer da administração direta. mormente quando impositivo de penalidade. respectivamente: “PROCESSUAL CIVIL. A falta de sindicância impediu... p. requisito de operacionalidade. (. 4.tj. não terá apoio do ordenamento jurídico se não se apresentar rigorosamente vinculado ao princípio da moralidade. 58. 22 de abril de 1998.. o ato punitivo da autoridade. de forma explícita. 3. Valéria Oliveira. Eder Graf . frente a motivação apresentada. 22 de abril de 1998. É dever do administrador. regra particular de legalidade do ato administrativo impugnado. OMISSÃO. op. irremediavelmente.sc. 1.

Logo. pelo que se faz necessário a mobilização de todos os juristas. Diário de Justiça. Saliente-se. Relator: Ministro José Delgado. C. 02257. do Vice-Prefeito e dos Vereadores será fixada pela Câmara Municipal em cada legislatura para a subseqüente. 01873-11. p. .F.” 130 Assim..F. não conhecido. em especial dos magistrados brasileiros. 13/06/1997. Embargos de declaração acolhidos”. C. a fim de impor limites aos agentes administrativos. que constitui patrimônio moral da sociedade. III. urge ressaltá-las no presente momento. V.F. art. 25 de março de 1997. nesta árdua tarefa. que transcende em várias oportunidades a esfera jurídica.Ação popular julgada procedente. . C. que apesar das dificuldades advindas com o estudo do tema. 17/08/1998. com o advento da Constituição Federal de 1988 e as profundas inovações trazidas em seu bojo acerca da matéria. Preliminarmente. art. PATRIMÔNIO MATERIAL DO PODER PÚBLICO. p. 29. art. por sua vez. AÇÃO POPULAR. longe de negar a importância destes pronunciamentos. só se dará através de uma longa construção jurisprudencial e doutrinária do tema. vale dizer. Brasília. tornou-se possível apreender que a complexidade conferida ao tema é inegável. Vereadores da Câmara Municipal de Conselheiros Lafaiete e outros e Diarlhes Pider Benjamin e outros. como à moralidade administrativa. Superior Tribunal de Justiça. II. . a moralidade administrativa foi elevada à categoria de 129 BRASIL. Supremo Tribunal Federal.. Fixando os Vereadores a sua própria remuneração. I. adquirindo contornos diversos. LXXIII.mista assuma encargos financeiros de pessoa jurídica de direito privado que rege interesses particulares. v. deve-se ressaltar a necessidade de uma maior abordagem ao tema. VEREADORES: REMUNERAÇÃO: FIXAÇÃO: LEGISLATURA SUBSEQÜENTE. como demonstrado. bem como sua amplitude. 6. pratica ato inconstitucional lesivo não só ao patrimônio material do Poder Público.R. 5º. já que. há que se destacar que as considerações a seguir apontadas pressupõem que. MORALIDADE ADMINISTRATIVA: LESÃO.129 “CONSTITUCIONAL. 5º. art. RE-206889/MG. Embargos de Declaração no Recurso em Mandado de Segurança. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após esta breve incursão na seara da moralidade administrativa. LXXIII. seu controle precisa ser efetivado. ao longo da elaboração deste trabalho algumas conclusões puderam ser trazidas à lume. Brasília. 5. 15 de maio de 1998. Diário de Justiça.E. . Não é lícito que o Banco de Brasília pague as despesas administrativas de pessoal da empresa Regius S/C de Previdência Privada. para que a moralidade administrativa se concretize. fixando essa remuneração para viger na própria legislatura. V. no entanto.. Recurso Extraordinário em Ação Popular. 00022. 130 BRASIL. 29. A efetivação deste controle.A remuneração do Prefeito. EDROMS nº 6234.

portanto. poderá advir do Poder Legislativo ou Judiciário. insta salientar que foi com o desejo de vislumbrar a real aplicação deste princípio na atividade da Administração Pública que a Constituição Federal lançou. que consiste igualmente em princípio constitucional elencado no artigo 37. ao definir a moralidade da maneira que o fez. seja no âmbito interno da Administração Pública ou recorrendo à esfera judicial. tem seu conteúdo inserido na própria noção de moralidade. tendo em vista a autonomia que lhe foi conferida constitucionalmente. é fator relevante quando se adentra no âmbito da efetividade de referido preceito constitucional. alçando-o a um dos mais altos níveis da hierarquia normativa brasileira. embaraçando até mesmo a existência da moralidade administrativa. Em relação ao primeiro elemento. sendo decorrência direta desta. já que o reconhecimento da real amplitude deste princípio. Neste passo. a moralidade reserva indiscutível independência. o que suscitou repercussões. do Texto Constitucional. outrossim. Aliás. uma ampliação em sua esfera. apesar de essencial à atividade administrativa. a fim de que ele sofra uma maior explicitação. recebendo portanto. percebe-se que a moralidade merece estudo destacado dos demais institutos. qual seja o jurisdicional. Atendo-se a esta linha de raciocínio é que se percebe que tornou-se imprescindível na atualidade a existência de estudos cada vez mais freqüentes e pormenorizados do tema. Justifica-se esta assertiva a partir do entendimento de que a legalidade. que pioneiramente juridicizou o seu conteúdo. com a promulgação da atual Carta Magna. já que cabe ao cidadão provocá-lo. acompanhado da moralidade. devendo existir. constata-se que a partir da utilização destes instrumentos constitucionais. Assim. não é suficiente para a configuração de sua validade. Desta forma. Adentrando no aspecto mais controvertido do controle da moralidade administrativa. uma dimensão mais restrita. Estas resistências sofridas vêm se revelando como verdadeiros obstáculos. observa-se que este vem se esbarrando em entendimentos que não o admitem. o alcance da moralidade ganhou proporções que ainda recebe certo receio por parte da doutrina. a participação dos administrados neste controle é possível. caput. ansiava por sua concretização sem qualquer tipo de obstrução. e possuindo. que temendo reconhecê-la acaba por destinar-lhe limites descabidos em face do Texto Constitucional. independente da modalidade. A probidade. por sua vez. Segundo os ditames da Carta Magna. Revela-se de suma importância que se perceba um amadurecimento doutrinário e a conseqüente sedimentação dos objetivos insculpidos pela Constituição. já que não resta dúvida que o legislador constituinte. Quando externo. a importância conferida pela Constituição à participação popular.princípio constitucional inerente à Administração Pública. tem-se que o conteúdo da moralidade administrativa não pode ser confundido ou vinculado à legalidade ou à probidade. em inúmeros de seus dispositivos. mecanismos que tornam possível o controle dos atos administrativos que tragam vícios quanto a sua moralidade. Este controle poderá ser interno ou externo. por consegüinte. Ressalte-se. o controle da moralidade administrativa pode ser amplamente realizado. numa visível afronta às exigências contidas na Carta . Sob este prisma.

O Princípio da Moralidade no Direito Público. deve o magistrado adentrar até mesmo no mérito da atividade administrativa sub judice. que o anseio pela moralidade na Administração Pública não se configure em mera utopia./mar. em especial o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. em especial àqueles que sofrem desmandos por parte da Administração Pública e àqueles outorgados de competência para o julgamento de tais desmandos. da observância pura e simples de tal preceito é que será possível vislumbrar a concretização de tal princípio. no sentido de que é coibindo a imoralidade na atividade administrativa. 1. Celso Ribeiro. Sob a perspectiva constitucional. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. ainda. p. encontra-se em consonância com os elementos motivo e objeto do ato administrativo. Assim. 1997. notase que os pronunciamentos que fazem referência à matéria são cada vez mais freqüentes. São Paulo. BARROSO. O Princípio da Moralidade Administrativa. BRANDÃO. finalmente. São Paulo. que conferiu ao magistrado. que revelam caminhar lentamente ao discorrer sobre a moralidade administrativa. Antônio. jan. nem sempre conferindo-lhe a importância a que faz jus. Boletim de Direito Administrativo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. São Paulo. Joaquim Antônio Castro. a fim de examiná-la profundamente e perceber se a conduta é condizente com o fim colimado pela Administração Pública e. vêm adequando suas decisões aos anseios do legislador constituinte. 22. têm lhe debitado ínfima credibilidade. mas sobretudo o dever de analisar e. É imprescindível que se dê mais ênfase à moralidade administrativa. se esta finalidade. se for o caso. controlar o ato administrativo sob a eiva da imoralidade. jan. 1. não há como negar que os Tribunais brasileiros./mar. 168-185. p. Revista Trimestral de Direito Público. p. E só a partir da efetiva concretização da moralidade administrativa é que se tornará viável a aproximação da Administração com seus administrados. 146-148. há que se perceber uma maior conscientização por parte dos mais variados setores da sociedade brasileira. v. na atual conjuntura brasileira. v. p. v.de 1988. Afora esta observação. Moralidade Administrativa. 1998. Por fim. n. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas. 1993. não apenas o poder. fruto de um idealismo exacerbado. ainda que alcançada. . Demonstração disto pode ser obtida a partir da análise de alguns fragmentos da jurisprudência pátria. Luís Roberto. que. Espera-se. Princípios Constitucionais Brasileiros. porém não são suficientes. abr. 19. 44-54. também. Não obstante a previsão de vários mecanismos de controle da moralidade por parte do Poder Judiciário. seja através do controle dos atos administrativos ou. uma fração de magistrados brasileiros vêm se demonstrando um tanto reticentes na aplicação da matéria. BASTOS. seja através de sua prevenção. mesmo que por vezes timidamente./jun.

v. Apelação Cível nº 98. Emprego ou Função na Administração Publica Direta. de 02 de junho de 1992. Brasília. ————. 30. 117. Indireta ou Fundacional e da outras Providências. 21. Apelação cível em mandado de segurança. 25 de março de 1997. 2 v. BRASIL. São Paulo. São Paulo./mar. 219-233. 3 jun. atual. 1. mar. n. São Paulo. CARNEIRO. 419-428. 1993.429. 1992. EDROMS nº 6234. 208-223. Princípio da moralidade administrativa e a Constituição Federal de 1988. p. 22 de abril de 1998. Ruy de Jesus Marçal.001873-0. p. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 1946. Embargos de Declaração no Recurso em Mandado de Segurança. n. BRASIL. Diário Oficial [ da República Federativa do Brasil]. Subsecretaria de Edições Técnicas. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Dispõe sobre as Sanções Aplicáveis aos Agentes Públicos nos Casos de Enriquecimento Ilícito no Exercício de Mandato.62-72. 34-44. 15 de maio de 1998. Supremo Tribunal Federal. RE206889/MG. 1937. Superior Tribunal de Justiça. Constituição da República Federativa do Brasil: quadro comparativo. Sueli Gandolfi.tj. Revista dos Tribunais. BRASIL. p. BRASIL. n. fev. 1. Revista Trimestral de Direito Público. São Paulo: Saraiva.br./dez. 1891. 00022. 1991. Diário de Justiça. Cargo. Brasília: Senado Federal. A supremacia dos princípios informativos do direito administrativo: interpretação e aplicação. v. Ação Popular: um direito-dever do cidadão e a moralidade administrativa. 01873-11. 83. 1996. e 1967 e suas alterações. CARLIN. Brasília. Beatriz Zeczkowski e Prefeito Municipal de Santa Terezinha. 1994. n. Revista de Informação Legislativa. v. 1996. p. Brasília: Senado Federal. DELGADO. ampl./mar. Volnei Ivo Carlin. Florianópolis: Obra Jurídica. Relator: Desembargador Silveira Lenzi. Constituições do Brasil: de 1824. BRASIL. jan. Vereadores da Câmara Municipal de Conselheiros Lafaiete e outros e Diarlhes Pider Benjamin e outros. 1986.sc. p. 13/06/1997. 02257. Endereço eletrônico: http:// www. Brasília. Lei nº 8. Deontologia Jurídica – Ética e Justiça. v. out. Diário de Justiça. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Subsecretaria de Edições Técnicas. BRASIL. ed. 701. José Augusto. Relator: Ministro José Delgado. Brasília. DÁLLARI. 17/08/1998. A Ética Sanitária na Constituição Brasileira.gov. 180 p. 1999. 13. Recurso Extraordinário em Ação Popular. BRASIL. 1993. jan. 704 p. 1995. .

2. FERNANDES. 439 p. a. 4. O Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa. ed. ed. 1993. Rio de Janeiro. 1995. v. 2. abr. ed. 13-20. ver. José de Castro. v. Flávio Satiro. p. p. Improbidade Administrativa. Lúcia Valle. Wallace Paiva. ed. 193-204. 733 p./dez. 5. n. São Paulo: Saraiva. Curitiba.br/doutrina20. ed. 1994. Revista de Direito Administrativo Aplicado. 22. rev. ————. ————. FIGUEIREDO.jfrn. Revista dos Tribunais. 267 p. 204. v. 65-84. Maria Sylvia Zanella. 1996. 352-365. Curitiba: Genesis. . Do princípio da probidade administrativa e de sua máxima efetivação. Manoel de Oliveira. 179 p. n. 655 p. 1997. Curso de Direito Administrativo. atual. Ética e Administração Pública. ampl. 190. ————. abr. abr. p. FRANCO SOBRINHO. Ives Gandra da Silva. n. p. ampl. 1997. 1991. MARTINS./set. Regina Macedo Nery. Do Princípio da Moralidade Administrativa. ————. 30. Curitiba. 567 p. v. Celso Antônio Bandeira de. FREITAS. 325-344. mar. 1974.htm) FERRARI. Rio de Janeiro. jul. Brasília. Controle da Moralidade Administrativa. 1. 85. 1992. 1995. MARTINS JÚNIOR. São Paulo: Atlas. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro. Revista de Direito Administrativo Aplicado. Revista de Direito Administrativo. O Princípio da Moralidade no Direito Tributário. 204. MEIRELLES. Controle da Administração Pública: um aspecto interessante. São Paulo: Malheiros. Revista de Informação Legislativa. p. Administração Pública na Constituição Federal. Revista de Direito Administrativo. MEIRA. Discricionariedade Administrativa na Constituição de 1988. 1996.gov. 1993. 180 p. out. 1995. A Moralidade Administrativa nos Atos e Contratos Administrativos. Juarez. Endereço Eletrônico: http://www. MELLO. 727. 86 p. 247-252. São Paulo: Malheiros. atual. maio 1996. Revista de Direito Administrativo. Direito Administrativo Brasileiro. 1997.DI PIETRO. São Paulo: Revista dos Tribunais. LOPES. n. São Paulo: Malheiros. Alguns meios de investigação da improbidade administrativa. Curso de Direito Administrativo. p./jun. Direito Administrativo. 1994./jun. 37-47. p. 9. Hely Lopes. Maurício Antonio. 119.

jan. 1993. Valéria Oliveira. QUIXADÁ. São Paulo: Malheiros. 1992. n. Oswaldo Othon de Pontes. n. v. Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. Rio de Janeiro. 1996. NUNES JUNIOR. 1997. FAZZIO JÚNIOR. São Paulo. 1997. São Paulo: Atlas./mar. 1995. O Princípio da Moralidade Administrativa. São Paulo. . 207-221. ed. 51-61. 3. OLIVEIRA. 127. p. SARAIVA FILHO. p. p. Márcio Fernando Elias. jul. p. São Paulo: Malheiros. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 2. jan. 1993/dez. 13. 238. O princípio da moralidade na Administração Pública e a liceidade do limite etário para acesso dos cargos públicos. Waldo. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 820 p./set. De Plácido e. Belo Horizonte: Del Rey. rev. 129-132. 49-62. 10. 875 p. 1997. 11. MUKAI./dez. 73. Cármen Lúcia Antunes. p. 1994. Rio de Janeiro. MELLO. n. 190. 1993. 1-44. v. MOREIRA NETO. SILVA. Curso de Direito Constitucional Positivo. 211-215. A discricionariedade administrativa e o controle judicial de seus Limites./dez. v. 110 p. n. Revista do Tribunal de Contas da União. 84. out./jun. Brasília. 22. Vocabulário Jurídico. jan. REINALDO. A Administração Pública na Constituição de 1988 (2ª parte). ROCHA. v. 1995. Revista de Direito Administrativo. Fernando Andrade. p. p. v. 307 p. PAZZAGLINI FILHO./set. Revista de Informação Legislativa. Princípio da Moralidade Administrativa: Autonomia. ed. n. 43-87. p. Princípios Constitucionais da Administração Pública. rev. 31. 1. 711. 1995. Revista de Direito Administrativo. p. ————. 45-50. José Afonso. Da Aplicabilidade do Princípio da Moralidade Administrativa e do seu Controle Jurisdicional.————. Arquivo Forense. ed.429/92. 2. jul. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 75. SILVA. abr./set. Pernambuco. Demócrito Ramos. out. São Paulo. 206. São Paulo. Brasília. 17-22. Marino. Discricionariedade e Controle Jurisdicional. atual. Amandino Teixeira. Rio de Janeiro: Forense. Aplicabilidade e Controle em Face da Constituição de 1988. Cláudio Ari. Improbidade Administrativa – Considerações sobre a Lei 8. v. 1995. p. ed. Diogo de Figueiredo. ROSA. O princípio da moralidade da Administração Pública. Moralidade Administrativa: do conceito à efetivação. jul. 4. n. n. 1998. Revista dos Tribunais. Toshio. 1995.

nomeação. Razoabilidade e Moralidade: princípios concretizadores do perfil constitucional do Estado Social e Democrático de Direito.LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA* LEI 8. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba. 1993. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Estão também sujeitos as penalidades desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção. Ética. 273-320. contra a administração direta. Adolfo Sanchez. 1º .Das Disposições Gerais (artigos 1 a 8) Art. mandato. Weida. de empresa incorporada ao patrimônio publico ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. servidor ou não. 1993. ————. VASCONCELOS. 186 p. ed. aquele que. do Distrito Federal. Controle da Administração Pública: Legalidade. a sanção patrimonial a repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. dos Municípios. todo aquele que exerce. Emprego ou Função na Administração Publica Direta. Instrumento de Defesa da Cidadania na Nova Ordem Constitucional: Controle da Administração Pública. mesmo não sendo * Diário Oficial [da República Federativa do Brasil] de 03 de junho de 1992. In: XIX Congresso Nacional dos Procuradores de Estado – Teses. p. fiscal ou creditício. Rio de Janeiro: Forense. Revista Trimestral de Direito Público. . Razoabilidade e Moralidade na Constituição de 1988. 1993. indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União. Edson Aguiar de. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. p.Reputa-se agente publico. para os efeitos desta Lei. de órgão publico bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. Cargo.). p.429 DE 02/06/1992 Dispõe sobre as Sanções Aplicáveis aos Agentes Públicos nos Casos de Enriquecimento Ilícito no Exercício de Mandato. CAPITULO I . 2º. . cargo. VÁZQUEZ.STEPHANO. 205-210. Art. Indireta ou Fundacional e da outras Providencias. Tradução por João Dell’Anna. 1993. Sílvia Pucú de. Parágrafo único. . In: MELLO. serão punidos na forma desta Lei. nestes casos. designação. Celso Antônio Bandeira de (org. dos Estados. limitando-se. 14. de Território. 1997. 619632. 267p. Manaus: out. São Paulo: Malheiros. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vinculo. por eleição. no que couber. beneficio ou incentivo. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. 632 p. São Paulo. ZANCANER. Art.As disposições desta Lei são aplicáveis. 02. n.Os atos de improbidade praticados por qualquer agente publico. 3º. Anexo I .

receber vantagem econômica de qualquer natureza. a titulo de comissão. direta ou indireta. do agente ou de terceiro. 5º. 1º.receber vantagem econômica de qualquer natureza. Parágrafo único. perdera o agente publico ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio. 1º. . . bem móvel ou imóvel. dolosa ou culposa.. dinheiro. desta Lei. caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Publico.No caso do enriquecimento ilícito. para facilitar a aquisição. Art.. de contrabando. 9º . Art.agente publico. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente publico. para a indisponibilidade dos bens do indiciado. V . desta Lei. percentagem. Art.perceber vantagem econômica.perceber vantagem econômica. induza ou concorra para a pratica do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. ou aceitar promessa de tal vantagem. por preço superior ao valor de mercado. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. .Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade. para facilitar a alienação. 6º. bem como o trabalho de servidores públicos. gratificação ou presente de quem tenha interesse. IV .Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio publico ou ensejar enriquecimento ilícito. . ou qualquer outra vantagem econômica. mandato. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras publicas ou qualquer outro serviço. CAPITULO II . qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. III . função. de lenocínio. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. para si ou para outrem. direta ou indireta. direta ou indireta. veículos. direta ou indireta.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito (artigo 9º) Art. 8º. .receber. 1º.. para tolerar a exploração ou a pratica de jogos de azar. Art.Ocorrendo lesão ao patrimônio publico por ação ou omissão. ou sobre quantidade. 4º.Dos Atos de Improbidade Administrativa (artigos 9º a 11) SEÇÃO I . II . emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. VI . . equipamentos ou material de qualquer natureza. 7º. maquinas.Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo. desta Lei. direto ou indireto. Art. de propriedade ou a disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. permuta ou locação de bem publico ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado.O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio publico ou se enriquecer ilicitamente esta sujeito as cominações desta Lei ate o limite do valor da herança. medida. peso. e notadamente: I . dar-se-á o integral ressarcimento do dano. impessoalidade. 1º. em obra ou serviço particular. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. A indisponibilidade a que se refere o "caput" deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano.utilizar. de narcotráfico.. moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos. direta ou indireta.

XI . por qualquer forma. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art.incorporar. bens. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis a espécie. rendas. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art.. III . durante a atividade. IV . desta Lei.doar a pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado.. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º. ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente publico. rendas. desta Lei.agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda. apropriação. SEÇÃO II . ainda que de fins educativos ou assistenciais. cargo.realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado. desvio. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art.receber vantagem econômica de qualquer natureza. por preço inferior ao de mercado. rendas. sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis a espécie. dolosa ou culposa.VII . II . desta Lei. 10 .ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido. para omitir ato de oficio. 1º.usar. direta ou indiretamente. mal baratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. . verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. que enseje perda patrimonial. 1º. bem como no que diz respeito a conservação do patrimônio publico. e notadamente: I . VI . 1º.. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. de bens. bens. 1º..permitir ou facilitar a aquisição. desta Lei. em proveito próprio.. IX . providencia ou declaração a que esteja obrigado.facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular.frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensa-lo indevidamente. X . rendas. 1º. XII .permitir ou facilitar a alienação. desta Lei. rendas. emprego ou função publica. desta Lei. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. ao seu patrimônio bens.Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário. VII .aceitar emprego. no exercício de mandato.conceder beneficio administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis a espécie.perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba publica de qualquer natureza. X . de pessoa física ou jurídica. qualquer ação ou omissão. IX . VIII . para si ou para outrem. bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional a evolução do patrimônio ou a renda do agente publico.adquirir.. desta Lei. VIII .Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário (artigo 10) Art. V ..permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. 1º.

ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. pagamento de multa civil de ate cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. de propriedade ou a disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. ato de oficio. antes da respectiva divulgação oficial.0. teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. bem como o trabalho de servidor publico. quando houver. perda da função publica. III .. esta o responsável pelo ato de improbidade sujeito as seguintes cominações: I . ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. indevidamente. XII . maquinas. 1º.na hipótese do art. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. 1º.revelar fato ou circunstancia de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. pelo prazo de cinco anos. pelo prazo de três anos. pelo prazo de dez anos. suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos. perda da função publica. ressarcimento integral do dano.permitir.liberar verba publica sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. II .deixar de prestar contas quando esteja obrigado a faze-lo. e notadamente: I .retardar ou deixar de praticar. bem ou serviço. na regra de competência. pagamento de multa civil de ate duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. direta ou indiretamente. civis e administrativas. desta Lei. empregados ou terceiros contratados por essas entidades.1. XIII . CAPITULO III . III . em obra ou serviço particular. perda da função publica. veículos.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam contra os Princípios da Administração Publica (artigo 11) Art. direta ou indiretamente.. ressarcimento integral do dano. suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos. 11 . imparcialidade. 1º. pagamento de multa civil de ate três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.XI .revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro. II . se concorrer esta circunstancia.permitir que se utilize.Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração publica qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. SEÇÃO III .. IV . se houver. legalidade. direta ou indiretamente. equipamentos ou material de qualquer natureza. ressarcimento integral do dano.praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto. V . suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos.Das Penas (artigo 12) Art. . VI . facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente. 9.Independentemente das sanções penais. previstas na legislação especifica.negar publicidade aos atos oficiais. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. VII .na hipótese do art. 12 .frustrar a licitude de concurso publico. e lealdade as instituições.na hipótese do art.

de 10/11/1993. A rejeição não impede a representação ao Ministério Publico. a bem do serviço publico. ou que a prestar falsa. § 1º. § 3º. se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1 deste artigo.A posse e o exercício de agente publico ficam condicionados a apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado. a requerimento. ações. nos termos do art. a fim de ser arquivada no Serviço de Pessoal competente. . as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento.Do Procedimento Administrativo e do Processo Judicial (artigos 14 a 18) Art. sem prejuízo de outras sanções cabíveis. abrangera os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro. Parágrafo único. em se tratando de servidor militar.Parágrafo único.Havendo fundados indícios de responsabilidade.Será punido com a pena de demissão. poderá entregar copia da declaração anual de bens apresentada a Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. .Da Declaração de Bens (artigo 13) Art.Qualquer pessoa poderá representar a autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a pratica de ato de improbidade. *Regulamentado pelo Decreto numero 978. .A representação. em se tratando de servidores federais. § 2º.O declarante. excluídos apenas os objetos e utensílios de uso domestico. cargo. conterá a qualificação do representante. o agente publico que se recusar a prestar declaração dos bens. Na fixação das penas previstas nesta Lei o juiz levara em conta a extensão do dano causado. CAPITULO IV .A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente publico deixar o exercício do mandato. para suprir a exigência contida no "caput" e no § 2º deste artigo*.Atendidos os requisitos da representação. CAPITULO V . com as necessárias atualizações. 13 . a autoridade determinara a imediata apuração dos fatos que. § 4º . assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. dinheiro. títulos. Art. a comissão representara ao Ministério Publico ou a Procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio publico.O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos artigos 822 e . 16 . 14 .112. a seu critério. moveis. . § 1º. § 2º. localizados no Pais ou no exterior. dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante. e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais. . será processada na forma prevista nos artigos 148 e 182 da Lei numero 8. emprego ou função. . semoventes. 22 desta Lei. em despacho fundamentado. 15 . dentro do prazo determinado.A autoridade administrativa rejeitara a representação. § 1º. quando for o caso. . Art. O Ministério Publico ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá. que será escrita ou reduzida a termo e assinada. de 11 de dezembro de 1990 e. § 3º.A declaração compreendera imóveis. e.A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Publico e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a pratica de ato de improbidade. de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares. designar representante para acompanhar o procedimento administrativo.

825 do Código de Processo Civil. § 1º. nos termos da lei e dos tratados internacionais.ate cinco anos após o termino do exercício de mandato. 23 .No caso da ação principal ter sido proposta pelo Ministério Publico. quando a medida se fizer necessária a instrução processual. Art.As ações destinadas a levar a efeito as sanções previstas nesta Lei podem ser propostas: I . 22 .Da Prescrição (artigo 23) Art.. § 3º . 21 . em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. . 18 . o exame e o bloqueio de bens. Pena: detenção de seis a dez meses de multa.O Ministério Publico. 19 .da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio publico. emprego ou função.A perda da função publica e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o transito em julgado da sentença condenatória. a requerimento de autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. promovera as ações necessárias a complementação do ressarcimento do patrimônio publico. Art. Parágrafo único.dentro do prazo prescricional previsto em lei especifica para faltas disciplinares . atuara obrigatoriamente. § 4º. 20 . conforme o caso. . CAPITULO VII . de oficio. acordo ou conciliação nas ações de que trata o "caput". o pedido incluirá a investigação. o Ministério Publico. CAPITULO VI . dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.Das Disposições Penais (artigos 19 a 22) Art. quando for o caso. II . que terá o rito ordinário. se não intervier no processo como parte. como fiscal da lei. Art. será proposta pelo Ministério Publico ou pela pessoa jurídica interessada. de cargo em comissão ou de função de confiança. morais ou a imagem que houver provocado.4. devendo suprir as omissões e falhas da inicial e apresentar ou indicar os meios de prova de que disponha. § 2º.da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. a pessoa jurídica interessada integrara a lide na qualidade de litisconsorte. Parágrafo único. 17 .Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente publico ou terceiro beneficiário quando o autor da denuncia o sabe inocente.A ação principal. . contas bancarias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior. . o denunciante esta sujeito a indenizar o denunciado pelos danos materiais. poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo. II .A aplicação das sanções previstas nesta Lei independe: I .A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinara o pagamento ou a reversão dos bens. sob pena de nulidade. Art.Quando for o caso. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente publico do exercício do cargo. Art. § 2º. 1º.Para apurar qualquer ilícito previsto nesta Lei.E vedada a transação. sem prejuízo da remuneração. Alem da sanção penal.A Fazenda Publica.

011875-9 COMARCA: Urussanga DES.005567-9 COMARCA: Chapecó DES.tj. nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.164. RELATOR: Trindade dos Santos * Fonte: Endereço Eletrônico: http://www. CAPITULO VIII .502. e 3.015337-6 COMARCA: Barra Velha DES. Anexo II – RELAÇÃO DOS ACÓRDÃOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA ANALISADOS * TIPO DE PROCESSO: Ação Direta de Inconstitucionalidade NÚMERO ACÓRDÃO: 98. RELATOR: Francisco Borges ÓRGÃO JULGADOR: Órgão Especial do Tribunal Pleno DATA DECISÃO: 03 de junho de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97. RELATOR: Anselmo Cerello ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 12 de fevereiro de 1998 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97. 24 .Ficam revogadas as Leis números 3.012641-7 COMARCA: Capital DES.sc. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 07 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 97.012730-8 COMARCA: Blumenau DES.001873-0 COMARCA: Itaiópolis DES.br. 25 . Art.puníveis com demissão a bem do serviço publico. de 21 de dezembro de 1958 e demais disposições em contrario.Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. RELATOR: Eder Graf ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 28 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 98.Das Disposições Finais (artigos 24 e 25) Art. . RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 22 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 97.gov. de 1 de junho de 1957.

RELATOR: Pedro Manoel Abreu ÓRGÃO JULGADOR: Quarta Câmara Civil DATA DECISÃO: 23 de outubro de 1.003117-0 COMARCA : Capital DES. RELATOR: Eder Graf ÓRGÃO JULGADOR: Seção Civil DATA DECISÃO: 6 de outubro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de Instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 06 de novembro de 1997 TIPO DE PROCESSO : Processo-Crime NÚMERO ACÓRDÃO: 323 (88. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 20 de novembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97. RELATOR: Pedro Manoel Abreu ÓRGÃO JULGADOR: Quarta Câmara Civil DATA DECISÃO: 02 de outubro de 1. RELATOR: Nilton Macedo Machado ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Criminal DATA DECISÃO: 30 de outubro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.004577-8 COMARCA: São Miguel do Oeste DES. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil .085814-4) COMARCA: Taió DES.997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.003761-9 COMARCA: Indaial DES.004573-5 COMARCA : São Miguel do Oeste DES.997 TIPO DE PROCESSO: Embargos infringentes NÚMERO ACÓRDÃO: 96.008332-7 COMARCA: Imaruí DES.ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 02 de dezembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.008351-3 COMARCA: Turvo DES.

RELATOR: Francisco Oliveira Filho ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 9 de setembro de 1997 Anexo III – ACÓRDÃO Nº 98. Relator: Des. RELATOR: Orli Rodrigues ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 23 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 88. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição.011810-1 COMARCA: Quilombo DES. DE 22 DE ABRIL DE 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 98. Silveira Lenzi. AUSÊNCIA DE SINDICÂNCIA E AMPLA DEFESA. ATO ADMINISTRATIVO PUNITIVO. o ato punitivo da autoridade.DATA DECISÃO: 30 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 96.070407-6 (44.001873-0. Vistos.002202-3 COMARCA: Anita Garibaldi DES. ATO IMOTIVADO. REMESSA DESPROVIDA. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 22 de abril de 1998 Apelação cível em mandado de segurança n. Há flagrante ilegalidade no ato punitivo de suspensão de servidor quando apenas constar os artigos da Lei Municipal que se entende afrontado. irremediavelmente. INVALIDAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. ou tampouco a apuração de sua efetiva ocorrência. RELATOR: Eládio Torret Rocha ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Cível Especial DATA DECISÃO: 17 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo regimental em agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.003761-9 COMARCA: Indaial DES. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 11 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 96. . de Itaiópolis.001873-0 COMARCA: Itaiópolis DES. sem. maculando. A falta de sindicância impede que se assegure ao acusado o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa.862) COMARCA: Capital DES. 98. contudo. relatados e discutidos estes autos de apelação cível em mandado de segurança n.001873-0.

e participaram do mesmo. mormente quando impositivo de penalidade. frente a motivação apresentada. A autoridade coatora prestou suas informações (fls. ainda. que todo ato administrativo – com apenas exceções legais – deve ser obrigatoriamente motivado. sem.14/54). Aduz que a suspensão lhe foi aplicada sem a devida sindicância ou processo disciplinar. O Promotor de Justiça opinou pelo deferimento da ordem. requisito de operacionalidade. Sem recurso voluntário mas por força da remessa obrigatória. sendo impetrado o Prefeito Municipal de Santa Terezinha: ACORDAM. consequentemente. que. Custas na forma da lei. ou mesmo a apuração de sua efetiva ocorrência. o Togado a quo concedeu em definitivo a segurança pleiteada. Beatriz Zeczkowski impetrou mandado de segurança contra ato do Prefeito Municipal de Santa Terezinha que a suspendeu de suas funções por 15 (quinze) dias. Sr. Silveira Lenzi. remetidos pelo Juízo de Direito. Cláudio Barreto Dutra e Vanderlei Romer. por votação unânime. ascenderam os autos a esta Superior Instância. que se assegurasse à impetrante o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. regra particular de legalidade do ato administrativo impugnado. de forma arbitrária. declarando nulo o ato de suspensão da impetrante. mesmo assim. Imerece reparo a sentença em apreço. . o ato punitivo da autoridade. No caso presente. É o que reza a hodierna teoria dos motivos determinantes. 68/69). pena disciplinar esta que reputa ilegal e pretende ver declarada nula. Argüi já haver sido removida da escola onde lecionava. prescreve que seja instaurada sindicância para casos de punição de suspensão até trinta dias (art. em Terceira Câmara Civil. tendo o impetrado imputado a ela a penalidade de quinze dias de suspensão. Presidiu o julgamento o Exmo. em que é impetrante Beatriz Zeczkowski. Des. toda a Administração Pública. que permitam apurar a probidade e a transparência de sua atividade administrativa. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. em decorrência do conteúdo de alguns trabalhos escolares apresentados por seus alunos. 120). que era a instauração de sindicância para averiguar a falta funcional da espécie. A Lei Municipal n. A douta Procuradoria-Geral de Justiça manifestou-se pelo desprovimento da remessa. contudo. e lavrou parecer. o que resta por macular. quanto a sua parte vinculada. Observa-se – principalmente pelos termos das informações – que não houve instauração de qualquer procedimento administrativo com o fim de apurar ocorrência de falta funcional. os Exmos. que trata do regime jurídico dos servidores da municipalidade de Santa Terezinha. Descumpriu-se. 56/59). 41/93 (fls.98. desprover o reexame necessário. portanto. Sentenciando. com votos vencedores. É o relatório. Diante do exposto. Não basta indicar os dispositivos violados.001873-0. sob pena de ser inválido. Alega que é professora do quadro de servidores públicos daquela municipalidade e que vem sendo perseguida pelo Prefeito em virtude de desavenças políticas. modernamente. afere-se que o ato punitivo suspensivo da autoridade coatora (fl. Des. consequentemente. mister é demonstrar os motivos. irremediavelmente. A falta de sindicância impediu. não conferindo à impetrante. tornando possível a impugnação direta. Srs. oportunidade de defesa. conseguindo reverter o ato por decisão judicial. A liminar foi concedida parcialmente (fls. da comarca de Itaiópolis (Vara Única). Cumpre notar. só produzirão efeitos – os atos administrativos assim elaborados – se corresponderem verdadeiramente aos fatos sucedidos. Senão vejamos. Tal dever é corolário do princípio da MORALIDADE ADMINISTRATIVA que permeia. devidamente fundamentados. 8) apenas indica os artigos da Lei Municipal nos quais afirma ter incorrido a impetrante. ao exigir a fundamentação dos seus atos. e sem direito de ampla defesa. nega-se provimento à remessa oficial.

Raulino Jacó Bruning. 22 de abril de 1998. Florianópolis. Eder Graf PRESIDENTE PARA O ACÓRDÃO Silveira Lenzi RELATOR . o Exmo. Dr. Sr.pela douta Procuradoria Geral de Justiça.

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