UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988

Isabela Pinheiro Medeiros

FLORIANÓPOLIS (SC), MARÇO DE 1999. Monografia apresentada à banca examinadora do Curso de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito, sob a orientação do Professor Msc. João dos Passos Martins Neto.

No dia 25 de março de 1999 foi apresentada, defendida e aprovada pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados esta monografia, intitulada “A AUTONOMIA DO PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988”, recebendo nota 10 (dez), sendo julgada adequada para o cumprimento do requisito legal previsto no artigo 9º da Portaria nº 1886/94/MEC, regulamentada pela Universidade Federal de Santa Catarina através da Resolução nº 003/95/CEPE. EXAMINADORES Ildemar Egger João dos Passos Martins Neto Sergio Cademartori

Dedico este trabalho Ao Geyson, companheiro de todas as horas, meu amor, minha razão. Com carinho.

Ao meu pai, Medeiros, modelo de integridade e minha mãe, Leonora, grande amiga, por tanto amor e preocupação; À minha irmã Érica, pela paciência, pelo quarto e, principalmente, pela exclusividade no uso do

computador; À minha irmã Camila, cuja meiguice e sorriso fazem-me esquecer dos problemas; Ao meu namorado, Geyson, pela segurança e incentivo constante; À Titi, maior responsável pela escolha do Direito; À Graziela Thévenet, pelo retorno na hora certa; À Cecília Caballero Lois, pelo apoio imprescindível; Às amizades concebidas ao longo desta faculdade, em especial à Elane Pereira da Rosa, Marianne da Silva Brodbeck, Raquel Fernanda Veras dos Santos e Simone Marien Nunes Saad, por terem tornado esta jornada universitária inesquecível; À Dra. Maria Soares Camelo Cordioli, por introduzir-me no estudo da moralidade administrativa; Ao professor João dos Passos Martins Neto, pela dedicada orientação; A todos aqueles que contribuem para que eu seja uma pessoa plenamente feliz. O meu eterno agradecimento. SUMÁRIO

INTRODUÇÃO Capítulo 1 – MORALIDADE ADMINISTRATIVA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 1.1. Direito e Moral 1.2. Moral e Ética 1.3. Moralidade Administrativa 1.3.1. Origem 1.3.2. Natureza 1.3.2.1. Moral Comum e Moral Administrativa 1.3.2.2. Moralidade e Legalidade 1.3.2.3. Moralidade e Probidade Capítulo 2 – A MORALIDADE ADMINISTRATIVA À LUZ DA ORDEM CONSTITUCIONAL 2.1. A Moralidade Administrativa no Direito positivo brasileiro 2.1.1. Gênese Constitucional 2.1.1.1. A Expressividade da Moralidade Administrativa no atual Texto Constitucional 2.1.2. Legislação Infraconstitucional 2.2. A Moralidade Administrativa na Constituição Federal de 1988 2.2.1. A Moralidade Administrativa em relação aos demais princípios insculpidos no artigo 37, caput, da Carta Magna

2.2.2. Alcance 2.2.3. Efetividade 2.3. Caracterização da Moralidade Administrativa Capítulo 3 – O CONTROLE JURISDICIONAL DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 3.1. Noções Gerais acerca do Controle da Administração Pública 3.1.1. Conceito 3.1.2. Modalidades 3.1.2.1. Controle Interno 3.1.2.2. Controle Externo 3.2. O Controle da Moralidade Administrativa em face da Constituição 3.3. Tutela Jurisdicional da Moralidade Administrativa 3.4. A Moralidade Administrativa e a Jurisprudência CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Anexo I Anexo II Anexo III INTRODUÇÃO

O estudo da moralidade administrativa vem revelando-se bastante controvertido, suscitando divergências doutrinárias. A inquietude dedicada ao tema evidenciou-se após a promulgação da Carta de 1988, que reservou ao instituto um especial tratamento, elevando-o, pioneiramente, à categoria de princípio de observância obrigatória da atividade da Administração Pública. Esta inovação, inevitavelmente, repercutiu sobremaneira na esfera jurídica brasileira, já que acarretou na necessidade de vislumbrar o instituto de forma mais cuidadosa, com uma amplitude maior a que lhe era conferida até então, posto que consistia em mero princípio geral de direito. Destarte, dada a importância do tema, o presente estudo tem por escopo precípuo contribuir para a análise de tão relevante princípio, enfatizando prioritariamente os aspectos que vêm gerando maiores controvérsias. Há que se ressaltar, no entanto, que o conteúdo desta monografia parte de pressupostos eminentemente teóricos, fruto de uma corrente que ainda não se encontra propriamente sedimentada e ainda está por merecer maior respaldo jurisprudencial. Feitas estas considerações preliminares, procurar-se-á demonstrar, ao longo da pesquisa, que a intenção do legislador constituinte ao insculpir o princípio da moralidade administrativa como pressuposto do atuar administrativo, foi conferir-lhe total autonomia, inclusive e principalmente em relação à legalidade. Para tanto, será necessária a abordagem de alguns aspectos pertinentes para a melhor compreensão do real alcance desse preceito constitucional. Assim, no primeiro capítulo será possível observar-se, antes do início da abordagem da moralidade administrativa propriamente dita, breves apontamentos acerca da moral em relação ao Direito e a Ética. Posteriormente, adentrar-se-á no espectro

específico deste princípio constitucional, a partir de uma análise histórica que se faz necessária para, além de tentar justificar a sua origem, apontar as influência com ela advindas. Ainda no mesmo capítulo, buscar-se-á situar a moralidade a partir de sua comparação com outros elementos, que por vezes são com ela confundidos por parte dos juristas pátrios. Sob este prisma, serão apontados os principais aspectos diferenciadores e aproximadores da moralidade administrativa com a moral comum e com a legalidade, bem como com a probidade. Posteriormente, no segundo capítulo, será realizada uma abordagem do princípio enquanto inserido na ordem constitucional brasileira, demonstrando os novos contornos que lhe foram dados pelo Texto Maior, assim como as repercussões e obstáculos que com eles sucederam. Destacar-se-á, com primazia, as intenções da Carta Magna em relação ao instituto, dando ênfase à questão do alcance, da efetividade e da forma que se dá a caracterização dos atos eivados de imoralidade. Finalmente, no último capítulo, serão apontados alguns tópicos do controle da moralidade administrativa sob a égide dos preceitos constitucionais. Desta maneira, revela-se indispensável versar suscintamente sobre os os aspectos gerais do controle da Administração Pública, tais como a possibilidade de sua realização e suas principais modalidades. Especificamente em relação ao controle da moralidade, será efatizada a modalidade jurisdicional, por consistir na mais controvertida, já que grande parte da doutrina e jurisprudência pátria teme em aceitá-la. Assim, serão trazidas à lume algumas idéias básicas defensoras da realização desta espécie de controle, a fim de apontar os requisitos necessários para a sua efetivação, e, da mesma forma, a justificativa para a sua realização. Por fim, a partir da análise de provimentos jurisdicionais, far-se-ão comentários acerca da aplicação que alguns Tribunais Pátrios vêm dando à matéria. Quanto ao método de abordagem do presente trabalho, será feito uso do método indutivo, acompanhado da técnica de pesquisa bibliográfica. Com consultas a fontes bibliográficas diversas, será possível o exame e estudo do tema sob os mais diversos enfoques e entendimentos, o que propiciará um aprofundamento na matéria e, conseqüentemente, um embasamento teórico para a realização da monografia e a obtenção dos fins por ela visados.

Capítulo 1 – MORALIDADE ADMINISTRATIVA: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

1.1. Direito e Moral Diversas são as teorias que tratam da questão da Moral e do Direito. Enquanto alguns autores concentram seus esforços em demonstrar a total distinção entre os dois institutos, outros, por sua vez, sustentam a íntima relação do Direito com a Moral. Dado à complexidade do tema, tentar-se-á demonstrar, tão somente, as semelhanças e diferenças observadas nos dois conceitos, utilizando os ensinamentos de Adolfo Sánchez Vázquez1. Consoante apregoado pelo autor, Direito e Moral aproximam-se em alguns aspectos: ambos constituem normas reguladoras do comportamento humano que visam “garantir certa coesão social” 2, tendo, por conseqüência, um caráter imperativo. Aos dois institutos é conferido uma dinamicidade que se encontra vinculada à história. “Assim como varia a moral de uma época para a outra, ou de uma sociedade para outra, varia também o direito.” 3 Quanto às diferenças, o autor evidencia a interioridade da moral e a exterioridade do direito. Enquanto a moral não possui codificação e é observada em função de uma convicção interna que garante o seu cumprimento, no direito a codificação faz-se imprescindível e o seu cumprimento dá-se independente da existência de qualquer convicção íntima, em função da coação exercida pelo Estado. Ressalta ainda o autor que o campo da moral é indubitavelmente mais amplo que o do direito, posto que o primeiro regula todas as formas do comportamento humano e o segundo regula apenas aquelas que tem relevância para o Estado. Assim, em função da distinta relação da moral e do direito com o Estado, nota-se que a moral poderá vir a se confrontar com o poder estatal, enquanto que o Direito estará sempre em conformidade com o Estado, posto que depende diretamente dele. “Em conclusão: a moral e o direito possuem elementos comuns e mostram, por sua vez, diferenças essenciais, mas estas relações, que ao mesmo tempo possuem um caráter histórico, baseiam-se na natureza do direito como comportamento humano sancionado pelo Estado e na natureza da moral como comportamento que não exige esta sanção estatal e se apóia exclusivamente na autoridade da comunidade, expressa em normas e acatada voluntariamente.” 4

1.2. Moral e Ética Etimologicamente, moral e ética equivalem-se. A diferença está na origem dos termos: enquanto a moral deriva do latim mores, a ética provém da palavra grega ethos. Porém,
1

VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Tradução por João Dell’Anna. 14. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993. 267p. p. 80-84. 2 Idem, p. 81. 3 Idem, ibidem. 4 VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. op.cit., p. 84.

O entendimento mais preponderante proclama ser a ética a ciência da moral. uma gama de autores continua adotando os termos moral e ética indistintamente.” 9 Isto não significa entender a ética como algo imutável. ética e moral diferenciam-se e se relacionam enquanto “uma ciência específica e seu objeto”. Justifica-se. 180 p. 10. Sueli Gandolfi. 6 CARLIN. Deontologia Jurídica – Ética e Justiça. que povos de cultura católica privilegiam a utilização da palavra moral. . elaborando os conceitos correspondentes. limitando-se a “explicar. a utilização de tais termos variava de acordo com o idioma adotado. esclarecer ou investigar uma determinada realidade. Revista de Informação Legislativa. tem uma função prática. 1993. Desta forma. ou para a moral que vigora de fato numa comunidade humana moderna. A ética varia de acordo com o seu objeto de estudo. 30. 419-428. 37. 1. porém ambos “compreendiam tanto os costumes como os códigos destinados a reger a conduta humana e a exortação à sua obediência e. a reflexão filosófica sobre tais costumes e comportamentos e os códigos que os regulam. Adolfo Sanchez. assim. Idem. o fato de que na antigüidade. p.. enquanto os povos de influência protestante dão mais ênfase à palavra ética. apegam-se à tentativa de diferenciá-los. e não no fato de prescrever ou recomendar com vistas à ação em situações concretas./mar. porém. É isso que assegura o seu caráter teórico e evita sua redução a uma disciplina normativa ou pragmática.” 5 Já na atualidade. Volnei Ivo Carlin. p. 420. Moralidade Administrativa 5 DÁLLARI.. a utilização preponderante de um ou de outro foi em grande parte influenciada pela sua origem. v. e portanto. tendo. Brasília. 117. 11.tanto o termo latino quanto o grego têm o mesmo significado – costumes. A Ética Sanitária na Constituição Brasileira. portanto um caráter extremamente dinâmico. Idem. Florianópolis: Obra Jurídica. p. enquanto a moral é concebida como um conjunto de regras da conduta humana. cit. como visto anteriormente. Alguns. Nota-se. p. antes de qualquer diferenciação que se possa dar aos dois termos. 7 8 9 VÁZQUEZ. ainda. 14. p.” 8 A partir destes ensinamentos pode-se compreender que. a ética é eminentemente teórica. 1996. O valor da ética como teoria está naquilo que explica. jan. portanto. op. cabendo a esta o “estudo da conduta moral do homem” 6.3. n. A experiência histórica tem demonstrado que. já que a moral. sofre constantes modificações que acompanham a história do homem. p.7 Adolfo Sánchez Vázquez confere à ética um caráter de generalidade: “O que nela se afirme sobre a natureza ou fundamento das normas morais deve valer para a moral da sociedade grega.

a moralidade administrativa vem conceituada como “o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração”15. 63. Cláudio Ari. dentre eles uma propensão a atuações desprovidas de honestidade. out. porém. p. .. Hariou “desenvolveu. n. Diogo de Figueiredo. foi apenas na 11ª edição de sua obra. 1992. 50. 1996. 4. “a ampliação das zonas de liberdade de ação do Poder Público produziram diversos problemas. o poder público constituiu a armadura moral da administração pública. (. 3. Antônio. 190. como assevera Cláudio Ari Mello. Moralidade Administrativa: do conceito à efetivação. apregoando: 10 MELLO./dez. Antônio José. com maior brilhantismo do que transparência.3.1. apenas no começo do presente século. p. 06. na esfera do direito público. que Maurice Hariou conceitua de forma exemplar a moralidade administrativa. não muito bem explicitada nesta pioneira experiência. Cármen Lúcia Antunes. Rio de Janeiro.429/92. cit. 64. a partir destas anotações. Maurice Hariou já havia feito referência à moralidade administrativa na 1ª edição de sua obra Principes de Droit Public (Princípios de Direito Público). esta preocupação apenas evidenciou-se. 1-44. 13 Nota-se. n.. em 1914. Diogo de Figueiredo. p. Belo Horizonte: Del Rey. aliás. Origem Desde a antigüidade os povos já se preocupavam com a existência da moralidade no trato da coisa pública. determinante necessária de qualquer decisão administrativa. 1995.. com as anotações feitas por Maurice Hariou acerca do pronunciamento do Conselho de Estado Francês. já no direito romano. a seguinte tese audaciosa: a legalidade dos atos jurídicos administrativos é fiscalizada pelo recurso baseado na violação da lei. cit. Princípios Constitucionais da Administração Pública. p. quando discorreu: “Assim. 62-72. op.. Foi assim que. Moralidade Administrativa. 11 MOREIRA NETO. 1994.” (BRANDÃO. (BRANDÃO. que a moralidade administrativa teve seu ingresso na esfera jusadiministrativa vinculada à noção de desvio de poder. foi ganhando clareza e expressividade com as edições que seguiram. op. Apesar de se encontrar. cuja zona de policiamento é a zona da ‘moralidade administrativa’. p. Boletim de Direito Administrativo. fundado no desvio de poder. fev. no caso Gommel. Improbidade Administrativa – Considerações sobre a Lei 8. 49-62. p. já que o legalismo que imperava à época optou por camuflar o conteúdo do elemento moralidade administrativa dentro da violação da finalidade do ato. p.)” 10. mais precisamente em 1910. posto que. que se deu através da doutrina do abuso do direito12. cúpula do sistema do contencioso administrativo desse país. 11.14 A noção de moralidade formulada pelo autor francês. é fiscalizada por outro recurso.) 14 apud MOREIRA NETO. E.1. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. 189. “a interseção da moral no direito em termos de aplicação” 11. 12 Antônio José Brandão assevera que “a doutrina do exercício abusivo dos direitos representa a primeira intromissão da regra moral na esfera do jurídico”. deve-se notar que todo controle organizado em nome da moralidade administrativa sobre os atos administrativos deve partir da noção do poder”. São Paulo. a moralidade veio a se instalar muito tempo depois. p. em sua 10ª edição. Revista de Direito Administrativo. em 1927. v./jun. abr. 15 apud ROCHA. No decorrer da história. p. 307 p. Alguns autores ressaltam que mesmo antes de 1914.) 13 Consoante apregoa Antônio José Brandão. No entanto. mas a conformidade dêsses atos aos princípios basilares da ‘boa administração’.

v.“Quanto à moralidade administrativa. O Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa. Como a Administração tem uma conduta. 212-213. 1995./mar. 2. enfatizava que o controle externo da moralidade administrativa poderia ser realizado. Revista Trimestral de Direito Público. vincular a gestão administrativa aos anseios e às necessidades do administrado. São Paulo. conclui-se que o legado deixado pelo mestre francês foi fundamental não só no intuito de dar à moralidade a importância que lhe é necessária. ed. 48. muitos são os autores que seguem a tendência francesa. ampl. No Brasil. 1995. a distinção do bem e do mal. está mais facilmente sujeita ao controle judicial.) . p. “um reconhecimento da insuficiência do paradigma do princípio da legalidade para um controle efetivo da legitimidade de funções 16 apud FIGUEIREDO. Maurício Antonio. Veremos que a instituição do excesso de poder. do conveniente e do inconveniente. nem sempre reservando à moralidade a importância a que faz jus. de tal sorte que a Administração é ligada. revelando. p. a moralidade administrativa recebeu a possibilidade de ser tutelada de forma autônoma e por conseguinte. entendem outros autores. 179 p. José Augusto. a imoralidade seria. sua existência provém de tudo que possuindo uma conduta pratica. 18 Ao analisar o tema. 2. Ética e Administração Pública. n. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. apesar do exposto acima. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir. 439 p. desta forma. forçosamente. que. 1. mesmo antes da Carta Magna de 1988. José Augusto Delgado ressalta que “A Administração Pública não está somente sujeita à lei. 1993. p. que com a vigência da atual Constituição19. É o exemplo do Direito Francês. 86 p. Manoel de Oliveira. o disposto na Constituição Federal de 1988. São Paulo: Malheiros. 31. mesmo que atue. São Paulo: Revista dos Tribunais. do honorável e do desonorável. p. tão somente. entendendo que o controle da moralidade administrativa estaria vinculado ao próprio controle da legalidade e contrariando. por autorização legal. a ilegalidade referente aos fins dos atos administrativos. A moralidade administrativa é freqüentemente mais exigente que a legalidade. em certa medida. ed. pela moral jurídica. que conferiu aos dois elementos o mesmo nível hierárquico. mas. 18 No entanto. principalmente. Em sua obra “Princípio Constitucional da Moralidade Administrativa”. do lícito e do ilícito. 1993. Lúcia Valle. 1. mais acertadamente. Curitiba: Genesis. desta forma. pelo que inexiste liberdade de agir. Deve. a doutrina ainda continua bastante tímida ao discorrer sobre o tema. por consistir numa hipótese de ilegalidade. como senhor da conveniência e da oportunidade. Neste contexto. (FRANCO SOBRINHO. que vem abandonando a noção de moralidade administrativa para utilizar preponderantemente a expressão desvio de poder17. ver. LOPES. graças à qual são anulados muitos atos da Administração.16 Ante tais ensinamentos. ressaltar que o seu conceito ultrapassa os limites da legalidade. particularmente no que concerne ao desvio de poder”. Curso de Direito Administrativo. ela pratica esta distinção ao mesmo tempo que aquela do justo e injusto.) 19 Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. o autor ocupa dois capítulos para discorrer acerca do “Alcance da Moralidade Administrativa na Ação Popular Constitucional” e do “Alcance da Moralidade Administrativa no Mandado de Segurança”. jan. uma espécie de ilegalidade. Princípio da moralidade administrativa e a Constituição Federal de 1988.” (DELGADO. assim. 17 Cf. atual. é fundada tanto na noção de moralidade administrativa quanto na legalidade. No entanto. 208-223. sendo fiscalizada pela sociedade inclusive através do Poder Judiciário. mais eficaz.

o contexto da boa administração tende a ser 20 21 . Ao passo que a moralidade administrativa pode ser chamada de uma moral específica da Administração. Analisando o conceito de Welter. consoante apregoa José Augusto Delgado. n.” .1. MELLO. A atuação do administrador.Le Contrôle Juridictionel de la Moralité Administrative (O Controle Jurisdicional da Moralidade Administrativa). Esta. qual seja o bem comum. op. assim. 1994. a moral comum. elaborou uma noção mais clara de moralidade: “a moralidade administrativa.20 1. 701. Antônio José. a necessidade que os atos externos e públicos dos agentes detentores de poder e de atribuições sejam praticados de acordo com as exigências da moral e dos bons costumes.2. . para uma melhor compreensão da moralidade administrativa. resta imprescindível. ou seja: pelo conjunto de regras finais e disciplinares suscitadas. em sua monografia publicada em 1930 . apud BRANDÃO. para não configurar violação à moralidade administrativa.22 Cumpre ressaltar. tem como característica a generalidade. no entanto. Ensina o autor: “A moralidade comum se baseia em um conjunto sistemático de normas que orientam o homem para a realização de seu fim.públicas”. v. pelo exercício de sua liberdade. não só pela distinção entre o Bem e o Mal.21 Desta forma. São Paulo. p. o resultado por ele produzido. 34-44. a moral comum e a administrativa não podem ser vislumbradas enquanto esferas estanques. que apesar de constituírem elementos distintos e que conseqüentemente não se confundem. Natureza 1. p. Revista dos Tribunais. já que. 50. a sua distinção com a moral comum. Cláudio Ari.2. 66.3. Isto é. deverá. 83. voltada para os resultados concretizadores da finalidade pública. que nos propomos estudar. implica. cit. p. a perfeição de sua natureza. ela é composta por regras da boa administração. op. p. o do homem realizar.3. 22 DELGADO. pautar-se sempre pelo fim desejado pela Administração Pública. mar. mas também pela idéia geral de administração e pela idéia de função administrativa”. 40. cit. Moral Comum e Moral Administrativa Com base no conceito deixado por Hariou. visando uma boa administração. José Augusto. Welter. nota-se que a noção de moralidade administrativa está vinculada ao termo “boa administração” e portanto terá um caráter finalista. tão-somente. A supremacia dos princípios informativos do direito administrativo: interpretação e aplicação. ao contrário da moralidade comum. não se confunde com a moralidade comum.. O caráter de generalidade posto na moralidade comum é o traço marcante diferenciador da moralidade administrativa.. já que para a realização desta última o que se leva em conta é a conduta externa do administrador.

p. Em conseqüência. igualmente. p. tãosomente. enquanto elemento da disciplina interna da Administração. Oswaldo Othon de Pontes.2. indubitavelmente por preceitos da moral comum. mormente. Arquivo Forense. não só pelos preceitos vigentes. os provimentos administrativos personalizados. provenientes da sociedade em que vive. defendendo ser o vício de moralidade tão-somente uma das hipóteses da ilegalidade. assim. ‘prima facie’. x 25 O Ministro Demócrito Ramos Reinaldo. mas também pela moral comum’. “o bom administrador (. a que está em consonância com a cultura. a qual não deixa de espelhar os valores morais prestigiados e amparados pelo ordenamento jurídico. Moralidade e Legalidade A partir da análise do instituto da moralidade administrativa. individualizados. 1998. é a condizente com a moral comum. em função de sua origem.. posto que tais autores vislumbram que.” 24 Conclui-se. já que aquela. a análise da moralidade dos atos administrativos caberia. torna-se mais compreensível que certos autores tenham vinculado o conceito da moralidade administrativa à legalidade.) .) é aquele que usando da sua competência legal ‘se determina. padrões morais comuns.influenciada. (SARAIVA FILHO. 1974. as fronteiras do lícito e do ilícito. 75. 129132. o controle da moralidade por parte do Poder Judiciário restringir-se-ia a esta modalidade de ilegalidade. protecionistas de pessoas ou grupos não isonômicos”. 1995. p. Atos morais são os acatados pela sociedade. O princípio da moralidade da Administração Pública. representa o conjunto de regras de conduta para uma boa administração. p. são de interesse geral e afinam-se com respeito à ordem natural das coisas. Há de conhecer. igualmente. Controle da Moralidade Administrativa. jan. A sociedade repudia.x25 1. embora ganhe influência desta. do justo e do injusto nos seus fins. p. seu conteúdo é atingido pelos mandamentos da moral comum. São Paulo: Saraiva. pela Lei Suprema”. portanto. porque se fundam em regras comuns e iguais a todos. 45-50. 11. Talvez seja este entendimento um tanto quanto cômodo. quando agir sob os preceitos da “boa administração”. Mesmo com o decorrer do tempo e o amadurecimento da doutrina acerca do tema. não custa mencionar que é consenso. sempre.) 24 FRANCO SOBRINHO./mar. já que a imprecisão do 23 Neste sentido apregoa Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho: “Parenteticamente. Segundo os ensinamentos do autor. a do homem médio. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. há ainda uma corrente tradicional que sustente esta vinculação. tiradas da disciplina interior da Administração Pública. 22. costumes e hábitos sociais. que se sabe. 129. jan. 267 p. v. as condutas concernentes à esfera da Administração Pública. Demócrito Ramos. qual seja a ilegalidade concernente aos fins (desvio de poder). 49-50. assim se expressa: “A moralidade (administrativa). que a moral administrativa não se confunde com a moral comum.. que apesar da moralidade administrativa regular. ao concluir seus comentários acerca da relação entre a moral comum e administrativa. já que o administrador. Manoel de Oliveira. estará seguindo. Pernambuco. adotado por uma gama de autores. v. desta forma. O Princípio da Moralidade Administrativa.3.2. (REINALDO. 1993/dez. São Paulo. quando esteve diretamente ligada à idéia de desvio de poder. restando seu exame enquanto elemento isolado prejudicado. encontrando-se juridicizada. 23 Este é o entendimento de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. à esfera interna da Administração. entre os administradores daqui e do exterior.

com o da ‘legalidade’. o da moralidade prega um comportamento do administrador que demonstre haver assumido como móbil da sua ação a própria idéia do dever de exercer uma boa administração. um conceito de muito mais fácil apreensão. p. Seguindo esta linha de raciocínio é que a doutrina sofreu um visível amadurecimento. No entanto. 209. sua configuração não ensejaria tantas ponderações. Ao comentar o dispositivo constitucional ora mencionado. portanto. por conseguinte. 26 DELGADO. incluindo aí a judicial. Defendendo este entendimento é que José Augusto Delgado ensina: “Enquanto o princípio da legalidade exige ação administrativa de acordo com a lei. Os autores simpatizantes desta corrente deixam bem clara a distinção existente entre a moralidade e a legalidade. Demócrito Ramos Reinaldo assinala: “O constituinte. mas também pela idéia geral de administração e pela idéia de função administrativa’. não só pela distinção entre o Bem e o Mal. cada vez mais viável a apreciação da moralidade administrativa nas mais diversas esferas. José Augusto. a começar pelo fato de ambos constituírem motivo suficiente para a invalidade de um ato administrativo por violação de seus postulados. através de seu artigo 37. Apesar de todas estas considerações. já que a legalidade é. o entendimento ora exposto. pois. acontece como princípio da moralidade. 1993. . que exige do administrador uma postura que faça com que os seus atos exteriorizem a própria idéia do dever de haver atuado com base em ‘regras finais e disciplinares suscitadas. A moralidade administrativa integra o direito (constitucional) como elemento de observância indeclinável (irretorquível). revela-se descabido após o avanço dos estudos doutrinários sobre o tema. suficiente que se encontre autorizada por lei. a sua caracterização. Assim. definindo-a como ‘princípio’. op. enquanto elemento absorvido pela própria noção de legalidade. Não resta dúvida que diversos fatores por vezes os aproximam. e acabou por conferir à moralidade um caráter indubitavelmente mais amplo e distinto da legalidade. É certo que a moralidade administrativa constitui um conceito demasiadamente vago e que transcende a esfera jurídica. o administrador não tem necessidade de dedicar a sua atenção com o motivo da própria ação. A distinção é evidente e necessária. porém estas dificuldades não podem impedir que a sua importância seja efetivamente consagrada. tornando. para viger. é necessário entendê-los enquanto elementos autônomos. estabeleceu nítida distinção: juridicizou a ‘moralidade’. O contrário. mas principalmente a sua conceituação e. cit. portanto. sem dúvida. sob influência clara do texto da atual Carta Magna que. paralelamente.” 26 A doutrina brasileira vem adotando igual posicionamento. porém.conceito da moralidade administrativa torna difícil não só a sua compreensão. o que não significa concebê-los como elementos estanques. No cumprimento do princípio da legalidade. não deixa dúvidas ao conceder à moralidade e à legalidade a autonomia que lhes é necessária..

São Paulo: Malheiros. op. jan.. que. de eficácia plena e mandamental autônoma – e de vida própria. Quanto aos preceitos da moralidade administrativa.). os agentes administrativos. p. também para os segundos há uma moral institucional.. (. 17-22. Demócrito Ramos. assim como há uma Moral positiva. coloca José Afonso da Silva: “A lei pode ser cumprida moralmente ou imoralmente. que se sobrepõe à lei das suas atribuições e competência. Esta é-lhes imposta de fora pelo Poder Legislativo.. da ordem jurídica positiva. São Paulo. e apenas traça o âmbito da sua atividade e fixa os meios a utilizar. 19. 1995.” (BRANDÃO. nem desta constitui corolário. p. além de obedecer aos imperativos legais a que está subordinado. as exigências da moralidade administrativa são mais fortes que as exigências da legalidade jurídica. Nessa linha de raciocínio. já que. isto é. 711. por certo que se está produzindo um ato 27 REINALDO. 29 Nesse sentido. A noção de moralidade administrativa é.) . n. ao instituir o princípio. para os primeiros. Celso Antônio Bandeira de (org. Semelhante ordem interna encontra a sua expressão normativa num ‘direito natural da instituição’ — o qual. p. valores que se espraiam por todo sistema porque ajudaram a compor o perfil constitucional do Estado adotado por uma 28 determinada sociedade em uma determinada época. No entanto.” Assim. 65.mas não está ínsita na legalidade. Weida. ou com o intuito de favorecer alguém. expressão normativa da ordem jurídica a que a Administração está submetida. são-lhe impostos de dentro. O legislador constituinte.” 27 Seguindo a mesma linha de raciocínio. 619-632. Antônio José. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba. se acrescenta à lei vigente.) Desta sorte. no caso da pública Administração. Weida Zancaner manifesta-se sobre a posição adotada pela nossa Constituição da seguinte forma: “Esta posição. porém com interesses diversos do bem comum. mesmo o discricionário. é a aceitação de valores éticos e morais pelo sistema jurídico. o mesmo acontece aos administradores. gerada pela comunhão espiritual em que a idéia diretriz se tornou objetiva. interpretando a Constituição de 1988. vigoram no próprio ambiente institucional e condicionam a utilização de qualquer poder jurídico. In: MELLO. dizia já Paulo. 29 Sob este prisma. v. assim. se têm de inspirar os seus atos nas leis jurídicas vigentes. 28 ZANCANER. é a ‘moralidade administrativa’. por isso. O p rincípio da moralidade na Administração Pública e a liceidade do limite etário para acesso dos cargos públicos. Razoabilidade e Moralidade: princípios concretizadores do perfil constitucional do Estado Social e Democrático de Direito. 632. 1997a. 84. porém tal assertiva não é suficiente. 2 v. p. estará infringindo a moralidade a que está igualmente subordinado e seu ato será passível de invalidação. mas atribui à moralidade administrativa relevância jurídica. que caracteriza a legalidade. com o intuito de prejudicar alguém deliberadamente. não cuidou do mero ‘reenvio’ da norma legal à norma moral. Revista dos Tribunais. movem-se também na órbita da ordem interna desta. Se os particulares podem cometer vilanias respeitando formalmente a lei. por exemplo. cit. mais ampla do que a noção de legalidade jurídica. a compreensão do princípio da moralidade com um plus ao princípio da legalidade. conclui-se que cabe ao agente administrativo a conformação de todos os seus atos com a lei. E. assinala Antônio José Brandão: “O ato conforme à lei jurídica nem sempre é um ato irrepreensível do ponto de vista moral: non omne quod licet honestum est. inclusive enquanto autônomo em relação a este. tendo em vista que todas as vezes que estiver agindo dentro da lei. Quando sua execução é feita. há que se distinguir a ordem jurídica positiva. que caracteriza a moralidade – ambas compondo a mesma ordem jurídica integral – porque nem tudo que é ‘legal é moral’. o agente deverá fazê-lo imbuído do senso de interesse público. p.

n. Endereço Eletrônico: http://www. 10. p. Moralidade e Probidade Divergem os autores quanto à distinção destes dois elementos.. Desta forma. 1995. conferindo-lhes o mesmo significado. deve ser sacada da própria noção de "boa administração”. que pode ser tratado como “uma das possíveis formas de externação da moralidade”. . por sua vez. vem seguindo os ditames de José Afonso da Silva. ed.. rev. acompanhando esta corrente. Maurício Antonio Ribeiro. v.” 30 1. 1993. analisando a legislação nacional acerca do assunto. 616. José de Castro. o que torna tal conceito indubitavelmente mais abrangente. 31 Outros autores./set. p. 193-204.) 32 Flávio Sátiro Fernandes. Improbidade Administrativa. José Afonso. José Afonso. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem. podemos dizer que todo o ato contrário à moralidade administrativa é ato configurador de improbidade. expõe que “a probidade é (. § 4º).gov. p. quando assevera que “A expressão probidade administrativa é sinônima de moralidade administrativa ou simplesmente de honestidade”. Flávio Satiro. acabam por destinar à improbidade uma posição hierarquicamente superior à moralidade.34 Destarte. Cuida-se de uma imoralidade administrativa qualificada. (grifo no original) (MEIRA.3. 37. São Paulo: Malheiros. ao defender esta corrente. por exemplo de José de Castro Meira. 58.htm) 33 SILVA. nota-se que os legisladores pecaram 30 SILVA. Revista de Informação Legislativa. sem aproveitar os poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira favorecer’. Brasília. mas materialmente comprometido com a moralidade administrativa. verifica-se que probidade e moralidade administrativas são conceitos que se não podem (sic) confundir e que a segunda dessas noções está contida na primeira. 616. pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. 1997.32 A corrente majoritária. 34 LOPES. discorre acerca da probidade administrativa da seguinte forma: “A probidade administrativa é uma forma de moralidade administrativa que mereceu consideração especial pela Constituição que pune o ímprobo com a suspensão de direitos políticos (art. (grifos do autor) 31 É o caso.2. Administração Pública na Constituição Federal. 199. op. op.jfrn. nem todo ato de improbidade administrativa representa violação à moralidade administrativa. haja vista a maior amplitude e o maior alcance emprestados à primeira. A probidade administrativa consiste no dever de ‘o funcionário servir a Administração com honestidade. 119. partindo do pressuposto que a improbidade é espécie do gênero moralidade administrativa. examinando-se o que a Constituição de 5 de outubro de 1988 e a legislação infraconstitucional contêm a respeito dos princípios aqui aludidos. procedendo no exercício das suas funções.” A seguir. como visto anteriormente.3. utilizando o conceito deixado por Marcelo Caetano. Curso de Direito Constitucional Positivo. Porém. p..” (grifos no original) 33 Já a moralidade administrativa. Há os que empreguem os termos indistintamente.br/doutrina20. 820 p. De fato. conclui-se que o dever da moralidade traz como uma de suas conseqüências lógicas o dever da probidade. cit. 30.formalmente legal. jul. o autor enumera os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais que fazem referência à matéria e tece a seguinte conclusão: “Em suma. do qual a moralidade é espécie..) o gênero. p.” (FERNANDES. que. cit.

71. “Art.quando da formulação do texto da Lei de Improbidade Administrativa 35 (Lei nº 8. São Paulo: Atlas. A imprecisão da redação acabou por suscitar alguns comentários mais aprofundados de vários autores. p. 65-84. Gênese Constitucional Até alcançar o momento atual. maio 1996. Revista dos Tribunais. 1997.1.. como visto acima. ROSA. no contexto constitucional brasileiro.” MARTINS JÚNIOR. haja vista a ampliação que deram ao conteúdo do termo improbidade administrativa. Wallace Paiva. No mesmo sentido. os danos materiais”. 36 Capítulo 2 – A MORALIDADE ADMINISTRATIVA À LUZ DA ORDEM CONSTITUCIONAL 2. todos os atos de improbidade elencados pela citada lei. em si mesma. mas que ofendem os valores morais da administração pública. (Capítulo II. imparcialidade. percorreu um longo caminho. Juarez. obrigatoriamente. 35 36 Anexo I.” (PAZZAGLINI FILHO. inclusive naqueles casos em que se não se vislumbram incontrovertidos.)”. 238. Wallace Paiva Martins Jr.1. p. A Moralidade Administrativa no Direito positivo brasileiro 2. se a improbidade. 11. 325-344. abr. Seção III . n. em si mesma. p. (FREITAS..Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam contra os Princípios da Administração Pública). após tecerem críticas à redação do caput do art. atual. apta para caracterizar a ofensa ao subprincípio da probidade administrativa. 204. o que torna a redação do artigo supra citado um tanto quanto duvidosa. proporcionando a censura de atos comissivos ou omissivos que não importam prejuízo patrimonial da administração pública ou enriquecimento ilícito do agente público. Do princípio da probidade administrativa e de sua máxima efetivação. Consoante mencionado dispositivo legal. 85. os autores da obra Improbidade Administrativa – Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público.429. legalidade. rev. 11: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. v. Márcio Fernando Elias. caput. Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. 117. para os casos de improbidade administrativa que não acarretam lesão ao erário nem importam em enriquecimento ilícito do agente público que pratica. acabam por concluir que mencionado dispositivo “funciona como regra de reserva. 11 da Lei 8. atentarão. ed.1. e lealdade às instituições (./jun. Marino. 326. Ora.) Ainda sobre o assunto.429/92). comenta o dispositivo em questão trazendo à lume o conceito deixado por Ruy Alberto Gatto que entende tal tipificação “como norma de encerramento ou de extensão.. na senda correta de perceber que o constituinte quis coibir a lesividade à moral positivada. 727. p. a. recebendo o status de princípio constitucional de observância obrigatória apenas com a promulgação da Constituição Federal de 1988.) . talvez numa tentativa de justificar os legisladores. contra o princípio da moralidade administrativa. ainda quando não se verifique o enriquecimento ilícito ou o dano material. mais especificamente em seu art. Rio de Janeiro. a moralidade administrativa. FAZZIO JÚNIOR. Juarez Freitas faz o seguinte comentário: “Sob a ótica da Lei. está contida na própria noção de imoralidade. 1996. Waldo. a violação do princípio da moralidade pode e deve ser considerada. Revista de Direito Administrativo. p. 2. Alguns meios de investigação da improbidade administrativa.

veria suscitada a sua responsabilidade criminosa no exercício do cargo”. para os interesses da elite econômica. Por suborno. analisando os textos das Constituições que vigoraram até a atualidade no Brasil. assim. Art. o fim precípuo da Administração Pública.. como o enriquecimento ilícito. os interesses públicos sofreram sérios prejuízos.) 6º. op. mesmo que indiretamente.. à preocupação que tinham com as conseqüências advindas de atos imorais. a probidade da Administração (. procurando resgatar algum senso moral por parte da Administração Pública. data do longínquo período imperial e fazia referência à profissão dos magistrados e oficiais de justiça. peita. buscou legislar. esta foi “a única referência normativa constitucional brasileira do século XIX e a única norma que se refere à ação popular antes da Constituição de 1934”. especialmente na chamada Primeira República. Descaracterizou-se. que a denominada “política dos governadores” assegurou em grande parte. demonstrando que a moralidade administrativa. p. Cármen Lúcia Antunes. que poderá ser intentada dentro de um ano e dia pelo próprio queixoso ou por qualquer do povo. já que perderam espaço. Cármen Lúcia Antunes. A primeira manifestação que se tem notícia da preocupação com a moralidade.) 39 ROCHA.Apesar de receber sua explicitação constitucional apenas em 1988. 224-225. . p.39 Diante de um contexto histórico de corrupção exacerbada aconteceu o movimento de 1930. haverá contra eles a ação popular. a moralidade administrativa sempre foi objeto de discussões no âmbito do Poder Público. através de seu artigo 54..” 37 Com o advento do regime republicano. por exemplo. Consoante mencionado artigo. Cármen Lúcia Antunes. que deveria estar voltada para os interesses de seus administrados. guardada a ordem do processo estabelecido por lei.. peculato e concussão. Assim. Todos os juízes de direito e os oficiais de justiça são responsáveis pelos abusos de poder e prevaricações que cometerem no exercício de seus empregos. 157. acerca dos atos ímprobos.. cit. (ROCHA. até a promulgação da Constituição de 1988 esteve “embutido na menção expressa à probidade administrativa como dever do Presidente da República. 6º. 218.. “São crimes de responsabilidade do Presidente da República os que atentam contra: (. cit.) 38 Constata Cármen Lúcia Antunes Rocha: “A contaminação ética do Poder na Primeira República. 218. Mencionado texto esteve presente em todas as Constituições que sucederam a de 1891.. posto que a corrupção tem acompanhado o Estado brasileiro desde seus tempos mais remotos. observa-se que praticamente todas fizeram menção. op. Apregoava a Constituição de 1824: “Art. contra a qual. 38 Proveniente deste distanciamento do Poder com a sociedade é que a Constituição de 1891. (ROCHA. cit. e a viciosidade do processo eleitoral integraram-se à Administração Pública mais afeta a interesses privados dos coronéis e seus apaniguados que à causa social”. 156. esta responsabilidade se fará efetiva por lei regulamentar. op.)”. p. que teve dentre seus objetivos a busca de uma atuação política e administrativa 37 Como apregoado por Cármen Lúcia Antunes Rocha. agindo este.

41 40 Ressalta Cármen Lúcia Antunes Rocha que “A entronização. Na nova redação dada pelo artigo 141. (. A Constituição de 1934 introduziu em seu texto de forma expressa o instituto da ação popular. declarada pelo Supremo Tribunal Federal. 23. respondendo cada um. acrescentou-se. por influência ou com abuso de cargo ou função pública. novamente. A Constituição de 1946.. A publicação de livros. para atentar contra a ordem democrática ou praticar a corrupção. 40 Desta forma. tolerada a propaganda de guerra. no Direito Constitucional brasileiro. Sob a influência destes sentimentos é que se deu um momento de extrema relevância na história constitucional concernente à moralidade administrativa. que rezava: “Aquele que abusar dos direitos individuais previstos nos parágrafos 8º. a preocupação mesmo que indireta do legislador com a moralidade na Administração Pública. jornais e periódicos independe de licença da autoridade. dos Estados e dos Municípios”. sem prejuízo da ação civil ou penal cabível. p. no entanto. no caso de enriquecimento ilícito.pautada pela moral. Cármen Lúcia. de convicção política ou filosófica e a prestação de informação sem sujeição à censura. pelos abusos que cometer. § 38. É livre a manifestação de pensamento. de subversão da ordem ou de preconceitos de raça ou de classe.. foi omitido na Constituição de 1937. a denominada “Constituição Polaca”. no entanto. observadas as condições de capacidade que a lei estabelecer. a ação popular foi reintroduzida. A partir da Constituição de 1946 a ação popular fez-se presente em todas as Constituições que a sucederam. o termo “corrupção”. Não será. quando o Brasil atravessou um de seus períodos ditatoriais. mediante representação do Procurador-Geral da República. a proteção ao “patrimônio das entidades autárquicas e das sociedades de economia mista”.. Este importante dispositivo.. Com a retomada da democracia e a promulgação da Constituição de 1946. op. através do artigo 151. rezava o artigo 113. “(.. (ROCHA. salvo quanto a espetáculos de diversões públicas. nos termos da lei.. ao “patrimônio da União. é assegurado o direito de resposta. ofício ou profissão. No § 31 do mesmo artigo 141 pode-se notar. cit.(. 27 e 28 do artigo anterior e dos direitos políticos.) § 23. ou de emprego em entidade autárquica”. bem como ampliado o seu alcance. não se restringiu à ação popular. porém. expressamente... Segundo mencionado dispositivo constitucional. incorrerá na suspensão destes últimos direitos pelo prazo de dois a dez anos.) A lei disporá sobre o seqüestro e o perdimento de bens. dos Estados ou dos Municípios”. trazendo em seu bojo. 222) 41 Os parágrafos a que o artigo faz remissão possuem a seguinte redação: (. Já a Constituição de 1967 traz uma inovação.) “§ 8º. da ação popular como instrumento de atuação do cidadão na defesa do patrimônio público constituiu um dos melhores exemplos da possibilidade constitucional de sua participação no exercício da atividade administrativa como controlador da qualidade ética dos comportamentos públicos”. instrumento utilizado até os dias atuais pelos cidadãos brasileiros que buscam coibir as imoralidades de seus administradores.. inciso 38 daquela Constituição: “Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a declaração de nulidade ou a anulação de atos lesivos do patrimônio da União.) . É livre o exercício de qualquer trabalho. assegurada ao paciente a mais ampla defesa”.

Assim. 2. que se não concretizou todos os desejos sociais. 13 de dezembro de 1968. e Considerando que a Revolução brasileira de 31 de março de 1964 teve. bem como a designação. buscando. a tão esperada democracia brasileira. de 9 de abril de 1964)(. financeira. que centralizou. conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou. o emprego dos termos moral e corrupção foram utilizados para justificar as atitudes daquele governo ilegítimo. reinstaurou-se. clamou por uma Administração provida de credibilidade.1. assegurasse autêntica ordem democrática. as mais diversas atividades. incluindo aí a decretação do confisco de bens daqueles que enriquecessem ilicitamente. com o início de um período de violenta repressão: “O Presidente da República Federativa do Brasil. A sociedade. baseada na liberdade. (grifo nosso) Após um longo período em que a sociedade brasileira encontrou-se tolhida por um regime ditatorial de moral questionável.)” . esgotada por tanto autoritarismo e falta de liberdade.. teve um caráter inovador no que concerne à Administração Pública. A lei poderá determinar os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade.Este mandamento constitucional caiu por terra com os Atos Institucionais que advieram como conseqüência de mais um regime ditatorial. que marcou indubitavelmente a história brasileira. do local da reunião. ‘os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica. política e moral do Brasil. senão em virtude de decisão judicial. ouvido o Conselho de Segurança Nacional. É o que se percebe a partir da leitura das primeiras linhas do Ato Institucional nº 05. qual seja a de um dos princípios retores da Administração Pública. na luta contra a corrupção. deste modo.§ 28. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de § 27. de maneira a poder enfrentar. dos Estados. fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que.1.. Ressalte-se que neste momento de cruel autoritarismo. A Expressividade da Moralidade Administrativa no atual Texto Constitucional A fim de dar uma resposta aos anseios da sociedade é que foi promulgada a Constituição de 1988. O atual Texto Constitucional modificou efetivamente o tratamento dado até então à moralidade administrativa.(.. Todos podem reunir-se sem armas. no respeito à dignidade humana. nenhuma associação poderá ser dissolvida. explicitando-a em vários de seus dispositivos e conferindo-lhe uma importância inquestionável. atendendo às exigências de um sistema jurídico e político. no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo.)”. É garantida a liberdade de associação. de modo direito e imediato. nas mãos do Presidente da República. não intervindo a autoridade senão para manter a ordem. após vários movimentos populares. prevê de forma indubitavelmente clara o artigo 37 da atual Carta Magna: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. por esta..1. os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa pátria’ (Preâmbulo do Ato Institucional nº 1.

É o que se percebe a partir dos preceitos a seguir elencados: No artigo 5º. no § 4º. § 2º. 1994. Já o artigo 74. No já mencionado artigo 37. impessoalidade. legisla acerca dos atos ímprobos.)”. Ao analisar o termo despesa irregular. como visto anteriormente. publicidade e eficiência (.. a garantia do habeas corpus e mandado de segurança em caso de abuso de poder. partido político. cit. V. 41.legalidade. o constituinte. após a análise de todos os preceitos supra mencionados. II – processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal. op. Já no inciso LXXIII fica prevista a possibilidade de qualquer cidadão propor a ação popular que vise anular ato lesivo à moralidade administrativa. p.. Diogo de Figueiredo Neto expõe que ela deve ser entendida como “aquela que passa do conceito de despesa ilegal. o legislador manifesta-se em três oportunidades.. Por fim. “se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública”. associação ou sindicato para “denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União”. . legitima qualquer cidadão. o artigo 85. por proposta do Tribunal de Contas da União. indisponibilidade de bens e ressarcimento ao erário. 42 apud DELGADO. (grifo nosso) Em outros de seus dispositivos. Os crimes de responsabilidade recebem previsão com a redação dada pelo artigo 52. José Augusto Delgado. conferindo-lhes a pena de suspensão dos direitos políticos. a cargo do Congresso Nacional. seguindo a mesma linha das Constituições anteriores. cuja anomalia injurídica só pode ser suscetível de apreciação sobre o prisma da moralidade administrativa” 42. verbis: “Compete privativamente ao Senado Federal: I – processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os Ministros de Estado nos crimes da mesma natureza conexos com eles. além de submeter a Administração Pública ao princípio da moralidade. o ProcuradorGeral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade. (. I e II. prevê a possibilidade de sustação de despesa irregular...)”. revela-se a preocupação da Constituição de 1988 em disciplinar instrumentos que visem coibir a imoralidade administrativa. preceitua que os atos que atentam contra a probidade na administração são crimes de responsabilidade do Presidente da República. respectivamente. em seus incisos LXVIII e LXIX estabelece. O artigo 72. § 2º. Assim. moralidade. vê-se a clara intenção do legislador constituinte em positivar certos valores que até então apenas permeavam os sentimentos da sociedade brasileira. quando.

que de mero princípio geral de Direito passou a integrar a ordem normativa brasileira enquanto princípio constitucional.1. quais sejam a dos atos que causam prejuízo ao erário e daqueles que atentam contra os princípios da Administração Pública. conclui-se que o alcance da atual Lei nº 8.429/92 é indubitavelmente maior. ROSA. cit. Lei de Improbidade Administrativa. que “dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. . Diversas críticas foram feitas a mencionado digesto legal. a fim de dar regulamentação ao já referido artigo 37. e. que foi completada pela Lei nº 3. p. enumerando diversas hipóteses caracterizadoras de enriquecimento ilícito.502/58 (Lei Bilac Pinto). instrumento que.3. por conseqüência. passam a constar.429/92. pode ser utilizado por qualquer cidadão que pretenda anular ato lesivo à moralidade administrativa.3.2. Legislação Infraconstitucional Com a promulgação da Constituição de 1988 e as repercussões inevitáveis provenientes da explicitação da moralidade administrativa. 1º caput)” 44. passando a representar. FAZZIO JÚNIOR. Marino. Márcio Fernando Elias. emprego ou função na administração pública direta. apud PAZZAGLINI FILHO. indireta ou fundacional e dá outras providências”. 29. portanto.429/92 elenca outras duas. adquiridos por influência ou abuso de cargo ou função pública. amplia a esfera dos chamados atos ímprobos. já que a Lei 8.2. 45 Idem. até então as legislações restringiam-se a estabelecer sanções acerca de apenas uma espécie de improbidade administrativa. este diploma legal vem sendo reiteradamente utilizado. entitulado “Moralidade e Probidade”. 30. Desta forma. porém é inegável a sua importância. a segunda regulava “o seqüestro e o perdimento de bens de servidor público da administração direta e indireta. juntamente com outras já existentes. já que. por influência ou abuso de cargo ou função” 45. tão-somente. Outra norma infraconstitucional vigente e de grande relevância no que concerne ao princípio da moralidade administrativa é aquela que regula a ação popular. nos casos de enriquecimento ilícito. já que. p. Antes da vigência da Lei nº 8.164/57 (Lei Pitombo-Godói Ilha).. através do já mencionado artigo 5º. o enriquecimento ilícito. Waldo. como aliás. Enquanto a primeira “sujeitava a seqüestro os bens de servidor público. ou de emprego em entidade autárquica. seguindo os ditames Constitucionais vigentes. A lei que as substituiu. O exemplo mais evidente é o da Lei nº 8429/92. Os atos ímprobos que importam enriquecimento ilícito. § 4º da Constituição de 1988. duas outras leis federais foram elaboradas versando sobre o assunto: a Lei nº 3.2. apesar de algumas impropriedades. LXXIII. cargo. 43 44 ver item 1. como uma das modalidades da improbidade administrativa. leis concernentes a este princípio foram elaboradas. instrumentos auxiliadores para a concretização dos preceitos Constitucionais. ressaltado anteriormente no presente trabalho 43. sem prejuízo da responsabilidade criminal em que aquele tenha ocorrido (art. tem-se revelado de vital importância na busca incessante por coibir os atos destituídos de moralidade administrativa. op.

pela primeira vez na história das Constituições brasileiras. a imoralidade de condutas públicas. 46 As leis que dispõem sobre a Improbidade Administrativa e Ação Popular são as mais freqüentemente mencionadas em esfera de moralidade administrativa. por si só. motivo suficiente para viciar qualquer ato administrativo que não a observe. cit. Legislativo e Judiciários e dá outras providências” e da Lei nº 8.666/93 (Lei das Licitações e Contratos Administrativos).112/90. sob a perspectiva do Texto Constitucional. Cf. cit. Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União. além de estabelecer as vedações e os deveres inerentes aos agentes públicos em geral. anteriormente citado. a partir dos Mandamentos Constitucionais. 222. que legisla acerca dos crimes de responsabilidade dos prefeitos e vereadores. 4. Porém. op. SARAIVA FILHO. Por fim. 47 Insta ser ressaltada a existência do antigo. . judicialmente. Esta inovação. 1993/1995. p. observou-se a “juridicização” da moralidade administrativa. p. outras leis que enquadram a ordem normativa brasileira também merecem destaque por fazerem referências acerca do tema. compatível com a moralidade administrativa. que “estabelece a obrigatoriedade da declaração de bens e rendas para o exercício de cargos. é..730/93.717/65 assegurou ao cidadão um instrumento efetivo para se impugnar. que dispõe acerca dos crimes de responsabilidade do Presidente da República. Assim. penal e administrativa do servidor pelo exercício irregular das suas atribuições. Oswaldo Othon de Pontes. caput.. 129-132. cabe fazer menção à Lei nº 1. como uma maneira de estabelecer a moralidade dentro da esfera da legalidade. op. Vale ainda ilustrar que a Lei 8. 49. A Moralidade Administrativa na Constituição Federal de 1988 Juntamente com o advento da Constituição de 1988.079/50. cit. como bem assinala o Ministro Demócrito Ramos Reinaldo48. porém não menos importante DecretoLei nº 201/67. Cármen Lúcia Antunes. Demócrito Ramos. 2. A autonomia conferida à moralidade é inegável. bem como é autônoma a sua aplicação.Conforme o comentário de Cármen Lúcia Antunes Rocha. empregos e funções nos Poderes Executivo. “A Lei n. como é o caso da Lei nº 8. prevê a responsabilidade civil. fez com que a moralidade administrativa enfrentasse severas modificações no que concerne à construção doutrinária que a ela era destinada até então. trazida pela redação emprestada ao artigo 37. Em primeiro lugar. REINALDO.. parece que se abandonou (ou pelo menos tem-se observado esta tendência) as teorias que vinculavam a moralidade ao desvio de poder.2. grarantindo-lhe a atuação no sentido de exigir a honestidade administrativa por ser este um direito que lhe é inerente ou talvez mesmo um dever que lhe é atribuído constitucionalmente”. a fim de garantir uma conduta ilibada. A moralidade administrativa. 46 47 48 ROCHA. ministros do Supremo Tribunal Federal e procurador-geral da República. p. o controle do ato administrativo imoral independe da existência de qualquer resquício de ilegalidade. ministros de Estado. op.

constar como elementos intrínsecos da atuação administrativa. p.) 49 50 DELGADO. assevera José Augusto Delgado: “O princípio da moralidade administrativa não deve acolher posicionamentos doutrinários que limitem a sua extensão. op. 2. militam nos quadros públicos”. p. é causa suficiente para viciar o ato administrativo. Não há como um só possa dar fundamento para legitimar a vontade de fazer ou a atos de vontade.) 52 Nesse passo. por si só gera. A Administração Pública na Constituição de 1988 (2ª parte).(.1. à vista da condição de mutuamente entrelaçados”. de outro. n. Todos têm presença numa mesma situação relacional. a Constituição ao elencar. cit. aponta Manoel de Oliveira Franco Sobrinho: “Tais princípios (. O simples fato do administrador usar de suas atribuições para fins diversos daqueles conferidos por lei. Fernando Andrade de Oliveira coloca que “(mais) do que a valorização deste ou daquele princípio singularmente considerado. ROSA.. jurídico. ainda que transitoriamente.(.) Não há..2. a impessoalidade. Revista de Direito Administrativo. implica em uma violação direta ao princípio da moralidade. deveres indeclináveis aos que.. p. e deverão. p. Ação Popular: um direito-dever do cidadão e a moralidade administrativa. Ruy de Jesus Marçal. FAZZIO JÚNIOR./dez. quais sejam a legalidade. fazem menção ao dispositivo constitucional denominando-o como “norma-princípio que.) . (OLIVEIRA. São Paulo. (PAZZAGLINI FILHO.. 49. direitos subjetivos pessoais e. cit. 1996. ao lado dos outros princípios elencados no caput do artigo 37 da Carta Magna.../dez.) se afirmam diante de uma unidade preceitual de conteúdo constitucional.51 A violação de quaisquer dos princípios previstos por mencionado artigo.. Fernando Andrade.. p. 52 Nesta linha de argumentação. 226. em seu artigo 37. 219-233. caput. já que formam. 43-87. Rio de Janeiro. 68. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. assim. José Augusto. a publicidade e a eficiência. o que precisa ser destacada é a necessidade da hierarquização dos princípios. administrativo. 41. CARNEIRO. 13.49 Desta forma.) O interesse jurídico contido no ato administrativo deve se subordinar ao interesse jurídico da moralidade. o que demonstra a estreita ligação que os quatro princípios mantém entre si. 206. (. 51 Os autores da obra Improbidade Administrativa: Aspectos Jurídicos da Defesa do Patrimônio Público. 1994. os princípios da Administração Pública. constituem pressupostos da ação administrativa. das normas e dos valores. op. tem-se que a moralidade administrativa. de um lado. Waldo. n.Sob esta perspectiva. caput da Carta Magna Como já salientado anteriormente. sob pena de invalidação. 1995. M arino. obrigatoriamente.. Márcio Fernando Elias. conjuntamente. A Moralidade Administrativa em relação aos demais princípios insculpidos no artigo 37. tornou-os elementos de observância obrigatória ao atuar administrativo. out. possibilidade de não se reconhecer a sua supremacia”. out. os pressupostos de qualquer atuação da Administração Pública. São “princípios regentes da Administração Pública” 50.. Nenhum deles traz sentido de valor estanque.

os despachos intermediários e finais. as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados. atual. de 6. 190. p. p. 9. v. n. Segundo os ensinamentos deixados por Hely Lopes Meirelles. investigações policiais ou interesse superior da Administração a ser preservado em processo previamente declarado sigiloso nos termos do Dec. p. 1995. ficando assim indispensáveis. jul. 56 Hely Lopes Meirelles aponta que o sigilo só é admitido “nos casos de segurança nacional. Direito Administrativo Brasileiro. os processos em andamento. com algumas ressalvas56. Celso Antônio Bandeira de. rev. 250-251.. p. para uma exata configuração jurídica dos atos administrativos. que traduza a vontade geral”. 207-221. Rio de Janeiro. 247-252. dos princípios que. Amandino Teixeira. Na falta de qualquer dos princípios. os atos concluídos e em formação. 1992.) abrange toda atuação estatal. constituem os princípios básicos da Administração Pública expressos no caput do artigo 37 da Constituição Federal. 21. ed. se reúnem como elementos de composição da vontade. de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. Hely Lopes.77”.1. numa síntese de manifestação volitiva administrativa. Essa publicidade atinge. Brasília. bem como os 53 FRANCO SOBRINHO. não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos como. São Paulo: Malheiros./dez. Ensina Amandino Teixeira Nunes Júnior que tal princípio “significa que as atividades da Administração Pública se subordinam ao império da lei. senão todos. Manoel. 733 p. ampl. 86) . conclui-se pela vital importância de cada um dos princípios.53 Desta forma. os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos. consiste no dever da Administração tornar público todos os atos por ela realizados. benéficas ou detrimentosas./set. p. também. nem favoritismo nem perseguições são toleráveis. de facções ou grupos de qualquer espécie”. não privilegiando. (. Revista de Informação Legislativa. São Paulo: Malheiros. da impessoalidade. federal 79.55 Já o princípio da publicidade. pessoas ou grupos específicos. com suas atitudes. 1997b. como o próprio nome já prescreve. da moralidade e da publicidade. 655 p. não um. Revista de Direito Administrativo. Simpatias ou animosidades pessoais. os atos não ficam legítimos e carecem de validade”. assim. ed. “Nele se traduz a idéia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações. O princípio da legalidade talvez seja o mais conhecido e explicitado pela doutrina.Os quatro princípios lembrados da legalidade. 54 NUNES JUNIOR. por sua vez.54 O princípio da impessoalidade. Trata-se de limitação da atividade administrativa.. políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses sectários. mesmo que muito sucinta. Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello.(grifo do autor) (MEIRELLES. estabelecendo o primado da lei. out. 31. visando coibir o arbítrio. o que torna necessária a abordagem. 127. 1997. 55 MELLO. “A publicidade. juntamente com a moralidade. 70. A discricionariedade administrativa e o controle judicial de seus Limites. Do Princípio da Moralidade Administrativa. 22. n. Curso de Direito Administrativo.099. p. consiste no dever do agente público primar sempre pelo interesse coletivo.

além de representar pressuposto de validade da atuação administrativa. revelando-se. O Princípio da Moralidade no Direito Tributário. Rio de Janeiro. abr. 204. determinar que o administrador público deve ser impessoal. Uma vez estabelecidos os conceitos básicos dos princípios da legalidade. já que esta. da impessoalidade e da publicidade “terminam por desaguar na moralidade pública”. portanto. que os administradores devem cumprir a lei é reiterar formulação essencial e postada no mais relevante artigo da Constituição Federal. elenca. os atos administrativos devem ser transparentes. O mesmo se dá com o princípio da publicidade. sendo. op.58 Ante tais ensinamentos. 352-354. No momento. Por outro lado. O art. não podendo privilegiar amigos. n. O princípio da moralidade administrativa. face à sua recente explicitação. conclui-se por conferir uma inegável superioridade à moralidade administrativa. . visto que o administrado não pode desconhecer as regras da Administração. Exceção feita às questões de segurança nacional. MARTINS. resoluções de gaveta. tem-se o princípio da eficiência. garante a ordem. da impessoalidade. é princípio essencial.. 1996. pois. p. 5º./jun. que é voltada ao cidadão mais do que àqueles que o devem servir. oferta segurança e protege os cidadãos. p. No sentido de dar ênfase a este destaque é Ives Gandra da Silva Martins aduz que os princípios da legalidade. carece de maiores pronunciamentos doutrinários. a impessoalidade dimensão parcial da moralidade. O mais relevante. Ives Gandra da Silva. cit. como seu alicerce. pois está à disposição da sociedade. aprovada pelos representantes do povo. é afetar faceta da ética administrativa. não se admitindo decisões escusas. de 04 de junho de 1998.57 Por fim. Que torna a Administração confiável perante a sociedade e que faz do administrador público um ser diferenciado”. nos regimes democráticos. aquele que se destaca de forma absoluta. 87. bem como porque esta última merece uma posição destacada dentro do contexto dos princípios que regem a Administração Pública. a obediência à lei. inciso I da Constituição Federal. Revista de Direito Administrativo. 352-365. parentes ou interesses em detrimento do bem servir. portanto. pois. adicionado ao caput do artigo 37 da Constituição através da Emenda Constitucional nº 19. cabe demonstrar qual a relação destes princípios com a moralidade administrativa. da publicidade e da eficiência. que. p.comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes”. e que. Hely Lopes. poder-se-ia conceituá-lo como um princípio que tem por escopo a maximização dos resultados da atividade da Administração Pública. E explica o autor: “O princípio da legalidade reveste todo o sistema jurídico do país. acaba por influenciar o conteúdo de todos os demais princípios. Dizer. 57 58 MEIRELLES.

tanto nos atos vinculados quanto nos discricionários. op. o método para detectar ofensa ao princípio da moralidade administrativa. que. Valéria Oliveira Quixadá pronuncia-se da seguinte maneira: “(. por força da fluidez das expressões da lei ou da liberdade conferida no mandamento. jan. p. São Paulo: Malheiros. segundo critérios consistentes de razoabilidade.. expressos ou implícitos. cit. por conseguinte. principalmente. 62 QUIXADÁ. 2. Por outro lado. p. por constituir-se em sua exigência. 110 p. Aponta o autor que “Discricionariedade (. ed. op. Revista do Tribunal de Contas da União. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. Maurício Antonio Ribeiro. DELGADO.até mesmo. uma solução unívoca para a situação vertente”. No tocante a estes últimos. como bem assevera Cármen Lúcia Antunes Rocha. o princípio constitucional da moralidade administrativa. na lógica do razoável para constatar se a finalidade pública almejada foi alcançada em toda a sua extensão”. Alcance O alcance da moralidade administrativa revela-se um tema demasiadamente controvertido. perante cada caso concreto.. Brasília.. 61 Neste sentido: REINALDO./set. que estabelece uma estreita ligação entre o princípio da moralidade e o 59 Assim. e BASTOS. não se deve perder de vista que o limite para o exercício do juízo de oportunidade e conveniência encontra-se na fronteira que o separa do arbítrio. dela não se possa extrair objetivamente. LOPES. v.. dentre pelo menos dois comportamentos cabíveis.. 1997. op. 73. para tanto. José Augusto. cit. sem sombra de dúvidas. cit. cit. Cármen Lúcia Antunes. 1993/1995. op. 1998.. No entanto. Celso Ribeiro.). seguindo o entendimento de diversos autores. 1993. de elemento interno a fornecer a substância válida do comportamento público. O Princípio da Moralidade no Direito Público... cuja natureza suscita polêmica na doutrina. QUIXADÁ. 22.(ROCHA. cit.62 O termo “razoável” acima utilizado pode ser entendido a partir dos ensinamentos de Weida Zancaner. um.. que vem suscitando divergências entre os estudiosos do assunto. 59 2. p. 213-214. 56.2.. evidencia a moralidade como elemento inafastável dos atos discricionários. (MELLO: Celso Antônio Bandeira de.. Discricionariedade e Controle Jurisdicional. São Paulo.61 Defendendo esta corrente. Toda atuação administrativa parte deste princípio e a ele se volta. sejam eles discricionários 60 ou vinculados.) a aplicabilidade do princípio da moralidade administrativa enseja limites à atuação dos agentes políticos e administrativos como conseqüência de estarem vinculados a um dever geral de boa administração e de sujeição ao interesse público (. Os demais princípios constitucionais. p. .) 60 Adota-se. um verdadeiro sustentáculo dos princípios norteadores da Administração Pública. Princípio da Moralidade Administrativa: Autonomia. 48. o conceito de discricionariedade de Celso Antônio Bandeira de Mello. jul. que tais restrições à liberdade do administrador para a edição de atos administrativos alcançam tantos os atos vinculados. n... Valéria Oliveira. “tem uma primazia sobre os outros princípios constitucionalmente formulados.2. p. Valéria Oliveira. 1993.) é a margem de liberdade que remanesça ao administrador para eleger. Aplicabilidade e Controle em Face da Constituição de 1988./mar. a fim de cumprir o dever de adotar a solução mais adequada à satisfação da finalidade legal. somente podem ter a sua leitura correta no sentido de admitir a moralidade como parte integrante do seu conteúdo”. quando. op. como também os discricionários. reside. Não podemos ouvidar. entende-se que a aplicação do princípio da moralidade administrativa alcança os atos administrativos de qualquer natureza. 51-61. 4454. Demócrito Ramos.

) 66 DELGADO. 02. sua existência está subentendida. mesmo quando forem “os juízes absolutos da oportunidade e da conveniência de determinados atos administrativos”. A manifestação há que ser objetiva. Weida. Silva fazem a seguinte afirmação: “O denominado poder discricionário. como aduz José Augusto Delgado. o princípio da razoabilidade “exige. ibidem. 215-216. José Augusto. Sob esta ótica. sob pena de afrontar a moralidade administrativa. gera arbitrariedade. de invalidação. já que atitudes fraudulentas. deverão orientar-se sob a égide do interesse público. do caráter de moralidade”. apesar da razoabilidade não constar expressamente do Texto Constitucional. cit. configurarão.princípio da razoabilidade e aduz que. tem sido utilizado como arcabouço jurídico de grande parte do arbítrio e desmandos dos eventuais ocupantes do poder. ser eliminado” 64. deve fazê-lo. op.2. p. 65 André Ramos Tavares e Guilherme Amorim c. De acordo com a autora. já que. enfim. Valéria Oliveira. E acrescenta o autor: “Mesmo quando atua com certa margem de determinação no tocante à oportunidade e à conveniência. a partir destes ensinamentos. alguns se comportando como autênticos donos da coisa pública”. certamente. contudo. Revista Trimestral de Direito Público. a real concretização deste preceito constitucional. 1993.. equilibrada. deverá ter uma conduta orientada pela razoabilidade. já que o ato desarrazoado “desvirtua a finalidade da lei. (apud BASTOS. cit.3. pelo que deve se revestir. Urge. 1993. Razoabilidade e Moralidade na Constituição de 1988. op. Efetividade A Constituição Federal de 1988. QUIXADÁ. A moralidade já foi juridicizada: almeja-se. já que por vezes particulares também deverão observar tal princípio. que se relacionam com a Administração Pública. descumpre o interesse público. 209. sob pena de terem seus atos invalidados. 46. p. em geral as jurídicas. 205-210. sendo passível. por exemplo. tem-se que o agente público. então. especialmente em sua atuação discricionária. sem qualquer arbítrio. sensata e atue de modo compatível com o bem jurídico que ela pretende curar” 63. por conseguinte. 64 Idem.66 Ressalte-se ainda que o alcance da moralidade administrativa não fica adstrito aos agentes públicos. 63 ZANCANER. tão-somente. em sua totalidade. em violação a este princípio.67 2. como já ressaltado ao longo deste trabalho. simplesmente que a Administração Pública no exercício de atuação discricionária seja racional. p. É o caso das pessoas. cit. n. processos licitatórios. dotado de forte matiz político. p. . entende-se que o poder discricionário conferido aos agentes públicos não pode ser justificativa para a arbitrariedade evidenciada na atuação de muitos deles65. Destarte. afronta o sistema jurídico como um todo e necessita. conseqüentemente. proclamou a moralidade administrativa como princípio constitucional brasileiro em seu artigo 37.. São Paulo. p. os licitantes deverão pautar por uma conduta orientada pela moralidade administrativa. Em situações como. a sua efetividade.. Celso Ribeiro. baseada em norma jurídica positiva que a legitime e com visão voltada a atender a um fim público. op. 56-57. 67 Cf.

fazendo prevalecer. 1..... Por isso. “O bem administrar se constitui numa atuação conjuntural que produza. condições para que o fim a que se destina o Estado seja atingido. o que acabaria por restringir o seu alcance. cit. Ao ângulo subjetivo. São Paulo. 71 DELGADO.O termo “efetividade” ora empregado. 69 Acerca do assunto. abr. 213. v. jan. se estaria subsumindo um ao outro princípio tornando-se ocioso falar-se em moral administrativa”. Princípios Constitucionais Brasileiros. p.)”. no mundo dos fatos. op. atém-se ao conceito elaborado por Luís Roberto Barroso. não necessita de qualquer regulamentação. eficazmente. Urge definir de alguma forma os seus contornos. como a moralidade comum. se torna bem claro que bem comum e moralidade administrativa são ideais que jamais se podem objetivar de modo total em simples regramento de direito positivo. deve fazê-lo (. 19. é imanente ao direito por a 68 BARROSO.) 70 REINALDO. 1997. n. De acordo com o autor. efetiva é a norma constitucional que enseja a concretização do direito que nela se substancia. 1993. Luís Roberto. A lei há de desempenhar este papel. que assim expõe seus entendimentos: “Não basta apregoar a moralidade pública. propiciando o desfrute real do bem jurídico assegurado”. tem-se que o conteúdo da moralidade administrativa deve ser sacado da própria noção de “bom administrador” e não limitado em uma norma qualquer. pois. 1. 37).. 147. A moralidade administrativa. op./jun. p. Como bem assevera José Augusto Delgado. Ela simboliza a aproximação. Revista Trimestral de Direito Público. 1993. A precisão que se exige da legalidade não tem cabimento quando se trata da moralidade. . tão íntima quanto possível entre o dever-ser normativo e o ser da realidade social./mar. sob a justificativa da vagueza e imprecisão do conteúdo da moralidade administrativa. cabe salientar.. dando-lhe um mínimo de precisão.70 Sob este prisma.) designa a atuação prática da norma. entendem que a sua efetividade está comprometida. Demócrito Santos Reinaldo tece o seguinte comentário: “O princípio da moralidade administrativa. tampouco poderia depender de lei que explicitasse o que é ou não moral. p. Joaquim Antônio Castro. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas. p. José Augusto.a68 Muitos são os autores que. São Paulo. 19. v. 1995. p. a moralidade administrativa tal qual a atual Constituição Federal determina. “Efetividade (. O Princípio da Moralidade Administrativa. 146-148. os valores por ela tutelados. Demócrito Ramos. iluminar-lhe os meandros e aclarar-lhe pontos obscuros. 169. na sua dicção ampla (art. Não basta invocar o princípio. Tendo em vista que a intenção do legislador constituinte ao explicitar a moralidade foi conformar a atuação da Administração Pública com os anseios de seus administrados71. 69 É o caso de Joaquim Antônio Castro Aguiar. de outra forma. p. (AGUIAR. cit. 168-185. Eles se caracterizam e se tornam visivelmente presentes através das ações concretas do administrador público quando se apresentam totalmente desprovidas de qualquer desvio ou abuso de poder. Alguns autores buscam até mesmo a positivação do seu conteúdo.

Diogo de Figueiredo Moreira Neto ocupou-se do que ele próprio denomina “problema da caracterização da moralidade administrativa”77. 13-20. se tutele os atos que afrontem tal princípio. 1. Manoel de Oliveira Franco Sobrinho.72 Assim. mesmo que não exista qualquer dispositivo expresso dizendo a respeito”. quando abusa no seu proceder e fere direitos subjetivos públicos ou privados. 1993.. condição de ser exigido pelo povo”.. 09-15. (o grifo é do autor) 76 DELGADO.não exprimir-lhe mais que a própria validez da norma. tece algumas considerações referentes à caracterização do ato imoral. José Augusto. quando a ação é maliciosa. FRANCO SOBRINHO. Manoel de Oliveira. ou. p. absorvam a idéia da moralidade administrativa tal qual o legislador constituinte a concebeu.) imoral é o ato administrativo que não respeita o conjunto de solenidades indispensáveis para a sua exteriorização. quando foge da oportunidade ou da conveniência de natureza pública. tendo em vista a vagueza e imprecisão do conteúdo deste princípio.. a real efetividade da moralidade administrativa não está a espera de qualquer tipo de normatização. op. ao contrário. por exemplo. 213-214.76 Destarte. que a tem como pressuposto fundamental. cit.b73 2.3. op. Ela é parte íntima do direito positivo.75 Apesar da complexidade ora apontada. 1993. op. ao tecer apontamentos acerca de tal dificuldade.. 72 b DELGADO.) necessita ser. 213. A sua violação implica tornar inválido e censurável o ato praticado com apoio na norma. 75. p.. 77 MOREIRA NETO. Basta que a sociedade brasileira. cit. o importante papel dos doutrinadores. Partindo de todas estas observações e utilizando os ensinamentos de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. Caracterização da Moralidade Administrativa A caracterização da moralidade administrativa vem se demonstrando uma tarefa de árdua consecução. 212. assevera que para se conhecer um ato imoral. “há sutilezas que pedem constatação hermenêutica. v. Como assinalado pelo autor. p. ainda. imprudente. p. p. para que o seu valor seja publicizado com o máximo de eficiência e gere. Curitiba. “(. José Augusto Delgado. . que o autor denomina “vício da nãomoralidade” 74. José Augusto. Como observado por José Augusto Delgado. cit. cada vez mais. 75 FRANCO SOBRINHO.. p. vários são os autores que vem se empenhando no estudo do tema. abr. Ressalte-se. A Moralidade Administrativa nos Atos e Contratos Administrativos. 1994.. especialmente os membros da Administração Pública e do Poder Judiciário. p. op.. observa-se que a caracterização da moralidade administrativa requer a análise conjunta de diversos elementos. mas também. Revista de Direito Administrativo Aplicado. demoradamente explicitado pela doutrina. 15. Manoel de Oliveira. (o grifo é nosso) 73 74 Idem. não só a conscientização do seu cumprimento. mesmo que somente no futuro essas feições ou alguma delas se tornem reais”. para que se observe o seu cumprimento. 1993. inclusive o exame prático da intenção administrativa e o porque psicológico de seu desvirtuamento”. Diogo de Figueiredo. “o princípio da moralidade administrativa (. cit.

op.) decorre da falta da necessária correspondência entre o que deveria motivar o ato e a natureza categorial do seu objeto. levando a um resultado incompatível com o atendimento de interesse público específico a que deveria visar o ato”. incompatível ou desproporcional à finalidade pública.. pelo menos nos termos pretendidos por seu agente. por fim.........) é aquele que não guarda adequação com o objeto do ato. bem como quando o objeto analisado for impossível.) O objeto é desconforme (. assim. embora declinado verdadeiramente. insuficiente. após tecer estes comentários iniciais. Diogo de Figueiredo Moreira Neto explicita. op. cit.. MOREIRA NETO.) não pode suportar a realização de qualquer finalidade pública..) O motivo incompatível (. p. 11-13. for erroneamente estimado pelo agente para servir de fundamento para sua ação. 79 . cit.).. aponta que por vezes observa-se a manipulação dos elementos motivo e objeto. dita caracterização pressupõe o entendimento que a moralidade administrativa convive em estreita ligação com o inafastável objetivo dos atos administrativos. o interesse público (entendido enquanto elemento finalidade de qualquer ato administrativo) não poderá receber uma análise isolada. (.. seu método de verificação do ato imoral. as definições deduzidas pelo autor acerca de mencionados motivos e objetos.) O motivo insuficiente (. objetivamente. (.c 79 Já em relação aos objetos. tece as seguintes considerações: “O objeto é impossível (. for observado motivo inexistente.) O motivo desproporcional (...... desconforme ou ineficiente. No entanto. 11-13. designando várias espécies de motivos e objetos que viciam o ato administrativo por serem incompatíveis com a moralidade administrativa..) 78 c MOREIRA NETO. no ato administrativo.) quando o resultado jurídico visado pelo agente não se compatibiliza com o ordenamento jurídico..(. inadequado. 78 Cumpre assinalar. revelará imoralidade administrativa sempre que.De acordo com o autor.. Justificando esta afirmação..(.) quando ocorrer uma incompatibilidade lógica entre sua escolha (discricionária) e o interesse público contido na regra da finalidade. p.) dificilmente poderá suportar a realização de um interesse público... o que acaba por dar a falsa impressão de que o interesse público almejado foi alcançado..) O motivo inadequado (.. (. (. discorre: “O motivo inexistente (. Preleciona o jurista que o chamado “vício da moralidade” encontra fundamento sempre que.. Quanto aos motivos. qual seja o interesse público.. já que a sua realização não é suficiente na configuração da moralidade administrativa. Com efeito.

Maria Sylvia Zanella di Pietro lembra que a Constituição de 1988 oferece a possibilidade do que denomina “controle popular”. 82 Defende a autora que o controle popular “é (. São Paulo: Atlas. Hely Lopes. elemento inafastável do atuar administrativo.1. 567 p. da obtenção de uma Administração Pública com sua prática pautada pelos princípios elencados na atual Carta Magna. que apesar do controle ser incumbência estatal. o que acabou por ampliar o seu espectro e garantir uma maior tutela dos direitos dos administrados em face de seus administradores. 82 Quanto à abrangência deste controle... cit. por conseqüência. ed. Controle em Administração Pública.81 Esta faculdade. como se tentará demonstrar.) quando ocorrer grave comprometimento do interesse público pela desproporcionalidade entre custos e benefícios”. 575. 13-14. MEIRELLES. op. p. especialmente no seu artigo 37.. Direito Administrativo. “é a faculdade de vigilância.. 478. Desta forma. Maria Sylvia Zanella. como já visto. uma vez que a participação dos administrados no controle também é viável.80 Assim. em princípio. conforme extrai-se dos ensinamentos deixados por Hely Lopes Meirelles. (. Neste sentido.1. Noções Gerais acerca do Controle da Administração Pública 3. 1994.. para que o interesse público realize-se em sua inteireza. 5. a responsabilidade pela sua concretização não fica adstrita ao Estado. Assim. o mais eficaz meio de controle da Administração Pública”. p.) o complexo de atividades 80 81 Idem. mister se faz o entendimento de que a Administração Pública é o “conjunto de órgãos administrativos..) provavelmente. o controle no âmbito da Administração Pública tem-se mostrado como a garantia da realização do “bem administrar” e. (DI PIETRO.) .O objeto é ineficiente (. órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro”.. caput.1. orientação e correção que um Poder. p. já que o ato administrativo que acompanha os preceitos da moralidade deverá trazer em seu bojo os elementos motivo e objeto coadunados com o elemento finalidade pública. Conceito A Administração Pública tem sua atuação vinculada a uma série de exigências. no sentido que a eles incumbe provocá-lo sempre que entenderem que seus interesses ou mesmo interesses coletivos estejam sendo lesados. recebeu diversas inovações por parte da Constituição de 1988. Capítulo 3 – O Controle da Moralidade Administrativa 3. Ressalte-se. que se fazem necessárias para a consecução do interesse público. torna-se indispensável a conduta do agente público visando a já mencionada “boa Administração”. a caracterização da moralidade administrativa deve realizar-se a partir do estudo do interesse público em total e íntima relação com os elementos motivo e objeto dos atos administrativos.

a seguir. cit. (SILVA.2. traçar uma diferenciação exata entre os órgãos que estruturam o governo propriamente dito e as funções que indicam seu setor administrativo”. cit. cit. 87. 1995. 13-14. na expressão de Regina Maria Macedo Nery Ferrari. atingindo os demais poderes sempre que exercerem funções administrativas. com base nestes apontamentos iniciais. Maria Sylvia Zanella. p. Modalidades Apesar de vários autores apontarem as mais inúmeras formas de controle da Administração Pública.. o controle será administrativo. dificilmente.. De Plácido e. op. 84 FIGUEIREDO. além das suas atribuições específicas. igualmente. v. 1997. p. de pronto. Márcio Fernando Elias. que classifica as diversas espécies de controle a partir de critérios específicos. 3. 83 Destarte. p.2. será interno ou externo conforme provenha de órgão que faça parte ou não a atividade controlada. Tal controle pode partir de iniciativa da própria Administração Pública ou pode ser provocado por seus administrados.1. p. tão-somente as formas de controle que levam em consideração o órgão ou autoridade que o realiza. Vocabulário Jurídico.desempenhadas imediatamente pelo Estado. Controle da Administração Pública: um aspecto interessante. op.. citando Agustín Gordillo. 37-47.1. 13. se vislumbre qualquer tipo de lesão. Marino. Sob este prisma. funções administrativas. concomitante ou posterior dependendo do momento que seja executado. Lúcia Valle. em seu Vocabulário Jurídico. Curitiba. conceitua Administração Pública da seguinte forma: “Num sentido amplo. por tal forma que. Regina Macedo Nery. se entrelaça com a da administração. expressando um sentido de governo.1. se poderá. p. 4. portanto. que o controle da Administração Pública é instrumento que deve ser utilizado sempre que. 30. ROSA. 3. mar. já que estes últimos. que. 39. por fim. legislativo ou judicial de acordo com o órgão que o exerça. . Controle Interno 83 Cf. 85 DI PIETRO. abarcando. o Poder Executivo bem como os Poderes Legislativo e Judiciário. por vezes. explicitar-se-á. op. excluídos respectivamente os atos e fatos materialmente legislativos e jurisdicionais’. 86 Idem. Waldo. a direito individual ou coletivo ou simplesmente violação dos preceitos que os agentes públicos devem obediência. na realização da função administrativa. utilizar-se-á o método adotado por Maria Sylvia Zanella Di Pietro 85. Rio de Janeiro: Forense. PAZZAGLINI FILHO. 86 Tendo em vista a enorme gama de modalidades ora apresentadas. 40. tendo em vista os atendimentos das necessidades públicas”. ou mesmo iminência de lesão. exercem. Revista de Direito Administrativo Aplicado. administração pública pode ser compreendida como uma das manifestações do poder público na gestão ou execução de atos ou de negócios políticos. “conceitua a função administrativa como ‘toda a atividade realizada pelos órgãos administrativos e a atividade que realizam os órgãos legislativos e jurisdicionais. 479.” 84 Conclui-se. Assim. FAZZIO JÚNIOR. consistem nos tipos clássicos de controle: o controle interno e externo. 87 FERRARI. . 875 p. cujo conceito. ed. e. será de legalidade ou de mérito conforme a análise que se proceda do ato. tem-se que o controle da Administração Pública não se restringe ao Poder Executivo. Já De Plácido e Silva. se confunde com a própria função política do poder público. Lúcia Valle Figueiredo. ibidem. será prévio.

Esta espécie de controle vem insculpida pelo artigo 74 da Constituição. na forma da lei. 38. venha a remanescer no caso concreto. dada a impossibilidade de ser objetivamente reconhecida qual delas seria a única adequada”. avais e garantias. II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados. podendo atingir seu mérito88. cit. sistema de controle interno com a finalidade de: I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual. a apreciação judicial”. que prevê: “Os Poderes Legislativo. op. denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. também denominado pelos autores de controle administrativo ou autocontrole. respeitados os direitos adquiridos. Celso Antônio Bandeira de. da gestão orçamentária. segundo critérios de conveniência e oportunidade. ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade. por motivo de conveniência ou oportunidade. partido político. a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União. atingindo sua finalidade plena. que é a satisfação das necessidades coletivas e atendimento dos direitos individuais dos administrados”. Compreende-se. ou revogá-los. III – exercer o controle das operações de crédito. p. bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. 580. 1993. é aquele que se dá no âmbito dos órgãos em que a atividade administrativa a ser controlada está inserida. . Assim. Preleciona mencionada súmula: “A Administração pode anular seus próprios atos. cit. op. sob pena de responsabilidade solidária. 89 MEIRELLES. p. IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União. associação ou sindicato é parte legítima para. mérito do ato administrativo “é o campo de liberdade suposto na lei e que. quanto à eficácia e eficiência. Executivo e Judiciário manterão.89 Diversos são os meios para o controle administrativo. bem como dos direitos e haveres da União. Conforme exposto por Hely 88 O conceito de mérito que ora se utiliza é aquele elaborado por Celso Antônio Bandeira de Mello. para que o administrador. e ressalvada.” Outrossim. financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal. sendo a Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal a manifestação mais referendada.. § 1º Os responsáveis pelo controle interno. portanto. quando eivados de vícios que os tornem ilegais. de forma integrada. efetivamente. § 2º Qualquer cidadão. (MELLO. se decida entre duas ou mais soluções admissíveis perante ele. já que tem como objetivo precípuo assegurar “que a atividade pública em geral se realize com legitimidade e eficiência. Para o autor.. que o controle interno a ser realizado na Administração Pública não se atém à legalidade do ato. observa-se esta modalidade de controle sendo exercida pelo Poder Executivo e pelos órgãos administrativos dos Poderes Legislativo e Judiciário sobre as atividades provenientes de suas próprias esferas. Hely Lopes. em todos os casos. tendo em vista o exato atendimento da finalidade legal. os Tribunais Pátrios pronunciaram-se a respeito do controle interno. porque deles não se originam direitos.O controle interno.

através do recurso administrativo. Maria Sylvia Zanella. p.. A seguir. bipartem-se em fiscalização hierárquica e recursos administrativos. p. 482. Destarte. o controle popular torna-se viável. é aquele exercido pelos órgãos do Poder Legislativo.) Os recursos administrativos são um corolário do Estado de Direito e uma prerrogativa de todo administrado ou servidor atingido por qualquer ato da Administração”. da legalidade e da moralidade a que estão subordinados. o administrado poderá “exigir dos órgãos públicos informações de interesse coletivo ou geral”. na reclamação administrativa. caso em que o controle interno dar-se-á por provocação do administrado. público ou privado. far-se-á uma breve análise do controle legislativo e do controle judiciário. consistir na representação..(.) A fiscalização hierárquica é exercida pelos órgãos superiores sobre os inferiores da mesma Administração.. 91 A primeira expressão é utilizada por VASCONCELOS. no pedido de reconsideração. Conforme apregoado por Edson Aguiar de Vasconcelos.90 Importante conferir destaque para a possibilidade do “controle popular pela via administrativa” ou “controle interno com a participação do administrado” . Controle Legislativo O controle legislativo. Já FIGUEIREDO. (. por consegüinte. 123. XXXIX). XXXIII) e o “direito de petição ou representação” (art. não se afastem do interesse público e. orientar e corrigir suas atividades e agentes. são todos os meios hábeis a propiciar o reexame de decisão interna pela própria Administração. afirma o autor. Edson Aguiar de. cit. esta espécie de controle será exercida.91. que é realizado por órgão distinto daquele em que se encontra a atividade controlada.. Rio de Janeiro: Forense. op. p. nos recursos hierárquicos próprios e impróprios ou ainda na revisão.) Recursos administrativos. cit. (. 5º. O direito de petição será exercido. Fazendo uso de tais direitos. DI PIETRO. em acepção ampla. em geral. 123-124. conforme o caso. op. Controle Externo Além do controle interno. Edson Aguiar de. op. Lúcia Valle.Lopes Meirelles. Idem. observa-se inserida na Ordem Constitucional vigente a existência de mecanismos conferidos aos Poderes Legislativo e Judiciário para a realização de mencionado controle. 93 3.. 186 p. que tem por objetivo precípuo assegurar que os agentes. p. também denominado controle parlamentar. ou a coibir ilegalidade ou abuso de poder” 92.. a partir de dois dispositivos Constitucionais que asseguram ao administrado o “direito à informação” (art. 235 faz uso da segunda.2..1. 581-582. bem como encaminhar “denúncia formalizada destinada à defesa de direito. .2.. 92 VASCONCELOS.. 1993. “de um modo geral. Instrumento de Defesa da Cidadania na Nova Ordem Constitucional: Controle da Administração Pública. dentro do atuar administrativo. já que consistem em formas de controle inseridas na modalidade do controle externo da Administração Pública. cit. que poderá. tem-se a existência do controle externo. 93 Cf. Assim. visando a coordenar. especialmente. 90 . a.

Waldo. cit. e PAZZAGLINI FILHO. 41.. Valéria Oliveira.dependendo da esfera.94 Mencionado controle. Márcio Fernando Elias. cit. 74. MELLO. cit. tanto de ordem financeira. a possibilidade de participação popular também nesta forma de controle da Administração Pública. respectivamente. b.. ROSA. como órgão auxiliador do Poder Legislativo.) 95 Neste sentido MEIRELLES. a fim de exigir a sua adequação com os princípios constitucionais. se federal. “não podendo ser ampliado fora do âmbito constitucional”. defende que o 94 A respeito do Tribunal de Contas. também em relação ao crimes de responsabilidade cometidos pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal. op. por fim. cit. pelo Congresso Nacional. . principalmente os previstos em seu artigo 37. através do Senado Federal e isto. 96 97 FERRARI. Marino. Controle Jurisdicional O controle jurisdicional da Administração Pública é tema que suscita polêmica por parte da doutrina. que. op. no entanto. Valéria Oliveira Quixadá expõe que suas atribuições foram bastante ampliadas em face no novo Texto Constitucional. op. cit. da participação na realização do exercício da função administrativa do Executivo pela aprovação ou autorização para atuar. caput.. nos termos dos artigos 70 e 71 da Constituição.. Tal amplitude demonstra que a fiscalização exercida agora pelas Cortes de Contas Brasileiras tende à formação de um juízo sobre fatores de legitimidade fora. 605 e DI PIETRO. E aduz: “O seu poder judicante sobre as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros. Defende esta última autora ser esta modalidade de controle uma exceção ao princípio da separação dos poderes. incide sobre atos. da convocação de autoridades para prestarem informações. 95 A efetivação do controle legislativo dar-se-á através das Comissões Parlamentares de Inquérito.96 Insta assinalar. p. da Constituição Federal de 1988. 488. bens e valores públicos da administração direta e indireta. Hely Lopes. p. Desta forma. orçamentária e patrimonial. § 2º. op.. p. muitas vezes. em diversos momentos.. Neste sentido: MEIRELLES. 59. pelas Assembléias Legislativas ou pelas Câmaras de Vereadores. 1997. op. § 3º. do processo e julgamento do Presidente e Vice Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os dos Ministros de Estado nos crimes conexos com aqueles. conferida através dos artigos 58.97 Este entendimento parece não haver se adequado com os novos ditames trazidos pelo Texto Constitucional vigente. expressa a vontade do legislador constituinte em viabilizar um amplo controle dos atos administrativos. FAZZIO JÚNIOR. A corrente mais tradicional afirma ser este um instrumento que se atém à análise da legalidade do ato administrativo. do julgamento das contas do Chefe do Executivo. op. ao revés. pois abalaria a harmonia que se faz necessária entre os três poderes. Ao Tribunal de Contas também é conferida a participação nesta modalidade de controle. p. Procurador Geral da República e Advogado-Geral da União. § 2º e 31. Hely Lopes. op. Maria Sylvia Za nella. como também sobre aqueles de natureza operacional e que envolvam aspectos de economicidade. de considerações meramente legais. A corrente que se entende ser mais acertada. cit. parte de uma análise mais pormenorisada das inovações trazidas pela atual Carta Magna. Regina Maria Macedo Nery. cit. Celso Antônio Bandeira de. já que o controle indiscriminado por parte do legislativo acabaria por afetar ou mesmo inviabilizar o princípio da separação dos poderes. estadual ou municipal. (QUIXADÁ. não se dará de maneira ilimitada: o Poder Legislativo há que obedecer às delimitações impostas constitucionalmente.

No momento. o mandado de injunção. op. 98 Defendendo a ampla abrangência do controle da Administração Pública em face da Constituição Federal é que assevera José Augusto Delgado: “A Constituição. Destaque-se.2. que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho. Entende-se. igualmente. que o ato controlado não precisa ter configurado uma lesão de direito. ao prever. Valéria Oliveira Quixadá. Lúcia Valle. O Controle da Moralidade Administrativa em face da Constituição O controle da moralidade administrativa é assunto que muitos doutrinadores persistem em evitar. 5º. 305. 100 Assim. etc. p. não só pelos administrados diretamente. no entanto. levando em consideração que o controle jurisdicional não se faz voluntariamente. na atualidade. op. XXXV. In: XIX Congresso Nacional dos Procuradores de Estado – Teses. entre outros constantes do Texto Constitucional. outrossim. o mandado de segurança (individual e coletivo). este 98 Fazem parte desta corrente José Augusto Delgado. p. através dele. que a Constituição Federal de 1988. 216. Lúcia Valle Figueiredo. São eles. ampliou a esfera de atuação do Poder Judiciário. Nesse passo. em todos os atributos do ato administrativo”. que apesar da complexidade conferida ao tema. fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. o habeas data. José Augusto. p. Edson Aguiar de Vasconcelos. p. 100 Cf. 242-246. cit. 101 STEPHANO. posto que necessita. 1993.controle jurisdicional dos atos administrativos tem um espectro muito mais abrangente e que portanto não se exaure no exame da legalidade administrativa. sensível aos vícios identificados pela Nação na prática da administração pública. preliminarmente. 3.(o grifo é nosso)99 O controle da moralidade administrativa. FIGUEIREDO. 1993. em seu art. pois adentra em um terreno bastante arenoso da esfera do Direito Administrativo.. 273-320. pelo Poder Judiciário. Toshio Mukai. tão-somente. cabe ressaltar. Sílvia Pucú de. como também. de algum tipo de provocação por parte do interessado. não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida. assim. cit. mera ameaça. obrigatoriamente. no entanto. sujeitando a Administração Pública à revisão jurisdicional sempre que se observar um ato administrativo que fuja aos padrões a que deva estar conformado. Mauricio Antonio Ribeiro Lopes. a ação popular. O amplo controle da atividade administrativa se exerce. conclui-se por vislumbrá-lo enquanto elemento indispensável aos administrados. tratar-se-á apenas. Controle da Administração Pública: Legalidade. já que. de tecer alguns apontamentos básicos acerca do controle jurisdicional da Administração Pública.. . a ação civil pública. 99 DELGADO. “foi aperfeiçoada e ampliada a garantia dos direitos dos administrados. cuja proteção é sua característica essencial” 101. Manaus: out. podendo consistir. Demócrito Ramos Reinaldo. o exame da moralidade. atingindo. No sentido de possibilitar a concretização do controle jurisdicional é que a Constituição Federal elenca diversos instrumentos. Cármen Lúcia Antunes Rocha. é tema que será abordado posteriormente.

na atividade administrativa. QUIXADÁ. ao fazer referência ao disposto no artigo 37. A partir da análise de alguns dispositivos constitucionais. sem que se possa precisar o conceito e controlá-la pelas formas concebidas pela Lei das Leis”. o controle da moralidade não suscita maiores problemas. não há como negar que a moralidade administrativa pode e deve ser analisada nas três esferas de controle da Administração Pública abordadas anteriormente. vê-se que este controle inclui a moralidade administrativa. op. passível de ser controlada amplamente. 61. op. Como já visto anteriormente. a sua violação requer a utilização dos meios de controle oferecidos constitucionalmente. conferiu aos três poderes do Estado mecanismos que possibilitam um amplo controle da atividade administrativa. já que nesta modalidade de controle é pacífico que a análise do mérito do ato administrativo pode ser realizada. Na esfera administrativa. tornou-se evidente a intenção do legislador constituinte em torná-la elemento inafastável de qualquer atuação administrativa e. caput da Constituição. op.. 52. esta última maior fonte de polemização.. Lúcia Valle Figueiredo reforça este entendimento expondo que “(. 104 Cf. já que a submissão da Administração Pública a este princípio é indubitável. p. PAZZAGLINI FILHO. p. e que. cit. 105 Cf. Valéria Oliveira. Maria Sylvia Zanella..) 103 LOPES. cit..104 No âmbito do Poder Legislativo.) a moralidade não é mais – como se pretendia antigamente – expressão fugidia. portanto. FAZZIO JÚNIOR. p. sempre que agentes públicos ou mesmo administrados vislumbrarem. DI PIETRO. não há como negar que a grande maioria das hipóteses elencadas pela Constituição para a realização deste controle invadem a esfera da moralidade 102 Neste sentido.103 Feitas estas considerações preliminares. cit. Corroborando este entendimento é que Maurício Antonio Ribeiro Lopes. op. p. Marino. (FIGUEIREDO. ressalte-se que do momento em que a atual Carta Magna alçou a moralidade administrativa à categoria autônoma de princípio constitucional da Administração Pública. Ruptura de obstáculo para que os valores éticos e morais da atividade administrativa quedassem distante desses controles”. o controle realizado também abrange a análise do mérito do ato administrativo. Lúcia Valle. . quais sejam a administrativa. ao tratar do controle da Administração. tece os seguintes apontamentos: “Essa disposição constitucional não pode deixar de ser vista como um dado relevantíssimo para ruptura de uma tradição malsã de uma legislação extremamente conveniente aos administradores e imprestável sob a ótica do controle social e judiciário permitidos que tinha vigência. Assim. 17. 57.. necessita de uma ampla abordagem por parte da doutrina pátria. inclusive no âmbito judicial. p. que trouxe inovações acerca do assunto. principalmente com o advento da Constituição Federal de 1988.possui indubitável relevância.. a Constituição de 1988. Maurício Antonio Ribeiro. cit.. e. conseqüentemente. 102 Aliás. cit. ROSA. Waldo. Márcio Fernando Elias. op. 105 Aliás. a legislativa e a judiciária. a presença de qualquer irregularidade que constitua ofensa ao princípio da moralidade insculpido no artigo 37 da Carta Magna. até então. deverão fazer valer os mecanismos que lhes são colocados à disposição para a realização do controle interno da Administração Pública. 488.

108 3. 1991. ou facilitam. e que. 209. 52.. será explicitado mais demoradamente em tópico a seguir apresentado. torna-se indispensável assinalar a importância da existência cada vez maior do controle da moralidade administrativa para que esta aproximação não seja mera utopia. já que analisando o caráter de observância obrigatória do princípio. 106 Este assunto. especialmente. pode-se concluir que o ato administrativo que violá-lo será inválido tal qual o ato administrativo ilegal e. ou não impedem. por conseqüência. cit. Discricionariedade Administrativa na Constituição de 1988. I e II) e da fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo(art. por exemplo. X). 108 DELGADO. 49. será este ato passível de apreciação pelo Poder Judiciário para a decretação de sua invalidade. a efetiva utilização dos meios de controle oferecidos constitucionalmente. São Paulo: Atlas. aqueles agentes públicos que malversarem a coisa pública. Quanto ao controle legislativo com auxílio do Tribunal de Contas. que a Administração Pública esteja atenta e aberta a se repensar continuadamente. por revelar-se objeto de maiores divergências. principalmente aos seus administrados. Nesta linha de raciocínio.. op. o que alcança . 107 ROCHA. porém. p. no momento. Tutela Jurisdicional da Moralidade Administrativa Acerca do assunto. 116. esta se faz possível através do teor da atual Carta Magna. o exame da moralidade administrativa. para que se observe a concretização da moralidade administrativa e. Em relação. Observa-se..) o controle impõe não apenas desfazimento de efeitos de atos contrários ao princípio da moralidade administrativa. como é o caso. Após ressaltado a possibilidade do amplo controle da moralidade administrativa. só para citar alguns. a fim de que o resultado obtido em determinada apuração não se exaura nela. sem sombra de dúvida. merecedora de credibilidade. se e quando se comprovar que a estrutura vigente ou os procedimentos admitidos propiciam. já que este controle atingirá.107 Desta forma. mudança de organização e de comportamentos públicos em seu seio. insta lembrar que cabe. 215.3. ao contrário. à Administração Pública e. 1993. compatibilize a sua atuação com as “finalidades que a sociedade exige que sejam cumpridas pelo Estado”.administrativa. cit. basicamente. A fim de destacar esta importância é que aponta Cármen Lúcia Antunes Rocha: “(. por conseguinte. . como deveriam. e efetivamente venha traduzir. Cármen Lúcia Antunes. possa traduzir. extrai-se destes ensinamentos que o controle da moralidade administrativa é o meio mais eficaz colocado à disposição dos cidadãos brasileiros para que a Administração Pública revele-se de uma vez por todas. dos crimes de responsabilidade (art. a aproximação do atuar administrativo com os anseios da população brasileira. mas. no 106 Cf. por fim. op. Maria Sylvia Zanella. p. a presença da moralidade administrativa também é indubitável. José Augusto.. mas que. p. práticas corruptas”. DI PIETRO. manifestam-se divergentemente os autores. ao controle jurisdicional da moralidade administrativa.

os fatos que precedem a elaboração do ato”. o faça de tal forma que o princípio da independência e da harmonia dos poderes seja respeitado. op. a conveniência e a oportunidade da prática do ato se inserem nas condições de sua legalidade”. cit.. prestigiando-se as competências e atribuições legais de cada um”.. cit. excepcionalmente.. Representante deste entendimento. fitam-se na justificativa da vedação imposta ao Poder Judiciário de analisar o mérito do ato administrativo. Defensora desta corrente. no controle da legalidade do ato administrativo. José Augusto. Hely Lopes Meirelles aduz que o controle jurisdicional da Administração Pública “é um controle a posteriori. (. cit. duas grandes correntes: há os autores que admitem o controle por parte do Poder Judiciário e há os que negam com veemência esta possibilidade. Maria Sylvia Zanella Di Pietro expõe que “não há invasão de mérito quando o Judiciário aprecia os motivos.109 Dentre os que admitem o controle da moralidade administrativa. p. 111 DI PIETRO. por restrito à verificação da conformidade do ato com a norma legal que o rege”. Os autores que não admitem o controle jurisdicional da moralidade administrativa. op. urge mencionar três entendimentos distintos. Maria Sylvia Zanella. (SARAIVA FILHO. consistiria. defende a tese de que o controle da moralidade administrativa não só é possível como também consiste na exceção conferida ao Poder Judiciário de examinar o mérito do ato administrativo. 223. pelo que se faz necessário a explicitação de algumas delas. Hely Lopes. unicamente de legalidade. 1993. op. o último entendimento. portanto. NUNES JÚNIOR. O primeiro entendimento admite o controle da moralidade sob a justificativa de que esta estaria inserida dentro do elemento legalidade e. tem competência para anular o mérito do ato administrativo quando a valoração dos motivos e a escolha do objeto do ato mostrem-se notória e iniludivelmente ineficientes e contrárias à moral interna da entidade em relação à outras hipóteses que o senso comum da sociedade teria adotado.. cit. há de cumprir a sua missão de modo que.113 109 110 MEIRELLES. por fim. Sob este prisma. Oswaldo Othon de Pontes. p. tão-somente.112 Ao tecer considerações acerca desta incumbência do Poder Judiciário. 610. 112 Coloca Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho que “em nome do princípio da moralidade administrativa. Outros autores.entanto. por seu turno. p.110 O segundo entendimento a ser destacado admite o controle da moralidade administrativa. no exame do mérito do atuar administrativo. a qual difere da ilegalidade por desvio ou abuso do poder.)Neste sentido. simplesmente omitem-se no tratamento do assunto. José Augusto Delgado preleciona que “(. assenta Amandino Teixeira Nunes Júnior que “os critérios de moralidade administrativa se incluem no conceito amplo de legalidade. 1994.) 113 DELGADO. Amandino Teixeira. o Poder Judiciário.111 E..)encontrando-se o Poder Judiciário consciente de sua novas responsabilidades a respeito do exercício do controle dos atos administrativos. a seguir abordados. op.. p.. e que ora filia-se o presente trabalho. por este não consistir. cit. não obstante penetrando no fundo de todos os atos administrativos. op. As justificativas para a admissão ou não de mencionado controle são as mais diversas. 131. 217. p. 493. . propriamente.. ou seja..

será ele passível de controle por parte do Poder Judiciário. p. de exigência constitucional. a possibilidade do amplo controle da moralidade administrativa é o entendimento não apenas mais coerente. op. que ultrapassa o conceito de bem administrar”.. a emissão de juízo acerca da constitucionalidade do ato praticado pela administração em face da observância ou não do princípio da moralidade administrativa. . especialmente. incompatível ou inadequado ou ainda com objeto desconforme. (DELGADO. op. Este é o termo empregado por José Augusto Delgado. Sob a influência deste último entendimento.. desproporcional. Valéria Oliveira. sempre que se observar a existência de ato administrativo com motivo inexistente. Desta forma. mas também no que diz respeito aos fins e motivos da atuação do administrador”. 30. 117 Ver item 2. p. Diogo de Figueiredo. Neste sentido. insuficiente. De acordo com o autor. “A extensão do princípio da moralidade administrativa conduz ao entendimento de que a administração pública tem o dever de melhor administrar. aduz Diogo de Figueiredo Moreira Neto.Tal corrente. o interesse público. já que. citando Nagib Slaibi Filho: “ Com a nova Constituição. não alcancem os fins específicos aos quais se destinavam por força normativa. não só nos aspectos de adequação à ordem jurídica. mesmo discricionários. desde que. faculta-se ao magistrado. o abuso ou desvio de poder sob o escudo da discricionariedade e da não obrigação de motivar’.116 Em suma. 58. Dentro da ótica constitucional.114 Assim. vem ganhando força desde a promulgação da atual Constituição. cit. o titular do poder jurisdicional possui competência para anular atos administrativos. a partir das inovações por ela trazidas. possibilitando a este perquirir ‘avaliar e julgar o mérito do ato administrativo. Ele é fruto não apenas de construção doutrinária. A Carta Constitucional ampliou sobremaneira o campo de atuação do poder judicante na defesa do princípio. na atual conjuntura brasileira. 114 115 MOREIRA NETO. como destacado ao longo do presente trabalho. também. p.. introduzindo o requisito de moralidade como essencial aos atos de Administração Pública.) 116 QUIXADÁ. cit. não terão os tribunais. 214. José Augusto.3 supra. Apesar de ainda ser repudiada por parte da doutrina mais tradicional. mas o que se faz necessário no alcance “melhor administrar” 115. eivados do vício da imoralidade. apresenta-se como a mais condizente com o Texto Constitucional vigente. 1993. cit. op. impossível ou ineficiente117. ou venham a contrariar o interesse público”. compete ao Judiciário anular o ato administrativo sempre que este distanciar-se dos preceitos a que está subordinado ou fundar-se em motivo ou objeto incompatível com o fim visado pela atividade administrativa. houve um fomento ao estudo da matéria e o conseqüente amadurecimento no tratamento da moralidade administrativa. senão a alternativa de apreciar o elemento subjetivo. qual seja. A par deste reconhecimento. haurido de objeto ou motivo inidôneos. visando apurar se há boa administração da coisa pública. em casos concretos que lhes forem submetidos. mas. assinala Valéria Oliveira Quixadá: “O amplo espectro conferido pela Lei maior ao controle jurisdicional da moralidade administrativa indubitavelmente consiste em verdadeira conquista do Estado Democrático de Direito. tem-se que.

120 Cf.119 Destarte. cit. para se concretizar. p. p.. MUKAI. de natureza constitucional ou não. 74.. conclui-se que o controle da moralidade administrativa. São Paulo. n. Sob este prisma. especialmente o da moralidade”. os tribunais pátrios já haviam se manifestado a respeito da moralidade administrativa. 215. cit. Quanto ao Judiciário. José Castro. resta a obrigação de não se ausentar da incumbência de analisar a moralidade dos atos administrativos e. É o caso do Tribunal de Justiça de São Paulo. 1993. do Ministério Público e do Poder Judiciário. A Moralidade Administrativa e a Jurisprudência Mesmo antes da elevação da moralidade administrativa à categoria de princípio constitucional. 1. 1993. por fim. ações civis públicas que redundem em efetivo controle dos atos administrativos quando fugirem dos princípios a que estão sujeitos. José Augusto. op. Maurício Antonio.4. Acredita o autor que “o Poder Judiciário. a ativa atuação do administrado e do Ministério Público revela-se indispensável. a Constituição conferiu ao primeiro o direito de ingressar com a ação popular que vise especificamente a tutela da moralidade administrativa. . em sede de qualquer ação. que se tornou clássico 121: 118 119 LOPES. 121 Cf. 120 3.118 Cumpre lembrar. sempre que desejar coibir atos administrativos imorais. Já em relação ao Ministério Público. jul. v. Ao administrado fica a incumbência de exercer efetivamente a sua cidadania e. que se pronunciou pioneiramente em acórdão. p. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. Da Aplicabilidade do Princípio da Moralidade Administrativa e do seu Controle Jurisdicional. fazendo uso dos instrumentos constitucionais e processuais cabíveis. ingressar em juízo. este teve sua atuação ampliada através da Constituição de 1988.Maurício Antonio Ribeiro Lopes preleciona que a competência do Poder Judiciário vai mais além. de promover perante o Judiciário. T oshio.. cit. pode ingressar no exame da moralidade administrativa para salvaguarda dos interesses individuais e sociais postos ao abrigo do pedido”.) essa instituição um grande desafio. necessita de uma atuação conjunta por parte dos administrados. p. em nome de uma coletividade heterogênea. 202. na medida em que se compreenda a extensão de todo o poder que lhe foi outorgado como sujeito ativo. da lavra do Desembargador Cardoso Rolim. op.. sob a ótica do “bom administrador”. 4. “Recebeu (. 211-215. anular os atos que entender viciados. MEIRA.. op. 222-223. desta forma./set. que na seara da concretização do princípio constitucional da moralidade administrativa. p. DELGADO. No entendimento de José Augusto Delgado. Para o Ministério Público reserva-se o dever de uma atuação digna e constante no intuito de representar a coletividade na tutela da moralidade administrativa através da ação civil pública.

a jurisprudência brasileira vem caminhando lentamente na abordagem da moralidade administrativa. apesar de tantos desmandos sofridos por parte da Administração Pública.001873-0. tem observância obrigatória e aplicação autônoma.. fazendo parte dos provimentos jurisdicionais como mero elemento influenciador da decisão. irremediavelmente. LOPES. Ao comentar mencionado julgado. Não obstante as inovações trazidas pelo Texto Constitucional. a atual Carta Magna alçou a moralidade administrativa à categoria de princípio constitucional da Administração Pública. ob. 122 Cf.. revelou-se tarefa difícil encontrar o termo moralidade administrativa em alguma ementa. MOREIRA NETO. cujos trechos a seguir se transcreve: “APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. mas por legalidade ou legitimidade se entende não só a conformação do ato com a lei. ibidem. nitidamente positivista de categorias éticas”. Como já ressaltado anteriormente. 124 O Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina tem comprovado esta tendência. enquanto tal. 126. A falta de sindicância impede que se assegure ao acusado o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. de 22 de abril de 1998. 125 Acórdãos pesquisados sob o argumento “moralidade administrativa”. op. que a moralidade administrativa dificilmente integra o conteúdo central dos julgados. Da análise de acórdãos proferidos entre os meses de setembro de 1997 e dezembro de 1998 125. entendimento que. p. ATO IMOTIVADO. em face da atual Constituição e das inovações por ela trazidas. cita-se o acórdão nº 98. . REMESSA DESPROVIDA. maculando. o autor ressalta que o mesmo “identificou a moralidade não só com a legalidade mas com a ilegitimidade. Na maior parte dos acórdãos. AUSÊNCIA DE SINDICÂNCIA E AMPLA DEFESA. Ao revés. e dificultando.122 Extrai-se deste julgado. já que faz referência a ela enquanto elemento inserido na própria legalidade administrativa. 28. a partir do estudo de alguns pronunciamentos. cit. conseqüentemente. cit. já que a moralidade administrativa vem constando como mero “componente secundário” de grande parte de seus acórdãos.. portanto. o ato punitivo da autoridade. Por conseqüência. p. atualmente. INVALIDAÇÃO. Como exemplo. paralela e independentemente da legalidade administrativa. . na atual conjuntura brasileira. e. Relação dos Acórdãos analisados no Anexo II. no entanto. existindo. 123 Assim. ATO ADMINISTRATIVO PUNITIVO. como também com a moral administrativa e com o interesse coletivo”. a moralidade administrativa não se apresenta como elemento realmente relevante ou justificador da decisão. 123 Cf. evidenciando a falta de amadurecimento acerca da matéria. Mauricio Antonio Ribeiro. Diogo de Figueiredo. a sua efetivação. 77-79. 126 O texto integral do acórdão mencionado consta do Anexo III. que o tratamento dispensado à moralidade administrativa restringe seu real conteúdo. vislumbra-se que os julgadores continuam temerosos ao permitir o controle judicial da moralidade administrativa. nota-se que a admissão do controle judicial da moralidade dos atos administrativos ainda não se configura em prática muito freqüente dos Tribunais brasileiros. nota-se. .“O controle jurisdicional se restringe ao exame da legalidade do ato administrativo. numa propositada confusão. demonstra-se indubitavelmente ultrapassado. 124 Idem.

de forma explícita. quer da administração direta. A defesa da moralidade administrativa pode ser efetuada via qualquer forma legislativa ou até mesmo sem norma expressa. oportunidade de defesa. . que era a instauração de sindicância para averiguar a falta funcional da espécie. as razões pelas quais determinou a conclusão assumida. ao exigir a fundamentação dos seus atos. não conferindo à impetrante. quer da administração indireta. Eder Graf . OMISSÃO. Valéria Oliveira. (o grifo na expressão moralidade administrativa é nosso) 128 Cf. 22 de abril de 1998. op. 2. 22 de abril de 1998. que se assegurasse à impetrante o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa.. Apelação Cível nº 98.sc. ou tampouco a apuração de sua efetiva ocorrência. que.) Florianópolis. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. ainda. contudo. não terá apoio do ordenamento jurídico se não se apresentar rigorosamente vinculado ao princípio da moralidade.. em decisão colegiada. impede que sociedade de economia . 58. regra particular de legalidade do ato administrativo impugnado. 128 É o caso das ementas a seguir citadas.PRESIDENTE PARA O ACÓRDÃO Silveira Lenzi .br.. 4. Não há ofensa ao princípio da legalidade e ao ato jurídico perfeito quando o Tribunal de Contas. O acórdão deve expressar. indubitavelmente. É dever do administrador. para que a parte possa analisar o conteúdo de sua fundamentação e preparar o recurso cabível. 127 BRASIL.. sem. o que resta por macular. portanto. conseqüentemente. vêm se revelando indispensáveis para o enriquecimento do estudo da moralidade administrativa e a sedimentação de sua real importância e alcance. Endereço eletrônico: http:// www. que todo ato administrativo – com apenas exceções legais – deve ser obrigatoriamente motivado. Apelação cível em mandado de segurança. quanto a sua parte vinculada. no entanto. A prática de qualquer ato administrativo. QUIXADÁ. 1.. Beatriz Zeczkowski e Prefeito Municipal de Santa Terezinha. Cumpre notar. requisito de operacionalidade.Há flagrante ilegalidade no ato punitivo de suspensão de servidor quando apenas constar os artigos da Lei Municipal que se entende afrontado.. p.RELATOR”.. (. que permitam apurar a probidade e a transparência de sua atividade administrativa. sob pena de ser inválido. da lavra do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. mormente quando impositivo de penalidade. conseqüentemente. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.gov. Relator: Desembargador Silveira Lenzi. a contribuição de certos julgados. (. modernamente. respectivamente: “PROCESSUAL CIVIL. 3.001873-0. frente a motivação apresentada. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. (. Tal dever é corolário do princípio da moralidade administrativa que permeia.127 Há que ser afirmado.) Descumpriu-se. o ato punitivo da autoridade. A falta de sindicância impediu. cit.) Observa-se – principalmente pelos termos das informações – que não houve instauração de qualquer procedimento administrativo com o fim de apurar ocorrência de falta funcional. tornando possível a impugnação direta.. toda a Administração Pública. irremediavelmente.tj.

. vale dizer. ao longo da elaboração deste trabalho algumas conclusões puderam ser trazidas à lume.Ação popular julgada procedente. Não é lícito que o Banco de Brasília pague as despesas administrativas de pessoal da empresa Regius S/C de Previdência Privada. no entanto. que transcende em várias oportunidades a esfera jurídica. com o advento da Constituição Federal de 1988 e as profundas inovações trazidas em seu bojo acerca da matéria. .R. a moralidade administrativa foi elevada à categoria de 129 BRASIL. p. EDROMS nº 6234. já que. 5º. seu controle precisa ser efetivado. V. 29. que apesar das dificuldades advindas com o estudo do tema. Embargos de declaração acolhidos”. 5. . LXXIII. RE-206889/MG. por sua vez. tornou-se possível apreender que a complexidade conferida ao tema é inegável. II. Brasília.mista assuma encargos financeiros de pessoa jurídica de direito privado que rege interesses particulares. art.” 130 Assim. 01873-11. para que a moralidade administrativa se concretize. em especial dos magistrados brasileiros. Recurso Extraordinário em Ação Popular. 5º. só se dará através de uma longa construção jurisprudencial e doutrinária do tema. que constitui patrimônio moral da sociedade. como à moralidade administrativa.. como demonstrado. Relator: Ministro José Delgado. Saliente-se. VEREADORES: REMUNERAÇÃO: FIXAÇÃO: LEGISLATURA SUBSEQÜENTE.E. há que se destacar que as considerações a seguir apontadas pressupõem que.A remuneração do Prefeito. Brasília.F. Fixando os Vereadores a sua própria remuneração.F. III. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após esta breve incursão na seara da moralidade administrativa. I. C. C. a fim de impor limites aos agentes administrativos. 15 de maio de 1998. pratica ato inconstitucional lesivo não só ao patrimônio material do Poder Público. C. 25 de março de 1997. nesta árdua tarefa. Vereadores da Câmara Municipal de Conselheiros Lafaiete e outros e Diarlhes Pider Benjamin e outros. PATRIMÔNIO MATERIAL DO PODER PÚBLICO. não conhecido. Supremo Tribunal Federal. art. Diário de Justiça. 00022. V. 29. longe de negar a importância destes pronunciamentos. art. do Vice-Prefeito e dos Vereadores será fixada pela Câmara Municipal em cada legislatura para a subseqüente.F. Preliminarmente. art. urge ressaltá-las no presente momento. . deve-se ressaltar a necessidade de uma maior abordagem ao tema. v. 02257. Logo. MORALIDADE ADMINISTRATIVA: LESÃO. Embargos de Declaração no Recurso em Mandado de Segurança. A efetivação deste controle. AÇÃO POPULAR. 13/06/1997. p. LXXIII.. . pelo que se faz necessário a mobilização de todos os juristas. fixando essa remuneração para viger na própria legislatura. Diário de Justiça.129 “CONSTITUCIONAL. bem como sua amplitude. Superior Tribunal de Justiça. 6. 17/08/1998. adquirindo contornos diversos. 130 BRASIL.

embaraçando até mesmo a existência da moralidade administrativa. é fator relevante quando se adentra no âmbito da efetividade de referido preceito constitucional. Estas resistências sofridas vêm se revelando como verdadeiros obstáculos. Ressalte-se. devendo existir. do Texto Constitucional. em inúmeros de seus dispositivos. Em relação ao primeiro elemento. acompanhado da moralidade. observa-se que este vem se esbarrando em entendimentos que não o admitem. ansiava por sua concretização sem qualquer tipo de obstrução. Quando externo. o alcance da moralidade ganhou proporções que ainda recebe certo receio por parte da doutrina. que temendo reconhecê-la acaba por destinar-lhe limites descabidos em face do Texto Constitucional. qual seja o jurisdicional. apesar de essencial à atividade administrativa. a moralidade reserva indiscutível independência. já que cabe ao cidadão provocá-lo. já que o reconhecimento da real amplitude deste princípio. mecanismos que tornam possível o controle dos atos administrativos que tragam vícios quanto a sua moralidade. Assim. tem seu conteúdo inserido na própria noção de moralidade. tem-se que o conteúdo da moralidade administrativa não pode ser confundido ou vinculado à legalidade ou à probidade. Revela-se de suma importância que se perceba um amadurecimento doutrinário e a conseqüente sedimentação dos objetivos insculpidos pela Constituição. Desta forma. Atendo-se a esta linha de raciocínio é que se percebe que tornou-se imprescindível na atualidade a existência de estudos cada vez mais freqüentes e pormenorizados do tema. alçando-o a um dos mais altos níveis da hierarquia normativa brasileira. constata-se que a partir da utilização destes instrumentos constitucionais. Sob este prisma. sendo decorrência direta desta. Neste passo. poderá advir do Poder Legislativo ou Judiciário. que consiste igualmente em princípio constitucional elencado no artigo 37. tendo em vista a autonomia que lhe foi conferida constitucionalmente. percebe-se que a moralidade merece estudo destacado dos demais institutos. caput. Segundo os ditames da Carta Magna. outrossim. que pioneiramente juridicizou o seu conteúdo. Aliás. por sua vez. por consegüinte.princípio constitucional inerente à Administração Pública. e possuindo. seja no âmbito interno da Administração Pública ou recorrendo à esfera judicial. uma ampliação em sua esfera. Este controle poderá ser interno ou externo. recebendo portanto. o controle da moralidade administrativa pode ser amplamente realizado. o que suscitou repercussões. ao definir a moralidade da maneira que o fez. insta salientar que foi com o desejo de vislumbrar a real aplicação deste princípio na atividade da Administração Pública que a Constituição Federal lançou. a fim de que ele sofra uma maior explicitação. A probidade. independente da modalidade. Adentrando no aspecto mais controvertido do controle da moralidade administrativa. numa visível afronta às exigências contidas na Carta . Justifica-se esta assertiva a partir do entendimento de que a legalidade. uma dimensão mais restrita. a importância conferida pela Constituição à participação popular. com a promulgação da atual Carta Magna. portanto. não é suficiente para a configuração de sua validade. a participação dos administrados neste controle é possível. já que não resta dúvida que o legislador constituinte.

se for o caso. 1997. não há como negar que os Tribunais brasileiros. BARROSO. Demonstração disto pode ser obtida a partir da análise de alguns fragmentos da jurisprudência pátria. 22. porém não são suficientes. que o anseio pela moralidade na Administração Pública não se configure em mera utopia. Boletim de Direito Administrativo. que revelam caminhar lentamente ao discorrer sobre a moralidade administrativa. Sob a perspectiva constitucional. Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política. Por fim. Assim. 1993. São Paulo. há que se perceber uma maior conscientização por parte dos mais variados setores da sociedade brasileira. v. 1. 44-54. n. Luís Roberto. Celso Ribeiro. BRANDÃO. seja através de sua prevenção. p. deve o magistrado adentrar até mesmo no mérito da atividade administrativa sub judice. Joaquim Antônio Castro. Revista Trimestral de Direito Público. nem sempre conferindo-lhe a importância a que faz jus. O Princípio da Moralidade no Direito Público. São Paulo. p. É imprescindível que se dê mais ênfase à moralidade administrativa. seja através do controle dos atos administrativos ou. uma fração de magistrados brasileiros vêm se demonstrando um tanto reticentes na aplicação da matéria. também. 146-148. 168-185. têm lhe debitado ínfima credibilidade. mesmo que por vezes timidamente. fruto de um idealismo exacerbado. v. Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas. vêm adequando suas decisões aos anseios do legislador constituinte./mar. se esta finalidade. p. 1. no sentido de que é coibindo a imoralidade na atividade administrativa. notase que os pronunciamentos que fazem referência à matéria são cada vez mais freqüentes. Antônio. da observância pura e simples de tal preceito é que será possível vislumbrar a concretização de tal princípio./jun. Espera-se. não apenas o poder. São Paulo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. E só a partir da efetiva concretização da moralidade administrativa é que se tornará viável a aproximação da Administração com seus administrados. . Moralidade Administrativa./mar. abr. 1998. ainda que alcançada. jan.de 1988. a fim de examiná-la profundamente e perceber se a conduta é condizente com o fim colimado pela Administração Pública e. finalmente. ainda. Afora esta observação. em especial àqueles que sofrem desmandos por parte da Administração Pública e àqueles outorgados de competência para o julgamento de tais desmandos. v. BASTOS. Não obstante a previsão de vários mecanismos de controle da moralidade por parte do Poder Judiciário. controlar o ato administrativo sob a eiva da imoralidade. O Princípio da Moralidade Administrativa. p. na atual conjuntura brasileira. em especial o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. 19. Princípios Constitucionais Brasileiros. mas sobretudo o dever de analisar e. jan. que conferiu ao magistrado. que. encontra-se em consonância com os elementos motivo e objeto do ato administrativo.

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por eleição. Manaus: out. mandato. n. todo aquele que exerce.).STEPHANO. 1993. Instrumento de Defesa da Cidadania na Nova Ordem Constitucional: Controle da Administração Pública. In: MELLO. Adolfo Sanchez. ZANCANER. 1993. 14. . p. Estão também sujeitos as penalidades desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção. contra a administração direta. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vinculo. dos Municípios. . VASCONCELOS. ed. dos Estados. 632 p. 1993. a sanção patrimonial a repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Art. VÁZQUEZ. p. 2º. nestes casos. servidor ou não. 273-320. serão punidos na forma desta Lei. 1993. Rio de Janeiro: Forense. designação.LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA* LEI 8. de Território. 186 p. aquele que. do Distrito Federal. nomeação. 619632. cargo. Controle da Administração Pública: Legalidade. São Paulo: Malheiros. 1º . ainda que transitoriamente ou sem remuneração. Anexo I . Art.Das Disposições Gerais (artigos 1 a 8) Art. Emprego ou Função na Administração Publica Direta. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba. limitando-se. São Paulo. ————. indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União. no que couber. de empresa incorporada ao patrimônio publico ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 02. para os efeitos desta Lei. Ética. Razoabilidade e Moralidade na Constituição de 1988. CAPITULO I . Celso Antônio Bandeira de (org. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. Cargo.429 DE 02/06/1992 Dispõe sobre as Sanções Aplicáveis aos Agentes Públicos nos Casos de Enriquecimento Ilícito no Exercício de Mandato. Weida. 205-210. fiscal ou creditício. Razoabilidade e Moralidade: princípios concretizadores do perfil constitucional do Estado Social e Democrático de Direito. de órgão publico bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. Indireta ou Fundacional e da outras Providencias. . 1997. In: XIX Congresso Nacional dos Procuradores de Estado – Teses. Sílvia Pucú de.Os atos de improbidade praticados por qualquer agente publico. Tradução por João Dell’Anna. p. Parágrafo único. Edson Aguiar de.Reputa-se agente publico.As disposições desta Lei são aplicáveis. beneficio ou incentivo. mesmo não sendo * Diário Oficial [da República Federativa do Brasil] de 03 de junho de 1992. 3º. 267p. Revista Trimestral de Direito Público.

e notadamente: I . III . CAPITULO II .Dos Atos de Improbidade Administrativa (artigos 9º a 11) SEÇÃO I . 8º. peso. . do agente ou de terceiro. função. 1º. . veículos.. em obra ou serviço particular. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. de lenocínio. ou aceitar promessa de tal vantagem. mandato. 9º . para facilitar a aquisição. equipamentos ou material de qualquer natureza.utilizar. VI .. . 1º.receber vantagem econômica de qualquer natureza. direta ou indireta. ou sobre quantidade. direta ou indireta. moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos..Ocorrendo lesão ao patrimônio publico por ação ou omissão. impessoalidade. desta Lei. desta Lei. Art. a titulo de comissão. de propriedade ou a disposição de qualquer das entidades mencionadas no art.receber vantagem econômica de qualquer natureza. Art. de contrabando. direta ou indireta. dar-se-á o integral ressarcimento do dano. maquinas. de narcotráfico. . Parágrafo único.Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo.Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio publico ou ensejar enriquecimento ilícito. percentagem. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente publico. qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art..Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. 1º. direta ou indireta. direta ou indireta. V . para facilitar a alienação. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. 4º. . para a indisponibilidade dos bens do indiciado.perceber vantagem econômica.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Importam Enriquecimento Ilícito (artigo 9º) Art. Art. A indisponibilidade a que se refere o "caput" deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano. dolosa ou culposa. direto ou indireto. permuta ou locação de bem publico ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Publico. ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. para si ou para outrem. 5º. 1º. gratificação ou presente de quem tenha interesse.perceber vantagem econômica. . IV . II .O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio publico ou se enriquecer ilicitamente esta sujeito as cominações desta Lei ate o limite do valor da herança. 7º.receber. dinheiro. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras publicas ou qualquer outro serviço. bem móvel ou imóvel. bem como o trabalho de servidores públicos. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. Art. para tolerar a exploração ou a pratica de jogos de azar. perdera o agente publico ou terceiro beneficiário os bens ou valores acrescidos ao seu patrimônio.agente publico. 6º. desta Lei. medida. ou qualquer outra vantagem econômica. Art. por preço superior ao valor de mercado.No caso do enriquecimento ilícito. induza ou concorra para a pratica do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.

XI . X . SEÇÃO II . mal baratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. ainda que de fins educativos ou assistenciais.perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba publica de qualquer natureza.. rendas. 1º. 1º.usar. de pessoa física ou jurídica. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido. direta ou indiretamente. durante a atividade.conceder beneficio administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis a espécie. bem como no que diz respeito a conservação do patrimônio publico. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. . providencia ou declaração a que esteja obrigado. desta Lei.adquirir.. para si ou para outrem. desta Lei.agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda.realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente publico. IX . por qualquer forma. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. que enseje perda patrimonial. permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado. rendas.permitir ou facilitar a alienação. VI .Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário. emprego ou função publica.incorporar.. XII . para omitir ato de oficio.permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. apropriação. qualquer ação ou omissão. 1º. rendas. rendas. rendas. X .VII . cargo. ao seu patrimônio bens.receber vantagem econômica de qualquer natureza. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis a espécie. por preço inferior ao de mercado.frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensa-lo indevidamente. VIII .Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário (artigo 10) Art.. VIII . dolosa ou culposa.permitir ou facilitar a aquisição.. II . em proveito próprio. V .ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. e notadamente: I .doar a pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado. desta Lei. bens. IV . no exercício de mandato. de bens.. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. desta Lei. 1º. bens. 1º. desta Lei. IX . bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional a evolução do patrimônio ou a renda do agente publico. desvio. sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis a espécie. 1º. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. III . desta Lei. 1º.aceitar emprego. VII .facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular. desta Lei.. 10 .

perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. SEÇÃO III . III . equipamentos ou material de qualquer natureza.. esta o responsável pelo ato de improbidade sujeito as seguintes cominações: I . maquinas. ressarcimento integral do dano.permitir que se utilize.retardar ou deixar de praticar.frustrar a licitude de concurso publico. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. CAPITULO III . se houver. III . facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente.Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam contra os Princípios da Administração Publica (artigo 11) Art. VII . pelo prazo de cinco anos. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. bem como o trabalho de servidor publico.Das Penas (artigo 12) Art.Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração publica qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade.revelar fato ou circunstancia de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. IV . 9.negar publicidade aos atos oficiais. quando houver. direta ou indiretamente. .1. II . civis e administrativas. suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos. legalidade. perda da função publica. pagamento de multa civil de ate duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.deixar de prestar contas quando esteja obrigado a faze-lo.. imparcialidade. pagamento de multa civil de ate cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. em obra ou serviço particular. ato de oficio. se concorrer esta circunstancia.praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto.0. bem ou serviço. veículos. na regra de competência.Independentemente das sanções penais. previstas na legislação especifica. de propriedade ou a disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. direta ou indiretamente. 1º. XII . e notadamente: I . pagamento de multa civil de ate três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Publico ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. antes da respectiva divulgação oficial. desta Lei.na hipótese do art. indevidamente. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. e lealdade as instituições.liberar verba publica sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. ressarcimento integral do dano. 1º. direta ou indiretamente. pelo prazo de três anos. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. VI . suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos. XIII . suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos. perda da função publica. 12 . V .permitir.XI .na hipótese do art. pelo prazo de dez anos. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário.na hipótese do art. 1º. II .. perda da função publica. ressarcimento integral do dano.revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro. 11 .

para suprir a exigência contida no "caput" e no § 2º deste artigo*. Na fixação das penas previstas nesta Lei o juiz levara em conta a extensão do dano causado. dinheiro. sem prejuízo de outras sanções cabíveis. . A rejeição não impede a representação ao Ministério Publico.Parágrafo único. 13 . CAPITULO IV . em se tratando de servidor militar. emprego ou função. § 3º. se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1 deste artigo. . 16 .Será punido com a pena de demissão. . a autoridade determinara a imediata apuração dos fatos que. § 2º. § 4º . poderá entregar copia da declaração anual de bens apresentada a Delegacia da Receita Federal na conformidade da legislação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza.A declaração de bens será anualmente atualizada e na data em que o agente publico deixar o exercício do mandato. a fim de ser arquivada no Serviço de Pessoal competente.Atendidos os requisitos da representação. o agente publico que se recusar a prestar declaração dos bens. nos termos do art. cargo. a seu critério. § 1º. § 3º. 22 desta Lei. de 11 de dezembro de 1990 e. Art.O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos artigos 822 e . e.A representação. abrangera os bens e valores patrimoniais do cônjuge ou companheiro. . em se tratando de servidores federais. dentro do prazo determinado.112.A declaração compreendera imóveis. em despacho fundamentado. ações. Art. localizados no Pais ou no exterior. de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares.A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Publico e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a pratica de ato de improbidade. *Regulamentado pelo Decreto numero 978. 15 . quando for o caso. . a comissão representara ao Ministério Publico ou a Procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio publico. 14 . moveis. CAPITULO V . § 1º. a bem do serviço publico.A autoridade administrativa rejeitara a representação.Da Declaração de Bens (artigo 13) Art. excluídos apenas os objetos e utensílios de uso domestico. ou que a prestar falsa. de 10/11/1993.Havendo fundados indícios de responsabilidade. a requerimento. que será escrita ou reduzida a termo e assinada.Qualquer pessoa poderá representar a autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a pratica de ato de improbidade. conterá a qualificação do representante. designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. .O declarante. e qualquer outra espécie de bens e valores patrimoniais.Do Procedimento Administrativo e do Processo Judicial (artigos 14 a 18) Art. Parágrafo único.A posse e o exercício de agente publico ficam condicionados a apresentação de declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio privado. semoventes. § 1º. dos filhos e de outras pessoas que vivam sob a dependência econômica do declarante. . O Ministério Publico ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá. títulos. com as necessárias atualizações. assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. será processada na forma prevista nos artigos 148 e 182 da Lei numero 8. § 2º.

Art.A sentença que julgar procedente ação civil de reparação de dano ou decretar a perda dos bens havidos ilicitamente determinara o pagamento ou a reversão dos bens. sob pena de nulidade. Art. § 1º. .da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. 20 . o denunciante esta sujeito a indenizar o denunciado pelos danos materiais. Art. quando a medida se fizer necessária a instrução processual. § 3º .Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente publico ou terceiro beneficiário quando o autor da denuncia o sabe inocente.4. conforme o caso.dentro do prazo prescricional previsto em lei especifica para faltas disciplinares . II .No caso da ação principal ter sido proposta pelo Ministério Publico. Alem da sanção penal. atuara obrigatoriamente. Parágrafo único.ate cinco anos após o termino do exercício de mandato. . será proposta pelo Ministério Publico ou pela pessoa jurídica interessada. morais ou a imagem que houver provocado. CAPITULO VII . se não intervier no processo como parte. como fiscal da lei. II .Para apurar qualquer ilícito previsto nesta Lei. de cargo em comissão ou de função de confiança. promovera as ações necessárias a complementação do ressarcimento do patrimônio publico.E vedada a transação. devendo suprir as omissões e falhas da inicial e apresentar ou indicar os meios de prova de que disponha. 21 .A aplicação das sanções previstas nesta Lei independe: I . . a pessoa jurídica interessada integrara a lide na qualidade de litisconsorte. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente publico do exercício do cargo.A ação principal. de oficio. § 2º. emprego ou função. .825 do Código de Processo Civil. § 2º. 22 . acordo ou conciliação nas ações de que trata o "caput". o Ministério Publico. Parágrafo único.da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio publico. em favor da pessoa jurídica prejudicada pelo ilícito. 18 . sem prejuízo da remuneração. § 4º. 1º.Quando for o caso. contas bancarias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior. Art.A perda da função publica e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o transito em julgado da sentença condenatória. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar. 19 . Pena: detenção de seis a dez meses de multa. poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo..Das Disposições Penais (artigos 19 a 22) Art. Art. CAPITULO VI . que terá o rito ordinário.Da Prescrição (artigo 23) Art. o pedido incluirá a investigação.As ações destinadas a levar a efeito as sanções previstas nesta Lei podem ser propostas: I . 23 . quando for o caso. nos termos da lei e dos tratados internacionais.O Ministério Publico. a requerimento de autoridade administrativa ou mediante representação formulada de acordo com o disposto no art.A Fazenda Publica. o exame e o bloqueio de bens. 17 .

001873-0 COMARCA: Itaiópolis DES. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 07 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 97.Ficam revogadas as Leis números 3. .164.sc. CAPITULO VIII . RELATOR: Trindade dos Santos * Fonte: Endereço Eletrônico: http://www.puníveis com demissão a bem do serviço publico. RELATOR: Francisco Borges ÓRGÃO JULGADOR: Órgão Especial do Tribunal Pleno DATA DECISÃO: 03 de junho de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.br. nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. de 21 de dezembro de 1958 e demais disposições em contrario.011875-9 COMARCA: Urussanga DES.012730-8 COMARCA: Blumenau DES. Art.005567-9 COMARCA: Chapecó DES.gov.Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 25 .015337-6 COMARCA: Barra Velha DES. de 1 de junho de 1957. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 22 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 97.502. RELATOR: Eder Graf ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 28 de abril de 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 98. 24 .012641-7 COMARCA: Capital DES. Anexo II – RELAÇÃO DOS ACÓRDÃOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA ANALISADOS * TIPO DE PROCESSO: Ação Direta de Inconstitucionalidade NÚMERO ACÓRDÃO: 98.tj.Das Disposições Finais (artigos 24 e 25) Art. RELATOR: Anselmo Cerello ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 12 de fevereiro de 1998 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97. e 3.

RELATOR: Pedro Manoel Abreu ÓRGÃO JULGADOR: Quarta Câmara Civil DATA DECISÃO: 23 de outubro de 1.004573-5 COMARCA : São Miguel do Oeste DES. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil .085814-4) COMARCA: Taió DES. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 06 de novembro de 1997 TIPO DE PROCESSO : Processo-Crime NÚMERO ACÓRDÃO: 323 (88. RELATOR: Nilton Macedo Machado ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Criminal DATA DECISÃO: 30 de outubro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97. RELATOR: Eder Graf ÓRGÃO JULGADOR: Seção Civil DATA DECISÃO: 6 de outubro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de Instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.008351-3 COMARCA: Turvo DES.003117-0 COMARCA : Capital DES.ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 02 de dezembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.997 TIPO DE PROCESSO: Embargos infringentes NÚMERO ACÓRDÃO: 96.997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.004577-8 COMARCA: São Miguel do Oeste DES.003761-9 COMARCA: Indaial DES. RELATOR: Pedro Manoel Abreu ÓRGÃO JULGADOR: Quarta Câmara Civil DATA DECISÃO: 02 de outubro de 1.008332-7 COMARCA: Imaruí DES. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 20 de novembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 97.

DE 22 DE ABRIL DE 1998 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível em mandado de segurança NÚMERO ACÓRDÃO: 98.070407-6 (44. ATO ADMINISTRATIVO PUNITIVO. contudo.DATA DECISÃO: 30 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 96.001873-0 COMARCA: Itaiópolis DES. APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. RELATOR: Eládio Torret Rocha ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Cível Especial DATA DECISÃO: 17 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo regimental em agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 97.001873-0. Relator: Des. maculando. RELATOR: Orli Rodrigues ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 23 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Apelação cível NÚMERO ACÓRDÃO: 88. sem.001873-0. INVALIDAÇÃO. Silveira Lenzi. AUSÊNCIA DE SINDICÂNCIA E AMPLA DEFESA. de Itaiópolis. REMESSA DESPROVIDA. RELATOR: Silveira Lenzi ÓRGÃO JULGADOR: Terceira Câmara Civil DATA DECISÃO: 22 de abril de 1998 Apelação cível em mandado de segurança n. RELATOR: Francisco Oliveira Filho ÓRGÃO JULGADOR: Primeira Câmara Civil DATA DECISÃO: 9 de setembro de 1997 Anexo III – ACÓRDÃO Nº 98. irremediavelmente.002202-3 COMARCA: Anita Garibaldi DES.003761-9 COMARCA: Indaial DES. A falta de sindicância impede que se assegure ao acusado o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. ou tampouco a apuração de sua efetiva ocorrência. RELATOR: Newton Trisotto ÓRGÃO JULGADOR: Segunda Câmara Civil DATA DECISÃO: 11 de setembro de 1997 TIPO DE PROCESSO: Agravo de instrumento NÚMERO ACÓRDÃO: 96. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. 98.011810-1 COMARCA: Quilombo DES. o ato punitivo da autoridade.862) COMARCA: Capital DES. Vistos. relatados e discutidos estes autos de apelação cível em mandado de segurança n. . ATO IMOTIVADO. Há flagrante ilegalidade no ato punitivo de suspensão de servidor quando apenas constar os artigos da Lei Municipal que se entende afrontado.

regra particular de legalidade do ato administrativo impugnado. Sentenciando. A autoridade coatora prestou suas informações (fls. Sr. o Togado a quo concedeu em definitivo a segurança pleiteada. 68/69). tendo o impetrado imputado a ela a penalidade de quinze dias de suspensão. desprover o reexame necessário. o que resta por macular. conseguindo reverter o ato por decisão judicial. frente a motivação apresentada. A douta Procuradoria-Geral de Justiça manifestou-se pelo desprovimento da remessa. prescreve que seja instaurada sindicância para casos de punição de suspensão até trinta dias (art. No caso presente. toda a Administração Pública. O Promotor de Justiça opinou pelo deferimento da ordem. e lavrou parecer. o ato punitivo da autoridade. devidamente fundamentados. Argüi já haver sido removida da escola onde lecionava. A liminar foi concedida parcialmente (fls. Beatriz Zeczkowski impetrou mandado de segurança contra ato do Prefeito Municipal de Santa Terezinha que a suspendeu de suas funções por 15 (quinze) dias. que era a instauração de sindicância para averiguar a falta funcional da espécie. consequentemente. Des. Senão vejamos. 41/93 (fls. mesmo assim. sob pena de ser inválido. requisito de operacionalidade. Des. contudo. quanto a sua parte vinculada. oportunidade de defesa. 120). afere-se que o ato punitivo suspensivo da autoridade coatora (fl. Diante do exposto. remetidos pelo Juízo de Direito. irremediavelmente. da comarca de Itaiópolis (Vara Única). declarando nulo o ato de suspensão da impetrante. Cumpre notar. portanto. que trata do regime jurídico dos servidores da municipalidade de Santa Terezinha. e participaram do mesmo. em decorrência do conteúdo de alguns trabalhos escolares apresentados por seus alunos.98. 8) apenas indica os artigos da Lei Municipal nos quais afirma ter incorrido a impetrante. Tal dever é corolário do princípio da MORALIDADE ADMINISTRATIVA que permeia. de forma arbitrária. Custas na forma da lei. não conferindo à impetrante. pena disciplinar esta que reputa ilegal e pretende ver declarada nula. Observa-se – principalmente pelos termos das informações – que não houve instauração de qualquer procedimento administrativo com o fim de apurar ocorrência de falta funcional. 56/59). consequentemente. por votação unânime. Cláudio Barreto Dutra e Vanderlei Romer. Presidiu o julgamento o Exmo. ainda. nega-se provimento à remessa oficial. modernamente. sem. ou mesmo a apuração de sua efetiva ocorrência. . com votos vencedores. Aduz que a suspensão lhe foi aplicada sem a devida sindicância ou processo disciplinar. Imerece reparo a sentença em apreço. Silveira Lenzi. ao exigir a fundamentação dos seus atos.14/54). Alega que é professora do quadro de servidores públicos daquela municipalidade e que vem sendo perseguida pelo Prefeito em virtude de desavenças políticas. só produzirão efeitos – os atos administrativos assim elaborados – se corresponderem verdadeiramente aos fatos sucedidos. em que é impetrante Beatriz Zeczkowski. que se assegurasse à impetrante o direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A falta de sindicância impediu. que permitam apurar a probidade e a transparência de sua atividade administrativa. que todo ato administrativo – com apenas exceções legais – deve ser obrigatoriamente motivado. A Lei Municipal n. em Terceira Câmara Civil. e sem direito de ampla defesa. É o que reza a hodierna teoria dos motivos determinantes. os Exmos. Srs. que. Descumpriu-se. sendo impetrado o Prefeito Municipal de Santa Terezinha: ACORDAM. tornando possível a impugnação direta. demonstrar ou mesmo justificar os fatos funcionais ensejadores da punição. Sem recurso voluntário mas por força da remessa obrigatória.001873-0. Não basta indicar os dispositivos violados. mister é demonstrar os motivos. ascenderam os autos a esta Superior Instância. É o relatório. mormente quando impositivo de penalidade.

Raulino Jacó Bruning. Eder Graf PRESIDENTE PARA O ACÓRDÃO Silveira Lenzi RELATOR . 22 de abril de 1998.pela douta Procuradoria Geral de Justiça. o Exmo. Florianópolis. Sr. Dr.

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