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RESUMO

Tema pesquisado: Ausência de Limites – “Culpa da Sociedade”

Disciplina é um conjunto ou corpo especifico de conhecimento com suas


características próprias e métodos particulares de trabalho, e em relação ao indivíduo, é
uma regra de conduta ou um conjunto de normas de comportamento que podem ser
impostas do exterior, ou que podem ser aceitas livremente pelo indivíduo .
Sheviakov e Redl , afirma que , no que se refere ao comportamento , disciplina é a
organização de nossos impulsos para a obtenção de um objetivo .
A disciplina é a subordinação dos impulsos dos indivíduos que o integram com o fim de
alcançar um objetivo comum.
A pessoa disciplinada , é aquela que dá ao seu comportamento uma direção inteligente
Disciplina e um conjunto ou corpo específico de conhecimento com suas características.
Disciplina no que diz respeito à vida do indivíduo, é aquela capacidade que ele tem de
orientar inteligentemente o seu comportamento, sabendo manipular as forcas do ambiente
com o qual interage no convívio com a sociedade.
É disciplinado do ponto de vista da interação com o universo físico, quem suas leis e as
utiliza para o bem comum. É disciplinado do ponto vista da interação com o mundo cultural
e das instituições, quem conhece as leis sociais e consegue entender o que a sociedade está
exigindo dele.
É chamada socialização o processo educativo que procura tornar o indivíduo um membro
da sociedade. A socialização e a educação dependem da capacidade que os homens tem de
influírem uns no comportamento dos outros , modificando-se mutuamente, no processo de
interação social, ou seja, é a capacidade de os homens reagirem, de serem capazes de atuar
junto a outros homens, aprendendo e ensinando .
Atuam na socialização em interação os indivíduos e a sociedade. A socialização é um
processo em construção, cujos agentes são o ser humano e o grupo social que o cerca .
Nesse processo o indivíduo, ao mesmo tempo em que se aproxima da conduta do grupo em
que vive, incorporando determinados padrões sociais, age, também, sobre o grupo, tendo a
possibilidade de modificá-lo.
A socialização e a interação social,elementos do processo educativo, são também as
condições e os resultados da vida social .
É grande a influencia dos padrões sociais na vida dos indivíduos. Esses padrões
chegam mesmo a interferir nos processos educacionais e na percepção do eu, do outro, do
mundo .
O processo de socialização não termina com a inserção da criança na sociedade . A
socialização é um processo permanente, que progressivamente passa a fazer parte do
conjunto de experiências do indivíduo .
Os indivíduos organizam sua vida em sociedade formando instituições sociais . As
instituições sociais são formas de ação ou de vivência a que os homens recorrem,
sistematicamente, visando a satisfazer determinadas necessidades . Essas recorrências
sistemáticas vão organizando essas formas de ação, de tal modo que as instituições se
destacam do todo social por terem uma finalidade, um objetivo que satisfaça a
determinadas necessidades do homem, e uma estrutura, isto é, regras que organizam tanto

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as relações humanas do que delas participam, como o espaço físico onde acontecem estas
relações.
As instituições sociais têm papel fundamental no processo de socialização.
De acordo com as contribuições da psicologia sócio histórico de Vygostsky, que
considera o processo de desenvolvimento psíquico.Fala sobre a formação de conceitos e
valores internalizados á cultura, na qual é produto e uma ação educativa entre sujeito e
entre gerações.
Portanto estes valores e conceitos são passados pelos pais.Assim como a relação da
subjetividade e cultura é contemplada na perspectiva psicanalista, em relação á
personalidade do adolescente para que seja possível a compreensão do papel das figuras
autoridade em especial da função paterna.
Içami Tiba (1996; 1996) e Tânia Zagury (1997; 1999 e 2000), há uma ausência de
limites nestes adolescentes.Estes dois autores focam em um trabalho onde novos
parâmetros sejam inseridos em relação á disciplina e ética na família e na escola.Definem
que há uma ineficiência nas teorias da psicologia ou excessiva influencia na educação
escolar e família.
A disciplina deve ser vista como aquisição das restrições pelos adultos.
Zagury, diz que á falta de limites envolvem os problemas da adolescência, e busca
através de pesquisas reflexões, uma forma de orientar os pais a determinar limites.
Para que haja disciplina, limites, as instituições que educam a criança, família e a
escola são responsáveis por estabelecer regras e promover condições de aprendizagem das
normas coletivas e cabe á sociedade, através de suas instituições, estabelecer princípios da
ética, da igualdade e da justiça.
E ainda é necessário compreender o avanço da tecnologia, onde as crianças e
adolescentes tem fácil acesso, e os valores que se constituem independentemente da família
e da escola, sobre o qual essas instituições têm pouco controle.
Entende-se que entre a disciplina e ética estabelece uma relação dialética que
envolve um sujeito e a estrutura normativa da coletividade.E para que se estabeleça esse
limite tem que levar em consideração á realidade das famílias e das escolas.
A mudanças no mundo contemporâneo acabam por deixarem crianças e
adolescentes, desorientados e sem rumo.De acordo com a autora Rebelo o fracasso escolar,
ausência de limites e indisciplina, só poderão mudar quando a sociedade mudar.
A indisciplina está ligada ao conjunto de valores da sociedade, que variam entre
diferentes culturas, classes sociais, instituições.
Há também á indisciplina social, onde tem muita impunidade da sociedade, às
pessoas fazem coisas erradas e nada acontece.Adolescentes e jovens sem perspectiva, mal
sabem para que estudar.Aluno diz: ”eu vou ser jogador de futebol, não preciso estudar, e
vou ganhar muito dinheiro”.
Uma visão da indisciplina na perspectiva social é gerada por conseqüência da
violência, que está em todas as classes sociais, passam a conviver com falta de respeito e de
limites, generalizando indisciplina .
A violência gera indisciplina o que impacta nas responsabilidades social e gera
graves conseqüências, estes fatores estão ligados, mais forte as desigualdades sociais, que
gera o desemprego, fome, miséria, dentro outros problemas sociais.
As crianças e adolescentes tem um cenário de mundo desmoronando e tudo que é
presenciado por eles acaba refletindo em seu comportamento, não somente na escola e sim
em todos os locais de convivência diária.

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A sociedade tem que se esforçar para trazer de volta á questão de respeitar limites.
Cearão, destaca que mesmo o jovem de 18 anos, que se desenvolve continua a
precisar de limites estabelecidos, de formas claras, firmes e objetivas.Estes limites não são
apenas proibições, e impedimento, mas contornos necessários á convivência humana.
O foco da ausência de limites provém da desigualdade social, presente no contexto
social.É impossível negar a importância e o impacto que a educação familiar tem, do ponto
de vista cognitivo, afetivo e moral, sobre o indivíduo. Entretanto, seu poder não é absoluto
e irrestrito, uma coisa é aceitar que o que ocorre no ambiente familiar é importante, e outra,
bastante diferente, é acreditar que é determinante e irreversível.
Os traços que caracterizarão a criança e o jovem ao longo de seu desenvolvimento,
não dependerão exclusivamente das experiências vivenciadas no interior da família, mas
das inúmeras aprendizagens que o indivíduo realizará em diferentes contextos
socializadores.
Na sociedade existem códigos impostos a todos, por igual, a fim de normatizar uma
população, que fica impossibilitada de explicitar o seu EU, sem que seja sentenciada sua
culpa, ignorando assim uma verdade "oculta", que está impregnada desde o nosso
nascimento e passada de geração em geração, uma sociedade que condena o diferente, o
que foge de seus padrões. Essa sociedade que condena, é a mesma que priva o indivíduo de
oportunidades iguais, estabelecendo diferenças de classes, raças, religiões etc.
Faz-se necessário que a sociedade, através da educação, possibilite a construção de
uma moral com acento na ética, uma ética que não se fundamente em dogmas religiosos, na
lei ou nos enunciados científicos, mas uma ética que permita ao homem realizar uma crítica
de si mesmo que explicite uma atitude frente à existência, que saiba como aplicar em sua
própria vida um trabalho de aprender a viver, a fim de deixar atrás de si uma reputação.
A falta de limites, não torna a criança ou jovem, uma pessoa má, e, sim, uma pessoa
cujo comportamento precisa mudar, precisa enxergar que seus valores devam ser outros,
para isso, faz-se necessário proporcionar "espelhos" honestos e sensíveis, que os ajude a
ganhar consciência integral de seu comportamento, de suas visões e de seus sentimentos, e
a penetrar sua negação, suas defesas e suas distorções.
Esta falta de limites que faz com que as crianças e jovens tenham comportamentos
pouco saudáveis, é a maneira que encontraram para serem notados, elas simplesmente estão
pressionando em busca de pessoas que lhes dêem limites, na maior parte de suas atitudes
"querem chamar atenção".
Pais culpam a sociedade que os impossibilita de educar seus filhos com limites
necessários, para uma formação saudável, devido a tantas regras impostas indevidamente,
sociedade essa que não dá as famílias condições adequadas para viverem dignamente com
um salário justo para todos, onde há tanta desigualdade, onde o indivíduo não consegue
obter o mínimo de seus direitos, para que conscientemente cumpra seus deveres de cidadão.
Tantos atos inconseqüentes, continuam transformando crianças e jovens sem
limites, que são as maiores vítimas, as reduzindo em problemas sociais para quem quiser
ver, basta olhar ao nosso redor, nas famílias, nas ruas, nas escolas, em cada esquina, no
silêncio, no grito, por toda parte.
Numa Sociedade tão desigual, que candiza invariavelmente sua atenção e energia ao
sustento da próli, muitas vezes não há espaço para refletirmos sobre a melhor educação de
nossos filhos, seu crescimento familiar, a vida na escola e sua sociedade adulta para o
ingresso na sociedade adulta.

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Segundo Içami Tiba, a avaliação é o caminho evolutivo da sociedade, a sociedade e
composta de organizações, famílias e indivíduos, assim como o corpo humano um
interligado com o corpo humano um interligado com o outro, se algum aparelho falhar a
deficiência de um órgão afeta o outro.
Assim acontece na sociedade, um indivíduo pode prejudicar sua família que acaba
atingindo a sociedade.
A disciplina é um dos pilares do crescimento civilizado do homem e,
conseqüentemente um valor social importante, ou seja, a sociedade deverá ofertar para o
indivíduo subsídios para ele viver em harmonia dentro de um contexto social.
Dentro desse contexto social há várias negatividades que acabam afetando um
determinado grupo social como as drogas,álcool, maconha, crack, anabolizantes etc...
Como a escola é um fator importante que ela ajude a preparar o futuro do cidadão com
valores internos bem estabelecidos para que não se deixe levar pelo imediatismo,
irresponsabilidade.
A sociedade oferta através da mídia, a propaganda, de bebidas alcoólicas explora ao
máximo a imagem do jovem que bebe e se sente livre e feliz. O jovem que assisti aos
comerciais de cerveja pensa que cerveja é refrigerante.
A sociedade não ensina, somente sinaliza as regras que deverão ser obedecidas, na
esperança que cada cidadão tenha preparo suficiente, são leis escritas e as contravenções
são punidas sem que a escola e a família, possam interferir, ou seja, a sociedade impõe
regras, ditam as leis e o não cumprimento delas traz conseqüências, a sociedade solta as
rédias, mas como advertência, temos as autoridades sociais, causando uma punição.
Para que todos prosperem e para que o Brasil realize verdadeiramente o seu
potencial, é preciso oferecer as nossas crianças e adolescentes as oportunidades de uma
educação melhor e o desenvolvimento de uma conseqüência plena.
O Interesse por esse tema também surgiu na atuação da autora, Áurea Guimarães
junto ás escolas estaduais da Divisão Regional do Ensino de Campinas.A pesquisa foi
realizada no período de 1982 a 1984. O seu trabalho abrangeu trabalhos que abordam os
problemas educacionais brasileiros.
Os textos desenvolvem uma analise e um debate acerca de todas as conseqüências
internas da violência escolar.
Propõe também uma ação pedagógica coerente, fornecendo teorias e práticas para
uma atuação mais eficiente no trabalho educacional, que deve ser considerado como tarefa
imprescindível para a realização de um projeto histórico funcional, favorecendo uma
transformação na sociedade brasileira.
“Violência nas escolas...” todos nós já ouvimos relatos sobre este tema, os
noticiários conversam de professores, alunos que vivenciam no seu cotidiano na escola.
A escola perdeu o que ela tinha de especial, a sua alegria, a descontração, a leveza.
Hoje medidas obrigatórias, tiveram que ser tomadas, para que a violência possa ser contida
em parte.
Muros erguidos ao máximo possível, janelas com grades, guaritas de seguranças ao
lado dos portões, para mantê-los constantemente fechados, porem tais medidas não tem
sido suficientes, nem mesmo para manter o patrimônio institucional.
Vemos escolas completamente depredadas, que muitas vezes tem o seu início
interno, com brigas em grupos, que acaba se tornando um verdadeiro “quebra-quebra”. O
que há de errado com a escola? É exatamente deste problema que o livro trata, de forma

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original. “Depredação Escolar”, surgiu com uma forma de contestação, os problemas
internos se refletiam também externamente de forma agressiva.
A escola para reduzir as depredações adota um padrão que distingui os “bons” e os
maus” alunos, nomeando o bom aluno: aquele que não depredava a escola, era mau aluno
ou marginal. Esse procedimento impedia que a depredação acontecesse de forma mais
ampla, nas manifestações.
A escola não percebia que a primeira violência partia dele, pois a depredação era
uma forma de contestação, mas também uma crítica á administração escolar, uma
neutralização das ações da escola, ou seja, todos vigiam e punem, ao mesmo tempo em que
são vigiados e punidos.
Para a direção, as brigas tinham como causa o meio onde os alunos viviam. “...São
moradores de favelas, e lá a gente sabe...”, com isso a autora sentiu a necessidade de rever o
seu referencial teórico.
Que a violência na escola não seja analisada de um único modo, que propõe
considerar como uma forma de reunir tudo o que se refere á luta, ao combate, pois a
violência também é fonte de vida e se manifestam de varias maneiras.
No pensamento de Michel Maffesoli, as noções que mais contribuíram para
fundamentar a sua tese, que a violência não adquire apenas diferentes modulações em
diferentes momentos históricos, como também estabelece as regularidades que apontam
para a Constancia de sua manifestação.
Ele destaca três modalidades de violência:
1- A violência dos poderes instituídos, refere-se á violência dos órgãos burocráticos, dos
estados, do serviço Publico.
2- A violência anônima, que para o autor, parece ter uma função fundamental.
3- A violência banal que esta ativa no que ele chama de “resistência da massa”.
Há uma demonstração tanto aspectos específicos de um duplo movimento entre
destruição e construção, uma estreita conexão entre eles, uma relação ambígua. A
destruição vem desorganizar, a estrutura social.
Planificação e controle racionalizados da vida social são objetivos fundamentais da
burocracia. Isso leva a centralização de tudo o que é da ordem do policial, do fiscal, do
militar, um aparelho administrativo.
Para ele há um fracasso, pelo menos em parte, graças ao irreprimível querer viver
social, que corroias diversas formas da imposição mortífera.
Uma violência fundadora, mostra a capacidade que uma sociedade tem de identificar-
se consigo próprio uma estruturação coletiva que assume e controla sua própria violência.
As manifestações anônimas buscam uma estruturação social alternativa. O aspecto
construtivo da violência possibilita compreender uma forma social como um auxiliar da
ordem.
Os revolucionários, estes que terão o poder, o pensador maldito, esta se tornara
referência obrigatória, o artista desacreditado que acabará impondo uma nova moda, vemos
então a existência de um duplo movimento, anômia e ordem. Se for reprimida ou negada,
explode na crueldade.
O banal aparece como uma forma de criação que escapa a uma atividade finalizada
e que se esgota em si mesma, as formas de resistência, que expressam a violência banal,
constituem e permite a partilha do sentimento nas rebeliões políticas, nas greves, nas festas,
nas banalidades cotidianas, ou seja, um verdadeiro conservatório do “saber-viver popular”.

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Nesse capitulo a autora traz com detalhes a sua busca em tentativas de descobrir e
aprender estratégias, que deixam evidentes o duplo movimento de destruição e construção
que caracteriza a violência.
O contato com crianças e adolescentes das escolas de Campinas, que possibilitou
uma ampliação nos contornos das rupturas que se articulam entre o conformismo e a
resistência passividade e a luta, a lei e a “antilei”.
Para a autora a violência que é gerada apenas porque é uma instituição controladora,
que luta pela imposição, mas também porque ela é a expressão de grupos em permanente
conflito. Quanto mais a escola resistir em aceitar a heterogeneidade do seu campo. Essa
violência, que não se apaga nunca, abre as brechas para as resistências que funcionaram
como ameaças, não a favor da violência, mas no uso dela.
Todos os professores relacionavam a violência a uma agressão física ou verbal, mas
na maioria deles, a escola não era violenta pois as brigas, os roubos e os xingamentos eram
“coisas deles”, “natural da idade”. As coisas desses “problemas disciplinarem” existiam no
ambiente familiar e na estrutura econômica.
Sabe-se claramente que a indisciplina constitui uma das queixas de educar na
atualidade.Do ponto de vista concreto, as inflexões disciplinares parecem ter correlação
imediata com o estilo de ação do professor, mostrando-se, mais vezes, como resposta à
ausência de autoridade docente ou ao seu inverso, autoritarismo. Entretanto, tais reflexões
nada têm a ver imediatamente com os métodos em questão.
Assim, não se pode dizer que haja um perfil docente propenso aos enfrentamentos
disciplinares. No entanto, parece haver aí uma execução.Suspeita-se que a indisciplina
docente seja um fenômeno típico da adolescência, e esta caracterizado pela questão das
normas e dos valores impingidos pelo mundo.
Uma rebeldia típica dessa fase passageira, em termos práticos, costuma-se dizer que
as “más influências” a que as novas gerações foram expostas (o excesso de televisão, de
Internet, etc.) sejam inquebrantáveis, já que os apelos escolares não seriam sedutores a
ponto de fazê-las criar gosto pelo estudo e pelos bons modos que, supostamente, seriam
decorrentes.
Suspeita-se, por fim, que o futuro reservado ao alunado, no mínimo, temeroso, uma
vez que a escola poderia fazer muito pouco, ou quase nada, contra a degradação da
sociedade contemporânea, simbolizada pela indisciplina generalizada das nossas gerações.
Disciplina remete regras. Com efeito, a pessoa disciplinada segue determinadas
regras de conduta. Logo, disciplina corresponde ao que chamamos de moral. O respeito por
certas leis consideradas obrigatórias. Portanto, a pessoa indisciplina transgride as leis que
deveria seguir.
A indisciplina pode, às vezes, vir em decorrência de bons motivos éticos. Se as
regras não fazem sentido e se deveriam de valores suspeitos, a indisciplina pode se
justificar eticamente. Há indisciplinas eticamente válidas, desobediências legítimas, graças
às quais, aliás, a sociedade acaba por evoluir. Mas pensamos agora nas formas de
indisciplina que ferem as leis moras, estas definidas como garantas de respeito a direitos
legítimos. Transgressões deste tipo também podem acontecer nas salas de aula.
Entende-se por indisciplina os comportamentos destrutivos, graves que supõem uma
disfunção da escola. Os comportamentos indisciplinados simplesmente obedecem a uma
tentativa de impor a própria vontade sobre a dos restantes da comunidade. Se for um aluno,
dizemos que é difícil, indisciplina, diferente.

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Também se entende por indisciplina as atitudes ou comportamentos que vão contra
as regras estabelecidas, as normas do jogo, o código de conduta adotado pela escola para
cumprir sua principal missão: educa e instruir. Então, muitas vezes, o problema consiste em
que não existem ais normas, a escola funciona de acordo com um código não escrito,
conhecido somente por poucos.
Parece razoável pensar que estamos diante de novos desafios educacionais, que essa
disciplina que aparece como impossível é, na verdade, uma nova encruzilhada educativa.
Vivemos em uma sociedade submetida à mudanças vertiginosas, que facilmente produz
grandes instabilidades e que gera, sobretudo, novos contextos educacionais de maneira
contínua.
A escola, sistema aberto em interação com o meio, não pode ficar imune às tensões
e desequilíbrios da sociedade envolvente e, por isso, poderá ver-se a indisciplina que
atualmente perturba a vida de muitas escolas como um reflexo dos conflitos e da violência
que grassa na sociedade em geral.
As desigualdades econômicas e sociais, a crise de valores e o conflito de gerações
são alguns dos fatores que podem explicar os desequilíbrios que afetam tanto a vida social
como a vida escolar.
Segundo Vazquez (2003) o homem, quando superou sua natureza instintiva passou,
efetivamente, a possuir uma natureza social e tornou-se membro de uma sociedade.
Desta evolução, surgiu a moral, com o objetivo de estabelecer e assegurar a harmonia e o
equilíbrio entre os comportamentos dos membros de uma sociedade e os interesses
coletivos da mesma. A sociedade representa o limite moral do ser social, porque a
coletividade absorve e controla o indivíduo através de suas normas e princípios; sobretudo
pelos costumes e tradições.
Entretanto, o processo de estabelecimento de limites não poderá ocorrer alheio ao
progresso histórico-social, apesar de serem distintos, por ser o desenvolvimento produtivo
do homem um processo concomitante ao seu progresso humano de ser social, ou seja, a
partir de sua práxis social, o homem terá o seu índice de progresso na liberdade relativo á
necessidade social.
A produção do homem (trabalho) preservará a sua autonomia espiritual, cultural e
social, tal como o seu desenvolvimento moral (limites).Contudo, infelizmente, paralelo ao
progresso histórico de desenvolvimento moral positivo do homem, existe o progresso moral
negativo, no qual a violência, o crime e a degradação moral podem ser constatados nos dias
atuais através dos índices cada vez maiores de atentados terroristas, sejam por contradições
religiosas, políticas ou por insatisfações pessoais.
A construção de limites deve iniciar cedo no processo de desenvolvimento do ser
humano que queremos formar. Ao nascer, a criança inicia seu processo de individualização
que se dará através dos cuidados da mãe com o bebê. Nesta etapa, o colo é importante, pois
permite que o bebê conheça os limites entre o eu e o não eu.
Entre os sete e nove meses as crianças começam a engatinhar, e, assim, partem para
explorar o mundo. Nessa idade, elas já são capazes de compreender o sentido do não, mas
ainda não entendem totalmente o significado da proibição. Educar implica sempre, em
maior ou menor grau, a necessidade de limitar, de às vezes dizer não, de negar algumas
coisas aos filhos.
Dizer não nessas circunstâncias pode se tornar uma coisa difícil, para muitos, talvez
uma barreira intransponível. As crianças da atualidade vêm sendo vítimas da tentativa de

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"modernizar" a educação ao meio familiar. São vítimas porque não se tem conseguido
atingir o objetivo desejado.
Não se deve esquecer que o equilíbrio deve ser á base de todas as atitudes,
comportamentos, enfim, de tudo que, principalmente, diga respeito á educação infantil.
As crianças eram vistas como pessoas que não sabiam nada e que ainda tinham tudo
para aprender, mas, ao mesmo tempo, eram cobrados comportamentos de adultos, pois
tinham que ser responsáveis e compreender as regras sociais. “Hoje em dia, no meio em
que vivemos, a liberalidade é grandemente incentivada”.
Torna-se, pois difícil para os pais discernirem em que situação, deve ou não ser
severos, porque a severidade passou a ter uma conotação negativa, sendo encarada como
uma forma de autoritarismo, o que agrava a insegurança dos pais quanto à tomada de
decisões .
Mães saíam para trabalhar e as responsabilidades domésticas eram divididas, os pais
começavam a ter mais "peso" na educação dos filhos, antes exclusividade materna.
Conseqüentemente, muitas famílias começaram a enfrentar um problema: o poder passou
para os filhos. Agora, eles tentavam cercear os pais, querendo ditar as regras na família.
Os pais, na procura de uma educação menos rígida e castradora, acabaram criando filhos
"mandões" e sem noção de direitos e deveres, sem limites - o que é imprescindível para a
vida na sociedade conforme Zagury "Filhos de pais severos podem realmente tornar-se
dependentes e inseguros, da mesma forma que os filhos de pais permissivos podem
apresentar as mesmas características".
Os pais devem ensinar a civilidade a seus filhos substituindo os atos que a criança
tem no início da vida por formas reconhecidas socialmente. Os filhos deixam de se
perceberem "membros" da família, de uma sociedade, para sentirem-se "senhores" das
mesmas com todos os direitos, entretanto, sem nenhum dever nem interesse pelo outro
produzindo assim a tirania. É preciso evitar que se invertam os papéis de dominador-
dominado /dominado-dominador. “Isto pura e simplesmente não conduzirá a nada de
positivo”.
A preocupação em observar o comportamento da criança, requer compreender os
limites que ela deve ter para uma convivência socialmente integrada. Em vista do exposto,
o problema que norteou o estudo foi perceber quais as conseqüências apontadas pelos
professores, da ausência de limites para o desenvolvimento social de crianças de classe
média.
É fundamental para a boa educação do ser humano, que os professores acreditem no
estabelecimento dos limites como um processo de compreensão e apreensão do outro
através do respeito, pois, não se pode ultrapassar os limites que este terá estabelecido para
si, nem satisfazer somente aos próprios desejos sem pensar nos direitos do outro.
A violência sempre existiu assumindo formas específicas conforme o seu momento
histórico. Essa violência era praticada e vem sendo ainda praticada pelo Estado ou seus
agentes, pelos grupos dominantes ou até por bandidos comuns que sempre deixou e ainda
deixam cicatrizes profundas.
Toda essa violência urbana a cada dia que se passa só está aumentando. O que nos
espanta é a aparente frieza e a ausência de limites de muitos criminosos que praticam tais
atos. Esses homicídios desenrolam-se dramaticamente em nosso cotidiano.
E embora o limite seja aparentemente imposto por autoridades e por diversas instituições
que compõem uma sociedade, essas próprias instituições demonstram

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que estão descontrolados ou até mesmo sem limite algum para tratar determinados
assuntos.A situação está sempre fugindo do controle e passando dos limites, isso ocorre
constantemente.
Tudo isso faz com que: a corrupção, a indisciplina, a agressividade, o individualismo
aumente a cada dia que se passa.
Portanto podemos afirmar que é isso que faz da sociedade brasileira uma sociedade sem
limites em todos os seus aspectos. Mas mesmo com tudo isso se pode dizer que a violência
urbana não é particularidade só do nosso país, pois a violência e a ausência de limites esta
presente em todos os paises, então esta presente onde existir sociedade no planeta terra.
Há tempos, sabe-se que o homem é fruto do ambiente em que cresce e se
desenvolve. É uma construção alicerçada em diferentes instituições, portanto, família,
igreja, clube e, principalmente, escola. Nesta constata-se as dimensões humanas do aluno –
movimento, transformação e impermanência. Quando uma delas se desarticula, diz-se que
ele, o aluno, é ou está indisciplinado.
Por isso acredito que muito do que chamam de indisciplina é, a meu ver,
inflexibilidade e/ ou inexperiência profissional. Ou, quem sabe, intransigência ou
insensibilidade, mesmo! Por que será que o professor necessita sempre se apoiar num
modelo de autoridade? Não seria uma resposta à própria ausência dessa? Talvez esse seria o
motivo das queixas que os professores tanto reclamam (e com razão, nesse caso).
Quero lembrar que os eventos ocorrem há séculos e hoje, mais do que nunca, se
houve falar desses desde a educação infantil até os cursos superiores, mas acredito que é na
fase final do Ensino Fundamental e início do Ensino Médio que ela se faz mais presente.
Como educador acredito que seja uma confluência dessas e de outras mais, aliada ao
bombardeio de informações que os meios midiáticos oferecem aos adolescentes, sem contar
as cobranças impostas pela sociedade. Ainda tem que se levar em conta que os apelos
escolares talvez não estejam sendo sedutores o suficiente, a ponto de fazê-lo se interessar
pelos estudos.
Se o que queremos é formar cidadãos críticos, porque não permitimos que os alunos
exercitem a criticidade através das imposições feitas pela escola? Será que em vez dos
educadores, não estão sendo pregadores ou até fiscalizadores da conduta alheia, no caso,
nossos alunos? Como fica o modelo de educador, profissional e de pessoa que somos?
\muitas vezes os comportamentos dos alunos são reflexos das patologizações realizadas por
professores despreparados, que sem uma formação adequada e uma reflexão prévia exige
uma disciplina equivalente à saúde mental e docilidade.
É indisciplina perpassando pela moral, normas, regras e combinados, uma vez que
estas foram quebradas além do mais, diante de todos os colegas e desrespeitando a figura
do professor que nada havia feito (pelo menos naquele momento) para que isso
acontecesse. Há quem possa refletir e se contrapor a esse comentário, dentro e fora da sala
de aula.
Uma reconstrução da autoridade que se construirá paulatina e artesanalmente,
conforme os sujeitos envolvidos se dispuserem laboriosamente a tal. \por essa razão, se o
que se pretende é uma escola, de fato, democrática, as ações e relações escolares deverão
ser reinauguradas sem cessar.
Necessita-se, também, lembrar que a “qualificação do professor consiste em
conhecer o mundo e ser capaz de instruir os outros acerca deste, porém sua autoridade se
assenta na responsabilidade em que ele assume por este mundo”.

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Também não podemos ser tão inflexíveis a ponto de não se dispor em rever certas
atitudes que tomamos e que eram cabíveis em um determinado momento, mas que é
passível de mudança em outro – isso é agir com maturidade pedagógica; é ser ético.
Por fim, faz-se preciso lembrar que o diálogo ainda é o melhor e mais eficaz
“remédio” para a democratização. Diria mais, a qualidade do diálogo é um dos objetivos
essenciais à reconstrução e reelaboração dos papéis dos agentes escolares e que deve
sempre permear a relação professor-aluno.
Vivendo sem limites, é assim que nossas crianças e jovens vivem atualmente, não se
importando com nada ao seu redor, não tendo respeito pelo próximo, somente pensando em
si mesmos, e em seus interesses pessoais,culpa da sociedade em que vivemos?.
Para se viver em sociedade, é necessário obedecer a regras, não percebemos mas
estamos constantemente respeitando limites,impostos a nós pela sociedade.
Não seria possível viver coletivamente sem estas regras,por isso a criança precisa
aprender desde cedo, como se comportar em grupo.
Os pais as educam para serem pessoas de boa índole ,e que respeitem o próximo,
no entanto um dos primeiros contatos da criança com a sociedade é na escola, onde ela
convive com profissionais mal preparados,que gritam ,ofendem, humilham, desta maneira a
criança absorve estes comportamentos, achando-os necessários para sobressair na
sociedade, destacando-se dos demais.
A mídia em geral , também tem uma grande influência sobre a criança e o
adolescente,incentivando o consumismo exagerado, fazendo com que , eles tentem obter
bens que muitas vezes não estão ao seu alcance, gerando com isso conflitos com os pais, e
fazendo com que as educações transmitidas por eles, percam o valor.
Os pais educam os filhos para uma boa convivência em sociedade,respeitando
limites e regras,mostrando que os direitos de todos devem ser respeitados e não apenas os
próprios desejos; no entanto a sociedade os corrompem através da mídia, e do consumismo
desenfreado.
A questão da sociedade capitalista é que ela impõe um maior apreço aos bens
materiais e as aparências, deste modo podemos afirmar que a sociedade tem sua parcela de
responsabilidade no que se refere a ausência de limites de nossas crianças.
Antigamente as crianças obedeciam aos pais sem questionar, porem nas décadas de
60/70 foi dada uma extrema importância às teorias de desenvolvimento infantil e ao
individualismo, teorias estas desenvolvidas pelos estudos da psicologia.
As crianças da atualidade vêm sendo vítimas da tentativa de “modernizar” a educação ao
meio familiar.
São vítimas porque não se tem conseguido atingir o objetivo desejado. Não se deve
esquecer que o equilíbrio deve ser a base de todas as atitudes, comportamentos, enfim, tudo
que, principalmente, diga respeito a educação infantil.
Desde a década de 60 era comum que as crianças fossem tratadas com pouca ou
nenhuma consideração. Suas idéias não tinham valor e às vezes nem eram ouvidas ou
solicitadas, suas vontades não eram consideradas e não lhes era dado o direito de
questionamento. O poder do adulto sobre a criança era claro e inquestionável.
As crianças eram vistas como pessoas que não sabiam nada e que ainda tinham tudo
para aprender, mas, ao mesmo tempo, eram cobrados comportamentos de adultos, pois
tinham que ser responsáveis e compreender as regras sociais.Então eram tratadas como
adultos pequenos. Atualmente, começou a se evidenciar a necessidade de uma mudança na
estrutura família.

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Os papéis não se apresentavam mais tão rigidamente constituídos. Mães saíam para
trabalhar e as responsabilidades domésticas eram divididas, os pais começavam a ter mais
“peso” na educação dos filhos, antes exclusividade materna. Mas, não se tinha a receita
dessa nova família, o que aconteceu foi que alguns pais confundiram o que seria uma
relação mais aberta, íntima e afetuosa, com falta de limites.
Conseqüentemente, muitas famílias começaram a enfrentar um problema: o poder
passou para os filhos. Agora, eles tentavam cercear os pais, querendo ditar as regras na
família. Os pais, na procura de uma educação menos rígida e castradora, acabaram criando
filhos “mandões” e sem noção de direitos e deveres, sem limites - o que é imprescindível
para a vida na sociedade conforme Zagury (2002, p.46) “Filhos de pais severos podem
realmente tornar -se dependentes e inseguros, da mesma forma que os filhos de pais
permissivos podem apresentar as mesmas características”.
Não se deve perder de vista a necessidade e o respeito recíproco, da abertura, da
confiança, da intimidade e da expressão de sentimentos nessas relações.
Porém, isso não implica uma liberdade total e ausência de regras. Implica, sim, numa
relação e numa educação mais flexível e consciente; onde regras e limites estão presentes.
A falta de limites pode provocar na criança a sensação de abandono, pela falta de
orientação e controle dos pais sobre o que pode ou não fazer e a ilusão de que pode fazer e
ter o que quiser. É importante para ela a concepção de limites dada pelos pais ou pessoas
que os substituam pois, com isso, se sente segura. “Os pode” e os “não pode”, devem ser
internalizados pelas crianças, desde a primeira infância, cabendo aos pais e também a
escola a importante e fundamental tarefa de estabelecimento de limites e regras básicas de
convivência, ou seja, o processo de socialização essencial para o desenvolvimento psico-
social futuro das mesmas.
Por vezes, este processo perde a continuidade devido os pais sentirem –se inseguros,
culpados por sua ausência (conseqüência de pais profissionalmente realizados) ou medo de
serem antiquados e autoritários, e permitirem que seus filhos perpetuem a conduta de
controlar o mundo, primeiro através do grito (berra e esperneia), depois pela violência e
agressão. Os pais devem ensinar a civilidade a seus filhos e esta ir substituindo os atos que
a criança tem no início da vida (hedonismo2) por formas reconhecidas socialmente.
Infelizmente a falta de limites é um mal da sociedade capitalista. Nós todos, pais,
avós e educadores estamos sempre em busca de novos caminhos, recebemos informações
educacionais de todos os lados, buscamos avidamente por realizações profissionais e
aumento de renda e não nos dedicamos a dar limites a nós mesmos (rotina, controle de
custos, exercícios físicos) e a quem está sob nossa responsabilidade. As crianças desde
muito cedo, estão crescendo sem saber o que é trabalhar a frustração, seja por falta de
tempo, dinheiro ou paciência os pais acabam cedendo as exigências e birras dos filhos e
isso acaba virando uma bola de neve sem controle. Pais de todas as camadas sociais deixam
seus filhos fazerem o que quer e dão materialmente o que desejam tentando suprir a
ausência e a dedicação ao filho. Dentro desse contexto em que os pais não têm tempo para
os filhos pois a sobrevivência nesta sociedade capitalista é terrível e acabam por delegar
muitas vezes responsabilidades suas a outros, a escola por exemplo.
Educar dá trabalho e como já vivemos numa correria e agitação absurda, temos que
cobrar da sociedade uma infra-estrutura razoável para quando sairmos de casa e deixarmos
nossos filhos, estes possam ter, escolas bem estruturadas, áreas de lazer adequadas, uma
segurança em nossos bairros que afastem marginais que se aproveitam de crianças, que os
pais não estão em casa para aliciar e levar para o caminho das drogas. Sabemos que

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vivemos em uma sociedade repleta de injustiças, a maioria delas nas políticas sociais, mas
cabe a nós lutarmos por uma sociedade mais justa, não para nós em âmbito pessoal mas
pensando nas futuras gerações que virão depois de nós, e que nossos filhos já fazem parte
pois eles são o futuro.
Nos deparamos com imagens de infância,antes de símbolos de bondade ,que agora
substituídos por imagens de decadência moral.Muitos professores se assustam com a
quebra de imagens inocentes que se existia com a infância.
A pedagogia escolar é como uma combinação de imagens e cores.O importante é
acertar com sua combinação e com o foco que de sentido a imagens e cores por vezes tão
chocante.
Durante as décadas de 1980 e 1990 no centramos na influencia externa que pesa
sobre a escola e sobre nós.Aprendemos que as condições econômicas,políticas e sociais
marcam o sentido social e político da educação,portanto os professores tem que redescobrir
seus alunos trabalhar em cima de suas vivencias ,pois as crianças,adolescentes e jovens
populares quebraram a imagem romanceada e mostram ousadia em demonstrar o
imaginário idealizado sobre a educação.
Estamos diante de um mal-estar não apenas não da escola ,mas da sociedade como
um todo,portanto a preocupação com as crianças,adolescentes,jovens passou a ser das
famílias,escolas,sociedade,governos,mídia,ciências humanas,do direito e das políticas
sociais,é preciso buscar saídas de intervenções coletivas.
A sociedade destrói a infância e espera que os professores concertem o que já esta
feita, sendo que é necessário um trabalho coletivo para que haja mudanças. As escolas e aos
professores cabem parte dessas responsabilidades mas não é a única
responsabilidade,redefinir responsabilidades sociais não é fácil,porem urgente,pois milhões
de crianças ,adolescentes e jovens estão nessas condições de indisciplinas.
Como vemos os educando por muitas vezes mostra seu rosto de criança mas que na
verdade são corpos de crianças com responsabilidades de adultos precoces.
Vemos na sala de aula alunos indisciplinados ,violentos até mesmo pra chamar
atenção ,onde professores não estão acostumados a lidar com isso devido uma outra idéia
de criança adolescente,jovem ,porem somos obrigados pela vida a viver outras
infâncias,adolescia e juventudes mas não fomos preparados para conviver com imagens
quebradas.
As condutas morais dos alunos nos preocupam atualmente mais do que os processos
de aprendizagem,por que essas crianças chegam ate a escola sem limite algum e o professor
a de se preocupar buscando alternativas para que não haja indisciplina e violência na sala
de aula.
A imagem que tinha da infância era vidro e se quebrou.

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ANEXO

Meu nome não é Johnny

Neste livro o autor conta a historia de uma família da sociedade clássica do Rio de
Janeiro.Pai com auto poder aquisitivo e mãe altamente zelosa e preocupada com o bem
estar dos filhos em todos os sentidos.Família bem estruturada dentro do alto padrão da
sociedade em que vive.
João Guilherme protagonista da história uma criança bem nascida, que por volta
dos treze anos, começa a usar substancias químicas, sem o conhecimento é claro de seus
pais e partindo do uso passa a traficar para elite do Rio de Janeiro e posteriormente para o
exterior do país.O que lhe rende o nome de o “rei do pó”, considerado um dos maiores
traficantes, tanto pela policia, como no meio da máfia da cocaína e prestigiado pelos
mesmos.
João Guilherme usa e revende o pó para todos da alta a qual pertencia e em
quantidades cada vez maiores, até receber a proposta de levar a droga para fora do país ao
qual ele aceita prontamente, sempre no meio de festas estrondosas do mais alto escalão da
sociedade carioca, segundo o livro o protagonista da historia, não o faz só por vicio, mas
sim usufruir o dinheiro que isso lhe rende, mas que é gasto com a mesma rapidez que é
conseguido em farras com bebidas, drogas e amigos, o mesmo não se interessa em
acumular dinheiro, vive na boêmia constante até ser pego em uma batida policial onde
preparava a droga para a exportação e levado preso sem fiança, por ser um crime
inafiançável, em seu depoimento ele assume toda a culpa, diz não ter formado quadrilha
porque fazia tudo sozinho pede desculpas a mãe que só fica sabendo da historia após sua
prisão.
A juíza do caso decreta prisão por 2 anos em um manicômio aonde a partir de então
ele renasce literalmente ,longe dos amigos, sem poder contemplar a virtude da liberdade,ele
passa a trabalhar com os documentos dos presos,ou seja, dado a sua alta instrução escolar,
mas sem titulo universitário ele passa a prestar serviços aos administradores da instituição,
ficando assim em abstinência das drogas.Em meio a essa prisão João recebe
correspondência da Juíza que decretou sua prisão de estímulos e reflexões como, “o
verdadeiro lugar de nascimento é aquele que lançamos pela primeira vez em olhar
inteligente sobre nós mesmos.”
João aguarda ansiosamente a sua soltura, mas sabe, que jamais será o mesmo de
antes,ao final do livro passa-se os dois anos e ele é solto e vê a possibilidade de voltar a ser
o “rei do pó”, e ele se recusa pois agora ele tem a oportunidade de ser ele mesmo e de cara
limpa, como ele mesmo o diz.

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Comentário sobre o livro:

O comentário rápido sobre as passagens do livro é para afirmar que às vezes coisas
ruins acontecem também em meio às famílias ricas e bem estruturadas como a de João
Guilherme e isto não significa de forma alguma que os pais os induziram para isso,ou seja,
o mesmo acontece com as famílias de baixa renda, só que sendo mais observado pela mídia
e a sociedade, como querendo induzir as pessoas que os pais é que são os culpados por
esses tais fatos acontecerem.
Mas a historia deste livro só reforça a causa de que a sociedade é hipócrita é
responsável pelos acertos e desacertos dos indivíduos que nela estão inseridos.
Os filhos são criados por seus pais para viverem na sociedade o que acontecem com
eles da porta fora de casa é de total responsabilidade da sociedade que os acolhem se esta
estiver bem estruturada para receber os indivíduos ,as coisas não aconteceriam com tanta
facilidade.
Já foram descritos por teóricos conceitos que o individuo precisa conviver com
outras pessoas , ou seja, os filhos nascem em uma família, nem sempre são constituídos por
pai e mãe, como a sociedade descreve a família “normal”e esta família estão inseridas na
sociedade é uma de suas instituições, que por sua vez já tem prescrito suas regras, seus
conceitos de vivências, ou seja, leis e normas criadas pela elite para dominar os mais
“fracos” ou de classes inferiores aqueles que adaptam as “normas” são bem vistos e os que
não se adaptam são recusados pela sociedade (existe então a tensão).
Lembrando que no texto escrito por Sonia M. Portella Kruppa e citado que as
instituições sociais foram criadas pelos homens, não são naturais e existem por vontades
dos homens (escola,família,Estado), instituições sociais são as formas de ação e vivencia a
que os homens recorrem, sistematicamente, visando satisfazer determinadas necessidades, e
estas não serão mudadas por simples ação da natureza, são historias que foram criadas em
determinadas condições de vida social e devem ser mudadas sempre que necessário.
Partindo do que nos diz a autora podemos afirmar que a sociedade tem sua grande
parte de responsabilidade com relação à ausência de limites porque tendo em vista que
indivíduos estão em constantes mudanças de comportamento ela tem que se adequar a eles
com projetos e programas que beneficiem todas as instituições que nelas estão inseridas.
Se o que aconteceu com o João Guilherme só afetasse a minoria ,poderíamos
afirmar que esse era um problema à parte, mas como o que acontece, é com a maioria
inserida em nossa sociedade, então estamos falando de uma mudança radical e com visão
reflexiva das políticas públicas da nossa sociedade.

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Conclusão:

Nosso trabalho buscou em nossas pesquisas, várias linhas de pensamentos para que
possamos passar para aqueles que tiverem a oportunidade de lê-lo, que todos somos
responsáveis direta ou indiretamente pela ausência de limites em nossas crianças, nenhum
de nós ficará impune, agora mais do que nunca pois nos propusemos a ser educadores.
Seremos formadores de opinião, isso é fato, até quando não nos pronunciarmos
estaremos de alguma forma provocando os pensamentos de nossos educandos.
Culpar a sociedade não é tão difícil assim, difícil é fazer com que esta sociedade a
qual fazemos parte, perceba sua parcela de culpa e se una em todas as suas esferas, para
reverter esse quadro que se instalou de total falta de limites em nossas crianças e jovens.
Pais, Professores, Educadores, Governos Federal, Estadual, Municipal, Mídia e
Sociedade Civil, são responsáveis pela educação, uns cobrando do poder público e esse
elaborando políticas públicas que minimizem o quanto antes à falta de limites e de
educação de nossas crianças.

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Referência Bibliográfica :

• VYGOSTSKY, T.S. A formação social da mente.São Paulo: Martins Fontes, 1984.


• ZAGURY, T. Sem Padecer no paraíso: em defesa dos pais ou sobre a tirania dos
filhos.São Paulo: Record, 1991/1997.
• TIBA, I. Disciplina: o limite na medida certa.São Paulo: Gente, 1998.
• SERRÃO, Margarida-Apostila Concurso Publico -Professor PEBI.São Paulo. 2005.
• REBELO, Rosana Aparecida Argento.Indisciplina escolar causas e sujeitos a
educação problematizadora como proposta real de superação.Rio de Janeiro.Editora
Vozes. 2002.
• GROPPA,Julio Aquino. Indisciplina na escola – (alternativas teóricas e práticas) /
6ªed/ summus editorial
• HAIDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral , Editora Àtica
• Sonia M. P.kruppa
• GUIMARÃES, Áurea M.: A dinâmica da violência Escolar Conflito e
Ambigüidade *(editores Autores Associados)
• TIBA, Içami. Disciplina: limite na medida certa. Novos paradigmas. Ed. Ver. Atual
e ampliada. – São Paulo : Editora Integral, 2006
• AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina: O contraponto das escolas democráticas –
São Paulo Moderna 2003 (Coleção Cotidiana Escolar).
• Pesquisa realizado no site : www.google.com
• COSTA, Márcia Maria Regina da – A violência é particularidade da
sociedade brasileira? Professora do departamento de Antropologia e do
Programa de Estudos Pós-
• Livro- Meu nome não é Johnny
Guilherme Fiuza Ed.Record 5ª Ed. Rio de Janeiro – São Paulo 2007

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