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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA - LICENCIATURA

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DO ALUNO


SURDO

MARCILENE FRANÇA DA SILVA

NATAL - RN

2015
.
MARCILENE FRANÇA DA SILVA

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DO ALUNO


SURDO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Licenciatura em Educação Física da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
como requisito final para a obtenção do título de
licenciado em Educação Física.

Orientador:
Prof.ª Ms. João Batista de Amorim

NATAL
2015

2
MARCILENE FRANÇA DA SILVA

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DO ALUNO


SURDO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Licenciatura em
Educação Física da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte, como requisito
final para a obtenção do título de
licenciado em Educação Física.

Aprovado pela banca examinadora em ________/____________________/_________

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________
Prof.ª Ms. João Batista de Amorim - UFRN (orientador)

__________________________________________
Profº. Dr. Edmilson Pinto de Albuquerque- UFRN

__________________________________________
Profº Esp. Carlos Alberto de Castro Barreto - UFRN

3
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos que me ajudaram e me incentivaram a conhecer a vida e ao


próximo de forma humana e justa. Ser professor foi caminho escolhido para pôr em prática o
humanismo e o amor altruísta que vocês me ensinaram!

4
AGRADECIMENTOS

Minha gratidão especial, sincera e eterna é ao meu Deus supremo, fiel e justo que
antes mesmo de eu nascer cuidava de mim, não sei o que seria de mim sem a sua presença,
ajuda e sabedoria que me tornou essa pessoa de fé e feliz por ser tão amada. Sou imensamente
grata aos meus pais que mesmo diante de tanta dificuldade investiram o pouco que tinham
para que eu pudesse ser educada e me tornasse a pessoa que sou hoje. Agradeço a minha mãe
que com seu amor me ensinou a ser fiel ao que sinto e me incentivou a buscar os meus
objetivos com fé e determinação sem temer as dificuldades. Ao meu pai que muito trabalhou
para que pudéssemos ter o pão em casa, nunca nos abandonou e sempre me amou ao seu
modo, mas um amor que supera qualquer barreira ou situação. Sou grata ao meu noivo e
companheiro de todas as horas Saulo que com muita paciência, amor e carinho sempre esteve
ao meu lado durante essa caminhada, me ajudou nos momentos que mais precisei como um
parceiro e amigo, esteve a todo momento me incentivando e me ensinando a ser uma pessoa
melhor. Aos meus irmãos Marcelo, Márcia, Pedro e Michele que sempre estiveram ao meu
lado, aos mais velhos que cuidaram de mim quando pequena que me ensinaram a ler e
escrever contribuíram muito com a minha educação moral e pessoal, a mais nova por estar até
hoje junto a mim e pela alegria de me tornar uma referência de vida e sucesso através dos
estudos, sou uma pessoa grata por ter a companhia de quatro personalidades diferentes que me
ensinaram a lidar com a vida e com as pessoas que iria conhecer durante a minha caminhada.

A todos os que participaram da minha caminhada até o presente momento; sejam eles
familiares, amigos, colegas e professores. As instituições que contribuíram para a minha
formação. Aos meus amigos que estiveram comigo em diferentes momentos da minha vida e
aos que permanecem mesmo estando distantes fazem parte continuamente da minha vida. Aos
amigos da turma 2011.1, pelo tempo que compartilhamos juntos, tantos acontecimentos,
discussões e encontros agradáveis. Em especial a minhas amigas Elaine que fez parte da
minha caminhada o curso. A turma 2012.1 por me acolher nesses últimos períodos e pelas
novas amizades que fiz, cada uma um novo aprendizado. Ao professor Ms. João Batista de
Amorim pela oportunidade de ser meu orientador nesse trabalho de conclusão de curso e por
ter sido um mestre importante na minha vida, seus ensinamentos irá comigo durante toda a
minha jornada de vida.

5
À Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), minha gratidão, por
representar um marco na construção da minha vida e carreira promissora, me transformando
em uma profissional qualificada para o mercado de trabalho através da qualidade oferecida no
ensino me proporcionaram o cultivo de grandes sonhos.

Enfim, agradeço ainda mais a Deus por tudo o que tenho e principalmente pelo que eu sou!
Muito obrigada!

6
“A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar, é aproximar-se de Deus”.
(Pitágoras)

7
RESUMO
A inclusão escolar ainda é alvo de impasses, porém percebe-se que existem alguns avanços no
que se trata da disciplina de Educação Física (EF), agregando valores sociais e culturais na
formação de todos os indivíduos. O presente trabalho teve por objetivo investigar e identificar
qual a perspectiva de inclusão escolar do aluno Surdo na disciplina de Educação Física.
Participaram do estudo 10 alunos surdos do Ensino Fundamental e Médio da Escola Estadual
Judith Bezerra de Melo na cidade de Natal, Rio Grande Do Norte. Metodologicamente
utilizamos a pesquisa qualitativa, do tipo descritiva-exploratória, o instrumento utilizado para
coleta de dados foi um questionário elaborado especificamente para esse estudo com questões
fechadas e duas questões abertas. Nos resultados e conclusões da pesquisa evidenciou-se que
os alunos surdos apresentavam dificuldades comunicativas com os professores de EF e como
requisito básico para de inclusão do aluno com surdez, na visão deles é a aprendizagem da
Libras, as adaptações nas aulas e a preparação para a atuação em sala de forma humanizada,
conhecendo as particularidades dos alunos e promovendo uma educação de qualidade.

Palavras-chave: Educação Física, Educação Inclusiva, Surdez.

8
ABSTRACT

School inclusion is still impasses target, but it can be seen that there are some advances in that
it is the discipline of Physical Education (PE), adding social and cultural values in the
formation of all individuals. This study aimed to investigate and identify where the prospect
of school inclusion of the Deaf student in Physical Education. The study included 10 deaf
students of the Elementary and Secondary Education of the State School Judith Bezerra de
Melo in the city of Natal, Rio Grande Do Norte. Methodologically use qualitative research,
descriptive and exploratory type, the instrument used for data collection was a questionnaire
designed specifically for this study with closed questions and two open questions. The results
and conclusions of the research it became clear that deaf students had communication
difficulties with the PE teachers and as a basic requirement for the inclusion of students with
deafness, in their view is learning Pounds, adaptations in class and preparation for acting in a
humane way room, knowing the peculiarities of students and promoting quality education.

Keywords: Physical Education, Inclusive Education, Deafness.

9
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Imagem 1 – Aluno 1……………………………………………………………..25

Imagem 2 – Aluno 2……………………………………………………………..25

Imagem 3 – Aluno 3……………………………………………………………..26

Imagem 4 – Aluno 4……………………………………………………………..26

Gráfico 1- Perspectiva dos estudantes sobre o professor de Educação Física...... 27

Gráfico 2 - Dos conteúdos adotados nas aulas.......................................................28

Gráfico 3 – Dos conteúdos adotados nas aulas………………………………......28

Gráfico 4 – Da contribuição nas aulas. ………………………………………….29

Imagem 5 – Aluno 5……………………………………………………………...30

Gráfico 5 - Da participação nas aulas…………………………………………….30

Gráfico 6 - Das adaptações nas aulas …………………………………………….31

Imagem 6 – Aluno 3………………………………………………………………32

Imagem 7 – Aluno 3………………………………………………………………32

10
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................12
1.1 Problematização.........................................................................................................14
1.2 Objetivos.....................................................................................................................14
1.2.1 Geral..............................................................................................................14
1.2.2 Específicos....................................................................................................14
1.2.3Justificativa....................................................................................................14
2 REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................................15
2.1 CAPÍTULO 1: A EDUCAÇÃO FÍSICA E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA..............15
2.1.1 A Educação Física escolar ...........................................................................15
2.1. 2 A Educação Inclusiva………………...........................................................16
2.2 CAPÍTULO 2: CONHECENDO A EDUCAÇÃO DE SURDOS..............................19
2.2.1 O Surdo na escola .........................................................................................19
2.2 2 O ensino da educação física para alunos surdos…….....……………….......21
3 METODOLOGIA............................................................................................................23
3.1 Caracterização da pesquisa...........................................................................................23
3.2 População e amostra.....................................................................................................23
3.3 Materiais e Métodos.....................................................................................................23
3.4 Análise Estatística........................................................................................................ 24
3.5 Resultados e Discussão.................................................................................................32
3.6 Conclusão......................................................................................................................33
REFERÊNCIAS .................................................................................................................35
APÊNDICE ........................................................................................................................38

11
1 INTRODUÇÃO

Com o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS ou LBS) pela lei


federal 10.436, de 24 de abril de 2002, como língua oficial dos surdos brasileiros, vieram
muitas mudanças significativas para a educação e inclusão social desses educandos. No dia 22
de dezembro de 2005 criaou-se o decreto 5.626, com o intuito de regulamentar as Leis 10.436,
de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da
Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Esse decreto veio garantir o cumprimento destas
leis e regimentar a inclusão e a acessibilidade do aluno surdo através da inclusão da LBS
como disciplina curricular, regulamentando a formação do professor de libras e do instrutor
de libras, o uso e a difusão da libras e da língua portuguesa para o acesso das pessoas surdas à
educação, a formação do tradutor e intérprete de libras - língua portuguesa, a garantia do
direito à educação das pessoas surdas ou com deficiência auditiva, a garantia do direito à
saúde e do papel do poder público e das empresas que detêm concessão ou permissão de
serviços públicos, no apoio ao uso e difusão da libras.

Atualmente no que se refere as políticas públicas que regem a inclusão Brasileira


destaca-se a nova Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa
com Deficiência): Lei 13.146, 06 de julho de 2015 a LBI que entrará em vigor 180 dias após a
data da publicação, em janeiro de 2016. Essa lei destina-se a assegurar e promover, em
condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa
com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

O Cenário atual da Educação Física (EF) a inclusão apresenta-se como um campo em


processo de desenvolvimento, sendo capaz de implicar direta e favoravelmente na formação
integral e social do indivíduo com necessidades educacionais especiais.

Segundo Santos Filha (2006) o desenvolvimento motor de crianças surdas geralmente


segue padrões de normalidade não havendo restrições quanto à prática de atividade física.
Porém quando a surdez é acompanhada de múltiplas deficiências o desenvolvimento motor e
a maturação são comprometidos, pois torna o crescimento e a progressão particular de cada
indivíduo prejudicada de acordo com a especificidade da deficiência. Para Godói o termo
deficiência múltipla é o conjunto de duas ou mais deficiências associadas de ordem, física,
sensorial, emocional, mental ou de comportamento social. “O desempenho e as competências
12
dessas crianças são heterogêneos e variáveis” (Godói, 2006). Trabalhar com indivíduos com
esse nível de complexidade traz muitas dificuldades para os professores que normalmente não
conseguem lidar com uma única deficiência.

O processo de ensino aprendizagem é desafiador quando se trata da pessoa com


necessidades especiais, saber trabalhar com esses sujeitos exige do professor habilidades
adaptativas importantes, pois apresentam singularidades no modo de aprender. Cada
indivíduo aprende de forma particular, a adaptação e a reflexão feita com os alunos nas aulas
promove um processo de aprendizagem de qualidade, não cabendo ao professor utilizar as
mesmas atividades para todos os alunos, porque assim estará promovendo a exclusão de
muitos alunos com ou sem deficiência que possuem algum tipo de dificuldade de
aprendizagem. Para os PCNs:

“O processo de ensino e aprendizagem em Educação Física, portanto, não se


restringe ao simples exercício de certas habilidades e destrezas, mas sim de
capacitar o indivíduo a refletir sobre suas possibilidades corporais e, com
autonomia, exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e
adequada”. (PCNs, 1997)

Ao se tratar da prática na educação física, as atividades devem oferecer autonomia,


saberes sobe suas potencialidades e limitações, proporcionando conhecimentos sobre o corpo
e sobre o processo de crescimento e desenvolvimento dos alunos, de acordo com os
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs):

A prática da Educação Física na escola poderá favorecer a autonomia dos


alunos para monitorar as próprias atividades, regulando o esforço, traçando
metas, conhecendo as potencialidades e limitações e sabendo distinguir
situações de trabalho corporal que podem ser prejudiciais. (PCNs, 1997,
p.24)

Quando se Trata da deficiência auditiva percebe-se que as dificuldades existentes estão


no processo comunicacional e atitudinal por parte dos educadores, trazendo consequências na
aprendizagem e privando-os do direito à informação e a prática do conhecimento. Como diz
os PCNs “É possível integrar essa criança ao grupo, respeitando suas limitações, e, ao mesmo
tempo, dar oportunidade para que desenvolva suas potencialidades”. (PCNs, 1997) A
possibilidade integrativa existe quando se oportuniza a participação ativa do aluno respeitando
suas limitações.
13
1.1 Problematização

No contexto da educação atual muitos alunos com necessidades educacionais


especiais, em especial os surdos ainda sofrem preconceito e privação social, por apresentarem
uma comunicação minoritária nas escolas. A problemática desse estudo se dá pelo fato da
falta de pesquisas e por não haver uma preocupação sobre qual a perspectiva dos alunos com
surdez no que diz respeito ao professor e as práticas educativas vigentes na disciplina de
Educação Física.

1.2 Objetivos

1.2.1 Geral

Contribuir com a Educação Física no âmbito da educação inclusiva, através da visão


dos alunos com surdez.

1.2.2 Específicos

Investigar e identificar qual a perspectiva de inclusão escolar do aluno Surdo na


disciplina de Educação Física.

1.2 Justificativa

Essa pesquisa justifica-se na busca de saber que contribuições a educação física traz
para a vida do aluno surdo através da ótica e perspectivas acerca do professor, das aulas e do
processo de inclusão ofertado pela disciplina no sistema regular de ensino. Houve uma
preocupação em saber como o surdo percebe a educação física na escola, com o intuito de
melhoria tanto no ensino quanto na qualidade das aulas ofertadas para esse público especial.

Na prática do dia a dia nas escolas, pude perceber que alguns professores não
transmitiam a importância e o valor da disciplina para os alunos e que os alunos com
necessidades educacionais especiais ficavam as margens e eram excluídos das atividades de
sala de aula, não havia uma inclusão de fato, apenas o que se via era a integração de pessoas
diferentes sem a preocupação com as condições apropriadas de aprendizagem para esses
indivíduos. Trabalhar com a inclusão de alunos surdos na sala de aula para alguns traz
desafios, pois muitos professores não se sentem confortáveis nem preparados para trabalhar
com esses sujeitos. Através dessa visão acredito que haverá uma reflexão sobre a inclusão e
ao refletir esse assunto muitos poderão abrir suas mentes e desconstruir a ideia de que
trabalhar como aluno surdo é muito difícil. Ao trazer o conhecimento de quais limitações o
14
aluno apresenta, quais as dificuldades que eles enfrentam e quais possibilidades de trabalho
podem ser feita para contribuir na educação, pode promover o aumento de profissionais
comprometidos na busca de estratégias de ensino inovadoras e empenhadas na qualidade da
educação.

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 CAPÍTULO 1: A EDUCAÇÃO FÍSICA E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA

2.1.1 A Educação Física escolar


A Educação física escolar ao longo dos anos passou por diversos tipos de mudanças,
sofreu influências higienistas, militaristas e de teorias liberais não-críticas e teorias críticas da
educação. O currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional LBD. Nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. Essa lei trouxe uma grande
transformação, passou-se entender o currículo como um todo, pois veio consigo uma
reformulação das leis anteriores beneficiando a educação Física, tornando-a componente
curricular obrigatório, conquista alcançada pelo surgimento de tendências e propostas
renovadoras, debates acadêmicos e reflexões acerca da Educação Física dentro do âmbito
pedagógico. No Artigo 26, inciso 3º da LDB trata sobre a educação física:

§ 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é


componente curricular obrigatório da Educação Básica, ajustando-se às
faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos
cursos noturnos. (LBD, 1996)

Através dos PCNs passou-se a entender que a Educação Física escolar tem o dever de
dar oportunidades a todos os alunos com o objetivo de desenvolvimento peculiar e de suas
potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres
humanos. A tarefa da EF segundo os PCNs:

É tarefa da Educação Física escolar, portanto, garantir o acesso dos alunos às


práticas da cultura corporal, contribuir para a construção de um estilo
pessoal de exercê-las e oferecer instrumentos para que sejam capazes de
apreciá-las criticamente. (PCNs, 1997, p.24)

15
A prática do compromisso social com o educando não cabe apenas ao professor, mas a
escola “ […] deve-se ao fato de a escola ser a maior agência educativa, depois da família, com
capacidade para influenciar os alunos na aquisição de hábitos e atitudes que contribuem para
um harmonioso desenvolvimento pessoal e social”. (OLIVEIRA et al., 2014, p. 17)
Entendemos que a educação física no contexto escolar tem importância de caráter
formativo na vida dos educandos, Oliveira mostra que:
[...] a Educação Física se apresenta como um componente curricular
singular, sendo a única que promove diretamente as várias linguagens do
movimento humano e promove a saúde por meio do ensino de estilo de vida
ativo e saudável, além de desenvolver os aspectos motores, cognitivos,
afetivos e sociais. (OLIVEIRA et al., 2014, p. 18)
Essas singularidades dos componentes curriculares muitas vezes são negligenciados
ou distorcidos na prática cotidiana, onde dos diversos conteúdos ofertados pela disciplina não
são abordados de forma correta e plena, acarretando uma visão equivocada sobre o papel
social da educação física diante da sociedade.

2.1.2 A Educação Inclusiva

Vivemos em um tempo de mudanças sociais, nessas mudanças percebe-se um


crescimento da diversidade de gênero, grupos sociais, pessoas e culturas diferentes, estamos
vivendo com o novo.

A Constituição de Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 e


os direitos das pessoas com necessidades especiais, passaram a representar os direitos
inclusivos, dos sujeitos na educação nos diversos espaços escolares e não escolares.

A declaração de Salamanca (1994) impulsionou as aceitações das diferenças a


diversidade dos sujeitos pela sociedade, demandando aos Estados que assegurem a educação
de pessoas com deficiências tornando-a parte constituinte do sistema educacional de ensino. A
Conferência Mundial de Educação Especial em assembleia na cidade de Salamanca na
Espanha entre 7 e 10 de junho de 1994 reafirma que:

O nosso compromisso para com a Educação para Todos, reconhecendo a


necessidade e urgência do providenciamento de educação para as crianças,
jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema
16
regular de ensino e re-endossamos a Estrutura de Ação em Educação
Especial, em que, pelo espírito de cujas provisões e recomendações governo
e organizações sejam guiados. (Declaração de Salamanca, 1994)

Por meio dessa declaração o compromisso com a Educação para Todos foi reiterado, e
com ele veio a realização do desejo de todos pela conquista ao respeito a diversidade e as
necessidades de aprendizagem singulares de cada indivíduo.

A realidade educacional de hoje não é a mesma de antigamente, vivemos em uma crise


de paradigmas, ou seja, crise de concepções. Segundo MANTOAN 2003 os paradigmas:

Podem também ser entendidos, segundo uma concepção moderna, como um


conjunto de regras, normas, crenças, valores, princípios que são partilhados
por um grupo em dado momento histórico e que norteiam nosso
comportamento, até entrar em crise, porque não nos satisfazem mais, não
dão conta dos problemas que temos que solucionar. (MANTOAN, 2003 p.
14)

As mudanças ocorridas nas escolas são o reflexo dessas crises. Na Educação inclusiva
existem paradigmas a serem quebrados que são dicotomias como por exemplo o normal x
deficiente, o igual x o diferente. Mantoan 2003 explica que:

Os sistemas escolares estão montados a partir de um pensamento que recorta


a realidade, que permite dividir os alunos em normais e deficientes, as
modalidades de ensino em regular e especial, os professores em especialistas
nesta e naquela manifestação das diferenças. (MANTOAN, 2003 p. 16)

Incluir o aluno com necessidades especiais na escola não é ainda uma realidade
concreta, o que se vê é a inserção parcial do aluno com deficiência sem um atendimento
adequado. Mantoan 2003 cita que “A indiferenciação entre o processo de integração e o de
inclusão escolar é prova dessa tendência na educação e está reforçando a vigência do
paradigma tradicional de serviços educacionais”. (MANTOAN, 2003 p. 17)

Os alunos devem participar da educação no ensino regular inclusive os alunos que se


integram ao processo de educação especial, a escola necessita de uma adaptação aos seus
alunos e não os alunos que necessitam se adaptar a escola, Mantoan 2003 diz que “ A inclusão
questiona não somente as políticas e a organização da educação especial e da regular, mas
também o próprio conceito de integração. [...] Todos os alunos, sem exceção, devem

17
frequentar as salas de aula do ensino regular”. (MANTOAN, 2003 p. 19). Incluir é um
processo social que necessita de reflexões sobre o papel da escola na sociedade e na vida
desses alunos que necessitam de atenção especial.

18
2.2 CAPÍTULO 2: CONHECENDO A EDUCAÇÃO DE SURDOS

2.2.1 O surdo na escola

A escolar é um espaço que possibilita o aprendizado e a preparação do aluno para a


vida, mas o que muitos se questionam é se ela está preparada para inclusão de alunos com
necessidades educacionais especiais e se estão prontas para saber que conduta e procedimento
metodológico utilizar para alcançar a educação concreta desses alunos. A inclusão do aluno
surdo na escola vem gerando muitas polêmicas e algumas discussões por parte de muitos
estudiosos e profissionais da área.

O tema surdez vem se mostrando evidente na sociedade, pois os surdos e estão


participando cada vez mais de ambientes sociais e acadêmicos. No que se refere a educação
dos surdos muitos problemas são enfrentados pelo fato do surdo ter direito ao acesso
comunicacional e esse direito ainda ser negado em algumas instituições.

O surdo na escola encontra diversas barreiras atitudinais, para Lei Brasileira de


Inclusão das Pessoas com Deficiência 2015, o termo barreira atitudinal são “atitudes ou
comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com
deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas”. (LBI, 2015).
Pensando nesses termos percebemos que atitudes assim ainda são comuns na sociedade,
muitas vezes pela falta de conhecimento sobre a deficiência ou pela ignorância de alguns por
não saberem se comunicar com esses indivíduos através da Língua Brasileira de sinais, por
isso acabam privando-os de informações relevantes para a vida e a formação cognitiva através
da disseminação de conhecimento negado a eles. Também existem situações como atitudes
“super protetoras” que privam a autonomia dos alunos, não permitindo o desenvolvimento
pessoal e social desses indivíduos.

As escolas que se dizem “inclusivas” da rede regular de ensino não perceberam que a
inclusão de fato e de direito do aluno surdo não se faz apenas com apenas a presença de
tradutores intérpretes de Libras em sala de aula, porque esse profissional não consegue dar
conta de toda a demanda educacional do aluno.

O profissional Tradutor Intérprete de Libras (TIL) é a “pessoa que traduz e interpreta a


língua de sinais para a língua falada e vice-versa em quaisquer modalidades que se apresentar
19
(oral ou escrita) ”. (QUADROS, 2004 ) O papel do TIL segundo Quadros, 2004 é de ser um
profissional ético, que necessita realizar a interpretação da língua falada para a língua
sinalizada e vice-versa observando os seguintes preceitos éticos:

a) Confiabilidade (sigilo profissional);

b) Imparcialidade (o intérprete deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias);

c) Discrição (o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento durante a


atuação);

d) Distância profissional (o profissional intérprete e sua vida pessoal são separados);

e) Fidelidade (a interpretação deve ser fiel, o intérprete não pode alterar a informação
por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de algum assunto, o objetivo da
interpretação é passar o que realmente foi dito).

O decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005, veio regulamentar a importância e


demandar obrigação as instituições de ensino no que se refere ao TIL, no decreto diz:

Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições


federais de ensino da educação básica e da educação superior devem incluir,
em seus quadros, em todos os níveis, etapas e modalidades, o tradutor e
intérprete de Libras - Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à
comunicação, à informação e à educação de alunos surdos.

§ 1o O profissional a que se refere o caput atuará:

I - nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino;

II - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos


conhecimentos e conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-
pedagógicas; e

III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da


instituição de ensino.

A presença do TIL é crucial em sala de aula, pois é esse profissional que permite a
acessibilidade comunicativa do aluno com surdez, promovendo assim o direito a comunicação
no âmbito da sala de aula, porém isso não é tudo, no que diz o decreto esse profissional não

20
participará do processo de inclusão no intuito de soluciona-lo e sim de viabilizar o acesso a
comunicação do aluno.

No processo de inclusão desse aluno é necessário que a escola crie um ambiente


propício para o convívio e o desenvolvimento das potencialidades e da aprendizagem. A
escola tem como obrigação buscar a adaptação, com o aprendizado da língua oficial do aluno
por todos que fazem parte do corpo escolar, alunos, professores, coordenadores e os gestores,
disponibilizando recursos necessários para que haja esse processo inclusivo.

O processo de ensino que se baseia na língua oral e muitos alunos surdos não
conseguem desenvolvê-la, os procedimentos metodológicos não estão se fundamentando na
adaptação visual necessária a aprendizagem do aluno com surdez e muitos professores não se
sentem confortáveis em buscar esses recursos pelo fato de ter que mudar toda a dinâmica de
sala e tornar dificultoso seu planejamento de aula.

2.2 2 O ensino da educação física para alunos surdos

O processo de inclusão do aluno surdo nas aulas de educação física é fundamental na


formação do aluno. Como visto anteriormente a prática esportiva ou qualquer atividade física
não faz parte da restrição quando se relaciona a surdez, a maior barreira é a da comunicação,
na qual cabe ao professor vencer interessando-se em aprender a se comunicar e buscar
estratégias de ensino adaptadas para esses alunos que são capazes de trabalhar, estudar e
principalmente aprender, o que muitos professores pela dificuldade comunicativa consideram
difícil, o aluno surdo é capaz sim de aprender só precisa de pessoas comprometidas a ensinar.

Os alunos surdos não só podem como também devem praticar qualquer tipo de
atividade física contemplada nos conteúdos de ensino da disciplina. Existem necessidades de
adaptação na forma de ensinar, conduzir ou arbitrar os conteúdos, porém as adaptações são
poucas e discretas se comparadas com as adaptações feitas para as outras deficiências.

O Professor de Educação Física que se compromete com o desenvolvimento social


colabora com a educação inclusiva, ao desenvolver atividades adaptadas ele promove a
acessibilidade dos seus alunos. Mas para isso se faz necessário uma prática pedagógica eficaz
e envolvida com a aprendizagem do educando. Quando se fala sobre a surdez surgem alguns

21
conflitos em relação aos professores que não se consideram preparados para o trabalho com a
inclusão. Montoan 2003 afirma que:

Confirma-se, ainda, mais uma razão de ser da inclusão, um motivo a mais


para que a educação se atualize, para que os professores aperfeiçoem as suas
práticas e para que escolas públicas e particulares se obriguem a um esforço
de modernização e de reestruturação de suas condições atuais, a fim de
responderem às necessidades de cada um de seus alunos, em suas
especificidades, sem cair nas malhas da educação especial e de suas
modalidades de exclusão. (MANTOAN, 2003)

Adaptar as aulas é um método de ensino importante na educação de alunos com


surdez, no que se refere a essa deficiência, a criação de glossários específicos para a área traz
possibilidades comunicativas entre professores e alunos promovendo a aprendizagem, a
interação e a participação nas aulas de educação física.

22
3 METODOLOGIA

3.1 Caracterização da pesquisa

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo descritiva-exploratória, para Gil (1999)


apud Oliveira (2011) a pesquisa exploratória tem como objetivo principal desenvolver,
esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais
precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. Uma pesquisa é descritiva de
acordo com Vergara (2000, p. 47) apud Oliveira (2011), quando expõe as características de
determinada população ou fenômeno, estabelece correlações entre variáveis e define sua
natureza. "Não têm o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de
base para tal explicação". Dando o exemplo da pesquisa de opinião.

O levantamento bibliográfico é um dos instrumentos principais utilizados na pesquisa,


as pesquisas se deram a partir de materiais já elaborados como livros, alguns artigos e revistas
sobre o conteúdo. O referencial teórico são as obras de MANTOAN (2008 e 2003).

A pesquisa se fundamenta teoricamente nos temas ligados a educação física, educação


inclusiva e alunos surdos. Foram necessários dados concretos que nos levasse a compreender
quais reflexões e possibilidades permeavam o cotidiano dos indivíduos.

3.2 População e amostra

A pesquisa foi realizada em uma escola pública do Ensino Fundamental e Médio da


Escola Estadual Judith Bezerra de Melo no Rio Grande do Norte situada na cidade de Natal,
que atende à população de pessoas com surdez na rede regular de ensino. Nessa instituição de
educação básica, a população total de pessoas surdas era de 15 escolares, participaram da
pesquisa 10 alunos com surdez, 5 meninas e 5 meninos constituindo assim a população desse
estudo.

3.3 Materiais e Métodos

Foi aplicado questionário com 13 perguntas estruturadas (Apêndice A), que versaram
sobre questões próprias da Educação Física e na ótica de cada aluno. Foi aplicado no dia 27
de outubro de 2015 em turmas variadas que possuíam alunos surdos em sala de aula. As
questões 1 e 2 identificavam a presença de um professor de EF, a frequência das aulas e e o
turno; a 3 apontava o estado em que os alunos se encontravam nas aulas. A questão 4 era
23
objetiva e aberta para descrever se eles gostavam das aulas de EF. A questão 5 e 6 apontavam
os conteúdos da EF e, nesta ordem, quais deles o aluno gosta de estudar ou não gosta. Já na 7,
trouxemos as indagações sobre a dificuldade de comunicação com o professor de EF, a 8 foi
perguntado se algum professor sabe se comunicar através da Libras. A 9 a percepção em
relação ao preparo do professor de EF. Na 10 falava sobre a contribuição para a vida do aluno.
O número 11 perguntava sobre a presença de um Tradutor Intérprete de Libras em sala. A
questão tratava 12 sobre a possibilidade de conversação e da participação dos alunos nas aulas
de EF. A 13 tratava-se da existência de adaptações nas aulas e a última questão era discursiva
onde foi perguntado aos alunos quais os requisitos e atributos necessários para que o professor
de EF inclua o aluno surdo em suas aulas.

Como já dito são 15 alunos surdos matriculados na escola, somente responderam ao


questionário dez deles, sendo esta também a média de alunos surdos que frequentam as aulas.

3.4 Análise Estatística

Nos primeiros questionamentos já encontramos alguns pontos importantes, com as


respostas das questões 1 e 2 confirmamos que na escola existe aulas de EF sempre e no turno
vespertino, ou seja, no mesmo turno das aulas deles. Assegurando assim o componente
curricular Educação Física no horário das demais disciplinas. Sobre a frequência das aulas,
dos dez, 9 responderam que as vezes tem aula e 1 que raramente. Entende-se que por ser uma
disciplina de caráter obrigatório e geralmente em algumas turmas são apenas algumas aulas
por semana, mas quando se diz que raramente tem aula, fica implícito carência e falta de aulas
na instituição de ensino. Na questão 3, todos os alunos responderam que se sentiam “normal”
para as aulas.

Iniciamos esta reflexão a partir das respostas da questão 4, quando questionados se


gostam das aulas de educação física, eles ficaram divididos, pois 50% disseram que sim e os
outros 50% disseram que não dos que disseram que sim destaco esse aluno:

Imagem 1 - Aluno 1

24
Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora (Apêndice A)

Parafraseando a resposta, o aluno 1 justifica dizendo que a “educação física é


importante e boa para a saúde”. Verificamos que o aluno sabe a importância da educação
física para a sua vida e saúde e por esse motivo gosta das aulas.

Dos 50% que disseram que não gostam da educação física destaca-se algumas
respostas relevantes:

Imagem 2 - Aluno 2

Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora (Apêndice A)

O aluno 2 destaca que não gosta das aulas de EF pelo fato de ser uma disciplina difícil
e não conseguir aprender. Esse fato no remete a reflexão de como está sendo transmitida as
aulas e os conteúdos para esse aluno. Linhares, 1998; Marturano, Linhares & Parreira, 1993
apud Stevanato, Loureiro, Linhares e Marturano, (2003) acreditam que “as dificuldades de
aprendizagem quase sempre se apresentam associadas a problemas de outra natureza,
principalmente comportamentais e emocionaisno sistema escolar, o sintoma de não aprender”.
(Linhares, 1998; Marturano, Linhares & Parreira, 1993). O aluno que tem dificuldade de
aprendizagem necessita de atenção e acompanhamento durante as aulas, mas nem sempre essa
dificuldade está associada apenas ao modo de ensinar, existem outros problemas supracitados
pelos autores, que prejudicam e inviabilizam o desenvolvimento do educando.

Imagem 3 - Aluno 3

25
Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora ( Apêndice A)

O aluno 3 comunga com a resposta do colega quando diz, parafraseando, que “não
gosta de EF porque o professor não ensina corretamente, tornando a disciplina difícil de
aprender”. A dificuldade na aprendizagem é vista como um dado que chama atenção para o
processo falho de inclusão desses alunos com surdez, o professor que não ensina corretamente
não está contribuindo para o processo formação, causando problemas de aquisição e
assimilação conhecimento dos educandos.

Imagem 4 - Aluno 4

Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora (Apêndice A)

Nota-se que a insatisfação com as aulas de EF é vista de forma similar entre esses
alunos, onde relatam que os professores além de não explicar direito, também se limita a
apenas um conteúdo de ensino que é o esporte futebol.

Os professores não estão sabendo transmitir o conhecimento de forma apropriada, não


só no que se remete a não comunicação com o aluno, mas também na restrição de conteúdo,
quando os mesmos não envolvem seus alunos, nota-se que não estão conhecendo o verdadeiro
significado do que é ensinar. Stokrocki, 1991 apud Cortelazzo, 2000 deixa claro que “ Ensinar
é um processo que envolve indivíduos num diálogo constante, propiciando recursos
temporais, materiais e informacionais para que se desenvolva a auto-aprendizagem e a
aprendizagem com os outros ou a partir de outros”. (STOKROCKI, 1991). Educar o aluno
26
não se restringe em transmitir saberes vai muito além disso, segundo Galvão “Educar é um
ato que visa à convivência social, a cidadania e a tomada de consciência política”. (Galvão,
2015)

Ao limitar o processo de ensino em apenas um conteúdo, sempre haverá insatisfações


e prejuízos a longo prazo na evolução da aprendizagem, a não valorização e a falta da prática
dos diversos conteúdos gera nas aulas a perda de conhecimentos que são fundamentais. Os
PCNs falam dos diversos conteúdos a serem abordados:

As danças, esportes, lutas, jogos e ginásticas compõem um vasto patrimônio


cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado. Além disso, esse
conhecimento contribui para a adoção de uma postura não-preconceituosa e
discriminatória diante das manifestações e expressões dos diferentes grupos
étnicos e sociais e às pessoas que dele fazem parte. (PCN, 1997 p.24)

Na questão 7 foi abordado a dificuldade de comunicação com o professor e de forma


geral todos os participantes disseram apresentar dificuldades comunicativas. Em seguida se
questionou se os professores de EF sabem a língua Brasileira de sinais e todos disseram que
não.

Analisando a percepção dos alunos, percebe-se que todos consideram os professores


despreparados para atender o aluno surdo nas aluas de educação física, pois falta o essencial
para se alcançar o conhecimento que é a comunicação. Ao se comunicar ambos estão
construindo uma aprendizagem com sentidos e significados.

Gráfico 1. Perspectiva dos estudantes sobre o professor de Educação Física

Percepção sobre o professor de EF


0%

Sim
Não

100%

27
Na elaboração do questionário houve uma curiosidade em saber sobre a preferência
desses alunos quanto aos conteúdos da educação física e abaixo está dois gráficos que
mostram preferência e os resultados da pesquisa.

Gráfico 2. Dos conteúdos adotados nas aulas.

Conteúdos que GOSTA nas aulas de EF


Lutas

14% 14% Ginástica

Jogos
22%
29% Esportes

Conhecimento sobre o
7%
corpo
14%
Danças e atividades
ritmicas e expressivas

Gráfico 3. Dos conteúdos adotados nas aulas.

Conteúdos que NÃO gosta nas aulas de


Lutas
EF
Ginástica

Jogos
33% 34%
Esportes

Conhecimento sobre o corpo


8%
0% 25% 0% Danças e atividades ritmicas
e expressivas

Ao analisar o gráfico 2 e 3, percebemos que, positivamente, os conteúdos Ginástica e


Conhecimentos sobre o corpo, são os conteúdos de maior preferência dos alunos. Alguns
marcaram mais de um, sendo a maioria Conhecimentos sobre o corpo. Os PCNs definem o
significado desse conteúdo dizendo:

Os conhecimentos sobre o corpo, seu processo de crescimento e


desenvolvimento, que são construídos concomitantemente com o
desenvolvimento de práticas corporais, ao mesmo tempo que dão subsídios
28
para o cultivo de bons hábitos de alimentação, higiene e atividade corporal e
para o desenvolvimento das potencialidades corporais do indivíduo,
permitem compreendê-los como direitos humanos fundamentais”. (PCNs,
1997 p.25)

Dos conteúdos que não são preferência destaca-se Lutas e danças e atividades rítmicas
e expressivas, dos demais conteúdos o Conhecimentos sobre o corpo e a ginástica não foram
escolhidos. O conteúdo que se destacou foi o de Lutas como o conteúdo de maior rejeição por
eles. Para os PCNs “As lutas são disputas em que o (s) oponente (s) deve (m) ser subjugado (s),
mediante técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um
determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa”. (PCNs, 1997 p.37)

O conteúdo lutas é de grande importância a ser trabalhado nas aulas de educação


física, pois promove a consciência do aluno sobre o que é luta profissional e o que é briga,
que são situações totalmente diferentes, porém ainda muito confundida por eles.
Quando questionados sobre a contribuição da educação física para a vida deles a
maioria respondeu que pouco contribui, como mostra no gráfico abaixo:

Gráfico 4. Da contribuição nas aulas.

As aulas contribuem para sua vida


Muito
10%

Nada
20%

Pouco
70%

Entendemos que pelo fato dos alunos não conseguirem uma comunicação eficiente
com o professor tenha sido a consequência das respostas negativas quanto a contribuição da
EF na vida desses educandos, porque os alunos ao dizer que não contribui em nada na sua
vida não estão percebendo o papel social que a EF tem de formar o cidadão e cabe ao
professor deixa claro esse papel que a EF representa. Se o professor não está trabalhando

29
nessa perspectiva de formação ele causa dificuldades de entendimento e lacunas na
representação da educação para vida do ser humano.

Na questão 11 foi perguntado se na sala de aula tem algum profissional Tradutor


Intérprete de Libra – TIL e todos os participantes responderam que sim, porém um dos alunos
além de responder a questão deixou uma observação escrita no questionário:

Imagem 5 – Aluno 5

Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora (Apêndice A)

O participante deixou registrado essa observação no questionário para mostrar a


dificuldade enfrentada por eles na sala de aula, pois a escola possui 15 surdos em diferentes
séries e salas do ensino fundamental e são mediados apenas por 3 intérpretes. Essa situação
mostra que os intérpretes não dão conta de estar com todos os surdos e nas aulas de educação
física esses profissionais não participam, pois priorizam as disciplinas consideradas pelos
demais como “importantes” e a educação física acaba não fazendo parte desse tipo de
disciplina.

Gráfico 5. Da participação nas aulas.

Participação das Aulas

20%
Sim
Não
80%

Esse gráfico mostra o resultado da questão 12 e nele podemos observar que durante as
aulas de educação física a maioria dos alunos não participa, isso é preocupante, pois mostra a

30
fuga desses alunos no que se refere a essa disciplina. Como visto nas respostas anteriores
alguns alunos não gostam da disciplina ou não consideram relevante para vida deles.

Gráfico 6. Das adaptações nas aulas.

Existem adaptações nas aulas ?


0%

Sim
Não

100%

Quando perguntado na questão 13 se o professor faz adaptações nas aulas as respostas


como vista no gráfico a cima foram todas que não, ou seja, os professores não estão se
preocupando em adaptar as aulas, pelo fato de que ao se tentar uma adaptação acarretará
muito esforço e uma grande mudança de planos. Adaptar não é fácil, porém é o correto a se
fazer, pois “A aula de Educação Física, para alcançar todos os alunos, deve tirar proveito
dessas diferenças ao invés de configurá-las como desigualdades”. (PCNs, 1997 p. 60). As
aulas de educação física devem incluir o aluno diferente, mesmo que seja preciso muita
dedicação e energia na execução das atividades, mas muitos não se sentem preparados para
tirar proveito dessas diferenças e perdem as oportunidades de configura-las em estratégias
inovadoras.

Na última questão buscou-se saber que atributos e requisitos seriam necessários ao


professor para que o aluno surdo pudesse ser incluído. Em resposta as questões as opiniões se
convergiam no fato de que o professor necessita aprender Libras, para que a comunicação
entre eles ocorra de forma natural e completa.

Em destaque estão duas respostas de participantes para exemplificar como as opiniões


possuem caracteres similares, como mostra nas imagens abaixo:

Imagem 6 – Aluno1

31
Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora ( Apêndice A)

Imagem 7- Aluno 4

Fonte: Dados obtidos dos questionários aplicados pela autora (Apêndice A)

O aluno 4 da imagem 7 diz “ O professor deve aprender Libras para poder se


comunicar com os surdos e também deveria haver adaptações nas aulas”. Esse aluno mostra a
preocupação de todos os surdos no que se refere ao aprendizado da Libras por parte do
docente, porém ele não encerra nesse ponto, ele também diz como requisito o professor
deveria adaptar as aulas de EF.

2.5 Resultados e Discussão

Diante das respostas percebe-se que os professores não querem se adequar ao


diferente, vivemos em uma sociedade democrática de igualdade de direitos e assim como os
ditos “ “normais” possuem direitos os “deficientes” também possuem, quando o professor não
molda a realidade nas suas aulas ele está tirando o direito do aluno de aprender, de
experimentar e vivenciar práticas relevantes a vivência. O que fazer quando encontramos
profissionais que não se sentem preparados para trabalhar com esses sujeitos? Montoan 2003
nos responde dizendo:

32
Temos de combater a descrença e o pessimismo dos acomodados e mostrar
que a inclusão é uma grande oportunidade para que alunos, pais e
educadores demonstrem as suas competências, os seus poderes e as suas
responsabilidades educacionais”. (MANTOAN, 2003)

As dificuldades de aprendizagem apontada pelos participantes, mostra que não há uma


preocupação com o aprendizado do aluno e nem da língua de sinais pelos docentes.

A perspectiva apresentada pelos alunos surdos é de que os professores necessitam


aprender a Libras, adaptar suas aulas e se preparar para atendê-los de forma humanizada,
conhecendo as particularidades dos alunos e promovendo uma educação de qualidade.

Compreendendo a importância da contribuição da Educação Física e a dinâmica da


Educação especial, a troca de conhecimentos entre educandos e professores possibilitaria um
aprofundamento sobre as questões de como trabalhar com o aluno especial, somente uma
mudança metodológica não seria suficiente, possivelmente um novo aspecto atitudinal seria
mais apropriado para o contexto inclusivo e acabaria com as barreiras atitudinais enfrentada
no dia-a-dia do aluno. “Fala-se muito em trabalhar a diversidade, mas, na prática, a
comunidade e a escola ainda não dominam de modo eficaz o como realizar esse trabalho”.
(AGUIAR & DUARTE, 2005)

3.6 Conclusão

Na perspectiva conclusiva é fundamental pensarmos em uma ressignificação curricular


que contemple as peculiaridades dos alunos no que diz respeito ao processo didático
metodológico, além de conscientizar a todos, docentes, gestores e a família, sobre a
necessidade da aprendizagem da língua de sinais, do conhecimento sobre a surdez e a crença
que o intérprete é suficiente para incluir o aluno surdo, sendo essa crença equivocada.

Os surdos fazem parte do corpo social brasileiro e possuem uma comunicação própria
de forma natural. Refletir sobre a educação física no âmbito inclusivo é primordial para trazer
um discernimento sobre esses sujeitos, ao saber o que eles pensam torna o processo de
aprendizagem mais humanizado, através do compartilhamento de saberes.

O aprendizado da LBS deve ser feito durante a formação do professor, as


universidades necessitam, além de oferecer uma disciplina de 60h de Libras, oferecer uma

33
disciplina de estratégias de adaptação para inclusão dos alunos com necessidades
educacionais especiais, essa disciplina deverá ser ministrada de forma prática e teórica,
teoricamente conhecendo a deficiência e na prática estratégias de trabalho com esses alunos.
Essas estratégias não irão solucionar completamente o problema, mas irão dar uma orientação
ao professor sobre o que fazer com esses alunos e a partir daí é que surgem novas ideias e
inovações no campo da educação física inclusiva. Essa forma de trabalhar com o aluno
especial promove uma discussão e sugere muitas preocupações com a sua execução, sendo
colocada em questão para debates posteriores e novos apontamentos, seja na graduação ou na
pós-graduação.

O professor que se empenha na educação dos alunos promove significado e aqueles


que buscam se adaptar ao novo são considerados profissionais por excelência.

34
REFERÊNCIAS

ABNT, NBR 9050, Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos


urbanos. Segunda edição 31.05.2004. ABNT NBR 9050:2004.

AGUIAR J. S., DUARTE, É. - Educação Inclusiva: Um estudo na área da Educação


Física - João Serapião de AGUIAR e Édison DUARTE - Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, Mai.-
Ago. 2005, v.11, n.2, p.223-240

BARROS, J.M. A. - Dialogando com os saberes da educação física na educação de jovens


e adultos: Ressignificando as lutas – Trabalho de conclusão de curso – UFRN - Natal, 2013.

BRASIL, Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005 - Regulamenta a Lei no 10.436, de 24


de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da
Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília : Câmara dos Deputados, Coordenação
Edições Câmara, 2015. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2005/decreto/d5626.htm > Acesso em 30/10/2015.

________, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência): Lei 13.146, 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa
com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), Brasília : Câmara dos Deputados,
Coordenação Edições Câmara, 2015. Disponível em <
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2015/lei-13146-6-julho-2015-781174-norma-pl.html
>Acesso em 30/10/2015.

________, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB. nº 9394 de 20 de


dezembro de 1996, Senado Federal - Secretaria Especial de Editoração e Publicações
Subsecretaria de edições técnicas - Brasília: Câmara dos deputados, coordenação edições,
2005. < http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70320/65.pdf?sequence=3 >
Acesso em 30/10/2015.

________, Ministério da Educação - DECLARAÇÃO DE SALAMANCA Sobre


Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. 1994 <
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf > Acesso em 30/10/2015.

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Educação Física. Brasília: MEC / SEF, 1997.

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Comunicação: Relações de Proximidade em Cursos de Pós-Graduação. : Iolanda Bueno
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político de libertação - Roberto Carlos Simões Galvão - Disponível em <
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acentuadas de aprendizagem : deficiência múltipla. [4. ed.] / elaboração profª Ana Maria
de Godói – Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD... [et. al.]. – Brasília :
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Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 27, n. 2, p. 197 - 218, ago. 2011.

37
APÊNDICES

Instrumento de coleta de dados.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE


CCS-DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DO ALUNO
SURDO

Aceito contribuir para o desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso intitulado de:


“EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DO ALUNO
SURDO”. Este desenvolvido pela aluna do curso de Educação Física da UFRN Marcilene
França da Silva com orientação do professor João Batista Amorim. Sabendo desde já que as
informações e os dados aqui obtidos serão utilizados para estudos durante o Trabalho de
Conclusão de Curso, sem divulgar sua identificação, serão somente utilizados para melhor
desenvolvimento do trabalho e que os resultados serão divulgados em meio acadêmico e na
escola.

Escola: ______________________________________________________

QUESTIONÁRIO

1) Na sua escola, tem aulas de educação física:


( )sempre ( )ás vezes ( )raramente
2) Qual o horário? ( )Manhã ( )Tarde ( )Noite

3) Como você se sente nas aulas de educação física?


( ) sem vontade de fazer ( )cansado ( )normal
4) Você GOSTA das aulas de Educação Física?
( )Sim ( )Não
Porquê?
___________________________________________________________________________
_________________________________________________________________
5) Quais conteúdos você gosta de estudar nas aulas de Educação Física?

38
( ) Lutas ( )Jogos ( )Esportes ( )Conhecimento sobre o corpo
( ) Ginástica ( )Danças e atividades Rítmicas e expressivas
6) Quais conteúdos você NÃO gosta de estudar nas aulas de Educação Física?
( ) Lutas ( )Jogos ( )Esportes ( )Conhecimento sobre o corpo
( ) Ginástica ( )Danças e atividades Rítmicas e expressivas
7) Existem dificuldades de comunicação com o professor?
( )Sim ( )Não
8) O professor sabe se comunicar através da Língua Brasileira de sinais?
( )Sim ( )Não
9) Como percebem seu preparo profissional dos professores de Educação física na
inclusão do alunos surdos?
Preparado ( ) Despreparado ( )
10) As aulas de Educação Física contribuem para a sua vida:
( )muito ( )pouco ( )nada

11) Existe algum profissional tradutor intérprete de Libras em sala de aula na escola?
( )Sim ( )Não
12) Você conversa com o professor e participa sempre das aulas de Educação Física?
( )Sim ( )Não

13) Existem adaptações nas aulas de educação física?

( )Sim ( )Não
14) Quais são os atributos e requisitos necessários para um professor de Educação Física
poder incluir um aluno surdo?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Agradeço a sua participação nesta pesquisa!
Atenciosamente, Marcilene França.
Aluna do 10º período do curso de Educação Física - Licenciatura UFRN.

39