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O QUE É SOCIOLOGIA

Carlos Benedito Martins

Emerson Gonzaga Fernandes


3º Período Ciências Contábeis – Noturno
A existência de classes sempre esteve presente nas sociedades, mas dessa vez, algo mais
intenso e difícil de compreender vem ganhando espaço com uma rapidez incontrolável.
A sociedade feudal perde espaço para uma sociedade mutável, desigual. A burguesia
toma as rédeas dos senhores feudais e começa a marcha de disseminação de suas
influências. Inicia-se a era capitalista.

Revolução Francesa, Iluminismo, Revolução Industrial... acontecimentos que


concretizam o poder da nova classe dominante. O proletário surge no reflexo de um
servo da Idade Média, mas o sistema capitalista, inicialmente, não encontra no
trabalhador um componente indispensável para o funcionamento da sua nova ordem
que vigora, pelo contrário, o vê como um instrumento de trabalho, descartável e
domável. Era claro e provável que a classe prejudicada não se contentaria com tais
atribuições e funções. Burgueses x Proletários. A sociedade está desequilibrada.

O proletário começa atacar as péssimas condições que o sistema capitalista o adjudicou.


Revoluções, ataques, conflitos, suicídios, mortes, fome, crescente urbanização, falta de
estruturas urbanas... A Europa está um verdadeiro caos. Alguma coisa precisaria ser
feita para, pelo menos, propor melhorias para tais situações. Surge assim, grosso modo,
o pensamento sociólogo: Estudar os problemas sociais e propor soluções.

Duas frentes que tentam amenizar e responder, apontar os problemas sociais são
formadas: A primeira linhagem de sociólogos, – Os Positivistas. Influenciados pelo
pensamento filosófico conservadori do século XVIII, mas totalmente interessados na
preservação da nova ordem econômica e política. Entre esses primeiros Positivistas
destacam-se: Saint-Simonii, Auguste Comteiii e Emile Durkheimiv. Para eles a função do
pensamento social seria orientar a indústria e a produção. A ordem do sistema
capitalista, para os positivistas, decorreria do progresso e de novos valores introduzidos
na sociedade. – Os Revolucionários: Os Socialistas: “Porta vozes” da classe
trabalhadora. Para eles, o antagonismo da classe burguesa era o ensejo do desespero que
envolvia a Europa. As suas críticas a mercê de uma sociedade igualitária, contra a
existência de classes, deram forças e esperanças à classe trabalhadora. Dentro dessa
linha de pensadores, outra frente “crítica” surge com métodos de estudos mais
elaborados que os socialistas, o Comunismo. Destaque a Karl Marxv e Friedrich
Engelsvi. Desenvolveram teorias críticas à sociedade burguesa e estudaram a origem
histórica do capitalismo a procura de agentes capazes de transformá-lo. Viam nos
conflitos e oposição de classes o motor da história. A função da sociologia, nesse
contexto, não seria a de solucionar os problemas sociais com o propósito de restabelecer
o bom funcionamento da sociedade, como os Positivistas, e sim contribuir para a
realização de mudanças radicais na sociedade. Foi nessa vertente de pensamento que a
sociologia se torna um empreendimento crítico e militante, desvinculado da classe
burguesa.

Ainda, dentro da linha dos Revolucionários, Max Weber vii confere à sociologia uma
reputação científica. Argumentando a neutralidade dessa ciência, Weber separa o
conhecimento científico do político, o cientista do político. Ao isolar a ciência social
dos movimentos revolucionários, a sociologia passa a ter um caráter profissional.

O sistema capitalista em ascensão desde o final da Idade Média vai adaptando as novas
realidades em sua organização. As revoltas trabalhistas com ideais revolucionários vão
sendo ouvidas e adaptadas à nova realidade. A classe dominante conseguiu manter a sua
hegemonia e a classe trabalhadora foi bordada de modo que o caos da sociedade parecia
estar resolvido.

A sociologia também foi adaptada às ideologias da sociedade capitalista, os sociólogos


perderam a sua dependência intelectual e passaram a ser profissionais do sistema. Hoje,
a função dos sociólogos é liberar sua ciência do aprisionamento que o poder burguês lhe
impôs e transformar a sociedade em um instrumento de transformação social, apoiando-
se nos interesses daqueles que se encontram expropriados material e culturalmente, para
junto deles construir uma sociedade mais justa.

A globalização, fruto da tecnologia do sistema econômico, acelera os processos de


mudanças sociais e culturais em todo mundo, a todo instante. E a sociologia caminha
junto a essas mudanças, no intuito de entender e adaptar o homem ou o sistema às novas
realidades.
i
Linha de filósofos do século XVIII, os Conservadores, entre os quais, pode-se destacar Edmund
Burke (1729-1797), Joseph de Maistre (1754-1821), Louis de Bonald (1754-1840), entre outros,
posicionaram contra os ideais Iluministas. Segundo eles, o caos da sociedade moderna
espelhava o capitalismo. Ligados aos valores da sociedade feudal, encontravam na família, na
religião e no grupo social a manutenção da ordem social.
ii
SAINT-SIMON (1760-1825): Grande entusiasta da sociedade industrial. Propunha a
restauração da ordem em resposta aos problemas que cercavam a França. Acreditava que o
industrialismo era capaz de satisfazer todas as necessidades humanas e constituía a única
fonte de riqueza e prosperidade. Para ele, o progresso econômico acabaria com os conflitos
sociais e traria segurança ao homem. Propunha a criação de uma ciência social que, utilizando
os mesmos métodos das ciências naturais, deveria descobrir as leis do progresso e do
desenvolvimento social.
iii
AUGUSTO COMTE (1798-1857): Defensor da Sociedade Capitalista. Para ele, para haver
coesão e equilíbrio na sociedade seria preciso restabelecer a ordem nas idéias e nos
conhecimentos, criando um conjunto de crenças comuns a todos os homens. A nova sociedade
precisaria reconciliar a ordem e o progresso.
iv
EMILE DURKHEIM (1858-1917): Acreditava que a raiz dos problemas que a sociedade
enfrentava não era de natureza econômica e sim certa fragilidade da moral da época em
orientar o comportamento dos indivíduos. Ainda, a divisão do trabalho provocava uma relação
de cooperação e solidariedade entre os homens. Para ele, a sociologia deveria torna-se uma
disciplina independente das outras ciências, pois se distinguia dos objetos de estudo das
demais disciplinas. Assim como Simon, para Durkheim, os valores morais constituíam um dos
elementos eficazes para neutralizar as crises econômicas e políticas de sua época. Para esse
sociólogo, o indivíduo, ao nascer, já encontra pronta e constituída a sociedade, devendo
apenas adaptar-se a ela
v
Karl Marx: A divisão do trabalho da sociedade moderna representava a exploração e o
antagonismo de classes.
vi

vii