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A MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A educação infantil constitui-se num período rico para a aquisição e


construção de novos conhecimentos, sobretudo para os referentes à
Matemática, uma vez que ela se encontra presente em muitas das
atividades desenvolvidas pelas crianças, e, portanto, tranquilamente pode
ser abordada nessa fase. A proposta é trabalhá-la de forma não-
escolarizante, mas sim permitir que a criança crie, explore e a vivencie o
seu próprio jeito de expressar e relacionar com o mundo.

A matemática esta presente quando a criança brinca com as formas,


quando explora um espaço, quando observa o tamanho das coisas e as
diferenças entre elas, quando organiza e classifica seus brinquedos, ao
distribuir doces entre os colegas, quando monta quebra-cabeças, etc.,
Cabe ao professor criar condições e oferecer estímulos para que a
criança descubra a matemática em meio a essas ações.

No entanto, houve um tempo em que se acreditava que a criança aprendia


mediante a memorização e repetição, seguindo uma seqüência linear
cujos conteúdos eram inseridos num crescente grau de dificuldades.
Também se chegou a pensar que através da associação, ao visualizar o
numeral dois e a figura de dois patinhos, o conceito de número estaria
sendo construído pela criança. Esse tipo de atividades era oferecido
quando ainda não se existia a compreensão de que a criança precisa
primeiramente construir os conceitos e não simplesmente reproduzi-los.

Para além do ensino sobre os números, grandezas e medidas, espaços e


formas, a iniciação do ensino da matemática contribui para formação de
cidadãos autônomos, capazes de refletir, questionar, se expressar,
buscar meios para solucionar problemas, etc. Ela surge como
instrumento que incentiva e desafia a criança a pensar e agir de forma
independente. Daí a importância de ser abordada já nos primeiros anos
de vida.

É fundamental que a criança ainda pequena, tenha oportunidades de contato e


familiarização com a matemática, a fim de que adquira algumas noções e que
aos poucos, conforme o seu desenvolvimento biológico e os estímulos
recebidos possam aprofundar e ampliar esses conhecimentos, sendo capaz de
reconhecer e valorizar os números, as operações numéricas, as contagens
orais, as noções espaciais, conseguindo comunicar idéias matemáticas
utilizando a linguagem oral e matemática, tendo autoconfiança em suas
estratégias para lidar com novas situações fazendo uso dos seus
conhecimentos prévios.
A matemática não é mecânica. Ela não significa olhar para as coisas
prontas e já definidas. Ela deve estar associada à construção, pois sem
isso ela fica vazia e desprovida de significados. Isso pode ser
comprovado a partir da definição exposta,`` conforme o Referencial
Curricular Nacional para Educação Infantil, (1998. 3v .P.207 ) “Fazer
matemática é expor idéias próprias, escutar as dos outros, formular e
comunicar procedimentos de resolução de problemas, confrontar,
argumentar e procurar validar seu ponto de vista, antecipar resultados de
experiências não realizadas, aceitar erros, buscar dados que faltam para
resolver problemas, entre outras coisas. ”

De acordo com os Parâmetros curriculares Nacional para o ensino da


matemática (1997. p.19) “A aprendizagem em Matemática está ligada à
compreensão, isto é, à apreensão do significado; apreender o significado de
um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros
objetos e acontecimentos. Assim, o tratamento dos conteúdos em
compartimentos estanques e numa rígida sucessão linear deve dar lugar a
uma abordagem em que as conexões sejam favorecidas e destacadas.”

Ao inseri-la na educação infantil, é necessário considerar o cotidiano da criança


e seus conhecimentos prévios, planejando atividades criativas dentro de um
contexto significativo para ela, de forma a propiciá-la oportunidades de
construir os conceitos matemáticos de forma concreta, para que a partir dessa
construção, seja capaz de abstraí-los, pois ela é capaz de construir
conceitos a partir de uma realidade, não se constituindo como mera
receptora de informações.

É fundamental utilizar do mundo infantil para introduzir os conteúdos


matemáticos. Jogos, musicas, histórias, brincadeiras, festas e situações-
problema, por exemplo, constituem-se em ricas oportunidades para
desenvolver o trabalho com a notação e escrita numérica, operações ,
grandezas e medidas, contagem, espaço e forma, sendo possível esgotar o
Maximo de conteúdos dentro de uma mesma atividade.

A prática do jogo contribui para o desenvolvimento infantil, para a


construção e ampliação dos conhecimentos. Sua característica lúdica
somada à participação ativa da criança fortalece a idéia de que se
aprende matemática brincando. O jogo constitui-se numa estratégia
didática quando aplicadas em situações planejadas e orientadas por um
adulto, tendo em vista uma finalidade de aprendizagem sobre algum tipo
de conhecimento, relação ou atitude. Eles aproximam a criança dos
conhecimentos matemáticos, incentivando-a a desenvolver estratégias
para resolução de problemas.
A partir das pesquisas psicogenéticas, concluiu - se que o ensino da
matemática deveria estar incluído no desenvolvimento das estruturas de
pensamento lógico-matemático, considerando as ações de classificação,
seriação, ordenação e comparação, experiências fundamentais para o
desenvolvimento do raciocínio e aquisição da noção de numero.

A presença da matemática na educação infantil possibilita à criança


oportunidades para que construa hipóteses sobre um determinado
conhecimento, resolvendo problemas. Problema é entendido como
qualquer situação em que os conhecimentos que a criança já possui
ainda não sejam suficientes desafiando-a buscar maneiras de agir para
que adquira novos saberes. Essas situações - problemas devem surgir
como uma necessidade que justifique a busca de novas informações.

Números e sistema de numeração

Os números fazem parte do nosso em cotidiano e cumprem diversas


funções como as de contar, numerar, medir e operar. Alguns desses usos
podem ser familiares às crianças ainda pequenas.

Conceber a noção de número não é uma ação simples, pois ela se apóia
em outras noções, e para que a criança adquira essa compreensão, ela
depende de experiências de contagem, de comparações entre
quantidades, das representações dos números e do cálculo.

A contagem é uma utilidade do numero respondendo à pergunta


“quantos?”, e quando se busca a propriedade numérica dos objetos, resp
onde à pergunta “qual?”. Os números descrevem a quantidade e a
posição dos objetos.

É possível que a criança simplesmente recite a seqüência numérica sem


efetivamente saber estabelecer uma correspondência entre os objetos e
as palavras narradas, agindo por mera reprodução. Como também ela
pode realizar a contagem propriamente dita, recitando ou não as palavras,
utilizando gestos ou os dedinhos para representar, demonstrando sua
compreensão sobre a correspondência entre os objetos e a série
numérica.

A numeração também é outra função do numero e há uma familiarização


das crianças com essa prática, por exemplo, durante a marcação de
pontos em um jogo ou em brincadeiras como a amarelinha, nos letreiros
dos ônibus, nas camisas dos jogadores, no endereço da sua casa, e em
diversas outras circunstâncias cotidianas. É a partir desse contato que a
criança vai aprendendo a relacionar, interpretar e atribuir significados
para os números, e na medida em que ela utiliza os números nas mais
variadas situações, em jogos e /ou situações-problema, desenvolve-se
também o significado das operações. Ao distribuir doces e os amigos,
quando conta de três em três, quando tira uma quantidade de outra, ela
está realizando ações como repartir, agregar, segregar, por exemplo, e
todas essas ações envolvem as operações aritméticas.

Medidas e grandezas

A comparação de pesos, comprimentos, capacidades, marcação do


tempo e observação da temperatura são situações vivenciadas pelas
crianças desde cedo e as permitem inicialmente relacionar opostos como
leve-pesado, grande-pequeno, cheio-vazio, noite e dia, longe - perto, etc.
Em relação ao tempo, é exigido mais que uma comparação entre dois
objetos, utilizando pontos de referencia e de organização de varias
relações, necessárias ao pensamento como: Dia e noite, tarde e noite,
manha e tarde, dias da semana, meses, anos, passado-presente-futuro,
antes - agora e depois.

Atividades como o uso freqüente do calendário, comparação entre


distancias, a preparação de um bolo, são alguns exemplos de como se
trabalhar com as grandezas e medidas.

Espaços e Formas

Desde que nasce o bebê explora o espaço à sua volta e através da sua
percepção passa a coordenar melhor os seus movimentos, realizando
descobertas como a profundidade, objetos, formas e dimensões,
organizando mentalmente seus deslocamentos.

É necessário que ela vivencie ricas oportunidades nesse campo para que
construa sistemas de referencias mentais mais amplos e assim consiga
facilmente relacionar o observado e o representado.

Os conteúdos referentes ao trabalho com espaços e formas devem


valorizar as experiências infantis e potencializar o desenvolvimento do
pensamento geométrico da criança, considerando a principio, as noções
de posição, orientação (proximidade, interioridade, direcionalidade),
utilizando as atividades motoras como recurso.

A presença da matemática na educação infantil é essencial e como tal deve


serreconhecida e valorizada, na medida em que ela está contribuindo para
formação de cidadãos autônomos, que com o passar dos anos certamente se
relacionarão melhor com essa disciplina e todo o conhecimento que ela
oferece, Faz-se necessário atentar para a construção de um alicerce sólido já
nos primeiros anos de vida da criança.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

PARAMETROS CURRICULARES NACIONAL. Matemática. Brasília:


MEC/SEF, (1997. p.19)

REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL EDUCAÇÃO INFANTIL (Brasília:


MEC/SEF, (1998. 3 v .P.207 )