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Instituto Brasileiro do Concreto .

Capítulo 26

Argamassas

Helena Carasek1
Doutora em Engenharia, Programa de Pós-Graduação em Geotecnia e Construção Civil – PPG-GECON
Universidade Federal de Goiás
e-mail: hcarasek@eec.ufg.br

1. Introdução
1.1 Definição e histórico
Argamassas são materiais de construção, com propriedades de aderência e
endurecimento, obtidos a partir da mistura homogênea de um ou mais aglomerantes,
agregado miúdo (areia) e água, podendo conter ainda aditivos e adições minerais.
As argamassas são materiais muito empregados na construção civil, sendo os
seus principais usos no assentamento de alvenarias e nas etapas de revestimento, como
emboço, reboco ou revestimento de camada única de paredes e tetos, além de
contrapisos para a regularização de pisos e ainda no assentamento e rejuntamento de
revestimentos de cerâmica e pedra.
Os primeiros registros de emprego de argamassa como material de construção são
da pré-história, há cerca de 11.000 anos. No sul da Galiléia, próximo de Yiftah’el, em
Israel, foi descoberto em 1985, quando de uma escavação para abrir uma rua, o que hoje
é considerado o registro mais antigo de emprego de argamassa pela humanidade: um
piso polido de 180 m2, feito com pedras e uma argamassa de cal e areia, o qual se estima
ter sido produzido entre 7.000 a.C. e 9.000 a.C. (European Mortar Industry Organization –
EMO, 2006; Hellenic Cement Industry Association – HCIA, 2006). O segundo registro
mais antigo é de 5.600 a.C., em uma laje de 25 cm de espessura, também executada
com argamassa de cal, no pátio da Vila de Lepenske-Vir, hoje Iuguslávia (Venuat apud
Guimarães, 1997). A partir daí existem vários registros do emprego de argamassas de cal
e gesso pelos egípcios, gregos, etruscos e romanos.
Como visto, as argamassas mais antigas eram à base de cal e areia. No entanto,
com as alterações das técnicas de construção, novos materiais foram desenvolvidos. As
argamassas modernas geralmente possuem em sua composição também o cimento
Portland e, muito freqüentemente, aditivos orgânicos para melhorar algumas
propriedades, como a trabalhabilidade. Esses aditivos são, por exemplo, os
incorporadores de ar que modificam a reologia da massa fresca pela introdução de
pequenas bolhas de ar, ou mesmo os aditivos retentores de água (à base de ésteres de
celulose, os quais regulam a perda da água de amassamento). Já no final século IXX
surgiram, na Europa e nos Estados Unidos, as argamassas industrializadas, misturas
prontas, dosadas em plantas industriais, para as quais, na obra, só é necessária a adição
de água (EMO, 2006).

1.2 Objetivos e foco


Este capítulo tem como objetivos apresentar a classificação, as funções, os
requisitos e as propriedades mais importantes das argamassas, associando tais
1
A autora agradece ao Eng. Mário Sérgio Jorge dos Santos, do Núcleo de Tecnologia das Argamassas e
Revestimentos – NUTEA, da UFG, pela colaboração na elaboração deste capítulo.

Livro Materiais de Construção Civil 1

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propriedades com alguns métodos de ensaio disponíveis para sua determinação. São
discutidos também aspectos da dosagem e preparo das argamassas. São abordadas
somente as argamassas inorgânicas, principalmente argamassas à base de cimento
Portland e cal ou de cimento Portland e aditivos, com função de assentamento de
alvenaria e de revestimento de paredes. As demais argamassas destinadas a outras
funções são tratadas mais superficialmente, uma vez que essas apresentam inúmeras
particularidades. Além disso, em termos de consumo de materiais na obra, essas outras
argamassas representam menor volume e são freqüentemente compradas prontas
(argamassas industrializadas) ficando a responsabilidade do seu proporcionamento aos
fabricantes.
Cabe destacar-se que o foco do capítulo é o estudo da argamassa enquanto
material de construção. No entanto, não se deve esquecer que, na prática, é importante,
dentro de uma visão sistêmica, a análise do material aplicado, ou seja, a avaliação do
desempenho. Nesse sentido, uma rápida abordagem de desempenho de alguns
subsistemas constituídos por argamassas é feita na seção 3, além de serem
apresentados no CD-ROM, anexo ao livro, alguns aspectos sobre manifestações
patológicas de revestimentos de argamassa.

2. Classificações
As argamassas podem ser classificadas com relação a vários critérios, alguns dos
quais são propostos no Quadro 1.

Quadro 1 – Classificação das argamassas.


Critério de classificação Tipo
• Argamassa aérea
Quanto à natureza do aglomerante
• Argamassa hidráulica
• Argamassa de cal
• Argamassa de cimento
Quanto ao tipo de aglomerante
• Argamassa de cimento e cal
• Argamassa de gesso
• Argamassa de cal e gesso
Quanto ao número de • Argamassa simples
aglomerantes • Argamassa mista
• Argamassa seca
Quanto à consistência da
• Argamassa plástica
argamassa
• Argamassa fluida
• Argamassa pobre ou magra
Quanto à plasticidade da
• Argamassa média ou cheia
argamassa
• Argamassa rica ou gorda
• Argamassa leve
Quanto à densidade de massa da
• Argamassa normal
argamassa
• Argamassa pesada
• Argamassa preparada em obra
Quanto à forma de preparo ou • Mistura semipronta para argamassa
fornecimento • Argamassa industrializada
• Argamassa dosada em central

As argamassas podem também ser classificadas segundo sua função na


construção, conforme resumo apresentado no Quadro 2.

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Quadro 2 – Classificação das argamassas segundo as suas funções na construção.

Função Tipos
Para construção de alvenarias Argamassa de assentamento (elevação da alvenaria)
(ver item 3.1) Argamassa de fixação (ou encunhamento) – alv. de vedação
Argamassa de chapisco
Para revestimento de paredes e Argamassa de emboço
tetos Argamassa de reboco
(ver item 3.2) Argamassa de camada única
Argamassa para revestimento decorativo monocamada
Argamassa de contrapiso
Para revestimento de pisos
Argamassa de alta resistência para piso
Para revestimentos cerâmicos Argamassa de assentamento de peças cerâmicas – colante
(paredes/ pisos) Argamassa de rejuntamento
Para recuperação de estruturas Argamassa de reparo

3. Funções das argamassas, requisitos de desempenho e propriedades


mais relevantes
As funções das argamassas estão associadas diretamente às suas finalidades ou
aplicações. Nesta seção são discutidas, para as argamassas mais empregadas na
construção civil (as argamassas de assentamento de alvenaria e de revestimento de
paredes), as suas funções, e a elas são associadas as principais propriedades. Ao final
da seção, está apresentado um quadro resumo em que, também para as demais
argamassas (de chapisco, contrapiso, colante, de rejuntamento e de reparo), são listadas
as propriedades mais relevantes. As principais propriedades, por sua vez, são explicadas
e associadas aos métodos de ensaio na seção 4 deste capítulo.

3.1 Argamassa de assentamento de alvenaria


A argamassa de assentamento de alvenaria é utilizada para a elevação de paredes
e muros de tijolos ou blocos, também chamados de unidades de alvenaria. As principais
funções das juntas de argamassa na alvenaria são:
• unir as unidades de alvenaria de forma a constituir um elemento monolítico,
contribuindo na resistência aos esforços laterais;
• distribuir uniformemente as cargas atuantes na parede por toda a área resistente dos
blocos;
• selar as juntas garantindo a estanqueidade2 da parede à penetração de água das
chuvas;
• absorver as deformações naturais, como as de origem térmica e as de retração por
secagem (origem higroscópica), a que a alvenaria estiver sujeita.
Para cumprir essas funções, algumas propriedades tornam-se essenciais. No caso
das argamassas de assentamento, as principais propriedades almejadas são:
• trabalhabilidade – consistência e plasticidade adequadas ao processo de execução,
além de uma elevada retenção de água;
• aderência;
• resistência mecânica;
2
Estanqueidade à água é a propriedade dos materiais, componentes ou elementos da edificação de não
permitirem a infiltração de água.
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• capacidade de absorver deformações.


A trabalhabilidade, conforme será discutido em detalhes na seção 4, é que
garantirá as condições de execução da parede. Por exemplo, se a argamassa não
apresentar consistência adequada, estando muito fluida quando da colocação de um
bloco sobre a junta de assentamento que ainda está no estado fresco, a argamassa pode
ser esmagada em demasia, gerando uma junta de altura inadequada, ou seja, de
espessura menor do que a prevista, além de dificultar a execução da parede no
alinhamento e no prumo. Por outro lado, deve-se ajustar a trabalhabilidade,
principalmente a plasticidade da argamassa, à forma de aplicação. A argamassa de
assentamento a ser aplicada com bisnaga exige uma plasticidade maior do que a de uma
argamassa que será aplicada pelo método mais tradicional, ou seja, empregando a colher
de pedreiro ou mesmo a palheta (Figura 1).

Figura 1 – Aplicação de argamassa de assentamento: (a) bisnaga (foto: Prudêncio Jr.) e (b) meia
desempenadeira ou palheta (foto: ABCP).
A retenção de água é uma propriedade muito importante para as argamassas de
assentamento, uma vez que, após a sua aplicação sobre uma fiada de blocos ou tijolos, a
argamassa começa a perder água, pela sucção dos componentes de alvenaria e pela
evaporação. Nesse momento, a propriedade em questão torna-se importante, regulando a
perda da água de amassamento durante o processo de secagem. Se perder água muito
rapidamente, a argamassa ressecará, e não será possível o adequado ajuste dos blocos
da próxima fiada, prejudicando o seu nivelamento e o prumo da parede, o que pode levar
a uma distribuição não uniforme das cargas atuantes na parede pela área resistente dos
blocos. Por outro lado, caso queira corrigir esse problema com uma argamassa de baixa
retenção de água, o pedreiro deverá reduzir a área na qual espalhará a argamassa,
prejudicando a produtividade do serviço. Além disso, a retenção de água influirá na
aderência, uma vez que, se a argamassa perder água muito rapidamente para o bloco
abaixo da junta, poderá faltar água (a qual carrega consigo aglomerantes) para garantir
uma adequada ligação da argamassa com o bloco superior. A Figura 2 ilustra a perda de
água da argamassa fresca em uma junta de assentamento; observe que além da
argamassa entrar em contato primeiro com o bloco inferior, sofrendo o efeito da sucção
pelos seus poros, o efeito da força da gravidade também contribui para ocorrer uma
ligação mais efetiva entre a junta de assentamento e o bloco inferior.
A aderência, por sua vez, é uma propriedade essencial no caso das argamassas
de assentamento, tendo em vista que ela permitirá à parede resistir aos esforços de
cisalhamento e de tração, além de garantir a estanqueidade das juntas, impedindo a
penetração da água das chuvas.

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Unidade de alvenaria Sucção

Argamassa Pasta contendo produtos de hidratação do


cimento.

A argamassa é colocada sobre a A pasta da argamassa é absorvida pela unidade


1) unidade de baixo de alvenaria inferior.

A argamassa está mais seca e a unidade superior absorverá


menor quantidade de água (e menor quantidade de produtos
2) A unidade de acima é colocada de hidratação do cimento) do que a inferior.

Formação dos cristais de etringita nos poros da unidade de


Com passar do tempo ocorre alvenaria, sendo estes cristais mais profundos e em maior
3) a hidratação do cimento
quantidade na unidade inferior do que na superior.

A ruptura ocorre na interface argamassa /


Ensaio de tração direta
unidade superior.

Figura 2 – Interação entre argamassa de assentamento e os blocos em uma alvenaria (adaptada


de Gallegos, 1989).
Por fim, com relação à resistência mecânica, principalmente a resistência à
compressão, sabe-se que a argamassa deve adquirir rapidamente alguma resistência,
permitindo o assentamento de várias fiadas no mesmo dia, bem como desenvolver
resistência adequada ao longo do tempo. Apesar disso, não são necessárias resistências
altas das argamassas para garantir o bom desempenho das paredes; pelo contrário, a
resistência da argamassa não deve nunca ser superior à resistência dos blocos. Isso
ocorre porque a argamassa exerce pouca influência na resistência à compressão da
alvenaria, comportamento explicado pelo estado multiaxial de tensões ao qual a junta de
argamassa está submetida, devido à restrição de deformações laterais que os blocos
impõem à junta. A Figura 3 ilustra o efeito da resistência da argamassa na resistência da
alvenaria, mostrando que uma diminuição de quase 90% na resistência à compressão da
argamassa leva a uma redução inferior a 20% na resistência final da parede, quando se
considera o emprego de um único tipo de unidade de alvenaria. Além disso, é importante
destacar-se que as argamassas de alta resistência, as quais geralmente possuem um
teor elevado de cimento, além de caras, possuem baixa capacidade de absorver
deformação, outro requisito fundamental da junta de assentamento.
% Resistência à compressão

100
90
80
70
60
Resist. Argamassa
50
40 Resist. Alvenaria
30
20
10
0
1:0:3 1:1/4:3 1:1:6 1:2:9 1:3:12
Traço da argamassa
(cimento:cal:areia - em volume)

Figura 3 – Influência da resistência da argamassa na resistência da parede (BUILDING


RESEARCH STATION, 1965).
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A capacidade de deformação está associada ao módulo de elasticidade da


argamassa. A argamassa de assentamento deve poder se deformar sem apresentar
fissuras prejudiciais, ou seja, ela deve, quando sujeita a solicitações diversas, apenas
apresentar microfissuras.

3.2 Argamassa de revestimento


Argamassa de revestimento é utilizada para revestir paredes, muros e tetos, os
quais, geralmente, recebem acabamentos como pintura, revestimentos cerâmicos,
laminados, etc.
O revestimento de argamassa pode ser constituído por várias camadas com
características e funções específicas, conforme definido a seguir e ilustrado na Figura 4.
• Chapisco: camada de preparo da base, aplicada de forma contínua ou descontínua,
com finalidade de uniformizar a superfície quanto à absorção e melhorar a aderência do
revestimento.
• Emboço: camada de revestimento executada para cobrir e regularizar a base,
propiciando uma superfície que permita receber outra camada, de reboco ou de
revestimento decorativo (por exemplo, cerâmica).
• Reboco: camada de revestimento utilizada para cobrimento do emboço, propiciando
uma superfície que permita receber o revestimento decorativo (por exemplo, pintura) ou
que se constitua no acabamento final.
• Camada única: revestimento de um único tipo de argamassa aplicado à base, sobre o
qual é aplicada uma camada decorativa, como, por exemplo, a pintura; também chamado
popularmente de “massa única” ou “reboco paulista” é atualmente a alternativa mais
empregada no Brasil.
• Revestimento decorativo monocamada (ou monocapa) – RDM: Trata-se de um
revestimento aplicado em uma única camada, que faz, simultanemanete, a função de
regularização e decorativa, muito utilizado na Europa. A argamassa de RDM é um
produto industrializado, ainda não normalizado no Brasil, com composição variável de
acordo com o fabricante, contendo geralmente: cimento branco, cal hidratada, agregados
de várias naturezas, pigmentos inorgânicos, fungicidas, além de vários aditivos
(plastificante, retentor de água, incoporador de ar, etc.).

emboço pintura camada pintura RDM


única

substrato substrato substrato

chapisco reboco chapisco Europa: 8 a 15 mm


Brasil: 13 a 30 mm
(a) (b) (c)

Figura 4 – Diferentes alternativas de revestimento de parede: (a) emboço + reboco + pintura


(sistema mais antigo, atualmente pouco utilizado); (b) camada única + pintura; (c) revestimento
decorativo monocamada (RDM).

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As principais funções de um revestimento de argamassa de parede são:


• proteger a alvenaria e a estrutura contra a ação do intemperismo, no caso dos
revestimentos externos;
• integrar o sistema de vedação dos edifícios, contribuindo com diversas funções, tais
como: isolamento térmico (~30%), isolamento acústico (~50%), estanqueidade à água
(~70 a 100%), segurança ao fogo e resistência ao desgaste e abalos superficiais;
• regularizar a superfície dos elementos de vedação e servir como base para
acabamentos decorativos, contribuindo para a estética da edificação3.
Visando satisfazer às funções citadas anteriormente, algumas propriedades
tornam-se essenciais para essas argamassas, a saber:
• trabalhabilidade, especialmente consistência, plasticidade e adesão inicial;
• retração;
• aderência;
• permeabilidade à água;
• resistência mecânica, principalmente a superficial;
• capacidade de absorver deformações.
A trabalhabilidade é a propriedade que garantirá não só condições de execução,
como também o adequado desempenho do revestimento em serviço. Deve-se ajustar a
trabalhabilidade da argamassa à sua forma de aplicação em obra. Assim, relativo à
aplicação, a consistência e a plasticidade da argamassa deverão ser diferentes se a
argamassa for aplicada por meio de colher de pedreiro (aplicação manual), ou se for
projetada mecanicamente, em equipamento onde a massa é bombeada através do
mangote e projetada na pistola com auxílio de ar comprimido. No segundo caso, as
argamassas devem ter uma consistência mais fluida e, principalmente, uma alta
plasticidade, que permitirá o bombeamento (Figura 5). Além disso, se a argamassa não
possuir a trabalhabilidade satisfatória e não garantir a sua correta aplicação, haverá
prejuízo ao desempenho do revestimento, uma vez que várias propriedades da
argamassa no estado endurecido serão afetadas pelas condições de aplicação (estado
fresco), como é o caso da aderência.

Figura 5 - Aplicação da argamassa de revestimento: (a) manual e (b) projetada mecanicamente.

Outra propriedade essencial, também associada à trabalhabilidade, é a adesão


inicial, ou seja, a capacidade de união da argamassa no estado fresco ao substrato
(parede, por exemplo). Ao ser lançada à parede, a argamassa deve se fixar
imediatamente à superfície, sem escorrer ou desprender, permitindo manipulações que
visam espalhá-la e acomodá-la corretamente, além de garantir o contato efetivo entre os
materiais (o que proporcionará a aderência após o seu endurecimento). Ainda no estado
3
No caso específico da argamassa de revestimento decorativo monocamada (RDM), que já se constitui no
acabamento final, o aspecto decorativo torna-se essencial.

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fresco, após a aplicação da argamassa, será importante controlar a retração plástica,


propriedade relacionada à fissuração do revestimento.
No estado endurecido, a propriedade fundamental é a aderência, sem a qual o
revestimento de argamassa não atenderá a nenhuma de suas funções. A aderência é a
propriedade que permite ao revestimento de argamassa absorver tensões normais ou
tangenciais na superfície de interface com o substrato. Essa propriedade é uma das
poucas que possui critério de desempenho especificado em norma no Brasil, conforme
apresentado no Quadro 3.

Quadro 3 – Limites de resistência de aderência à tração (Ra) para revestimentos de argamassa


de paredes (emboço e camada única), segundo a NBR 13749 (ABNT, 1996).
Local Acabamento Ra (MPa)
Interna Pintura ou base para reboco > 0,20
Cerâmica ou laminado > 0,30
Externa Pintura ou base para reboco > 0,30
Cerâmica > 0,30

Já a permeabilidade à água é a propriedade que está relacionada com a função de


estanqueidade da parede, muito importante quando se trata de revestimentos de fachada.
Esse atributo é primordial quando o edifício está situado em região de alto índice de
precipitação pluviométrica, pois o revestimento tem como função proteger o edifício da
infiltração de água. Caso contrário, a umidade infiltrada pelas paredes causará problemas
que comprometem tanto a higiene e a saúde dos usuários, como a estética do edifício,
além de estar associada às manifestações patológicas como eflorescências,
descolamentos e manchas de bolor e mofo. Essa propriedade assume maior importância
no caso dos revestimentos de argamassa que não receberão mais nenhum tipo de
acabamento final, como a pintura ou o revestimento cerâmico, caso do revestimento
decorativo monocamada – RDM. No entanto, de nada adianta uma argamassa de baixa
permeabilidade à água, se o revestimento estiver todo fissurado, permitindo a penetração
da água pelas aberturas. Da mesma forma, ocorrerá enorme prejuízo à estanqueidade
caso o revestimento esteja descolado.
O revestimento de argamassa deve também apresentar capacidade de absorver
pequenas deformações, para se deformar sem ruptura ou por meio de microfissuras, de
maneira a não comprometer a sua aderência, estanqueidade e durabilidade. Essa
complexa propriedade está associada ao módulo de elasticidade e à resistência mecânica
das argamassas e influenciará tanto na fissuração como na aderência dos revestimentos.
A resistência mecânica diz respeito à propriedade dos revestimentos de possuírem um
estado de consolidação interna capaz de suportar esforços mecânicos das mais diversas
origens e que se traduzem, em geral, por tensões simultâneas de tração, compressão e
cisalhamento. Esforços como o desgaste superficial, impactos ou movimentação
higroscópica são exemplos de solicitações que exigem resistência mecânica dos
revestimentos, pois geram tensões internas que tendem a desagregá-los (SELMO, 1989).
Um dos principais problemas nos revestimentos, associado à resistência mecânica da
argamassa, é a baixa resistência superficial, que se traduz na pulverulência, prejudicando
a fixação das camadas de acabamento, como a pintura ou, mais grave ainda, as peças
cerâmicas.

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3.3 Resumo das principais propriedades das argamassas associadas às


suas funções
Conforme a função da argamassa na construção, os requisitos podem variar, como
mostrado no Quadro 4.

Quadro 4 – Principais requisitos e propriedades das argamassas para as diferentes funções.

Tipo da Função Principais requisitos/propriedades


argamassa
•Unir as unidade de alvenaria e ajudá- •Trabalhabilidade (consistência,
Argamassa las a resistir aos esforços laterais plasticidade e retenção de água)
de •Distribuir uniformemente as cargas •Aderência
assentamento atuantes na parede por toda a área •Capacidade de absorver deformações
de alvenaria resistente dos blocos •Resistência mecânica
(elevação) •Absorver deformações naturais a que a
alvenaria estiver sujeita
•Selar as juntas
•Garantir aderência entre a base e o •Aderência
Chapisco revestimento de argamassa
•Contribuir com a estanqueidade da
vedação
•Proteger a alvenaria e a estrutura •Trabalhabilidade (consistência,
contra a ação do intemperismo plasticidade e adesão inicial)
Emboço e •Integrar o sistema de vedação dos •Baixa retração
camada única edifícios contribuindo com diversas •Aderência
funções (estanqueidade, etc.) •Baixa permeabilidade à água
•Regularizar a superfície dos elementos •Capacidade de absorver deformações
de vedação e servir como base para •Resistência mecânica
acabamentos decorativos
Contrapiso •Regularizar a superfície para receber •Aderência
acabamento (piso). •Resistência mecânica
•Trabalhabilidade (retenção de água,
Argamassa •“Colar” a peça cerâmica ao substrato tempo em aberto, deslizamento e
colante • Absorver deformações naturais a que o adesão inicial)
(assentamento sistema de revestimento cerâmico • Aderência
de revestimento estiver sujeito • Capacidade de absorver
cerâmico)
deformações (flexibilidade) –
principalmente para fachadas.
•Vedar as juntas •Trabalhabilidade (consistência,
Argamassa •Permitir a substituição das peças plasticidade e adesão inicial)
de cerâmicas •Baixa retração
rejuntamento •Ajustar os defeitos de alinhamento •Aderência
(das juntas de •Absorver pequenas deformações do •Capacidade de absorver deformações
assentamento
sistema (flexibilidade) – principalmente para
das peças
cerâmicas)
fachadas
•Trabalhabilidade
Argamassa •Reconstituição geométrica de •Aderência ao concreto e armadura
de reparo de elementos estruturais em processo de originais
estruturas de recuperação •Baixa retração
concreto •Resistência mecânica
•Baixa permeabilidade e absorção de
água (durabilidade)
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4. Propriedades das argamassas e métodos de ensaio associados

Apresenta-se, a seguir, uma discussão das principais propriedades das


argamassas, tanto no estado fresco, como no endurecido. Neste momento, é importante
enfatizar-se que as propriedades das argamassas só podem ser avaliadas de forma
completa se considerada a sua interação com o material com o qual elas estarão em
contato, pois as argamassas se comportam diferentemente quando aplicadas sobre
distintos materiais porosos (por exemplo, blocos cerâmicos ou de concreto). No entanto,
tendo em vista o objetivo deste capítulo, os aspectos relacionados às características e
propriedades dos substratos serão abordados apenas superficialmente e quando
extremamente necessários para a discussão da propriedade.

4.1 Trabalhabilidade e aspectos reológicos das argamassas


Trabalhabilidade é propriedade das argamassas no estado fresco que determina a
facilidade com que elas podem ser misturadas, transportadas, aplicadas, consolidadas e
acabadas, em uma condição homogênea. Como o nome sugere, trabalhabilidade se
refere à maneira como as argamassas se comportam ou “trabalham” na prática. Uma
argamassa é chamada “trabalhável” quando permite que o pedreiro ou o aplicador
execute bem o seu trabalho, ou seja, no caso de revestimento, por exemplo, que ele
possa executar o serviço com boa produtividade, garantindo que o revestimento fique
adequadamente aderido à base e apresente o acabamento superficial especificado.
A trabalhabilidade é uma propriedade complexa, resultante da conjunção de
diversas outras propriedades, tais como: consistência, plasticidade, retenção de água e
de consistência, coesão, exsudação, densidade de massa e adesão inicial (Quadro 5).
Para cada tipo ou função de argamassa, algumas destas propriedades podem ser mais
importantes do que as outras, como é o caso da retenção de água para uma argamassa
colante de assentamento de peças cerâmicas.

Quadro 5 – Propriedades relacionadas com a trabalhabilidade das argamassas.

Propriedades Definição
É a maior ou menor facilidade da argamassa deformar-se sob ação de
Consistência
cargas.
É a propriedade pela qual a argamassa tende a conservar-se deformada
Plasticidade
após a retirada das tensões de deformação.
Retenção de água e É a capacidade de a argamassa fresca manter sua trabalhabilidade
de consistência quando sujeita a solicitações que provocam a perda de água.
Refere-se às forças físicas de atração existentes entre as partículas
Coesão
sólidas da argamassa e as ligações químicas da pasta aglomerante.
É a tendência de separação da água (pasta) da argamassa, de modo que
a água sobe e os agregados descem pelo efeito da gravidade.
Exsudação
Argamassas de consistência fluida apresentam maior tendência à
exsudação.
Densidade de massa Relação entre a massa e o volume de material.
Adesão inicial União inicial da argamassa no estado fresco ao substrato.

4.1.1 Consistência e plasticidade


Geralmente, o único meio direto do qual o pedreiro dispõe para corrigir a
trabalhabilidade da argamassa em obra é alterar a quantidade de água de amassamento,
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uma vez que as proporções dos componentes são pré-fixadas. Esse ajuste, pela adição
de mais ou menos água, em primeiro lugar, diz respeito à consistência ou fluidez da
argamassa, a qual pode ser classificada em seca, plástica ou fluida, dependendo da
quantidade de pasta aglomerante existente ao redor dos agregados (VALDEHITA
ROSELLO,1976), como detalhado no Quadro 6.

Quadro 6 – Consistência das argamassas.

A pasta aglomerante somente


Argamassa preenche os vazios entre os
Seca agregados, deixando-os ainda em
contato. Existe o atrito entre as
C partículas que resulta em uma
O massa áspera.

N
S
I Uma fina camada de pasta
S Argamassa aglomerante “molha” a superfície
Plástica* dos agregados, dando uma boa
T adesão entre eles com uma
estrutura pseudo-sólida.
Ê
N
C
I As partículas de agregado estão
A imersas no interior da pasta
Argamassa aglomerante, sem coesão interna e
Fluida com tendência de depositar-se por
gravidade (segregação). Os grãos
de areia não oferecem nenhuma
resistência ao deslizamento, mas a
argamassa é tão líquida que se
espalha sobre a base, sem permitir
a execução adequada do trabalho.
* Obs.: O termo consistência plástica pode gerar alguma confusão entre os conceitos das
propriedades consistência e plasticidade. Poder-se-ia, então, propor o termo consistência
adequada para substituir consistência plástica. No entanto, isso não é feito, pois nem sempre a
consistência adequada para uma argamassa é a plástica, como é o caso das argamassas de
contrapiso que são elaboradas com uma consistência seca, para permitir a sua compactação.

Quando ajusta a argamassa para a sua consistência preferida, o pedreiro pode


fazer um novo julgamento, expressando isso em palavras como “áspera”, “pobre” ou
“magra” (para as características negativas) e “plástica” ou “macia” (para as características
positivas). Nesse momento ele está falando de plasticidade. Essa propriedade é
influenciada pelos tipos e pelas quantidades de aglomerantes e agregados, pelo tempo e
pela intensidade de mistura, além de pela presença de aditivos (principalmente do aditivo
incorporador de ar). O Quadro 7 associa o conteúdo de finos da argamassa com a sua
plasticidade.

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Quadro 7 – Influência do teor de finos (partículas < 0,075 mm) da mistura seca na plasticidade
das argamassas (LUHERTA VARGAS; MONTEVERDE COMBA, 1984 apud CINCOTTO, SILVA,
CARASEK, 1995).

% mínima de finos da argamassa


Plasticidade Sem aditivo plastificante Com aditivo plastificante
Pobre (áspera, magra) < 15 < 10
Média (plástica) 15 a 25 10 a 20
Rica (gorda) > 25 > 20

A plasticidade adequada para cada mistura, de acordo com a finalidade e forma de


aplicação da argamassa, demanda uma quantidade ótima de água, a qual significa uma
consistência ótima que, por sua vez é função do proporcionamento e natureza dos
materiais. Assim, consistência e plasticidade são os principais fatores condicionantes da
propriedade “trabalhabilidade” e, por isso, algumas vezes elas são confundidas como
sinônimos da trabalhabilidade.
A trabalhabilidade é alterada quando a argamassa entra em contato com o
substrato. A qualidade e quantidade da alteração dependem das características da base,
tais como: sucção de água, textura superficial e características de movimentação de água
no seu interior, além das condições ambientais que vão interferir na evaporação. Essas
alterações podem ser avaliadas indiretamente por meio de características e propriedades
como a adesão inicial, a retenção de água e de consistência, a exsudação e a coesão da
argamassa (que são discutidas nas próximas alíneas).
Do ponto de vista do comportamento reológico4 das argamassas, a consistência,
que diz respeito à sua maior ou menor fluidez, está associada à capacidade da mistura
em resistir ao escoamento. Portanto, argamassas de consistências mais fluidas
representam misturas com menores valores de tensão de escoamento, sendo verdadeira
a recíproca (seja qual for o modelo reológico considerado para a argamassa em questão).
Ainda em termos reológicos, a plasticidade está relacionada com a viscosidade da
argamassa.
Avaliar, quantificar e prescrever valores de trabalhabilidade das argamassas por
meio de ensaios não é uma tarefa fácil, uma vez que ela depende não somente das
características intrínsecas da mistura (que por si só já são complexas), mas também de
várias propriedades do substrato, da habilidade do pedreiro que está executando o
serviço e da técnica de aplicação.
Apesar dessas dificuldades, são vários e consagrados os métodos empregados
para a medida da consistência, dando, assim, parâmetros para a avaliação indireta da
trabalhabilidade e possibilitando principalmente um controle da argamassa no estado
fresco. Segundo a RILEM (1982), conceitualmente, os testes que empregam a
penetração de um corpo no interior da argamassa avaliam basicamente a sua
consistência, ou seja, são ensaios que medem principalmente a tensão de escoamento,
caso do método de penetração do cone (Figura 6), normalizado nos Estados Unidos pela
ASTM C 780 (ASTM, 1996), ou do ensaio denominado dropping ball, prescrito pela norma
inglesa BS 4551 (BSI, 1980). Já os métodos que impõem à argamassa uma deformação
por meio de vibração ou choque medem ao mesmo tempo a consistência e a plasticidade,
como no caso do ensaio denominado, no Brasil, de avaliação do índice de consistência
pelo espalhamento do tronco de cone na mesa ABNT (também conhecido como flow
table), prescrito pela NBR 7215 (ABNT, 1991).
4
Reologia (rheos = fluir; logos = estudo): é a ciência que estuda o fluxo e a deformação dos materiais,
avaliando as relações entre a tensão de cisalhamento aplicada e a deformação em determinado período de
tempo.

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O método do cone, a despeito de todas as suas


limitações em avaliar reologia e trabalhabilidade, é
um instrumento interessante de controle da
produção de argamassas. Sua capacidade em se
mostrar sensível às variações no teor de água das
argamassas, o que o torna apto a detectar
alterações de consistência de forma muito mais
eficiente do que o método da mesa ABNT (flow
table), e, sobretudo, o fato de ele possuir uma
aparelhagem simples e factível de ser empregada
em obra, o credenciam como uma ferramenta eficaz
de controle in situ. Esse método vem sendo
empregado há mais de uma década, nas pesquisas
em laboratório e obra, pelo grupo de pesquisadores
do NUTEA – Núcleo de Tecnologia das Argamassas
e Revestimentos da Universidade Federal de Goiás.

Figura 6 – Avaliação em obra da consistência de argamassas pelo método do cone.

A Figura 7 apresenta correlações encontradas entre a consistência pela


penetração do cone e a relação água/materiais secos para um tipo de argamassa
industrializada de múltiplo uso, mostrando a sua sensibilidade a diferentes consistências
da argamassa. Cada ponto no gráfico representa a média de três determinações e os
diferentes valores para uma mesma relação água/materiais secos foram obtidos com
tempos de mistura diferentes da massa no misturador (1,5 min, 2,5 min e 3,5 min).

Argamassadeira

80,0
74
74
70,0
Penetração estática do cone (mm)

y = 640,5x - 52,31 66 67
2
60,0 R = 0,987
60 y = 794x - 84,53
51 55 2
50,0 R = 0,9948
45
40,0 41
36
30,0
27 y = 809,5x - 91,84
2
20,0 R = 0,9352
16
10,0

0,0
0,13 0,14 0,15 0,16 0,17 0,18 0,19 0,2 0,21
Relação água/materiais secos

1½ min. 2½ min. 3½ min.

Figura 7 – Correlações encontradas entre a consistência pela penetração do cone e a relação


água/materiais secos para uma argamassa industrializada. (CASCUDO; CARASEK,
CARVALHO, 2005).

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Cabe salientar-se, no entanto, que esses métodos discutidos não avaliam ou


servem para definir completamente a trabalhabilidade. Ou seja, podem-se ter duas
argamassas com resultados iguais de consistência, seja pela penetração do cone, seja
pelo flow table: uma pode ser muito boa do ponto de vista da trabalhabilidade, e a outra
chegar ao ponto de não ser aplicável. Isso conduz à conclusão de que uma abordagem
mais completa acerca da questão da trabalhabilidade não prescinde de estudos mais
aprofundados do ponto de vista reológico.5
Uma proposta mais recente e mais completa que surge no campo de avaliação da
trabalhabilidade das argamassas é o método do Squeeze-Flow (Figura 8). Este método
baseia-se na medida do esforço necessário para a compressão uniaxial de uma amostra
cilíndrica do material entre duas placas paralelas, sendo tal esforço emprendido
normalmente por uma máquina universal de ensaios. O ensaio permite a variação da taxa
de cisalhamento e também da magnitude das deformações, sendo, portanto, capaz de
detectar pequenas alterações nas características reológicas dos materiais e, ao contrário
dos ensaios tradicionais, fornece não apenas um valor medido, mas um perfil do
comportamento reológico de acordo com as solicitações impostas (CARDOSO, PILEGGI,
JOHN, 2005). O método tem como vantagem possibilitar a simulação de diversas
situações reais de aplicação das argamassas, idendificando com clareza os parâmetros
reológicos (tensão de escoamento e viscosidade). No entanto, como limitação, tem-se a
necessidade de um equipamento relativamente caro, além de se restringir ao uso em
laboratório.

O Squeeze-Flow se apresenta como uma


ferramenta de grande potencial para a
pesquisa e o desenvolvimento das
argamassas. Este método foi proposto para
uso em argamassas pelo grupo de
pesquisadores que atuam em técnicas de
caracterização reológica do CPqDCC da
Escola Politécnica da USP, no âmbito do
CONSITRA – Consórcio Setorial para
Inovação Tecnológica em Revestimento de
Argamassa.

Figura 8 – Realização do ensaio Squeeze-Flow (CONSITRA, 2005).

Outros métodos de teste que se propõem a avaliar a trabalhabilidade das


argamassas de uma forma mais ampla são os testes de Vane e o Gtec. O teste de Vane,
empregado originalmente em mecânica dos solos, vem sendo usado pelo grupo de
pesquisa em argamassas do LEM (Laboratório de Ensaio de Materiais) da UnB (BAUER,
2005). Especificamente para as argamassas de assentamento de alvenaria estrutural em
blocos de concreto, o Gtec (Grupo de Tecnologia de Materiais e Componentes à base de
Cimento Portland), da UFSC, desenvolveu um equipamento que permite a avaliação e
quantificação separadamente da consistência, da plasticidade e da coesão das
argamassas (PRUDÊNCIO JR., OLIVEIRA, BEDIN, 2002). O Quadro 8 apresenta um
resumo de alguns desses métodos citados anteriormente.

5
Um detalhamento deste assunto enfocando argamassas pode ser obtido, dentre outras, nas seguintes
referências: Cardoso, Pileggi e John (2005), Souza (2005) e Bauer (2005).

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Quadro 8 - Métodos empregados para avaliar a consistência e a plasticidade de argamassas.


Parâmetro
reológico que
Método Norma Esquema Propriedade
controla o
avaliada
fenômeno*

Mesa de NBR 7215 Consistência e Viscosidade*


consistência NBR 13276 plasticidade
(flow table)

Penetração do cone ASTM Consistência Tensão de


C 780 escoamento*

Vane teste BS 1377 e Consistência Tensão de


ASTM D escoamento*
4648
(solos)

Consistência, Tensão de
Gtec teste --- plasticidade e escoamento e
coesão viscosidade

* Classificados de acordo com Bauer (2005).

4.1.2 Retenção de água


Retenção de água é uma propriedade que está associada à capacidade da
argamassa fresca manter a sua trabalhabilidade quando sujeita a solicitações que
provocam perda de água de amassamento, seja por evaporação seja pela absorção de
água da base. Assim, essa propriedade torna-se mais importantes quando a argamassa é
aplicada sobre substratos com alta sucção de água ou as condições climáticas estão mais
desfavoráveis (alta temperatura, baixa umidade relativa e ventos fortes).
Esta propriedade além de interferir no comportamento da argamassa no estado
fresco (como no processo de acabamento e na retração plástica), também afeta as
propriedades da argamassa endurecida. Após o endurecimento, as argamassas
dependem, em grande parte, de uma adequada retenção de água, para que as reações

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químicas de endurecimento dos aglomerantes se efetuem de maneira apropriada. Dentre


estas propriedades podem ser citadas a aderência, a resistência mecânica final e a
durabilidade do material aplicado.
A retenção de água pode ser avaliada pelo método NBR 13277 (ABNT, 2005), que
consiste na medida da massa de água retida pela argamassa após a sucção realizada por
meio de uma bomba de vácuo a baixa pressão, em um funil de filtragem (funil de Büchner
modificado), como ilustrado na Figura 9.
A retenção de água é alterada em função da composição da argamassa. A Figura
10 ilustra, de forma qualitativa, o aumento da retenção de água para diferentes
argamassas.

Argamassas com aditivo


retentor de água
(ésteres de celulose)

Argamassas mistas de
Aumento
cimento e cal
da
Argamassas com aditivo
retenção
incorporador de ar
de água

Argamassas de cimento

Figura 10 – Variação da retenção de água


para diferentes argamassas.

Figura 9 – Ensaio de retenção de


consistência pelo método ABNT NBR
13277:2005 (figura adaptada de Gallegos,
1989).

4.1.3 Densidade de massa


Quanto mais leve for a argamassa, mais trabalhável será a longo prazo, o que
reduz o esforço do operário na sua aplicação, resultando em um aumento de
produtividade ao final da jornada de trabalho.
A densidade de massa das argamassas, também denominada de massa
específica, varia com o teor de ar (principalmente quando incorporado por meio de
aditivos) e com a massa específica dos materiais constituintes da argamassa,
prioritariamente do agregado. O Quadro 9 apresenta uma classificação das argamassas
quanto à densidade.
A densidade de massa das argamassas no estado fresco é determinada pelo
método da NBR 13278 (ABNT, 2005) e representa a relação entre a massa e o volume do
material, sendo expressa em g/cm3, com duas casas decimais.
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Quadro 9 – Classificação das argamassas quanto à densidade de massa no estado fresco.


Argamassa Densidade de massa Principais agregados Usos/observações
A (g/cm3) empregados
Leve < 1,40 Vermiculita, perlita, Isolamento térmico e
argila expandida acústico
Normal 2,30 < A < 1,40 Areia de rio (quartzo) Aplicações
e calcário britado convencionais
Pesada > 2,30 Barita (sulfato de Blindagem de
bário) radiação

Diretamente associado à densidade de massa das argamassas com agregados de


massa específica normal, está o teor de ar, como mostrado na Figura 10. O teor de ar das
argamassas pode ser determinado tanto pelo método gravimétrico (empregando a mesma
norma NBR 13278), como pelo método pressométrico, empregando normas
internacionais específicas para argamassas, como a ASTM C 780 (ASTM, 1996), ou
ainda fazendo uma adaptação do método para concreto da NBR 11686 (ABNT, 1990).
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Cabe ainda destacar-se que a massa específica da argamassa endurecida é um


pouco menor do que o valor no estado fresco, devido à saída de parte da água. Os
corpos-de-prova cilíndricos de argamassa endurecida, seca ao ar e seca em estufa,
reduzem cerca de 7% (3% a 11%) e 9% (5% a 14%), respectivamente, em relação ao
valor inicial, no estado fresco. É observada uma relação direta entre o teor de água da
argamassa e a redução da densidade de massa com a secagem.

2500

2000
Densidade de massa (kg/m )
3

1500

1000

500
y = -2 0 ,4 1 4 x + 2 0 7 2 ,5
2
R = 0 ,9 3 5 3
0
0 5 10 15 20 25 30 35 40

Te o r d e a r (%)

Figura 10 – Relação entre densidade de massa e teor de ar das argamassas no estado fresco.

4.1.4 Adesão inicial


A adesão inicial, também denominada de “pegajosidade”, é a capacidade de união
inicial da argamassa no estado fresco a uma base. Ela está diretamente relacionada com
as características reológicas da pasta aglomerante, especificamente a sua tensão
superficial. A redução da tensão superficial da pasta favorece a “molhagem” do substrato,
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reduzindo o ângulo de contato entre as superfícies e implementando a adesão. Esse


fenômeno propicia um maior contato físico da pasta com os grãos de agregado e também
com a base, melhorando, assim, a adesão.
A tensão superficial da pasta ou argamassa pode ser modificada pela alteração de
sua composição, sendo ela função inversa do teor de cimento. A adição de cal à
argamassa de cimento também diminui a sua tensão superficial, contribuindo para molhar
de maneira mais efetiva a superfície dos agregados e do substrato. Efeitos semelhantes
propiciam também os aditivos incorporadores de ar e retentores de água, como pode ser
visto no quadro a seguir.

Quadro 10 – Tensão superficial medida para diferentes soluções, sendo as medidas realizadas a
uma temperatura de 22oC em um tensiômetro de Nouy. (CARASEK, 1996).
Soluções Tensão superficial (dina/cm)
Água destilada 71,1
Água destilada + cal 66,9
Água destilada + cimento 66,7
Água destilada + cal + cimento 42,2
Água + aditivo incorporador de ar 39,5

No Brasil não existem métodos normalizados para avaliar a adesão inicial. Um


método expedito e qualitativo é proposto pela RILEM – MR-5 (RILEM,1982), para avaliar
a adesividade da argamassa de assentamento de alvenaria. Esse método é interessante
por levar em conta o tipo de componente de alvenaria sobre o qual a argamassa será
aplicada.

4.2 Retração

A retração é resultado de um mecanismo complexo, associado com a variação de


volume da pasta aglomerante e apresenta papel fundamental no desempenho das
argamassas aplicadas, especialmente quanto à estanqueidade e à durabilidade.
A pasta, sobretudo se possui alta relação água/aglomerante, retrai ao perder a
água em excesso de sua composição. Parte dessa retração é conseqüência das reações
químicas de hidratação do cimento, mas a parcela principal é devida à secagem. A
retração inicia no estado fresco e prossegue após o endurecimento do material. Quando
se mistura areia à pasta, ou seja, se prepara uma argamassa, a areia atua como
esqueleto sólido que evita parte das variações volumétricas por secagem e o risco da
fissuração subseqüente (VALDEHITA ROSELLO,1976).
Se a secagem é lenta, a argamassa tem tempo suficiente para atingir uma
resistência à tração necessária para suportar as tensões internas que surgem. Mas
quando o clima está quente, seco e com ventos fortes, acelerando a evaporação, a perda
de água gera fissuras de retração. Efeito semelhante é observado quando a argamassa é
aplicada sobre uma base muito absorvente. No caso de revestimentos, as fissuras de
retração da argamassa são mapeadas (aproximadamente poliédricas), formando ângulos
próximos de 90 graus entre elas. Sabe-se que, quando duas fissuras formam ângulo
muito agudo entre si, pelo menos uma delas não é de retração (JOISEL, 1981). Também
no caso de revestimentos, quanto maior a espessura, maior a retração esperada.
Quando retrai, a argamassa da junta de assentamento de alvenaria pode chegar a
desprender-se da superfície com a qual tenha a menor aderência (geralmente a interface

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da junta com o bloco superior, conforme já discutido no item 3.1), diminuindo a resistência
da parede e constituindo-se em um caminho para a entrada da água da chuva.
A tensão de tração na argamassa oriunda da retração é função direta do seu
módulo de elasticidade, de sorte que argamassas muito ricas em cimento sofrem notável
influência da retração, estando mais sujeitas às tensões de tração que causarão fissuras.
Ainda com relação aos materiais, a granulometria da areia determina o volume de
vazios a ser preenchido pela pasta aglomerante. Quanto mais elevado for esse volume,
maior o teor de pasta necessário, elevando-se o potencial de retração da argamassa. A
Figura 11 ilustra a classificação das areias quanto à distribuição granulométrica,
associando-as com o volume de vazios. O Quadro 11 apresenta resultados experimentais
de medida de retração de argamassas preparadas com diferentes areias.

Contínua Descontínua Uniforme

Vv1 Vv2 Vv3


Volume de vazios: Vv1 < Vv2 < Vv3 Retração: contínua < descontínua< uniforme

Figura 11 – Classificação das areias quanto à distribuição granulométrica e sua influência na


retração plástica.

Quadro 11 – Influência da areia na retração da argamassa (RAGSDALE, RAYNHAM, 1972 apud


CINCOTTO, SILVA, CARASEK, 1995).
Tipo de areia Retração (%)
Areia normalizada (BS 1200) – Média com distribuição contínua 0,04
Fina com distribuição contínua 0,07
Grossa com distribuição descontínua 0,08
Fina com distribuição descontínua 0,11

A retração plástica é influenciada também pelo teor de materiais pulverulentos


(grãos com tamanho inferior a 0,075 mm). De uma forma geral, quanto maior o teor de
finos, maior a retração, principalmente quando os grãos possuem dimensões inferiores a
5 µm (0,005 mm), chamados de argila. Esses finos, de alto poder plastificante, devido à
sua alta superfície específica e à sua natureza, para uma trabalhabilidade adequada,
requerem maior quantidade de água de amassamento, gerando maior retração e
fissuração, o que compromete a durabilidade dos revestimentos. Além disso, por exigirem
mais água, podem interferir no endurecimento da argamassa e levar a uma redução da
resistência mecânica do revestimento, devido à alta relação água/aglomerante. Exceção
ocorre quando os finos são de origem da britagem de calcário, que levam a uma redução
de água, o que resulta em uma menor retração pela secagem da argamassa (Figura 12).

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a) 1,8 b) Retração após 12 semanas


SAIBRO
1,661
Argamassa / teor ε (%)
MICAXISTO 1,611
GRANULITO
de finos
1,6
CALCÁRIO
Referência 0,094
Relação a/c

1,448

1,4 1,357 1,502 Calcário / 40% 0,091


1,328 Granulito / 40% 0,132
Referência 1,205
1,2 Micaxisto / 40% 0,123
1,153
1,185 1,180
1,130 Saibro / 34% 0,182
1,080
1
20 24 30 35 40
Teor de finos (%)

Figura 12 – (a) Gráfico mostrando a relação água/cimento necessária para obtenção de uma
consistência plástica e trabalhável para argamassas de revestimento preparadas com finos de
diferentes naturezas: argila – saibro; silicosos – micaxisto e granulito; e calcário, com um traço de
referência 1:1:6 (cimento:cal:areia, em volume, fazendo as substituições de parte da areia pelos
finos. (b) Valores de retração após 12 semanas de secagem, para as argamassas com teores
máximos de finos. (ANGELIM, ANGELIM, CARASEK, 2003)

Também o teor de água das argamassas influencia na retração, uma vez que ao se
aumentar a quantidade de água o volume proporcional de agregado será reduzido e,
conseqüentemente, o de pasta aumentado, crescendo o risco de fissuração6.
O Quadro 12 apresenta dados de Fiorito (1994), com medida da retração livre em
barras prismáticas, tanto para uma pasta como para uma argamassa. Nesse quadro
pode-se observar que a retração das argamassas é menos da metade da medida na
pasta e, principalmente, que a retração aos sete dias, por secagem ao ar, já é da ordem
de 60% a 80% do seu valor aos 28 dias. Daí vem a recomendação nos procedimentos
para a execução de revestimentos em argamassa, quando estes servirão de base para
outras camadas de argamassa ou revestimentos colados (por exemplo, emboço ou
contrapiso que receberá revestimento cerâmico aplicado com argamassa colante), de se
aguardarem no mínimo 7 dias para a execução das camadas ou serviços subseqüentes,
sendo mais prudente aguardar ao menos 14 dias quando a maior parcela de retração já
ocorreu. Com isso, garante-se a estabilidade dimensional das camadas de argamassa
utilizadas como base. Tal estabilidade é necessária para evitarem-se tensões de retração.

Quadro 12 – Retração de algumas argamassas e uma pasta, aos 7 e 28 dias (adaptado de


FIORITO, 1994).
Material Relação Retração aos 28 Retração aos 7 dias
a/agl. dias (%0) %0 % aos 28 dias
Argamassa 1:0:3 0,47 0,607 0,396 65%
cimento:cal:areia 1:0:5 0,64 0,649 0,379 58%
(volume) 1:3:12 0,88 0,642 0,489 76%
Pasta de cimento 0,30 1,416 1,018 72%

6
Alguns aspectos da fissuração por retração são complementados no texto que consta do CD, sobre
patologia dos revestimentos.

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No Brasil o ensaio utilizado para a avaliação da retração é o método preconizado


pela NBR 8490 (ABNT, 1984), em que se empregam corpos-de-prova prismáticos de
25 mm x 25 mm x 285 mm, sendo medida, então, a retração livre da argamassa. Em nível
de pesquisa, cabe destaque ao trabalho de Bastos (2001), que empregou um método
desenvolvido no Institut National des Sciences Appliquées (INSA), em Toulouse, onde as
condições de ensaio se aproximam mais das condições reais de um revestimento, com
corpos-de-prova em forma de placa, considerando-se o efeito da sucção e da restrição
produzida pelo substrato.

4.3 Aderência
O termo aderência é usado para descrever a resistência e a extensão do contato
entre a argamassa e uma base. A base, ou substrato, geralmente é representada não só
pela alvenaria, a qual pode ser de tijolos ou blocos cerâmicos, blocos de concreto, blocos
de concreto celular autoclavado, blocos sílico-calcários, etc., como também pela estrutura
de concreto moldado in loco. Assim, não se pode falar em aderência de uma argamassa
sem especificar em que material ela está aplicada, pois a aderência é uma propriedade
que depende da interação dos dois materiais.
Didaticamente, pode-se dizer que a aderência deriva da conjunção de três
propriedades da interface argamassa-substrato:
• a resistência de aderência à tração;
• a resistência de aderência ao cisalhamento;
• a extensão de aderência (razão entre a área de contato efetivo e a área total possível
de ser unida).

4.3.1 Mecanismo da ligação argamassa-substrato

A aderência da argamassa endurecida ao substrato é um fenômeno


essencialmente mecânico, devido, basicamente, à penetração da pasta aglomerante ou
da própria argamassa nos poros ou entre as rugosidades da base de aplicação7.
Quando a argamassa no estado plástico entra em contato com a superfície
absorvente do substrato, parte da água de amassamento, que contém em dissolução ou
estado coloidal os componentes do aglomerante, penetra pelos poros e pelas cavidades
do substrato. No interior dos poros, ocorrem fenômenos de precipitação dos produtos de
hidratação do cimento e da cal, e, transcorrido algum tempo, esses precipitados
intracapilares exercem ação de ancoragem da argamassa à base. Por meio de estudos
em nível microestrutural, Carasek (1996), empregando microscópio eletrônico de
varredura, confirmou que a aderência decorre do intertravamento principalmente de
etringita (um dos produtos de hidratação do cimento) no interior dos poros do substrato.
Esse aumento local da concentração de etringita surge quando, ao se misturar o cimento
Portland com água, a gipsita empregada como reguladora de pega do cimento dissolve-
se e libera íons sulfato e cálcio. Esses íons são os primeiros a entrar em solução,
seguidos dos íons aluminato e cálcio provenientes da dissolução do C3A do cimento.
Devido ao efeito de sucção causado pela base porosa, tais íons em solução são
transportados para regiões mais internas do substrato formando no interior dos poros o
trissulfoaluminato de cálcio hidratado, também denominado de etringita. Em virtude do
7
Outra parcela, embora menos significativa, que também contribui para a aderência das argamassas aos
substratos, são as ligações secundárias, do tipo van der Waals (em que as moléculas ou grupo de átomos
são unidos por meio de atrações eletrostáticas relativamente fracas). Assim, seja pela penetração da pasta
e da própria argamassa (fenômenos de nível micro e macroscópico), seja pelas forças secundárias
(fenômeno em nível de ligação atômica), quanto melhor for o contato entre a argamassa e o substrato,
maior será a aderência obtida.

Livro Materiais de Construção Civil 21

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processo mais rápido de dissolução dos íons SO 24 − , AlO −4 , Ca 2+ e de precipitação da


etringita, esse produto preenche prioritariamente os poros capilares, o que explica sua
maior abundância na zona de contato argamassa/substrato e em poros superficiais da
base (ver Figura 13). Com menos espaço para a precipitação, outros produtos de
hidratação do cimento, como o C-S-H, por exemplo, ou mesmo produtos posteriores da
carbonatação da cal como a calcita, aparecem em menor quantidade na região de
interface.

a) b)

Figura 13 – (a) Superfície de um bloco cerâmico após a separação (descolamento) da camada de


argamassa de revestimento, vista em uma lupa estereoscópica (observe-se a pasta aglomerante
remanescente sobre o bloco). (b) Imagem no microscópio eletrônico de varredura obtida pela
ampliação de um ponto da superfície do bloco contendo pasta aglomerante, em que se pode ver a
etringita, principal responsável pelo intertravamento da argamassa ao bloco (SCARTEZINI, 2002).

Tendo em vista os mecanismos de ligação, pode-se concluir que quanto melhor for
o contato entre a argamassa e o substrato maior será a aderência obtida8. Dessa forma, a
aderência está diretamente relacionada com a trabalhabilidade (ou reologia) da
argamassa, com a energia de impacto (processo de execução), além das características
e propriedades dos substratos e de fatores externos. A Figura 14 reúne os principais
fatores que exercem influência na aderência.
Percebe-se que os materiais constituintes das argamassas, tanto a natureza como
as proporções, exercem grande influência na aderência. Assim, na subseção a seguir,
será discutida resumidamente a influência, nessa propriedade, do cimento, da cal, da
areia e de suas proporções na argamassa9. Também relacionados aos materiais, as
características do substrato (porosidade, absorção de água e rugosidade) e o seu preparo
(limpeza e tratamentos superficiais, como o chapisco) influenciarão grandemente essa
propriedade. Por outro lado, aspectos como a mão-de-obra, as técnicas de execução e as
condições climáticas durante a aplicação podem ser também decisivos no desempenho
da aderência. Apesar de muito importantes, esses últimos aspectos citados não serão
discutidos neste capítulo, por se desviarem do escopo proposto10.

8
Antunes (2005) encontrou uma relação inversamente proporcional entre a resistência de aderência e a
taxa de macrodefeitos na interface. O conceito de taxa de macrodefeitos na interface nada mais é do que o
inverso da extensão de aderência.
9
Uma abordagem mais completa sobre a influência desses e de outros materiais constituintes da
argamassa (incluindo aditivos e adições), bem como da influência do substrato, pode ser vista em Carasek,
Cascudo e Scartezini (2001).
10
A esse respeito pode-se sugerir a leitura de algumas referências: (a) sobre influência dos substratos e o
seu preparo – Carasek (1996); Candia (1998), Scartezini (2002), Paes (2004); (b) sobre a energia de
Livro Materiais de Construção Civil 22

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reologia, adesão inicial,


ARGAMASSA retenção de água, etc.

CONDIÇÕES
ADERÊNCIA
CLIMÁTICAS SUBSTRATO

temperatura, Sucção de água,


UR e vento rugosidade,
EXECUÇÃO porosidade, etc.

energia de impacto (aplicação manual / projeção mecanizada;


ergonomia), limpeza e preparo da base, cura, etc.

Figura 14 – Fatores que exercem influência na aderência de argamassas sobre bases porosas.

4.3.2. Influência dos materiais constituintes das argamassas


O tipo e as características físicas do cimento podem influenciar os valores de
aderência. Um dos parâmetros mais significativos na resistência é a finura do cimento:
quanto mais fino o cimento, maior a resistência de aderência obtida, tanto a resistência
final (em idades superiores a 6 meses) quanto, principalmente, as iniciais (3 a 14 dias).
Assim, maiores valores de resistência de aderência são obtidos quando se emprega o
CP V – ARI (alta resistência inicial) em comparação com os demais cimentos Portland. No
entanto, cuidado especial deve ser tomado com o uso dessa informação, pois, justamente
em virtude de sua maior finura, cimentos de alta resistência inicial podem levar à retração
e fissuração do revestimento de modo mais fácil do que com outros cimentos,
considerando-se o mesmo consumo.
A cal, além de ser um material aglomerante, possui, por sua finura, importantes
propriedades plastificantes e de retenção de água. Dessa forma, as argamassas
contendo cal preenchem mais facilmente e de maneira mais completa toda a superfície do
substrato, propiciando maior extensão de aderência. Por sua vez, a durabilidade da
aderência é proporcionada pela habilidade da cal em evitar fissuras e preencher vazios, o
que é conseguido através da reação de carbonatação que se processa ao longo do
tempo. Esse aspecto particular da cal, conhecido como restabelecimento ou
reconstituição autógena, representa uma das vantagens do uso desse aglomerante nas
argamassas de revestimento e assentamento.
Conforme visto no Capítulo 22, as cales podem ser classificadas, segundo a sua
composição química, em cálcica, magnesiana e dolomítica. Alguns estudos indicam a
existência de uma relação direta entre a proporção de hidróxido de magnésio presente na
cal hidratada e a resistência de aderência. Assim, uma argamassa preparada com cal
dolomítica apresenta aderência superior a uma argamassa com mesmo traço preparada
com cal cálcica. Tal fato, em parte, pode ser atribuído à diferença na retenção de água
impacto, processo de aplicação (inclusive projeção mecanizada) e cura – Pereira (2000), Carvalho (2004);
Gonçalves (2004) e Antunes (2005).
Livro Materiais de Construção Civil 23

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das argamassas; a argamassa constituída de cal dolomítica apresenta retenção superior


àquela observada com cal cálcica.
Com relação ao proporcionamento dos materiais, as argamassas com elevado teor
de cimento, em geral, apresentam elevada resistência de aderência, mas podem ser
menos duráveis, uma vez que possuem maior tendência a desenvolver fissuras. Por outro
lado, argamassas contendo cal possuem alta extensão de aderência, tanto em nível
macro como em nível microscópico. Sendo mais plásticas, têm maior capacidade de
“molhar” a superfície e preencher as cavidades do substrato; microscopicamente levam a
uma interface com estrutura mais densa, contínua e com menor incidência de
microfissuras, do que a interface da argamassa somente de cimento. Assim, as
argamassas “ideais” são aquelas que reúnem as qualidades dos dois materiais, ou seja,
são as argamassas mistas de cimento e cal.
Melhorias tanto na extensão como no valor da resistência de aderência podem ser
obtidas pela adição de pequenas porções de cal às argamassas de cimento Portland. O
efeito favorável na aderência propiciado pela adição de pequena quantidade de cal
hidratada ficou comprovado no estudo de Carasek (1996), onde foram comparadas duas
argamassas semelhantes, de traços, em volume, 1:3 (cimento e areia úmida) e 1:0,25:3
(cimento, cal e areia úmida). A segunda argamassa, contendo apenas 6% de cal em
relação à massa dos constituintes secos, resultou, de uma forma geral, em um valor
maior de resistência de aderência à tração quando ela foi aplicada sobre diferentes blocos
de alvenaria. A contribuição da cal foi mais marcante no caso das argamassas aplicadas
sobre blocos de concreto celular autoclavado, onde foram observados aumentos
superiores a 70% nos valores da tensão de aderência. Além da ação aglomerante, a cal
propiciou um acréscimo da capacidade da retenção de água e uma melhoria da
trabalhabilidade, resultando em um ganho na extensão de aderência (comprovado
através de observação de amostras na lupa estereoscópica, ilustrada na Figura 15), o
que, por sua vez, refletiu na resistência da ligação.

a) argamassa b) argamassa

Bloco Bloco

Figura 15 – Fotografias obtidas na lupa estereoscópica com ampliação de 20 vezes;


(a) argamassa 1:3 (cimento e areia, em volume) aplicada sobre bloco cerâmico; (b) argamassa
1:1/4:3 (cimento, cal e areia, em volume) aplicada sobre o mesmo tipo de bloco cerâmico
empregado em (a) (CARASEK, 1996).

A capacidade de aderência é dependente também dos teores e das características


da areia empregada na confecção das argamassas. De uma forma simplista, com o
aumento do teor de areia, há uma redução na resistência de aderência; por outro lado é a
areia, por constituir-se no esqueleto indeformável da massa, que garante a durabilidade
da aderência pela redução da retração.
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Areias muito grossas não produzem argamassas com boa capacidade de aderir
porque prejudicam a sua trabalhabilidade e, conseqüentemente, a sua aplicação ao
substrato, reduzindo a extensão de aderência. No entanto, no campo das areias que
produzem argamassas trabalháveis, uma granulometria mais grossa garante melhores
resultados de resistência de aderência. Exemplificando: em estudo com os traços 1:1:6 e
1:2:9 (cimento, cal e areia, em volume) com duas areias distintas, uma classificada como
fina (MF = 2,32) e a outra como muito fina (MF = 1,75), encontraram-se para as
argamassas com as duas composições, maiores valores de resistência de aderência
quando foi utilizada a areia de partículas maiores (ANGELIM, 2000).
Areias ou composições inertes com altos teores de finos (principalmente partículas
inferiores a 0,075 mm) podem prejudicar a aderência. Nesse caso, podem ser
apresentadas duas hipóteses como explicação. A primeira refere-se ao fato de que,
quando da sucção exercida pelo substrato, os grãos muito finos presentes na areia
podem penetrar no interior de seus poros, tomando o lugar de produtos de hidratação do
cimento que se formariam na interface e produziriam o travamento da argamassa. A
segunda hipótese versa sobre a teoria dos poros ativos do substrato11, segundo a qual
uma areia com grãos muito finos produziria uma argamassa com poros de raio médio
pequeno; argamassas com poros menores do que os poros do substrato dificultam a
sucção da pasta aglomerante, uma vez que o fluxo hidráulico se dá sempre no sentido
dos poros maiores para os menores. Sendo assim, os poros do substrato seriam, em sua
maioria, ineficientes para succionar a pasta aglomerante da argamassa, reduzindo as
chances de produzir boa aderência12. Angelim (2000) estudou o efeito de diversos teores
de finos de diferentes naturezas (silicosos, argilosos e calcários) na composição da
argamassa de revestimento, substituindo parte da areia por agregado com elevado teor
de finos inertes. Ele confirmou as hipóteses anteriores, verificando uma redução da
resistência de aderência à medida que aumentou o teor total de finos das argamassas.
Para obtenção de bons resultados de aderência, a areia deve possuir uma
distribuição granulométrica contínua. De uma forma geral, quanto maior o módulo de
finura das areias, desde que produzam argamassas trabalháveis, maior será a resistência
de aderência obtida.

4.3.3 Medida da resistência de aderência


No caso de revestimentos de argamassa, a aderência assume grande importância,
pois, se ela falhar, podem ocorrer, em casos extremos, danos às vidas humanas pelo
descolamento e pela queda de pedaços de revestimento. Assim, a aderência vem sendo
amplamente estudada no Brasil e no exterior, existindo métodos normalizados para sua
avaliação. No Brasil, a avaliação da resistência de aderência à tração de revestimentos
de argamassa, também designada de resistência ao arrancamento, está prevista na
norma NBR 13528 (ABNT, 1995), com metodologia que permite a avaliação tanto em
laboratório como em obra. O princípio básico do ensaio está resumido no Quadro 13.

11
Maior detalhamento sobre a teoria de poros ativos pode ser vista nos trabalhos de Carasek (1996) e
Carasek, Cascudo, Scartezini (2001).
12
Isso foi comprovado também por PAES (2004) que, empregando sensores de umidade, estudou o fluxo
de água de argamassas aplicadas a blocos cerâmicos e de concreto e obteve como resultado que a
argamassa elaborada com a areia mais fina foi a que apresentou maior resistência interna ao fluxo de água
no sentido argamassa-substrato, principalmente nos primeiros 60 minutos.

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Quadro 13 – Etapas da realização do ensaio de determinação da resistência de aderência


à tração de revestimentos de argamassa, segundo a NBR 13528 (ABNT,1995).

1) Corte do revestimento perpendicularmente


ao seu plano – delimitação do corpo-de-prova
(CP). A norma atual permite o emprego de CPs
circulares (de 5 cm de diâmetro) e quadrados
(de 10 cm de lado).
Importante: garantir o corte de toda a camada
de revestimento, atingindo o substrato.
2) Colagem de um dispositivo para acoplar o
equipamento de tração (pastilha).
Importante: colar a pastilha no centro do CP
delimitado pelo corte para evitar a aplicação do
esforço de tração excêntrico.

3) Acoplamento do equipamento de tração e


execução de esforço de tração até a ruptura.
Obs.: existem vários equipamentos para essa
finalidade.
Importante: verificar a calibração do
equipamento; garantir a correta velocidade de
carregamento e garantir a perfeita
perpendicularidade entre o esforço exercido
pelo equipamento e o revestimento.
4) Cálculo da resistência de aderência. F
Ra = , em MPa
Obs. a NBR 13749 estabelece parâmetros para A
a avaliação desta propriedade (ver Quadro 3). F = carga de ruptura; A = área do CP
5) Análise da superfície de ruptura após o
arrancamento (Figura 16), anotando o
percentual de cada tipo de ruptura.

Os resultados desse ensaio apresentam, geralmente, alta dispersão, resultando em


coeficientes de variação da ordem de 10% a 35%. Isso decorre do fato de que a
resistência de aderência é influenciada por diversos fatores (altamente variáveis), como já
resumidos na Figura 14, além do que a metodologia atual de ensaio é bastante aberta,
permitindo forma e dimensão do CP variadas e o emprego de diversos equipamentos13.
Por outro lado, é importante ressaltar que, no enfoque de ciência dos materiais, está se
falando de materiais cerâmicos frágeis, os quais se caracterizam por apresentarem alta
dispersão de resultados de ruptura. Nesses casos, a resistência à fratura é extremamente
dependente da probabilidade da existência de um defeito que seja capaz de iniciar uma
fissura, como discutido por Antunes (2005).
13
Nesse sentido, o grupo de pesquisadores do NUTEA-UFG, no âmbito do CONSITRA, está
desenvolvendo uma ampla pesquisa experimental em laboratório e obra, além do emprego de modelagem
numérica por elementos finitos (COSTA et al., 2007) visando propor em breve uma revisão da NBR 13528
(ABNT, 1995).

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Figura 16 – Tipos de ruptura no ensaio de resistência de aderência à tração de revestimentos de


argamassa, considerando o revestimento aplicado diretamente ao substrato (sem chapisco).

Um aspecto que deve ser observado quando da realização do teste de


arrancamento é que tão importante quanto os valores de resistência de aderência obtidos
é a análise do tipo de ruptura. Quando a ruptura é do tipo coesiva, ocorrendo no interior
da argamassa ou da base (tipos B e C, da Figura 16), os valores são menos
preocupantes, ao menos que sejam muito baixos. Por outro lado, quando a ruptura é do
tipo adesiva (tipo A), ou seja, ocorre na interface argamassa/substrato, os valores devem
ser mais elevados, pois existe um maior potencial para a patologia. A ruptura do tipo D
significa que a porção mais fraca é a camada superficial do revestimento de argamassa e
quando os valores obtidos são baixos indica resistência superficial inadequada
(pulverulência). A ruptura do tipo E é um defeito de colagem, devendo este ponto de
ensaio ser desprezado.
Outra norma nacional existente para avaliação da resistência de aderência à tração
de argamassas de revestimento é a NBR 15258 (ABNT, 2005). Essa norma apresenta
uma metodologia para avaliação em laboratório, introduzindo o conceito de resistência
potencial de aderência, pois estabelece um substrato padrão para aplicação das
argamassas, além de alguns cuidados adicionais de condições de climatização do
laboratório. Dessa forma, os resultados obtidos devem apresentar uma menor
variabilidade, embora não caracterizem, necessariamente, o desempenho da argamassa
aplicada no sistema construtivo.
A resistência ao cisalhamento de revestimentos de argamassa não é normalizada,
existindo apenas algumas propostas de métodos de ensaio em nível de pesquisa, como
os métodos da RILEM (1982), MR-14 por corte e MR-20 por torção, e, em nível nacional a
proposta de Candia (1998). Todos esses métodos são complexos e de difícil execução,
principalmente em obra.
Apesar da importância dessa propriedade também para as argamassas de
assentamento, ainda não existem métodos normalizados no Brasil para avaliação da
aderência das juntas de argamassa na alvenaria. Nas propostas de teste existentes são
geralmente empregados métodos em que é medido o esforço necessário para separar
duas ou mais unidades de alvenaria ligadas por argamassa. A Figura 17 apresenta
algumas propostas de métodos internacionais existentes para essa finalidade.

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P/ 2 P/ 2 P V

P P

P/ 2 P
P/ 2 V/ 2 V/ 2
Tração Tração Corte
P/ 2 P/ 2
P

P/ 2 P/ 2
Tração por Flexão Tração por arrancamento
Figura 17 – Algumas propostas de métodos existentes para a avaliação da resistência de
aderência de juntas de assentamento.

5. Aspectos da dosagem e do preparo das argamassas


Diferentemente do que ocorre atualmente com o concreto, para o qual existem
vários métodos racionais de dosagem, para as argamassas ainda não se dispõe, no
contexto nacional, de métodos totalmente consagrados e difundidos com essa finalidade.
Nesse sentido, vários esforços vêm sendo empreendidos por grupos de pesquisadores
para suprir esta necessidade. Dentre eles, destacam-se as contribuições de Selmo (1989)
e diversas outras publicações da autora e do grupo de pesquisa do CPqDCC/EPUSP
(Sabbatini, Barros, Helene, dentre outros), além do trabalho de Gomes e Neves (2001),
do CETA-BA (Centro Tecnológico da Argamassa). Por essa razão, ainda é comum, para
o preparo de argamassas de assentamento e revestimento em obra, o emprego de traços
pré-fixados, baseados em normas e documentos elaborados por instituições técnicas; são
as chamadas “receitas de bolo”. Outro aspecto que contribui com esse contexto é o fato
de que, devido à “menor responsabilidade aparente” com esse material, comparado com
o concreto que tem função estrutural, muitas construtoras não querem investir em um
estudo de dosagem em laboratório, razão pela qual não se desenvolveram e
consolidaram muitos métodos de dosagem.
Na visão desta autora, entende-se que esses traços propostos por conceituadas
instituições técnicas nacionais e estrangeiras, conforme apresentado no Quadro 14,
podem servir como um ponto de partida para a dosagem de argamassas adequadas.
Estudos de dosagem ou no mínimo ajustes nos traços pré-fixados são necessários, pois
os materiais constituintes da argamassa diferem muito de uma região para outra,
principalmente a areia (granulometria, teor de finos, natureza mineralógica, etc.), podendo
gerar, quando da adoção direta da proporção preestabelecida, argamassas de
comportamento inadequado.

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Quadro 14 – Traços recomendados por algumas entidades normalizadoras.

Traço em volume
Tipo de argamassa cimento cal areia Referências
Revestimento de paredes interno e de fachada 1 2 9 a 11 NBR 7200
(ABNT, 1982)*
Assentamento Alvenaria em contato com o solo 1 0-1/4 2,25 a 3 x
de alvenaria Alv. sujeita a esforços de flexão 1 1/2 (volumes ASTM C 270
estrutural de
Uso geral, sem contato com solo 1 1
cimento +
Uso restrito, interno/baixa resist. 1 2 cal)
*Norma antiga: a versão atual (1998) não apresenta proposições de traços de argamassa.

Pode-se observar, no quadro, que os traços têm em comum uma relação


aglomerante/areia igual ou próxima de 1:3 (em volume). O traço 1:1:6, por exemplo,
representa uma relação (cimento + cal)/areia igual a 2:6, que corresponde a uma relação
1:3.

5.1 Princípios dos métodos de dosagem


De forma simplificada, o princípio do método de Selmo (1989) é dosar o teor ótimo
de material plastificante (finos provenientes da cal14 ou de uma adição mineral como o
saibro, o filito ou o pó calcário) em argamassas cujas relações
(areia+plastificante)/cimento, parâmetro “E”, sejam preestabelecidas. Tenta-se abranger
relações (areia+plastificante)/cimento desde as mais baixas possíveis (traços mais ricos)
até as mais altas (traços mais pobres). Em cada situação encontra-se a mínima
quantidade de material fino capaz de plastificar a argamassa, além da mínima quantidade
de água necessária para dar a fluidez adequada, garantindo a obtenção de argamassas
trabalháveis. Constroem-se, assim, os gráficos com as curvas de trabalhabilidade, que
relacionam os valores de “E”, nas abscissas, com os “finos plastificantes/cimento” ou
água/cimento, nas ordenadas. Dessas curvas é possível se extraírem os teores mínimos
de plastificante e de água necessários para cada relação (areia+plastificante)/cimento.
Esses teores mudam de acordo com a natureza e as características do material
empregado como plastificante (cal, argila ou fíler calcário), além das características da
areia.
Experimentalmente, a determinação desses teores ótimos de material plastificante
e de água é realizada por meio da “sensibilidade” de um pedreiro experiente e habilitado.
Com as quantidades de areia e cimento previamente pesadas, vai-se adicionando o
material plastificante e a água até que o pedreiro sinta, no manuseio da mistura, que a
argamassa tornou-se plástica, com a trabalhabilidade ideal para ser aplicada. Esse
método, apesar de não ser totalmente quantitativo (usa a intuição do pedreiro), representa
um grande avanço na dosagem das argamassas, saindo do campo do empirismo puro. A
prova de sua validade são as boas correlações, em nível estatístico, que são obtidas
quando da elaboração das curvas de trabalhabilidade, as quais mostram tendências
nitidamente definidas de direta proporcionalidade entre as relações estudadas, como
ilustrado na Figura 18.
14
É importante lembrar, neste momento, que a cal não é apenas um material plastificante para a
argamassa. A cal hidratada é, antes de mais nada, um aglomerante.

Livro Materiais de Construção Civil 29

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1,6 3
(1) y = 0,12x - 0,47 (1) y = 0,19x + 0,079
Relação cal/cimento (kg/kg)

1,4
R2 = 0,9999 2,5 R2 = 1
1,2
Areia1 2

a/c (kg/kg)
1
Areia2
0,8 1,5
0,6
1
0,4
(2) y = 0,12x - 0,12 0,5 Areia1 (2) y = 0,19x + 0,004
0,2
R2 = 0,9995 Areia2 R2 = 0,9986
0 0
4 6 8 10 12 14 4 6 8 10 12 14
E = (areia+cal)/cimento (kg/kg) E (kg/kg)

Figura 18 – Exemplo de gráficos obtidos experimentalmente de determinação do teor de


finos plastificantes necessário (no caso em questão cal hidratada) e da água, para duas areias
diferentes, sendo uma mais fina (1) e a outra mais grossa (2).

Após a obtenção dessas curvas, parte-se para o estudo dessas argamassas


aplicadas, como assentamento de alvenaria ou revestimento. No caso das argamassas
de revestimento, segundo Selmo (1989), preparam-se argamassas com no mínimo três
pontos da curva (diferentes valores de E). Essas são aplicadas em paredes avaliando-se
a fissuração e a resistência de aderência à tração.
Complementarmente ao método exposto, a partir das curvas de trabalhabilidade e
dos diferentes valores de E adotados, sugere-se:
• preparar as três argamassas que serão aplicadas em painéis de no mínimo 2 m2, com
as condições mais próximas possível das existentes na obra (tipo e preparo do substrato,
condições climáticas, equipamentos de mistura e aplicação, etc.);
• avaliar intuitivamente a facilidade de mistura, a trabalhabilidade (exsudação, adesão
inicial, facilidade de aplicação e coesão), além de medir o tempo necessário para
sarrafear e desempenar a argamassa (denominado em obra de tempo para “puxar”);
• após o endurecimento da argamassa, avaliar, preferencialmente aos 28 dias, a
fissuração, a aderência (tanto a resistência, quanto o tipo de ruptura), a resistência e a
textura superficial, a permebilidade/absorção de água15, além do aspecto custo/benefício,
que deve incluir o consumo de materiais, o rendimento da argamassa e o índice de
perdas.
Já o método do CETA-BA, proposto por Gomes e Neves (2001), restringe-se ao
uso de plastificantes à base de argilas e foi desenvolvido especificamente para os
materiais da região de Salvador, os saibros ali denominados de caulim e arenoso16.
Nesse método, os parâmetros básicos de dosagem são:
• teor máximo de finos (< 0,075 mm) do agregado de 7%;
• máxima relação entre adição plastificante (arenoso e caulim) e total de agregado de
35%;
• consumo de cimento especificado em projeto ou conforme a recomendação
apresentada no Quadro 15;
15
Pode ser avaliada pelo método do cachimbo (Almeida Dias e Carasek, 2003).
16
Salienta-se que o caulim e o arenoso são saibros amplamente empregados na região de Salvador e, se
bem dosados, geralmente não apresentam manifestações patológicas.

Livro Materiais de Construção Civil 30

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• características da argamassa no estado fresco: índice de consistência na mesa ABNT


de 260 mm + 10 mm (NBR 13276); teor de ar incorporado entre 8% e 17%, e retenção de
água (NBR 13277) superior a 75%.

Quadro 15 – Faixas de consumo de cimento em kg por m3 de argamassa, propostas no


método do CETA-BA (GOMES, NEVES, 2001).
Aplicação
Tipo de argamassa Interna Externa
Assentamento de blocos 150-180 160-190
Chapisco (sem adição) 380-430 410-470
Emboço 160-180 180-210
Reboco 160-170 170-190
Camada única 160-180 180-210
Base para cerâmica 180-210 190-220
Base para laminado 210-240 ---

A limitação do teor de finos está relacionada com as fissuras. No entanto, nesse


método, com o limite de 7%, porém, nem sempre é possível a obtenção de argamassas
trabalháveis; por isso, o método prevê a introdução de aditivo incorporador de ar. Por
outro lado, o teor de ar incorporado também deve ser limitado, pois favorece ao aumento
da pulverulência e à redução da resistência de aderência.
Cabe destaque que, apesar de o método do CETA-BA ter sido desenvolvido para
plastificantes à base de argilominerais, o grupo de pesquisadores do NUTEA-UFG testou
o emprego do método para dosagem de argamassas com pó calcário como plastificante e
obteve ótimo resultado.
Assim, uma vez determinado o traço em massa da argamassa, com base em
algum método de dosagem, pode-se calcular o consumo de materiais, empregando as
equações apresentadas a seguir.

Traço: 1 : p : q : a/c (em massa) Onde:


p = traço da cal (ou outro plastificante), em
γarg massa
q = traço do agregado, em massa
Cc = a/c = relação água/ cimento
1+ p + q + a (1)
c Cc = consumo de cimento
ou
Cp = consumo de cal
Cq = consumo de areia
1000 − ar γarg = massa específica da argamassa
Cc = ar = teor de ar (%)
1 p q (2)
+ + +a γc = massa específica do cimento
γc γp γq c
γp = massa específica da cal
γq = massa específica do agregado
Cp = Cc.p (3)
Cq = Cc.q (4)

Livro Materiais de Construção Civil 31

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A título de comparação, o Quadro 16 apresenta os consumos médios para aquelas


argamassas convencionais de traços pré-definidos em volume, considerando a areia
úmida e com as relações a/c indicadas.

Quadro 16 – Consumo de cimento aproximado para diferentes traços de argamassa mista.

Traço da argamassa Relação Consumo de cimento


(volume) a/c aproximado (kg/m3)
1:0,25:3 0,7 400
1:0,5:4,5 1,0 300
1:1:6 1,3 220
1:2:9 2,2 150

5.2 Preparo das argamassas

A dosagem em laboratório é feita em massa, e geralmente em obra os materiais


constituintes da argamassa serão medidos em volume17. A esse respeito, a NBR 7200
(ABNT, 1998), norma brasileira de procedimento de execução de revestimentos de
argamassa, prevê que a composição da argamassa deve ser estabelecida pelo projetista
ou construtor, com traço expresso em massa. Cabe ao construtor a conversão do traço
em massa para volume, que pode ser feita empregando a equação apresentada a seguir.

p ⋅δc (Vh / Vo ) ⋅q ⋅δc


1: : (5)
δp δq
onde:
p = traço da cal (ou outro plastificante), em massa
q = traço do agregado, em massa
δc = massa unitária do cimento, em kg/m3
δp = massa unitária da cal, em kg/m3
δq = massa unitária do agregado, em kg/m3

Um aspecto que deve ser observado no preparo das argamassas é o tempo de


mistura. Esse tempo deve ser definido em função do tipo e volume de equipamento
empregado, betoneira ou argamassadeira, e da quantidade de material misturado,
garantindo a perfeita homogeneização da massa. No caso das argamassas que contêm
aditivo incorporador, deve-se observar também o tempo máximo de mistura, pois, em
algumas situações, caso o tempo seja elevado, poderá ocorrer uma incorporação de ar
exagerada, o que pode ser prejudicial para o desempenho da argamassa aplicada,
conforme será discutido no texto sobre patologia dos revestimentos (existente no CD-
ROM, anexo ao livro).

17
O ideal seria que os materiais fossem medidos em massa na obra (empregando balança), pois isso
levaria a uma garantia da composição da argamassa preparada; seriam evitadas as variações introduzidas
pelo efeito do inchamento da areia e da compactação dos materiais ao preencher as padiolas.

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6. Normalização

A seguir, nos Quadros 17 e 18, estão resumidas as normas brasileiras da Associação


Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) relacionadas ao tema deste capítulo, agrupadas
por tipo de argamassa.

Quadro 17 – Normas brasileiras relacionadas com argamassas (alvenaria e revestimentos de


argamassa).

Tipo Número Ano Título


Blocos de concreto celular autoclavado – Execução de alvenaria sem
NBR14956-1 2003 função estrutural – Parte 1: Procedimento com argamassa colante
industrializada
Bloco de concreto celular autoclavado – Execução de alvenaria sem
NBR14956-2 2003
função estrutural – Parte 2 : Procedimento com argamassa convencional
ALVENARIA

Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –


NBR 15259 2005 Determinação da absorção de água por capilaridade e do coeficiente de
capilaridade
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
NBR 15261 2005
Determinação da variação dimensional (retração ou expansão linear)
Argamassas endurecidas para alvenaria estrutural – Retração por
NBR 8490 1984
secagem
Argamassa de assentamento para alvenaria de bloco de concreto –
NBR 9287 1986
Determinação da retenção de água
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
NBR 13276 2005
Preparo da mistura e determinação do índice de consistência
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
NBR 13277 2005
Determinação da retenção de água
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
NBR 13278 2005
Determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado
REVESTIMENTO DE ARGAMASSA

Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –


NBR 13279 2005
Determinação da resistência à tração na flexão e à compressão
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
NBR 13280 2005
Determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido
Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos –
NBR 13281 2005
Requisitos
Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas –
NBR 13528 1995
Determinação da resistência de aderência à tração
Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas –
NBR 13529 1995
Terminologia
Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas –
NBR 13530 1995
Classificação
Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas –
NBR 13749 1996
Especificação
Argamassa para revestimento de paredes e tetos – Determinação da
NBR 15258 2005
resistência potencial de aderência à tração
Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas
NBR 7200 1998
inorgânicas – Procedimento

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Quadro 18 – Normas brasileiras relacionadas com argamassas (revestimento cerâmico e outras).

Tipo Número Ano Título


Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com
NBR 13753 1996
utilização de argamassa colante – Procedimento
Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com
NBR 13754 1996
utilização de argamassa colante – Procedimento
Revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e
NBR 13755 1996
REVESTIMENTO CERÂMICO

com utilização de argamassa colante – Procedimento


Argamassa colante industrializada para assentamento de placas
NBR 14081 2004
cerâmicas – Requisitos
Argamassa colante industrializada para assentamento de placas
NBR 14082 2004 cerâmicas – Execução do substrato-padrão e aplicação de argamassa
para ensaios
Argamassa colante industrializada para assentamento de placas
NBR 14083 2004
cerâmicas – Determinação do tempo em aberto
Argamassa colante industrializada para assentamento de placas
NBR 14084 2004
cerâmicas – Determinação da resistência de aderência à tração
Argamassa colante industrializada para assentamento de placas
NBR 14085 2004
cerâmicas – Determinação do deslizamento
Argamassa colante industrializada para assentamento de placas
NBR 14086 2004
cerâmicas – Determinação da densidade de massa aparente
A. R. - Argamassa à base de cimento Portland para rejuntamento de
NBR 14992 2003
placas cerâmicas – Requisitos e métodos de ensaios
NBR 10908 1990 Aditivos para argamassa e concretos - Ensaios de uniformidade
Concreto fresco – Determinação do teor de ar aprisionado pelo
NBR 11686 1990
método pressométrico – Método de ensaio
Cimento Portland – Determinação da variação dimensional de barras de
NBR 13583 1996
argamassa de cimento Portland expostas à solução de sulfato de sódio
Argamassa e concreto – Determinação da resistência à tração por
NBR 7222 1994
compressão diametral de corpos-de-prova cilíndricos
NBR 9290 1996 Cal hidratada para argamassas – Determinação de retenção de água
Argamassa e concreto – Câmaras úmidas e tanques para cura de
NBR 9479 2006
corpos-de-prova
OUTROS

Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de


NBR 9778 2005
água, indice de vazios e massa específica
Argamassa e concreto endurecidos – Determinação da absorção de
NBR 9779 1995
água por capilaridade
NBR 7215 1991 Cimento Portland – Determinação da resistência à compressão
Concreto e argamassa – Determinação dos tempos de pega por meio de
NBR NM 9 2003
resistência à penetração
Argamassa e concreto – Água para amassamento e cura de argamassa
NM 137 1997
e concreto de cimento Portland
NM 34 1994 Aditivos para argamassa e concreto – Ensaios de uniformidade
Concreto e argamassa – Determinação dos tempos de pega por meio de
NM 9 2002
resistência à penetração

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7. Referências

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revestimentos de argamassa pelo método do cachimbo. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE
TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 5, São Paulo, 2003. Anais. São Paulo, EPUSP/ANTAC,
2003. p. 519-531.
AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM C 780. Standard test method
for preconstruction and construction evaluation of mortar for plain and reinforced unit
masonry. Philadelphy, 1996.
ANGELIM, R. R. Influência da adição de finos calcários, silicosos e argilosos no
comportamento das argamassas de revestimento. Goiânia: UFG, 2000. 272 p. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Civil), Escola de Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás,
Goiânia, 2000.
ANGELIM, R. R.; ANGELIM, S. C. M.; CARASEK, H. Influência da adição de finos calcários,
silicosos e argilosos nas propriedades das argamassas e dos revestimentos. In: SIMPÓSIO
BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 5, São Paulo, 2003. Anais. São Paulo:
EPUSP/ANTAC, 2003. p. 383-398.
ANTUNES, R. P. N. Influência da reologia e da energia de impacto na resistência de
aderência de revestimentos de argamassa. São Paulo: USP, 2005. 154 p. Tese (Doutorado em
Engenharia Civil), Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
BASTOS, P. K. X. Retração e desenvolvimento de propriedades mecânicas de argamassas
mistas de revestimento. São Paulo: USP, 2001. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção
Civil), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
BAUER, E. (Ed.). Revestimentos de argamassa: características e peculiaridades. Brasília: LEM-
UnB/Sinduscon-DF, 2005.
BRITISH STANDARDS INSTITUTION. BS 4551: Methods of testing mortars, screeds and
plasters. London, 1998.
BUILDING RESEARCH STATION. Strength of brickwork, blockwork and concrete walls. BRS
Digest 61 (2nd. Series), Garston, ago. 1965.
CANDIA, M. C. Contribuição ao estudo das técnicas de preparo da base no desempenho
dos revestimentos de argamassa. São Paulo: USP, 1998. Tese (Doutorado em Engenharia de
Construção Civil), Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
CARASEK, H. Aderência de argamassas à base de cimento Portland a substratos porosos:
avaliação dos fatores intervenientes e contribuição ao estudo do mecanismo da ligação.
São Paulo: USP, 1996. 285 p. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção Civil e Urbana),
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
CARASEK, H.; CASCUDO, O.; SCARTEZINI, L. M. Importância dos materiais na aderência dos
revestimentos de argamassa. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS
ARGAMASSAS, 4, São Paulo, 2001. Anais. Brasília: UnB/ANTAC, 2001. p. 43-60.
CARDOSO, F. A.; PILEGGI, R. G.; JOHN, V. M. Caracterização reológica pelo método do
squeeze-flow. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 6,
Florianópolis, 2005. Anais. Florianópolis: UFSC/ANTAC, 2005. p. 121-143.
CARVALHO, A. Avaliação em obra da permeabilidade e absorção de água e da resistência
de aderência de revestimentos de argamassa aplicados em estruturas de concreto armado.
Goiânia: UFG, 2004. 152 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil), Escola de Engenharia
Civil, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2004.

Livro Materiais de Construção Civil 35

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CASCUDO, O.; CARASEK, H.; CARVALHO, A. Controle de argamassas industrializadas em obra


por meio do método de penetração do cone. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS
ARGAMASSAS, 6, Florianópolis, 2005. Anais. Florianópolis: UFSC/ANTAC, 2005, p. 83-94.
CINCOTTO, M. A.; SILVA, M. A.; CARASEK, H. Argamassas de revestimento: características,
propriedades e métodos de ensaio. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 1995.
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ARGAMASSA (CONSITRA). Síntese dos resultados 2005. São Paulo, dez. 2005. (Relatório).
COSTA, E.; CARASEK, H.; ALMEIDA, S.; ARAÚJO, D. L. Modelagem numérica do ensaio de
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FIORITO, A. J. S. I. Manual de argamassas e revestimentos – estudos de procedimentos de
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GOMES, A. O.; NEVES, C. M. M. Proposta de método de dosagem racional de argamassas
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Livro Materiais de Construção Civil 36

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SELMO, S. M. S. Dosagem de argamassas de cimento e cal para revestimento externo de


fachada de edifícios. São Paulo: USP, 1989. 187p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de
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VALDEHITA ROSELLO, M. T. Morteros de cemento para albañilería. Madrid: IETcc, 1976. 55
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8. SUGESTÕES PARA ESTUDO COMPLEMENTAR


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comerciais. São Paulo: USP, 1991. 316 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Construção
Civil), Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1991.
CARNEIRO, A. M. P. Contribuição ao estudo da influência do agregado nas propriedades de
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anexos. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção Civil), Escola Politécnica, Universidade
de São Paulo, 1999.
CEOTTO, L. H.; BANDUK, R. C.; NAKAKURA, E. H. Revestimentos de Argamassa: boas
práticas em projeto, execução e avaliação. Porto Alegre: ANTAC, 2005.
GUIMARÃES, J. E. P.; CINCOTTO, M. A. A cal: nas construções civis e na patologia das
argamassas. São Paulo: Associação Brasileira dos Produtores de Cal, 1985.
MEDEIROS, J. S. Tecnologia e projeto de revestimentos cerâmicos de fachadas de
edifícios. São Paulo: USP, 1999. 458 p. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção Civil e
Urbana), Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 1, Goiânia, 1995. Anais.
Coord. CARASEK, H.; CASCUDO, O. Goiânia: UFG/ANTAC, 1995. 472 p.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 2, Salvador, 1997. Anais.
Coord. GOMES, A. ; NEVES, C. Salvador: UFBA/ANTAC, 1997. 512 p.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 3, Vitória, 1999. Anais. Coord.
TRISTÃO, F. A.; CINCOTTO, M. A. Vitória: UFES/ANTAC, 1999. 804 p. 2v.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 4, Brasília, 2001. Anais.
Coord. BAUER, E.; CINCOTTO, M. A. Brasília: UnB/ANTAC, 2001. 579 p.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 5, São Paulo, 2003. Anais.
Coord. CINCOTTO, M. A.; JOHN, V. M. São Paulo: EPUSP/ANTAC, 2003. 701 p.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 6, Florianópolis, 2005. Anais
[CD-ROM]. Coord. ROMAN, H.; SILVA, D. A.; CINCOTTO, M. A. Florianópolis: UFSC/ANTAC,
2005.
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA DAS ARGAMASSAS, 7, Recife, 2007. Anais [CD-
ROM]. Coord. CARNEIRO, A. M.; CINCOTTO, M. A. Recife: UFSC/ANTAC, 2007.
SELMO, S. M. S. Revestimentos de argamassa de paredes e tetos de edifícios – Projeto,
execução e manutenção. Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP, São Paulo, maio
1996.
SABBATINI, F. H. Argamassas de assentamento para paredes de alvenaria resistente.
Boletim Técnico n.02/86. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1986. p.
26.

Livro Materiais de Construção Civil 37

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