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O COMBINADO NÃO SAI CARO – FINANÇAS E RELACIONAMENTOS

“Quando o dinheiro entra pela porta, o amor pula a janela”. Já ouviu essa
frase? Não é senso comum. A literatura clínica da Psicologia aponta que boa
parte das brigas entre casais advém do assunto finanças. Quando as finanças
não vão bem, é natural que o casal brigue, que ocorram acusações de que um
ou outro não sabe gerenciar as despesas, de não ganhar o suficiente para con-
tribuir com as despesas e de não contribuir para o alcance dos sonhos do casal
ou da família. Quando há harmonia financeira, muitos problemas podem ser
evitados entre os casais.

Cada um dos parceiros tem o seu “DNA Financeiro” e aprendeu a lidar de


forma individual com o dinheiro, sendo influenciado por contextos familiares,
sociais e educacionais diferentes. Cada pessoa tem um perfil financeiro dife-
rente e, ainda, pode estar lutando contra problemas financeiros de diversas
naturezas, possivelmente agravados por constantes crises econômicas, de-
semprego, redução da renda, falta de Educação Financeira, entre outros moti-
vos sociais e pessoais.

Finanças é assunto primordial em qualquer fase do relacionamento,


desde a época do namoro. No começo, pode não ser fácil, porque cada um tem
uma vivência diferente em relação ao dinheiro, cada um tem um histórico de
vida, mas o alinhamento é imprescindível para o sucesso da relação.

Quando estão solteiras, as pessoas gastam seu dinheiro de uma forma,


possuem o seu próprio gerenciamento financeiro, mas, quando estão em
comunhão, vivendo uma vida a dois, buscando um norte comum no futuro, o
assunto finanças deve estar presente. De um namoro sério para a perspectiva
de uma vida a dois em um casamento, é recomendado, inclusive, que se colo-
que no papel para ficar mais claro o diagnóstico atual e as perspectivas em
conjunto do casal.

Muitas pessoas acreditam que falar sobre dinheiro no namoro é trazer


racionalidade para um momento de muita paixão. Mas, acreditem, sem falar
em dinheiro, essa paixão pode ser minada a qualquer tempo! Conversar sobre
finanças, assim como outros assuntos que o casal julgue importante para
conhecer melhor um ao outro, é primordial para o bem-estar e perpetuação da
relação.
É importante conhecer como o outro lida com o dinheiro. Pode-se come-
çar checando qual o nível de conhecimento que o outro tem em relação às
suas finanças pessoais, se o outro recebeu Educação Financeira ou não, como
era a relação dos seus pais com o dinheiro, como o outro organiza suas finan-
ças, se tem ou não planejamento de orçamento doméstico, quais são os
sonhos dele(a) e como ele(a) está planejando conquistá-los, o histórico de
conquistas ou de aprendizados diante de comportamentos disfuncionais em
relação ao dinheiro... À medida que o relacionamento caminha para a serieda-
de, é relevante saber, inclusive, se as contas do outro estão em dia, se há pou-
pança e investimentos, pois tudo isso pode impactar na decisão de uma vida a
dois.

Nos casos dos casais casados, o estilo de gerenciamento financeiro é


fator importante na convivência conjugal. Quatro categorias de gerenciamen-
to do dinheiro são identificadas na literatura: sistema de gerenciamento total
dos gastos, em que todo o ganho salarial é gerenciado por um único cônjuge,
exceto os gastos pessoais do parceiro; sistema de gerenciamento por mesada
ou pensão, em que um dos cônjuges é o principal provedor financeiro; sistema
de gestão compartilhada do dinheiro, em que ambos os cônjuges têm acesso
ao dinheiro e ambos têm um papel ativo na tomada de decisões financeiras e
sistema de gestão independente do dinheiro, em que cada cônjuge tem o con-
trole individual sobre sua renda e compromissos individuais com as despesas
da casa. Independentemente de quem é o provedor financeiro, o dinheiro
está, em muitos casos, associado ao poder, fazendo com que aquele que tem
sua posse sinta-se em posição superior.

Para além das situações de poder, e considerando que as contas, de fato,


se tornam uma constante rotina na vida a dois, trazendo, às vezes, o estresse e
o afastamento da intimidade do casal, destaca-se o sistema de gerenciamento
independente do dinheiro em parceria com o sistema de gestão compartilha-
da, uma vez que é importante que cada pessoa em um casamento mantenha a
sua individualidade, pois cada pessoa tem sua vida, seu trabalho, seus sonhos
e cada um sabe o que tem ou não para pagar, ou ao menos deveria saber, par-
tindo da premissa que, desde o namoro, o assunto dinheiro tenha sido tema de
diálogos e de que o casal tem um planejamento financeiro familiar.
A dinâmica de cada casal é particular, mas estimula-se que cada parceiro
tenha uma conta separada, que tenha sonhos particulares e em comum e que
esses sejam conversados e construídos de forma planejada e com responsabi-
lidades compartilhadas para conquistá-los.

Por fim, é imperioso ressaltar que o casal deve sempre dialogar sobre as
finanças da casa, da família, do casal e evitar a infidelidade financeira, na qual
um parceiro mente para o outro, ou se percebe em um contexto no qual tenha
que omitir, mentir ou alterar informações sobre sua realidade financeira,
receitas, despesas e até seus sonhos. Essas situações exigem reflexão sobre o
contexto da relação, seus antecedentes e as consequências para o relaciona-
mento.

Não esconda do seu parceiro sua realidade financeira, não entre em uma
onda frenética de gastos para agradar ou acompanhar o outro. Não entre em
uma situação de inadimplemento, endividamento ou superendividamento
para agradar o outro e esquecer de si mesmo(a). O acordado não sai caro e
mantêm as relações mais saudáveis e felizes.

Por Meg Gomes