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5ª.

Aula
A Verdade, a Razão e a Lógica

I – Introdução

Há 26 séculos a Filosofia faz parte da história e tem sua própria história.


Quando se diz que ela faz parte da história, significa que a Filosofia
acompanhou as transformações históricas, sociais, econômicas, culturais e
políticas, sempre buscando fornecer ferramentas para compreensão do homem,
da natureza, do mundo e do Universo.
Quando se diz que ela tem sua própria história, significa dizer que suas
respostas e questões se transformam em saber e são aproveitados por outros
pensadores, construindo-se uma história do próprio pensamento.
Ao estudarmos a História da Filosofia, estamos sempre nos deparando
com os conceitos VERDADE, RAZÃO, LÓGICA, MÉDODO, CONHECIMENTO,
CIÊNCIAS...
O que é a VERDADE? O que é a RAZÃO? A LÓGICA? O CONHECIMENTO?...
É isso que vamos estudar em seguida.

II – A VERDADE
1 - Origem da palavra verdade e seu significado
Grego: aletheia - não oculto, não escondido, é o que se manifesta aos
olhos. O verdadeiro é o evidente ou o plenamente visível pela razão.
Latim: veritas - precisão, exatidão de um relato. Diz respeito à
linguagem, a narrativa fiel a um fato.
Hebraico: emunah – confiança
Verdade significa algo que é manifestado, evidente, que traz em si a
precisão e porporciona confiança.
A verdade é fundamental, pois ela é considerada um valor. A verdade dá
um sentido às coisas, aos seres humanos, ao mundo.
Que sentido é esse que a verdade proporciona aos seres humanos e ao
mundo? Por que desejamos tanto a verdade?

2 - De onde surge esse desejo da verdade?


O desejo da verdade aparece muito cedo nos homens, porque os homens
desejam acreditar e confiar no mundo, nas pessoas. Nós precisamos nos sentir
seguros, precisamos de respostas desde crianças.
Existem três estados em relação que a verdade.
A primeira deles é a ignorância. A ignorância é não saber de uma coisa
e não temos consciência que não sabemos. Quando ignoramos, as crenças e
opiniões são úteis e nos satisfazem, não precisamos conhecer a verdade.
Em um segundo momento surge a incerteza, aí já percebemos que não
sabemos, que somos ignorantes, as nossas crenças e opiniões não explicam a
realidade. Não sabemos mais o que fazer, como agir. O desconhecido nos
assusta. É como um quarto escuro. Surge uma enorme insegurança. Perde-se
a confiança, vem a dúvida, a admiração. Queremos saber o que não sabíamos.
A busca da verdade está ligada à insegurança, desilusão, dúvida,
decepção e admiração diante de algo novo, que não se conhece.

3 - Dificuldades para a busca da verdade


Estamos em uma sociedade que diz acreditar na ciência, educação,
informação. No entanto, em nossa sociedade é muito difícil despertar nas
pessoas o desejo de buscar a verdade.
Vários são os motivos que impedem esse desejo:
1º. Muita informação, através dos meios de comunicação. O mundo
parece cheio de informações. Sentimo-nos sábios e cheios de verdade,
segurança e confiança. Recebemos muitas informações e a grande parte delas
não coincidem com a verdade e chegam a ser contraditórias entre si. Não
estamos pensando por nós mesmos. Ouvimos o que decidem que podemos e
devemos ouvir e saber.
2º. A propaganda entorpece as pessoas, cria um mundo de ilusão, mente
e engana sem receber críticas, com a maior classe. A propaganda não vende o
produto pelo que ele é, mas pela falsidade do mundo que representa.
3º. O mundo da política, por meio de suas mentiras e corrupção gera nas
pessoas a sensação que é impossível chegar à verdade.

Todas essas dificuldades podem, de um lado, nos paralisar e confundir.


Mas podem, também, gerar duvidas e insegurança e despertar nas pessoas o
desejo de buscar a verdade. Muitos começam a não acreditar mais nas
aparências, começam a desconfiar, e começam perguntar a querer saber o que
está por trás disso, qual é a verdade.
Há duas maneiras que nos movem em busca a verdade:
A primeira, nasce da decepção, da incerteza e da insegurança. Queremos
confiar e adquirir certezas.
A segunda, nasce da deliberação ou decisão de não aceitar as certezas e
crenças estabelecidas, de encontrar explicações, interpretações e significações
para a realidade que nos cerca, levando s pessoa a adotar uma atitude
filosófica.

4 - A atitude dogmática e a atitude filosófica


Temos uma atitude natural e espontânea diante das coisas do mundo:
acreditamos e percebemos o mundo. Organizamos e construímos esse mundo.
Relacionamo-nos com as pessoas, coisas e fatos. Tomamos o mundo como
pronto e conhecido. Temos uma atitude dogmática e natural diante do
mundo. É uma atitude conservadora, ou seja, queremos conservar o mundo e as
coisas como já são naturalmente. Criamos idéias preconcebidas e rígidas em
defesa desse mundo. São idéias conservadoras. Lutamos para garantir o
conhecido. O conservadorismo se torna maior quando se acredita que as várias
opiniões e crenças têm uma fonte sagrada e são inquestionáveis.
A atitude dogmática ou natural se rompe quando estranhamos essas
coisas que nos pareciam tão familiares. Queremos ir além das respostas
naturais que nos são dadas pelos costumes, senso-comum. Começamos a
duvidar das crenças e opiniões e, então, adotamos a atitude filosófica.

5 - Exemplos de atitude filosófica:


Sócrates andava pelas ruas e praças de Atenas perguntando o que eram
as coisas e as idéias em que acreditavam
Descarte avaliou e analisou todos seus conhecimentos e experiência.
Concluiu que todos os conhecimentos e experiências eram duvidosos e incertos,
a menos que pudesse provar racionalmente que eram dignos de certeza e
confiança. Então, submeteu seus conhecimentos à analise racional e chegou a
uma única verdade:: “Penso, logo existo”. Isso significa que a consciência do
pensamento é considerada como a primeira verdade indubitável que será o
alicerce para todos os conhecimentos futuros. É o pensamento que vai descobrir
a verdade.
Tanto Sócrates como Descartes utilizaram procedimentos diferentes, mas
fizeram uma coisa só: desconfiam das opiniões e crenças estabelecidas em suas
sociedades e também desconfiam de suas próprias opiniões, buscavam a
verdade. Adotaram uma atitude filosófica.

6 - As concepções da verdade e a história


Percebe-se que as diversas noções de verdade mudam ao longo da
história: a cada formação social e a cada mudança interna de conhecimento
surge a exigência de reformular a concepção da verdade.
Ex: Na sociedade antiga – a verdade era a realização superior do espírito
humano, desligada da técnica e do trabalho.
Ex: Na sociedade medieval – a verdade é revelada por Deus e se realiza
no mundo divino.
Ex: No capitalismo, em que há a produção de riqueza, a verdade tem uso
prático, é a ciência, a técnica, o progresso.
Surgem várias concepções da verdade ao longo das transformações
históricas. Essas concepções possuem causas e motivos, correspondem a uma
formação social.
Em meio a todas essas mudanças, algo permanece: a busca pelo
conhecimento verdadeiro.
A verdade se conserva como um valor mais alto, uma aspiração do
pensamento.
A verdade é frágil, não é rígida, podendo ser destruída e substituída.
A verdade é poderosa, pois dá sentido à vida à existência humana.
A verdade é um valor que orienta o homem em sua busca para ser tornar
melhor.

III - A RAZÃO

1 – O que é Razão?
Dissemos que a Filosofia se define como conhecimento racional da
realidade natural e cultural, das coisas e dos seres humanos.
Dissemos que a Filosofia confiou na razão e que, hoje, ela também
desconfia da razão. Mas, até agora, não dissemos o que é a razão, apesar de
ser ela tão antiga quanto a Filosofia.
O que é a razão?
Nós consideramos a razão como a atividade intelectual de conhecimento
da realidade natural, social, psicológica, histórica.
Nós a concebemos segundo o ideal da clareza, da ordenação e do rigor e
precisão dos pensamentos e das palavras.
Nós consideramos a razão como a consciência moral que orienta as
paixões, a vontade e a ética.
Para muitos filósofos, porém, a razão não é apenas a capacidade moral e
intelectual dos seres humanos, mas também uma propriedade ou qualidade
primordial das próprias coisas, existindo na própria realidade. Para esses
filósofos, nossa razão pode conhecer a realidade (Natureza, sociedade, História)
porque ela é racional em si mesma.

2 – Razão objetiva e razão subjetiva


Fala-se em razão objetiva e em razão subjetiva.
A razão objetiva é a afirmação de que o objeto do conhecimento ou a
realidade é racional. A realidade é racional em si mesma.
A razão subjetiva é a afirmação de que o sujeito do conhecimento e da
ação é racional. A razão é uma capacidade intelectual e moral dos seres
humanos.
Para muitos filósofos, a Filosofia é o momento do encontro, do acordo e da
harmonia entre as duas razões ou racionalidades.

3 – O que é a razão?
Desde o começo da Filosofia, a origem da palavra razão fez com que ela
fosse considerada oposta a quatro outras atitudes mentais:
1º. Ao conhecimento ilusório, isto é, ao conhecimento da mera aparência
das coisas que não alcança a realidade ou a verdade delas; para a razão, a
ilusão provém de nossos costumes, de nossos preconceitos, da aceitação
imediata das coisas tais como aparecem e tais como parecem ser. As ilusões
criam as opiniões que variam de pessoa para pessoa e de sociedade para
sociedade. A razão se opõe à mera opinião;
2º. Às emoções, aos sentimentos, às paixões, que são cegas, caóticas,
desordenadas, contrárias umas às outras.
3º. À crença religiosa, em que a verdade nos é dada pela fé numa
revelação divina, não dependendo do trabalho de conhecimento realizado pela
nossa inteligência ou pelo nosso intelecto.
4º. Ao êxtase místico, no qual o espírito mergulha nas profundezas do
divino e participa dele, sem qualquer intervenção do intelecto ou da
inteligência, nem da vontade. Pelo contrário, o êxtase místico exige um estado
de abandono, de rompimento com a atividade intelectual e com a vontade, um
rompimento com o estado consciente, para entregar-se à fruição do abismo
infinito. A razão ou consciência se opõe à inconsciência do êxtase.
A razão, em sua origem, é a capacidade intelectual de pensar e exprimir-
se correta e claramente, de modo a organizar e ordenar a realidade, os seres,
os fatos e as idéias.

4 - Os princípios racionais
O conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais,
que respeitamos até mesmo quando não conhecemos diretamente quais são e
o que são. Nós as respeitamos porque somos seres racionais e porque são
princípios que garantem que a realidade é racional.
Esses princípios possuem validade universal, isto é, onde houver razão
(nos seres humanos e nas coisas, nos fatos e nos acontecimentos), em todo o
tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e empregados por todos
(os humanos) e obedecidos por todos (coisas, fatos, acontecimentos).
Esses princípios são necessários, isto é, são indispensáveis para o
pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os fatos e os
acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira.
Necessário significa: é impossível que não seja dessa maneira e que pudesse
ser de outra.

5 – A história da razão
A idéia de razão que apresentamos até aqui e que constitui o ideal de
racionalidade criado pela sociedade européia ocidental sofreu alguns abalos
profundos desde o início do século XX.
A imprevisibilidade dos seres humanos, a indeterminação da Natureza, a
diversidade das culturas e os acontecimentos sociais e políticos mundiais foram
alguns dos problemas que abalaram a razão, no século XX.
A esse abalo devemos acrescentar dois outros. O primeiro deles foi trazido
por um não-filósofo, Marx, quando introduziu a noção de ideologia; o segundo
também foi trazido por um não-filósofo, Freud, quando introduziu o conceito de
inconsciente.
A noção de ideologia veio mostrar que as teorias e os sistemas filosóficos
ou científicos, aparentemente rigorosos e verdadeiros, escondiam a realidade
social, econômica e política, e que a razão, em lugar de ser a busca e o
conhecimento da verdade, poderia ser um poderoso instrumento de
dissimulação da realidade, a serviço da exploração e da dominação dos homens
sobre seus semelhantes. A razão seria um instrumento da falsificação da
realidade e de produção de ilusões pelas quais uma parte do gênero humano se
deixa oprimir pela outra.
A noção de inconsciente, por sua vez, revelou que a razão é muito
menos poderosa do que a Filosofia imaginava, pois nossa consciência é, em
grande parte, dirigida e controlada por forças profundas e desconhecidas que
permanecem inconscientes e jamais se tornarão plenamente conscientes e
racionais.
Fatos como esses somados à descobertas na física, na lógica, na
antropologia, na história e na psicanálise levaram o filósofo francês Merleau-
Ponty a dizer que uma das tarefas mais importantes da Filosofia contemporânea
deveria ser a de encontrar uma nova idéia da razão, uma razão alargada, na
qual pudessem entrar os princípios da racionalidade definidos por outras
culturas e encontrados pelas descobertas científicas.

6- A atividade racional
A Filosofia distingue duas grandes modalidades da atividade racional,
realizadas pela razão subjetiva (existente no homem): a intuição (ou razão
intuitiva) e o raciocínio (ou razão discursiva).
6.1 - A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma
verdade, de um objeto, de um fato. Nela, de uma só vez, a razão capta todas as
relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. É um ato
intelectual de discernimento e compreensão, como, por exemplo, o momento
em que percebemos, num só lance, um caminho para a solução de um
problema científico, filosófico ou vital.
6.1.1 - A intuição sensível ou empírica é psicológica, isto é,
refere-se aos estados das sensações, lembranças, imagens, sentimentos,
desejos e percepções, são exclusivamente pessoais.
6.1.2 - A intuição intelectual difere da sensível justamente por
sua universalidade e necessidade. A intuição intelectual é o conhecimento
direto e imediato dos princípios da razão (identidade, contradição, terceiro
excluído, razão suficiente), das relações necessárias entre os seres ou entre as
idéias, da verdade de uma idéia ou de um ser.
6.2-A razão discursiva, o raciocínio, se dá pela
dedução, indução e abdução. O raciocínio é o conhecimento que exige provas e
demonstrações e se realiza igualmente por meio de provas e demonstrações
das verdades que estão sendo conhecidas ou investigadas. Não é um ato
intelectual, mas são vários atos intelectuais internamente ligados ou
conectados, formando um processo de conhecimento
6.2.1 - A dedução consiste em partir de uma verdade já conhecida
(seja por intuição, seja por uma demonstração anterior) e que funciona como
um princípio geral ao qual se subordinam todos os casos que serão
demonstrados a partir dela. Em outras palavras, na dedução parte-se de uma
verdade já conhecida para demonstrar que ela se aplica a todos os casos
particulares iguais. Por isso também se diz que a dedução vai do geral ao
particular ou do universal ao individual. O ponto de partida de uma dedução é
ou uma idéia verdadeira ou uma teoria verdadeira.
6.2.2 - A indução realiza um caminho exatamente contrário ao da
dedução. Com a indução, partimos de casos particulares iguais ou semelhantes
e procuramos a lei geral, a definição geral ou a teoria geral que explica e
subordina todos esses casos particulares. A definição ou a teoria são obtidas no
ponto final do percurso. E a razão também oferece um conjunto de regras
precisas para guiar a indução; se tais regras não forem respeitadas, a indução
será considerada falsa.
6.2.3 - A abdução é uma espécie de intuição, mas que não se dá
de uma só vez, indo passo a passo para chegar a uma conclusão. A abdução é a
busca de uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de
signos. O exemplo mais simples oferecido por Peirce para explicar o que seja a
abdução são os contos policiais, o modo como os detetives vão coletando
indícios ou sinais e formando uma teoria para o caso que investigam.
7 - A razão e a história
Em cada época de sua história, a razão cria modelos ou paradigmas
explicativos para os fenômenos ou para os objetos do conhecimento, não
havendo continuidade nem pontos comuns entre eles que permitam compará-
los. Em lugar de um processo linear e contínuo da razão, fala-se na invenção de
formas diferentes de racionalidade, de acordo com critérios que a própria razão
cria para si mesma.
Assim, por exemplo, a teoria da relatividade, elaborada por Einstein, não é
continuação evoluída e melhorada da física clássica, formulada por Galileu e
Newton, mas é outra física, com conceitos, princípios e procedimentos
completamente novos e diferentes. Temos duas físicas diferentes, cada qual
com seu sentido e valor próprio.
A razão grega é diferente da medieval que, por sua vez, é diferente da
renascentista e da moderna. A razão moderna e a iluminista também são
diferentes, assim como a razão de Hegel é diferente da contemporânea.

8 - Por que ainda falamos em razão?


- Se em cada época, por motivos históricos e teóricos determinados, a
razão muda inteiramente, o que queremos dizer quando continuamos
empregando a palavra razão?
Continuamos a falar em razão, apesar de haver muitas e diferentes
“razões”, porque mantemos uma idéia de que a realidade, o mundo
natural e cultural, os seres humanos, suas ações e obras têm sentido e
que esse sentido pode ser conhecido. Esse sentido é o ideal do
conhecimento objetivo que é conservado quando continuamos a falar em razão.
Continuamos a falar em razão, apesar de haver muitas e diferentes
“razões”, porque em cada época, os membros da sociedade e da cultura
ocidentais julgam a validade da própria razão como capaz ou incapaz de
realizar o ideal do conhecimento. Esse julgamento pode ser realizado de duas
maneiras.
A primeira maneira ou o primeiro critério de avaliação da capacidade
racional é o da coerência interna de um pensamento ou de uma teoria. Ou
seja, quando um pensamento ou uma teoria se propõem a oferecer um
conhecimento, simultaneamente também oferecem os princípios, os conceitos e
os procedimentos que sustentam a explicação apresentada. Quando não há
compatibilidade entre a explicação e os princípios, os conceitos e os
procedimentos oferecidos, dizemos que não há coerência e que o pensamento
ou a teoria não são racionais. A razão é, assim, o critério de que dispomos
para a avaliação, o instrumento para julgar a validade de um
pensamento ou de uma teoria, julgando sua coerência ou incoerência
consigo mesmos.
A segunda maneira é diferente da anterior. Agora, pergunta-se se um
pensamento ou uma teoria contribuem ou não para que os seres humanos
conheçam e compreendam as circunstâncias em que vivem, contribuem ou não
para alterar situações que os seres humanos julgam inaceitáveis ou
intoleráveis, contribuem ou não para melhorar as condições em que os seres
humanos vivem. Assim, a razão, além de ser o critério para avaliar os
conhecimentos, é também um instrumento crítico para
compreendermos as circunstâncias em que vivemos, para mudá-las ou
melhorá-las. A razão tem um potencial ativo ou transformador e por
isso continuamos a falar nela e a desejá-la.

9 - Aprendendo com as dificuldades da razão


As crises, as dificuldades e os impasses da razão mostram, assim, o
oposto do dogmatismo. Indicam atitude reflexiva e crítica própria da
racionalidade, destacando a importância fundamental da liberdade de
pensamento para a própria razão e para a Filosofia.

III – LÓGICA

1 - Definição:
A lógica faz parte de nosso cotidiano.
Lógica é sempre usada para dizer algo coerente, sem contradição, óbvio,
conclusão.
A lógica tem cada vez mais ampliada a sua importância em virtude do
desenvolvimento da ciência e da tecnologia.
É um instrumento indispensável em filosofia, matemática, computação,
direito, lingüística, ciências da natureza e tecnologia, robótica, administração
A lógica é um importante instrumento para organizar as idéias de forma
rigorosa, de maneira a não tirarmos conclusões inadequadas a partir dos
enunciados dados.
Ex: Toda estrela brilha com luz própria.
Ora, nenhum planeta brilha com luz própria.
Logo, nenhum planeta é estrela.

EX: Todos os cães são mamíferos


Ora, todos os gatos são mamíferos.
Portanto, todos os gatos são cães.

Para que esse tipo de argumentação não ocorra, é preciso que o filósofo
ou cientista saiba as regras e os princípios que orientam a lógica.
Existem princípios que orientam a lógica, são eles: da não-contradição, da
identidade, do terceiro excluído (falso/verdadeiro) e de razão suficiente.
A lógica é composta pela exposição de proposição, argumento e
conclusão.
Existe a proposição – pode ser verdadeira ou falsa – é uma afirmação. A
proposição é verdadeira se corresponde ao fato que expressa.
Existe a argumentação – pode ser válida ou inválida – é um discurso que
encadeia proposições de maneira a chegar a uma conclusão. A argumentação é
válida quando sua conclusão é uma conseqüência lógica de suas premissas.
A inferência é o processo de pensamento pelo qual, a partir das
proposições, chegamos a uma conclusão. A lógica vai orientar a estrutura da
inferência e vê se ela é válida ou inválida
Definição: lógica é o estudo dos métodos e princípios da argumentação,
que é utilizado como instrumento para organizar o pensamento, o raciocínio.

1º. A história da lógica.


Na Filosofia grega, os sofistas e Platão se preocuparam com a lógica, mas
foi Aristóteles que faz uma analise do pensamento em suas partes integrantes.
Aristóteles formula o instrumento para se proceder corretamente o pensar. Até
o século XIX a lógica aristotélica não passou por mudança essencial, apesar de
ter sofrido críticas.
A lógica aristotélica propõe como forma de raciocínio o silogismo, que
vem a ser o coração da lógica, pois é a teoria da demonstração ou das provas
da qual depende o pensamento científico e filosófico.
A é igual a C.
B é igual C.
Logo, A é igual a C
Foi apenas no Racionalismo, na Idade Moderna que se propôs um novo
método para a Filosofia. A Idade Moderna, em que se prestigia mais a técnica, a
experiência, a observação dos fatos, vai repudiar o silogismo aristotélico que
apenas demonstrava o já sabido.
A lógica aristotélica persiste a mais de dois mil anos e não foi
abandonada. Ela serve de base para as lógicas que a complementam e para as
que lhe são contrárias.
Atualmente a lógica simbólica ou matemática é mais utilizada. Ela foi
elaborada no se XVIII pelo matemático Leibniz. Não difere da lógica aristotélica
em sua essência, mas na medida em que desenvolve uma linguagem técnica
específica, introduz mais rigor e torna-se um instrumento mais eficaz para
análise e dedução formal. Ela vai utilizar símbolos universais que permitem
maior clareza nas demonstrações e provas. São elas: a negação, a conjunção, a
disjunção, a implicação, a equivalência, tautologia.

Questões

1. Por que desejamos tanto a verdade?


2. Por que em nossa sociedade é difícil despertar o desejo da verdade?
3. Compare a atitude dogmática e a atitude filosófica.
4. A concepção de verdade varia ao longo da história. Comente.
5. A razão se opõe a quais atitudes mentais?
6. O que é razão objetiva e razão subjetiva?
7. Cite alguns fatos que abalaram a crença da razão?
8. Quais são as duas modalidades da atividade racional? Defina-as.
9. Por que a razão continua sendo tão importante para todas as ciências e a
Filosofia?
10. Para que serve a lógica?