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TEOLOGIA DE UMBANDA

Desenvolvido por Rubens Saraceni


Ministrado por Alexandre Cumino

Aula Digitada 10 Parte 01


Obs.: este documento é a transcrição fiel do discurso das vídeo-aulas, portanto poderá conter erros gramaticais
mantendo a originalidade da origem.

Aula 10: - Bíblia e Mediunidade.

Olá meus irmãos. Estamos aqui pra nossa décima aula do curso de “Teologia de Umbanda
Sagrada” com todo o gás, com toda a energia, super animados. E vamos falar hoje sobre mediunidade
na Bíblia. Então, junta os irmãos, junta os parentes, chama a tia, chama os amigos evangélicos que a
gente vai falar da Bíblia. E para isso, eu estou aqui com a Bíblia de Jerusalém.
Existem muitas traduções da Bíblia, existe uma pequena diferença da Bíblia Católica e a Bíblia
Evangélica é uma diferença de numeração nos salmos, é quase nada. É, há diferenças de tradução, por
exemplo, no Velho Testamento nos originais se usa muito a palavra “Iavé”, “Elohim”, “Adonai” e,
geralmente numa Bíblia Evangélica só aparece a palavra Deus, em todo o lugar é apenas Deus. É, Deus
no Judaísmo tem vários nomes diferentes. Então, isso tudo é uma base importante pra começar
entender o livro. Então, a Bíblia é um livro sagrado porque é o livro da fé de muitos povos, de muitas
culturas por isso ele é um livro sagrado. Mas, não deixa de ser um livro e como tal ele pode ser
estudado, ele pode ser analisado, ele pode e deve ser avaliado. A gente deve entender como esse livro
foi escrito, em que época foi escrito, em que condição foi escrito, que livro é esse, como se constitui
esse livro. Então, a Bíblia é um livro sagrado, mas é um livro que pode ser analisado. Daí nasce do
conceito ou da ideia de que esse livro não pode ser analisado, que ele deve ser aceito, é, sem nenhum
questionamento. Nasce aquilo que se chama de “fundamentalismo”, aceitar sem questionar. A própria
Bíblia como outros livros tem passagens que se contradizem totalmente. E é importante entender a
Bíblia não é um livro de história. A Bíblia é um livro Teológico, é um livro de fundamentos religiosos, é
um livro de conceito. A Bíblia é um livro doutrinário e é um livro que vem sendo escrito ao longo, no
caso da Bíblia, a gente pode dizer de milênios. Muitas histórias que tem na Bíblia são histórias de outras
culturas, histórias que eram contadas de uma cultura antiga que morre deixa seu legado pra uma outra
cultura. Essa outra cultura absorve o conhecimento daquela outra cultura, seus contos, suas histórias,
suas lendas e sua sabedoria e é assim que deve se olhar pra Bíblia. Ela tem uma, essa a, a Bíblia tem
uma grande divisão, não importa se ela é Evangélica, se ela é Católica estamos falando do mesmo livro
que é composto de: “Novo Testamento” e “Velho Testamento”. Então, o Novo Testamento é aquilo que
surge a partir de Jesus e Velho Testamento é o conhecimento que existia e que existe antes de Jesus.
Então, a gente começa estudando a Bíblia principalmente com essa divisão, separando ela em: Novo e
Velho Testamento. O que é qual a grande diferença entre Novo Testamento e Velho Testamento? Eu
estou fazendo esta introdução porque não adiante você querer pensar em mediunidade na Bíblia, não
adianta querer pensar em nada com relação a Bíblia se você não tem menor ideia do que seja a Bíblia,
do que é este livro, pra que serve esse livro, o que tem, qual o conteúdo dele. Então, no mínimo a
gente tem que entender o conteúdo desse livro, da Bíblia com todo respeito que há de se haver, mas
sem colocá-la como um mito. Como algo que está aqui pra ser estudado, pra ser analisado, então, no
mínimo a gente tem que entender que livro é esse. O Velho Testamento ele é o conhecimento Judaico,
ou seja, Jesus era Judeu. Então, ele nasce num universo Judeu, ele cresce como um Judeu, ele é criado
como um Judeu e ele recebe a sua missão de ensinar como um Judeu. E ali nasce o conceito de “Rabi”,
Rabi é um professor, é alguém que ensina dentro da sua cultura. Jesus era um Rabi dentro do
Judaísmo, alguém que ensinava. Então, o Novo Testamento consiste em quais são os ensinamentos de
Jesus e por mais que se diga que ele não veio contradizer a lei, é lógico que ele contradisse e ele
trouxe ensinamentos diferentes, senão não havia necessidade nenhuma de um Novo Testamento. Então,
a gente tem o Velho Testamento que tem uma visão Teológica de mundo diferente do Novo Testamento
que tem uma outra visão Teológica de mundo. Então, já começa por aí o Velho Testamento é a base do
Judaísmo tanto que, os cinco primeiros livros da Bíblia eles são chamados de “Pentateuco”. Esse
Pentateuco que são esses primeiros cinco livros da Bíblia, eles consistem um livro chamado “Torá”, ou
seja, o Pentateuco é em si a Torá que é o livro sagrado dos Judeus. Então, qualquer Bíblia que você
pegar que tenha um índice você vai encontrar lá: Pentateuco – Gênesis/ Êxodo/ Levítico/ Números e
Deuteronômio são cinco livros que constituem a Torá. A Torá é o livro sagrado do Judaísmo. Toda, todo
o resto dos outros livros do Velho Testamento fazem parte também de um conhecimento, é, do
Judaísmo. Então, se isso é do Judaísmo por que é que está na Bíblia Cristã? Porque isso quer dizer “de
onde viemos”. O Cristianismo nasce do Judaísmo. Jesus é um Judeu com ideias novas, com ideias
revolucionárias, é um revolucionário, é um médium, pode ser visto como um médium, Jesus pode ser
visto como avatar, Jesus pode ser visto como Mestre ascensionados, Jesus pode ser visto e é visto como
os Católicos como a própria encarnação de Deus. Então, a questão aqui é: o que é que esse livro fala?
Sobre Jesus, mas não apenas sobre Jesus. Pra nós aqui o que fala sobre mediunidade.
Então, o Velho Testamento começa em Gênesis e gênesis quer dizer “a origem”, a origem de
todas as coisas, a origem de tudo. Então, primeira coisa a entender essa afirmação, a Bíblia não é um
livro de história e aquilo que acontece em Gênesis no início com Adão e Eva não é um fato histórico.
Adão e Eva são duas figuras míticas. É o mito do princípio feminino e do princípio masculino. Por que
está aqui na Bíblia? Porque não existe outra maneira de contar a origem de tudo de forma religiosa,
senão por meio de mitos e lendas. O importante é: o que é que esses mitos e essas lendas têm a ensinar
para nós. Então, o livro começa com Gênesis, Deus criou o mundo, criou todas as coisas, criou Adão e
Eva e ali surge e ali começa a surgir a ideia do pecado. Então, isso são conceitos Teológicos, são
conceitos doutrinários de como deve se comportar, de como se deve agir, como você deve seguir a sua
vida de acordo com aquela religião: Judaísmo e Cristianismo. E vai seguindo uma sequência, é, de
gerações. Então, vem Adão, Eva, Caim, Abel, Sete e vão surgindo as outras gerações como, por
exemplo: Noé, Enoque. E aqui a gente começa a observar, então, a presença de Deus. No início Deus,
Adão e Eva estava junto de Deus lá no paraíso, então, houve uma cisão.Dessa cisão surge a separação: o
mundo dos homens e do mundo de Deus passa a ser coisas separadas, agora o contato com Deus ele se
dá para pessoas especiais. Quem são essas pessoas especiais? Somos todos nós. Especial é aquele que
ouve o chamado, especial/ escolhido antigamente se falava: “São muitos os chamados, são poucos os
escolhidos”. Hoje, nós dizemos: “Todos são chamados e escolhidos são os que se dedicam”. Então,
todos podem sentir a presença da espiritualidade por meio da mediunidade e a Bíblia mostra bem isso
também. A Bíblia tem passagens fantásticas, é, essa lenda ou esse mito de Adão e Eva é um mito que já
vem de outras culturas como: a cultura Sumeriana, a cultura Babilônia. São histórias que já existiam,
são contos que já existiam. Tanto que, na Bíblia, no Velho Testamento, é, original, na Torá que é
escrita em hebraico, Deus aparece com vários nomes diferentes, então, ele aparece como
Tetragrammaton que são quatro letras: Yod, He, Waw, He. Ele aparece como Elohim, por exemplo. Em
algum momento, é, Deus está falando no plural “nós criamos o homem”, “temos que tomar cuidado
com o homem porque se ele comer o fruto dessa árvore ele vai ser como nós” no plural, então, a ideia
de haver muitos deuses. Isso é um texto que vem literal de uma cultura Sumeriana pra uma cultura
Judaica, aonde o nome de Deus é “El”. El pode ser traduzido de várias maneiras como: “o Supremo”,
“o Altíssimo”, “a Luz”, “o Poderoso”. Agora, “Elohim” é o plural de “El” que aparece na Bíblia o nome
Elohim, aparece na Bíblia o nome Iavé, aparece na Bíblia o nome “An”, “El” e vários outros. Então,
muitos desses nomes são considerados vários nomes para o mesmo Deus, muitos desses nomes são
nomes de divindades locais em outras culturas, que na Bíblia todos são considerados um único e um
mesmo Deus. Então, estou dizendo isso pra gente desmistificar alguma coisa ou algumas coisas.
Antigamente costumava-se dizer que a Bíblia havia sido escrita por Moisés, havia sido escrita por Davi,
havia sido escrita pelos profetas, a Bíblia é um conjunto de crenças de várias culturas. Se a gente pegar
o dilúvio, a história de Noé, que é uma história do dilúvio, é uma história que foi tirada literalmente da
cultura Sumeriana, da história de Marduque. Então, esse dilúvio de Noé é uma história que vem de
outra cultura que foi copiada, foram mudados os nomes e ela surge aqui - é pra gente entender. Então,
logo que essa separação entre Deus e os homens, começam a surgir homens que conversam com Deus,
começam a surgir homens que conversam com Anjos, começam a surgir homens que predizem o futuro,
homens que falam sobre coisas que outros homens não sabem, esses fenômenos são (mediu...), são
fenômenos da mediunidade e isso está presente na Bíblia. Como surge, por exemplo, a história de Noé?
Deus aparece para Noé e pede pra ele construir uma arca porque vai acontecer um dilúvio. Isso só pode
ser mediunidade. Porque Deus não é alguém carnal e aqui Noé está chamando de Deus, ele chama de
Deus. Mas, aquilo que ele diz “Deus apareceu para Noé”, não precisa necessariamente ser Deus em
pessoa - se é que nós entendemos que Deus se mostra como pessoa. Mas, dentro do Judaísmo e isso
estuda também Cabala Hebraica existe um conceito de que quando Deus se manifesta ele faz isso por
meio de um Anjo – um Anjo pode ser um ser imaterial que não nunca passou pela carne ou um Anjo
pode ser alguém que passou pela carne e ascensinou – Então, quando Deus aparece para Noé aquilo
pode ser um Anjo, aquilo pode ser um mentor, poderia ser um Guia espiritual e poderia ser Noé
conversando com o seu Guia espiritual e esse Guia falando em nome de Deus dizendo “Construa uma
arca porque aqui vai acontecer um dilúvio”.
Então, a Bíblia é inteirinha recheada de mediunidade basta a gente conseguir enxergar. Por conta
de um fato, as grandes religiões elas se organizam em instituições e a partir do momento que existe
uma organização, a partir do momento que existe um comando, uma doutrina, um direcionamento,
essas religiões se tornam grandes e que passam a ter um perfil político, essas religiões elas vão castrar
os dons mediúnicos. Porque alguém que tem um contato direto com a espiritualidade, por meio da
mediunidade, esse alguém, esta pessoa não precisa mais de religião. O que eu estou dizendo é: o
médium que tem maturidade, que é desenvolvido, ele não tem necessidade das formalidades de uma
religião. Então, quando esse médium está numa religião como a Umbanda é porque ele quer e não
porque ele precisa e não porque ele tem necessidade. Estou falando daquele médium que já alcançou a
sua maturidade, diferente do médium que está em desenvolvimento, que não sabe lidar com a
mediunidade e que ele depende daquele trabalho, que ele precisa daquele trabalho do ritual de
Umbanda. Por isso é que a gente vê, a gente assiste, a gente ouve histórias de Terreiros aonde o
sacerdote não ensina as coisas para o seu médium, que é pra esse médium continuar dependente dele.
É isso que as grandes religiões faziam, não ensinam, não permitiam a prática nem da magia e nem da
mediunidade que senão essa pessoa tem um contato direto com a espiritualidade e ela pode caminhar
sozinha com seus mentores. Então, a ideia de uma religião que lhe dê autonomia, de uma religião que
lhe dê independência, a ideia é: uma religião que lhe ensine todas as coisas, que lhe permita praticar
magia, que lhe dê liberdade de trabalhar com seu dom mediúnico e na qual você queira fazer parte
dela não com dependência, não com necessidade, a religião deixa de ser uma muleta. Por que você
quer então, fazer parte de uma religião? Porque você quer estar junto daquela comunidade. Porque
você um dia foi beneficiado e agora você quer beneficiar. Porque você tem amor por aquela estrutura,
amor por aquele ritual. Você entende, você não precisa da religião, você pode sozinho ter um contato
com a espiritualidade. Mas, é por meio da religião que você estrutura um ritual, é por meio da religião
que você entra em contato com uma egrégora, é por meio da religião é que você encontra um amor
pela espiritualidade e pela comunidade. Então, a religião ela é uma opção. Então, quando a tem a
mediunidade livre, quando ela não é castrada, a religião ela vem pra libertar e não pra prender. Então,
essa é ideia da religião de Umbanda, lhe permitir trabalhar com tudo isso em liberdade.
Voltamos já, já no próximo bloco falando mais sobre a mediunidade na Bíblia.

DIGITAÇÃO – Equipe Umbanda EAD