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1. INTRODUÇÃO

O trabalho da mulher é notícia desde os tempos antigos. O homem


subjugava a mulher, escravizando-a. A mulher era escravizada pelo marido,
permanecendo na mais perfeita ignorância e deixada à servidão.

Nas sociedades de tribos indígenas brasileiras, o trabalho da mulher era


destinado cuidado da terra, ao trato com os rebanhos, a confecção de utensílios
domésticos, a confecção de roupas, além dos cuidados pertinentes à alimentação,
habitação e criação dos filhos.

Na Grécia, as mulheres que se dedicassem a outra função diferente dos


trabalhos domésticos, e da criação e educação dos filhos, eram desprezadas.

Na antiguidade, na civilização egípcia a mulher dividia com o homem o


trabalho no campo, podendo ser comerciante, ter indústria e exercer a medicina,
assumindo uma posição de relativa igualdade com o homem 1.

O trabalho da mulher na Idade Média, ainda continuou no âmbito do


próprio lar ou em atividades artesanais, prevalecendo à estrutura patriarcal. Ainda
que fosse admitida a trabalhar nas oficinas de artesãos, jamais chegava a mestre.

A Revolução Industrial do século XVIII propiciou um aproveitamento em


larga escala do trabalho feminino virtude da ausência do homem no mercado, fato
ocorrido devido à convocação do mesmo para a guerra.

Mediante ao contexto histórico abordado o direito do trabalho preocupado


com as garantias trabalhistas da mulher, começa a editar convenções e
recomendações sobre o tema.

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BOSSA, Sônia. Direito do Trabalho da Mulher – no contexto social brasileiro e medidas anti discriminatórias
– São Paulo: Editora Oliveira Mendes, 1998.
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A Convenção n.o 3, de 1919, ratificada pelo Brasil, diz respeito ao trabalho


da mulher antes e depois do parto; a Convenção de n.o 4, de 1919, veda o trabalho
da mulher em indústrias, sejam elas públicas ou privadas, salvo se o trabalho for
feito em oficinas de família; a Convenção n.o 41, de 1934, dispõe sobre o trabalho
noturno da mulher, exceto de mulheres que ocupavam cargos diretivos de
responsabilidade, desde que não executassem serviços manuais2.

A declaração Universal de Direitos do Homem, de 10-12-1948, versou


sobre regras de não-discriminação por motivo de sexo. O Pacto Internacional sobre
Direito Econômicos, Sociais e Culturais de 16-12-1966, em seu artigo 3.o, determina
a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

No Brasil a primeira norma que tratou da mulher foi o decreto n.o 21.417-
A, de 17-5-1932 do mandamento legal proibia o trabalho da mulher á noite, das 22
às 5 horas, vedando a remoção de pesos. As Constituições de 1934, 1937, 1946,
1967 versaram sobre os direitos da mulher e por fim a de 988 da proteção do
trabalho da mulher 2.

A legislação trabalhista brasileira contempla uma série de normas que


visam repelir possíveis discriminações nas relações de trabalho. Não obstante, os
dados sociais revelam que determinadas categorias e grupos sociais como os
negros e as mulheres ainda são sistematicamente discriminados.

O levantamento e análise das normas jurídicas de proteção à mulher,


especialmente no que tange ao mercado de trabalho, revelam que estas não são
suficientes para garantir às mulheres igualdade de condições, mas, sim se tem ainda
um longo caminho a percorrer.

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MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 15. ed., revista e ampliada. São Paulo: Atlas, 2008.
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1.1. Delimitação do Tema

Pretende-se por meio deste trabalho, uma pesquisa sobre o trabalho da


mulher a fim de demonstrar a evolução histórica das conquistas jurídicas trabalhistas
do âmbito do trabalho feminino, de modo a descrever as desigualdades,
preconceitos e perspectivas.
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1.2. Problema

Com o desenvolvimento deste trabalho, pretende-se fazer uma análise


estritamente teórica acerca da questão do trabalho da mulher no âmbito jurídico
trabalhista. Para a qual se formula a seguinte indagação: O trabalho da mulher
atualmente é reconhecido e valorizado? A norma de proteção da mulher é um ato de
inserção no mercado ou discriminante?
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1.3. Justificativa

O trabalho da mulher através do campo histórico descreve as mazelas


que foi o começo da inserção da utilização da mão de obra feminina no mercado,
considerada como “ser fragilizado”. Russomano (1990) explica:

“Dois fatores levaram a mulher para a empresa, transformando-a, de dona-


de-casa, em operária e técnica: O primeiro foi à necessidade de
manutenção do lar. A mulher passou a ser colaboradora do marido, do
irmão, do pai ou dos filhos na luta pela conquista de melhores meios de
subsistência, quando não se viu coagida a responder, sozinha, pela
segurança e pelo bem-estar de uma família inteira. O segundo tem ligações
com a história. Ocorreu quando os varões foram convocados para as
frentes de batalha e as indústrias, os campos e as casas comerciais
necessitavam de alguém que substituísse os soldados. Então, voltando à
paz, regressando ao lar os soldados de ontem, ocorreu um fenômeno grave
e curioso. A mulher, pela sua debilidade física, foi considerada trabalhador
de categoria secundária, por isso mal remunerada. Pela má remuneração,
ela se via obrigada a trabalhar além de suas forças. E em decorrência das
necessidades curvava-se às imposições dos empresários. Criava-se um
círculo vicioso, que punha em risco a integridade física e a saúde da
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mulher”

A mulher foi vítima de preconceitos e de humilhações quanto ao seu


desempenho profissional. Sobrecarregada de serviços, sem o mínimo respeito à
dignidade da pessoa, com o decorrer do tempo e com as mudanças no
comportamento social, foram, aos poucos, surgindo legislações com caráter
protecionista. Com isso, o trabalho feminino recebeu uma maior atenção e foi alvo de
muitas teorias cujo teor visava à diminuição gradativa do preconceito e da
discriminação para dar lugar ao respeito e à proteção ao trabalho da mulher.

Neste âmbito, vale destacar a Constituição Federal de 1988 e a CLT,


como legislações que se dedicam, em parte, a assegurar a dignidade e à proteção
ao trabalho da mulher.

De todo o exposto, embora essas legislações busquem, em tese,


resguardar os direitos da mulher no mercado de trabalho, muitas delas, em sua
redação legal, deixam florescer o caráter discriminatório por encarar a mulher como

3
RUSSOMANO, Mozart Victor. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho, 13ª ed. rev. e atual. - Rio de
Janeiro: Ed. Forense, 1990
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um ser frágil que necessite de maiores regalias, o que, por sua vez, acarreta um
efeito contrário ao esperado: acentuação ainda maior do preconceito e da
dificuldade da inserção da mulher no mercado de trabalho.

Por isso, torna-se de extremo valor um estudo mais apurado e detalhado


sobre a situação da mulher no contexto da lei trabalhista, com vistas a averiguar sua
evolução histórica e suas perspectivas.
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2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral

Procura-se realizar com esse estudo, uma abordagem histórica das leis
trabalhistas no âmbito do trabalho feminino.

2.2. Objetivos Específicos

 Analisar a evolução das normas trabalhistas no âmbito do trabalho feminino


historicamente até a atualidade;

 Pesquisar a evolução da proteção do trabalho feminino e suas conquistas;

 Identificar os atos discriminatórios e os preconceitos no trabalho da mulher.


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3. HIPÓTESES

a) O Trabalho da mulher no contexto histórico representa um caminho lento e


gradual diante das conquistadas recebidas no contexto das normas
trabalhistas.

b) A proteção do trabalho da mulher descrita no direito trabalhista recebe de um


lado apoio e reconhecimento e de outro a discriminação e o preconceito.
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4. METODOLOGIA

Tendo em vista o grande número de material publicado a respeito do


assunto, será realizada uma metodologia de revisão bibliográfica por meio de
doutrinas, revistas, artigos e jurisprudências.

Aplicação da metodologia dedutiva que segundo Gil (1999)4 pressupõe


que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo
tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia
de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega a
uma conclusão. Usar o silogismo, construção lógica para, a partir de duas
premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras,
denominada de conclusão

4
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
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5. ESTRUTURA PROVÁVEL DA MONOGRAFIA

INTRODUÇÃO

1. NORMAS TRABALHISTAS

1.1 Histórico das leis trabalhistas

2. PROTEÇÃO DA MULHER

2.1 Origem e Evolução

2.2 Fundamentos de Proteção ao trabalho da mulher

2.3 Contratação do trabalho feminino

2.3.1 Duração do trabalho

2.3.2 Salário

2.3.3 Trabalho noturno

2.3.4 Período de descanso

2.3.5 Trabalhos proibidos

2.3.6 Métodos e locais de trabalho

2.3.7 Proteção à maternidade e amamentação

3. O TRABALHO DA MULHER NO CONTEXTO DAS LEIS


TRABALHISTAS

3.1 Proteção do mercado de trabalho da mão de obra feminina

3.2 A relação da mulher com o mundo do trabalho no contexto de atos


discriminatório e de preconceitos

4. CONCLUSÃO

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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6.CRONOGRAMA

Redação e
ATIVIDADE Seleção do Elaboração do Coleta de Análise dos
Entrega da
PERÍODO tema Tema Dados Dados
Monografia
FEVEREIRO x x
MARÇO x x
ABRIL x x
2010

MAIO x x
JUNHO x
JULHO
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7.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOSSA, Sônia. Direito do Trabalho da Mulher – no contexto social brasileiro e


medidas antidiscriminatórias – São Paulo: Editora Oliveira Mendes, 1998.
FAGUNDES, Leila. Trabalho da mulher – O trabalho feminino na sociedade.
Direito Net, 2003. Disponível em: <
http://www.direitonet.com.br/artigos/x/11/19/1119/ >, acessado em 24 de março de
2010.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas,
1999.
LOPES, Cristiane Maria Salqueiro. Direito do trabalho da mulher: da proteção à
promoção. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/cpa/n26/30398.pdf >, acessado
em 25 de março de 2010.
MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Direito do trabalho. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2001.
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 15. ed., revista e ampliada. São Paulo:
Atlas, 2008.
RIZZATTO, Nunes. Manual da Monografia Jurídica. 6. Ed. Revista e atualizada. São
Paulo: Saraiva, 2008.
RUSSOMANO, Mozart Victor. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho,
13ª ed. rev. e atual. - Rio de Janeiro: Ed. Forense, 1990
VADE MERCUM – Obra coletiva de autoria da Ed. atualizada. São Paulo: Saraiva,
2009.