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A Sociologia é uma das ciências humanas que estuda as

unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento


humano em função do meio e os processos que interligam os
indivíduos em associações, grupos e instituições. Enquanto o
indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia, a
Sociologia tem uma base teórico-metodológica, que serve para
estudar os fenômenos sociais, tentando explicá-los, analisando os
homens em suas relações de interdependência. Compreender as
diferentes sociedades e culturas é um dos objetivos da sociologia.

Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de


sociólogos. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as
relações na família até a organização das grandes empresas, o papel
da política na sociedade ou o comportamento religioso —, a
Sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade,
a diversas outras áreas do saber. Entretanto, o maior interessado na
produção e sistematização do conhecimento sociológico atualmente é
o Estado, normalmente o principal financiador da pesquisa desta
disciplina científica.

Assim como toda ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade


do seu universo de pesquisa. Ainda que esta tarefa não seja
objetivamente alcançável, é tarefa da Sociologia transformar as
malhas da rede com a qual a ela capta a realidade social cada vez
mais estreitas. Por essa razão, o conhecimento sociológico, através
dos seus conceitos, teorias e métodos, pode constituir para as
pessoas um excelente instrumento de compreensão das situações
com que se defrontam na vida cotidiana, das suas múltiplas relações
sociais e, consequentemente, de si mesmas como seres
inevitavelmente sociais.

A Sociologia ocupa-se, ao mesmo tempo, das observações do que é


repetitivo nas relações sociais para daí formular generalizações
teóricas; e também se interessa por eventos únicos sujeitos à
inferência sociológica (como, por exemplo, o surgimento do
capitalismo ou a gênese do Estado Moderno), procurando explicá-los
no seu significado e importância singulares.

A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII, na forma de


resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o mundo
está ficando mais integrado, a experiência de pessoas do mundo é
crescentemente atomizada e dispersada. Sociólogos não só
esperavam entender o que unia os grupos sociais, mas também
desenvolver um "antídoto" para a desintegração social.
Hoje os sociólogos pesquisam macroestruturas inerentes à
organização da sociedade, como raça ou etnicidade, classe e gênero,
além de instituições como a família; processos sociais que
representam divergência, ou desarranjos, nestas estruturas, inclusive
crime e divórcio. E pesquisam os microprocessos como relações
interpessoais.

Sociólogos fazem uso frequente de técnicas quantitativas de pesquisa


social (como a estatística) para descrever padrões generalizados nas
relações sociais. Isto ajuda a desenvolver modelos que possam
entender mudanças sociais e como os indivíduos responderão a essas
mudanças. Em alguns campos de estudo da Sociologia, as técnicas
qualitativas — como entrevistas dirigidas, discussões em grupo e
métodos etnográficos — permitem um melhor entendimento dos
processos sociais de acordo com o objetivo explicativo.

Os cursos de técnicas quantitativas/qualitativas servem,


normalmente, a objetivos explicativos distintos ou dependem da
natureza do objeto explicado por certa pesquisa sociológica: o uso
das técnicas quantitativas é associado às pesquisas macro-
sociológicas; as qualitativas, às pesquisas micro-sociológicas.
Entretanto, o uso de ambas as técnicas de coleta de dados pode ser
complementar, uma vez que os estudos micro-sociológicos podem
estar associados ou ajudarem no melhor entendimento de problemas
macro-sociológicos.

A Sociologia é uma área de interesse muito recente, mas foi a


primeira ciência social a se institucionalizar. Antes, portanto, da
Ciência Política e da Antropologia.

Em que pese o termo Sociologie tenha sido criado por Auguste Comte
(em 1838), que esperava unificar todos os estudos relativos ao
homem — inclusive a História, a Psicologia e a Economia.
Montesquieu também pode ser encarado como um dos fundadores da
Sociologia - talvez como o último pensador clássico ou o primeiro
pensador moderno.

Em Comte, seu esquema sociológico era tipicamente positivista,


(corrente que teve grande força no século XIX), e ele acreditava que
toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas
distintas e que, se a pessoa pudesse compreender este progresso,
poderia prescrever os "remédios" para os problemas de ordem social.

As transformações econômicas, políticas e culturais ocorridas no


século XVIII, como as Revoluções Industrial e Francesa, colocaram em
destaque mudanças significativas da vida em sociedade com relação
a suas formas passadas, baseadas principalmente nas tradições.

A Sociologia surge no século XIX como forma de entender essas


mudanças e explicá-las. No entanto, é necessário frisar, de forma
muito clara, que a Sociologia é datada historicamente e que o seu
surgimento está vinculado à consolidação do capitalismo moderno.

Esta disciplina marca uma mudança na maneira de se pensar a


realidade social, desvinculando-se das preocupações especulativas e
metafísicas e diferenciando-se progressivamente enquanto forma
racional e sistemática de compreensão da mesma.

Assim é que a Revolução Industrial significou, para o pensamento


social, algo mais do que a introdução da máquina a vapor. Ela
representou a racionalização da produção da materialidade da vida
social.

O triunfo da indústria capitalista foi pouco a pouco concentrando as


máquinas, as terras e as ferramentas sob o controle de um grupo
social, convertendo grandes massas camponesas em trabalhadores
industriais. Neste momento, se consolida a sociedade capitalista, que
divide de modo central a sociedade entre burgueses (donos dos
meios de produção) e proletários (possuidores apenas de sua força de
trabalho). Há paralelamente um aumento do funcionalismo do Estado
que representa um aumento da burocratização de suas funções e que
está ligado majoritariamente aos estratos médios da população.

O desaparecimento dos proprietários rurais, dos artesãos


independentes, a imposição de prolongadas horas de trabalho, e etc.,
tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao
modificar radicalmente suas formas tradicionais de vida.

Não demorou para que as manifestações de revolta dos trabalhadores


se iniciassem. Máquinas foram destruídas, atos de sabotagem e
exploração de algumas oficinas, roubos e crimes, evoluindo para a
criação de associações livres, formação de sindicatos e movimentos
revolucionários.

Este fato é importante para o surgimento da Sociologia, pois colocava


a sociedade num plano de análise relevante, como objeto que deveria
ser investigado tanto por seus novos problemas intrínsecos, como por
seu novo protagonismo político já que junto a estas transformações
de ordem econômica pôde-se perceber o papel ativo da sociedade e
seus diversos componentes na produção e reprodução da vida social,
o que se distingue da percepção de que este papel seja privilégio de
um Estado que se sobrepõe ao seu povo.

O surgimento da Sociologia prende-se em parte aos


desenvolvimentos oriundos da Revolução Industrial, pelas novas
condições de existência por ela criada. Mas uma outra circunstância
concorreria também para a sua formação. Trata-se das modificações
que vinham ocorrendo nas formas de pensamento, originada pelo
Iluminismo. As transformações econômicas, que se achavam em
curso no ocidente europeu desde o século XVI, não poderiam deixar
de provocar modificações na forma de conhecer a natureza e a
cultura.

Correntes sociológicas

Porém, a Sociologia não é uma ciência de apenas uma orientação


teórico-metodológica dominante. Ela traz diferentes estudos e
diferentes caminhos para a explicação da realidade social. Assim,
pode-se claramente observar que a Sociologia tem ao menos três
linhas mestras explicativas, fundadas pelos seus autores clássicos,
das quais podem se citar, não necessariamente em ordem de
importância: (1) a positivista-funcionalista, tendo como fundador
Auguste Comte e seu principal expoente clássico em Émile Durkheim,
de fundamentação analítica; (2) a sociologia compreensiva iniciada
por Max Weber, de matriz teórico-metodológica hermenêutico-
compreensiva; e (3) a linha de explicação sociológica dialética,
iniciada por Karl Marx, que mesmo não sendo um sociólogo e sequer
se pretendendo a tal, deu início a uma profícua linha de explicação
sociológica.

Estas três matrizes explicativas, originadas pelos seus três principais


autores clássicos, originaram quase todos os posteriores
desenvolvimentos da Sociologia, levando à sua consolidação como
disciplina acadêmica já no início do século XX. É interessante notar
que a Sociologia não se desenvolve apenas no contexto europeu.
Ainda que seja relativamente mais tardio seu aparecimento nos
Estados Unidos, ele se dá, em grande medida, por motivações
diferentes que as da velha Europa (mas certamente influenciada
pelos europeus, especialmente pela sociologia britânica e positivista
de Herbert Spencer). Nos EUA a Sociologia esteve de certo modo
"engajada" na resolução dos "problemas sociais", algo bem diverso
da perspectiva acadêmica europeia, especialmente a teuto-francesa.
Entre os principais nomes do estágio inicial da sociologia norte-
americana, podem ser citados: William I. Thomas, Robert E. Park,
Martin Bulmer e Roscoe C. Hinkle.
A Sociologia, assim, vai debruçar-se sobre todos os aspectos da vida
social. Desde o funcionamento de estruturas macrossociológicas
como o Estado, a classe social ou longos processos históricos de
transformação social ao comportamento dos indivíduos num nível
micro-sociológico, sem jamais esquecer-se que o homem só pode
existir na sociedade e que esta, inevitavelmente, lhe será uma "jaula"
que o transcenderá e lhe determinará a identidade.

Para compreender o surgimento da sociologia como ciência do século


XIX, é importante perceber que, nesse contexto histórico social, as
ciências teóricas e experimentais desenvolvidas nos séculos XVII,
XVIII e XIX inspiraram os pensadores a analisar as questões sociais,
econômicas, políticas, educacionais, psicológicas, com enfoque
científico.

O sociólogo dentro da organização intervem diretamente sobre os


resultados da empresa, contribuindo com os lucros e resultados da
organização. quando a organização é observada e estudada podem
se verificar as falhas assim alterar seu sistema de funcionamento e
gerar lucro.

A sociologia como ciência da sociedade

Ainda que a Sociologia tenha emergido em grande parte da convicção


de Comte de que ela eventualmente suprimiria todas as outras áreas
do conhecimento científico, hoje ela é mais uma entre as ciências.

Atualmente, ela estuda organizações humanas, instituições sociais e


suas interações sociais, aplicando, mormente o método comparativo.
Esta disciplina tem se concentrado particularmente em organizações
complexas de sociedades industriais.

Ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais, as


explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação
de gabinete, baseada, quando muito, na observação casual de alguns
fatos. Muitos dos teóricos que almejavam conferir à sociologia o
estatuto de ciência buscaram nas ciências naturais as bases de sua
metodologia já mais avançada, e as discussões epistemológicas mais
desenvolvidas. Dessa forma foram empregados métodos estatísticos,
a observação empírica, e um ceticismo metodológico a fim de
extirpar os elementos "incontroláveis" e "dóxicos" recorrentes numa
ciência ainda muito nova e dada a grandes elucubrações. Uma das
primeiras e grandes preocupações para com a sociologia foi eliminar
juízos de valor feitos em seu nome. Diferentemente da ética, que visa
discernir entre bem e mal, a ciência se presta à explicação e à
compreensão dos fenômenos, sejam estes naturais ou sociais.

Como ciência, a Sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios


gerais válidos para todos os ramos de conhecimento científico, apesar
das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com
os fenômenos de natureza e, consequentemente, da abordagem
científica da sociedade. Tais peculiaridades, no entanto, foram e
continuam sendo o foco de muitas discussões, ora tentando
aproximar as ciências, ora afastando-as e, até mesmo, negando às
humanas tal estatuto com base na inviabilidade de qualquer controle
dos dados tipicamente humanos, considerados por muitos,
imprevisíveis e impassíveis de uma análise objetiva.

Comparação com outras ciências sociais

No começo do século XX, sociólogos e antropólogos que conduziam


estudos sobre sociedades não-industrializadas ofereceram
contribuições à Antropologia. Deve ser notado, entretanto, que
mesmo a Antropologia faz pesquisa em sociedades industrializadas; a
diferença entre Sociologia e Antropologia tem mais a ver com os
problemas teóricos colocados e os métodos de pesquisa do que com
os objetos de estudo.

Quanto a Psicologia social, além de se interessar mais pelos


comportamentos do que pelas estruturas sociais, ela se preocupa
também com as motivações exteriores que levam o indivíduo a agir
de uma forma ou de outra. Já o enfoque da Sociologia é na ação dos
grupos, na ação geral.

Já a Economia diferencia-se da Sociologia por estudar apenas um


aspecto das relações sociais, aquele que se refere à produção e troca
de mercadorias. Nesse aspecto, como mostrado por Karl Marx e
outros, a pesquisa em Economia é frequentemente influenciada por
teorias sociológicas.

Por fim, a Filosofia social intenta criar uma teoria ou "teorias" da


sociedade, objetivando explicar as variâncias no comportamento
social em suas ordens moral, estética e histórica. Esforços nesse
sentido são visíveis nas obras de modernos teóricos sociais, reunindo
um arcabouço de conhecimento que entrelaça a filosofia hegeliana,
kantiana, a teoria social de Marx e, ao mesmo tempo, Max Weber,
utilizando-se de os valores morais e políticos do iluminismo liberal
mesclados com os ideais socialistas. À primeira vista, talvez, seja
complexo apreender tal abordagem. Entretanto, as obras de Max
Horkheimer, Theodor Adorno, Jürgen Habermas, entre outros,
representam uma das mais profícuas vertentes da filosofia social,
representada por aquilo que ficou conhecido como Teoria Crítica ou,
como mais popularmente se diz Escola de Frankfurt.

Sociologia da Ordem e Sociologia da Crítica da Ordem

A Sociologia, em vista do tipo de conhecimento que produz, pode


servir a diferentes tipos de interesses.

A produção sociológica pode estar voltada para engendrar uma forma


de conhecimento comprometida com emancipação humana. Ela pode
ser um tipo de conhecimento orientado no sentido de promover um
melhor entendimento dos homens acerca de si mesmos, para
alcançarem maiores patamares de liberdades políticas e de bem-
estar social.

Por outro lado, a Sociologia pode ser orientada como uma 'ciência da
ordem', isto é, seus resultados podem ser utilizados com vistas à
melhoria dos mecanismos de dominação por parte do Estado ou de
grupos minoritários, sejam eles empresas privadas ou Centrais de
Inteligência, à revelia dos interesses e valores da comunidade
democrática com vistas a manter o status quo.

As formas como a Sociologia pode ser uma 'ciência da ordem' são


diversas. Ela pode partir desde a perspectiva do sociólogo individual,
submetendo a produção do conhecimento não ao progresso da
ciência por si ou da sociedade, mas aos seus interesses materiais
imediatos. Há, porém, o meio indireto, no qual o Estado, como
principal ente financiador de pesquisas nas áreas da sociologia
escolhe financiar aquelas pesquisas que lhe renderam algum tipo de
resultado ou orientação estratégica claras: pode ser tanto como
melhor controlar o fluxo de pessoas dentro de um território, como na
orientação de políticas públicas promovidas nem sempre de acordo
com o interesse das maiorias ou no respeito às minorias. Nesse
sentido, o uso do conhecimento sociológico é potencialmente
perigoso, podendo mesmo servir à finalidades antidemocráticas,
autoritárias e arbitrárias.

A evolução da Sociologia como disciplina

A sociologia no mundo foi-se mostrando presente em várias datas


importantes desde as grandes revoluções, desde lá cada vez mais foi
de fundamental participação para a sociedade mundial e também
brasileira.

Desde o início a sociologia vem-se preocupando com a sociedade no


seu interior, isto diz respeito, por exemplo, aos conflitos entre as
classes sociais. Na América Latina, por exemplo, a sociologia sofreu
influencias americanas e europeias, na medida em que as suas
preocupações passam a ser o subdesenvolvimento, ela vai sofrer
influências das teorias marxistas.

No Brasil nas décadas de 20 e 30 a sociologia estava num estudo


sobre a formação da sociedade brasileira, e analisando temas como
abolição da escravatura, êxodos, e estudos sobre índios e negros

Nas décadas seguintes de 40 e 50 a sociologia voltou para as classes


trabalhistas tais como salários e jornadas de trabalho, e também
comunidades rurais. Na década de 60 a sociologia se preocupou com
o processo de industrialização do país, nas questões de reforma
agrária e movimentos sociais na cidade e no campo e a partir de
1964 o trabalho dos sociólogos se voltou para os problemas sócio
políticos e econômicos originados pela tensão de se viver em um país
cuja forma de poder é o regime militar.

Na década de 80 a sociologia finalmente volta a ser disciplina no


ensino médio, e também ocorreu a profissionalização da sociologia.
Além da preocupação com a economia política e mudanças sociais
apropriadas com a instalação da nova república, voltam também em
relação ao estudo da mulher, ao trabalhador rural, e outros assuntos
culminantes.

IsidoreAuguste Marie François Xavier Comte(Montpellier, 19


de janeiro de 1798 — Paris, 5 de setembro de 1857) foi um filósofo francês,
fundador da Sociologia e do Positivismo.

Em 1814, aos 16 anos, com interesse pelas ciências naturais, conjugado às


questões históricas e sociais, ingressou na Escola Politécnica de Paris. No período
de 1817-1824 foi secretário do conde Henri de Saint-Simon, expoente do socialismo
utópico. São dessa época algumas fórmulas fundamentais: "Tudo é relativo, eis o
único princípio absoluto" (1819) e "Todas as concepções humanas passam por três
estádios sucessivos - teológico metafísico e positivo -, com uma velocidade
proporcional à velocidade dos fenômenos correspondentes" (1822) - "lei dos três
estados".Em 1824 rompeu com Saint-Simon ao discordar das idéias deste sobre as
relações entre a ciência e a reorganização da sociedade. Comte estava convicto
que o mestre priorizava auxílio à elite industrial e científica do período com
sacrifício da reforma teórica do conhecimento.Em 1826 sofreu um colapso nervoso
enquanto trabalhava na criação de uma filosofia positiva, supostamente
desencadeado por "problemas conjugais". Recuperado, iniciou a redação de Curso
de filosofia positiva (renomeado para Sistema de filosofia positiva em 1848),
trabalho que lhe tomou doze anos.Em 1842 perdeu o emprego de examinador de
admissão à Escola Politécnica por criticar a corporação universitária francesa.
Começou a ser ajudado por admiradores, como o pensador inglês John Stuart Mill
(1806-1873). No mesmo ano separou-se de Caroline Massin, após 17 anos de
casamento. Em 1845 apaixonou-se por Clotilde de Vaux, que morreria no ano
seguinte por tuberculose. Entre 1851 e 1854 redigiu o Sistema de política positiva,
no qual expôs algumas das principais consequências de sua concepção de mundo
não-teológica e não-metafisica, propondo uma interpretação pura e plenamente
humana para a sociedade e sugerindo soluções para os problemas sociais; no
volume final da obra apresentou as instituições principais de sua Religião da
Humanidade. Em 1856 publicou o primeiro volume de Síntese Subjetiva, projetada
para abarcar quatro volumes, cada um a tratar de questões específicas das
sociedades humanas: lógica, indústria, pedagogia, psicologia. Não pôde concluir a
obra ao falecer, possivelmente de câncer, em 5 de setembro de 1857, em Paris. Sua
última casa, na Rua Monsieur-le-Prince, n. 10, foi posteriormente adquirida por
positivistas e transformada no Museu Casa de Augusto Comte.

A filosofia positiva

A filosofia positiva de Comte nega que a explicação dos fenômenos naturais, assim
como sociais, provenha de um só princípio. A visão positiva dos fatos abandona a
consideração das causas dos fenômenos (Deus ou natureza) e pesquisa suas leis,
vistas como relações abstratas e constantes entre fenômenos
observáveis.Adotando os critérios histórico e sistemático, outras ciências abstratas
antes da Sociologia, segundo Comte, atingiram a positividade: a Matemática, a
Astronomia, a Física, a Química e a Biologia. Assim como nessas ciências, em sua
nova ciência inicialmente chamada de física social e posteriormente Sociologia,
Comte usaria a observação, a experimentação, da comparação e a classificação
como métodos - resumidas na filiação histórica - para a compreensão (isto é, para
conhecimento) da realidade social. Comte afirmou que os fenômenos sociais podem
e devem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, como
obedecendo a leis gerais; entretanto, sempre insistiu e argumentou que isso não
equivale a reduzir os fenômenos sociais a outros fenômenos naturais (isso seria
cometer o erro teórico e epistemológico do materialismo): a fundação da Sociologia
implica que os fenômenos sociais são um tipo específico de realidade teórica e que
devem ser explicados em termos sociais.Em 1852 Comte instituiu uma sétima
ciência, a Moral, cujo âmbito de pesquisa é a constituição psicológica do indivíduo e
suas interações sociais.Pode-se dizer que o conhecimento positivo busca "ver para
prever, a fim de prover" - ou seja: conhecer a realidade para saber o que
acontecerá a partir de nossas ações, para que o ser humano possa melhorar sua
realidade. Dessa forma, a previsão científica caracteriza o pensamento positivo. O
espírito positivo, segundo Comte, tem a ciência como investigação do real. No
social e no político, o espírito positivo passaria o poder espiritual para o controle dos
"filósofos positivos", cujo poder é, nos termos comtianos, exclusivamente baseado
nas opiniões e no aconselhamento, constituindo a sociedade civil e afastando-se a
ação política prática desse poder espiritual - o que afasta o risco de tecnocracia
(chamada, nos termos comtianos, de "pedantocracia").O método positivo, em
termos gerais, caracteriza-se pela observação. Entretanto, deve-se perceber que
cada ciência, ou melhor, cada tipo de fenômeno tem suas particularidades, de
modo que o método específico de observação para cada fenômeno será diferente.
Além disso, a observação conjuga-se com a imaginação: ambas fazem parte da
compreensão da realidade e são igualmente importantes, mas a relação entre
ambas muda quando se passa da teologia para a positividade. Assim, para Comte,
não é possível fazer ciência (ou arte, ou ações práticas, ou até mesmo amar!) sem a
imaginação, isto é, sem uma ativa participação da subjetividade individual e por
assim dizer coletiva: o importante é que essa subjetividade seja a todo instante
confrontada com a realidade, isto é, com a objetividade.Dessa forma, para Comte
há um método geral para a ciência (observação subordinando a imaginação), mas
não um método único para todas as ciências; além disso, a compreensão da
realidade lida sempre com uma relação contínua entre o abstrato e o concreto,
entre o objetivo e o subjetivo. As conclusões epistemológicas a que Comte chega,
segundo ele, só são possíveis com o estudo da Humanidade como um todo, o que
implica a fundação da Sociologia, que, para ele, é necessariamente histórica. Além
da realidade, outros princípios caracterizam o Positivismo: o relativismo, o espírito
de conjunto (hoje em dia também chamado de "holismo") e a preocupação com o
bem público (coletivo e individual). Na verdade, na obra "Apelo aos conservadores",
Comte apresenta sete definições para o termo "positivo": real, útil, certo, preciso,
relativo, orgânico e simpático.

"A gênese do Positivismo ocorreu no século XIX, num momento de transformações


sociais e econômicas, políticas e ideológicas, tecnológicas e científicas profundas
decorrentes da consolidação do capitalismo, enquanto modo de produção, através
da propagação das atividades industriais na Europa e outras regiões do mundo.
Portanto, o “século de Comte” e sua amada França mergulharam de corpo e alma,
numa “deusa” chamada razão, colocando sua fé numa “Nova Religião”,
caracterizada pela junção entre a ciência e a tecnologia, tidas como a panacéia da
humanidade, no contexto da expansão, pelo Globo, do Capitalismo Industrial."
(VALENTIM 2010)

A lei dos três estados

O alicerce fundamental da obra comtiana é, indiscutivelmente, a "Lei dos Três


Estados", tendo como precursores nessa idéia seminal os pensadores Condorcet e,
antes dele, Turgot. Segundo o marquês de Condorcet, a humanidade avança de
uma época bárbara e mística para outra civilizada e esclarecida, em
melhoramentos contínuos e, em princípio, infindáveis - sendo essa marcha o que
explicaria a marcha da história. A partir da percepção do progresso humano, Comte
formulou a Lei dos Três Estados. Observando a evolução das concepções
intelectuais da humanidade, Comte percebeu que essa evolução passa por três
estados teóricos diferentes: o estado 'teológico' ou 'fictício', o estado 'metafísico' ou
'abstrato' e o estado 'científico' ou 'positivo', em que:

* No primeiro, os fatos observados são explicados pelo sobrenatural, por entidades


cuja vontade arbitrária comanda a realidade. Assim, busca-se o absoluto e as
causas primeiras e finais ("de onde vim? Para onde vou?"). A fase teológica tem
várias subfases: o fetichismo, o politeísmo, o monoteísmo.

* No segundo, já se passa a pesquisar diretamente a realidade, mas ainda há a


presença do sobrenatural, de modo que a metafísica é uma transição entre a
teologia e a positividade. O que a caracteriza são as abstrações personificadas, de
caráter ainda absoluto: "a Natureza", "o éter", "o Povo", "o Capital".

* No terceiro, ocorre o apogeu do que os dois anteriores prepararam


progressivamente. Neste, os fatos são explicados segundo leis gerais abstratas, de
ordem inteiramente positiva, em que se deixa de lado o absoluto (que é inacessível)
e busca-se o relativo. A par disso, atividade pacífica e industrial torna-se
preponderante, com as diversas nações colaborando entre si. É importante notar
que cada um desses estágios representa fases necessárias da evolução humana,
em que a forma de compreender a realidade conjuga-se com a estrutura social de
cada sociedade e contribuindo para o desenvolvimento do ser humano e de cada
sociedade. Dessa forma, cada uma dessas fases tem suas abstrações, suas
observações e sua imaginação; o que muda é a forma como cada um desses
elementos conjuga-se com os demais. Da mesma forma, como cada um dos
estágios é uma forma totalizante de compreender o ser humano e a realidade, cada
uma delas consiste em uma forma de filosofar, isto é, todas elas engendram
filosofias. Como é possível perceber, há uma profunda discussão ao mesmo tempo
sociológica, filosófica e epistemológica subjacente à lei dos três estados - discussão
que não é possível resumir no curto espaço deste artigo.

A Religião da Humanidade

Os anseios de reforma intelectual e social de Comte desenvolveram-se por meio de


sua Religião da Humanidade. Para Comte, "religião" e "teologia" não são termos
sinônimos: a religião refere-se ao estado de unidade humana (psicológica, espiritual
e social), enquanto a teologia refere-se à crença em entidades sobrenaturais.
Considerando o caráter histórico e a necessidade de unidade do ser humano, a
Religião da Humanidade incorpora nela a teologia e a metafísica - respeitando,
reconhecendo e celebrando o papel histórico desempenhado por esses estágios
provisórios, absorvendo o que eles têm de positivo (isto é, de real e de útil). A
Religião da Humanidade encontrou em Pierre Laffitte seu principal dirigente na
França após a morte de Comte, especialmente na III República francesa. No Brasil, o
Positivismo religioso encontrou grande aceitação no século XIX; embora com menor
intensidade no século XX, o Positivismo religioso brasileiro teve grande importância:
por exemplo, durante a campanha "O petróleo é nosso!", cujo vice-Presidente era o
positivista Alfredo de Moraes Filho, e durante o processo de impeachment do ex-
Presidente Fernando Collor de Mello, em que o Centro Positivista do Paraná também
solicitou, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil e Associação Brasileira de
Imprensa, o afastamento do Presidente da República. A Igreja Positivista do Brasil,
fundada por Miguel Lemos e Teixeira Mendes em 1881, em cujos quadros estiveram
Benjamin Constant Botelho de Magalhães, o Marechal Rondon e o diplomata Paulo
Carneiro, continua ativa no Rio de Janeiro.

OBRAS

* Opúsculos de Filosofia Social (1816-1828) (republicados em conjunto, em 1854,


como apêndice ao volume IV do Sistema de política positiva)

* Curso de filosofia positiva, em 6 volumes (1830-1842) (em 1848 foi renomeado


para Sistema de filosofia positiva)

* Discurso sobre o espírito positivo (1848)

* Discurso sobre o conjunto do Positivismo (1851) (Introdução geral ao Sistema


de política positiva)

* Sistema de política positiva, em 4 volumes (1851-1854)

* Catecismo positivista (1852)


* Apelo aos conservadores (1855)

* Síntese subjetiva (1856)

* Correspondência, em 8 volumes (1816-1857)

Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858 — Paris, 15 de novembro


de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna. Durkheim foi o
fundador da escola francesa de sociologia, posterior a Marx, que combinava a
pesquisa empírica com a teoria sociológica. É amplamente reconhecido como um
dos melhores teóricos do conceito da coesão social. Partindo da afirmação de que
"os fatos sociais devem ser tratados como coisas", forneceu uma definição do
normal e do patológico aplicada a cada sociedade, em que o normal seria aquilo
que é ao mesmo tempo obrigatório para o indivíduo e superior a ele, o que significa
que a sociedade e a consciência coletiva são entidades morais, antes mesmo de
terem uma existência tangível. Essa preponderância da sociedade sobre o indivíduo
deve permitir a realização desse, desde que consiga integrar-se a essa estrutura.
Para que reine certo consenso nessa sociedade, deve-se favorecer o aparecimento
de uma solidariedade entre seus membros. Uma vez que a solidariedade varia
segundo o grau de modernidade da sociedade, a norma moral tende a tornar-se
norma jurídica, pois é preciso definir, numa sociedade moderna, regras de
cooperação e troca de serviços entre os que participam do trabalho coletivo
(preponderância progressiva da solidariedade orgânica). A sociologia fortaleceu-se
graças a Durkheim e seus seguidores. Suas principais obras são: Da divisão do
trabalho social (1893); Regras do método sociológico (1895); O suicídio (1897); As
formas elementares de vida religiosa (1912). Fundou também a revista
L'AnnéeSociologique, que afirmou a preeminência durkheimiana no mundo inteiro.

Émile Durkheim nasceu em Épinal, na Alsácia no dia 15 de abril de 1858.


Descendente de uma família judia. Iniciou seus estudos filosóficos na Escola Normal
Superior de Paris, indo depois para Alemanha. Ainda moço decidiu não seguir o
caminho dos familiares levando, pelo contrário, uma vida bastante secular. Em sua
obra, por exemplo, explicava os fenômenos religiosos a partir de fatores sociais e
não divinos. Tal fato não o afastou, no entanto, da comunidade judaica. Muitos de
seus colaboradores, entre eles seu sobrinho Marcel Mauss formaram um grupo que
ficou conhecido como escola sociológica francesa. Entrou na
ÉcoleNormaleSupérieure em 1879 juntamente com Jean Jaurès e Henri Bergson.
Durante estes estudos teve contatos com as obras de Augusto Comte e Herbert
Spencer que o influenciaram significativamente na tentativa de buscar a
cientificidade no estudo das humanidades. Suas principais obras são: Da divisão do
trabalho social, As regras do método sociológico, O suicídio, Formas elementares da
vida religiosa, Educação e sociologia, Sociologia e filosofia.

Durkheim formou-se em Filosofia, porém sua obra inteira é dedicada à Sociologia.


Seu principal trabalho é na reflexão e no reconhecimento da existência de uma
"Consciência Coletiva". Ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal
selvagem que só se tornou Humano porque se tornou sociável, ou seja, foi capaz de
aprender hábitos e costumes característicos de seu grupo social para poder
conviver no meio deste.

A este processo de aprendizagem, Durkheim chamou de "Socialização", a


consciência coletiva seria então formada durante a nossa socialização e seria
composta por tudo aquilo que habita nossas mentes e que serve para nos orientar
como devemos ser, sentir e nos comportar. E esse "tudo" ele chamou de "Fatos
Sociais", e disse que esses eram os verdadeiros objetos de estudo da Sociologia.

Nem tudo que uma pessoa faz é um fato social, para ser um fato social tem de
atender a três características: generalidade, exterioridade e coercitividade. Isto é, o
que as pessoas sentem, pensam ou fazem independente de suas vontades
individuais, é um comportamento estabelecido pela sociedade. Não é algo que seja
imposto especificamente a alguém, é algo que já estava lá antes e que continua
depois e que não dá margem a escolhas.

O mérito de Durkheim aumenta ainda mais quando publica seu livro "As regras do
método sociológico", onde define uma metodologia de estudo, que embora sendo
em boa parte extraída das ciências naturais, dá seriedade à nova ciência. Era
necessário revelar as leis que regem o comportamento social, ou seja, o que
comanda os fatos sociais.

Em seus estudos, os quais serviram de pontos expiatórios para os inícios de


debates contra Gabriel Tarde (o que perdurou praticamente até o fim de sua
carreira), ele concluiu que os fatos sociais atingem toda a sociedade, o que só é
possível se admitirmos que a sociedade é um todo integrado. Se tudo na sociedade
está interligado, qualquer alteração afeta toda a sociedade, o que quer dizer que se
algo não vai bem em algum setor da sociedade, toda ela sentirá o efeito. Partindo
deste raciocínio ele desenvolve dois dos seus principais conceitos: Instituição social
e Anomia.

A instituição social é um mecanismo de proteção da sociedade, é o conjunto de


regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, aceitos e
sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização
do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam. As
instituições são, portanto, conservadoras por essência, quer seja família, escola,
governo, polícia ou qualquer outra, elas agem fazendo força contra as mudanças,
pela manutenção da ordem. Durkheim deixa bem claro em sua obra o quanto
acredita que essas instituições são valorosas e parte em sua defesa, o que o deixou
com uma certa reputação de conservador, que durante muitos anos causou
antipatia a sua obra. Mas Durkheim não pode ser meramente tachado de
conservador, sua defesa das instituições se baseia num ponto fundamental, o ser
humano necessita se sentir seguro, protegido e respaldado. Uma sociedade sem
regras claras (num conceito do próprio Durkheim, "em estado de anomia"), sem
valores, sem limites leva o ser humano ao desespero. Preocupado com esse
desespero, Durkheim se dedicou ao estudo da criminalidade, do suicídio e da
religião. O homem que inovou construindo uma nova ciência inovava novamente se
preocupando com fatores psicológicos, antes da existência da Psicologia. Seus
estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da obra de outro grande
homem: Freud. Basta uma rápida observação do contexto histórico do século XIX,
para se perceber que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas, havia
muito questionamento, valores tradicionais eram rompidos e novos surgiam, muita
gente vivendo em condições miseráveis, desempregados, doentes e
marginalizados. Ora, numa sociedade integrada essa gente não podia ser ignorada,
de uma forma ou de outra, toda a sociedade estava ou iria sofrer as consequências.
Aos problemas que ele observou, ele considerou como patologia social, e chamou
aquela sociedade doente de "Anomana". A anomia era a grande inimiga da
sociedade, algo que devia ser vencido, e a sociologia era o meio para isso. O papel
do sociólogo seria, portanto, estudar, entender e ajudar a sociedade. Na tentativa
de "curar" a sociedade da anomia, Durkheim escreve "Da divisão do trabalho
social", onde ele descreve a necessidade de se estabelecer uma solidariedade
orgânica entre os membros da sociedade. A solução estaria em, seguindo o
exemplo de um organismo biológico, onde cada órgão tem uma função e depende
dos outros para sobreviver, se cada membro da sociedade exercer uma função na
divisão do trabalho, ele será obrigado através de um sistema de direitos e deveres,
e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros. O
importante para ele é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo, que
realmente precise da sociedade de forma orgânica, interiorizada e não meramente
mecânica. Émile Durkheim morreu em 15 de novembro de 1917 em Paris.

Obras

* Da divisão do trabalho social, 1893;

* Regras do método sociológico, 1895;

* A Lei do Come e Mata, 1896;

* As coisas do nosso mundo atual, 1896;

* O homem, 1897;

* Sociedade e trabalho, 1907;

* O que fomos nós nas nossas vidas antepassadas?, 1910;

* As formas elementares de vida religiosa, 1912;

POSITIVISMO

Positivismo é um conceito utópico que possui distintos significados, englobando


tanto perspectivas filosóficas e científicas do século XIX quanto outras do século XX.
Desde o seu início, com Augusto Comte (1798-1857) na primeira metade do século
XIX, até o presente século XXI, o sentido da palavra mudou radicalmente,
incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si.
Nesse sentido, há correntes de outras disciplinas que se consideram "positivistas"
sem guardar nenhuma relação com a obra de Comte. Exemplos paradigmáticos
disso são o Positivismo Jurídico, do austríaco Hans Kelsen, e o Positivismo Lógico (ou
Círculo de Viena), de Rudolph Carnap, Otto Neurath e seus associados.

Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu


como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim
da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram
como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele
propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando
radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da
história). Assim, o Positivismo associa uma interpretação das ciências e uma
classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na
segunda fase da carreira de Comte.

O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos


fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, através da promoção do
primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados
concretos (positivos) a verdadeira ciência(na concepção positivista), sem qualquer
atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação,
tomando como base apenas o mundo físico ou material. O Positivismo nega à
ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e
sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a
descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos
observáveis). Em sua obra Apelo aos conservadores (1855), Comte definiu a palavra
"positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e
simpático.

O Positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de


conhecimento verdadeiro. Assim sendo, desconsideram-se todas as outras formas
do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Tudo
aquilo que não puder ser provado pela ciência é considerado como pertencente ao
domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs superstições. Para
os Positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos
avanços científicos, único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra
no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo além-túmulo.

O Positivismo é uma reação radical ao Transcendentalismo idealista alemão e ao


Romantismo, no qual os afetos das individuais e coletivos e a subjetividade são
completamente ignoradas, limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao
conhecimento aos fatos observáveis. Substitui-se a Teologia e a Metafísica pelo
Culto à Ciência, o Mundo Espiritual pelo Mundo Humano, o Espírito pela Matéria.

A ideia-chave do Positivismo Comtiano é a Lei dos Três Estados, de acordo com a


qual o homem passou e passa por três estágios em suas concepções, isto é, na
forma de conceber as suas ideias e a realidade:

1. Teológico: o ser humano explica a realidade apelando para entidades


supranaturais (os "deuses"), buscando responder a questões como "de onde
viemos?" e "para onde vamos?"; além disso, busca-se o absoluto;

2. Metafísico: é uma espécie de meio-termo entre a teologia e a positividade. No


lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: "o Éter", "o
Povo", "o Mercado financeiro", etc. Continua-se a procurar responder a questões
como "de onde viemos?" e "para onde vamos?" e procurando o absoluto;

3. Positivo: etapa final e definitiva, não se busca mais o "porquê" das coisas, mas
sim o "como", através da descoberta e do estudo das leis naturais, ou seja, relações
constantes de sucessão ou de coexistência. A imaginação subordina-se à
observação e busca-se apenas pelo observável e concreto.

Auguste Comte - através da obra Sistema de Política Positiva (1851-1854) - institui


a Religião da Humanidade. Após a elaboração de sua filosofia, Comte concluiu que
deveria criar uma nova religião: afinal, para ele, as religiões do passado eram
apenas formas provisórias da única e verdadeira religião : a religião positiva.
Segundo os positivistas, as religiões não se caracterizam pelo sobrenatural, pelos
"deuses", mas sim pela busca da unidade moral humana. Daí a necessidade do
surgimento de uma nova Religião que apresenta um novo conceito do Ser Supremo,
a Religião da Humanidade. Comte foi profundamente influenciado a tal pela figura
de sua amada Clotilde de Vaux.
Segundo os Positivistas, a Teologia e a Metafísica, nunca inspiraram uma religião
verdadeiramente racional, cuja instituição estaria reservada ao advento do espírito
positivo. Estabelecendo a unidade espiritual através da ciência, a Religião da
Humanidade possui como principal objetivo a Regeneração Social e Moral.

Assim como o catolicismo está fundamentado na filosofia escolástica de São Tomás


de Aquino, a Religião da Humanidade está fundamentada na filosofia positivista de
Auguste Comte.

A Religião da Humanidade possui como Ser Supremo a Humanidade Personificada,


tida como Deusa pelos positivistas. Ela representa o conjunto de seres convergente
de todas as gerações, passadas, presentes e futuras que contribuíram, que
contribuem e que contribuirão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento humano.

A Ciência Clássica se constitui no dogma da Religião da Humanidade. Também


existem templos e capelas onde são celebrados cultos elaborados à Humanidade
(chamada Grão-Ser pelos positivistas). A religião positivista caracteriza-se pelo uso
de símbolos, sinais, estandartes, vestes litúrgicas, dias de santos (grandes tipos
humanos), sacramentos, comemorações cívicas e pelo uso de um calendário
próprio, o Calendário Positivista (um calendário lunar composto por 13 meses de 28
dias).

O lema da religião positivista é : "O Amor por princípio e a Ordem por base; o
Progresso por fim". Seu regime é: "Viver às Claras" e "Viver para Outrém".

Seria exagero atribuir aos positivistas a Proclamação da República: é no processo


de consolidação da mesma que se verifica a influência que exerceram,[1]
destacando-se o Coronel Benjamim Constant (que, depois, foi homenageado com o
epíteto de "Fundador da República Brasileira"). De acordo com VALENTIM (2010): "A
partir da segunda metade do século XIX, as idéias de Augusto Comte permearam as
mentalidades de muitos mestres e estudantes militares, políticos, escritores,
filósofos e historiadores. Vários brasileiros adotaram, ou melhor, se converteram ao
Positivismo, dentre eles o professor de matemática da Escola Militar do Rio de
Janeiro Benjamin Constant, o mais influente de todos. Tais influências estimularam
movimentos de caráter republicano e abolicionista, em oposição à monarquia e ao
escravismo dominante no Brasil. A Proclamação da República, ocorrida através de
um golpe militar, com apoio de setores da aristocracia brasileira, especialmente a
paulista, foi o resultado “natural” desse movimento." 3

O lema Ordem e Progresso na bandeira do Brasil é inspirado pelo lema de Auguste


Comte do positivismo: L'amourpourprincipe et l'ordrepour base; leprogrèspourbut
("Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta"). Foi colocado,
pois várias das pessoas envolvidas no golpe militar que depôs a monarquia e
proclamaram o Brasil República eram seguidores das ideias de Comte.[2]

A conformação atual da bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência na política


nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso,
surgida a partir da divisa comteana O Amor por princípio e a Ordem por base; o
Progresso por fim, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e
progressista.

Outros positivistas de importância para o Brasil foram Nísia Floresta Augusta (a


primeira feminista brasileira e discípula direta de Auguste Comte), Miguel Lemos,
Euclides da Cunha, Luís Pereira Barreto, o marechal Cândido Rondon, Júlio de
Castilhos, Demétrio Ribeiro, Carlos Torres Gonçalves, Ivan Monteiro de Barros Lins,
Roquette-Pinto, Barbosa Lima, Lindolfo Collor, David Carneiro, David Carneiro Jr.,
João Pernetta, Luís Hildebrando Horta Barbosa, Júlio Caetano Horta Barbosa, Alfredo
de Morais Filho, Henrique Batista da Silva Oliveira, Eduardo de Sá e inúmeros
outros.

Houve no Brasil dois tipos de positivismo: um positivismo ortodoxo, mais conhecido,


ligado à Religião da Humanidade e apoiado pelo discípulo de Comte Pierre Laffitte,
e um positivismo heterodoxo, que se aproximava mais dos estudos primeiros de
Augusto Comte que criaram a disciplina da Sociologia e apoiado pelo discípulo de
Comte ÉmileLittré.

Comte viveu num tempo intermediário entre o apagar das luzes do iluminismo e a
era das grandes generalizações na ciência, um tempo em que o mundo natural
parecia acessível à força do intelecto, no culminar do pensamento mecânico da
Revolução Industrial. Auguste Comte morreu dois anos antes de Darwin publicar A
Origem das Espécies, em 1859. Também não viveu o suficiente para ver a
publicação de O Capital (1867-1894), por seus contemporâneos Karl Marx e
Friedrich Engels, embora tivesse visto o Manifesto Comunista. Esse pequeno
contexto histórico ajuda a entender a filosofia de Comte.

Não é justo julgar o passado com os critérios do presente. Comte, por exemplo,
desconfiava da introspecção como meio de se obter o conhecimento, pois a mera
observação altera e distorce estes estados, e insistia na objetividade da informação.
Os positivistas também eram críticos quanto a fenômenos não observáveis. Comte
descartou toda pesquisa cosmológica, considerando-a inútil e inacessível. Segundo
ele qualquer fenômeno que não pudesse ser observado diretamente seria
inacessível à ciência. Essas duas posições positivistas foram colocadas em cheque
com avanços na química e na física, especialmente com Boltzmann (1844-1906) e
Max Planck (1858-1947), ambos inteiramente convencidos da existência de
partículas não observáveis e confiando na intuição como meio de gerar
conhecimento, num processo similar ao que foi chamado mais tarde de "abdução"
por Charles SandersPeirce.

A ciência moderna acabou com as esperanças de uma realidade universal


harmoniosa e ordenada, que pudesse ser traçada a régua e compasso. O
determinismo na ciência perdeu força, graças ao trabalho de cientistas como
Schrödinger, Heisenberg e Kurt Gödel. Esta nova realidade contrasta com o
positivismo de Comte, caracterizado pela ênfase no determinismo, na hierarquia e
na obediência, sua crença no governo da elite intelectual e sua insistência em
desprezar a teologia e a metafísica.

Machado de Assis, com as obras Memórias Póstumas de Brás Cubas e sobretudo


Quincas Borba, foi um notável sátiro do positivismo de Comte,[3] além da seleção
natural de Charles Darwin. Seu Humanitismo faz uma paródia dos Três Estados do
Positivismo através de uma história que o filósofo Quincas Borba conta ao
personagem Rubião desse segundo livro: duas tribo de famintos onde as batatas de
um campo chega somente a uma dessas tribos, que, fortificada pela alimentação,
ganha forças para transpor uma montanha e dominar o campo de batatas,
enquanto que, se dividissem com a outra tribo, não seria suficiente e morreriam de
inanição criando, assim, a máxima "ao vencedor as batatas".
A anomia[1] é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado
pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. A partir do
surgimento do Capitalismo, e da tomada da Razão, como forma de explicar o
mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à
concepção religiosa.A Modernidade, com seus intensos processos de mudança, não
fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos, ocasionando uma
espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um
sentimento de se "estar à deriva," participando inconscientemente dos processos
coletivos/sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade.Este
termo foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro O Suicídio. Durkheim emprega
este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica.
Algo desse corpo está funcionando de forma patológica ou "anomicamente." Em
seu famoso estudo sobre o suicídio, Durkheim mostra que os fatores sociais -
especialmente da sociedade moderna - exercem profunda influência sobre a vida
dos indivíduos com comportamento suicida.Segundo Robert King Merton, anomia
significa uma incapacidade de atingir os fins culturais. Para ele, ocorre quando o
insucesso em atingir metas culturais, devido à insuficiência dos meios
institucionalizados, gera conduta desviante. Seu pensamento popularizou-se em
1949 com seu livro: Estrutura Social e Anomia.A teoria da anomia de Merton explica
porque os membros das classes menos favorecidas cometem a maioria das
infrações penais, explica os crimes de motivação política (terrorismos, saques,
ocupações) que decorrem de uma conduta de rebeliões e explica comportamentos
como os do alcoolismo e toxicodependência (evasão).

Uma classe socialé um grupo de pessoas que têm status social similar segundo
critérios diversos, especialmente o econômico. Diferencia-se da casta social na
medida em que ao membro de uma dada casta normalmente é impossível mudar
de status.Segundo a óptica marxista, em praticamente toda sociedade, seja ela pré-
capitalista ou caracterizada por um capitalismo desenvolvido, existe a classe
dominante, que controla direta ou indiretamente o Estado, e as classes dominadas
por aquela, reproduzida inexoravelmente por uma estrutura social implantada pela
classe dominante. Segundo a mesma visão de mundo, a história da humanidade é a
sucessão das lutas de classes, de forma que sempre que uma classe dominada
passa a assumir o papel de classe dominante, surge em seu lugar uma nova classe
dominada, e aquela impõe a sua estrutura social mais adequada para a
perpetuação da exploração. Adivisão da sociedade em classes é consequência dos
diferentes papeis que os grupos sociais têm no processo de produção, seguindo a
teoria de Karl Marx. É do papel ocupado por cada classe que depende o nível de
fortuna e de rendimento, o género de vida e numerosas características culturais das
diferentes classes. Classe social define-se como conjunto de agentes sociais nas
mesmas condições no processo de produção e que têm afinidades políticas e
ideológicas.Na Idade Média, a classe dominante era formada pelos senhores
feudais, donos das terras através da aplicação de compulsão e coerção(Uso da
força física ou ameaça direta ou indireta ao individuo podendo atingir sua moral a
fim de levá-lo a praticar uma ação que o mesmo não tem vontade própria de
praticá-la.), e a classe dominada era formada pelos camponeses. Uma classe à
parte era a classe dos guerreiros, que era composta pelos camponeses (alguns
eram senhores feudais) e podia passar para uma classe dominante caso recebesse
terras como prêmio de suas conquistas.

A partir da Idade Contemporânea, com o desenvolvimento do sistema capitalista


industrial (e mesmo do pós-industrial), normalmente existe a noção de que as
classes sociais, em diversos países, podem ser dividas em três níveis diferentes,
dentro dos quais há subníveis. Atualmente, a estratificação das classes sociais
segue a convenção baixa, média e alta, sendo que as duas primeiras designam o
estrato da população com pouca capacidade financeira, tipicamente com
dificuldades económicas, e a última possui grande margem financeira.A classe
média é, portanto, o estrato considerado mais comum e mais numeroso, que,
embora não sofra de dificuldades, não vive propriamente com grande margem
financeira. Nota-se, porém, que, nos países de Terceiro Mundo, a classe média é
uma minoria e a classe baixa é a maioria da população. Desta interpretação, é
possível encontrar outras classes, de acordo a Fundação Getúlio Vargas, entretanto
a avaliação ideal seria por bens disponíveis e não pela renda. Já o DIEESE utiliza
uma classificação por salários mínimos [1]:

* Até 1 Salário Mínimo

* Mais de 1 a 2 Salários Mínimos

* Mais de 2 a 3 Salários Mínimos

* Mais de 3 a 5 Salários Mínimos

* Mais de 5 a 10 Salários Mínimos

* Mais de 10 a 20 Salários Mínimos

* Mais de 20 Salários Mínimos

Outra classificação da consultoria Target:

1. Classe A1: inclui as famílias com renda mensal maior que R$ 14.400

2. Classe A2: maior que R$ 8.100

3. Classe B1: maior que R$ 4.600

4. Classe B2: maior que R$ 2.300

5. Classe C1: maior que R$ 1.400

6. Classe C2: maior que R$ 950

7. Classe D: maior que R$ 600

8. Classe E: maior que R$ 400

9. Classe F: menor que R$ 200

São frequentes as análises sobre a organização das classes socioeconômicas no


Brasil. Atualmente, observa-se no país uma estrutura social típica de qualquer
nação capitalista contemporânea, com três classes distintas. Justamente como
qualquer nação em desenvolvimento, o maior contingente populacional se encontra
classificado como parte das classes sociais mais baixas.

Embora sejam vistas como uma instituição social já antiga, as classes sociais tais
como as conhecemos no Brasil atual tem suas origens datadas do início dos anos
cinqüenta, quando o país passou a vivenciar um verdadeiro boom de crescimento
econômico que duraria até o final dos anos setenta. Foi exatamente esse furor
econômico que possibilitou a criação de algo até então inédito na história do país, a
classe média brasileira.Em uma rápida análise da organização dessas classes no
país, percebe-se a seguinte distribuição:

A classe mais abastada e com maior poder de renda, é composta de quatro grupos
sociais distintos, sendo que há exceções, por que existem famílias nobres (elite
tradicional, ilustres e que detinham grande fortuna antigamente), ou as tradicionais,
ilustres e que detinham grande fortuna antigamente, portanto, as pessoas que
pertencem a este grupo, embora não tenham um ganho mensal altíssimo como os
empresários de sucesso, estes participam de associações elitistas, tem um status
social elevado e vivem na classe alta. Os grupos sociais da classe social mais
abastada são:

1. os que dirigem diretamente a maquinaria capitalista do país. Composto por


grandes empresários, grandes banqueiros, grandes acionistas, grandes fazendeiros,
grandes industriais, etc.

2. os que gravitam em torno desse núcleo principal. Composto de diretores,


assessores e gerentes de grandes empresas e indústrias em geral, e também de
donos de empresas que assessoram as maiores.

3. os altos funcionários do Estado. Composto por juízes, desembargadores,


funcionários bem situados dentro dos três poderes, presidentes de empresas
estatais, promotores, políticos, professores universitários bem graduados,
funcionários estatais eleitos, militares de alto escalão, etc.

4. os que sobrevivem dos gastos dos quatro grupos, ou seja, aqueles que prestam
serviços indiretamente ou atendem diretamente a classe mais abastada, e pelo seu
ganho, pertencem a ela. Tendo suas variações, como profissionais liberais
escritores, bem-qualificados ou que ocupam funções políticas e/ou de direção.
Composto por médicos, proprietários de bares chiques, de clubes, de academias
caras, de colégios particulares, de cursos de línguas conceituados, advogados bem-
qualificados, engenheiros conceituados ou bem-qualificados, arquitetos bem
conceituados, donos de construtoras famosas e tradicionais, especialistas, etc.

Tendo as suas exceções.

É com base na alta renda desses grupos sociais que se forma uma nova camada de
clientes. Discute-se então a nova classe média brasileira, criada pela expansão do
emprego público e pela criação de empregos privados que exigiam qualificação
intermediária.

1. os trabalhadores que prestam serviços diretamente aos grupos mais ricos. Em


suma, cozinheiros-chefes, pilotos e motoristas bem-qualificados, vendedores de
lojas mais caras, empregadas domésticas mais qualificadas, professores doutorados
de colégios e universidades particulares e de cursinhos, seguranças bem-
qualificados, etc.

2. os profissionais com ensino superior empregados em funções medianas em


empresas. Composto por chefes em geral, analistas, engenheiros recém-formados,
plantonistas de clínicas particulares, professores sem doutorado do colegial de
colégios privados, etc.
3. os profissionais com ensino superior, funcionários públicos em empregos bem
situados. Composto por médicos do sistema público, advogados e funcionários
concursados.

4. os funcionários de escritório mais qualificados, de empresas ou do governo.


Composto por diretores e supervisores de colégios e escolas públicas, bancários de
postos intermediários, delegados de polícia em início de carreira, enfermeiras
experientes, etc.

5. os trabalhadores manuais de maior qualificação e os operários especializados


de indústrias públicas e privadas. Composto por mecânicos, eletricistas e
encanadores de competência e renome, metalúrgicos, fresadores, instrumentistas,
inspetores de qualidade, torneiros mecânicos, etc.

Vale lembrar que a classe média brasileira está plenamente integrada nos
modernos padrões de consumo de massas. O padrão de consumo da classe média
também é muito beneficiado por serviços baratos, fornecidos por classes mais
baixas:

1. os que prestam serviços a baixos preços às classes médias. Composto por


empregadas domésticas pouco qualificadas, cozinheiros pouco qualificados,
garçons, vendedores de lojas baratas, cabeleireiros mal-pagos, pedreiros, etc.

2. os trabalhadores industriais menos (ou não) qualificados. Composto por outros


operadores industriais.

3. os funcionários não-qualificados de escritórios. Composto por aqueles que


prestam serviços aos que trabalham dentro dos escritórios, tais como os Office e
Moto boys e faxineiros.

4. os funcionários não-qualificados do Estado. Tais como os faxineiros, limpadores


de rua, merendeiras, jardineiros de praças públicas, etc.

5. Trabalhadores rurais de pequenas propriedades familiares.

Fora da distribuição de classes acima mencionada temos aqueles que estão


desempregados ou aqueles que não possuem terras, já que ambos não possuem
renda.

distribuição de classes no Brasil é distorcida pela desigualdade social. Os 10 % mais


ricos da população nacional, ou seja, toda a classe alta brasileira, chegavam, em
1980, a controlar 50,9% de toda a renda disponível no país. Se somarmos a esse
contingente a parte mais rica da classe média brasileira, ou seja, outros 10 % da
população nacional, notaremos que essa parcela de apenas 20% controlaria quase
67% de toda a renda nacional.

É com base nessa constatação importante que se diz [carece de fontes?] que no
Brasil a sociedade é fraturada em três mundos. O “Primeiro Mundo” vivido pela
classe alta, onde as características do próprio primeiro mundo aparecem
extremadas; o “Segundo Mundo” das classes médias, que não passam de uma
imitação mais barata do “primeiro mundo” das classes altas; e por fim temos o
“Terceiro Mundo” das classes mais baixas, mantidas em condições de pobreza e
miséria, longe de serem incluídas no mercado de consumo de massas.

Classes sociais nos Estados Unidos


A estrutura social dos Estados Unidos é um conceito vagamente definido que faz
uso de termos e percepções comumente usados no país. Entre eles estaria a renda
anual do lar, o nível de educação e a ocupação daqueles que estão em idade
economicamente ativa. Embora seja possível identificar dezenas de classes sociais
nos Estados Unidos apenas fazendo o uso de tais critérios, a maior parte dos
americanos utiliza um sistema de cinco ou seis classes para descrever sua
sociedade. Tipicamente, são essas as classes que são comumente identificadas na
atual sociedade americana:

1. A Classe Alta (UpperClass); Aqueles com enorme influência, riqueza e prestígio.


Membros desse grupo tem uma tremenda influência sobre as principais instituições
do país. Essa classe compõe cerca de 1% da população total do país e retêm em
torno de um terço de todas as riquezas. Tem renda igual ou superior a US$ 200.000
anuais.[2]

2. A Classe Média-Alta (Upper-MiddleClass); A Classe média-alta consiste dos


chamados "profissionais do colarinho-branco" com alta qualificação (certificados,
diplomas, cursos, doutorados, pós-doutorados, etc.) e uma renda alta. Os
trabalhadores dessa classe normalmente gozam de grande liberdade e autonomia
no ambiente de trabalho, fato que resulta em uma alta taxa de satisfação em
relação aos seus empregos. Considerando sua renda média, aqueles que compõe
essa classe são cerca de 15% da população americana (de acordo com os estudos
de Thompson, Hickey e Gilber). Sua renda varia de US$62.500 a US$150.000
anuais.[3][4]

3. Classe Média (MiddleClass); São profissionais de qualificação intermediária,


podendo ou não possuir educação superior. A transferência de empregos para
países em desenvolvimento aparece como sendo o principal problema desse estrato
social, afetando a sensação de segurança no emprego.[5] Famílias típicas dessa
classe possuem, em média, renda dupla combinada (dois indivíduos trabalham) e
portanto tem uma renda equivalente àqueles profissionais da classe média-alta
(como os advogados). No geral, possuem uma renda que pode variar de US$32.000
até US$62.500 anuais.[5]

4. Classe Trabalhadora (WorkingClass); De acordo com alguns estudiosos como


Michael Zweig, essa classe pode chegar a representar a maioria da população
americana e pode também ser chamada de "Classe média-baixa
(LowerMiddleClass).[6] Ela inclui os chamados "profissionais de colarinho-azul"
assim como alguns "colarinhos-brancos" que ganham salários relativamente baixos,
além de não possuirem na diplomas de ensino superior. Perfazem cerca de 45% da
população americana que não freqüentou o ensino superior. Possuem renda que
pode variar de US$15.000 até US$32.000 anuais.

5. Classe Baixa (LowerClass); Essa classe inclue os pobres e os membros sem


instrução e marginalizados da sociedade americana. Embora grande parte desses
indivíduos possua emprego, é comum que fiquem no linear da pobreza. Muitos só
possuem o diploma de conclusão do colegial. Possuem renda inferior a US$15.000
anuais.

Na Sociologia, na Antropologia e em outras ciências sociais, a estratificação


socialrefere-se a um arranjo hierárquico entre os indivíduos em divisões de poder
e riqueza em uma sociedade. É a diferenciação hierárquica entre indivíduos e
grupos, segundo suas posições (status), estamentos ou classes.
Normalmente consideram-se três tipos principais de estratificação social:

* Estratificação econômica: baseada na renda ou posse de bens materiais,


fazendo com que haja pessoas ricas, pobres e em situação intermediária;

* Estratificação política: baseada na situação de mando na sociedade (grupos que


têm e grupos que não têm poder);

* Estratificação profissional: baseada nos diferentes graus de importância


atribuídos a cada profissional pela sociedade. Por exemplo, em nossa sociedade
valorizamos muito mais a profissão de advogado do que a profissão de pedreiro.

A estratificação socialconsiste na separação da sociedade em grupos de


indivíduos (estratos sociais) que apresentam características parecidas, como por
exemplo: negros, brancos, católicos, protestantes, homem, mulher, pobres, ricos,
etc. A estratificação expressa desigualdades.

Podemos perceber a desigualdade em diversas áreas:

* Oportunidade de trabalho

* Cultura / lazer

* Acesso aos meios de informação

* Acesso à educação

* Gênero (homem / mulher)

* Raça e/ou etnia

* Religião

* Economia (rico / pobre)

* Origem geográfica (jus soli)

* Dialecto / diferenças fonetico-linguisticas

A estratificação social esteve presente desde os primórdios da civilização mas


mudou de forma. O advento do capitalismo e sobretudo a revolução industrial
transformou os sistemas econômicos e a sociedade, com o surgimento da
sociedade de classes e da desigualdade entre classes.

Umas das características fundamentais que distingue as sociedades ocidentais


modernas das sociedades tradicionais é a possibilidade de mobilidade social.
Diferentemente das sociedades de castas ou da sociedade medieval - na qual quem
nascesse servo morreria servo, não tendo a possibilidade de mudar de estamento -
na sociedade ocidental contemporânea isso é possível, e a mobilidade social
(ascendente ou descendente) pode ocorrer como consequência, por exemplo, da
maior ou menor facilidade de acesso a serviços (de educação, transportes,
segurança pública, saúde, habitação, etc) os quais podem ou não ser de
responsabilidade do Estado. Se o acesso à educação fundamental gratuita, por
exemplo, é garantido constitucionalmente, a ausência ou má qualidade desse
serviço pode levar a reivindicações por parte dos cidadãos, através do movimento
social, que consiste na mobilização daqueles que acreditam ter seu direito
desrespeitado ou que se consideram excluídos do acesso a um direito seu. A
estratificação social pode, portanto, expressar não só a desigualdade entre os
homens mas também a exclusão de indivíduos ou grupos da possibilidade de
exercer determinado direito.

A estratificação social pode ser feita através de:

a) Castas compostas de um número muito grande de grupos hereditários. Os papéis


das pessoas na sociedade são determinados por sua ascendência. Esse é um
modelo de estratificação que não apresenta nenhuma possibilidade de mudança de
posição social, por isso é chamado de fechado, pois a pessoa que pertence a uma
casta só se pode casar com um membro da mesma casta. Ex. na Índia a estrutura
de castas tem natureza religiosa.

b) Estamentos: constituem uma forma de estratificação social com camadas sociais


mais fechadas do que as das classes sociais e mais abertas do que as das castas,
motivo pelo qual é chamada semi-aberta. Os Estamentos são reconhecidos por lei e
geralmente ligados ao conceito de honra, ou seja, o prestigio é o que determina a
posição da pessoa na sociedade. Ex.: a sociedade medieval.

c) Classes: constituem uma forma de estratificação social onde a diferenciação


entre os indivíduos é feito de acordo com o poder aquisitivo. Nas sociedades
democráticas, não há desigualdade de direito, pois a lei prevê que todos são iguais,
independente de sua condição de nascimento, mas há desigualdade de fato.

A luta de classesfoi a denominação dada por Karl Marx, ideólogo do comunismo


juntamente com Friedrich Engels, para designar o confronto entre o que
consideravam os opressores (a burguesia) e os oprimidos (o proletariado),
consideradas classes antagônicas e existentes no modo de produção capitalista. A
luta de classes se expressa nos terrenos econômico, ideológico e político.

Segundo Karl Marx e vários outros pensadores como Ricardo e Proudhon, a luta
de classesseria a força motriz por trás das grandes revoluções na história. Ela
teria começado com a criação da propriedade privada dos meios de produção. A
partir daí, a sociedade passou a ser dividida entre proprietários (burguesia) e
trabalhadores (proletariado), ou seja, possuidores dos meios de produção e
possuidores unicamente de sua força de trabalho. Na sociedade capitalista, a
burguesia se apodera da mercadoria produzida pelo proletariado, e ao produtor
dessa mercadoria sobra apenas um salário que é pago de acordo apenas com o
valor necessário para a sobrevivência desse. Os trabalhadores são forçados a
vender seu trabalho por uma fração mísera do real valor da mercadoria que
produzem, enquanto os proprietários se apoderam do restante. Outra característica
importante do capitalismo é o conceito criado por Karl Marx da mais-valia. A mais-
valia consiste basicamente dessa porcentagem a mais que os capitalistas retiram
da classe do proletariado. Essa porcentagem pode ser atingida, por exemplo,
aumentando o tempo de trabalho dos operários e mantendo o salário. A luta de
classes, segundo Karl Marx, só acabará com o fim do capitalismo e com o fim das
classes sociais. Até os tempos atuais, o comunismo ainda não foi posto em prática
em nenhuma região do mundo, apesar do socialismo, que seria como uma fase de
transição do capitalismo para o comunismo, já ter sido implementado em diversos
países. A proposta mais radical é abolição do Estado e sua reorganização
descentralizada em moldes federativos anarquistas.
Apesar de toda a história da humanidade, segundo Karl Marx, ter sido a história da
luta de classes, a sociedade original não possuía divisões sociais. Isso se deveria ao
fato de que, nesse estágio das forças produtivas sociais, não havia praticamente
excedente. Todos os membros da sociedade eram por isso obrigados a participar do
processo produtivo, de modo que era impossível a formação de uma hierarquia que
diferenciasse as pessoas dessa sociedade. Uma das primeiras formas de
hierarquização dos membros foi a divisão homem/mulher, quando os homens
começaram a explorar as mulheres. A luta de classes origina-se, no entanto, no
momento em que a sociedade passa a ser composta de diferentes castas.

Essa divisão dos membros em classes foi possibilitada quando as forças produtivas
atingiram um certo nível de produtividade, onde o excedente já promovia maior
segurança à sociedade em relação às suas necessidades. Mas, apesar de garantir
uma proteção em tempos escassos, por exemplo, o excedente abriu a possibilidade
do jogo político. O controle sobre o excedente se desenvolve em conjunto com a
formação de uma minoria que ganha assim poder sobre todos outros membros da
sociedade. Dessa maneira origina-se uma diferenciação quanto à tarefa social de
cada membro. Entre as diversas classes que podem se formar, estão sempre
presente as classes dos senhores (não-trabalhadores) e a classe trabalhadora.

Com o desenvolvimento das forças produtivas, a devida classe dominante


(diferente para cada período histórico) é posta em questão. As classes de baixo
reconhecem que a regência da classe exploradora torna-se desnecessária para a
continuação do desenvolvimento técnico, enquanto esta tenta, por meios oficiais,
manter seu poder. Nessas épocas de desacordo entre as relações sociais de
produção vigentes e o patamar técnico dos meios de produção, a probabilidade de
uma revolução tende a ser maior. A antiga classe exploradora é, assim, deposta, e
uma nova entra em seu lugar. Dessa maneira, a história da sociedade humana é a
história de classes dominantes, uma após a outra. O Capitalismo privilegia uma
sociedade dividida em classes, e simplifica a luta de classes ao separar toda a
sociedade em apenas duas classes; a dominadora e a dominada.

Proletariado (do latim proles, “filho, descendência, progênie”) é um conceito


usado por anarquistas, comunistas e marxistas para definir a classe antagônica à
classe capitalista. O proletário consiste daquele que não tem nenhum meio de vida
exceto sua força de trabalho (suas aptidões), que ele vende para sobreviver.

O proletáriose diferencia do simples trabalhador, pois este último pode vender


os produtos de seu trabalho (ou vender o seu próprio trabalho enquanto serviço),
enquanto o proletário só vende sua capacidade de trabalhar (suas aptidões e
habilidades humanas), e, com isso, os produtos de seu trabalho e o seu próprio
trabalho não lhe pertencem, mas àqueles que compram sua força de trabalho e lhe
pagam um salário.

A existência de indivíduos privados de propriedade, privados de meios de vida,


permite que os capitalistas (os proprietários dos meios de produção e de vida)
encontrem no mercado um objeto de consumo que age e pensa (as aptidões
humanas), que eles consomem para aumentar seu capital. Ao vender sua força de
trabalho, o proletário aliena-se de seus próprios atos e submete-os à vontade do
comprador, que o domina autoritariamente. O comprador (o capitalista) comanda o
trabalho do proletário e se apropria de seus produtos para vendê-los no mercado.
A palavra proletariado define o conjunto dos proletários considerados enquanto
formando uma classe social.

Na Roma Antiga, o rei Sérvio Túlio usou o termo proletarii para descrever os
cidadãos de classe mais baixa, que não tinham propriedades e cuja única utilidade
para o Estado era gerar proles (filhos) para engrossar as fileiras dos exércitos do
império [4]. O termo proletário foi utilizado num sentido depreciativo, até que, no
século XIX, socialistas, anarquistas e comunistas utilizaram-no para identificar a
classe dos sem propriedade do capitalismo industrial.

Historicamente, o proletariado surge com o capitalismo industrial (na Europa, entre


os séculos XIV e XIX), quando todas as relações sociais entre os indivíduos
passaram a ser mediatizadas pelo mercado, que substituiu os laços comunitários
que caracterizavam as sociedades anteriores. Com isso, todos os bens passaram a
ser mercadorias, ou seja, o acesso a eles passou a ser permitido apenas a quem
tivesse o dinheiro para comprá-los. Isso só foi possível mediante a chamada
acumulação primitiva do capital, que se caracteriza por expulsões de camponeses
de suas terras e pela destruição dos laços não-mercantis do artesanato urbano (por
exemplo, as corporações de ofício), formando uma massa de indivíduos destituídos
de meios de produção e que nada tinham para oferecer ao mercado senão sua
força de trabalho [5]. Essa separação dos homens dos seus meios de produção é
também chamada de proletarização e foi na maioria das vezes imposta pelo Estado.
Além disso, os artesãos urbanos não podiam concorrer no mercado com os
capitalistas, cujos capitais rapidamente se acumulavam mediante o uso de força de
trabalho e pela extração da mais-valia que esta proporciona, e esses artesãos
falidos contribuíram para aumentar ainda mais a massa de proletários disponíveis
para a indústria capitalista nascente. A formação, manutenção e o controle (através
do aparato repressivo do Estado) de uma massa de indivíduos destituídos de tudo e
tendo somente a sua força de trabalho para vender (qualificada ou não) é a
condição sinequa non da acumulação do capital em qualquer lugar do mundo, até
os tempos presentes, pois a força de trabalho é a única mercadoria que produz
mais-valia.

A idéia de proletariado como uma classe antagônica à dos capitalistas surgiu no


século XIX, quando operários conseguiram pela primeira vez organizar greves de
dimensões consideráveis e questionar a situação em que viviam de maneira que,
para muitos, suas exigências eram irreconciliáveis com a sociedade capitalista. Os
proletários desenvolveram idéias comunistas, socialistas e anarquistas que depois
ficaram conhecidas através de autores como Karl Marx, MikailBakunin e
PiotrKropotkin. Essas idéias desenvolveram-se pela sistematização do objetivo que
emergia espontaneamente nas lutas proletárias que era o de estabelecer uma Livre
associação de produtores. Do fim do século XIX até meados do século XX, mediante
a pressão constante das lutas radicais dos operários, os Estados de diversos países
resolveram conceder direitos trabalhistas e regular os sindicatos, que passaram a
ser instituições de negociação entre o Estado, os empresários e os operários. Em
1917, na Rússia, também mediante a pressão de lutas radicais dos operários, os
bolcheviques tomaram o poder do Estado usando o nome do proletariado, que, no
entanto, foi massacrado por eles e submetido a um regime de trabalho militarista
[6] que, na opinião de anarquistas e comunistas de conselhos, não tem
absolutamente nada a ver com as reivindicações dos proletários, os quais, em suas
lutas, sempre se opuseram à intensificação do trabalho, à ditadura dos chefes e à
própria escravidão assalariada.
De meados do seculo XX até o presente, o Estado conseguiu administrar o
antagonismo proletário a ponto de aparentemente dissolvê-lo (através de diversas
medidas, tais como: leis trabalhistas, a transformação dos sindicatos em
mediadores entre capitalistas e trabalhadores, repressão, dissolução do
internacionalismo proletário nos nacionalismos e demais conflitos interburgueses),
fazendo o proletariado ser hoje dificilmente reconhecível na superfície da
sociedade. Alguns afirmam que a luta proletária continua, mas de forma
subterrânea e invisível, enquanto não ocorre o momento histórico-mundial propício
para sua emergência.

Atualmente, nos pontos capitalistas mais avançados do globo (países desenvolvidos


ou cidades/bairros/regiões desenvolvidas de países pouco desenvolvidos), o
proletariado tem padrão de vida muito superior em relação às suas condições do
início da Revolução Industrial, quando jornadas de mais de doze horas e a intensa
utilização de mão-de-obra infantil eram a regra. Em geral, os órgãos de estatística
estatais e privados classificam como "clase média" esse grupo social. No entanto,
aquilo que define-os como "proletariado" continua existindo, a saber, a sua
separação de todos os meios de vida e produção e o consequente constrangimento
imposto a eles de vender sua força de trabalho em troca do salário que lhe permita
a sobrevivência. O proletariado define-se pelo modo como produz suas condições
de vida, que é alienado e opressivo, e não pelo consumo a que ele tem acesso
através de seu salário.

No entanto, as condições de trabalho nos países/regiões/cidades desenvolvidos vem


regredindo nos últimos anos com a introdução de reformas neoliberais, com
jornadas cada vez maiores e a precarização advindos da flexibilização das leis
trabalhistas. Em outros países, o trabalho infantil, os salários simbólicos e jornadas
cada vez maiores são práticas comuns, chegando até o extremo do uso de mão-de-
obra escrava. Os trabalhadores imigrantes, em especial, têm sido submetidos a
condições de trabalho degradantes na Europa. E temos a migração das fábricas
para países sem leis trabalhistas.

Economistas (neo)liberais (por exemplo, Joseph Schumpeter) não acreditam em


exploração e sustentam que a existência do proletariado é um sofismo. Para eles
todos os indivíduos são iguais perante o mercado, e o mercado retorna à cada
pessoa o exato valor que essa pessoa introduziu nele; os capitalistas seriam apenas
pessoas que são fortes adeptas da poupança e cujas contribuições ao mercado são
de qualidade superior às contribuições do restante da população, que, com isso,
ganha menos do que eles. Portanto, eles negam que haja um conflito intrínseco ao
capitalismo e inseparável dele, como por exemplo, negam a existência do
proletariado e as motivações de suas lutas, que eles interpretam moralisticamente
como motivadas meramente por inveja dos menos capazes com relação aos mais
capazes.

Autores anarquistas e comunistas contra-argumentam que é natural que aqueles


que formam a classe dominante (ou que servem a ela) afirmem que não exista
exploração e nem dominação, pois os capitalistas necessitam domesticar os
proletários para que estes ofereçam sua força de trabalho sem nenhuma reserva,
procurando fazê-los acreditar que a compra e venda de força de trabalho é apenas
um fato natural, imutável, e que, já que seria imutável, o melhor que o proletário
pode fazer é não questionar, lutando apenas para ser um "funcionário do mês".

Força de trabalho pode significar:


* O número de pessoas com capacidade para participar do processo de divisão
social do trabalho, em uma determinada sociedade.[1] Pode ser usado como um
sinônimo de população ativa. [2]

* A capacidade dos trabalhadores de produzirem riqueza material ou, mais


precisamente, as aptidões e habilidades humanas submetidas à condição de
compra e venda, isto é, sob a forma de mercadoria. Trata-se de um conceito crucial
em Marx, na sua crítica à economia política capitalista. Marx considera a força de
trabalho como a mais importante das forças produtivas. Em O Capital, a compra e
venda da força de trabalho é a base do capitalismo industrial. Trabalhadores, por
definição, só possuem a sua força de trabalho. O proletariado como classe constitui-
se, portanto, daqueles que não tem outro meio de subsistência a não ser a venda,
como mercadoria, de suas aptidões e habilidades ao capitalista (proprietário dos
meios de produção. O custo da força de trabalho corresponde ao salário e consiste
no custo da sua reprodução (incluindo habitação, alimentação, saúde, etc. do
trabalhador e sua família. Porém essa mercadoria - a força de trabalho - gera mais
valor do que ela mesma custa. Esse excedente é a mais-valia, trabalho não pago
que é apropriado pelo capitalista sob a forma de lucro.

Fetichismo da mercadoriaé o modo pelo qual Karl Marx denominou o


fenômeno social e psicológico onde as mercadorias aparentam ter uma vontade
independente de seus produtores.

Segundo Marx, o fetichismo é uma relação social entre pessoas mediatizada por
coisas. O resultado é a aparência de uma relação directa entre as coisas e não
entre as pessoas. As pessoas agem como coisas e as coisas, como pessoas.

No caso da produção de mercadorias, ocorre que a troca de mercadorias é a única


maneira na qual os diferentes produtores isolados de mercadorias se relacionam
entre si. Dessa maneira, o valor das mercadorias é determinado de maneira
independente dos produtores individuais, e cada produtor deve produzir sua
mercadoria em termos de satisfação de necessidades alheias. Disso resulta que a
mercadoria mesma (ou o mercado) parece determinar a vontade do produtor e não
o contrário.

Marx afirma que o fetichismo da mercadoria é algo intrínseco à produção de


mercadorias, já que na sociedade capitalista, o processo de produção se
autonomiza com relação à vontade do ser humano. Tal autonomia desaparecerá
apenas quando o ser humano controlar de maneira consciente o processo de
produção, numa livre associação de indivíduos, o que só é possível de ser feito
abolindo a propriedade privada dos meios de produção e transformando-os em
propriedade coletiva; acabando com o caráter mercantil dos bens e preservando
somente seu valor de uso. Isso significa uma revolução nas relações de produção e
de distribuição dos meios de vida.

Marx também argumenta que a economia política clássica não pode sair do
fetichismo da mercadoria, pois considera a produção de mercadorias como um
dado natural e não como um modo de produção histórico e, portanto, transitório.

Desse fetichismo que se dá na produção e na troca de mercadorias resulta a


sobrestimação teórica do processo de troca sobre o processo de produção. Daí o
culto ao mercado de parte de alguns economistas, que consideram a oferta e a
procura como as determinações fundamentais do preço das mercadorias.
A burguesiaé uma classe social que surgiu na Europa na Idade Média (séculos
XI e XII) com o renascimento comercial e urbano. Dedicava-se ao comércio de
mercadorias (roupas, especiarias, joias) e prestação de serviços (atividades
financeiras).

Os burgueses eram os habitantes dos burgos, que eram pequenas cidades


protegidas por muros. Como eram pessoas que trabalhavam com dinheiro, não
eram bem vistas pelos integrantes da nobreza, que era quem, até essa altura era o
principal detentor da riqueza. Os mais pobres ficavam fora das muralhas e eram
denominados de "extraburgos".

No entanto, os burgueses sonhavam em enriquecer-se e tomar o poder.


Desprezados pelos nobres, estes burgueses eram herdeiros da classe medieval dos
vilões e, por falta de alternativas, dedicaram-se ao comércio que, alguns séculos
mais tarde, serviria de base para o surgimento do capitalismo.

Com a aparição da doutrina marxista, a partir do século XIX, a burguesia passou a


ser identificada como a classe dominante do modo de produção capitalista e, como
tal, lhe foram atribuídos os méritos do progresso tecnológico, mas foi também
responsabilizada pelos males da sociedade contemporânea. Os marxistas cunharam
também o conceito de "pequena burguesia", que foi como chamaram o setor das
camadas médias da sociedade atual, regido por valores e aspirações da burguesia.

As igrejas do Período Medieval, além de dar o conhecimento religioso aos cristãos,


tomaram conta do ensinamento nas escolas, que ficavam no fundo dos mosteiros,
mas a burguesia proibiu a igreja de continuar a dar aulas, quem tomara conta do
ensino eram os burgueses que, além do conhecimento religioso, ensinavam o que
era preciso para ser um burguês, ou seja, ensinavam o comércio e o conhecimento
dos números.

Ascensão da Burguesia

Na alta Idade Média, quando as cidades começaram a se formar e crescer, artesãos


e comerciantes começaram a emergir como uma força econômica. Eles formaram
as guildas, que eram associações e companhias que tinham o objetivo de promover
o comércio e seus próprios interesses. Essas pessoas eram os burgueses originais.
Na baixa Idade Média, aliaram-se com a nobreza através de casamentos, para
enfraquecer o sistema feudal, transformando-se gradualmente na classe
governante de nação-estados industrializadas.

No século XVII e XVIII, essa classe de forma geral apoiou a revolução americana e a
revolução francesa fazendo cair as leis e os privilégios da ordem feudal absolutista,
limpando o caminho para a rápida expansão do comércio. Os conceitos tais como
liberdades pessoais, direitos religiosos e civis, e livre comércio todos derivam-se
das filosofias burguesas. Com a expansão do comércio e da economia de mercado,
o poder e a influência da burguesia cresceu. Em todos os países industrializados, a
aristocracia perdeu gradualmente o poder ou foi expurgada por revoltas burguesas,
passando a burguesia para o topo da hieraquia social. Com os avanços da indústria,
surgiu uma classe mais baixa inteiramente nova, o proletariado ou classe
trabalhadora.

Aprofundamento
Pela forte carga ideológica que o termo hodiernamente acarreta, falar em burguesia
para períodos anteriores ao século XVII constitui, senão um erro, pelo menos uma
inexatidão histórica que convém precisar. Se desde o século XII há burgueses (id
est, os habitantes dos burgos), e estes paulatinamente vão fazendo do comércio a
sua fonte de receitas, no entanto, para este grupo é preferível usar expressões
neutras do ponto de vista ideológico, como mercadores ou comerciantes.

Na verdade, no quadro de uma sociedade europeia dividida em Três Ordens ou Três


Estados (remontando esta ideologia trinitária - considerada de origem providencial -
à Idade Média, com a oposição e interdependência entre oratores, bellatores e
laboratores), aquilo que vulgarmente se designa por Clero, Nobreza e Povo,
facilmente se compreende, ante a difícil e lenta mutação dos quadros mentais, a
existência da burguesia como Ordem (e muito menos como classe, termo marxista
apenas aplicável após à Revolução Industrial).

Isto, porém, não impede subestratificações dentro das Ordens. Em Portugal, por
exemplo, o Clero divide-se entre os que fazem vida no século e o que a fazem
debaixo de uma regra monástica; a Nobreza, divide-se, consoante a riqueza e as
funções, em Ricos-Homens, Infanções (mais tarde Fidalgos) e Cavaleiros; o Povo,
em variadíssimos estratos, consoante a ocupação e a riqueza. E assim também, a
partir do século XII, com o renascimento das cidades, emergem os seus habitantes,
os quais, feitos mercadores, vão progressivamente aumentar as suas riquezas e
aspirar ao ingresso na Ordem superior que é a Nobreza.

Consoante as épocas e as regiões, será mais ou menos fácil a mobilidade social


entre elementos enriquecidos do Terceiro Estado e elementos do grupo nobre.
Sucede muitas vezes nobres arruinados financeiramente casarem com filhas de
mercadores (ou vice-versa), para dessa forma revitalizarem as suas casas;
consoante a permeabilidade dos soberanos, poderão os novos representantes
dessas famílias manter ou não o estatuto nobiliárquico.

Mas a ascensão do elemento burguês também se verifica através, por exemplo, do


estudo - o acumular de riquezas possibilita aos filhos dos mercadores estudar nas
universidades, instruírem-se, tornarem-se no corpo de letrados que auxilia o rei
numa época de restauração do direito e de fortalecimento do poder real,
conducente mais tarde ao que se chamou de absolutismo. Muitos destes letrados,
filhos de burgueses, que servem devotadamente o rei, são recompensados, muitas
das vezes, com títulos de nobreza, verificando-se assim a estreita fusão entre os
dois grupos que muitos, entre os burgueses, propugnavam (mas que, muitas vezes,
à nobreza tradicional, de sangue, desagradava).

Economia

Na atualidade, especialmente para os intelectuais que possuem alguma forma de


simpatia ao pensamento marxista, burguesia pode querer significar uma classe
social detentora dos meios de produção e empregadora do proletariado, que vende
sua força de trabalho e seu tempo a fim de se sustentar.

A burguesia tinha como principal economia o comércio, lá por sua vez criaram-se as
oficinas; formadas por mestres, oficias, aprendizes , as oficinas governadas pela
coorporação de ofício; formada pelos mestres de todas as oficinas de um mesmo
produto (ex: tapetes), a burguesia mais tarde na Alta Idade Média aliou-se aos reis
(que tinham apenas uma figura decorativa) pois os reis estavam querendo o poder
dos Senhores Feudais, que eram donos desses centros denominados Burgos. Esse
fato foi chamado "centralização política da Alta Idade Média"

A escravidão do salárioé um conceito criado pelos autores comunistas e


anarquistas. Segundo eles, as pessoas não são livres no capitalismo. No regime de
escravidão, os escravos são forçados, coagidos fisicamente a trabalhar em benefício
alheio, recebendo em troca apenas comida. Os trabalhadores assalariados, por sua
vez, são privados dos meios de produção, que lhe são necessários para prover sua
própria sobrevivência. Assim, também são forçados a trabalhar em benefício dos
proprietários dos meios de produção (fábricas, terras, etc.), em troca de uma
remuneração que é sempre inferior ao valor do trabalho realizado (ver mais-valia).
Em contrapartida, os que possuem bens podem se dar ao luxo de empregar outros
para que ganhem para si seu sustento. Para esses autores, o trabalho assalariado
se assemelha a uma escravidão de aluguel, onde o trabalhador é impelido à
escravidão pela pobreza, em lugar de pelo chicote.

Segundo estes autores, a escravidão do salário só será abolida com o fim da


propriedade privada sobre os meios de produção. Após isto, todos poderiam ter
acesso aos recursos necessários para ganhar o próprio sustento, sem a necessidade
de se submeter à exploração de terceiros.

Contudo, há autores capitalistas que afirmam que com o fim da propriedade privada
apenas se abririam novos meios de exploração, sendo, assim, a escravidão do
salário um sofisma, pois sem o dinheiro para dar liberdade ao homem, voltar-se-ia
ao chicote, à exploração direta. Alguns autores que advogam o fim da escravidão
assalariada contra-argumentam que se a liberdade dos indivíduos é dada pelo
dinheiro, os indivíduos não têm liberdade enquanto indivíduos, mas apenas
enquanto detentores de dinheiro. Se os indivíduos são livres não por si, mas por
outra coisa (o dinheiro, o salário), eles não são livres, mas escravos dessa coisa e
daqueles que detém essa coisa (os capitalistas).

bjeto central da sociologia de Émile Durkheim, um fato social é qualquer forma de


indução sobre os indivíduos que é tida como uma coisa exterior a eles, tendo uma
existência independente e estabelecida em toda a sociedade, que é considerada
então como caracterizada pelo conjunto de fatos sociais estabelecidos.

Também se define o fato social como uma norma coletiva com independência e
poder de coerção sobre o indivíduo.

Sociologia clássica

Segundo Emile Durkheim, os Fatos Sociais constituem o objeto de estudo da


Sociologia pois decorrem da vida em sociedade.O sociólogo francês defende que
estes têm três características:

* Coercitividade - característica relacionada com a força dos padrões culturais do


grupo que os indivíduos integram. Estes padrões culturais são fortes de tal maneira
que obrigam os indivíduos a cumpri-los.

* Exterioridade - esta característica transmite o fato desses padrões de cultura


serem "exteriores aos indivíduos", ou seja ao fato de virem do exterior e de serem
independentes das suas consciências.
* Generalidade - os fatos sociais existem não para um indivíduo específico, mas
para a coletividade. Podemos perceber a generalidade pela propagação das
tendências dos grupos pela sociedade, por exemplo.

Para Émile Durkheim, fatos sociais são "coisas". São maneiras de agir, pensar e
sentir exteriores ao indivíduo, e dotadas de um poder coercitivo. Não podem ser
confundidos com os fenômenos orgânicos nem com os psíquicos, constituem uma
espécie nova de fatos. São fatos sociais: regras jurídicas, morais, dogmas religiosos,
sistemas financeiros, maneiras de agir, costumes, etc.

“É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer


sobre o indivíduo uma coação exterior.”; ou ainda, “que é geral no conjunto de uma
dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das
suas manifestações individuais.” Ou ainda:Todas as maneiras de ser, fazer, pensar,
agir e sentir desde que compartilhadas coletivamente. Variam de cultura para
cultura e tem como base a moral social, estabelecendo um conjunto de regras e
determinando o que é certo ou errado, permitido ou proibido.

Existem também as correntes sociais, como as grandes manifestações de


entusiasmos, indignação, piedade, etc. Chegam a cada um de nós do exterior e não
têm sua origem em nenhuma consciência particular. Têm grande poder de coação e
são suscetíveis de nos arrastar, mesmo contra a vontade. Se um indivíduo
experimentar opor-se a uma destas manifestações coletivas, os sentimentos que
nega voltar-se-ão contra ele. Estamos então a ser vítimas de uma ilusão que nos faz
acreditar termos sido nós quem elaborou aquilo que se nos impôs do exterior.
Percebemos então que fomos sua presa, mais do que seus criadores.

Analisando os fatos sociais chega-se à conclusão de que toda a educação dada às


crianças consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver, de
sentir e de agir às quais ela não teria chegado espontaneamente. Segundo Herbert
Spencer, uma educação racional deveria deixar a criança agir com toda a liberdade.
Mas essa teoria pedagógica nunca foi praticada por nenhum povo conhecido, não
passa então de um desejo pessoal. A educação tem justamente o objetivo de criar o
ser social.

Não é a generalidade que serve para caracterizar os fenômenos sociológicos. Um


pensamento comum a todos ou um movimento por todos os indivíduos não são por
isso fatos sociais. Isso são só suas encarnações individuais.

Há certas correntes de opinião que nos levam ao casamento, ao suicídio ou a uma


taxa de natalidade mais ou menos forte; estes são, evidentemente, fatos sociais.
Somente as estatísticas podem nos fornecer meios de isolar os fatos sociais dos
casos individuais. Por exemplo, a alta taxa de suicídio no Japão; não são só fatos
individuais e particulares que os levam a suicidar. Toda cultura e a educação deste
país exerce grande diferença no pensamento do indivíduo na hora de se suicidar. O
mesmo caso particular de frustração do indivíduo, em outra sociedade, poderia não
o levar ao suicídio. Esse é um fato social, além de psicológico.

O efeito de coação externa de um fato social é fácil de constatar quando se traduz


por uma reação direta da sociedade, como é o caso do direito, das crenças, dos
usos e até das modas.

Não podemos escolher a forma das nossas casas tal como não podemos escolher a
forma do nosso vestuário sem sofrer algum tipo de coação externa. Os nossos
gostos são quase obrigatórios visto que as vias de comunicação determinam de
forma imperiosa os costumes, trocas, etc. Isso portanto também é um fato social,
visto que é geral.

Contrariando Auguste Comte, não há um progresso, uma evolução da humanidade,


o que existe são sociedades particulares que nascem, se desenvolvem e morrem,
independentemente umas das outras. Se, além disso, se considera que as
sociedades mais recentes continuam as que precederam, então cada tipo superior
poderá ser considerado como a simples repetição do tipo imediatamente inferior.
Um povo que substitui um outro não é apenas um prolongamento deste último com
alguns caracteres novos; é diferente, constitui uma individualidade nova.

Spencer não aceita este conceito, como proposição afirma que “uma sociedade só
existe a partir do momento em que à justaposição se junta uma cooperação.” “Há
uma cooperação espontânea que se efetua sem premeditação quando se tenta
atingir fins de interesse privado; e há uma cooperação conscientemente instituída
que supõe fins de interesse público nitidamente reconhecidos.” Às primeiras
Spencer dá o nome de sociedades industriais e, às segundas, o de sociedades
militares. Para Spencer a sociedade não passa de realização de uma idéia, neste
caso a idéia de cooperação.

Método dos Fatos Sociais

Devemos considerar os fatos sociais como “coisas”.

Nota: Para Durkheim, "coisa" é algo Sui generes, ou seja, é dotado de uma
lógica própria.

1. Precisamos limpar toda a mente de prenoções antes de analisarmos fatos


sociais. Essas “noções vulgares” desfiguram o verdadeiro aspecto das coisas e que
nós confundimos com as verdadeiras coisas. As prenoções são capazes de dominar
o espírito e substituir a realidade. Esquecidas as prenoções devemos analisar os
fatos sociais cientificamente.

2. O sociólogo deve definir aquilo que irá tratar, para que todos saibam, incluindo
ele próprio, o que está em causa. É necessário que exprima os fenômenos não em
função de uma idéia concebida pelo espírito, mas sim das suas propriedades
concretas. As únicas características a que podemos recorrer são as imediatamente
visíveis. Tomar sempre para objeto de investigação um grupo de fenômenos
previamente definidos por certas características exteriores que lhes sejam comuns,
e incluir na mesma investigação todos os que correspondam a esta definição. Por
isso todo fato social é coercitivo, exterior e geral.

O casamento é um exemplo de fato social o qual nos deparamos a todo momento


em nossa sociedade. Todo o círculo de parentes e amigos que o cercam de forma
direta ou indireta impõe que o cidadão deve se casar e constituir uma família. Até
quando a situação tem como principal finalidade a descontração, gozação e coisas
do gênero, o fato social mostra suas características, no exemplo abaixo podemos
ver nitidamente algumas delas. Ex: "e você já se casou...", quem nunca se deparou
com uma pergunta desta ao rever um grande amigo, ou numa reunião com seus
familiares que não os via há muito tempo? Apesar de ser dotado de um poder
coercitivo, aceitamos o mesmo de bom grado.