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Quase

“Quase”, é uma das palavras mais interessantes do nosso vocabulário. É


extremamente poderosa e rica, podendo trazer desde a mais profunda tristeza e
agonia à extrema exultação. Convenhamos, é muito desagradável ouvir: “-
quase escapou...”, “quase conseguiu...”, “quase sobreviveu”; tanto quanto é no
mínimo satisfatório ouvir: “quase morreu...”, “quase perdeu...”, “quase caiu...”.
Isso é porque “quase” é semelhante a ter chegado ao limiar, mas não ao suposto
destino. Considere a sabedoria desta palavra, pois o valor das pequenas coisas e
os detalhes podem fazer muita diferença no final, no limiar de se atingir um
objetivo.

Já que falamos em quase, e o nosso assunto é o evangelho e a salvação


que ele confere, convém ressaltar que o quase perdido herdou a vida eterna
enquanto que o quase salvo recebeu justa condenação. Desconsiderando as
aparências - “quase perdido tende ao fracasso?” e “quase salvo tende ao
sucesso?” - com toda certeza os dois experimentaram o mesmo limiar. Estiveram
no mesmo ponto. O que sucedeu a um não sucedeu ao outro e isso porque, neste
limiar, detalhes fazem muita diferença. O quase santo é imundo e o quase
imundo é santo. Como os consideramos não importa, porque Deus os conhece no
íntimo. Deus trata com justiça e seu requisito de santidade considera a
importância dos detalhes. A história, na Bíblia, retrata casos dramáticos de
alguns que, por não darem devida importância aos pequenos valores,
fracassaram em seus objetivos. Com certeza, o mais angustiante é o caso de
Moisés que quase entrou na terra prometida. Tudo por causa de um detalhe: Em
Êxodo 17.1-7 Moisés, humildemente, cumpre rigorosamente a palavra de Deus
ferindo a Rocha na presença dos anciãos de Israel; já em Números 20.2-12,
Moisés, irado, em uma reação explosiva, toma para si a responsabilidade de
tirar água da rocha. Não deu glória a Deus, mas, na sua ira, feriu a rocha
quando Deus mandara falar à rocha. Este ato de Moisés foi um ato de
incredulidade rebelde (Tiago 1.20). Assim, Moisés perdeu a chance de entrar em
Canaã (Deuteronômio 3.23-28).

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É lamentável que, após tantas vezes tratados com benevolência,
longanimidade e amor, alguns cheguem a quase amar o Senhor de todo o seu
coração. Talvez não sejam as graves faltas que nos fazem inconstantes, mas as
pequenas e os detalhes. Aquele que cumpriu parcialmente o mandamento do
Senhor, quase o obedeceu e quase lhe foi fiel. O requisito de pureza é diretamente
proporcional a intensidade do relacionamento e comunhão que desejamos ter.
Tanto mais intensa é minha comunhão com Deus, quanto mais envolvido com
seus assuntos eu sou (Jeremias 30.13).

A nossa vocação é de acordo com a nossa raça e o nosso objetivo é a


glória do nosso Deus para sua inteira satisfação (I Pedro 2.9,10). A Nação Santa
é aquela constituída pelas novas criaturas que Deus separou para sua
exclusividade. Esta nação está em guerra; guerra contra o mundo, seus
estatutos, costumes e ídolos (Tiago 4.4) e os soldados desta nação, são
exclusivamente dedicados ao serviço de sua convocação e não têm tempo para
questões do mundo (II Timóteo 2.4). Muitos são soldados valentes, mas não
todos. Há distinção entre valentes e covardes: os valentes verão a Deus. Contudo
Deus não precisa de muitos para mostrar sua glória, mas os que estiverem à
frente verão, em “avant première”, a manifestação do poder de Deus (Juízes 7.1-
7). Jó sabia da importância que o “ver” a Deus, e não somente o ouvir falar dEle,
tem para a comunhão (Jó 42.5). Todos os que quiserem ver a glória de Deus
devem armar-se dos instrumentos divinos, despojarem-se dos instrumentos do
mundo e marchar à frente. Considerando que ser fiel a Deus é cumprir os seus
mandamentos. Qualquer alternativa é a certeza do desastre total:

Ex.:

• I Samuel 15.1-3; 7-11; 18-19; 23;


• Números 33.50-56; Juízes 2.1-4; Salmo 106.34-42

Como Israel não foi zeloso dos mandamentos de Deus a sua rebeldia se
tornou em sua ruína. Nos dias de hoje, onde a Igreja é formada pela Nação
Santa, porém habita um mundo vil, como foi com Israel, o mundo que nos
rodeia é como “as outras nações”, o que se constitui em laço para aqueles que
não são zelosos. A conseqüência direta e imediata da falta de zelo com detalhes é
a absorção de costumes, a mudança de valores e a mudança de critérios para
um perfeito julgamento. Surge um crescente desinteresse pelas coisas da

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congregação, isso porque o coração, enredando-se com os prêmios deste século,
já não consegue dar o devido valor e prioridade às coisas do alto (Mateus 6.21).

Não é uma sugestão, mas uma recomendação veemente aos salvos, que
saibam distinguir entre o santo e o profano, o que convém e o que não convém, o
que edifica e o que não edifica! Entre o que pode ou não acabar me dominando
(I Coríntios 6.12; 10.23) e isso para preservação de suas próprias vidas. As
nações à nossa volta são mais fortes e mais numerosos do que nós, mas “se Deus
é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8.31). Basta-nos adotar o modelo
do Salmo 101, o modelo de um rei para os que são sacerdócio real e, assim, não
estaremos sujeitos à destruição, mas preservados para a Glória de Deus.

Salmo 101
Modelo de Bom Rei
Salmo de Davi

“vs1 - Cantarei a bondade e a justiça; a ti cantarei.”


. Alegrarei-me e divulgarei com exultação todos os atos de justiça de Deus. Cantarei para que ele
ouça e se alegre. Cantarei para ser instrumento útil a ele.

“vs2 - Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição; Oh! Quando


virás ter comigo?”
. Deus é perfeito e quanto mais o conheço, mais desejo os seus caminhos, anseio a intimidade
com o Senhor.

“Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero.”


. Mesmo que ninguém esteja me vendo, manterei minhas determinações e continuarei na minha
sinceridade.

“vs3 - Não porei coisa injusta diante dos meus olhos;”


. O que prenderá a minha atenção, consumindo meu tempo não serão as cenas injustas. Estarei
inconformado com a injustiça.

“aborreço o proceder dos que se desviam;”


. Odeio o "proceder" dos que se desviam. Não odeio os que se desviam, mas o pecado que os
domina.

“nada disto se me apegará.”

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. Não serei influenciado por todo esse clima maligno descrito neste verso. Evitar o mal é uma
questão de conduta.

“vs4 - Longe de mim o coração perverso;”


. Estarei engajado em ter um coração comprometido com as coisas de Deus.

“não quero conhecer o mal.”


. Conhecer é unir-se (como o ato sexual), é experimentar, provar para saber o sabor; não quero
experimentar, não quero conhecer o sabor, nem quero me unir ao mal.

“vs5 - Ao que às ocultas calunia o próximo, a esse destruirei;”


. Não darei livre curso à fofoca e à maledicência. Assim será destruído o fofoqueiro e o
maldizente.

“o que tem olhar altivo e coração soberbo, não o suportarei.”


. O que é cheio de si receberá de mim a justa palavra para que se arrependa. Não farei
concessões às minhas convicções só para agradá-lo.

“vs6 - Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem


comigo;”
. Não mandarei buscá-los para mim, nem virão eles a mim; eu pessoalmente os procurarei. Com
os meus olhos os buscarei para que eu esteja entre eles, para que eles estejam comigo: os fiéis.

“o que anda em reto caminho, esse me servirá.”


. Até os meus empregados e serviçais serão escolhidos dentre os de reto caminho.

“vs7 - Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude; o que


profere mentiras não permanecerá ante os meus olhos.”
. Enganadores e mentirosos não farão parte do meu convívio. Não estarão ante meus olhos
(próximos a mim)

“vs8 - Manhã após manhã destruirei todos os ímpios da terra, para


limpar a cidade do Senhor dos que praticam a iniqüidade.”
. Estarei constantemente engajado na cidade que pertence a Deus – a igreja – para a conversão
das almas, para que a cidade seja limpa. Não farei como Israel que, entrando em Canaã, teve
seu ânimo esmorecido, cambaleou e caiu, não limpou a terra, absorveu seus costumes, foi infiel a
Deus, não deu ouvidos às seguidas advertências e foi consumido. Apenas um remanescente fiel
foi preservado.

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Valmir S. Vale

Taubaté, 01/02/03.