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Apascenta as minhas ovelhas

"Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como
trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres,
confirma teus irmãos. E ele lhe disse: Senhor, estou pronto a ir contigo até à prisão e à
morte. Mas ele disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues
que me conheces" (Lucas 22:31-34).

Certa manhã de sábado, estive refletindo sobre a experiência de Pedro com o Senhor
Jesus. Penso que Pedro tinha um profundo desejo de ser útil ao Senhor, porque O amava. Ele
estava disposto a morrer por Jesus, mas isso estava apenas em seu pensamento. O Senhor
suplicou a favor de Pedro, para que ele não perdesse a fé quando a verdade viesse à tona e isso
aconteceu logo... Assim que o Senhor foi preso, um pavor se apoderou de Pedro e os seus
sonhos começaram a ruir. Rapidamente sua segurança e seu compromisso foram ao chão e ele
perdeu todo o “verniz”. Pedro negou conhecer Jesus por três vezes e então o galo cantou. Nesse
momento, o Senhor passava por Pedro que o avistou. O olhar de Jesus não foi de qualquer
acusação, ao contrário, queria dizer-lhe: “- Não temas, eu supliquei por você”, mas Pedro
retirou-se e chorou amargamente. Nem naquele momento em que olhou nos olhos do Senhor
conseguiu tomar coragem... Imagino que foram as noites mais amargas da vida de um
homem. Pedro, covarde descoberto, nem mesmo compareceu a crucificação! Medo... Desilusão
de um reino destruído... Seus sonhos dissipados e a vida acabada...
Quando ficou sabendo da ressurreição, Pedro correu mais com todas as forças! A
euforia começou a tomar conta do seu coração, porque ele vislumbrou a restauração da sua
alma! Chegou ao sepulcro na frente dos demais, invadiu o túmulo e viu que O Senhor já não
estava lá.
Já em casa, atônito, provavelmente pedia insistentemente a Deus que Jesus estivesse
de fato vivo! Clamou, clamou e clamou! De repente Jesus aparece entre eles! Pedro chora de
alegria e vê que terá mais uma chance de dizer ao Senhor o quanto Ele era importante! Então
Jesus o chama em particular:

- Simão, tu me amas?
- Senhor, Tu sabes que eu Te amo (gosto muito de Ti).
- Então apascenta os meus cordeiros.
Mais uma vez o Senhor lhe diz:
- Simão, tu me amas?
- Senhor, Tu sabes que eu Te amo (gosto muito de Ti).
- Então cuida das minhas ovelhas.
Terceira vez o Senhor lhe diz:
- Simão, tu me amas (apenas gostas muito de mim)?
Pedro entende o que Ele quer dizer e responde:
- Senhor, não poderia esconder-me de Ti, nem ocultar o que há em meu coração. Tudo
o que penso e tudo o que sinto jamais estaria oculto aos teus olhos. A quem quereria
enganar? O Senhor sabe todas as coisas. O Senhor sabe o quanto eu o amo. Gostaria
de amar muito mais e ser muito mais ousado, mas o que tenho é o que declaro: Eu
apenas te amo (gosto muito de Ti).
Surpreendentemente Jesus lhe diz da mesma maneira:
- Apascenta as minhas ovelhas.

Pedro foi confrontado com a sua fragilidade, tal qual Jesus lhe havia dito. Muitas
vezes nos sentimos aquém das necessidades do rebanho, porque parece que o nosso amor pelo
Senhor não é do tamanho que gostaríamos que fosse, mas Ele insiste em que, no estado em que
estamos e apenas com o que temos, devemos cuidar de suas ovelhas!
Pedro passou o resto de sua vida cuidando das ovelhas do Senhor e, segundo a
tradição, nem no momento da sua morte julgou amar ao Senhor como era amado, preferindo
ser crucificado como um traidor. Efetivamente, depois de não viver para si, Pedro morreu por
amor a Jesus.
Na prática, deixando a timidez e a idéia de que o serviço não nos compete, vamos
apascentar as ovelhas! Sejamos leais uns aos outros em verdadeira amizade. As mulheres
socorram as irmãs mais novas, bem como os homens aos irmãos mais novos. Adolescentes
precisam de jovens que lhes valorizem. Jovens mais novos precisam dos mais maduros.
Façamos o que ainda não foi feito e cuidemos deles com amor de Jesus. O Senhor não pediu a
Pedro que provasse o seu amor, mas apenas lhe disse que não deixasse de cuidar das ovelhas.
Os que pertencem ao Senhor são da conservação da confissão e da vida, guardiões da
esperança, pessoas a quem Deus confia ferramentas e armas para a difusão da verdade.
“... confirma teus irmãos..." (Lc 22:32)

Com súplicas e lágrimas,

Valmir Vale
Taubaté, 31 de outubro de 2008.