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Andressa da Costa Farias

2014

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Copyright © 2014, Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC.

2ª Edição adaptada ao novo projeto gráfico e instrucional do


Departamento de Educação a Distância - EaD - IFSC.

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Prezado estudante,
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O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), preocupado em
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para que você, caro aluno, consiga acompanhar seu curso
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Instrucional Departamento EaD/IFSC

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Comunicação
e Linguagem

Sumário

1. Comunicação e Linguagem 07
2. Técnicas de comunicação e linguagem 21
3. Língua padrão na comunicação oral e escrita 39
4. A correspondência oficial 53
5. A oralidade na comunicação em público 65
Considerações Finais 00
Sobre o autore 75
Referências 76

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A Unidade Curricular de
Comunicação e Linguagem
Prezado(a) estudante,

É grande a satisfação de compartilharmos juntos o estudo e


análise sobre comunicação e linguagem. Nossa comunicação é
estabelecida a partir de agora, por exemplo, na leitura que você faz
desta página. Percebeu? Você está utilizando a capacidade de ler
em uma língua num determinado idioma – o português brasileiro.

Muitos dos primeiros contatos pessoais e profissionais começam


assim: através da leitura de algo escrito e atualmente, e com mais
frequência, através de um contexto digital como correio eletrônico
ou rede social. A leitura e a capacidade de escrita de impressos
exigem uma análise e conscientização de quanto é primordial
saber comunicar uma mensagem de forma correta ao destinatário
almejado.

Teremos 5 unidades nas quais estudaremos o conceito e as


técnicas de comunicação e linguagem; como a língua padrão é
materializada na comunicação oral e escrita; a apresentação da
estrutura e de dicas importantes na configuração da linguagem
adequada para textos que circulam na correspondência oficial.

E por fim, como utilizar a linguagem oral para fazer apresentações


em público. Todos os tópicos abordados foram selecionados com
o propósito de oferecer a você subsídios para melhor utilizar a
linguagem e para comunicar de forma cada vez mais eficiente.

Acredito que tais conhecimentos são atributos importantes para o


crescimento pessoal e profissional.

Desejo um excelente curso!

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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM UNIDADE 1

Andressa da Costa Fariasr

Comunicação
e Linguagem
Nesta unidade inicial abordaremos como o conceito de linguagem e de
comunicação foi concebido. Aqui você conhecerá o primeiro esquema
de comunicação materializado pelo linguista Roman Jakobson. Além
disso, iremos entender melhor como a comunicação verbal e não verbal
está presente no nosso cotidiano e a importância de tais conceitos e
aprendizado em um ambiente profissional.

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Conceito de Comunicação
e de Linguagem
Os conceitos de comunicação e linguagem são de extrema relevância
para entendermos o funcionamento da língua que utilizamos como
meio de interação social com os demais sujeitos. Conforme Barros
(2010), a partir do século XX, o exame do conceito de comunicação
entrou nos estudos linguísticos a partir de Saussure. Esse teórico
afirmou que a língua é fundamentalmente um instrumento de
comunicação. E a comunicação só pode ser materializada através
da linguagem.

A linguagem engloba todos os fatores que fazem com que os


sujeitos consigam estabelecer um vínculo através, por exemplo
de uma mensagem, uma interação para realizar as mais diversas
funções sociais: comprar, casar, assinar contratos, fazer palestras,
dar depoimentos, entre outros. Podemos enfatizar que a linguagem
pode ser representada de diversas maneiras. Há a linguagem
corporal, há a linguagem visual, há a linguagem artística, musical,
etc.

Segundo Koch (2003), a linguagem é a capacidade do ser humano


se expressar através de um conjunto de signos. Os signos podem
constituir a representação da linguagem sonora, pictória, verbal.

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Comunicação e Linguagem 9

A língua é uma das manifestações de linguagem utilizadas pelos


seres humanos. Só existe língua a partir da existência de uma
sociedade, pois é pelas interações sociais que a língua se manifesta.

Ela é a expressão de um meio social onde os membros interagem


entre si. Logo, a língua é uma das representações de linguagem
utilizada entre os sujeitos sociais. A materialização da língua se
dá através de um idioma (língua portuguesa, inglesa, francesa,
espanhola) e pode ser manifestada na forma oral (através da fala)
e na forma verbal escrita (através das palavras, frases, enunciados
em registro escrito).

A linguagem segue algum tipo de convencionalidade já pré-


estabelecida pelos membros de uma sociedade e (que) sempre
estará situada em determinado tempo e espaço. E por isso as
línguas e as representações de linguagem mudam com o decorrer
do tempo. Prova disso são as mudanças de vocábulos/termos
ao longo da história que ora são criados, outros acrescentados,
enquanto alguns entram em desuso.

Conforme Cagliari (2006), a linguagem é um fato social que sobrevive


a partir das convenções sociais admitidas para ela. E, como a língua
é uma das manifestações da linguagem, o falante nativo usa a língua
conforme regras próprias do seu dialeto, da comunidade linguística
em que está inserido. As pessoas só se entendem porque falam
com seus pares de forma semelhante. Para que a comunicação
possa ser estabelecida é necessário seguir algumas regras próprias
da língua em uso no ato da interação.

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Ao considerar alguém como falante nativo de uma língua, pode-
se dizer que este sujeito dispõe de um vocabulário e de regras
gramaticais. O vocabulário é o repertório linguístico que uma
pessoa precisa para se comunicar diante de seus pares ou de um
contexto social específico. Deste modo, podemos considerar que
com o passar do tempo, e com o aumento do grau de escolarização,
leituras e experiências pessoais, o número de palavras e expressões
conhecidas tende a aumentar também. No entanto, todas as
pessoas utilizam do vocabulário já conhecido para se comunicarem
e se não conhecem alguma palavra ou expressão geralmente
buscam conhecer.

A comunicação é uma área de conhecimento que pode ser discutida


muito mais pelo viés da teoria da informação do que propriamente
pelos estudos linguísticos. Segundo Barros (2010), a comunicação
tem como principal objetivo a transmissão de uma mensagem
eficiente eliminando os efeitos indesejáveis dos ruídos. Os ruídos
podem ser entendidos como tudo aquilo que intervém no processo
e percurso da comunicação como barulhos, problemas no canal
de comunicação, desinteresse, desatenção, crenças que não são
compartilhadas bem como cultura diferente que pode interferir
no entendimento da mensagem, diferenças sociais ou de idade,
indisposições pessoais, falta de conhecimento do assunto ou do
código, entre outros.

A COMUNICAÇÃO se dá de forma eficiente quando expressa


de maneira CLARA, OBJETIVA, direta aquilo que se propõe
como mensagem. Pode ser entendida como transferência de
MENSAGENS. Há comunicação na transmissão de uma mensagem

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Comunicação e Linguagem 11

de um emissor a um receptor através de um código que pode ser


verbal ou escrito.

As leituras visuais do comportamento humano também comunicam


algo para o outro. A personalidade é refletida na comunicação
pessoal de cada sujeito na forma como se expressa linguisticamente,
como se comporta, gesticula, olha ou se veste. Por isso é importante
observar tais fatores para que num momento de comunicação
possa expressar de maneira clara aquilo que se propõe comunicar.
Diferenças de fala e atitudes e/ou comportamento podem fazer
com que o que se planejou comunicar não seja entendido de forma
satisfatória.

Roman Jakobson (1969) apresentou um modelo ou esquema de


comunicação que é tomado como base das discussões sobre
comunicação. Apresentaremos a seguir seu esquema.

Roman Jakobson
(1896-1982) foi um linguista russo e teórico da comunicação.
Tornou-se um dos maiores linguistas do século XX. Pioneiro da
análise estrutura da linguagem, poesia e arte. Criador, entre outros
termos e conceitos, das funções da linguagem. Estudioso das
obras de Edgar Allan Poe, Fernando Pessoa e Bertolt Brecht.

A comunicação advém da necessidade de interação e envio de uma


determinada mensagem para outro. O esquema de comunicação
proposto por Roman Jakobson se sistematiza da seguinte maneira:

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A comunicação só se processa adequadamente se a mensagem
recebida for decodificada pelo receptor. Neste sentido, deve haver
uma eliminação de ruídos e ambos (emissor e receptor) devem
compartilhar o mesmo código e o mesmo contexto para a mensagem
ser compreendida. O emissor deve codificar a mensagem, ou seja,
transformar num código conhecido para que o receptor decodifique
a mensagem, ou seja, entenda. Posteriormente, o emissor terá o
feedback, ou seja, saberá se o receptor captou ou não a mensagem
através da reação deste. Assim, resumidamente vemos que a
comunicação entre dois interlocutores se dá através da linguagem
manifestada em um código. Esta linguagem pode ser verbal e
não verbal. Passamos ao estudo de cada uma relacionando suas
características e peculiaridades.

Linguagem verbal e não-verbal


Antes de adentrarmos este tópico, leia o poema seguinte:

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Comunicação e Linguagem 13

Poema

A leitura é muito mais


do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:

vai ler nas folhas do chão,


se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;

vai ler na casa de alguém


o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;

e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;

também na cor da fruta,


e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,

e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,

vai ler até nas estrelas


e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

Ricardo Azevedo (2006)

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A mensagem principal do poema demonstra que a leitura de
mundo é realizada constantemente através de nossos sentidos: da
visão, do tato, do olfato. E contribui para a realização deste ato: a
emoção, a cultura, os julgamentos prévios realizados, entre tantas
outras situações. Logo, não há leitura apenas da palavra escrita.
Há leitura na imagem, nos gestos, nas situações vividas. Assim, o
código de comunicação pode ser a palavra escrita ou falada. O uso
da palavra faz parte da linguagem verbal escrita ou oral. A palavra
se manifesta na forma verbal escrita quando nos deparamos com
leitura ou escrita dos impressos nos mais variados gêneros: jornais,
revistas, panfletos, aviso, circular, edital entre outros gêneros. E na
forma verbal oral quando falamos com alguém para fazermos um
pedido, uma solicitação, uma declaração, um enumerado de fatos,
quando contamos algo, quando utilizamos a voz como instrumento
de comunicação.

Mas, a comunicação também pode se dar através da linguagem


não verbal. Neste caso, o código utilizado advém de símbolos
gráficos ou sinais. Estes símbolos podem ser, por exemplo, sinais
de trânsito, placas, desenhos e cor (bandeiras), gestos, postura
corporal, configuração facial. Para leitura da linguagem não verbal
é necessário conhecer as analogias relacionadas a cada símbolo.
Por exemplo, se no trânsito o semáforo mostra o sinal vermelho
para o condutor, este deve saber que deve parar o carro. Já no
futebol, ademais de todas as regras imbuídas, sabe-se a qual país
pertence um jogador pelo seu uniforme que advém da convenção
das cores da bandeira de seu país. A linguagem não verbal é
extremamente importante e muito utilizada até mesmo em reações
ou manifestações comportamentais.

Há algumas leituras da linguagem não verbal que são universais


no mundo, ou seja, que o significado é compartilhado mesmo
por aqueles que falam idiomas diferentes. A manifestação de um
sorriso espontâneo, por exemplo, bem como um pranto de choro
tem geralmente os mesmos significados em diferentes culturas. É
a manifestação da alegria e satisfação no caso de um sorriso e da
dor ou angústia no caso do choro humano. Você percebe o quanto
é relevante a linguagem não verbal?

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Comunicação e Linguagem 15

Por isso, a apresentação pessoal e expressão corporal são muito


importantes, sobretudo nas nossas relações profissionais. É fácil
uma leitura da linguagem não verbal emitida pelo nosso corpo.
Dá para avaliar as emoções através da expressão facial e/ou
fisionômica. A expressão do olhar transmite de forma direta e fácil
de perceber as emoções. Aliás, o movimento dos olhos possui um
papel relevante na comunicação. Olhar fixamente pode demonstrar
interesse ou provocação dependendo do contexto. Assim como
desviar o olhar pode ser entendido como falta de interesse ou
submissão.

O corpo também é um veículo de comunicação não verbal através


da postura, do balanço da cabeça, da forma com que os braços
e pernas se movimentam (cruzar os braços, cruzar as pernas), do
modo com que nos vestimos. O contexto pode indicar estado de
interesse, relaxamento, desatenção, atenção redobrada, cuidado
com o corpo ou desleixo. Por isso, é importante ter atenção na
forma de apresentação pessoal e expressão facial e corporal para
ajudar a passar a “imagem” ou mensagem adequada dependendo
do contexto social ou profissional que se está inserido. É preciso
ter consciência de qual mensagem você emite para os outros
quando em contexto profissional. O que comunicamos pode nos
ajudar ou nos atrapalhar em relação ao contexto trabalhista. Ajudar
a termos melhores condições ou oportunidades (cargos, salários,
posicionamento) ou nos atrapalhar caso estejamos comunicando
mal (aparentando pouco cuidado em relação a higiene pessoal, por
exemplo).

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A comunicação e a linguagem nas relações
profissionais
As relações profissionais são pautadas pela comunicação
manifestada através da linguagem. A linguagem utilizada nas
interações se constitui da linguagem oral verbal e verbal escrita.
Para comunicar bem uma mensagem e demonstrar credibilidade
nas interações é importantíssimo que tanto uma quanto a outra
tenha algumas características comuns como: objetividade,
clareza, coerência, concisão, utilização adequada da gramática,
vocabulário adequado. A qualidade na comunicação e nas
interações profissionais marca o sucesso de uma corporação e/ou
empresa. Há diversos problemas gerados se a comunicação não
se faz de maneira eficiente. Há perda de tempo e de dinheiro. Um
profissional competente e dedicado sabe utilizar a linguagem de
maneira correta e precisa. E muitas vezes este é o motivo dele ser
“disputado” no mercado corporativo.

Tal profissional precisa saber utilizar de forma eficiente a linguagem


verbal oral e também, e sobretudo, a verbal escrita. Vale lembrar que
atualmente a linguagem verbal escrita é geralmente utilizada a partir
da publicação digital através da ampla gama de aparato tecnológico
disponível para a comunicação: computadores, celulares, netbook,
tablets, entre outros equipamentos. Utilizar da linguagem escrita é
uma constante nas empresas e corporações públicas. Até porque a
linguagem oral não garante que a mensagem seja fidedigna. Muitas
vezes ocorre falta de clareza da informação principal. Segue um
exemplo disso:

É conhecida a história do oficial que solicitou a reunião de


todos os soldados no pátio do quartel para assistirem à
passagem do cometa Halley e que só conseguiu que todos
se reunissem no refeitório para participarem de um show de
Bill Halley. Isso porque nenhum dos emissores se preocupou
em verificar de que modo a mensagem estava sendo
compreendida e repassada aos demais destinatários. (GOLD,
2010, p.4)

Conforme Gold (2010), a comunicação empresarial ou corporativa


deve ter como princípio fundamental gerar uma resposta objetiva
àquilo que é transmitido. Propiciar uma ação. Partindo de tal
colocação e sabendo que na comunicação corporativa prevalece
o texto verbal escrito. Deste modo, ao redigir um texto e enviar,
ele deve gerar uma resposta rápida. Isso mostra que o texto foi
eficaz; caso contrário o texto deve ser reelaborado e reescrito, pois
provavelmente não foi compreendido de forma clara pelo receptor.

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Ainda segundo Gold (2010), um texto mal escrito gera uma série de
problemas como: desmotivação para leitura, privilégio da troca oral
de informações, falta de credibilidade, retrabalho, conflitos internos
constantes, ineficiência para novos negócios e acordos, mais ou
menos como podemos ver na tirinha de Dilbert
[ Saiba mais sobre a tirinha
acessando: http://dilbertbrasil.
blogspot.com.br/ ]

REFLITA SOBRE A PRÁTICA


[ ATIVIDADE ]
Reflita sobre a mensagem principal da
tirinha de Dilbert e discuta com seus
pares através dos encontros presenciais
no polo ou do fórum no AVEA.

Infelizmente, para resolver os problemas de comunicação de uma


empresa não basta simplesmente se isolar e “enfiar a cabeça” em
um buraco. Procedendo desta forma, a empresa ou instituição
pública e todo o resto tende ao fracasso e insucesso. É preciso
urgentemente que as mensagens e documentos gerados no
meio comunicativo sejam eficientes e claros. Caso contrário,
geram muitos problemas tais como: a desmotivação para leitura
que ocorre quando o receptor da mensagem não lê o texto todo,
apenas uma parte para ver ou tentar decifrar do que se trata. Outro
problema é privilegiar a troca oral de informações, uma vez que
a fala pode ser mal interpretada gerando confusão de informação
e imprecisão na mensagem principal. Além destes fatores uma
mensagem mal elaborada, ambígua ou obscura compromete a
credibilidade de uma área ou toda a empresa e/ou corporação diante
de seus clientes internos ou externos. Documentos mal elaborados
ou mal escritos também geram uma perda de tempo imensa, pois
fazem com que tanto emissores quanto receptores da mensagem
precisem refazer o que querem comunicar. E mais grave ainda,
a falta de clareza na comunicação tende a gerar interpretações
equivocadas, o que pode gerar desagregação da equipe ou mal
estar profissional entre alguns membros. E, por fim, a ineficiência
nas mensagens gera também perda de oportunidades de novos
contatos, outros negócios, associações, etc.

É importante, então, apresentarmos algumas características do


texto bem elaborado na comunicação e linguagem das relações

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profissionais para que se tire o máximo de proveito ao comunicar
algo ou fazer algum pedido importante. Segundo Gold (2010),
são tais CONCISÃO, OBJETIVIDADE, CLAREZA, COERÊNCIA,
LINGUAGEM ADEQUADA E USO CORRETO DA GRAMÁTICA.
Vamos elencar a seguir de forma direta o que significa cada uma
das características citadas em relação à elaboração de um texto.
Deve-se seguir tais orientações:

• Expressar o máximo de informações sem repetições ou


excesso de ideias. Para isso é preciso saber com precisão
as informações realmente relevantes e o significado das
palavras e expressões que serão utilizadas. Isso é fazer o
texto ser conciso.

• Expressar as ideias com objetividade ao destinatário é saber


expor as ideias principais do texto, retirando informações
supérfluas que podem fazer o leitor perder o foco. Para isso,
antes de enviar qualquer mensagem ou texto é necessário
revisá-lo.

• A clareza da mensagem está na mente do emissor, mas


precisa chegar da mesma forma ao receptor. Para tal, ao
redigir um texto é preciso verificar se há falhas ou lacunas
de sentido que podem dificultar o entendimento daquilo que
se pretende comunicar. Geralmente enunciados mal escritos
geram ambiguidade. Duplo sentido. É preciso evitar!

• Para um texto ser coerente é preciso que haja conexão


entre as ideias apresentadas. A conexão de sentido entre
as palavras depende do significado de cada uma. É preciso
saber escolher adequadamente o vocabulário a ser utilizado.

• A adequação da linguagem deve levar em conta o público-


alvo da mensagem e o assunto a ser tratado. Atualmente,
a maioria das correspondências corporativas se utiliza de
e-mails (correio eletrônico) ou redes sociais profissionais.
Mesmo nestes ambientes é necessário que haja um cuidado
na elaboração da mensagem para que a credibilidade de
quem envia e de quem recebe não seja alterada.

• E por fim, mas não menos importante, é necessário saber


usar corretamente a gramática na elaboração dos enunciados
das mensagens e documentos. Erros ortográficos, de
concordância, crase, vírgula, acentuação comprometem a
imagem do emissor e da corporação a qual faz parte. Todo

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Comunicação e Linguagem 19

cuidado é pouco. Por isso, o ideal é jamais enviar qualquer A IMPORTÂNCIA DA


mensagem sem que tenha passado por uma revisão prévia. COMUNICAÇÃO NAS
RELAÇÕES PROFISSIONAIS
Leia a seguir trechos (GOLD, 2010, p.10) que são difíceis de serem [ LEITURA COMPLEMENTAR ]
interpretados, pois estão mal escritos. Veja como a autora explica http://www.youtube.com/
a necessidade de reescrita: watch?v=ZjY3mVKr8sI
O vídeo discute a ética na comunicação
“Cachorro faz mal à moça !” (1) e as relações profissionais.

“Vou mandar-lhe um porco pelo meu irmão, que está bem gordo.”
(2)

“Pedro e Paulo vão se separar.” (3)

As explicações são as seguintes:

Em (1) o que faz mal à moça a ingestão de sanduíche cachorro-


quente. E em (2) presume-se que quem esteja gordo seja o porco e
em (3) salienta-se que Pedro e Paulo estão se separando cada um
das suas respectivas mulheres.

Agora que você sabe o que cada enunciado deveria expressar.

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Diante de tudo que foi apresentado nesta unidade inicial, creio
que foi possível você perceber o quanto a linguagem e as formas
de comunicação afetam diretamente a nossa vida pessoal e
profissional. O melhor é que saibamos sempre nos comunicarmos
de forma mais clara e objetiva possível, pois mensagem eficiente
é aquela que produz o efeito que gostaríamos no nosso receptor.
Isso facilita nosso desempenho enquanto profissionais e enquanto
pessoas. Imaginem quantos desenganos poderiam ser evitados
se as pessoas conseguissem se comunicar de forma eficiente?
Os tópicos abordados nesta primeira etapa serviram também de
sensibilização para os conceitos de comunicação, linguagem verbal,
não verbal, oral entre outras. Espero que você tenha aproveitado
bastante o aprendizado proposto aqui. E siga em frente.

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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM UNIDADE 2

Andressa da Costa Fariasr

Técnicas de
comunicação e
linguagem
Nesta segunda etapa de curso relacionada às técnicas de comunicação
e linguagem abordaremos a comunicação no seu sentido mais amplo.
Estudaremos como se deu a fixação das palavras nos artefatos
midiáticos: vídeos, televisão, jornais, revistas, internet, etc. Para isso,
vamos abordar o surgimento da escrita, a sistematização do alfabeto, as
formas de comunicação no ambiente corporativo e o que as funções da
comunicação vêm a contribuir em tal área. Além disso, vamos explorar
os níveis de linguagem bem como a aplicação da coesão e coerência
nos textos verbais escritos. Vamos começar?

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Formas de
Comunicação
Conforme estudamos anteriormente, há diversas formas de
comunicação relacionadas aos sentidos humanos: visão, tato,
paladar, olfato e audição. A comunicação pode ser materializada
através, então, dos artefatos midiáticos relacionados à capacidade
humana de ver, sentir, tocar, ouvir as informações. Assim, muitas
mensagens são transmitidas ao público em geral por meio de
jornais, revistas, televisão, rádio, outdoors, panfletos. Geralmente
se diz que tais instrumentos são suportes de comunicação para
uma infinidade de textos verbais orais e escritos: editorial, anúncios,
novelas, debates, telejornalismo, etc. Para chegar a este patamar de
comunicação, a humanidade passou por diversas fases anteriores
que culminaram no aparecimento da escrita e na sistematização do
alfabeto. Essa descoberta foi extremamente importante e relevante
para a comunicação e o desenvolvimento da linguagem. Faremos
[ Há quem afirme que a história da uma breve imersão histórica do surgimento da escrita, da palavra,
humanidade se divide em antes e a tão importante para a comunicação.
partir da escrita. A escrita surge com
a necessidade de o homem registrar Na pré-história o homem sinalizava a sua comunicação através
os contos orais, os mitos, as histórias, de desenhos feitos nas cavernas. Esse tipo de representação
as descobertas, as conquistas de se chamava pintura rupestre. Através dela era possível trocar
território e as conquistas materiais.] mensagens, expressar ideias e desejos. Mas a escrita propriamente

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 23

dita surgiu na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C., através dos


sumérios, que desenvolveram a escrita cuneiforme.

Para fixar o que estava escrito, usavam-se placas de argila como


suporte.

Na mesma época, os egípcios antigos também desenvolveram a


escrita. Existiam duas formas dela: a demótica e a hieroglífica.

Foi a partir do desenvolvimento do alfabeto que a escrita começou


a ser sistematizada. Foram diversos os instrumentos usados para
fixar a escrita. Podemos citar a pedra, o tijolo, cacos de cerâmica,
o ferro, o osso, o vidro, o bronze, uma variedade de outros metais,
madeira, casca de árvores, folhas de palmeira, tela, seda, peles
de animais, o tecido e, mais recentemente, os editores de textos
digitais que são impressos através do papel ou visualizados pela
tela digital. Atualmente há de se considerar, então, como formas
de comunicação as interações digitais através do uso de editores
de texto, redes sociais, mensagens de celulares, correio-eletrônico,
etc.

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No âmbito corporativo, as formas de comunicação são duas:
comunicação interna e externa. Empresas e instituições sérias e
comprometidas procuram passar informações de forma objetiva
sobre seus produtos aos clientes através da comunicação externa.
Procuram ser eficientes com o desenvolvimento do trabalho
através da boa comunicação interna entre seus colaboradores.
Conceitualmente, as formas de comunicação corporativa podem
ser descritas como:

Comunicação interna é o que se verifica entre a organização


e seu pessoal. Comunicação externa é aquela que abrange
consumidores, clientes, fornecedores, acionistas e o público
amplamente afetado por jornal, revista, rádio, televisão,
agência de notícias, etc.

(BAHIA, 1995, p.16)

No mundo corporativo as duas formas de comunicação são


primordiais. Uma vez que o gestor da empresa ou da instituição
deve saber ou ter conhecimento prévio da opinião dos seus
colaboradores sobre o que produzem ou sobre aquilo que fazem,

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 25

tal opinião certamente reflete no mundo exterior, influenciando


muitos fatores. Influenciando, inclusive, a comunicação externa.

Agora que exploramos um pouco as formas de comunicação num


sentido geral e no contexto corporativo, vamos apresentar a seguir
as funções da comunicação para que você entenda como este
processo se dá na prática.

Funções da comunicação
A comunicação no âmbito organizacional tem basicamente quatro
funções. Conforme Robbins (2009) são: controle, motivação,
informação e expressão emocional.

Vamos discorrer brevemente sobre cada uma. A comunicação


também pode funcionar para CONTROLAR o comportamento
daqueles que participam de uma equipe ou estão organizando um
projeto. O primeiro tipo de controle está relacionado à hierarquia
de autoridade. Os membros precisam confiar naqueles que estão
no comando ou gestão do projeto bem como seguir as orientações
formais repassadas para sistematizar o trabalho em grupo em
prol de um objetivo específico. Pode-se citar, por exemplo, neste
processo a necessidade da equipe comunicar aos superiores o
andamento do projeto, o que já foi realizado, o que falta realizar,
os próximos passos, o cumprimento de atividades, horários e
atribuições acordadas entre os sujeitos, etc.

Há de se considerar também a comunicação informal como controle


de comportamento. Geralmente isso acontece quando membros
de uma equipe assediam outro membro que produz demais ou que
produz de menos destoando do grupo como um todo.

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A segunda função da comunicação é aquela que gera MOTIVAÇÃO.
A motivação é o esclarecimento para cada sujeito da equipe, o que
deve ser realizado, como deve ser realizado, o que se está fazendo
de melhor na realização do trabalho e o que pode ser feito ainda
para melhorar o desempenho de cada um se estiver abaixo daquilo
que é esperado. O uso efetivo da comunicação nesta função é
primordial, pois uma pessoa desmotivada é capaz de gerar diversos
problemas no ambiente de trabalho.

Para manter a equipe motivada é primordial que a gestão sistematize


de forma clara e objetiva as metas a serem atingidas e estimule
seus colaboradores a materializar tal realização.

Outra função da comunicação é o fornecimento de INFORMAÇÃO.


Fator importante para tomada de decisão. Todos os sujeitos
envolvidos numa relação de trabalho precisam a todo instante
tomar pequenas ou grandes decisões que afetam ou afetarão o
andamento do processo produtivo e organizacional. Para tal,
precisam estar constantemente informados. Atualmente o uso de
meios tecnológicos como acesso à internet e dispositivos móveis
(celulares, tablets) entre outros facilitaram o processo de consulta
e informação, mas a organização ou empresa propriamente dita
deve estar constantemente repassando informações e orientações
atualizadas aos colaboradores.

Outra função da comunicação é a possibilidade de EXPRESSÃO


EMOCIONAL dos sentimentos para a satisfação pessoal e das
necessidades sociais. A rede de participantes de uma equipe de
projeto tem seus membros como fonte básica de interação social.

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 27

É primordial que os sujeitos dentro de tal contexto consigam


demonstrar seus sentimentos como frustrações, satisfação, empatia,
entre outros. Para complementar as funções desempenhadas pela
comunicação, é importante atentar para algumas dicas que podem
potencializar a interação social de um grupo de trabalho. São
atitudes simples, mas que produzem um grande efeito nas relações
profissionais. A partir de Gevaerd (2010, p.22), citaremos algumas:

• Olhar as pessoas nos olhos;

• Saber expressar-se oralmente bem, sem gaguejar, nem falar


muito rápido;

• Não falar alto ou baixo demais;

• Gesticular sem tocar o outro;

• Adequar o que diz conforme a pessoa, o lugar e a hora;

• Não ser íntimo nem indiscreto;

• Conter o impulso de falar mal de alguém;

• Não interromper quem está falando;

• Ouvir o outro com atenção;

• Dizer apenas o necessário, evitando intimidades;

• Falar delicadamente e com educação, mesmo com pessoas


mal-educadas. [ Usar frequentemente expressões
como: faça o favor, pois não,
Para potencializar as funções da comunicação no ambiente de obrigado, com licença, tenha a
trabalho é pertinente o conhecimento sobre os níveis de linguagem, bondade, desculpe, disponha, não
nosso próximo assunto. há de quê.]

Níveis de linguagem
Os níveis de linguagem correspondem ao uso que fizemos da língua
em situação comunicativa num âmbito de interação ou de escrita. O
uso da língua está sempre condicionado a um contexto e situação.
A língua falada, por exemplo, é mais espontânea do que a língua
escrita. Na fala não conseguimos monitorar a todo o tempo o nosso
vocabulário, a concordância (verbal, nominal), o plural das palavras.
Ao falarmos evocamos algumas marcas próprias vinculadas a

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nossa origem (lugar), ao tempo (época em que estamos vivendo),
ao grupo que pertencemos, ao interagirmos deixamos “escapar”
marcas próprias do sotaque (região de onde viemos), entre outros
fatores. Na língua escrita, a norma que a rege é a GRAMÁTICA e
por isso é possível revisar o texto escrito eliminando possíveis erros
ortográficos, de concordância, plural, entres outros.

Em relação aos modos de usar a língua, os níveis de linguagem


vêm demonstrar que a linguagem verbal oral é condicionada a
fatores como escolaridade do indivíduo, idade, região, situação
financeira, entre outros. E que não é correto taxarmos como “certo”
ou “errado” o modo como um sujeito se expressa. É necessário
reconhecer algumas especificidades da língua e da linguagem
que podem ser analisadas como adequadas ou não adequadas.
O bom desempenho social e profissional pressupõe o domínio e
reconhecimento da língua a partir da mais ampla possibilidade de
registro e variação.

Os níveis de linguagem são basicamente: popular ou coloquial,


culta ou padrão, gíria, e regional.

• Linguagem coloquial ou popular é aquela linguagem


espontânea, não monitorada. Muitas vezes apresenta
vícios de linguagem, inadequações na pronúncia de
algumas palavras, ambiguidade, cacofonia, pleonasmo.
Esses problemas serão analisados posteriormente neste
material. Tem como principal característica a oralidade e o
uso popular da língua. Está presente em diversas situações
de interação: conversa entre amigos, entre parentes, entre
casais, entre grupos específicos, etc.

• Linguagem culta ou padrão é a linguagem oficial que


rege a vida em sociedade. Está presente nos impressos
como livros, jornais, revistas, documentos. E por isso é
tão importante ser ensinada e entendida por todos como
fator de cidadania. Geralmente quanto maior o grau de
instrução de um indivíduo ou grupo mais se utilizará a
língua oficial de forma correta. É a linguagem presente
em aulas, congressos, seminários, palestras, discursos,
comunicações científicas, noticiários, etc.

• Gíria Independente da localização geográfica, o conjunto


de termos utilizado por um grupo específico pode ser
caracterizado como gíria. Podemos citar uma infinidade
de gírias vinculadas a pessoas que são consideradas

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 29

pertencentes a uma determinada comunidade pessoal,


profissional, estilo, etc.

GIRIAS DE GRUPO
[ LEITURA COMPLEMENTAR ]
http://linguagemcontemporanea.
wordpress.com/category/girias/girias-
de-grupo/

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GURI DE URUGUAIANA, • Linguagem regional a linguagem regional corresponde ao
VÍDEOS FALARES modo como determinados grupos se expressam a partir da
REGIONAIS E CHICO BENTO região onde vivem. Há certas palavras e expressões que são
[ LEITURA COMPLEMENTAR ] próprias do lugar a que os indivíduos fazem parte. O Brasil
Guri de Uruguaiana http://www.jairkobe. como um país de tamanho continental possui uma infinidade
com.br/ Guri de Uruguaiana na seleção de falares regionais vinculados aos estados. Assim podemos
Brasileira http://www.youtube.com/
dizer que há diversos falares: nordestino, gaúcho, mineiro,
watch?v=E966Rfekixk
fluminense, amazônico, catarinense etc.
Este endereço eletrônico bem como o
vídeo complementa o que queremos
Ex: gaúcho não xinga, gaúcho “bota os cachorros”
expor como exemplo dos falares
regionais. O “Guri de Uruguaiana” é
Ex: gaúcho não se queixa, gaúcho “chora as pitangas”
um personagem folclórico criado pelo
artista Jair Kobe para evidenciar a fala
Ex: QUÉS FILHO? VAI DÁ COMO Ô DI! - Expressão usada para
e o regionalismo do Rio Grande do Sul,
sobretudo, do gaúcho do interior. dizer que se uma pessoa quer determinada coisa tem que batalhar
por ela.
Vídeos falares regionais
Ex: QUERENÇA - Desejo, vontade.
Dona Bilica fala com a atriz Vanderleia
Will http://www.youtube.com/ É extremamente importante o reconhecimento dos níveis de
watch?v=1A5AZFf4r9U linguagem para que possamos nos desvincular de preconceitos em
Este vídeo explora através da relação ao uso da língua. Precisamos entender que a linguagem
personagem “Dona Bilica” o falar e os muda constantemente e está condicionada a diversos fatores já
costumes do nativo da ilha de Santa
citados anteriormente.
Catarina. A atriz Vanderleia Will resgata
o modo peculiar da fala e do jeito
“mane”. O interessante nesta exibição
é se dar conta do quanto há uma
diversidade linguística grande num
mesmo país, numa mesma região como
o sul brasileiro, por exemplo, quando
pensamos no exemplo já citado do Guri
de Uruguaiana.

Chico Bento

http://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Bento
O interior do Brasil expressa de forma Pertencemos a grupos específicos na sociedade e invariavelmente
costumeira a fala caipira. E tal fala evocamos, por vezes, nosso sotaque, gírias, expressões próprias
é retratada em publicação impressa do lugar de origem, falamos de maneira coloquial com as pessoas
e digital através das tirinhas do próximas, etc. No entanto, é relevante que saibamos que há uma
personagem “Chico Bento” nas tiras
valorização maior no âmbito profissional se utilizarmos a língua
da Turma da Mônica, de Mauricio de
Sousa. padrão de forma correta, pois é através da linguagem oficial que
é organizada institucionalmente a vida em sociedade. E é por isso
que vamos abordar alguns vícios de linguagem que devemos evitar.

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 31

Vícios de linguagem
Agora que você conhece os níveis de linguagem convém conhecer
os vícios para que você os evite tanto na fala quanto na escrita. Ao
pronunciar e empregar corretamente palavras e expressões você
está agregando valor ao seu desempenho pessoal e social. Vamos
citar os mais comuns:

• Ambiguidade: expressões de duplo sentido.

Ex: O funcionário falou com o chefe dentro de sua casa.

• (Dentro da casa do funcionário ou do chefe?) REFLITA SOBRE A PRÁTICA


[ ATIVIDADE ]
• Pleonasmo: redundância da informação.
Reflita sobre a mensagem principal da
tirinha de Dilbert e discuta com seus
Ex: O balão subiu para cima.
pares através dos encontros presenciais
no polo ou do fórum no AVEA.
Ex: Desceu lá embaixo para buscar comida.

• Solecismo: inadequação na estrutura sintática da frase.

Observe:

Ex: “Fazem três anos que recomecei a estudar.” (Faz três anos que
recomecei a estudar).

Ex: “Me empresta seu livro, por favor”. (Empresta-me seu livro, por
favor).

Significados de algumas expressões que muitas vezes confundem


na realização da fala ou escrita.

• Ao encontro: ideias que são compartilhadas.

Ex: Minhas ideias vão ao encontro das tuas.

• De encontro: ideias contrárias.

Ex: Não nos entendíamos, minhas ideias iam de encontro as dele.

• Em nível: é preciso evitar a expressão “a nível de”

• Meio: um pouco # Meia: metade.

Ex: Estava meio preocupada com as provas que se aproximavam.

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• Tomou meia taça de vinho durante a noite.

• A: tempo futuro. Há: tempo passado ou decorrido.

Ex: Há anos não o vejo.

Ex: O avião sairá daqui a dez minutos.

Há também alguns vícios que são cometidos exclusivamente na


escrita. Profissionalmente eles atrapalham bastante. Convém
SEMPRE evitar. Vamos mostrar alguns: verbosidade, chavão,
jargão técnico, coloquialismo excessivo.

Verbosidade
Segundo Gold (2010), a verbosidade ocorre quando uma mensagem
é estruturada de maneira complexa quando poderia ser escrita de
maneira simples. O rebuscamento da mensagem deve ser evitado,
pois gera confusão e, muitas vezes, faz com que o destinatário não
responda por não entender o que foi escrito.

Ex:

Solicitamos o pagamento das mensalidades nas datas aprazadas


no dito carnê, colaborando destarte para a manutenção precípua
deste sodalício na orientação e assistência de seus associados
(GOLD, 2010, p.19)

Observe como deve ficar a mensagem abaixo para ser compreendida


corretamente:

Solicitamos o pagamento das mensalidades até as datas de


vencimento indicadas no carnê. (GOLD,2010, p.20)

Chavão
O chavão constitui uma palavra ou expressão antiquada. O
significado foi desgastado pelo uso abusivo ao longo do tempo.
Muitos chavões possuem erros gramaticais ou semânticos. Deve-
se evitar bastante usar este tipo de expressão em correspondência
oficial ou mesmo em mensagens vinculadas no trabalho. Conforme
Gold (2010, p.25) dá para citar diversos exemplos de chavões. São
tais:

“Vimos, através desta, solicitar...”

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 33

• Palavra “através significa atravessar, fazer travessia.” A IMPORTÂNCIA DA


COMUNICAÇÃO NAS
“Venho, pela presente, solicitar...” RELAÇÕES PROFISSIONAIS
[ LEITURA COMPLEMENTAR ]
• Ausente não se solicita nada, logo a expressão pela presente http://www.youtube.com/
é redundante e dispensável. watch?v=ZjY3mVKr8sI
O vídeo discute a ética na comunicação
“Acusamos o recebimento de...” e as relações profissionais.

• A expressão acusar confere ao texto um tom pesado, além de


ser antiquada. O ideal é trocar por “informar”, “comunicar”.

“Sem mais para o momento”

• É uma expressão bastante usada em fechamentos textuais.


Indica rudeza e deve, por isso, ser evitada. Só deve ser
usada se a intenção for esta mesma como em cartas de
cobranças/similares.

Jargão técnico
O nome jargão técnico é conhecido pela maneira específica de
determinados grupos para se comunicar. Há jargão técnico na
comunicação de advogados, economistas, analistas de sistemas,
engenheiros, e outros profissionais. Essa linguagem específica deve
ser evitada quando a mensagem se dirigir a um número ampliado
de destinatários que não compartilham do conhecimento na área
de especialidade dos grupos em questão.

Apresentamos como exemplo termos jurídicos e como podem


ser expressos numa linguagem mais ampla:

Sucumbência - ser vencido, ceder.

Usucapião - direito de posse de algum bem móvel ou imóvel.

Estelionato - crime de ordem econômica, obter vantagem ilícita.

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Coloquialismo
A linguagem coloquial é extremamente simples, geralmente usada
quando nos comunicamos com familiares ou pessoas muito
próximas. Por isso, deve ser evitada em contextos e ambientes
profissionais. O coloquialismo gera falta de credibilidade da
informação, ruído quanto à responsabilidade das ações, criação de
uma imagem negativa em relação ao emissor da mensagem e a
instituição a qual faz parte.

Ex: Em contextos de envio de e-mail, baseados em Gold (2010):

Andrade,

Falei com o pessoal....o projeto vai ser


aprovado... mas a decisão para valer só deve
rolar semana que vem...

Luana,

Você já reservou as passagens pra sexta-feira?


Fale com a Ana porque ela deve saber quantas
são.

Você reparou o quanto a mensagem soa informal demais para quem


está trabalhando com responsabilidades, instituições, pessoas,
equipes? Nem sequer foram assinadas! Pense em como deveriam
ser reescritos tais e-mails para que a mensagem ficasse mais
profissional. A seguir vamos apresentar também tópicos de coesão
e coerência para que o texto elaborado seja ainda mais eficiente.

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 35

Coesão e coerência
Para apresentarmos coesão e coerência aplicada aos textos vamos
trabalhar com os conceitos e explicações fornecidos a partir de Gold
(2010) e Koch (2008). Para tal, antes é necessário e interessante que
saibamos identificar os principais conectivos e seus significados.
Eles são fundamentais para o encadeamento do texto.

Koch (2008) apresenta de forma didática a explicação sobre coesão


textual expondo como exemplo o texto “Os urubus e sabiás, de
Rubem Alves”. Leia e observe os conectores presentes bem como
o significado do texto como um todo.

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“Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os
bichos falavam. (2) Os urubus, aves por natureza becadas, mas
sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a
natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. (3) E para
isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram
dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições
entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam
a permissão para mandar nos outros. (4) Foi assim que eles
organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho
de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar
um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa
Excelência. (5) Tudo ia muito bem até que a doce tranquilidade da
hierarquia dos urubus foi estremecida. (6) A floresta foi invadida por
bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários
e faziam serenatas para os sabiás. (7) Os velhos urubus entortaram
o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos,
sabiás e canários para um inquérito.

(8) Onde estão os documentos dos seus concursos? (9) E as pobres


aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que
tais coisas houvessem. (10) Não haviam passado por escolas de
canto, porque o canto nascera com elas. (11) E nunca apresentaram
um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam
simplesmente...

(12) Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um
desrespeito à ordem.

(13) E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos


que cantavam sem alvarás...

MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de


sabiá.”

“Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares”,


editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 81.

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Técnicas de Comunicação e Linguagem 37

É possível notar que os parágrafos foram numerados e que [ Gold (2011) cita como características
os conectores foram grifados em negrito. Essas palavras são da coerência a conexão entre as
relevantes, pois através delas o texto vai ganhando forma e unidade palavras, a conexão entre as orações e
de sentido. E é isso que denominamos coesão textual. Koch (2008) entre os parágrafos ].
demonstra que tais palavras servem como mecanismos cuja função
é determinar relações de sentido entre enunciados ou partes de
enunciados. Se necessário releia o texto. Vejamos algumas:

• Oposição (mas, em (2) e (11); mesmo, em (2));

• Finalidade (para, em (3) e (11));

• Consequência (foi assim que, em (4));

• Localização temporal (até que, em (5));

• Explicação (porque, em (9) e (10));

• Adição de ideias (e, em (11)).

O ideal é que a coerência também esteja sempre presente num


texto. Um texto coerente é aquele que faz sentido. Aquele que não
se contradiz.

Apresentaremos alguns exemplos de correspondências com


mensagens curtas e enviadas através de correio eletrônico que são
incoerentes.

• Em contextos de instituições de atendimento à saúde:

Texto INCOERENTE:

“Ressaltamos a responsabilidade que envolve


o relacionamento entre profissional e paciente.
Já fragilizados pela própria natureza do
atendimento.” (GOLD, 2010, p.100)

Conforme GOLD (2010), é o relacionamento entre o profissional


e paciente que é delicado e não o atendimento do profissional.
E quem está fragilizado é o paciente, pois está doente e não o
atendimento. Apesar de que o atendimento pode contribuir para
a fragilidade do paciente. A autora sugere que o texto fique assim:

• Em outros contextos:

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Texto COERENTE:

“Ressaltamos a delicadeza que envolve o


relacionamento entre profissional e paciente,
pois este já vem fragilizado pela própria
condição.” (GOLD, 2010, p.100)

Observe agora como o uso correto dos conectores pode ajudar


o texto a ficar coerente e estabelecer uma relação de sentido
desejada. Veja:

“Na verdade, a televisão é um passatempo mortificante, pois, além


de proporcionar às famílias alguns momentos de distração, reduz-
lhe o tempo que poderiam dedicar à conversa.”

Reescrito:

“Na verdade, a televisão é um passatempo mortificante, pois,


embora proporcione às famílias alguns momentos de distração,
reduz-lhe o tempo que poderiam dedicar à conversa.”

Nesse trecho, dá para notar o quanto a troca de conectivos facilitou


o melhor entendimento da proposta da mensagem. O texto ficou
mais coerente. Fique atento a tais detalhes quando redigir um texto
e pense na relação das palavras e no encadeamento das ideias. Se
necessário, consulte frequentemente a lista dos conectores e os
respectivos significados.

Acreditamos que ao final desta unidade você seja capaz de


reconhecer um texto incoerente bem como saber escrever um texto
claro e objetivo quando solicitado. E também seja capaz de valorizar
o processo histórico primordial de que passou a humanidade com
o surgimento e sistematização da escrita através do alfabeto.
Além disso, você deve estar mais sensível às manifestações da
linguagem a partir dos contextos de interação que cada indivíduo
se envolve, ou seja, que tenha aproveitado bem o estudo dos níveis
de linguagem. E por fim, que a apresentação e a aplicação das
formas de comunicação bem como as funções da comunicação
no âmbito profissional sejam aplicáveis no seu dia a dia enquanto
pessoa e profissional.

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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM UNIDADE 3

Andressa da Costa Fariasr

Língua padrão
na comunicação
oral e escrita
Nesta unidade abordaremos a língua padrão na comunicação oral
e escrita através do estudo da variação linguística, do novo acordo
ortográfico e de alguns tópicos de gramática tais como: concordância
nominal, concordância verbal, homônimos e parônimos. Espero que
você faça um excelente aproveitamento de tais tópicos, pois são
geralmente os que mais geram dúvidas ao redigir algo seja no suporte
de impressão em papel ou digital. O domínio e conhecimento destes
detalhes da língua padrão oferecem subsídios a você desenvolver sua
capacidade de comunicação da forma mais eficiente possível, o que vai
gerar resultados satisfatórios em sua vida. Acredite! Bom estudo.

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A variação linguística
É fato que as línguas variam. Há uma variação de línguas no mundo,
por exemplo, na forma dos mais diversos idiomas: português,
inglês, italiano, francês, chinês, etc. No Brasil não é diferente,
mesmo a língua oficial sendo o português. Conforme Beline (2010),
em alguns estados brasileiros como o Rio Grande do Sul há, por
exemplo, comunidades indígenas que ainda preservam a língua de
origem- o caingangue.

Além disso, a fala do português brasileiro sofre bastante variação de


sotaque e pronúncia de algumas palavras e expressões. Há regiões
em que algumas vogais são pronunciadas de forma mais aberta,
outras regiões de forma mais fechada. É o caso da palavra “tia”, “dia”,
“nós” entre outras que dependendo da cidade têm a pronúncia bem
variada. Outras variações na linguagem se relacionam diretamente
ao fator social dos falantes, ao acesso aos níveis mais elevados
de escolaridade, à faixa etária (uma criança certamente falará de
modo diferente de um adulto ou idoso), ao sexo (há determinadas
palavras que são mais comumente empregadas por mulheres,
outras por homens), ao grupo profissional. Diversos profissionais
fazem uso de termos específicos que são incompreendidos pelo
público ou população em geral. Porém, apesar desta infinita
variedade de pronúncia e da fala dos usuários da língua portuguesa
a unidade linguística é mantida através da escrita e por isso todos
se entendem de uma forma ou outra.

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Língua Padrão na Comunicação Oral e Escrita 41

Língua Portuguesa
A língua portuguesa é a língua oficial de diversos países tais como:
Portugal, Brasil, Angola, Macau, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-
Bissau e São Tomé e Príncipe. Ocupa a 10º posição em número
de falantes já que há 220 milhões de pessoas aproximadamente
que fazem uso deste idioma. O modo de falar de uma pessoa
permite saber a região ou lugar do qual ela vem, bem como até
mesmo a classe social que pertence. E para explicar esta variação
é importante fazer um breve resgate histórico de como surgiu a
língua portuguesa.

O nosso idioma vem do latim que era falado na região da Itália


desde dez séculos antes de Cristo. A variedade de língua utilizada
nessa literatura se chama latim clássico. O latim falado pelo povo
era denominado latim vulgar. A origem da língua portuguesa vem do
latim vulgar que era a língua falada pelos conquistadores romanos,
aqueles que colonizaram a península ibérica. Tal conquista se deu
no ano de 197 antes de Cristo.

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[ Além destas, a autora apresenta A variação linguística não está presente apenas nos registros de fala,
a variação linguística possível para ela também pode ser notada através do registro escrito. A principal
falantes do português brasileiro variação escrita se dá em decorrência da passagem do tempo. A
contrastando a representação do língua vai adquirindo novas palavras, outras entram em desuso e a
saber de muitos brasileiros com a grafia também pode ser modificada. É o que ocorre e ocorreu com
convenção ortográfica oficial.] a língua portuguesa advinda do latim. Muitas palavras mudaram a
forma, houve uma mudança linguística. A seguir apresentaremos
alguns exemplos retirados de Lemle (1988) de como as palavras da
língua latina mudaram com o passar das gerações, até chegar ao
que nós conhecemos e usamos atualmente:

Crube clube

Afrição aflição

Amô amor

Dento dentro

Pobrema problema

A língua escrita tem um valor muito grande na sociedade, a


escolarização é primordial para que todos os falantes tenham acesso
à ortografia oficial, ou seja, a língua considerada padrão. Desse
modo, serão cidadãos em sua forma plena. E assim, por exemplo,
terão melhores condições de inserção social e de decifrar o código
escrito presente nos mais variados documentos que circulam em
sociedade: ofícios, memorandos, escrituras, cardápios, contratos,
livros, etc. O domínio da língua escrita e falada no modo oficial dá
ao indivíduo maiores condições de leitura do mundo e de decisão
frente aos desafios que a vida constantemente impõe.

A padronização da língua escrita no nosso país foi e é muito


importante para que brasileiros de norte a sul consigam se entender
e estabelecer uma comunicação eficiente. Isso não seria possível
se o registro escrito tivesse variação da ordem da fala já que na
fala há variação de sotaque. A escrita deve ser neutra quanto à
pronúncia. Mesmo que um falante tenha um sotaque nordestino,
carioca, caipira deve escrever conforme a convenção ortográfica do
seu idioma para que todos os falantes da língua possam entender
a escrita e fazer a leitura da mensagem.

Atualmente a formação continuada no âmbito profissional é

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Língua Padrão na Comunicação Oral e Escrita 43

extremamente relevante justamente por isso. A língua, a linguagem


devem ser tópicos sempre revisitados para que os sujeitos estejam
melhor preparados para o desafio das múltiplas linguagens vigentes
na contemporaneidade (visual, sonora, digital).

Escolarização
É papel da escolarização e também dos
indivíduos o aprendizado da língua oficial
vigente, da vontade de ampliação do
vocabulário da língua (através da leitura!),
a sintaxe, a ortografia do português
convencional escrito, Desse modo, as
portas do mundo intelectual, do mundo
do trabalho, do vasto mundo do saber se
abrem.

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Novo Acordo Ortográfico
E para deixar ainda mais uniforme a língua portuguesa em relação
à escrita foi realizado um acordo ortográfico entre as comunidades
de países da língua portuguesa a partir de 2009, o qual foi chamado
novo acordo ortográfico.

• O novo acordo prevê para o alfabeto 26 letras. Foram


incorporadas as letras K, W, Y. Assim, o alfabeto passa a
ser constituído da seguinte forma: A B C D E F G H I J K L
M N O P Q R S T U V W X Y e Z.

• O trema caiu de todas as palavras. Ele não existirá mais.


Assim, palavras como: lingüiça, tranqüilo, lingüística,
bilíngüe, freqüentar, cinqüenta agora se escrevem assim:
linguiça, tranquilo, linguística, bilíngue, frequentar,
cinquenta, etc.

• Não se usa mais acento nos Ditongos abertos “ei”, “oi”.


quando estiverem na penúltima sílaba.

• Ex.: He-roi-co, ji-boi-a, as-sem-blei-a, i-dei-a. Só são


acentuados as letras das últimas sílabas. Tais como: céu,
chapéu, herói, dói.

• Não se acentuam mais as vogais dobradas “EE” e “OO”.


Ex.: Creem , veem, veem, releem, voo, perdoo.

O novo acordo ortográfico nasceu da intenção de integrar a


ortografia oficial vigente de países que tem a língua portuguesa
como língua oficial. Vivenciamos no momento um período de
transição do estabelecimento do acordo que iniciou em janeiro de
2009 e será finalizado em dezembro de 2015. A partir de 2016, o
novo acordo ortográfico passa a vigorar como ortografia oficial de
países como: Brasil, Portugal, Timor Leste, Angola, Moçambique,
Cabo Verte, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe
[ Não vamos estudar aqui detalhes
do novo acordo, mas é importante
saber algumas regras básicas que
foram estabelecidas das quais
vamos citamos rapidamente ]

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Língua Padrão na Comunicação Oral e Escrita 45

A concordância nominal PESQUISE MAIS DETALHES


SOBRE O NOVO ACORDO
ORTOGRÁFICO
Para um texto estar bem escrito é necessário observar as regras [ LEITURA COMPLEMENTAR ]
de concordância tanto nominal quanto verbal. Como o próprio Site da Academia Brasileira de Letras:
nome diz “concordância” se refere a concordar, estar de acordo, http://www.academia.org.br/
combinar o termo a que se refere ao que está sendo declarado. abl_e4w/media/O%20Acordo%20
Michaelis (2011, p.505) apresenta o conceito de concordância Ortogr%C3%A1fico%20da%20
L%C3%ADngua%20Portuguesa_
nominal da seguinte maneira:
anexoI%20e%20II.pdf
O endereço eletrônico da Academia
Brasileira de Letras oferece um documento
Determinantes em PDF que pode ser baixado para seu
computador e que possui inúmeras dicas
Os determinantes (artigo, pronome, numeral e adjetivo) e orientações a respeito do Novo Acordo
devem concordar com o substantivo a que se referem Ortográfico para uso e consulta. Aproveite !
em gênero e número. Exemplos: As encomendas
chegaram. Sendo que no destaque “As” é o artigo Livro:
feminino plural e “encomendas” é o substantivo feminino
Bechara, Evanildo. O que muda com o
plural, concordando assim em número e gênero. Novo Acordo Ortográfico. São Paulo: Nova
Fronteira, 2008.
Este livro tem alguma considerações
Importante observar que: importantes no que tange as principais
mudanças advindas do Novo Acordo
• Adjetivo anteposto (A) concorda em gênero e número Ortográfico. O texto é fluente e a leitura
com o substantivo (S) mais próximo. atraente. Vale a pena o investimento !

Ex: Marcos comprou bons livros e revistas na livraria. Vídeo:

A S Seminário Brasil, brasis: ABL e os acordos


ortográficos.
Ex: Temos alto respeito e veneração pela cultura de cada estado http://www.youtube.com/watch?v=Q3xT_
brasileiro. zTS7og
O vídeo aborda autoridades linguística
A S discutindo e analisando o Novo Acordo
Ortográfico, as funções e os propósitos. É
• Adjetivo posposto (A) concorda em gênero e número com interessante assistir!
o substantivo (S) mais próximo ou também admite ir para
Classes Gramaticais
o plural, prevalecendo o masculino se forem de gêneros
diferentes. Site Uol Educação:
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/
Ex: Ele comprou um manual e uma revista ilustrada. portugues/classes-gramaticais-variaveis-
substantivo-verbo-adjetivo-artigo-numeral-
S A (SINGULAR) e-pronomes.htm
Portal da Língua Portuguesa:
Ex: Ele comprou um manual e uma revista ilustrados.
http://www.soportugues.com.br/
S A Michaelis. Português Gramática Prática.
São Paulo: Editora Melhoramentos, 2011.

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Atenção para os casos especiais!!!!

a) ANEXO, INCLUSO, MESMO, PRÓPRIO, SÓ, EXTRA, LESO,


OBRIGADO, QUITE, NENHUM e JUNTO.

Seguem a regra geral concordando com o substantivo.

Exemplos:

Segue anexa a carta ao diretor.

Foram inclusos os relatórios da semana no balanço mensal


de faturamento.

Ela disse: muito obrigada!

Eles próprios copiaram a resposta.

Estamos quites.

Estou quite com a obrigação militar.

ATENÇÃO !!!
Expressão EM ANEXO, A OLHOS VISTOS, ALERTA, HAJA VISTA,
MENOS, DE MODO QUE, EXCETO, PSEUDO, SALVO não varia.

Ex: Seguem anexas as imagens.

Segue em anexo as imagens.

Os policiais estão alerta.

Os funcionários estão emagrecendo a olhos vistos.

Todos foram convocados exceto os que fizeram hora-extra.

Receberão aumento salarial haja vista o bom desempenho no mês.

Todos vestirão branco salvo aqueles que trabalham na limpeza.

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Língua Padrão na Comunicação Oral e Escrita 47

Algumas expressões merecem destaque também. É o caso de:

b) ARO, BARATO, BASTANTE

Variam quando adjetivos e não variam quando forem advérbios.

Ex.: Juntei bastantes coisas. (Adjetivos=muitas)

Ex.: As roupas estavam bastante caras. (Advérbio=muito)

c) É BOM, É NECESSÁRIO, É PROIBIDO.

Quando adjetivo é sempre invariável, mas quando o sujeito vier


acompanhado de um determinante haverá concordância.

Ex: Pimenta é bom para o tempero. (adjetivo)

Esta pimenta é boa para o tempero (determinante=esta concordando


com boa)

É proibido entrada. // Entrada é proibido.

A entrada é proibida. (determinante = A)

d) MEIO

É invariável (advérbio), mas se equivaler à palavra METADE há


variação.

Ex.: Ana estava meio nervosa.

Ela tomou meia taça de vinho.

ÚLTIMA DICA
Quando SÓ equivaler a SOMENTE, não
varia.

Ex.: Os funcionários só precisam de


treinamento.

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É preciso atenção para não errar na hora da escrita na língua
padrão. Por isso, precisamos treinar bastante. Façamos exercícios.
Há diversos sites e links com exercícios propostos de concordância
nominal na internet. Muitos dispõem inclusive de gabaritos. Vejamos
o que há proposto como atividade no ambiente virtual do nosso
curso. Aproveite. Treine bastante! Passamos posteriormente ao
estudo da concordância verbal.

A concordância verbal
A definição do próprio nome diz a “concordância verbal” consiste
na concordância do verbo com o sujeito do enunciado em número
e pessoa. Esta é a regra geral! Se você não está lembrando como
identificar o sujeito numa frase é necessário revisar.

Vamos a alguns exemplos:

O aluno atrasado chegou de mansinho na aula. (sujeito no singular,


verbo 3ªp.s)

S V

Os funcionários estão em greve! (sujeito no plural, verbo 3ªp.p)

S V

Passamos agora para alguns casos especiais que merecem


atenção:

a) Os verbos HAVER E FAZER são sempre IMPESSOAIS.

Devem ficar na 3ª pessoa do singular.

HAVER (= existir)

Ex.: Há momentos inesquecíveis na vida.

Ex.: Pode haver momentos inesquecíveis na vida.

O verbo FAZER indicando TEMPO também é sempre IMPESSOAL.

Ex.: Faz meses que voltei estudar.

Ex.: Deve fazer uns dois anos que não voltei à instituição para pegar
o livro.

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Língua Padrão na Comunicação Oral e Escrita 49

b) O verbo SER quando indicar quantidade ficará no SINGULAR.

Ex.: Dez mil reais é muito por uma palestra.

Quando o verbo SER indicar tempo (data) concorda com o numeral


ou palavra a que se refere.

Ex.: Hoje são doze de maio.

Ex.: Hoje é dia doze de maio.

c) VERBOS ACOMPANHADOS DA PARTÍCULA SE (VERBO + SE)

O verbo concorda com o sujeito se o verbo for transitivo direto.

Ex.: Aluga-se apartamento.

Ex.: Alugam-se apartamentos.

• Se o esquema for VERBO + SE+ preposição, o verbo deve


ficar no singular.

Ex.: Precisa-se de estagiários. (preposição)

Ex.: Não se trata de benefícios extras em horário não comercial.


(preposição)

d) Quando aparecer o pronome QUE o verbo concorda com o


antecedente; e com o pronome QUEM o verbo concorda com o
antecedente ou fica na 3º p.s.

Ex.: Somos nós que faremos a palestra.

Ex.: Somos nós quem iremos ao parque.

e) O verbo sempre concorda com os pronomes indefinidos (algum


de, nenhum, muitos, etc).

Ex.: Quantos de nós gostamos de estudar?

Ex.: Algum dos presentes quer sentar?

Ex.: Alguns dos presentes querem sentar?

Ex.: Qual de nós falará em público?

f) Nas expressões “mais de um/ mais de dois/ mais de três, etc” o


verbo concorda com o numeral.

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Ex.: Mais de um aluno gabaritou a prova.

Ex.: Mais de duas pessoas compareceram para retirar as notas.

MAS,

Expressões coletivas partitivas como “a maioria de”, o verbo pode


ficar tanto no singular como no plural.

Ex.: A maior parte dos alunos protestou a nota da avaliação.

Ex.: A maior parte dos alunos protestaram a nota da prova.

C) g) O verbo fica no SINGULAR quando há a expressão “um


milhão, um bilhão...”

Ex.: Pagou um milhão de reais para morar à beira mar.

Ex.: Um bilhão de reais foi gasto à toa.

MAS, quando tal expressão vier acompanhada de outro valor o


verbo vai para o plural.

Ex.: Um bilhão e meio de reais foram gastos à toa.

Ex.: Em expressões que empregam números fracionários ou


porcentagem, o verbo concorda com o número.

Ex.: Oitenta por cento dos candidatos foram aprovados.

Ex.: Um terço dos candidatos chegou atrasado para a prova.

H) h) Quando aparece pronome de tratamento, o verbo deve ficar


na 3ª pessoa do singular.

Ex.: Vossa Excelência chegou para a reunião.

Vossas Excelências pediram silêncio na sala.

Homônimos e parônimos
Algumas palavras têm muita semelhança de pronúncia e de escrita,
no entanto, na maioria das vezes possuem significados diferentes.
Podemos chamar de parônimos as palavras com escrita e pronúncia
parecidas, mas com significado diferente. É o caso, por exemplo,
de “amoral” e “imoral”.

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Língua Padrão na Comunicação Oral e Escrita 51

E, chamamos de homônimos as palavras com escrita ou pronúncias INFO ESCOLA


iguais, com significados diferentes. É o caso, por exemplo, de [ SAIBA MAIS ]
“caçado”, “cassado”.
Saiba mais sobre o assunto consultando
o site InfoEscola através do seguinte
Por isso, é importante saber escrever corretamente e entender
endereço:
cada uma delas para que não haja confusão na comunicação
http://www.infoescola.com/portugues/
oral e, sobretudo, na comunicação escrita. Veja alguns exemplos paronimos-e-homonimos/
apresentados em (GOLD, 2010, p.15):

Dirigiu-se ao bebedor para matar a sede. Qual o equívoco?

A palavra “bebedor”. Para a frase ficar com sentido correto deveria


ser escrita assim:

Dirigiu-se ao bebedouro para matar a sede.

Eles tiveram uma ótima estadia em Recife. Qual o equívoco?

A palavra estadia. O correto seria:

Eles tiveram uma ótima estada em Recife.

Elaboramos uma tabela a partir de Gold (2010) com alguns dos


principais parônimos e homônimos e seu significado correspondente
para que não haja equívocos na sua atuação profissional e pessoal:

Ao final desta unidade, espero que você seja capaz de entender que a língua
portuguesa tem diversos processo de variação dos mais diversos âmbitos e que a
adequação da linguagem vai depender do contexto e do propósito de comunicação.
E que o domínio da língua padrão na comunicação oral e na comunicação escrita é
de suma importância para o exercício da cidadania e para elevar a sua valorização no
contexto profissional. Assim, espero que o estudo da concordância nominal, verbal,
dos homônimos e parônimos tenha sido aproveitado e que você consiga aplicar de
forma satisfatória quando você necessitar escrever ou falar de acordo com a língua
padrão. E nada melhor para aplicar tais conhecimentos do que na correspondência
oficial. Vamos a ela.

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Homônimos e Parônimos

Amoral Sem moral


Imoral Contrário à moral
Comprimento Extensão, tamanho
Cumprimento Saudação
Descrição Falar sobre algo ou alguém
Descriminar Inocentar
Discrição Ato de ser discreto (a)
Emergir Mostar-se, vir a tona
Imergir Mergulhar
Retificar Corrigir
Ratificar Confirmar
Taxar Estabelecer preço ou valor
Tachar Censurar
Conserto Reparo
Concerto Apresentação musical
Cessão Ato de ceder
Sessão Reunião
Seção ou secção Corte, repartição
Censo Recenseamento
Senso Juízo
Conjetura hipótese
Conjuntura Situação, circunstância
Deferir Conceder
Diferir Adiar

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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM UNIDADE 4

Andressa da Costa Fariasr

A correspondência
oficial
Agora que você já estudou alguns itens importantes para a escrita na língua padrão de forma
satisfatória, nada melhor que aplicar tais conhecimentos procurando redigir documentos da esfera
oficial. Para tal, vamos apresentar a estrutura e a linguagem adequada para a escrita de alguns
documentos que circulam no âmbito profissional tais como: ata, aviso ou comunicação interna,
circular, convocação, declaração, recibo, requerimento e procuração.

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A linguagem nas
correspondências
As instituições em geral tanto públicas quanto privadas precisam
utilizar a correspondência oficial como forma de comunicação entre
setores da própria instituição e para entrar em contato com o meio
externo. Antigamente tudo era realizado na forma de impresso
papel, hoje com o advento da tecnologia podemos afirmar que a
maior parte dos documentos circula via impresso eletrônico através
de editores de texto e por correio eletrônico (e-mail). Mesmo assim,
os documentos devem seguir uma norma padrão de formato e uma
linguagem coerente, clara e objetiva. Vamos abordar o formato de
alguns documentos que fazem parte do dia a dia administrativo de
repartições. Iremos apresentar a seguir os seguintes documentos:
ata, aviso ou comunicação interna, circular, convocação, declaração,
recibo, requerimento e procuração.

Correspondência oficial faz parte do cotidiano profissional de


diversas pessoas

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A correspondência Oficial 55

Redigindo documentos
administrativos
Os documentos administrativos fazem parte do dia a dia profissional
de diversos setores tanto públicos quanto privados. Saber escrever
corretamente bem como identificar a estrutura adequada de cada
documento é de suma importância para agregar valor e eficiência
ao desempenho profissional. A seguir apresentaremos a estrutura e
a função de cada documento a partir do que apresenta Gold (2010)
para tais textos.

Ata
Basicamente a Ata é um documento de registro. É um texto em que
há um relato de tudo que se passou em uma reunião, convenção
ou assembleia. O principal objetivo é expressar as ocorrências de
forma clara e precisa. É um documento que exige atenção ao ser
elaborado, pois deve expressar com a maior fidelidade e clareza
possível as informações geradas por vários emissores. A redação
da ata geralmente ocorre no momento da reunião ou instantes após
ela finalizar. Os principais elementos de uma ata são:

• Dia, mês, ano e hora da reunião;

• Local da reunião;

• Relação e identificação das pessoas presentes;

• Ordem do dia ou pauta;

• Identificação do presidente (s) ou secretário (s);

• Fecho.

Em caso de erro emprega-se a partícula “digo”. E se o erro for


notado após a redação de toda a ata, emprega-se “em tempo”
ao texto. Atualmente há uma tendência à modernização das atas
para que fiquem mais fáceis de serem compreendidas. No entanto,
apresentaremos primeiro a estrutura de uma ata tradicional e
posteriormente o exemplo de uma ata moderna.

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ATA DE REUNIÃO DE DIRETORIA
Aos dez dias do mês de março de 2013, às 15 horas, na sede
da Rua das Gaivotas, n.54- Indaial-SC, reuniu-se a Diretoria
da Macedo Téxtil Ltda S.A, estando presentes todos os seus
membros, conforme infra-assinados, sob a presidência do Sr. Aldo
de Medeiros, que convidou a mim, Joana França, para secretária.
Assim reunidos, os senhores diretores, depois de comentar os
relatórios da Consultoria Mecca sobre a necessidade de melhorias
no Atendimento ao Cliente, deliberaram sobre a liberação de
verbas para o treinamento da qualidade profissional daquele
setor. Ficou resolvido também que cada Diretor efetuará uma
previsão orçamentária sobre sua disponibilidade financeira para tal
treinamento e o assunto será discutido na próxima reunião semanal
de diretoria. Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião,
lavrando-se a presente Ata, que, lida e achada conforme, vai ser
assinada por todos os presentes. Indaial, 10 de março de 2013.
(Ata tradicional)

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A correspondência Oficial 57

ATA DE REUNIÃO DE DIRETORIA


Data: 10/03/2013

Hora:15 horas

Local: Rua das Gaivotas, n.54- Indaial-SC

Pauta:

• Análise do relatório da Consultoria Mecca

• Deliberação sobre a liberação de verbas para o treinamento do Setor


de Atendimento ao Cliente

Presentes:

Presidente- Sr. Aldo de Medeiros

Diretora Administrativa- Sra. Joana França

Diretor de Produção e Comercialização- Sr. Adriano Torres

Diretora Financeira- Sra. Mariele Costa

Considerações:

• Há necessidade real de melhoria no Atendimento ao Cliente

• Há necessidade de verbas para realização de treinamentos.

Deliberações:

• Cada Diretor efetuará previsão orçamentária sobre sua


disponibilidade financeira para realizar treinamentos que visem à
melhoria no Atendimento ao Cliente.

• As verbas disponíveis para os treinamentos e um cronograma


de treinamento serão discutidos na próxima reunião semanal da
Diretoria.

Indaial, 10 de março de 2013.

Assinatura dos presentes:

XXXXXX

XXXXXXX (Ata modernizada)

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Aviso ou comunicação interna
O aviso é um comunicado formal que serve para ordenar, prevenir,
noticiar, convidar, cientificar. As características básicas são: texto
breve e linguagem clara. Ele pode ter características diferentes se
numa empresa privada ou na administração pública. Veja exemplos:

Aviso na empresa privada:


AVISO
O Departamento de Pessoal informa que os brindes de Natal de
todos os funcionários estarão disponíveis a partir do dia 20 de
dezembro, na recepção.

Aviso na administração pública:

Aviso nº 45/SCT-PR

Brasília, 27 de fevereiro de 1991.

A Sua Excelência o Senhor

[Nome e cargo]

Assunto: Seminário sobre uso de energia no setor público.

Senhor Ministro,

Convido Vossa Excelência a participar da sessão de abertura do


Primeiro Seminário Regional sobre o Uso Eficiente de Energia no
Setor Público, a ser realizado em 05 de março próximo, às 9 horas,
no auditório da Escola Nacional de Administração Pública- ENAP,
localizada no Setor de Áreas Isoladas Sul, nesta capital.

O Seminário mencionado incluiu-se nas atividades do Programa


Nacional das Comissões Internas de Conservação de Energia em
Órgão Públicos, instituído pelo Decreto nº 99.656, de 26 de outubro
de 1990.
Atenciosamente,
[nome do signatário]
[cargo do signatário]
(GOLD,2010, p.186)

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A correspondência Oficial 59

Deve-se deixar 5 cm de espaço na borda superior acima do início


do Aviso e do número do mesmo. Também deve-se deixar 2,5 cm
de parágrafo no texto do aviso. A borda direita do documento será
de 1,5 cm e a esquerda 3 cm.

Circular
A circular é uma comunicação que pode ser realizada através
do formato carta, e-mail, ofício ou manifesto que é redigida para
várias pessoas de um mesmo órgão ou entidade. Mas, neste tipo
de documento o receptor deve ter a impressão de que o texto foi
redigido especialmente para ele. Em alguns casos há possibilidade
de colocar o nome do destinatário de maneira explícita no vocativo.

Convocação
A convocação é uma espécie de convite em que se espera que os
convidados não deixem de ir ao evento ou reunião marcada. Não
tem uma finalidade de cunho social e sim de cunho administrativo.

Exemplo:

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ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

CONVOCAÇÃO

Convocamos os funcionários do setor administrativo a participarem


da ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA que será realizada em
21 de outubro de 2013, às 16 horas, no auditório de eventos, na Av.
Doze de Junho, 456, C02, nesta cidade, a fim de deliberarem sobre
os seguintes assuntos:

Alteração do Estatuto Social, para reestruturação dos cargos do


setor;

Discussão da nova proposta de remuneração para a categoria;

Florianópolis, 14 de outubro de 2013.

Manuel Freitas

Presidente do Conselho de Administração

Declaração
A declaração é um documento que faz uma espécie de depoimento
e não é necessariamente assinada por alguma autoridade. Serve
para comprovar tempo de serviço ou função, documentos que foram
furtados, declarar bens para alguma entidade pública ou privada,
declarar ser possuidor ou não de algum direito, entre outros.

Exemplo:

DECLARAÇÃO

Declaramos para os devidos fins que a Srª......................................


.............................................. portadora da Carteira de Trabalho nº
......................da série.............. foi nossa funcionária no período de
............. a .......... exercendo a função de .........................................
..............................

Informamos, ainda, que a referida funcionária, exerceu sua função


de modo exemplar enquanto trabalhou em nossas dependências,
não havendo nenhuma reclamação que possa desaboná-la.

Local e data

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Recibo
O recibo é utilizado para declarar o recebimento de algo ou de algum
valor monetário. A descrição da quantidade e/ou valor bem como
o serviço prestado é muito importante em um recibo. Costuma-se
escrever a declaração de quantia de dinheiro por extenso e entre
parênteses.

Exemplo:

RECIBO

Recebi da empresa Mega Empreendimentos a quantia de R$


200,00 (duzentos reais) referente ao valor da instalação de um ar
condicionado. O equipamento foi instalado na sala 14 do bloco B
da Rua das Orquídeas.

São Paulo, 19 de setembro de 2013.

João Soares Souza

Requerimento
O requerimento é um pedido oficial. Um instrumento de solicitação
de algo a uma autoridade. Na maioria dos casos, traz citação do
amparo legal do pedido.

Exemplo:

REQUERIMENTO

Senhor Coordenador do Curso de Gestão da Administração Pública,

Eu, Maria de Lurdes Santos, aluna regularmente matriculada no


quarto semestre deste curso nesta Instituição, venho requerer o
trancamento provisório da minha matrícula, em virtude de me
encontrar em estado de gravidez de risco.

N.T

P.D

Data

Assinatura

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Os fechos do requerimento são bem específicos e correspondem:

Nestes Termos N.T

Pede Deferimento P.D

Procuração
A procuração é um documento pelo qual uma pessoa dá autoridade
à outra para tratar de um assunto ou a agir como sua representante.
A procuração só tem validade legal se a assinatura vier com firma
reconhecida em cartório.

Exemplo de procuração:

PROCURAÇÃO

(nome)..............................., (nacionalidade)...................., (est.


civil)..........., (profissão)......., residente na ..........(cidade)...........,
(estado).........portador do RG nº............................, pelo presente
instrumento de procuração constitui e nomeia seu bastante
procurador (nome)..........., (nacionalidade)........................, (est.
civil)........., (profissão)................., residente na........................(cida
de).....................,(estado)................, portador do RG nº.................
CPF nº......................., para..............................................................
..........................................................................................................
específico .........................................................................................
...........................................................................................................
........................................................................

podendo, pra tanto, realizar todos os atos necessários pra este fim.

(cidade)....., (dia).....de (mês).... de 20.....

(assinatura).................................................

firma reconhecida

(GOLD,2010, p.190)

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A correspondência Oficial 63

O texto oficial no contexto


contemporâneo
O texto oficial no contexto contemporâneo exige uma boa redação
que se traduz em um texto que seja claro, objetivo, coerente. O
advento das novas tecnologias faz com que as pessoas escrevam
cada vez mais e de diversas maneiras: e-mails, blogs, redes
sociais, torpedos para celulares. Muitas vezes tal escrita pende
para a oralidade e a preocupação com pontuação e ortografia nem
sempre é observada. No entanto, o sucesso da comunicação numa
correspondência oficial depende de uma linguagem escrita bem
elaborada para que se evitem mal-entendidos, erros ortográficos
grosseiros, parágrafos longos e confusos.

Segundo Gold (2010), o texto oficial em correspondências deve


gerar uma resposta objetiva ao que é transmitido. Geralmente
textos bem elaborados recebem uma resposta rápida. Caso a
resposta demore um dos motivos possíveis é o texto mal escrito,
textos em que a informação principal não é percebida, entre outros
problemas. Procuramos apresentar acima os principais textos
utilizados em repartições públicas e privadas, a função do texto e
o formato. É preciso prestar atenção, no entanto, em como o texto
será escrito e ter um cuidado extra com a linguagem, a clareza e a
ortografia para que as correspondências sejam de fato eficazes. É
por isso que abordamos nas unidades anteriores, por exemplo, a
concordância verbal e nominal, os homônimos, parônimos. A seguir
iremos expor como defender um texto oral, ou seja, como trabalhar
a mensagem através da oralidade em palestras e seminários.

Ao final desta unidade, espero que você seja capaz de identificar a


estrutura e a função dos principais documentos que foram apresentados
e que circulam no âmbito acadêmico, profissional, corporativo e que, se
necessitar redigir tais documentos, seja capaz de fazer de forma eficiente
com excelência!

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COMUNICAÇÃO E LINGUAGEM UNIDADE 4

Andressa da Costa Fariasr

A oralidade na
apresentação
em público
Vamos apresentar nesta unidade final como podemos utilizar de
forma eficiente a nossa fala para fazer apresentações formais quando
precisarmos, ou seja, em contexto de debate acadêmico ou profissional
bem como na participação de seminários. Tanto um quanto o outro são
bastante comuns no processo de trabalho em equipe e em processos de
formação continuada, hoje tão necessária nas mais diversas profissões.
Então, se você não se deparou ainda com tal contexto provavelmente
ainda irá se deparar.

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A oralidade na
apresentação em público
A comunicação em público pressupõe, sobretudo, o uso da
oralidade, ou seja, da voz e da postura do comunicador. O
comunicador aqui pode ser um palestrante ou qualquer pessoa que
faça parte de um contexto de seminário, debate, congresso, aula,
exposição, etc.

O debate e o seminário
O debate e o seminário fazem parte daquilo que chamados dentro
dos estudos linguísticos de gêneros textuais orais. Eles são
manifestados através da fala, da oralidade. Costa (2009) define a
comunicação oral como o debate, depoimento, entrevista e relato
de experiência como exemplos de gêneros textuais primários,
manifestados pela oralidade.

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A correspondência oficial 67

A comunicação oral consiste na apresentação através da voz de


um tema específico, por um ou mais indivíduos, para um público
já definido. A temática pode ser variada, ou seja, pode explorar
desde algo com teor científico até algo com teor religioso, político,
jornalístico.

No âmbito profissional, a comunicação oral pode e muitas vezes


é explorada de forma recorrente. Vamos expor aqui as principais
características presentes em dois tipos de comunicação que são
mais frequentes nas repartições públicas e privadas: o debate e o
seminário.

Para debater um assunto é importante que, antes do início de um


debate, o gestor organize os membros para expor algumas regras
como a organização da escuta e da fala dos demais participantes
do grupo. Para o debate ocorrer de maneira proveitosa é preciso
deixar claro a ordem das falas. E como será realizada a síntese final
do que foi abordado como assunto principal. Essa síntese seria
uma espécie de resumo oral daquilo que foi discutido pela maioria.

Seminário
Assim com o debate, o seminário é um gênero discursivo oral que
serve para expor ideias e conhecimentos sobre uma determinada
área ou assunto. No âmbito profissional, o seminário acontece
de diversas formas. Pode ser um evento periódico, pode ser
um evento sistemático ou pode ser um evento especial onde se
contrata determinado profissional para se dirigir aos colaboradores

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da empresa ou instituição. Podemos enfatizar que é um gênero
textual análogo à aula, conferência, exposição oral. Conforme
Costa (2008), o seminário pode e deve ter uma interação entre o
expositor da fala e os ouvintes. Muitas vezes essa interação fica
para o final e é iniciada por meio de perguntas da plateia para o
orador. No contexto profissional, pode-se convidar para proferir
um seminário alguém que aborde assunto que esteja em pauta em
alguma reunião ou na sociedade.

Preparação pessoal de
apresentação
Todos os gêneros discursivos orais: seminário, palestra, debate,
entre outros, requerem que o orador principal tenha uma preparação
pessoal anterior para que a apresentação seja um sucesso. Vamos
a algumas sugestões a partir de Duarte (2013) e Gevaerd (2010):

• Enquanto espera para começar a falar, converse com


alguém. Isso diminui a ansiedade.

• É preciso dominar o assunto abordado e para isso é


necessário estudar o tema fazendo pesquisa prévia sobre
o tema através de jornais, revistas, livros, internet, vídeos,
etc.

• É recomendável que se produza um esquema prévio


contendo as informações principais que nortearão o
discurso do apresentador.

• Importante ensaiar previamente o que vai ser dito para uma


plateia específica, imaginar possíveis dúvidas ou perguntas
para responder posteriormente. Treinar a fala para verificar
se está de acordo com o tempo previsto para realizar a
palestra, o seminário.

• Verificar previamente se o lugar onde será realizada a fala


tem recursos dos quais poderá utilizar como data show,
microfone, retroprojetor, entre outros que julga necessário.

• Interessante e recomendável que antes de ir falar para


um determinado público que se conheça o mesmo.
Faixa etária, interesses, expectativas em relação ao tema
proposto, etc.

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A correspondência oficial 69

• Utilizar uma linguagem formal, evitando gestos ou palavras


que possam confundir a plateia ou soar como expressão
grosseira. Evitar hábitos da linguagem oral tipo “Né ?”,
“Ahnn”, entre outros. Isso prejudica a fluência e o raciocínio
de quem está escutando.

• É imprescindível cuidar da aparência e postura. Evitar


gestos bruscos, evitar decotes, transparências, roupas com
cores muito chamativas ou com objetos grandes demais.
Isso tira o foco da fala do apresentador. Manter um ritmo
de fala bem articulado. Não gritar ou falar muito baixo.
Ter em mente o que irá falar no início e começar a falar
lentamente para depois aumentar o ritmo e tom de voz.

• Procurar uma prancheta ou algo para apoiar papel no


momento de sua fala. Se houver algum branco, poderá
dispor de tais dispositivos para consulta.

• Concentrar o olhar em algumas pessoas da plateia. Não


olhe para o “nada”. Isso gera mal estar naqueles que estão
assistindo.

• Se por ventura tremer ao segurar o microfone, procure


apoiar o cotovelo na cintura. Isso ajuda a disfarçar.

• E por fim, uma das dicas mais importantes é manter a


concentração naquilo que se está falando. Colocar toda
a energia e empenho pelo trabalho apresentado para que
as ideias sejam compreendidas pelo público. Manter o
entusiasmo e a atenção. Verificar as reações da plateia
enquanto fala.

Agora vamos treinar um pouco? Apresentaremos a seguir um item


com sugestões de apresentações para você ou o grupo de colegas
planejarem uma fala ao público.

A defesa de ideias e convicções


Agora que você já sabe o esquema básico para participar de um
seminário e apresentação com sucesso vai treinar a defesa de
ideias e convicções. A seguir apresentaremos, como exemplo,
parte dos oito mitos relacionados a língua portuguesa a partir
de Marcos Bagno (2007). A ideia é que você escolha um deles para
apresentar integralmente ao restante dos colegas procurando
aplicar o que aprendeu anteriormente.

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MARCOS BAGNO Esta apresentação em forma de seminário pode contar com a
[ LEITURA COMPLEMENTAR ] participação de outros colegas, ou seja, a apresentação pode ser
Preconceito lingüístico o que é, como se em grupo contanto que para isso todos do grupo se organizem para
faz. ISBN: 85-15-01889-6 falar um pouco. Se há outro assunto ou tema relevante e relacionado
com nosso módulo, ele pode ser sugerido previamente para ser
apresentado também. A ideia é que façamos uma autoavaliação do
desempenho pessoal de cada um para falar em público.

O livro que apresenta tais mitos é “Preconceito Linguístico” e


está disponível integralmente na internet na forma de PDF.

Vamos lá?

Mito n° 1

“A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade


surpreendente”

Este é o maior e o mais sério dos mitos que compõem a mitologia


do preconceito linguístico no Brasil. Ele está tão arraigado em nossa
cultura que até mesmo intelectuais de renome, pessoas de visão
crítica e geralmente boas observadoras dos fenômenos sociais
brasileiros, se deixam enganar por ele. É o caso, por exemplo, de
Darcy Ribeiro, que em seu último grande estudo

sobre o povo brasileiro escreveu: É de assinalar que, apesar de


feitos pela fusão de matrizes tão diferenciadas, os brasileiros são,
hoje, um dos povos mais homogêneos linguística e culturalmente e
também um dos mais integrados socialmente da Terra. Falam uma
mesma língua, sem dialetos Existe também toda uma longa tradição
de estudos filológicos e gramaticais que se baseou, durante muito
tempo, nesse

(pre)conceito irreal da “unidade linguística do Brasil”. Esse mito é


muito prejudicial à educação porque, ao não reconhecer a verdadeira
diversidade do português falado no Brasil, a escola tenta impor sua
norma linguística como se ela fosse, de fato, a língua comum a
todos os 160 milhões de brasileiros, independentemente de sua
idade, de sua origem geográfica, de sua situação socioeconômica,
de seu grau de escolarização etc. [...] (BAGNO, 2007, p.15)

Mito n° 2

“Brasileiro não sabe português” / “Só em Portugal se fala bem


português”

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A correspondência oficial 71

Essas duas opiniões tão habituais, corriqueiras, comuns, e que


na realidade são duas faces de uma mesma moeda enferrujada,
refletem o complexo de inferioridade, o sentimento de sermos
até hoje uma colônia dependente de um país mais antigo e mais
“civilizado”. [...] O brasileiro sabe português, sim. O que acontece
é que nosso português é diferente do português falado em [p. 23]
Portugal. Quando dizemos que no Brasil se fala português, usamos
esse nome simplesmente por comodidade e por uma razão
histórica, justamente a de termos sido uma colônia de Portugal. Do
ponto de vista lingüístico, porém, a língua falada no Brasil já tem
uma gramática — isto é, tem regras de funcionamento — que cada
vez mais se diferencia da gramática da língua falada em Portugal.
Por isso os lingüistas (os cientistas da linguagem) preferem usar o
termo português brasileiro, por ser mais claro e marcar bem essa
diferença.” (BAGNO, 2007, p.20; p. 23]

Mito n° 3

“Português é muito difícil”

“Essa afirmação preconceituosa é prima-irmã da ideia que


acabamos de derrubar, a de que “brasileiro não sabe português”.
Como o nosso ensino da língua sempre se baseou na norma
gramatical de Portugal, as regras que aprendemos na escola em
boa parte não correspondem à língua que realmente falamos e
escrevemos no Brasil. Por isso achamos que “português é uma
língua difícil”: porque temos de decorar conceitos e fixar regras que
não significam nada para nós. [...]

Está provado e comprovado que uma criança entre os 3 e 4 anos de


idade já domina perfeitamente as regras gramaticais de sua língua!
O que ela não conhece são sutilezas, sofisticações e irregularidades
no uso dessas regras, coisas que só a leitura e o estudo podem
lhe dar. Mas nenhuma criança brasileira dessa idade vai dizer, por
exemplo: “Uma meninos chegou aqui amanhã”. Um estrangeiro,
porém, que esteja começando a aprender português, poderá se
confundir e falar assim. [...]” (BAGNO, 2007, p.33)

Mito n° 4

“As pessoas sem instrução falam tudo errado”

“O preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe,


como vimos no Mito n° 1, uma única língua portuguesa digna deste
nome e que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas
gramáticas e catalogada nos dicionários. Qualquer manifestação

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linguística que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário
é considerada, sob a ótica do preconceito linguístico, “errada, feia,
estropiada, rudimentar, deficiente”, e não é raro a gente ouvir que

“isso não é português”. [...]

Ora, do ponto de vista exclusivamente linguístico, o fenômeno que


existe no português não-padrão é o mesmo que aconteceu na
história do português-padrão, e [p. 42] tem até um nome técnico:
rotacismo. O rotacismo participou da formação da língua portuguesa
padrão, como já vimos em branco, escravo, praga, fraco etc., mas
ele continua vivo e atuante no português não-padrão, como em
broco, chicrete, pranta, Craudia, porque essa variedade não-padrão

deixa que as tendências normais e inerentes à língua se manifestem


livremente. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em
quem fala o que.[...]” (BAGNO, 2007, p.40).

Mito n° 5

“O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão”

[...]

É sabido que no Maranhão ainda se usa com grande regularidade o


pronome tu, seguido das formas verbais clássicas, com a terminação
em -s característica da segunda pessoa: tu vais, tu queres, tu
dizes, tu comias, tu cantavas etc. Na maior parte do Brasil, como
sabemos, devido à reorganização do sistema pronominal de que já
falei, o pronome tu foi substituído por você. [...]

O que acontece com o português do Maranhão em relação ao


português do resto do país é o mesmo que acontece com o português
de Portugal em relação ao português do Brasil: não existe nenhuma
variedade nacional, regional ou local que seja intrinsecamente
“melhor”, “mais pura”, “mais bonita”, “mais correta” que outra.
Toda variedade linguística atende às necessidades da comunidade
de seres humanos que a empregam (BAGNO, 2007, p.44).

Mito n° 6

“O certo é falar assim porque se escreve assim”

“[...]

Infelizmente, existe uma tendência (mais um preconceito!) muito


forte no ensino da língua de querer obrigar o aluno a pronunciar “do

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jeito que se escreve”, como se essa fosse a única maneira “certa”
de falar português. (Imagine se alguém fosse falar inglês ou francês
do jeito que se escreve!) [...]

É claro que é preciso ensinar a escrever de acordo com a ortografia


oficial, mas não se pode fazer isso tentando criar uma língua
falada “artificial” e reprovando como “erradas” as pronúncias que
são resultado natural das [p. 52] forças internas que governam o
idioma.” (BAGNO, 2007, p.48; p.49)

Mito n° 7

“É preciso saber gramática para falar e escrever bem”

“É difícil encontrar alguém que não concorde com a declaração

acima. Ela vive na ponta da língua da grande maioria dos professores


de português e está formulada em muitos compêndios gramaticais,
como a já citada Gramática de Cipro e Infante, cujas primeiríssimas
palavras são: “A Gramática é instrumento fundamental para o
domínio do padrão culto da língua”. [...]

Por que aquela declaração é um mito? Porque, como nos diz


Mário Perini em Sofrendo a gramática (p. 50), “não existe um
grão de evidência em favor disso; toda a evidência disponível é
em contrário”. Afinal, se fosse assim, todos os gramáticos seriam
grandes escritores (o que está longe de ser verdade), e os bons
escritores seriam especialistas em gramática.” (BAGNO, 2007, p.57)

Mito n° 8

“O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão


social”

“Este mito, que vem fechar nosso circuito mitológico, tem muito
que ver com o primeiro, o mito da unidade linguística do Brasil.
Esses dois mitos são aparentados porque ambos tocam em sérias
questões sociais. É muito comum encontrar pessoas muito bem
intencionadas que dizem que a norma padrão conservadora,
tradicional, literária, clássica é que tem de ser mesmo ensinada nas
escolas porque ela é um “instrumento de ascensão social”. Seria
então o caso de “dar uma língua” àqueles que eu chamei de “sem
língua”? [...]

Ora, se o domínio da norma culta fosse realmente um instrumento


de ascensão na sociedade, os professores de português ocupariam

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o topo da pirâmide social, econômica e política do país, não é
mesmo? Afinal, supostamente, ninguém melhor do que eles domina
a norma culta. Só que a verdade está muito longe disso como bem
sabemos nós, professores, a quem são pagos alguns dos salários
mais obscenos de nossa sociedade.” (BAGNO, 2007, p.64)

Os mitos apresentados servem para ampliarmos nossa noção da


fala e do uso da nossa língua portuguesa. Em momento algum entra
em desacordo com o que propomos no curso: o domínio e o uso
da linguagem padrão na oralidade e na escrita. O que almejamos
na apresentação de tais mitos a partir do estudo do pesquisador
brasileiro Marcos Bagno é que alguns equívocos relacionados à
língua portuguesa não sejam reproduzidos como são, muitas
vezes gerando desconforto e situações de preconceito. Os trechos
apresentados não substituem a necessidade da leitura integral da
obra.

Espero que sejamos agentes de mudança neste sentido. Almejo


que o acesso à educação de qualidade permita que todo o brasileiro
respeite a diversidade linguística existente na manifestação da fala,
mas que seja capaz de escrever com excelência e qualidade tudo
que for solicitado e tudo que precisar escrever. Isso é um direito. E
também deve ser uma conquista de cada indivíduo que se preocupa
com o seu desenvolvimento humano e com o sucesso profissional.

Esperamos que ao final desta unidade você tenha sido capaz de


se apresentar em público de forma eficiente. Que tenha aplicado
os conhecimentos propostos no nosso estudo fazendo uso da
linguagem padrão na oralidade, de uma postura adequada e
que tenha lido, pesquisado, estudado sobre o tema que lhe foi
designado para a apresentação em público. Esse exercício do
uso e aplicação de um seminário ou debate é muito importante
para formação continuada num sentido de crescimento pessoal
e acadêmico. Certamente aquele que desenvolve técnicas de
apresentação em público de forma eficiente se torna uma pessoa
mais admirável e respeitada. E atualmente são muitas as demandas
por tal habilidade nos mais diversos setores da sociedade. E que tal
aprendizado tenha ficado com você não apenas neste momento de
formação, mas sempre.

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Referências 75

Considerações
Finais
Chegamos enfim, no final deste estudo, desta etapa. Espero
que você tenha aproveitado bastante cada momento. O nosso
foco primordial foi explorarmos a comunicação e a linguagem.
Se você reparar está sempre neste processo incansável e
quase natural de estabelecer comunicação com alguém para
pedir, reclamar, se declarar, comprar, chamar, contar. Talvez
alguns tópicos abordados você já tivesse conhecimento a partir
da sua bagagem escolar. Outros foram novos para você. O
importante é que depois de todo este pequeno grande percurso
acadêmico, você tenha conseguido se familiarizar com alguns
termos específicos da linguagem, tenha percebido o quanto a
fala e a escrita são mecanismos importantes na manifestação
linguística. Mas, que a comunicação se dá também por diferentes
outras linguagens como a visual, a sonora, musical, etc. Que
há conceitos chaves na teoria da comunicação tais como o
emissor, a mensagem, o receptor. Que há algumas técnicas
de comunicação que envolve mecanismos diferenciados
de percepção da manifestação da linguagem tais como
região, sotaque, escolaridade, classe social e que tais fatores
contribuem para discutirmos a variedade linguística. E que no
ambiente profissional, sobretudo, dominar a língua padrão é
um requisito relevante para que interações verbais e escritas
tenham objetividade, clareza, coerência e que tudo isso facilita
o processo de interação, contato, comunicação. Acredito que
se você chegou nesta reta final é porque é alguém empenhado
e preocupado com sua formação, educação, profissão.

Parabéns e conte comigo.

Prof.ª Andressa da Costa Farias

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Sobre a autora

[ Andressa da Costa Farias ]


É mestre em Estudos da Tradução pela Universidade de Santa Catarina (UFSC), especialista em Educação pela
Faculdade Dom Bosco (2009), graduada em Letras - Português e respectivas Literaturas (2008) e em Ciências
Sociais (2004) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é professora no Ensino Básico
na cidade de Florianópolis, no Curso de Pós-Graduação em Mídias na Educação e no Curso de Graduação
em Gestão Pública, ambos através da Universidade Aberta do Brasil, pelo Instituto Federal de Santa Catarina.
Já atuou também como professora no Ensino Médio, técnico profissionalizante, EJA e PROEJA. Maiores
informações sobre atuação profissional e acadêmica da autora podem ser acessadas pela internet através da
Plataforma Lattes.

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