Laudo de Vistoria do Aterro em Nazário
Laudo de Vistoria do Aterro em Nazário
1. INTRODUÇÃO
1
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
2. OBJETIVOS
3. VISTORIA E DISCUSSÕES
3.1 Aterro
2
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
Na face oeste do local onde está sendo depositado e coberto todo o lixo destinado
ao Aterro há uma pequena vala onde parte do chorume produzido está se concentrando
(Fig. 06, coordenadas UTM 22K E-617546, N-8167834). Este local fica próximo à cerca
lateral, da face oeste. Embora o volume, no dia da vistoria, não fosse muito grande,
deve-se lembrar que está-se no meio do período de seca e, portanto, quando iniciar as
3
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
Foi escavado um segundo tanque (na verdade apenas uma cova), com dimensões
maiores que a referida anteriormente, medindo cerca de 8m x 5m, onde há grande
volume de chorume e carcaças bovinas. A figura 09 mostra este tanque (Coordenadas
UTM 22K E-617554, N-8167954).
Esta cova, construída sem nenhum critério técnico, nenhuma medida de
contenção para evitar a poluição e contaminação do solo e lençol freático, já encontra-se
totalmente cheio – e estamos no período da seca. Naturalmente assim que iniciar o
período de chuva haverá um transbordamento excessivo de chorume no local. Esta cova
encontra-se a apenas 30m da cerca da face oeste da área, o que irá favorecer o
escoamento do chorume para fora da área do Aterro.
Mais ao fundo da área, próximo à face leste, há uma lagoa para depósito e
tratamento do chorume. Esta lagoa (Fig. 08, coordenadas UTM 22K E-617574,
N-8168120) foi construída de forma adequada, estando na parte mais baixa e ao fim da
área, revestida com manta de PEAD e, ainda, é cercada por cerca de arame. Entretanto,
a falta de manutenção propiciou estragos na manta, com o desenvolvimento de um
exemplar de sansão-do-campo que rasgou a manta em um ponto (Fig. 08a).
É facilmente observável que esta lagoa nunca foi utilizada. O líquido que encontra-
se depositado em seu fundo é água da chuva armazenada (visto que o fundo é
impermeabilizado). A grande presença de algas (daí a coloração verde da água)
evidencia que esta água não está contaminada com chorume.
Chama a atenção, no entanto, quanto à construção da referida lagoa, a
encanação. Há uma caixa na parte superior da mesma (Fig. 03d), mas só é visto um
cano de lançamento para o interior da lagoa, na parte inferior (Fig. 03c) e em ponto
muito baixo, o que compromete a capacidade de armazenamento da lagoa.
4
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
1
Semi-sólidos são substâncias ou produtos com teor de umidade inferior a 85%.
2
Refere-se, exclusivamente, aos resíduos industriais perigosos.
5
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
“Considerando que baterias e pilhas, mesmo que dentro dos padrões de cádmio,
chumbo e mercúrio estabelecidos pela Resolução CONAMA contém quantidades
apreciáveis de outros metais pesados, existe o risco em potencial de haver poluição
em função da contribuição dos metais no lixiviado (...) os eletrólitos contidos em
pilhas e baterias são muito ácidos ou alcalinos, o que causa variação de pH no
ambiente, se houver danos na pilha com vazamento de eletrólito. Alterações de pH
3
MICHEL, V.F. Resolução 257/99 do CONAMA – Diante da Legislação Estadual pré-existente – A questão da
destinação final de pilhas, baterias e assemelhados. In: CAPPELLI, Silvia (org.) Resíduos Sólidos. Porto
Alegre: Procuradoria Geral de Justiça, 2002. pp. 264-265. Citando laudo da Profª Drª Andréa Moura
Bernardes, do Laboratório de Corrosão, Proteção e Reciclagem de Materiais, da Universidade do Rio Grande
do Sul.
6
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
Isto mostra a gravidade do lançamento das pilhas sobre o solo, da forma como
está ocorrendo no referido lixão.
4
op. cit. p. 271.
5
Resíduos da Classe I ou Perigosos, conforme NBR 10.004, da ABNT, “são aqueles que, em função de suas
características intrínsecas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade,
apresentam riscos à saúde pública através do aumento da mortalidade ou da morbidade, ou ainda,
provocam efeitos adversos ao meio ambiente quando manuseados ou dispostos de forma inadequada”.
6
MONTEIRO, J.H. et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. Secretaria Especial
de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República-SEDU / Instituto Brasileiro de Administração
Municipal – IBAM, 2001. p.30.
7
loc. cit.
8
l.c.
7
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
A destinação final e adequada dos resíduos sólidos produzidos por uma cidade
tem sido o grande problema para as administrações públicas municipais.
Tradicionalmente fazia-se, e em muitos casos ainda se faz a disposição em locais
denominados de “lixão”. Em muitos municípios houve a construção de Aterros
Controlados, que por operação inadequada, acabaram sendo transformados em lixões.
O Aterro de Nazário apresenta alguns problemas que podem, e devem ser
sanados, para minimização dos danos ambientais gerados.
8
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
9
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
4. CONCLUSÕES
10
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
Apesar dos problemas apontados, deve-se destacar que, ainda assim, o Aterro de
Nazário apresenta alguns aspectos positivos – pelo menos durante o período de seca.
Não foram observados urubus no local, em conseqüência da cobertura do lixo feita
quase que diariamente.
Por tratar-se de período de seca, o volume de chorume é bem reduzido, então não
havia no local extravazamento de chorume escorrendo pela área – embora este problema
será, inevitavelmente, observado no período chuvoso caso não sejam tomadas as
medidas necessárias para evitá-lo.
Outro aspecto positivo foi a não observância da prática da queima do lixo,
altamente poluente. No entanto, deve-se destacar, a inexistência de drenos para o
biogás poderá favorecer a ocorrência espontânea de incêndios.
1. RECOMENDAÇÕES
1. construir vala para disposição dos resíduos sólidos comuns. Esta vala deverá ter
drenos e ligação com a lagoa para tratamento do chorume;
2. concluir a conclusão da vala destinada aos RSS (resíduos de serviços de saúde);
3. reparar os danos causados à manta de polietileno (PEAD) que reveste a lagoa de
tratamento do chorume;
4. remover (carpir) o capim que se desenvolveu ao lado da lagoa, dentro da área
cercada, mantendo este ponto revestido com grama ou brita;
5. corrigir a tubulação que faz o lançamento do chorume da caixa de visita para o
interior da lagoa, transferindo-o para a parte anterior da lagoa (ao lado da caixa) e
em ponto mais alto em relação ao fundo da lagoa, visando garantir maior capacidade
de armazenamento (volume) da lagoa.
6. construir drenos na área de enterramento do lixo atual para o biogás;
7. construir drenos na mesma área para conduzir o chorume até a lagoa de tratamento
de chorume já existente (Fig. 08);
8. eliminar a vala onde há acúmulo de chorume ao lado da área de enterramento do lixo
(Fig. 06);
9. eliminar a vala/tanque onde está sendo armazenado chorume e depositado carcaças
de animais (Fig. 07);
10. construir uma guarita para vigia;
11
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
Rogério César
Perito Ambiental
12
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
a b
c d
13
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
a b
Fig. 02: Parte do material reciclável separado pelos catadores de recicláveis que trabalham no
interior do Aterro de Nazário. Em “b” vê-se o grande espaçamento entre os pés de sansão-do-
campo, com conseqüente inadequado fechamento na parte baixa, principal objetivo do sansão-do-
campo.
14
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
c
15
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Ministério Público do Estado de Goiás
Perícia Ambiental
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
16
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
17
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
a b
c d
e f
Fig. 07: Vala escavada sem nenhum critério técnico, repleta de chorume e carcaças bovinas. Em
“f” percebe-se a proximidade, cerca de 30m, da cerca da face oeste. Coordenadas UTM 22K
E-617554, N-8167954).
18
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
a b
c d
Fig. 08: Lagoa para armazenamento e tratamento do chorume, coordenadas UTM 22K E-617574,
N-8168120. Em “a”, no destaque exemplar de sansão-do-campo que nasceu no canto entre os
lados leste e norte da lagoa, danificando a manda de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) que
reveste a lagoa, e pode ser vista exposta nos taludes da lagoa. Em “c”, no destaque vê-se o cano
na face norte, este cano deveria estar na face sul, ligado à caixa vista em “d”.
19
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
Fig. 10: Local de retirada de solo para cobertura dos resíduos sólidos no Aterro de Nazário. A
retirada de solo sem rigoroso critério técnico pode comprometer a vida útil do Aterro. Coordenadas
UTM 22K E-617565, N-8167961.
20
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
b c
21
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
ANEXOS
Aterro
Plantação de eucaliptos
Subestação da CELG
ANEXO I
i
Ministério Público do Estado de Goiás
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
Perícia Ambiental
ANEXO II
h Detalhe do Anexo I, mostrando
a área do Aterro Controlado de
Nazário:
“a”: entrada do Aterro (Fig.
j 01b);
g “b”: local onde os catadores
trabalham (sob um jatobazeiro);
i “c”: local de deposição final e
cobertura dos resíduos sólidos
de Nazário, não tem vala, nem
drenos (Fig. 04);
“d”: pequena vala para
armazenamento de parte do
chorume, construída sem
nenhum critério técnico (Fig.
06);
“e”: local onde, posteriormente
f à data desta imagem, foi
escavada a cava para
armazenamento de chorume e
carcaças bovinas (Fig. 07);
e “f”: local de retirada de solo
para cobertura do lixo (Fig. 10);
“g”: lagoa para tratamento do
chorume, sem uso (Fig. 08);
“h”: vala provavelmente para
Resíduos de Serviços de Saúde,
construída de forma totalmente
inadequada (Fig. 05);
“i”: local de retirada de solo
para uso fora do Aterro.
d Observa-se que houve aumento
significativo na área a partir da
c data desta imagem (Fig. 11);
“j”: acesso secundário ao
interior do Aterro (Fig. 01d).
Deve ser eliminado.
b
ii