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Guerreiros da Internet

Manuscrito escrito por Tomas Stephanson, Monte Reid

translation to portuguese by Leonel Morgado

Pela primeira vez na História, as pessoas e as máquinas trabalham em


conjunto, tornando um sonho realidade. Uma força congregadora que não
conhece fronteiras geográficas. Sem olhar à etnia, religião ou raça. Uma
nova era, onde a comunicação verdadeiramente une as pessoas.

Esta é a alvorada da Internet.

Quer saber como tudo funciona? Clique aqui para iniciar a viagem pela
Internet.

Ora bem, o que é que realmente aconteceu quando clicou nessa ligação?
Despoletou um fluxo de informação. As informações deste fluxo dirigem-
se para a sua sala pessoal de correio, onde o Sr. IP as empacota, rotula e
despacha. Há limites ao tamanho de cada pacote. A sala de correio tem de
decidir como processar as informações e empacotá-las.

A seguir, é preciso rotular o pacote IP, com


informações importantes, tais como o endereço do
remetente, o endereço do destinatário e de que tipo
de pacote se trata. Como o pacote em causa se
destina a ir para a Internet, também recebe o
endereço do servidor proxy, que desempenha uma
função muito especial, como veremos mais à frente.

O pacote é então lançado para a rede local. Esta rede é utilizada para ligar
todos os computadores, routers, impressoras e outros equipamentos
locais, situados dentro das paredes reais de um único edifício. A rede local
é um sítio relativamente anárquico, onde infelizmente podem ocorrer
acidentes.

A auto-estrada da rede local está apinhada com todo o


tipo de informações: há pacotes IP, pacotes Novell,
pacotes Apple Talk - âhm... que vão em contramão,
como é costume. O router local lê os endereços dos pacotes e, se for
necessário, recolhe os pacotes, lançando-os noutra rede.

Ah é verdade, o router. Um símbolo de controlo num


mundo aparentemente desorganizado. Ele ali
está...sistemático, insensível, metódico, conservador
e, por vezes, não muito rápido. Mas é de grande
precisão... geralmente.

Os pacotes que saem do router embrenham-se na


intranet da empresa, direitos ao switch de routers.
Este é um bocadinho mais eficiente do que os routers,
despachando despreocupadamente e depressa os
pacotes IP, encaminhando-os habilmente em direcção
ao destino. É, mais ou menos, uma espécie de craque
digital dos flippers.

Conforme os pacotes vão chegado aos respectivos destinos, são


apanhados pela interface de rede, que está preparada para os despachar
para o nível seguinte. Neste caso, o proxy. O proxy é utilizado por muitas
empresas como "intermediário", para aliviar a carga da ligação à Internet.
E também por questões de segurança. Podemos ver que os pacotes têm
tamanhos diferentes, conforme o conteúdo de cada um.

O proxy abre o pacote e procura o endereço Web (conhecido por URL). Se


o endereço for aceitável, o pacote é enviado para a Internet. No entanto,
há alguns endereços que não obtêm a aprovação por parte do proxy (que
o mesmo é dizer, não cumprem as directivas empresariais ou
administrativas). E estes são eliminados sumariamente, pois não
queremos disso por cá. Quanto aos que conseguem passar, fazem-se de
novo à estrada.

Logo a seguir... o corta-fogo (firewall). A firewall da


empresa existe por dois motivos: evita que algumas
coisinhas nojentas que andam pela Internet entrem na
intranet; e também evita que as informações
confidenciais da empresa sejam enviadas para a
Internet.

Uma vez passada a firewall, um router recolhe o pacote e coloca-o numa


estrada (ou largura de banda, como costumamos dizer) muito mais
estreita. Obviamente, a estrada não é suficientemente larga para que
possam caber todos os pacotes.

É capaz de estar a pensar: "O que é que acontece aos pacotes que não
chegam ao fim do caminho?" Bem, quando o Sr. IP não recebe uma
confirmação de recepção de um dado pacote em tempo útil, limita-se a
enviar um pacote para o substituir.

Estamos agora prontos a entrar no mundo da Internet,


uma teia de aranha de redes interligadas que se
estende por todo o planeta. Aqui, os routers e
switches estabelecem ligações entre redes.

Ora bem, a Internet é um ambiente completamente


diferente do que encontramos dentro das muralhas da rede local. Aqui
fora, é um faroeste. Muito espaço, muitas oportunidades, muito para
explorar muito aonde ir. Graças à existência de muito poucos controlos e
regras, as ideias novas encontram aqui solo fértil para ir mais além. Mas
devido a esta liberdade, também alguns perigos se escondem. Nunca se
sabe quando é que pode parecer o terrível ping mortal. É uma versão
especial de um pedido normal de ping, criada por algum imbecil, que
descontrola os anfitriões incautos.

Os percursos dos nossos pacotes podem ser através de satélites, linhas


telefónicas, comunicação aérea ou até mesmo cabo transoceânico. Nem
sempre tomam o caminho mais rápido nem o mais curto, mas
provavelmente chegarão ao destino, mais cedo ou mais tarde. É talvez por
isto que às vezes falamos na World Wide Wait ("espera à escala mundial").
Mas quando tudo funciona como deve ser, pode-se dar 5 vezes a volta ao
mundo, no tempo de um piscar de olhos (literalmente). E isto ao preço de
uma chamada local - ou até por menos.

Quase ao chegar ao nosso destino, encontramos outra firewall. Conforme


o ponto de vista do pacote de dados, a firewall pode ser um bastião de
segurança ou um adversário temível. Tudo depende do lado em que se
está e das nossas intenções.
A firewall foi concebida para deixar entrar só os pacotes que cumprem os
critérios que tem definidos. Este corta-fogo está a trabalhar nos portos 80
e 25. Todas as tentativas de entrada por outros portos dão com a cara na
porta.

O porto 25 é utilizado para pacotes de correio; já o porto 80 é a entrada


para os pacotes da Internet destinados ao servidor Web.

Dentro da firewall, os pacotes são analisados com mais cuidado: alguns


passam sem dificuldades por esta "alfândega", enquanto que outros já
oferecem dúvidas. O polícia da firewall não é enganado de qualquer
maneira: por exemplo, está atento a pacotes do ping mortal, quando estes
se tentam disfarçar de pacotes do ping "normal".

Para os pacotes que têm a sorte de aqui chegar, a


viagem está quase a terminar. Basta alinharem-se
junto à interface, para serem erguidos até ao servidor
Web.

Hoje em dia, um servidor Web pode estar a funcionar


em muitos tipos de máquinas. Desde um grande sistema central a um
computador pessoal, passando pelas câmaras para a Web. E porque não
num frigorífico? Com a configuração adequada, pode-se descobrir se há
ingredientes que cheguem para um Bacalhau à Brás, ou se é preciso ir às
compras. Lembrem-se que estamos na alvorada da Internet: praticamente
tudo é possível.

Um a um, os pacotes são recebidos, abertos e


desempacotados. As informações que continham, que
constituem o nosso pedido de informações, é enviada
para aplicação do servidor Web. Quanto ao pacote,
este é reciclado, ficando pronto para nova utilização,
após preenchido com as informações que solicitámos.
É então endereçado e é-nos enviado.

Já de regresso, após passar pelas firewalls, routers e pela Internet. Passa


novamente pela nossa firewall na empresa, bem como pela interface.

Está pronto a fornecer ao navegador da Web as informações solicitadas.

E é isto o filme.
Satisfeitos com o esforço que aplicaram, e cheios de confiança num
mundo melhor, os nossos fiéis pacotes de dados cavalgam alegremente
em direcção a mais um pôr do Sol, com a certeza de terem servido bem a
seus amos.

E então, isto é ou não é um final feliz?

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