O inferno na terra
Sabe o que é isto¿... Como poderia, afinal vocês
nunca estiveram nas trevas. Nunca passaram
por um tremendo sufoco, dificuldades ou ter que
ver você mesmo matando a sua família, seus
amigos pouco a pouco vendo a luz deixar seus
olhos por causa de coisas com que você não
conseguiu lidar, coisas fora do comum e da
realidade, coisas que a maioria de nós não
acreditam. Mas para vocês entenderem, vou ter
de contar do início.
Capítulo 1
o pensador
- Brasil, Rio de Janeiro 09:15am
— Uhh... foi apenas um sonho.
Me chamo Wyatt Wiezel, tenho 21 anos e minha
vida antes dos acontecimentos era bem normal.
Aluno mediano, tirava boas notas isso que era o
importante. Namorava uma garota que eu
pensava ser a mais perfeita do mundo: Laura,
ela era chefe de líder de torcida da faculdade de
onde estudávamos, tinha cabelos longos
escuros com mechas ruivas, a pele bastante
bronzeada por causa das praias que ela adora
pegar, olhos dourados cor de mel. Nós nos
amávamos demais até ela começar a ser
manipulada.
Andava pela rua depois de uma festa que eu
tinha ido com uns amigos que eu raramente via,
havia deixado cada amigo em suas respectivas
casas, mas eu preferia voltar sozinho para
pensar e refletir sobre tudo o que aconteceu na
noite. Estava a 3 quadras de casa, o tempo
esfriando, já era tarde, mas eu continuava a
andar com um olhar sério e forte, tomando
conta do meu espaço e de mim. Segundos
depois, parei, foquei em tudo ao meu redor
mantendo os meus sentidos centrados e por
trás do silêncio que me rodeava, comecei a
ouvir um tilintar de chaves ao longe que chiava
e parava a cada instante. Olhei de um lado para
o outro e não via absolutamente ninguém, só
até então que me deparei com alguém a uma
rua atrás de onde eu estava.
— Olá, tudo bem senhor?
Tudo parecia ficar tenso, ele apenas ficava
parado lá, olhando para baixo balançando suas
chaves. Ao meu ver era um homem vestido de
calças e sobretudo ambos pretos, o cabelo
curto castanho, porém com uma grande franja
que escondia quase todo o seu rosto. Desviei
minha atenção por alguns segundos e quando
voltei a olha-lo, ele estava me olhando
fixamente e quando a luz de um dos postes
refletiu em seus olhos eu pude ver que eles
eram rubros cintilantes, nunca tinha visto nada
parecido. Me assustei e quando dei alguns
passos para trás, as chaves em suas mãos
pararam de tilintar.
Meu coração acelerou e fiquei ofegante, não
sabia o que iria acontecer. Um assalto¿ um
maluco ¿ qualquer coisa. Corri de volta para o
meu apartamento olhando para trás e me dei
conta de que ele não estava mais atrás de mim.
Entrei, passei todas as trincas da porta, me
acalmei, tomei banho, e jantei alguma coisa da
geladeira, deitei-me em minha cama, mas não
parava de pensar a respeito do homem que eu
havia visto nessa noite.
- DOMINGO, 01:15am
— ...UuuHh...AAhhh. O que é isto¿ Isto é um
sonho¿ Não sei, mas estou sentindo uma
imensa dor, como se alguém estivesse me
cortando por dentro. Ahh, como é possível... não
consigo nem abrir meus olhos ou mexer meu
corpo.
Me esforcei ao máximo, mas nada acontecia e
eu continuava a sentir dor. Tentei mais um
pouco abrir meus olhos de alguma forma, aos
poucos fui conseguindo e quando os abri, era
ele, o cara de ontem à noite e ele estava pondo
algo com uma coloração negra e resquícios
verdes em meu braço esquerdo. Por fim ele
sumiu e foi quando eu acordei.
- DOMINGO, 09:15am
— Uhh... ah foi apenas um sonho.
Já é dia e eu acordei meio indisposto, não tomei
café da manhã adequadamente, tentei fazer
algo para ocupar meu dia, mas uma das poucas
coisas que me faz esquecer todos os meus
problemas é ficar ouvindo os mesmos rocks do
meu celular. Mas acabou que eu passei o dia
todo fazendo apenas isso.
Enfim segunda-feira e os dias voltaram ao
normal, eu não posso ficar focando naquilo até
porque daqui a 2 semanas começarão as provas
e eu preciso me concentrar. A sala de aula era
bem agitada, um falatório de um lado para o
outro e o professor de biologia tentando apenas
repassar a sua revisão; Laura se aproximou de
mim, sentou-se ao meu lado e disse:
— Wyy?, Wyatt! Você está bem¿ parece um
tanto preocupado ou paranoico se posso dizer
algo.
Hesitei em responder sua pergunta. Respirei
fundo e falei calmamente com ela.
— Uhm¿ Eu estou bem Laura, só não dormi
direito, tive alguns pesadelos esses dias.
Ela me encarou com uma expressão séria e
preocupante.
— Tudo bem então, eu só quero que ...
— SILÊNCIO!!! ...
O professor já não aguentara mais toda aquela
barulheira, deu um berro e todos se calaram,
mas eu ainda podia ouvir as vozes ecoando em
minha cabeça, olhei de um lado para o outro,
mas os lábios de ninguém se mexiam, foi aí
então que uma ideia boba e ridícula me veio à
cabeça. Estou eu ouvindo os pensamentos das
pessoas¿ não só das pessoas da sala, mas
parece que de todos da cidade. E os
pensamentos eram todos similares de alguma
forma: Dinheiro, Amor, Fome, Insegurança,
Desejos, Sentimentos, Vingança, Justiça, tudo
isso eu sentia e ouvia de uma vez só em minha
mente.
Com os minutos se passando no relógio,
comecei a sentir uma certa agonia e um
incomodo. Tentei me concentrar apenas em
meus próprios sentimentos e pensamentos,
assim todas as vozes foram se esvanecendo até
eu ouvir apenas os meus batimentos cardíacos.
As aulas já estavam quase terminando, só
faltava a aula de física para podermos ir
embora, mas nesse meio tempo eu poderia
brincar um pouco e lhes contar sobre os outras
pessoas.
Na mente de Felipe que aparentava ser um
garoto inteligente, se vestia de um jeito
bastante simples, pensava em ter um bom
emprego na área de biomecânica.
Sam era um garoto bastante alegre, engraçado
bem lerdo por causa da maconha que ele
fumava diariamente. Ele pensava em...em... O
que¿¿¿ Comer o resto de lasanha que deixou na
geladeira, fumar os Skank que ele comprou
antes da aula, chupar os peitos da
Vicky¿¿ porque eram grandes e pareciam ser
macios sem falar que ela é uma das garotas
mais bonitas da escola, junto de Laura.
Victoria (Vicky) não pensava em muitas coisas,
ela é uma garota risonha e adora zoar, sempre
andava perto de suas amigas: Laura, Karina e
Nicole. Estava pensando em que roupa ela
usaria na sua grande festa de hoje à noite, mas
estava também indecisa por ter vários modelos
e estilos de roupas diferentes.
Karina adora fazer exercícios e malhar na
academia do irmão mais velho, quer ter uma
carreira de personal trainer apenas por gostar
muito desses lances de fortalecimento corporal,
ela é uma garota de cabelos longos ruivos e
com uma estatura baixa, ela mal chegava em
meus ombros. Ela é muito fofa, mas não tente
irritar uma tigresinha por mais que ela seja fofa.
Matthew já era mais sério, ficava quieto na
dele, preguiçoso, mas tirava notas boas de
alguma forma, ele não parecia prestar atenção
alguma nas aulas. Ele é negro de cabeça
raspada, pensa em sair logo da escola para
poder ajudar o pai doente que lutou numa
guerra do Vietnam.
Julia e Luna são quase inseparáveis e não
paravam de fofocar um segundo sobre tudo e
todos. Luna é uma garota fofa e meiga que
sempre mudava a cor dos cabelos em uma
determinada época do ano. Julia é a irmã mais
nova da Vicky, ela adora beber e sair à noite
para festas e ela joga no time adversário se é
que vocês entendem.
O sinal tocou e todos nós descemos, mas antes
de eu ir junto, esperei Laura guardar suas
coisas para irmos embora juntos, afinal ela ia
para minha casa para conversarmos e ficarmos
juntos a noite. Pouco antes de irmos embora
Vicky me parou e disse:
— Heey, esperem...
— O que foi¿
— Vocês querem ir a uma festa hoje à noite?
— Pô, hoje à noite?
Antes de responder, Laura me cortou e
respondeu por nós dois:
— Claro, adoraríamos.
Não discordei dela, pois eu sempre quis ver
ela feliz e se ela acha que devêssemos ir a tal
festa, não deveria ser tão ruim.
- SEGUNDA-FEIRA, 07:00pm
De acordo com as informações que Vicky me
passou, a festa será na casa de seu pai na
Avenida das Américas, Barra da Tijuca.
Me vesti de um jeito apresentável, coloquei um
jeans azul escuro, um par de sapatos pretos e
uma camisa verde escura sem mangas, dei uma
leve ajeitada nos cabelos apenas com as mãos.
Perguntei a Laura o porquê de sua demora e nós
já estávamos atrasados. Quando a porta se
abriu, Laura saiu usando um maravilhoso
vestido preto, junto de umas meias calças
quadriculadas que eu esqueci o nome, um par
de botas e um gloss. Não que ela precisasse,
mas enfim... ela estava impecável. Andamos até
meu carro, o que não era nada demais apenas
um velho Citroen C3 que minha mãe dirigia, mas
conservado e anda dava para o gasto.
- SEGUNDA-FEIRA, 08:00pm
Ao chegarmos, sai do carro, abri a porta para
Laura, tranquei o carro e fomos até a
residência. A casa fazia parte de um dos
condomínios Santa Mônica Jardins, e cobria
uma imensa área. Nos jardins da frente já
tinham pelo menos umas 60 pessoas de todo o
nosso colégio e de grupos de amigos, tocava
Otherside do Red Hot e todos pareciam curtir
apesar do povo brasileiro adorar ouvir funk nas
festas.
Andamos um pouco pelo perímetro da casa,
falamos com as pessoas próximas e Vicky já
estava bem a porta recebendo todos os
convidados. Andou em nossa direção, nos
abraçou e disse:
— Olha, não é que vocês estão lindos ¿
Juntos respondemos:
— Obrigado!
— Entrem, olha tem um monte de bebidas na
cozinha, é só olhar nas geladeiras e nos
coolers, e comida pelas mesas.
Ao entrarmos, fomos até a parte de trás da casa
e não é que eu estava errado¿ Tocava um alto
funk em que todos dançavam e rebolavam feito
loucos, onde tinham mais umas 140 pessoas,
algumas na piscina e outras por todo o
gramado. Laura soltou minha mão, me beijou.
Disse que iria se encontrar com suas amigas e
eu fui me encontrar com os meus.
A festa estava bastante animada com todos
dançando e na cozinha chegaram Matt e Sam
com dois amigos seus: Will e A.J. Me
apresentei, conversamos e bebemos. A meu ver
Will adora rock, só pela aparência e gosto por
roupas pretas e camisas de bandas entregaram
na hora sua pessoa. A.J é filho de um ex militar
e quer seguir numa profissão similar.
— Cadê o Felipe?
Matt disse que ele ia demorar um pouco, porque
tinha coisas para resolver. Eu franzi a testa.
Will disse:
— Bora beber mais!!
— Não quero ficar bêbado tão cedo
— Ahhh é, você é fraco demais com bebida.
Todos riram e estavam se divertindo muito com
tudo. Sam que estava completamente chapado
e comendo tudo a sua volta sem deixar rastros.
Algumas garotas pelos corredores rebolando
muito sério e outros garotos as puxando para
bem perto e não era para beijar, haja paciência.
Ao longe da frente da casa foi surgindo uma
buzina aguda e um ronco forte de motor de
carro, fomos todos a porta da frente para ver o
que ou quem era e estava um Porsche prateado
parado, não dava para ver quem o dirigia pois o
carro tinha o vidro fumê. Quando a porta se
abriu, desceu do carro um rapaz usando uma
jaqueta de couro preta, um jeans acinzentado e
um óculo escuro refletor. Era ele, o Felipe.
Ele olhou para todos a sua volta e mandou
um sinal com o dedo apontando. Vicky foi
correndo em sua direção e antes que ela
pudesse abraçá-lo, ele a agarrou pelos braços,
apoiou a mão em seu rosto, se aproximou bem
devagar e a beijou. Todos se surpreenderam
com sua atitude por que ninguém pensava que
ele fosse agir de tal forma, A festa continuou
com todos se divertindo ainda, Felipe com sua
“namorada”, tudo estava indo bem.
- 3 HORAS DEPOIS.
Eu já estava tonto de bêbado, tinha marcado
com Lauro de nos encontrarmos em um dos
quartos da casa, mas eu estava completamente
perdido. Pedi ajuda à Vicky para achar o quarto
em que Laura estava.
— Vi. vi.. Vicky!
— Oi Wy. Precisa de algo ¿
— Ah...sim, você sabe em que quarto a Laura
está ¿
— Ela está no segundo andar da casa, terceira
porta à direita.
Segui diretamente para lá, meio tonto, fui me
apoiando pelos cantos da casa até o quarto.
Cheguei à porta do quarto, mas antes de entrar,
uma tremenda dor de cabeça me bateu e então
eu comecei a sentir e ouvir os pensamentos da
Laura. Senti alguns desejos quentes e algo mais
prazeroso. De repente por trás da porta comecei
a ouvir risos e gemidos, abri a porta de uma vez
para ver o que acontecia e então não acreditei
no que eu estava vendo.
Em uma cama Laura estava completamente nua
beijando a Luna enquanto Sam chupava a sua
buceta. E com isso Julia filmava sentada numa
poltrona se masturbando enquanto filmava tudo.
Enquanto meus olhos se enchiam de água,
Sarah me percebeu parado à porta e gritou meu
nome de susto, e na sequência todos se
assustaram junto. Ela se cobriu rapidamente
com os lençóis que estavam ao pé da cama e
todos pararam de fazer o que estavam fazendo
e começaram a me encarar. Laura disse estas
mesmas palavras:
— Wyatt... querido, não é o que você está
pensando.
Como não ¿ estava tudo muito na cara. Eu não
consegui processar mais nada do que eu ouvia,
eu apenas via a culpa estampada em seus
rostos. Com muita mágoa, corri muito rápido
para ir embora daquela casa, empurrei todas as
pessoas que ficavam em meu caminho como se
não houvesse barreiras que pudessem me
segurar. Entrei em meu carro, e fui direto para
casa sem me descontrolar ao volante. Ao
chegar, estacionei de qualquer jeito, entrei, e
fui direto para meu quarto. Quando fechei a
porta, meu teto desabou e me derramei em
lágrimas.
Chorei por muitos dias, não ia a faculdade,
não dormia direito, não me alimentava direito,
apenas bebia um vinho branco que as pessoas
cismavam que era cachaça disfarçada enquanto
ouvia umas músicas tristes da “Sixlight “.
Uma noite sai de casa de carro, não importava
para onde eu ia, só precisava sair de casa, não
aguentava mais ficar preso. Eu dirigia
completamente embriagado, ligava o rádio para
me distrair um pouco, tocava “Reach For The
Sky” Que toda vez se repetia em um loop.
O tempo de repente começou a fechar, o céu
ficou escuro e no para brisa do carro caiu uma
pequena gota de água, alguns segundos depois
começou a chover bem forte. Minha cabeça
começou a ficar pesada e tonteada, não
conseguia ver quase nada por causa da chuva,
meu corpo todo começou a formigar, a tremer e
um calafrio subiu pela minha espinha, não
parava de pensar a respeito de Laura. Será que
eu devia voltar e ouvir o que ela tem a dizer¿¿
Não, não tem explicação, estava muito na cara
o que todos eles estavam fazendo.
Quando me dei conta, eu estava subindo uma
colina e por trás da nevoa surgiu uma silhueta
de alguma criatura enorme e bastante
alongada. No susto, gritei e virei o volante de
uma vez para a esquerda... onde... já não tinha
mais estrada.
O carro capotou, rolou e eu gritava. Por fim o
carro todo amassado, parou sobre um monte de
rochas do desfiladeiro, quase caindo do
penhasco todo.
— Arrghh
— SOCORRO!!!
— Alguém me ajude, eu estou aqui...
Eu gritava de dor, o carro capotado com o teto e
o banco esmagando meu braço esquerdo, o
corpo todo paralisado de dor e eu gritando no
meio da noite na chuva e antes que eu pudesse
fazer qualquer outra coisa, perdi a consciência.
Perdido, pelos meus pensamentos sem saber se
alguém me acharia, comecei a lembrar da festa
pensando na Laura, que talvez se eu tivesse
ouvido ela, não estaria nessa situação.
Mesmo estando inconsciente sinto uma
enorme dor em meu braço esquerdo, o ombro
também e parte do meu peito.
— ALGUMAS HORAS DEPOIS...
Eu sinto meu coração acelerando e lentamente
vou começando a abrir os olhos, eu não estava
mais em meu carro, apenas via o que parecia
ser uma cabana caindo aos pedaços. Olhei tudo
ao redor e só via alguns instrumentos e
ferramentas de alquimia e química como os que
se vê em escolas e faculdades. Sinto um
formigamento por todo o meu corpo.
Capítulo 2
Um futuro profético
Quase desmaiei novamente, percebi que meu
braço esquerdo sumiu e comecei a me
desesperar, vindo dos fundos da cabana, era ele
novamente, o homem que me seguia noites
atrás.
— Por favor não me mate.
— Quieto.
Por favor, eu nem te conheço e nunca fiz nada
de errado, não me mate.
-Eu não vou matar você.
Comecei a ficar confuso.
— Então porque arrancou meu braço “Holmes”?
— O braço já havia sido dilacerado pelo peso do
teto do carro, com 3 hemorragias internas e
rupturas por toda a Ulna, você não voltaria a
mexer esse braço nunca.
— E achou que a melhor ideia seria arrancar
fora? Aliás, como você me achou?
— Estava por aí para sentir o frescor e o frio da
chuva quando vi um rastro de pneu da estrada
que levava até seu carro.
— Quem é você?
Ele franziu a testa e me encarou seriamente.
— Tudo será respondido no seu devido tempo e
agora respire fundo...
Eu estava em uma maca, uma mesa de madeira
pra falar a verdade, preso por cintos por
espaços do meu corpo, como aquelas camas
para pessoas agressivas que se vê em
hospícios.
— ... respire fundo, porque talvez doa um pouco.
— Como assim?
Ele murmurou algumas palavras em um idioma
estranho que não se parecia com nada que eu já
tivesse ouvido e seus olhos começaram a
brilhar reflexos vermelhos e de repente o clima
ficou gelado. Ele pôs a mão por cima do meu
ombro esquerdo e eu comecei a sentir bastante
quente pela região, mas a dor veio logo depois.
Meu braço começou a se reestruturar em um
nível molecular. Cada tecido, osso, músculo,
carne, sangue, tudo isso crescia bem na minha
frente e rapidamente, mas a cores não eram da
pele comum de um ser humano, eram como uma
mistura de verde esmeralda e preto.
— Meu nome... é Azazel e você senhor Wyatt,
não vive no mundo que pensa.
— Ele tocou minha cabeça e eu entrei em sono
imediato.
- Terça - feira, 08:42
— Não, não... Laura!!!
Acordei perfeitamente normal em meu quarto.
Eu estava apenas sonhando? Não sentia dor
alguma e meu braço estava inteiro e bem.
— Wyatt querido, café da manhã. E não vá se
atrasar para a escola.
— Ta bem mãe.
Fiquei perplexo pôr alguns segundos, arregalei
os olhos e me dei conta que HOJE TEM PROVA!
Me vesti correndo, desci, tomei o suco de
pêssego comi as panquecas e sai porta a fora.
— Aí caralho, eu vou me atrasar, a prova
começa em 45min.
— Wyatt, você não vai de carro?
— Não mãe, o carro ta todo...
Congelei. Lá estava ele intacto na garagem.
Entrei e fui o mais depressa para a escola.
- Escola, 08:42
Os pneus cantaram, faltava menos de 15min
para começarem a prova, mas consegui chegar
a tempo na parte de trás do pátio. Estacionei
brutamente e corri direto para a porta dos
fundos. Ao chegar em sala, o professor já ia
fechar a porta para entregar as provas, mas
consegui entrar. O problema era que todos
estavam me encarando com pesar nos olhares
por conta do que houve na festa.
Meus olhos correram por todos os rostos da
sala, andei até meu lugar com um rosto sério e
me acomodei um pouco angustiado e logo
depois meus colegas começaram a murmurar
bem baixinho e o problema era que eles falavam
baixo, mas em minha mente era como se
gritavam em meus ouvidos. Me assustei, em
seguida o professor anunciou a prova ia
começar, acalmei meus pensamentos com
respirações lentas e profundas, eu não
precisava usufruir das minhas habilidades para
colar, todos os meus esforços estudando já me
garantiriam uma nota boa.
Os alunos foram acabando aos poucos
conforme o tempo passava e iam se levantando
para ir embora até restar na sala somente: Eu,
Laura, Felipe, A.J, e o professor. A partir
daquele momento comecei a sentir uma raiva
interna e meu corpo vibrava com isso. Para não
arrumar uma confusão, terminei as últimas
questões que me faltavam e fui embora, mas
antes que eu pudesse sair Laura agarrou em
meu pulso.
— James?!
— Me solta.
— Deixe-me falar com você, por favor.
— Não, eu não quero ficar pior ainda.
Os olhos dela começaram a encher de lágrimas
e eu quase podia ouvir ela guinchar
internamente.
A.J veio se meter.
— Que atitude é essa? Apenas ouça o que ela
quer lhe dizer.
— Cala essa boca, você é retardado ou o que?
Quem você pensa que é para falar de atitudes
depois do que vocês fizeram naquela droga de
festa?
— Nós estávamos bêbados.
— Não justifique seus atos com a bebida pois eu
também estava bêbado, mas estava
completamente lúcido da minha pessoa.
Quanto mais ele tentava justificar mais eu
ficava puto e meus olhos mau piscavam de
tanta concentração. Laura cortou a nossa
discussão e disse:
— Eu não sei dizer, mas não era a bebida, eu
não conseguia pensar direito era como se eu
não tivesse mais controle...
— Para de tentar justificar também. Acabou, eu
não quero mais saber vadia...
—————— Passei dos limites —————————
Laura começou a chorar, o professor disse que
eu iria para a detenção por aquilo dito, mas eu
estava me lixando, dei as costas e fui embora.
A.J pôs a mão em meu ombro, apertou firme e
disse:
— Isso não foi legal cara.
Minha mente parou por um instante e comecei a
ouvir tais palavras ecoando pela minha cabeça:
‘Liberte a fúria. Liberte o caos. Fogo de raiva.
Chamas de ódio. Liberte a raiva. Fogo de caos.
Chamas de fúria.’ Meu corpo ficou quente,
comecei a serrar os dentes e os punhos.
— Wyatt, você sabe que nada se revolve em...
Aaarrghhh!!!!!!
Um estrondo como trovões. Tudo foi tão rápido
e a escola toda ruiu, um rastro de sangue que
levava a 2 metros de mim foi para onde A.J foi
parar com apenas um soco direto que lhe dei
em seu rosto. Felipe e o professor vieram em
minha direção para me segurar, mas eu os
empurrei para longe com um simples toque em
seus peitos, Laura estava em choque naquele
momento. A.J se levantou e correu em minha
direção, esquivou-se de um soco direito meu se
abaixando. Me agarrou pela cintura e me
impulsionou para trás, me carregando pela sala
como um rinoceronte contra a porta da sala.
A porta se quebrou em duas, enquanto A.J
desferia alguns golpes ainda em cima de mim,
todos os alunos restantes das outras salas
foram ver o que acontecia pelo barulho
ocorrido.
No chão, me esquivei de dois socos e acertei
um esquerdo em suas costelas. Ele se dobrou,
abri suas pernas puxando meus joelhos para
dentro e rapidamente o chutei bem na barriga
fazendo voar novamente para dentro da sala,
com um pouco de dor nas costas me levantei.
— Meninos parem de brigar.
Laura chorava muito. Desviei minha atenção a
ela e bem nesse momento A.J me deu dois
socos em cheios na cara, tonteado tentei um
frontal bem no peito dele, mas com agilidade
ele desviou facilmente pela direita e me
golpeou com o cotovelo bem no maxilar seguido
de uma joelhada esquerda no abdome e eu cai
de dor, me pegou pelas costas e me atirou no
chão, numa poça do meu próprio sangue e suor
que saía de minha boca. Tentei me levantar
agachando, mas A.J se aproximou de mim me
mantendo no chão e disse:
— Não subestime seu adversário...
E me finalizou com um soco no rosto me que fez
apagar imediatamente. Completamente
nocauteado, eu apenas via de relance os
paramédicos me carregando para a ambulância,
indo para o hospital local.
- Terça - feira, 19:21
Mais uma vez inconsciente, já está se tornando
um hábito. Como foi que isso acabou assim? Em
um segundo ele estava no chão se contorcendo,
no outro estava mais rápido do que meus olhos
acompanhavam. Não sei o que aconteceu, foi
surreal. Não consigo me lembrar dos maiores
detalhes, mas tinha certeza de uma coisa. Meu
corpo estava fora do normal, eu não conseguia
controlar meus atos e toda aquela raiva.
- Naquela mesma noite
Finalmente acordei e eu não consigo mover um
músculo direito, sinto bastante dor pelo corpo
principalmente no rosto.
— Oh, você já acordou...
O médico entrou na sala.
— Bem senhor Wyatt Wiezel Magdaleno, foi um
acidente bem feio: Deslocamento parcial da
mandíbula, mão fraturada e cortes pelo abdome.
Uau, como pode ocorrer isso tudo com uma
pessoa em uma simples briga de escola?
— Como pode isso tudo?
— Não sei, me diga você. Está com dor?
— Pra dizer a verdade não muita e não sinto
também algumas partes do corpo e tenho um
pouco de dificuldade para falar.
Ficamos discutindo por um tempo sobre o que
eu deveria fazer e os cuidados que deveria ter
após receber alta. Mas o que me intrigou foi o
que ele disse antes de sair.
— Bom por hoje isso é tudo senhor Wiezel,
amanhã o senhor já deve voltar para casa e não
fique arrumando brigas com A.J sem preparo e
ainda mais na escola, sorte sua não ter sido
reprovado na prova ou expulso.
— De que preparo estamos falando?
— Tanto quanto físico e mental porque as vezes
o inimigo pode tentar deixa-lo com raiva,
confuso.
— Como você sabe disso tudo doutor?
— Apenas palpites.
— Mesmo? Então como você sabe o local da
briga e onde eu briguei? Por que os
paramédicos não iriam por essas descrições na
minha ficha.
Um sorriso se abriu no canto da boca dele e
depois disse:
— Você é um garoto muito esperto senhor
Wiezel.