Sistema digestório:
O desenvolvimento do trato gastrintestinal na espécie humana engloba não apenas o
aprimoramento dos mecanismos de digestão e absorção de nutrientes mas também a
maturação dos sistemas nervoso e imunológico associados ao intestino. O sistema digestório,
imaturo ao nascimento, sofre grande mudança nos padrões de crescimento, além de alterações
morfológicas e maturação funcional no período neonatal.
A deglutição do líquido amniótico, durante a fase fetal, também é de grande importância na
maturação desse sistema. Defeitos na deglutição fetal e a conseqüente privação de nutrientes
do LA podem causar falhas no crescimento e a anormalidades ultra-estruturais do tubo
digestório. É demonstrado que, em animais com a deglutição do fluido amniótico interrompida,
ocorre redução da altura das vilosidades do intestino delgado e do volume do fígado, pâncreas
e intestino.
O leite materno também participa desse processo. Há uma grande quantidade de agentes
bioativos presente no leite humano. Durante o aleitamento materno, esses agentes atuam em
receptores específicos no tubo digestório, promovendo a modulação da função digestiva e a
manutenção da integridade gastrointestinal.
Há diversos hormônio presentes no leite humano, e o alvo de ação desses hormônios são o
epitélio intestinal, o sistema imunológico e, em menor grau, o sistema nervoso entérico. Ao
nascimento, o sistema nervoso entérico apresenta vilosidade entéricas estreitas e criptas rasas.
Há, no neonato, uma expansão da superfície epitelial, pela divisão e hiperplasia das criptas.
Além disso, o leite materno é rico em oligossacarídeos e carboidratos que são utilizados pela
microbiota em instalação. Esses oligossacarídeos determinam o desenvolvimento de bactérias,
e a sua fermentação bacteriana também tem efeito estimulador sobre o crescimento da
mucosa.
A capacidade gástrica é de 40 a 60 ml no primeiro dia após o nascimento, devido a isso as
alimentações são mais frequentes e o tempo de esvaziamento gástrico em geral de 2 a 4 horas,
mas isso varia conforme o tipo de alimentação e a idade do neonato e se a digestão é rápida.
Obs! Muitos recém-nascidos regurgitam pequenas quantidades (1 a 2ml) de matéria ingerida
após a alimentação devido a um esfíncter, o Cárdio (que separa estômago do esôfago), imaturo.
Esse cardio é um anel muscular em forma de anel, e não é forte e nem possui reflexo para
fechar ou abrir direito em bebês.
Esse esfíncter, situado na porção distal do esôfago, é constituído por feixes circulares de
musculatura lisa, e, em condições de repouso, permanece sempre fechado, só se abrindo na
deglutição ou nos relaxamentos transitórios.
O relaxamento transitório do esfíncter é um relaxamento que ocorre independentemente da
deglutição e do peristaltismo esofágico, com duração igual ou superior a 5s (5 a 30s)
diferentemente do relaxamento induzido pela deglutição, que é breve.
Existem 3 mecanismos possíveis para o refluxo esofagofaríngeo:
Baixa pressão basal do esfíncter superior do esôfago;
Relaxamento transitório inadequado do esfíncter superior do esôfago;
Resposta inadequada do esfíncter diante de situações de esforço, omo o aumento a
pressão intratorácica.
Em adultos, o refluxo gastroesofágico é um fenômeno eventual, ocorrendo em alguns breves
momentos, principalmente durante o dia e após as refeições, sendo, na maioria das vezes,
totalmente assintomático. No recém-nascido, o RGE é um fenômeno quase habitual e
frequentemente sintomático, com regurgitação e vômito.
Esse caráter do refluxo gastroesofágico se deve aos seguintes fatores:
1) Imaturidade da barreira anti-refluxo;
2) Alimentação predominantemente líquida;
3) Permanência em decúbito horizontal na maior parte do tempo.
À medida que ocorre o amadurecimento dos mecanismos anti-refluxo, e ao mesmo tempo em
que a criança vai adotando a posição ereta e passa a receber uma dieta mais sólida, o refluxo
diminui de frequência.
Comparado com o intestino de um adulto, o intestino do recém-nascido é mais longo em
relação ao tamanho corporal e tem mais glândulas secretoras e maior superfície de absorção. A
capacidade do recém-nascido de digerir nutriente depende da atividade enzimática e da acidez
gástrica. A digestão do leite começa no estômago e continua no intestino delgado.
“o bebê mama bem no peito esquerdo, relaxa e até dorme, mas no direito fica inquieto.”
No aparelho digestivo, a saída do estômago é uma caída suave para a esquerda. Ora, se o bebê
se inclina para a esquerda para mamar, o estômago é mais facilmente esvaziado, dando uma
sensação de alívio ao bebê. O contrário também é válido, se ele se inclinar para o lado direito, o
leite vai se acumulando do lado direito do estômago, ele logo fica empapuçado e fica com
sentimentos misturados: Ainda tenho fome, mas algo me incomoda = choro. Então a dica é:
comece pelo peito direito, quando empapuçar, mande para o esquerdo e deixe ele relaxar.
“quando o bebê regurgita, sai um queijo e ele fica muito irritado e chora muito.”
Isso tem a ver com o a fermentação do leite no estômago. Leite fermentado nada mais é do que
queijo, se ele regurgitar queijo, quer dizer que o tempo entre as mamadas está errado. Ele fica
irritado por que o PH dessa solução que fica no estômago é ácido, é só lembrar daquele seu
porre que você vomitou até ficar com a garganta ardendo, bem era por causa disso.
Então, quando ele começar a mamar, ligue o cronômetro e não deixe passar de 30 minutos.
Depois de 30 minutos, o estômago já começa a digerir o leite e este começa a virar queijo.
Qualquer estímulo na cárdia pode fazer ele regurgitar e isso vai irritá-lo bastante. Depois disso
tente respeitar o período mínimo de 2 horas para concluir a digestão antes de dar mais comida.
Descreva o sistema digestorio do recém nascido:
O sistema digestório do recém-nascido passa por adequações que incluem modificações
fisiológicas e morfofuncionais. O leite materno contém agentes bioativos (hormônios, fatores
de crescimento, proteínas que induzem o desenvolvimento, IgA, que protege a mucosa já que
este só passa ser produzido pelo bebê a partir do 2º mês de vida, etc) que estimulam a
hiperplasia de criptas do epitélio intestinal. As modificações fisiológicas incluem adequação das
enzimas digestivas, adequação da mucosa e desenvolvimento do sistema imunológico
gastrointestinal. No primeiro mês de vida o bebê pode chegar a evacuar 10 vezes ao dia e as
fezes podem apresentar característica amolecida pela falta de ácidos graxos saponificados
ligados ao cálcio (no leite); também há a possibilidade de haver a pseudoconstipação quando o
bebê absorve o leite materno quase em sua totalidade. Essas situações devem ser de
conhecimento dos profissionais de saúde, para que não haja o impedimento da amamentação
exclusiva e para que a mãe veja essas situações como normais durante o desenvolvimento de
seu filho.