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Maturação do Trato Gastrointestinal Neonatal

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Problema 5 - Nascimento

1- Descrever a maturação histológica e fisiológica do TGI (enzimas, células, fígado…)

O gradiente de concentração de ácido retinóico começa a partir da laringe(onde tem pouco


ac retinóico) e vai para o cólon (onde a concentração é alta) Fatores de transcrição
SOX2: especifíca esôfago e estômago PDX1: o duodeno CDXC: intestino delgado CDXA: intestino grosso e reto

Os enterócitos se diferenciam, há a delimitação de membrana da borda em escova na porção


luminal e formação da membrana basolateral. A seguir, formam-se as criptas intestinais e, no
cólon do feto, aparecem algumas estruturas similares a vilos, com células capazes de transportar
certas moléculas. Todos os 4 tipos de células presentes na mucosa intestinal - enterócitos,
células de Paneth, células caliciformes e células neuroendócrinas - se originam de uma única
linhagem celular, pluripotente.

O plexo nervoso entérico consiste em neurônios que se situam nas camadas do trato digestivo,
modulando sua motilidade, microcirculação, secreção e respostas imunológicas. O plexo
nervoso inicia sua implantação no sistema GI ao redor da 13ª semana de gestação e a motilidade
intestinal está desenvolvida no 3° trimestre da gestação. Algumas alterações neste processo
podem acarretar doenças como a doença de Hirschsprung. Nesta condição, o intestino deixa de
exibir motilidade normal, podendo aparecer quadros de obstipação (constipação intestinal
renitente)

A maior parte dos polipeptídios - incluindo gastrina(digestão), motilina (motilidade e


saciedade) e somatostatina(inibe gastrina, pepsina, GH) - está presente no final do 1º
trimestre de gestação; esses polipeptídios agem como indutores do crescimento e
desenvolvimento do trato GI. O transporte intestinal de aminoácidos aparece ao redor da 14a
semana, o de glicose cerca da 18a semana e o dos ácidos graxos próximo da 24a semana.

Os vilos intestinais começam a se desenvolver ao redor da 9a semana, estão presentes no


intestino delgado na 14a semana e tem criptas e vilos bem desenvolvidos na 19a semana. Ao
nascimento, os vilos e microvilos aumentaram a superfície absortiva intestinal de até 100.000
vezes em relação à exibida no 1 trimestre da gestação.

A circulação intestinal dos recém-nascidos difere da dos adultos. No período imediatamente


após o nascimento, a resistência vascular basal intestinal é baixa, possivelmente devido à
produção de óxido nítrico. Esta queda da resistência pode proteger as alças intestinais em
períodos de hipoxia ou hipotensão. Crianças nascidas pré-termo podem não exibir esta
vasodilatação - a qual é a resposta necessária à hipoperfusão das alças intestinais - podendo
apresentar, então, isquemia de alças intestinais até atingir necrose.

• Características gerais do intestino


A mucosa intestinal permanece relativamente imatura nos primeiros 4 a 6 meses, e exibe
aumento na permeabilidade a macromoléculas. Durante este período, antígenos e outras
macromoléculas podem ser transportados pelo epitélio intestinal, deixando a criança vulnerável
a processos alérgicos ou infecciosos. Essa imaturidade nos primeiros 4 a 6 meses se explica
devido a imaturidade do muco, o qual é uma barreira física que faz parte da RI inata, esta produz
citocinas, fatores de crescimento, proteínas de membrana que propiciam interação e ativação
das células dendríticas.
Com a maturação, o transporte de macromoléculas diminui. Ao nascimento, o intestino é estéril;
mas é rapidamente colonizado, e a colonização depende do tipo de alimentação, se por leite
materno ou leites industrializados. A colonização ocorre em 2 estágios. No primeiro estágio, do
nascimento até o final da 1 a semana, a criança entra em contato com microrganismos durante
e imediatamente após o parto. No segundo estágio, o tipo de dieta influencia a colonização. A
flora normal do trato GI provê um importante mecanismo de proteção contra infecções
intestinais, por ocupar possíveis locais de colonização indesejável. Os oligossacarídios do leite
humano se ligam a receptores na mucosa e, assim, impedem a colonização inadequada. Em
geral, o intestino delgado é estéril e pouco colonizado, possivelmente graças aos seguintes
fatores: pH gástrico, propriedades bactericidas da bile, imunoglobulinas secretadas e sua própria
motilidade. A colonização por coliformes desta região pode ocorrer em crianças prematuras ou
com alimentação enteral ou transpilórica. Em crianças prematuras, a queda da motilidade
intestinal pode ser um dos fatores que facilitam esta colonização.
• Maturação
A maturação anatômico-funcional do TGI pode ser estudada tendo em vista quatro assuntos: o
reflexo de sucção e deglutição, a motilidade do esôfago, o esvaziamento gástrico e a motilidade
intestinal.
Sucção e deglutição:
Entre a 13ª e a 15ª semana, os fetos respondem à estimulação oral com movimentos da língua
e reflexo de sucção. A deglutição inicia-se ao redor da 12a semana do feto; na 16a semana, é de
2 a 6 ml de líquido amniótico por dia e no feto a termo ela aumenta para 200 a 600 ml/dia. Ao
redor da 34a semana, o reflexo e a frequência de deglutição estão perto do normal. O reflexo de
sucção está mais relacionado com a idade gestacional do que com a idade pós-natal. Próximo
da 37a semana, a sucção está já desenvolvida.
Estes dois processos, sucção e deglutição, podem não estar adequadamente coordenados em
crianças prematuras; interessante notar que, em crianças que são amamentadas, esta
coordenação parece ser mais precoce do que nas crianças alimentadas com mamadeiras. Após
as primeiras 24 a 48 h de vida extrauterina, é estabelecido o padrão de frequência de sucção e
deglutição, que é mantido ao longo dos primeiros meses de vida.
O reflexo de sucção e deglutição deve estar adequadamente coordenado com a respiração. A
partir da 38a semana de gestação, as crianças facilmente coordenam estes processos. A posição
da laringe no recém-nascido, situada de maneira mais alta em relação à faringe, facilita o
fechamento da epiglote e o acesso de líquidos para o esôfago.
Até os 3 meses de idade, os sólidos colocados na boca da criança serão forçados pela língua
contra o palato e, então, deglutidos ou colocados para fora da boca. Após esta idade, as crianças
conseguem posicionar pequenas porções sólidas para a parte posterior da cavidade oral e,
assim, ocorre a deglutição normal.

Motilidade esofágica, gástrica e intestinal:


Nas primeiras 12h após o nascimento, a motilidade esofágica está diminuída. O tamanho da
parte inferior do esfíncter esofágico está reduzido e seu posicionamento, acima do diafragma,
pode facilitar o refluxo. O refluxo também é facilitado em lactentes, devido ao ângulo entre
esôfago e estômago ser menos agudo. Em algumas crianças, o tônus do esfíncter esofágico
permanece diminuído até os 12 meses de vida, o que explica o fato de algumas crianças
apresentarem episódios de regurgitação até esta idade.
A motilidade gástrica e o tempo de esvaziamento gástrico estão diminuídos no recém-nascido,
principalmente nas primeiras 72 h. Esta ocorrência pode estar baseada em uma falta de resposta
a hormônios e fatores locais. Nos recém-nascidos, a gastrina elevada dificulta o esvaziamento
gástrico. Outros fatores também podem influenciar o esvaziamento gástrico, tais como:
presença de muco, líquido amniótico, tônus do esfíncter pilórico e tipo de alimento. Os
carboidratos aceleram o esvaziamento, enquanto as gorduras o atrasam. O leite humano é
esvaziado duas vezes mais rápido do que as fórmulas lácteas comercialmente disponíveis. A
capacidade gástrica de uma criança é cerca de 6 ml/kg de peso corpóreo; em pré-termos,
grandes volumes residuais podem causar distensão gástrica e interferência na capacidade de
ingestão alimentar.
Em adultos, a ingestão de leite desencadeia aumento da motilidade intestinal. Entretanto, em
pré-termos, a ingestão de leite pode causar queda na motilidade ou pode não ter qualquer
efeito sobre ela. Esta resposta inadequada parece ser devida à não maturidade à resposta vagal.
Em pré-termos, a alteração na motilidade pode levar a diminuição da propulsão de alimento,
maior tempo de esvaziamento gástrico e diminuição no trânsito intestinal, o que pode dificultar
a capacidade de ingestão e absorção de alimento.

Digestão e absorção de carboidratos:


A glicose materna é a principal fonte energética para o feto. As dissacaridases estão presentes
a partir da 9a semana de gestação, aumentando bastante após a 20a semana. As amilases, salivar
e pancreática, são detectadas no líquido amniótico entre a 16a e a 18a semana de gestação. Ao
nascimento, a amilase salivar é cerca de 1/3 da dos adultos; seu aumento – que acontece,
principalmente, a partir do 40o mês de vida infantil – pode ser devido à presença de outros tipos
de alimentos na dieta da criança. A amilase pancreática está diminuída nos recém-nascidos, e
seus níveis adequados são alcançados entre o 4o e o 6o mês de vida.

Os recém-nascidos mostram níveis adequados das alfaglucosidases sucrase, maltase e


isomaltase. Algumas semanas antes do nascimento, a sucrase e a maltase já exibem níveis altos.
A enzima glicoamilase – presente na borda em escova da célula intestinal – digere alguns
compostos presentes em fórmulas artificiais; ela está distribuída ao longo do intestino delgado
e facilita a digestão e absorção de carboidratos.

O mais importante carboidrato presente no leite humano e no de vaca é a lactose. Entre a 8a e


a 9a semana de gestação, a lactase – enzima fundamental na clivagem da lactose em glicose e
galactose – é detectada no início do intestino delgado; posteriormente, esta enzima é
encontrada ao longo de todo o delgado. A atividade da lactase aumenta rapidamente no final
da gestação e, no recém-nascido, sua atividade é de 2 a 4 vezes maior do que em crianças
adultas. Em crianças pré-termo, a quantidade de lactase é diminuída, mas aumenta com a
exposição à lactose.

A lactose que não é absorvida pelo intestino delgado vai para o intestino grosso, onde ocorre
fermentação. A fermentação bacteriana dos carboidratos produz lactato, acetato e propionato,
que são fonte calórica e aumentam a absorção de líquido e de eletrólitos. O tratamento com
antibióticos pode alterar a flora intestinal, impedindo a absorção de lactose. Após o desmame,
a lactase diminui na infância e adolescência, principalmente, em regiões em que o consumo de
leite é menor. Por vezes, esta queda na lactase ocasiona a síndrome de intolerância à lactose.
O transporte de glicose pelo transportador situado na borda em escova do intestino, o SGL1,
aparece juntamente com a diferenciação das células colunares do epitélio intestinal. Um sistema
alternativo de transportador de glicose e frutose em humanos, o GLUT2, tem menor afinidade
e alta capacidade de transporte; ao nascimento, esse transportador é altamente expresso na
membrana basolateral. O transportador GLUT1 também aparece precocemente na gestação,
mas sua expressão diminui com a progressão da gestação.
A frutose é pouco reabsorvida no recém-nascido e na infância. Se houver sobrecarga desse
carboidrato na dieta, alguma frutose escapa da reabsorção e aparece no intestino grosso,
podendo causar diarreia osmótica. Outra dissacaridase que aparece ao redor da 9ª semana de
gestação é a sucrase-isomaltase; a sucrase hidrolisa a sacarose em glicose e frutose. Próximo ao
nascimento, esta enzima mostra um aumento significativo.

Digestão e absorção de proteínas:


O pH gástrico do recém-nascido é neutro ou levemente alcalino. Os fatores que contribuem para
o aumento do pH gástrico durante o desenvolvimento fetal são a diminuição da secreção ácida
e do ritmo de esvaziamento gástrico e a presença de líquido amniótico. As mudanças do pH
gástrico reduzem a atividade da pepsina e a hidrólise péptica. A secreção ácida aumenta nas
primeiras 24 h após o nascimento e dobra em 2 meses. A produção de pepsinogênio é baixa nos
primeiros meses de vida. Embora os níveis de gastrina sejam elevados, os receptores para este
hormônio podem ser não sensíveis ou em número diminuído.
Nos recém-nascidos, os níveis de atividade da tripsina e de outros hormônios proteolíticos
pancreáticos podem estar diminuídos; também a quimiotripsina, a carboxipeptidase B e a
enteroquinase apresentam menor atividade. Como a enteroquinase ativa a tripsina, que, por
sua vez, ativa outras enzimas proteolíticas, o nível de enteroquinase é o fator limitante para a
digestão proteica. Em recém-nascidos a termo, estas deficiências enzimáticas parecem não ter
grande repercussão sobre a absorção de proteínas; mas, em pré-termos, a ingestão de grandes
quantidades de proteínas pode ser problemática, principalmente das presentes nas fórmulas
comercialmente disponíveis.
No recém-nascido, são bem desenvolvidas as peptidases da borda intestinal e as citosólicas, das
quais depende a absorção de aminoácidos. O transporte de aminoácidos aumenta
consideravelmente após o nascimento. Todos os sistemas de transporte de aminoácidos –
neutros, ácidos, básicos e imino – são funcionais entre a 17ª e a 20ª semana de gestação; mas,
o transporte de lisina e fenilalanina aparece mais tarde do que o de alanina, leucina, taurina e
valina.

Digestão e absorção de gorduras:

O baixo nível da lipase pancreática e dos ácidos biliares é compensado pela lipase presente no
leite humano (lipase mamária ou lipase digestora de leite) e pelas lipases lingual e gástrica.

Estas duas últimas são detectadas na 26ª semana de gestação; ao nascimento têm alta atividade,
hidrolisando entre 50% e 60% da gordura da dieta.
Após o nascimento, a pinocitose dos lipídios pelas células intestinais é importante. Uma vez
tomados pelos enterócitos, os lipídios são transformados em triglicerídios, fosfolipídios e ésteres
de colesterol. As crianças têm maior capacidade de reabsorver triglicerídios de cadeias curta e
média, que não dependem da formação de micelas que, por sua vez, necessitam da presença de
ácidos biliares no lúmen intestinal.
Entre a 14ª e a 16ª semana de gestação, a bile pode ser identificada no fígado e vesícula biliar;
mas, mesmo no fim da gestação, o pool de ácidos biliares permanece baixo. A conjugação
hepática de ácidos biliares é dependente de taurina, em vez de glicina, como no adulto. A queda
na reserva de ácidos biliares é devida a menor síntese, recirculação e conservação de sais biliares
pelo shunt êntero-hepático, como resultado da imaturidade do fígado e dos transportes
intestinais.

Fonte: Margarida Aires

O tubo digestivo dos recém-nascidos está completamente livre de micro-organismos, após o


nascimento o desenvolvimento da microbiota do trato gastrointestinal ocorre de forma gradual.
Alguns fatores contribuem para esse processo como o tipo do parto, a nutrição na primeira
infância, hospitalização do prematuro, uso de antibióticos e idade gestacional. A composição da
flora tipo adulto é alcançada aos dois anos de idade e se estabiliza durante sua vida, a qual é
influenciada por fatores patológicos como infecções intestinais e uso de antibióticos.
Existem evidências de que a seleção bacteriana inicial seja em parte determinada
geneticamente. O papel do genótipo do hospedeiro é importante para determinar o padrão de
colonização relativo à disponibilidade e qualidade dos sítios de adesão na mucosa intestinal.

Após a primeira inoculação, o desenvolvimento da microbiota intestinal nos recém-nascidos


está estreitamente relacionado ao tipo de alimentação (ROCHAT et al., 2007). Assim os recém-
nascidos alimentados com leite materno apresentam uma microbiota constituída
predominantemente por bifidobactérias e lactobacilos, havendo pequena quantidade de
espécies bacterianas potencialmente patogênicas (ZANINI et al., 2007) e, somente após a
introdução de nutrientes, esta, se torna diversificada e semelhante à dos adultos (KRISTO et al.,
2003). Em contraste, os lactentes que recebem aleitamento artificial desenvolvem flora mais
diversa composta não só de bifidobactérias, como também de bacteróides, enterobactérias,
enterococos e clostridium sp.

O leite materno é responsável pela proteção inicial do trato digestório, sobretudo pela presença
de imunoglobulinas, lisozima, lactoferrina, componentes do sistema complemento e peptídeos
bioativos, que constituem um repertório imunológico capaz de deter a colonização intestinal
por micro-organismos patogênicos e proteger a barreira intestinal ainda em fase de maturação.

A administração exclusiva de leite materno define o estabelecimento e proliferação de uma


microflora formada na sua maioria por bifidobactérias, devido à presença de oligossacarídeos
nitrogenados que atuam como fator para seu crescimento (LONNERDAL, 2000). Estas bactérias
aderem-se na mucosa intestinal, por mecanismos de competição e impedem a adesão de micro-
organismos patogênicos.
(fonte: Papel da microbiota na manutenção da fisiologia gastrointestinal: uma revisão da
literatura)

2- Descrever o DESENVOLVIMENTO RENAL relacionando com a introdução alimentar

- Fator Hormonal
A Maturação do rim ocorre a partir da exposição que a criança tem a alguns fatores como: o
consumo de sódio e de água. Na vida intrauterina o rim ajuda na formação da urina que
compõe o líquido amniótico, nesse momento o rim possui uma função suficiente. A partir do
seu nascimento, é necessário que o corpo do bebê desenvolva uma adaptação hormonal.

- O sistema Renina Angiotensina Aldosterona já começa a funcionar nas primeiras horas


- ALDOSTERONA(reabsorção de água na alça de henle) começa a funcionar dentro de 2 a 4
horas após o parto
- ADH (reabsorção de água) começa a funcionar na primeira/segunda semana

Esses hormônios já estão presentes em pouca quantidade na vida intrauterina e serão ainda
mais sintetizados ao nascer, porém possuem pouca ação durante o nascimento, uma vez que
aos poucos a maturidade funcional será atingida, adquirindo receptores que serão expressos
em membranas teciduais, potencializando seu efeito.

- PH
O papel mais importante do rim quando a criança nasce é no controle acido básico e ajuste do
pH. O pH intrauterino é básico, o que facilita a hematose, pois a hemácea tem maior afinidade
pelo O no pH básico, além de evitar infecções oportunistas intrauterinas.
2
Quando a criança nasce, seu pH é levemente ácido por dois motivos: o metabolismo do
lactato(tampão) e pela dificuldade de reabsorção de bicarbonato. Isso evita acidose.

- Filtração, reabsorção e eliminação


A maturação pós-natal é caracterizada por aumento acentuado no fluxo plasmático renal, que
tem seu valor dobrado até o final do primeiro mês de vida. Os valores do fluxo plasmático
renal no adulto, de cerca de 600 ml/min, são alcançados próximo ao segundo ano de vida.
Estudos acerca da distribuição do fluxo sanguíneo no rim de recém-nascidos mostram que o
fluxo sanguíneo é, predominantemente, levado para os néfrons mais profundos do córtex
renal; mas, com a maturação renal, devido à diminuição nas resistências vasculares, o sangue
é redistribuído para o córtex externo.

Túbulo contorcido proximal:


O maior volume de água é transportado no túbulo contorcido proximal pela via transcelular
devido às aquaporinas presentes. No feto, pouca aquaporina é detectada, mas ao nascimento,
há aumento em seu conteúdo tanto na membrana apical como na basolateral.

A taxa de filtração glomerular é baixa.Aumenta progressivamente até os 2 anos de idade,


quando atinge os mesmos níveis de adultos

Fluxo plasmático renal (FPR); ritmo de filtração glomerular (RFG); coeficiente de ultrafiltração
(Kf).
A maturação pós-natal é caracterizada por aumento acentuado no FPR, que tem seu valor
dobrado até o final do primeiro mês de vida. Os valores do FPR no adulto, de cerca de 600
mℓ/min, são alcançados próximo ao segundo ano de vida.

O RFG tem seu valor duplicado nas primeiras 2 semanas de vida. Este acréscimo é devido ao
aumento da superfície disponível para a filtração; além disso, elevações adicionais do RFG
podem ser relacionadas com:
• Elevação do Kf
• Aumento na pressão efetiva de ultrafiltração
• Diminuição nas resistências das arteríolas aferentes e eferentes

Homeostase de Na+ em condições fisiológicas:


No neonato, há baixo nível de fatores natriuréticos (fatores que aumentam a excreção renal
de sódio, tais como peptídio atrial natriurético, dopamina, óxido nítrico).

Características do túbulo proximal: ocorre reabsorção de água, glicose, NaCl, bicarbonato,


citrato e secreção de H+. Solutos orgânicos, como aminoácidos, oligopeptídios e proteínas
são também reabsorvidos por essa porção tubular.

No neonato, a atividade da Na+/K+-ATPase é menor, como também, provavelmente, a força


movente para a entrada de Na+ na célula, resultando em baixo influxo celular de NaCl
através da membrana apical.

O NHE3 é a isoforma predominante no túbulo de mamíferos adultos, enquanto o NHE8


predomina no rim fetal.

Acidificação urinária:
No recém-nascido, a capacidade de eliminar cargas ácidas só é adequadamente adquirida
após o primeiro mês de vida. O limiar de reabsorção de HCO3– no túbulo proximal é
diminuído em relação ao do adulto, apesar de a anidrase carbônica estar presente e ativa na
vida fetal.
Em adição à reabsorção de bicarbonato, o rim deve excretar uma quantidade de ácidos
equivalente à quantidade de ácidos provocada pelo metabolismo. O indivíduo em
crescimento necessita eliminar prótons liberados durante a formação do osso, que são, em
parte, compensados pela reabsorção de radicais alcalinos no trato gastrintestinal (TGI).
Devido ao alto ritmo metabólico presente durante o crescimento, calcula-se que o rim do
ser em crescimento deve excretar de 50% a 100% a mais de ácidos, por quilograma de peso,
do que o do adulto.

Capacidade de concentração e diluição urinária:


O rim do adulto é capaz de produzir urina concentrada de até cerca de 1.300 mOsm. No
recém-nascido, esta osmolalidade fica entre 400 e 600 mOsm. Aos 6 meses, há um
incremento na capacidade de concentração urinária que, próximo aos 18 meses, alcança os
níveis vistos no adulto.

No neonato, a concentração de ureia é relativamente baixa, em parte, devido à sua pouca


ingestão de proteína. Além disso, no neonato, o transporte de NaCl no ramo ascendente
espesso da alça de Henle é menor, e isso também limita sua capacidade de concentrar a
urina.

Baixa expressão de aquaporinas


*** Durante a gestação, o fluxo plasmático renal (FPR) e o ritmo de filtração glomerular
(RFG) são baixos devido à alta resistência vascular e à baixa pressão arterial sistêmica. No
entanto, na criança ocorre a diminuição da resistência vascular, dessa forma, conforme
ocorre a maturação desse sistema, o FPR e o RFG aumentam progressivamente.

No neonato, o RFG ainda encontra-se reduzido, porque é necessário um balanço positivo de


Na+, uma vez que o leite materno não apresenta grande disponibilidade desse íon e a sua
reabsorção pelo túbulo proximal e no túbulo distal ainda não é tão eficiente. Dessa forma, o
corpo do recém-nascido tenta através de mecanismos compensatórios evitar a natriurese
(excreção de Na+):

• Baixo RFG
• Transporte intestinal de Na+ eficiente
• Baixo nível de fatores natriuréticos: dopamina, óxido nítrico e peptídeo atrial natriurético.

No túbulo distal, a reabsorção de Na+ aumenta com a progressão da maturação, em


resposta à aldosterona.
No túbulo proximal, ocorre a reabsorção de água. A água chega ao túbulo proximal
principalmente devido às aquaporinas do tipo I que aumentam após o nascimento. A
aquaporina deixa passar a água não deixa passar soluto pela membrana.

É importante destacar que a maturação pós-natal é induzida por corticosteróides (que


aumentam a expressão de NH3); por estímulo direto da angiotensina II sobre a NHE3 e a
Na+/K+-ATPase; por melhora nas respostas aos hormônios tireoideanos e catecolaminas;
e por aumento da atividade simpática.
Trocador Na+/H+ (NHE): Há 9 tipos conhecidos, sendo o NH3 predominante em adultos.
Os hormônios tireoidianos e o corticosteróides aumentam a expressão do NH3.
Na+/K+-ATPase: ação diminuída nos neonatos e aumenta com a maturação
Na-fosfato (Na-Pi): cotransporte de 3 Na+ e 1 íon fosfato. Esse transporte é maior nas
crianças que nos adultos, porque o GH é um fator estimulatório e o paratormônio inibitório.
3- Justificar sinais e sintomas

Contexto: Fim da licença maternidade a mãe não conseguia mais amamentar e introduziu purê
de frutas, sucos e água de coco. Crianças de 4 meses apresentando diarréia e perda de peso.O
preceptor perguntou à mãe se o aleitamento materno havia sido substituído pela fórmula,
ressaltando que esta prática influencia muito não só na saúde do bebê, mas também no
desenvolvimento da criança e do futuro adolescente. Ele também incentivou a introdução
precoce de alimentos sólidos salgados e sucos. a mãe ficou surpresa e frustrada com tudo o
que ouviu, mas decidiu reconsiderar sua posição, pois quer o melhor para o filho. Sensível à
situação, Agostino decidiu se informar ainda mais sobre o assunto e checou as recomendações
do Ministério da Saúde, da OMS e da Sociedade Brasileira de Pediatria em relação ao
aleitamento materno e à introdução de alimentos complementares.

Diarréia foi causada por:


- falta de Maturidade intestinal
- para evitar obesidade e hipertensão, broncoaspiração do alimento (pneumonia) deve ser
evitado sucos
- O alimento deve ser introduzido a partir de 6 meses e o bebê deve apresentar os sinais de
prontidão: o bebe senta sozinho sem apoio ou com o mínimo de apoio e consegue sustentar
o pescoço, ter interesse pelos alimentos (levar alimentos a boca) e ter reflexo de protrusão da
lingua diminuído.
-por volta dos 6 meses de idade, as bactérias intestinais já estão instaladas, e serão capazes de
proteger o bebê de possíveis infecções.
-bebês só podem ingerir água de coco a partir de 6 meses e mesmo assim em pequenas
quantidades, a água de coco tem efeito laxativo. Isso porque as enzimas digestivas funcionam
melhor a partir dessa faixa etária.
-Pode ocorrer sobrecarga renal do bebê (alimentos contendo sódio)
- Dentre as práticas inadequadas e seus riscos, o consumo de leite de vaca in natura apresenta-
se como um consistente fator de risco para a ocorrência de anemia em crianças, sabendo aqui
ressaltar que para cada mês de uso de leite de vaca há queda de 0,2 g/dL nos níveis de
hemoglobina.

- A introdução de grande variedade de alimentos sólidos por volta de três a quatro meses de
vida parece elevar o risco de eczema atópico e de alergia alimentar (Sociedade Brasileira de
Pediatria, 2008).

4- Apresentar as recomendações dos órgãos de saúde (até adolescência)

-Amamentação exclusiva por 6 meses;

-Na impossibilidade de aleitamento pode-se utilizar as fórmulas infantis. Os critérios identidade,


qualidade, perfil nutricional e segurança são estabelecidos pela Anvisa.

Probióticos COLIDIS: tem como princípio ativo a limosilactobacillus reuteri DSM 17938, ajuda
na melhora intestinal de bebês.

ALIMENTOS QUE DEVEM SER EVITADOS: alimentos industrializados, mel, chás, refrigerantes e
sucos, água de coco, café. Entre outros com excesso de sódio, açúcar e gordura.

- Suco deve ser evitado pois tem alto teor glicêmico já que são necessárias várias frutas para
obter o suco. A criança não tem uma alta resposta de insulina para degradar a frutose. Além
disso quando a fruta é oferecida inteira estimula a mastigação e tem fibra. Já no suco é oferecido
apenas a frutose.

- Chá pois algumas ervas podem ser alergênicas, além disso podem causar cólicas e diarréia.

- Mel é contraindicado porque pode contar Clostridium botulinum (bactéria), além disso o mel
é rico em açúcar não sendo recomendado para crianças menores de 2 anos

- Leite de vaca leite de vaca não é alimento apropriado para crianças menores de um ano de
idade por conter: alto teor de proteína de difícil digestão, baixos níveis de Fe, Zn, e vit A,D,E, alto
teor de gordura saturada, baixo nível de gordura de boa qualidade DHA e ARA (ômega 6 e 9)
baixo nível de prebióticos.

➔A partir dos 6 meses, deve-se oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo
o leite materno até os dois anos de idade ou mais.
-A partir dos 6 meses, o organismo da criança já está preparado para receber
alimentos diferentes do leite materno, que são chamados de alimentos complementares.
- A introdução dos alimentos complementares deve ser lenta e gradual.
➔A partir dos 6 meses, dar alimentos complementares três vezes ao dia, se a criança
receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.
-Complementa-se a oferta de leite materno com alimentos que são mais comuns à região e ao
hábito alimentar da família.

-No segundo ano de vida, devem ser acrescentados mais dois lanches, além das três refeições.
-A partir do momento que a criança começa a receber qualquer outro alimento, a absorção
do ferro do leite materno reduz significativamente: por esse motivo a
introdução de carnes e vísceras (fígado, rim, coração, moela de frango, etc.), mesmo em
pequena quantidade, é muito importante.

➔-Crianças amamentadas no peito, em livre demanda, desenvolvem muito cedo a capacidade


de autocontrole sobre a ingestão de alimentos, aprendendo a distinguir as sensações de
saciedade após as refeições e de fome após períodos sem oferta de alimentos.
-É importante a mãe distinguir o desconforto da criança com fome de outras situações
como: sede, sono, frio, calor, fraldas molhadas ou sujas.

➔A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher;


começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a
consistência até chegar à alimentação da família.
-Os alimentos devem ser bem cozidos apenas em água suficiente para amaciá-los.
-Ao colocar os alimentos no prato, amasse-os bem com o garfo e a consistência deverá ter o
aspecto pastoso (papa/purê).
-Não há necessidade de passar pela peneira e nem bater no liquidificador.
-A partir dos 8 meses, podem ser oferecidos os mesmos alimentos preparados para a família,
desde que amassados, desfiados, picados ou cortados em pedaços pequenos.

➔ Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.


-Só uma alimentação variada evita a monotonia da dieta e garante a quantidade
de ferro e vitaminas que a criança necessita, mantendo uma boa saúde e crescimento
adequado.
- Os alimentos devem ser oferecidos separadamente para que a criança aprenda a identificar
suas cores e sabores. Evite a adição de sal e açúcar pois isso pode modular o paladar do bebe
e influenciar preferencias alimentares futuras.
5- Apresentar as vantagens e desvantagens do uso de fórmula

Composição do leite materno: Os lipídios promovem 51% da energia total do leite, carboidratos
fornecem 43% e proteínas 6%.

Existem circunstâncias em que o aleitamento materno não é possível. Nestes casos específicos,
é recomendado o uso de fórmulas lácteas modificadas para lactentes, que embora ainda não
tenham conseguido reproduzir as propriedades imunológicas e digestibilidade do leite
materno, atendem as necessidades nutricionais estimadas, quando utilizados como fonte única
de nutrientes durante os primeiros seis meses de vida (LEITE; SANTOS; FEFERBAUM, 2005).

As fórmulas infantis são desenvolvidas a partir do leite de vaca, tendo como referência o leite
humano. Algumas são adicionadas de soro de leite, resultando em melhoria na relação proteína
do soro: caseína e melhor digestibilidade. Também tem acréscimo de carboidratos, visando à
adequação energética. Elas são parcialmente desnatadas, desmineralizadas e adicionadas de
óleo vegetal, vitaminas e ferro

VANTAGENS DA FÓRMULA INFANTIL

- maior praticidade, pois são convenientes para transportar e armazenar

- permitem alimentar bebês quando o leite materno não é viável

-são formuladas para disponibilizar todos os nutrientes indispensáveis, garantindo um


crescimento saudável (nutricionalmente atende o bebê)

- oferecem flexibilidade para as mães que precisam retornar ao trabalho ou momentos em


que a amamentação direta não é prática

- encontram-se disponíveis para atender a diferentes necessidades, como alergias e


hipersensibilidade alimentar ou intolerância à lactose

- permite que pessoas que não podem amamentar participem ativamente da alimentação do
bebê

DESVANTAGENS DA FÓRMULA INFANTIL:

- preço elevado

- alterações gastrintestinais, menor palatabilidade, propriedades organolépticas menos


acentuadas (cheiro, sabor, textura já que não é servido no momento da produção)

- alergias alimentares devido a caseína

- alterações respiratórias, pois lactentes não amamentados têm 17 vezes mais chances de
serem internados com pneumonia, indicando que o leite materno protege a criança contra
pneumonia e impede a adesão e colonização de patógenos bacterianos respiratórios em
orofaringe de lactentes aumentando a imunidade das mucosas contra infecções (CURY, 2009)
- risco de contaminação na hora do preparo: As fórmulas infantis em pó têm sido associadas a
casos de enfermidades graves e mortes, decorrentes de infecções por Enterobacter sakazakii e
Salmonella. Anvisa ela recolheu 5 marcas de fórmulas infantis com suspeita de contaminação
por bactéria letal. Os produtos eram da marca Human milk fortifier, Similac, PM 60/40, e
EleCare.

6. Discutir aspectos legais durante o aleitamento materno (antes e pos licença maternidade)

Resumidamente, as mães que trabalham e que amamentam nos primeiros seis meses têm
direito, por lei, a duas pausas, de ½ hora cada uma, para amamentar, ou a sair 1 hora mais
cedo do trabalho, além da licença maternidade de 120 dias (4 meses mais ou menos). Em
situações especiais, por motivo de saúde da criança ou da mãe, essa licença poderá ser
prorrogada, com atestado médico, por mais duas semanas. Os pais têm direito à licença‐
paternidade de 5 dias a partir do nascimento do bebê

XVIII ‐ licença à gestante de 120 dias consecutivos, sem prejuízo do emprego e do salário,
podendo ter início no primeiro dia do nono mês de gestação, salvo antecipação por prescrição
médica. No caso de nascimento prematuro, a licença terá início a partir do parto

A CLT também prevê que estabelecimentos em que trabalharem pelo menos 30 mulheres
devem ter local apropriado para funcionárias deixarem seus filhos durante o período de
amamentação. A exigência pode ser suprida por meio de creches distritais mantidas
diretamente ou mediante convênios, entre outras opções.

Conteúdo Quadro ( AQUAPORINAS)

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