Refluxo Gastroesofágico em Lactentes
Refluxo Gastroesofágico em Lactentes
PEDIATRIA III
DOENÇA DO REFLUXO
GASTROESOFÁGICO E
REFLUXO FISIOLÓGICO
1
SUMÁRIO
2
DOENÇA DO REFLUXO
GASTROESOFÁGICO E
REFLUXO FISIOLÓGICO
importância/prevalência
3
Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
Mecanismos
superior (obstrução gástrica ou má rotação) quando
Alterações as regurgitações forem acompanhadas de vômitos
antirrefluxo
desde o início do período neonatal, quando estiverem
Ângulo esofagogástrico
Características associadas a vômitos biliosos ou se persistirem
(ângulo de Hiss) obtuso e
anatômicas
esôfago abdominal curto após o primeiro ano de vida.
Perda do efeito gravitacional pelo Não há necessidade de tratamento medicamentoso,
decúbito horizontal predominante
Clareamento devendo-se tranquilizar os pais quanto ao caráter
esofágico Peristaltismo imaturo benigno da condição e orientar algumas medidas
Baixa produção salivar gerais (Quadro 2). O refluxo fisiológico melhora
consideravelmente aos seis meses e, em geral,
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria1.
resolve-se até um ano de vida.
4
Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
5
Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
Ocorre quando os
Resistência fatores de defesa são
Defesa epitelial intrínseca do epitélio
Fisiopatologia sobrepujados pelos
fatores agressivos
Junções
intercelulares firmes
Mecanismos de
Barreira antirrefluxo
depuração intraluminal
Defeito mais comum é o
aumento da permeabilidade
paracelular
Mecanismos
Mecanismos químicos
mecânicos
Defesa pós-epitelial
Neutralização pela
Peristaltismo e gravidade
saliva ou mucosa
Suprimento sanguíneo
Diminuição do fluxo
Alteração do
salivar secundário à
peristaltismo primária
síndrome de Sjõgren ou
ou secundária
ao uso de medicamentos
Principal fator na
etiopatogênese da DRGE*
Esfíncteres esofágicos
Distensão gástrica inferior e externo
Sono Ocorrência de
relaxamentos
transitórios do esfíncter
Presença de esofagiano inferior
hérnia hiatal
Colecistocinina,
óxido nítrico, peptídio
intestinal vasoativo *
DRGE: Doença do Refluxo Gastroesofágico.
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
Com relação à etiologia da DRGE, ela pode ser O quadro clínico da DRGE é muito variável, tanto com
classificada em: relação à idade quanto com relação à manifestação
u Primária: decorrente de uma disfunção esofa- clínica, se típica (Quadro 5) ou atípica, decorrente
gogástrica, frequentemente com predisposição de sintomas extraesofageanos (Quadro 6).
genética.
Quadro 5. Manifestações clínicas típicas da
u Secundária: decorrente de causas subjacentes
DRGE de acordo com a faixa etária.
que predispõem ao RGE, como hérnia de hiato,
obstruções duodenogástricas, malformações Regurgitações frequentes, vômitos
congênitas e lesões do sistema nervoso central. propulsivos, recusa alimentar, déficit
Lactentes de ganho ponderal, choro, irritabilida-
de, dificuldade no sono e alteração na
Algumas condições estão associadas ao maior risco posição cervical
de desenvolvimento da DRGE e de suas complica-
Pré-escolares Vômitos intermitentes
ções (Quadro 4). Crianças com doenças neurológi-
cas apresentam dismotilidade esofágica, resultando Escolares e Azia, pirose, dor retroesternal ou epigás-
adolescentes trica, náuseas e plenitude pós-prandial
em disfunção do clareamento esofágico e do esfínc-
ter esofágico inferior. Já pacientes com doenças Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria1.
pulmonares crônicas apresentam tosse crônica e
disfunção respiratória que aumentam a pressão Quadro 6. Manifestações clínicas atípicas da
intra-abdominal, facilitando a ocorrência do RGE. DRGE, chamadas de extraesofageanas.
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
orgânicas que podem se apresentar como se fossem DRGE é basicamente clínico, mediante a presença
uma DRGE (Quadro 7). de sintomas típicos que impactam a qualidade da
vida da criança ou da família ou que estejam asso-
Quadro 7. Sinais de alerta para ciados a complicações. A investigação com exames
investigação de doenças orgânicas. complementares se faz necessária nas crianças
Sinais de alerta Suspeita clínica
que apresentam sinais sugestivos de complicações
(como esofagite) e na presença de sintomas pura-
Obstrução intestinal
mente atípicos (extraesofageanos) que requerem
(doença de Hirschsprung,
Vômitos biliosos a comprovação do nexo causal com o RGE. Sendo
atresia intestinal, volvo
ou intussuscepção) assim, a investigação diagnóstica depende da gravi-
dade e da repercussão dos sintomas apresentados.
Sugestivo de obstrução,
Dor ou distensão dismotilidade ou Não existe, para a faixa etária pediátrica, um exame
abdominal anormalidades
anatômicas complementar padrão ouro que diagnostique ou des-
carte 100% dos casos de DRGE. Os exames devem
Complicações da DRGE:
Hematêmese (vômitos ser solicitados conforme a suspeita diagnóstica e
doença ácido-péptica
com sangue) para ajudar na pesquisa de complicações (Quadro 8).
e esofagite de refluxo
Doença inflamatória
Hematoquezia Quadro 8. Indicações dos exames
intestinal, proctocolite
(sangramento retal) complementares na DRGE.
(APLV)
Endoscopia
Suspeita de esofagite
digestiva alta
DIA A DIA MÉDICO
Avaliação de anormalidades
EED
estruturais anatômicas
A síndrome de Sandifer é relatada em lactentes com
DRGE grave, em geral associada à esofagite de refluxo. Diagnóstico de estenose
Consiste na postura anormal do lactente com hiperexten- USG de abdome hipertrófica de piloro e
são cervical, retroarqueamento do tronco e lateralização má rotação intestinal
da cabeça. Essa posição retifica o esôfago e reduz os Cintilografia Não está recomendada
sintomas de queimação. gastroesofágica para diagnóstico de DRGE
EED: exame radiológico contrastado de esôfago, estômago e duo-
deno; USG: Ultrassonografia.
2.3. DIAGNÓSTICO Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria1.
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
2.3.2. pHmetria esofágica de 24 horas Não é útil para o diagnóstico de DRGE, mas pode
auxiliar no diagnóstico de outras condições, como
Consiste no registro contínuo do pH intraesofágico a estenose hipertrófica de piloro e a má rotação
durante 24 horas, permitindo a quantificação da intestinal.
frequência e da duração dos episódios de RGE e o
tempo total de exposição ácida do esôfago naquele 2.3.6. Cintilografia gastroesofágica
período analisado. O índice de refluxo é o parâme-
tro mais importante, pois fornece a quantificação Realizada a partir da ingestão de um líquido ou
da exposição ácida esofágica cumulativa e pode sólido marcado com tecnécio radioativo, permitindo
ser correlacionado com a ocorrência de esofagite. a avaliação do esvaziamento gástrico e a identifi-
Considera-se índice de refluxo anormal se superior cação de refluxo não ácido e de microaspirações
a 5% em crianças acima de um ano ou superior a pulmonares, o que faz com que muitos médicos
10% naquelas menores de um ano. Está indicada solicitem esse exame para aqueles pacientes que
na avaliação dos sintomas atípicos de refluxo, na apresentam sintomas respiratórios crônicos e refra-
avaliação da resposta ao tratamento dos pacientes tários. Entretanto, a falta de padronização técnica,
não responsivos e para análise pré e pós-cirúrgica. a baixa sensibilidade e especificidade e a ausência
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
de dados relacionados à idade limitam o valor desse em lactentes jovens. Após esse período de teste, o
teste em crianças, não sendo recomendado como lactente deve ser reavaliado para decidir quanto à
método de rotina para diagnóstico e seguimento manutenção ou não da dieta de exclusão.
de lactentes e crianças com DRGE.
Os principais objetivos do tratamento da DRGE são Em até 40% dos lactentes com DRGE, a causa básica é a
alergia à proteína do leite de vaca. Dados clínicos como
a promoção do ganho estaturoponderal adequado,
dermatite atópica, história de alergia alimentar na família
melhora dos sintomas, prevenção e cicatrização das e presença de sangue nas fezes reforçam essa hipótese.
lesões teciduais e prevenção de outras complica-
ções. Principalmente em escolares e adolescentes
ou em pacientes com fatores de risco (Quadro 4), a 2.4.2. Tratamento farmacológico
DRGE pode se apresentar com cronicidade e curso
recidivante, sendo por vezes necessário o tratamento Existem vários argumentos contra o tratamento
medicamentoso ou até cirúrgico. medicamentoso para DRGE em lactentes, destacan-
do-se que, nos primeiros meses de vida, os eventos
2.4.1. Medidas não farmacológicas predominantes relacionados aos sintomas são de
refluxos denominados fracamente ácidos, para os
Orientações semelhantes às fornecidas para os quais não há tratamento eficaz. Parte expressiva dos
lactentes com RGE fisiológico se aplicam, como lactentes nos primeiros meses de vida que apresen-
a elevação da cabeceira para dormir, o fraciona- tam sintomas de DRGE responde às medidas não
mento das refeições em volumes menores, evitar farmacológicas, substituição da fórmula e exclusão
o consumo de líquidos durante as refeições e de da proteína do leite de vaca. Lactentes que não
alimentos que se associam ao relaxamento transi- melhorarem com essas medidas devem ser enca-
tório do esfíncter esofágico inferior ou ao aumento minhados para avaliação do gastroenterologista
do tempo do esvaziamento gástrico (cafeína, bebidas pediátrico, sendo o uso empírico de supressores
gaseificadas, frutas ou sucos cítricos, chocolate, ácidos recomendado apenas na indisponibilidade
condimentos, molhos picantes, alimentos gorduro- dessa avaliação clínica.
sos, álcool e fumo). O uso de fórmulas espessadas
ou AR não reduz o número total de episódios de O tratamento farmacológico (Quadro 9) deve ser
refluxo, mas apenas os episódios visíveis (regurgi- reservado aos pacientes com DRGE nos quais os
tação), tranquilizando os pais. sintomas são mais graves e com dificuldade ali-
mentar, desaceleração do ganho ponderal e/ou com
Em lactentes com suspeita de DRGE com sintomas comprovação de esofagite no exame endoscópico.
como recusa alimentar, extrema irritabilidade e desa- Crianças e adolescentes com sintomas típicos
celeração no ganho ponderal, que não apresentem de DRGE e que não apresentam melhora após as
melhora após as medidas não farmacológicas, deve- medidas não farmacológicas são elegíveis para o
-se considerar um teste terapêutico com exclusão tratamento empírico com supressores ácidos por
da proteína do leite de vaca da dieta (introdução de quatro a oito semanas como teste terapêutico. Os
fórmulas extensamente hidrolisadas da proteína ou procinéticos auxiliam no controle dos sintomas
fórmula à base de aminoácidos ou retirada de leite de regurgitação, mas não reduzem os relaxamen-
e derivados da dieta materna se em aleitamento tos transitórios do esfíncter esofágico inferior e
materno exclusivo) por duas a quatro semanas, pois possuem diversos efeitos colaterais, não sendo
o diagnóstico diferencial da APLV pode ser difícil recomendados de rotina no tratamento da DRGE.
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
RGE fisiológico
DRGE
Elevação cabeceira
para dormir,
Endoscopia digestiva
fracionamento
alta: pesquisa
das refeições,
de esofagite
uso de fórmulas
antirrefluxo
USG: Ultrassonografia.
EED: Exame radiológico contrastado de esôfago, estômago e duodeno.
TGI: Trato Gastrointestinal.
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1 Questão 3
(HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – DF – 2021) A respeito (HOSPITAL ESTADUAL DO ACRE – AC – 2021) A regurgitação
da amamentação e dos fatores fisiológicos ligados infantil ocorre na maioria dos lactentes saudáveis,
a esse processo de alimentação e aos problemas resolvendo espontaneamente entre 12 aos 18 me-
gastrointestinais em crianças, julgue os itens a se- ses, sendo sinal de alerta para refluxo patológico,
guir. Em lactentes, o refluxo gastroesofágico é co- a presença de:
mum e, na maioria das vezes, fisiológico; em geral,
as regurgitações tornam-se mais evidentes entre a ⮦ Retardo no ganho ponderal.
segunda e a quarta semana de vida. ⮧ Dois ou mais episódios de regurgitação duran-
te o dia.
⮦ CORRETA.
⮨ Choro noturno.
⮧ INCORRETA.
⮩ Ocorre após alimentação e duração menor que
3 minutos.
Questão 2
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
Questão 5 Questão 6
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ – PI – 2020) Em relação ao (SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO – SP – 2020)
refluxo gastroesofágico na população pediátrica, é No tratamento medicamentoso da Doença do Re-
incorreto afirmar: fluxo Gastroesofágico (DRGE) em crianças, apesar
das controvérsias, entre os fármacos recomendados
⮦ As regurgitações nos lactentes se tornam mais estão os inibidores da bomba de prótons (IBP) que
frequentes a partir do segundo ao quarto mês têm indicações precisas. Porém, esse uso apresenta
de vida com pico de incidência entre o quarto e vários efeitos colaterais descritos, sendo exceção:
quinto mês de vida.
⮧ A maioria dos lactentes apresenta refluxo gas- ⮦ Reações idiossincráticas, como cefaleia, diarreia,
troesofágico fisiológico e não são necessários constipação e náuseas.
medicamentos. ⮧ Interações com outras drogas.
⮨ Distensão abdominal, vômitos biliosos e início ⮨ Hipergastrinemia.
dos vômitos após seis meses de vida são si- ⮩ Hipocloridia.
nais de alarme em crianças com regurgitação
⮪ Prolongamento do intervalo QT.
ou vômito.
⮩ Os procinéticos diminuem a frequência do relaxa-
mento transitório do esfíncter esofágico inferior
e induzem a cicatrização das lesões esofágicas.
⮪ Em crianças maiores e adolescentes com sinto-
mas típicos de doença do refluxo gastroesofá-
gico, sem sinais de alerta, podem receber teste
empírico terapêutico com inibidor da bomba de
prótons por quatro semanas.
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
GABARITO E COMENTÁRIOS
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
Alternativa C: CORRETA. A presença de ganho pon- posteriormente, de forma que a grande maioria dos
deral normal em vigência de regurgitações aponta casos se resolve até o primeiro ano de vida. Sobre
para o diagnóstico de refluxo fisiológico, devendo essa patologia, vamos avaliar as afirmativas:
ser manejado de forma conservadora não medi- Afirmativa I: CORRETA. O RGE fisiológico começa nas
camentosa. primeiras 8 semanas de vida, mas as regurgitações
Alternativa D: INCORRETA. A evolução ponderal nor- frequentemente aumentam em número e volume
mal faz com que a terapêutica medicamentosa não entre os dois e quatro meses de vida.
seja indicada. Afirmativa II: INCORRETA. Uma das coisas que di-
Alternativa E: INCORRETA. A estenose de piloro se ferencia o refluxo fisiológico do lactente de uma
apresenta com vômitos não biliosos intensos acom- doença do refluxo gastroesofágico é a presença de
panhados de distúrbio hidroeletrolítico e perda náuseas na DRGE. O refluxo fisiológico é um reflexo
ponderal. por imaturidade dos mecanismos do lactente, de
forma que o alimento, no caso o leite, retorna pela
✔ resposta: C
boca da criança sem que ela perceba.
Afirmativa III: CORRETA. Os sinais de alerta para reflu-
Questão 3 dificuldade: xos patológicos incluem: déficit de ganho de peso,
interrupção das mamadas, irritabilidade, distúrbio
Y Dica do professor: O refluxo fisiológico geralmen-
do sono, tosse, chiado, apneia, vômitos biliares, he-
te começa após a primeira semana de vida e antes
matêmese (vômitos com sangue) ou hematoquezia
dos 6 meses, com melhora com o passar do tempo
(sangue vivo nas fezes), febre, letargia, viscerome-
e resolução até os 2 anos. Ocorre em bebês sau-
galias e distensão abdominal.
dáveis, sem nenhum sinal de alerta, que, apesar de
apresentarem regurgitação, têm ganho de peso ade- Afirmativa IV: CORRETA. No RGE fisiológico 90% a 95%
quado e exame físico normal. Essas crianças são dos casos se resolvem até o segundo ano de vida,
chamadas de “regurgitadores felizes”. Os sinais de normalmente entre 12 e 18 meses. A persistência
alerta para refluxos patológicos incluem: déficit de dos episódios além dessa idade requer a investiga-
ganho de peso, interrupção das mamadas, irritabi- ção de diagnósticos diferenciais.
lidade, distúrbio do sono, tosse, chiado, apneia, vô- ✔ resposta: B
mitos biliares, hematêmese (vômitos com sangue)
ou hematoquezia (sangue vivo nas fezes), febre,
letargia, visceromegalias e distensão abdominal. Questão 5 dificuldade:
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
irritabilidade e sem melhora do quadro com mu- menos a camada muscular da mucosa), estenose
dança da dieta e tratamento medicamentoso. Vale péptica de esôfago de Barrett.
lembrar que as regurgitações do RGE fisiológico Alternativa B: INCORRETA. Ainda não existe exame
frequentemente aumentam em número e volume padrão-ouro para o diagnóstico de DRGE na pe-
entre os dois e quatro meses e depois diminuem diatria. A pHmetria pode identificar episódios de
progressivamente com o aumento de idade, sendo refluxo, apenas do tipo ácido, mas mesmo assim
que 90% a 95% dos casos se resolvem até o segun- ainda é difícil estabelecer relação causal entre os
do ano de vida, normalmente entre 12 e 18 meses. achados do exame e os sintomas dos pacientes.
Alternativa B: INCORRETA. Paciente com refluxo fisio- Alternativa C: CORRETA. Os sinais de alerta para reflu-
lógico, não tem indicação de tratamento cirúrgico. xos patológicos incluem: déficit de ganho de peso,
Alternativa C: INCORRETA. Paciente sem melhora do interrupção das mamadas, irritabilidade, distúrbio
quadro apesar de estar usando fórmula a base de do sono, tosse, chiado, apneia, vômitos biliares, he-
aminoácidos. matêmese (vômitos com sangue) ou hematoquezia
Alternativa D: INCORRETA. Não são necessários exa- (sangue vivo nas fezes), febre, letargia, viscerome-
mes complementares. galias e distensão abdominal.
Alternativa D: CORRETA. O tratamento clínico tem
✔ resposta: A
como objetivo o alívio dos sintomas, a cicatriza-
ção das lesões e a prevenção de recidivas e com-
Questão 6 dificuldade: plicações, com ganho de peso e desenvolvimento
adequados.
Dica do professor: A doença do refluxo gastroeso-
resposta: B
Y
✔
fágico (DRGE) é uma das afecções mais frequentes
na prática médica, sendo a afecção orgânica mais
comum do tubo digestivo. O Consenso Brasileiro Questão 7 dificuldade:
da Doença do Refluxo Gastroesofágico (CBDRGE)
definiu a DRGE como uma afecção crônica decor- Y Dica do professor: A chave para responder essa
rente do fluxo retrógrado do conteúdo gastroduo- questão e não “cair na pegadinha” é estar atento
denal para o esôfago e/ou órgãos adjacentes a ele, aos detalhes. Paciente com vômitos após as ma-
acarretando um espectro variável de sintomas e/ou madas, mas que não tem nenhum sintoma asso-
sinais esofagianos e/ou extraesofagianos, associa- ciado, cresce e ganha peso adequadamente e não
dos ou não a lesões teciduais. tem comorbidades, muito provavelmente se trata
Alternativa A: CORRETA. É o exame de escolha na ava- de refluxo não patológico, ou seja, aquele decor-
liação de pacientes com sintomas da DRGE, tendo rente da imaturidade dos mecanismos de barreira
indicação naqueles com sintomas crônicos, com antirrefluxo.
idade superior a 40 anos e com sintomas de alar- Alternativa A: CORRETA. O refluxo gastroesofágico
me, tais como disfagia, odinofagia, perda de peso, pode ser conceituado como o fluxo retrógrado e
hemorragia digestiva, náusea, vômitos e história repetido de conteúdo gástrico para o esôfago. É
familiar de câncer. A endoscopia digestiva alta per- frequente em crianças, na maioria das vezes de
mite diagnosticar outras afecções, tais como úlcera evolução benigna e caracterizado pela presença
péptica, monilíase esofágica, câncer do estômago de regurgitações. Ao lado da dor abdominal e da
e esofagite eosinofílica, que também apresentam constipação intestinal, constitui uma das principais
sintomas dispépticos. Além disso, esse exame causas de consultas ao gastroenterologista pediá-
permite visualizar erosões (soluções de continui- trico. A maior parte dos casos corresponde ao re-
dade limitadas à mucosa, com pelo menos 3 mm fluxo fisiológico, resultante da imaturidade dos me-
de extensão, com depósito de fibrina e permeação canismos de barreira antirrefluxo. Embora podendo
neutrofílica do epitélio, caracterizando a esofagite), cursar com condições ameaçadoras à vida, como
úlceras (soluções de continuidade que atingem pelo as crises de apneia, o refluxo fisiológico tem, na
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico Gastroenterologia Pediátrica
maior parte dos casos, evolução satisfatória, sem Alternativa D: INCORRETA. A princípio, a conduta é clí-
comprometimento do crescimento e desenvolvi- nica, sem necessidade de exames complementares.
mento da criança. ✔ resposta: A
Alternativa B: INCORRETA. O refluxo patológico apre-
senta repercussões clínicas como déficit do cres- dificuldade:
Questão 9
cimento, dor abdominal, irritabilidade, hemorragias
digestivas, broncoespasmo, pneumonias de repeti- Y Dica do professor: O refluxo gastroesofágico é a
ção ou complicações otorrinolaringológicas. passagem do conteúdo gástrico para o esôfago. É
um processo fisiológico que ocorre no período pós-
Alternativa C: INCORRETA. Esôfago de Barret resulta
-prandial. Já a doença do refluxo gastroesofágico
da exposição recorrente ao ácido estomacal. Cos-
(DRGE) é a manifestação clínica do refluxo gastroe-
tuma ser diagnosticado em pessoas que sofrem
sofágico, sendo então, patológico. No lactente, é
com a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)
comum que o refluxo ocorra associado à regurgi-
por muito tempo.
tação devido à imaturidade do aparelho digestivo,
Alternativa D: INCORRETA. Gastroenterite aguda, como não sendo considerado patológico.
o próprio nome diz, é um quadro agudo de infecção Alternativa A: CORRETA. As regurgitações ocorrem
intestinal que pode evoluir com vômitos. É autolimi- com mais frequência entre o segundo e o quarto
tado e não tem essa apresentação descrita. mês, sendo o pico entre o quarto e o quinto mês,
ocorrendo diminuição progressiva com o cresci-
✔ resposta: A mento.
Alternativa B: CORRETA. O refluxo fisiológico acomete
cerca de 60% dos lactentes.
Questão 8 dificuldade:
Alternativa C: CORRETA. Vômitos biliosos acompa-
Y Dica do professor: Lactente com história de irri- nhados de distensão abdominal são indicativos
tabilidade, choro intenso e regurgitação desenca- de patologia.
deado à introdução de fórmula infantil à base de Alternativa D: INCORRETA. Procinéticos aumentam o
proteína do leite de vaca? Precisa pensar em APLV. tônus do esfíncter esofágico inferior, melhoraram
Sob a suspeita, realizar dieta de exclusão por 2 a o clearance esofágico e aceleram o esvaziamento
4 semanas com teste de provocação oral após. O gástrico.
diagnóstico definitivo é clínico com base na sinto- Alternativa E: CORRETA. A ausência de sinais de aler-
matologia desencadeada por alimentos com pro- ta em adolescente permite o teste terapêutico com
teína do leite de vaca. inibidor de bomba de prótons.
Alternativa A: CORRETA. Tem clínica de APLV? Dieta ✔ resposta: D
de exclusão por 2-4 semanas seguida do teste de
provocação oral.
Questão 10 dificuldade:
Alternativa B: INCORRETA. Exames complementares
Y Dica do professor: Os inibidores da bomba de pró-
não confirmam o diagnóstico de APLV, já que na
tons (IBP) – omeprazol, pantoprazol, lanzoprazol,
maior parte das vezes esse é um quadro não me-
rabeprazol, esomeprazol e tenatoprazol – suprimem
diado por IgE. O diagnóstico definitivo é clínico com
a secreção de ácido gástrico por meio da inibição
base na sintomatologia desencadeada por alimen-
específica da enzima H+/K+-ATPase na superfície
tos com proteína do leite de vaca.
secretora da célula parietal gástrica. Todos os re-
Alternativa C: INCORRETA. O teste de provocação oral presentantes dessa classe são similares entre si,
deve ser sempre realizado após a fase de exclusão, reduzindo em até 95% a produção diária de ácido
independente de como o paciente evoluiu no perío- gástrico. Quanto à doença do refluxo gastresofági-
do de exclusão. co (DRGE), há evidências da eficácia dos inibidores
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Doença do refluxo gastroesofágico e refluxo fisiológico
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Fixe seus conhecimentos!
Use esse espaço para construir mapas mentais e fixar seu conhecimento!
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