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SUMÁRIO

1MULHER E TRABALHO NO BRASIL..............................................................................7 1.1 TRABALHO E SAÚDE DAS MULHERES....................................................................8 1.1.2 OBSERVAÇÕES IMPORTANTES DA SAUDE DA MULHER NO TRABALHO 10 1.2 CIÊNCIA E QUALIDADE DE VIDA............................................................................12
1.2.1 Somos sujeitos ativos na construção da história ..................................................................................12

CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................8

Este fenômeno mundial tem ocorrido tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Conseqüentemente. Mas além de pouco valorizadas. sendo as atividades das mulheres “inexistentes”. em organizações de pesquisa de tecnologia de ponta.INTRODUÇÃO As convenções do início do século. para atrás a partir da década de 70 quando as mulheres foram conquistando um espaço maior no mercado de trabalho. Pilotam jatos. A mulher não precisava e não deveria ganhar dinheiro. e precisavam se virar para se sustentar e aos filhos. 1992). As mulheres ocupam postos nos tribunais superiores. bordados e crivos. em um encontro internacional sobre saúde ocupacional da mulher. Mesmo assim algumas conseguiram transpor as barreiras do papel de ser apenas esposa.Sendo verificado que pouco se sabia sobrer as conseqüências do trabalho na saúde das mulheres. como a capacidade de trabalho em equipe contra o antigo individualismo. arranjo de flores. a cooperação no lugar da competição. em primeiro lugar. no topo de grandes empresas. comandam tropas. Esse desconhecimento. nos ministérios. mãe e dona do lar. O mundo anda apostando em valores femininos. É importante. ficou. a persuasão em oposição ao autoritarismo. estando estas restritas a poucas ocupações e expostas a precárias condições de trabalho (Messing. já que até bem recentemente o conceito de trabalho estava restrito às atividades produtivas desenvolvidas nas indústrias. faziam doces por encomendas. trabalhadoras e pesquisadoras presentes constataram que nos dezesseis países de seis continentes de onde elas vinham. certamente decorria. e o Brasil não é exceção. ressaltarmos que a inserção da mulher em todas as áreas de trabalho têm acarretados problemas em sua saúde e sobrecarregado a mesmo com afazeres domésticos e profissionais. ditavam que o marido era o provedor do lar. davam aulas de piano etc. no entanto. exercido preponderantemente por . Não há dúvidas de que nos últimos anos a mulher está cada vez mais presente no mercado de trabalho. majoritariamente por homens. da invisibilidade das atividades laborais das mulheres. No início da década de 80. perfuram poços de petróleo. Um exemplo marcante dessa invisibilidade relaciona-se ao trabalho noturno hospitalar. não poderiam ter efeitos sobre sua saúde. Não há um único gueto masculino que ainda não tenha sido invadido pelas mulheres. essas atividades eram mal vistas pela sociedade. a situação das mulheres trabalhadoras era muito parecida. As que ficavam viúvas. ou eram de uma elite empobrecida.

na maioria das vezes. apesar da variável sexo ser incluída na maioria dos estudos. Krieger & Fee. particularmente as contribuições advindas das Ciências Sociais. Em segundo lugar. Este trabalho busca situar o problema e levantar questões de modo a contribuir para a discussão sobre os desafios de curto e médio prazos na definição de políticas voltadas para a melhoria das condições de trabalho e de saúde das mulheres. Em contrapartida. Nesse sentido. as mulheres eram excluídas. o fato de a mulher ser vista. a situação é ainda pior e a produção científica sobre o tema é muito fragmentada e dispersa. Os estudos sobre a mulher trabalhadora restringiam-se aos efeitos nocivos do trabalho na reprodução. No Brasil. o movimento negro e o de trabalhadoras rurais. sob alegação de que seu pequeno número tornaria os achados inconclusivos. Apesar de ser uma das formas mais antigas dessa modalidade de organização do trabalho e de dificilmente poder ser abolido pelas características de continuidade da assistência em saúde. 1991). é incipiente na área de saúde e. na medicina moderna. gestores do SUS e agências de cooperação internacional. o saber produzido em saúde permanece encostado. O Ministério da Saúde. organizações não governamentais. em especial com o movimento de mulheres. sociedades científicas. pesquisadores e estudiosos da área. Nunes. sem alimentar o debate sobre o tema em outras áreas do conhecimento científico e dos movimentos sociais organizados. as diferenças entre homens e mulheres tendem a ser naturalizadas. 1994. em parceria com diversos setores da sociedade. Como resultado da combinação desses dois fenômenos. reflete o compromisso com a implementação de ações de saúde que contribuam para a garantia dos direitos humanos das mulheres e reduzam a mobilidade por causas preveníveis e evitáveis. a quase totalidade dos estudos sobre saúde ocupacional concentravase em setores da economia onde a participação feminina era inexpressiva (Dumais. em particular. quase todo o conhecimento existente sobre sua relação com a saúde de quem o exerce foi produzido a partir do estudo de populações masculinas. . considerando que a saúde da mulher é uma prioridade do governo. 1992) e. orientando toda a legislação de proteção à mulher que era vista sempre como potencialmente grávida. particularmente trabalhadores industriais.5 mulheres. 1980. elaborou o documento “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes” . A influência da produção teórica feminista. essencialmente como mãe (Donzelot.

Novamente voltando às políticas de saúde da para seu sistema reprodutor ou assuntos correlacionados e omitindo quase que integralmente os efeitos dos trabalhos laborais na saúde das mesmas. Agrega. com ênfase na melhoria da atenção obstétrica. a prevenção e o tratamento de mulheres vivendo com HIV/aids e as portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e de câncer ginecológico. na atenção ao abortamento inseguro e no combate à violência doméstica e sexual. também.6 Este documento incorpora. no planejamento familiar. . num enfoque de gênero. a integralidade e a promoção da saúde como princípios norteadores e busca consolidar os avanços no campo dos direitos sexuais e reprodutivos.

Até muito recentemente o trabalho das mulheres teve.7% para 36. em relação ao dos homens. essa participação caracterizou-se por períodos de fluxo e refluxo condicionados pelas necessidades do capital (Pena. Lavinas & Castro (1990)chamam a atenção para a importância assumida pelo ciclo de vida na compreensão do trabalho exercido pelas mulheres. Por isso mesmo. Estudos realizados em várias partes do mundo. seria portanto indispensável a utilização de variáveis como a idade. Nos últimos vinte anos. contra apenas 2. A procura por atendimento médico foi maior entre as donas de casa para a maioria das queixas agudas e crônicas. mesmo em detrimento de outros como o salário e a satisfação profissional. 1981). fazendo com que sua inserção fosse intermitente. 1987. Volkova & Bar apud Machado-Neto. mesmo com prejuízos salariais e de progressão funcional.7 1 MULHER E TRABALHO NO BRASIL As mulheres estão presentes no mercado de trabalho desde o início da industrialização no país.1987). O trabalho pode ser objeto de valorização do corpo como instrumento de produtividade e atendimento às exigências do mercado. a situação conjugal e a posição na família. quando é possível. com um crescimento do contingente de mulheres economicamente ativas a uma taxageométrica anual de 5. da extensão das jornadas e dos turnos de trabalho profissional incluem entre os critérios a possibilidade de conciliação com o cuidado da casa e dos filhos. revelam que a proximidade entre a casa e o local de trabalho é um dos critérios fundamentais de escolha do emprego. registrou-se uma acelerada e crescente incorporação das mulheres no mercado de trabalho. que a própria escolha e a manutenção do emprego. para poderem se dedicar mais aos filhos pequenos. as taxas de atividade feminina vêm crescendo mesmo com a crise.enquanto a taxa de atividade masculina vem apresentando variações que incluem o crescimento de 78 a 81 e a diminuição de 81 a 84.9%. A influência do papel da mulher na reprodução social é tão grande. em atividades de baixa qualificação e com conseqüente baixa remuneração. o número e a idade dos filhos. em cujo ápice.6%. 1990). abriram-se para as mulheres oportunidades de trabalho no mercado formal (Castro. 1989). contudo. Todavia. Muitas mulheres optam. Entre 1976 e 1985. No estudo destatemática. contribuindo para que a mulher que trabalha fora tenha no trabalho um obstáculo à . inclusive em nossa realidade (Machado-Neto.9% de incremento do contingente masculino (Médici. um caráter complementar na sustentação da família. Segundo Hirata apud Castro (1990). a taxa de atividade feminina passou de 28. por jornadas parciais.

1977. 1993).Waldron.. sogra. Saúde da Mulher muitas vezes letais. 1. Começaram a surgir estudos sobre os efeitos do trabalho na saúde de populações femininas. 11 (2): 281-290. por exemplo. 1990). Rio de Janeiro. mãe. principalmente explorando diferenças quanto à prevalência de sintomas e de doenças entre trabalhadoras e donas de casa (Waldron. inclusive pelas próprias trabalhadoras que o identificam como “uma ajuda” ou “um trabalhinho à toa” (Lavinas & Castro. as trabalhadoras rurais estão expostas a um conjunto de agravos à saúde como. demonstrada por diversas autoras (Lã Rosa. 1983. Em primeiro lugar. 1984). mulheres donas de casa e trabalhadoras constituiriam grupos “selecionados”de modo diverso quanto às próprias condições familiares. provocam intoxicações agudas (mui-Cad.8 procura de soluções para seus problemas de saúde acarretados tanto pelos esforços nos meios empregatícios como com a sobre carga se serviços de casa e profissionais. A comparabilidade de tais grupos. pelo qual pessoas sadias teriam maior probabilidade de conseguir e manter uma inserção no mercado de trabalho formal (Meijers et al. Saúde Públ. Entretanto. As ocupações tradicionalmente exercidas por mulheres têm sido negligenciadas como objeto de estudo quanto aos efeitos sobre a saúde. os agrotóxicos e outras substâncias químicas de uso indiscriminado que. sabidamente. não é reconhecido como tal. tanto quanto os trabalhadores homens. É fato conhecido que o trabalho agrícola. nos países industrializados centrais. porque envolve um fenômeno bastante descrito em estudos sobre populações masculinas – o efeito do trabalhador sadio –. 1988.Nathanson. Sorensen & Verbrugge. etc. 1989). deve ser aceita com cautela a constatação de um possível efeito benéfico do trabalho profissional sobre a saúde das mulheres. abr/jun. 1987. Outros exemplos comuns às mulheres envolvem a . inclusive quanto ao apoio efetivo.) e/ou do próprio marido ou companheiro. o predomínio quase exclusivo de estudos concentrados em indivíduos do sexo masculino vem sendo modificado. portanto. deveria levar em conta essas dimensões para não se correr o risco de chegar a conclusões falaciosas quanto ao tema. no desenvolvimento das tarefas de cuidados da casa e dos filhos. por ser diretamente associado ao trabalho familiar.. 1995p 285). 1983).Além disso. Todavia. além de estarem relacionados à ocorrência de abortamentos e malformações fetais e ao desenvolvimento de leucemias e tumores de fígado e de pele (MS/SNAS/ Inca /ProOnco. Wingard. seja de outras mulheres (empregada.1 TRABALHO E SAÚDE DAS MULHERES Com a entrada progressiva das mulheres no mercado de trabalho.

problemas de coluna e distúrbios psicoemocionais. que sabidamente ocasiona problemas digestivos. envolvendo especificidades que se ajustam perfeitamente bem às qualidades de destreza. o conhecimento produzido exclusivamente a partir da observação de grupos de homens. entre outros. referem-se aos riscos potenciais de insalubridade ou ao absenteísmo por motivos de saúde do pessoal que trabalha em hospitais. 1988. 1988). Posso.Em outras ocupações. que ocasionam condições inseguras no trabalho (Alves. como nas indústrias dinâmicas (especialmente a metalúrgica e a metalmecânica). distúrbios do sono e mentais. O trabalho em saúde.9 exposição continuada ao sol. como as queixas de varizes.. Dessa forma. citando-se. no cuidado de outras pessoas. de modo a reduzir o desgaste e a fadiga. Valtorta etal. infecções urinárias. Também são necessários estudos ergonômicos. paciência. em geral. a fim de redimensionar e adequar os equipamentos às medidas antropométricas femininas. exercido majoritariamente pelo pessoal de enfermagem (Machado. 1985). dentro de uma perspectiva de gênero. O aumento da participação de mulheres em ocupações anteriormente restritas a trabalhadores do sexo masculino. as posturas antiergonômicas levando a problemas osteomusculares.. 1989). em professoras. em bancárias e comerciárias. No Brasil. indaga-se não só os impactos específicos sobre o ciclo reprodutivo e menstrual. A inadequação de equipamentos e de mobiliário está . associada ao câncer de pele e ao envelhecimento precoce. é imperioso estimar a magnitude de problemas. será possível a proposição de medidas de proteção à saúde das trabalhadoras. todavia. Adicionalmente. além de repercussões sobre a vida familiar e social (Rutenfranz et al. 1987. têm colocado a necessidade de estudos epidemiológicos que atualizem. características “tipicamente femininas” em nossa e em outras sociedades. No caso das mulheres. ou as alergias respiratórias e dermatológicas. tem forte conteúdo relacional. sabidamente relacionados ao trabalho.Os estudos sobre condições de saúde desse grupo ocupacional são razoavelmente freqüentes em outros países. calos nas cordas vocais e distúrbios da voz. em situações de dor e de sofrimento. agravada pelos recursos materiais insuficientes e inadequados. 1991. são raros e inespecíficos (Pitta. e as mutilações por instrumentos cortantes de trabalho. a exposição a fatores de risco mecânicos e ambientais específicos é. interesse em ser útil e dedicação. ainda.A persistência de uma visão idealizada da profissão se contrapõe à excessiva carga de atividades que envolve o trabalho por turnos e noturno. além do crescimento de oportunidades de trabalho do tipo “colarinho branco” para mulheres da classe média. 1989). os existentes.

As relações de dominação patriarcal se reproduzem em todas as esferas da vida. fontes de informação.10 presente mesmo em espaços onde as mulheres são maioria. principalmente nas tarefas de menor qualificação. testes de gravidez nos exames adimensionais e periódicos. Além das relações de opressão comuns a todos os trabalhadores. Há que se repensar criticamente teorias e conceitos. não só do ponto de vista do comprometimento físico dos trabalhadores. estratégias metodológicas. pois as medidas – pretensamente universais – tomam como referência o homem. ainda que. 1989). as mulheres sofrem vários tipos de violências específicas como o assédio sexual. como a informática e o recente processo de automação industrial. A questão da violência no trabalho. além das famosas revistas nas saídas de fábricas. 1. que utilizam a sexualidade feminina na criação de mecanismos de controle social das trabalhadoras. anteriormente. . entre elas as tarefas domésticas (Aquino. na investigação de populações masculinas. . causa progressiva e grave limitação das atividades profissionais. tão freqüente entre as secretárias e as empregadas domésticas. como a prática de vistoria de absorventes comprovando a menstruação. inclusive no trabalho. de modo a dar conta da complexidade e das especificidades das condições de trabalho e de existência das mulheres. por exemplo. de um modo geral.2 OBSERVAÇÕES IMPORTANTES DA SAUDE DA MULHER NO TRABALHO Não se trata apenas de incorporar as mulheres aos estudos. escolhendo-se ocupacionais que as concentrem e aplicando os mesmos modelos teóricos desenvolvidos. Assim.1. como também pelos distúrbios psicoemocionais decorrentes de um sofrimento mental gerado pelo trabalho. resultando em posturas antiergonômicas e em cansaço muscular para as trabalhadoras. vem sendo estudado com crescente interesse. passam a ser estudadas. como resultado de rara exceção. como em ambientes hospitalares (Estryn-Behar & Poinsignon. não pode ser tratada da mesma forma que para os homens. os constrangimentos de controle da reprodução. com as lesões por esforço repetitivo (LER).O surgimento de novos postos e processos de trabalho. mas também tem sérias repercussões sobre as demais atividades cotidianas. 1992). Como as mulheres constituem grande parte dessa força de trabalho. sabe-se que a síndrome de LER. freqüente principalmente em digitadoras. não exista um enfoque especial que contemple as especificidades do trabalho feminino.

consideradas tipicamente femininas. não explicável pelo esforço profissional. As mulheres são socializadas desde a mais tenra infância para o seu papel na reprodução social e esse processo de qualificação será mais tarde extremamente conveniente para o capital. a alimentação e outros cuidados com o corpo. o lazer. que resultam. é mínimo o tempo que sobra para a reposição do desgaste. É provável então que a relação das mulheres com o trabalho como fonte de sofrimento e também de prazer seja profundamente marcada por esse processo de socialização. O próprio esforço de conciliação dos dois trabalhos gera ansiedades e tensões cujas implicações sobre a saúde física e mental das mulheres são ainda mal conhecidas e precisam ser estudadas. lavagem de roupas e cuidados de crianças pequenas. Assim. a mesma divisão sexual do trabalho que mantém as mulheres concentradas. na disciplina de trabalho”. se potencializar. inclusive.. Isso significa. Mulheres comerciárias ou bancárias. mesmo que por poucas horas. terá espaço para o descanso e o sono.11 Um outro aspecto que possivelmente revela diferenças entre homens e mulheres diz respeito ao próprio sofrimento mental gerado pelo trabalho. que os estudos sobre a relação entre saúde e trabalho de mulheres devem contemplar ambas as esferas. . Mas não se trata apenas da conjugação de fatores de risco em ambas as esferas.) a assimetria nas relações de trabalho masculinas e femininas se manifesta não apenas na divisão de tarefas. Entretanto. cujas atividades profissionais não envolvem grande esforço físico. “(. por exemplo. com extensas jornadas semanais. 1990). porque ao contrário da maioria dos homens que ao chegar a casa. que implicam muitas vezes fadiga crônica. muitas vezes mais penosa e mais desgastante. as mulheres enfrentam uma outra jornada. o estudo do desgaste físico no trabalho não pode se restringir ao trabalho profissional. mas nos critérios que definem a qualificação das tarefas. na verdade. ainda hoje. A docilidade. desse longo processo de qualificação para o trabalho (Kergoat. em poucas ocupações. a paciência.Da mesma forma. faz com que caibam quase exclusivamente a elas as atribuições de cuidado da casa e dos filhos. Por outro lado. a resistência para o trabalho monótono e repetitivo são qualidades pretensamente naturais das mulheres.. podem em sua segunda jornada realizar tarefas pesadas como faxinas. No dizer de Elizabeth Souza-Lobo (1991: 188). com horas de sono. portanto. nos salários. os novos fatores de risco inerentes ao trabalho profissional somam-se aos antigos decorrentes do trabalho doméstico. podendo.

2 CIÊNCIA E QUALIDADE DE VIDA Sempre se buscou encontrar a verdade. Esta observação foi feita por Aristóteles um filósofo grego da antigüidade. Isso pode ser comprovado lendo KESTRING. Exatamente como outro ofício qualquer a ferramenta deve ser devidamente apreendida através de seu uso. .1 Somos sujeitos ativos na construção da história A metodologia é a ferramenta com a qual o ser humano constrói o seu conhecimento. SCHWAB (2001). 1. a vida é pura ilusão passageira. Para alguns. BRANCHER.2.12 1. outros não admitem questionamentos aceitam passivamente tudo o que lhes é imposto pelass autoridades.

como assinalado anteriormente. pela sua maior docilidade e submissão (Castro. 1978). Isso se agrava. As referências às mulheres trabalhadoras recorriam a estereótipos e as comparações estabelecidas entre homens e mulheres do mundo do trabalho revelar especificidades e particularidades dessas últimas. O desafio de se gestar esse novo agir não pode prescindir de um novo olhar. Por outro lado. sendo tratadas no próprio movimento sindical a partir de estereótipos da mulher. de um lado. a saúde ocupacional vem privilegiando a análise das mulheres do ponto de vista de sua função na reprodução. a sociologia do trabalho tomava. por inspiração do movimento social de mulheres. assim. O trabalho feminino tem sido alvo de preocupações acerca dos seus possíveis impactos na saúde do feto. que ao colocar diferentemente as questões. as reflexões feministas têm fomentado a construção de novos instrumentos teórico-metodológicos. o lugar na produção como um elemento unificador. na medida em que mesmo aquelas sindicalizadas enfrentam restrições à sua participação política por parte dos maridos. 1990). desconhecendo-se a integralidade de seres humanos sexuados na sua complexa relação com o trabalho.obrigando a intensificação de um diálogo ainda incipiente entre a sociologia do trabalho e a saúde ocupacional. trabalho e saúde requer um percurso transdisciplinar. na defesa do direito ao corpo. dos companheiros de trabalho e de sindicato. As mulheres são mais frágeis nos enfrentamentos capital-trabalho. é possível detectar uma recente atuação das mulheres sindicalistas que buscam superar as lutas exclusivamente econômicas. Isto porque. Essa influência de qualidade nova pretende incorporar a dimensão de gênero às análises sobre saúde e condições de trabalho.4% das mulheres ocupadas de 18 anos e mais (Castro. É uma constante a referência às baixas taxas de sindicalização das mulheres que. à saúde e à feminilidade no ambiente de trabalho (Delgado & Lopes. o que as torna menos visíveis e ouvidas como sujeitos de protesto. as questões relacionadas aos efeitos do trabalho sobre a saúde das mulheres trabalhadoras mal começam a ser colocadas em pauta numa perspectiva que supere a sua função única e exclusiva de procriadora. . 1978). raça e particularmente gênero. que se produz de modo ainda incipiente no espaço acadêmico. possibilitando um novo olhar sobre a realidade. que justifica sua preferência pela contratação de mulheres. em 1986. tomando sempre como referência o homem como modelo pretensamente universal (Kergoat. Dessa forma. ignorando outras categorias como idade. entendendo suas reivindicações como específicas de um subgrupo detentor de certas particularidades (Kergoat. 1990). 1992).CONSIDERAÇÕES FINAIS A investigação sobre o tema mulher. têm permitido. transformando o espaço sindical em lugar de homens e de mulheres. Todavia. o encontro de respostas igualmente diferentes. representavam apenas 14. Esse traço tem sido apontado como uma qualidade por uma parcela do empresariado. Ao destruir a unanimidade dos conceitos aplicados até então ao conjunto da classe trabalhadora. até bem recentemente. A maioria dos sindicalistas homens continua a perceber com estranheza as mulheres e seus comportamentos.

são completamente inexplorados quanto às diferenças entre homens e mulheres. É necessário que sejam estimulados e apoiados novos estudos que preencham lacunas e antecipem questões. . portanto. as imbricações do gênero com a classe. tanto no que diz respeito ao dimensionamento da magnitude dos problemas de saúde associados às ocupações tradicionais. quanto na investigação de fenômenos ainda desconhecidos relacionados aos novos postos e novas formas de organização do trabalho. Mas isso só não basta. Mais do que isso.9 No Brasil. a questão da qualidade e da adequação dos mesmos completamente imponderável. É recomendável. os baixos salários. que os dados sejam utilizados. a fragilidade das organizações sindicais e sociais. portanto. além de relações tradicionais familiares e matrimoniais. é praticamente impossível traçar um quadro da saúde da mulher trabalhadora. sendo. no sentido de criticá-los e aperfeiçoá-los. portanto. ser repensado e retraduzido . o que faz com que conferir visibilidade aos fenômenos ainda seja uma questão primeira. O conhecimento já produzido nos países centrais deve. Nesse quadro. Os dados oficiais. de modo a inspirar novas hipóteses que contemplem as especificidades de uma realidade caracterizada pelo desemprego. hoje. situem a experiência concreta de sujeitos em movimento: homens e mulheres lutando pela sobrevivência e contra a exclusão social. o trabalho informal. a gera ção. longe de ser uma abstração teórica. a raça. onde cabe às mulheres a responsabilidade exclusiva de cuidado da casa e dos filhos. apontados como insuficientes para o estudo do conjunto da população trabalhadora (entenda-se trabalhadores masculinos). é imperioso desvendar as singularidades decorrentes das condições em que se processam as relações de trabalho no Brasil.

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