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A Verdadeira Felicidade: Deus como Terra Firme

1) A felicidade é um tema fundamental para a humanidade e é frequentemente usado na publicidade para vender produtos. 2) Muitas coisas como riquezas, honra e prazer são erroneamente consideradas como fontes de felicidade, mas na verdade não preenchem o desejo humano por felicidade. 3) De acordo com Tomás de Aquino, apenas Deus pode proporcionar a verdadeira felicidade ao homem, pois Ele é perfeito e capaz de satisfazer o homem em todos os aspectos de forma completa e eterna.
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A Verdadeira Felicidade: Deus como Terra Firme

1) A felicidade é um tema fundamental para a humanidade e é frequentemente usado na publicidade para vender produtos. 2) Muitas coisas como riquezas, honra e prazer são erroneamente consideradas como fontes de felicidade, mas na verdade não preenchem o desejo humano por felicidade. 3) De acordo com Tomás de Aquino, apenas Deus pode proporcionar a verdadeira felicidade ao homem, pois Ele é perfeito e capaz de satisfazer o homem em todos os aspectos de forma completa e eterna.
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A Felicidade

Leandro Benedito Ferreira

Desde os tempos mais remotos os grandes pensadores da humanidade tem se


debruçado sobre as questões mais relevantes ao ser humano buscando compreende-las.
A felicidade faz parte desse eixo de questões fundamentais a serem repensadas.

Antiga e atualíssima é a temática da felicidade, haja vista as recentes


propagandas sobre os mais diversos produtos e serviços. Uma simples propaganda de
refrigerante é capaz de nos dizer: “abra a felicidade”, uma loja de eletro domésticos nos
chama dizendo: “vem ser feliz”. Até mesmo um pregador diz: aceite Deus em sua vida e
será feliz.

A felicidade é apresentada sutilmente ou tão explicitamente na publicidade que


atinge o estupendo ponto de colocar o próprio produto anunciado em segundo plano.
Não somente os produtos exalam o conceito de felicidade, mas também as atitudes
pessoais. As redes sociais (Facebook, Twitter, Whatsapp, etc) se fazem como fantástico
termômetro para análise dos fatos. Inúmeras pessoas exibem aos amigos virtuais seu
conceito de felicidade com fotos, frases, vídeos e tudo o que possa atestar felicidade.

Diante desse cenário atual e inegável com tanta oferta de felicidade desejamos
não comprar gato por lebre, portanto necessitamos saber: a felicidade é fixa ou mutável?
Onde ela está de fato?

Em sua obra, A vida Feliz, Santo Agostinho dispõe interessante metáfora para
comparar a humanidade com navegantes e o mundo com o oceano. Deseja mostrar o
quanto a vida é cheia de surpresas e por mais que se deseje o controle de si e dos outros
a vida é incontrolável, pois os ventos estão sempre mudando de direção e novas
tempestades surgindo.

Por mais que o ser humano mude suas ideias e por mais que o mundo exterior
apresente novos ventos e tempestades duas coisas não mudam: o desejo de buscar terra
firme e a própria terra firme.

O desejo de buscar a terra firme pode ser traduzido como o desejo de felicidade.
São Tomás de Aquino vem ao nosso encontro com sua grande obra, Suma Teológica, e
relata o homem como um ser constituído naturalmente do desejo de felicidade, ou seja,
a nossa essência humana, aquilo que temos de mais profundo nos faz querer a terra
segura. Portanto, se somos constituídos do desejo de felicidade é impossível alguém não
querer ser feliz.

São Tomás nos ensina também que a felicidade é o fim último de todos os atos
humanos, ou seja, tudo o que fazemos é com a finalidade de alcançar a felicidade. A
inteligência humana coopera para que isso aconteça ao ordenar todas as ações em vista
da felicidade.
Essa citação do santo é o famoso chover no molhado, pois basta olhar para nossa
vida e saberemos que temos um profundo desejo de felicidade. A grande dificuldade
está exatamente em saber o que é e onde se encontra a verdadeira terra firme, chamada
felicidade.

Antes de aprumar um rumo para nossa navegação vale a pena definir o que é
essa terra firme. Tomás de Aquino nos ajuda a definir dizendo que a felicidade é um
bem perfeito superior ao ser humano, portanto é um bem eterno capaz de aperfeiçoar o
homem em todas as áreas da sua vida (corpo, mente e alma).

Essa definição nos ajuda a compreender que estamos elegendo de forma errônea
o nosso objeto de felicidade, por mais que pareçam bonitas estamos elegendo frágeis
ilhas no lugar da terra firme e segura. Nossa inteligência desordenada pelo pecado nos
faz eleger um falso porto seguro, por isso ao invés de preencher o nosso vazio
existencial que clama por felicidade estamos apenas ampliando o vazio.

Podemos até criar uma lista de ilhas frágeis que se elegidas como fundamento
principal de nossas ações não passarão de falsas felicidades:

Riquezas: Não é a felicidade, visto que são inferiores ao homem, não podem
aperfeiçoá-lo e não tem valor em si mesmo (buscadas para o sustento e uso da vida),
diferentemente da felicidade.

Honras: A priori as honras parecem ser um prêmio que consiste na felicidade,


contudo é impossível a felicidade consistir na honra visto que ela está mais para o
sujeito que a confere do que aquele a quem é conferida. Embora possa a felicidade ser
acompanhada de honra, ela não consiste na honra, o autêntico prêmio para toda ação é a
própria felicidade.

Glória: A fama ou glória contemplam a mesma ordem de raciocínio e não


constituem a autentica felicidade, são conferidas por outros humanos (seres falhos). A
fama ainda é instável, um falso rumor que facilmente se perde, desse modo contrariando
a felicidade que é completamente estável.

Poder: O poder é soberanamente imperfeito, incapaz de evitar o medo e as


preocupações. Não tem razão em si mesmo, é procurado em vista de outros fatores, e
tanto pode ser utilizado para o bem como para o mau.

Saúde e Beleza: Estes bens são inclusive superados em diversos quesitos pelos
animais, seres sobre os quais o homem é excelente. Não sendo o homem a própria
felicidade esta por sua vez não consiste em sua conservação. Tais bens são passageiros e
inconsistentes, sendo o homem constituído de corpo e alma os bens do corpo são
ordenados aos da alma desse modo não sendo fim em si mesmo.

Prazer sensitivo: Nem o prazer resultado do bem é a essência da felicidade. É


mínimo o prazer corpóreo em comparação com o bem da alma. Os deleites são comuns
aos homens e animais, desse modo não constitui a felicidade visto que ela é própria do
humano e está em consonância com aquilo que é mais nobre, o intelecto.

O bem do universo: Também é uma falsa felicidade, pois, é ordenado para


outro fim como educação, saúde, transporte. Basta olhar para países desenvolvidos com
boas condições de vida e ainda neles encontraremos pessoas infelizes.

Se nenhum bem material como os demais itens citados a cima não são capazes
de nos aperfeiçoar completa e eternamente o que é então essa terra segura chamada
felicidade?

Sem dúvidas o pregador estava certo! O bem supremo, aquilo que é capaz de
satisfazer corpo mente e alma em todos os aspectos é Deus. Ele sim é capaz de
preencher todo vazio e dar sentido eterno para tudo. Deus é a terra firme que
procuramos!

Você pode ainda fazer o grande questionamento: então serei feliz somente
quando morrer e encontrar Deus face a face?

Diante dos ensinamentos da Igreja aprendemos que seremos completamente


felizes quando morrer, pois em Deus não haverá ventos nem tempestades somente
perfeição, Deus será, então, "tudo em todos" (CIC 1050).

Contudo o batizado tem uma graça antecipada, pois já morreu e ressuscitou com
Cristo. Dessa forma assumimos completamente a ideia de que Deus vem ao encontro do
homem (CIC 50). Alegremo-nos, pois a felicidade já está em nosso meio, o céu já se faz
presente aqui mesmo com as tempestades. É possível ser feliz já nesse mundo basta
eleger Deus como primazia sobre as demais buscas.

As frágeis ilhas não precisam ser totalmente desprezadas, elas até são bonitas,
mas se forem nossos alvos não nos realizarão apenas nos isolarão no vazio. A terra
firme sim é nosso objetivo, pois nos preenche em segurança dando sentido a tudo. Deus
é a terra firme! Deus é a felicidade, agora!

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