Personagens:
Homem (CHICO)
Mulher (CATIRINA)
Fazendeiro:
Pajé:
Porco:
Boi:
Narrador:
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Música para a entrada da Catirina e Chico que aparece rapidamente e se despede rumo ao
trabalho. Catirina permanece em cena. Enquanto acontece essa dramatização, escutamos
o narrador.
Narrador: Trabalhavam numa fazenda, Francisco, apelidado de Chico e Catirina. Catirina é
uma mulher muito dengosa, e agora que estava grávida, estava ainda mais dengosa. Toda
vez que Chico estava a trabalhar, de longe ela gritava:
Catirina: CHICO!
(Chico aparece rapidamente, quase tropeçando)
Chico: Que foi, mulher?
Catirina: é que me deu vontade de comer orelha de porco.
Chico: já vai!
Narrador: E o Chico vai atrás do porco.
(Entra um porco em cena, Chico corta as orelhas do porco e vemos o porco saindo
arrastado pelos demais integrantes do grupo).
Chico: (fala olhando para a plateia) Quando a mulher tá grávida é melhor não passar
vontade, num é? (sai de cena).
Narrador: Chico é mesmo assim, faz de tudo pela Catirina.
(Catirina entra em cena de maneira lenta e fala)
Catirina: CHICO, Ô CHICO VEM CÁ.
Chico entra em cena.
Chico: que que foi mulher?
Catirina: é que me deu vontade de comer focinho de porco.
Narrador: Catirina volta para a casa e o Chico vai atrás de outro porco.
(entra outro porco em cena e Chico corta o focinho do porco. Novamente o porco sai
arrastado pelos demais integrantes do grupo e o Chico sai pelo outro lado.)
Narrador: Agora que está anoitecendo, com certeza os desejos de Catirina foram atendi
(acontece uma interrupção e ouvimos somente a voz de CATIRINA GRITANDO: CHICO.
Após o grito Catirina e Chico entram em cena e ele responde)
Chico: O que que você quer do porco agora, mulher?
Catirina: Que porco o que, o que eu to com vontade de comer é a língua do boi.
Chico: Você tá doida? Se eu matar um boi a gente perde o nosso emprego, mulher.
Catirina: (fala toda dengosa) Você sabe, Chiquinho, mulher grávida não pode passar
vontade.
(O boi aparece em cena e Catirina sai, ficam Chico e o Boi, numa espécie de dança, até
que o Chico consegue matar o boi e cortar sua língua. Neste momento fica somente o boi
em cena, os demais integrantes tentam puxar o boi , mas não conseguem. o boi fica
deitado. Fazendeiro chega e fica desesperado com o que aconteceu)
Fazendeiro: Agora só tem uma forma de tudo isso acabar bem, (fala em sequência como
uma ordem) chamem o pajé!
(o pajé aparece em cena, e iniciam o ritual, mas nada acontece. Entram os demais
integrantes do grupo que forma uma roda, no centro da roda ficam o boi, pajé e o
Fazendeiro. Agora inicia uma espécie de resposta a pergunta do Fazendeiro, que será
repetida 4 vezes. Enquanto o trecho é cantado, os integrantes da roda vão dar as mãos e
rodar)
Fazendeiro: O meu boi morreu, o que será de mim?
Todos: Mande buscar outro, menino, lá no Piauí.
Conforme a dinâmica vai acontecendo, o boi levanta e dança. Inicia aqui a formação para a
coreografia de apresentação. Após a dança, os integrantes ficam numa pose final em
estátua e ouvimos a voz do narrador.
Narrador: A nossa história acaba aqui, mas a lenda continua a existir. Bumba meu boi, Boi
Bumbá ou boi de Mamão, neste momento revivemos a tradição. Nosso grupo veio
representar o Boi Caprichoso que teve sua primeira versão em 1922. Essa disputa com o
grupo CONTRÁRIO, é uma grande brincadeira, mas queremos te perguntar, será azul a sua
bandeira?