CREMAM
CoNSE Ui O REGIONALDX: MEDICINA DO ESTADO CIO AMAZONAS
PROCESSO CONSULTA N°. 18/2016 PARECER N. 06/2017
INTERESSADO: V.M.T.U. LTDA.
CONSELHEIRA RELATORA: Dra. GLÁUCIA REIS CREDIE
ASSUNTO: VALIDADE DE ATESTADO MÉDICO COM DATA RETROATIVA AO
ATENDIMENTO.
EMENTA: EMISSÃO DE ATESTADO
MÉDICO COM DATA RETROATIVA AO
ATENDIMENTO. VALIDADE. A legislação
que versa sobre atestados médicos é
silente quanto a este tipo de emissão,
especificando somente a sua ausência de
validade nas hipóteses do art. 80 do CEM.
Desta forma, tendo havido atendimento
médico registrado em prontuário médico,
não há óbice em atestar atendimento
anteriormente realizado.
DA CONSULTA
O presente processo teve origem em solicitação enviada ao CREMAM pelo
interessado acerca ela possibilidade de se considerar ético, da parte do médico,
entregar Atestado Médico com data retroativa ao atendimento, citando situação
concreta vivenciada pela empresa, na qual foram apresentados atestados
concedendo licenças médicas com inícios em datas retroativas à emissão dos
atestados. Finaliza a consulta questionando a validade desses atestados.
FUNDAMENTOS
• Código de Ética Médica, art. 80
• Resolução CFM n ° 1.658/2002
• Resolução CFM n° 1.851/2008
• Código Penal, art. 302
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CONSELHO REDIONA1 DE MEDHANA DO ESTADO Do AMAZONAS
O atestado médico é um documento revestido de fé pública, que goza de
presunção de veracidade e assim deve ser pautado. O emprego desse documento
deve visar a garantia ao paciente do tempo necessário de afastamento de suas
atividades laborais ou escolares, não devendo, em hipótese alguma, ser fornecido de
maneira graciosa ou de modo a suscitar dúvidas quanto à sua veracidade.
O Código de Ética Médica, em seu artigo 80, declara ser vedado ao
médico:
Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional
que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à
verdade.
A Resolução CFM n ° 1.658/2002, que normatiza a emissão de atestados
médicos e dá outras providências, silencia acerca da concessão de atestado médico
englobando período que anteceda a emissão do documento. Regulamenta a questão
declarando em seu artigo 6°, § 30:
O atestado médico goza da presunção de veracidade, devendo
ser acatado por quem de direito, salvo se houver divergência de
entendimento por médico da instituição ou perito.
A Resolução CFM n° 1.851/2008, que altera o art. 3°. da Resolução CFM
n° 1.658/2002, estabelece procedimentos que o médico assistente deverá observar
na elaboração de atestado médico, sem, entretanto, abordar de forma específica, a
concessão de atestado abrangendo período anterior à sua emissão. São as
recomendações:
Art. 3° Na elaboração do atestado médico, o médico assistente
observará os seguintes procedimentos:
I - especificar o tempo concedido de dispensa à atividade,
necessário para a recuperação do paciente;
II - estabelecer o diagnóstico, quando expressamente autorizado
pelo paciente;
III - registrar os dados de maneira legível;
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CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO AMAZONAS
IV - identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo
ou número de registro no Conselho Regional de Medicina.
Parágrafo único. Quando o atestado for solicitado pelo paciente
ou seu representante legal para fins de perícia médica deverá
observar:
I - o diagnóstico;
II - os resultados dos exames complementares;
III - a conduta terapêutica;
IV - o prognóstico;
V - as consequências à saúde do paciente;
VI - o provável tempo de repouso estimado necessário para a
sua recuperação, que complementará o parecer fundamentado
do médico perito, a quem cabe legalmente a decisão do
benefício previdenciário, tais como: aposentadoria, invalidez
definitiva, readaptação;
VII - registrar os dados de maneira legível;
VIII - identificar-se como emissor, mediante assinatura e carimbo
ou número de registro no Conselho Regional de Medicina.
Ao que se depreende da legislação em comento, a ausência de validade
do atestado só pode ser declarada uma vez verificada a ocorrência da prática de uma
das hipóteses previstas no artigo 80 do Código de Ética Médica:
1. Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o
justifique;
2. Expedir documento médico que seja tendencioso ou
3. Expedir documento médico que não corresponda à verdade.
Não nos parece que alguma dessas hipóteses possa ser comprovada pela
mera aposição de período de afastamento englobando data anterior à expedição do
atestado. Desde que haja ocorrido o atendimento, registrado em prontuário médico,
conforme o comando do §1° do artigo 87 do Código de Ética Médica, não
vislumbramos motivo para que o atestado médico possa ser considerado inválido.
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CONSELHO R. EC ONAL oNIEDUCINAoo ESTADO no ÂMICLoNAS
§1°. O prontuário deve conter os dados clínicos necessários
para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada
avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e
número de registro do médico no Conselho Regional de
Medicina.
Não havendo disposição contrária à emissão de atestado com data
retroativa, nada impede que o médico ateste fatos que já foram observados em
consultas anteriores ou mesmo a evolução do quadro clínico do paciente, observada
por ocasião da consulta realizada na data da emissão do atestado. Deve, entretanto,
ter o cuidado de registrar essas ocorrências em prontuário médico, conforme o já
referido. No caso de pedido de afastamento do trabalho, por período anterior à data
da consulta, para fins de perícia médica, é importante que o Médico Assistente
fundamente com clareza e objetividade o motivo do afastamento, para que o Médico
Perito fique esclarecido sobre o motivo dessa conduta.
Finalmente, vale salientar, que o atestado médico eivado de falsidade,
corresponde a ilícito penal previsto no artigo 302 do Código Penal Brasileiro,
sujeitando o infrator às penas da lei.
CONCLUSÃO
Considerando a inexistência de disposição proibitiva, seja por parte do
CFM ou do CREMAM, o médico pode emitir atestado com data retroativa, desde que
haja acompanhado o paciente e registrado em prontuário o respectivo atendimento.
É o parecer, à apreciação da plenária do CREMAM.
Manaus, 07 de fevereiro de 2017.
Dra. Gláu ia Reis Credie
Conselheira Relatora