Estratégias de Precificação Eficazes
Estratégias de Precificação Eficazes
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INTRODUÇÃO
Há um ditado conhecido no futebol que diz “o pênalti é tão
importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”. Creio que
possamos substituir pênalti por preço e não cometeremos nenhum exagero.
Poucas empresas identificam a precificação bem-executada como a
melhor ferramenta para a obtenção dos seus resultados, priorizando,
muitas vezes, a redução de custos como o instrumento para a realização
dos seus lucros. Nesta disciplina, vamos mostrar como uma política de
preços bem-elaborada pode ser decisiva para a melhoria dos resultados de
uma empresa, tanto do ponto de vista financeiro como mercadológico.
Antigamente, os modelos de preços vigentes se assentavam,
exclusivamente, nos custos dos itens e nos concorrentes. Logicamente,
são dois fatores muito importantes, mas não esgotam as alternativas
para a correta precificação. Nos últimos tempos, ganharam força os
modelos baseados no valor percebido pelo consumidor e nos preços
dinâmicos (utilizados na aviação, hotelaria, aplicativos de transporte e
varejo eletrônico, entre outros segmentos). Essa nova forma de
precificar abre uma enorme perspectiva profissional, já que o número
de habilitados nas necessidades dos modelos é bastante restrito e o
mercado de trabalho é elevado.
Se não bastassem os aspectos tradicionais da importância da
precificação, o fator mencionado deve ser um grande incentivador para
os alunos que ainda têm dúvidas em relação aos seus futuros
profissionais. Nesse sentido, apresentaremos os principais tópicos
associados à precificação, mostrando como esta área se associa ao
composto mercadológico e aos objetivos de resultados das empresas.
O objetivo principal da disciplina é permitir aos participantes
elaborar – a partir de conceitos mercadológicos e financeiros – os preços
de venda em empresas, bem como avaliar, tecnicamente, as margens de
produtos e serviços, além de interpretar e estabelecer políticas
mercadológicas e comerciais diferenciadas e coerentes com os
indicadores objetivados das empresas.
SUMÁRIO
MÓDULO I – CONCEITOS FINANCEIROS BÁSICOS .............................................................................. 7
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 7
EBITDA ................................................................................................................................................. 7
RENTABILIDADE SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO ...................................................................... 12
MARKUP .............................................................................................................................................. 14
MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO ......................................................................................................... 14
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 17
PREÇO COMO INDICADOR DE QUALIDADE.................................................................................. 18
CICLO DE VIDA DO PRODUTO ........................................................................................................ 18
Estágio de introdução ............................................................................................................. 20
Estágio de crescimento ........................................................................................................... 20
Estágio de maturidade ............................................................................................................ 21
Estágio de declínio ................................................................................................................... 21
FATORES INTERNOS ......................................................................................................................... 21
Sobrevivência ........................................................................................................................... 22
Maximização dos lucros ........................................................................................................... 22
Liderança de participação de mercado ................................................................................... 23
Liderança de qualidade ............................................................................................................ 23
Outras estratégias de preços ................................................................................................. 24
FATORES EXTERNOS ........................................................................................................................ 27
Mercados de concorrência perfeita ...................................................................................... 27
Mercados de concorrência monopolista .............................................................................. 28
Mercados de concorrência oligopolista ................................................................................ 29
Mercados monopolistas ......................................................................................................... 29
ELASTICIDADE-PREÇO DA DEMANDA............................................................................................ 32
METODOLOGIAS DE DEFINIÇÃO DE PREÇOS ............................................................................... 33
Preço a partir da concorrência............................................................................................... 33
Preço a partir dos custos ........................................................................................................ 34
Valor percebido pelo consumidor ......................................................................................... 34
EXEMPLIFICAÇÃO DA ANÁLISE CONJUNTA ................................................................................... 36
Etapas de implantação ............................................................................................................ 36
Importância dos atributos ...................................................................................................... 37
PREÇOS DINÂMICOS ........................................................................................................................ 37
MÓDULO III – ASPECTOS TRIBUTÁRIOS DA PRECIFICAÇÃO ............................................................ 43
BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................... 75
PROFESSOR-AUTOR ............................................................................................................................. 76
MÓDULO I – CONCEITOS FINANCEIROS
BÁSICOS
Para entender o processo de precificação é necessário saber que as empresas têm objetivos
básicos nas suas atividades. Neste módulo, mostraremos como a capacidade de estabelecer preços
está associada a esses objetivos e quais os principais indicadores financeiros associados à precificação.
Introdução
Para compreendermos os aspectos mercadológicos que influenciam a gestão de preços, é
fundamental conhecer alguns conceitos financeiros relacionados, tais como EBITDA, rentabilidade
sobre patrimônio líquido, markup e margem de contribuição. A seguir, conheceremos cada um deles.
EBITDA
O primeiro conceito financeiro fundamental é o de EBITDA – Earning Before Interest,
Taxes, Depreciation and Amortization. A tradução desse termo é LAJIDA, que mede os Lucros
Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Vejamos:
Tabela 1 – DRE
DRE (31/12/201x)
valores em R$ mil
receita líquida 80
lucro bruto 40
(–) Lair/CSLL 10
Essa demonstração inclui itens que não são, necessariamente, operacionais. Podemos
entender que os impostos não são valores pertencentes à empresa, mas recolhimentos a serem
repassados aos governos respectivos. Desse modo, devemos partir da receita líquida e seguir até o
Lucro Antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Da mesma forma, juros pagos ou recebidos não são componentes do resultado operacional,
já que derivam de pagamentos de empréstimos ou recursos captados para a gestão do fluxo de
caixa, independentemente do nível das operações. Também podemos pensar dessa forma quanto
às receitas de juros, advindas de pagamentos atrasados dos clientes ou de aplicações de recursos em
instituições financeiras. Os juros totais estão na parcela de despesas gerais.
Entre os itens que compõem o Custo das Mercadorias Vendidas e as Despesas Gerais estão
incluídas as depreciações dos ativos imobilizados utilizados no processo de produção, como
máquinas e equipamentos, e os bens imobilizados não utilizados no processo produtivo, como
computadores, mobiliário, etc. Nas duas situações, os valores correspondentes à depreciação
contábil devem ser retirados do cálculo do lucro EBITDA, já que não são representativos
operacionalmente nem impactam o caixa da empresa.
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Finalmente, entre as Despesas Gerais, podemos identificar algumas amortizações de software
(correspondentes à depreciação do imobilizado) e eventuais (mais raras) amortizações de ágio, que
ocorrem em negociações envolvendo compra e venda de empresas.
DRE EBITDA
receita líquida 80 80
depreciação (5) 0
lucro bruto 40 45
financeiras (1) 0
depreciação (1) 0
amortização (1) 0
Lair/CSLL 10 18
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Na tabela a seguir, podemos notar as diferenças entre os valores do DRE e da análise
EBITDA. Incluímos os elementos componentes do Custo das Mercadorias Vendidas e das
Despesas Gerais, mostrando os valores em cada demonstrativo. Ao fim, apuramos a margem
EBITDA da empresa, de 22,5%.
Para nosso propósito, é necessário entender que a margem EBITDA é derivada também da
política de preços adotada, uma vez que, evidentemente, esses preços são os responsáveis pelos
níveis de receita líquida.
Vejamos quais os percentuais de margens EBITDA auferidas pelas 1.000 maiores empresas
em atuação no Brasil nos últimos anos – exceto o segmento financeiro –, a partir da avaliação de
alguns setores representativos de tipos de mercado distintos. Os dados foram calculados a partir
de valores em Reais do ano respectivo.
mediana geral
18,9 18,7 18,3 17,0 16,6
1000 empresas
Entre os setores apresentados, o único que se aproxima mais fortemente de uma concorrência
perfeita, em que os preços são ditados, exclusivamente, pelas leis da oferta e da demanda, definidos
em Bolsas de Mercadorias internacionais, é a Agropecuária. Verifique que a margem se manteve
relativamente constante em patamares reduzidos. Como explicar esses valores?
O setor se caracteriza pelos seguintes fatores principais:
nenhum produtor consegue impor o preço;
novos entrantes são rotineiros, e os custos unitários de produção são declinantes;
produtos não têm qualquer diferenciação de valor, classificando-se como verdadeiras
commodities e
preços são definidos pelas leis de mercado (oferta e procura).
10
Em mercados de concorrência perfeita, alterações significativas nos resultados das empresas
são relativamente comuns, dependendo de oscilações nas curvas de oferta e demanda da commodity.
Na tabela 3, a PETROBRÁS representa um monopólio, em que, como se vê, a margem
EBITDA atingiu patamares bastante diferentes. Se considerarmos os valores ano a ano, podemos
perceber a politização dos preços da empresa, que foi utilizada para controle de inflação no
período, com reajustes de preços nas refinarias completamente desvinculados dos reais custos de
importação de derivados. Esse declínio de margem não se explica pela capacidade de impor os
preços, mas por fatores alheios ao foco deste material.
Ainda entre os segmentos citados, temos a Mineração, caracterizada por um oligopólio
internacional, com poucos ofertantes e resultados, na maioria das vezes, superiores aos demais. O
período analisado foi, particularmente, bastante desfavorável ao setor, pela oferta abundante sem
contrapartida na elevação proporcional nos níveis de demanda, sobretudo dos chineses. O
resultado de 2015 foge aos padrões tradicionais anteriores e pode ser explicado por fatores não
associados à precificação, mas por questões alheias à operação (Efeito SAMARCO).
Esse oligopólio tem características cartelizantes, não por acordos entre os participantes, para
definir preços ou condições comerciais, mas pela falta de disputa entre os ofertantes. Basicamente,
no período retratado, as negociações de minério de ferro eram feitas entre a VALE e as
siderúrgicas chinesas (principalmente), e os preços negociados serviam de base para as demais
participantes internacionais do setor.
É fundamental entender que não se trata de um cartel tradicional com combinações de preços
entre os ofertantes, mas de uma situação derivada do grau de poder de barganha dos poucos
ofertantes. Essa situação não gera maiores disputas de preços, por isso, foi tratada como um cartel.
Diferentemente dos cartéis, nos mercados oligopolizados puros, não existem acordos de
condições comerciais entre os ofertantes, e a disputa de preços existe, mas não é desagregadora do
setor, já que a concentração de mercado é determinada por poucas corporações, que não buscam
maximizar seus resultados, necessariamente, por meio disputas de preços.
Os resultados se explicam facilmente pelo estabelecimento, entre outras práticas, de preços
em patamares mais elevados, com reajustes reais acima da inflação. Nesse quadro, podemos citar
os Serviços Especializados, formados por grandes corporações, tais como CIELO, CVC, SERASA.
A margem EBITDA dos setores retrata a capacidade de precificação em patamares elevados,
bem acima da média Brasil e dos demais setores (exceto monopólios e oligopólios com pouca
disputa). Vale ressaltar a redução nos resultados de 2020, reflexos da concorrência acirrada no
segmento de pagamentos eletrônicos.
Finalmente, as empresas que participam de mercados ditos de concorrência monopolista, em
que os produtos e serviços ofertados tendem a ser muito parecidos entre si, mas com distinção
específica a cada ofertante, em variáveis do tipo, marca, localização, preço, serviços etc.
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O comércio varejista se caracteriza por ser uma concorrência monopolista e têm resultados
bastante constantes e reduzidos nos últimos anos. É evidente que a capacidade de as empresas
estabelecerem preços ao seu bel prazer nesses mercados é extremamente reduzida, visto a enorme
possibilidade de comparação entre os diversos itens bem como a participação de mercado
normalmente baixa de cada um, em virtude da pulverização de ofertantes.
A maioria dos negócios se inclui nesse tipo de mercado, que tem como característica básica
grande concorrência de preços entre os participantes, até porque são poucos os fatores de
diferenciação importantes percebidos pelos consumidores.
O lucro líquido é o mesmo calculado no início deste tópico, ou seja, R$ 6,6 milhões, e o
patrimônio líquido é o valor resultante do capital integralizado pelos acionistas e seus lucros
posteriores não distribuídos, mas reinvestidos no negócio.
Dessa forma, imagine possuir R$ 500 mil a serem investidos, com recursos próprios, em uma
atividade de franquia de uma rede de fast-food. O capital alocado ao projeto é o seu patrimônio
líquido inicial, que será investido em máquinas, imóvel, estoque, caixa e bancos, taxa do
franqueador, ou seja, contas diversas do ativo circulante e imobilizado. Desse modo, temos:
Suponha que, ao final do ano corrente, sua empresa obtenha um lucro líquido de R$ 50 mil e
que esse valor tenha duas destinações distintas: R$ 25 mil serão distribuídos aos acionistas, pessoas
físicas, como dividendos; os R$ 25 mil restantes serão reinvestidos na franquia, aumentando sua
capitalização. No início do segundo ano, teremos um patrimônio líquido de R$ 525 mil. Esse dado
é extremamente significativo, já que um dos principais objetivos da política de preços de qualquer
empresa é maximizar o seu retorno sobre o patrimônio líquido, ou a sua rentabilidade.
Novamente, a partir das possibilidades de estabelecer preços, de acordo com os
mercados em que a empresa se situa, verifique o ocorrido com as mil maiores empresas do
Brasil, nos últimos anos.
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Tabela 4 – Rentabilidade: % média das mil maiores empresas do Brasil
mediana geral
6,7 9,6 9,9 6,4 5,2
1000 empresas
A partir dessa tabela, a primeira pergunta que devemos fazer é se foi bom investir no Brasil
nesse período. Para tanto, devemos comparar o retorno dos investimentos produtivos
(rentabilidade) à remuneração da taxa de juros SELIC, que serve como base para a remuneração
de ativos sem risco. Em outras palavras, ou seja, as empresas poderiam investir seus recursos no
mercado financeiro, obtendo remuneração equivalente à Taxa SELIC, correndo riscos baixos ou
incorrer em riscos inerentes às suas atividades econômicas, com remunerações compatíveis.
Percebemos que os riscos não foram compensadores, uma vez que, em nenhum ano, a
remuneração das atividades produtivas sequer se igualou à SELIC média. Evidentemente, esse é
um quadro negativo da atividade econômica, mas que deve ser ponderado e minimizado pelo
enorme efeito Petrobrás e VALE, que têm enorme peso sobre o resultado global das 1000
maiores empresas do País.
É muito importante notar que as margens EBITDA e a rentabilidade não mantêm,
necessariamente, uma correlação elevada, ou seja, mesmo obtendo margens positivas, muitas vezes, o
lucro final contábil (DRE) é negativo. A explicação é simples, basta incluir, nesse cálculo, as despesas
financeiras que geram os juros, as depreciações do imobilizado e as amortizações, para entendermos as
diferenças entre os números. Os dois indicadores – EBITDA e rentabilidade – referem-se às empresas
como um todo, não sendo, a princípio, associáveis a produtos e serviços isoladamente.
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Markup
Considere um varejista que comercializa sapatos. Normalmente, sua precificação é feita da
seguinte forma:
custo da mercadoria = R$ 50,00;
fator markup = 3 e
preço de venda = R$ 150,00.
Margem de contribuição
A margem de contribuição é calculada com base no preço de venda, e em custos e despesas
variáveis. Custos e despesas variáveis são aqueles que oscilam, proporcionalmente, ao volume de
produção ou faturamento. A margem de contribuição é dada pela seguinte fórmula:
14
Desse modo, calculando o percentual da margem de contribuição, temos:
Por exemplo, uma empresa que comercializa sapatos deseja formar seu preço e identificar a
margem de contribuição resultante do preço praticado. Para tanto, a empresa deve utilizar a
fórmula da margem de contribuição. Dessa forma, se determinado sapato tem um custo de
aquisição de R$ 50,00, esse custo será computado juntamente com os demais gastos incidentes
sobre a venda, tais como impostos, comissões de vendas, fretes e outros custos dependentes da
operação de compra e venda. Dessa forma, será possível identificar a contribuição de cada item
para o pagamento ou diluição dos custos fixos e para os resultados finais da empresa.
Considerando os dados utilizados no exemplo do markup e incluindo hipotéticos valores de
comissão, fretes e impostos, teríamos:
R$
impostos (15)
margem de contribuição 78
15
MÓDULO II – INFLUÊNCIA DOS FATORES
MERCADOLÓGICOS NA DECISÃO DE PREÇOS
Neste módulo, iremos entender que o processo de precificação de uma empresa é resultante
de uma soma de componentes de áreas totalmente distintas. Desse modo, o preço pode ser
estabelecido mercadologicamente, quando analisamos apenas as questões relacionadas ao
posicionamento da empresa, às atitudes de concorrentes e aos consumidores, e também pode ser
estipulado por meio dos custos e das decisões financeiras. Além disso, deve considerar aspectos
geográficos, psicológicos (R$ 1,99), entre outros.
Nesse sentido, apresentaremos a importância do preço nas decisões comerciais, e mostraremos
as reações dos consumidores aos diferentes valores dos produtos e serviços disponíveis.
Introdução
Quando estabelecemos uma política de preços, devemos considerar diversos fatores
mercadológicos, entre os quais podemos incluir os posicionamentos estabelecidos pelas empresas,
que retratam a maneira pela qual pretendem ser vistas pelos consumidores, bem como as
características do mercado de atuação.
Dúvidas muito comuns estão associadas à precificação de novos produtos/serviços e como
adequar os preços ao longo do ciclo de vida do item. Como medir o valor percebido pelo consumidor
e a sua sensibilidade a alterações de preço? Quando utilizar o modelo de preços dinâmicos?
Antigamente, os modelos de preços vigentes se assentavam, exclusivamente, nos custos dos
itens e nos concorrentes. Logicamente, são dois fatores muito importantes, mas não esgotam as
alternativas para a correta precificação. Nos últimos tempos, ganharam força os modelos baseados
no valor percebido pelo consumidor e nos preços dinâmicos (utilizados na aviação, hotelaria,
aplicativos de transporte e varejo eletrônico, entre outros segmentos). Essa nova forma de precificar
abre uma enorme perspectiva profissional, já que o número de habilitados nas necessidades dos
modelos é bastante restrito e o mercado de trabalho é elevado.
Se não bastassem os aspectos tradicionais da importância da precificação, o fator
apresentado deve ser um grande incentivador para os alunos que ainda têm dúvidas em relação
aos seus futuros profissionais.
18
custos a serem cobertos e a metodologia para associá-los a cada produto;
fatores externos principais, tais como o tipo de mercado em que a empresa se insere, e
efeitos das práticas comerciais dos concorrentes para os volumes de vendas.
19
Quadro 1 – Ciclo de vida
baixa ou
margem total baixa elevada elevada
negativa
Estágio de introdução
No estágio de introdução, considerando um produto/serviço pioneiro, a concorrência ainda
é praticamente inexistente e os preços de venda são voltados para recuperar parte dos
investimentos realizados.
Considerando produtos de alta tecnologia, invariavelmente, vemos como as características
do estágio de introdução estão presentes (celulares, TV´s, etc.). Como a demanda é formada por
consumidores ávidos pela tecnologia – que desconsideram o valor a ser pago –, as empresas
ofertantes procuraram reaver parte de seus investimentos na ocasião.
Ultrapassada a etapa introdutória, é atingido o estágio de crescimento; no entanto, não é
certeza de que isso ocorra, visto que a maior parte dos produtos lançados não consegue ultrapassar
a etapa inicial de modo bem-sucedido.
Estágio de crescimento
Observando o quadro de características do ciclo de vida do produto, percebemos que os
volumes de vendas crescem bem como as receitas. O fato de um produto ser vitorioso – em
termos volumétricos – desperta a atenção de concorrentes. Nesse sentido, os concorrentes tendem
a desenvolver similares, frequentemente lançados a preços inferiores, gerando um movimento
contínuo de redução real de preços no segmento.
Provavelmente, em algum nível do estágio de crescimento, o produto já atingiu seu
payback, considerados todos os investimentos e as despesas – iniciais e posteriores – necessários
ao seu desenvolvimento e crescimento. O nível depende, fortemente, das margens de
contribuição totais auferidas.
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Caso o custeio do ciclo de vida permaneça válido, no estágio de crescimento, tendemos a
verificar margem de contribuição unitária elevada (–) e margem de contribuição total, isto é,
margem x volume de vendas, elevada (–).
Estágio de maturidade
Podemos imaginar que um produto seja um vencedor e tenha atingido a fase máxima – isto
é, de maturidade – quando os volumes são os mais altos. Em um segmento industrial, é provável
que o número de ofertantes tenha diminuído por não terem conseguido ultrapassar a fase de
crescimento. Nesse processo evolutivo, exceto em mercados cartelizados, as margens unitárias
sofrem uma queda importante.
A força da concorrência induz a um processo contínuo de adequação dos preços. Os custos
variáveis, mesmo com o aumento da produtividade, têm pouca flexibilidade de redução unitária.
De forma resumida, podemos afirmar que a margem de contribuição unitária é baixa (+) ou
média, e a margem de contribuição total – ou seja, margem x volume de vendas – é elevada (+).
Estágio de declínio
Concluindo a descrição dos estágios do ciclo de vida, temos os produtos em declínio. Na
maioria das situações, os produtos em declínio apresentam margem de contribuição unitária baixa
(–) ou negativa, e margem de contribuição total – margem x volume de vendas – baixa (–).
Nessa fase – sobretudo quando o produto está nos dias finais –, não nos preocupamos com
a reposição de estoques do artigo ou com a margem proporcionada, já que fundamental é gerar
caixa para alavancar produtos que demandam investimentos, notadamente, aqueles em fase de
introdução ou crescimento.
Entender o estágio do ciclo de vida em que o produto se encontra é obrigação do
analista de preços, já que só assim é possível explorar toda a sua capacidade de geração de
margem de contribuição.
Fatores internos
Todas as empresas possuem fatores internos que devem ser levados em consideração nas
políticas de preços. O primeiro deles é o posicionamento estratégico desejado para o produto.
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Sobrevivência
No posicionamento de sobrevivência, os preços devem estar voltados para a manutenção das
operações da empresa. A estratégia de sobrevivência pode ser momentânea, pontual, refletida em
práticas de grandes liquidações para adaptação dos estoques a produtos sazonais, como ocorre no
setor de vestuário ou nos grandes magazines. Nesse momento, o que mais interessa é fazer caixa,
sem grandes avaliações das margens auferidas.
Quando associada a um processo de acomodação pontual de recursos financeiros, a
sobrevivência é bem-vista. Nesse caso, ela consiste em um posicionamento que agrega valor aos
acionistas, fazendo caixa em detrimento de estoques ociosos. No entanto, em muitas
oportunidades, a estratégia de sobrevivência é uma das últimas tentativas de manutenção da
empresa. As pequenas e médias empresas convivem, periodicamente, com essa situação. Os preços
são definidos com o intuito de fazer caixa para pagar compromissos urgentes, sem qualquer
abordagem mercadológica adicional.
Por exemplo, na crise do final de 2008, presenciamos um processo de sobrevivência nítido
nas empresas montadoras de veículos, nos USA, como GM, Ford e Chrysler, que dependeram,
essencialmente, de ajuda governamental para sobreviver. Seus preços caíram fortemente, já que a
demanda estava completamente refreada.
A sobrevivência é uma prática comum aos negócios, mas deve ser muito bem monitorada
em termos de prazo de execução. A perpetuidade da estratégia de sobrevivência leva as empresas à
derrocada, além de confundir os consumidores – que não conseguem perceber uma política de
preços contínua.
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Liderança de participação de mercado
No posicionamento de liderança de participação de mercado, os preços são definidos com o
intuito de ganhar mercado, por meio da penetração mais rápida. Vejamos um caso de migração de
consumidores de faixas mais elevadas de preços para níveis de menor qualidade.
Os refrigerantes populares – tradicionalmente denominados tubaínas – roubaram parte do
volume das empresas premium, por meio de preços sensivelmente inferiores. Essa estratégia bastante
comum de ganho de mercado faz bastante sentido nos mercados consumidores em que o preço é o
atributo mais importante na decisão de compra, tais como supermercados, varejos de modo geral ou
prestações de serviço muito triviais (cópias reprográficas, por exemplo).
Cada vez mais é posta em foco a força das marcas para impulsionar e consolidar produtos e
vendas. No entanto, a estratégia de liderança de participação de mercado dá ênfase especial ao
preço, não apresentando a marca como atributo de valor significativo. O risco de ser acompanhado
por preços mais baixos dos concorrentes é fatal para as pretensões de ganhar mercado e eternizar os
volumes de vendas.
Liderança de qualidade
Na liderança de qualidade, o preço deixa de ser o requisito fundamental na escolha do
consumidor. A qualidade – termo extremamente vago, por acomodar um grande número de variáveis
– passa a ser o principal critério na decisão de compra.
Há um risco inerente à estratégia: a possibilidade de o consumidor não identificar as diferenças
positivas no bem e se frustrar em relação ao seu uso, não percebendo diferenças e avaliando o
produto/serviço como demasiado caro. Nesse caso, a chamada equação preço de venda-qualidade, de
difícil mensuração, seria negativa ao ofertante. Desse modo, a dificuldade enfrentada por empresas que
atuam com produtos na faixa premium é descobrir a equação ideal entre qualidade e preço.
A partir do que foi apresentado, podemos elaborar um quadro-resumo acerca do
posicionamento de preços.
margem de
características objeto
posicionamento contribuição vantagens desvantagens
básicas principal
unitária
sobrevivência baixíssima ou preços baixos fazer caixa permitir a criação de
negativa para manter a continuidade preços de
operação da dos negócios no referência muito
empresa curto prazo baixos
inviabilização do
negócio no
médio prazo
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margem de
características objeto
posicionamento contribuição vantagens desvantagens
básicas principal
unitária
maximização elevadíssima estratégia de oportunida elevadas criação de
dos lucros curto prazo ou de para margens imagem de
para produtos de altos lucros preços
curto ciclo de vida exorbitantes em
produtos de
ciclo de vida
mais duradouro
liderança de baixa preços baixos ganhar boa estratégia não fidelização
participação no para conquista de mercado e em mercados da clientela
mercado mercado no lucros no muito suscetíveis desaparecimento
médio e no longo longo prazo a preços por concorrência
prazos de produtos mais
baratos
liderança de elevada preços mais altos margens fidelização muito possibilidade de
qualidade para realçar a elevadas maior do que em não ter o valor
qualidade outras percebido na
premium estratégias proporção do
preço praticado
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b) preços de economia
Cada vez mais, vemos marcas até então desconhecidas, atuando em posicionamentos de
combate às marcas premium, nos mais diferentes mercados, por meio de preços sensivelmente
mais baixos, na chamada estratégia de preços de economia.
As empresas com marcas líderes de qualidade precisam, muitas vezes, adequar-se aos novos
patamares de preços estabelecidos, e uma das possíveis estratégias para recuperar volumes perdidos
para as populares é o lançamento de novos produtos na faixa de preços equivalente. Tal
procedimento, bastante utilizado por marcas premium, é uma alternativa às chamadas guerras de
preços, normalmente negativas para os produtos de qualidade superior.
c) desnatação
Desnatação implica a prática de preços elevados no lançamento do produto, com reduções
gradativas, à medida que os concorrentes ou a própria empresa lança novos itens similares ou de
qualidade superior. Com isso, o objetivo é maximizar a margem de contribuição a cada nível de
preços, por meio de um processo de adequação contínuo. Pode ser aplicado em um período
muito rápido de tempo – desnatação rápida – ou em largos espaços de tempo – desnatação longa.
Normalmente, a desnatação é aplicada em setores de alta tecnologia e da moda,
principalmente feminina, já que os itens têm ciclo de vida curto e as compras não são repetidas para
o mesmo bem, o que torna necessário maximizar as margens em cada etapa do ciclo do produto.
Uma vez esgotado o segmento disposto a comprar a qualquer preço – e considerando a
entrada de concorrentes a preços inferiores –, a empresa procede a reduções paulatinas para atingir
os consumidores de níveis mais sensíveis a preços, e assim sucessivamente.
O gráfico apresentado a seguir retrata um exemplo da desnatação associada a um notebook.
Em seis meses, o produto sofreu queda de, aproximadamente, 30% em seu preço máximo,
negociado no mercado varejista virtual. Observe que a linha escura mostra o preço máximo, e a
linha vermelha, o preço mínimo, encontrado nas respectivas datas.
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Gráfico 1 – Smart TV 4K LED 65” Samsung Wi-Fi
Fonte: www.jacotei.com.br
d) penetração de mercado
Ao contrário da desnatação, em que se busca margem no curto prazo, na estratégia de
penetração de mercado, a empresa busca, via preços baixos, a conquista de amplas faixas de
mercado, obtendo margens unitárias baixas, que serão compensadas, futuramente, por meio do
aumento dos preços e das margens. A estratégia faz bastante sentido quando a empresa possui
produto com valor percebido crescente e compatível a aumentos preços futuros, sem que o
consumidor considere o preço um atributo fundamental na decisão de compra.
As margens reduzidas devem ser compensadas por elevados volumes de vendas. Na mente
do consumidor, cria-se a imagem de preços baixos, aos quais ele se habitua; no entanto, se os
custos não são bem-controlados e monitorados, a comercialização pode-se tornar inviável.
Em mercados em que se torna fácil copiar a concorrência, essa prática tem pequena
aplicação e pouco sentido prático, já que se elimina a possibilidade de remunerar o pioneirismo.
A seguir, vemos um exemplo da estratégia de penetração.
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Gráfico 2 – Idôle Lancôme - Perfume Feminino Eau De Parfum
Fonte: www.jacotei.com.br
Fatores externos
Apesar de os fatores internos serem decisivos, as empresas não vivem em ilhas isoladas,
adotando estratégias sem computar o que ocorre à sua volta. Desse modo, os fatores externos
devem ser sempre considerados no estabelecimento dos preços de venda.
Entre os fatores externos, o mais representativo e que demanda as maiores observações é o
mercado em que a empresa se insere, com os seus produtos concorrentes e as suas práticas comerciais.
Os mercados podem ser divididos em quatro tipos bastante distintos: concorrência perfeita,
concorrência monopolista, concorrência oligopolista e mercados monopolistas. A seguir, veremos
cada um deles.
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Por exemplo, imagine o mercado da soja comercializada na Bolsa de Mercadorias de
Chicago. Nesse mercado, variações de preços são explicadas por fatores como redução dos
estoques de óleo de soja dos produtores e volume esmagado de grãos. Nenhum produtor tem
potencial de barganha para, isoladamente, impor as suas condições ao mercado, alterando os
preços de venda. Um aumento de preços seria motivado por aumento da demanda ou redução da
oferta, ou por algum fator conjuntural.
Na concorrência perfeita, é fundamental operar com custos reduzidos, já que as empresas
não têm arbítrio sobre os preços de venda, caindo na chamada armadilha da ‘commodity’. As
margens de contribuição unitárias tendem a ser baixas – exceto em momentos de quebra de
safra em mercados concorrentes –, desse modo, o objetivo é atingir a maximização das margens
via volume total.
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Mercados de concorrência oligopolista
As guerras de preços não são exclusivas dos mercados de concorrência perfeita ou
monopolista. Também podem ocorrer nos oligopólios. Concorrências oligopolistas são mercados
caracterizados pela concentração de participação em poucas empresas e muitos compradores. Os
produtos ofertados podem até ser consideradas commodities, mas a principal característica é a
concentração de mercado em poucos ofertantes. Esses mercados podem ser ainda divididos em
cartéis e oligopólios puros.
Os cartéis são caracterizados, entre outras práticas comerciais, pela definição dos preços de
venda de modo pouco ético ou sem maiores disputas comerciais, já que as empresas participantes
se contentam com as suas participações de mercado e não abrem mão das suas margens. Se
analisarmos os movimentos de preços desses setores, vamos perceber que os reajustes são,
praticamente, simultâneos e em percentuais muito similares.
No Brasil, já foram citados como setores envolvidos em práticas cartelizantes os
segmentos de gases industriais, produção de cimento, cegonheiros, postos revendedores de
combustíveis, entre outros.
Os oligopólios podem também ser puros, ou seja, com disputas muito árduas por
diferenciação e participação de mercado. Nos oligopólios puros, as margens tendem a ser elevadas,
mas inferiores às dos cartéis. Apesar de os preços não serem acordados entre as empresas, não
existe interesse em criar guerras de preços. Dificilmente, uma atitude assim pode inviabilizar a
atividade de outros concorrentes, já que as empresas tendem a possuir elevado nível de
capitalização (necessário para ingressar e permanecer em mercados oligopolizados).
Mercados monopolistas
Nos mercados monopolistas, somente uma empresa é ofertante e possui muitos compradores.
Tradicionalmente, esses mercados têm características de serviços públicos, representados por
empresas estatais ou são concessões a empresas privadas, que devem obedecer a critérios de preços
estabelecidos nos contratos de concessão.
Quando os mercados são dominados por empresas públicas, a tendência é que os preços
sejam formados para atender a objetivos sociais e macroeconômicos – como o controle
inflacionário. Por exemplo, basta observar como eram formados os preços dos derivados de
petróleo até alguns anos atrás. Havia um conteúdo fortemente politizado. Atualmente, os preços
possuem um componente de competitividade importante, sendo pautados nas cotações
internacionais e no câmbio.
Quando uma empresa privada consegue criar um produto monopolista, deve observar, em
primeiro lugar, a duração dessa exclusividade. Se for uma exclusividade de curta duração, a
precificação deve ser baseada na maximização dos lucros, já que a tecnologia será facilmente
copiada no curto prazo.
29
Os monopólios têm algumas premissas como base para o seu surgimento e a sua
manutenção. Vejamos:
Controle da oferta de matérias-primas – típico do setor público, que costuma deter as
reservas de insumos fundamentais ou estratégicos.
Acesso a patentes – preservam a exclusividade da produção de um bem sob determinado
processo específico. Quando esse procedimento é facilmente copiável, o monopólio tem
curta duração. É o caso dos produtos eletroeletrônicos. Em setores protegidos por
patentes de longa duração, como os farmacêuticos, o princípio ativo utilizado pode gerar
um monopólio difícil de ser imitado, acarretando um longo ciclo de vida lucrativo.
Baixos custos operacionais – a terceira possibilidade é o estabelecimento de uma
fábrica ou um processo produtivo eficiente, com custos operacionais tão baixos que
inviabilizem sua imitação.
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A seguir, vejamos um quadro-resumo dos principais tópicos acerca dos diversos tipos de
mercado.
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Elasticidade-preço da demanda
As alterações nos preços, invariavelmente, acarretam modificações nos volumes de vendas.
Esse movimento é denominado elasticidade-preço da demanda. Para entendermos o conceito da
elasticidade, podemos pensar: suponha que a PETROBRAS S.A. pretende aumentar os preços do
óleo diesel em 10% e deseja medir, antecipadamente, o efeito nos volumes de vendas das
refinarias. Provavelmente, as vendas sofreriam um acréscimo nos dias anteriores aos novos preços.
O acréscimo seria devido às antecipações de abastecimento. Desse modo, na primeira
semana posterior ao aumento, o volume cairia em proporção inversa ao crescimento antecipado.
Subsequentemente, os volumes retroagiriam aos patamares anteriores ao aumento. Tal fenômeno
ocorre porque esse produto não tem substituto, no curto prazo, com os mesmos benefícios, e os
consumidores não têm alternativas de troca de combustível nem de fornecedor (monopólio).
Nesse caso, a redução de vendas, certamente, não será proporcional ao percentual de aumento de
preços, o que torna a demanda inelástica.
A demanda inelástica é associável a produtos e serviços essenciais, sem possibilidade de
substituição, a curto prazo, ou a bens de altíssimo valor percebido, já que os usuários tendem a ser
mais fiéis às marcas.
A elasticidade preço-demanda (E) é medida pela equação:
Supondo uma queda de 5% nas vendas de diesel e o aumento de 10% nos preços, teríamos:
E = – (-0,05/0,10) = 0,5
O valor obtido pode ser interpretado da seguinte maneira: cada 1% de aumento nos preços
de diesel corresponderá a uma queda de 0,5% na quantidade. Essa relação demonstra que se trata
de um produto de demanda inelástica, já que o resultado é inferior a 1. O sinal negativo, antes da
fórmula, indica uma relação inversa entre variação de preços e variação de volumes.
Agora, considere o exemplo a seguir: no centro da cidade de São Paulo, um restaurante com
enorme concorrência nas suas proximidades eleva os preços de seu cardápio em 10%. Exceto se o
público-alvo não se ativer aos preços como atributo de decisão importante, deverá haver uma
queda mais do que proporcional no volume de clientes. Considerando a queda de 20% nas
vendas, teríamos:
E = – (-0,20/0,10) = 2,0
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De acordo com o resultado obtido, superior a 1, temos um produto ou negócio de
demanda elástica. Cada 1% de reajuste nos preços corresponderá a uma queda de 2% no volume
vendido. Dessa forma, o movimento de aumento de preços não é compensador, já que a margem
total de contribuição gerada passa a ser inferior à situação anterior ao aumento.
A elasticidade-preço da demanda, apesar de academicamente importante, é de difícil
mensuração prática, já que as variações volumétricas não dependem, exclusivamente, dos preços,
mas também sofrem interferência de cenários econômicos, práticas comerciais dos concorrentes,
componentes macroeconômicos, etc.
Em um mercado de concorrência monopolista, os movimentos de preços tendem a ser
automaticamente replicados pelos concorrentes que não querem abrir mão das suas participações
de mercado e, desse modo, alteram seus preços, em movimentos frequentes. Quando isso ocorre,
altera-se o índice e a informação anterior perde a validade para decisões futuras. Como exemplo,
considere a dificuldade de se apurar a elasticidade de produtos no segmento de supermercados,
que altera seus preços continuamente.
De qualquer forma, mesmo sendo de difícil mensuração, a elasticidade é um indicador
essencial no processo de elaboração da política de preços de uma empresa, já que mensura, acima
de tudo, a sensibilidade dos consumidores aos preços praticados.
33
Quando trabalhamos, exclusivamente, pautados nas condições comerciais dos concorrentes, há
diversos questionamentos que ficam sem resposta. No entanto, em nenhum momento diríamos para
não acompanhar a concorrência, mas o ideal é não praticar os mesmos preços indiscriminadamente,
sem observar seus principais pontos fortes e fracos a explorar ou contrabalançar.
O varejo, concorrência monopolista, atua bastante a partir desse método, entendendo que
quem forma o preço é, basicamente, o mercado.
1
DOLAN, Robert; SIMON, Hermann. O poder dos preços: as melhores estratégias para ter lucro. São Paulo: Futura, 1998, 403p.
2
NAGLE, Thomas T.; HOLDEN, Reed K. Estratégia e táticas de preço. Nova Jersey: Prentice Hall, 2007, 386p.
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Na decisão de compra de um bem, diversos atributos são considerados pelo consumidor,
que os pondera, decidindo-se pelo preço a pagar de acordo com a estrutura de seus pesos relativos.
Suponhamos a compra de um bilhete aéreo, em que os preços oscilem entre R$ 500,00 e
R$ 700,00. Se esse for o único atributo de decisão, a escolha será, logicamente, pelo menor preço.
Considerando agora que os preços sejam iguais, mas que os espaços nos assentos sejam diferentes,
a escolha recairá sobre aquele que proporciona maior conforto. Podemos acrescentar ainda o
número de conexões ou escalas, a Cia aérea desejada, aeroporto de origem e destino, e chegaremos
à conclusão de que a decisão de compra não se faz apenas pelo preço.
Os consumidores examinam a escala de valores proporcionados e, com isso, fazem
julgamentos ou escolhas a fim de determinar a combinação de fatores que mais os satisfazem, bem
como os produtos e serviços são elaborados a partir dos atributos observados pelos consumidores,
considerando preços de acordo com a percepção de valor, e os custos devem ser consequência dos
preços estabelecidos.
Para dimensionar o valor percebido por um produto/serviço devemos partir do seu valor
econômico, que é o preço pelo qual o consumidor estaria disposto a adquiri-lo, conjugando as
melhores alternativas – ditas como preço de referência.
O valor econômico total – ou preço máximo a ser pago por um bem – agrega o valor de
referência – já mentalizado pelo consumidor –, acrescido dos seus valores adicionais positivos ou
negativos de diferenciação.
A mensuração do valor percebido é fundamental para a correta precificação. A técnica mais
utilizada para identificar esse valor, quantificando os atributos percebidos nos bens a serem
avaliados, é a análise conjunta – conjoint analysis. Por seu intermédio, reproduz-se um cenário – o
mais realístico possível – de um consumidor frente a uma série de alternativas de produtos.
Utilizando um exemplo da aviação comercial, podemos imaginar a seguinte situação: temos
uma viagem marcada para Londres, com a possibilidade de voarmos por três diferentes
companhias. Entre as variáveis que as companhias entendem agregar valor à sua atividade –
pesquisadas e confirmadas pelos consumidores anteriormente –, podemos citar: preços e prazos de
pagamento do bilhete, número de escalas do voo, serviço de bordo, conforto das poltronas,
horários de partida e chegada, prêmios de fidelidade e opções de lazer durante o percurso.
Uma análise matemática desses dados avalia o valor percebido por cada consumidor em
relação aos atributos que cada companhia oferece, além das suas categorias e dos efeitos dos preços
alternativos. Desse modo, a companhia pode estabelecer o número de passageiros que privilegiam
a variável conforto em relação aos preços potenciais, bem como o perfil de demanda daqueles que
têm no preço do bilhete o principal quesito decisório.
O número de assentos por nível de preços será definido de acordo com o perfil dos
consumidores, buscando maximizar a lucratividade do serviço oferecido. Vários níveis de preços
podem ser estabelecidos, obedecendo ao perfil de demanda avaliado.
Podemos avaliar o modelo da análise conjunta, por meio de um exemplo de aplicação na
indústria automobilística, que elabora novos produtos e os precifica utilizando esse método.
35
Exemplificação da análise conjunta
Atributos como potência do motor, design e economicidade do modelo são confrontados aos
potenciais preços de venda e pesquisados por meio de entrevistas diretas com os componentes do
mercado-alvo. Desse modo, quando são lançados, atendem às expectativas já testadas e aprovadas
pelo consumidor. Com essa fase preenchida, os preços são estabelecidos com uma base técnica
muito maior em relação àqueles pautados, exclusivamente, nos fatores de custo e concorrência.
Certamente, os erros de lançamentos de produtos com atributos pouco valorizados e
encarecedores, sem qualquer contribuição adicional de valor percebido, são bastante minimizados.
Etapas de implantação
As etapas necessárias para a implantação do método da análise conjunta consistem em:
investigação dos principais atributos do produto;
determinação das categorias ou dos diferentes fabricantes, cujo valor percebido será
investigado;
pré-seleção dos entrevistados a partir do interesse por um produto que esteja na faixa de
preço determinado para o similar e
apresentação das alternativas de produtos em computador, para definição da escolha do
consumidor. A amostra é feita entre diferentes perfis, simultaneamente, e os níveis dos
atributos são esclarecidos.
atributo
marca A B C
consumo Km/litro 10 12 14
Com base nesses dados, o entrevistado compara os perfis e escolhe um deles. Um programa
de computador apresenta novas comparações para novas escolhas do consumidor. Devem ser
realizadas entre 10 e 20 comparações para calcular o valor de cada atributo para cada entrevistado.
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Importância dos atributos
O programa matemático mostra a importância relativa dos 5 atributos para o consumidor, a
partir dos dados apresentados. Por exemplo:
marca – 30%;
potência do motor – 28%;
preço – 20%;
consumo de combustível – 12% e
cor – 10%.
Preços dinâmicos
Em setores em que seja rápida a obsolescência do bem ofertado, é comum as empresas
estabelecerem os preços de acordo com o nível de demanda. Esse conceito, oriundo do mercado
de aviação comercial, recebeu originalmente a denominação de revenue management (RM), ou
seja, gestão das receitas. Em termos bastante simples, o conceito busca assegurar que as empresas
vendam o item certo, na hora certa, para o cliente certo, pelo preço certo. Evidentemente, em vez
de analisar o mercado de modo mais amplo, é necessário avaliar cada micromercado e as suas
características, adequando o preço de modo particular.
O RM surgiu em meados da década de 1970, no setor da aviação comercial, nos Estados
Unidos, após um aumento muito grande na demanda por tarifas reduzidas, oferecidas por
empresas com voos charter. Com isso, as grandes companhias, como a American Airlines, viram
os seus resultados minguarem e os riscos aumentarem enormemente. Naquele momento, a
direção da empresa percebeu que voava com meia ocupação, dessa forma, sem qualquer geração
de receita nos assentos vazios, com chances de competir com as empresas charter. Resumidamente,
a empresa identificou os percursos que tinham ocupação mais reduzida e passou a segmentar a
aeronave, de acordo com a antecedência de reserva para a data do voo. Com isso, aproveitando
uma das premissas para a implementação do RM, que é o custo variável incremental desprezível, a
empresa desenvolveu, para cada novo passageiro, uma estratégia de preços focada nos
micromercados, ou seja, uma tarifa para cada grupo potencial de clientes.
3
Na página www.lucre-consultoria.com.br, no menu planilhas, está disponibilizada a minha dissertação de mestrado,
baseada na análise conjunta, com todos os conceitos necessários para a compreensão do método. Acesse o site
www.sawtoothsoftware.com e obtenha diversas informações sobre os diferentes métodos de conjoint analysis.
37
Atualmente, o setor aéreo tem como princípio a adoção de diversos níveis de preços para a
mesma rota e aeronave. Esses valores oscilam em função, por exemplo, da antecedência da reserva,
do nível de ocupação dos assentos, do perfil do consumidor. O setor hoteleiro também pratica o
RM, considerando sazonalidade, nível de ocupação dos quartos, eventos especiais no município,
dias de permanência no hotel.
Qual o principal fator em comum entre essas duas atividades? Basicamente, não há como
recuperar um assento aéreo não utilizado ou um quarto não ocupado, de modo que, em função
das variáveis enumeradas, talvez seja necessário reduzir os preços a níveis bastante inferiores aos
normais, de modo a preencher os espaços disponíveis, maximizando a utilização.
Outras atividades com fatores similares, como locação de veículos, restaurantes e casas de
espetáculo, também utilizam o conceito. Muitas vezes, almoçamos no mesmo restaurante, em
horários diferentes, pagando valores diferentes. Evidentemente, a partir de determinado horário, a
demanda diminui consideravelmente, e a redução de preços passa a ser um atributo de
diferenciação importante.
Outra característica comum, importante para a implementação do conceito, é a pequena
participação dos custos variáveis na estrutura de custos do serviço ofertado. Como exemplo,
considere um avião que deve decolar com 50 passageiros. Os seus custos e as suas despesas
variáveis são, em princípio, o combustível, os impostos sobre o faturamento, o material de serviço
de bordo e a comissão do agente que vendeu o bilhete, quando houver. Basta perguntar quais os
acréscimos de custos originados por um passageiro adicional e veremos que são praticamente
nulos, o que viabiliza a prática de preços mais baixos, caso o nível de ocupação seja baixo e o avião
esteja prestes a decolar.
Com programas de gerenciamento de receita (do inglês yield management), elas monitoram
diariamente os preços da concorrência e estabelecem o valor de um bilhete conforme essa análise.
No mesmo sentido, as grandes redes hoteleiras assumem que os preços podem variar, no
mesmo local, para clientes diferentes, em quartos diferentes, em função de variáveis, tais como:
taxa de ocupação, eventos especiais no município, sazonalidade, etc.
Existem vários pré-requisitos para a adoção do RM. Entre eles, a principal é a viabilidade de
segmentação do mercado, que originará diferentes perfis de atuação e de preços. Utilizando um
exemplo de Kleber Figueiredo, de “gestão da capacidade e da demanda em serviços logísticos”
(segunda parte), a lógica financeira por trás da prática de diferentes preços pode ser explicada
graficamente (gráficos 3 e 4).
38
No gráfico 3, temos apenas três níveis de preços praticados e os respectivos volumes de
vendas de assentos. Evidentemente, a preços mais baixos, o nível de ocupação será maximizado
sem acrescentar maiores resultados financeiros. Inversamente, mediante altos preços, o volume
vendido será muito baixo, com resultado similar ao de preços baixos. A receita total é calculada
pela área do retângulo, com vértice na origem e o vértice oposto sobre a reta da demanda. Como
se vê, há uma grande área não explorada, o que será feito no gráfico 4.
39
Tabela 5 – Planilha revenue management
40
Considere uma aeronave com as seguintes características:
disponibilidade de 120 assentos;
três classes de tarifa e de proteção (1,2 e 3);
24 assentos reservados na classe de negócios b1 (R$ 550);
60 assentos reservados na classe normal b2 (R$ 300);
36 assentos reservados na classe econômica b3 (R$ 200) e
limite para maior tarifa é o número de assentos total
4
Trecho extraído e adaptado de ASSEF, Roberto. Gerência de preços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
41
MÓDULO III – ASPECTOS TRIBUTÁRIOS DA
PRECIFICAÇÃO
O ICMS é uma parcela do preço de venda, de R$ 121,95. Se for preciso conhecer a parcela
incidente de ICMS no preço, basta multiplicar o preço total pelo percentual de ICMS, ou seja:
Tributos federais
Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ
A legislação federal considera três possibilidades de apuração de lucros (real, presumido e
arbitrado) e os tributa de modos diferenciados. A alíquota do Imposto de Renda de Pessoas
Jurídicas é de 15%. A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, apurado trimestralmente,
que exceder a R$ 60.000,00 sujeita-se à incidência de adicional de Imposto de Renda à alíquota
de 10%.
A seguir, vamos conhecer melhor os lucros presumido e real. Não mencionaremos o regime
arbitrado devido à sua pouquíssima aplicabilidade prática.
44
Suponha uma empresa que atue na atividade de compra e venda de artigos de informática,
além de prestar serviços de manutenção de microcomputadores, com os seguintes dados trimestrais:
O valor do imposto devido deve sofrer a redução de parcelas referentes a incentivos fiscais,
apurando-se, finalmente, o imposto a pagar.
A seguir, observe a tabela 6 e verifique o percentual de IRPJ que compõe os preços de venda.
45
atividade base % IRPJ
46
Simples nacional
O SIMPLES unifica, em uma única alíquota e um único documento, a cobrança dos
seguintes tributos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, PIS, Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido, Cofins, contribuições previdenciárias – INSS do empregador –, ICMS, ISS e IPI.
O imposto referente ao SIMPLES incide sobre a receita bruta mensal das empresas, que é o
produto da venda de bens e serviços, descontando-se as vendas canceladas e os descontos
incondicionais concedidos. Para identificar em que faixa de tributação a empresa se enquadra,
bem como as alíquotas respectivas, deve-se observar a tabela elaborada pela Receita Federal.
A partir de janeiro de 2018, empresas com receita bruta anual até R$ 4.800.000 podem-se
enquadrar no regime simplificado, mas existem algumas objeções, que devem ser vistas na legislação
específica. Além disso, empresas com receita bruta superior a R$ 3.600.000/ano, devem recolher,
separadamente, os valores de ICMS e ISS, de acordo com a atividade econômica desenvolvida.
47
Para as empresas enquadráveis na nova regra, a partir de 01 de fevereiro de 2004, poderão
ser calculados créditos a serem deduzidos da contribuição devida, aplicando o percentual de
7,60% sobre o valor, entre outros itens:
dos bens adquiridos no mês para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos
produtos sujeitos à substituição tributária ou incidência monofásica;
dos bens e serviços adquiridos no mês, utilizados como insumo na fabricação de
produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e
lubrificantes, desde que não tenham sido importados de outros países;
incorrido no mês com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa
jurídica e
incorrido no mês com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas
jurídicas, utilizados nas atividades da empresa.
Existem outras possibilidades de recuperação do crédito da Cofins que devem ser vistas com
a área contábil e que fogem ao nosso objetivo.
Nas vendas referentes às exportações, a contribuição não incidirá e permitirá apuração de
crédito em relação às etapas anteriores de produção. Caso a empresa opte pelo Regime
Simplificado de Impostos, a parcela da Cofins já estará embutida na alíquota devida.
No dia 13/5/2021, o plenário do STF determinou que a exclusão do ICMS da base de
cálculo do PIS/COFINS passe a valer a partir de 15/3/2017. Esta decisão altera o valor destas
duas contribuições. Os cálculos da apostila não contemplam esta modificação.
48
Para as empresas enquadráveis na nova regra, a partir de 01 de dezembro de 2002, poderão
ser calculados créditos a serem deduzidos da contribuição devida, aplicando o percentual de
1,65% sobre o valor, entre outros itens:
dos bens adquiridos no mês para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos
produtos sujeitos à substituição tributária ou incidência monofásica;
dos bens e serviços adquiridos no mês, utilizados como insumo na fabricação de produtos
destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes;
incorrido no mês com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa
jurídica e
incorrido no mês com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas
jurídicas, utilizados nas atividades da empresa.
Existem outras possibilidades de recuperação do crédito do PIS que devem ser vistas com a
área contábil e que fogem ao nosso objetivo.
Nas vendas referentes às exportações, a contribuição não incidirá e permitirá apuração de
crédito em relação às etapas anteriores de produção. Caso a empresa opte pelo Regime
Simplificado de Impostos, a parcela do PIS já estará embutida na alíquota devida.
No dia 13/5/2021, o plenário do STF determinou que a exclusão do ICMS da base de
cálculo do PIS/COFINS passe a valer a partir de 15/3/2017. Esta decisão altera o valor destas
duas contribuições. Os cálculos da apostila não contemplam esta modificação.
Tributos estaduais
icms
O principal tributo estadual é o ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e
Serviços de Transporte, Telecomunicações e Energia Elétrica. O S final foi criado pela
Constituição Federal de 1988 e faz com que as atividades de prestação de serviços de energia
elétrica, telecomunicações e transporte interestadual sofram a incidência do ICMS e não do ISS,
como as demais atividades.
O imposto tem diversos fatos geradores, mas o que nos interessa é, essencialmente, a venda
de mercadorias de estabelecimento comercial ou industrial. É um imposto proporcional, com
alíquotas diferenciadas, variando de acordo com o tipo de mercadoria ou serviço e com os
destinos das operações. É um imposto não cumulativo, o que significa a possibilidade de
aproveitamento dos créditos gerados em cada etapa da comercialização.
O cálculo do débito do ICMS é feito pelo valor agregado ao produto, permitindo o
aproveitamento do crédito originado na entrada da mercadoria ou dos serviços citados.
49
Quadro 4 – Principais alíquotas estaduais de ICMS
norte, nordeste,
sul, sudeste centro-oeste, 7
espírito santo
norte, nordeste,
centro-oeste, outras unidades federativas 12
espírito santo
exportação 0
Alguns produtos têm alíquotas diferenciadas, seja por motivos econômicos, de interesse
para o cálculo do custo de vida, como os componentes da cesta básica (zero); seja para os
considerados não essenciais, como bebidas alcoólicas, fumo, veículos especiais e armas, ou os
que permitam maior tributação, como gasolina, serviços de comunicação e energia elétrica
(25%, 30%, 35%).
Em um exemplo simples, para o cálculo do ICMS devido, em uma operação dentro do
próprio estado, com produto sujeito à alíquota de 18%, temos:
Compra e venda de calçados
preço de venda = R$ 100,00;
custo da mercadoria: R$ 50,00;
débito do ICMS = 100 × 18% = (18);
crédito do ICMS = 50 × 18% = 9 e
saldo de ICMS a pagar = débito – crédito = (18) – 9 = (R$ 9).
50
Outra particularidade desse imposto é a substituição tributária (ST), criada a fim de facilitar
a cobrança e não prejudicar a arrecadação. O governo determina que algumas atividades terão o
ICMS recolhido por outro agente da cadeia produtiva. Como exemplos, podemos citar os
combustíveis, em que as refinarias substituem as distribuidoras, e os postos de serviço e as
indústrias de cigarro, que recolhem o tributo pelos bares e restaurantes. As empresas que foram
substituídas não sofrem a incidência direta de ICMS na venda, não tendo também direito a
crédito nas suas compras de matérias-primas substituídas tributariamente.
Para a definição do cálculo do imposto, as autoridades fazendárias definem percentuais de
margens presumidas diferenciadas por tipo de produto ou assumem os preços prefixados,
sugeridos pelos fabricantes. Desse modo, por exemplo, se o maço de cigarros for vendido a R$
1,40 ao consumidor final, já está embutida nesse valor uma parcela de débito de ICMS do
varejista a ser cobrada e paga pelo fabricante.
Tributos municipais
Imposto Sobre Serviços – ISS
A alíquota varia de acordo com as posturas municipais. A alíquota mínima é de 2%, de
acordo com legislação federal, que definiu este percentual, com o intuito de eliminar guerras
fiscais intermunicipais. Nos grandes municípios, a alíquota mais encontrada é de 5%.
Na avaliação do ISS, é fundamental conhecer as leis municipais, já que vários serviços têm a
cobrança na localidade em que o serviço foi executado e outros são pagos no município sede da
empresa executante. Essa questão deve ser dirimida pela área contábil de cada empresa.
51
Imaginando um processo de importação-padrão, teremos a tabela 7.
US$ R$
52
MÓDULO IV – ASPECTOS FINANCEIROS DA
PRECIFICAÇÃO
Como a sua empresa aloca os custos e as despesas nos preços de venda? Certamente, essa é
uma das questões mais polêmicas de qualquer organização no que diz respeito à precificação.
Neste módulo, mostraremos os métodos de custeamento de produtos e serviços utilizados
na formação de preços. Para tal, vamos mostrar como considerar os custos no processo de
precificação, as consequências das suas alocações, além de apresentar alguns conceitos financeiros
fundamentais, tais como o efeito dos prazos nas vendas e no capital de giro da empresa.
Conceitos básicos
Para começar, vamos esclarecer alguns conceitos básicos inerentes à contabilidade gerencial,
que norteiam os processos de custeamento. Vejamos:
gasto – desembolso associado à obtenção de bens, independentemente da finalidade;
custo – soma de gastos com bens e serviços aplicados ou consumidos na produção;
despesa – gastos associados ao consumo de bens e serviços não relacionados à produção;
investimento – gastos destinados à obtenção de bens de uso da empresa ou para
aplicações permanentes;
perda – bem ou serviço consumido, de forma anormal e involuntária, e
receita – ingresso de recursos sob a forma de bens ou direitos.
Podemos elaborar um quadro-resumo dos custos e das despesas dessa indústria, com valores
aleatórios por rubrica escolhida. Esse quadro é essencial para o desdobramento do assunto e de
como as empresas aplicam conceitos contábeis formais à formação dos seus preços de venda.
Apenas as despesas diretas não serão quantificadas em termos absolutos, já que são derivadas das
receitas operacionais; em nosso caso, restritas ao faturamento.
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Custos fixos são aqueles que não variam a cada nova unidade produzida ou vendida, até o
limite da capacidade. Esses custos são fixos no total, porém variáveis em termos unitários, já que
quando dividimos o total de custos pela quantidade, vemos que os valores unitários se alteram.
Citando os itens já apresentados, todas as despesas indiretas e alguns custos indiretos – como
aluguel do galpão, depreciação das máquinas e mão de obra indireta – são fixos.
Uma das maiores implicações dos custos fixos na precificação reside nos critérios adotados
para a sua alocação, gerando, na maioria das vezes, enormes distorções e perda de
competitividade, quando rateados de modo inadequado.
Custos variáveis, ao contrário, são os que oscilam a cada nova unidade produzida ou vendida.
Inversamente aos custos fixos, não variam em termos unitários, permanecendo constantes. Nos
itens citados anteriormente, os custos e as despesas diretas são variáveis, além de alguns custos
indiretos, como insumos de pouca relevância na quantificação dos custos unitários.
No gráfico a seguir, podemos verificar que, independentemente da quantidade produzida
ou do faturamento, os custos fixos são os mesmos. Já os custos variáveis oscilam de acordo com a
produção ou as vendas. A soma das duas parcelas gera o custo total da empresa.
Métodos de custeio
Diante da natureza dos custos e de como se comportam em relação aos volumes
produzidos, podemos entender melhor os métodos de custeio, ou seja, como os custos devem ser
levados ao objeto final. Em nosso caso, o produto fabricado e vendido.
Esse mecanismo tem duas possibilidades distintas que, basicamente, procuram retratar a
alocação dos custos indiretos e a melhor forma de levá-los ao custo de produto, visto que os custos
diretos são de mais fácil alocação.
55
Custeio por absorção
A contabilidade fiscal tradicional estabelece a obrigatoriedade do uso do custeio por absorção,
no qual os custos indiretos são, necessariamente, rateados entre os produtos, de acordo com
critérios tradicionais. Contabilmente, apenas os custos indiretos devem ser rateados e as despesas
indiretas não podem ser alvo de alocações. Gerencialmente, não há nenhuma regra obrigatória de
utilização do método na formação de preços.
Agora, vamos analisar o método por meio de um exemplo simples no segmento industrial.
Supondo uma empresa com quatro produtos distintos, precisamos alocar, a cada um, as devidas
parcelas de custos de produção. Temos os volumes de produção médios, custos diretos e
respectivos preços de venda.
produto A B C D total
produção
70.000 60.000 45.000 50.000 225.000
(unidades/mês)
percentual na
30% 25% 20% 25% 100
produção (%)
custo direto
3,00 4,50 4,00 4,60 3,96
(R$/unidade)
preço de venda
6,00 8,30 8,50 10,00 8,00
(R$/unidade)
Resta identificar, para cada produto, a parcela referente aos custos indiretos de fabricação.
Aqui, reside o grande problema do método, quando utilizado na formação de preços de venda.
Como vimos, tais custos não são identificáveis a cada produto, mas fazem parte da estrutura geral
de fabricação. Seguindo regras contábeis tradicionais, iremos alocá-los aos produtos adotando o
percentual de produção de cada item, que é uma base de rateio bastante utilizada.
Apenas como ilustração, consideramos os custos indiretos totais no valor de R$ 250.000.
56
Tabela 9 – Custos indiretos de R$ 250.000
D 25 62.500 1,111
produto A B C D total
Simplificando, podemos demonstrar o resultado dessa empresa pelo custeio por absorção
avaliando os resultados de cada produto vendido (tabela 11, dados em mil R$).
57
Apenas a título de cálculo, consideramos as despesas diretas de 18% sobre a receita bruta,
aproximadamente, a cada produto. Esse percentual seria composto por impostos, comissões e
fretes, por exemplo. Complementando os dados, consideramos que as despesas indiretas mensais
somam R$ 180.000, sendo formadas por gastos com pessoal administrativo, despesas
administrativas gerais e financeiras.
produto A B C D total
Vale ressaltar que, se utilizássemos outras bases de rateio dos custos indiretos, chegaríamos a
resultados finais iguais, logicamente, já que apenas distribuiríamos os custos indiretos de modo
diferente. No entanto, os produtos apresentariam resultados bastante diversos, e ficaríamos
inseguros a respeito das suas contribuições para a empresa. Tantas quantas forem as bases de rateio
adotadas, os resultados divergirão, e ficaremos sem a conclusão efetiva sobre cada produto.
O mais importante é notar que qualquer metodologia de rateio será tendenciosa e falsa,
já que nada indica, de modo realista, que os custos indiretos variam de acordo com o número
de unidades produzidas ou outro critério qualquer. Desse modo, o mais correto e prudente
seria identificar os motivos ou atividades que geram esses custos, a fim de que eles possam ser
alocados com base em critérios mais consistentes.
58
contribuição. Esse é um indicador precioso na avaliação de um portfólio de produtos, já que
indica a contribuição de cada produto para a amortização dos custos fixos e para a geração dos
resultados finais da empresa.
A margem de contribuição (MC) é calculada pela diferença entre o preço de venda (PV), e
os custos e as despesas variáveis (CV e DV). Desse valor, podemos retirar a margem de
contribuição unitária e percentual de cada produto. Com isso, temos:
% MC = (MC/PV) × 100
MC = PV – CV – DV
Esse conceito foi mencionado várias vezes nos tópicos anteriores, sendo, sem dúvida, a
principal ferramenta de análise de lucratividade dos produtos e serviços.
Considerando o exemplo industrial anterior, teríamos a demonstração de resultados dos
produtos por meio do custeio direto da tabela 12.
produto A B C D total
59
Complementando a análise por meio do custeio direto, uma dúvida que, normalmente,
cerca o procedimento consiste em identificar se a margem de contribuição atingida é boa ou ruim.
Em outras palavras, qual deve ser a margem para determinado produto ou serviço. A resposta
pode ser dada de formas bastante diferenciadas, e eu diria que depende! Depende, basicamente,
do setor de atividade analisado.
Em atividades industriais padrão, os custos e as despesas indiretas são bastante significativos
em relação aos custos totais e ao faturamento. Se os custos fixos forem representativos, a margem
de contribuição precisa ser elevada para amortizá-los e ainda gerar, no total, um lucro líquido aos
acionistas. Desse modo, margens de 40% sobre o preço representam um valor nada excepcional,
uma vez que, na verdade, indicam a necessidade de sobrevivência e crescimento da operação.
Evidentemente, dependendo da magnitude dos custos fixos, esse valor pode oscilar razoavelmente,
mas pode servir como balizamento inicial.
Utilizando o mesmo raciocínio, vemos que, em uma atividade comercial, os custos fixos são
baixos em relação aos custos variáveis, que têm nos materiais de revenda e nos impostos os
maiores valores relativos em relação ao faturamento. Com isso, a margem de contribuição
dependerá, muito fortemente, do posicionamento adotado, de produtos premium ou de preços de
mercado. Eu diria que as margens têm um patamar máximo aproximado de 30% que, se forem
obtidos em locais de maior custo fixo, podem não indicar, necessariamente, altos lucros finais.
Vejamos o exemplo das lojas situadas em shopping centers, que arcam com elevados valores de
aluguéis mensais, necessitando operar com margens mais elevadas.
As empresas prestadoras de serviços guardam uma relação mais próxima do segmento
industrial, já que a maior parte dos seus custos são fixos, isto é, basicamente despesas indiretas.
Dessa forma, é comum e necessário encontrarmos margens próximas de 50%, visto que a parcela
de custos variáveis é bastante reduzida em relação aos fixos.
Logicamente, a análise criteriosa de cada atividade é que vai indicar a possibilidade e
necessidade das margens de contribuição. De qualquer forma, a lógica do valor está associada ao
montante dos custos fixos e à sua representatividade nos custos e faturamento totais.
60
Gráfico 6 – Ponto de equilíbrio operacional
No encontro das parcelas de receita total e custos totais, o resultado da empresa é zero, já
que o lucro será zerado. Desse modo:
CT = CF + CV
onde:
CT = custo total;
CF = custo fixo e
CV = custo variável.
Desse modo:
RT = CT = PEO
onde:
RT = receita total.
61
Exemplo
Imaginemos a seguinte situação referente à empresa X, que tem um custo fixo de
R$ 50.000,00.
A empresa comercializa diversos itens e a margem de contribuição média de 25%. O ponto
de equilíbrio operacional pode ser obtido por meio da seguinte fórmula:
62
Desse modo, a MC média ponderada será de 586.000/1.801.000, ou seja, de 33%.
Aplicando esse valor à fórmula do PEO, teremos:
É importante salientar que, se esse nível de faturamento não for atingido, a empresa deverá
adotar algumas alternativas, entre as quais podemos citar:
a modificação do portfólio de vendas, com ênfase nos produtos mais lucrativos;
a intensificação nas negociações, visando aumentar as margens de contribuição, e
o ajuste nos custos fixos.
O PEO serve de base para simulações no negócio, mas não pode ser entendido como meta
única da empresa, uma vez que indica o nível mínimo de receitas para deixar a atividade no zero a
zero. Desse modo, na interpretação do PEO, é interessante a apuração do custo fixo médio em um
período de tempo mais longo – por exemplo, 6 meses. Além disso, atividades com grande grau de
sazonalidade – tais como confecções e outros artigos de moda variável, que dependem de fatores
climáticos, por exemplo – tendem a sofrer fortes impactos de vendas em alguns meses, de forma
que devem calcular os valores do PEO, sazonalmente.
É comum pensarmos que, atingido o PEO, todas as receitas adicionais podem ser
consideradas lucro. Essa interpretação pode levar a equívocos importantes. No PEO, as receitas
totais igualam-se aos custos totais neste patamar de receitas. Com isso, os custos fixos estão
amortizados quando atingido o PEO; no entanto, os custos variáveis dependem do nível das
operações e, desse modo, existirão no volume de receitas adicional.
Após nível do PEO, toda a receita adicional será convertida em lucro, na proporção da
margem de contribuição média.
63
Usamos a taxa de aplicação porque o empresário não deve levar a mercado, ao preço de
venda, uma situação de má administração conjuntural de seu negócio, que estaria associada à taxa
de captação de recursos, que elevará o preço de venda se for utilizada, tornando o item menos
competitivo no mercado.
Como exemplo, considere duas empresas vendendo m roupas em um shopping center. A
empresa A está capitalizada, de modo que não toma recursos no mercado financeiro e vende o
produto X por R$ 100,00 à vista. A empresa B toma recursos em banco, descontando os seus
títulos à taxa de 3% ao mês, e vende o mesmo produto X por R$ 100,00 à vista.
Imaginemos que ambas, para incrementar as suas vendas, precisem ampliar os prazos de
pagamento para 60 dias. A empresa A pode, perfeitamente, aplicar como multiplicador do preço à
vista um custo financeiro de 1% ao mês, visto ser essa a taxa máxima de remuneração de seu capital.
Desse modo, em uma venda a 60 dias, seu preço de venda, utilizando-se juros compostos – ou seja,
juros sobre juros –, seria de R$ 102,01, isto é, 100 X 1,01 X 1,01, ou simplesmente R$ 102,00.
A empresa B, captadora de recursos no mercado financeiro, se utilizasse as taxas de
captação, deveria vender o produto por, no mínimo, R$ 106,09. A não utilização da taxa de
aplicação levaria a empresa B a perder mercado e vendas, e – consequentemente – a depender
cada vez mais de desconto de títulos.
Outra hipótese a considerar é a situação inversa, ou seja, qual o valor real de um pagamento
a fornecedor que vencerá em 60 dias? Da mesma forma, o ganho financeiro deve ser considerado
para se avaliar a margem de contribuição real do produto. Ao analisarmos os recebimentos e
pagamentos a prazo, devemos considerar os valores corrigidos ao presente, ou seja, à vista, ao seu
Valor Presente (VP). Para tanto, devemos trazê-los do Valor Futuro (VF).
O VP equivale ao valor correspondente hoje ao preço ou custo a ser recebido ou incorrido
no futuro. O VF equivale ao valor correspondente amanhã do preço de venda ou custo incorrido
no presente. Se quisermos saber o valor que efetivamente será recebido, oriundo de uma venda a
prazo – VF –, devemos calculá-lo por meio da seguinte fórmula:
n
VF = VP × (1 + i)
onde:
VPL = valor presente;
VF = valor futuro;
i = taxa de juros no período e
n = período de tempo decorrido entre VP e VF.
É preciso atentar para o fato de que a taxa de juros deve ser sempre equivalente ao período,
ou seja, taxa mensal e períodos mensais, e taxas diárias e períodos diários.
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Custo de reposição e valor presente
Na formação de preços, o custo de matéria-prima ou de insumos a ser utilizado será sempre
o custo de reposição a valor presente. Nesse sentido, deve haver um controle automático, muito
preciso, de todos os custos de reposição dos estoques.
Ao contrário da contabilidade – que utiliza critérios de custeio baseados na entrada e saída
de mercadorias –, a preocupação na formação de preços é o custo atual dos insumos,
precisamente, o custo que deverá valer para a próxima compra. Da mesma forma que os preços de
venda, os custos dos insumos devem ser considerados a valor presente, ou seja, devem ser
computados os ganhos financeiros pelo fato de se comprar a prazo e, para tanto, devemos utilizar
a mesma taxa de juros de aplicação dos recursos.
65
Caixa = R$ 8,00
Contas a receber = zero
Caixa = zero
Contas a receber = R$ 8,00
Agora, imagine que a empresa continue vendendo uma unidade por mês, o prazo seja de 60
dias e que teremos, a partir da segunda venda, permanentemente, o valor de R$ 16 a receber:
66
A cada ampliação do prazo concedido, correspondeu um aumento em contas a receber e,
desse modo, uma necessidade maior de recursos para poder comercializar o produto. Dessa forma,
podemos definir o contas a receber como resultante da equação:
O sinal negativo não indica um valor negativo a receber, mas a notação de um investimento
no valor de R$ 16 para o financiamento da venda com prazo de 60 dias. O valor do denominador
(30), refere-se ao período mensal. Nesse sentido, esse valor variará de acordo com o período de
vendas escolhido (anual, semestral, etc.).
A segunda parcela do capital de giro refere-se ao estoque, que também implica investimento
por parte do vendedor. Nesse caso, a base de valor são os dias em que a mercadoria permanece em
estoque. No setor industrial, é necessário distinguir as diversas categorias de estoque, de matéria-
prima, produtos em elaboração e acabados. Creio que uma análise bem-criteriosa do estoque de
acabados seja suficiente para a análise, desde que não esqueçamos de somar o número de dias em
que as matérias-primas permaneçam estocadas.
No caso da Indústria X, lembrando que o custo direto unitário médio é de R$ 3,96,
considerando 15 dias de estoque de matéria-prima e embalagens, além de 20 dias de estoque de
produtos acabados, teríamos:
Desse modo, podemos calcular o valor investido no estoque para cada unidade vendida:
67
contas a pagar = (3,96 X 30 X 1)/30 = 3,96
Modelo comercial
A coluna real considera o efeito dos prazos de pagamento e recebimento, incidentes sobre os
preços de venda e custos das mercadorias. Vejamos:
preço de venda de mercado e prazo de pagamento de 30 dias;
matéria-prima com ICMS incluído, no valor de R$ 82,00, com prazo de pagamento de
20 dias;
frete de entrega, por peça, de R$ 3,00;
comissão de 2% sobre o preço de venda;
débito ICMS – produto vendido no próprio estado, com débito de ICMS de 18%;
68
crédito ICMS – mercadoria advinda de outro estado do Sul ou Sudeste, com crédito de
ICMS de 12% (percebemos que o crédito do ICMS tem valor positivo, aumentando a
margem de contribuição) e
PIS e Cofins recolhidos pelas alíquotas-padrão, incidentes sobre o preço de venda.
produto a
(valores em R$)
custo financeiro 1%
mensal
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Temos ainda:
IRPJ e CSLL, considerando-se o regime de lucro presumido, incidindo sobre o preço de
venda e considerando a alíquota de venda de mercadorias para o IRPJ;
margem de contribuição em Reais, calculada conforme a seguinte fórmula: M = PV – CV e
margem e contribuição% foram calculados com base na seguinte fórmula: % MC =
(MC/PV) x 100
Modelo serviços
Tomando como exemplo um serviço de prestação de serviços de suporte em informática,
podemos analisar as variáveis componentes do preço de venda e da margem de contribuição.
Supomos um contrato mensal de manutenção de computadores, com a alocação de um técnico
durante 10 horas mensais.
Consideramos ainda o pagamento dos salários no dia 30 de cada mês – desse modo, com
prazo médio de 15 dias. O preço do serviço é cobrado com base no mercado, isto é, R$20,00/hora.
O custo da mão de obra direta é definido do seguinte modo:
onde:
S – salário total dos empregados diretos = R$ 500,00
E – encargos sociais derivados dos salários acima = R$ 300,00
B – benefícios = R$ 100,00
n – número de empregados = 1
h – número de horas disponíveis no mês = 176
Como são despendidas 10 horas mensais no serviço, temos um custo total de R$ 51,10.
Comissão de 3% para os vendedores que obtiveram o contrato de manutenção mensal.
ISS varia de acordo com políticas municipais.
IRPJ de 4,8% e a CSLL é de 2,88% sobre o preço de serviço.
70
Tabela 15 – Exemplo: serviço
71
Modelo industrial
Vejamos, por fim, uma situação industrial, por meio da qual testamos a aplicação do IPI e
do custo da mão de obra direta industrial:
preço de venda fixado pelo mercado;
IPI de venda fixado em 10%;
matérias primas – os custos das matérias-primas A, B e C são fixados de acordo com as
composições de cada uma na formação do produto final. Por exemplo, no caso da
matéria-prima A:
onde:
S – salário total dos empregados diretos = R$ 8.000,00
E – encargos sociais derivados dos salários acima = R$ 6.400,00
B – benefícios = R$ 5.000,00
n – número de empregados = 12
h – número de horas disponíveis no mês = 176
crédito ICMS é feito a partir dos custos das matérias-primas – exceto as parcelas de IPI:
crédito A = (20/1,15) x 18% = 3,13
crédito B = (10/1,10) x 18% = 1,64
crédito C = (5/1,20) x 18% = 0,75
crédito ICMS total = R$ 5,52
débito ICMS também é calculado sem a parcela de IPI da venda, considerando a hipótese
de que o produto será vendido para posterior revenda, e
PIS, Cofins, IRPJ e CSLL são calculados sobre preço de venda, exceto a parcela de IPI.
72
Tabela 16 – Tabela de dados
custo matéria-prima
18
% débito ICMS A com IPI 20 60
custo matéria-prima
% comissão 5 B com IPI 10 30
custo matéria-prima
0,65
% PIS C com IPI 5 60
% Cofins 3
% IPI na venda 10
73
Tabela 17 – Exemplo Industrial
% m. contribuição 39 38,66
74
BIBLIOGRAFIA
ASSEF, Roberto. Gerência de preços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
CARNEIRO, Jorge et al. Formação e administração de preços. 2. ed. Revista e atualizada. Rio de
Janeiro: FGV, 2007.
KOTLER, P.; KELLER, Kevin. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2006.
NAGLE, Thomas; HOLDEN, Reed. Estratégia e táticas de preços. São Paulo: Prentice Hall, 2007.
RAJU, Jagmohan; ZHANG, Z. John. O preço inteligente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
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PROFESSOR-AUTOR
Roberto Assef é mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense
(UFF), possui MBA executivo em Finanças pelo IBMEC-RJ e pós-graduação em Marketing pela
PUC-RJ, além de ser formado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (SP).
É professor dos cursos de Pós-Graduação em Marketing, Gestão e Varejo, na Fundação
Getulio Vargas, desde 1998 e IBMEC-RJ, durante 15 anos. Consultor há mais de 20 anos, atuou
em dezenas de projetos, envolvendo precificação, custeamento e valuation, em empresas dos mais
variados portes e segmentos de atividade.
É autor dos livros Guia prático de formação de preços, Gerência de preços e Guia prático de
administração financeira, bem como do software Preço certo. Também é palestrante em entidades
patronais e Universidades, e mentor nacional do Instituto Endeavor de Empreendedorismo, entre
2010 e 2020, tendo orientado mais de 100 empresas dos mais diversos segmentos, em metodologias
de custeamento e precificação.
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