Direitos Indígenas e Constituição
Direitos Indígenas e Constituição
Na tradicional classificação dos bens públicos, as terras indígenas são consideradas bens de uso especial. (certa) CESPE - 2009 - DPE-
ES
1.2 APROFUNDANDO A ANÁLISE DO TEMA 1.031 DO STF (RE 1.017.365/SC) - TEORIA DO INDIGENATO E OUTROS ASPECTOS1
Surgiram duas principais teorias para explicar o tema:
O direito dos povos indígenas sobre as terras O marco temporal é uma tese jurídica segundo a qual os povos
tradicionalmente ocupadas é anterior à criação do indígenas têm direito de ocupar apenas as terras que ocupavam ou já
Estado brasileiro, cabendo a este apenas demarcar e disputavam na data de promulgação da Constituição de 1988.
declarar os limites territoriais.
Se a terra já foi habitada pelos índios, porém quando foi editada a CF/88
“Para essa teoria a legitimação da posse das terras o aldeamento já estava extinto, ela não será considerada terra indígena.
pelos índios decorreria de sua propriedade ‘tradicional’
Súmula 650-STF: Os incisos I e XI do art. 20 da Constituição Federal
ou ‘imemorial’ (aspecto antropológico).
não alcançam terras de aldeamentos extintos, ainda que ocupadas por
Tem-se, por meio desta, a assunção de que a posse indígenas em passado remoto.
decorreria da persistência histórica da ocupação de
Assim, se, em 05/10/1988, a área em questão não era ocupada por
determinado território pelos povos indígenas.”
índios, isso significa que ela não terá a natureza indígena de que trata
(NASCIMENTO, Filippe Augusto dos Santos. Manual de o art. 231 da CF/88.
Humanística. 3ª ed., Salvador: Juspodivm, 2023, p. 932).
É a tese defendida pelos movimentos indigenistas. É a corrente defendida pelos setores econômicos ligados à atividade
agropecuária.
O critério do marco temporal foi fixado pelo STF no conhecido caso Raposa Serra do Sol: “A Constituição Federal trabalhou
com data certa - a data da promulgação dela própria (5 de outubro de 1988) - como insubstituível referencial para o dado da
ocupação de um determinado espaço geográfico por essa ou aquela etnia aborígene; ou seja, para o reconhecimento, aos índios,
dos direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. (...) É preciso que esse estar coletivamente situado em certo
espaço fundiário também ostente o caráter da perdurabilidade, no sentido anímico e psíquico de continuidade etnográfica. A
tradicionalidade da posse nativa, no entanto, não se perde onde, ao tempo da promulgação da Lei Maior de 1988, a reocupação
apenas não ocorreu por efeito de renitente esbulho por parte de não índios. Caso das "fazendas" situadas na Terra Indígena Raposa
Serra do Sol, cuja ocupação não arrefeceu nos índios sua capacidade de resistência e de afirmação da sua peculiar presença em
todo o complexo geográfico da "Raposa Serra do Sol". STF. Plenário. Pet 3388, Rel. Min. Carlos Britto, julgado em 19-03-2009.
Posição ATUAL do STF: TEORIA DO INDIGENATO
O STF alterou seu antigo entendimento e decidiu que deve prevalecer a teoria do teoria do Indigenato, segundo a qual a posse
dos indígenas sobre as terras configura um direito próprio dos povos originários e cuja tradicionalidade da ocupação deve ser
considerada conforme os parâmetros expressamente previstos no texto constitucional (art. 231, §§ 1º e 2º, da CF/88).
Se houver ocupação tradicional indígena ou renitente esbulho contemporâneo à data de promulgação da Constituição Federal
de 1988, são assegurados aos não índios o direito à indenização pelas benfeitorias úteis e necessárias (art. 231, § 6º).
Porém, na hipótese de inexistir quaisquer dessas situações, consideram-se válidos e eficazes os atos e negócios jurídicos
perfeitos e a coisa julgada relativos a justo título ou posse de boa-fé das terras de ocupação tradicional indígena. Neste caso, o
particular tem direito a ser previamente indenizado pela União ao valor correspondente às benfeitorias necessárias e úteis, ou,
quando inviável o seu reassentamento, ao valor da terra nua.
O reconhecimento do direito às terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas não se sujeita ao marco temporal da
promulgação da Constituição Federal (5/10/1988) nem à presença de conflito físico ou controvérsia judicial existentes nessa
mesma data. STF. Plenário. RE 1.017.365/SC, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/9/2023 (Repercussão Geral – Tema 1.031) (Info 1110).
1
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Aprofundando a análise do Tema 1.031 do STF (RE 1.017.365/SC) - Teoria do Indigenato e outros aspectos. Buscador Dizer o Direito, Manaus.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 01/04/2024
1.5 EXPLORAÇÃO E O APROVEITAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS E A PESQUISA E LAVRA DE RIQUEZAS MINERAIS EM TERRAS
INDÍGENAS
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas
minerais; VUNESP - 2011 - TJ-SP – JUIZ / 2012 - TJ-DFT – JUIZ / CESPE - 2013 - TRF - 5ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL/ 2021 - PGE-RS / FCC - 2021 - DPE-AM / FGV - 2022 - TJ-AP - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO
Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do presidente da República, autorizar, em terras indígenas, a exploração e o
aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais. (errada) CESPE - 2009 - TRF - 2ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL
Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade
distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade
do produto da lavra.
§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o “caput” deste artigo somente
poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída
sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas
quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. (EC 6/95) 2012 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
É vedado o aproveitamento do potencial energético em terra indígena. (errada) FCC - 2011 - PGE-MT
Art. 231, § 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais
em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-
lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. CESPE - 2013 - TRF - 5ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL / FCC - 2013 - DPE-AM / 2014 - TRF - 4ª REGIÃO
- JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO / CESPE - 2016 - TJ-DFT – JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO / FCC - 2022 - DPE-CE / CESPE - 2023 - AGU
Conforme está previsto na CF, os recursos minerais existentes em terras indígenas pertencem à União, sendo permitido, na
forma da lei, que atividades de mineração sejam exercidas nessas áreas. (certa) CESPE - 2015 - TJ-PB – JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO
1.6 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL PARA PROCESSAR E JULGAR DISPUTAS SOBRE DIREITOS INDÍGENAS
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: XI - a disputa sobre direitos indígenas. CESPE - 2015 - TRF - 5ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL
SUBSTITUTO / 2016 - TRF - 3ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto / CESPE - 2021 - MPE-AP / CESPE - 2022 - MPE-SE / FGV - 2023 - TRF - 1ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO /
A competência da Justiça Federal para processar e julgar ações penais de delitos praticados contra indígena somente ocorre quando
o processo versa sobre questões ligadas à cultura e aos direitos sobre suas terras, ou, ainda, na hipótese de genocídio. STJ. 3ª Seção.
CC 38517-RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 24/10/2012.
Ex.: É de competência da Justiça Federal o julgamento de ação civil pública que pretenda a indenização de comunidades
indígenas. (certa) 2010 – TRF – 4ª REGIÃO – JUIZ FEDERAL
SÚMULA 140- STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure autor ou vítima.
CESPE – 2013 – TRF – 1ª REGIÃO – JUIZ FEDERAL / 2014 – DPE-PR / 2015 – MPE-SP / CESPE – 2017 – MPE-RR / 2017 – PGR – PROCURADOR DA REPÚBLICA / FCC – 2019 – TJ-AL –
JUIZ SUBSTITUTO /
Aos juízes federais compete processar e julgar os crimes praticados por índios, tanto em caso de crimes comuns quanto de
crimes que envolvam disputa sobre direitos indígenas. (errada) CESPE – 2011 – TRF – 3ª REGIÃO – JUIZ FEDERAL
Ex.: Suponha-se que um silvícola tenha cometido crime de homicídio contra outro silvícola, por motivos de ciúmes, dentro de
uma reserva indígena. Nesse caso, conforme entendimento do STF, a competência para julgar esse crime será da justiça estadual.
(certa) 2015 – PC-DF – DELEGADO DE POLÍCIA
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos
participantes do processo civilizatório nacional. FCC - 2011 - DPE-RS / 2013 - MPE-MG / FCC - 2023 - DPE-SP
O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes
do processo civilizatório nacional, e a lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes
segmentos étnicos nacionais. (certa) FCC - 2022 - MPE-PE
§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração
das ações do poder público que conduzem à: (Incluído pela EC nº 48/2005)
III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; (Incluído pela EC nº 48/2005)
A demarcação de terras indígenas tem efeito constitutivo. (errada) CESPE - 2022 - PGE-PA
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas
atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a
sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
• As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua propriedade permanente. (errada) FCC - 2022 - DPE-CE
• As comunidades indígenas são titulares do direito de propriedade sobre os seus territórios. (errada) 2022 - TRF - 4ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO
• As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios permitem-lhes o usufruto exclusivo das riquezas de solo, subsolo, rios e lagos nelas
existentes. (errada) FCC - 2012 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - JUIZ DO TRABALHO
Na relação jurídica que identifica o regime constitucional das terras indígenas, os povos são apenas depositários de bens que se
transferem entre distintas gerações, sendo a posse indígena, portanto, uma relação intertemporal. (certa) 2011 - PGE-PR
§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis.
§ 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, “ad referendum” do Congresso Nacional, em caso de
catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso
Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. VUNESP - 2011 - TJ-SP – JUIZ / 2011 - TJ-RO - JUIZ SUBSTITUTO /
2012 - TJ-DFT – JUIZ / 2016 - MPE-RS / 2021 – MPDFT /
A CF exclui do comércio jurídico as terras indígenas res extra commercium, proclamando a nulidade e declarando a extinção de
atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse de tais áreas. (certa) CESPE - 2023 - AGU
§ 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das
terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes,
ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção
direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé.
VUNESP - 2011 - TJ-SP – JUIZ / CESPE - 2014 - PGE-BA /
A existência de propriedade devidamente registrada inibe a FUNAI de investigar e demarcar terras indígenas. (errada) CESPE - 2012 -
MPE-RR
A eventual existência de registro imobiliário em nome de particular, a despeito do que dispunha o art. 859 do Código Civil de
1916 ou do que prescreve o art. 1.245 e §§ do vigente Código Civil, não torna oponível à União Federal esse título de domínio
privado, pois a Constituição da República pré-excluiu do comércio jurídico as terras indígenas (“res extra commercium”),
proclamando a nulidade e declarando a extinção de atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse de tais áreas,
considerando ineficazes, ainda, as pactuações negociais que sobre elas incidam, sem possibilidade de quaisquer consequências de
ordem jurídica, inclusive aquelas que provocam, por efeito de expressa recusa constitucional, a própria denegação do direito à
indenização ou do acesso a ações judiciais contra a União Federal, ressalvadas, unicamente, as benfeitorias derivadas da ocupação
de boa-fé. (certa) 2016 - TRF - 3ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO (STF: RMS 29193 AgR-ED, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 16/12/2014,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-032 DIVULG 18-02-2015 PUBLIC 19-02-2015)
As ações afirmativas tem natureza dúplice, pois se prestam, de um lado, a assegurar igualdade de oportunidades e, de outro,
a promover o pluralismo e a diversidade nos ambientes em que se instalam. (certa) 2015 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
A Constituição Federal, dentre os princípios basilares do ensino, inseriu o da igualdade de condições para o acesso e permanência
na escola. Sobre o tema, o pleno do Supremo Tribunal Federal (ADI nº 3330/DF, de 03/05/2012), decidiu pela constitucionalidade
Art. 3º Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de que trata o art. 1º desta Lei serão preenchidas, por curso e
turno, por autodeclarados pretos, pardos, indígenas e quilombolas e por pessoas com deficiência, nos termos da legislação, em
proporção ao total de vagas no mínimo igual à proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas e quilombolas e de pessoas com
deficiência na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo da Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (Redação dada pela Lei nº 14.723, de 2023)
A RESOLUÇÃO Nº 512 CNJ dispõe sobre a reserva aos indígenas, no âmbito do Poder Judiciário, de ao menos 3% (três por
cento), das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e de ingresso na Magistratura.
1.13 ALISTAMENTO ELEITORAL DE INDÍGENA
É facultativo o alistamento eleitoral de indígena que não fale português. (certa) CESPE - 2022 - TJ-MA - JUIZ SUBSTITUTO
Alistamento. Voto. Indígena. Categorização estabelecida em lei especial. 'Isolado'. 'Em vias de integração'. Inexistência. Óbice
legal. Caráter facultativo. Possibilidade. Exibição. Documento. Registro Civil de Nascimento ou administrativo da FUNAI. 1. A atual
ordem constitucional, ao ampliar o direito à participação política dos cidadãos, restringindo o alistamento somente aos estrangeiros
e aos conscritos, enquanto no serviço militar obrigatório, e o exercício do voto àqueles que tenham suspensos seus direitos políticos,
assegurou-os, em caráter facultativo, a todos os indígenas, independentemente da categorização estabelecida na legislação especial
infraconstitucional anterior, observadas as exigências de natureza constitucional e eleitoral pertinentes à matéria, como a
nacionalidade brasileira e a idade mínima. 2. Os índios que venham a se alfabetizar, devem se inscrever como eleitores, não
estando sujeitos ao pagamento de multa pelo alistamento extemporâneo, de acordo com a orientação prevista no art. 16, parágrafo
único, da Res.-TSE 21.538, de 2003. 3. Para o ato de alistamento, faculta-se aos indígenas que não disponham do documento de
registro civil de nascimento a apresentação do congênere administrativo expedido pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI).”
(Ac. de 6.12.2011 no PA nº 180681, rel. Min. Nancy Andrighi.)
1.14 MULTICULTURALISMO
A Constituição de 88 abre-se ao multiculturalismo, ao reconhecer direitos culturais aos povos tradicionais, dentre os quais o
respeito e a valorização dos seus modos próprios de criar, fazer e viver. (certa) 2011 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
O multiculturalismo se faz presente nos dispositivos constitucionais que tratam da proteção da cultura, a exemplo da previsão
concernente à obrigação do Estado de proteger as manifestações culturais dos diferentes grupos sociais e étnicos, incluindo
indígenas e afro-brasileiros, que formam a sociedade brasileira. (certa) 2011 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
O tratamento constitucional da atualidade no que se refere à questão indígena tem como seu pressuposto central o pluralismo.
(certa) 2013 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
a) aos povos tribais em países independentes, cujas condições sociais, culturais e econômicas os distingam de outros setores
da coletividade nacional, e que estejam regidos, total ou parcialmente, por seus próprios costumes ou tradições ou por legislação
especial;
Obs.: Considerando a Convenção n.º 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) acerca de povos indígenas e tribais, os
quilombolas são grupos culturalmente diferenciados da grande sociedade e se reconhecem como tais, apesar de não
corresponderem exatamente ao conceito de povos tribais, tampouco ao de indígenas. (certa) CESPE - 2022 - DPE-TO
A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata dos direitos dos povos indígenas e tribais, tem
sido aplicada no contexto brasileiro para abranger também as comunidades quilombolas. (certa) 2015 - PGE-PR
• A Convenção nº 169 da OIT é aplicável a todos os povos indígenas, mas não contempla as comunidades quilombolas em território nacional.
(errada) CESPE - 2023 - MPE-BA
Uma comunidade quilombola residia em uma determinada área rural, desde tempos ancestrais. No local, em 2022, foi criada
unidade de conservação de proteção integral, sem consulta prévia à comunidade. Após a implementação da unidade, passou a ser
vedada a residência de pessoas no local. Como alternativa, foi ofertada à comunidade a concessão de auxílio aluguel. No caso
apresentado e à luz da proteção dos direitos humanos das comunidades quilombolas, a consulta prévia não era necessária, pois
aplicável apenas aos povos indígenas, de acordo com o previsto na Convenção 169 da OIT. (errada) FCC - 2023 - DPE-SP
b) aos povos em países independentes, considerados indígenas pelo fato de descenderem de populações que habitavam o país
ou uma região geográfica pertencente ao país na época da conquista ou da colonização ou do estabelecimento das atuais fronteiras
estatais e que, seja qual for sua situação jurídica, conservam todas as suas próprias instituições sociais, econômicas, culturais e
políticas, ou parte delas.
2. A consciência de sua identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério fundamental para determinar os grupos
aos que se aplicam as disposições da presente Convenção.
3. A utilização do termo “povos” na presente Convenção não deverá ser interpretada no sentido de ter implicação alguma no que
se refere aos direitos que possam ser conferidos a esse termo no direito internacional.
Artigo 2º
1. Os governos deverão assumir a responsabilidade de desenvolver, com a participação dos povos interessados, uma ação
coordenada e sistemática com vistas a proteger os direitos desses povos e a garantir o respeito pela sua integridade.
a) que assegurem aos membros desses povos o gozo, em condições de igualdade, dos direitos e oportunidades que a legislação
nacional outorga aos demais membros da população;
b) que promovam a plena efetividade dos direitos sociais, econômicos e culturais desses povos, respeitando a sua identidade
social e cultural, os seus costumes e tradições, e as suas instituições;
c) que ajudem os membros dos povos interessados a eliminar as diferenças sócio-econômicas que possam existir entre os
membros indígenas e os demais membros da comunidade nacional, de maneira compatível com suas aspirações e formas de vida.
1. Os povos indígenas e tribais deverão gozar plenamente dos direitos humanos e liberdades fundamentais, sem obstáculos nem
discriminação. As disposições desta Convenção serão aplicadas sem discriminação aos homens e mulheres desses povos.
2. Não deverá ser empregada nenhuma forma de força ou de coerção que viole os direitos humanos e as liberdades fundamentais
dos povos interessados, inclusive os direitos contidos na presente Convenção.
Artigo 4º
1. Deverão ser adotadas as medidas especiais que sejam necessárias para salvaguardar as pessoas, as instituições, os bens, as
culturas e o meio ambiente dos povos interessados.
2. Tais medidas especiais não deverão ser contrárias aos desejos expressos livremente pelos povos interessados.
3. O gozo sem discriminação dos direitos gerais da cidadania não deverá sofrer nenhuma deterioração como consequência dessas
medidas especiais.
Artigo 5º
a) deverão ser reconhecidos e protegidos os valores e práticas sociais, culturais religiosos e espirituais próprios dos povos
mencionados e dever-se-á levar na devida consideração a natureza dos problemas que lhes sejam apresentados, tanto coletiva
como individualmente;
b) deverá ser respeitada a integridade dos valores, práticas e instituições desses povos;
c) deverão ser adotadas, com a participação e cooperação dos povos interessados, medidas voltadas a aliviar as dificuldades que
esses povos experimentam ao enfrentarem novas condições de vida e de trabalho.
Conforme disposição da OIT, os povos indígenas deverão ser consultados sempre que sejam previstas medidas legislativas ou
administrativas capazes de afetá-los diretamente. (certa) CESPE - 2017 - DPE-AC
Artigo 6º
a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições
representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente; CESPE
- 2022 - DPE-PA
b) estabelecer os meios através dos quais os povos interessados possam participar livremente, pelo menos na mesma medida
que outros setores da população e em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições efetivas ou organismos
administrativos e de outra natureza responsáveis pelas políticas e programas que lhes sejam concernentes;
c) estabelecer os meios para o pleno desenvolvimento das instituições e iniciativas dos povos e, nos casos apropriados, fornecer
os recursos necessários para esse fim.
2. As consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às
circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas.
O direito à consulta prévia, livre, informada e de boa-fé encontra previsão na Convenção 169, da Organização Internacional do
Trabalho, bem como na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. (certa) 2021 - MPE-PR
Os Estados devem consultar ativamente e de maneira fundamentada os povos indígenas interessados antes de adotar e aplicar
medidas legislativas e administrativas que os afetem. Além disso, as consultas devem realizar-se de boa-fé, por meio de
procedimentos culturalmente adequados, e devem ter por finalidade chegar a um acordo. (certa) 2022 - TRF - 4ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO
Cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetar os povos indígenas, comunidades
quilombolas e outras comunidades tradicionais, é dever do Estado lhes garantir o direito de consulta livre, prévia e informada. (certa)
2022 - TRF - 3ª REGIÃO - JUIZ SUBSTITUTO
O Procurador da República Y, titular de ofício com atribuição de proteção dos direitos dos povos indígenas, recebeu notícia de
lideranças do povo indígena X de que estaria sendo construído, no entorno da terra indígena habitada pela comunidade,
empreendimento capaz de impactar o modo de vida e a sobrevivência do grupo, tendo em vista o aumento do fluxo de trânsito na
região e o consequente afugentamento da caça, além do desvio de curso d’água. Em momento anterior ao início das obras, o
empreendedor realizou uma reunião com as lideranças indígenas, dando-lhes ciência do empreendimento e ponderando que os
benefícios para a comunidade indígena superariam eventuais prejuízos. Não foi possível qualquer forma de conciliação.
Artigo 7º
1. Os povos interessados deverão ter o direito de escolher suas, próprias prioridades no que diz respeito ao processo de
desenvolvimento, na medida em que ele afete as suas vidas, crenças, instituições e bem-estar espiritual, bem como as terras que
ocupam ou utilizam de alguma forma, e de controlar, na medida do possível, o seu próprio desenvolvimento econômico, social e
cultural. Além disso, esses povos deverão participar da formulação, aplicação e avaliação dos planos e programas de
desenvolvimento nacional e regional suscetíveis de afetá-los diretamente.
2. A melhoria das condições de vida e de trabalho e do nível de saúde e educação dos povos interessados, com a sua participação
e cooperação, deverá ser prioritária nos planos de desenvolvimento econômico global das regiões onde eles moram. Os projetos
especiais de desenvolvimento para essas regiões também deverão ser elaborados de forma a promoverem essa melhoria.
3. Os governos deverão zelar para que, sempre que for possível, sejam efetuados estudos junto aos povos interessados com o
objetivo de se avaliar a incidência social, espiritual e cultural e sobre o meio ambiente que as atividades de desenvolvimento,
previstas, possam ter sobre esses povos. Os resultados desses estudos deverão ser considerados como critérios fundamentais
para a execução das atividades mencionadas.
4. Os governos deverão adotar medidas em cooperação com os povos interessados para proteger e preservar o meio ambiente
dos territórios que eles habitam.
O Estado deverá zelar para sejam efetuados estudos junto aos povos indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades
tradicionais, com o objetivo de se avaliar a incidência social, espiritual e cultural que as atividades submetidas ao licenciamento
ambiental possam ter sobre esses povos e comunidades. (certa) 2022 - TRF - 3ª REGIÃO - JUIZ SUBSTITUTO
É possível haver compatibilidade entre meio ambiente e terras indígenas, ainda que estas envolvam áreas de conservação
ambiental e/ou áreas de preservação ambiental. Esta compatibilidade é que autoriza a dupla afetação, sob a administração do
competente órgão ambiental, devendo-se observar a Convenção nº 169 da OIT, especialmente quanto à necessidade da consulta
livre, prévia e informada dos povos indígenas na elaboração do plano de administração conjunta ou gestão compartilhada do espaço
ambientalmente protegido. (certa) 2022 - TRF - 3ª REGIÃO - JUIZ SUBSTITUTO
A OIT determina que, em caso de conflito, a garantia dos direitos humanos prevalecerá sobre a proteção dos costumes das
sociedades indígenas. (certa) CESPE - 2017 - DPE-AC
Artigo 8º
1. Ao aplicar a legislação nacional aos povos interessados deverão ser levados na devida consideração seus costumes ou seu
direito consuetudinário.
2. Esses povos deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que eles não sejam incompatíveis
com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente
reconhecidos. Sempre que for necessário, deverão ser estabelecidos procedimentos para se solucionar os conflitos que possam
surgir na aplicação deste princípio.
3. A aplicação dos parágrafos 1 e 2 deste Artigo não deverá impedir que os membros desses povos exerçam os direitos
reconhecidos para todos os cidadãos do país e assumam as obrigações correspondentes.
Artigo 9º
1. Na medida em que isso for compatível com o sistema jurídico nacional e com os direitos humanos internacionalmente
reconhecidos, deverão ser respeitados os métodos aos quais os povos interessados recorrem tradicionalmente para a repressão
dos delitos cometidos pelos seus membros.
2. As autoridades e os tribunais solicitados para se pronunciarem sobre questões penais deverão levar em conta os costumes
dos povos mencionados a respeito do assunto.
A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho determina aos Estados que respeitem a repressão aos delitos
pelos métodos dos povos indígenas, mesmo que tais métodos sejam incompatíveis com os direitos humanos inseridos nas normas
internacionais. (errada) 2017 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
Há exatos trinta anos, um novo tratado internacional sobre os direitos dos povos indígenas e tribais entrou em vigor no mundo:
a Convenção 169 da OIT, um dos braços da ONU. Com referência a essa importante convenção, a convenção em apreço deverá ser
aplicada a questões de ordem penal relativas aos povos indígenas. (certa) CESPE - 2022 - DPE-PA
1. Quando sanções penais sejam impostas pela legislação geral a membros dos povos mencionados, deverão ser levadas em
conta as suas características econômicas, sociais e culturais.
Artigo 11
A lei deverá proibir a imposição, a membros dos povos interessados, de serviços pessoais obrigatórios de qualquer natureza,
remunerados ou não, exceto nos casos previstos pela lei para todos os cidadãos.
Artigo 12
Os povos interessados deverão ter proteção contra a violação de seus direitos, e poder iniciar procedimentos legais, seja
pessoalmente, seja mediante os seus organismos representativos, para assegurar o respeito efetivo desses direitos. Deverão ser
adotadas medidas para garantir que os membros desses povos possam compreender e se fazer compreender em procedimentos
legais, facilitando para eles, se for necessário, intérpretes ou outros meios eficazes.
Artigo 15
1. Os direitos dos povos interessados aos recursos naturais existentes nas suas terras deverão ser especialmente protegidos. Esses
direitos abrangem o direito desses povos a participarem da utilização, administração e conservação dos recursos mencionados.
2. Em caso de pertencer ao Estado a propriedade dos minérios ou dos recursos do subsolo, ou de ter direitos sobre outros recursos,
existentes nas terras, os governos deverão estabelecer ou manter procedimentos com vistas a consultar os povos interessados, a
fim de se determinar se os interesses desses povos seriam prejudicados, e em que medida, antes de se empreender ou autorizar
qualquer programa de prospecção ou exploração dos recursos existentes nas suas terras. Os povos interessados deverão participar
sempre que for possível dos benefícios que essas atividades produzam, e receber indenização equitativa por qualquer dano que
possam sofrer como resultado dessas atividades.
Artigo 39
1. Todo Membro que tenha ratificado a presente Convenção poderá denunciá-la após a expiração de um período de 10 (dez) anos
contados da entrada em vigor mediante ato comunicado ao Diretor-Geral da Repartição Internacional do Trabalho e por ele
registrado. A denúncia só surtirá efeito 1 (um) ano após o registro.
2. Todo Membro que tenha ratificado a presente Convenção e não fizer uso da faculdade de denúncia prevista pelo parágrafo
precedente dentro do prazo de um ano após a expiração do período de dez anos previsto pelo presente Artigo, ficará obrigado por
um novo período de 10 (dez) anos e, posteriormente, poderá denunciar a presente Convenção ao expirar cada período de 10 (dez)
anos, nas condições previstas no presente Artigo. CESPE - 2022 - DPE-PA
São consideradas, para fins de apuração da aplicação dos valores mínimos a serem destinados, anualmente, pela União, Estados,
Distrito Federal e Municípios com ações e serviços públicos de saúde, as despesas decorrentes de: saneamento básico dos distritos
sanitários especiais indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos. (certa) 2019 - MPE-PR
Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados para o atendimento das populações indígenas, em todo o território nacional,
coletiva ou individualmente, obedecerão ao disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
Art. 19-B. É instituído um Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, componente do Sistema Único de Saúde – SUS, criado e
definido por esta Lei, e pela Lei no 8.142/1990, com o qual funcionará em perfeita integração. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos próprios, financiar o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. (Incluído pela Lei nº
9.836/1999)
As prestações sanitárias, pelo Estado brasileiro, a populações indígenas no Brasil, nos termos da lei, são compreendidas como
parte do subsistema de saúde indígena dentro do SUS, com responsabilidade preponderante da União. (certa) CESPE - 2023 - DPE-RO
Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação do Subsistema instituído por esta Lei com os órgãos responsáveis pela Política Indígena
do País. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
O Subsistema de Atenção à Saúde do Indígena, componente do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a Lei nº 8.080/1990,
promoverá a articulação do SUS com os órgãos responsáveis pela política indígena no País. (certa) FCC - 2018 - DPE-AM
Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras instituições governamentais e não-governamentais poderão atuar complementarmente
no custeio e execução das ações. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
§ 1º A União instituirá mecanismo de financiamento específico para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, sempre que
houver necessidade de atenção secundária e terciária fora dos territórios indígenas. (Incluído pela Lei nº 14.021/2020)
§ 2º Em situações emergenciais e de calamidade pública: (Incluído pela Lei nº 14.021/2020)
I - a União deverá assegurar aporte adicional de recursos não previstos nos planos de saúde dos Distritos Sanitários Especiais
Indígenas (Dseis) ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena; (Incluído pela Lei nº 14.021/2020)
II - deverá ser garantida a inclusão dos povos indígenas nos planos emergenciais para atendimento dos pacientes graves das
Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, explicitados os fluxos e as referências para o atendimento em tempo oportuno. (Incluído
pela Lei nº 14.021/2020)
Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em consideração a realidade local e as especificidades da cultura dos povos indígenas
e o modelo a ser adotado para a atenção à saúde indígena, que se deve pautar por uma abordagem diferenciada e global,
contemplando os aspectos de assistência à saúde, saneamento básico, nutrição, habitação, meio ambiente, demarcação de terras,
educação sanitária e integração institucional. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena deverá ser, como o SUS, descentralizado, hierarquizado e
regionalizado. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
§ 1º O Subsistema de que trata o caput deste artigo terá como base os Distritos Sanitários Especiais Indígenas. (Incluído pela Lei nº
9.836/1999)
§ 1º-A. A rede do SUS deverá obrigatoriamente fazer o registro e a notificação da declaração de raça ou cor, garantindo a identificação
de todos os indígenas atendidos nos sistemas públicos de saúde. (Incluído pela Lei nº 14.021/2020)
§ 1º-B. A União deverá integrar os sistemas de informação da rede do SUS com os dados do Subsistema de Atenção à Saúde
Indígena. (Incluído pela Lei nº 14.021/2020)
§ 2º O SUS servirá de retaguarda e referência ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, devendo, para isso, ocorrer adaptações
na estrutura e organização do SUS nas regiões onde residem as populações indígenas, para propiciar essa integração e o
atendimento necessário em todos os níveis, sem discriminações. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
§ 3º As populações indígenas devem ter acesso garantido ao SUS, em âmbito local, regional e de centros especializados, de
acordo com suas necessidades, compreendendo a atenção primária, secundária e terciária à saúde. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a participar dos organismos colegiados de formulação, acompanhamento e
avaliação das políticas de saúde, tais como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde, quando
for o caso. (Incluído pela Lei nº 9.836/1999)
Entre outras exigências legais, criança ou adolescente indígenas ou provenientes de comunidade remanescente de quilombo
encaminhados para adoção, tutela ou guarda devem prioritariamente ser colocados em família substituta de sua comunidade ou
junto a membros da mesma etnia. (certa) CESPE - 2016 - TJ-AM - JUIZ SUBSTITUTO
6º Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de comunidade remanescente de quilombo, é ainda
obrigatório: (Incluído pela Lei nº 12.010/2009) 2016 - MPE-GO / 2017 - MPE-PR /
I - que sejam consideradas e respeitadas sua identidade social e cultural, os seus costumes e tradições, bem como suas instituições,
desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela Constituição Federal; (Incluído
pela Lei nº 12.010/2009) CESPE - 2017 - DPE-AL / 2021 - MPE-PR / CESPE - 2023 - MPE-AM
• Crianças ou adolescentes indígenas podem ser adotados, desde que sejam considerados e respeitados seus costumes e tradições, ainda
que incompatíveis com os direitos fundamentais reconhecidos pela CF. (errada) CESPE - 2011 - TJ-ES - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO
II - que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de sua comunidade ou junto a membros da mesma etnia; (Incluído pela Lei
nº 12.010/2009) 2014 - MPE-MA / CESPE - 2023 - MPE-AM
• A colocação de criança indígena em família substituta deve ocorrer obrigatoriamente no seio de sua comunidade, respeitados seus costumes
e tradições. (errada) FGV - 2013 - TJ-AM – JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO / FCC - 2014 - TJ-CE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO
III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, no caso de crianças e
adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante a equipe interprofissional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso. (Incluído
pela Lei nº 12.010/2009)
A colocação em família substituta faz-se mediante guarda, tutela ou adoção, sendo obrigatório, no caso de criança ou adolescente
indígena ou proveniente de comunidade remanescente de quilombo, que se considerem e respeitem a sua identidade social e
cultural, os seus costumes e tradições e as suas instituições, desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais
reconhecidos pela CF e pelo ECA. (certa) CESPE - 2012 - TJ-PA - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO
Art. 155. O procedimento para a perda ou a suspensão do poder familiar terá início por provocação do Ministério Público ou de
quem tenha legítimo interesse. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Art. 157. Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar a suspensão do poder familiar ,
liminar ou incidentalmente, até o julgamento definitivo da causa, ficando a criança ou adolescente confiado a pessoa idônea, mediante
termo de responsabilidade. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010/2009) Vigência
§ 1º Recebida a petição inicial, a autoridade judiciária determinará, concomitantemente ao despacho de citação e independentemente
de requerimento do interessado, a realização de estudo social ou perícia por equipe interprofissional ou multidisciplinar para
comprovar a presença de uma das causas de suspensão ou destituição do poder familiar, ressalvado o disposto no § 10 do art. 101
desta Lei, e observada a Lei nº 13.431/2017. (Incluído pela Lei nº 13.509/2017)
§ 2º Em sendo os pais oriundos de comunidades indígenas, é ainda obrigatória a intervenção, junto à equipe interprofissional ou
multidisciplinar referida no § 1º deste artigo, de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, observado
o disposto no § 6 o do art. 28 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.509/2017) VUNESP - 2023 - MPE-SP
Ex.: No caso de suspensão do poder familiar de criança indígena, a norma de regência autoriza igualmente a decretação, liminar
ou incidental, da medida, até o julgamento definitivo da causa, desde que esteja presente motivo grave, ouvido o MP, ordenando-se
que a criança fique confiada a pessoa idônea, prioritariamente no seio de sua comunidade ou junto a membros da mesma etnia,
mediante termo de responsabilidade, entre outras exigências legais. (certa) CESPE - 2013 - DPE-RR
I - Índio ou Silvícola - É todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que se identifica e é identificado como
pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional;
II - Comunidade Indígena ou Grupo Tribal - É um conjunto de famílias ou comunidades índias, quer vivendo em estado de
completo isolamento em relação aos outros setores da comunhão nacional, quer em contatos intermitentes ou permanentes, sem
contudo estarem neles integrados.
I - ISOLADOS - Quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos informes através de contatos
eventuais com elementos da comunhão nacional;
II - EM VIAS DE INTEGRAÇÃO - Quando, em contato intermitente ou permanente com grupos estranhos, conservam menor ou
maior parte das condições de sua vida nativa, mas aceitam algumas práticas e modos de existência comuns aos demais setores
da comunhão nacional, da qual vão necessitando cada vez mais para o próprio sustento;
III - INTEGRADOS - Quando incorporados à comunhão nacional e reconhecidos no pleno exercício dos direitos civis, ainda que
conservem usos, costumes e tradições característicos da sua cultura.
Art. 2° Cumpre à União, aos Estados e aos Municípios, bem como aos órgãos das respectivas administrações indiretas, nos limites
de sua competência, para a proteção das comunidades indígenas e a preservação dos seus direitos:
I - estender aos índios os benefícios da legislação comum, sempre que possível a sua aplicação;
II - prestar assistência aos índios e às comunidades indígenas ainda não integrados à comunhão nacional;
III - respeitar, ao proporcionar aos índios meios para o seu desenvolvimento, as peculiaridades inerentes à sua condição;
IV - assegurar aos índios a possibilidade de livre escolha dos seus meios de vida e subsistência;
V - garantir aos índios a permanência voluntária no seu habitat , proporcionando-lhes ali recursos para seu desenvolvimento e
progresso;
VI - respeitar, no processo de integração do índio à comunhão nacional, a coesão das comunidades indígenas, os seus valores
culturais, tradições, usos e costumes;
VII - executar, sempre que possível mediante a colaboração dos índios, os programas e projetos tendentes a beneficiar as
comunidades indígenas;
VIII - utilizar a cooperação, o espírito de iniciativa e as qualidades pessoais do índio, tendo em vista a melhoria de suas condições
de vida e a sua integração no processo de desenvolvimento;
IX - garantir aos índios e comunidades indígenas, nos termos da Constituição Federal, a posse permanente das terras
tradicionalmente ocupadas em 5 de outubro de 1988, reconhecendo-lhes o direito ao usufruto exclusivo das riquezas naturais e
de todas as utilidades naquelas terras existentes; (Redação dada pela Lei nº 14.701/2023)
X - garantir aos índios o pleno exercício dos direitos civis e políticos que em face da legislação lhes couberem.
Art. 14. Não haverá discriminação entre trabalhadores indígenas e os demais trabalhadores, aplicando-se-lhes todos os direitos
e garantias das leis trabalhistas e de previdência social.
Parágrafo único. É permitida a adaptação de condições de trabalho aos usos e costumes da comunidade a que pertencer o índio.
Não haverá discriminação entre trabalhadores indígenas e os demais trabalhadores, aplicando-se-lhes todos os direitos e
garantias das leis trabalhistas e de previdência social e, diante disso, não é cabível a adaptação das condições de trabalho aos usos
e aos costumes da comunidade a que pertencer o índio. (errada) 2012 - TRT - 8ª REGIÃO (PA E AP) - JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO / 2014 - TRT - 8ª REGIÃO
(PA E AP) - JUIZ DO TRABALHO
Art. 15. Será nulo o contrato de trabalho ou de locação de serviços realizado com os índios de que trata o artigo 4°, I.
Art. 4º Os índios são considerados: I - ISOLADOS - Quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos
informes através de contatos eventuais com elementos da comunhão nacional; 2016 - TRT - 4ª REGIÃO (RS) - JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO
O contrato de trabalho firmado com indígena isolado é anulável. (errada) 2015 - TRT - 2ª REGIÃO (SP) - JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO
Art. 56. No caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua aplicação o Juiz atenderá também
ao grau de integração do silvícola.
Parágrafo único. As penas de reclusão e de detenção serão cumpridas, se possível, em regime especial de semiliberdade, no
local de funcionamento do órgão federal de assistência aos índios mais próximos da habitação do condenado. FCC - 2018 - DPE-RS
Segundo o Estatuto do Índio, penas de reclusão e detenção do indígena devem ser cumpridas, sempre que possível, em regime
de semiliberdade, em órgão federal de assistência aos índios. O Superior Tribunal de Justiça, no HC 124.622, decidiu que a
possibilidade se estende, também, à custódia cautelar. (certa) 2013 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares
contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte.
DOS CRIMES CONTRA OS ÍNDIOS
Art. 58. Constituem crimes contra os índios e a cultura indígena:
I - escarnecer de cerimônia, rito, uso, costume ou tradição culturais indígenas, vilipendiá-los ou perturbar, de qualquer modo, a sua
prática. Pena - detenção de um a três meses;
II - utilizar o índio ou comunidade indígena como objeto de propaganda turística ou de exibição para fins lucrativos. Pena - detenção
de dois a seis meses;
III - propiciar, por qualquer meio, a aquisição, o uso e a disseminação de bebidas alcoólicas, nos grupos tribais ou entre índios não
integrados. Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. As penas estatuídas neste artigo são agravadas de um terço, quando o crime for praticado por funcionário ou
empregado do órgão de assistência ao índio.
O Estatuto do Índio, ao tipificar crimes contra os índios e contra a cultura indígena, não define um tipo especial de homicídio
contra o índio, mas prevê causa especial de aumento da pena no caso de crime contra a pessoa, o patrimônio ou os costumes, no
qual o ofendido seja índio não integrado ou comunidade indígena. (certa) CESPE - 2013 - TRF - 1ª REGIÃO - JUIZ FEDERAL
Art. 59. No caso de crime contra a pessoa, o patrimônio ou os costumes, em que o ofendido seja índio não integrado ou comunidade
indígena, a pena será agravada de um terço.
Segundo o Estatuto do Índio (Lei n° 6.001/1973), no caso de crime cometido contra comunidade indígena, a pena será agravada
de um sexto. (errada) FCC - 2018 - DPE-AM
6. PIDESC E PIDCP
O direito à autodeterminação dos povos integra os direitos civis e políticos e os direitos econômicos, sociais e culturais, por
força dos pactos internacionais respectivos, de 1966. (certa) 2011 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
Artigo 1º § 1. Todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente seu
estatuto político e asseguram livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.
7. AG/RES. 2961 (L-O/20) - PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
1. Afirmar a importância fundamental do serviço de defensoria jurídica gratuita prestado pelas Defensorias Públicas Oficiais das
Américas para a promoção e a proteção do direito de acesso à justiça para todas as pessoas, particularmente aquelas em situação
de vulnerabilidade, o que constitui um aspecto essencial para a consolidação da democracia, e destacar o trabalho dos(as)
Defensores(as) Públicos(as) Oficiais das Américas no contexto da pandemia de covid-19, especialmente no que diz respeito às
pessoas privadas de liberdade, a fim de garantir condições de higiene e acesso efetivo à saúde para esse grupo vulnerável, entre
outras questões.
2. Incentivar os Estados membros a que, de acordo com suas legislações e políticas nacionais e, em particular, as instituições
de defensoria pública oficial, garantam o acesso à justiça com uma abordagem intercultural para o exercício efetivo de todos os
direitos humanos dos povos indígenas, especialmente seus direitos econômicos, sociais e culturais.
A Organização dos Estados Americanos resolveu, no ano de 2020, por meio de sua Assembleia Geral, incentivar os Estados
membros, de acordo com suas legislações e políticas nacionais e, em particular, as instituições oficiais de Defensoria Pública oficial,
a que garantam o acesso à justiça com uma abordagem intercultural para o exercício efetivo de todos os direitos humanos dos
povos indígenas, especialmente seus direitos econômicos, sociais e culturais. (certa) FCC - 2022 - DPE-MT
Artigo 3
Os povos indígenas têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito determinam livremente sua condição política e buscam
livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.
Artigo 4
Os povos indígenas, no exercício do seu direito à autodeterminação, têm direito à autonomia ou ao autogoverno nas questões
relacionadas a seus assuntos internos e locais, assim como a disporem dos meios para financiar suas funções autônomas.
Artigo 14
1. Os povos indígenas têm o direito de estabelecer e controlar seus sistemas e instituições educativos, que ofereçam educação em
seus próprios idiomas, em consonância com seus métodos culturais de ensino e de aprendizagem.
2. Os indígenas, em particular as crianças, têm direito a todos os níveis e formas de educação do Estado, sem discriminação.
3. Os Estados adotarão medidas eficazes, junto com os povos indígenas, para que os indígenas, em particular as crianças, inclusive
as que vivem fora de suas comunidades, tenham acesso, quando possível, à educação em sua própria cultura e em seu próprio
idioma. FCC - 2021 - DPE-SC
A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas garante o direito de os povos indígenas manterem e
desenvolverem seus sistemas ou instituições políticas, econômicas e sociais, e que lhes seja assegurado o desfrute de seus próprios
meios de subsistência e desenvolvimento e de dedicar-se livremente a todas as suas atividades econômicas, tradicionais e de outro
tipo. (certa) FCC - 2021 - DPE-SC
Artigo 19
Os Estados consultarão e cooperarão de boa-fé com os povos indígenas interessados, por meio de suas instituições representativas,
a fim de obter seu consentimento livre, prévio e informado antes de adotar e aplicar medidas legislativas e administrativas que os
afetem.
• De acordo com a Declaração da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, os povos indígenas têm o direito à
consulta prévia, mas não possuem o direito ao consentimento prévio antes da adoção e aplicação de medidas legislativas e administrativas
que os afetem. (errada) 2022 - TRF - 3ª REGIÃO - JUIZ SUBSTITUTO
Artigo 20
1. Os povos indígenas têm o direito de manter e desenvolver seus sistemas ou instituições políticas, econômicas e sociais, de que
lhes seja assegurado o desfrute de seus próprios meios de subsistência e desenvolvimento e de dedicar-se livremente a todas as
suas atividades econômicas, tradicionais e de outro tipo.
2. Os povos indígenas privados de seus meios de subsistência e desenvolvimento têm direito a uma reparação justa e eqüitativa.
Artigo 30
1. Não se desenvolverão atividades militares nas terras ou territórios dos povos indígenas, a menos que essas atividades sejam
justificadas por um interesse público pertinente ou livremente decididas com os povos indígenas interessados, ou por estes
solicitadas.
2. Os Estados realizarão consultas eficazes com os povos indígenas interessados, por meio de procedimentos apropriados e, em
particular, por intermédio de suas instituições representativas, antes de utilizar suas terras ou territórios para atividades militares.
O direito à autodeterminação dos povos indígenas, no direito internacional, não autoriza, nos termos do art. 46 da Declaração
da ONU sobre Direitos dos Povos indígenas, o desmembramento territorial do estado em cujo território vivem, nem a ação de
outros estados contra sua integridade territorial. (certa) 2012 - PGR - PROCURADOR DA REPÚBLICA
Acerca de biodiversidade, patrimônio genético e conhecimento tradicional associado, o conhecimento tradicional associado ao
patrimônio genético decorrente de práticas das comunidades indígenas nacionais integra o patrimônio cultural brasileiro. (certa) CESPE
- 2016 - TJ-AM - JUIZ SUBSTITUTO
Art. 10. Às populações indígenas, às comunidades tradicionais e aos agricultores tradicionais que criam, desenvolvem, detêm ou
conservam conhecimento tradicional associado são garantidos os direitos de:
I - ter reconhecida sua contribuição para o desenvolvimento e conservação de patrimônio genético, em qualquer forma de
publicação, utilização, exploração e divulgação;
II - ter indicada a origem do acesso ao conhecimento tradicional associado em todas as publicações, utilizações, explorações e
divulgações;
III - perceber benefícios pela exploração econômica por terceiros, direta ou indiretamente, de conhecimento tradicional
associado, nos termos desta Lei;
IV - participar do processo de tomada de decisão sobre assuntos relacionados ao acesso a conhecimento tradicional associado
e à repartição de benefícios decorrente desse acesso, na forma do regulamento;
V - usar ou vender livremente produtos que contenham patrimônio genético ou conhecimento tradicional associado,
observados os dispositivos das Leis nºs 9.456/1997(Proteção de Cultivares), e 10.711/2003 (Sistema Nacional de Sementes e
Mudas); e
VI - conservar, manejar, guardar, produzir, trocar, desenvolver, melhorar material reprodutivo que contenha patrimônio
genético ou conhecimento tradicional associado.
§ 1º Para os fins desta Lei, qualquer conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético será considerado de natureza
coletiva, ainda que apenas um indivíduo de população indígena ou de comunidade tradicional o detenha.
§ 2º O patrimônio genético mantido em coleções ex situ em instituições nacionais geridas com recursos públicos e as informações
a ele associadas poderão ser acessados pelas populações indígenas, pelas comunidades tradicionais e pelos agricultores tradicionais,
na forma do regulamento.
10. RESOLUÇÃO CONJUNTA Nº 3 DE 19/04/2012 - DISPÕE SOBRE O ASSENTO DE NASCIMENTO DE INDÍGENA NO REGISTRO CIVIL
DAS PESSOAS NATURAIS
Art. 1º O assento de nascimento de indígena não integrado no Registro Civil das Pessoas Naturais é facultativo.
Art. 2º. No assento de nascimento do indígena, integrado ou não, deve ser lançado, a pedido do apresentante, o nome indígena do
registrando, de sua livre escolha, não sendo caso de aplicação do art. 55, parágrafo único da Lei nº 6.015/73. FCC - 2021 - DPE-BA
§ 1º. No caso de registro de indígena, a etnia do registrando pode ser lançada como sobrenome, a pedido do interessado.
§ 2º. A pedido do interessado, a aldeia de origem do indígena e a de seus pais poderão constar como informação a respeito das
respectivas naturalidades, juntamente com o município de nascimento.
§ 3.º A pedido do interessado, poderão figurar, como observações do assento de nascimento, a declaração do registrando como
indígena e a indicação da respectiva etnia.
§ 5º Se o oficial suspeitar de fraude ou falsidade, submeterá o caso ao Juízo competente para fiscalização dos atos notariais e
registrais, assim definido na órbita estadual e do Distrito Federal, comunicando-lhe os motivos da suspeita.
§ 6º. O Oficial deverá comunicar imediatamente à FUNAI o assento de nascimento do indígena, para as providências necessárias ao
registro administrativo.
Art. 3º. O indígena já registrado no Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais poderá solicitar, na forma do art. 57 da Lei n.º
6.015/73, pela via judicial, a retificação do seu assento de nascimento, pessoalmente ou por representante legal, para inclusão
das informações constantes do art. 2º, “caput” e § 1º.
§ 1º. Caso a alteração decorra de equívocos que não dependem de maior indagação para imediata constatação, bem como nos
casos de erro de grafia, a retificação poderá ser procedida na forma prevista no art. 110 da Lei n.º 6.015/73.
§ 2º. Nos casos em que haja alterações de nome no decorrer da vida em razão da cultura ou do costume indígena, tais alterações
podem ser averbadas à margem do registro na forma do art. 57 da Lei n.º 6.015/73, sendo obrigatório constar em todas as certidões
do registro o inteiro teor destas averbações, para fins de segurança jurídica e de salvaguarda dos interesses de terceiros.
§ 3º. Nos procedimentos judiciais de retificação ou alteração de nome, deve ser observado o benefício previsto na lei 1.060/50,
levando-se em conta a situação sociocultural do indígena interessado.
II. mediante apresentação dos dados, em requerimento, por representante da Fundação Nacional do Índio – FUNAI a ser identificado
no assento; ou
§ 1º Em caso de dúvida fundada acerca da autenticidade das declarações ou de suspeita de duplicidade de registro, o registrador
poderá exigir a presença de representante da FUNAI e apresentação de certidão negativa de registro de nascimento das serventias
de registro que tenham atribuição para os territórios em que nasceu o interessado, onde é situada sua aldeia de origem e onde
esteja atendido pelo serviço de saúde.
§ 2º Persistindo a dúvida ou a suspeita, o registrador submeterá o caso ao Juízo competente para fiscalização dos atos notariais e
registrais, assim definido na órbita estadual e do Distrito Federal, comunicando-lhe os motivos.
§ 3º. O Oficial deverá comunicar o registro tardio de nascimento do indígena imediatamente à FUNAI, a qual informará o juízo
competente quando constatada duplicidade, para que sejam tomadas as providências cabíveis.
A condenação deveu-se, entre outros fatores, à omissão estatal no que se refere a reconhecer, demarcar e titular os territórios
indígenas do Povo Indígena Xucuru. (certa) CESPE - 2022 - MPE-AC
No que se refere ao caso da usina hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, as medidas cautelares que foram concedidas pela Comissão
Interamericana de Direitos Humanos e que permaneceram em vigor após a revisão incluem a adoção de medidas para proteger a
vida e a integridade pessoal dos membros dos povos indígenas em isolamento voluntário da bacia do Xingu. (certa) CESPE - 2023 - MPE-PA
13. REGRAS DE BRASÍLIA SOBRE ACESSO À JUSTIÇA DAS PESSOAS EM CONDIÇÃO DE VULNERABILIDADE
O documento conhecido como as “100 regras de Brasília”, elaborado em 2008 durante a Cúpula Judicial Ibero-americana,
consiste em uma declaração de garantia efetiva aos direitos humanos, principalmente pela facilitação do acesso à justiça voltado
às pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Para fins de aplicação das regras contidas no documento e, de acordo com a
concepção ali firmada, consideram-se em condição de vulnerabilidade as pessoas que por razão da sua idade, gênero, estado físico
• Implantação de currículo escolar que reflita a pluralidade racial brasileira, nos termos da Lei 10.639/2003.
• Tombamento de todos os documentos e sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos, de modo a
assegurar aos remanescentes das comunidades dos quilombos a propriedade de suas terras.
• Implementação de ações que assegurem de forma eficiente e eficaz a efetiva proibição de ações discriminatórios em ambientes
de trabalho, de educação, respeitando-se a liberdade de crença, no exercício dos direitos culturais ou de qualquer outro direito
ou garantia fundamental.
Ação afirmativa
• Eliminação de qualquer fonte de discriminação e desigualdade raciais direta ou indireta, mediante a geração de oportunidades.
• Articulação temática de raça e gênero
• Adoção de políticas que objetivem o fim da violação dos direitos humanos.
III - PRINCÍPIOS
Transversalidade
• Pressupõe o combate às desigualdades raciais e a promoção da igualdade racial como premissas e pressupostos a serem
considerados no conjunto das políticas de governo.
• As ações empreendidas têm a função de sustentar a formulação, a execução e o monitoramento da política de promoção de
igualdade racial, de modo que as áreas de interesse imediato, agindo sempre em parceria, sejam permeadas com o intuito de
eliminar as desvantagens de base existentes entre os grupos raciais.
Descentralização
• Articulação entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios para o combate da marginalização e promoção da integração
social dos setores desfavorecidos.
• Apoio político, técnico e logístico para que experiências de promoção da igualdade racial, empreendidas por Municípios, Estados
ou organizações da sociedade civil, possam obter resultados exitosos, visando planejamento, execução, avaliação e capacitação
dos agentes da esfera estadual ou municipal para gerir as políticas de promoção de igualdade racial.
Gestão democrática
• Propiciar que as instituições da sociedade assumam papel ativo, de protagonista na formulação, implementação e monitoramento
da política de promoção de igualdade racial.
• Estimular as organizações da sociedade civil na ampliação da consciência popular sobre a importância das ações afirmativas, de
modo a criar sólida base de apoio social.
• Participação do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, composto por representantes governamentais e da
sociedade civil, na definição das prioridades e rumos da política de promoção de igualdade racial, bem como potencializar os
esforços de transparência.
• Implementação de modelo de gestão da política de • Incentivo à formação de mulheres jovens negras para
promoção da igualdade racial, que compreenda conjunto de atuação no setor de serviços.
ações relativas à qualificação de servidores e gestores • Incentivo à adoção de programas de diversidade racial nas
públicos, representantes de órgãos estaduais e municipais empresas.
e de lideranças da sociedade civil.
• Apoio aos projetos de saúde da população negra.
• Criação de rede de promoção da igualdade racial
• Capacitação de professores para atuar na promoção da
envolvendo diferentes entes federativos e organizações de
igualdade racial.
defesa de direitos.
• Implementação da política de transversalidade nos
• Fortalecimento institucional da promoção da igualdade
programas de governo.
racial.
• Ênfase à população negra nos programas de
• Criação do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade
desenvolvimento regional.
Racial.
• Ênfase à população negra nos programas de urbanização e
• Aperfeiçoamento dos marcos legais.
moradia.
• Apoio às comunidades remanescentes de quilombos.
• Incentivo à capacitação e créditos especiais para apoio ao
• Incentivo ao protagonismo da juventude quilombola. empreendedor negro.
• Apoio aos projetos de etnodesenvolvimento das • Celebração de acordos de cooperação no âmbito da Alca e
comunidades quilombolas. Mercosul.
• Desenvolvimento institucional em comunidades • Incentivo à participação do Brasil nos fóruns internacionais
remanescentes de quilombos. de defesa dos direitos humanos.
• Apoio sociocultural a crianças e adolescentes quilombolas. • Celebração de acordos bilaterais com o Caribe, países
• Incentivo à adoção de políticas de cotas nas universidades africanos e outros de alto contingente populacional de afro-
e no mercado de trabalho. descendentes.
• Identificação do IDH da população negra. • Realização de censo dos servidores públicos negros.
• Construção do mapa da cidadania da população negra no
Brasil.
• O STF já decidiu que a intimação de indígenas para prestar depoimento, na condição de testemunha, fora de suas terras, constrange a sua
liberdade de locomoção, por força de dispositivo constitucional que veda a remoção dos grupos indígenas de suas terras. (certa) 2013 - PGR -
PROCURADOR DA REPÚBLICA
• Para o STF, é nula a intimação de indígena não aculturado para oitiva em CPI, na condição de testemunha, fora de sua comunidade. (certa)
CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO
• A convocação, por CPI, de indígena na condição de testemunha para prestar depoimento fora de seu habitat viola as normas constitucionais
que conferem proteção específica aos povos indígenas. (certa) CESPE - 2023 - PGE-ES
Art. 1º Estabelecer diretrizes e procedimentos para efetivar a garantia do direito ao acesso ao Judiciário de pessoas e povos
indígenas.
Art. 2º Esta Resolução é regida pelos seguintes princípios:
IV - reconhecimento da organização social e das formas próprias de cada povo indígena para resolução de conflitos;
Art. 3° Para garantir o pleno exercício dos direitos dos povos indígenas, compete aos órgãos do Poder Judiciário:
I - assegurar a autoidentificação em qualquer fase do processo judicial, esclarecendo sobre seu cabimento e suas
consequências jurídicas, em linguagem clara e acessível;
IV - assegurar ao indígena que assim se identifique completa compreensão dos atos processuais, mediante a nomeação de
intérprete, escolhido preferencialmente dentre os membros de sua comunidade;
V — viabilizar, quando necessária, a realização de perícias antropológicas, as quais devem respeitar as peculiaridades do
processo intercultural;
VI - garantir a intervenção indígena nos processos que afetem seus direitos, bens ou interesses, em respeito a autonomia e a
organização social do respectivo povo ou comunidade, promovendo a intimação do povo ou comunidade afetada para que
manifeste eventual interesse de intervir na causa, observado o disposto no Capítulo II da presente Resolução;
VII - promover a intimação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e do Ministério Público Federal nas demandas envolvendo
direitos de pessoas ou comunidades indígenas, assim como intimar a União, a depender da matéria, para que manifestem
eventual interesse de intervirem na causa; e
VIII — assegurar, quando necessária, a adequada assistência jurídica à pessoa ou comunidade indígena afetada, mediante a
intimação da Defensoria Pública.
SEÇÃO I: DA AUTOIDENTIFICAÇÃO
Art. 4º Compreende-se como autoidentificação a percepção e a concepção que cada povo indígena tem de si mesmo,
consubstanciando critério fundamental para determinação da identidade indígena.
§ 1º Para efeitos desta Resolução, indígena é a pessoa que se identifica como pertencente a um povo indígena e é por ele
reconhecido.
§ 2° A autoidentificação do indivíduo como pertencente a determinado povo indígena não lhe retira a condição de titular dos
direitos reconhecidos a todo e qualquer brasileiro ou, no caso de migrantes, dos direitos reconhecidos aos estrangeiros nessa
condição que eventualmente estejam em território nacional.
SEÇÃO II: DO DIÁLOGO INTERÉTNICO E INTERCULTURAL
Art. 5º Diálogo interétnico e intercultural consiste em instrumentos de aproximação entre a atuação dos órgãos que integram o
Sistema de Justiça, especialmente os órgãos do Poder Judiciário, com as diferentes culturas e as variadas formas de compreensão
da justiça e dos direitos, inclusive mediante a adoção de rotinas e procedimentos diferenciados para atender as especificidades
socioculturais desses povos.
SEÇÃO III: DA TERRITORIALIDADE INDÍGENA
Art. 6° A territorialidade indígena decorre da relação singular desses povos com os espaços necessários à sua reprodução física
e cultural; aspectos sociais e econômicos; e valores simbólicos e espirituais, sejam eles utilizados de forma permanente ou
temporária, nos termos do art. 231 da Constituição Federal, do art. 13 da Convenção nº 169/OIT e do art. 25 da Lei nº 6.001/1973.
I - descrição dos achados, preferencialmente com base no trabalho in loco, que possibilitem a compreensão da pessoa, do
grupo ou do povo indígena periciado, com registros de sua cosmovisão, crenças, costumes, práticas, valores, interação com o
meio ambiente, territorialidade, interações sociais recíprocas, organização social e outros fatores vinculados à sua relação com
a sociedade envolvente;
II - realização de entrevistas com a parte ou comunidade indígena, descrevendo todos os elementos indispensáveis para a
certificação das condições socioculturais da pessoa, do grupo ou do povo indígena examinado;
Il - relação dos documentos analisados e outros elementos que contribuam para o conjunto probatório;
§ 5º Recomenda-se que a admissibilidade do exame técnico-antropológico não seja fundamentada em supostos graus de
integração de pessoas e comunidades indígenas à comunhão nacional.
Art. 15. Diante das especificidades culturais dos povos indígenas, devem ser priorizados os atos processuais sob a forma
presencial, devendo a coleta do depoimento das pessoas indígenas ser realizada, sempre que possível e conveniente aos serviços
judiciários, no próprio território do depoente.
Art. 16. Recomenda-se a admissão de depoimentos de partes e testemunhas indígenas em sua língua nativa.
§ 1º Caso tome o depoimento em língua diversa, o magistrado assegurar-se-á de que o depoente bem compreende o idioma.
§ 2º Será garantido intérprete ao indígena, escolhido preferencialmente dentre os membros de sua comunidade, podendo a
escolha recair em não indígena quando esse dominar a língua e for indicado pelo povo ou indivíduo interessado.
Art. 17. O Ministério Público e a FUNAI serão intimados para manifestar interesse de intervir nas causas de interesse dos povos
indígenas, suas comunidades e organizações.
Parágrafo único. Na falta ou insuficiência da representação, a Defensoria Pública será cientificada.
Art. 18. Nas ações judiciais, inclusive possessórias, cuja discussão venha alcançar terras tradicionalmente ocupadas pelos índios,
deve ser dada ciência ao povo indígena interessado, com instauração de diálogo interétnico e intercultural, e oficiados a FUNAI e
ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), para que informem sobre a situação jurídica das terras.
# Parágrafo único. Recomenda-se a autoridade judicial cautela na apreciação de pleitos de tutelas provisória de urgência que
impliquem remoções ou deslocamentos, estimulando sempre o dialogo interétnico e intercultural.
Art. 19. Sempre que for necessário esclarecer algum ponto em que a escuta da comunidade seja relevante, a autoridade judicial
poderá recorrer a audiências públicas ou inspeções judiciais, respeitadas as formas de organização e deliberação do grupo.
Parágrafo único. A organização das audiências e das inspeções em territórios indígenas será feita em conjunto com a comunidade,
de forma a respeitar seus ritos e tradições, sem prejuízo da observância das formalidades processuais.
CAPITULO III: DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS INDÍGENAS
Art. 20. Os órgãos do Poder Judiciário observarão o disposto no art. 231 da Constituição Federal, no art. 30 da Convenção sobre
Direitos da Criança e no ECA quanto à determinação do interesse superior da criança, especialmente, o direito de toda criança
indígena, em comum com membros de seu povo, de desfrutar de sua própria cultura, de professar e praticar sua própria religião
ou de falar sua própria língua.
Art. 17. O depoimento especial deverá observar estritamente os parâmetros legais para sua realização.
Art. 18. A criança e/ou adolescente deve ser informada sobre seus direitos, a estrutura do procedimento, garantias de segurança
e expectativas em relação ao processo por membro da equipe responsável pela tomada do depoimento, inclusive de seu direito
à assistência jurídica.
§ 1º O magistrado deverá velar pela assistência jurídica por Defensor Público ou advogado conveniado ou nomeado, se assim
desejar a criança e/ou adolescente.
§ 2º Se necessário à efetiva comunicação com criança e adolescente de origem indígena ou que pertença a minorias étnicas ou
linguísticas, será garantido intérprete ou outro meio eficaz.
Art. 19. Deve ser garantido à criança e/ou ao adolescente o direito ao silêncio e a não prestar depoimento, esclarecendo-a de
maneira adequada ao seu desenvolvimento.
Art. 20. A tomada do depoimento deve seguir protocolo validado cientificamente, assegurando esclarecimentos iniciais, livre
narrativa e questões complementares, cabendo ao magistrado zelar pela concordância do referido protocolo.
Art. 21. No caso de criança e adolescente indígena, será intimado o órgão federal responsável pela política indigenista da data
designada para o depoimento.
Art. 22. O magistrado deverá velar para que as perguntas formuladas pelas partes sejam concentradas tanto quanto possível em
apenas um bloco, ressalvada necessidade excepcional.
DISPOSICOES FINAIS
Art. 22. Na hipótese em que o CNJ seja instado a atuar para a implementação de deliberações e recomendações da Corte
Interamericana de Direitos Humanos e outros órgãos internacionais de direitos humanos, os povos e as comunidades indígenas
afetados serão ouvidos pela Unidade de Monitoramento e Fiscalização instituída pela Resolução CNJ nº 364/2021, com a finalidade
de compreender a sua perspectiva em relação aos pontos que são objeto do litigio
Art. 23. O CNJ elaborará Manual voltado à orientação dos tribunais e magistrados quanto à implementação das medidas previstas
nesta Resolução.
Art. 24. Para o cumprimento do disposto nesta Resolução, os tribunais, em colaboração com as escolas de magistratura, promoverão
cursos destinados à permanente qualificação e atualização funcional dos magistrados e serventuários, notadamente nas comarcas
e seções judiciárias com maior população indígena.
Parágrafo único. A Presidência do CNJ encaminhará à Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam)
proposta de inclusão do presente ato normativo e das Resoluções CNJ nº 287/2019 e 299/2019, no conteúdo programático
obrigatório dos cursos de ingresso e vitaliciamento na magistratura.
Art. 25. As informações relativas aos povos isolados e de recente contato, disponibilizadas pela Funai por meio de dados abertos,
passarão a integrar o painel interativo nacional de dados ambiental e interinstitucional (SireneJud), instituído pela Resolução Conjunta
CNJ/CNMP nº 8/2021, para consulta pela autoridade judicial. Art. 26. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
17. RESOLUÇÃO Nº 287 CNJ (PESSOAS INDÍGENAS ACUSADAS, RÉS, CONDENADAS OU PRIVADAS DE LIBERDADE)
Estabelece procedimentos ao tratamento das pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade, e dá diretrizes
para assegurar os direitos dessa população no âmbito criminal do Poder Judiciário.
Art. 1º Estabelecer procedimentos ao tratamento das pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade, e dá
diretrizes para assegurar os direitos dessa população no âmbito criminal do Poder Judiciário.
II - se houver dúvida sobre o domínio e entendimento do vernáculo, inclusive em relação ao significado dos atos processuais
e às manifestações da pessoa indígena;
Art. 6º Ao receber denúncia ou queixa em desfavor de pessoa indígena, a autoridade judicial poderá determinar, sempre que
possível, de ofício ou a requerimento das partes, a realização de perícia antropológica, que fornecerá subsídios para o
estabelecimento da responsabilidade da pessoa acusada, e deverá conter, no mínimo:
IV - o entendimento da comunidade indígena em relação à conduta típica imputada, bem como os mecanismos próprios de
julgamento e punição adotados para seus membros; e
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado por antropólogo, cientista social ou outro profissional designado pelo juízo com
conhecimento específico na temática.
Art. 7º A responsabilização de pessoas indígenas deverá considerar os mecanismos próprios da comunidade indígena a que
pertença a pessoa acusada, mediante consulta prévia.
Parágrafo único. A autoridade judicial poderá adotar ou homologar práticas de resolução de conflitos e de responsabilização em
conformidade com costumes e normas da própria comunidade indígena, nos termos do art. 57 da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do
Índio).
# Art. 8º Quando da imposição de qualquer medida cautelar alternativa à prisão, a autoridade judicial deverá adaptá-la às condições
e aos prazos que sejam compatíveis com os costumes, local de residência e tradições da pessoa indígena, observando o Protocolo
I da Resolução CNJ nº 213/2015 (AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA).
I - aplicar penas restritivas de direitos adaptadas às condições e prazos compatíveis com os costumes, local de residência e
tradições da pessoa indígena;
II - considerar a conversão da multa pecuniária em prestação de serviços à comunidade, nos termos previstos em lei; e
III - determinar o cumprimento da prestação de serviços à comunidade, sempre que possível e mediante consulta prévia, em
comunidade indígena.
Art. 10. Não havendo condições para aplicação do disposto nos artigos 7º e 9º, a autoridade judicial deverá aplicar, sempre que
possível e mediante consulta à comunidade indígena, o regime especial de semiliberdade previsto no art. 56 da Lei nº 6.001/1973
(Estatuto do Índio), para condenação a penas de reclusão e de detenção.
Parágrafo único. Para o cumprimento do estabelecido no caput, a autoridade judicial poderá buscar articulação com as autoridades
comunitárias indígenas da Comarca ou Seção Judiciária, bem como estabelecer parceria com a FUNAI ou outras instituições, com
vistas à qualificação de fluxos e procedimentos.
Art. 11. Para fins de determinação de prisão domiciliar a pessoa indígena, considerar-se-á como domicílio o território ou
circunscrição geográfica de comunidade indígena, quando compatível e mediante consulta prévia.
Art. 12. No caso de aplicação concomitante de medidas alternativas à prisão previstas no art. 318-B do Código de Processo Penal,
deverá ser avaliada a forma adequada de cumprimento de acordo com as especificidades culturais.
Art. 13. O tratamento penal às mulheres indígenas considerará que:
I - para fins do disposto no art. 318-A do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar imposta à mulher indígena mãe, gestante,
ou responsável por crianças ou pessoa com deficiência, será cumprida na comunidade; e
II - o acompanhamento da execução das mulheres indígenas beneficiadas pela progressão de regime, nos termos dos arts. 72
e 112 da Lei de Execução Penal, será realizado em conjunto com a comunidade.
Art. 14. Nos estabelecimentos penais onde houver pessoas indígenas privadas de liberdade, o juízo de execução penal, no
exercício de sua competência de fiscalização, zelará que seja garantida à pessoa indígena assistência material, à saúde, jurídica,
educacional, social e religiosa, prestada conforme sua especificidade cultural, devendo levar em consideração, especialmente:
I - Para a realização de visitas sociais: a) as formas de parentesco reconhecidas pela etnia a que pertence a pessoa indígena
presa; b) visitas em dias diferenciados, considerando os costumes indígenas; e c) o respeito à cultura dos visitantes da
respectiva comunidade.
II - Para a alimentação em conformidade com os costumes alimentares da respectiva comunidade indígena: a) o fornecimento
regular pela administração prisional; e b) o acesso de alimentação vinda do meio externo, com seus próprios recursos, de
suas famílias, comunidades ou instituições indigenistas.
III - Para a assistência à saúde: os parâmetros nacionais da política para atenção à saúde dos povos indígenas;
IV - Para a assistência religiosa: o acesso de representante qualificado da respectiva religião indígena, inclusive em dias
diferenciados;
Art. 15. Os tribunais deverão manter cadastro de intérpretes especializados nas línguas faladas pelas etnias características da região,
bem como de peritos antropólogos. Parágrafo único. Para o cumprimento do disposto no caput, os tribunais poderão promover
parcerias com órgãos e entidades públicas e particulares com atuação junto a povos indígenas, de modo a credenciar profissionais
que possam intervir em feitos envolvendo indígenas nos termos desta Resolução, preferencialmente com apoio da Funai.
Art. 16. Para o cumprimento do disposto nesta Resolução, os tribunais, em colaboração com as Escolas de Magistratura, poderão
promover cursos destinados à permanente qualificação e atualização funcional dos magistrados e serventuários que atuam nas Varas
Criminais, Juizados Especiais Criminais e Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Varas de Execução Penal,
notadamente nas Comarcas e Seções Judiciárias com maior população indígena, em colaboração com a Funai, instituições de ensino
superior ou outras organizações especializadas.
I – promover o levantamento dos inquéritos e ações judiciais que envolvam indivíduos e comunidades indígenas;
II – monitorar o andamento das ações judiciais por tribunal;
III – propor ao CNJ a implementação de medidas concretas e edição de normativos para o aperfeiçoamento de procedimentos
e o reforço à efetividade dos processos judiciais, incluindo a implantação e modernização de rotinas, a organização,
especialização e estruturação dos órgãos competentes de atuação do Poder Judiciário;
IV – organizar encontros nacionais, regionais e seminários com a participação de integrantes do Poder Judiciário, de outros
segmentos do poder público, da sociedade civil e de comunidades interessadas, para a discussão de temas relacionados com
as atividades do Fórum;
V – realizar o estudo e a proposição de outras medidas consideradas pertinentes ao cumprimento do objetivo do Fórum
Nacional;
VI – manter intercâmbio, dentro dos limites de sua finalidade, com entidades de natureza jurídica e social do país e do exterior
que atuam na referida temática;
VII – elaborar e fazer cumprir o(s) programa(s) de trabalho do Fórum
VIII – cooperar com os tribunais em questões relacionadas com os objetivos do Fórum; (redação dada pela Resolução n. 489,
de 28.2.2023)
IX – realizar reuniões periódicas ordinárias, ou extraordinárias, sempre que for necessário, para a condução dos trabalhos do
Fórum;
X – solicitar a cooperação judicial com tribunais e outras instituições;
XI – propor ações concretas de interesse estadual ou regional; e
XII – participar de eventos promovidos por entes públicos ou entidades privadas sobre temas relacionados aos objetivos do
Fórum.
CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO/REPRESENTAÇÃO
Art. 3º O FONEPI será presidido por um(a) Conselheiro(a) do Conselho Nacional de Justiça, indicado(a) pelo Plenário. (redação dada
pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
§ 1º O FONEPI será composto pelos seguintes organismos: (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
II – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB); (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
III – Conselho Indigenista Missionário (CIMI); (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
IV – Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP); (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
VII – Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI); (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
IX – Ministério dos Povos Indígenas (MPI); (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
XII – Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). (incluído pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
§ 2º Os(As) integrantes serão nomeados(as) pelo(a) Presidente do Conselho Nacional de Justiça. (incluído pela Resolução n. 489,
de 28.2.2023)
Art. 3º-A. Para viabilizar a atuação do FONEPI, ato específico da Presidência designará um Comitê Executivo composto por
magistrados(as), sob a coordenação de um(a) deles(as), e estabelecerá suas atribuições. (incluído pela Resolução n. 489, de
28.2.2023)
Art. 4º As deliberações do FONEPI serão tomadas em assembleias ordinárias e aprovadas por maioria simples de votos. (redação
pela Resolução n. 489, de 28.2.2023)
Parágrafo único. O Fórum terá pelo menos 1 (uma) reunião nacional anual, ocasião em que poderão ser convidados a participar os
integrantes dos vários órgãos do Poder Público e da sociedade civil envolvidos com o tema.
CAPÍTULO V DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 5º Os relatórios de atividades do Fórum deverão ser apresentados ao Plenário do CNJ anualmente.
Art. 6º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
19. RESOLUÇÃO Nº 512 CNJ (RESERVA AOS INDÍGENAS DAS VAGAS OFERECIDAS NOS CONCURSOS PÚBLICOS DA
MAGISTRATATURA)
Dispõe sobre a reserva aos indígenas, no âmbito do Poder Judiciário, de ao menos 3% (três por cento), das vagas oferecidas nos
concursos públicos para provimento de cargos efetivos e de ingresso na Magistratura.
Art. 1º A reserva de vagas aos indígenas nos concursos públicos para provimentos de cargos efetivos nos órgãos do Poder Judiciário,
inclusive de ingresso na magistratura, dar-se-á nos termos desta Resolução.
Art. 2º Nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e de ingresso na Magistratura serão reservados a indígenas ao
menos 3% (três por cento), das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos do quadro de
pessoal dos órgãos do Poder Judiciário (arts. 92, I-A, II, III, IV, V, VI e VII, da Constituição Federal), PODENDO os Tribunais elevarem-
no, diante de suas particularidades locais, desde que devidamente justificada a alteração e comunicada à Presidência do CNJ.
§ 1º A reserva de vagas de que trata o caput será aplicada sempre que o número de vagas oferecidas em qualquer concurso público
for igual ou superior a 10 (dez).
§ 2º Em caso de quantitativo fracionado para o número de vagas reservadas a candidatos ou candidatas indígenas, esse será
aumentado para o primeiro número inteiro subsequente, em caso de fração igual ou maior que 0,5 (cinco décimos); ou diminuído
para número inteiro imediatamente inferior, em caso de fração menor que 0,5 (cinco décimos).
§ 3º É VEDADO o estabelecimento de QUALQUER ESPÉCIE DE CLÁUSULA DE BARREIRA para os candidatos indígenas, bastando o
alcance de nota 20% inferior à nota mínima estabelecida para aprovação dos candidatos da ampla concorrência, ou nota 6,0 para
os concursos da magistratura, para que os candidatos cotistas sejam admitidos nas fases subsequentes. (redação dada pela
Resolução n. 549, de 18 de março de 2024)
Art. 3º Os órgãos indicados no caput do art. 2º poderão, além da reserva das vagas, instituir outros mecanismos de ação afirmativa
com o objetivo de garantir o acesso de indígenas a cargos no Poder Judiciário, inclusive de ingresso na Magistratura, bem como
no preenchimento de cargos em comissão, funções comissionadas e vagas para estágio.
Art. 4º A reserva de vagas a candidatos ou candidatas indígenas constará expressamente dos editais dos concursos públicos dos
órgãos do Poder Judiciário indicados na forma do art. 2º.
Parágrafo único. Os editais de que trata o caput deverão especificar o total de vagas correspondente à reserva para cada cargo
oferecido.
Art. 1º Estabelecer procedimentos ao tratamento de adolescentes e jovens indígenas no caso de apreensão, de representação em
processo de apuração de ato infracional ou de cumprimento de medida socioeducativa, e dar diretrizes para assegurar os direitos
dessa população no âmbito da Justiça da Infância e Juventude ou de juízos que exerçam tal competência.