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Evolução Histórica da Polícia e Seus Modelos

O documento descreve a evolução histórica dos conceitos de polícia ao longo dos períodos grego, romano, medieval e contemporâneo. Também aborda os modelos franceses e ingleses de polícia e a organização da polícia em Minas Gerais no período colonial.
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Evolução Histórica da Polícia e Seus Modelos

O documento descreve a evolução histórica dos conceitos de polícia ao longo dos períodos grego, romano, medieval e contemporâneo. Também aborda os modelos franceses e ingleses de polícia e a organização da polícia em Minas Gerais no período colonial.
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Unidade I

O termo polícia aqui usado não se refere a uma instituição armada, uniformizada e
separada do Exército e das instituições judiciárias, mas como um conceito: " a ordem
estabelecida para a tranquilidade e o sossego públicos." Isso significa que, ao estudar
a polícia do passado, você deve fazê-lo em sintonia ao tempo e o contexto da época.
Lembre-se que, as leis mudam com o tempo. A Força Pública em muitos eventos
aparecerá atuando como um exército, com táticas, técnicas e armamento de exército
mesmo. Portugal ao estabelecer políticas relativas à polícia no coração da América
Portuguesa, no início do século XVIII, criou um sistema diferente das concepções
posteriormente idealizadas pela França e Inglaterra e mesmo após a institucionalização
dos finais do século XVI II e início do XIX.

Nos sistemas policiais estabelecidos pela França absolutista do século XVII I e pela
Inglaterra liberal do século XIX, a polícia seria caracterizada por: "Possuir um corpo
profissional separado do exército e das instituições judiciárias, uniformizado, armado,
equipado responsável por patrulhar as cidades como instituição resultante dos esforços
de construção de uma concepção de Estado orientada pela ambição iluminista de
produzir e sustentar a paz através de meios pacíficos e civilizados." Apesar de utilizarem
conceitos de polícia parecidos, França e Inglaterra adotaram na prática, posturas bem
diferentes. A ideia de polícia como força pública foi concebida com as mudanças
ocorridas na França em meados de 1789.

Conceitos de Polícia nos tempos Grécia, Roma, Idade Média e Idade


Contemporânea

GRÉCIA
O Grego não tinha individualidade, era antes de tudo espartano, ateniense, ninguém
trabalhava para si, mas para a cidade. Na Grécia a Polícia confundia-se com o conjunto
de instituições que formavam a cidade. Entendiam os gregos, aliás com admirável
justeza, que um Estado bem policiado era aquele em que a lei, de um modo geral
assegurava a prosperidade e o equilíbrio social. A polícia confundia-se com o conjunto
das instituições que formavam a cidade.

ROMA
Na civilização latina já não há aquela consagração do cidadão a polis. A dicotomia
ordem pública e ordem privada era uma demonstração de que não existia mais a
identificação entre o indivíduo e a coletividade. A ordem jurídica reconhece, pela
primeira vez na história, a esfera do particular, do privado, em contraposição ao geral,
ao público. Em Roma a liberdade individual, a propriedade particular, a faculdade de
exercer atividades lucrativas, introduziram o desequilíbrio social. A função policial passa
a ter relevância jurídica como mantenedora do equilíbrio entre o indivíduo e o bem
comum. De início, as funções policiais confundiam-se com as de judicatura. Na
civilização romana é que a atividade policial alcança maior semelhança com a estrutura
e função dos órgãos policiais das sociedades contemporâneas.

IDADE MÉDIA
Na idade média havia o que chamamos de Estado Policial, a noção de polícia se
circunscrevia a boa ordem na sociedade civil presidida pela autoridade estatal, ficando
a ordem moral e religiosa a cargo da autoridade religiosa. O Príncipe como guardião do
bem comum era dono e senhor. Tinha poder absoluto sobra a vida e as atividades de
seus súditos. Todos deveriam curvar-se diante a autoridade do Príncipe, representante
de Deus na Terra para fazer o bem.

IDADE CONTEMPORÂNEA
Luiz XIV disse: " Deveis estar persuadidos de que os reis são senhores absolutos e tem
a plena disposição de todos os bens, sejam da igreja ou dos seculares, para usá-los em
qualquer tempo como os sábios ecônomos, isto é, segundo a necessidade e o interesse
geral do seu Estado." No século XVIII, a teoria do Estado-Polícia entra em crise. A teoria
da separação dos poderes, a liberdade individual, desconhecida pela autocracia e pelo
despotismo, vão destruindo as bases do Estado absoluto. A Revolução Francesa com
a criação do Estado de Direito, calcado na juricidade e na pessoa humana,
redimensionou a função policial, atribuindo-lhe a missão de proteger a ordem jurídica e
de manter a segurança. A Polícia não reside na vontade do monarca, mas na vontade
legislativa.

O Estado Moderno no bojo das ideias liberais, ao reconhecer o indivíduo sua vontade
livre, seus direitos naturais e invioláveis, fez recair contra a polícia a repulsa e a
desconfiança do indivíduo, que via na instituição uma ameaça constante a sua
liberdade. Este problema surgido na época da Revolução Francesa, permanece até hoje
no seio do Estado Contemporâneo. O Estado Moderno trouxe contribuição inigualável
à convivência social, no que tange aos direitos e garantias individuais e às limitações
dos poderes do Estado, porém, pecou por não ver na instituição policial o mais poderoso
instrumento estatal de preservação daqueles direitos tão arduamente conquistados.

Modelo Francês - reside essencialmente em dois pilares: Maréchausseé nos


campos e Tenencia de Polícia em Paris.
De origem puramente militar a Maréchausseé é territorializada a partir do século XVI.
Suas ligações com as autoridades militares se afrouxam, ela recupera a competência
de polícia civil nos campos; repressão das pilhagens, contrabandos, vigia populações
itinerantes, prende vagabundos, desertores. Após a Revolução Francesa é
transformada em Guarda Civil, a organização e o funcionamento dessa polícia militar
permanecerão quase imutáveis desde o século XVIII até hoje. Em 1667 Luiz XIV cria o
ofício de tenente de polícia de Paris para confederar e pôr em ação sob o seu nome
todo o conjunto de tarefas ligadas a administração da cidade. O Tenente de Polícia de
Paris tem competências muito amplas, desde a repressão a criminalidade até o controle
de gazetas de livrarias. A partir de uma rede de informações o Tenente de Paris
apresenta diariamente ao Rei um boletim político e um boletim moral.

Ao se desviar do seu projeto inicial (garantia dos direitos humanos e do cidadão) a força
pública francesa tornar-se-ia os olhos, ouvidos e braços do soberano. O sistema francês
agregaria numa única instituição as atribuições de polícia de fronteiras, de costumes,
polícia investigativa, judiciária, ostensiva, polícia política, ação interna, defesa territorial,
serviço secreto e contraespionagem.

Assim norteada pelos princípios da Constituição Francesa de 1791, surgiria a


Gendermerie Nationale, instituída para garantir contra qualquer outra força, os direitos
do homem e do cidadão. Não poderia ser colocada à disposição e uma autoridade para
fins particulares. A Revolução Francesa importou instituições jurídicas de origem anglo-
saxônica. Mas conservou e exportou o sistema policial gerado pelo absolutismo.
"Polícia francesa constituiria, supostamente, o modelo para uma "polícia autoritária,
preocupada com a segurança das instituições do Estado, e sujeita a um rígido controle
central". A Polícia à moda francesa, segundo os ingleses, era uma ameaça à liberdade.

Modelo Inglês
Em 1829, foi concebida a New Police, em Londres. Uma força civil estruturada sob os
princípios da hierarquia e disciplina militares, com uma administração centralizada e
autonomia regional. Prática cotidiana centrada no indivíduo. Polícia dos súditos, do
Parlamento e nunca do Estado. "O sistema inglês sugeria uma polícia sob maior
controle dos cidadãos, preocupada principalmente com a segurança individual."

Contemporaneamente a polícia é vista como uma instituição que possuí um corpo


profissional especializado, selecionado e treinado apropriadamente, separado do
exército e das instituições judiciárias. Ela desempenha um importante papel de controle
social formal, pois, como parte do Estado, detém o monopólio do uso legítimo e
consentido da força em prol da coletividade, sob o Império da Lei.

"Policiamento por consentimento" indica que a legitimidade do policiamento nos olhos


do público é baseada em um consenso geral de apoio que decorre transparência sobre
seus poderes, sua integridade no exercício das suas competências e da sua
responsabilidade por isso.

Minas Gerais no Período Colonial

Em 1710, surge a capitania de São Paulo e Minas de Ouro e, em 1720, desmembra-se


dela a capitania de Minas Gerais.

Os portugueses e seus aliados, os baianos sobretudo, seriam chamados "emboabas".

As chamadas entradas tinham a finalidade de expandir o território, eram financiadas


pelos cofres públicos e com o apoio do governo colonial em nome da Coroa de Portugal,
ou seja, eram expedições organizadas pelo governo de Portugal. As bandeiras foram
iniciativas de particulares, que, com recursos próprios, buscavam a obtenção de lucro.
Seus membros ficaram conhecidos como bandeirantes.

Os principais mecanismos de controle da exploração no Brasil foram:


•Quinto - 20% de toda a produção do ouro caberiam ao rei de Portugal;
·Derrama - uma quota de aproximadamente 1.500 kg de ouro por ano que deveria ser
atingida como meta pela colônia, caso contrário, penhoravam-se os bens dos senhores
de lavras;
•Capitação - imposto pago pelo senhor de lavras por cada escravo que trabalhava em
seus lotes

Os bandeirantes paulistas, responsáveis pelas primeiras descobertas, acreditavam que


a exploração das minas deveria ser reservada aos pioneiros da região. Em
contrapartida, a Coroa Portuguesa enxergava o feito como mais uma excelente
oportunidade de negócio capaz de sanar a vida do Estado Lusitano. Dessa forma, a
região de Minas Gerais, entre 1708 e 1709, acabou se transformando em palco de um
conflito que acabou conhecido como a Guerra dos Emboabas.
No ano de 1709, a Coroa Portuguesa determinou a imediata separação territorial
das capitanias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 09 de novembro de 1709, foi criada a Capitania de Minas e São Paulo, o que


se conhecia de organização militar, no Brasil, eram as TROPAS DE LINHA, as
MILÍCIAS e as ORDENANÇAS. A história da institucionalização de um corpo militar
responsável pela polícia nas Minas do Ouro inicia-se em 1719, com a chegada dos
Dragões em Vila Rica (atual Ouro Preto). Cotta, 2006, diz que essa tropa regular e
paga pela Coroa portuguesa teria sofrido um processo de especialização precoce.
Tendo em vista a necessidade de controle do território, das pessoas e da arrecadação
dos impostos, a Coroa portuguesa construiu, gradativamente e ao sabor das
exigências locais, um conjunto de políticas da ordem para as Minas. O Sistema Luso-
Brasileiro de Polícia tinha como tripé: a ideia de Ordem; a pluralidade de estratégias
de controle e a força das instituições militares na operacionalização de suas políticas.
Em Minas Gerais o primeiro ponto a destacar é a especialização policial precoce das
instituições militares em virtude de aspectos geopolíticos sui generis. Tal característica
se deve às funções exercidas, desde os primeiros anos, pelos corpos militares em
Minas:
 Controle da arrecadação dos tributos;
 Repressão aos extravios de ouro e diamantes;
 Controle das violências coletiva e interpessoal;
 Vigilância dos caminhos, estradas e rios;
 Prisão de infratores.

Mesmo com a chegada dos Dragões Dei Rey (1719) o Conde Assumar, governador da
Capitania de São Paulo e Minas do Ouro (1717-1721), e seus sucessores continuaram
a depender das ordenanças e dos corpos auxiliares para a manutenção da tranquilidade
e sossego públicos. Considerados Tropas de 1ª Linha, em princípio eram recrutadas em
Portugal. Constituíam a FORCA REGULAR E PAGA a serviço dos interesses da
metrópole.

Os Dragões portugueses, que para as Minas se deslocaram em 1719 a pedido do Conde


de Assumar, não eram "tropa para pelejar em campo aberto contra o inimigo".
Originalmente, um dragão era um tipo de soldado que se caracterizava por se deslocar
a cavalo, mas combater a pé. Inicialmente e até meados do século XVIII, as unidades
de dragões constituíam assim uma espécie de infantaria montada. Contudo,
posteriormente, os dragões transformaram-se, passando de infantaria montada a tropas
de genuína cavalaria.

"As missões dos Dragões se restringiriam inicialmente à guarda dos governadores, ao


comboio da Fazenda de Sua Majestade e ao socorro contra os poderosos, que se
faziam fortes com seus escravos, e à atuação em lugares intricados".

A conveniência de se empregarem dragões residia no fato de que "o principal


exercício deles é o manejo de infantaria".

 "cedere, aut caedi" que quer dizer, "ceder ou ser ferido."

No século XVIII os homens negros estariam militarmente agrupados em quatro


espécies de milícias:
 As companhias auxiliares de infantaria;
 As companhias de ordenanças de pé;
 Os corpos de pedestres;
 Os corpos de homens-do-mato.

As milícias, eram recrutadas entre a população colonial (brasileiros) - soldados


graduados e aos primeiros postos do oficialato. Para preenchimento do quadro de
oficiais superiores e generais só concorriam os portugueses. Assim como as
ordenanças, o serviço era sem remuneração. Estavam divididas em auxiliares de
infantaria de homens pardos e pretos libertos. Havia também a tropa de homens-do-
mato. Tendiam para a organização permanente, ausentavam de suas atividades civis
(período de instrução ou guerra) para atuarem como reservas (auxiliares da 1ª linha).
Atuavam na defesa de fronteiras. Seus integrantes não recebiam soldo, fardamento,
equipamento ou armamento. Os regimentos de infantaria congregavam corpos
separados, homens brancos, pardos e negros libertos.
Os homens-do-mato tinham como tarefas especificas a recaptura de negros fugidos, a
destruição de quilombos e a repressão aos índios bravos. Eram homens pardos, libertos
e mesmo escravos. Os homens-do-mato ficaram conhecidos por: capitães-do-mato,
capitães-majores-do-mato, capitães-do-campo, capitães-das-entradas, capitães-de-
assalto, capitães-das-entradas-do-mato e capitães-das-entradas e assaltos.

Ordenanças
Eram compostas de toda população masculina, exceção do Clero e dos funcionários
reais. Todos permaneciam em suas atividades e só em caso de invasão do território
nacional, abandonariam suas atividades. Armavam-se por conta própria e só eram
remunerados quando em ação de guerra.
• Homens de pé
• Homens a cavalo.

Regimento Regular de Cavalaria de Minas – RRCM


Atualmente é reconhecida como data da fundação do Regimento Regular de Cavalaria
de Minas o dia 09 de junho de 1775 (PMMG 247 anos – 24 horas, 7 dias por semana),
a primeira tropa paga pela Capitania e integrada por Mineiros. Foram autorizadas as
pessoas mais capazes da Capitania e que pudessem se empregar no posto de Capitão
a formação de companhias as suas custas. Isso permitiu que se formassem companhias
com fortes laços de parentesco possibilitando o estabelecimento de redes clientelares
no interior do Regimento de Dragões.

Os primeiros Dragões exerciam as seguintes atividades:


- Vigiavam as fronteiras para impedir o contrabando de ouro e diamantes.
- Impediam a extração ilegal no distrito Diamantino.
- Anualmente levavam para o Rio de Janeiro os diamantes.
- Transportavam para as intendências o ouro em pó.
- Recebiam o contrato dos dízimos.

A Divisão Militar da Guarda Real da Policia era uma força policial de tempo integral,
organizada militarmente e com ampla autoridade para manter a ordem e perseguir
criminoso. A Intendência Geral de Polícia cuidou de diversas ações, como: aterrar
pântanos, calçar ruas, construir pontes, aquedutos e fonte pública; iluminação da cidade
e também dos festejos públicos e realizou o controle social. Inicialmente a Intendência
da Polícia preocupou-se em controlar os roubos, desordens e fugas, já nos seus últimos
anos de funcionamento, os olhares se voltaram, com maior intensidade para os
capoeiras e escravos armados.

Em 24 de novembro de 1830 publica-se a lei que reorganiza o Exército. Utilizando o


excedente de oficiais e praças que existia no regimento foi criado o Corpo de Guardas
Municipais Permanentes.

Em 1865, a tropa de Minas, ao lado das suas coirmãs do Império Brasileiro, tomou parte
da Guerra do Paraguai com a denominada Brigada Mineira; partiu no dia 10 de maio
de 1865. Enfrentaram a Retirada da Laguna (A retirada da Laguna ficou conhecida
como um episódio heroico de resistência do soldado Mineiro e até hoje é estudada
nas academias militares. Diante de tanto sofrimento, inimigo numeroso, perda de
vidas humanas o militar mineiro lutou com honra.). Um dos elementos aglutinadores
do Corpo de Guardas Municipais e posteriormente Corpo Policial de Minas seria o
espírito de religiosidade.
O movimento que proclamou a República repercutiu no interior do Brasil com medidas
radicais. Para afastar qualquer reação armada que a fidelidade e o devotamento ao
velho imperador pudessem provocar, reformularam-se as corporações policiais. Em
Minas Gerais, o Corpo Policial foi dissolvido. Em seu lugar criou-se a Guarda
Republicana, comandada por um coronel e com a atribuição de auxiliar o governo na
manutenção da ordem pública, defesa do solo pátrio e da causa republicana. Em 1890,
o presidente do Estado de Minas Gerais elencou uma série de entraves na Polícia de
Minas: efetivo insuficiente e a nomeação de paisanos sem nenhum preparo ou aptidão
para o desempenho de funções, contribuindo para o desprestígio da Polícia.
Promulgada a Constituição Mineira, em 1891, a Guarda Republicana foi transformada
em Força Pública. Em 1893 a Força Pública recebeu a denominação de Brigada Policial.

Unidade II
Desde o início do século XX a Força Pública não possuía prédios próprios para os seus
destacamentos e aluguel era contratado anualmente. Os praças eram movimentados
constantemente e nas cidades onde não existiam ferrovias, os soldados saiam das
sedes de batalhões rumo ao destacamentos, viajavam a pê, durante dias, semanas ou
meses. Dormiam em lapas ou em cima de árvores ou ranchos de tropa, quando
encontrados.

Rui Barbosa no Manifesto em Maio de 1887, falava de cidadãos fardados, aos quais
não poderia negar o direito de participar da vida política do Brasil. "A ideia do soldado
cidadão tinha uma dupla finalidade: servia de instrumento de afirmação militar e
refletia o sentimento de marginalidade e o ressentimento dos oficiais em relação à
sociedade civil, especialmente a elite política."

O soldado por ser militar, era um cidadão de segunda classe e que devia assumir a
cidadania plena sem deixar de ser militar. Para a concepção do soldado profissional era
necessário o afastamento dos militares da política e dos cargos públicos. Exigia-se
neutralidade, pois o envolvimento de militares quebraria o princípio da disciplina.
Durante toda a primeira república, a Força Pública era um exército estadual. Seus
manuais, cerimônias, treinamento, processos de formação e atividades eram de
natureza bélica.

Em Minas Gerais o Corpo Policial foi dissolvido. Em seu lugar criou-se a Guarda
Republicana. Em 1891 a Guarda Republicana foi transformada em Força Pública. Em
1893 a Força Pública recebeu a denominação de Brigada Policial. Em 1909 foi criada a
Guarda Civil. Em 31 de agosto de 1911, o Presidente do estado de Minas Gerais, Júlio
Bueno Brandão, criou através da lei 557 a Seção de Bombeiros. No período ditatorial
de Getúlio Vargas o Corpo de Bombeiros foi desvinculado da PM; voltando a ser
reintegrado em 1966.

Em 19 de setembro de 1911, o Presidente Júlio Bueno Bra.ndão, que foi o primeiro


chefe de Governo a cuidar do aparelhamento e da instrução militar da Corporação,
sancionou a Lei Nº565 que instituiu a "Caixa Beneficente da Força Pública de Minas
Gerais". A entidade precedeu historicamente, no Estado, o IPSEMG, criado no ano
seguinte. A instituição da previdência social dos militares mineiros trouxe consigo uma
mensagem implícita: a de que boas sugestões sempre tiveram e terão a melhor acolhida
A sua criação não veio de cima para baixo. Outro marco importante aconteceu em 1936,
quando os militares do Corpo de Bombeiros passaram também à condição de
segurados da Caixa Beneficente. A lei Nº7.290, de 04 de julho de 1978, transforma a
Caixa Beneficiante da Polícia Militar (CBPM). Em 1990, a Caixa Beneficente tomou-se
Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais - IPSM.
Também a partir de 1978, a Caixa Beneficente passa a pagar o Pecúlio, o Auxilio-
Natalidade, Auxílio-Funeral e Auxílio-Reclusão e assim como os encargos com a
assistência à saúde.

No ano de 1903, esboçaram-se tentativas de organizar uma sociedade de amparo à


família dos militares do estado de Minas Gerais. O falecimento de um oficial ou praça
significava a dificuldade financeira para sua família, já que naquela época dificilmente a
mulher estava inserida no mercado de trabalho e dependiam geralmente do salário do
marido militar. Dentro da corporação, oficiais e praças sentiam a necessidade de
solucionar essa dificuldade.

Em virtude das reformas do coronel Drexler, a cor do fardamento da Força Pública de


Minas Gerais foi modificada para o brim prussiano. Por influência do Cel. Drexler, em
11 de maio de 1915 foi promulgado o Decreto 4380 que regulava a instrução da Força
Pública. A instrução seria dividida em: moral, intelectual e técnica.

Cel QOS Juscelino Kubitschek de Oliveira foi chefe do Laboratório de Análises Clinicas
e da Clínica Cirúrgica. Lei 6.967 de 21 de dezembro de 1976, o HPM passou a
denominar-se Hospital Juscelino Kubitscheck de Oliveira.
A formação do soldado baseava-se na transmissão de alguns conhecimentos básicos
inerentes â infantaria: posição do recruta em forma até a escola de pelotão; manejo das
armas e o método de conservá-las limpas. O período de formação dos soldados não
poderia ultrapassar seis meses.
Corpo Escola e sua Escola de Graduados, Escola de Instrução e Escola de Sargentos
(1927) esta escola foi extinta e fundou-se o Departamento de Instrução (1934).

Nesse período foram criados diversos estabelecimentos de ensino militar na região


localizada no Bairro Prado em Belo Horizonte, MG. Corpo Escola e sua Escola de
Graduados, Escola de Instrução e Escola de Sargentos (1927) esta escola foi extinta e
fundou-se o Departamento de Instrução (1934). A Escola de Instrução era dividida em
três modalidades:
 Escola de Graduados
 Escola de Recrutas
 Escola Tática.

O Corpo Escola destinava-se ao preparo técnico do pessoal da Força Pública de Minas


Gerais e suas instruções seriam ministradas por oficiais e praças segundo o programa
organizado pelo Comandante do Corpo Escola e aprovado pelo conselho técnico.

A Escola de Sargentos foi criada em 1927 por influência do Tenente do Exército


Nacional, José Carlos Campos Cristo o que daria condições as praças de serem
promovidas ao Oficialato. A Escola nasce num período polltico conturbado, os oficiais
da força se debruçavam sobre estratégias e táticas de guerra, os praças passavam o
dia a limpar as metralhadoras Hotchiss, Madsem. FMZB e Stokes. Num tempo em que
os capacetes de aço, as baionetas e a evoluções militares eram realidades cotidianas,
assim, o estudo de humanidades representava um avanço considerável, principalmente
para os praças. O acesso ao oficialato via mérito intelectual seria consolidado com a
criação do Departamento de Instrução em 1934. Durante toda a primeira República
(1889 – 1930), a Força Pública era um exército estadual. Seus manuais, cerimônias,
treinamentos, processos de formação e atividades eram de natureza bélica.
Revolução de 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais,
Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930,
que depôs o presidente da república Washington Luis em 24 de outubro de 1930,
impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha. O
presidente Washington Luiz indicou para ser candidato um paulista Luiz Prestes.
Naquela época seria a vez de Minas Gerais indicar um mineiro, diante do ocorrido era
o fim da política café com leite. Em 03 de outubro de 1930, uniram-se os estados de
Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba contra essa decisão.

Em 1930, durante o processo revolucionário, a Força Pública de Minas chegou a


enfrentar o 12º Regimento de Infantaria do Exército Nacional e, em 1932 travou guerra
de trincheira na região da Serra da Mantiqueira contra o exército de São Paulo. Somente
nos finais da década de 1940, com a Constituição de 1946 e num momento de
democratização do Brasil, ocorreu uma legítima profissionalização de natureza policial
na então Força Policial, que passou a denominar-se Policia Militar de Minas Gerais.

Em 1931 o Corpo Escola foi transformado em Batalhão Escola e em substituição ao


Curso da Escola de Sargentos surgiria o Curso de Educação Militar. Com a contratação
do Capitão do Exército suíço Roberto Drexler, comissionado no posto de coronel, no
período de 1912 a 1923 a corporação sofreu mudanças no que se refere a formação,
foi dotada de manuais e sistematizados procedimentos relativos ao treinamento militar.
O curso da Escola de Sargentos possibilitaria as praças da corporação o acesso ao
oficialato. Poderiam ser matriculados na Escola os Sargentos e Cabos de boa conduta
com menos de 35 anos de idade que fossem admitidos em exame específico.

No ano de 1931 o Corpo Escola foi transformado em Batalhão Escola através do


Decreto Estadual nº 9867 de 20 de fevereiro de 1931. Eram previstas instruções de
Cavalaria, infantaria, comunicações, telegrafia, automobilismo, educação tisica e armas
automáticas. No dia 03 de março de 1931 foi publicado no Boletim do Comando Geral,
fls. 227, o referido decreto. A partir de tal data é possível encontrar várias publicações
referente ao Batalhão Escola - BE.

A revolução constitucionalista eclodiu em 09 de julho de 1932 e o objetivo de São Paulo


era o retorno à velha política do "café - com – leite”. O Povo paulista aderiu ao
movimento e também as tropas federais sediadas na Capital. Os paulistas invadiram o
território mineiro e tomaram as cidades de Guaxupé, Ouro Fino e Jacutinga. Em 29 de
setembro de 1932 ocorreu a deposição das armas pelos paulistas. Terminada a
Revolução Constitucionalista seus principais chefes civis e militares foram exilados em
Lisboa.

Em dezembro de 1939, a Força Pública passou a denominar-se Força Policial. Somente


em 1946 a Força Policial recebe a sua designação atual: Polícia Militar do Estado de
Minas Gerais.

Na década de 30 foi criado o Departamento de Instrução - DI que veio a dar origem à


Academia de Polícia Militar. Em substituição ao curso da Escola de Sargentos surgiria
o Curso de Educação Militar, o professor João Batista Mariano, que ministrava
instruções aos oficiais do 5° Batalhão de Caçadores, atual 5° Batalhão de Policia Militar,
elaborou o plano de um Curso Técnico Militar e Propedêutico, que foi aprovado e
ministrado a todas as Unidades da Capital, que seria o ponto de partida para a criação
do Departamento de Instrução, situado no bairro Prado, em Belo Horizonte, onde já
funcionava o Corpo Escola. O Instituto Propedêutico, idealizado pelo prof. Mariano, se
tomou o Curso de Formação de Oficiais. Em 16 de abril de 1934 iniciaram-se as aulas.
O Departamento de Instrução ministrava o Curso de Formação de Oficiais (CFO) e o
Curso Especial. O CFO, com duração de três anos, era dividido em dois períodos: um
de adaptação, com duração de um ano; outro denominado Curso Geral, com duração
de dois anos. Este curso tinha a fina/Idade de proporcionar aos sargentos aprovados
em exames de habilitação promoção a 2° tenente. O Curso Especial, com duração de
um ano, destinava-se aos segundos tenentes comissionados, proporcionando-lhes o
direito à efetivação no posto e ascensão na carreira até o posto de capitão. Poderiam
ainda ser matriculados nesse curso os primeiros sargentos aprovados em exames de
habilitação à promoção à segundo tenente.

A denominação inicial da nova Instituição de ensino militar - Departamento de Instrução


- teve vida longa. Só foi alterada em 18 de julho de 1975, quando, por força da Lei nº
6.624, passou a denominar-se Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais
(EsFAO). A denominação Academia de Polícia Militar (APM) veio com a Lei nº 7.625,
de 21 de dezembro de 1979. Posteriormente recebeu o nome de Centro de Ensino de
Graduação - CEG e atualmente EFO - Escola de Formação de Oficiais.

Nesse caminho de desenvolvimento é criado então o Colégio Tiradentes que passou a


funcionar no Departamento de Instrução no Bairro Prado e a primeira turma foi
diplomada em 1952.

A história das atividades de Operações Especiais na Policia Militar de Minas Gerais


inicia-se em 1942 com a realização do Curso de Comandos, cujo turno foi composto por
dez Oficiais e 30 Sargentos. O objetivo do curso que durou seis meses seria preparar
um pequeno grupo da então Força Pública de Minas Gerais para missões durante a
Segunda Guerra Mundial, mais especificamente para a tomada do Arquipélago dos
Açores.

Em julho de 1955 criou-se a companhia de Policiamento Ostensivo, anexa ao Batalhão


de Guardas e com atribuição de exercer o policiamento ostensivo de Belo Horizonte. A
companhia seria comandada pelo então, Capitão Antônio Norberto dos Santos. O
treinamento de dois meses desses policiais consistia em lições de: Ação policial; armas
e instrumentos de crime, ataque e defesa, boas maneiras, conhecimento básico de leis,
instrução militar (instrução geral e armamentos, noções de técnica policial, noções
gerais de trânsito, organização policial, polícia de assistência e policiamento. O
policiamento de Belo Horizonte foi organizado nos moldes das duplas conhecidas por
Cosme e Damião e seria dividido em policiamento de área, radiopatrulha e
patrulhamento de trânsito. Essas patrulhas deveriam em suas relações com o público
deveriam seguir regras de boa convivência, entre elas: Ser acessível, justo e imparcial,
tratar com maior urbanidade o povo em geral, tratar com atenção todo cidadão, falar
pouco e somente no desempenho do serviço entre outras.

Unidade III
Na ótica dos civis e militares que tramaram o golpe o controle das polícias era uma
necessidade. Era preciso retirar-lhes o poder bélico, promover seu desarmamento e
desmobilização. Esta mesma estratégia foi usada na Primeira República e no governo
Vargas. O novo modelo introduzido pelo Exército acabou com o pluralismo policial
existente na época e deixou a PM com o policiamento ostensivo fardado e a Polícia Civil
com as investigações criminais, atividades cartorais e burocráticas. Para operacionalizar
o projeto de controle o Exército instituiu a Inspetoria Geral das Polícias Militares (IGPM),
órgão do Estado Maior do Exército com competência para dirigir diretamente as policias
militares. Até o início da década de 80, o treinamento dos policiais militares era baseado
em manuais do Exército, não possuindo especificidades policiais. Somente em 1982 a
IGPM elaborou o Manual Básico de Policiamento Ostensivo - MBPO e que foi utilizado
para: padronizar terminologias, ensejar procedimentos homogêneos, ainda que
adequados pelas peculiaridades regionais, subsidiar as polícias militares com fonte de
consulta e constituir referência bibliográfica.

A IGPM (Inspetoria Geral das Policias Militares) assinado pelo General Costa e Silva,
reorganizou as policias militares dando-lhes a exclusividade do policiamento ostensivo
e as subordinou â IGPM. O controle das polícias pelo Exército atingiu todas as áreas
(ensino, logística, efetivo, emprego operacional). No caso de Minas, a partir da década
de 1980 observa-se urna "brecha policial” por meio da qual ocorreram diversas
inovações de natureza policial, que podem ser observadas na criação de manuais,
unidades especiais de policiamento preventivo e estratégias de controle do crime.

Nos anos subsequentes, o Brasil experimentaria a resistência armada. E ela viria


inicialmente de Minas. Após 1964 ocorreu uma crescente militarização da sociedade e
um consequente enfraquecimento de suas instituições civis. Em decorrência desse
quadro, surgiram projetos, formulados por alguns setores da oposição, propondo o
confronto armado mediante ações de guerrilha. Como sintoma desse processo,
ocorreria o abandono da proposta de atuação de militantes no Interior dos sindicatos e
demais instituições e uma nova orientação com vistas ao enfrentamento direto e
imediato ao regime.

Guerrilha do Caparaó - Depois de deliberado e aprovado pelo Movimento Nacional


Revolucionário, em novembro de 1966, instalou-se na divisa entre os estados de Minas
e Espírito Santo a primeira tentativa de luta armada no Brasil após o Movimento de
1964. Sua ação restringiu-se a movimentos e treinamentos na região do Pico da
Bandeira. O principal objetivo era espalhar, a partir daquele núcleo, a luta armada pelo
Brasil.

Guerrilha do Araguaia - movimento guerrilheiro existente na região amazônica


brasileira, ao longo do rio Araguaia, entre fins da década de 1960 e a primeira metade
da década de 1970. Criada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tinha por
objetivo fomentar uma revolução socialista, a ser iniciada no campo, baseada nas
experiências vitoriosas da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa.

As tropas mineiras atuaram nesse evento ao lado das forças que depuseram o Governo
de João Goulart. Após o evento diversas mudanças foram colocadas em prática, entre
elas o controle das polícias militares pelo Governo Federal.

O modelo de segurança pública introduzido pelo Exército acabou com o pluralismo


policial (Guarda Civil, Corpo de Fiscais de Trânsito, Polícia Rodoviária do Departamento
Estadual de trânsito. A Polícia Militar seria responsável, com exclusividade pelo
policiamento ostensivo fardado, e realizaria ações preventivas e repressivas. O ensino
e a instrução da PM eram orientados, coordenados e controlados pelo Exército, por
intermédio da IGPM, mediante a elaboração de diretrizes e outros documentos
normativos.

O órgão de divulgação do Clube dos Oficiais, denominado Polícia Militar em Revista, no


ano de 1965, noticiou que no dia 02 de agosto foi instalado o 13º Batalhão de Infantaria,
criado através da lei nº 3.179, de 19 de agosto de 1964, pelo Governador do Estado.
Dr° José Magalhães Pinto. Funcionalmente a unidade seria chamada de BATALHÃO
ESCOLA receberia a denominação de "BATALHÃO VOLUNTARIOS DA PATRIA', dada
através do decreto 8.300 de 10 de março de 1965. O que confirma a informação de que
na década de 60 a unidade também era chamada de Batalhão 'Voluntários da Pátria",
homenagem feita ao Batalhão de Voluntários Mineiros que lutou na Guerra do Paraguai
(1864 -1870).

Na década de 60 o Batalhão Escola funcionava onde atualmente funciona a EFSD -


Escola de Formação de Soldados, por algum tempo o local também foi utilizado pelo
Batalhão de Choque.

Em 1975, o Departamento de Instrução passou a denominar-se Escola de Formação e


Aperfeiçoamento de Oficiais (EsFAO). Nessa época, criou-se o Centro de Formação e
Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). Isso implicou a separação física e estrutural da
formação de oficiais da de praças. Quatro anos depois, criou-se a Academia de Polícia
Militar, extinguindo-se a EsFAO e o CFAP. Criou-se, dentro da estrutura da nova escola,
um corpo para a formação de oficiais (1º Corpo de Alunos) e outro para a de sargentos
(2º Corpo de Alunos), centralizando novamente a formação de oficiais e praças. No
início da década de 1990, separou-se a formação de oficiais da de praças.

Em 1931, ocorreu nova reorganização do ensino na Força Pública e o Corpo- Escola foi
transformado em Batalhão-Escola. Em substituição ao Curso da Escola de Sargentos,
surgiria o Curso de Educação Militar. O decreto de criação determinava que fosse
organizado e instalado o Curso de Educação Militar, o que funcionaria em conformidade
com o regulamento em vigor, a Escola de Sargentos. O professor João Batista Mariano,
que ministrava instruções aos oficiais do 5° Batalhão de Caçadores, atual 5° BPM,
elaborou o plano de um Curso Técnico Militar e Propedêutico, que foi aprovado e
ministrado a todas as Unidades da Capital. O presidente Olegário Maciel, entusiasmado
com o progresso alcançado nomeou João Batista Mariano professor complementar da
Força Pública e estabeleceu as bases de um curso que beneficiasse a todos os oficiais
e sargentos. Em consequência dessa iniciativa, criou-se o Departamento de Instrução,
em 3 de março de 1934, por meio do decreto 11.252, data em que se comemora o
Aniversário da Academia de Polícia Militar.

Na década de 1970, a lei 5.692 determinou que o ensino militar tivesse regulamentação
própria. Em decorrência, instituiu-se o Sistema de Ensino da PMMG e estabeleceu-se
que o ensino profissional seria ministrado pelo Departamento de Instrução, Batalhão
Escola e Centros de Aperfeiçoamento Profissional. Em 1975, o Departamento de
Instrução passou a denominar-se Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais
(EsFAO}. Nessa época, criou-se o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças
(CFAP}. Isso implicou a separação física e estrutural da formação de oficiais da de
praças. Quatro anos depois, criou-se a Academia de Policia Militar, extinguindo-se a
EsFAO e o CFAP. Criou-se, dentro da estrutura da nova escola, um corpo para a
formação de oficiais (1º Corpo de Alunos) e outro para a de sargentos (2" Corpo de
Alunos), centralizando novamente a formação de oficiais e praças. No início da década
de 1990, separou-se a formação de oficiais da de praças.

Através do Decreto-Lei nº 1072, de 30/12/69, o policiamento ostensivo passou a ser


executado exclusivamente pela Policia Militar de Minas Gerais, sendo percebido então
a necessidade de existência de uma Unidade operacional responsável pela
coordenação e o controle dos recursos humanos e materiais empregados e, assim, em
1969 passou a funcionar o embrião do COPOM/BH (Centro de Operações da PM). Em
2001, através da Resolução nº 3580 de 19 de março, foi criado o CICOp (Centro
Integrado de Comunicações Operacionais), que acabou por absorver o GEGECOP
(Centro Geral de Comunicações Operacionais), CCR (Centro de Comunicações
Regionais, da 7° RPM) e o COPOM, de forma a facilitar a harmonização dos esforços e
comunicações operacionais.
As atividades cotidianas do policiamento ostensivo necessitavam de apoio feminino
devido as ocorrências envolvendo menores, crianças, mulheres envolvidas em delitos e
para atender essa demanda foi criada a Companhia de Polícia Feminina, através do
decreto 21.339 de 29 de maio de 1981 e tinha como missão realizar o policiamento
ostensivo. Em 1991 foi extinta a Companhia de Polícia Feminina devido ao fato de que
seu efetivo trabalhava descentralizado e subordinado a outros batalhões.

Unidade IV
A Constituição de 1988 manteve o pretenso modelo de segurança pública estabelecido
pelo Regime Militar de 1964. Os legisladores consideraram que o modelo de 64 atendia
os requisitos de um Estado de Direito democrático, ou essa contradição não foi
percebida. A Constituição não apostou na inovação. Ela não encerrou os debates sobre
o caráter militar da polícia ostensiva e a dicotomia polícia civil/polícia militar. Um dos
reflexos dessas discussões foi o lançamento, em 1988, do Policiamento Distrital. Sua
estratégia combinava a ideia da malha protetora metropolitana com a experiência do
policiamento comunitário já praticado em pequenos municípios do interior. O policial, um
sargento ou cabo, deveria conhecer os moradores do bairro e ser conhecido por eles.
Eram feitas reuniões para definir metas para o policiamento do distrito. Em 1991 o
projeto foi desativado.

Teoria da malha Protetora do Policiamento Ostensivo


Era uma estratégia de policiamento preventivo que partia da seguinte premissa:
ocupando-se os "espaços vazios de segurança", suprimiam-se as oportunidades para a
atuação de infratores.
Sua estratégia operacional era resultado da combinação da ideia da MALHA
PROTETORA metropolitana com a experiência do POLICIAMENTO COMUNITÁRIO, já
praticado em pequenos municípios. O policial deveria conhecer os moradores do bairro
e ser conhecido por eles. Um grupo de policiais seria responsável pela segurança em
uma localidade e, ali resolveria tudo por estar integrado à comunidade. Realizavam
reuniões para se definir as metas e planos para o policiamento do distrito.

Distrito
Divisão territorial de uma cidade a cargo de uma autoridade administrativa, judicial ou
fiscal e que abrange um ou mais bairros, não possuindo administração própria, isto é,
sem autonomia administrativa.

Policiamento Distrital
Alocação em todos os pontos (distritos) de Belo Horizonte, de recursos humanos e
materiais, visando a manutenção da ordem e da tranquilidade pública, através de ações
e/ou operações policiais militares.

Subsetor
Menor espaço geográfico da Capital, no qual a Policia Militar tem perfeito controle sobre
o atendimento de ocorrências e cadastro de logradouros, constitui a base do
"Policiamento Distrital".

Do ponto de vista psicológico o Movimento de 1997 pode ser interpretado como uma
catarse coletiva que modificou o modo como os militares se viam. O conflito serviu de
impulso para emancipação daqueles sujeitos. Desde então, os militares passaram por
uma redefinição identitária, que fez mover a Instituição internamente que refletiu na
formação e diretrizes de atuação. A tomada de consciência de seus lugares como
sujeitos de direitos e de suas funções sociais deu lugar a interpretação do trabalho
policial do militar a partir de uma redefinição, no campo prático.
O "Movimento de Minas” gerou um "efeito cascata" que atingiu diversas polícias no
Brasil. Por sua vez, as rupturas provenientes dos movimentos reivindicatórios dos
policiais geraram uma verdadeira crise, gerando instabilidade, incerteza e medo por
parte dos governos estaduais e federal. Diante desse quadro, o governo federal, criou
a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). A SENASP representou uma
quebra da hegemonia do Exército sobre as polícias, que realizava a coordenação e
controle por meio da Inspetoria Geral das Policias Militares. A SENASP, idealizada e
composta por pesquisadores das Ciências Sociais emergiu como agente central
promotor das reformas das polícias no Brasil.

GEOPROCESSAMENTO
É aplicado com a finalidade de visualizar no mapa o comportamento criminal em uma
determinada localidade. Essas informações geográficas podem conter dados como:
endereço, estabelecimentos comerciais, escola, bancos, aglomerados etc. De posse
desses dados é possível racionalizar e potencializar o emprego dos talentos e recursos
materiais, buscando-se a redução das taxas de crimes. Para tanto, é necessário a
participação da Comunidade e dos demais órgãos que compõem o Sistema de Defesa
Social. Esse sistema de informação de dados proporciona a verificação da concentração
de crimes (por ano, dia do mês, da semana e faixa horária); formulação de hipóteses
sobre determinados delitos; estudo do comportamento do cidadão infrator ou grupos
infratores; estudo socioeconómico e cultural da população e acompanhamento do Crime
Organizado.

Em 1975, o Departamento de Instrução passou a denominar-se Escola de Formação e


Aperfeiçoamento de Oficiais (EsFAO). Nessa época, criou-se o Centro de Formação e
Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). Isso implicou a separação física e estrutural da
formação de oficiais da de praças. Quatro anos depois, criou-se a Academia de Policia
Militar, extinguindo-se a EsFAO e o CFAP. Criou-se, dentro da estrutura da nova escola,
um corpo para a formação de oficiais (1º Corpo de Alunos) e outro para a de sargentos
(2º Corpo de Alunos), centralizando novamente a formação de oficiais e praças. No
início da década de 1990, separou-se a formação de oficiais da de praças. Em 24 de
outubro de 2001, através da Resolução 3.628/2000, a Academia de Polícia Militar seria
transformada em Instituto de Educação de Segurança Pública (IESP). Faziam parte do
IESP o Centro de Pesquisa e Pós-graduação, Centro de Ensino de Graduação, Centro
de Ensino Técnico e Centro de Treinamento Policial. Para dar-lhes suporte
administrativo, foi criado o Centro de Administração de Ensino. As Escolas. Embora
tivessem vínculos entre si e com o Instituto, mantinham-se autônomas, de acordo com
a modalidade de ensino ou treinamento de cada uma. Em 2003, com a Resolução n.
3.726 de 03 de julho 2003, o Instituto de Educação de Segurança Pública volta a
denominar-se Academia de Polícia Militar (APM). Todavia, a estrutura do IESP
permanece.

Compreendeu-se que o principal fator que levou a criação do Batalhão de Polícia de


Choque (BPChq) foi uma sensação de incapacidade institucional para fazer frente a
movimentos tão complexos e de tamanho impacto na sociedade. Desse modo, constata-
se que o movimento dos operários da construção civil, ocorrido em Belo Horizonte, em
30 de julho de 1979, foi o principal fator determinante na criação do BPChq, a partir de
21 de dezembro de 1979, e sua instalação, a partir de 1 ° de janeiro de 1980.

Com o processo de redemocratização do Brasil, iniciado com o fim do governo dos


militares, e que culminou com a Constituição de 1988, novas diretrizes se apresentaram
para todas as instituições de Estado, entre elas, as policias, e em especial para aquelas
de caráter militarizado. Elas permanecem com a dupla função: exercer atividades
policiais e ser reserva do Exército. Em mais de dois séculos da atividade policial em
Minas foram criadas diversas identidades, o que impactou no perfil e modus operandi
do policial. Entretanto, a estrutura e a formação militar permaneceram em lodos os
momentos. A década de 1990 inaugurou um novo ciclo de formação para o policial-
militar de Minas Gerais. Em 1993, a polícia militar instituiu formalmente a filosofia de
atuação denominada polícia comunitária, experiência que estava sendo construída pelo
menos desde meados da década de 1980. O incentivo à criatividade e o respeito à
dignidade da pessoa humana no desempenho das atividades policiais fazem parte de
recomendações, normas institucionais e de treinamentos realizados no Centro de
Treinamento Policial e em outras unidades de ensino, por meio de cursos de
especialização, atualização e de exames de aptidões profissionais compulsórios como
forma de progressão na carreira e, consequentemente de melhoria salarial e de auto
realização.

A partir de 1999 ocorreram transformações que impactaram os currículos dos cursos da


polícia: cursos iniciais de acesso (soldado, sargento e oficiais); exames de aptidão
profissional e cursos de aperfeiçoamento e especialização (sargentos, tenentes,
capitães); cursos de especialização em nível estratégico (majores e tenentes-coronéis);
e, sobretudo, nos treinamentos policiais básicos bianuais em que participam todos os
policiais, de soldado ao coronel. Nesse treinamento policial básico, com duração de uma
semana, todos os policiais são submetidos a avaliações práticas e teóricas. No século
XXI o policial de rua, responsável pela atividade de prevenção criminal de natureza
ostensiva emerge como um "militar de novo tipo”. Ele se percebe como um militar
estadual a serviço da cidadania no cumprimento do "mandato policial', proveniente da
autorização da sociedade, sendo exercido de forma legal, legítima e consentida.

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