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Auditoria de Consumo de Energia Elétrica

O documento descreve princípios de eficiência energética e fatores que afetam a conversão e consumo de energia elétrica em instalações industriais, incluindo diagramas de carga e estrutura tarifária.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Auditoria de Consumo de Energia Elétrica

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INSTITUTO DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

MÓDULO: Realizar Auditorias de Consumo de Energia Eléctrica nas Instalações


Industriais
PLANO DAS SESSÕES: 01 a 08
Qualificação: Electricidade Industrial Turmas: TEI-1,2,3,4/CV5
Semanas de: 15/04/2024 a 20/04/2024
Elemento de Competência 1: Conhecer os princípios de poupança de energia eléctrica nas
instalações eléctricas industriais.
Critérios de Desempenho
a) Explicar o princípio de conversão de energia eléctrica em outras formas de energia nas
industrias;
b) Identificar os factores que afectam a eficiência do processo de conversão de energia
eléctrica;
c) Identificar os factores que entram na estrutura tarifária de consumidores de energia
eléctrica industriais.
Evidências requeridas
a) b) Evidência escrita ou oral de conhecimento dos princípios de conversão eficiente de
energia eléctrica;
c) Evidência escrita de conhecimento da estrutura tarifária de consumidores industriais de
energia eléctrica.

Resultado de Aprendizagem 1 :
O formador deverá introduzir e pôr à discussão os seguintes temas: tipos/natureza de
cargas eléctricas industriais; princípios de conversão electro-energética e
índices característicos; rendimento, eficiência energética e factores
determinantes; diagramas de carga industriais típicos; estrutura tarifária e
factores de penalização; potencial de poupança de energia eléctrica; factores de
controlo da demanda de energia eléctrica nomeadamente o factor de potência; o
factor de carga máxima.

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 1


Elemento de Competência 1. Conhecer os princípios de poupança de energia
eléctrica nas instalações eléctricas industriais

1.1. Explicar o princípio de conversão de energia eléctrica em outras formas de


energia nas industrias

1.2. Princípio de conversão de energia eléctrica em outras formas de energia nas


industrias

As fontes convencionais de energia natural para a produção de energia eléctrica


actualmente usadas são :
▪ Energia hídrica (através das barragens hidroeléctricas ao longo dos rios e
mares);
▪ Energia térmica (através da queima de combustíveis sólidos como o carvão,
combustíveis líquidos como o petróleo e seus derivados, combustíveis gasosos
como o gás natural);
▪ Energia nuclear;
▪ Energia geotérmica.
Para conveniência do estudo, um sistema energético completo pode subdividir-se nos
seguintes sub-sistemas:

1) Sub-sistemas de alimentação dos recursos energéticos primários, Englobando


as fontes de energia, empresas de extracção e o transporte para as unidades de
consumo;
2) Sub-sistema de energia eléctrica, O qual inclui as centrais eléctricas, as redes de
transporte e distribuição, as subestações e ainda as diferentes instalações de utilização
de energia eléctrica;
3) Sub-sistema de energia térmica, Que inclui as centrais termo-eléctricas, geradores
de vapor e outras fontes de energia térmica, redes de distribuição térmica e as
respectivas instalações de utilização;
4) Sub-sistema de abastecimento de energia mecânica, Que inclui certos sistemas
de produção de ar comprimido, os conversores de energia térmica em mecânica, os
utilizadores de energia mecânica.
A figura 1.1 mostra um exemplo simplificado de um sistema energético complexo, com
alguns dos seus componentes típicos.

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 2


Figura 1.1. Esquema simplificado de um sistema electroenergético.

As centrais eléctricas são instalações responsáveis pela transformação dos recursos


energéticos primários em energia eléctrica.

Os aparelhos que transformam a energia eléctrica em outras formas de energia são


designados receptores eléctricos. Constituem exemplos, os fornos eléctricos que
transformam a energia eléctrica em calorífica, aparelhagem de iluminação que converte
a energia eléctrica em energia luminosa, bem como os motores eléctricos que
transformam-na em energia mecânica.

1.2. Identificar os factores que afectam a eficiência do processo de conversão de


energia eléctrica

As medidas para eficiência energética são acções que podem ser tomadas para gerar
uma diminuição dos gastos com energia, ou seja, são acções que desenvolvem a
eficiência energética que por consequência nos mostra a oportunidade para economia
de energia.
Durante a auditoria energética devem-se identificar todas as medidas para eficiência
energética aplicáveis na instalação industrial que é objecto da auditoria.

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 3


A primeira medida para eficiência energética que podemos citar é a análise da factura
de energia que serve essencialmente para verificar se a opção tarifária da empresa é
a melhor, analisar a distribuição dos consumos por horas de pontas, fora de pontas,
verificar se existe pagamento de energia reactiva ou não e observar a evolução da
potência em horas de ponta e da potência contratada.
Aponta, além da análise da factura de energia eléctrica mostrada anteriormente,
podemos ter como principais medidas para eficiência energética os itens:
1.2.1. Distribuição de Energia:
a) Verificar o factor de potência da instalação e considerar a utilização de baterias de
condensadores;
b) Verificar a existência de transformadores próximos do fim do seu tempo de vida útil e
considerar substituí-los por transformadores eficientes, localizados junto aos centros de
cargas;
c) Verificar níveis de tensão da instalação e considerar a utilização de cabos de secção
superior para diminuir as quedas de tensão e as perdas;
d) Verificar a existência de desequilíbrio de fases e considerar uma redistribuição de
cargas monofásicas.
▪ Motores:
a) Verificar a eficiência energética dos motores existentes e considerar substitui-los por
motores mais eficientes;
b) Verificar a possibilidade de usar variadores electrónicos de velocidade para os
motores que funcionam com cargas variáveis;
c) Verificar a existência de motores sobredimensionados e considerar substitui-los por
motores menores;
d) Verificar a existência de motores em funcionamento quando não são necessários.
Também pode - se incluir nas medidas para eficiência energética a manutenção de
equipamentos, pelo facto de uma boa manutenção em períodos certos evitar defeitos e
perdas, no qual se traduz em um maior gasto. O planeamento, a programação e a
execução da manutenção são actividades operacionais muito importantes em uma
indústria.
Se executadas adequadamente, um dos resultados positivos, sob o aspecto técnico, é
a conservação de energia. O funcionamento das máquinas, equipamentos e
instalações fora de suas condições normais é uma das consequências de uma

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 4


manutenção precária e provoca, ordinariamente, consumo excessivo de energia. Uma
máquina operatriz desajustada, com lubrificação deficiente, e às vezes até com peças
defeituosas, solicita uma potência do motor eléctrico muito superior àquela requerida se
a máquina estivesse em perfeitas condições de conservação, provocando um gasto
considerável de energia.
1.3. Identificar os factores que entram na estrutura tarifária de consumidores de
energia eléctrica industriais

Para a adopção de estratégias para a optimização do uso de energia eléctrica, torna-se


indispensável perfeito conhecimento e a sistematização de tarifas, pois cabe às
concessionárias calcular as facturas em função de:

a) consumo em kWh;
b) dentro de um período de tempo determinado;
c) dependendo do factor de potência;
d) diferentes tipos de tarifas.

A regulamentação do sistema tarifário tem, entre outros, os seguintes objectivos:


igualdade de tratamento e de oportunidades, uniformidade tarifária dentro do sistema
energético nacional (SEN), contribuição para melhoria das condições ambientais,
protecção dos clientes face à evolução das tarifas, limitação de eventuais aumentos de
preços e estabilidade de tarifas.

Um dos elementos fundamentais para a projecção de qualquer sistemas energéticos é


o diagrama de cargas.

Partindo deste, é possível determinar com racionalidade o melhor momento para a


incrementação dos consumidores bem como a determinação das possibilidades de o
sistema servir a outros interessados sem que necessariamente, representa uma
necessidade de incremento da capacidade dos sistemas energéticos.

1.3.1. Diagrama de cargas

A energia eléctrica não é um produto simples, mensurável dum único parâmetro. As


características do consumo impõem a modulação da energia consumida no tempo
através de uma função.

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Diagramas de cargas traduzem a variação do consumo de energia ao longo das horas
do dia e dos dias do ano

Interpretando o diagrama acima, podemos estruturar o consumo da seguinte forma:

▪ Das 0 as 6 h, o consumo resulta, fundamentalmente, da iluminação pública;


▪ Das 6 a 8h, há crescimento do consumo resultante do uso de meios de
transporte, tal é o caso das grandes cidades, que usam os “eléctricos”;
▪ Das 8 as 12 h, as grandes indústrias estão em laboração, resultando dai que o
consumo atinge o seu pico.

Outro pico de consumo pode ser visualizado a certas horas da noite em que a maior
parte da população se encontra a confeccionar os seus alimentos, as escolas em plena
leccionação e o uso dos vários electrodomésticos no auge.

1.3.2. Redes eléctricas

De igual maneira temos a variação da potência nas redes eléctricas que alimentam as
instalações diversas. Veja a variação da potência em função do tempo.

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 6


1.3.3. Diagramas de potências classificadas

Caro(a) estudante, você pode visualizar a variação da potência em função do tempo.

Este diagrama é importante para o dimensionamento do sistema bem como para uma
melhor planificação de inserção de cargas no sistema. Do diagrama se podem ler as
potências mínimas e máximas.

1.3.4. Factor de carga

O factor de carga indica-nos o grau de “carregamento” de um sistema eléctrico. Isto é,


a relação entre a potência máxima do sistema e a potência média do referido sistema.
Este factor pode ser representado na forma percentual.

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 7


Figura 1.5-

Pmax
FC = (1.1)
P0

Onde:
Fc – Factor de carga.
Pmax – Potência máxima.
Po – Potencia média.

Fd =
P i
(1.2)
PC

Onde:
Fd – Factor de diversidade;
Pi – Pontas individuais;

Pc – Ponta de carga do conjunto.

PC 1
FS = = (1.3)
 Pi Fd
Onde:

Fs – Factor de simultaneidade.

Exemplo:

Num sistema eléctrico, foi registado a potência máxima de 500 kW e uma média de 450
kW. determinar a percentagem de carregamento do referido sistema eléctrico.
MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 8
Resolução:

Usando a fórmula (1) e, procedendo à substituição dos valores de Pmax e Po, obtemos
que o carregamento do sistema é de:

Pmax 500
FC = = = 1,111 = 111%
P0 450

Figura 1.6-

a) Formas de alterar a evolução normal do diagrama de cargas

A evolução do diagrama de cargas é controlável através de várias medidas de gestão


de energia para assegurar a redução dos picos e, por essa via, evitar a saturação dos
sistemas energéticos. Uma das medidas mais usadas em países com políticas de
gestão de energia consiste em oferecer taxas bonificadas para os utilizadores de
energia em momentos “vazio” e a penalização nos momentos de pico.

b) Redução dos Picos


▪ Aquecimento ambiente;
▪ Aquecimento de água;
▪ Ar condicionado;
▪ Irrigação.
c) Redução dos vazios (diurnos ou nocturnos)
▪ Aquecimento ambiente (“stronge heating”);
▪ Bombas de irrigação;
▪ Ar condicionado;
▪ indústrias (fornos, processos químicos,…).
d) Processos para melhorar a forma do diagrama de cargas:
MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 9
▪ Tarifação múltipla da energia eléctrica;
▪ Corte de cargas não essenciais em determinadas horas do dia;
▪ Introdução da taxa de potência;
▪ Comando automático, em grandes edifícios e centros comerciais do
consumo de energia por corte automático de cargas não essenciais
(aquecimento ambiente, nível de iluminação atendendo à iluminação
natural), por meio de microprocessadores devidamente programados.

O consumo é estimulado nas horas de vazio e desencorajado nas horas de


ponta; Mais consumidores podem ser alimentados sem ter que ampliar a
capacidade dos sistemas de produção ou transporte.

1.3.5. Condições que influenciam a forma do diagrama de cargas

▪ Época do ano;
▪ Dia da semana;
▪ Hora do dia;
▪ Condições atmosféricas;
▪ Acontecimentos especiais;
▪ Legislação adequada.

1.3.6. Controlo dos consumos

O controlo pode ser:

▪ Global utilizando equipamento da concessionária;


▪ Sectorial utilizando equipamento próprio;
▪ Por ponto de utilização utilizando equipamento próprio;
▪ Quando utilizando equipamento de medida;
- Mensal;
- Semanal;
- Diário.
▪ Sistemas automáticos de monitorização e registo;
- horário;
- 15 em 15 minutos;

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 10


- Contínuo.

Caracterização das cargas sob o ponto de vista eléctrico:

▪ Pela potência;
▪ Pela sua simetria;
▪ Pela sua dependência em relação à frequência e à tensão;
▪ pelo tipo de uso (regular ou aleatório).

Cargas:

▪ Industriais;
▪ Cíclicas (≈ 8 horas – 18 horas);
▪ Motores;
▪ Domésticas.

1.3.7. Melhoria da forma do diagrama de carga

▪ Tarifação múltipla da energia eléctrica;


▪ Controlo de cargas;
▪ Taxa de potência.

As medidas para a melhoria da forma do diagrama de carga necessitam de uma


conveniente sensibilização dos consumidores e de serem acompanhadas de vantagens
tarifárias.

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 11


Referências
1. Manual sobre a elaboração de módulos curriculares, PIREP 2008
2. Manual sobre Desenvolvimento e Registo de Unidades de Competência, PIREP
2008
3. Esboço sobre Padrões de Formação – Qualificações Profissionais, Manutenção
Industrial, V 0.3, Maputo 2008
4. Eficiência Energética e Gestão de Energia na Indústria: Manual Técnico Orientativo;
Celesc, SA, Brasil, 2010;
5. C. Fernandes Assis, A. A. Lobo, Identificação de Oportunidades de Poupança de
Energia Eléctrica nas fábricas de Cimento da Matola e de Refrigerantes Coca Cola da
Machava, Maputo, 2004.

Avaliação Formativa Nº 1

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Caro(a) formando(a)

Depois da consideração que foi feita, verifique se percebeu a matéria até aqui
abordada, respondendo as questões que seguem.

1. Enumerar as principais formas mais conhecidas de geração ou transformação

da energia eléctrica.

2. Explicar em que consiste a geração de energia eléctrica nas centrais:


a) Hidroeléctricas.
b) Termoeléctricas.
c) Solares.

d) Nucleares.

3. Explicar o princípio de conversão de energia eléctrica em outras formas de

energia nas instalações eléctricas indústrias.

4. Durante a alimentação dos consumidores industriais, vários factores afectam a

eficiência do processo de conversão de energia eléctrica. Quais são?

5. A estrutura tarifária dos consumidores de energia eléctrica industriais depende

de vários factores. Quais são?

6. A estrutura tarifária dos consumidores de energia eléctrica industriais depende


entre vários factores dos factores de carga e de potência.
a) Explicar como é que o factor de potência influencia na estrutura tarifária dos
consumidores de energia eléctrica.
b) Explicar como é que o factor de carga influencia na estrutura tarifária dos
consumidores de energia eléctrica.
7. Numa instalação industrial foram observados os seguintes consumos por
intervalos de tempo:

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 13


Intervalo de tempo(h) Potências (kW)
0–6 500
6 – 12 1000
12 – 18 1500
18 – 24 800

Para a referida instalação:

a) desenhar o diagrama de cargas;


b) determinar a potência média.
c) calcular o factor de carga.
d) determinar o factor de simultaneidade.
8. Quais são as vantagens de se conseguir um diagrama de cargas suave (sem
muitos picos)?
9. Na sua opinião, quais são os factores mais importantes que influenciam a forma
do diagrama de cargas?
10. De que forma podemos controlar os consumos de carga de um sistema
eléctrico?
11. Para a efectivação do cálculo de sistemas eléctricos, como é que devemos
dividir (agrupar) as cargas?

MÓDULO: RACEEII Formador: Engº. Zefanias Malate Página 14

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